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ANTES QUE EU ME ESQUEÇA
Ficaremos em paz. Agora ele não fará mais shows.
E as pombas não cagarão mais em nós. Não há árvores.
Isso é verdade.
Ele pode ver a gente passar.
Quem é?
Agente judicial Didier Fromand.
- Sobre o quê? - Os tickets do estacionamento.
Emitidos em nome do Sr. Pierre Pruez. Estou no lugar correto?
Saiu, está na Suíça.
Você tem seu novo endereço?
Ele me deixou faz um mês. Sou muito azarado.
Sinto muito.
Vai se foder com os seus tickets!
Estou mal estacionado, não tinha lugar.
Estão em obras.
Vamos?
Feche a porta, por favor.
Não estou muito bem.
Fique de joelhos.
Me chupe.
Lambe.
Faça direito.
Lambe meu saco.
Aí...
Mais fundo.
Mais fundo eu disse!
Estou me asfixiando.
Você chupa devagar.
Capriche, vamos.
Mais rápido.
Você gosta disso!
Você adora um pau desses, né?
Sim.
Sim, o quê?
Sim, professor.
Sou seu professor, né?
-Diga que sou seu professor. -Sim, professor.
Fique de quatro.
No tapete, como uma cadela.
Não, assim arde, Marc.
Eu disse de quatro, no tapete!
Sem lubrificante, não gosto que escorregue.
Te disse pra ficar de quatro.
Vá devagar, Marc.
- Está doendo! - Cale a boca, vadia!
E me chame de professor.
Vai, grite.
Grite como uma mulher.
Não consigo, Marc...
Grite alto.
Faça uma voz fina, como a de uma garota.
Na próxima vez vou trazer uma calcinha da minha namorada.
Vai, grite!
Você gosta de pau, né. Toma!
Quero ser o seu macho. Vou pegar o seu dinheiro.
Vou te comer aqui na sua casa, e você vestido como uma mulher.
Vai se arrastar como uma cadela.
- Diga "sim professor" - Sim, professor.
Você gosta! Você gosta de pau, né?!
Ponha do outro lado.
Temos que parar.
Não posso continuar.
Não posso. Não consigo gozar.
Acontece às vezes. Tomo muitos remédios.
Acho que nos entendemos muito bem.
Na próxima vez trarei dois colegas.
Não acho que venham mesmo.
Já falei com eles, estão de acordo.
Eles querem vir, pode confiar em mim.
Vamos ver.
Quer suco de laranja?
Sem açúcar.
Quero ir nesse lugar.
Com meu bigode, precisarei de um véu.
Basta se barbear.
Nunca me atreveria.
Podemos foder aos sábados, se não estiver ocupado.
Pelo menos chupar.
Vou te ligar no sábado.
Até mais.
Toma.
Está apenas frio, quer gelo?
Não, assim está bom.
- Está fenomenal aqui. - Pra mim do mesmo jeito.
Na minha idade, tirando os problemas com dinheiro, estou muito bem.
Sabe quanto querem de impostos?
400.000 francos.
400.000 em impostos atrasados. Não entendo.
Você gasta muito.
Acha isso?
Oh, você acha?
Não sei como os outros se administram.
Eu me dou uma boa vida.
É um círculo vicioso. Você ganha mais, paga mais.
Terei que trabalhar duro. Não sei como se administra.
Não trabalho e estou em minha casa.
Você não paga aluguel.
O meu é 30.000 francos. Vai rápido.
E Maria vem todos os dias.
E os michês.
Nem me diga isso! Reduzi gastos.
-Quanto você paga? -100 euros.
Isso é normal. E às vezes dou mais.
Acabei de encontrar um. Sabe quanto paguei?
Adivinha o preço.
80 euros?
Menos.
60?
Menos.
50?
Sim.
Me apresente ele?
Você quer?
- É pauzudo? - Assim!
Não parei com nada. Estou sublime.
Tem sorte.
Com o tempo cheguei a mostrá-lo como é o mundo.
Não temos o mesmo passado.
Ultimamente tenho precisado mais de afeto.
Não sei como consegue ficar sozinho.
No momento estou bem...
Mas só agora, devo admitir.
Tenho o Serge.
Eu te admiro.
Mas não quero. Prefiro estar só agora.
Como suporta?
Às vezes me pergunto isso.
Mas é a minha cruz. Prefiro não falar disso.
Acabaríamos discutindo de novo.
Você é prático, eu não. Pode cozinhar...
Encontro cada vez mais dificuldade.
Eu gosto de comer sozinho em casa. Você não pode fazer isso.
Às vezes.
Posso acender?
Ontem, depois de um dia duro,
cheguei em casa à meia-noite.
Sabe o que fiz?
Não tinha nada para comer. Peguei queijo branco
com iogurte, geléia e um montão de açúcar.
Comi com uma parte de pão duro, não foi legal.
Poderia comer fora.
A meia-noite?
A meia-noite em Paris alguns lugares estão abertos.
Onde?
Você conhece muito bem restaurantes abertos a meia-noite!
Sozinho, como um infeliz?
Você ficará bem.
Pára!
Você ainda tem cabelo.
Sim, sou sortudo..., mas acho que envelheci.
Você está muito bem!
Inclusive Serge, que não é muito atento, diz o mesmo.
Estou ganhando barriga.
Estava comendo um sanduíche ontem e vi um grupo de velhos.
De nossa idade.
Não vemos como estamos.
Tem alguém novo para mim? Me chateio mesmo assim.
Não tenho confiança suficiente neles.
Melhor fazer em lugares,
em cabines.
É o lugar onde você me levou em Pigalle? (norte de Paris)
Sim. Perto do Sexódromo.
Não posso, sou claustrofóbico.
-Não podia ficar. -Mas conseguiu uma transa.
Rapidamente.
Sempre, e quando for pra fantasiar, é excitante.
-O jovem eslavo ainda vai lá? -Sim. 40 euros.
E Marc, ainda o encontra? Quanto você paga?
100 euros.
Eu pago 150. Ele tem muita energia.
É divertido.
Acho que agora só iria arrastado para Pigalle.
Boa sorte! Vai lá!
Não me atrevo.
Posso acender?
Ainda vê seu analista?
Três vezes por semana.
Estou te dizendo isso.
Nunca sei se está mentindo.
Quais são os honorários?
-80 euros. -Isso é o normal.
- Quanto dura a sessão? -45 minutos.
O meu são 10 minutos. Às vezes menos.
Nos faz ser menos chorões. Mas tenho que falar com ele.
Comecei o tratamento para tratar minha claustrofobia.
Vou todos os dias e não vi nenhuma mudança.
Fui convidado para ir a Nova York, mas não consigo voar.
A saída de Paris é um inferno por causa dos túneis.
Para não citar os elevadores!
Se houvesse uma pau grande no final, tenho certeza que daria um jeito.
Acho que não!
- O que está lendo? -Não perca a página.
"Todos Meus Amigos" de Enjoe Ndiaye.
Deveria ler "Os Meninos".
É maravilhoso.
Minha grande alegria é me sentar ali e ler.
Sorte que você gosta de ler.
É verdade. Você não gosta.
É meu melhor remédio para dormir.
Leio uma página e durmo.
Neste momento não durmo nada.
Nada?
Isso vai te fazer rir.
Nunca adivinharia o que me aconteceu.
- Tive o maior susto da minha vida. -Que sorte!
Não estou de brincadeira.
Levei um policial pra casa. Sabe o que ele fez?
Pôs sua arma na minha cabeça. Seu revólver de trabalho.
Não!
Sim, o susto de minha vida.
Imagine-se com um revólver na sua cabeça por 15 minutos.
Estava apavorado, não tem nem idéia!
-Estava carregada? -Está brincando?
Esse é o temor das bichas.
Como os viados que se vestem de nazistas por uma ilusão.
Quando quero levar susto vou ao cinema. Isso é real.
Pasolini deveria estar assustado. Entretanto, foi uma morte bonita.
Você está maluco.
Posso?
Que horas são?
Não se preocupe, estou indo.
Meu cigarro.
- Aonde vai? - No Pigalle.
Para alguém que não quer nada, você tem vontade!
Parece em boa forma.
Você me irrita.
Um filósofo que fala de estupidez sempre é suspeito.
Quem ele acha que é?
Como se ao falar de imbecis, alguém pode excluir a si mesmo.
Como se a estupidez fosse o único assunto que não se aplica a nós mesmos.
Como poderia a estupidez ser a exceção à norma?
Estupidez que mata a novidade tal como a rotina mata o amor.
Decepcionado com inteligência,
que não pode entender a vida em profundidade, e assim a explica em extenso.
Estupidez que congela o movimento,
transforma novas idéias em idéias recebidas,
aforismo em Provérbios, críticas pensadas em sentimentalismo.
O vemos naqueles que dão lições mas não agem em conseqüência.
Ou em ferventes hedonistas,
cujos orgasmos servem para esquecer que não são felizes.
A estupidez reduz o mundo a si mesmo,
a diferenças de identidade, como um enfoque doutrinário.
A estupidez opta por reconhecer, no lugar de encontrar.
Não é o inimigo da inteligência, e sim da inquietação.
A estupidez imuniza contra a enfermidade de outros.
A estupidez não pensa, mas é indispensável,
da mesma maneira que os homens sem valor gritam junto com a multidão.
A estupidez sempre tem a última palavra,
sempre tem razão.
Eu...
Pareço uma droga. Não tem nem um pingo de graça.
Estou deprimido, vou pra casa.
Merda! Um policial. Vou desligar.
Bom dia, cavalheiro. Sabe que isso é ilegal?
Oficial, simplesmente me esqueci.
Então!
O caso está fechado.
Quanto devo?
Nada.
Quero você.
Merda!
Estacionei mais rápido que o esperado.
Desculpe, Georges. Cheguei cedo.
Os documentos.
Certo, não estou sozinho. Estou com um cliente que você conhece.
Paul!
Minha nossa!
- Você não mudou. -Você muito menos.
Sim, certo!
- Quantos tempo foi? -30 anos.
Isso é muito tempo.
Estive aqui e ali.
Achei que estava fora. Gastón me disse isso.
Soube que ele morreu?
Estou furioso, ninguém me disse. Teria ido ao funeral.
Pensei que sabia.
Nunca mais o tinha visto.
O último contato foi por telefone.
E o que herdou?
A casa em Córsega e o apartamento?
Tuda graças a você.
É você que dormia com ele, não eu. Foi há 35 anos.
- Quando saiu? - Faz dois anos.
Isto é muito bonito, mas minha mulher está esperando.
Ela esteve esperando 40 anos!
-O que faz agora? -Nada.
-Quer ir comer? -Vamos.
Venham, crianças.
Você tem letras de câmbio? Com minha identificação, vai ser fácil.
Fale baixo, tem gente perto!
É verdade que não mudou quase nada.
Faço exercício.
Moro perto do Bois de Boulogne. Corro todos os dias.
É pouco. Deixa de besteira e faça mais.
Meus 60 anos já pesam.
Não parece. Te daria uns 55.
Você acha.
Não faço nada, não caminho.
Não corri 1 metro em 20 anos.
- O que devemos pedir? - Ostras e vinho rosado?
É divertido estar aqui, 30 anos depois.
33.
Eu tinha 17 quando você me apresentou ao Gastón.
17?
Você roubou um cheque dele.
Eu era menor de idade, sem riscos.
Freqüentemente pensava em você na cadeia.
19 anos, o que é um desperdício. Os melhores anos da minha vida.
Marc, ainda assim, me deu estudo.
Uma licenciatura e um mestrado.
Li muito.
Gastón me enviou muitos dos seus livros.
Ele foi muito feliz enquanto você estava preso.
Desse jeito, pertencia a ele. Ele sabia onde você estava.
É tudo o que sabia. Coisas que acabaram a tempo.
Ir para uma prisão é uma das minhas fantasias.
Teria que matar um policial para ganhar respeito.
Não falta um bom pó. George continua pedindo.
Ele esteva aborrecido com isso.
Ele deve estar exaltado.
Não acha?
Eu via George desa forma.
-O que fará com o dinheiro? - Vai pra Suíça.
George tem os esquemas. Serão 3 milhões.
Não fica preocupado?
Terá que ser cuidadoso.
Escondi no estepe do carro.
Dessa maneira é fácil. A outra forma é mais perigosa.
Por agora, não preciso.
George conhece algumas freiras que podem trazer.
Vivo a metade do tempo no Brasil.
Tenho amigos lá. Podem conseguir a ida do dinheiro a São Paulo.
Vou comprar uma casa lá. Você será bem-vindo.
O Brasil é muito barulhento.
E cheio de jovens.
Tenho uma filha de 17 anos.
Pode encontrar o que desejar.
Jovens rapazes por 100 reais.
Você está feito na vida.
Trabalho um pouco em máquinas caça-níqueis
Me dá dinheiro aqui.
Caça-níqueis?
É legal.
Há inspeções para assegurar que não estamos roubando, mas tudo bem.
Dá 7.000 euros por mês.
50.000 francos é demais.
Posso precisar de você.
Sou herdeiro do Toutone.
Ainda o vê?
Foram 35 anos.
Que idade ele tem?
A idade do Gastón.
75.
Ciumento como sempre.
Na realidade, ele é adorável.
Pelo menos me amou.
E sua filha, como está?
É aeromoça. Não a vejo muito.
Ela é tão bonita como você?
Não sei. Se parece comigo.
Você era uma graça.
Nós nunca transamos.
Eu deveria ter ido pra cadeia.
Tenho que ir.
Deixe que eu pague.
Fique a vontade. Volto agora mesmo.
- E então? -Não estou bem.
E agora?
Estou bem.
Almocei com um amigo que não via há 30 anos.
Foi agradável.
Era o michê do antigo John, um dos meus.
Ele trabalha com máquinas caça-níqueis.
Está cheio de energia.
Formou-se na cadeia.
Pelo menos a prisão serve pra algo.
Eu deveria ter tido tempo.
Deveria ter lido.
Sabe qual será o grande lamento de minha vida?
Que nunca tenha lido a Bíblia.
Um duro golpe para o Toutoune.
Tenho lido algo do Novo Testamento.
Parei.
É sublime. É uma lástima que não leia.
-Sim. - Já é o bastante!
Destaco a minha falta de cultura, mas admito que me esqueço.
Tenho que mudar.
Mas para que?
Não sei.
Quando conheci Toutoune, ele queria que eu voltasse para a estudar.
Além de foder, do sol e dos bares,
nada me interessa muito.
Nem sequer o dinheiro.
Embora eu tenho sido um gigolô.
Se lhe perguntasse o que aconteceu nos últimos 20 anos,
te diria que "Lady Dava" morreu.
A AIDS e tudo o que não importa.
Quando eu lhe disse que era HIV positivo,
ele disse: "É o melhor presente que você poderia me dar".
Meu médico...
disse que eu deveria ver o especialista...
Não sei seu nome,
quer que comece uma terapia tripla.
Estou apavorado.
Talvez devêsse escutá-lo.
Os efeitos colaterais me assustam.
Estive aguentando-os por 24 anos.
Mas parecer uma vítima de Auschwitz... Não, lutarei contra isso.
Houveram progressos.
Acredito que há tratamentos eficazes com poucos efeitos colaterais.
Você viveu com uma energia não muito comum,
com a espada de Damocles que pesa sobre você.
Acho que já está cheio.
Talvez seja a hora.
Se não houver escolha, eu faço.
Continue...
Nada.
Tenho medo.
Penso em suicídio.
Não posso escrever.
Tenho dúvidas.
Duvido de nosso trabalho.
Poderia citar o gato que meu irmão afogou quando criança.
O gato era da minha mãe... Desculpe, mas tenho algumas dúvidas.
Fala sobre sua infância.
Nunca falou disso.
Só me lembro dos momentos tristes.
Os momentos gays, no sentido literal, não as lembranças.
Ah, sim!
Sempre quis tocar no pau do meu pai.
Continua... E neste momento?
Neste momento...
Nada.
Não quero nada.
Ou sim, conhecer alguém.
Precisa encontrar um rapaz de seu próprio meio.
Um burguês fedido sem nada a dizer.
Ontem na fisioterapia conheci um padeiro e seu filho.
Conhece-os?
Deve haver gays em algum lugar que não sejam afetados.
Não os conheço.
E não os encontrarei em Pigalle!
Nos bares, só tem quarentões.
Pare de sair com velhos.
Meus michês não são velhos.
É verdade que os outros me tratam como menino.
Sinto-me com 15 anos.
Bem, hoje ficamos por aqui.
Saia, veja gente mais jovem.
Não posso nem sequer me levantar.
Estou igual a Toutoune.
- Te vejo na sexta-feira? - Sim.
"Meu amor,
fui a Veneza este fim de semana.
É a cidade mais estranha e talvez a cidade mais bonita no mundo.
Deveríamos ir algum dia, nos afastar do resto do mundo.
A Bienal abre hoje, todos os artistas estarão lá.
Como você pode imaginar, a mudança repentina
e a curta distância
me fizeram bem.
Precisei de coisas bem diferentes depois da sua partida,
e custei para permanecer ocupado.
Você se acostumou com os clubes?
E sobretudo, sente que saindo todas as noites se sente melhor?
Tenho muitas e muitas questões sobre você,
e sinto como se setembro estivesse mais longe que a lua.
Entretanto, é só o começo.
Quase 9 horas.
Tenho que ir.
Vai me chamar esta noite entre as 5 e as 8 horas?,
eu me pergunto.
Estou à espera de Marie-Odile.
Talvez peça a ela que venha aqui.
Nunca atende seu telefone.
Gastón me chamou.
Vou vê-lo no domingo que vem.
Isto é surpreendente, assombroso,
e para mim é um grande prazer.
Talvez chegue uma carta sua para mim nesta manhã,
quando o zelador me entregá-las.
Seu horário parece sensatamente organizado, entre tênis e ioga,
piscina e praia.
Está frequentando swing?
Neste momento,
deve parecer uma espécie entre árabe e siciliano,
como Dom Quijote no Desterro,
surpreso e desorientado.
Sinto saudades.
Tropeço em você a cada passo no apartamento.
E se uma parte de mim está aqui,
o resto está na Calabria.
Encontro-me quebrado em dois.
Meus pensamentos em você são mais numerosos que palavras nesta página.
Com todo meu amor,
meu safadinho.
"Toutoune."
Julho, 1985.
- O que quer? - Não posso arrumar isso.
Durante seis meses, me tranquei em casa.
Não posso continuar assim.
Estou farto de michês.
Outro dia fui à Pigalle. Estava tão ruim que me caguei.
Troque de psiquiatra.
Fiz isso.
Fui só seis meses.
Não posso falar do Toutoune, deixamos que nos entender.
Só lhe interessa a sua condessa e os problemas econômicos.
Desde a morte da Marguerite Lamy, seu único desejo
é ir à minha casa raramente.
Você sabe, Toutoune é um ex-michê.
Um michê de sociedade, mas ainda um michê.
Quis fazer comigo o que fizeram com ele.
Se o tivesse escutado, teriam me transformado numa bolsa de madame.
Sempre esteve contra do psicanálise.
E diz que escrever não me convém.
É óbvio! Está me perdendo.
Não o vi em 3 meses, é miserável. O que posso fazer?
Já não posso mais.
Quando tentava escrever outro dia,
encontrei uma de suas cartas.
Foi tão bonito que chorei.
Só o vi duas vezes.
Sempre o encontrei aborrecido.
Não sei como você faz. Não consigo aguentar velharias.
Depois que passei dos quarenta...
não tive mais ninguém, a não ser Catherine.
Conheço Toutoune há 35 anos.
Foi sempre meu pai, minha mãe, meu banco.
Como um pai que quer ver quando as coisas vão mal.
Acima de tudo um banco.
No começo, sim.
Depois, não.
Agora de vez em quando falo por telefone. Não vejo ninguém.
Além de você, Kiki e David...
e Rafa, que escreve a máquina meus manuscritos.
Pelo menos sai um pouco, eu não me movo daqui.
Além do Serge, que já conhece o papo, estou sozinho.
Tem ao Saïd,
e o outro do Fontainebleau.
Saïd?
Ele morreu.
Quis adotá-lo, inclusive você disse que eu o matei.
Eu disse isso?
Não lembro...
É óbvio que não.
Quanto ao do Fontainebleau,
se recordar,
foi ao inferno, durou três anos.
Não sei como fez.
Vi ele uma vez, tinha um desses olhares...
Ao menos eu escrevia.
Custou-me um enfarte, um vírgula e uma válvula cardíaca,
mas escrevia.
Agora terei uma perda
Totutoune terá que morrer.
É terrível!
E vai herdar?
Na nossa idade, ter dinheiro, é o melhor que pode acontecer.
Não saberia te dizer.
Ele deixou de ajudar faz muito tempo.
Sim, quando estive no hospital três meses.
Ele nunca foi tão feliz.
Eu pertencia a ele.
Ninguém podia me visitar.
Ele perdeu 10 anos.
Minha maior força,
foi me atrever a deixá-lo.
Para um ex-estelionatário deixar a um cara rico de 40 anos...
é um ato corajoso.
Lembra?
Foi minha maior depressão.
Uma queda na pressão arterial, estava beirando o suicídio.
De fato, foi quando comecei a escrever.
Sim, eu lembro.
Me peguei sozinho como um idiota em minha pequena casa.
120 m2!
E você a tem.
Eu não tenho nada.
Além do meu trabalho, não tenho nada.
Está fazendo algo útil.
Uma coisa é certa: ninguém nunca comprou minha forma de pensar.
Minha ânsia positiva é o que que impulsionava minha escrita.
Agora, só posso admitir
que é uma ansiedade negativa.
E ser HIV positivo não ajuda.
Eles me querem na terapia tripla.
Esqueça isso.
Vai ficar como todo mundo.
Há coisas piores.
E é o único modo de escrever.
Funcionou até o momento. Seu pequeno negócio faz dinheiro.
Você parece estar bem.
Exceto o suicídio, não me interesso pelo resto.
Pare com esse assunto.
Por que? Não tenha medo.
-É parte da vida. -Por favor!
É como um psiquiatra.
Falo de suicídio com um sorriso, e não acredita nisso.
Conheci um monte de suicidas que estavam em boa forma.
Isso é.
Preferia que fosse assim. Quero descansar.
Me desculpe.
Você aparenta estar em plena forma.
Pierre.
Você é Pierre?
Não me reconhece? Richard.
Richard, desculpe, não te reconheci.
Passou muito tempo. Pelo menos 10 anos.
Sim, no mínimo. E como vai?
Bem, o que faz por aqui?
- Didier Jayle. - Vim por ele. Ele está bem.
É a primeira vez que venho.
Ele me seguiu durante dez anos. Salvou minha vida.
Tem o meu telefone?
Não mudou?
O meu também não.
- Nos falamos em breve? - Certo.
O total sobe para 300.000 euros.
300.000 euros...
3 x 6, 18... 180.000 francos.
Fala em francos.
1.968.000.
196 milhões.
Não é um engano?
Duas apólices de seguro de vida, livre de impostos.
Assina aqui...
e aqui.
Estou brigando com todos os meus amigos.
Reclamo o todo o tempo. Ninguém me liga.
Ao menos vejo meu psiquiatra três vezes na semana.
Isso é muito, é muito tempo.
Eu estava quase comprometido.
Tomando antidepressivos, remédios contra a ansiedade, antipsicóticos...
Quase fatal.
Passei o verão trancado em casa.
O psiquiatra me deixou seu número caso eu precise.
Meu psiquiatra está contra a medicação.
Diz para eu parar de pensar, o que é certo.
Era um zumbi.
Melhor, mas somente em outros lugares.
E estava tudo inchado.
Você faz análise?
Meus estudos desempenharam esse papel.
Não tinha que fazer, mas lia.
Inclusive Gastón me disse que chegaria a catedrático.
Mas fui por minha filha.
Ela viu coisas horríveis, quando criança.
Estava de passagem. Estávamos em um trem,
a polícia chegou e me jogou do vagão.
Ela se agarrou para mim, sua mãe tratou de acalmá-la,
eles me algemaram...
Ela tinha dois ou três anos.
Deve ter sido duro para ela.
Agora está bem.
Falamos abertamente. Ela sabe tudo sobre mim.
Ela recentemente descobriu alguns recortes de jornais. Eu era notícia.
Destaque?
Em todos os jornais.
Era procurado pela Interpol.
Foi a carreira do século.
Me escondi com o Gastón.
Queria que me entregasse.
A estação estava justo no andar baixo.
Sabe, Plaza St. Sulpice.
Recordo perfeitamente. Havia um banheiro público no outro lado.
Estava acostumado a ir passar com o Roland Barthes.
A polícia deixou passar. Ao menos estávamos seguros.
O que fez?
Não cedi. Ele não queria que ficasse com ele.
Eu disse que ia a polícia, e ele partiu.
Não te assustou?
Estava certo de que ele não iria, que voltaria.
Mas pensou bem.
Ele te amava?
Uma vez tive um caso, cheio de bilhetes.
Ele se escondeu sob a cama. Deve ter se divertido.
Ele conheceu sua filha?
Ele cuidava dela. Freqüentemente a via com sua mãe.
Poderia levá-la no Jardim de Luxemburgo.
E o dinheiro na Suíça?
Ela tem o número de conta e a senha.
Preparei os documentos se por acaso der certo.
Onde ela mora?
Em Marais.
-De aluguel? -Sim.
-Deveria comprar algo. -Pensei nisso.
Por agora não posso. Tem que ser oficial.
O aluguel me leva 1000 euros ao mês.
Venderei a casa na Córsega.
Ficarei com o terreno, ele valoriza.
Farei um campo de golfe para os turistas.
Você sabe, o turismo na Córsega...
A casa é dividida com o Chavagnac. Conhece ele?
-Infelizmente! -Gastón o adotou.
Mas se arrependeu, não podia deserdá-lo.
Freqüentemente Gastón falava dele. Ainda não tinha te conhecido.
O guri era um descarado. Sempre o odiei.
Era um verdadeiro michê!
Só esperando a morte do Gastón.
Tinha uma revista.
Tinham isso em comum.
Tinha várias, todas se foram pela rivalidade.
Um dia se negou a assinar alguns documentos que precisava.
Voltei com dois amigos. Ele assinou.
Você pode precisar das pinturas, para assustar à família.
Pierre me deixou umas tantas pinturas.
Algumas do Michaux, o estilo de vida do século XVII.
E um Matisse, para pagar o imposto de sucessões se necessário.
Fui um lesado, não as peguei.
Exatamente como você queria, ele diria.
"Se algo me acontecer de repente está aí. Toma."
Vi tudo, e obviamente não fiz nada.
- Ele não te deu um advogado? -Não. Desapareceu.
É estúpido. Tive um de 1985.
Fiz ele em pedacinhos, pensando que tinha encontrado o outro.
Deixou uma pintura para sua sobrinha, e o apartamento à caridade.
Mudou-se mais tarde e me deixou tudo.
E fiquei numa paranóia.
Estava assustado se eles procurassem em minha casa.
Quase não pus um pé nela com a polícia.
Inclusive era suspeito de tê-lo assassinado.
Me pegaram na estação.
Disseram-me que ficaria a disposição... Você sabe como é.
Essa é a versão curta.
Dois homens solteiros... Vou poupar as alusões.
Perdi 15 milhões de francos, por não mencionar o resto.
Menos mal que me deixou seguro de vida.
É para o seu túmulo.
Supunha-se que ele procuraria um advogado.
Não procurou.
Compramos juntos, em nosso nome.
Tenho os papéis, mas não é suficiente.
Precisa da autorização da família.
Aconteceu aqui, às 13 horas.
Estava esperando-o para almoçar. Nunca chegou.
-Onde ele está? -No seu quarto.
Não pode subir, senhor.
Quem é?
Um amigo.
Posso ver alguma identificação?
Ele tinha algum familiar?
Sim. Distantes. Nunca os via.
Nem sequer sei os nomes.
Ele tinha uma agenda.
Vá e procure-a.
Deixe comigo. Estou a cargo da investigação.
Posso vê-lo?
Tem chaves?
Conhece outra pessoa relacionada com ele?
Estaremos em contato. Ficam algumas pergunta. Fique a disposição.
Encontrei-o morto em sua cama.
Todos os seus documentos estavam aqui. Não conseguimos encontrá-los.
Como você perdeu tudo, com quem ficará?
Para sua família, que ele nem gostava.
Você vai achar graça disso. Ele tinha um esconderijo para o dinheiro.
Não consegui encontrá-lo, embora ele tenha me dito onde estava.
Acabei falando para um amigo, Bruno.
Consegui alguma coisa,
graças aos certificados de seguros de vida.
Procuramos muito seu testamento.
Esse dia fazia um calor tremendo.
Estávamos seguros de que ninguém nos veria sair.
Estava me cagando.
Para ter coragem tomei dois ou três uísques.
-Nada. -É a outra.
Não podemos ficar aqui.
Vamos!
O retrato do adolescente estava aqui.
Venha. Este não é o momento.
O testamento estava aqui.
Vamos, não encontraremos nada. Tudo estava no seguro.
Bruno! Por favor, vamos sair.
Podemos levar essas coisas.
Foi tudo catalogado. Vamos.
Me dei ao luxo no Chao Bao.
Estava tremendo.
Não pude ver quantos eram. Foi horrível.
Deveria ter escutado Bruno.
Desapareceu na noite em que morreu, antes de que o encontrassem.
Os vizinhos esconderam as pinturas e o testamento.
Como eles estavam assustados, não me atrevi. Me faço de doente.
Deveria ter chamado.
Gastón fez da forma legal. Deixou tudo com um advogado.
Peguei tudo.
-Deixou quase nada para René. - Muito bem.
Tem que ser um avô.
Ele tem dois meninos e uma menina da idade do Sandrine.
Espero não ter te aborrecido.
E não acaba.
Tem algum lugar para ir?
Poderia me deixar num bar.
Deixe-me pagar.
"É provável que cause efeitos secundários."
Likely, tá ouvindo?
"Diarréia, vômitos, náuseas, enjôos,
inflamação do pâncreas, problemas respiratórios,
insuficiência renal, perda do cabelo..."
Não posso perder meu cabelo!
"Anemia, desmaios, erupções cutâneas,
e doenças de fígado que podem se converter numa ameaça à vida."
Espera, não terminei.
"Febre, feridas, úlcera na boca,
inflamação dos olhos, inchaço na cara,
enfermidade hepática e transtornos renais."
Não posso!
Não vê? Não posso com isso!
Sei. Tenho que fazer.
Estou com isso há 24 anos. Sim, sei.
Farei.
Bronquite depois de bronquite, não posso seguir. Sei.
Mas quando li todos os efeitos colaterais,
desculpa, mas quem quer tomar ?
Ficarei calvo. Não, lutarei com isso.
É a moda, ok, não brinque!
Queria só ver você no meu lugar.
Tomarei a decisão sozinho, como sempre. Toutoune já foi.
Estava muito contente que eu fosse HIV positivo, e este tratamento...
Precisamente começarei assim.
Com a cara de uma vítima de Auschwitz, não!
Farei-o. É obvio que o farei.
Obrigado, Rapha. Obrigado.
Tem razão. Eu...
Tem razão. Um beijo, Rapha.
Isso me deixa puto!
De novo 34 º C esta tarde na capital,
36ºC em Bourges, 37ºC em Toulouse.
O calor é terrível, e especialmente difícil para os que estão nas cidades.
Os serviços sanitários comunicaram 40 mortos pela onda de calor.
e aumentaram as enfermidades associadas com o calor
Os bombeiros estão a linha de frente.
Informações de uma coporação de bombeiros parisiense.
Uma pessoa doente em casa chamou os bombeiros.
Até agora, é tudo o que sabem.
Quando chegaram, encontraram um homem de 71 anos na sua cama.
O homem já estava mal...
e muito debilitado.
É a típica vítima de insolação.
Quatro pessoas vivem neste pequeno e mau ventilado apartamento.
Foram vários dias calorosos,
e nos próximos dias os bombeiros estarão ocupados.
Faz muito calor em alguns apartamentos, levará vários dias...
antes de que as temperaturas comecem a baixar.
Os grevistas foram chamados na Palestina
para protestar pela visita da Condoleza Rice.
Os manifestantes encheram a praça central do Ramallah,
incluindo muitas mulheres, mães como Radija.
Em suas mãos leva as fotos dos seus quatro filhos, feitos prisioneiros em Israel.
"Estou atrás do Nasrallah, líder do mundo islâmico!"
Estas são os tropas da Jihad Islâmica.
Rezam para que Deus permita o triunfo ao Hezbolá.
Os manifestantes se aproximaram do quartel geral das autoridades palestinas.
Foram dispersados à força pelos soldados palestinos.
A posição dos EUA evoluiu pouco após a chegada de Condoleza Rice.
Terá que falar direto do conflito no Líbano, com condições.
Não obstante, a posição de Israel não mudou.
Ehud Olmert diz que Israel tem meios para levar a sério uma grande guerra contra o Hezbolá.
Os subúrbios do sul de Beirute seguem sendo o baluarte do Hezbolá.
Jovens soldados motorizados fiscalizam todos
os locais que não recuperaram seus pertences.
A localização do principal refúgio do Hezbollah é um segredo.
Este esconderijo clandestino acolhe 1000 pessoas a noite.
"Olhe, esses meninos não pertencem a este refúgio"
"Eles deveriam cair fora"
Outros, inclusive, têm menos sorte.
"Eles bombardearam tudo"
-"O que restou da sua loja?" -"Nada!"
"Entretanto, o Hezbollah não atacou, Israel bombardeou!"
"Nós não gostamos das guerras, mas tomaremos as armas
e faremos tudo o que pudermos para não morrer"
Em Beirute, aviões teleguiados israelenses vigiam os subúrbios do sul.
Esta tarde, oito mísseis teleguiados destruíram vários edifícios.
A cidade da Ribeira Ocidental do Hebron é o lar de 120.000 palestinos.
No centro, uma colônia de 200 Judeus estão protegidos por 2.000 soldados.
A maioria dos colonos estão armados.
Um deles matou vários palestinos aqui durante a oração do '94.
A cidade ainda se mantém parcialmente ocupada por Israel.
Os moradores de Hebron estão cansados da rigor do Islã.
As mulheres usam véu nas ruas. Há pouco espaço livre.
"Não podemos nos mover, não podemos fazer nada"
"Assim é como vivemos"
O mundo inteiro conhece as imagens de Hebron.
Sempre o mesmo. Lançar pedras, disparos, bombardeios,
ambulâncias, o ruído de sirenes e o medo.
Viemos apesar disso, ou por causa disso.
Seis ovos.
Uma fatia de presunto fina, não grossa.
Pão de forma.
Um sachê.
Um tubo de maionese. Tenho restos de frango.
E um queijo holandês.
O vermelho.
E uma boa garrafa do Burgundy.
A melhor. E não demore.
E uma laranja.
Obrigado.
Sim, sexto andar.
Entre!
Desculpe, é a minha próstata.
Desculpe, pensei que era Mustapha.
Ele está de folga, estou cobrindo.
Isso era...
a barbearia do meu pai, meu irmão queria queimar tudo.
-Meu pai é barbeiro. -Onde?
-Agadir (Marrocos). -O marroquino de ST. Tropez?
Estes são frascos de perfumes antigos.
E este o afiador de navalhas de barbear.
E este... é Toutoune.
E a poltrona do barbeiro.
Sente-se.
Isto lembra a minha infância. Fiz com meus companheiros.
Venha, o banheiro é por ali.
-Quanto pela comida? -25 euros.
-Como se chama? -Khalid.
As peças do Michaux são minhas.
Esse é seu relógio.
E o relógio do seu pai.
Olhe, Bruno!
A boquilha de ouro da Guerra Civil,
de Van Cleef.
E o DuPont que lhe dava.
E seus gêmeos.
-Conhece-o? -É obvio, Willem.
Conheço.
Eu gostaria de comprar uns souvenirs.
O violão que quebrou na minha cabeça quando ele estava chapado.
E uns bibelôs.
Lembra da Marie-Odile de Mézèle?
Não entendo.
Estão todos aqui, não posso fazer isto.
Irei contigo.
Sabe o que Toutone me disse quando me conheceu?
Pode descer um degrau, mas não até o porão.
Vai voltar?
Quero um orçamento pelo retrato do adolescente.
O único que estava no banheiro.
Queria comprá-lo por ele.
Pierre lhe disse que poderia ter sido um David.
Somente como um presente de minha parte.
E as pequenas figurinhas que estavam à vista.
Pierre disse que lançaria as algemas cruzadas no rio Sena,
para trazer de volta seus maridos vivos.
Parecia jogar um feitiço.
Chamaram-nos "Sonda do Sena."
Como aquela fonte em Roma, onde se atira moedas para fazer um pedido.
Um táxi.
Deixo você pagar.
Me consiga um catálogo.
Uma assinatura do Henri Michaux.
Começaremos o lance com 8.000. Estamos em 8.000. 500...
8.500, 9.000... 500.
A luta é 10.000. 11.000. 12.000. Temos 13.000...
13.000, aquilo é 14.000.
Senhora? 15.000. Temos um lance por 15.000.
16.000 Não, 16.000..., 17.000.
A senhora dá 17.000?
Sem lamentações? 17.000. Fechado
Agora o número 111.
Um colegial francês do século XIX.
O retrato do jovem sem data. O lance começa em 200.
300, 400. Você, senhora, 400.
500... 1.700, 1.800.
Vejo 1.800 na primeira fila.
1.900.
2.000. Justo preço. Adjudicado ao cavalheiro da primeira fila.
127, a vida do século XVII,
situado em Varangeville, e datado.
Começaremos o lance com 10.000 euros. 12.000. 13.000.
O lance é 13.000 14.000. 15.000.
Ainda a mesma direção?
O mesmo código? A5864?
Estará em casa às 6 da tarde?
7 euros pela entrega.
Fechou em 38.000.
Se eu reagir, é muito.
A morte de Toutone, os novos remédios...
É como um novela.
Não consigo parar de pensar sobre a perda do testamento.
Ele está se debatendo no túmulo com esse testamento.
Disse que precisava de dinheiro agora, não aos 75 anos.
O resultado é que perdi 15 milhões de francos.
E essa frase ele disse três dias antes da sua morte.
Estávamos no Parque Monceau.
Disse-lhe que deixasse de caminhar como um velho.
Ele disse: " Pare de me humilhar!"
Nunca o esquecerei.
É difícil de ouvir.
Vai escrever?
Escrever muito engraçado!
A herança está me mantendo vivo.
Se eu gostasse da pesca ou de perseguir mariposas, estaria melhor.
Se me perguntar o que me dá prazer...
Nada.
Nada consegue.
Um jovem rapaz que faça tudo por você?
Gostaria disso.
Vamos parar por hoje.
Não queria parar.
Adoro ser miserável.
Quando Toutone morreu fui muito infeliz.
Vivi a sua morte.
Gritei, "Toutoune, Toutoune!" Foi assustador.
Era miserável, e também muito feliz.
Tenho uma amiga que continua me pedindo para dizer que ela é feliz.
Quanta agressividade e egoísmo.
Não acredito na felicidade, especialmente na de outras pessoas.
Espero não acabar como você.
Antes disso me dou um tiro. Não quero ficar velho.
Todos dizem isso.
Aos 25 anos, pensava que era velho.
Não queria comprar uma panela de pressão, estava muito certo de que queria morrer.
Quando conheci Toutone,
tinha 25 anos.
Eu pensava: "Ele é único".
Deixei de agir como uma puta.
Tive a ilusão de acreditar no teatro.
Queria ser uma estrela.
Aprendi rápido, não tinha nascido pra atuar.
Você não diz nada?
Sinto-me feliz em casa. Leio, vejo filmes...
Faço meus clientes, e um ou outro gosta de mim.
Eu gosto de viajar. Você tem dinheiro e liberdade.
Aos 60 anos, sozinho como um idiota, pra que me serve grana?
Não posso viver com ninguém. Tenho Jimmy.
Jimmy é um bilionário. Sem noção de dinheiro.
Poderia te deixar um milhão ou dez. Não vê a diferença.
Seus advogados cuidam disso.
Há seguro de vida para mim. De resto, nada em meu nome.
Se algo acontecer com ele, você não existe.
Nem sequer pôde pegar o dinheiro que escondeu.
Eu roubei.
-Abra uma conta bancária. -Não posso.
Chame o meu banqueiro, ele te vai assessorar.
Ele também poderia ser um novo cliente.
Farei isso.
Peça que te compre um apartamento.
Não tenho necessidade de propriedade.
Não posso me programar a longo prazo como você.
Posso foder com clientes, dormir, jantar com eles...
A idéia não é dividir apartamento.
Nunca vivi com Toutone.
Mas ele me deu muito. Você tem semear para colher.
E o amei, depois.
Não como quis, mas o amei.
Sabe o que uma vez Roland Barthes disse quando me apresentou?
Tinha 20 anos.
Ele disse que eu era uma puta.
No sentido semântico.
Sem compromisso, sem casa, sem raízes.
Simplesmente era isso, uma puta.
Está bem.
Você está no lucro, tem 29 anos.
É meia-noite. Quer dar uma volta em algum clube?
Seria ridículo.
Mas não no "Dépôt". E estaria comigo.
Vou pagar, vamos.
Não consigo encontrar as minhas chaves.
David, graças a Deus está aqui.
Está perdido sem mim.
Te vi cruzar a rua. Parecia uma bichona.
Talvez, mas não sou, para a alegria da minha mulher.
Um não é para ao outro.
Obrigado pelas minhas chaves.
Estou perdendo minha cabeça.
O que quer beber?
Nesta hora... o mesmo você.
Por favor... dois uísques.
Como estão Kiki e Laetitia?
Laetitia está dormindo.
Não acordou?
Vou te devolver as chaves.
Não importa.
Não a você, a mim sim.
Acha que estou perdendo cabelo?
Aqui... Não está mais vazio?
Não acho.
E minhas bochechas?
Não estão inchadas?
Não vejo nada.
Minhas pálpebras?
Você não mudou desde o funeral, está bem.
São as pílulas, por enquanto.
Ainda tem seu psiquiatra?
Te disse que parei.
Por que?
Cansado de ser sempre a mesma merda.
Ele nunca fala.
E é caro.
A seguridade social o rembolsa?
Tive que pagar adiantado.
Como vão as aulas de piano?
Tenho 26 estudantes.
E você tem que reembolsar à seguridade social?
Quando se tem uma relação difícil com o dinheiro, acho isso estranho.
Você sempre diz isso.
Ainda vê o seu?
Ele é a única pessoa com quem eu posso me queixar.
Toutone se foi.
Preciso de um rapaz inteligente, safado, animado...
Poderia ser um de 40 anos .
Eu amava Toutone. É a vida.
Tenho que me acostumar.
É ali.
Dois, por favor.
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