All language subtitles for Vanya.on.42nd.Street.1994.1080p.BluRay.H264.AAC-RARBG

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Original subtitles

Oi, Wal.

N�o tinha ensaio �s cinco?

Era �s cinco e quinze.

O que � isso?

� um "knish".

L� est�. Wally!

Oi, me alegro em ver voc�. Andr�, esta � a Sra. Chao.

Nos conhecemos em Berlim no �ltimo ver�o.

Importa-se que ela v� ao ensaio?

Fico encantado de que venha. Gosto de visitas.

Escolheu o melhor dia, vamos repassar toda a obra.

Fant�stico. Este � meu amigo Flip Inonu.

Sabe, a Sra. Chao me explicou

que seu av� traduziu Tchecov para o bengali.

Isso foi h� muito tempo.

Meu Deus!

Nunca assisti "Tio Vanya".

S�rio?

Qual o papel de Andr�?

Ele faz o diretor.

Oi, Phoebe.

Esta � a sobrinha de meu primo. Tucker, de Toledo.

Fico feliz em v�-la aqui.

Que lugar incr�vel! De que �poca �?

Do final do s�culo passado.

Ficou anos abandonado.

Somos uns simples intrusos.

E n�o podemos usar o palco. Os ratos roeram as cordas.

Perdi isso.

Larry, est� perdendo h� vinte e cinco anos.

Oi, Jerry.

Oi, Jerry.

Ei, Andr�, como vai?

Gosto dessas obras.

E dizem que os rostos s�o na verdade das obras de Shakespeare.

C�us, hoje estou esgotado. N�o dormi essa noite.

Aqui representam as Ziegfeld Follies.

Dizem que os camarins...

podiam receber cerca de quinhentos atores.

Est� bem perigoso porque a chuva se infiltra pelo teto,

e puseram essas redes para recolher o gesso que se desprende.

Cuidado, Phoebe.

Eu estou bem, mas voc� parece cansado.

Sim, ainda estou esgotado. Estou fazendo mais duas pe�as.

Frequentemente h� ensaios extras.

Hoje me levantei recitando uma obra que represento no Caf� Hearts & Minds.

N�o conhe�o esse teatro.

N�o h� por que. Obrigado, Liz.

Bem, o que estou fazendo no primeiro ato est� bom?

Como se sente?

Ent�o... Muito desconfort�vel.

Bem, esse � exatamente o ponto.

Foi nadar?

N�o, irei � noite. Se n�o nado, n�o consigo me mover.

Me acompanhe.

Vou atr�s de um caf�.

A �gua me deixa o cabelo verde.

Est� desmoronando, mas � t�o bonito...

Vai ficar nu, Wally?

N�o, s� queria dizer...

Poderia faz�-lo, sabe.

Bebe?

N�o, obrigado. N�o me apetece.

Uma vodka?

Hoje n�o. N�o me cai bem beber todos os dias.

Quanto tempo faz que nos conhecemos?

Quanto? Deixe-me pensar.

Onze anos.

Quanto voc� mudou?

- Quanto? - Sim.

Acho que muito... Antes era jovem e agora � velho.

Acho que voc� est� desbotado.

E est� bebendo agora...

Tornei-me outro homem.

Certamente.

Por qu�?

Excesso de trabalho, simplesmente.

O dia inteiro, todos os dias...

Me deito temendo que me chamem por algo urgente.

Desde que me conhece, n�o tive nem mesmo um dia livre.

Como n�o vou envelhecer com a vida que levo?

N�o estou morto...

Alguma ilus�o, alguma ideia... Mas bastante abatido.

Aborrecido de certo modo.

N�o desejo nada...

N�o amo ningu�m, n�o preciso de nada...

Eu te amo, claro.

� quaresma. Me chamaram de Malitzoye.

Tifo... Fileiras de cabanas, gente estirada no ch�o sujo...

O gado convivendo nas casas com os enfermos.

Trabalhando o dia todo sem comer nada...

Vou para casa descansar. E me mandam um guarda-chaves

atingido pelo trem.

O coloco sobre a mesa. Vou come�ar a oper�-lo, e ele morre...

Com o clorof�rmio.

Minha consci�ncia decidiu informar que eu o havia matado.

Me sentei, fechei os olhos e pensei...

Dentro de cem anos,

os que vierem depois, aqueles a quem temos mostrado o caminho...

ser�o benevolentes ao pensarem em n�s?

Nanny, gostaria de pensar que sim.

As pessoas n�o recordar�o, mas Deus sim.

Obrigado. Muito bem dito.

Dormiu bem?

Sim, muito bem.

Vou dizer uma coisa...

desde que vieram o Professor e sua mulher, minha vida mudou.

Durmo de dia, desperto � noite, como n�o sei o qu�...

Bebo vinho...

Todo o dia recebo ordens: trabalhe, fa�a isso...

Sonya continua trabalhando. Mas, o que estou fazendo?

A vida moderna.

Exatamente!

Sim, o Professor dorme at� meio-dia. Seu samovar estar� pronto

quando se levantar.

Costum�vamos comer ao meio-dia. Como todo mundo.

Agora, � depois das seis!

Passa a noite lendo e escrevendo.

�s duas da manh�, soa a campainha. E o que �?

"Desculpe-me. Ele quer seu ch�".

"Acordem todos, acenda o samovar..."

A vida moderna...

Quanto tempo v�o ficar?

Cem anos. Querem mudar-se para c�.

Magn�fico. Uma bela vis�o.

Que panorama!

Realmente belo, Excel�ncia.

Amanh� mostrarei a planta��o. Gostaria de ver?

Senhoras e senhores, o ch� est� servido.

Poderiam lev�-lo ao meu est�dio? Tenho umas coisas para fazer.

Gostar� da planta��o, papai.

Faz calor, est� sufocante...

E nosso erudito, vestido para o inverno.

� um homem muito cuidadoso.

Hoje estou feliz.

Os p�ssaros cantam, brilha o sol...

O que quer que eu me encontre fazendo hoje...

como agora, passeando pelo jardim, ou somente olhando essa mesa...

me sinto feliz.

Que Deus aben�oe voc�.

Seus olhos...

- Vanya. - Sim?

Conte-nos algo.

- O qu�? - Algo novo.

Algo novo. O que � novo? Nada. Tudo � velho.

Nada mudou.

Eu sou o mesmo. Talvez um pouco pior, mais pregui�oso...

Reclamo muito...

H� algo novo?

A velha gralha, minha velha m�e...

e seus direitos da mulher, com um olho na tumba

e o outro buscando o segredo da vida...

E o Professor?

O Professor continua igual a antes.

Passa o dia e parte da noite

sentado, escrevendo.

Em que trabalha?

Por que n�o se concentra em algo espl�ndido, como sua autobiografia?

Esse seria um bom livro. Muito acad�mico.

Gota, reumatismo, enxaquecas, o f�gado inflamado de ci�mes e inveja.

Vive na propriedade de sua ex-mulher.

Por sua vontade? N�o, porque � muito caro viver na cidade.

E n�o deixa de se lamentar por suas desgra�as.

Quais? N�o tem.

Filho de um pobre di�cono, d�o a ele uma bolsa no semin�rio...

obt�m um t�tulo, posto de professor, se converte em "Sua Excel�ncia"...

Casa com a filha de um senador...

Mas...

esque�am isso.

Esse homem tem muita sorte pois

disserta e escreve sobre algo que desconhece totalmente.

Vinte e cinco anos opinando sobre arte.

Vinte e cinco anos lendo as obras dos outros,

dissertando sobre o Realismo, o Naturalismo...

bobagens que os s�bios conhecem h� muito e que n�o interessam aos est�pidos.

Ningu�m sabe quem �. A ningu�m importa.

Nem sentem a falta dele em um posto que ocupou durante 25 anos.

25 anos impedindo que outros mais qualificados ocupassem seu lugar.

E olhe para ele. Vai por a� como se dissesse:

"Sim, estou aqui, entre voc�s..."

Acho que o inveja.

Sim, o invejo.

Que Don Juan com as mulheres!

Que sucesso faz com elas!

Sua primeira mulher? Minha irm�, uma beleza transcendental,

pura como o c�u azul. Generosa, nobre...

Ela tinha mais admiradores do que ele alunos.

E ainda assim o amava, n�o sei por que, como s� os anjos o fazem.

Minha m�e, sua sogra, ainda o adora.

Ele inspira nela um profundo respeito.

Sua segunda esposa, essa mulher que vimos, perspicaz...

casou-se com ele quando ele j� estava velho.

E consagrou a ele sua vida, sua beleza, seu fulgor...

para qu�?

Por qu�? Diga-me.

Ela � fiel?

- Desgra�adamente, sim. - Desgra�adamente?

Sim, e direi a voc� por que. Porque uma fidelidade assim � falsa.

Do princ�pio ao fim. Pura ret�rica.

Enganar...

a um velho que a repugna, isso seria imoral.

Mas desperdi�ar voluntariamente a juventude, renunciar � felicidade,

isso � realmente louv�vel.

N�o, Vanya. N�o deveria dizer essas coisas.

Ou seja, algu�m que tra�sse a seu esposo ou esposa

poderia a seguir trair a seu pa�s, ou algo assim.

Por favor, est� acabando comigo.

N�o. Deixe-me falar, Vanya.

Sabe que minha mulher me abandonou nos dia seguinte ao casamento.

Creio que somente n�o gostava mais de mim.

Mas esqueci por acaso de minhas obriga��es?

At� o dia de hoje, a respeitei e honrei

e fui completamente fiel.

Fa�o tudo o que posso. Dou o que possuo.

Para que possa

criar seus filhos. Os que teve com o homem que amava.

Renunciei � felicidade? Sim, mas conservo meu orgulho.

E ela? A� est�, deixou de ser jovem.

Sua beleza murchou. Seu amante morreu.

O que resta a ela agora?

Nanny.

V� ver os frangos,

eu preparo o ch�.

Vim ver seu marido.

Diziam que estava extremamente doente, com reumatismo,

e parece estar bastante saud�vel.

� noite estava doente.

Se queixava das pernas.

� verdade que hoje tem muito bom aspecto.

Sim, parece estar bem. E eu galopei 45 milhas.

Bom, n�o � a primeira vez.

Est� bem, ficarei esta noite se voc� n�o se importar.

Pelo menos vou dormir.

Perfeito.

� incomum que passe a noite aqui!

N�o comeu, n�o?

N�o, agrade�o muito. N�o comi.

Bem, jante e descanse � vontade.

Nos �ltimos dias n�o temos jantado antes das seis.

Ch� frio.

Sim. A temperatura do samovar baixou.

N�o importa, Ivan Ivanych. Tomamos o ch� frio.

N�o � Ivan Ivanych, senhora. � Ilya Ilych.

Ilya Ilych.

Ou se prefere me chamar de Waffles... Alguns fazem isso

por causa das marcas de var�ola.

Waffles.

Conhe�o seu marido. Ele me conhece muito bem.

Somos velhos amigos. Eu vivia aqui, na propriedade.

� prov�vel que tenha me visto jantando aqui, todas as noites.

Ilya � nosso bra�o direito.

Um pouco de ch�, padrinho?

N�o, n�o.

O que h�, vov�?

Esqueci de dizer a Alexandr...

Recebi uma carta de Kharkov. Aleseyevich enviou seu novo panfleto.

E � interessante?

Sim.

Interessante sim...

mas estranho.

Agora refuta o que defendia

h� sete anos. � t�o... t�o...

T�o o qu�?

T�o horr�vel.

N�o tem nada de horr�vel. � normal.

Assim, apenas beba seu ch�, mam�e.

N�o.

Quero falar.

Todos queremos falar. Temos estado falando.

Estamos h� 50 anos falando, lendo e escrevendo panfletos.

E j� � o bastante.

Por que acha desagrad�vel me ouvir falar?

Mudou tanto este ano

que mal reconhe�o voc�. Era um homem de car�ter,

com boas ideias, esclarecido. E agora...

Sim, claro. T�o esclarecido

que � uma pena que n�o esclareci ningu�m.

Um homem esclarecido. Poderia dizer algo pior? Tenho 47 anos.

At� um ano atr�s me sentia como voc�.

Nublava minha mente com este escolasticismo

ao qual temos tanto apego, para n�o enxergar a vida real.

Sabia que fazia o certo.

Que homem de bem!

Perdoem. Se ao menos soubessem...

Como vamos saber se n�o diz?

Passo as noites sentindo uma f�ria insana

por conta da vida que n�o vivi.

Podia ter desfrutado de tudo na vida. De tudo!

E n�o desfrutei de nada!

Agora estou velho demais.

Tio... � t�o deprimente.

Est� culpando suas antigas convic��es.

E o que est� dizendo n�o � culpa de suas convic��es, mas sim sua.

� s� culpa sua!

As convic��es por si s� n�o s�o nada.

Como as cores em uma paleta.

Deve trabalh�-las,

Deve us�-las para obter um trabalho de verdade!

Um trabalho de verdade!

Nem todos s�o chamados, como seu Herr Professor...

para falar, escrever, vomitar obras sem cessar,

como uma m�quina.

O que quer dizer?

Vov�...

Tio Vanya. Por favor!

Sinto muito. Acabei.

Estou em sil�ncio. Desculpem-me.

Que dia mais lindo...

N�o muito quente...

Um clima excelente para... o suic�dio.

Nanny, qual voc� est� chamando?

A pintada. N�o quero que os corvos peguem os pintinhos...

- Doutor, vieram lhe buscar. - Quem?

Da f�brica. Houve... precisam de voc�.

Tenho que ir. Maldi��o! Que pena!

Lamento. Por que n�o volta para o jantar?

Depois da f�brica.

N�o ser� muito tarde? Como poderia...

Como poderia...

Me d� um copo de vodka, por favor?

Um copo de vodka.

Se quiser aparecer algum dia, talvez com Sonya, ficaria lisonjeado.

S� possuo 80 acres. Mas se lhe interessa, ao lado

temos um horto-modelo como jamais viu antes.

A Reserva Estatal. O capataz

costuma estar doente,

assim acabo supervisionando eu mesmo o trabalho.

Sim, dizem que gosta das florestas.

Oh, sim.

H� muito o que se fazer l�.

Sim, muito.

Isso n�o interfere em sua verdadeira voca��o?

S� Deus sabe qual � nossa verdadeira voca��o!

A floresta. Deve ach�-la interessante.

Interessante? Fascinante. Sim.

Sim, fascinante.

N�o parece t�o velho. Digamos... Uns trinta e seis...

Trinta e sete, ou algo assim.

Como pode ser interessante estar sozinho na floresta?

A mim me pareceria mon�tono.

� bastante interessante.

Projeta novas florestas e planeja para conservar as j� existentes.

Deram a ele um diploma e uma medalha.

Se escutarem, entender�o o que ele diz.

Ele diz que as florestas embelezam a terra.

Que infundem o amor pela beleza e estimulam a mente.

Moderam o clima. E em zonas de clima mais moderado

as pessoas lutam menos contra a natureza.

E essas pessoas s�o mais apraz�veis e gentis.

Sua conversa � mais refinada, seus movimentos mais graciosos.

Cultivam as artes e as ci�ncias. H� j�bilo em sua filosofia.

Tratam as mulheres com nobreza.

Bravo! Isso � magn�fico!

Mas n�o soa convincente,

j� que tenho que acender o forno

e construir com essas florestas que exalta.

Acenda com carv�o.

Construa com pedra. Entende?

Sim, �s vezes cortamos �rvores por necessidade.

Mas, por que ser cruel?

Os machados destroem as florestas.

Bilh�es de �rvores sucumbem. Lares de aves e feras devastados.

Reduz o n�vel dos rios, que secam.

Desaparecem paisagens sublimes

porque n�o retiramos o combust�vel do solo.

Por acaso n�o � assim?

Por que destruir o que n�o podemos criar?

Deus nos deu o poder de pensar

para que o utiliz�ssemos. E o temos usado sem proveito algum.

Temos destru�do florestas, secado rios...

Nossa fauna est� em extin��o, nosso clima est� arruinado...

E todos os dias, todos,

nossa vida � cada vez mais terr�vel.

Sim, fa�o voc�s rirem. Parecem as ideias de um exc�ntrico.

Talvez seja ing�nuo de minha parte.

Mas passo perto das florestas que salvei.

Ou�o a floresta suspirar.

Eu plantei aquela floresta. E penso: poder�amos control�-la toda.

Compreendem? At� o clima poder�amos controlar.

Por que n�o?

E se dentro de mil anos as pessoas estiverem felizes

eu terei contribu�do com isso.

Um pouquinho.

Planto uma b�tula. Observo como cria ra�zes,

cresce, balan�a ao vento...

E me sinto t�o orgulhoso...

Bem...

acabou meu tempo. Devo ir.

Obrigado, Waffles.

Sim, talvez seja um exc�ntrico.

Obrigado por sua hospitalidade.

Quando o verei?

N�o sei.

Antes do m�s que vem, espero.

Voc�...

O qu�?

Outra de suas crises?

Perd�o?

Est� imposs�vel.

- Estou? - Sim.

Provoca sua m�e.

E no caf� da manh� discutiu com Alexandr.

Sim...

Perdoe-me. Como � mesquinho...

- Mesquinho? - Sim.

Mas se o odeio?

Por que deve odi�-lo? � como todos os outros.

N�o � pior que voc�.

Vamos, olhe para si mesma.

Olhe para seu rosto, o jeito que se move.

� muito pregui�osa para viver, com essa apatia.

Pregui�osa...

Sim, �.

Sim, sou.

Muito entediada.

Sabe?

Todo mundo repreende meu marido. Todos o repreendem.

Todos se compadecem."Pobre mulher, arcando com esse velho..."

Est�o t�o preocupados comigo. � bastante desagrad�vel.

Por que se ocupar de uma mulher que n�o � a sua?

Por qu�? Porque o doutor tem raz�o.

Cada um de voc�s carrega um dem�nio que nada perdoa.

Nem �s florestas, nem �s mulheres, nem uns aos outros.

Sabe que n�o me preocupa muito essa filosofia.

Tem um rosto interessante.

- Ele? - Nosso m�dico.

Sim.

Um rosto nervoso. Um rosto cansado.

Sonya o acha atraente.

Acho que est� apaixonada por ele. Eu entendo isso.

Sabia que esteve aqui tr�s vezes desde que cheguei?

Nem uma vez falei direito com ele.

O que pensar�?

Deve achar que sou m�.

Sim?

Nunca fui am�vel com ele.

Sabe por que somos t�o amigos?

Porque ambos somos entediados. Uns insossos.

N�o me olhe assim, por favor. N�o me agrada.

Como devo olhar? Amo voc�.

Olho e vejo minha vida, minha juventude...

E vejo minha felicidade.

Sei que as possibilidades de que compartilhe esses sentimentos

s�o nulas.

Mas n�o desejo nada.

S� desejo que me deixe olhar para voc�, ouvir sua voz...

V�o ouvir voc�.

S� quero poder falar com voc�, estar perto de voc�.

Deus, isso � horr�vel!

Bom.

O pr�ximo ato se passa duas semanas depois.

Numa sala de jantar, bem tarde da noite. Sigam-me.

Quem �? Sonya, � voc�?

Sou eu.

Lenotchka, est� doendo. Ajude-me.

Seu cobertor caiu. Vou fechar a janela.

N�o. Est� fazendo um calor agoniante.

Adormeci.

Sonhava que minha perna era de outra pessoa.

A dor me despertou.

N�o acho que seja gota. Acho que � reumatismo.

Que horas s�o?

Doze e vinte.

De manh�...

fa�a-me o favor de ir � biblioteca e procurar o "Batiushkov".

Acho que o temos.

Procure por ele.

De manh�, procure o Batiushkov.

Lembro que o temos. Por que n�o consigo respirar?

Duas noites sem dormir... Est� cansado.

Dizem que, em Turgueniev, a gota se converteu em angina peitoral.

Ser� igual comigo.

Maldita velhice.

Maldita, repugnante e impotente velhice.

Vejo-me cada vez mais repulsivo.

Com certeza para voc� tamb�m seja repulsivo me olhar.

Parece pensar que seja culpa nossa que tenha ficado velho.

E, a voc�, causo mais repugn�ncia que aos outros. Com raz�o, claro.

� jovem, saud�vel e bonita. Deseja viver.

E eu sou um velho com o p� na cova.

- N�o � isso? - Meu Deus!

Claro que � isso.

Que loucura, ainda seguir vivendo.

Por favor...

- Tenha paci�ncia. - Logo morrerei.

- Deixarei voc�s livres. - O que devo fazer?

N�o fale. Sim, por minha culpa est�o a ponto de desabar.

Todos voc�s.

Todos entediados.

Desperdi�ando suas juventudes. Sou o �nico satisfeito.

Est� me destruindo.

Sim. Estou destruindo a todos.

O que quer de mim?

Nada.

Ent�o, se acalme.

�timo. Deixemos claro o seguinte: sou repulsivo.

Sou um d�spota, um ego�sta doentio.

N�o mere�o estar assim?

Toda minha vida dedicada � ci�ncia, respeitado e honrado.

E agora, empurrado

sem motivo aparente, para esta tumba. Entre os descerebrados.

Trovejando em meus ouvidos todo dia.

Quero viver.

Aqui estou no ex�lio.

Quando estou desperto, lamento o passado, invejo o sucesso de outros...

ou posso temer a morte.

Vivo com essas tr�s op��es.

Paci�ncia!

Em cinco ou seis anos eu tamb�m estarei velha.

Papai.

Mandou buscar o Dr. Astrov. E agora n�o quer v�-lo.

O que vou a dizer a ele? Que o chamamos para nada?

Que bem pode me fazer? Sabe de medicina o que sei de apicultura.

O que digo a ele? N�s o chamamos.

� um idiota. N�o falarei com ele.

Como quiser. �timo.

Que horas s�o?

Quase uma.

N�o consigo respirar.

Me d� as gotas que est�o na mesa.

Um momento.

N�o, estas n�o! As que pedi para voc�, pelo amor de Deus!

Algumas pessoas podem apreciar esse mau humor. Eu n�o.

Por favor, poupe-me. Eu n�o gosto disso.

Tenho que descansar. Amanh� � dia de trabalho.

Est� armando uma tempestade l� fora.

Viu os raios?

Yelena e Sonya, para a cama.

Est�o dispensadas.

N�o me deixem a s�s com ele. Sua conversa vai acabar comigo.

Precisam descansar.

Elas precisam descansar. Duas noites sem dormir.

Certo. Voc�s duas, para a cama. E voc� tamb�m, por favor.

Agrade�o. Em nome de nossa amizade...

Deixe-me em paz.

N�o me deixem a s�s com ele. Estou falando s�rio.

Isso est� ficando engra�ado...

Nanny, o que faz acordada? Deveria estar na cama.

O samovar na mesa... � f�cil dizer "v� para a cama".

Est�o todos acordados. Todos esgotados.

Sou o �nico satisfeito. Estou em �xtase.

O que h�, papaizinho? Doem as pernas?

As minhas tamb�m.

Tenho essa dor. Uma dor constante.

A santa m�e de Sonya levava t�o a s�rio quando voc� sofria...

Essa mulher amava tanto voc�!

Os velhos s�o como os jovens. Querem algu�m que tenha pena deles.

Mas ningu�m sente pena dos velhos.

Agora v� para a cama, papaizinho. Levarei um ch� de t�lia.

E aquecerei seus p�s. E rezarei por voc�.

V� em frente...

Essa dor. Para a cama, isso sim.

Fico t�o cansada com ele que mal consigo ficar em p�.

Voc� fica cansada com ele, eu estou farto de mim mesmo.

Duas noites sem dormir. Estou esgotado.

Este lar n�o � feliz.

Sua m�e odeia tudo no mundo, exceto seus panfletos.

E o Professor...

Desconfia de mim.

Ele teme a voc�.

Teme a mim?

Sim.

Sonya est� com raiva do pai.

Comigo est� desconfiada. N�o fala comigo h� duas semanas.

Nem uma palavra.

E voc� odeia meu marido.

Despreza sua m�e e nem sequer disfar�a.

N�o paro o dia todo. Vou chorar. Isto n�o parece um lar feliz.

Deixemos dessa conversa, de acordo?

� um homem educado. Um homem atencioso.

Nosso mundo est� piorando por causa dos roubos ou dos inc�ndios.

Entende?

� o �dio...

Nosso mundo foi destru�do pelo �dio.

Pela mesquinhez...

Voc� deveria ser forte

e n�o censurar aqueles que rodeiam voc�,

mas sim defender o entendimento e a paz.

Faria minha paz com voc�.

J� chega.

V�, por favor.

Chega, por favor.

A chuva est� parando. Tudo se renovar�.

A terra exala.

Mas eu n�o me renovarei

porque houve uma tempestade.

Sinto que toda a minha vida

desperdicei meu passado em bobagens

e que meu presente est� sumido no absurdo.

S� sinto algo por voc�.

Devo renunciar a isso? Meu �nico sentimento

e perece como um raio de sol que brilha em um po�o.

Me fala de amor?

O que quer que eu fa�a?

Desculpe. Boa noite.

Mas acontece que, nesta casa, a vida de outra pessoa est� sendo desperdi�ada

De quem pode ser?

O que est� esperando? Que sua vida acabe?

Que est�pido princ�pio est� barrando seu caminho?

Compreende o que estou tentando dizer a voc�?

Est� b�bado?

Poderia ser, por que n�o?

E o m�dico?

Dormindo em meu quarto.

Poderia ser...

Qualquer coisa...

Por que andou bebendo?

Por qu�?

Assim tenho a ilus�o de que talvez esteja vivo.

N�o me censure.

Jamais bebeu.

Agora bebo.

Jamais falou tanto.

N�o? Talvez...

V� para a cama. Est� me aborrecendo.

Sim? Minha sedutora, querida...

Por favor. Deus! Me d� nojo!

H� dez anos a via na casa de minha irm�.

Ela tinha dezessete anos e eu, trinta e sete.

Poderia ter me declarado e agora seria minha esposa.

E a tempestade haveria despertado a n�s dois.

Os trov�es assustaram voc�? N�o tenha medo. Estou aqui.

Por que estou velho? O que aconteceu comigo?

Essa maldita pseudo-moralidade...

seu est�pido e pregui�oso "intelecto".

Suas ideias sobre "a destrui��o do mundo". Quem pensa que �?

Me enganaram.

Eu adorava esse homem.

Sonya e eu esprememos at� a �ltima gota

dessa propriedade, como escravos.

Economizando com nossa comida. Mandando tudo para ele.

Por que n�o far�amos isso? Era um g�nio.

N�s concedemos a ele.

Agora ele se retira e tudo est� incrivelmente claro.

Qual � o legado desse colosso? Que obra? Qual?

N�o deixa nada!

Nem uma s� p�gina. Uma nulidade. Uma fraude.

Um fracasso total

que enganou ao homem que o amava.

Toque alguma coisa.

Est�o todos dormindo.

Toque.

Est� s�?

Sem mulheres, hein?

"A casa est� voando; o forno est� voando."

"Onde o mestre pode arrumar sua cama?"

A tempestade me acordou.

Que chuva... Ouvi Yelena.

� prov�vel.

� uma mulher espl�ndida.

"Deus nos livre dos m�dicos que discordam".

Falta algum produto aqui?

Todos devem estar fartos de sua gota.

Diga-me... Est� doente ou fingindo?

Est� doente.

E voc�? Qual � a sua queixa? Uma natureza compassiva?

Doente de amor por sua mulher?

- S� somos amigos. - J�?

O que significa isso?

Um homem e uma mulher s� podem ser amigos obedecendo a essa sequ�ncia:

primeiro conhecidos, depois amantes

e depois...

� isso, "amigos".

Uma encantadora e elegante filosofia.

Acha isso mesmo?

Sim, estou me tornando vulgar

e b�bado.

E ent�o me torno sumamente arrogante e descarado.

E nada pode me perturbar.

Empreendo e realizo fa�anhas de um modo impec�vel.

Vejo o futuro e tra�o planos geniais.

E deixo de me considerar um estranho e in�til membro do mundo.

Ao contr�rio, me vejo como uma for�a poderosa e motriz

com meu pr�prio pensamento e filosofia, e todos voc�s

me parecem reles insetos

ou algo sem import�ncia. Vai tocar, por favor?

Para voc�, qualquer coisa.

Toque, toque...

Vamos beber alguma coisa.

E, de manh�, vamos para minha casa. Brindamos por isso?

Isso se costuma dizer. "Brindemos por isso?"

Perdoem-me... Vou me vestir.

Tio Vanya...

Voltou a embebedar-se com o doutor.

Duas vozes livres se encontraram na noite. E fizeram um pacto.

Por que faz isso?

Em sua idade? N�o � nada atraente.

Minha idade n�o tem nada a ver.

Um homem que n�o tem nada...

Que n�o tem uma vida verdadeira, que se alimenta de fantasias...

E isso j� � algo em sua vida.

O feno est� cortado.

Chove todos os dias. Tudo apodrece e voc� vive de fantasias.

Abandona seu trabalho, eu trabalho s� e estou cansada.

Descuida de seu trabalho...

Sabe, agora, quando me olhou...

Era a viva imagem de sua m�e.

Minha querida irm�.

Onde est� agora...

minha querida?

Se soubesse...

O que ela deveria saber?

Nada de bom, nada de bom.

N�o � nada.

Estou indo.

Podemos falar, por favor?

Se beber o ajuda, ent�o beba.

Mas n�o deixe que meu tio volte a beber. � p�ssimo para ele.

Tudo bem. N�o beberemos mais.

Posso contar com voc�?

Combinado e firmado.

Agora vou para casa.

Por que n�o espera que amanhe�a?

Est� chovendo.

A tempestade j� est� acabando. N�o, vou embora.

Uma coisa. N�o me chame mais para ver seu pai, por favor.

Falo que � gota, ele diz que � reumatismo. Pe�o que se deite, ele se levanta.

Me chamam, ele n�o fala comigo.

� dif�cil.

Quer algo para comer?

Sim, vou comer alguma coisa.

Dizem que teve muito sucesso com as mulheres e elas o mimaram.

Hoje n�o comi nada. S� bebi.

Seu pai � dif�cil.

Sabe...

Estamos s�s. Falemos com franqueza.

N�o aguentaria um m�s aqui.

Ficaria sufocado com seu pai e sua gota, seu tio e sua... o que ele tem?

Depress�o?

Sua av�... sua madrasta...

Minha madrasta...

A beleza deveria ser pura. De rosto, de roupa, de mente.

E tenho aqui uma mulher bonita, encantadora...

E s� se dedica a comer, a dormir e a passear

para nos enfeiti�ar com sua beleza.

Sem obriga��es nem responsabilidades.

Outros trabalham para ela.

Como pode ser pura uma vida ociosa?

Sou duro?

Talvez. Sou como Vanya.

Decepcionado com a vida, me transformo em detrator.

Decepcionado com a vida?

Com a vida? N�o. Com nossa vida.

Com nossa vida provinciana. Odeio-a com todas as minhas for�as.

Assim como minha vida. Sim...

Minha pr�pria vida. Me agrada jurar por Deus que n�o h� nada bom nela.

Quando passeia pela floresta,

na escurid�o da floresta, de noite,

e se tiver um raio de luz para guiar voc�,

ent�o n�o sente a noite, nem a escurid�o, nem o cansa�o,

nem os galhos que golpeiam seu rosto.

Mas, como sabe, eu trabalho s�, vivo s�.

N�o tenho ningu�m. E essas coisas que...

me constrangem, ao n�o ter luz que me guie,

nem poder aliviar minha carga...

Portanto, n�o espero nada. E n�o h� nada para mim.

E sabe? N�o gosto das pessoas.

E durante muit�ssimo tempo, n�o amei ningu�m.

N�o amou ningu�m?

Ningu�m.

Sinto algum afeto...

Sinto afeto, por exemplo, por Nanny.

- Ah, sim? - Sim.

Os camponeses est�o bem vivos em sua sujeira. Em que vivemos n�s?

Em nossa "intelligentsia"? Nossos bons e simples amigos...

Preocupa��es e ideias insignificantes...

E quanto mais brilhantes s�o, pior. Dominados pela introspec��o.

O que aconteceu ao mundo? Vomitam, caluniam...

"Esse � um psicopata", "esse � um aficionado aos clich�s..."

E se h� algu�m que n�o podem classificar...

Esse ser� "um completo exc�ntrico".

Gosto da floresta e n�o como carne. "Um exc�ntrico total".

Onde encontraremos

uma rela��o espont�nea com nossos pares e com o mundo?

Onde? Em nenhum lugar da Terra, tenha certeza.

Por favor, n�o beba mais.

Por que n�o?

Porque n�o combina com voc�. Por isso.

Acha isso?

Voc� � refinado. Tem uma voz agrad�vel.

Voc�, mais do que ningu�m, �, como disse antes, bonito.

Por que age de forma t�o vulgar?

Bebe, aposta...

- Sim? - J� chega.

Disse que trabalhamos n�o para criar,

mas sim para destruir as d�divas que vem dos c�us.

Por que faz isso ent�o?

N�o tem que fazer isso.

Por favor, n�o beba. Por favor.

N�o beberei.

N�o beber� mais?

N�o.

Me d� sua palavra de honra.

Dou minha palavra.

Obrigada.

Chega!

Veja, estou s�brio.

E continuarei s�brio. Tal como prometi.

At� o fim de meus dias.

Bem...

Ent�o...

Meu tempo passou. Estou velho, exausto...

Esgotado...

Sou rude,

perdi a capacidade de afeto.

O que me atrai?

O que me atrai? A beleza me atrai.

N�o consigo ficar indiferente.

Yelena, por exemplo. Viraria minha cabe�a num instante.

Mas tamb�m, isso n�o � amor, n�o?

O que �?

N�o � nada.

O que �?

Morreu um paciente com o clorof�rmio.

� hora de esquecer isso.

Uma pergunta...

Se eu tivesse uma amiga

ou uma irm� mais nova, digamos,

e voc� descobrisse que essa garota

amasse voc�. Ent�o...

Como se sentiria?

N�o tenho a menor ideia.

Suponho que n�o sentiria nada.

Nada?

Creio que a faria entender que nunca chegaria a am�-la.

Poderia perguntar isso para mim depois?

Se vou partir, devo faz�-lo j�. Agora � o momento.

Adeus, querida.

Poder�amos continuar falando at� meio-dia. Adeus.

N�o me disse nada e ainda assim estou feliz.

Esconde de mim seu cora��o e sua alma.

E ainda assim, estou feliz.

"Um homem bonito", eu disse. "De voz agrad�vel". Foi muito atrevido?

N�o me importa. Eu adoro a voz dele. Por que n�o?

E contudo...

Falei de minha amiga.

Uma irm� mais nova, disse. E n�o suspeitou de nada.

Senhor, por que me fez t�o sem gra�a?

Outro dia na igreja ouvi uma mulher dizer:

"� t�o am�vel e generosa. Pena que seja t�o sem gra�a."

"Que seja t�o sem gra�a..."

Acabou a tempestade.

H� uma atmosfera de paz.

E o doutor?

Foi embora.

- Sophie... - O qu�?

Por que � t�o seca comigo?

Por que temos que ser inimigas?

N�o sente?

Chega.

Eu...

Eu queria...

E eu tamb�m...

Bem, ent�o fa�amos as pazes.

De cora��o...

Muito bem.

Obrigada.

Papai j� deitou?

N�o, continua sentado.

Passam semanas sem que nos falemos. S� Deus sabe por qu�...

Beba comigo.

Brunderschatt...

do mesmo copo.

Fazia tempo que queria consertar isso. Sentia vergonha.

Por que est� chorando?

N�o � nada.

Est� aborrecida comigo?

Porque acha que me casei com seu pai por interesse.

Se acredita em juramentos, juro a voc�.

Foi por amor.

Era um homem famoso.

Um homem com sabedoria. Isso me cativou.

Mas n�o era real.

N�o era amor verdadeiro.

Mas eu pensei que fosse.

Por um tempo pensei que fosse. N�o � culpa minha.

Mas fica me acusando desde o dia do casamento.

Eu acusava voc�?

Sim. Via em seus olhos.

Deixemos disso.

Mas n�o deve julgar as pessoas assim.

N�o fica bem em voc�.

Devemos confiar.

Como viver sem confiar?

Posso perguntar uma coisa?

Sim?

Mas sinceramente. Como amiga.

Sim.

Voc� � feliz?

N�o.

Eu sabia.

Posso perguntar mais uma coisa?

N�o teria preferido um marido mais jovem?

Que menininha que voc� �.

Sim ou n�o?

Sim.

Sim... teria gostado disso. Est� bem, o que mais?

Gosta do doutor?

Muito.

Pare�o boba?

� s� que apesar de ele n�o estar aqui...

ainda ou�o sua voz.

E se olho l�, junto � janela, eu o vejo.

Deus, deixe-me dizer isso.

N�o deveria falar tanto. Vamos ao meu quarto?

Pare�o tola para voc�?

Sim, pare�o. Fale-me dele.

O que deveria dizer...

Ele n�o � inteligente? N�o �?

Al�m disso, sabe fazer coisas. Cura as pessoas, planta...

� muito mais do que isso.

Ah, �?

Quando planta uma �rvore, v�...

Pretende ver o resultado dentro de mil anos.

Mil anos, sabe! Est� pensando na felicidade dos homens.

Quando se encontra pessoas maravilhosas...

O qu�?

Elas devem ser amadas.

Beba.

Sim.

Ele pode ser vulgar.

Quando se pensa em sua vida...

Trata de gente rude, bruta.

Vive rodeado de pobreza e ignor�ncia. Doen�as...

Um homem com essa vida...

Desejo a voc� essa felicidade...

de cora��o.

Merece ser feliz.

Sou uma criatura entediada.

Sempre fui.

Se pensar bem, sou totalmente desgra�ada.

Por que ri?

Me sinto t�o feliz!

Quer que eu toque alguma coisa?

Sim, por favor.

Sim?

Sim, n�o consigo dormir.

V� perguntar a seu pai.

A m�sica o incomoda quando n�o est� bem. Se ele n�o se importar, eu toco.

Certo.

Faz tanto tempo que n�o toco.

Vou tocar e logo vou chorar. Como uma maldita louca.

Disse que n�o podemos.

Est� bem.

Vamos fazer um intervalo.

Era bom quando voc� fumava tamb�m. Agora s� eu que fumo.

Sinto muito.

Gostaria de ir a Milwaukee. Tem uns restaurantes excelentes.

E encontrou algum lugar para comer em Hartford?

N�o. O "Max's On Main" serviu.

Sabe, na verdade tenho uma guru indiana.

Sim?

Essa guru � uma professora genial.

Ent�o, os dois atos seguintes se passam tr�s meses depois.

Em setembro.

Imagine ent�o que a situa��o anterior se prolonga por outros tr�s meses.

O Herr Professor teve a bondade de dizer

que deseja que nos reunamos � uma na sala de desenho.

Em quinze minutos.

A essa hora tem "algo" que deseja compartilhar com o mundo.

Deve ser algum assunto de neg�cios.

Mas j� n�o tem neg�cios.

Escreve lixo, grunhe, inveja. Essa � sua vida.

Tio!

Certo, certo. Tem raz�o.

Olha como se move.

M�rbida e pregui�osa. Um panorama de inatividade.

Tem que estar sempre igual? N�o tem nada para fazer?

Estou tremendamente entediada.

Sempre h� coisas para fazer. Se quiser.

Diga-me uma.

Ensinar. Tratar dos doentes. Cuidar da propriedade.

Quando papai e voc� n�o estavam, o tio e eu lev�vamos farinha para vender no mercado.

N�o saberia fazer isso.

Al�m do mais, n�o me interessa.

Nos romances ideol�gicos sempre falam em ensinar

ou cuidar de doentes. Mas assim, de cara, n�o posso.

Se fizesse, gostaria.

Sei que se aborrece, e isso � contagioso.

Tamb�m acontece com tio Vanya.

Segue a voc� o dia todo, como uma sombra.

Deixo meu trabalho e venho conversar. Me tornei t�o pregui�osa.

E nosso m�dico j� n�o vem s� uma vez por m�s, mas sim todos os dias.

Se esqueceu dos bosques e da medicina e vive sob seu feiti�o.

Por que definha, meu amor? Meu esplendor?

Acorde! Aproveite a vida!

Voc�, por cujas veias flui sangue de sereia...

Viva ent�o como uma sereia!

Por uma vez em sua vida,

deixe-se levar.

Suba �s alturas

e mergulhe no mar espumante.

O amor, com o esp�rito das �guas, aguarda por voc�

com sua apar�ncia de N�iade perfeita.

E assim, Herr Professor e todos n�s s� podemos

levantar a cabe�a e exclamar: "Quem era essa ninfa?"

Vai se calar?

� muito cruel.

Perdoe-me, minha alegria.

Perdoe-me.

Pe�o desculpas.

Perdoe-me. Paz.

Voc� esgotaria a paci�ncia de um santo!

Como oferta de paz.

Admita.

Como oferta de paz.

Trago um buqu� de rosas...

que tive a prud�ncia de colher esta manh�.

Rosas tristes. Rosas de outono.

Para voc�.

Tristes rosas de outono...

J� � setembro.

Suportaremos o inverno?

E o doutor?

No quarto de tio Vanya. Escrevendo.

Queria falar com voc�.

Sobre o qu�?

Sobre o qu�...

Sou feia.

Seu cabelo � bonito. E seus olhos.

Sempre se diz para as feias que seu cabelo � bonito

e que seus olhos s�o bonitos.

Eu o amo h� seis anos.

Mais do que � minha pr�pria m�e.

Ou�o sua voz, sinto sua m�o na minha,

e olho para a porta a todo momento.

E falo dele para voc�, e ele est� aqui, olhando atrav�s de mim.

Rezo toda noite.

N�o tenho esperan�as. Ontem confessei ao tio Vanya.

Todos os criados sabem que o amo. Todos sabem.

E ele, o que acha?

Nem sabe que existo.

Ele � um homem estranho.

Deixe-me sond�-lo.

Serei discreta.

Uma insinua��o...

Quer continuar vivendo nessa incerteza?

Ele ama voc�, ou n�o ama? Sim ou n�o?

Se a reposta for n�o...

Melhor que n�o volte aqui.

Sim?

Ele disse que iria me mostrar seus mapas.

Diga a ele que quero v�-los.

- Vai me dizer a verdade? - Sim, vou.

Porque...

a verdade, ainda que seja ruim,

sempre � melhor que a incerteza. Eu prometo a voc�.

N�o saber � melhor, porque pelo menos h� esperan�a.

Como?

Nada.

Senhor...

O que � pior do que saber um segredo e n�o poder fazer nada?

Est� claro que ela n�o interessa a ele.

Mas poderia aceit�-la.

Um m�dico do interior com sua idade.

Uma garota am�vel, pura, inteligente...

Seria uma m� esposa?

N�o.

Em absoluto.

Pobrezinha!

Viver em um mundo t�o cinzento, sem ouvir outra coisa sen�o banalidades...

E aparece esse homem.

Um homem atraente, cativante.

Ceder a um homem assim...

Vanya disse: "Tem sangue de sereia. Deixe-se levar."

Bem... Por que n�o?

Por uma vez...

Por uma vez... E ele vem todo dia.

E eu sei porque ele vem todos os dias. Meu Deus...

J� estou manchada.

Deveria ajoelhar-me diante de Sonya e implorar perd�o.

Bom dia.

Bom dia.

Queria ver meus desenhos.

Disse ontem que estava trabalhando em uns mapas.

Aqui est�o.

Est� livre?

Sim.

Onde nasceu?

Em Petersburgo.

Onde estudou?

No Conservat�rio.

Pode ser que isso n�o interesse a voc�.

Por que n�o?

Sei que n�o conhe�o o campo...

sua topografia...

- Verdade? - Mas li muito...

Trabalho no quarto de Vanya

e quando estou exausto, dou uma escapulida

e dedico uma ou duas horas aos mapas.

Vanya e Sonya fazem contas

e eu me sento ao lado deles e me distraio pintando.

Estou � vontade. H� tranquilidade. Estou em paz.

Escuto os grilos. Totalmente em paz...

Uma vez por m�s, talvez.

Est� bem.

Este � nosso distrito, como era h� cinquenta anos.

O verde s�o as florestas. Cobrem a metade.

O verde com riscos vermelhos s�o �reas com alces e cabras-montesas.

Aqui, a flora e a fauna.

No lago h� cisnes, patos, gansos

E como dizem os mais velhos, "uma por��o de p�ssaros".

Est�o os povoados, as aldeias, pequenas fazendas aqui e acol�...

Quart�is, mosteiros, moinhos d'�gua.

Gado. Os cavalos, em azul.

Havia grandes rebanhos e, em m�dia, doze cavalos por casa.

E aqui...

25 anos depois.

Observa-se que s� resta mata em um ter�o da regi�o.

J� n�o h� cabras. Um ou outro alce, mas o azul e o verde est�o sumindo.

Na terceira vers�o, vemos o distrito atualmente.

N�o h� verde.

Muito menos alces, cisnes e gansos.

Desapareceram os antigos assentamentos.

Em resumo, observa-se claramente uma deteriora��o inexor�vel e gradual

que em mais 10 ou 12 anos ser� total. E a terra morrer�.

Pode-se atribuir isso �s influ�ncias culturais,

dizer que o velho deixa espa�o ao novo. Eu estou de acordo.

Se no lugar de bosques dizimados houvesse ind�strias, col�gios,

e a popula��o sa�sse beneficiada.

Mas continuam o p�ntano, os mosquitos, a falta de estradas,

o tifo, a difteria, as eternas m�culas da mis�ria.

Vemos que a luta pela exist�ncia excede a resist�ncia humana.

E por isso degeneramos na mis�ria.

E assim o homem, tr�mulo, faminto, doente,

para sobreviver e salvar a seus filhos reage instintivamente

com medo animal, e destr�i. Sem pensar no amanh�.

Raz�o pela qual quase tudo se destr�i sem que se crie nada de novo.

E vejo que isso n�o interessa a voc�.

Eu n�o entendo muito disso.

Mas, fora isso, n�o provoca nenhum interesse em voc�.

Devo dizer que minha mente est� em outras coisas.

Entendo.

Desculpe.

N�o por isso.

O que me preocupa �...

N�o sei como come�ar.

Por favor.

� uma pergunta.

Uma pergunta?

Sim, inofensiva.

Se eu puder.

Vamos nos sentar?

Isso tem a ver com uma amiga minha.

Uma amiga jovem.

Posso ser franca?

� claro.

Essas coisas de que falaremos nunca foram mencionadas antes?

- Entende? - Sim.

� sobre minha enteada, Sonya.

Sim...

O que sente por ela?

Eu a respeito.

Mas, por ela como mulher?

- O que sinto... - Sim.

Nada.

Mais duas palavras e termino.

Talvez tenha notado a atitude dela em rela��o a voc�?

N�o.

Bem, terminei.

N�o ama Sonya...

e nunca amar�.

Ela est� sofrendo. E pe�o a voc� que, por compaix�o,

n�o volte mais aqui.

Bem, creio que seja tarde...

Realmente n�o tenho tempo de vir aqui.

Que conversa mais s�rdida!

Bem, nunca mais falaremos disso. Agora deve sair.

Percebe isso?

Se tivesse vindo a mim h� um m�s,

teria considerado. E se ela...

est� sofrendo, claro. Se a pobre mo�a est� sofrendo...

Entendo.

Entende o qu�?

Com esta desculpa �bvia, me trouxe aqui para me interrogar

e eu ca� em sua armadilha.

"O que sente como homem?" "Quais s�o seus sentimentos?"

Vou dizer a voc� sem a charada.

Eu confesso.

Sou seu. Eu me rendo...

Est� fora de si?

Sua doce artimanha me for�ou a dizer isso.

Vou dizer algo a voc�.

Sou melhor do que pensa, mais nobre. Eu juro.

Bem, esta ser� a �ltima vez.

Onde nos veremos? R�pido. E um beijo.

Juro por Deus...

Que linda que voc� �. Seu rosto...

Saia.

Onde nos vemos amanh�?

Vamos, est� decidido.

Deixe-me!

�s duas no pomar.

Deixe-me, deixe-me! Meu Deus!

Muito bem... N�o importa.

Hoje, querido amigo,

o dia que antes parecia t�o nublado...

mudou e o sol brilha em uma tarde espl�ndida.

As safras de inverno est�o muito boas.

O �nico mal

� que os dias encurtam...

E o que podemos fazer?

Suplico a voc�, por favor,

que exer�a sua influ�ncia para que meu marido e eu

saiamos daqui imediatamente.

Esta tarde.

- Est� ouvindo? - Sim.

Ouviu o que eu disse?

Sabe, eu vi tudo.

Diga-me se ouviu o que eu disse.

Vamos embora hoje daqui.

Sabe, Excel�ncia, eu mesmo n�o me sinto...

muito bem ultimamente. Ainda que em meu caso seja a cabe�a.

A cabe�a � o que...

Onde est�o os outros? Onde est�o? Odeio esta casa.

� um labirinto. Vinte e seis quartos, todos perdidos...

Diga � mam�e que venha.

Sentem-se, por favor.

O que disse?

Agora n�o.

O que h�?

N�o me acostumo � vida rural.

N�o vir� mais aqui.

Conte-me.

Sonya!

Sonya!

Perfeito, me ignora. Enfermeira, pode vir?

E agora...

Se fizerem a gentileza de girar suas cabe�as como o girassol...

Aqui est� mam�e!

Senhoras e senhores,

reuni voc�s aqui para informar

que o Inspetor Geral decidiu nos visitar.

Brincadeiras � parte, convoquei voc�s em busca de ajuda e conselho,

com a esperan�a de receb�-los.

Sou um homem de letras, e passei anos sem conhecer

as vicissitudes da vida empresarial.

N�o posso prescindir da ajuda e do conselho de especialistas.

Por isso pe�o a voc�s,

Ivan Petrovich, Yelena, Ilya Ilyich, mam�e...

Eu, um anci�o, um homem que sabe, por sua idade

manet omnes una nox [uma noite espera por todos]

que o tempo nos afeta a todos.

Minha vida est� acabada.

Mas minha esposa � jovem

e resulta imposs�vel para n�s continuar vivendo no campo.

N�o fomos feitos para a vida rural.

Nem podemos viver na cidade

com a renda que produz esta propriedade.

Poder�amos vender a floresta.

Uma medida extrema.

Uma vez vendida, n�o produz mais qualquer renda.

Onde poder�amos encontrar uma solu��o que forne�a

rendas permanentes e definitivas?

Creio que encontrei a solu��o. E vou comunic�-la.

Em linhas gerais... a princ�pio nossa propriedade rende

em m�dia, um lucro de, digamos, 2%.

Proponho vend�-la.

Se vendemos a propriedade e aplicarmos em uma conta remunerada,

receber�amos uns 4 ou 5%. Entre 4 e 5.

E creio que ter�amos um excedente

para comprar uma casa de veraneio na Finl�ndia.

Desculpe. Sinto muito.

Pode repetir?

Sim, investir o produto da venda em uma conta remunerada

e com o que sobrar

comprar uma casa de veraneio na Finl�ndia.

Sim.

N�o, n�o a parte da "Finl�ndia". Mencionou "produto da venda".

O produto da venda do qu�?

Da venda da propriedade.

Foi isso que chamou a minha aten��o.

Vai vender a propriedade?

E para onde eu vou?

E Sonya? Pode me explicar?

E minha m�e, se eu puder ser petulante...?

Claro. Tudo a seu devido tempo.

- Tudo de uma vez n�o. - N�o, n�o � poss�vel.

Sabe, falando de ignor�ncia...

sempre achei que a propriedade que vai vender era de Sonya.

Se me der licen�a, como meu falecido pai a comprou

como dote para minha irm�,

ela ent�o passou, em minha ignor�ncia sobre a lei,

de minha irm� para Sonya, a quem pertence.

Claro que sim. Quem est� negando? Pertence a Sonya.

Sem cuja permiss�o n�o a venderia

e para cujo proveito deve ser vendida.

Estou ficando louco? Por que temos que escutar isso?

Por favor, n�o o contradiga.

Acredite em mim...

Ele sabe o que � certo.

Bem, vou beber �gua.

E voc� diga...

o que quiser.

Por que se enfurece?

Eu disse que meu plano era o ideal?

� s� um plano.

E se for inadequado, ser� descartado.

Sua Excel�ncia...

Sim?

Al�m de um grande respeito por seus conhecimentos, sinto

um carinho de fam�lia, o qual me aproxima de voc�.

Meu irm�o, Grigory llyich... sabe que seu cunhado...

tamb�m tinha t�tulo?

Agora n�o, Waffles. Estamos falando de neg�cios.

Certo.

Pergunte a ele.

O qu�?

A propriedade foi comprada do tio dele.

- De verdade? - Sim. Pelo pre�o daquela �poca

Sim.

Ao pre�o de noventa e cinco mil rublos.

Dos quais meu pai pagou setenta.

Deixando uma d�vida n�o saldada. Me acompanham?

Porque esta propriedade n�o podia ser comprada

sem eu renunciar � minha parte da heran�a

em favor de minha amada irm�.

E se n�o tivesse trabalhado como um burro

para saldar a d�vida restante...

Sinto muito por ter trazido isso � tona.

Que est� cancelada gra�as a mim. Gra�as a meus esfor�os.

E voc� chega aqui e prop�e me jogar fora na neve.

Dirigi isso aqui durante vinte e cinco anos.

Durante esses anos trabalhei, enviei o dinheiro para voc�

e durante esse tempo, nenhuma vez

parou para pensar em quem trabalhava para voc�.

Nem uma s� vez.

Vinte e cinco anos, me pagando

a espl�ndida soma de quinhentos rublos por ano.

Quinhentos rublos por ano.

E nem uma vez ocorreu a voc� aument�-la.

N�o sou um homem pr�tico. Podia voc� mesmo t�-la aumentado.

Entendi. Deveria ter roubado.

E me despreza por n�o ser um ladr�o.

Sim, deveria ter roubado e hoje n�o seria t�o pobre.

Jean, por favor...

As palavras... Arru�nam as rela��es.

Temos vivido como ratos, minha m�e e eu.

Sempre pensando em voc�.

Falando de sua obra.

Do orgulho que sent�amos. Refer�amo-nos a voc� com admira��o.

Pass�vamos as noites lendo seus artigos.

Suas publica��es, que agora me enchem de desgosto.

Agora vejo claramente.

Escreve sobre arte. N�o entende nada de arte.

Porque n�o tem alma. � um filisteu. Uma fraude.

Um porco que se alimenta das sobras de seus superiores.

- J� vou. - Nos enganou.

Deixe-o. Est� me ouvindo?

N�o! N�o terminei! Resta algo a dizer!

Arruinou minha vida.

Perdi meus melhores anos. Por voc�. Caloteiro!

Assassino! Arruinou minha vida.

N�o posso... vou embora.

O que pretende

e como fala comigo assim?

Com que direito?

Voc� n�o � nada. Nada!

Quer a propriedade?

� sua.

Fique com ela.

Fique com ela. N�o me faz falta.

N�o suporto mais esse inferno. Vou embora.

Coloquei tudo a perder. Talento, intelig�ncia, valor...

Poderia ter sido um Schopenhauer, o novo Dostoyevsky.

Desenvolver uma nova filosofia.

O que estou dizendo? Estou ficando louco.

Mam�e. Estou sofrendo tanto... Mam�e.

Fa�a o que diz Alexandr.

O que vou fazer? O que vou fazer?

Est� bem, est� bem...

Eu sei, eu sei.

Acha que me esquecer�.

Jean...

Digam-me, o que est� acontecendo? Tirem-lhe da minha frente!

N�o quero dividir o mesmo teto com ele.

N�o posso viver na mesma casa que esse homem.

Levem-no ou terei que ir. E farei isso.

Vamos hoje.

Podemos preparar tudo? Por favor!

Papai.

Somos t�o infelizes, o tio e eu.

E todas as noites que trabalhamos para voc�?

Copi�vamos seus livros.

Traduz�amos os textos para voc�. Trabalh�vamos sem descanso.

N�o gastamos nem um centavo. Envi�vamos tudo.

N�s trabalhamos por nosso p�o. Sei que ele se comportou mal...

Mas me escute, tente nos entender e ser caridoso.

Resolva isso com ele.

Agora. Rogo a voc�.

Rogo a voc�.

- Muito bem. - Obrigada.

Falarei com ele.

- Eu o acusei? - N�o.

Do que o acusei?

De nada.

N�o estou magoado com ele, � a atitude dele.

A atitude dele contra mim.

Tem que reconhecer

que � estranha.

Por voc�, falarei com ele.

Alexandr, seja am�vel com ele. Tenha calma, tente acalm�-lo.

Nanny...

Acalme-se, crian�a...

Os gansos est�o grasnando. Grasnam e depois param.

Grasnam e depois param.

Pobre orf�zinha. Est� tremendo.

Est� com frio?

Um pouco de ch� de t�lia. Umas framboesas e um ch�, vai passar.

Gansos, parem! Parem j�!

Est� bem, est� bem! Largue isso!

Detenham-no! Est� louco!

Me d� isso. Me d� essa pistola, estou dizendo!

Maldita seja!

Tire-me daqui. N�o aguento mais.

O que acho que estou fazendo?

Apresse-se se quiser terminar.

N�o falta muito.

Logo nos chamar�o.

Para se despedir. J� mandaram arriar os cavalos.

N�o falta muito.

V�o para Kharkov. Para viver l�.

Muito melhor assim.

Sim, isso foi um trauma para eles.

Voltaremos a viver. Sei que o faremos.

Como costum�vamos. Como nos velhos tempos...

O ch� �s sete, o almo�o �s doze...

E � noite nos sentaremos para jantar. Como antes.

Como crist�os.

Sabe...

Faz muito tempo que n�o como um simples macarr�o.

Por todos os meus pecados...

Sim, faz muito tempo que n�o nos d�o macarr�o. � verdade.

Faz muito tempo.

Esta manh�, no povoado,

o comerciante gritou:

"Olha l� o aproveitador. Ei, sanguessuga!"

N�o ligue, querido.

Todos somos sanguessugas de Deus.

Al�m do mais, voc� trabalha.

Sonya trabalha, Vanya trabalha... inclusive eu!

Sempre ocupados. Onde est� Sonya?

Foi ao jardim com o doutor, procurar Vanya.

Ah, sim?

Temem que ele fa�a algo contra si mesmo.

Onde est� a pistola dele?

Eu a escondi no s�t�o.

Piedade...

Poderia sair, por favor?

Poderia sair?

De minha parte, com prazer. Dev�amos ter feito isso faz tempo.

Mas antes me devolver� o que pegou de mim.

N�o peguei nada de voc�.

Tudo bem.

Se deseja, sentarei aqui um pouco e depois, se voc� se empenhar...

amarrarei e revistarei voc�. Dou minha palavra.

O pior de tudo, a maior loucura,

� ter atirado duas vezes

e falhado as duas.

Pois atirou contra si mesmo.

Mim mesmo...

Vou dizer algo estranho. Um homem, eu, tenta um assassinato...

O prendem? N�o. Por que n�o?

Est� claro, porque me acham louco.

Mas um homem que encobre sua crueldade,

sua falta de cora��o e sua baixeza,

que se esconde atr�s de um v�u de falsos �xitos,

este mago, este g�nio, este explorador, n�o est� louco.

E a mulher jovem que se casa com este anci�o

e que � vista de todos o trai...

Vi o que voc� fez...

Est� certo.

Eu fiz...

E voc� pode ir para o inferno.

E voc�. N�o est� louco.

O mundo � que est�, por aguentar voc�.

Muito po�tico.

Entenda, sou um demente, desse modo n�o sou respons�vel.

Posso dizer o que quiser.

N�o est� louco.

� um idiota.

Pensava que os idiotas, os transtornados,

eram doentes. Mas s�o normais.

Voc� est� bem.

O que posso fazer?

Nada.

Tenho 47 anos. Se viver at� os sessenta

terei que viver mais treze anos.

Como poderia suportar?

N�o tenho nada para fazer nesses anos. N�o v�? Nada.

Ou seja, se pudesse come�ar de novo...

se pudesse viver o resto de minha vida de outro modo,

como fazem os demais, acordar cada dia

e dizer "este � um novo dia". Se pudesse desfazer-me do passado...

Como se pode fazer isso? Como come�ar de novo?

Vai se calar?

Come�ar de novo?

N�o podemos come�ar de novo. Nem voc�, nem eu.

Vivemos nossa vida.

Sim?

Sim.

Os que vierem daqui a 100 ou 200 anos, o que sentir�o?

Nos desprezar�o por nossas vidas est�pidas. Talvez saibam ser felizes.

Mas a voc� e a mim s� resta uma esperan�a.

Que quando estivermos mortos, na tumba

tenhamos vis�es e que sejam de paz.

Sim, meu amigo.

Diz�amos que nesse distrito s� h� dois homens

decentes e cultos.

Fal�vamos de n�s.

Mas estamos acabados.

A vida nos absorveu, esta vida imunda e filisteia...

Nos corrompeu.

Que assombrosa surpresa! Nos tornamos como os outros!

Mudando de assunto, me d� o que pegou de mim.

O qu�?

Pegou um frasco de morfina.

Se vai se suicidar, fa�a com sua pistola.

Mas me d� a droga ou dir�o que dei a voc�.

� o bastante declarar voc� morto e o abrir de cima a baixo.

Sofie...

Seu tio pegou de mim um frasco de morfina.

Tem certeza?

Tenho certeza. Pode dizer a ele que me devolva?

Tio, devolva.

Devolva.

Sou mais feliz que voc�?

Me desespero?

Suportarei esta vida at� que chegue seu fim natural.

Fa�a voc� o mesmo.

Devolva.

D� para mim.

Seja gentil.

Fa�a isso. Tenha piedade de mim.

Devolva o frasco.

Obrigado.

Obrigado.

Est� bem. Tenho que trabalhar um pouco. Preciso fazer alguma coisa.

Quando se forem podemos...

Sim.

Fazer as contas.

Vanya, est� a�?

V� ver Alexandr.

Deseja dizer algo a voc�.

V�, tio. Sabe que tem que resolver isso.

Venha, vou com voc�.

- J� vou. Adeus. - J� vai...

- Os cavalos est�o prontos. - Adeus.

Hoje prometeu que iria embora.

Sim, me lembro. E o farei. Agora.

- Est� assustada. - Sim.

Ent�o, fique.

Fique. E amanh� no pomar...

N�o, vamos partir. Por isso posso olhar para voc�.

Uma coisa. Gostaria que pensasse bem de mim.

Se puder.

Gostaria que me respeitasse.

Fique.

Admita. Fora daqui, n�o tem para onde ir.

Ter� que admitir.

Em Kharkov, em Kursk... Por que n�o aqui?

Esque�a de tudo e comece de novo.

Agora mesmo. Neste maravilhoso outono.

Temos pomares. E casas de campo, como as que descreve Turgueniev.

Voc� � engra�ado.

E tenho raiva de voc�.

Sinto muito.

Mas pensarei em voc� com prazer.

Por qu�?

Voc� � original.

Devo dizer que estava...

fascinada por voc�.

Estava tentada por voc�.

Enfim...

Bom.

Me d� a m�o.

N�o pense mal de mim.

Adeus.

Vou dizer algo a voc�. � estranho.

Estou seguro de que � uma boa pessoa.

Ainda assim, h� algo em sua maneira de ser...

Vem aqui seu marido e voc�, as pessoas deixam suas tarefas,

descuidam de seu trabalho, passam meses atendendo voc�s,

falando de voc�s, correndo atr�s da gota de seu marido,

de seus caprichos. E tudo se emaranha em sua indol�ncia.

Estou h� um m�s sem fazer nada.

O que me importava foi jogado ao lixo.

Seu marido e voc� semeiam a deteriora��o em toda parte.

Eu mesmo exagerei. Mas se tivesse ficado

sei que algo...

algo terr�vel... para mim...

e para voc�, haveria ocorrido.

E voc� sabe.

Assim, acabou a com�dia. V� embora. E adeus.

Levo isso de lembran�a.

O que acha? Chega, nos conhecemos, de repente voc� vai embora...

E assim � o mundo.

Fa�a algo...

antes que Vanya volte.

Um beijo.

Me d� um beijo. De despedida.

Sim.

Est� bem, est� feito.

Est� feito, acabou.

- Desejo o melhor a voc�. - E eu, a voc�.

O que seja, o que seja.

Por uma vez em minha vida...

Devo ir.

- V� r�pido. - Eles j� v�m, acho...

O passado, passado est�.

Vivi tanto nas �ltimas quatro horas. Pensei tanto...

Poderia escrever um tratado sobre como viver.

Aceito com prazer suas desculpas, aceite voc� as minhas.

Receber� o mesmo que recebia antes.

Enviado sem demora, regularmente. Tudo continuar� igual.

Mam�e...

Alexandr, pose para outra foto e me envie.

Significa tanto para mim...

Farei isso.

Adeus, Excel�ncia.

N�o nos esque�a.

Adeus. Adeus a todos.

E obrigado. Pelo prazer de sua companhia.

Sinto o maior respeito por suas ideias,

seus impulsos e seu entusiasmo. Mas rogo a voc�,

deixe que um anci�o adorne sua despedida com uma observa��o.

N�o basta pensar. Tem que trabalhar. Compreende?

� maravilhoso realizar um trabalho verdadeiro em um mundo de trabalho.

Desejo o melhor a voc�s. Meus cumprimentos. Adeus.

Waffles.

Diga para trazerem meus cavalos tamb�m.

Farei isso.

Perdoe-me.

N�o nos veremos mais.

Adeus, meu querido.

Adeus.

N�o vai sair para se despedir deles?

Deixe que se v�o.

� muito dif�cil. Vou me por...

a fazer alguma coisa.

Foram embora.

O professor partiu horrorizado. Nem mesmo Deus o trar� de volta.

Foram embora.

Foram embora.

Que Deus lhes d� o melhor.

O que vamos fazer?

Trabalhar.

Sim.

Certamente.

Faz muito tempo que n�o ficamos juntos aqui.

Secou a tinta.

Foram embora e estou triste.

Foram embora.

Come�aremos com as contas. Est�o muito desordenadas.

Hoje escreveram pedindo pela terceira vez um balan�o.

Ent�o, fique com essa. Eu farei a seguinte, etc.

Esta � "por conta de...".

As aves chilreiam na escurid�o.

Cantam os grilos.

Calidez.

Intimidade.

De certo modo, n�o me apetece partir.

Meus cavalos. S� resta dizer adeus. Vou partir.

- Fique mais um pouco. - N�o posso.

Os cavalos est�o prontos.

Sim, obrigado, Waffles. Pode por isso em minha carruagem?

Tenha muito cuidado, por favor. E o portf�lio.

Bom...

Quando veremos voc� de novo?

N�o antes do ver�o. No inverno, n�o.

Mas se precisarem de mim...

Obrigado por sua hospitalidade, por sua amabilidade.

Por tudo.

Minha velhinha...

Adeus.

N�o tomou ch�?

N�o quero.

Um pouco de vodka?

Uma pequena assim.

Um cavalo est� bambo.

Percebi quando vinha ontem.

Ter� que ferr�-lo de novo.

Pararei no ferreiro.

- Eu o faria. - N�o ser� preciso.

Na �frica o calor deve ser intenso.

Acho que sim.

Aqui est�.

- � sua sa�de. - Obrigado.

Coma um pouco de p�o.

N�o, obrigado.

Adeus. Desejo o melhor a voc�.

Adeus.

15 de fevereiro. 16 libras de �leo vegetal...

20 de fevereiro. 5 libras... trigo sarraceno.

Foi embora.

Foi embora.

Um subtotal de... quinze.

Vinte... Vinte e cinco.

Piedade.

Como � duro isso para mim.

N�o sabe como isso � duro para mim.

O que podemos fazer, tio?

S� podemos viver.

Viveremos um sem fim de dias.

E de intermin�veis tardes.

E resistiremos...

�s provas que nos imp�e o destino. Trabalharemos duro para os outros.

Agora, e o resto de nossos dias.

E quando tivermos que morrer...

Morreremos docilmente.

Mas al�m da tumba diremos que sofremos...

que choramos...

e conhecemos a amargura.

E Deus ter� piedade de n�s.

De voc� e de mim.

Ter� piedade de n�s e desfrutaremos...

de uma vida radiante, alegre e bela.

E recordaremos esta vida de desgra�as com ternura.

E sorriremos.

E nessa nova vida, descansaremos.

Tenho f�.

Descansaremos com o canto dos anjos,

em um firmamento coberto de j�ias. E olharemos para baixo...

e veremos o mal, todo o mal do mundo.

E nossas penas, aliviadas por pura compaix�o.

E nossas vidas ser�o doces como uma car�cia.

Sei que n�o houve alegria em sua vida.

Mas espere.

Simplesmente espere.

Descansaremos.

Descansaremos.

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