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Marta, pode tentar lig�-lo?

Estou tentando.

Vire pra direita, ligue.

N�o, n�o, n�o...

Olha, o problema aqui deve ser de pist�o ou bateria.

Marta!

Marta!

REL�QUIA VALIOSA � ROUBADA DO MUSEU DA AMAZ�NIA.

-N�o tem cr�dito? -N�o tenho.

N�o se preocupe.

-Entre. -Obrigada, muito am�vel.

� que fiquei sem cr�dito. Me deixaria passar?

Voc� foi uma boa pessoa, n�?

Sou eu! Ei!

Sabe qual � o problema deste pa�s? Vou te contar.

...mas seguimos no Brasil. Incr�vel! Roubaram uma estatueta amaz�nica...

Certamente foi um argentino quem roubou.

Tanta confus�o por uma estatueta.

...seu valor hist�rico � enorme.

Valor enorme.

Se esta tem um valor enorme, ent�o a Copa do Mundo quanto vale, n�?

Isso n�o dizem, porque sabem que este ano vamos traz�-la para casa.

Aonde voc� vai? Estava dizendo. Sabe qual � o problema deste pa�s?

Aqui n�o tem falta de esgotos, cara. Aqui sobram espertos.

E esse time tem garra.

N�o � como o de 90, que se n�o fosse pelo Maradona, viu?

N�o cheg�vamos nem na semifinal. Se lembra desse time?

Sim, de algo me lembro, especialmente dos p�naltis.

Ufa!

Os p�naltis. Que loteria, n�? A� sim que tinha que ter c�.

N�o importa se � talentoso, se � manco... A� tem que ter sorte.

Se voc� diz.

Eu te conhe�o, n�o?

� mesmo?

Olha que eu a voc�, n�o.

-J� defendeu um p�nalti alguma vez? -N�o, a baliza n�o � para mim.

Isso � para os gordos, viu? Ou para os donos da bola.

J� sei de onde eu te conhe�o.

Eu te vi num cartaz. Voc� est� num an�ncio de cuecas. De l�.

Foram eles, s�rio. Foram os vikings. Eles chegaram primeiro.

Outra vez.

Te juro. D� um Google, idiota. Vai ver.

-E por onde vieram? Por onde? -N�o sei, mas com certeza voc� sabe.

Obviamente, pelo Chile. Todos vem pelo Chile.

Chegaram os vikings e colonizaram a Am�rica e a n�s.

N�o se deve usar colonizar. Vikinguizaram, Colombo chegou depois.

Colombo era um idiota que uma rainha mandou,

e botaram nos livros did�ticos da escola.

E muito antes, tinha o dinossauro maior do mundo, que � da Patag�nia.

� daqui. Mas jamais conviveu com os vikings.

Porque eles o teriam comido, sabe?

Isso foi mais ou menos na �poca do Big Bang.

Tem ketchup?

Tenho um pouco.

Amor, surpresa!

J� cheguei!

-Depressa! -O que foi?

-Depressa! -Que?

-Mas... -O meu marido chegou, depressa!

-Mas, como? N�o vinha amanh�? -N�o, n�o sei o que aconteceu!

Depressa!

-Aonde voc� est�? -Est� doida. � muito alto.

-Pula. Voc� tem que pular! -Est� no quarto?

Nos vemos na pr�xima semana, Dom Benja.

Obrigado.

O que foi?

Pedro.

Outra vez atrasado.

O que aconteceu foi que teve um controle naval.

Resolveu o problema dos n�meros?

Faltam alguns dados, mas agora j� reviso as planilhas.

Edgar, sem mais desculpas.

N�o posso continuar gastando dinheiro em tapetes.

Quero tudo para hoje.

Te espero esta noite para o jantar.

Alexis S�nchez, o Garoto Maravilha, contornando a �rea, dentro da �rea.

Charles Ar�ngul Eduardo, Eduardo...

Quem foi?

Gol!

Eu perdi!

Eu perdi!

Gol!

Faltam 45 minutos, mas a classifica��o para as oitavas de final est� cada vez

mais pr�xima, Trovador.

Mas j� chegou, j� chegou a hora do concurso.

� o que todos voc�s estavam esperando,

porque preservativos Espartano e a sua

nova linha de sabores de frutas te leva a

final da Copa com todos os gastos pagos.

Senhoras e senhores, e o ganhador das entradas com tudo pago �...

An�bal Castro Contreras de Santiago Centro...

Ganhei, ganhei!

Nunca ganhei nada! Ganhei!

�, �, �, �!

Voc� � um imbecil.

Saiam.

...a Copa com todos os gastos pagos...

Mas ganhei, ganhei!

�, �, �!

RECOMPENSA U$300 MIL

-Franklin. -J� estava na hora.

-O que � isso? -�!

A vi�va quer os n�meros j�.

Aonde est� o Ram�rez?

Ram�rez n�o est� e n�o vai voltar... a estar.

Merda, esse dinheiro n�o pode ter desaparecido sozinho.

Algu�m deve ter roubado.

-E s� restam voc� e eu. -Por mim nem se preocupe.

Eu estou h� dez anos aqui.

Bom, esta noite eu vou lhe explicar bem, depois do jantar.

Ela te convidou para sua casa para jantar?

-Foi, por que? -Melhor lhe explicar antes do jantar.

N�o quer acabar como o Ram�rez.

Por que acha que a chamam de Vi�va Negra?

2.500, 600, 700, 800, 900.

3.000.

E n�o pode ser algo mais este m�s?

O trabalho est� fraco, Marina. O que posso fazer? Que eu imprima as notas?

-E a impressora ficou com voc�. -N�o me coloque neste lugar de merda.

-Parece que s� me importo com a grana. -� o que mais te importa.

O que mais me importa � poder manter o meu filho. Entendeu?

Entendo que � nosso filho e isto � tudo que posso te dar, Marina.

N�o tenho nem mais um tost�o. Tenho que solucionar tudo?

-Come�amos com o de sempre. -Mas o de sempre � que n�o vive comigo.

Sou o babaca que vai busc�-lo, que o leva daqui para l�.

O taxista desta fam�lia.

Nahuel mora com voc�, Marina. Comigo est� s� de visita.

O que sou menos � seu pai.

Voc� � o meu pai.

-Oi, filho. -Oi, papai.

O que anda fazendo, querido?

-Como est�? -Bem.

-Bem? -Est�o brigando?

-N�o. -N�o.

Tenho uma surpresa para voc�.

-� mesmo? -�.

-Isso � para mim? -�.

Chefa, j� revisei as planilhas v�rias vezes e descobri um rombo.

O problema � que n�o sei quem roubou, ainda.

Estou perto.

Por sorte, Franklin est� me ajudando.

Estou fazendo minhas investiga��es.

Mas preciso que confie em mim.

Vinho?

Cabernet chileno.

Edgar, sabe como consegui ter tudo isto?

Enviuvando.

Tamb�m.

Uma mulher num mundo de homens. Complicado, complicado, �.

O neg�cio dos diamantes � muito duro, sabe?

Bem, voc� n�o tem ideia de tudo que tenho que enfrentar dia ap�s dia.

Tenho paix�o por tudo isto,

mas j� n�o confio em ningu�m mais.

N�o sou eu quem lhe est� roubando.

Voc� sabe como me chamam, n�o �?

Dona Angie.

A Vi�va Negra.

N�o, por favor.

fa�o um bom pre�o. Os l� de dentro "metem a faca".

-N�o, os de fora te roubam. -De maneira nenhuma.

V�o de �nibus. S�o tr�s horas de viagem s� at� o centro.

Parece contente entre seus compatriotas, Marta.

Marta, na vida temos que ter cores. Eu n�o desconfio de voc�.

-Se voc� vai me pagar ou n�o. -Eu n�o aceitei.

Se ainda n�o me aceitou, ent�o me pague adiantado e pronto.

De onde s�o?

De Santiago de Chile, mas acerte com a Marta, que � de Buenos Aires.

-Voc� � argentina. -Sou.

-Ent�o eu lhes dou 50% de desconto. -50% de quanto?

Bem, n�o importa de quanto.

O importante � que � a metade, n�o? Nossa, como pesa esta mala, n�!

O que est� levando, uma mortadela aqui?

Entra, Marta.

A mochila.

-Voc� vai acampar? -Vou.

Entra.

O que cobrou? Impedimento?

Eu j� estou indo, irm�o. Calma. Bom dia.

Que estranho que voc�, sendo chileno, n�o saiba sobre os vikings,

porque chegaram por l�.

Que estranho.

Eu sou meio psic�logo. Todo mundo me fala.

Podia ter estudado. Mas n�o. Eu gosto mais disto.

A rua, as pessoas, a hist�ria.

� verdade isso dos vikings. N�o acredita em mim?

-N�o, n�o tinha ideia. -Marta, conta pra ele. Voc� � daqui.

J� estava com saudades dos taxistas argentinos!

At� logo, Marta! Divirta-se! Ficou chateada por algo?

-Quase n�o falou durante a viagem. -Viajar em avi�o n�o faz bem a ela.

Pensei que estavam mal entre voc�s.

E dentro de uns dias vamos ter que voar para a final da Copa.

� mesmo? Que cag�o. Que sortudo, quero dizer.

Por que falou que est�vamos mal?

N�o sei. Me pareceu. Bom, n�o me d� bola.

Escuta, te deixo o meu cart�o. Qualquer coisa que precisar, me ligue.

Sei l�. Ir jantar fora, ao teatro, comprar quinquilharia, n�?

PSICANALISTA-CATADOR DE BOLAS DE GOLF ANALISTA E CIENTISTA POL�TICO...

Conhe�o um shopping que tem pre�os muito bons.

N�o vou deixar que metam a m�o.

E mande lembran�as minhas para a Marta.

-Encantadora. -Rolo, Rolo, quanto te devo?

Quanto voc� tem?

Quanto, quanto �?

Toma aqui. Bom.

O que foi?

O que � isto?

O que foi?

Ei, senhora!

Ei!

N�o me deixe aqui, senhora!

-Ele tamb�m n�o �. -Por que n�o deixa que eu fa�a isso.

N�o, n�o, n�o, n�o. N�o sei, talvez mais adiante. Agora n�o.

Mas estamos com problemas, Pedro,

porque o dinheiro continua desaparecido.

Sabe do que mais?

Suma.

Qualquer coisa, eu te ligo.

Pedro!

N�o pode fazer isso comigo, Cosentino.

Lamentavelmente posso, acredite.

N�o devo, mas posso. Acredite que posso.

Olha, sou o sexto melhor motorista de uma frota de 40 t�xis.

O que pretende?

Decidimos ficar com os cinco melhores. Temos que otimizar a empresa.

Otimizar? Voc� est� me fodendo!

Voc� nem sabe o que quer dizer otimizar e est� me despedindo!

-Voc� tem raz�o. -Ah, viu que nem sabe o que diz?

N�o, estou te despedindo, mesmo que n�o saiba que merda

quer dizer a palavra otimizar. Est�o me dando ordens de cima, Rolito.

As coisas s�o assim.

-� uma merda que seja assim! -Para, n�o fique zangado.

Consegui que deixem o t�xi com voc�, at� o final do m�s.

� a �nica coisa que posso fazer por voc�.

Mas o final do m�s � amanh�!

Cosentino, eu tenho um filho para alimentar! O que falo pra ele?

Que nunca trabalhe como taxista. P�o hoje, fome amanh�.

-Quer dizer que v�o � Copa, An�bal? -�, temos entradas para a final, n�o �?

E como conseguiram as entradas?

Eu as ganhei num concurso.

� mesmo? De qu�?

Espartano.

Uma marca de preservativos. Agora saiu

uma nova linha de sabores de frutas.

Fruta? Trago a fruta?

Isso! Tem que dar sabor a vida!

Estamos na mesa.

N�o falem de coisas desagrad�veis.

Papai, e por que voc� n�o vai com o An�bal pra Copa?

Seu pai n�o pode. Tem que trabalhar.

Bom, eu posso. N�o tenho escola, assim que...

N�o, mesmo assim n�o pode, porque s�o

duas entradas e vou sozinho com a Marta.

Por que n�o convida algu�m?

Porque vou com voc�.

-Eu n�o vou, An�bal. -Como?

Vamos falar sobre isso em outro momento, depois.

N�o, n�o, o que foi? Vamos falar agora.

-� isso que voc� quer? -�.

Est� bem, vamos falar agora.

Se quiser, eu te acompanho. Estou aposentada.

Com licen�a.

Marta.

N�o vou voltar para Santiago, An�bal.

Como?

N�o se engane mais.

Faz tempo que as coisas est�o mal entre n�s.

Eu quero ficar aqui.

N�o tem sentido continuar assim.

Eu quero ficar sozinha.

-Mas esta viagem era para n�s dois. -N�o, n�o, n�o.

Esta viagem era para voc�. Eu ia te acompanhar nada mais.

E por que n�o me falou em Santiago?

N�o consegui.

Entende?

N�o.

N�o entendo absolutamente nada.

Vou passar a noite aqui em Colonia Motril e amanh� saio bem cedo.

A vi�va tinha me amarrado, cara.

A� chegou o Pedro para me matar. Consegui fugir.

� ele, tenho certeza que � ele, cara! Temos que investigar.

N�o sei, n�o tenho provas. Entra nas suas contas, entendeu? Mas, escuta.

N�o comente sobre isto com ningu�m, ouviu?

Franklin?

N�o sabe de nada.

Deixei minhas asas no bar,

Quando voc� disse nunca mais,

Tenha piedade,

Da vida que ei de levar,

Da vida que ei de levar,

Se queima a cidade,

Se queima minha cidade.

Se queima minha cidade.

Que bom que me chamou, amigo. Na verdade,

com o dia que tive, me deu uma alegria.

Que foi? Tudo bem?

O que houve?

Marta n�o vai pra Copa.

Calma, irm�o. J� era.

Na vida tem coisas mais importantes, n�o se preocupe.

Eu volto ainda esta noite para o Chile, Rolo.

� s�rio?

E o que vai fazer com as entradas? Quero dizer, voc� pode vend�-las.

Podem dar uma boa grana.

Te dou de presente, n�o me interessa.

N�o est� me zoando, n�o?

� s�rio, s�rio?

Eu te convido.

Sabe o que mais, cara?

-Vamos. -Vamos.

Vamos!

No centro. A� vem Rooney.

E agora est� com ele, Uruguai na canhota.

A� vem Cavani, vai chutar pro centro avante...

O centro avante pula, Su�rez, Su�rez, Su�rez!

Gol!

Voc� realmente n�o quer me dizer o que aconteceu?

-N�o. -Mas te tratou muito mal?

Cacete! Deve ter sido grande para que n�o me conte o que aconteceu, n�?

Basta, Rolo! Na pr�xima eu des�o.

Ok, t� bem.

N�o foi com a m�o, cara.

Foi, ele mesmo reconheceu numa entrevista.

-N�o a viu por acaso? -N�o.

De qualquer forma, o segundo gol valeu por dois.

Se voc� diz.

Certeza de que n�o quer me contar o que aconteceu?

Ai, meu Deus! At� quando?

Voc� vai me deixar louco, j� estou por aqui...

-O que t� fazendo dirigindo o meu carro? -Calma, estou em quinta.

-Deixa comigo. -N�o, calma.

-Vamos, vamos. -Est� parado, est� parado.

Calma, est� parado.

-Me d� as chaves. Me d� as chaves! -A� est�o, a� est�o.

Isso j� estava a� antes.

Vamos.

Socorro!

Vamos.

Tem certeza de que est� bem? N�o tem nada quebrado?

Digo, porque est� vivo de milagre. Voc� levou uma batida feia.

-Tem cada animal na estrada. -Basta, Rolo.

Estou um pouco dolorido.

N�o � para menos. Quer?

Legal, amigo.

Obrigado.

-Os uruguaios n�o falam como argentinos? -N�o, de jeito nenhum.

Eu n�o sou uruguaio.

E essa camiseta?

Sou peruano. Como n�o nos classificamos,

queria torcer por um time que eu goste.

-E por que n�o o Chile? -E por que n�o a Argentina?

� que minha namorada � uruguaia.

-Vamos, Rolo? -Vamos.

V�o para longe?

Rua Professor Eurico Rabelo sem n�mero, port�o 18, Maracan�.

-Que mem�ria que voc� tem, n�? -� o endere�o que est� nas entradas.

-V�o para a Copa? -Vamos, pra final. Mas n�o se preocupe.

-Vem um amigo te pegar. -Franklin?

N�o, Pedro.

Tinha um monte de chamadas perdidas dele no seu celular.

Vamos, Rolo?

Tchau, professor.

Est� muito mal.

Voc� � mesmo peruano?

Sim, claro.

Muito bonito o Peru.

-Voc� conhece? -N�o, mas uma vez fui comer num

peruano l� em Buenos Aires, num restaurante.

-Tem muitos, n�? -Tem.

L� no Chile tamb�m?

Sim, est� cheio de restaurantes peruanos no Chile.

-E voc� gostou do ceviche? -Isso de comer peixe cru...

-Voc� gosta do ceviche? -Gosto, eu adoro a comida peruana.

-� mesmo? -�.

-Mas tem que saber fazer. -O que tem que saber fazer?

Se � peixe cru. N�o tem que fazer nada.

-Tem certeza de que � por aqui? -N�o viu a placa?

-Que placa? -N�o sei, por isso perguntei. Eu n�o vi.

Cuidado!

Ah, n�o!

Estavam dormindo.

� s�rio, Edgar, voc� tamb�m n�o sabia sobre os vikings?

Eu n�o entendo como n�o ensinam essas coisas na escola.

Neste carro s� se escuta rock. Pode trocar isso, por favor?

Chega, Rolo, deixa uma pra mim.

Vai, ponha algo pra homem.

Foi meu primeiro beijo na Marta.

N�o pode ter,

Onde a encontraria?

Outra mulher,

Igual a voc�,

N�o pode ter.

Desgra�a semelhante.

Desgra�a semelhante

Encontrar outra mulher.

Outra mulher.

Desgra�a semelhante,

Igual a voc�.

Com iguais emo��es,

Com as express�es,

Que em outro sorriso,

Eu n�o veria.

Com esse olhar atento,

Para minha indiferen�a,

Quando eu saia,

Da situa��o.

Com a mesma fantasia,

A capacidade,

De aguentar,

O ritmo despeda�ado,

Do meu mal humor.

Outra n�o pode ter.

Se n�o existe,

Eu a inventarei.

Parece claro que,

Ainda estou envenenado por voc�.

Voc� � a coisa mais evidente.

Evidentemente preocupante.

N�o.

Outra mulher.

N�o creio.

Voc� est� bem?

N�o sei.

E o Edgar? Est� morto?

Outra vez?

N�o, por Deus.

Edgar, Edgar!

Ai, o que aconteceu?

Cosentino vai me matar.

Vai me matar.

O que � isto?

Eu conhe�o isto.

� a estatueta que roubaram do museu!

Cara, tem 300.000 d�lares de recompensa por esta bobagem!

Para cada um?

300.000 d�lares, cara!

Compro tr�s t�xis e mais um carro. E que trabalhem os bobos.

Ah, por fim vou poder dar a volta ao mundo!

-E voc�, Edgar, o que vai fazer? -Nada.

-Como nada? -N�o fa�o mais nada na vida.

-S�o 100.000 d�lares, cara. -100.000 d�lares menos os gastos.

-Que gastos? -Um t�xi, por exemplo.

Eu mere�o mais, porque se n�o tivesse te convidado,

-n�o encontrar�amos a estatueta. -Perd�o, fui eu que te convidei.

Sim, mas com as minhas entradas.

-Se for assim, tenho mais direito. -Por que?

Porque eu detonei o extintor, capotamos e a� encontramos a esfinge.

E onde estava o extintor? No meu t�xi, cara.

Licen�a.

Que lindo, n�? Que caralho!

-Tem que ter cuidado com este cara. -Por que? � perigoso?

N�o, � argentino.

Que foi?

N�o aguento mais.

Isto pesa muito.

Para, para, para!

T� vindo um carro!

O Edgar foi embora! O Edgar foi embora!

-Eu sabia! -Aonde?

N�o sei, se foi com a estatueta! Nos traiu!

Sabia que n�o pod�amos confiar nele!

T�nhamos que ter tirado a esfinge dele.

-Agora vai ficar com toda a recompensa! -Edgar!

Ol�!

O An�bal est� aqui falando de voc�. Conta pra ele.

N�o, est�vamos preocupados por voc�.

Tudo bem?

O �nibus quebrou.

N�o!

-Todos foram embora. -Puta merda!

-N�o ficou nem o motorista. -Puta merda!

E o que fazemos?

Eu vi uma trilha por l�. Vamos.

Ou preferem ficar?

N�o, vamos juntos j�. Juntos.

Como Os Tr�s Patetas; um por todos e todos por um.

-S�o Os Tr�s Mosqueteiros, idiota. -Desde que estejamos os tr�s juntos.

Desde que cheguemos antes para cobrar a recompensa.

-� melhor antes que depois. -Uma grande verdade.

-Me caiu bem o peruano. -� gente boa.

Eu acho que estamos perdidos.

-T�, ent�o, voc� guia a gente. -Isso, An�bal, por onde vamos?

N�o sei, vamos procurar um hotel, uma pens�o, um lugar para dormir.

No meio da selva?

Pra mim n�o importa onde seja. Desde que tenha uma cama confort�vel.

Mas, isso sim, uma milanesa enorme

com batatas fritas com bastante azeite.

E um bif�o de oper�rio com batatas fritas, com ovo frito.

Dois ovos.

E um ceviche de corvina, mas de roca.

Com ovo?

-Pode ser com batatas fritas. -N�o, isso se come sem nada mais.

Deixem ai e descansem.

Bom momento para celebrar.

O que � isso?

Um manjar.

-O melhor pisco do mundo. -Chileno?

N�o, falei o melhor do mundo. Peruano.

-N�o serve nem para tira gosto. -Tem que saber tomar.

Est�o discutindo, babacas?

N�o, de jeito nenhum.

O melhor pisco � o que se toma entre amigos.

Isso � verdade.

-Me caiu bem esse argentino. -� gente boa.

-Me d�. -�pa, �pa.

"Made in Argentina".

-Ent�o � peruano? -Prova.

Te falei que tem que saber tomar.

Quieto.

Sa�de.

Este � tomate com pur�, igual que dos astronautas.

Com pisco peruano.

Ei, An�bal, deixa um pouquinho.

Me d�.

N�o quer que te deixe este pacotinho?

Voc� me pegou, Edgar?

-Com voc� nem de tanga, babaca. -N�o, n�o � "babaca", � "bacaca".

"Bacaca", quem fala "bacaca"? Se diz "babaca".

Baba-ca.

A quem voc� est� chamando de babaca?

A voc�, babaca.

Quer morrer na selva?

Ai, que medo! Quem vai me matar? Voc�?

Voc� acha que vai morrer com uma cobra?

E com o que eu vou morrer?

-Me deixa! -N�o discutam!

Tem coisas mais importantes na vida.

-Que "haia" paz. -Que "haia" paz.

"Haja", babaca, "haja". � ou n�o �, An�bal?

-Haja, que haja paz. -N�o metam nisto.

-J� temos muitos problemas. -N�o, um momento. Uma vara.

Daqui pra l�, Chile.

Daqui pra l�, Peru. Ok?

-Como? -N�o, n�o.

A linha est� mal colocada.

� daqui pra c�, passando pela bota do Edgar, � do Peru e pra c� es...

E por que n�o por cima dos seus sapatos? Tem mais espa�o.

E a Argentina onde est�?

N�o se meta com problemas de peixe grande.

-Passa a lanterna. -Escuta, que foi?

-Aonde vai? -Coisas minhas.

Mas aonde vai?

Coisas minhas!

Da� at� aqui...

� todo meu!

An�bal, voc� est� bem?

A selva inteira � minha!

Tudo por c� � meu.

Esta � minha selva, � minha casa e este vai a ser o meu banheiro.

N�o aceito que diga que � peixe cru porque...

-E que? -N�o � peixe cru.

-Passe um p�o com banha de porco cozida. -Isso eu n�o aceito.

-Ah, olha s�. -Ah, �.

O que foi?

Ei, An�bal!

Ser� que � o An�bal querendo se comunicar conosco?

� isso. Eu entendo, isso � c�digo morse.

N�o, n�o, � Braille.

Ah, isso eu aprendi no Servi�o Militar.

-O que, voc� tamb�m sabe? -Eu vou responder.

A� vai.

Mas o que est� dizendo?

O que disse?

N�o sei. N�o entendi a letra dele.

N�o entendemos!

Um galho.

Muitos galhos.

Toda a selva. Parece a selva.

Amigo, por favor, aonde nos est�o levando?

Ei?

-Falam nossa l�ngua? -S�o vegetarianos. Li na Internet.

Voc�s...

invadiram terra sagrada...

Lhes espera a morte...

e o castigo dos deuses.

Bem-vindos.

N�o, n�o s�o bem-vindos.

Voc�s..

queimaram �rvores sagradas..

e ir�o arder como elas..

at� se tornarem cinzas.

Se comportaram muito mal.

-Mataram ele! -Agora � a nossa vez.

Calma, meus bravos, calma.

Que est� fazendo?

-Voc� fica na sua. -N�o, n�o.

-�. -N�o fa�a isso.

Senhor, por favor, pode se aproximar, quero lhe mostrar uma coisa.

Aproxime-se, fa�a o favor.

Escute.

Venha, pode confiar.

Toma, leve ao patr�o.

Com isso pode falar com todo o mundo se quiser.

Comunicar-se com a tribo da �frica, com os deuses.

Tem cr�dito?

Filho da puta. Esse ainda n�o chegou na Argentina.

Selfie.

V�o nos matar!

Ningu�m entende nada, Mas agora v�o entender.

Chega de m� vontade, de mal entendidos, de legendas ruins.

Ter�o que enfrentar o desafio dos deuses:

disputar uma prova mortal.

� tudo ou nada.

E tudo � tudo.

Tudo � tudo o que?

Tudo � tudo.

-Mas, o que � "tudo � tudo"? -Tudo � tudo, Edgar, entende?

N�o se trata do que entendo. O que � tudo? Tudo n�o � tudo.

Se tudo n�o � tudo, ent�o, tudo o que �? Nada?

Outro que n�o entende! Tudo � tudo, Rolo! Nada � nada.

O nada � imposs�vel.

Isso, isso.

Mas se tudo n�o � tudo, me perdoe, An�bal, n�o fecha.

-Isso � tudo o que te preocupa? -N�o. Nada me preocupa.

Me preocupa � que a ningu�m lhe preocupa

o que a mim me preocupa, caralho.

V�o a merda todos voc�s. Me cansaram.

-Que, falou pra mim? -N�o, a todos.

Todos?

Todos.

- O que ele disse? -Nada.

N�o, nada n�o.

-Todos. -Stop!

Outra vez falando em dialeto.

Assim nunca vai nos entender, que merda!

Bem, chega!

-Preparem a prova! -N�o.

Esteve aqui sem duvida.

Eu vou encontr�-lo.

Quero que o encontre o quanto antes, Pedro.

Preciso saber quem est� com o meu dinheiro.

N�o se preocupe.

Estou perto.

Passou por aqui h� v�rias horas.

Bem, n�o tantas.

Pois se encarregue dele. Isso sim, quero ele completo.

Quero ele sem um arranh�o, est� bem?

Como quiser, senhora.

N�o, n�o � o que eu digo. � a sua miss�o. Olha que te conhe�o.

Sua vida depende disto.

Esta � a prova mortal?

Um jogo de futebol?

Tem que ser brincadeira.

Qu�o bons podem ser?

Gol!

Vamos!

Gol!

Eu n�o vi ele!

Eu n�o vi ele!

N�o vi ele!

Gol!

V�o nos matar!

Gol!

Gol!

Gol!

Gol!

Vamos, vamos, vamos!

Gol, gol, gol!

-O que foi? -Que aconteceu?

Que foi?

Perd�o, estou falando com voc�.

Foi gol...

N�o me comam! Querem me comer!

N�o, cara! J�, j�, pra l�!

Ele t� com meu casaco. Est� usando meu casaco. Ele vai queim�-lo.

-N�o. -N�o, passo.

Chefe, diga a verdade. Nos est� engordando

para nos oferecer aos deuses, n�o �?

A voc�s?

Os deuses pedem sacrif�cio. N�o comem qualquer lixo.

Nos espera algo pior.

Pior do que o jogo que acabam de perder,

7-0?

N�o h� nada pior.

Comam, bebam, festejem e amanh� sigam o seu caminho.

M�sica!

Viu como te olhou.

-Est� afim de voc�. -Viu?

Anda, dan�a, aproveita.

J� acabou, j� passou.

Vamos, desfruta.

Muit�ssimo obrigado.

Que lindo lugar voc� aprontou, n�? Se v� que gosta de festa.

Perd�o, � um leit�o? Olha como fazem. Que loucura.

L� assamos com carv�o. Isto � lenha, n�o?

Com lenha fica com outro aroma, sobre tudo com eucalipto.

O que mais gostei � que est�o pintados de

vermelho e preto, porque eu sou de Newell's.

S�o as cores do meu time.

Bom, bom, bom. Gostoso, forte.

Compartilhamos.

Isso, toma. � forte.

Com cuidado que est�...

Stop m�sica!

Que legal, n�?

� dos meus!

Gostei disso, bem forte!

Ah, que susto!

Ritmo!

Isso, isso, uh!

-Rolo! -Como vai, amigo?

Tudo bem.

Uma fotinho, uma fotinho.

A�, olha pra c� o passarinho.

Outra.

-Est� bem? -Estou, cuidado com a planta!

-Cuidado. -Aproveite.

Obrigado.

Est� meio b�bado, mas, bem, tem que entend�-lo. Est� sofrendo muito.

Mas � meu amigo.

-� um problema com as mulheres. -Ai, que linda! Vamos! Edgar!

N�o posso acreditar. Aqui est� o Edgar, meu amigo.

Eu tamb�m quero tocar nele.

Que festa boa!

E aqui estou,

Detendo o tempo, o rel�gio,

Vivendo um momento de amor,

Me deixo levar,

n�o consigo parar.

Sobre o ar mexo os meus p�s.

Dan�ando toda a noite.

Ol�, Chilavert. Viu como dan�a o meu amigo?

Sobre o ar mexo os meus p�s.

Venham!

Nosso amor � o reflexo da noite,

N�o paro de dan�ar, pulo sobre

os p�s, canto e fecho os olhos.

N�o pare nunca mais, queima meu c�u

Ela dan�a atrav�s da luz

Ilumina at� o sol

Sigo a centelha, que se v� no seu cora��o.

Sobre o ar mexo os meus p�s.

Dancemos toda a noite.

Sobre o ar mexo os meus p�s,

dancemos toda a noite.

Muito obrigado.

Obrigado.

At� logo.

N�o, j� n�o preciso mais.

Chefe, diga a verdade. n�s merec�amos o empate, n�?

Voltem logo.

Uma pena que tenhamos que ir justo quando fizemos tantos amigos.

�, foi uma festa bonita.

Pena que o Edgar foi dormir cedo.

Acontece que estava muito cansado.

Edgar, temos que ir. Vamos.

O meu casaco de couro est� por a� jogado...

-Preciso dele. -Estamos atrasados.

Adeus!

Tchau!

Que gostosa que estava a �gua.

Estava precisando de um bom banho.

Eu n�o queria dizer, mas voc� estava precisando de um bom banho.

E eu tamb�m.

Cara, quem vai nos dar 300.000 d�lares por isto?

N�o sei.

-Vejamos, o que tem aqui dentro? -Que foi?

Vamos examinar. Calma.

-Opa! -Ui, n�o.

-Que foi? -Est�o acabando.

E � verdade que voc� se meteu com a mulher do chefe?

N�o, eu? Jamais.

-N�o se fa�a de ot�rio, que te vimos. -Como que me viram?

Olha, An�bal, que n�o chegue na Marta. Porque ele n�o perdoa.

Vamos parar com a baboseira?

E voc�?

Est� casado?

N�o mais.

� que fui pai mais velho, entende? Depois dos 40.

Casei com uma menina dez anos mais jovem do que eu.

A� fica dif�cil.

Quinze horas dentro de um t�xi. Voc� n�o v� nunca o seu filho.

Sua mulher que te pede grana e voc� percebe que nunca basta.

E um dia voc� chega em casa e encontra a mala feita na porta.

-Mas, se casou apaixonado? -�bvio.

Todos nos casamos apaixonados.

Rolo mais tarde, eu mais cedo.

Nos dois primeiros meses quando sa� da universidade,

�ramos uma chama acesa.

Mas nenhuma chama dura para sempre.

E pensar que esta seria a minha nova lua de mel.

Olha no que deu.

An�bal, pode nos contar de uma vez por todas o que aconteceu?

Marta n�o vai voltar pro Chile.

Foi tudo pro �gua abaixo.

D� medo o compromisso, n�?

Esse � um assunto que sempre me assustou.

Ser� por isso que ando de cama em cama?

E passo muito bem.

Mas quando chego em casa sozinho,

sempre sinto o mesmo.

Sinto que me falta algo.

N�o sei.

Como se quisesse outra coisa pra mim.

Mas no dia seguinte isso passa e volto a ser o mesmo.

� melhor estar sozinho, n�?

N�?

N�?

E esse barco?

Que barco?

Aonde?

-Um barco! -Ei!

-Ei! -Socorro!

Aqui!

Sneijder, Sneijder!

E em dois tempos o goleiro Keylor Navas,

senhoras e senhores, diz que n�o a

Holanda, que n�o pode abrir, que n�o

pode abrir o marcador em 21 minutos!

A chave do jogo, senhoras e senhores, chegou por conta da Holanda.

Tragam cimento...

Estou procurando este sujeito.

-O peruano. -�.

O viram?

Depois os brutos somos n�s.

S�o um peruano, um chileno e um argentino.

S�o tr�s?

Eles foram para o Rio.

S�o assassinos muito perigosos, procurados em v�rios pa�ses.

Bem-vindos.

Bem-vindos ao Amizade, o barco mais

importante que percorre todo o Amazonas.

-Estamos no Amazonas? -N�o, mas o percorremos.

-N�o � verdade, meus bravos? -� claro, meu capit�o!

Parecem simp�ticos.

E voc�s v�o pra onde?

Rua Professor Eurico Rabelo, sem n�mero, port�o 18.

Que � isso?

Maracan�.

O que � isso?

Um est�dio. Vejo que o senhor tamb�m

n�o tem interesse na Copa do Mundo, n�?

Eu n�o sei nada de Copa.

E voc�s sabem de alguma Copa do Mundo?

Voc� sabe cozinhar?

Cozinhar?

Bem, eu sou peruano.

Ou seja, sei fazer mais ou menos algumas cosas:

cevichitos, tiraditos, sudado,

chicharrones, ocopas, papa a la huanca�na,

pollo al vino, seco de pollo, pescado a lo macho,

carapulcra, arroz chaufa, lomo saltado

e algumas coisinhas mais, mas da� n�o passo.

Sabe fazer feijoada?

Ah?

Feijoada.

Feijoada?

Porque se n�o sabe fazer feijoada, ent�o aqui voc� t� sobrando.

Ah, sim, sim, feijoada, sim, claro.

Como n�o vou saber? � prato mais f�cil do mundo.

E o mais saboroso do mundo, �. O mais saboroso do mundo.

Voc� tem sorte.

Seu amigo ficou num lugar pior.

Cinco graus a estibordo.

Eu falei cinco graus a estibordo.

-Estibordo � direita burro... -E por que n�o disse direita ent�o?

Que vontade que voc�s tem de complicar a vida, n�?

-Sabe conduzir um barco ou n�o? -N�o se preocupe, capit�o.

Se consegui sobreviver a confus�o na argentina, isto � uma molezinha.

Al�m do mais, nasci no El Tigre. � uma verdadeira bagun�a de lanchas

que vem e v�o daqui pra l�. At� que pegue o jeito.

N�o se queixe. O seu amigo ficou num lugar pior.

Que nojo!

O que comeram?

Os restos do necrot�rio?

Ei, chileno.

Toma o baldinho.

-E depressa se n�o te jogo aos tubar�es. -Aos tubar�es.

Os tubar�es n�o est�o aqui no Amazonas,

n�o tem tubar�es no Amazonas.

Na �gua n�o, mas os que est�o na sala das m�quinas,

n�s chamamos eles de "tubar�es".

Sentem o cheiro de carne fresca quando est� por perto.

T�, t�.

Fale pros tubar�es que eu estou trabalhando.

Quer aprender?

Vem.

Vem, chegue perto.

Aqui, pegue a faca.

Assim. Como se chama?

Kalinda.

Kalinda!

Que lindo nome para uma cozinheira!

Kalinda.

E que lindas m�os voc� tem. T�o suavezinhas.

Vou te ensinar a preparar ceviche.

"Cevishe"?

Que linda! "Cevishe" n�o, ceviche.

Ceviche.

Isso.

Pegue o peixe assim.

Delicadamente.

E com a ponta da faca acaricia as linhas assim devagarzinho.

Ei! N�o se engrace, cara!

N�o vai querer que corte algo mais do que a pontinha!

N�o, calma. S� estou ensinando. N�o aconteceu nada.

Meu amor, calma.

N�o se zangue. N�o est� acontecendo nada.

N�o me zango. Mas quem tocar em voc�, eu mato!

Pronto, capit�o.

Botei o melhor das minhas ra�zes culin�rias neste prato.

Este rio est� cheio de peixes incr�veis.

Eu preparei um delicioso ceviche.

� feijoada?

Calma, capit�o, j� vem, n�o fique nervoso.

A feijoada vem depois, para que n�o abafe o sabor desta del�cia.

-N�o gosto de sushi. -Isto n�o � sushi.

N�o, n�o � sushi, � peixe cru.

Prove, capit�o. N�s chilenos adoramos a comida peruana.

-E os argentinos mais ainda. -E os peruanos nem te conto.

Este � meu barco! E aqui se come o que eu gosto!

Calma. Que g�nio ruim. Pensei que fosse mais carism�tico.

-Aqui est� sua feijoada, capit�o! -Isso!

Bom, � seu barco. Pode comer qualquer merda.

-O que disse? -N�o se preocupe.

Aqui est� a comida e j� vai come�ar o jogo de futebol.

Quem joga?

Alemanha. Com o Brasil!

Brasil campe�o do mundo!

Pentacampe�es!

O pentacampe�o, caralho!

Licen�a, vou trazer a sobremesa.

Bom, por fim vamos comer algo como gente.

N�, An�bal?

N�o.

-N�o gosta? -S� de pensar como v�o ficar os banheiros.

J� vai come�ar, vai come�ar.

Pode parar de falar um pouco?

Vamos, Brasil!

Que foi? Est�o jogando meio mole, n�o?

Fa�am algo. Se n�o a coisa vai ficar preta.

Brasil!

Vamos, Brasil!

O que foi, o que foi?

Calma, calma.

Come�ou agora.

Garotinha.

Gol!

Edgar!

Onde estar� o Edgar? Eu vou procur�-lo. Edgar! Onde est� Edgar?

Edgar!

Edgar!

N�o acredito. O que est� acontecendo?

-Vamos, Brasil! -Vamos, Brasil!

� uma pena porque voc�s organizaram a Copa.

Ah, falta, falta!

Gol!

Gol, gol!

Perd�o, perd�o, pensei que tinha sido do Brasil.

Vamos, Brasil!

Gol, gol!

Gol, caralho!

Gol, gol, gol, gol!

Gol!

Olha toda a grana que gastaram!

Olha, olha toda a grana que gastaram no Brasil!

Olha as festas que armaram! Gol, gol, caralho!

Calma, calma, calma!

Vou te matar, vou te matar!

Est� tudo bem. N�o aconteceu nada.

Calma, rapazes, que no segundo tempo eles empatam, calma.

Foi tudo pro caralho, babaca!

-Me deixa passar. -Corre, idiota, que v�o nos matar!

Voc�...

Voc�s chegaram at� aqui, n�?

Fogo, fogo!

Olhem, um barco!

Socorro!

Para a margem!

Est�o atirando em n�s! V�o nos matar, merda!

A mochila!

N�o atirem!

Por que querem nos matar?

Que confus�o voc� deixou no Peru, Edgar?

A mulher de quem voc� comeu?

Corram, depois eu explico!

Cuidado, estas �guas s�o muito trai�oeiras.

Estamos perto da margem.

Estas margens s�o muito trai�oeiras.

Resolvo um assunto e n�s vamos. Espere aqui.

-J� est� anoitecendo. -E?

A selva � muito trai�oeira.

Vou procurar uma aldeia para passar a noite e n�s vamos pela manh�.

-Uma aldeia? -�, uma aldeia! � eu sei, a aldeia.

-� muito trai�oeira! -N�o.

Lugar tur�stico. Patrim�nio da Humanidade.

Copa do Mundo � muito caro.

N�o aguento mais.

Acabou.

Fala, caralho.

-Por que est�o atirando em n�s? -Por que querem nos matar?

Est� bem.

Eu vou lhes contar.

N�o toque nele, n�o toque nele.

Me solte, me solte!

Solte ele!

Pe�a perd�o!

Me solte, caralho!

Eu sinto muito, rapazes.

Realmente. N�o queria meter voc�s nesta confus�o.

Que confus�o!

Que merda.

E tudo porque a vi�va acha que eu lhe roubei.

E o pior de tudo � que eu sei que o ladr�o � o Pedro.

Agora voc� n�o pode voltar ao Peru?

Que desgra�a.

Espero que n�o seja para tanto.

Mas voc� pode ir pra Buenos Aires. Rolo mora sozinho.

N�o tem um quarto sobrando?

Imposs�vel. O quarto que tenho � para quando Nahuel fica pra dormir.

N�o, n�o tenho lugar. Mas voc� tem.

-Sua mulher n�o te abandonou? -N�o, n�o tenho nada.

Ele desenhou voc� menor do que a m�e.

Edgar, � o dia mais inesquec�vel de toda a minha vida.

-Me deixa aproveit�-lo. -O que foi?

Rolo est� h� dois minutos sem dizer uma palavra.

Vamos, vamos, �nimo pra cima.

Sabe como se distingue que um beb� rec�m nascido � argentino?

-Como? -� o �nico que fala mesmo sem saber.

-N�o ria dos argentinos. -Isso, n�o ria.

Eu j� ganhei muito dinheiro com os argentinos.

-Jura? � s�rio? -�, claro.

Como?

Eu comprava argentinos pelo que valem e vendia pelo que diziam que valiam.

Edgar, n�o trouxe uns diamantes desses dos pequeninos, nem que seja?

Sa� desesperado. Al�m do que, para qu�?

Como para que? Para comprar um t�xi novo, por exemplo.

-Para isso temos a recompensa. -N�o temos.

-Como que n�o? -N�o mais. Eu contei.

E quando nos contou?

N�o se lembram quando eu fiz assim com a mochila e o tiro?

Mas foram s� gestos.

-N�o entendemos porra nenhuma. -Bem, vou falar de novo.

N�o est� aqui. Ficou pra tr�s.

E agora o que fazemos?

-Recuper�-la. -Voc� ficou maluco?

-Pedro � um assassino. -Mas somos tr�s.

-Os Tr�s Mosqueteiros. -Ou Os Tr�s Patetas.

Rapazes, eu n�o tenho nada a perder.

Minha mulher n�o me quer ver nem pintado

e o t�xi nem em pintura verei.

-Estamos com voc�, velho. -Obrigado.

Esta � a aventura mais importante da minha vida.

E essa recompensa ningu�m vai me tirar.

A mim tamb�m n�o, porra.

-Adiante, Argentina. -Vamos, Peru.

Vamos, Chile, porra.

Pronto. Ent�o, An�bal deita no ch�o, finge que est� dormindo.

Quando o Pedro chegar, esperamos que ele

pare aqui, puxamos com for�a e o pegamos.

Perfeito.

Por que tenho que ser eu o que est� dormindo?

An�bal, se n�o quer colaborar, diga logo.

O Edgar faz. Edgar, por favor.

-N�o. -Olha que simples.

Est� bem, eu fa�o, mas que n�o fique t�o perto.

-N�o, fica calmo. -Confia.

Edgar, Rolo, eu pequei ele!

Ativem o dispositivo!

Peguei ele!

Calma, calma.

Edgar escapou.

-Ter� ido buscar ajuda? -S� se for em outro pa�s.

Por que n�o lhe oferece as entradas para a final?

Pode ser que nos deixe sair. Chefe!

Chefe, gosta de futebol? Temos entradas para a final.

-Tem entradas para a final? -Tenho.

Que pena que n�o vai poder ver a Alemanha contra a Argentina.

Chegamos na final! N�o sacaneia!

-Chegamos na final, An�bal! -Calma!

Vamos, Argentina, porra!

Quem n�o pula � valent�o!

Cale-se!

Escutou isso?

Devem ser os selvagens da aldeia.

Ou o Edgar.

Edgar nos abandonou, babaca.

O �nico que queria era escapar da morte e conseguiu.

Edgar.

Eu sabia que n�o ia nos deixar! Edgar!

-Edgar. -Edgar, acorde, acorde!

N�o grita, idiota, que vai acordar o outro tamb�m!

�, mas acorda voc� ent�o, Edgar. Acorda. Edgar.

Edgar.

Edgar.

Edgar?

Quem � Edgar?

Perdeu a mem�ria.

Quem s�o voc�s?

-Onde estou? -Somos seus amigos.

-Eu sou o Rolo, o argentino, babaca. -Eu sou o An�bal, o chileno, idiota.

Eu sou amigo de um chileno e de um argentino?

Imposs�vel.

Sou seu amigo, Edgar.

� meu amigo?

Ent�o, me d� um beijo com l�ngua.

Babacas!

Idiota!

Eu tamb�m amo voc�s, amo voc�s!

Pensaram que eu ia abandonar voc�s aqui, n�?

-Jamais, jamais. -Certo.

Eu sempre confiei em voc�.

T� bom, t� bom, calma.

Est� acordando, est� acordando!

-Rolo! -Calma.

-O que fazemos, vai voc� ou vou eu? -Vai voc�.

Calma, calma, podemos negociar.

Tenho uma parcela.

Perd�o.

Rolo!

E agora, hein?

Que � isso?

Foi um impulso.

-�, um impulso de que tipo? -� que eu vi num filme.

-Seria um filme chileno. -N�o, com Brad Pitt.

-Voc� gosta do Brad Pitt? -Gosto, mas como ator.

Est� tudo pronto, rapazes?

-O que est�o fazendo? -Disse que viu isso num filme.

-Um filme chileno? -N�o, com Tom Cruise.

N�o era Brad Pitt?

N�o a vi.

Quem dera...

Est� cheio de asteroides.

Esteroides.

Voc� falou asteroides. Se diz esteroides.

Vejamos, diga esteroides.

N�o vamos perder tempo em idiotices, rapazes. Vamos ao ponto.

-Ei, acorda. -Acorda, vamos.

Ei, ei, ei.

-Acorda. -Bu, bu!

Acorda.

Bu, bu!

Levanta.

Bom dia.

Vou te matar.

Como vai fazer isso, com as m�os amarradas?

-Que idiota. -Quem voc� vai matar? Eu vou matar voc�.

Mas antes preciso que me diga uma coisa.

A verdade.

Foi voc� que estava roubando a Dona Angie?

-Vai a merda. -Ao meu amigo voc� vai respeitar!

Se o Edgar n�o te matar, um de n�s vai te matar.

Por que n�o fala a verdade de uma vez?

Se vai morrer de qualquer forma.

-Diga a verdade. -Vamos, fala, estamos escutando.

-Vai, diga a verdade. -Fala.

Est� bem! Fui eu, fui eu! Eu roubei o dinheiro.

Durante dois anos eu culpei a outros e depois

sumia com eles at� que chegou voc�.

Mas n�o vai sair dessa.

N�o vai ser voc� quem vai me delatar.

N�o. Tem raz�o.

-Voc� j� o fez. -Ah?

Escutou, Dona Angie?

Confessou.

Ai, Edgar, me perdoa.

De verdade, n�o sei como pude duvidar de voc�. Imagina.

Mas fa�amos uma coisa.

Volte e eu aqui posso te recompensar como voc� quiser.

E do Pedro voc� se encarregue, eu n�o quero v�-lo nunca mais.

Claro, n�o se preocupe.

Pedro n�o vai voltar a incomod�-la.

Eu darei a ordem a um dos meus guarda-costas para que o elimine.

Vai, elimina ele.

Vai.

-N�o sei usar. -Eu mesmo cuidarei disso.

Pronto, Dona Angie.

Pedro n�o voltara a te incomodar.

Edgar, obrigado.

Vem logo, t�? Porque vou estar esperando aqui.

Cag�o.

-Vamos. -Se assustou, n�?

Como v�o me deixar aqui?

Ei!

N�o me deixem aqui!

Um momento, rapazes.

Ah!

Que al�vio!

Outra vez este babaca!

Me mordeu!

J� n�o acreditamos mais nas suas palha�adas, Edgar.

Uma serpente me mordeu!

Ai, uma serpente me mordeu! Que susto, que susto!

Que grande que � a sua serpente, Edgar!

Corram, corram!

Ajudem, ajudem!

Ajudem, ajudem!

-Precisamos de um m�dico! -Um m�dico, por favor!

Um feiticeiro, um xam�!

� uma mordida de surucucu.

Passa o veneno atrav�s de seus colmilhos eretos.

Se v� que o veneno passou, mas o ereto ainda est� a�.

Ele vai se curar?

Tem que chupar o veneno com a boca.

Ent�o, vamos deixar ele fazer o seu trabalho em paz.

-Vamos. -N�o, aqui temos a solu��o.

Rojaij�!

-A bruxaria n�o vai cur�-lo. -N�o, ele sabe o que faz, deixa.

Rojaij�!

Rojaij�!

Rojaij�!

Rojaij�!

Que susto.

Achei que era um de voc�s.

Vamos, amigo!

-Temos voc� de novo conosco! -Do que voc� se livrou, hein!

N�o, Edgar.

Por que tem t�o pouca gente?

-N�o sei. Devem ter ido para a Copa. -Bom dia, senhora.

Est� chateada?

N�o.

N�s estamos assim porque caiu uma maldi��o sobre a aldeia.

Uma maldi��o?

Faz 20 anos roubaram nosso s�mbolo sagrado.

Desde ent�o, n�o nasceram mais crian�as, os homens se foram,

as mulheres morrem de tristeza.

Roubaram nosso futuro.

E desde ent�o estamos tentando recuperar, mas morreram quase todos

os que tentaram.

Agora est� perdido para sempre.

Estamos condenados a desaparecer.

Perd�o...

A quest�o � que eu perdi um t�xi. Com essa

grana compraria dois, tr�s, cinco t�xis

e me aposentar na Argentina. N�o trabalhar mais na vida.

E eu fa�o o que? Eu n�o tenho minha moto. Voc� n�o me diga nada.

Vou voltar pro Peru andando e pobre.

Eu com essa grana quero dar a volta ao mundo. Eu mere�o.

Ent�o, o que fazemos?

E se doarmos 1.000 d�lares cada um para o Greenpeace?

Tinha a esperan�a de que n�o coubesse.

Muito obrigado.

Poderia ver uma �ltima vez?

Vamos?

-Foi boa a despedida, n�? -Foi.

-E bonitos os presentes. - �, nos custaram 300.000 d�lares.

E voltamos ao mesmo lugar.

Eu sabia.

E se j� sabia, por que n�o disse antes, idiota?

Ei, rapazes, como est�o?

Vamos!

O que fazemos?

N�o sei. Aonde ele vai?

A final da Copa! Vamos!

A final da Copa.

Vamos, porra!

-Alemanha, Alemanha! -Peru, Peru!

Argentina, Argentina, Argentina!

An�bal, escuta, quando chegarmos ao Rio, o que vamos fazer?

O que vamos a fazer? Vou a final da Copa!

Com tudo o que temos passado, eu n�o vou perder isso por nada.

-Eu vou ao P�o de A��car. -� mesmo?

N�o, idiota, como vou ao P�o de A��car?

Eu vou ver a final! E pelo menos somos

vice-campe�es, pelo menos, n�?

�, pelo menos, pelo menos Peru.

Peru!

Peru!

Peru!

Com Chile, com Chile, com Chile.

Chi, chi, chi, le, le, le! Viva, Chile!

Que foi?

Voc�s s� t�m duas entradas.

S�o as do concurso.

Sabe quantas camisinhas tive que comprar?

E n�o te sobraram algumas centenas de caixas

para deixar com o Edgar, n�?

Bom, eu vejo a final num bar por aqui.

-Nos vemos em um momento, ent�o. -Cuidado com as garotas.

E torcer pela Argentina, n�? Hoje vamos meter 14 nos alem�es.

Firme, Argentina!

Vamos, porra!

A n�o ser que os alem�es lhes metam a voc�s os 14, cara.

Vai beber sozinho, cara?

Ei, que foi?

Est�vamos com saudades, ot�rio.

Voc� tamb�m?

-As entradas eram falsas. -� s�rio?

N�o, est� te sacaneando.

T�nhamos vontade de ver a final com voc�.

Ah, n�o me sacaneia!

-De verdade. -Por que?

Porque na vida tem coisas mais importantes.

Vamos celebrar! Brindemos, porra!

-Brindemos. -Brindemos.

-Pela Argentina. -Pelo Peru.

Ei! E pelo Chile?

-N�o, n�o, me d� a grana das entradas. -Ficamos de repartir a grana.

Agora n�o reparto nada. As entradas eram minhas.

�, mas eu consegui o cliente, professor.

Ah, venderam as entradas! Agora entendo.

Para ver a final contigo, por isso as vendemos.

-�, n�s decidimos juntos. -Ah, juntos?

-Falei em vend�-las. Voc� n�o queria. -Rapazes, n�o briguem.

-Na vida... -Na vida, as bolas.

N�o se meta que nem se classificaram. Isto vamos acertar entre n�s.

Por gente como voc� a Argentina est� como est�.

Ah, olha o senhor dando pitacos sobre pol�tica internacional!

Escutem ao chanceler.

Eu me casei com uma argentina. Esse foi meu grande erro.

Erro? Tem que ficar feliz, se n�o fosse ela, nunca teria se casado.

Olha, essa cara de pizza.

Voc� me fez correr por toda a selva com os macacos na minha cabe�a.

Cala a boca, n�o pagou nem um ped�gio!

-Nem um ped�gio! -Voc� � um luser!

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

O vinho, as mulheres, a festa e o amor.

S�o coisas que na vida recompensam a dor.

Devemos sorrir. Morremos por viver,

porque ao final, de que vale sofrer?

Eu apostei com a vida que jamais ia chorar.

E as vezes eu fiz trapa�as para poder ganhar.

Pois eu n�o sei perder, nasci para triunfar. E aqui pode ver,

Eu estou e rio igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Se �s vezes uma dor desgarrou meu cora��o,

segui sempre adiante sem prestar muita aten��o.

Ao tempo eu me aliei e a dor se foi,

Porque o pesar, meu amigo, sempre foi.

Jamais se realizar�o aquelas coisas que sonhei,

Pois em meu longo caminho tantos sonhos esqueci

Mas tanto recorri. E j� tanto vivi,

que penso hoje, que eu nada perdi

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Ao final da vida segue igual. Ao final a vida segue igual.

Os amigos se contam com os dedos de uma m�o.

Me disse uma vez meu pai, pouco antes de partir.

As voltas da vida hoje me colocaram em outro lado.

E contra todas as vari�veis

conheci estes loucos.

Porque esta amizade n�o tem fronteiras.

Quando precisar de mim sempre estarei.

No meu cora��o a mesma bandeira.

N�o importa a dist�ncia,

que tenha entre os tr�s.

Porque esta amizade � verdadeira.

Nasceu para sempre e sempre ser� assim.

Amigos nas m�s, amigos nas boas, n�o existe cordilheira.

Amigos para sempre s�o,

s�o parte de mim.

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