All language subtitles for Jean Cocteau - O Testamento de Orfeu

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Original subtitles

O privil�gio do cinema...

� permitir a um grande n�mero de pessoas...

de sonhar o mesmo sonho juntos...

e de nos apresentar a ilus�o como se fosse a pura realidade.

Isto �, em resumo, um admir�vel ve�culo para a poesia.

Meu filme n�o � nada diferente de um strip-tease...

gradualmente tirando a pele do meu corpo...

para revelar minha alma nua.

Para uma audi�ncia bastante ansiosa por esta verdade al�m da verdade...

que se tornar� um dia...

o sinal de nossa �poca.

Este � o legado de um poeta para a mocidade...

na qual ele sempre encontrou apoio.

Como meu chap�u era inc�modo, mandei-o de volta � outra �poca...

para qual eu poderia partir a qualquer minuto.

Gostaria de falar com o professor.

- O que voc� est� fazendo aqui? - Nada. � filho do professor?

Meu pai era um arquiteto, mas est� morto.

Eu sou o que espera se tornar um professor famoso.

Quero dizer, algum dia pelo menos.

Entendo.

Tendo esquecido minhas luvas...

tive que assustar o menino novamente.

Perdoe-me.

Senhor! Senhor!

Encantador.

Esse foi meu segundo encontro...

com uma pessoa, cujo destino eu tinha confundido contra toda a l�gica.

N�o tenha medo, senhorita.

Estas roupas s�o o resultado de uma aposta.

Seria o professor que voc� est� empurrando na cadeira de rodas?

Sim. Mas voc� pode explicar...

Imposs�vel.

Posso lhe fazer uma pergunta?

O professor n�o pode lhe ouvir, nem lhe responder.

Quando era um beb�, algo assustou a m�e dele... n�o sei o que...

e ela o deixou cair de cabe�a.

Ele n�o sofreu nada...

at� que um dia...

Anulado!

A vida do professor ficou pendurada por um fio.

E a linha partiu.

Afinal peguei a caixa que iria me deixar livre.

Acariciei isto amorosamente.

N�o � nada.

Fecharei um pouco meus olhos, ent�o serei capaz...

de continuar nossa pesquisa.

Devo lhe aplicar uma inje��o, Professor?

N�o.

Deixe-me s� um pouco.

Vou me sentir bem em alguns minutos.

� por causa da queda que tive.

Ningu�m deve falar sobre este tolo acidente que tive.

Provavelmente houve uma queda diferente...

na hist�ria do professor quando beb�...

mas o destino tinha me feito respons�vel por isto.

Ol�.

Voc� n�o me reconhece?

Eu acredito, eu...

Pense com firmeza.

N�o foi voc� a estranha personagem que apareceu...

pra mim, quando era um menino?

Est� certo.

Eu tinha treze anos.

Lembro-me disto como se fosse ontem.

Voc� realmente me amedrontou.

Eu gostaria de entender.

Professor...

voc� pode ser a �nica pessoa no mundo...

capaz de n�o tentar entender...

e tamb�m capaz de compreender o incompreens�vel.

Eu quis saber muito...

e eu estou pagando por minha loucura.

Fiquei perdido no espa�o-tempo.

Tenho procurado-o, e n�o foi f�cil.

Esta roupa n�o � uma fantasia teatral.

Ela pertence ao per�odo para qual uma fuga perigosa me levou.

- Que ano � este? - 1959.

Meu Deus!

Se meus c�Iculos est�o corretos, deveria ser 2209.

Eu j� n�o estaria aqui.

Professor Langevin...

Professor Langevin era ing�nuo, como todos os estudantes.

S� no s�culo 19 poderia acreditar em ci�ncias exatas.

Ele n�o sabia que o tempo obedece as mesmas leis do espa�o.

Realmente, isto �, 250 anos desde a sua partida.

Mas o seu retorno deixa-os fora.

Esses 250 anos n�o s�o do nosso interesse.

Posso perguntar como voc� conduziu...

a viajem no tempo?

Poetas sabem muitas coisas temerosas.

Mais do que n�s fazemos, �s vezes, eu penso.

Professor, � dif�cil para explicar o come�o do infinito...

e at� mesmo mais dif�cil para viver no infinito.

A pessoa ficaria confusa.

Eu o encontrei em v�rias fases da sua vida...

em r�pida sucess�o, completamente, fora da ordem cronol�gica.

A alguns momentos atr�s o conheci como um homem muito velho...

meu querido professor.

Sua m�o paralisada deixou cair esta caixa...

a qual apanhei, e ent�o, por fazer isto, acredito...

que prestei um servi�o a n�s dois.

Isto � incr�vel.

Isto prova a voc� que n�o � um eufemismo...

e que realmente superarei os obst�culos que me cercam.

Mas temo que ser� dif�cil fazer minha descoberta ficar conhecida.

Se n�o fosse por voc�, teria perecido junto com...

um homem velho e doente.

Eu n�o tenho raz�o?

Isto � incr�vel.

Mas diga-me, meu caro senhor...

de homem pra homem...

eu morro aqui em sua presen�a?

Perdoe-me, Professor...

mas tenho uma mem�ria muito fraca para o futuro.

Voc� conhece a propriedade destas balas?

A primeira vista, elas poderiam engan�-Io.

Est� tudo no p� que tem dentro.

Foram suas balas que me fizeram procur�-Io...

atrav�s deste terr�vel e bamboleante espa�o-tempo.

Se n�o me engano, suas balas s�o mais r�pidas que a luz.

Professor, quero ser a sua cobaia.

� a minha �nica salva��o...

minha �nica esperan�a de voltar.

Voc� tem uma arma?

Voc� esquece que a �nica arma que eu gostaria de ter seria uma morda�a.

O que eu estava pensando? Tenho o que precisamos aqui na gaveta.

Cientistas t�m que ter armas nestes dias.

- Voc� fuma? - N�o direi que n�o.

Para fumar em 1770...

tive que fingir ter inventado o cigarro.

Eles disseram que era uma inven��o absurda...

e que nunca teria �xito.

Voc� percebe, ou n�o, que minha experi�ncia requer...

que eu o mate primeiro?

Falando relativamente. Est� certo que isto funcionar�?

Absolutamente.

Desdobrarei uma dobra no tempo.

Tudo o que voc� experimentou ser� apagado...

como n�meros de um quadro-negro.

Eu sei a contagem.

N�o tenha medo.

Pronto?

Fogo!

O professor era muito inteligente, e n�o entendeu...

que uma mera mudan�a de roupa...

n�o seria o suficiente para me fazer voltar no nosso tempo...

na carne.

Boa sorte!

Devo minha vida a voc�.

Voc� sabe, posso ser respons�vel pelo que pode acontecer agora!

Isso � um risco profissional.

De longe reconheci a fotografia de C�geste...

do final de meu filme Orfeu.

O homem-cavalo me aborreceu.

Eu sentia que ele me conduziria para uma armadilha...

e que n�o deveria t�-lo seguido.

O destino me falou que estava a ponto de fazer algo tolo...

lan�ando os peda�os da foto de C�geste no mar.

C�geste!

Foi voc� que me chamou.

Quase n�o o reconhe�o. Voc� era loiro.

Num filme. Mas isto � maior que um filme. Isto � a vida.

- Voc� estava morto. - Como todo mundo.

Por que volta do mar?

Por que, sempre por que.

Voc� quer saber muito. � um grave erro.

- J� ouvi esta frase. - Foi voc� quem escreveu isto.

Leve esta flor.

Mas... esta flor est� morta.

- Voc� n�o � perito em Fenixologia? - O que � isso?

A arte de morrer repetidamente e renascer.

N�o gosto desta flor morta.

Ningu�m nem sempre pode reviver a pessoa que ama.

Vamos.

- Onde n�s vamos? - N�o me fa�a mais perguntas.

Judith acabou de cortar a cabe�a de Holofernes...

o general de Nabucodenosor.

A sua criada menina anda sem destino na entrada...

onde a decapita��o aconteceu.

Judith n�o � mais uma mulher, a filha de um rico banqueiro judeu.

De agora em diante ela � o reposit�rio da sua pr�pria lenda...

e, como tal, no luar...

ela passa atrav�s dos guardas adormecidos.

Escute cuidadosamente agora.

Antigamente, quando ela tinha a sua tape�aria...

s� para desvendar isto e recome�ar?

- Penelope. - Muito bom.

E quem era Penelope?

Penelope foi � �Itima prova��o...

que Ulysses teve que enfrentar no final da sua viagem.

Muito bom!

E o que esta tape�aria representa?

Judith e Holofernes.

E quem projetou isto?

Jean Cocteau.

E quem � Jean Cocteau?

- Um violonista? - Exato.

E este m�sico toca o seu viol�o...

Ele toca...

Ele toca...

Ele toca o palha�o.

N�o, voc� estava pensando no fagote.

Ele toca e existe um artista.

Vamos dar a nossa jovem candidata uma grande salva de palmas!

Mais r�pido. A noite levanta gritando.

Traga sua noite para a luz do dia.

N�s veremos quem d� as ordens e quem as executa.

Naturalmente, obras de arte criem-se...

e sonhem como matar os seus criadores.

Claro que elas existem antes dos artistas as descobrirem.

Mas isto sempre � Orfeu, sempre �dipo.

Em um castelo novo, esperei achar um fantasma novo...

e que uma flor poderia p�-los a voar.

Isto n�o se usa.

Um artista sempre pinta o seu pr�prio retrato.

Voc� nunca pintar� esta flor.

Merda! Merda! Merda!

Voc� n�o est� envergonhado?

Agora � a sua vez, Doutor. Mostre-nos sua habilidade.

- Vamos. - Onde voc� est� me levando?

- Para a Deusa. - Que Deusa?

Alguns a chamam Pallas Athene, outros Minerva.

- Ela n�o est� para brincadeiras. - E se eu recusar?

Isto � uma ordem.

Aconselho que n�o desobede�a.

- E a flor? - Leve para ela.

Afinal de contas, uma deusa � uma mulher...

e as mulheres nunca contestam as flores oferecidas.

Eu n�o irei.

Voc� me deixou s� na zona onde os vivos n�o est�o vivos...

e o mortos n�o est�o mortos.

A Princesa presa e o Heurtebise que...

se transformou em mim, que cuidado voc� teve.

Obede�a!

Eu obedecerei.

Bem!

Bem o qu�?

Perdoe-me.

Eu devo ser v�tima de uma semelhan�a extraordin�ria.

O que voc�s est�o fazendo aqui?

Eu farei as perguntas.

N�s somos o comit� investigativo de um tribunal...

ante a qual voc� com certeza tem que responder pelos seus atos.

Este tribunal deseja saber se voc� pleiteia ser culpado ou inocente.

Por favor, voc�, leia as duas acusa��es?

Primeiro, voc� � acusado de inoc�ncia.

Sendo culpado e culpado de todos os crimes, mas um em particular...

voc� poder� ser condenado por este tribunal.

Segundo...

voc� � acusado de tentar atravessar repetidamente para outro mundo.

Voc� pleiteia ser culpado ou inocente?

Culpa nas duas acusa��es.

Eu sou acusado por crimes que n�o cometi, e...

tenho tentado freq�entemente escalar esta quarta parede misteriosa...

na qual, os homens inscrevem seus amores e os seus sonhos.

Por qu�?

Cansado deste mundo, talvez, e um �dio pelos h�bitos.

Desafiando as regras...

e o esp�rito criativo, que � a forma mais alta...

do esp�rito de contradi��o da humanidade.

Se n�o estou enganada...

voc� desobedeceu a sua voca��o?

O que as crian�as...

os her�is, os artistas fazem sem isto?

Eles poderiam se retirar em suas estrelas.

N�s n�o estamos aqui para uma competi��o de eloq��ncia.

Ponha a flor aqui.

Onde voc� pegou esta flor?

C�geste me deu.

C�geste, acredito, que � o nome de um templo na Sic�lia.

Tamb�m � o nome de um poeta no meu filme Orfeu.

Antes disso, era o nome de um anjo em meu poema "L'ange Heurtebise."

O que voc� quer dizer com "filme"?

Um filme � uma fonte de materializa��o da consci�ncia.

Um filme ressuscita a��es inanimadas.

Um filme permite a pessoa fazer que a realidade pare�a...

que � irreal.

O que voc� quer dizer com "irreal?"

Que as mentiras est�o al�m dos nossos pequenos limites.

Algu�m, voc� quer dizer, � como um inv�lido sem bra�os ou pernas...

que sonha que est� correndo e gesticulando.

Voc� deu uma excelente defini��o de um poeta.

O que voc� quer dizer com "poeta?"

Criando poemas, o poeta usa uma lingua...

nem viva nem morta...

falada por poucos...

e entendida por poucos.

Por que eles usam esta lingua?

Para contatar o seu pr�prio tipo de mundo...

onde o exibicionismo que comp�e a personagem...

normalmente � praticado pelos cegos.

Sim?

Quem � voc�?

O filho adotado deste homem.

Meu verdadeiro nome � Edouard. Sou um pintor.

Ele diz que voc� � um poeta...

que se chama C�geste.

"C�geste" � um apelido?

Um pseud�nimo seria mais preciso.

Seu franc�s � mesmo um idioma sutil.

A alguns minutos terrestres atr�s...

voc� n�o recorreu a um idioma...

proibido neste mundo?

Sim, num momento de raiva. Eu confesso.

N�o fa�a novamente.

Quem autorizou que voc� aparecesse a este homem com esta flor?

A flor estava morta.

Ordenaram que eu o fizesse reaviv�-la.

Pode nos mostrar uma prova de seus poderes?

E n�o pense que um simples desaparecimento nos convencer�.

Desaparecer n�o � f�cil.

Nada mais ent�o...

que um fen�meno que faz um homem apaixonado se apagar.

Voc� se esqueceu.

Sinto muito.

Estou nas nuvens.

Eu lhe aconselho que n�o brinque com esses assuntos...

isso pode alertar os homens sobre a vaidade interior deles.

N�o h� nenhum perigo disso ainda.

A voc� foi pedido uma prova de seus poderes.

Eu concordo com este homem...

quando ele diz que o que pode ser provado � in�til.

Temo que voc� tenha que ter minha palavra para isto.

Voc� ousa me ensinar?

Este � demais.

Tomarei nota disto.

Estou escutando.

Voc� escreveu isto?

"Este corpo que nos cont�m n�o nos conhece.

"Que nos habita e vive interiormente."

"E este corpo vive dentro de outro corpo..."

"e forma o corpo da eternidade."

Reconhe�o que escrevi isto.

Quem lhe contou estas coisas?

Que coisas?

O que voc� diz nesta l�ngua nem viva nem morta.

Ningu�m.

Voc� est� mentindo!

Eu lhe garanto que, se voc� admitir, como eu fiz...

que somos os penhores de uma for�a desconhecida que vive dentro de...

n�s, isso dita nossas a��es e nos compele a falar esta l�ngua.

Ele pode ser deficiente mental.

Intelectuais s�o menos que uma amea�a.

O poeta est� como Mascarille ou Leporello...

servindo cuidadosamente aos seus mestres...

Pare seu discurso.

Fale somente quando mandarmos.

Eu estava humildemente buscando explicar...

Ningu�m est� lhe pedindo que seja humilde ou orgulhoso.

Tudo que queremos s�o respostas para as perguntas. Isso � tudo.

Lembre-se, voc� � o caos escuro das cavernas, florestas, p�ntanos...

cheio de gigantes, bestas selvagens devorando uns aos outros.

Nada para ostentar.

Onde voc� vive?

Vivo aqui...

como convidado de um amigo.

O que voc� est� me contando?

Onde n�s estamos, l� n�o � "aqui."

N�s n�o estamos em parte alguma.

N�o obstante, h� pouco passei por uma tape�aria de mosaicos que...

projetei e que adornei a vila que falei.

Voc� pode ter passado por esta tape�aria e estes mosaicos...

mas s� porque n�s colocamos estas coisas no seu caminho.

Onde voc� imagina que eles possam ter uma pequena conseq��ncia.

Chame a testemunha.

Onde estou?

Professor, uma pergunta indigna de um homem da ci�ncia.

Parece mais uma donzela desmaiada voltando � realidade.

Eu estava na cama...

dormindo.

Voc� est� na cama, Professor.

Voc� est� dormindo.

Mas voc� n�o est� sonhando conosco.

Voc� est� em uma dessas dobras do tempo que pesquisou...

em seu trabalho, pesquisa que voc� acredita...

mas est� mostrando desagrado por nosso modo de agir.

Voc� despertar�...

e se lembrar� de n�s como figuras dos seus sonhos.

Voc� conhece este homem?

Professor, voc� tem uma mem�ria curta...

embora seja verdadeira a desculpa que voc� est� dormindo.

N�o basta somente tirar a minha coroa de Louis de XV...

capa, botas, peruca, e o chap�u de tr�s pontas?

Pelo amor de Deus!

Mas n�o posso te livrar do dever.

Voc� me advertiu que n�o podia me responsabilizar pelo que aconteceria.

O que est� fazendo aqui?

Cavalheiros, vou lembrar mais uma vez, eu comando aqui.

Agradeceria se ficassem quietos, e s� respondessem...

as minhas perguntas.

Sob que circunst�ncias conheceu este homem?

- Isto � muito simples. - Se eu puder...

- Sil�ncio! - Responda a pergunta!

Estava desesperado para completar minha pesquisa de...

um m�todo de ressurrei��o.

Mas minha pesquisa n�o teria sido poss�vel sem este homem...

talentoso, com estranhos poderes temporais...

da qual eu era ignorante...

n�o tivesse vagueado pelo cont�nuo, viajado atrav�s do infinito...

se perdido e trazido � prova de minha descoberta atrasada...

do meu futuro para o meu presente.

Eu a testei nele.

Temendo a censura de meus colegas do Instituto...

ent�o posso dizer que lancei minha descoberta no "Sena"...

que corre em frente a minha casa.

Ent�o, voc� realizou o feito surpreendente...

de restabelecer um homem perdido no tempo, para sua pr�pria �poca?

Exatamente. Eu o livrei da cova cavada por sua loucura.

S� para me mergulhar em outra, Professor...

neste crep�sculo na qual vaguei...

desde que deixei seu laborat�rio, e n�o posso chamar de vida.

Sinto muito.

Minha descoberta pode n�o estar completamente aperfei�oada.

Estou alegre por t�-la destru�do.

Que forma tem esta descoberta?

Uma caixa de balas, mais r�pida que a luz impelida por minha p�Ivora.

Esta � a caixa que lancei no rio.

Tenhamos esperan�a que n�o haja nenhuma muta��o sinistra.

Em todo caso, foi uma s�bia decis�o.

Por uma ilus�o de progresso...

homens arrogantes est�o mexendo com medidas...

desajeitados como eles podem ser...

levando o mundo a perder a primazia do seu caos original...

correndo o risco...

de romper uma corrente, por uma ilus�o.

A senhora condena toda a ci�ncia!

O que voc� chama ci�ncia.

Por uma ci�ncia da alma dos homens que mostram pouca preocupa��o!

Tenho que lembr�-Io novamente?

Perdoe-me.

Como voc� defenderia este homem?

Eu diria que ele � um poeta...

e ent�o indispens�vel...

muito embora, eu n�o esteja seguro.

Posso lhe questionar, senhora?

Veremos se tenho liberdade para responder.

Esta � uma mera curiosidade cient�fica.

Que horas s�o?

N�o existe tempo. Professor.

Continue dormindo.

- Voc� est� livre. - Obrigado.

Eu sinto um tipo de...

dificuldade de existir.

Um tipo de cansa�o.

Sono.

Durma. Professor.

Eu quero que durma.

Obrigado.

Meus cumprimentos, senhora.

Eu durmo.

Durma bem, meu amigo.

N�o estou desavisada que o labirinto do seu caminho se move longe...

do nosso, entretanto eles cruzam-se.

Nem que seu sucesso em localizar um homem capaz de corrigir...

seu desafio pelas leis terrestres...

n�o foi ocasionado por um lapso na vigil�ncia no desconhecido...

mas sim, pela indulg�ncia suprema...

da qual voc� abusa, meu caro senhor...

e que voc� pode falhar um dia.

Agora devo ultrapassar a minha autoridade...

isto s� porque desejei adverti-Io...

antes de consultar o limite dos seus privil�gios...

e responsabilidades.

Acho que estou entendo.

Voc� n�o precisa entender.

N�o banque o bobo.

Acho que voc� entende perfeitamente...

mas prefere bancar o simpl�rio ao inv�s de vir limpo.

- Senhora... - Sil�ncio!

Voc� deveria agradecer por esta indulg�ncia...

por ser mostrado a voc� este tribunal preventivo.

Venha aqui.

Sim, voc�.

Voc� est� bastante seguro...

voc� n�o est� livre de sua pr�pria autoridade...

ent�o, voc� podia tentar fundir as personalidades que o aborrecem...

dividindo-as em dois?

Foi voc� que n�o tentou se tornar um...

servindo os caprichos deste homem igualmente dividido...

entre sua realidade e em ser seu pai adotivo?

Deve estar ciente, senhora...

do terr�vel, infinito n�mero de regimes e ordens...

que podem tornar isto dif�cil...

para saber quem tem que obedecer...

e quem deve ser obedecido.

Concedido. N�s daremos um conselho.

Explique a estranha rota pela qual voc� apareceu.

Aquela rota por fogo e �gua...

estava, eu presumo, ditada pelos imperativos...

da qual eu s� sou um instrumento...

e que est�o muito al�m dos meus fracos poderes.

J� que voc� persiste nesta atitude, gostaria pelo menos de saber...

a extens�o aqui, neste lugar...

de seus poderes de metamorfose.

N�o olhe t�o chocado.

Refiro-me � metamorfose de uma orqu�dea...

dentro da cabe�a da morte.

Este macabro e infantil truque...

corresponde, se n�o estou enganada...

a certos fen�menos de ressurrei��o.

Foi somente para impressionar este homem...

ou talvez um modo de adverti-Io?

N�o. O rito forma parte de uma cerim�nia...

e n�o tenho direito de aument�-Io.

O acusado recusa-se a responder.

Tomei a anota��o devida.

Voc� tem mais alguma coisa para acrescentar a sua defesa?

Se eu mere�o castigo...

n�o posso imaginar nenhum pior do que estar for�ado...

a viver... como voc� o descreveu... entre dois mundos.

Um diretor de filme diria "em falso contraste."

Eu daria qualquer coisa para andar na boa e velha Terra novamente...

ao ter que vagar pelas sombras de algum universo estranho.

Isso n�o est� dentro do nosso assunto aqui.

O tribunal considerar� esta quest�o.

A senten�a provis�ria deste comit�, � que voc� est�...

condenado a viver.

Uma senten�a m�nima, especialmente na sua idade.

Sua flor.

Heurtebise... a princesa?

Voc� sabe que, estando apaixonada por um mortal...

ela tentou infringir as leis temporais do homem.

- E Orfeu? - Sua sobreviv�ncia foi uma miragem.

Aquela mente divina morreu, e Eur�dice voltou ao Inferno.

Como disse um grande mortal...

"A pessoa n�o deve cuspir contra o vento."

Leve a flor.

Eu n�o ousaria.

Esta n�o � na primeira vez...

nem ser� a �Itima, que peguei esta flor com voc�...

e a devolvo a voc�.

Mas neste momento eu vejo a coragem do seu gesto...

e que posso causar a condena��o dela e sua.

Eles n�o podem fazer nada pior.

Qual foi a tua senten�a?

Condenar os outros.

Ser o juiz.

Isto n�o � agrad�vel.

Tenho minhas suspeitas deste comit� investigativo.

Nossas cria��es est�o ansiosas para matar os pais delas e sa�rem livres.

E estas criaturas de nossa imagina��o est�o curiosas sobre as suas origens.

Eu desejo...

Pare de desejar. � prefer�vel.

Eu desejo saber se at� mesmo voc�...

� poss�vel.

�s vezes me ressinto com voc� por me abandonar na Zona da Morte.

�s vezes estou alegre por ser livre do mundo absurdo em que vivi.

Apesar do meu press�gio, gostaria de ajud�-Io a sair de sua obriga��o.

Mas apesar da Zona n�o se sabe de hoje, de ontem, nem do amanh�...

sua condi��o humana est� sujeita a eles.

Para alcan�ar minha meta.

Tenho que gui�-Io, ou o seguir muito...

atrav�s das inevit�veis tentativas...

que s� ao t�rmino dela, vou encontrar o que busco.

Voc� n�o pode me falar destas tentativas que me esperam...

e o seu papel nelas?

Eu nem sei de mim mesmo.

Mas estou vagando.

Tudo que sei, � que esta flor composta do seu sangue...

compartilha do pulsar do seu destino.

Vamos. J� falei demais.

Sinta-se contente por obedecer.

Obedecerei.

Gustave.

Sim, Condessa?

- Quem � o assassino? - N�o sei, Condessa.

Incr�vel!

Voc� espera que eu leia um livro de capa a capa...

s� por ter sido publicado h� 70 anos?

Sinto muito, senhora condessa...

Seus pesares n�o servem de nada para mim.

Quem s�o esses cavalheiros?

Quais cavalheiros, Condessa?

Este dois estranhos vagando na minha propriedade.

N�o vejo ningu�m, senhora Condessa.

Isso realmente � demais! Est� dizendo que estou louca?

Oh, senhora Condessa!

Voc� pode ir. Realmente, que �poca...

Tudo � para os cachorros hoje em dia.

- Esta � ela? - N�o seja rid�culo.

� somente uma mulher perdida no tempo errado.

Deveria saber melhor que qualquer um que estas coisas acontecem.

Engra�ado este cachorro.

PROPRIED ADE PRIVAD A ARMADILHAS

Ela est� neste tempo?

N�o, esta � Isolda.

Ela veleja todos o mundo, buscando Trist�o.

Parece-me que n�s passamos na Capela de St. Pierre...

a qual eu tinha reformado em 1957 como minha pr�pria tumba...

para o benef�cio...

da aldeia de pescadores da minha juventude morta...

e de Villefranche, onde vivi por muito tempo.

O que est� errado?

N�o tente me falar que n�o o viu.

- O vi como tamb�m o vejo. - Ele fingiu n�o me ver.

Voc� sempre disse que encontra-se com ele...

nem mesmo iria apertar a m�o dele.

- Ele me odeia. - Como poderia.

Ele sofreu esc�rnio de prop�sito por voc�.

- Eu o matarei. - N�o recomendaria isto.

Voc� pode ser imortal, mas se o matar...

n�o achar� ningu�m est�pido o bastante para morrer no seu lugar.

De onde ele veio? Pra onde ele estava indo?

Mais perguntas!

Ele provavelmente vai para o lugar de onde voc� veio...

e voc� vai para o lugar de onde ele veio.

Voc� passa seu tempo tentando ser e isso o impede de viver.

Venha. Os deuses n�o gostam de esperar.

Eu sou a chave para os sonhos.

O Pilar de Tristezas.

A Virgem na M�scara de Ferro.

� ela.

Este � o seu erro, Peloponnese. Outros perigos o amea�am.

As est�tuas usam preto de noite...

e assassinam aqueles que passam por elas.

Eu mesmo, n�o sou nenhum busto de m�rmore. Tenha medo!

Tenho a espuma do mar em minhas veias, entendo o idioma das ondas.

Sobre os joelhos delas, esfregando roupas...

elas riem de voc�, escarnecem de voc�, insultam voc�.

Intelectuais apaixonados.

Podemos ter os seus aut�grafos?

O que � isto, uma est�tua que come aut�grafos?

� uma m�quina de celebridade instant�nea.

Fama para algu�m num minuto ou dois.

Sem isso, � claro, fica mais dif�cil.

Em pa�ses desenvolvidos, o dia de trabalho � curto.

O que � isto que est� saindo das suas bocas?

Romances, poemas, can��es, e assim sucessivamente.

Isto n�o para at� que seja alimentado por novos ca�adores de aut�grafos.

O resto do tempo, digere, pondera, dorme.

Tem seis olhos e quatro bocas.

N�o me pergunte por que.

Adeus.

Tenho que deix�-Io aqui.

Sinto muito. S�o ordens.

- Quem deu as ordens? - N�o lhe falaria se soubesse.

Fique conosco, C�geste.

Voc� acha que algu�m pode viver entre os homens...

quando eles te condenaram a morte?

N�o me deixe.

Al�m do que, voc� n�o precisa de espelho para desaparecer?

Espelhos refletem demais.

Eles fazem uma grande amostragem da imagem invertida...

e acho que eles v�o fundo para isto.

- Voc� conhece outra rota? - Feche os seus olhos.

Abra os seus olhos.

- Onde voc� est�? - Muito longe, contudo muito perto.

O outro lado do quadro.

Eu disse que muito freq�entemente n�o consigo entender.

Setenta anos tentando entender, voc� n�o est� cansado?

- Onde voc� est�, C�geste? - Onde voc� me deixou.

Onde voc� me deixou.

Eu estava t�o cansado, pensei ter ouvido as lavadeiras ajoelhadas...

esfregando roupas e rindo, debochando de mim.

Se voc� for am�vel por esperar alguns minutos...

o Ministro o ver�.

Eu esperei...

e esperei...

e esperei.

Em alguns minutos o Presidente o ver�.

Eu esperei. Esperei um pouco mais.

Se voc� for am�vel por esperar alguns minutos...

o Primeiro Secret�rio de sua Alteza o ver�.

Muitos minutos, e eu ainda esperando.

Se voc� esperar alguns minutos...

Sua Majestade ir� lhe receber.

De tanto esperar, acabei me transformando numa...

pe�a da sala de espera.

Abandone toda a esperan�a aqui.

Eu pensei bastante.

Preciso me registrar?

Sem necessidade.

N�o o aborre�a batendo.

Lazarus n�o cheirou bem tamb�m.

H� uma pintura que at� mesmo Martha cobre o seu nariz.

Perdoe-me... perdoe-me.

Finja lamentar, meu amigo...

pois os poetas s� fingem morrer.

A F�nix, �dipo, esses que algu�m fica t�o ansioso para encontrar...

um dia voc� pode conhec�-los e contudo n�o os ver.

Vindo deste sono ambulante, despertei em uma estrada...

e como desejei saber que caminho seguir...

pensei ter ouvido os motociclistas do meu filme Orfeu.

Eu sabia a miss�o deles.

Eu estava indo morrer como C�geste.

Mas estava errado. Era a pol�cia local.

- Seus documentos? - Pra qu�?

N�o estou aqui para dar explica��es. Pedestres sempre s�o suspeitos.

R�pido, venha comigo.

Afinal de contas, a Terra n�o � a sua p�tria.

Pe�a o seu aut�grafo.

O que...

Ent�o l� est� voc�.

Uma onda de alegria levou o meu filme de despedida.

Ficarei triste se voc� n�o gostar dele...

porque me dei todo, como qualquer membro da minha equipe.

Minha vedete � uma flor de hibisco.

Os artistas famosos que voc� reconheceu neste caminho...

n�o apareceram por serem famosos...

mas, porque eles se ajustaram aos pap�is que interpretaram...

e porque eles s�o meus amigos.

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