All language subtitles for Me, bebia, Iliko da Ilarioni (1962) VO.pob

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Original subtitles

Uma produ��o de Georgia-Film Studio

EU, VOV�, ILIKO E ILLARION

Baseado no conto de N. DUMBADZE

Roteiro de

Nodar DUMBADZE Tengiz ABULADZE

Dirigido por: Tengiz ABULADZE

Diretor de Fotografia Georgi KALATOZISHVILI

Designers de Produ��o Givi GIGAURI, Kakhi KHUTSISHVILI

M�sica de Archil KARESELIDZE Nugzar VATSADZE

Legenda em Ingl�s Tatiana Kameneva

Elenco:

Zuriko - Zurab ORDJONIKIDZE Av� - Sesilia TAKAISHVILI

Iliko - Aleqsandre JORJOLIANI Illarion - Grigori TKABLADZE

Meri - Manana ABADZE Tsira - Kira ANDRONIKASHVILI

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Esse � o sino de minha aldeia.

Ele toca toda manh�, anunciando o come�o de um novo dia escolar.

Mas quando ele repica � noite,

significa que h� inc�ndio na vila ou uma reuni�o coletiva de fazendeiros.

Oh! Est� t�o quente.

Abra o guarda-chuva.

Mas ande r�pido, ou chegaremos atrasados � escola.

Vamos, que h�?

N�o fique no caminho, Murada.

Vamos, filho.

Minha av� � uma visitante ass�dua de nossa escola.

Posso dizer que estamos terminando o ensino m�dio juntos.

N�o se apresse, vov�. Voc� pode cair.

Seu diabrete!

Seu piolho! Seu idiota!

Quando vai estudar como um homem?

Voc� est� desgra�ando sua av�! Como posso olhar as pessoas nos olhos?

A quem voc� saiu, seu chato de galocha?

Diga-me se havia sem educa��o em nossa fam�lia?

- O que quer de mim? - Quero que morra!

� t�o dif�cil aprender russo? Toda R�ssia fala russo.

E seu av�? Ele morou na R�ssia durante 7 anos.

Ivan, o carteiro, ele n�o podia ser mais russo,

mas mesmo ele n�o sabia o idioma.

- N�o me diga! - V� em frente, ria!

Seu av� conversava em russo com Ivan, durante duas horas a fio.

Ele falava e acenava as m�os, como se tocasse bateria.

Vov�, o carteiro vem vindo.

- Ol�, Olga. - Ol�. Como vai?

- Estou bem, obrigado. - Que Deus lhe conceda boa sa�de.

Durante duas horas inteiras, Ivan ouvia seu av� de boca aberta.

Ent�o ele estendia as m�os e dizia:

"N�o entendo coisa alguma. Nunca ouvi nada assim."

- Inacredit�vel! - Est� rindo de mim outra vez, seu tirano.

Que voc� nunca mais veja o sol!

N�o havia outra mulher na Ge�rgia

que pudesse amaldi�oar melhor do que minha av�.

Mas eu n�o temia suas condena��es.

Ela disse uma vez, "Quando minha l�ngua est� condenando-o,

meu cora��o est� aben�oando-o."

Que voc� nunca veja o amanhecer de amanh�!

Que voc� morra no colo de sua av�, seu vagabundo!

Voc� n�o quer estudar? N�o quer?

Bem, v� em frente e cres�a um idiota. Que voc� queime no fogo do inferno.

Voc� desonrou uma mulher honrada, desonrou-me ao mundo inteiro.

Quando, finalmente, o verei morto?

Eu iria para o seu t�mulo, sentaria l� e lamentaria sua morte.

Irei � sua sepultura todos os dias.

Largue-me, seu idiota! Vamos para casa.

Diga-me, o que pode lhe acontecer de t�o horr�vel se voc� estudar?

O que o det�m, seu tolo? Oh, meu Deus!

Sim, v� embora, assim meus olhos nunca mais o ver�o!

- Bom dia, vizinhos. - Bom dia.

Illarion Shevardnadze.

O terror dos animais, o deus da ca�a.

As pessoas na nossa aldeia dizem que nasceram um para o outro.

A ca�a para Illarion, e Illarion para ca�ar.

- V� para a esquerda, Zuriko. - N�o h� lebres aqui.

Pare de gritar e n�o me ensine como ca�ar, filho da puta. Siga-me.

Murada, venha c�.

Afaste sua arma ou voc� poder� me matar.

Ent�o eu arrancarei suas orelhas.

Esse c�o est� nos levando para lebres? Diga a ele para ir em frente.

Murada, adiante!

Ele est� cansado.

� sua sa�de, tio Illarion.

Eu o amo muito.

Ningu�m � melhor do que voc� no mundo inteiro.

Voc� tem um nariz grande, mas seu cora��o gentil � ainda maior.

Sirva-me.

Agora ou�a o que eu penso de voc�.

Na Terra nunca nasceu um homem com voc�.

Sou 40 anos mais velho do que voc�.

Mas 40 anos atr�s, eu era como voc�.

Ent�o, h� 40 anos eu era seu contempor�neo.

Voc� era.

Ent�o, daqui a 40 anos voc� ser� meu contempor�neo.

Serei.

- Ent�o, h� alguma diferente entre n�s? - N�o h�.

Faz alguma diferente quem tem mais ou menos cabelo em sua cabe�a?

Nenhuma diferen�a.

- Somos amigos para toda a vida. - Para toda a vida.

Ent�o aqui para a sua e para a minha sa�de, Zuriko.

- Zurikello. - O que foi, tio Illarion?

Uma lebre.

- Onde? - N�o v� seus rastros?

- Esses s�o rastros de uma cabra. - N�o me ensine, bebez�o.

E voc�, por que est� se deitando?

Ele � um desgra�ado, n�o um c�o.

Zurikello, voc� vai por cima e eu, por baixo. Murada segue-nos. R�pido.

Por que meu bra�o n�o murchou e meus olhos n�o ficaram cegos?

Voc� n�o ir� me abandonar, ir�, Zurikello?

Claro que n�o, Illarion.

N�o ir� me difamar perante a aldeia inteira?

N�o, Illarion. N�o conhece seu rifle?

Voc� atirou numa cabra e acertou um asno.

Tio Illarion?

Tio Illarion! Tio Illarion!

O qu�, filho?

Um telegrama para voc�, para voc� e Zurikello.

Telegrama expresso.

Para o canalha Zurikello e o narigudo Illarion.

Compartilhamos sua profunda dor

na tr�gica morte de Murada.

Na pr�xima vez que forem ca�ar cachorros,

por favor, levem-me com voc�s.

Os mais calorosos cumprimentos a ambos, Seu amigo de luto.

Sem assinatura.

Venha c�, filho.

Chegue mais perto, n�o tenha medo. Quem o mandou?

- Ele me matar�, se eu lhe disser. - Se n�o, eu matarei voc�.

Iliko Chigogidze. Ele deu-me 3 rublos e disse-me para n�o lhe contar.

Ah, Iliko. Eu sabia.

Apenas espere, o diabo de um olho. Voc� sentir� muito.

Iliko ficou cego de um olho h� muito tempo.

Ele pode ver com o outro saud�vel, olho,

E assim ele tem uma vis�o saud�vel do mundo.

N�o h� nenhum homem na aldeia que possa enganar Iliko.

Foi por isso que os alde�es unanimemente elegeram-no vigia da fazenda.

Bom dia, tio Iliko.

- Oi, Iliko. - Ol�, querido. Venha aqui.

- Zuriko. - O qu�?

Voc� v� minha face culpada?

Ainda assim, n�o deve me censurar. Deve me ajudar.

Por favor, v� at� Illarion,

pois ele n�o conversaria mais comigo depois daquele incidente.

- O que voc� quer dele? - Tenho convidados para amanh�.

Pe�a-lhe 30 litros de vinho. Ou ele me vende, ou me empresta.

Pe�a voc� mesmo.

Zuriko! Espere, Zuriko.

Por favor, v� at� ele.

A voc� ele n�o recusaria, ele o respeita.

Mas se ele recusar, encontre e marque o lugar onde ele enterra o jarro.

- Voc� est� louco? - Espere.

Voc� receber� dois pacotes de tabaco por isso, o melhor tabaco.

Dez.

- Quatro. - Dez.

- Est� certo, oito. - Dez.

- Por que precisa de tanto? - E � tanto?

Vai arruinar seus pulm�es.

Ent�o eu irei e contarei tudo a Illarion.

Est� certo, vamos nos encontrar � noite.

Quando eu conseguir o vinho, voc� ter� seu tabaco.

Zurikello!

Lembre-se, aquele que trai Iliko Chigogidze

� o traidor de sua p�tria!

Est� bem, o que aquele diabo zarolho quer de mim?

Ele disse que ter� convidados amanh� e pede-lhe 30 litros de vinho.

Oh, ent�o ele ter� convidados.

Ol�, Meri.

- Ele quer vinho. - Sim.

- 30 litros. - Sim.

Talvez ele queira veneno?

- Ele n�o pediu veneno. - Ele nunca vai receber vinho de mim.

Kukuri, voc� ouviu?

Diga-lhe, Kukuri.

D�-lhe o vinho, pai. Ele ter� convidados. N�o o ofenda. Tenha miseric�rdia.

Ele teve alguma miseric�rdia, quando enviou aquele telegrama?

- Est� certo. - Ent�o seria melhor que n�o pedisse.

- Sabe o que ele disse? - O que mais?

Ele disse: "Se Illarion se recusar,

fa�a uma marca no lugar onde o jarro est� escondido.

Irei � noite e roubarei."

- Roub�-lo? - Sim.

Zurikello, por que n�o vai para casa ler seus livros?

N�o seja fofoqueiro.

Ent�o � hoje � noite?

Vou preparar uma para ele, ele disse, que todos ficar�o rindo.

Zurikello, voc� � meu amigo, ent�o precisa me ajudar.

N�o ir� se arrepender, n�o sou Iliko. Vamos.

Aonde, Illarion?

Aqui est� o jarro, o maior deles.

Desenterre-o. R�pido, Zurikello.

Mas est� vazio.

N�o, sobrou muito a�. Incline-se e olhe melhor.

Parados a�! Seus bandidos!

Corra!

Atirarei em voc� a� mesmo.

Quem s�o voc�s? Matarei os dois.

Sou eu. N�o me mate.

- Onde est� o outro? - N�o sei.

- Diga-me ou eu atiro! - Eu n�o sei!

- Quem estava com voc�? - N�o sei.

Voc�s estavam juntos. Cubra o jarro com terra.

- Mas tio Illarion! - Cubra-o!

- Cave, ou diga adeus a sua vida. - Est� bem.

Oh, Deus, que voc� castigue todos os trapaceiros e caloteiros

e manda um trov�o e um raio em Illarion Shevardnadze

e em Zuriko Vashelamidze!

Quem � voc�? Qual o seu nome? Ou eu vou atirar em seu c�rebro!

Sou eu, Iliko. Afaste seu rifle. N�o fique com uma culpa em sua alma.

N�o, voc� n�o � Iliko. Voc� � um desgra�ado.

O que foi que voc� perdeu no fundo de meu jarro?

Voc� est� me enterrando cedo demais, Illarion.

Suba de volta. Eu vou enforc�-lo e em um m�s destila-lo em vodca.

N�o, tio Illarion, quem iria querer uma vodca t�o fedorenta?

Voc� me traiu, Zurikello. Vendeu-me como uma cabra.

E como acha que nos sentimos quando nos mandou seu telegrama?

- Agora sente-se e sufoque aqui. - Deixe-me sair, Illarion.

Vamos tir�-lo da�.

Ele deve desistir primeiro. Dobre seu dedo.

- Est� desistindo, Iliko? - Sim, eu desisto, eu desisto.

Deixe que ele suba de volta.

Eu desisto. Aqui, meu dedo curvado.

Ajude-o, Zuriko.

O qu�? Um diabo zarolho. Voc� n�o poderia me enganar, poderia?

- Eu n�o deveria ter mexido com voc�. - Voc� est� certo.

Espere, para que a pressa? Onde est�o sua gratid�o?

Obrigado. Muit�ssimo obrigado. Nunca me esquecerei disto.

Pra que diabos eu preciso de seu "muito obrigado"?

Zurikello, desenterre aquele jarro. Vamos beber.

Deixe-me em paz.

N�o fique bravo, meu querido Iliko.

O que � t�o engra�ado?

- Que desgra�a, filho. - Pare com isso, vov�.

- Amiran tamb�m vai ter a cabe�a raspada? - Claro.

� uma pena, ele tem cabelos lindos.

� regra do ex�rcito.

Zurikello, cuide dessas cabras para que os chacais n�o as matem.

Todos os chacais est�o indo embora. N�o h� ningu�m mais a temer.

Seja um bom soldado, Nodar.

N�o irei desonr�-lo.

- Cuide da mam�e. - Cuidaremos, papai.

Voc� voltar�, n�o voltar�? Ficarei esperando por voc�.

Papai, como viveremos sem voc�?

N�o chore, filha. Logo voltarei. N�o ter� tempo nem de sentir minha falta.

Lembre-se de que tem uma m�e. Cuide-se.

Rezarei por voc� dia e noite.

Voltaremos com a vit�ria, Zurikello.

N�o se esque�a de mim, Nodar.

N�o serei seu filho, se n�o lhe trouxer a cabe�a de Hitler.

� melhor que voc� traga sua pr�pria cabe�a de volta.

Precisamos mais de sua cabe�a e que Hitler caia morto.

N�o se preocupe, papai, com certeza eu voltarei.

N�o se preocupe conosco e escreva-nos sempre.

Escreva-nos sempre, ouviu? N�o poupe papel.

Aqui, como isto no caminho. N�o deixe de segur�-lo.

Tudo dar� certo, mam�e.

Chigogidze!

Ei, seu in�til.

Que Deus o guarde.

Volte com a vit�ria.

Adeus!

Adeus!

Eu voltarei. Eu voltarei.

Shevardnadze! Shevardnadze!

Deus o aben�oe.

Est� certo, v�o. Olhe, eles j� foram.

Corra, Kukuri, ou a guerra acabar�!

N�o coloque a cabe�a ao alcance das balas desses miser�veis.

E assim, de repente, paz, quietude e a felicidade tinham desaparecido da aldeia.

A aldeia ficou deserta.

S� ficamos n�s, mulheres, velhos e crian�as.

Agora Hitler est� acabado.

- Tem alguma not�cia? - Ficaram presos perto de Moscou.

E quanto a uma segunda frente?

Por que deveriam ter pressa? A Inglaterra � uma raposa t�mida.

Ela diz para a Am�rica, "Esque�a a Uni�o Sovi�tica e ajude-me."

E o que a Am�rica diz?

Diz que n�o � de sua conta.

Tem mais, Alemanha diz para a Turquia e para o Jap�o:

"Assim que eu me aproximar do Volga, ataque imediatamente."

N�o gosto da maneira como a Turquia vem se comportando ultimamente.

Voc� n�o conhece a Turquia?

Quando cheirar que a Alemanha est� em apuros, declarar� guerra a ela mesma.

� mesmo?

Aqui estou eu e l� a Alemanha. Raspe meu bigode se n�o for isso.

- E o Jap�o? - O que tem o Jap�o?

A Alemanha lhe diz, "V� em frente".

O Jap�o responde, "Se eu for em frente, vou ter que me retirar s� para o mar."

E a Alemanha?

Anunciou pela r�dio 3 vezes que cruzou o Volga. Mentirosos.

Ningu�m pode fazer o Jap�o de bobo. Ele n�o � bobo tampouco.

N�o, Hitler est� acabado. Est� claro e cristalino.

Ontem eu escrevi um poema.

O que voc� escreveu?

Um poema sobre a guerra.

- Seja gentil, diga-nos. - Sim, diga-nos.

"A Alemanha fascista caiu sobre n�s com seus regimentos,

varreu tudo, como se chegasse um furac�o.

Com nossos tanques e canh�es iremos esmag�-los como vermes,

e eu tamb�m, se necess�rio for, cortarei a garganta dos fascistas."

Parece bomb�stico.

Bem, est� certo. S� n�o pode ser lido muito alto.

Mas diga-me, o que vai acontecer com ele agora?

Sua av� sabe que voc� come�ou a escrever versos?

Ainda n�o.

N�o lhe diga, filho. Ela j� tem problemas demais.

- Voc� escreveu mais coisas? - Sim, sobre o amor.

� interessante. Diga-nos.

- N�o seja encabulado. - V� em frente, estamos escutando.

"Noite, a lua, o vento, o frio,

Estou vagando em mau tempo,

Sozinho no mundo inteiro,

T�o feliz que eu uivo.

N�o durmo, eu n�o como,

Fiquei louco, � isto."

O que dizem?

A �ltima estrofe � muito boa.

Sente-se que essas palavras vieram direto do cora��o.

Disse que era um poema de amor, mas n�o h� uma palavra sobre o amor.

O menino est� ficando envergonhado.

Espere, os poemas precisam ser discutidos.

Primeiro voc� diz:

"Noite, a lua, o vento, o frio."

Como assim? Tudo de uma vez?

Escute, meu caro, se n�o pode dormir,

se h� um vento e um frio e o muito inteiro est� se desmoronando,

ent�o, por que voc� est� uivando de felicidade?

O que voc�s sabe sobre poesia? Voc�s s�o homens ignorantes.

Eu sei quando os homens come�am a escrever poemas.

Quando eu tinha a idade dele, aconteceu comigo, tamb�m.

N�o se preocupe, filho. N�o desanime. Escreva versos, se voc� quiser.

Se a garota por quem est� apaixonada for t�o boba quanto voc�,

ela certamente gostar� de seus versos.

E se ela n�o gostar, n�o fique triste. Significa que ela n�o � boba.

Escreva-os, filho, escreva seus versos.

Ningu�m atirar� em voc� por causa disso.

Chigogidze!

Certo, sente-se.

Kolondadze!

Voc� j� me chamou.

Certo, sente-se.

Dolidze!

Dolidze ficou doente e foi para casa,

e Tsinteradze, Burcheladze, Chkino, Nikize,

Koridze e Glonti foram visit�-lo.

Por que n�o foi a classe toda?

Quer�amos ir, mas n�o havia um lugar vago, para pegar carona.

Muito espirituoso. No quadro negro voc� n�o � t�o esperto.

Vashelamidze!

Vashelamidze!

Zuriko!

Sim, estou aqui.

Voc� est� aqui, mas parece que voc� n�o est� aqui.

Ser ou n�o ser: Eis a quest�o! � sobre ele.

- Kalandadze, saia da classe. - Est� frio l� fora.

Fa�a o que eu disse! Vashelamidze, venha ao quadro negro.

Bem...

Qual foi sua tarefa de casa para hoje?

As propriedades do s�dio e o m�todo de seu isolamento.

S�dio, seu isolamento e uso.

Bem, fale-nos sobre o uso de s�dio.

Na ind�stria.

O s�dio � usado na economia e na ind�stria.

O s�dio � usado na economia e na ind�stria.

H� muitas maneiras de se usar o s�dio.

Tais como.

Nodara! Ei, Nodara.

Kolondadze, fora!

Esta bem, prossiga.

Bem, o s�dio...

� dissolvido... Dissolvido...

Por exemplo, tio Iliko estica a l�ngua para fora,

derrama um pouco de s�dio nela e engole-o.

Assim, sem mais?

E Illarion Shevardnadze

coloca uma colher de ch� de s�dio em um copo com �gua, mexe e bebe.

Quando ele tem ressaca?

- E minha av�... - J� chega.

Saia da classe.

Eu sairei, claro, mas ent�o, quem ficar� aqui?

- Quem mora perto de sua casa? - Eu moro ao lado.

Voc� levar� um bilhete para a av� dele.

Vashelamidze, n�o se arraste. Saia.

Algumas pessoas t�m tanta sorte.

Dobardzhinidze!

Ao quadro negro!

- Oh, ent�o ele o expulsou tamb�m. - Sim, por sua causa.

O que eu tenho a ver com isso? Voc� senta-se na classe como um morto.

Pensa que n�o vejo que est� apaixonado?

- Por quem? - Por Meri.

Cale a boca! Mais uma palavra e eu arranco suas orelhas.

A classe inteira sabe disso.

N�o � da conta de ningu�m.

Por que est� nervoso? Quer que eu lhe diga que voc� est� louco por ela?

Seu idiota.

Eu mesmo posso dizer, se quiser.

Declarar seu amor n�o � nada igual apresentar sua li��o.

Voc� n�o pode fazer sem uma carta. Acredite-me, eu sei.

- Voc� j� escreveu uma carta assim? - Muitas vezes.

Diga-me como faz�-lo.

Como quiser. Vamos l�.

Escreva.

Oh!

Minha querida!

Minha incompar�vel e �nica! Alegria de minha vida!

Espere.

Vamos.

Minha incompar�vel e �nica! Alegria de minha vida!

- Ele escreveu isso para voc�, Olga? - Para mim? Imagine s�.

Desde a primeira vez que a vi

conheci a verdade absoluta da beleza.

Quando ele me viu?

Conheci voc� como o apogeu do sofrimento da alma

e a apoteose do prazer est�tico.

Isso n�o faz o menor sentido para mim.

O pr�prio diabo estaria perdido tentando encontrar o sentido do amor.

- Seus olhos me deixam louco. - Meus olhos?

Pense nisso!

E eu vejo a It�lia na p�rola de seus dentes.

Eu ainda tenho algum dente?

Ele exagerou um pouco aqui.

Em uma palavra, sou louco por voc�.

Vov� Olga!

H� alguma coisa errada aqui.

O que voc� quer, Meri?

Como voc� pode deixar uma pessoa louca desse jeito?

O que h� nesta carta que voc� me trouxe?

Nosso professor pediu-me para lhe dar um bilhete. Aqui est�.

E esse � algo diferente. N�o sei como foi que o recebi.

Illarion, leia para mim.

Por favor, venha at� a escola

devido ao indigno comportamento de seu neto.

E eu tenho que ir � escola todo santo dia?

Voc� merece ser morto, seu vagabundo!

D�-lhe, Olga!

Solte!

Meri!

Meri!

Isso � coisa do Romul. Eu n�o queria fazer.

N�o sei como acabou desse jeito.

- � uma piada de mau gosto. - N�o foi uma piada.

Meri, agora voc� pensa que eu sou mau?

N�o.

- Est� com frio? - Sim.

E eu n�o sinto frio algum.

- Meri. - O qu�, Juriko?

Meu Murada est� enterrado sob aquela �rvore l�.

Eu sei.

Eu amava tanto o Murada.

Eu o amava, a av�, Iliko e Illarion mais do que tudo na mundo.

Eu sei.

Eu falava com ele como com um homem.

N�s nos entend�amos perfeitamente. Ele me entendia e eu a ele.

Quando Murada morreu, quase enlouqueci. Isto � verdade.

Um homem pode enlouquecer por amor, Meri. Isto � verdade

Sabia como era Murada, n�o sabia?

Claro que sabia, Zuriko.

Ele o amava muito.

Ele sempre me dizia: "Meri � uma boa menina.

N�o h� outra garota como Meri no mundo inteiro.

Meri � a melhor.

Ningu�m tem os olhos como os de Meri.

E Meri � t�o inteligente e gentil."

Murada amava muito voc�.

Quase tanto quanto a mim. Acho que mesmo mais.

Ele rosnava para mim algumas vezes, mas nunca para voc�.

Voc� tamb�m amava meu Murada, n�o amava?

Sim, Zuriko, eu o amava muito.

- Est� aquecida? - Sim, estou aquecida.

Meri!

Sabe o qu�?

O qu�, Zuriko?

Havia uma neve desca�da.

Havia o vento.

Havia a lua e havia o sol.

E o amor, e muita neve.

Iliko teria morrido de rir.

Se h� neve no mundo, ele disse, e vento, e a mundo que desmorona,

por que est� t�o feliz, seu tolo?

Havia tudo aquilo, a neve, o vento, a lua e o sol,

e o mundo desmoronando e eu estava feliz.

Muito bem, filho. Est� tocando lindamente.

- Bom dia. - Bom dia, Illarion.

Voc� me deve uma bebida, Olga. Aqui, eu lhe trouxe um agitador.

- Oi, Zurikello. - Ol�, Georgi.

- Ol�, Olga. - Ol�. Tire seu casac�o.

N�o ficarei durante muito tempo, tenho muitas coisas para fazer.

Quais as novas, agitador? Como v�o as coisas na frente?

Eu lhe direi.

A ofensiva inimiga foi verificada,

o plano de Hitler de um ataque repentino falhou.

Lemos sobre isso em janeiro.

Agora � fevereiro. Conte-nos algo novo.

Olga, n�o exagere.

- Est� bem, vou levar de volta. - Vamos, eu s� estava brincando.

Oh, Iliko, o zarolho! Fa�a um floreio, Zurikello.

Agora escutem atentivamente. � um neg�cio s�rio.

Estamos escutando.

Camaradas.

Nossa p�tria socialista est� em perigo.

O inimigo trai�oeiro agarrou a nossa terra com suas patas sangrentas.

Nosso Ex�rcito Vermelho est� atacando heroicamente...

Por que est� falando conosco como um jornal falante?

Diga diretamente o que precisa ser dito.

Claro.

Repare, estamos coletando presentes para nossos lutadores.

Talvez voc� queira ajudar, tamb�m.

Deveria ter dito isso em primeiro lugar, inv�s de ficar enrolando.

Espere, Olga. Diga-nos que esp�cie de presentes.

Todos os tipos.

Frutas, frutas secas, meias de l� e outras coisas.

Hoje � quinta-feira.

Na segunda, um vag�o inteiro com presentes de nossa aldeia

ir� diretamente para frente.

Se pensar em algo, traga � Olga.

Nossos meninos vir�o e levar�o tudo. Bem, estou indo.

- Espere. - Tome uma bebida para a estrada.

Paz e felicidade para esta casa. � sua sa�de, Iliko.

� um verdadeiro fogo.

Tenho que ir. Adeus.

Quanto a mim...

O que eu tenho? Nada.

Apenas um manto de feltro. Est� pendurado l�, atr�s da porta.

Zurikello, traga-o aqui.

O que est� olhando? Disse para traz�-lo aqui.

O mundo n�o virar� de cabe�a para baixo, se um ot�rio velho como eu

n�o andar com um manto de feltro.

Posso muito bem passar o inverno usando este.

E a primavera est� pr�xima.

Iliko de um olho, o deus que o privou de seu olho deve se envergonhar..

Sempre soube que ele tinha um cora��o gentil.

Mas eu n�o sabia que o ouro puro estava batendo

nesse pequeno peito doentio.

Logo voltarei.

- Sabe aonde ele foi? - Aonde?

Ele foi para casa. Ele comprou um novo par de botas.

Ele ir� traz�-lo. Ver�o que ele trar�.

O carteiro veio at� mim hoje.

Ele trouxe a not�cia que Kukuri foi morto.

O que est� balbuciando? Como pode dizer uma coisa dessas?

Ele disse: N�o posso eu mesmo dar essa not�cia de morte para Illarion.

Voc� fala com ele.

Oh, Kukuri, filhinho, que trag�dia.

- O pobre menino foi morto perto de Kerch. - Como Illarion pode suportar isso?

Foi o s�timo na nossa aldeia.

E Illarion est� esperando por ele.

Contando os dias, antes da volta de seu filho.

Agora ele ir� saber que sua �rvore geneal�gica acabou.

Oh, Deus, que Voc� possa castigar Hitler, aquele assassino maldito!

Exterminar toda sua fam�lia at� a s�tima gera��o.

Oh, Kukuri, filhinho!

E se for um engano e Kukuri estiver vivo.

Algumas vezes acontece, tamb�m.

E se for verdade?

De qualquer jeito, seu pai deve esperar por ele. O homem vive de esperan�a.

Tenha cuidado, Zuriko, n�o diga nada. Entendeu?

Minha av� n�o dormiu naquela noite.

Toda aquela noite fria ela passou tricotando meias

para um soldado distante, que ela n�o conhecia.

Iliko n�o dormiu aquela noite.

Naquela noite eu tampouco dormi.

Apenas Illarion teve um sono pac�fico e sereno.

"Eu cobri a rota do globo inteiro:

A vida � boa e viver � bom...

Ent�o eu passo horas deitado num t�mulo sobre o grande rio..."

Compondo versos novamente?

Estamos nos preparando para os exames.

- Muito bem. Ol�, Meri. - Ol�, tio Illarion.

Como v�o as coisas?

- At� agora, tudo bem. - S� temos mais um exame para fazer.

Voc� vai para Tbilisi, tamb�m?

N�o, ficarei aqui.

Ent�o est� certo. Isto significa que ele n�o poder� correr para longe de n�s.

Tio Illarion!

Tio Illarion!

Estou aqui. O que aconteceu?

- Tio Illarion, a guerra acabou! - O que voc� disse?

A guerra acabou. Entendeu?

Venha c� filho, n�o tenha medo.

Foi Iliko de um olho que o enviou? Admita!

Entregaram-nos os diplomas de ensino m�dio de modo cerimonioso.

Nossos professores e pais de estudantes exemplares estavam no presidium.

Minha av� n�o estava no presidium.

Eu n�o consegui me tornar um estudante exemplar.

Ainda assim, orgulhosa e ansiosa, ela esperava pelo momento

quando ao seu neto educado fosse entregue com cerim�nia

um diploma, em frente a todos.

Caros camaradas pais, caros camaradas estudantes,

hoje � um dia hist�rico para n�s, camaradas.

O dia da gradua��o de nossa escola.

E agora, com o diploma de curso secund�rio em m�os,

ap�s deixar nossa escola, voc�s ir�o sair no caminho,

no largo caminho do conhecimento,

que os levar�o aos cumes inacess�veis da ci�ncia.

Em nosso pa�s, todas as portas est�o abertas aos jovens.

E qual a situa��o, camaradas, nos pa�ses capitalistas?

� bem o contr�rio, claro.

Quando a humanidade originou-se em nossa terra,

o homem aprendeu a falar e disse "ol�"...

Em seu discurso de abertura, o diretor fez um breve esbo�o

da import�ncia mundial do segundo grau.

Ent�o ele disse que a partir de agora �ramos pessoas independentes,

que a escola tinha nos dado tudo que podia

e que a partir deste dia poder�amos fazer o que quer que quis�ssemos

at� andar de cabe�a para baixo.

Meri Aleqsandrovna Sikharulidze!

Parab�ns pela gradua��o do secund�rio com honras.

Zurab Vladimirovich Vashelamidze!

N�o nos desaponte, Zurikello.

Gra�as a Deus este dia chegou.

Pegue o diploma, vov�.

Bom menino, Zurikello.

Este � realmente o seu diploma?

De quem mais? N�o v� a quantidade de C's nele?

Obrigada ao menos por este.

Meu querido filhinho.

Meu menino, meu querido Zurikello.

Gra�as a Deus tudo est� certo.

O que pensa tornar-se?

Ele n�o tem que pensar, meu neto ser� um m�dico.

Estou velha, preciso de cuidado.

Acho melhor ele ser juiz.

Nosso juiz, Valiko Badridze, chegou aqui em galochas horr�veis.

Viu como ele est� agora?

Um casaco de couro, chap�u, botas de borracha.

O que voc� quer ser, seu dissoluto?

Quero estudar para ser ator.

Nem pense nisso.

Que ideia maluca.

- Espere. - O que h�, Illarion?

Ele vai para a cidade feito um pedinte? Precisamos discutir e tomar uma decis�o.

O que se tem para discutir? Est� tudo claro.

- Precisar� de lugar para viver na cidade? - Precisar�.

- Precisar� de roupas? - Precisar�.

Precisar� comer?

Tudo isso precisa de dinheiro. E onde o conseguiremos?

O que devemos fazer, filho?

Pod�amos vender Pakizo

Pakizo?

- Sim, Pakizo. - Nossa vaca.

�timo. Teve essa ideia sozinho?

- �tima ideia. - Garoto esperto!

Um hurra para Iliko, o um-olho!

Quem iria compr�-la? Ela n�o � nada, sen�o pele e ossos.

- A pele n�o vale dinheiro? - Eles pagam o mesmo para uma cabra.

N�s temos uma vaca em comum, vov�, eu, Iliko e Illarion.

Nossa Pakizo.

Ela vive desde tempos imemoriais.

Se Pakizo n�o for t�o velha quanto minha av�,

ent�o ela tem, pelo menos, a mesma idade de Iliko.

E agora, toda arrumada como uma noiva,

inchada de �gua salgada, que lhe demos para que bebesse,

Pakizo vai ao mercado conosco.

Detesto me separar de voc�, Pakizo, mas o que posso fazer?

Por decis�o do conselho supremo da fam�lia,

voc� deve ser sacrificada por minha educa��o.

Ela est� morta.

N�o, querido, ela apenas cochilou. Ela n�o dormiu a noite toda.

Ele � que parece morto.

Se formos desta maneira, n�o chegaremos nem amanh� de manh�.

Quisera que j� estivesse escuro, pois poder�amos carreg�-la nas costas.

Chega de ficarmos sentados. Ajudem-me.

Illarion, venha c�. Zuriko, pegue-a pela cauda.

Agarre-a pela cauda.

Olga, � melhor que voc� a pegue pela cauda e Zuriko pelos chifres.

Esquecemos de trazer amon�aco para ela cheirar.

Oh, deus, ela � t�o pesada.

Um pouco mais, arraste-a.

Suas patas da frente v�o para l�. � isso.

Pakizo, levante-se e poder� pedir o que quiser.

Voc� n�o � t�o velha. Por que ficou t�o coxa?

Vamos, em frente!

Espere! Esqueci-me de aliment�-la.

Como pode par�-la agora? N�s mal conseguimos faz�-la se mexer.

O que acontecer� com ela? Espere, Illarion.

- N�o pare, Illarion! - E eu disse, pare!

N�o a escute, Illarion. Leve-a!

Espere! Pare! Seja humano.

Maldito!

Tenha cuidado na cidade. L�, n�o � igual na aldeia.

Deixe-me arrum�-lo.

Ou�a, meu caro, por favor, pare.

Ele parou, Zurikello.

Tenha cuidado, cuide-se, ela pode lhe dar um coice.

Leve-o para a cidade, por favor. Nosso Zuriko vai l� para estudar.

Leve-o l� e eu o pagarei.

Quando chegar, escreva-me. Deus o aben�oe, filho.

- Cuide-se. - Que Deus o acompanhe, Zuriko.

N�o seja envergonhado, Zuriko, mantenha o queixo alto.

Lembre-se, colocamos nossa confian�a em voc�.

- N�o se misture com as pessoas na cidade. - Seja um bom menino.

Posso colocar minha cesta aqui?

Vamos, r�pido, vamos.

O que � isso? N�o h� mais lugar para colocar minhas coisas.

V�, senhora. H� mais espa�o l�.

N�o crie desordem.

Tire seu p� de minha cabe�a.

- Meus p�s s�o limpos. - Ent�o coloque o outro tamb�m.

Abram as janelas, podemos sufocar.

Onde est� minha mala? Roubaram minha mala.

Est� aqui. Pare de gritar.

Respiraremos em turnos, n�o h� ar suficiente at� chegarmos em Tbilisi.

Por que todos os beliches est�o ocupados?

E meu beliche est� ocupado. Eu tenho o bilhete.

Segure isso bem.

N�o empurre, senhor.

Suba, antes que algu�m o pegue.

Onde diabos est� indo?

Os anos estudantis.

A �poca mais feliz na vida do homem.

Aquele que nunca foi um estudante

nunca apreciar� o gosto de uma crosta de p�o esfregada com alho,

o prazer de obter um "C" numa quest�o colada de um exame

o frescor da manh� depois de uma noite sem dormir,

o valor de um amigo e a dor de se separar dele,

e o sentimento de grande orgulho

quando voc�, um insignificante, sentado em uma palestra,

algum Zuriko Vashelamidze,

uma vez que voc� sai � rua,

torna-se o residente mais importante daquela cidade,

um estudante da universidade estadual.

Eles s�o chamados de hier�glifos,

pois consistem n�o de letras, mas de sinais representando...

Realmente? N�o fazia ideia.

Eu ganhei um "A", pode imaginar?

- Com licen�a, posso lhe perguntar uma coisa? - Sim.

Como posso encontrar Zuriko Vashelamidze?

- Quem? - Zuriko Vashelamidze.

- N�o sei. - Ele � um calouro.

- N�o o conhe�o. - Ele � alto e bonito.

Pergunte para outra pessoa.

Tio Illarion!

- Zurikello, meu menino! - Tio Illarion!

Quem � esse?

Como vai, tio Illarion? Como vai minha av�? Iliko?

Espere, deixe-me recuperar meu f�lego.

Por favor, conhe�am meu tio Illarion.

- O mesmo tio Illarion? - Sim, � ele.

Zuriko nos falou muito de voc�, demos boas gargalhadas.

Zurikello, o que voc� encontrou de t�o engra�ado em mim?

- Preciso ir para casa, � tarde. - Adeus, querida.

Ela � uma garota da cidade, mas canta can��es de nossa aldeia t�o lindamente.

Voltarei logo, tio Illarion. Essa � minha cama. Pode se deitar.

N�o, cantaremos um pouco mais.

Tudo corre t�o bem com tio Illarion.

Com licen�a, s� um momento.

- Parecem bom? - Parece bom, filho.

Zuriko, gosta de caminhar � noite?

Gosto.

Quisera que a manh� nunca chegasse.

Por qu�, Tsira?

Bem, a noite � mais bonita do que o dia.

Talvez esteja apaixonada por algu�m?

Sim, estou.

Com o c�u, as estrelas, essa �rvore. N�o acredita em mim?

- Quer que eu a beije? - Voc� est� louca.

Talvez. E voc�?

- Penso que sou normal. - N�o.

Voc� � cego e surdo.

N�o � verdade?

Aqui, olhe. Est� me vendo?

Apenas imagine, que eu veja.

E voc� me escuta?

Filho.

Voc� � um homem instru�do agora.

Desfruta de grande autoridade em Tbilisi.

Nossa escola recebeu uma carta da universidade.

Seus professores n�o conseguem encontrar palavras para louv�-lo.

Bom para voc�, filho.

Eu sabia que voc� surpreenderia o mundo.

Sua av� n�o quer outra coisa neste mundo

a n�o ser v�-lo feliz.

Logo voc� far� 20 anos.

Em um ano, encontrarei uma esposa para voc�.

Quem mais, al�m de mim, poderia embalar um ber�o com seu filho?

Ent�o eu morrerei e voc� carregar� meu corpo para o cemit�rio.

Mas n�o quero ver l�grimas em seus olhos.

Enterre-me com uma can��o e alegria, filho.

Terminei meu trabalho nesta terra.

A vaca de Iliko teve dois bezerros.

Arkhip, Mand�bula Grande rendeu sua alma para Deus.

Matryone finalmente casou seu moreno Maklana.

Meri e todo mundo enviam-lhe seus cumprimentos.

Beijando voc�, sua av� Olga.

Illarion est� muito mau, filho.

Ele reclama de dores no olho. O pobre homem est� sofrendo muito.

Temo por ele.

Consulte alguns professores e ajude-o, filho.

Iliko n�o � t�o est�pido

para n�o diferenciar um olho de vidro de um de verdade.

O qu�?

Nada.

Illarion n�o estava t�o triste pela perda de seu olho

como preocupado com o encontro iminente com Iliko.

Foi ele que sempre zombou de Iliko, chamando-o de zarolho.

Agora, como ele iria olh�-lo no rosto?

Vov�!

Zuriko, filho, at� que enfim!

N�o tem vergonha? Esqueceu-se completamente de sua av�.

Oh, voc� est� t�o magro, como uma ameixa seca.

- Vov�! - Meu filho!

Gra�as a Deus meu menino veio. At� que enfim, terminou seus estudos.

- Ainda tenho 3 anos de estudo. - Sua pobre av�.

Voc� tem planos para estudar o resto de sua vida?

Malditos professores, os seus. S�o realmente tiranos.

Diga-lhe que voc� tem uma av� velha, doente, que n�o pode ficar sozinha.

- Talvez eles o liberem mais cedo? - Est� bem, eu lhes direi.

Est�o completamente loucos. Tr�s anos inteiros!

Olga, diga ol� para mim, pelo menos.

Lamento, Illarion. N�o me dei conta de voc�, por causa desse diabinho.

Como vai, querido?

Diga-me, como vai seu olho? D�i?

Como pode doer? Eu n�o tenho olho.

Do que est� falando, desgra�ado? Voc� acha que eu n�o entendo?

Isso n�o � um olho?

O que posso dizer, Olga?

� como a pipa, pendurada na parede de Iliko.

O que est� dizendo? � realmente um olho de vidro?

Sim, um olho de vidro.

N�o importa. Voc� est� vivo e bem e estamos todos com voc�.

- Entrem. - Estou cansado.

Est� tudo bem. Pegue a sua mala.

Vamos nos sentar e conversar um pouco. Vamos, meu querido.

Olga?!

- Iliko est� aqui. - Falando do diabo.

- Nenhuma palavra sobre o olho. - Deus me livre.

Tio Iliko!

Meus respeitos ao professor.

Como vai? Veja como voc� ficou alto!

Forte como um touro, como um animal.

E voc� costumava ser apenas um beb� um bezerro da vila.

Oh, meu querido Zuriko!

Voc� deve ter deixado loucos todos os professores de Tbilisi.

Oh, sauda��es a Illarion!

O que aconteceu com voc�.

Nenhuma simples carta todos esses anos? N�o tem vergonha?

- Ol�, Iliko. - Ol�, Illarion.

Bem, sente-se e diga-nos o que est� acontecendo na cidade.

Quais as novidades? Como � a comida de l�?

Cara? Barata? Voc� trouxe uma barata do mar?

- Lamento, eu me esqueci. - Em que estava pensando?

Illarion, ele aprendeu alguma coisa?

N�o o vi com livros.

Deve estar aprendendo tudo de cor.

Bem, vamos tomar uma bebida, meus amigos.

Para o seu regresso � casa.

Voc� n�o tem vergonha.

Eu estava esperando por sua vinda e para que me contasse as novidades e voc�...

Voc�s me encontraram como lobos. Amigos comportam-se desse jeito?

N�o quero botar os p�s aqui novamente.

N�o fique bravo, tio Iliko. S� estamos cansados.

Eu estava t�o feliz por sua vinda. Corri direto para c�.

Talvez voc� pense que vim aqui por este vinagre?

Sabemos por que veio.

Ent�o diga-me por que pensa que eu vim, voc� e sua l�ngua suja

Bem, Iliko, o Zarolho, vamos, diga diretamente. Estou em suas m�os.

V� em frente, morda-me.

Coma-me, corpo e alma. Estou aqui, na sua frente.

O pobre homem ficou louco.

Louco como um c�o. Que po��o voc� lhe deu para beber?

Enviei um homem de ouro para voc� em Tbilisi.

E quem voc� me trouxe? Algum imbecil.

Tio Iliko.

Ele n�o notou nada. Vamos, tio Illarion.

Vamos beber ao seu regresso, � nossa reuni�o.

Isso � uma quest�o diferente. Porque voc� assustou o r�gido velho zarolho.

Voc� n�o tem piedade?

Ao seu regresso. � nossa amizade.

Possa voc� ser saud�vel e feliz!

Voc� tamb�m, Zurikello.

Zurikello, abra o port�o.

Iliko, meu querido,

voc� nem ao me nos sabe o quanto eu o amo.

Eu sei, eu sei.

Eu sei, Illarion.

Sou mais caro a voc� do que seu pr�prio olho.

Illarion!

O qu�, seu diabo zarolho?

N�o se esque�a de colocar seu olho no copo durante a noite.

- O qu�? - Nada.

Vamos, pisque para mim com seu novo olho.

- Iliko Chigogidze! - Sim, sim, sim!

Continue repetindo meu nome, ou voc� pode esquec�-lo.

Na verdade, voc� tem muita sorte, porque voc� gosta de ca�ar.

Agora n�o ter� que fechar seu olho.

Voc� pode disparar o quanto quiser atirar em todos os c�es na aldeia.

N�o perder nenhum.

Iliko Chigogidze, n�o me leve a...

Illarion Shevardnadze, n�o se aproxime de mim ou quebrarei seu peda�o de vidro

e voc� ter� que ca�ar meu rabo!

Aqui, pegue um cigarro. Pegue-o eu disse.

Eu quase morri, quando soube de sua desgra�a.

Possa eu perder meu segundo olho, se n�o estiver falando a verdade.

E como poderia ser de outra forma?

Sua desgra�a � a minha desgra�a.

E sua cegueira � a minha cegueira. Est� claro para todos.

Ele ficou ofendido, homem bobo. N�o esperava isso de voc�.

Voc� sempre me chamou de Zarolho e n�o me ofendeu.

Zarolho, que desgra�a!

Kutuzov era zarolho tamb�m. Mas ele podia ver melhor que ningu�m.

Mesmo se ele perder ambos os olhos, ele estar� bem.

Ele segura as m�os e anda sobre esta terra.

Se n�o pudermos fazer sozinhos, esse menino nos guiar�.

E voc� desceu nos lix�es. Devia se envergonhar!

- Iliko. - O qu�, Illarion?

Pegue a barata do mar. Ela vai bem com vinho e polenta.

Muito bem.

- Eu trouxe-as para voc�s. - Sabia que voc� as traria.

Esperem, vamos para o mesmo caminho.

Vov� Olga.

Pode nos emprestar sua peneira, por favor?

V� e pegue-a. Voc� sabe onde ela est�.

Comam, comam. N�o querem mais?

Abra sua boca.

Beba isso, eu disse.

- Ol�, Meri. - Ol�, Zuriko.

Obrigada, vov� Olga.

- Sente-se, Meri. - Estou com pressa.

- Acompanhe-a. - Por qu�? N�o preciso disso.

Voc� n�o, mas ele sim. Acompanhe-a, Zuriko.

- Meri. - O qu�, Zuriko?

Meu Murada est� enterrado embaixo daquela �rvore ali.

Eu sei.

Ele a amava muito, meu Murada.

E ele nunca rosnou para mim.

Ele sempre me disse: "Mari � uma boa garota.

N�o h� outra garota como Meri em lugar algum.

Meri � uma garota linda.

Ningu�m no mundo tem olhos como os de Meri.

Meri � uma garota muito gentil e inteligente."

Voc� amava meu Murada?

Sim, Zuriko, eu amava Murada muito.

O tempo estava passando numa velocidade incr�vel.

Os felizes anos de estudante estavam terminando.

Os dias n�o mais pareciam um como o outro,

como os bolos chatos de minha av�, assados em cinzas pareciam.

E ent�o chegou o dia.

- Bem, chegou a hora. - Adeus.

Adeus.

- E onde... - Adeus.

Penso que voc� deva ir por esse caminho.

- Quem est� com os bilhetes? - Tsira.

- Verifique. - Veja se eu n�o os esqueci.

Eles est�o no lugar.

- Voc� os t�m? - Est�o aqui.

Vamos.

Esse � nosso carro?

- Tsira, nosso carro est� l�. - Vamos, vamos.

- O nosso est� mais adiante. - O pr�ximo.

Este.

O que aconteceu? Apressem-se.

Esse aqui?

- Ajude-me. - Vamos.

D�-me isso aqui.

Zuriko, d�-me a valise, colocarei no beliche de Tsira

Zuriko!

O qu�, Tsira?

- Ent�o voc� vai para a aldeia? - Sim.

Ir� me ver?

Por que n�o diz nada?

Zuriko, por que n�o me responde?

Zuriko!

Tsira, voc� � uma garota legal.

Voc� j� me disse isso.

Tsira, voc� n�o me ama.

Voc� s� est� imaginando, acredite-me.

N�o, Zuriko.

N�o creio que uma garota como voc� poderia se apaixonar por mim.

Voc� � muito melhor do que eu.

Eu sei, Tsira. Eu sei de tudo.

Algumas vezes eu tamb�m pensei que estava apaixonado por voc�.

Mas n�o � assim. N�s apenas imaginamos isso.

Eu deveria ter lhe dito isso antes, mas eu n�o conseguia resolver isso.

N�o sei por que aconteceu assim, mas eu amo outra garota.

Mais do que qualquer pessoa no mundo.

Seu nome � Meri.

Eu a amo e a amarei pelo resto de meus dias.

Aqui estou eu. Ol�.

- Ol�. - Ol�.

O que aconteceu?

Ontem ela passou muito mal. Pensamos que n�o viveria at� o amanhecer.

- Voc� recebeu meu telegrama? - Que telegrama?

Mandamos-lhe um telegrama. Ela ficou muito doente ontem.

Espere, ela adormeceu.

Illarion, estou sonhando, ou realmente ou�o a voz do meu garoto?

- Sou eu, vov�. - Meu filho querido.

Meu amor.

Seu cora��o sentiu isso.

Pensou que sua av� viveria para sempre?

N�o diga isso, vov�.

Meu tempo chegou, filho.

Sua av� n�o vai se levantar outra vez.

Nada pode ser feito quanto a isso. � hora.

Eu tenho sobrecarregado esta terra por 80 anos.

80 anos n�o � brincadeira. Mas ainda estou ansiando pela vida.

As pessoas t�m cora��es gananciosos,

nada � suficiente para eles, por mais que tenham vivido.

Tenho vergonha de admiti-lo, filho,

que eu queria viver um pouquinho mais, mas n�o estou destinada a isso.

Vamos, Olga, voc� vai sobreviver a uma d�zia de homens como n�s.

Illarion Shevardnadze!

Primeiro, enxugue suas l�grimas, depois pode fazer piada.

Meu filho acabou sua educa��o?

Sim, vov�.

Agora, escute-me.

Voc� os v�, Iliko e Illarion?

N�o os perca, filho.

Sempre escute o que eles dizem.

Voc� nunca ser� capaz de pag�-los

por todo bem que eles lhe fizeram.

N�o prometa nada.

Apenas ame-os como eles amam voc�.

Vamos, Iliko e Illarion, saiam.

Deixe-me sozinha com meu Zurikello.

Venha c�, filhinho, eu o beijarei.

Meu menino muito amado.

Bem, agora v�, Zurikello.

Deixe-me sozinha.

V�, meu menino.

V�.

Oh, Deus Todo Poderoso,

Oh, Deus o misericordioso.

A Santa m�e de Deus, Virgem Maria,

N�o renegue Sua clem�ncia para minha carne e sangue,

meu Zurikello

E sua descend�ncia

estenda Sua m�o sobre meu infort�nio,

fa�a a luz ante a escurid�o dele

e d�-lhe longos anos de vida.

E eu pegarei Iliko e Illarion.

E todos n�s viveremos juntos.

Eu, Iliko, Illarion e Meri.

Eu terei muitos filhos,

netos e bisnetos.

E os filhos deles, tamb�m,

e consertaremos toda a aldeia.

Ent�o seremos em n�mero maior.

E o mundo inteiro - isto ser� n�s.

N�s somos o mundo inteiro.

E nunca morreremos, nunca fugiremos,

e n�o haver� fim para n�s.

Legenda em portugu�s do Brasil: Lu Stoker

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