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O DIABO VESTE PRADA 2
FLORAIS DE PRIMAVERA
Baseado nas personagens de
Sim!
PRÉMIOS DE JORNALISMO NYPC
O que foi?
Dois anos seguidos, boa!
Obrigado. Avisa a imprensa.
Espera, somos nós!
E chegamos agora ao Teclado de Ouro,
atribuído ao artigo ou série
que destaque um feito ou uma investigação excecionais.
A nossa primeira nomeada, do "New York Vanguard", é…
… Andy Sachs, por "Corações da Cidade: Histórias de Resiliência".
O segundo nomeado, do “Gotham Sentinel”, é George Ali, por “Crónicas do Metro”.
Do "Borough Report", Yvonne Simpson, por "O Custo da Saúde É Terminal".
"NY Metro Constitution", Daniel Goldbaum, por "Combater o Fogo Com Fogo".
Recebemos todos!
E o vencedor é…
… Andy Sachs!
Vai.
Vai.
É fabuloso!
Assim é que é, Andy!
Obrigada pelo prémio.
Desculpem, sei que pareço infeliz em vez de parecer feliz.
E…
Isso é porque…
eu e aquela mesa cheia de profissionais talentoso e premiados…
do meu jornal, o "Vanguard"…
- … acabámos de ser despedidos. - O quê?!
Por mensagem.
Sabemos que o jornalismo está a mudar,
mas não deixa de ser devastador quando algo assim nos acontece.
Ao que parece…
… a nossa empresa sofreu uma desvalorização de 500M de dólares,
portanto nós…
… fomos eclipsados.
Acho incrível terem-vos despedido a todos!
Ao menos, estás bem na foto.
Sinto-me tão mal pelos meus colegas!
O John vai ter o segundo bebé. A Allison acaba de comprar uma casa.
É tão injusto!
O CEO da empresa que possui o jornal ganhou 11 milhões o ano passado.
Faz algum sentido?
Não faz. Mas tu vais safar-te.
Não sei, Lil.
Toda a gente que conheço vive isto: layoffs, reestruturações, consolidação…
É brutal.
Seja como for…
Sei que tenho sorte, que há gente muito pior.
A maioria está pior do que eu. Só que… Eu vou safar-me.
Mas é tão injusto!
Trabalhaste que nem uma moura durante duas décadas,
percorreste o país e o mundo e nunca aceitaste subornos.
Nunca dormi com um colega.
Quero dizer, um.
Dois.
Mas pronto, nunca dormi com quem pudesse promover-me,
só com gajos giros, sem poder.
Não queres mesmo trabalhar comigo na galeria?
Preciso de quem escreva bem. E tu precisas de trabalho.
Que querida…
Não, obrigada. Ainda não.
Então que lhe digo?
Está bem, espera.
De certeza que isso não sai esta noite?
- O PR diz que temos um dia ou dois. - É qualquer coisa.
Então só lhe digo amanhã, é escusado estragar-lhe a noite.
- É a Miranda. - É a Miranda?
- Miranda! - Miranda!
Miranda!
Miranda!
ENGANADA:
Artigo da "Runway" elogia marca ligada à exploração laboral
A "Runway" é responsável?
Esta noite, não.
Olá, só queria dizer-te que a story já está online
e que a "The Business of Fashion" já a publicou.
- É muito mau? - Um desastre.
Já se tornou viral. Queres ver?
- Achas que vejo isso, tenho óculos? - Desculpa.
Culpam-te por absolutamente tudo.
- Meu Deus, o Irv vai passar-se! - Sim.
- E veio em péssima altura. - Eu sei.
Levanta a cabeça, vamos enfrentá-los.
É uma empresa horrenda chamada SpeedFash.
Mentiram sobre as condições de produção. Enganaram a nossa repórter
e agora…
… acusam-nos de conluio na promoção daquela empresa horrível.
As coisas que se fazem por lucro!
Agora somos os vilões du jour.
Servidos de bandeja, prontos a ser devorados.
Melhor para ti, diria eu.
Os vilões são sempre os mais interessantes.
Meu Deus, o Irv!
É a minha deixa para ir passear o cão.
Olá, Gio! Vamos tratar disto.
Anda, bicho.
Olá, Irv.
Que raio, Miranda?!
Pai, olha aqui.
Estão a massacrar-nos online.
Recebo emails furiosos de anunciantes da Tiffany, da Fendi, da Bvlgari!
- Eu… - Quem paga o teu livro caríssimo?
Já falei com anunciantes. Reúno-me com eles de manhã.
E vou ser muito direta com a Ashley.
Não. Eu resolvo.
Veio mesmo na pior altura.
Planeava dar-te uma grande promoção. E agora isto.
Pai, isto é mau.
Até o "Journal" fala mal da "Runway", e responsabilizam a Elias-Clarke!
- Está a bater-nos à porta. - Eu sei.
Como vamos recuperar uma ponta de credibilidade?
Olha isto.
VÃO BUGIAR: O JORNALISMO IMPORTA
Porque há coisas que valem mais que dinheiro.
O jornalismo ainda é importante, porra!
AÇÕES DA RUNWAY
como é que esta mulher se aguenta?
QUERES UMAS MENTIRINHAS A ACOMPANHAR?
A Miranda Priestly? Julgava-a mais esperta.
- Tornou-se irrelevante. - Céus!
- É uma relíquia! Morreu, é um dinossauro. - Velha, cansada, estafada.
- Vê o final do "Yellowstone"! - Não, vê tudo.
- Está? - Andy Sachs?
Sim.
Irv Ravitz. Belo discurso, hoje.
- Olá. - Parece precisar de trabalho.
Nem acredito que considero voltar a trabalhar naquela revista…
Que tal é o salário?
O dobro do que ganhava no "Vanguard".
E o Irv prometeu-me uma verba significativa para contar histórias
e contratar jornalistas a sério, como vocês…
Ninguém aqui te julga.
Eu estou a editar as memórias de um dos chihuahuas da Paris Hilton,
um bicho atrevido chamado Chi-town.
Voltando atrás, podes contratar-nos.
Valorizo o completo abandono dos teus princípios.
Brindo a isso. Paga a renda, minha.
Sabes o que podias fazer?
Se aceitares o trabalho, podes escrever um livro:
"Desmascarando Miranda Priestly".
Seria incapaz.
Um livro sobre a Miranda arrasaria. Vou perguntar ao meu chefe.
- Estou curiosa! - Não te atrevas!
- Aposto que te rendia uns 50 mil. - Não… A sério, não faças isso.
Nunca mais ninguém me contrataria!
Ela tem razão. Uma chorona a queixar-se da chefe…
Diz que uma proposta bem escrita, e sabemos que escreves bem,
- pode render-te uns 100 mil. - Não.
- Aprovação total. - Não sou assim.
A sério. Mas isto pode ajudar-me.
A "Runway" é famosa por ter artigos bem escritos.
Não, amanhã chego lá com um grande sorriso,
e vou aproveitar bem este trabalho, está bem?
O que é?
"Não te preocupes, já resolvi. Está pronta às 9h. Irv."
E aquela-que-sabes quer-nos na outra ponta da cidade às 9h15.
Como fazemos isto? Não temos tempo para isto.
- Que quererá dizer "já resolvi"? - Não faço ideia.
Chegou a pessoa das 9h.
Olá!
Miranda!
Nigel.
Olha o que a TJ Maxx nos trouxe!
- Olá, Seis. - Olá.
Muito obrigada por esta oportunidade.
Admito que fiquei surpreendida quando o Irv me ligou.
Passou tanto tempo, mas…
Estou radiante com a oportunidade de…
Desculpe. Quem é esta? Conhece-la? Eu conheço-a?
Talvez te lembres da Andy. Era uma das Emilys.
Uma das quê?
- A Emily da… - Sou a Andy Sachs.
A gorducha esperta.
Fui sua assistente há séculos. Se calhar, o Irv não avisou.
E o Irv mandou-te cá para…
Para chefiar o departamento de Reportagens.
Como editora-chefe. Contratou-me ontem à noite.
Não vos disse?
Disse que precisamos de…
A "Runway" tem de controlar a narrativa da SpeedFash
e recuperar a sua credibilidade.
E ele achou boa ideia contratar alguém com a minha experiência,
mas julguei que a Miranda tinha aprovado e estava entusiasmada.
Daí ter chegado toda…
- Amari? - Sim.
Ligue-me à Ashley, por favor.
Bom dia, Miranda.
Sim, Ashley. Um alertazinho.
Não precisamos de si hoje. Nem nunca mais. Arrume as suas coisas.
Os RH hão de ir falar consigo.
Feliz?
Acaba de ficar com o lugar da summa cum laude de Cornell.
A primeira licenciada da família, penso eu.
Mas pronto, venha.
Anda.
Devia ver isso.
A lesão, a condição ou lá o que é…
… que a leva a arrastar-se.
Estava a pensar que quando voltarmos ao escritório,
podemos sentar-nos a ver quais são as vossas prioridades.
Partilho as minhas ideias quanto à linha editorial…
Mas primeiro temos de aplacar um anunciante importante.
- É lá que vamos? - Sim.
Estão furiosos por causa da SpeedFash.
Sabe Deus o que vão extorquir-me!
Espaço gratuito de anúncios, artigos promocionais…
Uma córnea.
Felizmente, não estou preocupada,
porque a tenho a si, enviada pelos superiores,
para ajudar a redirecionar esta instituição centenária
com os frutos do seu infinito saber e a sua quê…?
"Experiência".
Sim.
A Dior representa 16% dos nossos gastos com design.
E é a principal patrocinadora dos nossos eventos especiais.
Se os convencermos, estamos safos. Com quem temos de falar?
Estarei a alucinar?
Emily, olá.
Também a conhece?
Estivemos na "Runway" ao mesmo tempo, Miranda.
A sério? Onde estava eu?
Pronto. Vamos?
Menina Charlton, está radiante! A venda a retalho assenta-lhe bem.
E você está por um fio. Lembra-se de quando as revistas eram relevantes?
Pronto, entrem todos. Sentem-se.
Há muito a conversar.
Por onde querem começar?
Sou a nova editora de reportagens da "Runway".
Não és nada.
A sério?
Não paro de me espantar!
Agora sou jornalista.
Publiquei artigos no… Não interessa.
Todos sabemos que aquele artigo foi um erro
- e estamos a tomar medidas… - Ainda estou perplexa.
É realmente extraordinário. Editora da "Runway". Tu.
Sim.
Estamos encantados.
Sabes o que tem piada? Mudaste. Estás muito mais confiante.
Mas não tocaste nas sobrancelhas…
Bom, Miranda. Como está?
Mas que bela confusão… Tive de acalmar muita gente, porque, como sabe,
a nossa associação à "Runway" e a si assenta na sua impecável reputação.
Foi um lapso momentâneo.
E estamos a fazer tudo para que não vos toque.
Boa, fiquei bastante chocada.
Contudo, como entenderás, é importante termos liberdade editorial
- e manter a nossa integridade jornalística. - Integridade… Compreendo.
Mas que chique! Cheia de opiniões! Aproveita-te à vontade dos chavões.
Mas sem anunciantes, não há "Runway".
Sem nós, não existem.
- Estamos bem cientes disso. - Excelente.
Em consequência do seu erro de julgamento,
gostaríamos de rever umas coisinhas.
Pensámos num crédito de três ou mais páginas de publicidade
e uma peça sobre a abertura da nossa loja principal. Seis páginas.
- Três. - Não. Cinco.
Quatro.
Desculpe, agora somos peixeiras?
Serão cinco, com a menção da marca em todas as legendas.
Miranda?
Fique descansada. Vamos já assegurar isso.
Ótimo.
Estou confusa. Deixou-se manipular assim?
É que se vim para recuperar a sua credibilidade…
Não a ouviu? Sem eles, não existimos. Precisamos dos anunciantes, Andrea.
O número de setembro é tão fino que mal se vê!
Os anunciantes são importantes. Eu sei, não sou nova, mas…
Esclareçamos uma coisa.
Não mereceu este trabalho, eu não a contratei.
É o mais recente capricho do nosso CEO.
Basta-me deixar passar o tempo até a ver espalhar-se.
E vai. Espalhar-se.
É melhor ir de comboio, querida.
Tu consegues, tu consegues.
Conseguiste.
Pronto…
São só sobrancelhas.
- Olá! - Olá.
Não fomos apresentados ontem, Andy Sachs.
- Charlie, segundo assistente. - Olá, Charlie.
Conhecido por "Cadeira Charlie", a Amari não me deixa levantar.
Mas um milhão de raparigas mataria para ter este lugar.
Já ouvi isso.
- A Miranda está? - Chegou.
Cheguei. Vim a horas.
És daquelas que acham que chegar a horas é chegar à hora.
Entendi. Anda. Mostro-te o gabinete.
Amari, tenho de fazer chichi. Por favor, bebi um sumo!
Valeu a pena?
- Não. - Não.
É melhor falar com a Miranda primeiro.
Eu levo-te ao teu gabinete.
- Boa sorte, Charlie. - Obrigado.
Já tive o teu lugar.
Já sei. Um facto notável.
Sim, em 2006.
Fui à Paris Fashion Week.
Tive peças da coleção Chanel.
Espera, a boina com pala?
E as botas até às ancas. Sim!
Adoro. Ainda tens tudo?
Não, dei.
- O quê? - Não era adequado à redação.
- Este é o teu gabinete. - Está bem.
Era o da Ashley?
Não, a Miranda quis-te aqui. Por alguma razão.
Por alguma razão. Certo.
Quem dá peças da Chanel?
Roubei isto para ti.
Tudo desta estação.
Mas mente quanto a quem tos deu.
Há mais de onde isto veio, mas não sejas gananciosa.
- Cantina? - Ótimo! Estou pronta.
Anda.
Não digo que não ao blazer. É…
Margiela.
Comprei em 2ª mão em Provo. Custou $11.
Aprendi umas coisitas quando aqui estive, babe.
Nada mau, babe.
O destino.
A estrada sinuosa que nos traz até mim, a ver-te pôr essa coisa numa tigela.
- É tão bom ver-te, Nigel. - Sim.
A Miranda tem muita sorte por ainda estares na revista.
Que revista?
A "Runway" deixou de ser uma revista há muitos anos.
Ainda temos um livro, mas já quase ninguém o compra.
Nope. Somos digitais. Descarregáveis. Rodamos no streaming. Estamos no éter.
E os orçamentos?
Dantes davam-me quatro semanas em África com o Avedon para uma reportagem de luxo,
e agora tenho sorte se me derem dois dias no Milk Studios
para produzir um conteúdo que as pessoas mal veem enquanto fazem chichi.
- Portanto… - Sim?
Foi impressão minha ou a Miranda foi especialmente bera?
Viste-a à porta da Dior? Julguei que a cabeça lhe saltava!
Anda nervosa,
porque o Irv quer promovê-la a Diretora Global de Conteúdos.
A sério?! Isso é colossal.
Só que esta história da SpeedFash pode vir a atrapalhar tudo.
O que estás a dizer é… que ela precisa de mim.
Estavas a falar a sério!
Desculpa.
- Vou ao departamento de arte. - Gostas disso.
Muito.
- É a Andy? - Sim.
- Sou a Jin Chao, a sua assistente. - Já me tinha perguntado! Muito gosto.
Esta manhã era estagiária, mas quando abre uma vaga, podemos candidatar-nos,
e ninguém queria trabalhar consigo,
por não ser propriamente moda, então, consegui! Não é fixe?
Muito.
- Não me quer. - Não disse isso.
Se não me quiser, pode entrevistar outra pessoa.
Tive média de 3,86 em Yale, fui 1.º soprano no Whiffenpoofs
- e consegui 36 à primeira no ACT, mas… - Pareces ótima. Estou feliz por te ter.
- Ótimo. Boa. - Boa.
Vou trabalhar até tarde
e preciso de umas coisas. Para começar…
A Miranda está a pendurar o casaco?
Ouvi dizer que houve queixas nos RH.
Parece que costumava atirar o casaco às pessoas.
Afinal, há mudanças.
Mas pronto, hoje faço serão.
"Promessa Para os Nossos Leitores" por Andy Sachs
- Não estás à espera do livro, pois não? - Sim, ela quer tê-lo impresso.
Ainda?
- Entregas-lhe uma coisa? - Claro, eu vou lá.
Obrigada.
Quando fores a casa dela, digam-te o que disserem,
nunca subas as escadas.
- Quem faria essa estupidez? - Ninguém!
COMO NOS ENGANÁMOS TANTO
COMO FORAM TÃO MAL INTERPRETADOS
Obrigada por agires bem!
A Vanessa Friedman do "The Times" diz que o artigo da Andy é um "firme mea culpa".
Sim, mas alguém leu a história, além de quem escreve para a cultura?
Não propriamente, mas parecemos estar safos, certo?
Isso ainda está por apurar.
- Bom dia. - Olá.
O Nigel está?
Não, o Nigel não está.
Li o teu artigo.
- Estava muito bom. - Obrigada.
Esse foi um belo perfil!
Sim. Sobre os Barnes.
CASAL PODEROSO
Claro, foi antes de se separarem.
Sim.
- Adoro a Sasha Barnes. - Eu também!
Tentei mil vezes marcar uma entrevista, mas não tive sorte.
- Não és a única. - A sério?
A Miranda mataria! Com o divórcio, a Sasha é uma das mulheres mais ricas do mundo.
Interessante.
Até apetece escrever um livro sobre ele, o antes e o depois.
O Benji Barnes era um totó de ombros descaídos que nunca pisou um ginásio.
Mas há dias, vi uma foto dele.
Esteroides, uma pitada de Sculptra, um pouco de Ozempic…
- … e pronto! - Um milagre moderno.
É um milagre moderno.
- Adoro estas transformações. - É fascinante.
Bom… Olá.
Pegámos em Muglers e Westwoods vintage
e fomos fotografá-los para Washington Mews.
E estava lá…
… quando fizeram essas fotos?
Estava.
Então a intenção era ser apagado e letárgico.
Eu não diria que o objetivo fosse esse.
E as modelos foram encorajadas a deambular como cabras esfomeadas
no estacionamento de uma clínica de metadona em New Jersey.
- O que é? - Não pode dizer isso.
Não posso dizer o quê? Metadona? New Jersey?
Adiante…
Foi a primeira vez com este fotógrafo, podemos fazer outra sessão.
Resolvam.
E então… Quem mais? Marta? Que tem para nós?
Este ano há muito gorpcore,
pensei fazer uma peça interativa na app
em que se escolhe um parque nacional e depois uns sapatos e uma bolsinha.
"Bolsinha"! Deem-me um suicídio breve e indolor!
- Não, não. - O quê?
"Não, não", como?
Não estou a falar em matar outros. Por enquanto.
Certo. Ótimo. Mais alguém?
Ilana, que trazes?
A atualização da história da SpeedFash correu bem.
Os analistas reagiram bem à nossa candura e admissão de responsabilidade.
Certo. Mas alguém leu o artigo?
Não sei.
Nigel, dá-me as estatísticas.
Está aqui para escrever e editar peças que as pessoas leiam.
E quando isso acontecer, poderá interromper uma reunião.
Mas até lá…
Falemos de gravatas borboleta. Esta é gira.
Aquilo foi um bocado bruto.
Acabei de suavizar uma crise. Custa assim tanto reconhecê-lo?
Pois é. A menina precisa que a valorizem.
Os teus pais punham-te os desenhos no frigorífico?
Não é isso. Dispenso palmadinhas nas costas,
mas preciso de saber o que ela quer.
Preciso de feedback construtivo.
Feedback. E de um chupa-chupa? Ou só de feedback?
Precisavas deste emprego?
Aceitaste o emprego?
Então trata de te desenrascar.
- Adeus. - Adeus.
Adeus.
"Tecnologia NASA em produtos de beleza"
Previsão Moda de Outono
Acho que se falamos…
Pegamos na roupa feita à medida…
Aquecimento Global Altera Cultura Europeia
Iniciativa do CFDA Beneficia Alunos de Moda
O que é isto?
Demasiado rosa, Ken. Somos subtis, não somos a Valentino, entendes?
É a amostra que te enviei? "Sussurro de túlipa"?
Essa mesma.
Então não sei. Olha que não sei…
Cá está ela.
É tudo obra tua?
- É. - Impressionante.
Estás muito ocupada. Obrigada por me receberes.
A ideia é cobrirmos a nova loja e o teu papel em organizar tudo.
- Foi ideia da Miranda? - Foi minha.
Seja. Se é isso que achas melhor, então… está bem.
- Ótimo! Mostra-me tudo. - Vou mostrar.
Ken, não é um sussurro. É um grito por ajuda!
Isto é uma homenagem
à escadaria no Dior Atelier original, na Avenue Montaigne.
- É incrível. - Eu sei.
Quanto custou?
Não posso divulgá-lo, Andy, mas foi caríssimo.
- Que cara de enjoada é essa? - É que…
- É bom ver-te crescida. - És tão graxista!
- Quando fazias essa cara… - Eras sempre tão irritante.
Sim, tu eras divertidíssima.
Ouve. É bom voltar a ver-te.
- Que é feito de ti? - Não.
Não é para a peça, é só para saber.
Seja. Divorciei-me de um narcisista patológico, graças a Deus.
Mas tenho filhos lindos, Bronwyn e Roark. Um no Collegiate, um no Chapin.
- Bom trabalho. - Eu sei. Lindos, não?
- Sim. - E tu?
Estive 15 anos fora de Nova Iorque.
Tenho circulado, atrás de histórias.
E não casei. Nunca encontrei a pessoa certa.
E os meus filhos estão num consultório na Rua 85.
São óvulos congelados. Mas penso neles como as minhas filhas, Siobhan e Esther.
- Porque saíste da "Runway"? - Queres lavar roupa suja?
- É só uma pergunta. - Não é relevante.
Tu adoravas aquilo e a Miranda. Porque te foste embora?
De onde vem essa pergunta?
Olha bem à tua volta.
O comércio de luxo é o único sector do mundo da moda que ainda é lucrativo.
As lojas. Esquece o resto.
Portanto, sim. Estou feliz por estar aqui.
Sabes que há 20 anos, uma mala de $100 era uma extravagância?
Marcas como a nossa vieram alterá-lo.
Usámos os logos e as marcas, porque toda a gente compreende,
todos veem que a tua mala, a tua écharpe, o teu perfume, o teu guarda-chuva…
Toma nota.
Dizem ao mundo quem és, aquilo que valorizas.
E agora, há donas de casa em Banff
que nem saem de casa sem uma das nossas malas de $3000!
E isso é bom?
É mau querer que todos possam aceder a beleza e a design?
Todos aqueles que têm 3 mil dólares.
Já ouviste falar do Natal?
Mas não te preocupes comigo ou com a minha carreira. Preocupa-te contigo.
Os teus artigos não deram muito nas vistas. Nada que sobressalte.
Que tem a Miranda a dizer?
Tem sido dura contigo?
Tem sido normal.
Sim, Irv. Estou a ver os números.
- Miranda, são inaceitáveis. Trata disso! - Está bem, eu…
Isso pareceu um banho quente.
Parece ter-se esquecido de que foi ele a contratá-la.
Ele contrata-a e o problema é meu.
Ele referiu alguma coisa sobre o cargo de diretora global?
Não, nunca mais falou disso.
Sempre me foquei no que as pessoas têm de saber,
agora tenho de perceber onde querem clicar. É mesmo…
Talvez tenhas é de ver como fazer as duas coisas.
As coisas inteligentes e as coisas divertidas.
Meu Deus!
Olá.
Quer…
Não. Não me vou sentar.
O Irv ligou, frustrado.
Os teus artigos não estão… a ser lidos.
Sim, não… Mas devo dizer que alguns dos artigos valem a pena.
Valem a pena a quem?
É fantástico querer atrair novos leitores para a "Runway".
Mas talvez não queira espantar os que já nos leem.
Sim, eu não queria…
Mas estamos prestes a publicar um trabalho importante.
- Boa. - Eu…
Um artigo sobre a Sasha Barnes.
Tem mesmo uma entrevista? Marcada?
Quase. Estou a ultimar pormenores, mas já assegurei um acesso.
Ela não fala com a imprensa há 3 anos.
Será uma lança em África, jornalisticamente.
Daí ser tão emocionante.
Qual é o teu acesso?
Não tenho.
- Vamos lá. - Não, é…
Credo, esta casa é mesmo…
Já então eram loucamente ricos!
Só para perceber, não tens como chegar à Sasha,
- mas disseste à Miranda que sim? - Exato.
Não estarás demasiado perto do fogo?
Eu sou o fogo.
Não digas isso às pessoas.
Sim, eu conheço esta peça. É uma Cecily Brown.
Foi vendida por mais de 600 mil em 2009.
Sabes quem a vendeu?
Provavelmente a Paula. É a principal vendedora da Cecily.
- E arranja o número da Sasha? - Talvez. Vou ligar-lhe.
- Despachas-te? - Desacelera.
Eu sei.
A Paula disse que talvez me arranjasse o número da Sasha Barnes.
Não consegue.
O treinador do cão? Aceito.
Só quero fazer-lhe umas perguntas.
Garanto que não saberão quem mo deu.
Obrigada!
Sasha? Olá. É outra vez a Andy Sachs, da "Runway".
Adorava falar-lhe, quando tivesse um minutinho.
Ligue-me quando lhe der jeito.
Estou sempre perto do telefone. Obrigada.
Desculpa, quero mesmo conseguir este artigo.
- Não faz mal. - Deixei 18 mensagens
e contactei todos aqueles que ela conhece ou que já viu.
- Adoro isso em ti. - Desculpa, onde almoçamos?
Aqui.
Lily. O que…
Vi-a na Zillow. Não é o máximo?
Mesmo adorando-a, não lhe chego.
Claro que chegas. Estás a ganhar o dobro.
- Durante quanto tempo? - Vá lá!
Vamos só espreitar o apartamento modelo, sim?
Só quero que tenhas a casa que mereces.
Tens de admitir…
Não é mau.
Aposto que não tens de bater na torneira para ter água.
A fasquia está tão baixa…
Vou ver o quarto.
- Olá. - Viva.
Este apartamento…
É muito fixe, não é?
- Para quem aprecie o género. - Propriedades remodeladas?
- Espelham os podres da sociedade. - Claro. Sem dúvida.
Não me interprete mal, adoro prédios novos.
Mas dilacera-me quando vejo um prédio histórico
e depois eles… Percebe?
Sim, é dilacerante. Por outro lado…
Fui eu que fiz isto, o prédio é meu.
- Mas tudo bem, tudo bem. - Não!
Pronto. Olá, sou mesmo parva.
- Sou o Peter. - Andy.
Muito prazer. Não me tome por um promotor ganancioso. Não sou.
Sou empreiteiro. Encontrei o prédio,
e juntei um bando de velhotes ricos,
uma gente horrível, nojenta e implacável e eles compraram-no.
Fiz as obras e eles deram-me uma parte.
Além disso, a Câmara ia demoli-lo, porque estava a cair.
- Estava, estava péssimo. - Não!
- Tinha ratazanas… - Salvou o prédio.
Chame-me herói, palavras suas.
- Vi aqui ratazanas grandes como homens. - Desculpe.
- Está tudo bem? - Sim, está. Desculpe.
Olá.
- Lily, este é o… - Olá.
Peter Warburton. Viva.
- Tenho de ir… fazer uma coisa. - Sim.
Desculpe ter insultado o prédio. Boa sorte.
- Tudo bem. - Depois ligo-te, Lily!
- Estavam a namoriscar! - Acha?
- Qual é a sua história? - A minha história?
- Está disponível? - Sim.
- Porquê? - Bom…
- Divorciado? - Sim.
- Filhos? - Não.
- Tem um cartão? - Sim, sim. Aqui tem.
- Vou ver as suas redes sociais. - Está bem.
Eu…
- Onde está ela? - Porquê?
- Cadeira Charlie, onde está ela? - Certo, vou procurar.
Pensámos nos vestidos victorianos e eduardinos
e na inacreditável roupa interior
e a forma como exageravam e realçavam a figura feminina.
Odeia o laço.
Não gosto do laço. Michael, disse-te que ela ia odiar o laço!
Consegui a lança em África.
Porquê dar uma entrevista agora?
Não quis expor-me publicamente.
Fiz o doutoramento, ensinei Antropologia enquanto o Benji ajustava o código.
Nunca imaginei que isso…
… me fosse pôr num foguetão rumo a uma sala de espelhos!
Para misturar algumas metáforas.
Mas aqui estou, nesta propriedade, com a minha coleção de arte e quero…
Bom…
Na verdade, a minha obrigação…
… é vir a dar tudo aquilo que tenho.
Estamos muito gratas por ter aceitado dar-nos a entrevista.
Tenho lido os vossos artigos.
São mais sérios e exprimem uma opinião.
Não me fez uma única pergunta sobre o Benji.
Seja o original ou a versão melhorada.
Porque há de ser definida por esse casamento?
Ele não é.
Tem razão. Não sou.
Nem serei definida pelo segundo.
Estou noiva.
Conheci alguém que tem a sua vida e não quer saber deste circo à minha volta.
Está noiva?
Não fazia ideia.
Ninguém faz. É a primeira a saber.
Nem sei que interesse tem, mas parece ter.
Sim.
Sabe…
Pode divulgar.
É uma prenda para si.
Isto é uma bomba!
Um mexerico fabuloso
que vamos revelar sobre uma mulher icónica, mas enigmática.
As fotos estão deslumbrantes. O teu artigo está fabuloso.
O meu grafismo é genial.
- É isto que nos destaca. - E se a Miranda não gostar?
- Não sejas pessimista. - Claro, não há razões.
Para.
Recomeçar SASHA BARNES
Isto.
Brilhante.
- Certo? - Sim.
Então vamos…
Publica-se como peça principal, envia-se aos subscritores
- e afixa-se também nas redes. - Fantástico!
Talvez ele tenha de rever a medicação…
Não faço ideia do que se passa.
- Olá. - Olá!
- Voltou. - Voltei.
Boa.
Ainda há apartamentos?
Acho que ainda há uns 15 ou 20. Quantos quer?
Comecemos por um.
Acho que é bom.
Mas também tive de publicar 11 stories hoje,
sobre água de coco e anedotas privadas "entre ti e o teu amante"…
… e esfoliação enzimática.
- Esfoliação enzimática? - Isso mesmo.
- E o que esfolia a esfoliação enzimática? - A pele do teu rosto.
- A sério? - Acredita.
E há quem pague por isso? Talvez queira, a minha pele é velha.
- Não, já passou de moda. - Eu é que passei.
Estás acabado.
Mas ainda fazes jornalismo a sério. Por favor, diz que sim.
Sabes o que achei incrível?
A tua série sobre a Reserva Federal, quando estavas no "Vanguard".
Alto lá!
Leste os quatro artigos sobre os meandros da Reserva Federal
- sem saber se voltarias a ver-me? - Li!
E isso é estranhíssimo! Agora que o dizes, acho estranho.
- Não te devia ter dito. - É querido.
A sério que é.
Tive relações longas com pessoas que nunca leram o que escrevi.
- Portanto, é mesmo querido. - É chocante!
Eu sei, é uma loucura, mas…
Isso… É mais forte do que eu.
Parte de mim espera que eu não fique muito tempo na "Runway",
que seja uma etapa transitória
e que voltarei a fazer jornalismo a sério e…
Que volte a trabalhar num jornal ou numa revista séria ou…
- Ou que escreva um livro. - Tens aí um livro a querer sair?
- Por acaso, propuseram-me escrever um. - Formidável!
Uma amiga quer que eu escreva sobre alguém famoso.
Mas quer uma versão tipo tablóide.
Mas se eu escrevesse um, ia querer que fosse bom. E sei que sou capaz.
Tornaste sexy a Reserva Federal. Farás um bom livro sobre essa celebridade.
E aí, terias saído com uma autora.
Porque é o que isto é. Quero dizer… estamos a sair.
- Falar disso torna-o menos saída? - Torna-o mais saída.
- Então agora é mais saída? - É mais do que era.
- Gosto de isto ser mais saída. - Bate aí!
Talia, não me interessa a versão tablóide.
Teria de ser uma prosa digna e rigorosa. A tua editora estaria interessada?
Estás a brincar? Ele adoraria!
Está bem.
Vou mandar-te umas páginas e uma proposta e…
Falas a sério? Isso deixava-me muito bem colocada.
É bom que não estejas a brincar!
Céus, estou entusiasmadíssima! Que vestimos no lançamento?
- Só uma coisa… - Podemos ir a condizer?
- Não divulgues. Obrigada. Adeus. - Podíamos ir tipo gémeas.
Olá.
A Miranda mandou mensagem, quer falar comigo sábado.
- Na casa dela, nos Hamptons. - Convidou gente para o fim de semana.
- E eu sou "gente"? - Se calhar, o Irv mandou-a convidar-te?
O Irv vai lá estar?
Charlie, que te disse sobre gargalhadas?
Stella! Olá!
- Quantos visuais? - Só três.
Credo! O que é?
Não tenho roupa para ir aos Hamptons.
- Não vou aos Hamptons, nunca fui! - Acalma-te.
Uma vez arranjei uma série de conjuntos de verão para a RBG e ela arrasou.
Então, um fim de semana nos Hamptons…
- Caí finalmente nas graças dela? - Não.
Quando posso ficar sossegada?
No caixão, diria eu.
Não estou preparada para isto.
Bom, vais precisar disto.
Fendi. Precisamos.
As calças Brunello Cucinelli. Adoro-as.
E onde… Sim!
Um Gabriela Hearst. Lindo, lindo, lindo.
E uma Kelly personalizada.
Que tal isto?
Não.
É um luxo discreto.
Tão discreto que mal se dá por ele.
Precisas mesmo de um Toteme bordado de duas peças,
mas não em terracota, porque estás muito pálida.
Vamos ao marfim. Certo?
Lembra-te, isto é tudo emprestado.
Percebeste? Quero tudo aqui na segunda.
- Entendi. - Ótimo.
Não. Aquilo não é discreto.
É um solo de guitarra ruidoso. Desculpa.
É tão bonito!
Pois é.
Mas impróprio para a situação. Lamento.
Atenção às nódoas.
Nem uma sugestão de nódoa.
- Nada. Mas nada mesmo. - Vá lá! Já não sou uma criança.
Meu Deus, nem posso ver!
Sapatos. Pede sapatos.
Manda as estatísticas mal cheguem, está bem, Jin?
Está bem. Obrigada.
- Olá. - Olá.
- Andy Sachs? - Andy Sachs.
- Pode entrar. - Obrigada.
- Aqui tem. - Muito obrigada. Tenha um bom dia.
- Olá, deve ser a Andy. - É o Stuart Simmons?
- Sou. Dê-me isso. - Muito gosto.
- Igualmente. - Sou grande fã do seu quarteto.
A sério?
Soube que o ia conhecer e ouvi-o no Spotify.
- Lamento imenso. - Eu não. Foi maravilhoso.
É muito amável.
- E que vestido fantástico! - Obrigada.
Apresento-lhe duas pessoas que adoro. A Suleika e o Jon.
- Olá. - Vi a sua sinfonia.
- Sim. - No Carnegie Hall. Foi extraordinário.
- A Kara Swisher. - Muito prazer.
- A nova editora de Reportagens. - Eu sei, vi o artigo. Fantástico.
Muito obrigada.
- Olá, sou o Karl. - Anthony Towns.
- Sim, sim. - Olá.
- Como está? - Bela série.
- Agradeço. - Senti-me tão bem por ser nova-iorquina!
- Jenna Bush Hager. - Como está? Muito gosto.
- Olá, muito prazer. - Grande entrevista!
Bateu o recorde de reações em oito anos.
A Tomi Adeyemi e o Ronny Chieng.
Tem de conhecer a Tina Brown. Esta é a Andy Sachs.
- Grande admiradora. - O seu artigo. Incrível!
Viral. Recebo alertas de 10 em 10 segundos.
Céus!
Não temos rosé suficiente!
Com licença.
Por favor, não deixes marca. Por favor!
- Olá. - Olá.
Muito obrigada por me convidar. Que pessoas maravilhosas.
Acabo de falar com o Irv.
Sabe aquela festa enorme que a Elias-Clarke vai dar pelos 75 anos dele?
É lá que ele vai anunciar o meu novo cargo.
Vou ser Diretora Global de Conteúdos de todas as publicações Elias-Clarke.
Isso é…
Ele anda a prometer-me isto há tanto tempo.
Nem sei porque lhe digo isto.
Pensei que nunca aconteceria!
Parabéns. Merece-o.
E fala em reforçar o orçamento do departamento de Reportagens.
- Não. - Sim.
A sério?
Talvez tenhamos de lhe arranjar um gabinete mais respeitável.
Isso seria fantástico.
Sempre soube que a Andrea acabaria por fazer algo de fantástico.
Nem se lembrava de mim!
Certo, mas…
Mas antes disso. Eu sabia.
Só para saberes, foi o Nigel que escolheu.
- Então é "demais". - Gosto disso.
- Gostas? - Sim.
- Vou sair. - Sim, sai lá.
É demais…
Se é isto que achas "demais",
gosto bastante.
- Muito mesmo. - Obrigada.
Acho que nem devíamos sair.
Às vezes, menos é mais.
75 PARABÉNS, IRV
Ela toma tanto Ozempic, que quis comer um hotdog e vomitou de jorro.
Compra. "Chicken Shop Date".
Não precisamos de saber porquê.
Que bela festa de trabalho.
Para quem gosta…
Tudo o que há de mal com a nossa sociedade.
Para. Aquele é o Hugh Jackman?!
É o Hugh Jackman.
É melhor ir dizer olá. Não achas? Eu acho.
Conhece-lo?
Não. Mas se os australianos não se cumprimentam no estrangeiro,
a coisa descamba logo.
Vou só dizer: "Tudo a correr bem? Bom dia".
- Está bem. - Vai lá.
Olá.
É simples ciência. A dada altura, deixaremos de precisar do pescoço.
Isso não é… Que loucura!
É verdade, a nova operação à traqueia. Elimina-se a traqueia.
- Eu gosto do meu pescoço. - É útil.
Podes descartar as gravatas. É garantido!
- Acreditas? - A Emily anda com…
Sim. O Benji Barnes. Tal e qual. Olha para ele. Está apaixonadíssimo.
Só torso, sem pescoço. Seremos nós, no espaço.
Ela é todas as raparigas que o ignoraram no liceu.
Estica os lábios, não gosto da barba.
Todas as raparigas mesmo.
Vamos dar os parabéns ao Irv.
Que divertido.
Olá, desculpa…
Estas festas eram tão mais divertidas quando eu bebia…
Para mim, não.
- Olha o aniversariante! - Com licença. Olá, Miranda!
- Obrigado por teres vindo. - Que bom ver-te!
- Estás fabulosa. - Obrigada, tu também.
- Parabéns, Irv. - Obrigado.
- Continuas forte? - Sim!
Então, o Irv vai anunciar a nova posição da Miranda.
Agora?
No final do discurso.
- Aqui tens. - Muito obrigada.
- Não tens de quê. À tua. - À tua.
Devo dizer…
Impressiona-me teres ultrapassado o que se passou entre vocês.
- Como assim? - Em Paris.
Quando ela deu o cargo que tu querias à Jacqueline!
Há vinte anos?
Desde então, fez-me milhões de versões disso.
Mas aqui estou.
Ao lado dela.
Ou de lado, uns quantos passos atrás.
Preferias estar à frente?
Talvez devesses dizer-lhe o que queres.
Como tu fazes?
Como todos os outros fazem?
Benji, trabalhei com estas pessoas na "Runway", há milhares de anos.
Este é o Nigel Kipling.
- Nigel - Muito gosto.
- E esta é a Andy… não sei quantas. - Andy.
- Sachs. - Desculpa, não me lembrava.
- Olá. - Andy!
Meu Deus, esse vestido! Que bomba!
- Não, eu detesto roupa assim. - Desculpa, lamento.
É muito bonito. Pronto-a-vestir, mas é bonito.
És mesmo a miúda que escreveu o artigo sobre a minha miúda, a Emily?
- Sim, sou. - Meu Deus, tenho de te agradecer!
- A sério? - Foi tão intrigante.
A escrita?
- As fotos. Eram tão boas! - O tema.
Certo?
Meu Deus!
Há aqui algum médico?
Pai? Pai?
- Meu Deus, Pai! - Irv!
Pai?
Dá que pensar.
Um dia como este mostra mesmo como o tempo passa depressa.
E temos de nos focar no que é importante. E nas prioridades.
O meu pai adorava a "Runway".
Pois adorava. E o seu avô também.
Sim.
Foi ele que me contratou, sabe?
E quando passou tudo ao Irv…
- Sim. - Éramos da mesma idade.
Colaborámos tanto.
Sim, pois foi.
E agora, estamos aqui os dois.
E estou ansioso por levarmos a tal bola
até à baliza, juntos.
A baliza.
Que bem dito.
Não é horrível?
- Custa a crer! - É terrivelmente triste.
Sim, é mesmo!
Parece todos vestidos pela Dolce.
Está tudo com a coleção de Outono '26.
Devem ter ido às casas das pessoas, dar roupa à borla.
O raio do Domenico! Que manhoso!
Faz tudo para se vingar de mim, desde que vesti a Kendall na final do '24.
- Ela não é o máximo? - Tem andado mortinho por se vingar.
Por causa da Kendall.
Acho incrível chamarem a alguém Candle (vela).
Que vai o Jay fazer? Sabes?
Temos alguma ideia do que vai fazer à "Runway"?
Não, não faço ideia.
Mas tu viste-o. Não é propriamente um ícone de moda.
Está literalmente coberto por material sintético.
Se lhe deitares fogo, arderá como um fósforo.
Não há de acontecer nada, certo?
A "Runway" ainda é valiosa, não?
Mesmo sem o Irv. Eles sabem disso, certo?
Desculpa, que retórica agressiva.
Não faço ideia.
Vamos ter de nos aguentar.
A "Runway Itália" ajudou a estabelecer Milão
como uma das mais importantes bases da moda,
daí podermos usar…
… isto.
A Accademia di Brera.
Vamos mandar fazer uma passarela para moda e para atos musicais.
O serão começará com um dos icónicos discursos da Miranda.
Este falará do entrelaçar da "Runway" com a alta-costura italiana.
Tenho o discurso quase pronto, dou-to até ao final da semana.
Sim, Marta?
Com isto de o Irv ter morrido, quando saberemos se há mudanças?
Quais os planos do Jay? Vai dirigir a revista?
- Gosta sequer de moda? Usa Drakkar Noir! - Não usa nada.
Quero falar dos visuais
que vamos mostrar na passagem de modelos na Accademia Di Brera.
Alguns dos corpos são muito interessantes, muito…
corporalmente… negativos.
Não me digas. Eu sei isto.
Corporalmente… positivos.
- Mas porquê? Se pensarmos que… - Meu Deus, ele vem aí.
É o nosso novo dono.
Sempre adorei o seu escritório. Já não há vistas assim.
E que tamanho!
Lembro-me de vir cá com o seu pai, quando era pequeno,
com o seu tacozinho de lacrosse, a atirar a bolinha para todo o lado…
Parti um jarrão.
A sério? Não me lembro.
Desculpe, já devia ter aparecido ou ter-lhe retribuído a chamada.
Nem demos por isso.
Mas agora estou preparado para me atirar às coisas,
trocar algumas ideias consigo, verificar coisas. Almoço?
- Agora? - É má altura? Está ocupada?
De modo nenhum, vou pedir que nos reservem mesa no…
Pode ser na cantina. Tenho de devolver umas chamadas.
Vou lá ter daqui a dez minutos.
Amari?
Sim.
Temos uma cantina?
- Temos, sim! - A sério?
A cantina?
Ela nunca foi sequer àquele piso.
Está outra vez congelado.
Volto daqui a 20 minutos.
Que é bom aqui?
Tudo…
- … o que há. - Sabe?
Antes de comermos, vou apresentá-la à malta.
Pessoas. Quis dizer pessoas.
Não queria apresentar-lhos todos de uma vez.
E contudo…
Estes são alguns dos consultores que chamei para a reestruturação.
A melhor malta. Pessoas, as melhores pessoas.
Vão dar o seu parecer sobre o nosso alinhamento,
estratégia operacional, arquitetura financeira,
transformação digital, experiência do utilizador…
Tudo.
Tudo.
Sandeep, queres partilhar o nosso conceito com a Dona Priestly?
Claro. Sandeep Kapoor. Mestrado em Harvard. Não é importante.
Lá no escritório, chamamos-lhe Miranda "Bestial",
por ser bestial neste ramo.
E, infelizmente, neste momento, a besta está acorrentada.
E temos de libertar a besta, deixá-la vaguear.
São agentes funerários?
Não. O quê?
- São consultores de gestão. - Foi o que eu disse.
Parecem ser da McKinsey.
Giros.
- Quem me dera ouvir o que dizem. - Eu sei.
Alguém quer Froyo?
- O quê? - É o melhor que há aqui.
Esta geração preocupa-me.
É uma emergência nacional.
Durou uma hora.
A Miranda no meio daquele círculo de engravatados!
Não faço ideia do que combinaram.
Vão cortar nas reportagens, começam sempre pela escrita.
Olha, a Miranda é engenhosa, certo?
Seja o que for, ela desenrasca-se. Acredita, ela antecipa sempre tudo.
É que isto de ter um emprego a sério tem sido…
- … fantástico, percebes? - Sim, eu sei.
Olá. Temos de falar agora.
Está bem. Com licença… Que foi?
Não querias saber do que a Miranda e o Jay falaram na cantina?
Sim.
Então…
O que é isso?
Quando fui buscar o Froyo, deixei cair a colher
e pus o meu telefone por baixo da cadeira dela e ficou tudo gravado.
- Jin! - Sim.
- O quê? - Sim, sim!
- Que pérfida! - Eu sei.
Analisámos o seu orçamento e temos já ideias para uns cortes.
Para mostrar aos mercados que estamos prontos para atingir o EBITDA.
Vou só…
Não queiras saber.
Então não me digas.
Estava a brincar.
- O que é? Desembucha. - Nigel!
Vão cortar em tudo!
Reportagens? Reduzidas a nada.
Moda e Beleza? Dizimada. Há cortes em todos os departamentos
e quem tiver mais de cinco anos de casa é caro demais e tem de ir. Lamento.
Faz sentido.
- E sabes o que ela disse? - Não.
Nem comentou.
Nigel!
Sabes o que penso?
Penso…
… que gosto da mala a tiracolo.
É o que eu penso.
Está bem.
Deixo-te em paz.
Nem acredito que isto voltou a acontecer. Mais uma publicação, eliminada.
- Lamento, Andy. É foleiro. - Foleiríssimo.
É para isto que tudo caminha, sabes?
Acontece com tudo. Farmácias, livrarias… O que quiseres.
Está tudo a sofrer cortes, a consolidar.
Não posso aceitá-lo!
Não podemos estar sempre a arrancar a alma das coisas!
A esventrá-las e a reempacotá-las!
Com que fim?!
Mas é…
Estamos a substituí-las, não? Basicamente, descreveste o que eu fiz neste prédio.
Não estamos a falar de ti agora. Falamos…
E o jornalismo é mais importante do que apartamentos de luxo.
É verdade.
Desculpa, estou…
Esta conversa foi mesmo útil! Obrigada.
- Não foi? - Não.
Vou dar-te um minuto.
Obrigada.
Sei que tens de ir para Itália, mas se quiseres…
Se quiseres apitar quando voltares, eu gostava.
Mas é contigo.
Não.
- Olá, Stuart. - Andy.
- Sim. - Estás bem?
- Posso entrar? - Claro.
Não a esperava.
Desculpe incomodar, eu…
- só preciso de… - Recuperar o fôlego.
Não consigo. Ela está?
Sim, está…
Corajosa.
Não quero incomodar, mas preciso de lhe falar.
- Fale. - Só queria…
Preciso que… Tem um plano?
Um plano secreto como tinha…
- Não a ouço. - Não tem a quem telefonar?
Não quero que as pessoas sejam despedidas.
Por favor, temos trabalhado tão bem!
Atraímos escritores excelentes,
e as pessoas voltaram a interessar-se pela revista.
Este emprego permitiu-me voltar a ter esperança no futuro, no nosso, no meu.
Talvez consiga descongelar um óvulo.
Vá para casa.
- Mas eu… - É tarde.
Não se preocupe com isto.
Não é da sua conta.
Proposta de livro: Biografia de Miranda Priestly
Allora, Milano…
Nigel, dizias que a administração mandou novas diretivas.
- Cortes orçamentais? - Sim.
Então, no que respeita a Milão…
… vamos cortar o John Legend.
Ele quer que lhe mandemos o piano e é demasiado caro.
Portanto, não haverá música.
A menos que cobremos um favor.
Não.
Não. Ela é impossível. Aquela capa quase…
… me matou.
Seja. Não haverá música.
Nada de música.
- Está bem, eu ligo-lhe. - Obrigado.
Há algumas medidas novas que se estendem a todos.
A primeira: acabaram-se os carros particulares, só Uber.
E…
quanto aos voos…
Boa tarde, senhoras e senhores, bem-vindos ao voo 19 da United Airlines
com destino a Milão, Itália.
Em breve, serviremos champanhe aos passageiros da business class.
Se voarem em económica, o avião está cheio,
e pedimos que coloquem as malas no compartimento superior
e os vossos bens pessoais debaixo do banco à vossa frente.
Preciso de… Arranje-me uma bebida.
Que há com a Miranda? Como é que ela aceita isto?
Desculpe, desculpe!
A Sra Priestly deseja uma taça do vosso melhor champanhe.
Lamento, não servimos champanhe na cabina.
Têm snack boxes.
Uma snack box, talvez?
É tão bonito!
É só encaixar.
- Olha só. - Que achas?
- Sim. - Que achas, Benji?
Que estás a fazer?
Estou hipnotizada. O Benji comprou um colar lindo à Emily.
Sim. Não me surpreende.
A semana passada, comprou-lhe um Monet.
- E um Klimt. - A sério?
Sim.
Anda daí!
Não. Quero dizer, nós vamos… Ponha na minha conta.
Sim, queria o número do quarto.
Mamã, o Roark diz que quer o éclair da Miss Madeleine,
mas eu é que tive a ideia de ir lá.
Fofa, que fazemos quando estamos frustrados?
- Isso, inspira, segura… - Inspirar, conter…
… e expira.
E lembra-te de dar as pancadinhas para sair tudo.
Isso mesmo. Estás melhor?
Pronto, meu amor. Podes chamar o Papá? Muito bem. Adoro-te.
- Que se passa? - Frank.
Estou em Milão e, como podes ver,
estou muitíssimo ocupada,
podes tentar ser bom pai?
Vai à Miss Madeleine e compra a porcaria do éclair.
- Eu não posso fazer tudo! - Estás em Itália, eu estou aqui, então…
Que as pontes que eu queimo iluminem o meu caminho.
Céus!
- Olá. - Andy.
Tens um minuto?
- Sim. - Certo.
Bom…
Olá!
- Olá. - Olha nós, antes do amanhecer!
- Fui dar uma volta. Que vais fazer? - Eu?
- Sim, aonde vais? - A Como.
Para aquele artigo sobre vinhos.
Pois, pois… Que giro.
Jantamos hoje?
Como sempre com o Tom Ford no Da Giacomo. Trocamos mexericos?
- Fantástico, depois mando mensagem. - Está bem.
- Anda! - Fecha o vidro! O Nigel está a olhar!
O quê? Raios!
- Cá está ela! - Olá, querido.
- Não faças isso. - Desculpa, estava só a dizer "Olá".
Há quanto tempo tens cá casa?
Eu?
Meu Deus!
- Não sei. - Ele não se lembra de nada.
De nadinha!
- Não, non per me! - Obrigada, Massimo.
- Não queres nada? - Não, não ando a beber água.
- Tento funcionar sem água. É veneno. - Não é nada!
- É sim! - Então…
- Achas que conseguimos? - Depende do que ele pedir.
- Ora, BB. - O que é?
- Convencer qualquer um de qualquer coisa. - É verdade.
- Convenci esta aqui a sair comigo. - A sair contigo. Eu sei!
- Com essas orelhas peludas! - Ora! Por favor!
- Era horrível. - Se me visses antes de andar com ela…
- Tinha pelos nos ouvidos. - Parecia uma selva.
- Tive de lhe arranjar uma coisa daquelas. - Que zumbem.
E um aparador de relva para o resto.
Imaginas-te a cortar "o tapete" do meu peito?
Gosto dele como um sabonete.
Isso, sem pelos.
Cá está ele!
Temos de convencer quatro pessoas. O contabilista, o gestor de negócios.
Temos de chegar à equipa toda.
- Jay! - Rapidinho então.
- Queres dizer rapidinho? Diz depressa. - Jay-Jay!
Senão, diz devagar.
- Ele vê-nos? - Não.
Chegaste!
- Olá. - Olá.
- Como foi o teu jantar? - Encantador. E o teu?
Pedi o room service.
Sim? Adoro o baccalà mantecato deles.
- Estava tão bom! - Não têm isso cá.
É um prato de Veneza, não de Milão.
Diz-me a verdade. Que se passa?
- Nigel! - Escondes-me algo.
- Percebo logo. - Não estou…
- Diz-me. - E… Ela vem aí.
- Bom dia, - Não atino com este fecho.
Prontos?
Obviamente, a segurança vai ser intensa.
E contratámos protezione adicional para a arte.
Pronto, malta.
Quero rever o jantar dos clientes,
e os lugares.
Então, temos uma mesa em U. A cabeceira fica ali.
Acaba algures aqui.
Seremos umas 40 pessoas. Ou mais.
E vamos misturar as marcas…
Conhece bem "A Última Ceia"?
Podia conhecer melhor.
Pintar esta cena não foi nada de novo.
Há frescos com o mesmo tema um pouco por toda a Europa.
Mas nas outras versões,
o homem que controla as coisas costuma ter um halo.
As pessoas acham que foi a forma de Da Vinci dizer:
"És humano, ninguém é perfeito".
Os homens são ao mesmo tempo gloriosos e falíveis.
E, inevitavelmente, enganamos, atraiçoamo-nos, desiludimo-nos.
Está na nossa natureza.
Concorda?
Sim!
Que faz a Andy a cirandar por aqui?
- Queres alguma coisa? - Ela sabe.
- Que queres dizer? - Sabe.
- Descaíste-te? - Não, mas eu não…
Mostrou-me de forma aterradora que está desconfiada.
Por amor de Deus!
Sei que só queremos ajudá-la, mas estou farta de segredos,
portanto devíamos contar-lhe.
- Não. - Sim.
Esperamos pelo fim, por favor.
Emily, concentra-te.
Temos de contar à Miranda e tem de ser agora.
Sinto-me enjoada.
Nem consigo respirar, tenho o pescoço a arder.
Esconde lá o que sentes, por uma vez!
As Emilys.
Pensei que era a Amari.
Estou à espera do meu Armani. Tê-la-ão vendido como escrava?
O Jay pagou-lhe uma suite maior.
É um pouco apertada, mas cá me arranjo.
Como posso ajudar-vos?
Muito bem… Miranda.
Os planos do Jay para a "Runway",
reduzir tanto o pessoal até não se perceber o que éramos,
fazer cortes no meu departamento, no Nigel e no departamento dele…
Como sabes isso?
Ouça. Todos sabemos que a "Runway" é e sempre foi importante.
A "Runway" é praticamente uma religião e tem de ser protegida.
A questão é: "Quem tem posses para a comprar?"
Podem desembuchar?
- O Benji vai comprar a "Runway". - O Benji Barnes?
O meu Benji fez uma proposta ao Jay Ravitz e o Jay aceitou logo.
E tu estás metida nisto?
Sim, fizemo-lo para a proteger e à "Runway"!
- Será editora-chefe enquanto quiser. - Desculpem…
Sei que tivemos os nossos conflitos, mas eu…
Nunca a imaginei capaz deste nível de traição.
Traição? Não, Miranda! Estamos a preservar a "Runway" para si.
Não, não. A Menina Emily não preserva nada para ninguém.
Claro que preserva. Claro que sim! Emily.
Emily, diz-lhe.
Sim, Emily.
Diga-lhe.
Ela tem razão.
O Benji vai comprar-me a "Runway".
- Para eu a dirigir. - Como assim?
Ela teve um grande mandato. Um mandato histórico.
Mas está esgotada.
E eu sou mais fresca e sou mais nova.
Quero estabelecer gostos, não só alimentá-los.
- Porque farias isto? - Ela sabe porquê.
Não faço ideia.
Livrou-se de mim, não foi?
Não fiz nada disso!
Conseguiu que a Dior me contratasse para me descartar.
Porquê? Porque fez isso?
Pela mesma razão que não deve gerir a "Runway", Emily.
Porque é bonita e inteligente, mas não…
Falta-lhe o principal.
Lamento, mas a Emily não é uma visionária.
É uma vendedora.
Não pode estar certa disso.
Não sabe nada sobre mim, nunca quis saber.
Acho que sei. E também acho que, lá no fundo…
… sabe que tenho razão.
É tudo.
Os advogados do Benji hão de entrar em contacto.
Com os pormenores.
Não fazia ideia. Lamento imenso!
Senti que tinha de fazer algo.
Espero que não vá assim para o jantar.
Como vai isso? Tudo bem?
Meu Deus, as páginas que enviaste… O meu chefe passou-se. São perfeitas!
- Quanto a isso, eu não… - São tão prometedoras!
Vou enviar-te uma proposta e um contrato e, Andy…
Não são 50.
Não são 100.
São 350.
São 350, porra!
- Não. - Não?
Não, como? Não queres dizer "Viva"?
O livro pode prejudicar a Miranda. Eu não…
Ótimo, porque ela é atroz!
A coisa é mais complicada.
Ligaram de Estocolmo. Querem que devolvamos a Síndrome.
Posso ligar-te mais tarde?
Obrigada por me avisares. Adeus.
A Lua? Já estivemos na Lua.
E agora os rapazes querem ir todos para Marte. Que se lixe Marte!
Vamos àquela enorme estrela laranja a que chamamos Sol.
Totalmente inexplorada! Há séculos que a olhamos.
- Vou fazer um foguetão chamado Ícaro. - O Ícaro aproximou-se demais do Sol.
- Foi demasiado perto. - Sim, e ficou torrado.
- Não estás a perceber, querida. - É irónico.
- Não, não é. É… - Que se passa?
Pareces uma gata nervosa.
- É um elogio? - Não.
- Um segundo. - Será…?
Não sei, vou descobrir. Lamento imenso.
Estou pronta para o anunciar. Avançamos quando quiser.
Ainda não fechámos nada. Estamos a ultimar alguns pormenores.
Compreendo.
É tão generoso fazer isto pela Emily.
Eu sei que ela tem muitos planos.
Mas espero que a "Runway" possa manter algumas tradições.
Quem sabe?
O mundo às vezes muda tão depressa que nem eu o compreendo.
Então a tradição…
Acho que virá um dia, talvez brevemente,
em que a "Runway" não precisará de modelos, locais ou mesmo designers.
Será tudo IA.
Claro que algumas coisas permanecerão as mesmas.
Um compromisso com a beleza, a arte,
os melhores feitos humanos, talvez.
Talvez.
Mas…
Olhe em volta.
Estamos numa cidade antiga que, em tempos,
fez parte de um dos maiores impérios jamais conhecidos.
E agora, há apenas vestígios disso.
O mundo é mudança. E os seres humanos não o entendem.
O futuro precipita-se sobre nós como…
… a lava de Pompeia.
Cabe-nos deixá-la levar aquilo que tem de levar, percebe?
Um dia, ele chegará e sufocar-nos-á.
E talvez tenha de ser assim.
Talvez.
Com licença.
Olá.
- Chegaste! - Desculpa.
Devia saber que os voos de Copenhaga se atrasam sempre.
Então, que se passa?
Quando saberei que chegou a altura?
Saberás.
E se eu me for embora?
O que acontecerá?
O que terei?
O que terás?
Tens as gémeas.
Tens um cão muito malcomportado. Temos de falar sobre ele.
E…
… tens-me a mim.
Sim?
Sim.
Sim.
Acredita.
Acredita.
Mas o que tenho…
Não tomes decisões assentes no que sentes agora.
Imagina o amanhã.
Acordas, bebes um café,
olhas pela janela para todas as nuances de Milão
e pensas qual é a próxima coisa que queres fazer.
Vá lá!
Arranje-se. Temos de trabalhar.
E quando digo "temos", é a Andrea.
Eu tenho de ver espetáculos. A Andrea tem de telefonar.
Tenho uma longa lista de telefonemas.
Não quero mandar em si, mas, por favor, acorde-a.
Acorde-os. Pode acordá-la. Vale a pena! Vai agradecer-me.
Eu já lhe ligo. Acorde-o!
Isso é bom, o tempo está a passar. Dá-me o número se eu me calar?
Sim, tem a informação.
A minha chefe é mais fixe do que a sua.
Tenho mesmo de lhes falar. Assim que possível.
Passei o dia a tentar. Acorda-os, por favor?
Sim, já bebi muito café.
Miranda!
A Andrea já chegou?
Pode voltar a tentar?
Não, não é um agora hipotético. É mesmo agora.
Não quer ganhar?
Desculpe. São horas.
A Andrea já deu notícias?
Ainda não.
- Então por onde vou? - Por aqui.
Gaga!
Fiquei surpreendida com o seu recado.
A sério?
E porquê?
Porque não gosta de mim.
Que ideia absurda!
É a nossa preferida,
e estamos muito gratos por nos estar a fazer isto.
Claro que faço.
Se recusasse, o Nigel disse que nunca mais me dava uma capa.
Ele disse isso?
Nem parece dele.
Não.
Tem razão.
Parece coisa de outra pessoa que eu cá sei.
Já pode vestir-se.
É melhor ir.
Muita merda.
Adeus.
Quem a deixou entrar?
Eu compreendo. Sim. Mas se puder…
É?
Formidável! Obrigada!
Não, vou ter com ela agora. Muitíssimo obrigada!
Levei o dia todo, e vou desmaiar quando vir a conta do telemóvel, mas…
Consegui.
O seu plano funcionou.
Tem a certeza?
Sim, mas temos de ir agora, se é para ir.
- Agora? - Então… vamos? Vamos fazer isto?
Há um pequeno problema. Hoje sou a apresentadora.
Tenho de fazer um discurso.
Há outra pessoa que pode fazê-lo.
Pode falar em nome da "Runway"
e representá-la igualmente bem, se a Miranda o deixar.
Quem?
Ele não quer…
Ele nunca…
Eu saberia… se ele quisesse…
… fazer esse tipo de coisas.
Quando juntas isto a esse vestido preto… Fazes-me isso? Certo. Despacha-te.
Tenho-te valorizado pouco?
O quê?
Num mundo onde todos gritam e se queixam,
se lamuriam e fazem merda e tentam encobrir-se…
… existes tu.
Estiveste sempre aqui.
Sim, bom…
E eu preciso de ti. Preciso que me ajudes.
Está bem.
Porque eu vou sair agora
e preciso que fales por nós, no meu lugar.
Não. Não posso fazê-lo.
- Claro que podes. És genial. - Não posso. E não sou.
Claro que és!
Além disso, escreveste o raio do discurso, portanto…
Eu sei que o sabes.
Por favor, Nigel.
Está bem, está bem.
Obrigada.
Está bem.
Como um velho desejo Que reconheces tão bem
Regressado para te devorar
Alimentando-se da montanha-russa Que te leva ao inferno
As visões apoderam-se Da tua mente
Derretendo no calor De outro amante
Exausto Acabou-se o tempo
Ficaste desorientado Porque ela te procurou
Procurou-te Procurou-te
Lembra-te Quando te apaixonas
Pela forma de uma mulher
Forma de uma mulher
Forma de uma mulher
Forma de uma mulher
Observa o violeta nos olhos dela
Um corpo tão etéreo
Leva-me ao meu túmulo Porque encontrei Deus
Na forma de uma mulher
A forma de A forma de uma mulher
A forma de uma mulher
Esta noite,
venho falar-vos do romance
entre a "Runway" e a Itália.
E sobre o compromisso contínuo da "Runway" para com a excelência e o incomparável
no mundo que tanto amamos.
O mundo de la moda.
Não é uma questão de dinheiro. Ou de preço.
É um excelente custo-benefício, porque vou adquirir uma revista,
mas também uma mente criativa que faz o que eu não consigo.
Bom, ocorreu-me uma coisa.
E diz-me se é demais, mas pensei que num primeiro número…
a rapariga da capa podia…
podia ser…
Uma domadora de leões? A assistente de um mágico?
- Uma trapezista… - Céus, trabalhas num circo? Não.
- Eu. Refiro-me a mim. - Certo!
É genial.
- Sim! - Eu sei!
Porque eu sou exemplar,
e a maioria dos modelos não tem um tamanho-padrão.
- É verdade. - Geralmente, são mais cheias.
Vou ligar à minha PR
e peço-lhe que anunciem tout de suite
- que tu serás a capa. - O meu assistente não me larga!
O que é, Brad?
Conseguimos virar isso a nosso favor?
Quanto dinheiro?
Participações?
Está distribuído?
Está bem.
Estou de acordo.
Eu trato da criatividade.
- Um plano simples, a preto e branco. - Não quero.
- Porquê? - É antiquado.
- É elegante e chique. Como Hollywood. - A questão é esta…
Há anos que tentava livrar-me da Elias-Clarke.
O meu pai não deixava. Um sentimentalismo qualquer.
Mas caiu-me agora uma proposta no colo.
E aceitei-a.
- Desculpa… - Desculpa…
Estás a dizer que vendeste a "Runway" a outra pessoa?
Vendi a Elias-Clarke toda,
incluindo a "Runway".
- Não vendeste nada. - Lamento, malta.
Pessoas.
- Não, não! Espera! - Pode ser bom.
- Espera… - Não fiques aborrecida.
- Espera. - Não gosto de te ver assim.
Como pudeste deixar que isto me acontecesse?
Quem me fez isto? Quem?
Tenho absoluta confiança em si.
- Olá. - Olá.
Como editora da "Runway" e diretora global de conteúdos,
terá todos os recursos necessários.
Mostre ao mundo aquilo de que é capaz.
Mostraremos.
Mostraremos.
Acha que ela conseguirá não se imiscuir?
Ouviu-a. Não se meterá. Por agora.
Devia agradecer-lhe.
Acordou-me mesmo. De alguma maneira.
Devia escrever o tal livro.
Esses 350 mil não são de deitar fora.
Como sei? Andy…
As pessoas vêm ter comigo a correr para me contar essas coisas.
A correr.
Não, devia escrevê-lo.
E devia incluir as partes suculentas.
Como sou impaciente!
E…
exigente e autoritária e…
quão distante estive da vida das minhas filhas e…
Sim…
Ponha lá tudo.
Porque as pessoas deviam saber.
Deviam saber que há um custo.
Mas, caramba, como eu gosto de trabalhar!
A sério! A Andrea não?
Sim, adoro.
E se for rigorosa com o livro,
isso talvez me consiga mais um par de anos no topo.
Não vou fazer-lhe isso, Miranda.
Já não vou.
Porquê? Porque agora somos uma equipa?
Está bem, força.
Fique a pensar que queria salvar-me. É uma bonita história.
E a Andrea sabe contar histórias, mas não. O que quis foi salvar-se a si mesma.
A Elias-Clarke é apenas o último toro de madeira a flutuar perto do Titanic.
E, por enquanto, há espaço para ambas.
Mas…
Talvez tenha razão.
Talvez eu tenha feito isto para manter a minha vida, mas…
Ainda podemos fazer um bom trabalho juntas.
Não temos alternativa.
Um Pinóquio.
Meu Deus!
Andy, obrigada, és muito querida. Mas ela não precisa de nada disto.
Ninguém precisa de nada, mas quem não adora cenas grátis?
É uma Valentino! Meu Deus!
Adoras?
- Adoras-me. - Adoro-te.
- Obrigada. - Claro.
E então…
Já lhe ligaste?
Não.
Tenho medo de dizer a coisa errada.
Andy, vai ter com ele. Diz a coisa errada.
Faz parte.
Para.
Aprendi a dizer: "Que bom ver-te".
- Em italiano? - Sim, era italiano.
Bom, sono…
Também estou feliz por te ver, em italiano.
Ouve…
Não tivemos um olá perfeito,
e a despedida foi tudo menos perfeita.
Mas talvez isso só queira dizer que não somos perfeitos.
E que talvez devêssemos não ser perfeitos juntos.
Eu gostaria muito.
- Olá, de novo. - Olá, de novo.
Olá.
- Cabelo fixe. - Obrigada.
Bom, fiz asneira.
Olimpicamente.
Tudo bem.
A sério?
Toda a gente faz asneiras.
Fico muito feliz por te ouvir dizê-lo.
E ligeiramente chocada por comprometeres os teus famosos valores por mim, mas…
Às vezes, tem de ser.
Como vão as coisas na Coach?
Sinceramente, vão bem. Fantásticas.
Está tudo bem.
Os outros eram tão beras com o meu francês.
Fartei-me.
Sabias que te liguei?
Sim, é por isso que aqui estamos.
Não, depois de saíres da "Runway", da primeira vez. Liguei-te.
- Ligaste-me? - Liguei-te.
Tu…
Já me lembro. Ligaste sem querer.
Caraças.
Não, queria que fôssemos…
Pensei que podíamos ser amigas.
- Não faças essa cara. Não era importante. - Querias que fôssemos amigas?
Sim, mas claramente é tarde demais, não é?
- Porquê? - Porque sou persona non grata.
Não para mim.
E se posso dizer…
… vais ter a oportunidade de ser aquilo que quiseres.
Olha que não sei. O Benji acabou comigo.
Vai ser tão difícil encontrar quem me patrocine.
Não precisas dele, de uma marca, de um patrocinador ou de nada.
Não precisas. Tu…
… és icónica!
Que elogio adorável.
E então…
Amigas?
Não quero dar-te a mão, mas sim. Amigas.
Está bem.
Que mal têm as minhas sobrancelhas?
Olha, não são… Isso resolve-se.
Vou levar-te a um sítio e viverás uma transformação.
Está bem.
- Muito obrigada. - Não sei se…
Fui eu que pedi. Não me faças sentir mal, é só uma entradinha.
Não sabias que os hidratos partilhados não têm calorias?
Sabes? Acho que sabia.
- Jin, para com isso, agora és editora! - Mas são iguais.
- Pedi o mesmo porque quero ser como tu. - Obrigada.
- Esse vestido é… - Gaultier.
Comprei-o em 2ª mão, mas estava mal classificado. Um achado.
- Conseguiste o… - Sim, estou a trabalhar no orçamento.
Que querido. Nós juntos, por tanto tempo.
- Tu bem disseste, o destino tem piada. - Sim, é verdade.
O destino e umas mensagens oportunas para o Jay Ravitz. Sim.
Com uma grande recomendação da minha parte, claro.
Estiveste este tempo todo a pensar que isto te tinha caído do nada.
Anda cá.
Que querida.
A minha eterna miúda.
Eis o último processo para o assistente n.º 1.
Sou eu. Obrigado.
Parabéns pela promoção, Amari.
Obrigada. Mereci-a bem, não?
Certamente.
- Parabéns. - Obrigado.
Olá.
Gabinete da Miranda Priestly.
Rascunho da peça principal do próximo mês. Impresso.
- Obrigada. - Não tem de quê.
Mais alguma coisa?
Agora não.
Vai.
O DIABO VESTE PRADA 2
Tradução NOS Audiovisuais por Sara David Lopes
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