All language subtitles for The Relief of Belsen 2007

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Original subtitles

17 de abril de 1945

A batalha por Berlim avança pelo norte da Alemanha.

Mas uma unidade médica inglesa

é desviada da linha de frente para resolver uma crise médica.

PARE

Tenente-coronel Mervyn Gonin. 11ª Unidade Médica Móvel.

Minha identificação.

Alguém aqui fala inglês?

Tenente Sington, 2º Exército, da "Operações Psicológicas".

-Fala alemão? -Sim, senhor.

Ótimo, diga que nos deixem passar.

-Sington? -Pois não, senhor.

-O Campo já não foi liberado? -Exato, senhor.

-E por que eles estão armados? -Condições do armistício.

Coronel Johnston irá explicar.

Você chama isso de trégua?

Eles atiram para evitar fugas, senhor.

Por que os alemães ainda estão aqui?

O Cel. Johnston irá explicar. Siga-me, senhor.

Ah, senhor!

Seja como for, evite olhar para a esquerda!

Vamos, Warren!

A libertação de Belsen pelos ingleses

não terminou com a alta mortalidade.

Pelo contrário, foi o início de uma tragédia humanitária.

Os libertadores ingleses fizeram centenas de relatos.

Este filme dramatiza alguns deles.

"Ihr seid frei!" (Vocês estão livres!)

(Sington avisa aos presos pelo alto-falante)

"Eu só sabia que haviam descoberto um KZ."

"Logo, começaram a correr boatos..."

"sobre a epidemia de tifo."

"Na guerra, aprende-se a não se espantar com nada."

"Mas aos poucos vi que enfrentaria..."

"o teste mais difícil de minha carreira."

"Eu repito: vocês estão livres!"

A LIBERTAÇÃO DE BELSEN

Vamos, rápido!

Eles roubaram batatas.

Inacreditável, não?

É assim que os alemães tratam seus presos.

-Apenas uma criança! -Senhor, podemos conversar?

Senhor, não faz ideia do que irá encontrar.

Fui o primeiro a entrar... e nunca vi nada parecido.

Perdão! Mas até a BBC terá de esperar.

Por que a imprensa está aqui?

Acham que estão diante de uma grande história.

Serão enforcados! Seus desgraçados!

Vamos, cara!

O lugar, senhor, parece mais um ossário!

Há milhares de corpos...

só Deus sabe quantas pilhas há.

E parecem se mexer com tantos piolhos.

Uma infestação de piolhos. Havia até...

Havia até uma jovem.

Seus cabelos se mexiam pelos piolhos.

-Perdão, senhor! -Tudo bem.

-Quem são os presos? -Uma estimativa difícil.

Os registros foram destruídos.

Acreditamos que os presos dividem-se em 3 categorias.

Uma minoria de criminosos políticos, como russos.

Alguns da resistência francesa e belga.

E a maioria esmagadora do seu povo, rabino Hardman.

-As mulheres que eu vi... -É insano, senhor.

3/4 dos presos são mulheres.

Judias da Polônia, Tchecoslováquia,

Hungria, Romênia,

-Alemanha, com seus filhos. -Meu Deus!

Quantos estão doentes?

Johnston tem os números. Acho que uns 4 mil.

-Como obteve essa cifra? -Dos chucrutes.

Cel. Johnston é um especialista nessa área.

Isso é crucial, numa epidemia de tifo.

A doença está sob controle?

Desculpe senhor, não sou médico.

-O que significa isso? -Não faço a menor ideia.

Um acordo permitiu que 3 mil soldados alemães e húngaros

ficassem em Belsen.

Eles deveriam impedir a fuga de presos infectados pelo tifo.

Com licença! Onde ele está?

Basta subir e olhar lá em cima.

Boa noite!

-Saúde! -Sington?

-Pois não? -Sabe o total de presos aqui?

-Isso é com o Cel. Johnston. -10 ou 20 mil?

-O Cel. Johnston... -Tem os números. Certo.

-Um pouco de café? -Obrigado.

Senhor, isso será um grande desafio para todos nós.

E se der tudo certo, sairemos com umas putas em Berlim.

Senhor, ouça isso!

Por que estamos parados aqui?

Ah, nossos rapazes precisam de nós!

E acha que eles precisam de você? Você não sabe de nada!

Senhores, queiram entrar. A reunião já vai começar.

-Por ali, coronel. -Hã? Claro.

Cavalheiros!

O Cel. Johnston logo estará aqui, e eu gostaria de começar.

Bem, acabamos de entrar nesse campo de horror,

o que, aliás, foi uma péssima experiência.

E, como podem ver,

Bergen-Belsen é dividido em 2 setores.

O Campo 2 onde estamos,

uma Academia para o Corpo de Panzers de Hitler.

O Campo 1, abriga cerca de 40 mil presos...

confinados em 200 barracões, feitos para 100 pessoas cada.

Em um barracão, viviam 1.346 presos.

Afora os mortos.

Não há banheiros, e há pilhas de cadáveres em decomposição.

Vimos presos bebendo água numa barrica...

onde boiava um corpo de uma criança.

Nenhuma comida foi fornecida nas últimas 2 semanas.

Distribuímos nossas rações e água potável.

Mas nosso maior problema é o tifo!

Se não conseguirmos controlá-lo,

logo não haverá mais ninguém para alimentarmos.

Será um grande desafio.

Como podem notar,

a imprensa quer saber como resolveremos essa crise.

E isso é importante.

Pois sua presença mostrará ao mundo...

como o exército inglês enfrentou essa tragédia.

Há 10 anos,

um terremoto em Quetta

matou 30 mil pessoas em 30 segundos.

Foi um desastre natural.

Porém, o exército teve êxito no resgate de sobreviventes,

e consideraram um verdadeiro milagre!

Johnston estava lá, e presenciou de tudo.

E igual à Quetta,

Belsen é uma luta contra o relógio.

"Achei que já havia visto todo tipo de desgraça."

"Mas aqui é inacreditável!"

"Não há organização, comida, nada!"

"As pessoas estão famintas, fracas e insanas."

"Elas vagam pelo Campo como animais."

"A tarefa parece totalmente impossível."

Ah, o herói de Quetta! O que lhe parece?

Possivelmente solucionável, senhor.

Johnston tinha que garantir

a sobrevivência dos presos após a libertação.

Ele contava com 20 médicos para fazer isso.

Nossa tarefa é salvar o maior número de vidas

no menor tempo possível.

Só teremos êxito com a evacuação do Campo 1.

Removeremos os mais saudáveis primeiro,

enquanto montamos um hospital no Campo 2.

Gonin fará a higienização para conter o tifo,

e fazer a remoção dos doentes.

Parece bem simples.

"Não há palavras para o que eu e meus homens..."

"iríamos testemunhar nos próximos meses."

"Havia cadáveres por todos os lados,"

"que eram jogados em enormes pilhas pelos presos."

"Os doentes que morriam, permaneciam nas barracas."

"Alguns doentes vagavam até caírem mortos."

Desgraçados!

4 mil doentes?

Alemães mentirosos, deve haver o quíntuplo disso.

-Os números foram revistos. -Há tantos corpos, e o fedor...

A estimativa alemã está pouco confiável.

Bom dia, Sr. Dimbleby!

Como foi sua ronda pelo Campo?

Incrível, digo inacreditável!

-A BBC respondeu? -Ainda não.

Mas imagino que eles irão transmitir.

Mas pode ser que não?

Talvez não acreditem que esse lugar exista.

Mas devem. Londres precisa saber disso.

Essa transmissão pode despertá-la.

Eu me demito, casos eles se recusem.

-Está decidido a fazê-lo? -Bem, tomara que não.

Há uma epidemia de tifo, por onde começaremos?

20 mil infectados por uma doença muito contagiosa.

E só temos um punhado de médicos e vitaminas.

Eu já havia solicitado reforço urgente...

Levará semanas para chegarem até aqui!

Esse lugar não é adequado para tratamento.

Os alemães ameaçam matá-los, para o tifo não se alastrar.

E foram eles que criaram o problema!

Por que não deixamos que eles resolvam o assunto?

Que os chucrutes deem um jeito!

"Acabo de retornar do Campo de Belsen."

"Durante 2 horas circulei pelo Campo num jipe,"

"com o médico-chefe do 2º Exército."

"É difícil descrever as coisas terríveis que vi e ouvi."

"Mas, vamos aos fatos."

"No Campo vivem 40 mil homens, mulheres e crianças."

"25.600, ou 3/4 são mulheres,"

"doentes pela inanição, ou morrendo pela fome."

"Nos últimos 2 meses,"

"30 mil presos foram mortos ou sucumbiram."

Ah, Coronel Johnston, gostaria de falar com você.

Silêncio, obrigado.

Você permitiu a entrada da imprensa no Campo?

Não, mas a presença dela não é nenhuma surpresa.

-Ficaremos malvistos. -Também acho.

Ah, por favor, a Sra. Stadler fez chá.

Chá inglês. Aceita uma xícara?

Fomos avisados que havia remédios nesse Campo,

e que havia poucos doentes.

Nós fomos muito mal-informados,

suas declarações são inverossímeis.

Você concordaria com a trégua...

-se soubesse a verdade? -Claro! Você sabe que sim.

O fato é que deixaram a doença sair do controle.

Esse é um problema novo, essa "febre judia".

Constatamos que antes da nossa chegada,

os presos estavam há tempos sem comida, água ou banho,

e por quanto tempo?

-1 mês? Dois meses? -Coronel Johnston...

a guerra acabou.

A Alemanha perdeu, mesmo que Berlim não admita.

Sempre quisemos manter esses judeus em Belsen,

em troca de nossas próprias vidas.

E por que os deixaram morrer?

Se seus aviões não tivessem bombardeado nossos depósitos,

continuaríamos a cuidar deles.

É mesmo?

A cada dia, 600 presos morriam de fome, tifo e fome.

Os ingleses faziam o que era possível.

Como consegue comer isso?

Senhores!

Juro que, quando essa guerra acabar,

jamais comerei carne enlatada novamente.

Não está gostando da comida?

Não quer comê-la?

Então, vá até o Campo 1. Lá não há lindas porcelanas.

-Acalme-se. -Posso? Obrigado.

Capitão Hardman, os presos não podem comer isso.

Perdão, como assim?

Seria mais prejudicial do que benéfico.

Tentaremos outra opção.

Coronel, só consigo ver pessoas implorando por comida.

Por migalhas!

Dou o que posso. Então, é melhor negar-lhes tudo?

Entendo sua frustração. Mas isso são rações de combate.

Contém 3 mil calorias impróprias para os presos.

Não posso ficar só olhando.

Muito bem,

depois disso, merecemos uns dias em Berlim.

Falei com Hughes, não haverá reforços.

Ninguém irá a Berlim.

Para cá viemos e aqui ficaremos.

Estamos por nossa conta.

Que droga!

-Por Deus! -Quando decidiram isso?

Senhor, pode me deixar na entrada do Campo 1?

-Campo 1? -Sim.

Suba.

Por favor, rabino. Pegue.

E obrigado por tudo.

Obrigado.

"Após passar pela barreira, eu caí num pesadelo."

"Cadáveres em decomposição espalhados pelo percurso."

"Barracões marrons margeiam o caminho."

"Nas janelas,"

"vejos as faces emaciadas de mulheres..."

"fracas demais para saírem."

"Elas desejam ver a luz do dia antes de morrerem."

"E elas morrem a cada minuto e a toda hora."

A equipe médica foi reforçada

com 8 presos médicos e algumas enfermeiras alemãs.

A equipe deveria transformar os barracões em um hospital.

-Quer enfiar a cama em mim? -Pare de choramingar.

-Primeiro as damas. -Obrigada.

-O que disse? -Obrigada.

O prazer foi todo meu.

Ei, por que fez isso?

É proibido confraternizar com o inimigo.

O tifo é nossa prioridade.

Há um americano que está fazendo um bom trabalho.

Ele está trazendo uma boa quantidade de DDT.

-Quando ele chegará? -Já era para estar aqui.

Depende de quantas pontes boas restaram.

A evacuação do Campo 1...

precisa de um processo eficiente de identificação e seleção.

-Conto com vocês. -Uma difícil tarefa.

Teremos de pular sobre os corpos,

e escrever T de tifo em suas testas?

Gostei da ideia.

-Foi uma brincadeira. -Mas gostei da ideia.

Os saudáveis serão evacuados na frente,

e os presos médicos irão ajudar.

Sim, muitos deles parecem saudáveis.

Sabe...

não cabe a nós julgar como eles conseguiram sobreviver.

-O que fazem aqui? -O transporte deles atrasou.

-O quê? -Lamento, senhor.

Vai atrasar a remoção!

-Por que não fui informado? -Aguardava a melhor hora.

-Quando partirão então? -Amanhã, segundo o Comando.

O Comando às vezes não facilita.

Então Coronel, qual é o plano?

Esse lugar virará um centro para infectados, certo Fisher?

Exato, senhor.

-É um estábulo! -Só temos isso, siga-me.

Bem, o tifo é transmitido pelo piolho.

E as fezes do piolho não podem contaminar o hospital.

Então, bem-vindos à lavanderia humana!

Teremos água suficente,

bombearemos água quente,

e os pacientes serão higienizados neste local.

Podemos atender até 40 pacientes por hora.

Não tenho como trazer tantos pacientes.

Improvise, coronel.

Qual o problema, Derek?

Nossas vozes estressam seus cavalos.

O quê?

-Vamos. -Mais rápido, porra!

-O que estavam fazendo? -Enterrando os mortos.

Sob as ordens dos ingleses,

a SS foi forçada a enterrar as pilhas de cadáveres.

(As 16 mulheres da SS, inclusive Irma Grese)

Isso foi ideia sua?

Como disse antes, use o que estiver disponível.

A SS enterrando os mortos,

dará grande publicidade para nós.

A notícia fará Londres rejubilar.

Diga-me Derek,

o que Johnston fez exatamente em Quetta?

Não sei ao certo, senhor, mas,

acho que prestou grande ajuda assistencial.

E...

o que fez a unidade dele nos últimos meses?

Bem,

pelo que soube, estava na reserva.

Dirigia um pequeno hospital militar...

entre a Holanda e Alemanha.

-Um reservista? -Sim, senhor.

Colocará mulheres na lavanderia, Johnny?

As mulheres estão muito apáticas para se incomodarem.

Mas tudo deve ser feito com cuidado.

Claro, farei o melhor que puder.

Como vai, Dra. Ada Bimko?

Ótimo.

Espero que goste da comida.

Dra. Bimko, há quanto tempo está aqui?

Há pouco tempo, eu vim de Auschwitz.

Auschwitz...

é um outro campo de concentração (KZ).

Não é como aqui.

Não pode ser pior do que aqui.

Auschwitz destina-se exclusivamente...

ao extermínio sistemático dos inimigos do 3º Reich.

E Belsen é apenas...

um KZ superlotado.

Auschwitz é um campo de extermínio!

Foi concebido para isso.

Como conseguiu...

Escapar da câmara de gás?

Eu sou uma dentista.

Eu era útil.

Meus pais...

minha irmã...

meu marido...

meu filho, não eram úteis.

Auschwitz foi libertado 3 meses antes de Belsen,

mas o exército russo não divulgou qualquer informação.

Nos últimos meses da guerra,

outros 13 campos foram descobertos

somente na Alemanha.

(Bulldozer: trator de esteira)

-Londres verá isso, Derek? -Assim espero, senhor.

Quanto a nós, perdemos 600 pessoas por dia.

Hoje falei com Hardman.

Ele acredita que a ideia da remoção...

irá convencer os demais.

Parece que só estamos conseguindo recolher os mortos.

Acho que ninguém vai querer ver isso.

Acho que não, senhor.

Acho que o mundo inteiro vai querer ver isso.

Por anos a fio, eu diria.

Acho importante que o façam.

Ajuda a explicar nossa presença nessa maldita guerra.

Dias após a libertação: 5.

Total de mortos desde a chegada dos ingleses: 4021.

Total de internações no hospital: zero.

Mas, ao menos, os alemães estavam deixando o Campo.

-O que ele disse? -Está defendendo sua pátria.

Complicado, em um campo de prisioneiros de guerra.

Não irão para um Campo de POW.

Eles serão enviados de volta para o "front".

-Ótimo. -Chucrutes sortudos!

Perguntem ao Stalin se pode esperar por nós?

Certo, agora terão um destino.

-Adeus, Cel. Johnston. -Major.

Seremos enviados ao front

por que atende às suas necessidades?

Adeus, major Stadler.

Rápido! Vocês precisam partir!

Vamos, depressa!

Com a saída dos alemães,

os ingleses começaram a remoção para a "lavanderia",

onde os presos seriam desinfectados.

Sem espelhos ou superfícies lisas.

Sim, coronel, nós entendemos.

É melhor que não cortemos os cabelos.

Sim, a menos que seja imprescindível.

Obrigado.

Tudo pronto?

Não. Só me faltava isso.

-Espere pelo técnico. -O que houve?

Um dos cabos do gerador foi sabotado.

Nada funciona, inclusive o boiler.

-Ficamos sem água quente? -Sim, senhor.

Um presente deixado pelos chucrutes.

Johnston para Gonin, câmbio.

Gonin, tá na escuta, câmbio?

Gonin, prossiga, câmbio.

Abortar a remoção!

Cancelar?

-Gonin, na escuta? -O que houve?

Apenas faça o que te pedi, Mervyn!

Volte com as ambulâncias.

Cancele...maldição!

ESTÁBULO

A remoção dos pacientes

podia ter começado em 20 de abril.

Mas na noite anterior,

permitiram que a Wehrmacht retornasse ao front.

E antes de sair, ela deixou um presente...

cortou o abastecimento de água para os barracões.

No quinto dia a remoção foi cancelada.

O rabino Hardman consolou os presos no Campo 1.

-Onde está Johnston? -Em sua sala, senhor.

Coronel, por que cancelou a remoção?

Foi tão difícil aprontá-los.

Movemos os casos mais urgentes e ninguém apareceu!

Ninguém foi removido!

Estamos deixando morrer os últimos judeus da Europa!

-Leslie, está se excedendo. -Já ouvi isso!

Capitão Hardman...

você é um militar e eu sou o seu superior.

42% dos presos não são judeus.

Lembre-se do seu dever para com nossos soldados.

Enquanto cuida do seu rebanho,

esquece das necessidades espirituais dos soldados.

-Quando precisei... -Calado, Derek!

Chega de discussão.

Sugiro que tente acalmar o capitão Hardman.

Sim, senhor. Vamos, Leslie.

Não tenho como intervir junto ao Alto Comando.

Postergaram tanto a saída dos chucrutes,

que acabaram sabotando a água.

-O técnico irá reparar. -Enquanto isso...

mais 600 morreram na noite passada.

Trocamos a carne enlatada por leite desnatado.

Já se passaram 4 meses...

e eles não estão resistindo.

Bem, coronel Mervyn, vamos checar o reparo.

Apesar dos problemas elétricos e da falta de pessoal

Johnston prosseguiu com a lavanderia humana.

Parece um déjà vu, não é Derek?

Senhor, por que empregar enfermeiras alemãs,

em vez das nossas?

Não sabe o que fala, rapaz.

Elas não sentem pena, nem falam inglês.

Sem vacinação,

será a sentença de morte para essas "fridas".

Seus superiores rejeitaram uma proposta.

Os alemães não toleram mulheres, além de outros.

Cel. Gonin aproxima-se com o 1º grupo.

-Em poucos minutos. -Já não era hora.

(Os presos eram ensaboados e depois pulverizados com DDT)

A lavanderia humana foi um sucesso retumbante.

De todos os pacientes que por ali passaram,

apenas 2 morreram subsequentemente.

O tifo pode ser contido!

300 pacientes desparasitados e dormindo em camas limpas.

Parabéns!

Mas subestimamos a desnutrição.

Logo chegaremos aos 5 mil mortos.

Nosso critério de seleção falhou. Por quê?

Porque Johnny...

os médicos do Campo só sabem cuidar dos seus.

Polacos ajudam polacos, tchecos ajudam tchecos,

e de repente, todos estão com tifo.

Evidentemente! E o que esperava?

O "T" na testa foi uma ideia maluca.

É uma passagem para saírem.

Se pudermos tratá-los individualmente,

-salvaremos centenas... -Não se trata de centenas!

São milhares e sem esse sistema seria o caos.

Eu quero instituir...

um critério de aptidão.

Um nível Belsen de aptidão.

-Baseado no tifo? -Não.

Seria uma perda de tempo.

Sinto muito, mas meus homens

vão para aqueles barracões fétidos todos os dias.

Quem puder andar, comerá.

Quem puder comer, viverá mais um dia no Campo.

Assim, os fortes ficarão doentes.

Quem puder comer, Dra. Bimko, não ficará doente.

Basta! Temos de trabalhar em conjunto.

Dispensados!

O meu currículo, senhor. Gostaria de vê-lo?

Estava guardado na minha mala, sinto muito.

Parece tudo certo.

Guarde esses papéis com você, Irmã MacFarlane.

Diz quem você é.

-Quanta experiência você tem? -Não muita, senhor.

Molly sabe um pouco mais, mas podemos aprender.

Certo, mas não haverá tempo para aulas.

Senhor, levei dias para chegar até aqui.

Isso me surpreende. Sinto álcool em seu hálito.

Lamento essa crítica, Cel. Johnston.

Aprecio um bom vinho, mas tenho a cabeça no lugar.

Com licença, devo me reportar à minha chefe.

Apesar do sucesso da desparasitação com DDT,

a mortalidade continuava alta no Campo 1.

A desnutrição tornou-se prioritária para os médicos.

Venham, temos chá quente.

Vamos, o chá está pronto.

Obrigado, Gertrudes. "Danke!"

-Está bem aquecida? -Sim, obrigada.

Olá, Cecil.

Você me parece péssimo.

-O que houve? -Nada.

Como "nada", qual o problema?

Não consegue dormir? Nem eu, amigo.

Dirigi pelo Campo hoje cedo,

e essas mulheres apareceram,

e me seguraram pela janela.

Colhiam maçãs, amigo.

Uma delas veio até o meu carro,

e disse: "toque a minha perna", e em seguida:

"me possua agora!"

Ela era bonita, ela teria...

E você foi em frente?

Você não seria o primeiro. Eu teria ido.

Como pode falar assim?

-Você não é judeu? -Sim.

Você é um doente.

As mulheres me acham irresistível.

Então, e depois?

Falei que não e ela se afastou.

E deixou uma pilha de trapos perto de mim...

um bebê recém-nascido.

Morto há poucos dias.

Começamos a receber centenas de pacientes.

Apenas mulheres.

Pareciam passarinhos.

Prestei ajuda a algumas. Pesavam 20, 30 quilos.

O peso do meu irmão de 9 anos.

-Olá, sou a Mac. -Bom dia.

-Você é da Cruz Vermelha. -Não sou só uma enfermeira.

-Está aqui há muito tempo? -Faz alguns dias.

-Qual é o seu nome? -Lotti.

Ah, meu Deus!

O que houve?

Uma injeção, senhor.

Sua alemã estúpida, é uma seringa!

A SS injetava em nós, a sub-raça,

-benzina! -O quê?

Para queimarmos mais rápido nos fornos!

-Lamento. -Simplesmente...

não aguento mais trabalhar com essas pessoas.

Elas vieram de hospitais civis, não sabem de nada.

Como não? Acaso são surdas?

Esses pacientes...

foram torturados e privados de sua humanidade.

São os últimos sobreviventes.

As últimas testemunhas das atrocidades.

-Só sobraram eles. -Eu sei.

Todo dia descobrimos algo.

Benzina? Meu Deus!

Vim para ajudar, Johnny.

Faremos isso juntos.

Hoje, 24/4/1945,

falo diretamente do Campo das mulheres

em Bergen-Belsen.

A Dra. Ada Bimko foi entrevistada pelo Cinejornal Movietone.

Ela foi uma das primeiras testemunhas oculares

da Solução Final.

Deixavam os presos no chão de um Campo imundo.

Milhares no chão, sem casaco, cobertor ou cama.

Comíamos um pedaço de pão e um pouco de sopa.

Com isso, 75% dos presos tinham o edema caquético.

Dias após a libertação: 9.

Total de internações no hospital: 1100.

Remanescentes no Campo 1: 31000.

-Rabino? -Por Deus, você me assustou.

O que está fazendo?

Um pouco de mercado negro.

Soube que fez da latrina sua residência.

É o que se tem quando todos comem juntos.

Eles me ofereceram "peixe recheado", não pude recusar.

-Cuidado! -Perdão, o que é isso?

-Páprica. -Vai alimentar 5 mil com isso?

-Melhora o sabor da comida. -Ah, e trocou pelo quê?

O amigo ali me cedeu cigarros.

Você é bem criativo, rabino.

Enquanto a medicina cura o corpo,

a fé cura a alma.

Também tenho planos para uma pequena clínica.

-É sério? -Sim.

E o que Johnston dirá sobre isso?

Cá entre nós,

o coronel vive ocupado em seu escritório.

Leslie, você nem sempre segue as regras.

Tenta encher meu caminhão com mais um paciente.

Tá certo, mas o coronel vive me criticando.

Acho que não precisa mais ouvir isso.

Capelão...

mantenha-se firme!

Que Deus me ajude!

Sinto-me inútil e solitário.

Mas preciso ajudá-los,

não tenho tempo a perder, a todo instante morre alguém.

Dias após a libertação: 10.

Apesar dos esforços,

a mortalidade subiu para 900 por dia.

Eu queria ver as atrocidades em Belsen,

entender o quê aquelas pessoas enfrentaram.

Contrariando as expectativas,

não adoeci nem derramei rios de lágrimas.

Porém, é impossível descrever o que eu havia visto.

Tudo bem?

Sim.

De verdade. Obrigada.

-Talvez precise de uma bebida. -Ainda é cedo.

Jamais bebo antes das 4, e em dias de jogo.

-Dia de jogo? -Costumava jogar lacrosse.

Você queria ser capitã?

-Na verdade... -Claro que queria!

Acho que você aprecia um esporte violento.

Não se preocupe,

em Belsen o álcool é servido bem tarde.

-Você gostaria... -Senhor?

O coronel Lipscomb está aqui.

Com licença.

Cel. Martin Lipscomb!

-Mas que prazer te ver. -Não pude vir antes.

A alimentação tem sido um pesadelo.

Uma situação inimaginável.

-Quem é ele? -Um perito em nutrição.

Veio da Índia.

Irmã MacFarlane,

me ajuda com as coisas de Lipscomb? Vamos.

O que eles estão comendo?

Bem, nossa ração foi um desastre.

Ou eles pioravam ou morriam.

Desde então, demos leite e sopa de batatas.

-E o que comiam antes de vocês? -Deus!

Qualquer coisa: casca de batata, lama, grama.

É irônico, mas a fome é um dos sintomas do tifo.

E desnutridos são incapazes de absorver gordura.

Mas precisam de proteínas, como leite desnatado.

E também precisam de hidrolisados.

Bem, esse composto se chama mistura da fome de Bengala.

Foi desenvolvida em 1943,

e contém os nutrientes certos para vítimas de desnutrição.

Encomendei quilos dela,

misture com água e os presos devem ingeri-la 2 vezes ao dia.

-Vai interromper as mortes? -Assim espero.

LABORATÓRIO MÓVEL DE BACTERIOLOGIA

Os ingleses tentaram alimentar os presos

com rações, leite desnatado e até terapia intravenosa.

Mas o resultado foi desapontador.

Você está péssimo Johnny, ficou doente?

Ah, Deus!

1700 mortes.

-Nas últimas 24 horas. -O quê?

É 3 vezes mais do que antes de você chegar!

-Fazemos mais mal do que bem. -Não quis dizer isso, Johnny.

Não comem, vivem doentes e na lama.

Se eu fosse eles, também já havia desistido.

Certo, coronel.

-O que é preciso, hein? -Eu vou te mostrar, siga-me!

Isso, irá interromper as mortes.

E está aí por falta de pessoal para distribuí-lo.

Minha equipe pode fazer isso.

Meu pessoal fará isso.

Estamos em guerra. Tomamos medidas desesperadas.

Sou um radiologista. Todos devem fazer a sua parte.

Ela é linda, e se chama Fischer.

Posso usá-la comigo, senhor.

-Não tem família? -Espero que não, se me entende.

Infelizmente sim, Fisher.

O que é isso?

O que estão fazendo?

Maldição!

Diga aos desgraçados para voltarem ao trabalho!

Johnny, perdão!

Os presos que entraram para a equipe tinham que ajudar.

Mas essa combinação tornava-se caótica.

Fadada ao fracasso.

Com o tempo,

a falta de pessoal confiável tornou-se crítica.

Um verdadeiro desastre.

Livrem-se disso!

Mais uma?

Senhor, acho que a doutora quer mais uma dose.

Mais uma?

A doutora é uma esponja.

Brindemos!

Como vai sua clínica, Leslie?

Começamos com um barracão,

uma dúzia de camas, 2 pacientes em cada cama.

O lugar é pequeno.

A equipe médica é composta de ex-presos.

É uma clínica de primeiros socorros.

Johnston ficará feliz ao saber disso.

É possível.

Mais uma.

Você gosta de saborear uma boa bebida!

Onde está Johnston?

Opa, doutora?

Viu o coronel?

Não mais, desde nossa conversa...

sobre a distribuição da mistura.

Ele desistiu.

-Senhor? -Sucumbiu à pressão, Derek.

Não vê mais perspectiva.

Acho que Johnston subestimou a complexidade de Belsen.

Como todos nós.

É impossível salvar todo mundo.

Johnston é ingênuo se pensa assim.

Devemos mudar nosso objetivo. Salvar o que for possível.

Senhor, ele é um perito, já fez isso antes.

É? Isso foi há 10 anos!

E onde ele estava com sua unidade,

quando nós estávamos no "front"?

Na reserva!

Acho que ele não passa de um burocrata.

O que foi Fisher?

Nada, procurava pelo coronel.

-Bem, aqui ele não está! -Não, senhor.

Obrigado, senhor.

Com todo respeito, senhor, não se preocupe.

Lembre-se do que disseram sobre Quetta.

E o coronel saiu de Sandhurst, muito mais jovem do que eu.

Agora descobrimos tudo!

Ele não tem nada planejado,

só sabe retirar corpos de escombros!

Meus homens se matam em barracões fétidos...

8 horas por dia há 2 semanas!

Todavia não fazem milagres!

Dias após a libertação: 12.

Total de mortos: 9699... 9700...9705....

-São ingleses? -Não, da Luftwaffe!

A Cruz Vermelha!

Maldito alemão, foi você quem avisou eles?

Não fiz nada!

Você e seus amigos, me dê uma razão para não te matar!

-Gonin, abaixe a arma! -Não se meta, Johnny!

É uma ordem! Venha pra cá!

Só sabem dar ordens Johnny!

Mas nada acontece! Só andamos para trás!

A Luftwaffe atacou o hospital no 13º dia,

apesar da neutralidade da Cruz Vermelha.

A equipe de Gonin socorreu todas as vítimas.

-Só quero ajudar! -Fora daqui!

Podemos ajudar.

Certo, mas ficarei de olho em vocês.

Estamos perdendo ele!

Vamos lá, está comigo desde a Normandia.

Cruzamos o Reno!

Ele morreu, senhor.

Ele está morto.

Ah, capelão..

a extrema-unção, por favor. A fé não importa.

Tudo bem, Fisher.

Vamos liberar espaço para os outros.

-Não posso fazer isso. -Por que não?

Nós não temos...

-Deus sabe... -Cadê o Johnston?

Ele não está aqui, né?

Já notou, Fisher, que quando temos que sujar as mãos,

o herói de Quetta nunca se faz presente?

Trate de encontrar camas para os meus homens!

-Está me ouvindo? -Sim, senhor!

Podemos tentar bovril na sopa, e ovomaltine.

Prefiro que nos concentremos na mistura.

Devo preparar 3 tipos de concentrados?

Exato.

Um com 800 calorias, um com 1700,

-e outro com 3 mil. -Certo, todos concordamos?

-Sim? -Sim!

Vejo que tem problemas com a distribuição.

Não se preocupe, irei resolver.

Eu sei, mas seus colegas...

Qualquer desvio de conduta,

deve ser reportado ao Derrick ou a mim.

Coronel, aqui não é a Índia!

Não há garantias de que funcione aqui.

Escute...

tenho plena confiança na sua poção mágica.

Dias após a libertação: 14.

Total de mortos: 11047.

Mas finalmente veio uma equipe treinada.

-Meu Deus! -São jovens demais!

Vamos!

-Nome? -Paton, Alex Paton.

-Qual sua idade? -21 anos, senhor.

Como veio parar aqui?

Primeiro por trem, e depois por avião até Hanover.

Não quero saber qual nave te trouxe até aqui, Paton!

Bem, quando pedi reforços,

não imaginava um bando de acadêmicos de medicina!

Eu queria especialistas...

em administração hospitalar, desnutrição,

e reabilitação cognitiva.

Mas recebemos treinamento!

E surge um time cheio de ideias fantásticas.

Agora, prestem bem atenção!

Há uma grande diferença entre teoria e prática em medicina.

Até agora somos mais coveiros do que médicos.

Acabamos de enterrar uma pilha de mortos há 3 dias.

Muito bem.

Vocês viram o filme antes de partirem.

-Sim, senhor! -Já sabem o quê os aguarda?

-Sim, senhor! -Porra nenhuma!

No filme não dá para sentir o cheiro.

Somos 27 mil pessoas numa área igual ao Green Park.

10 minutos naqueles barracões são insuportáveis,

e vocês ficarão lá por horas,

checando cama por cama, acha que consegue?

-Vou tentar, senhor! -Você consegue?

-Sim, consigo, senhor! -Ótimo!

Vocês alimentarão eles com isso!

Isso irá trazê-los de volta à vida!

Assim...

esperarei pelo dia em que um de vocês diga:

"Bom dia, senhor. Hoje ninguém morreu!"

-Cel. Gonin fará o transporte. -Também podemos ajudar.

Ter formação é essencial, Irmã. Eles receberam qualificação.

Amanhã às 7 hs assistirão seus pacientes.

Vamos, comigo, mexam-se!

Não vim aqui para ensinar ou servir de chofer.

Sim, eles são "médicos qualificados..."

para dar comida aos pacientes.

Não sei o que deu nele.

O que ele te disse foi um insulto.

Deixa pra lá, ele só está exausto.

Todos estamos!

Tem razão. Vamos, tome uma dose.

Adoro ver mulheres que fumam e bebem.

-E que jogam pôquer também. -Sou uma "profissa".

Especialmente, o pôquer fechado.

Que pena, só sei jogar o aberto.

Escolherei outra pessoa para jogar comigo.

-Quer um cigarro? -Obrigado.

Vamos, Paton. Estamos numa guerra.

-O que é isso? -Um diário, para a posteridade.

É? Escreva meu nome corretamente:

Gonin, G-O-N-I-N. Primeiro nome: Mervyn.

Warren, deixe a enfermeira em paz.

Chega de descanso, vamos agir pessoal!

Entrem logo!

Partimos para atender os barracões.

Decidi levar um cachimbo.

Para atenuar o terrível cheiro.

Os barracões mediam...

30 metros de comprimento por 10 metros de largura.

Havia umas 250 mulheres vestindo trapos.

20 delas conseguiam andar.

Um canto fora usado como banheiro.

Era um monte de lama, água e fezes.

As fracas demais para andar, defecavam onde estavam.

E aí?

Completamente obstruído.

Teremos que fazer a limpeza de todo o sistema.

O entupimento fez transbordar dejetos no rio...

que leva água limpa para o Campo 1.

Merda!

Exatamente, senhor.

Paton!

-Já visitou todos os barracões? -Não, mas chegaremos lá!

-Sentiu alguma coisa? -Não, senhor.

Fomos novamente vacinados e cobrimos nossos rostos.

Ótimo.

Fizemos uma anamnese de cada paciente,

e penduramos em suas camas.

-Uma anamnese? -Perdão, senhor?

Bem, quero saber como foi com a mistura?

Foi tudo bem, senhor.

Convencemos alguns a comê-la.

-Alguns? -Sim, senhor.

-Não está dando certo, não é? -Não, senhor.

Muitos se recusam e sequer querem provar.

Lamento muito.

Você não tem culpa.

Amanhã as coisas irão melhorar.

Logo aprenderemos a lidar com a situação.

-Para onde vai? -Tomar uma banho, senhor.

Ainda não, siga-me!

Coronel.

Johnny, fico feliz em vê-lo. Quero te mostrar algo.

Um instante. Paton tentou ministrar nossa mistura.

-É? -Conte para ele.

Sim, senhor.

Com os primeiros pela manhã, parecia que ia tudo bem.

Depois, ou vomitavam ou tinham diarreia.

-Droga, Martin, isso é sério! -Sim, é evidente.

E o pior é que a maioria sequer queria prová-la.

-Não conseguiam comê-la. -Por que não?

Essa sua panaceia, do que é feita?

Açúcar, leite em pó, farinha, sal e água.

-Isso é tudo? -Exato.

Parece um trabalho de açougueiro.

Não fui eu. Mas alguém sabia o que estava procurando.

Jesus Cristo!

É preciso moldar seu paladar.

-Os rins foram extraídos. -O fígado também.

-Não estou entendendo? -Nem eu!

Isso porque vocês não estão morrendo de fome.

Meu Deus!

Se eles não comerem a mistura, vocês verão cada vez mais isso.

Eles precisam obter seus nutrientes de algum lugar.

Com licença!

Eles não ficam só com o fígado, sabia?

Orelhas, bochechas, corações.

Não tenho como julgá-los, Leslie.

Se eu tivesse passado pelo mesmo.

Não se trata apenas de comida. Tornaram-se crianças.

Eles estão carentes de tudo.

-É terrível. -Eles recusam a nossa mistura.

Não reconhecem como comida.

Mas contém os nutrientes certos.

Foi formulada cientificamente.

Elaborada para quem? Indianos? Esse povo é tcheco.

Há russos e húngaros.

Eles estão habituados a comer bem.

A mistura é doce demais!

Um pouco de páprica irá melhorar o sabor.

Sim, fará até com que peçam mais.

Nossa, como é simples.

O sabor estimula o apetite.

Talvez o melhor modo de salvar vidas...

seja tratá-los como seres humanos.

Enquanto os médicos lutavam contra a desnutrição,

começaram a chegar provisões extras.

Inclusive brinquedos, absorventes e batons.

Jesus, o que acham que farei com isso?

-E o que está procurando? -Eu não sei.

Pimenta, temperos.

Algo que dê à mistura um sabor de comida caseira.

Por que Lipscomb não ligou para isso?

Achava que fosse um perito no assunto.

Cel. Lipscomb me disse que especializou-se...

em geriatria.

Estou perdendo essa guerra, Mac.

Perdi mais vidas do que salvei.

Não é só você, entende?

Há avanços em cada coisa que fazemos.

Os mais aptos, aqueles que você havia desassistido,

Paton contou que estão bem mais fortes.

Hoje eu vi um milagre.

Uma mãe e seu filho...

tomando banho de sol.

Algo normal.

Isso não te faz sentir melhor?

Não.

Devia confiar um pouco mais em si mesmo, Johnny!

Você está linda.

Nem sei se essa cor fica bem em mim.

Ah não, o Paton está aqui.

Não vamos acordá-lo.

Dias após libertação: 18.

Mortes por dia: caiu para 200.

Internações no hospital: subiu para 1000.

E os presos mais saudáveis preparavam-se para sair.

Socorro!

Fisher...

-quero uma autópsia. -Sim, senhor. Maca!

Cadê o seu milagre, Mac?

Quando até os mais fortes começam a morrer.

2500 dos mais saudáveis caíram seriamente doentes.

Caso não fossem logo internados,

acabariam todos mortos.

Seria desastroso para a moral.

Receio que ela não é a única, general.

Fomos informados de vários casos similares.

Certo, o que sabemos?

O exame sangue descartou tifo, ou outra doença infecciosa.

Ela por acaso recebeu transfusão sanguínea?

Não tenho certeza, senhor.

-Checarei o registro? -Pois faça-o!

Só falta ter recebido sangue contaminado!

Acho pouco provável, general.

Temos regras rígidas quanto a transfusões.

O que contém essa mistura de Bengala?

Compostos inócuos: açúcar, leite, sal.

-Algo que ataque o sangue? -Certamente que não!

Quero uma análise para termos certeza.

Sim, senhor.

Jesus, o coração dela pesa algumas gramas!

A metade do normal.

Por quanto tempo ela ficou aqui?

Acho que ela foi transferida, senhor.

Pode ter vivido em Campos por anos.

Bem, eis a sua resposta, Charlie.

Longos períodos de inanição causa a caquexia cardíaca.

-E parada cardíaca. -Exato, senhor.

Outros órgãos deterioram-se igualmente.

Esta mulher não faleceu por imperícia nossa.

Morreu porque os alemães a mataram anos atrás!

Olha, essas pessoas ficaram dias sem comer!

É simples, você pega isso,

jogue água e depois é só enxaguar!

Não quer limpar nada e não gosta de cumprir ordens, Johnny!

-Levante-se! -O que está fazendo?

Mande-o parar. Não pode fazer isso!

Mande-o parar!

-Ele vai matá-lo! -Johnston não pode matá-lo.

Você não chamou o Cel. Johnston de burocrata?

Ele é tão soldado quanto nós.

-Ele tem a Cruz Militar. -O quê?

Sim, aos 26 anos no Afeganistão, ganhou uma ferida de guerra.

Pelo amor de Deus, Mervyn! Vai lá e detenha-o!

Pare!

Não pode enforcá-lo, Johnny!

Ei, quer uma carona? Entre.

-Não sabemos onde ele está. -Alguém o viu?

-Nada. -Onde ele se meteu?

Só faltam o depósito e o Bloco B.

Certo, Paton e Mac,

vamos vasculhar o depósito e os outros, o Bloco B.

Não faço ideia.

Aqui, senhor.

Desculpa.

-Perdoem-me pelo que fiz. -Ah, o desgraçado mereceu.

-Paton tem novidades. -Sim, senhor.

Ninguém morreu hoje no meu barracão.

-Acho que ele não te ouviu. -Coronel?

Hoje ninguém morreu! Todos presentes e bem.

Estão comendo a mistura sem vomitá-la.

Eles reconheceram o sabor.

-Está funcionando. -Possivelmente.

Nada de grandes vitórias...

aqui o que vale são as pequenas.

Paton passou a noite inteira monitorando eles.

E a Mac anotava seus nomes e sua procedência.

As pessoas trabalharão anos em Belsen após partimos.

O fato é que chegamos ao ponto de inflexão.

E até eu tenho que admitir: seu maldito sistema funciona!

Gostaríamos que visse uma coisa.

Hardman tinha razão.

Se quiser salvar as pessoas trate-as como seres humanos.

Você parece minha ex-namorada. Um belo trapo.

Sabe o que é isso no meu rosto?

Absorvente, Cecil, ótimo, estava atrás disso.

As mulheres vão querer usar isso.

Está brincando. Elas parecem esqueletos.

Como assim?

Não pode ser, como poderia?

O pênis iria machucá-las.

As mulheres são mais fortes do que você pensa.

Tudo se resume a voltar à vida!

Isso quer dizer que elas podem...

-Bem, que conseguem fazer... -O quê?

Um pouco de sexo.

Cecil,

quando você tira uma mulher de 25 quilos de um barracão,

e a põe num hospital, e ela se recupera,

do quê o corpo dela sentirá falta?

Bem, deixe-me contar-lhes.

O corpo das mulheres é algo fantástico.

Não é só isso que estão pensando.

Percebi isso nelas, e até eu fiquei surpresa.

Quando uma mulher quase morta volta a viver,

a natureza se faz sentir.

É a vida que anseia por si mesma.

Ou como se quiser chamar.

Em maio, a Cruz Vermelha Britânica

montou uma loja de roupas usadas.

E puseram o nome da loja favorita delas.

"HARRODS"

Tudo bem, Fisher?

Tudo muito cheio, senhor, faltam leitos.

Pediremos que a equipe do Gonin...

traga mais mobílias da sala dos oficiais.

-Tem certeza, senhor? -Sim.

Esse é o espírito. Soube que Harrods foi um sucesso.

Sim, senhor.

Algumas de nossas clientes são bem exigentes.

Você reconhece uma russa pela roupa íntima que escolhe.

-Adoram o estilo vitoriano. -Vitoriano?

-Bem grande, general. -Sei.

Mantenha o bom trabalho, Srta. MacFarlane.

Ah, já ia me esquecendo.

Vocês vão gostar de saber...

pelo visto, a guerra acabou.

Dias após a libertação: 23. Vitória na Europa.

Total de leitos requisitados no hospital: 13000.

Hoje fizemos as últimas internações.

A evolução dos pacientes está mais do que satisfatória.

A versatilidade da minha equipe muito me surpreendeu.

Cuidado. Lá vem a Sra. Fisher.

-Bom dia. -Bom dia, Sr. Fisher.

Esta manhã, uma mulher me disse:

Hoje começa a minha vida.

-E você a beijou? -Com certeza.

Fisher, quero o depósito igual ao Coconut Bar do Ritz.

Use essa mobília, teremos uma festa.

Ponha uns abajures coloridos.

Quero o lugar bem acolhedor.

-E um show de cabaré, senhor? -Você manda, Fisher.

E fale para o tenente Sington...

levar toda a imprensa amanhã para o Campo 1.

-Sim, senhor. -E outra coisa:

me consiga um lança-chamas.

(21 de maio de 1945)

Por nossa recomendação, Bergen-Belsen foi incinerado.

Era o único final possível para um lugar...

que havia presenciado tanta miséria,

degradação e terror.

Tive o prazer de apertar o gatilho do lança-chamas.

Diabos Cecil, quanto você calça?

Não se meta com meu pé, tome conta do seu.

Lotti, cadê você? É o Fisher!

Diga-me, Lotti. Se tem solução?

Como vai ser hein?

Eles irão nos perdoar?

O que ele disse, Lotti?

Quer saber se haverá perdão para nós.

-E o que você acha? -Nós perdemos a guerra.

E o nosso país.

Mas o pior foram os Campos de Concentração.

Ali perdemos nossa honra.

Um bom alemão não vive sem honra.

Não importa que não soubéssemos.

Temos que assumir a culpa.

32 da equipe médica alemã que trabalhou na lavanderia

contraíram tifo.

General, Mac, como estão as coisas?

Nos divertindo muito, não general?

Com certeza! Fantástico, Johnny!

A imprensa toda está dizendo, Johnny,

que você montou o maior hospital da Europa.

-Quer dançar? -Claro.

Estou muito bêbado, Mac.

A maioria dos judeus em Belsen não festejou a libertação.

Tínhamos perdido nossas famílias, nossos lares.

Não tínhamos para onde ir e ninguém para nos acolher.

Ninguém para nos esperar em lugar nenhum.

Estávamos livres da morte e do medo de morrer...

mas não do medo da vida.

Em 1946, a Dra. Bimko casou com Josef Rosensaft,

um líder dos sobreviventes de Belsen.

O filho deles nasceria 2 anos depois no hospital de Belsen.

Os dois seriam um dos fundadores...

do Museu Memorial do Holocausto dos EUA.

O general Glyn Hughes tornou-se padrinho

de vários bebês de Belsen.

Ele considerava os sobreviventes como a sua família.

Em 1945, o hospital Wehrmacht

foi renomeado para Hospital Glyn Hughes.

O hospital funciona até hoje.

Alex Paton formou-se em 1948, e tornou-se um médico famoso.

Ele manteve a amizade

com seus colegas estudantes de Belsen.

Emmanuel Fisher tornou-se um músico famoso,

regendo o Coro Judaico Londrino por 20 anos.

Ele liderou turnês mundiais, e compôs para Hollywood.

Mas jamais esqueceu o trauma de Belsen.

Leslie Hardman celebrou vários casamentos em Belsen.

Ele mantém contato com sua congregação até hoje.

Vive como rabino no norte de Londres.

Sington colheu provas para Nuremberg

com a ajuda de sua secretária, Gertrude,

que ele conheceu no seu 1º dia em Belsen.

Eles se casaram em 1948, e foram morar em Neasden.

Mervyn Gonin recebeu a Ordem de Serviços Distintos,

e voltou a clinicar em Ipswitch. Ele morreu em 1954.

Jean McFarlane seguiu a equipe de Johnston...

de Belsen para sua outra missão.

Ela tornou-se presidente da Federação de Lacrosse.

Jean adotou um órfão refugiado da Europa Central.

Ela nunca se casou.

James Johnny Johnstou...

continuou no exército por mais 30 anos.

Foi promovido a general,

assumiu o comando de todo o treinamento médico do exército.

Ele manteve contato com aqueles...

que estiveram ao seu lado em Belsen.

Subtitling Nephilim dC

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