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Original subtitles

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H� tantas pessoas nas artes marciais

e no mundo do cinema que n�o estudaram nada

de artes marciais, e que s� enganam as pessoas

e falam sobre com quem estudaram

e as coisas todas que fizeram

quando, na realidade, n�o fizeram nada.

O Demura Sensei � o �nico genu�no.

Senhoras e senhores, o Sr. Fumio Demura

Nas artes marciais, h� senseis de karat�,

e depois h� o Fumio Demura.

Ele est� a l�guas de todos n�s.

- E foi uma das pessoas fulcrais

que trouxe o karat� para os Estados Unidos

e a espalhar o karat� por todo o mundo a partir dos Estados Unidos.

- Nunca vi t�o bela precis�o.

Para mim, foi a coisa mais bonita que eu vi naquela noite.

O Bruce n�o usava muito as armas, ele usava adere�os.

Mas ele considerava o nunchaku muito, muito din�mico,

E, claro, o Sensei Demura foi o percursor, o fundador,

se quiser, dos m�todos do nunchaku.

E tinha um livro sobre esses m�todos .

Ent�o, o Bruce estudou o livro e falou com o Sensei.

e foi assim que ele aprendeu a usar o nunchaku

� um verdadeiro artista de artes marciais, e ponto.

E ainda existem muito desses tipos por a�.

A raz�o do meu sucesso como lutador de karat�

devo-a ao Sr. Demura, e gosto muito de si.

- Ele foi a pessoa respons�vel

por ter dado vida ao Mr. Miyagi

em termos da sua per�cia em artes marciais.

E o Demura Sensei n�o est� cheio de enigmas,

e banalidades, como as frases manipuladoras de Hollywood.

� um homem muito humilde, calmo, um homem genu�no,

que realmente fez qualquer coisa, percebe?

A sua subida foi dif�cil no Jap�o,

veio para a Am�rica e abriu os seus dojos

e criou uma comunidade de artes marciais excelente.

O Fumio Demura foi nomeado para

PR�MIO SENSEI KARAT� FUMIO DEMURA

ao Black Belt Hall of Fame, duas vezes.

J� � obra ser nomeado uma vez,

mas ele conseguiu ser duas vezes.

OK!

SHITO-KYU KARAT�

SANTA ANA, CALIF�RNIA

Sabe, isto aconteceu h� quase 47 anos.

E ... o Chuck Norris veio c�

e o Jun Lee,

e o Bob Wall , e at� apareceu o Bruce Lee.

Vieram c� muitas pessoas.

S�o mem�rias.

Este s�tio era uma casa normal,

e custava muito dinheiro para usar empreiteiros,

por isso, tudo que est� aqui fomos n�s que fizemos.

Cada aluno, cada pessoa que passou por aqui, parou,

espetou um prego, entregou uma alma.

Esta casa � velha, mas as pessoas

deixaram aqui muito suor.

17 DE MAR�O DE 2011

H� UM ANO A FILMAR ESTE DOCUMENT�RIO, RECEBEMOS UMA CHAMADA DUM ALUNO DE DEMURA

SENSEI DEMURA EST� EM COMA

E TEM APENAS 5% DE HIP�TESES DE VIVER

- Uau, Ui!.

PATE E. JOHNSON Core�grafo de duplos

Se acontecesse alguma coisa ao Sensei Demura,

seria horr�vel, que pensamento horr�vel.

Seria como ver um filho morrer antes de mim,

Sabe, � uma coisa muito dif�cil de dizer.

- Se acontecer alguma coisa ao Sensei,

DAVE SHAH Aluno de Demura

N�o haver� outro Demura Sensei.

S� h� um Demura Sensei.

ISAAC FLORENTINE Realizador

- Um grande vazio.

Sim, um grande vazio.

Porque acho que ningu�m no mundo do karat�

ningu�m o pode substituir,

o pode substituir.

- Os dados em percentagens n�o s�o bons,

DR. LARS ANKER NEUROCIRURGI�O

porque cada caso � diferente,

mas tive que preparar

a fam�lia e os seus amigos um pouco.

Levou algum tempo a explicar para que ficasse claro

que isto � uma situa��o de risco de vida

e que pode n�o haver um final feliz.

UM ANO ANTES DESTE INCIDENTE

FEVEREIRO DE 2010

Sauda��o para a parede da frente!

One, two three...

- Agora, esta parte vem daqui,

bam, isto � onde acaba.

Carregue para baixo.

Agora, vem para aqui

agora para aqui, por baixo, tr�-lo para cima.

Em 1961, ganhei todos os campeonatos do Fim de Ano.

E depois, em 1962-63 joguei tr�s anos seguidos

Eu (competi) tr�s anos seguidos

S� podem competir duas pessoas de cada prov�ncia.

Aqui est� o primeiro combate dos quartos de final.

Chuzo Kodaka � vossa esquerda,

e � vossa direita est� Fumio Demura.

DEMURA

Golpe de n�vel m�dio. Olhar em frente!

Em 1964 tivemos os Jogos Ol�mpicos de T�quio.

Nessa altura, a minha Federa��o disse,

"Voc�s saem da equipa."

"Tragam-me pessoas novas para competir."

Ainda era muito novo, por isso decidi sair

e fazer outra coisa, para provar a mim mesmo.

Andava � procura de um s�tio para onde ir.

Depois conheci um homem famoso,

um americano chamado Don Drago.

Pedi-lhe para arranjar forma de ir para o Canad� ou a Am�rica.

E ele disse, "Eu conhe�o o homem".

E foi assim que me apresentou o Dan Ivan.

- Ele era da C.I.A., um militar,

e andava � procurar de instrutores.

Andavam a visitar tipos de dojos diferentes.

Ent�o, eu estava a fazer demonstra��es,

e quando a demonstra��o acabou,

o Dan Drago e ele vieram ter comigo...

e ele queria aprender.

Ent�o, comecei-lhe a ensinar isto.

E alguns meses depois, ele disse,

"Est�s interessado em ir para a Am�rica?"

E eu disse, "Claro que estou."

Lembro-me de como ele estava apavorado quando veio

para c�, sem dizer uma palavra de ingl�s

GREG COLLIER ALUNO DE DEMURA

e s� com 300 d�lares na mala,

s� tinha isso quando veio para c�.

Ele veio para os EU sozinho,

SHIGERU SAWABE MESTRE

a pagar as despesas pessoais.

- N�o � como hoje,

s� da porta ao avi�o.

Tinha que sair, dar uma volta,

come�ar a subir.

Ele n�o sabe como se d� esse passo,

cada passo para subir, o que eu senti.

A �ltima coisa que ele se lembra de ver

foi a m�e dele a dizer-lhe adeus,

e essa era a imagem que ele tinha na mente,

da sua m�e a acenar,

e a pensar, "Isto � uma grande asneira."

KINUE DEMURA IRM� DE DEMURA

Est�vamos todos a chorar

porque nunca t�nhamos estado separados.

Tanto medo, em cada passo.

Porque ia para outro pa�s.

N�o tinha dinheiro,

n�o falava o idioma.

Quando cheguei aqui, no primeiro dia,

o que senti foi, "Quero ir para casa."

Chorei durante dois dias.

- Quando chegou c� n�o falava ingl�s

CHRISTIE E DAVID HINES ALUNOS DE DEMURA

e era muito intimidante porque a sua forma

de captar a aten��o era a bater um shinai no ch�o

sabe, a fazer barulho.

E contava em Japon�s, e era mesmo,

sabe, com aquela voz grossa.

Tem sido assim desde que ele chegou, e era,

era muito assustador.

Eu pensava que ele estava s� a gritar muito,

mas era s� mesmo porque n�o falava ingl�s.

Algu�m pensou que seria uma boa ideia

lev�-lo a Knott's Berry Farm.

Antigamente era muito diferente.

N�o era politicamente correto, ou nada disso assim.

Na viagem de comboio, havia uns ladr�es que entravam

e faziam um pequeno quadro,

entravam com espingardas barulhentas.

Ou seja, faziam muito barulho,

a disparar as espingardas, com fumo.

E ele entra no comboio, e estamos a andar,

e, de repente, estes tipos entram

e come�am a disparar as espingardas e tudo

e a fazer o que lhes pagaram para fazer.

E, de repente estavam a voar no ar,

e o Sensei est� a tirar-lhe as espingardas.

E est�o a tentar tirar o Sensei dali

"N�o, isto faz parte do espect�culo," e coisas assim.

- Quando chegamos aos Estados Unidos

ele n�o sabia o que era uma sanita.

As sanitas s�o diferentes na Am�rica e no Jap�o,

eles s� se agachavam sob um buraco, ou qualquer coisa assim.

Mas ele usava a casa de banho

mas ningu�m lhe tinha ensinado a usar a sanita.

Ent�o, ele pensava que era para usar a sanita ao contr�rio

ele pensava que o tanque de �gua era,

"Olha que mesa t�o fixe."

Ent�o, sentava-se ao contr�rio e escrevia cartas � m�e,

e lia revistas, e coisas assim.

Ele nem percebia

que era para se sentar na outra direc��o.

O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS Apresenta

O NOSSO INIMIGO... O JAPON�S Filme produzido para forma��o da Armada

V�o ver o segundo de tr�s filmes

que foram feitos para nos ajudar

a avaliar o nosso inimigo, o Jap�o.

MICHAEL MATSUDA MUSEU DA HIST�RIA DAS ARTES MARCIAIS

Havia muito racismo, e preconceitos,

antigamente, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial

quando o Jap�o entrou na guerra contra a Am�rica.

Muitos instrutores enfrentaram racismo.

MUSEU DA HIST�RIA DAS ARTES MARCIAIS

mesmo neste museu, quando compr�mos este edif�cio,

na escritura dizia, "N�o pode ser vendidos a japoneses."

Por isso, todos enfrent�mos o racismo muitas vezes.

Claro, o Fumio Demura tamb�m enfrentou racismo

quando veio para a Am�rica.

Foi uma grande luta quando as pessoas, sabe,

os campos de concentra��o tinham acabado h� pouco,

a guerra tinha terminado recentemente, por isso havia

muitos preconceitos contra o povo Japon�s.

Por isso, ele teve que encarar isso, e, n�o obstante,

ele ainda fez hist�ria, mudou a Am�rica.

YOKOHOMA, JAP�O

Em 1945

quase no fim da guerra.

Um B29 entrou neste templo.

Mas estava escuro e ningu�m sabe o que �.

Mas no pr�prio templo

est� tudo igual.

N�o mudou nada.

A minha casa fica atr�s daquele edif�cio ali.

N�o fica muito longe daqui.

Mas �s vezes ia por um atalho.

Tinha que ir pelos..., ir pelos arbustos

por a� abaixo, at� ao templo

e depois passar por tr�s da esta��o.

Durante a guerra o meu pai comprou casa nesta �rea,

porque fica na topo da montanha e � muito sossegado.

A minha casa antiga j� tinha sido destru�da,

bombas por todo o lado, o meu pai salvou-me a vida.

A m�e vinha aos Estados Unidos para o visitar

e ele queria ter algo simp�tico para lhe mostrar,

Sabe, um s�tio agrad�vel para ela ficar,

um apartamento, ou algo parecido,

THANH NGUYEN ALUNO DE DEMURA

E o Sensei tentava arranjar um s�tio,

e arrendar um s�tio, e tinha o dinheiro.

E as pessoas recusavam arrendar-lhe casa

porque, sabe, ele era Japon�s

e elas diziam, "Voc� n�o tem dinheiro."

E o Sensei dizia que lhes mostrava o dinheiro,

e eles recusavam � mesma.

Um dia assinava o contrato, e no dia seguinte

vinham dizer, "Preciso do dinheiro de volta."

E eu dizia, "Porqu�?"

"Pois, o meu pai disse, n�o conseguimos fugir dos japoneses."

E eu disse, "Ent�o, tome-l�."

BILL BLANKS ATOR ARTES MARCIAIS

- Quando eu o vi, n�o vi um Japon�s.

Vi o seu esp�rito, vi o seu budo,

o esp�rito de um homem, como ele mexia o corpo.

E isso intrigava-me.

E o meu objectivo era as pessoas n�o verem

a minha cor, mas o meu esp�rito.

E quando as pessoas v�m isso, n�o v�m cor,

e eu penso que foi isso que ele fez.

TAMLYN TOMITA ATRIZ

Para espalhar esta arte, karat�, pelos Estados Unidos,

e pelo mundo, atrav�s das sombras e da escurid�o,

como o racismo e a xenofobia,

e at� o �dio puro,

o que mostra o tipo de car�cter

e o tipo de esp�rito que ele tem, porque � uma luz.

Ele sabe que esta arte que � o karat�

� maior do que ele.

PARQUE JAPON�S DE VEADOS

O Japanese Deer Park foi um passo ousado.

Sabe, pouco depois do fim da guerra,

de repente apareceu um parque cultural Japon�s de veados

a falar sobre a cultura japonesa,

era como se fossem a uma vers�o em miniatura, suponho,

do que os Ocidentais pensavam que era o Jap�o.

Tinham espect�culos, dan�a japonesa,

uma piscina onde as mergulhadoras

WILLIAM CHRISTOPHER FORD ATOR DE ARTES MARCIAIS

mergulhavam e apanhavam ostras.

- Tinham um pequeno parque com veados.

Fomos l�, e eu vi as dan�arinas japonesas.

"Olha, podemos fazer aqui qualquer coisa."

Eu n�o lhe pedi dinheiro.

S� para fazer uma demonstra��o gr�tis de karat�.

No ver�o, durante tr�s meses,

fizemos demonstra��es todos os dias.

No fim do ver�o conseguimos um contrato de um ano.

KEVIN SUZUKI ALUNO DE DEMURA

As demonstra��es japonesas eram sempre banais,

pelo menos para o espectador americano,

"�, � s� mais uma demonstra��o japonesa,"

s�o todas de um certo molde.

� tudo mais mec�nico, � tudo

bum, bum, bum, stop.

E eles n�o se mexem.

Eu fazia isso no in�cio.

O problema � que os americanos n�o percebem

porque � que paramos a�.

- At� ent�o, sabe, quase ningu�m

fazia a coreografia tradicional.

EMIL FARKAS HISTORIADOR DE ARTES MARCIAIS

Sabe, eu trabalhei no cinema,

por isso, quando fazemos isso, n�o � muito tradicional.

Sabe, � pontap�s circulares e saltos etc.

A maioria desta demonstra��o tinha

artes marciais tradicionais, mas constru�da

de uma forma coreografada.

Se for ver um filme sem som,

sem reac��es,

ser� que paga par o ir ver?

A reposta � "N�o."

- Ele percebeu que, para

tornar o karat� popular, tem que trazer

humor, e colocar humor na demonstra��o.

Gerida para encontrar aquela linha muito t�nue

entre karat� muito bom e humor,

que era maravilhoso.

Foi a primeira pessoa que vi em competi��o.

no mundo do karat�, que pegou na m�sica

e que fez tudo ao ritmo da m�sica.

Parecia que ele sabia contar a m�sica.

- Ent�o come�amos a fazer mais,

foi um grande �xito.

Mas sem nos magoarmos,

era o que quer�amos fazer, e come��mos a faz�-lo.

Foi um grande sucesso.

- A execu��o dos movimentos,

GERALD OKAMURA ATOR DE ARTES MARCIAIS

os gestos, � tudo com muita precis�o.

Os p�s dele podem vir do ch�o at� � tua garganta.

ao teu nariz, quase que pode tirar macacos,

o homem � bom.

Foi uma das primeiras pessoas a usar armas.

incrivelmente bem, porque, nessa altura,

em 1967-68, acho que nunca tinham visto nunchakus

ou espadas, ou esse tipo de armas,

ou paus ou arcos.

BRIAN MCMILLAN DOMADOR

Claro, a especialidade do Demura era os nunchakus.

Eu lembro-me disso.

E foi essa a primeira vez na vida que vi nunchakus,

sabe, que eu vi fazer isso.

E a velocidade e a agilidade

e a dedica��o deste homem era t�o �bvia.

Mas o que fazia as suas demonstra��es t�o espectaculares,

� que ele compreendia muito bem os �ngulos das c�maras.

Todas as t�cnicas t�m aspectos fortes e fracos,

mas ele consegue ver o ponto de vista dos espectadores,

e o que fica melhor.

Mas � uma linha muito t�nue que diz,

"Est�s-te a exibir para o p�blico, ou �s mesmo assim t�o bom?"

E eu digo, sim, ele � mesmo assim t�o bom.

STEVEN SEAGAL ATOR DE ARTES MARCIAIS

Eu era f� dele, e pensava que ele era bom professor.

E senti-me muito honrado e feliz

de estar a demonstrar karat� com ele.

Era um s�tio chamado Japanese Deer Park.

Todos os dias tinham uma grande demonstra��o de karat�.

Um dia de apresenta��es familiares.

Cintur�es pretos que vinham fazer lutas e

katas e partir pranchas e coisas diferentes desse tipo,

por isso, divertimo-nos muito juntos.

Isto � um tambor que eles usavam para atrair pessoas

para verem o espect�culo no Japanese Deer Village, e

ALDEIA JAPONESA

Pelo que ou�o, o Steven Seagal andava com o tambor

a bater para atrair o p�blico

para virem ver o espect�culo

quando ajudava o Sensei com demonstra��es

no Japanese Deer Village.

O ponto alto � sempre quando ele diz,

"Uma coisa que o boxe n�o tem

que o karat� tem, s�o os p�s."

E atira com o p� para a frente, e contra o seu oponente,

ele aterra mesmo no queixo do oponente e congela-o.

E � quando todos dizem "�", e, por isso,

isso � o momento definitivo da demonstra��o de karat�

que define o Sensei, a meu ver.

- Ao mesmo tempo tive alguns problemas

tive muitas queixas do Jap�o,

incluindo do meu Sensei.

Ele disse, "Est�s a errar.

Se n�o te endireitares, pomos-te na rua."

Os tradicionalistas japoneses nunca gostaram do que

o Fumio Demura estava a fazer no Deer Park.

Estava a torn�-lo mais criativo, com mais estilo,

e o que o p�blico americano queria.

DON WARRENER ARTISTA DE ARTES MARCIAIS/PRODUTOR

Ouvi essa hist�ria, e digo que est�o enganados.

O Sensei Demura promoveu as artes marciais desde o primeiro dia

em que chegou � Am�rica, de uma forma positiva que

influenciou milhares e milhares de indiv�duos.

- As pessoas no Jap�o diziam,

"O Sensei est� a arruinar o vosso nome,"

ou, "est� a denegrir a vossa imagem" ao Sensei Sakagami

porque anda a fazer estas coisas,

e agora est�o a dar espect�culos.

Em 1969 ou 70 convidei a minha m�e para vir a este pa�s.

Ent�o, disse � minha m�e que podia ser o �ltimo espect�culo,

por isso, era melhor ir ver porque posso n�o fazer mais.

Ela disse, "Ent�o porque n�o?"

Eu respondi, "H� muitas queixas do Jap�o."

"Eles viram?"

"N�o."

"Ent�o isso significa que s� ouviram,

� inveja."

"Se est�s a fazer algo errado, � melhor desistires j�."

"Mas se n�o est�s a fazer nada errado,

mostra o teu valor."

O meu Sensei veio ao Canad� e contactou-me,

e eu fui l�.

Ele nunca a tinha visto.

Ent�o, depois da sua demonstra��o, fiz parte da minha.

E ele disse, "Onde � que aprendeste isto?"

Eu disse, "Voc� n�o me disse para parar,

eu estou a fazer isto na Calif�rnia."

Depois disto, ele n�o me disse mais nada

YUKIO DEMURA IRM�O DE DEMURA

O Sensei Sakagami na escola de karat�

sempre teve muita considera��o pela capacidade do Fumio.

E a marca do nome do Fumio estava colocada junto � do Sensei

em vez da do filho dele. Foi um grande encorajamento,

n�o s� para os meus irm�os mas tamb�m para mim,

tornar Fumio um irm�o de confian�a.

EM 1975 A ALDEIA DO PARQUE JAPON�S DE VEADOS FALIU

Dois dias depois, o Las Vegas Hilton

ligou-me para fazer uma audi��o.

Ent�o, dois dias depois, lev�mos a equipa para Las Vegas.

E fizemos o nosso primeiro espect�culo.

Fomos contratados.

- Era um espect�culo de samurai, e pensei,

o Sensei era o samurai, e havia uma rapariga

que era a donzela em apuros,

e depois, dois samurais b�bedos e descontrolados,

que traziam a parte do humor ao espect�culo.

Dois ou tr�s tipos metiam-se com duas raparigas

GARY PITS APRESENTADOR DA HBTV

e chateavam-nas e empurravam-nas,

e, claro, o Sensei Demura espancava-os.

Estive l� dois anos num espect�culo profissional

Ningu�m tinha feito isso, mesmo hoje.

N�o h� japoneses, karat� ou artistas de artes marciais

num espect�culo em Las Vegas.

Tivemos um tempo muito duro em Las Vegas.

Esse espect�culo de Karat� era �ptimo, todavia.

KEN KAZAMA ATOR

O espect�culo era duro.

A estrada certa do Arizona para Vegas...

Demorava oito ou seis horas?

Cinco horas e meia. Era...

Era incr�vel.

Percebi como a Am�rica � grande.

Era como "Como pudemos lutar contra este pa�s durante a guerra?"

Com licen�a!

Isto foi como voltar � escola no dia.

N�o acho que ainda seja assim.

Vamos visitar o templo para adora��o.

Quando estava na escola, e tinha que ir,

�s vezes era dif�cil.

E vinha para aqui, debaixo da �rvore,

e lia um bocadinho.

Nessa altura n�o havia ar condicionado

estava tanto calor,

eu dormia aqui.

Lembro-me que o Fumio � o mesmo,

O tipo de sangue AB cobre todos, certo?

Ent�o temos tr�s tipo B e tr�s tipo O.

- Ent�o isso faz de n�s seis. - Sim.

Que � o Fumio, eu e quem?

Nobu chan? Verdade?

Voc�s os dois s�o totalmente diferentes. O que �s tu?

Eu sou tipo B.

Tamb�m �s tipo B?

Ent�o Yukio e tu s�o B.

N�o, eu n�o sou. Eu disse que sou O, n�o disse?

Tenho quatro irm�os e duas irm�s.

E ainda est�o todos vivos.

E tamb�m tinha dois meios-irm�os,

ambos j� faleceram.

Eu e o meu irm�o nascemos antes da segunda guerra mundial

por isso tivemos algumas dificuldades.

O meu pai tinha um neg�cio de circo.

E depois veio a II Guerra Mundial.

A empresa do meu pai faliu

e na mesma altura tamb�m teve uma esp�cie de AVC.

- Depois de ter ca�do

ouvi o meu irm�o a correr

para o m�dico que vivia talvez a um quarteir�o.

Mas depois ele faleceu logo.

Ele era muito trabalhador.

Tomou conta de n�s desde que era muito jovem.

Porque era o filho mais velho.

Mas ele queria atingir o objectivo dele ao mesmo tempo.

Assim, tentou fazer as duas coisas.

MITSUE SHIRAKAWA IRM� DE DEMURA

Trabalhou sem dormir.

N�o tivemos um pai.

Geria as despesas dom�sticas em nome da nossa m�e.

Ficava muito frustrado quando o dinheiro era desperdi�ado.

N�o tinha sapatos, n�o tinha roupa

Claro, era um mi�do, por isso

quer�amos brincar, mas n�o t�nhamos nada,

comecei a trabalhar por volta dos 12 anos.

Comecei a trabalhar com os jornais permanentes,

e a trabalhar no porto.

O momento mais dif�cil foi

quando fomos comprar arroz.

E recusaram-se a vender-nos porque n�o t�nhamos dinheiro.

Assim a nossa m�e...

... penhorou o Quimono dela para podermos comprar arroz.

O meu trabalho era ir � loja.

Continu�vamos a ter o mesmo problema.

Chegamos ao fundo do po�o nessa altura.

Mas o Fumio tinha um sonho de ir para a Am�rica.

E eu queria que ele corresse atr�s do sonho dele.

Por isso disse-lhe para ir.

Disse que tomaria conta da fam�lia.

Porque isso era o melhor...

Foi por isso que o Fumio foi para a Am�rica.

Estou contente porque pude ajud�-lo a ter sucesso.

Sofremos muito.

Eu pensei...

A m�e ficaria feliz por saber que ele era uma estrela.

Depois dele ter ido para os EU,

TERUO DEMURA IRM�O DE DEMURA

foi enviando dinheiro para a nossa m�e.

Estava totalmente sozinho

num pa�s estranho.

E come�ou a ser bem conhecido

pela sua capacidade e esfor�o.

Acho que isto � fant�stico.

Nos anos 60 n�o havia mesmo escolas de artes marciais

em todas as esquinas ou em todos os centros comerciais

como se v� hoje.

RAYMOND HORWITZ REVISTA BLACK BELT

E n�o havia muitos instrutores qualificados.

Fumio Demura por acaso era extremamente proficiente

com t�cnicas com e sem armas.

E isso era interessante,

porque havia sempre tipos que eram muito bons,

uns com armas e outros sem armas,

mas ele era bom nas duas situa��es.

Por isso o Black Belt agarrou-se a isso.

BLACK BELT REVISTA EM V�DEO

Fumio Demura, nascido em Yokohama.

s�timo dan, conselheiro t�cnico

da equipa de karat� dos Estados Unidos

As pessoas eram receptivas � sua per�cia,

� sua profici�ncia e simplicidade.

A maioria dos instrutores japoneses como o Nishiyama

e o Okuzakuno, n�o davam entrevistas,

n�o se envolviam com revistas,

eram muito distantes.

Por outro lado, o Sensei tinha artigos nas revistas,

era muito, muito vis�vel.

De todos os instrutores de artes marciais japoneses,

no pa�s, diria que ele era,

nessa altura, certamente o mais vis�vel

e o mais acess�vel.

Quando eu era um jovem na Su�cia, gastei as minhas

�ltimas d�lares para comprar a revista Black Belt

demorou por volta de seis meses a chegar dos Estados Unidos.

FUMIO DEMURA - Um Perito em Armas das Supremas nas Artes Marciais

O Sensei Demura estava na capa

e lia sobre ele.

O seu livro sobre Nunchakus,o livro sobre Tonfa,

quer dizer, li todos os livros de armas

que ele publicou.

BLACK BELT KARAT� por FUMIO DEMURA

BO armas de karat� de autodefesa

por Fumio Demura

NUNCHAKU Armas de Karat� de Autodefesa

KAMA

KARAT� por Fumio Demura

Eu punha um capacete e pegava nos nunchakus

FUNDAMENTOS DO NUNCHAKU

e tentava trabalhar com eles como ele fazia

e n�o conseguia, mas, sabe, eu tentava.

Bem, eu penso que acertei na minha cabe�a e nos cotovelos,

� onde normalmente se acerta.

Sim, o primeiro.

� muito f�cil fazer parecer que uma pessoa � boa

no que faz num filme ou na televis�o

mas se vir um filme com imagens n�o editadas

do Fumio Demura em ac��o com um nunchaku, n�o se pode negar

que a sua precis�o � de tirar a respira��o.

RICHARD RABAGO ATOR DE ARTES MARCIAIS

O meu irm�o tentou fazer aquilo uma vez

e partiu o queixo do outro tipo.

MICHAEL JAI WHITE ATOR DE ARTES MARCIAIS

- Encomendei um livro

chamado Nunchaku Avan�ado,

que � engra�ado, porque

eu n�o percebia quase nada sobre o nunchaku.

Eu s� tinha cabos de vassoura cortados

com uma corrente enrolada e depois girava-os

como um maluco.

E pensava que tinha jeito

por isso, n�o comprei nunchaku para principiantes,

mas nunchaku avan�ado.

Mas foi o livro de Fumio Demura.

E lembro-me do seu primeiro livro sobre Nunchaku

NUNCHAKU - ARMA DE KARAT� DE AUTODEFESA Por Fumio Demura

Era como wow, todos falavam nele.

Bem, o Bruce, em 65, no Angeles City College

e o Sr. Nishiyama fizeram um torneio

e convidaram-me.

Ent�o fiz uma ou duas demonstra��es, com armas,

e depois ele foi l�.

E nessa altura, claro, nada de ingl�s.

Por isso o meu parceiro, Dan Ivan,

traduziu para mim.

"KATO" DE GREEN HONETS Pratica mesmo kung-fu?

E ele disse, "Este tipo est� num filme."

Eu n�o fazia ideia.

ESTUDO CINTUR�O NEGRO: Karat� passa Judo

Perguntou-me, "Pode sentar-se?"

Eu disse, "Claro."

N�o tive problemas, sentei-me comecei a conversar.

E depois, passamos pelos escrit�rio da revista Black Belt,

era onde ele ia sempre.

E eu fui l�.

Foi onde nos come�amos a encontrar.

Depois escrevi outro livro chamado Nunchaku,

NUNCHAKU ARMAS DE KARAT� DE AUTODEFESA

e ele queria usar armas.

Ent�o ele come�ou a treinar com o livro,

ANATOMIA DO NUNCHAKU

e depois fazia perguntas, como

"Faria isto?

"Faz-se assim, e assim."

POSI��ES As posi��es do Nunchaku s�o...

E ele era...

muito inteligente para um apresentador.

Ent�o ele sabe o que o p�blico quer.

Ent�o come�ou a fazer isso.

E estamos aqui para

partilhar, e n�o para exibir

o que temos para oferecer.

- Nessa altura , os Internacionais,

era o maior torneio de artes marciais no mundo

e quando se chegava ao palco dos Internacionais,

a partir da�, toda a gente sabia quem tu eras.

O Ed Parker levou o Bruce para l�

e, da mesma forma, levou o Fumio Demura,

e por isso, ficou muito conhecido

na industria de artes marciais

- O meu parceiro, Dan Ivan, disse,

"Tem que vestir isto."

Um gi prateado, e n�o um gi branco.

Prateado! Eu disse, "Espere um minuto, espere um minuto"

"Isto, eu n�o consigo fazer isto."

Ele disse, "N�o, tem que o fazer."

"Tem que fazer isto."

E eu acreditei no que ele disse, e disse, "Est� bem."

E eu fi-lo!

Percebi que estava

sem energia.

E sabia que a sua reputa��o estava em risco.

Ele disse-me, ele disse "Foi a� que fiquei nervoso,

porque sabia que tinha que fazer uma performance muito boa."

Quando eu vi a demonstra��o dele pela primeira vez, foi cortante,

nunca vi ningu�m usar assim uma arma

t�o perfeito e preciso e usava uma arma

mesmo junto ao seu pr�prio corpo.

Era t�o magistral.

E v�-lo usar o que chamam as foices

e gadanhas e tonfa.

V�-lo fazer isso era uma arte.

Parecia que tinham pegado numa caneta e

o desenhado em cada movimento que ele fazia,

era sempre t�o preciso.

- Com pessoas a voar na sua direc��o

T.J. STORM ATOR DE ARTES MARCIAIS

e ele fazia pop, pop, pop!

E era absolutamente perfeito.

Sempre com precis�o na perfei��o.

Era como ver um filme com todas as edi��es

- O que ele fazia tinha tanto timing,

parava mesmo ao p� da cara

e ficava a 15 mil�metros da cara.

Mas era at� onde ir e fazer tantos danos como poss�vel,

mas mostrar o controlo e exactid�o que tinha.

E isso � dif�cil de fazer.

- Se eu n�o soubesse, diria que estavam

todos a levar com murros e pontap�s

quando eles o atiravam, porque eles

voavam pelo ar.

Mesmo os efeitos sonoros do bra�o a deslocar-se,

o seu gi fazia pop!

E ouvi-lo ficas assim,

"Ai!"

E os espectadores estavam em sil�ncio, e ouvia-se o gi fazer

pop, pop, pop,

Fazia um pontap� para o lado

e olhavas para a pessoa ao lado e

"Uau!"

Agora se fores a todo lado no Jap�o,

em todo lado, � assim que se fazem demonstra��es,

todos fazem isso.

Isso aumenta a minha confian�a.

Fiz as coisas certas.

Comecei no segundo ciclo,

na escola secund�ria fiz artes dram�ticas,

queria ir nessa direc��o,

mas o meu pai estava completamente contra.

"N�o podes viver disso, esquece."

E eu desisti.

Ent�o em 1977, um dos meus amigos,

que � um wrestler profissional, perguntou-me se queria

ir a um casting para um filme.

Quando fizemos o casting para o filme

BRIAN MCMILLAN DOMADOR

est�vamos no edif�cio da Playboy

em Sunset Boulevard.

O Fumio estava l�, e estavam 50 duplos com ele

E t�nhamos estes tipos todos, e eles pensavam que

eram valent�es e que iam fazer estes papeis

No momento em que o realizador disse que

iam trabalhar com

tigres verdadeiros, e le�es e ursos verdadeiros,

estes animais diferentes, de repente

70% ou 80% dos tipos levantaram-se e sa�ram.

E claro, o Demura n�o sabia o que se estava a passar

e ficou.

Foi por isso que pediram pessoas das artes marciais,

porque s�o mais fortes.

T�nhamos l� seis ou sete pessoas,

todos grandes, com 115 kg

um metro e noventa e tr�s, ou quatro.

Eu era o mais pequeno

Por isso, cada vez que o tigre sa�a da corrente

ele atacava-me.

Odiava, porque atacavam-me sempre a mim.

Ent�o, aprendi um pouco mais.

Per�cia � uma coisa, mas eu tinha confian�a.

Mas perguntei ao tipo, "Consegues fazer isto?"

Ele disse, "Sim."

"OK, se ele consegue, eu tamb�m consigo."

Depois tornei-me s�cio dos sindicatos

Atores e Artistas Associados da Am�rica Membro

Depois disso, tentei conseguir, sei l�.

Todas as semanas ia a uma entrevista.

Nunca conseguia.

Eu sei porqu�, por causa do meu idioma.

Foi o Bruce Lee que come�ou a sensibiliza��o,

a maior sensibiliza��o, a meu ver.

KUNG-FU AGORA: A MODA QUE GUIOU UM POVO

O grande empurr�o aos Americanos para as artes marciais.

Na �poca, era o Kung Fu,

mas acho que mais Americanos conheciam a palavra karat�.

Depois o 'Karate Kid' foi lan�ado,

e depois ouve outro grande empurr�o.

- Boa, Daniel, � assim, mais um!

A Produ��o chamou-me, e disseram, "O Chuck Norris recomendou-o

para entrar num filme.

Pode vir c�?"

Ent�o, eu fui l�, e era o 'Karate Kid'

PAT E. JOHNSON CORE�GRAFO DE DUPLOS

O Jerry Weintraub, o produtor do Karate Kid,

e o Jerry, acho que mais do que qualquer coisa

queria ver alguns verdadeiros

artistas de artes marciais japoneses.

Ver o que um homem conseguia ser.

Mas acho que parte da sua educa��o,

porque ele n�o sabia mesmo nada de artes marciais,

era falar com verdadeiros mestres das artes marciais.

Ent�o, eu li o gui�o, e disse,

KARAT� KID Um Gui�o Original por

"Qual � a minha parte neste trabalho?"

"Miyagi."

"Oh, OK."

Ent�o procurei a parte do Miyagi, Miyagi,

Miyagi, Miyagi.

Espere l�, este � o papel principal.

Eu n�o consigo fazer isto.

E eu disse-lhe, "Desculpe, mas n�o posso fazer isto."

"Quer tentar?"

Eu disse, "N�o posso tentar.

N�o tenho experi�ncia suficiente para isto."

Ent�o eu disse, "Desculpem."

Ent�o voltei as costas.

- Eu pus-me nas m�os de Robert Kamen

JOHN G. AVILDSEN REALIZADOR

em termos de karat�,

pois, sabia tudo sobre a mat�ria.

O escritor, Robert Kamen,

tinha estudado Goju Ryu em Okinawa

quando estava na tropa.

Havia um homem de Okinawa em quem

ele baseou a personagem do Mr. Miyagi.

Mas ele n�o tinha essa personalidade,

esse homem aqui.

A tr�s de maio, o Pat Johnson,

eu conhe�o-o atrav�s do Sr. Chuck Norris,

telefonou-me e disse, "Sensei,

pode vir ao est�dio?"

Ent�o eu fui l�.

O Pat contribuiu muito.

N�o s� na forma��o

e na coreografia,

mas tamb�m como �rbitro.

Juntei os dois

ROBERT MARK KAMEN ARGUMENTISTA

- ele conhecia-o porque toda a gente

que pertencia �s artes marciais conhecia o Sensei.

Ent�o apresentei-os

Falaram muito.

Mas o Robert tinha uma ideia bastante clara,

devido ao tempo que passou em Okinawa,

O que era um verdadeiro mestre.

Por isso ele conseguiu identificar logo

que o Sensei Demura era essa pessoa.

Depois encontramos o Pat Morita,

mas ele n�o fazia karat�.

Ent�o, quero que seja voc�.

Depois vieram mais pessoas.

E quando l� cheguei, ent�o n�o � que

estava l� o Sensei Demura!

Ent�o, convers�mos.

E quando chegou a altura,

quando o Pat chegou, puseram os tr�s lado a lado

com o Pat ao meio, e o Pat � um homem pequeno.

O Pat Johnson disse ao produtor, "N�o"

"Eu quero aquele."

O Sensei Demura era tudo

que eu pensava que o Mr. Miyagi devia ser.

Mais um pouco, de um lado para o outro, para tr�s aqui.

para aqui n�o, mais para o lado.

O Pat Morita nunca o tinha conhecido,

e eu juntei os dois.

E o Pat Morita baseou

o Mr. Miyagi no Demura Sensei.

E claro, s� podia haver uma pessoa

que eu considerava para fazer de duplo

Daniel-san, venha aqui.

V�DEO DE CASA DO REALIZADOR

Mostra-me p�r cera, tirar cera.

Nem pensar.

Mostra-me.

Os elementos envolvidos na sua representa��o

do Mr. Miyagi v�m do Demura Sensei,

e do escritor, Robert Mark Kamen,

e do Pat Morita.

V�m de todas a suas hist�rias colectivas para construir

esta figura conhecida como Miyagi Sensei.

O Pat Morita pegou na personalidade acess�vel

e humilde do Demura Sensei

e integrou-a na personalidade do Miyagi

que ele interpretou.

Ele queria passar tempo com o Sensei

porque ele queria reter essa ess�ncia, aquela voz.

EVELYN GUERRERO MORITA MULHER DE PAT MORITA

Sabe, porque o Sensei tinha aquele, aquele sotaque.

SEAN KANAN ATOR ARTES MARCIAIS

Quando se fala nos filmes do Karate Kid,

j� todos os viram,

toda a gente conhece as personagens,

E, obviamente, o Sensei Demura foi uma parte

importante na cria��o do Mr. Miyagi

uma personalidade magn�fica.

Se o Mr. Miyagi n�o conseguisse executar as artes marciais,

e s� conseguisse falar,

n�o tinha criado tanta

liga��o com o p�blico.

YUJI OKUMOTO ATOR ARTES MARCIAIS

Lembrava-se sempre que devia de dar 100%

em tudo que fazia, se n�o, n�o o fazia. Era

essa a ess�ncia principal da personagem do Pat,

V�DEO DA CASA DO REALIZADOR

que n�o se faz perguntas, faz-se o que se tem que fazer,

porque existe uma raz�o para o fazer.

Por isso, acho que foi isso que o Pat levou

da personagem do Mr. Miyagi.

Tira esse sorriso da cara, e n�o o voltes a p�r!

Sim, senhor!

Ali est� o campo

RON THOMAS ATOR ARTES MARCIAIS

onde atravessamos o campo.

E lembro-me que uma noite est�vamos a filmar,

se vir o comprimento daquele campo,

tivemos que saltar a veda��o ali,

e correr o mais depressa poss�vel

para apanhar o Ralph, que tinha o seu traje de duche

e n�s est�vamos vestidos de esqueletos.

Algumas noites de filmagens,

a filmar a cena principal a corrermos

pelo campo fora.

A filmar-nos, com o Cobra Kais a tentar

fazer a cena da luta que t�nhamos coreografado,

com o Ralph a levar murros, literalmente,

murros com sangue na boca

e, se bem me lembro, quase que lhe partiu o nariz.

Billy Zabka, sem querer, deu um pontap� na cara do Ralph.

Quando um homem te enfrenta, ele � o teu inimigo

Foi aqui que o John Avildsen disse,

"Sabem, j� chega.

"Acho que n�o est�o � altura desta tarefa.

"Vamos trazer o Fumio, e a sua equipa,

"e vamos acabar esta cena da luta, e faz�-la com deve ser,"

E foi aqui, mais ou menos, que t�nhamos a parte de cima

de uma veda��o e o Fumio subiu-a,

saltou para o outro lado,

claro, no papel, de Miyagi, fazendo o duplo de Pat Morita.

E depois trouxe a sua equipa para finalizar

a cena da luta, onde ele os virava,

eles ca�am na terra.

Ele acabou connosco, os Cobras

que eram os nossos duplos.

Eu provavelmente estava a dormir nessa altura.

E acho que o Ralph estava nas Urg�ncias,

n�o sei.

N�o sei quem o abordou, mas disseram-lhe,

"Sabes, valia mais n�o dizer

que foi voc� que fez as acrobacias."

E o Pat ficou consternado, e disse,

"E n�o vou assumir o cr�dito daquilo,

est� a brincar comigo?"

"Est� a pedir-me para mentir?"

"� um filmezinho, sabe,

e venderia mais bilhetes se o p�blico

pensasse que voc� fazia as suas pr�prias acrobacias,

teria mais impacto."

E ele disse, "Isso pode ser verdade, mas n�o vou mentir.

"Quero que o Sensei tenha todo o m�rito."

O mestre Demura � t�o experiente que

fez que tudo parecesse muito verdadeiro.

E, mais uma vez, ningu�m se magoou.

O Pat Morita vinha

de um princ�pio muito, muito humilde.

Ele esteve num desses campos de concentra��o durante a

Segunda Guerra Mundial

onde punham todos os japoneses.

Creio que foi entre os oito anos at� aos 13.

E isso � outra parte da hist�ria,

a raz�o que o Sensei e o Sr. Pat Morita s�o t�o pr�ximos.

Quando o Sr. Morita fala sobre esse acontecimento,

v�m-lhe l�grimas aos olhos.

Na vida de Pat, ele

conheceu muitos senseis japoneses.

Mas quando ele conheceu o Sensei Demura,

� como se se acendesse uma l�mpada.

Foi como, "� este,

este � o escolhido."

Como se fosse, "� de este que eu tenho andado � procura,

� este o homem que eu quero emular no ecr�."

P�r a cera, m�o direita.

Tirar a cera, m�o esquerda.

P�r a cera, tirar a cera.

Tem que se lembrar que o Pat Morita

tinha sido um humorista em Las Vegas.

PAT MORITA "O HIP NIP"

E chamava-se o Hip Nip,

era o seu nome art�stico.

De repente estava frente a frente

com o samurai sobre o qual ele

tinha feito as suas pesquisas.

E ali estava ele, em pessoa,

Antes dos filmes do Karate Kid,

DWIGHT LOMAYESVA ALUNO DE DEMURA

ele passava pelo dojo, s� para ver,

imagino que estava a tentar criar uma personagem.

JACKI LONG ALUNA DE DEMURA

O mais engra�ado � que n�o falava Japon�s,

por isso, quando o vimos no filme, vimos isso tudo,

mas ele n�o tem nenhum sotaque.

Obrigada Demura Sensei,

Por me ter ensinado durante 25 anos, para eu falar assim.

Oi�am, ganhei a vida assim, pessoal.

Organiz�mos uma celebra��o para o anivers�rio de 25 anos

e o Pat Morita foi um dos primeiros

a dizer que ia l� estar.

Agora, mais tarde na minha carreira, tive muita sorte

por conseguir o papel do Miyagi

no Karat� um, dois e tr�s

e, com sorte, nove, 17 e 28.

Eles tiveram uma boa amizade durante anos.

LAURO CHARTRAND REALIZADOR / CORE�GRAFO DUPLOS

E podia-se ver que o respeito que o Pat Morita

tinha pelo Sensei era t�o extremo,

acho que ele o idolatrava de v�rias maneiras,

E acho que, parte do Sr. Morita queria

ser mais como a Sensei.

A interac��o entre o Pat Morita e o Fumio Demura Sensei

era de irm�o mais novo com um irm�o mais velho.

Porque, embora o Pat estivesse a representar o Miyagi Sensei,

ele sabia quem era o verdadeiro, era o Demura Sensei.

E o Demura Sensei tratava-o como um irm�o mais novo

com tanto afecto.

Essa rela��o, essa revela��o, para melhor dizer,

acrescentou anos � vida de Pat Morita

e eu acho que o Sensei lhe dava esse tipo de inspira��o.

Ele s� me fez sentir mais novo

com a sua influ�ncia, com a sua estabilidade

com o seu esp�rito de rocha,

a sua compaix�o pelo seu pr�ximo.

Inadvertidamente, ele realmente trouxe muitas qualidades

ao meu trabalho, que eu tive a sorte de demonstrar.

O Sensei Demura tinha muito respeito

por aquilo que o Pat Morita tinha alcan�ado

como Japon�s americano.

Ter subido e chegado aonde chegou como actor

no seu esfor�o em tentar pesquisar mat�ria para

encontrar a personagem ideal para o Mr. Miyagi,

Concentre-se, olhe nos meus olhos.

Ningu�m, muito menos o Pat,

esperava ser nomeado neste papel.

As pessoas esquecem-se que o Pat Morita foi nomeado

para um �scar, porque 'Karate Kid' n�o soa

bem como um filme de calibre para um �scar.

Ele disse, "Isso � coisa de brancos."

"Os asi�ticos n�o recebem esse tipo de elogio."

Foi um prazer conhecer este homem.

Sinto que o conheci toda a minha vida.

Diria que, no m�nimo,

deu a sua presen�a ao meu ser.

Essa admira��o que ele tinha pelo Sensei

e a admira��o que o Sensei tinha por ele,

sabendo o que o Pat tinha passado,

era t�o m�tua que eles eram

mesmo como irm�os.

O Pat Morita tinha um grande respeito

e admira��o pelo Mestre Demura.

Eles combinavam como a manteiga de amendoim e a geleia,

acho que se tornaram bons amigos.

Um dia vou ensinar este homem

como se apanha moscas com pauzinhos.

E depois sei que contribu� qualquer coisa para a sua vida,

percebem?

O Pat pedia sempre ao Sensei para ser o seu duplo,

em tudo o que fazia,

n�o s� nos filmes Karate Kid.

Eu estava a gravar 'Ohara'

O meu trabalho era correr para o vil�o,

JANEIRO DE 1987

ele subia e saltava a veda��o

e depois ia para o primeiro andar,

Ent�o, ensaiei e correu bem.

Quando tentei fazer a cena novamente

fiquei um pouco tonto.

Um dos t�cnicos de ilumina��o estava a ver-me

e disse, "Est� bem?"

E eu disse, "Sim, acho que estou a ficar constipado."

"N�o", disse ele, "est� a ter um ataque card�aco."

Eu disse, "Eu, nem pensar."

E eu disse, "N�o, acho que n�o, n�o se preocupe,"

Ele ignorou-me e foi falar com o realizador e o produtor,

Eles entraram e disseram, "� melhor ir ao hospital.

"J� tenho ali o carro e tudo."

Eu disse, "Estou bem."

"N�o, n�o, n�o, eu � que mando, n�o se preocupem.

"V�."

Ent�o fui ao hospital.

O m�dico disse, "N�o se mexa."

Eu estava, n�o estou a brincar,

a ter um apag�o, tudo escuro.

"Teve um ataque card�aco."

Todos chegamos l� com a idade

e precisamos todos de abrandar, e aliviar algum stress.

Todos lhe dizemos isso, mas ele tem muito que fazer,

Mas ele escolheu continuar,

e o passado apanhou-o

Ele disse, "A minha perdi��o � piza,"

porque ele adora uma piza.

Uma piza.

N�o uma fatia de piza, uma piza.

Sim.

Quando ele veio para c�, um buffet de pizza era not�cia.

DAVID JONES ALUNO DE DEMURA

De facto, uma das suas alcunhas era Boca de Lixo,

porque ele pegava em metades de piza

e dobrava-as ao meio e comia-as como uma sandes.

A minha �ltima vida acabou a�.

E depois, voltei do hospital,

e arranjei uma vida nova.

Todos os dias me levanto �s cinco da manh�

e venho para aqui pescar.

�s oito horas volto para casa, tomo um duche,

e vou para o dojo.

Todos os seres humanos precisam de,

como se diz, yin e yang,

� o que nos falta, por isso uso isto

para o yin, a parte calma,

e o dojo � o yang, que � a parte de ac��o.

� assim que me equilibro.

Pois, isto � um jogo

entre mim e a os peixinhos,

e neste momento os peixes est�o a ganhar.

Amanh�.

V�DEO DE CASA DO REALIZADOR

Ent�o, porque � que n�o me disse

que ia � pesca?

N�o estavas c� quando eu fui.

Mas eu talvez quisesse ir,

J� pensou nisso?

Estavas a treinar karat�.

Telefonei-lhe, e disse,

"� a minha festa, podes vir c�?"

Ele disse, "OK, l� estarei."

Ent�o eu disse, "Est� bem, eu marco-te

as viagens e tudo."

Disse, "N�o, n�o se preocupe.

"L� estarei."

Ent�o eu fiz-lhe um 'tanto' especial,

que � uma faca curta com um s�mbolo,

Eu gostaria de lhe dar um agradecimento especial

de toda a minha tradi��o de samurai.

E n�o estou a brincar, ca�ram l�grimas.

Ele estava a chorar.

Sensei, voc�,

este � um momento muito emocionante para mim.

Sim, eu sou um actor.

Sim, eu tive uma nomea��o para um �scar

para melhor actor secund�rio,

Mas nada � igual a este tipo de pr�mio

do cora��o deste homem.

Todos os dias durante tr�s dias seguidos,

"Sensei, obrigado, obrigado,"

Ficou t�o surpreendido com esse presente.

Sentia que, se algu�m merecia o presente

era o Sensei, e n�o o Pat.

Foi a todas as mesas cumprimentar as pessoas

e tirar fotografias com toda a gente.

Normalmente essas pessoas n�o fazem isso,

no seu n�vel, uma pessoa conhecida, ele f�-lo a toda a gente

Ele amava os f�s, dizia ele,

"Sabes, querida, sem eles n�o seria ningu�m.

"Eu n�o seria ningu�m e sem o Sensei eu n�o seria ningu�m."

No ano seguinte, em Junho, telefonei-lhe,

n�o atendeu.

Depois foi ao Chile e vi as not�cias.

Vi a sua fotografia, mas n�o sei espanhol,

e disse, "O que se passou?"

Ele disse, "Isto?"

Eu disse, "Que � aquilo?"

"Morto."

NOT�CIAS DE �LTIMA HORA

PAT MORITA MORREU AOS 74 ANOS

Not�cias na hora de AP News Agency.

Tristeza e elogios hoje � noite do Karate Kid,

Ralph Macchio, para o homem que fez o papel do

seu mentor no filme.

O actor Pat Morita,

que ganhou uma nomea��o para um �scar pelo seu papel

no Karate Kid original, morreu.

A sua esposa, a D. Evelyn Guerrero Morita

disse que ele faleceu de causas naturais em Las Vegas.

Disse, numa declara��o, que o marido,

que ficou conhecido no seu papel em Happy Days,

tinha dedicado toda a sua vida � representa��o e � com�dia.

O Morita representou Mr. Miyagi,

um papel que lhe ganhou elogios.

Ele deixa a sua esposa e tr�s filhas

de outro casamento.

O Pat Morita tinha 74 anos.

Depois do seu primeiro enfarte,

come�ou a passar mais tempo a viajar

e a aumentar a organiza��o.

Acho que ele tinha um plano empresarial,

se lhe quiser chamar isso,

que ele queria espalhar para outras partes do mundo

e juntar mais pessoas e mais artes marciais,

e espalh�-las mais.

A minha organiza��o

est� em 32 dois pa�ses, oficialmente.

E tamb�m temos cerca de 14 estados nos Estados Unidos

H� cerca de 15 mil membros aqui.

Na Am�rica do Norte, ele � absolutamente

CAMERON STUART ALUNO DE DEMURA

uma das maiores influ�ncias.

A sua natureza mais aberta. Acho que muitos grupos

s�o muito reservados e n�o se misturam facilmente

com outros grupos, se n�o estiverem a fazer exactamente

o que eles est�o a fazer, como eles querem.

�s vezes n�o est�o assim muito interessados.

Eu penso que foi a for�a pura do Sensei que

atraiu tantas pessoas e a sua abertura.

Reconhe�o que ele foi um dos poucos indiv�duos

que conseguiu construir uma ponte

entre a cultura japonesa e a cultura norte americana

sem ofender ningu�m

Os do tae kwon do adoram-no, os do karat� adoram-no,

os do Shodukan adoram-no, os do jiu-jitsu adoram-no,

toda a gente adora este homem

� uma pessoa �nica,

e um verdadeiro mestre das artes marciais.

Ele telefona-me dois meses antes

BENEDETTO E ANTHONY SORRENTINO ALUNOS DE DEMURA

e diz, "Anthony,

"vou a� daqui a dois meses."

"Despacha-te e diz-me o que precisas

porque s� vou estar em casa

dois dias entre viagens."

Ele diz, " Tenho que ir � Gr�cia, Nova Jersey, Venezuela,

Costa Rica, e depois vou a Fran�a,

e depois vou a�.

S� vou estar em casa dois dias no meio disto tudo."

E penso, como consegue fazer isso?

Quer dizer, com a sua idade � incr�vel.

O Sensei � o primeiro a chegar ao avi�o.

Acho que, em parte, � porque n�o � casado.

Pode dedicar todo o seu tempo.

Basicamente, esqueci-me.

� diferente, � muito dif�cil

ter uma fam�lia naquilo que eu fa�o.

Porque eu n�o quero

fazer toda a gente infeliz, isso � o principal.

Porque a minha mulher tinha que ser melhor

do que eu a tomar conta das pessoas.

Se os meus alunos n�o gostassem da minha mulher,

n�o conseguiria.

E vejo todas as outras pessoas assim.

Se o dojo tem sucesso, a mulher � melhor do que ele.

� o que eu sinto.

Lembramo-nos das pessoas por muitas coisas.

Alguns porque constru�ram grandes estruturas,

tiveram grandes sucessos.

Nas artes marciais, para o Fumio Demura,

ele � um homem dedicado � sua arte.

N�o me consigo lembrar de muitas pessoas de que posso

dizer o mesmo. Mas dele posso diz�-lo,

ele � dedicado verdadeiramente � sua arte.

17 DE MAR�O DE 2011 O DIA DO SEU INCIDENTE

Eu disse, "Sensei, o que � que se passa, n�o parece bem."

Disse, "N�o me sinto bem.

Podes vir c� e levar-me ao hospital?"

Liguei ao cardiologista dele

em Los Angeles, sabe o que o m�dico disse?

Ele disse, "Beba muita �gua e descanse,

e venha c� ver-me amanh�."

Foi o que ele disse.

EMERG�NCIA

Fui ao hospital, entrei e fui �s Urg�ncias.

Disse, preciso de ajuda, tenho uma pessoa no carro

que n�o est� bem, ele est� doente."

A enfermeira das Urg�ncias saiu e eu disse-lhe,

"Precisamos de levar o Sensei l� para dentro."

"Tenho um pressentimento que ele n�o est� bem,

� �bvio que n�o est�."

Ela disse, "N�o."

"Leve-o para casa

e se ele piorar,

traga-o outra vez."

Eu disse, "Por favor leve-o para dentro."

"Eu conhe�o este homem e a sua doen�a."

"Confie em mim quando eu digo que ele n�o est� bem."

Ela disse, "N�o."

"Ou o leva para dentro, ou eu levo-o

para a sala das Urg�ncias no meu carro."

"A escolha � sua."

E, de repente,

ele perdeu os sentidos.

E eles mexeram-se t�o r�pido,

Parecia que tinham atirado uma granada para as Urg�ncias

O Dave encontrou o cirurgi�o,

ele disse ao Dave, "Quero prepar�-lo,

ele provavelmente n�o vai sobreviver."

SEAN DEMURA SOBRINHO DE DEMURA

E os m�dicos explicaram que

que o seu c�rebro tinha sido empurrado

devido ao hematoma subdural.

Ele tem 5% de probabilidade de sobreviver

e se ele sobreviver,

provavelmente ficar� num estado vegetativo.

Mesmo quando fazemos uma cirurgia,

eles podem ficar vivos e n�o acordar.

Ou, mesmo depois de uma cirurgia, por vezes

h� tantos danos secund�rios

que o edema cerebral � de tal forma que se torna incontrol�vel

e finalmente as fun��es do c�rebro param.

No estado de Calif�rnia, isso define

o momento que a pessoa morre.

Quando o cirurgi�o saiu

ele disse-nos "OK", j� termin�mos."

E abalou-me.

Perdi o controlo.

Nem imagino como seria

o dia que ele j� n�o estiver aqui connosco.

N�o sei o que farei.

Ele faz parte da fam�lia.

O Sensei tem a capacidade de fazer toda a gente

sentir que est�o mais pr�ximos dele do que qualquer outra pessoa,

sabe, que s�o mais especiais.

De repente vimos movimentos.

Ele vira a cabe�a como se se quisesse levantar.

Ele inclina-se para o lado e diz,

"Eu n�o desisto."

"Eu n�o desisto."

E depois adormeceu outra vez.

DEPOIS DE CINCO DIAS EM COMA

O SR. DEMURA ABRE OS OLHOS E RECUPERA A CONSCI�NCIA

Para recuperar de uma doen�a destas,

� �bvio que � preciso ter um esp�rito forte.

E mais tarde tive conhecimento

da hist�ria do Sr. Demura,

e, subitamente, pareceu-me menos improv�vel

que ele tivesse uma

recupera��o destas.

Os seus primeiros passos no dojo depois da doen�a

depois de ter tido alta do hospital e tudo,

ele tentou manter a sua compostura

quando entrou pela porta.

Ele nessa altura usava um andarilho, entrou,

T�-lo a entrar no dojo, foi como meses depois,

foi um estigma estranho.

Foi a primeira vez que ele voltou.

O que ser� regressar da morte,

conseguir v�-lo e n�o queria acreditar.

Foi surreal v�-lo entrar no dojo

- Todos choravam.

Num instante, estava tudo a chorar.

Pela primeira vez, vi o Sensei sensibilizado,

come�ou com uma l�grima no olho,

e come�ou a chorar.

Nunca o tinha visto assim.

E s� vejo coisas diferentes nele

agora, quando se ri das coisas

e mostra a suas emo��es mais do que antes.

E acho que ele aprecia mesmo o facto

de ainda estar entre n�s.

Na realidade, ele est� a matar-nos na aula.

Sejam mais r�pidos!

Com mais for�a.

Com mais for�as!

Mais for�a!

Temos uma cadeira para ele � frente, ele senta-se

Mas � t�o esperto,

e ele gosta de dizer "mais uma vez."

A aula da manh� termina �s 13.30, e �s 13.50

ainda est� a dizer, "Mais uma vez."

Estamos a transpirar e a morrer, mas � maravilhoso,

e vimos que ele est� t�o motivado agora

para nos dar os seus conhecimentos

com mais urg�ncia do que antes.

Antes ele conseguia mexer-se

e fazer coisas deslumbrantes,

mas agora at� tem dificuldade em andar.

- Ol�. - Ol� Sensei

Ol�, ol�

Onde est� a bengala?

- O qu�, sem bengala? - N�o a trouxe.

Est� com um aspecto fant�stico.

Sim, estou cada vez melhor.

Tenho sorte de ainda estar vivo, sabe?

Sim.

Tantos senseis n�o dizem nada.

morrem e v�o-se embora.

Est� feliz?

Sim, porque voc�s est�o mais saud�veis

� por isso � que estou feliz.

Se voc�s est�o doentes, � muito triste,

eu n�o fico feliz.

Se eu morrer, j� n�o posso falar.

Todo o meu conhecimento desaparece.

Por isso, agora quero falar a toda a gente

para saberem o que fa�o, para a pr�xima gera��o,

poderem continuar daqui a mais 100 anos

a ter o meu esp�rito.

Ele pensa nisso todos os dias

Ele quer fazer outra demonstra��o.

Acho que � uma das suas for�as condutoras

para ficar fisicamente capaz de fazer uma demonstra��o.

Mas agora o que ele precisa

� de trabalhar para recuperar o equil�brio.

Mas a sua mente est� muito forte,

e todos os dias, nas suas actividades f�sicas

ele est� a tentar fazer que o corpo fa�a

o que conseguia fazer antes.

Eu gostaria de o fazer

mas n�o sei.

Isso depende de Deus.

Mas treino o mais poss�vel

DEZ MESES DEPOIS DESTA DOEN�A VAI AO JAP�O PRESTAR HOMENAGEM AOS PAIS

� uma porta autom�tica.

Eu visito as cinzas dos meus pais aqui

� uma esp�cie de apartamento no cemit�rio.

Ela dava-nos muita educa��o.

Tem que se confiar nas pessoas.

Foi o que ela fez.

T�nhamos uma pequena loja.

Ela abriu um neg�cio, mas nunca l� estava.

E um homem veio comprar qualquer coisa,

e a m�e pensava... e eu queria um rebu�ado,

e eu punha o dinheiro l�, tirava o troco,

tirava o meu troco, e toda a gente confiava.

E um dia, algu�m roubou dinheiro,

E ela disse, "Talvez ele precise do dinheiro,

por isso, esquece isso."

Ela era assim.

� por isso que tenho o dojo.

Eu n�o lhe toco.

Deixo o dinheiro l�.

E nunca pe�o �s pessoas para pagarem,

digo para virem pagar, "Tens que pagar,"

e � s� isso.

Sim.

J� chega.

DOIS ANOS E MEIO DEPOIS DESTE INCIDENTE

Consegue imaginar-se

a fazer demonstra��es neste momento?

Ainda tenho que fazer uma demonstra��o.

S� eu � que posso melhorar,

mas neste momento � muito dif�cil.

Mas estou a tentar.

Por isso, tenho medo quando n�o consigo mexer a perna

as m�os n�o est�o presas, consigo us�-las

Mas se n�o conseguir com as pernas, posso usar a m�o.

Se n�o tiver uma m�o, posso usar outras coisas.

S� crio algo.

Se pudesse dizer qualquer coisa ao seu pai,

neste momento, se ele estivesse aqui � sua frente

o que � que lhe dizia?

Olhe para mim.

Eu fiz isto, sim, para ele.

O que pensa sobre o casamento agora?

Bem, o casamento � um pouco diferente,

eu sou um cintur�o branco,

Tenho a certeza quando as pessoas se casam,

t�m dificuldades.

Mas acho que cometi um erro a�.

N�o devia pensar dessa forma.

Mas j� penso assim h� alguns anos, � um problema que eu tenho

por isso � que disse que errei.

Devia ter escolhido uma pessoa e casado.

E, depois,

ver o que acontecia.

Mas agora j� � tarde.

Gostaria de ter um filho.

Mas tenho milhares

de crian�as por todo o lado.

Para mim, as crian�as s�o o meu investimento.

N�o interessa o pa�s que visito.

Quero que todas as crian�as sejam como os meus filhos.

� por isso que os treino.

FUMIO DEMURA CELEBROU OS 50 ANOS A ENSINAR KARAT� NOS EU EM FEVEREIRO DE 2015

CONTINUA A VIAJAR PELO MUNDO A PARTILHAR O SEU CONHECIMENTO

Se o Rowley n�o pode vir...

Talvez...

Talvez possa...

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