All language subtitles for Marvin.ou.La.Belle.Education.2017.1080p.BRRip.x264.AC3.HORiZON-ArtSubs.AMARELO+NEGRITO

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- Art Subs - 10 anos fazendo Arte para voc�!

Marvin?

Bijou!

Marvin, viadinho, viadinho!

Mas que viadinho t�o lindo!

H� quanto tempo, Bijou.

Voc� quer, n�o?

Veja como a pele dele � suave.

T�o lindo.

Olha s� este viadinho!

Agora voc� vai lamber. Vamos, abre.

Abre a boca! Abre!

Lambe! Vamos, lambe!

O que foi? Algum problema?

Qual � o seu problema? N�o gosta?

Todas as putas gostam.

Vamos l�.

Com essa boquinha.

Viadinho!

Vamos embora. Vamos, vamos!

Viadinho!

Te vejo olhar pela janela

Como se fosse eu

Como se estivesse na sua cabe�a

Acredite, irm�zinha O sil�ncio e o frio

Isso sei eu de cor

Passei por isso antes de voc�

Vejo que aguarda, Aguarda que sua sorte mude

Dan�o, com total indiferen�a

Voc� refaz a lista Do que n�o vale a pena

Nem tudo � triste Diz isso a si mesma

Irm�zinha

Compreendo sua dor e pesar

Pois senti o mesmo No meu cora��o

Voc� � t�o chato, Gerald. Abaixe o som. N�o se ouve nada.

N�o t� nem a�. Vai come�ar.

N�o vai abaixar essa merda?

Estou cagando, j� disse.

Que tal mexerem o traseiro, rapazes?

Limpem a mesa.

O que � isso na sua cara?

Andou brigando?

Que merda!

Isso n�o desaperta.

O que foi, magricela? N�o est� bom?

N�o estou com fome.

Voc� sabe que ningu�m gosta disto.

Por que n�o fez batata frita?

J� comemos ontem. E precisamos comer salada.

- E foi a vizinha que nos deu. - Mas que merda!

Estamos pastando.

O que acha que vai fazer?

N�o tem batatas fritas. Acabaram ontem.

Deixa de ser idiota!

- Requentado � horr�vel. - Tamb�m estou farto.

Vou contigo.

Idiotas! N�o v�o encontrar nada. Est� tudo fechado.

O supermercado, n�o. E mexa esse rabo.

Ponha o �leo pra esquentar.

- N�o vai esquentar o �leo? - Eles que se danem.

Eles n�o foram buscar batatas.

- Olha s�, duas garrafas! - Isso.

S� uma n�o vale a pena.

N�o esquentou o �leo.

Achei que iam comer fora, porque minha comida n�o presta.

Quero l� saber o que voc� acha.

N�o me interessa.

Vamos tomar um aperitivo.

Remy, para a cama.

- N�o tenho sono. - N�o me interessa. Cama!

S� fiz amor sozinho.

Quanto a mulheres,

n�o foi por falta de tempo.

Foi falta de coragem.

Antes de morrer...

gostaria que ela me beijasse o ventre.

QUE SE FODA A POL�CIA MORTE AOS VIADOS

Ei, viadinho!

O que Homi Sorabji disse, e que ir� nos explicar mais tarde,

� que a opress�o come�a antes de algum ato de opress�o.

Uma ferramenta usada para tornar o oprimido um objeto

consiste em lhe impor uma identidade.

Ou seja, o opressor d� uma identidade ao oprimido.

Por exemplo, ser negro aos olhos de um branco.

Hoje, a palestra do Abel estava lotada.

Sou eu o respons�vel do website da Escola de Teatro de Nancy.

Escrevo as biografias dos convidados,

entre outras coisas.

Ganho algum dinheiro,

e posso ir a Paris visitar o Abel e o Pierre.

Na verdade, somos todos atores.

Quem aqui n�o tem nada a ver com teatro?

Eu.

N�o tenho tanta certeza. Vi fotos do seu jardim.

Tamb�m � uma forma de cenografia, n�o?

- Com as plantas. - Concordo plenamente.

Passeamos nos seus jardins como em uma hist�ria.

� muito justo.

Sim, talvez, mas s�o hist�rias sem palavras. Mudas.

Apenas o que se v� e o que se cheira.

E voc�? N�o levantou a m�o.

Que liga��o tem com o teatro?

Fa�o uma pe�a sozinho.

Sobre o qu�?

Como voc� define o que eu fa�o?

� uma hist�ria de amor complexa,

pura, m�ltipla

e composta.

� o que diria, talvez,

J.D. Salinger.

Est�o prontos? Vamos fazer uma viagem.

Conte para eles.

Fala de um mau come�o.

E qual o seu nome?

Marvin Bijou.

N�o mude nada, Marvin.

� bom assim, quando sacode seu rabo.

N�s gostamos assim. Como uma menina.

Cai fora!

Todo mundo tem o texto de "As Artimanhas de Scapino"?

Quem n�o tem?

Compartilhem com o vizinho, mas amanh� tragam.

As Artimanhas de Scapino, de Moli�re,

� uma pe�a de teatro em tr�s atos.

Quem sabe me dizer quanto tempo dura um ato?

Um ato dura 30 minutos.

� o tempo que dura uma vela. N�o havia eletricidade na �poca.

Esta pe�a...

estreou em 1671 no Th��tre du Palais Royal.

Algu�m sabe me dizer outras obras de Moli�re?

"O Avarento".

Muito bem, C�line.

A pe�a n�o teve grande sucesso...

- Al�, quem fala? - N�o acredito!

O que foi que eu disse?

� a Carolus que est� aos gritos.

Ela � doida.

Est� nervosa?

- V� tomar seus comprimidos! - Senhora!

Tome, isto caiu da sua cabe�a.

Inacredit�vel. S�o uns animais.

� Carolus porque sempre bebe Carlsberg?

J� chega!

Se acalmem.

Vamos continuar.

Algu�m sabe me dizer o que significa "artimanha"?

Por favor.

Algu�m...?

Entre.

Sentem-se, por favor.

Bom dia, Sra. Carolus. Desculpe interromper a sua aula.

Temos um comunicado a fazer aos alunos.

Como sabem, vou sair desta escola,

e queria lhes apresentar a minha substituta.

- Dou a palavra � Sra. Clement. - Obrigada.

- Bom dia. - Bem-vinda.

Como o Sr. Metzinger j� disse, sou a nova diretora.

Espero nos darmos bem.

De minha parte,

n�o preciso que me achem legal.

E isso ser� rec�proco.

� mais f�cil para mim complicar a vida dos maus alunos

do que o contr�rio.

Espero que saiba chupar.

Todas as garotas gostam de um pau.

N�o se mexa.

Vamos te deixar bonito.

Isso, assim.

Que lindo.

Fica lindo, assim.

T�o lindo.

Vigie l�.

Agora voc� vai me chupar.

E n�o meta os dentes.

Vai morrer se n�o fizer direito.

Voc� gosta assim, n�o �, putinha?

Est� vindo algu�m!

38.5!

Deve ter pego alguma porcaria na piscina. Elas s�o um nojo.

- Posso ficar em casa? - J� n�o faltou muito?

N�o, nem tanto.

Minha m�e n�o via nada.

N�o fazia ideia do que me acontecia na escola.

N�o fazia perguntas, n�o estava atenta.

Era uma m�e...

apesar de tudo.

Uma m�e apesar de si mesma.

Como todas as m�es que foram m�es jovens demais.

Uma m�e apesar de si mesma,

como todas as m�es que foram m�es jovens demais.

Era uma das leis da aldeia.

N�o ter filhos...

significava que era fr�gida

ou l�sbica.

Merda, isso me mata!

Na verdade, foi como se estivesse constipada.

Fui correndo pro banheiro.

Nem precisei fazer for�a.

Ouvi um barulho e olhei.

O nen�m estava l�.

Podia ter sido voc�.

Mas fui uma idiota,

estava cheia de medo.

Voc� nem imagina.

Puxei a descarga. Nem queira saber...

Seu pai ficou doido.

� normal, era o primeiro filho dele.

O primeiro.

Bem...

Mas como sou uma boa galinha poedeira...

Papai?

O que quer dizer viado?

Est� me gozando?

Est� escrito no ponto de �nibus.

Voc� sabe bem o que significa.

Uma coisa de degenerados.

Como um tipo de doen�a mental.

Ent�o!

Voc� sabe bem o que significa!

� um tipo de doen�a mental.

Uma coisa de degenerados.

E eu me lembro bem o que pensei nesse dia.

Um pensamento de crian�a, claro.

Ou seja, muito l�gico.

Pensei...

Se ser viado � uma doen�a mental,

ent�o n�o posso ser viado,

porque n�o sou maluco.

Hoje gostaria de trabalhar o sentimento de melancolia.

Seria bom se n�s tent�ssemos, rapidamente,

definir a palavra, cada um de n�s,

de uma forma �ntima para si mesmo.

E que seja uma defini��o bem r�pida.

Vamos come�ar por voc�.

� como uma nostalgia que se aprofunda.

- Voc�? - Uma onda de mem�rias.

Uma onda de mem�rias.

Voc�.

Temos uma boa resposta aqui.

- Voc�? - Um sentimento profundo.

- Certo. - � como se flutu�ssemos.

Como se flutu�ssemos. Certo. Por que n�o?

Cada um tem sua defini��o...

Abel tem pouco mais de 40 anos,

mas ainda parece a crian�a que foi um dia.

Um rapaz divertido que te deixa � vontade sem dizer nada.

Abel tamb�m fugiu para se tornar outra pessoa.

Foi Abel quem me ensinou como me tornar outra pessoa.

Ou seja, eu mesmo.

Para poder me reinventar.

Ele diz que basta arrancar o cora��o e pronto.

Voc� arranca o cora��o.

Corta todos os nervos e veias.

E foge correndo.

Sem olhar para tr�s.

Quem � o pr�ximo no banho? A �gua est� ficando fria!

Se seque e vista o pijama.

Vamos l�, meninos. Vamos!

Ainda est� nu? Minha m�e est� chegando.

E da�?

Ela nunca viu um homem nu?

Toma, olha!

Eu gosto de trabalhar nu!

- Ol�, papai. - Tudo bem?

J� est� come�ando a me chatear!

Quem � que manda aqui?

- Ol�, Vanessa. - Ol�.

Ol�, querida. O Pat n�o veio?

N�o. N�s discutimos.

Que merda.

Coloque isso. Vamos logo.

Vamos, se solte um pouco s� uma vez.

Pegue o azul!

Azul, azul.

Minhas costas est�o doendo.

Dany, voc� � p�ssimo!

Quanto custa isto?

Dois euros.

Dois euros cada.

� s�?

Dois euros, por favor.

Obrigada. Tchau.

Remy!

Papai, onde est� Remy?

N�o est� contigo?

N�o sei, ele sumiu.

� assim que toma conta do seu irm�o?

Voc� n�o serve pra nada!

- Ele perdeu o garoto. - O qu�?

Remy?

Remy?

Remy?

Deviam cortar o saco desses caras e obrig�-los a comer.

Sem pena de morte,

s� h� viados e estupradores de crian�as.

Remy?

Onde voc� est�, caralho?

- Remy? - Remy?

Mas que merda � essa?

- Onde ele estava? - Na igreja.

Na igreja?

N�o acredito.

J� viu o estado em que voc� coloca as pessoas?

Vamos, para a cama.

- N�o t� com sono. - J� viu o que voc� fez?

Estragou a nossa festa.

Olhe para mim quando falo contigo.

Por que voc� me fode assim?

Por qu�?

Vou enfiar a porrada nele.

J� perdeu o jeito, � isso?

- Como se eu tivesse te batido. - Voc� n�o � meu pai verdadeiro!

Meu pai me batia. N�o era, mam�e?

N�o me batia?

E eu agrade�o a ele por isso.

� normal. � assim que se aprende.

Se meta na sua vida.

O medo � melhor que a dor.

E voc�, v� deitar.

N�o estou cansado.

N�o discuta. V� se deitar.

Olhem s� como educaram o Marvin.

Acham que o educaram bem? Fizeram dele uma menina.

E logo, logo o Remy tamb�m ser� uma menina.

O que foi?

Eu vou te matar!

N�o bata no seu irm�o. N�o tem vergonha na cara?

N�o me diga como cri�-los. Vamos ver quando tiver os seus.

- Deixe seu irm�o em paz! - Pare com isso, Gerald.

Como � que voc� aguenta isso? Ter isso aqui em casa?

Esse viadinho!

Esse merdinha!

Eu vou te matar!

- Corra para o banheiro! - Vou acabar com voc�, viado!

Amanh� vai se arrepender disso.

- Me largue! - N�o bata no seu pai!

Gerald, pare! Pare!

Morram voc�s!

N�o me importo se morrerem! Estou de saco cheio!

N�o me importo se morrerem!

N�o me toque.

De onde veio aquilo?

A quem ele saiu?

Alguma vez bati nele?

Batiam era em mim.

Meu pai � que nos batia. Aquele filho da puta!

Que arda no inferno!

Alguma vez levantei a m�o para voc�s?

Levantei?

Gerald s� pode estar brincando.

Isso n�o est� certo.

N�o est� certo.

E o outro? Por que se comporta como um viadinho?

O que ele tem?

� s� para nos chatear?

Por que nos envergonha?

O que faz a�, Bijou?

N�o foi � piscina.

Perdi o �nibus, senhora.

Mas n�o pode ficar a�.

Com licen�a, Sra. Carolus. Tenho aqui o Bijou.

Muito bem.

Vai ficar melhor aqui.

Obrigada, Julie.

Quer tentar, Marvin?

- Tentar o qu�? - Improvisar.

Voc� fica no meio e faz qualquer coisa.

N�o sei.

Uma coisa que voc� viu. O que quiser.

Para a mesa!

Parecemos vacas pastando.

Olha o que sua m�e nos d� para comer.

E depois se queixa que o Marvin � um magricela.

V�o fazer dele uma garota com esse jeitinho dele.

Gerald, n�o fale assim do seu irm�o!

Sim, mas sabe o qu�? Remy, ligue a televis�o.

J� sei o que vou fazer.

Vou ao supermercado comprar batata frita e cerveja.

N�o quero nem saber.

N�o contem comigo para esquentar o �leo.

Gerald, voc� vem comigo?

Estou cagando, j� disse!

Voc�s enchem meu saco!

- Ol�. - Ol�, Pierre.

- Tudo bem? - Tudo, e voc�?

- Ol�, Abel. - Ol�. Tudo bem?

Trouxe uma coisa.

Que simp�tico.

N�o precisa trazer nada quando vier aqui.

N�o sabia o que escolher.

�timo! Colocamos na geladeira?

Obrigado.

Quando o tempo muda, eu gosto de ostras.

Devem ser muito caras.

N�o se preocupe com isso esta noite.

N�o � s� hoje. Voc�s que pagam sempre.

Isso faz de voc� uma presen�a constante.

De qualquer modo, falamos mal da rotina e bem das novidades.

Ele � assim mesmo. Est� falando s�rio.

N�o gosta?

Gosto.

Olha.

Voc� p�e um pouco de lim�o, assim.

Se ela se mexer... viu?

Significa que est� fresca.

Depois engole tudo de uma vez.

Deixe ele fazer.

- O que est� olhando? - O buraco no seu su�ter.

N�o, voc� n�o!

Abel tamb�m faz o mesmo. Isso o deixa louco.

� a descontra��o burguesa.

Pierre teve pouca lou�a lascada e camisas com buracos na inf�ncia.

N�o tem nada a ver. J� vi que n�o s�o artistas.

N�o diga.

� o meu lado Caravaggio.

Caravaggio usava as roupas at� se desfazerem.

Quando forem verdadeiros artistas, tamb�m ter�o buracos.

Fa�am um esfor�o, rapazes.

Com certeza.

O que faremos a seguir?

Querem sair?

Eu n�o, obrigado.

Tenho um dia de trabalho de artista para terminar.

Mas estejam � vontade.

Quem quer salada?

N�o, obrigado.

Quer beber alguma coisa?

Vou cumprimentar umas pessoas.

Est� sozinho?

N�o, estou com um amigo.

- Dan�amos depois? - Sim, mais tarde.

At� logo.

Quer?

Muito obrigado.

Parab�ns!

Tem uma boa educa��o.

O que voc� quer?

Para beber ou para a minha vida?

Para beber, para come�ar.

O mesmo que voc�.

Gosta de jovens?

Desses, sim, muito.

- Sobrinhos? - N�o.

N�o, s�o meus filhos.

Parecem um pouco com voc�.

Sim. N�o tanto quanto eu gostaria.

Sente-se.

Voc� se parece com seus pais?

Mais do que eu gostaria.

O que eles fazem?

Meu pai vende coca�na e armas e minha m�e � puta.

Ela prefere dizer "acompanhante".

Meu pai pode nem ser meu pai.

Nada mau.

E voc�, o que faz?

Estudo numa escola de teatro.

Ah, sim.

Teatro.

N�o vai seguir o neg�cio do seu pai?

Ainda estou pensando.

N�o pense muito. N�o perca tempo.

Decida depressa. O segredo � esse.

Para ter um carro daqueles?

Entre outras coisas.

Ent�o, quando devemos pensar?

Pensar sobre o qu�?

Pobrezinho, ele quer pensar.

� quando pensa que o trapezista cai.

Pensar...

O quarto � por aqui.

Roland...

Eu n�o vou ficar.

Est� bem, como quiser.

Obrigado pela bebida.

J� percebi... Car�ter.

For�a moral, n�o �?

Car�ter ou quer me excitar?

N�o. Car�ter.

Muito bem.

N�o � assim t�o puta.

N�o est� nos seus genes.

Mais um motivo para nos reencontrarmos.

Sra. Champbaudet, voc� me convidou para o seu c�rculo mais �ntimo.

Devo lhe dizer as minhas impress�es.

Ele vai se declarar!

A primeira vez que a vi, disse para mim:

"Como � bela esta mulher!"

Sr. Paul!

- Sim? - Nada, continue.

No segundo dia eu me disse:

"Que am�vel e espirituosa."

- Lisonjeador. - Mas logo fiquei triste.

Por qu�?

Ao ver seu isolamento,

n�o pude deixar de pensar nas flores do deserto

que morrem, infelizmente,

sem que lhes tenham sentido o cheiro.

Mas...

Mulher austera!

Est� na hora de limpar as l�grimas e abra�ar a vida.

E a vida � bela para quem sabe amar.

Sim?

�?

Suponho que sim.

� bom dizer a um homem de qualquer idade:

"Aqui est� o meu cora��o. Me d� o seu...

e partamos para Asseni�res."

Asni�res.

Se diz Asseni�res.

N�o.

N�o � Asseni�res, � Asni�res.

Voc� � t�o burro.

� Asseni�res?

Asni�res, mas parab�ns, esteve muito bem.

A aula terminou.

Lembro a voc�s que preciso saber

quem quer fazer a audi��o

para as aulas de teatro na Escola de Epinal.

Parece que estamos falando chin�s.

Se houver candidatos, temos que saber.

Que porcaria est� fazendo?

Vamos, saia.

Voc� ainda n�o se vestiu?

N�o me chateie.

N�o me encha o saco.

Assim n�o vamos sair!

N�o quero saber dessa roupa!

Minhas costas est�o doendo!

Preciso repetir?

Mal consigo me dobrar para vestir a cueca.

N�o vou vestir uma cal�a.

N�o consigo me dobrar.

Voc� n�o faz nada o dia todo e n�o vai buscar Marvin?

Mais alguma coisa? Merda!

N�o gasto uma gota de gasolina com essa merda de teatro.

Acha que somos ricos?

J� viu o pre�o da gasolina?

Ele mente. Est� sempre mentindo.

Tem sempre dinheiro para bebida e cigarro.

Tr�s ma�os por dia para os dois.

� muita gasolina.

E ele n�o anda nu por doerem suas costas.

Ele gosta de andar assim.

Ele j� disse.

Ele fala do dinheiro para nos envergonhar.

O que est� fazendo?

Quero te foder.

Voc� n�o disse que gostava?

N�o mentiu pra mim, n�o foi?

Sobre uma coisa t�o importante.

Bijou?

O que faz aqui?

Seus pais n�o podem ir busc�-lo?

Est�o trabalhando.

Voc� fez bem o Labiche, hein?

Voc� n�o � nada mau como sedutor.

As aulas de teatro na Epinal n�o te interessam?

Pensei que gostava de teatro.

Sim, � legal.

Legal?

Ent�o, o que vai fazer?

N�o gosta porque � um internato?

Ser� a mesma coisa se fizer a escola t�cnica.

Me deixe aqui na pra�a.

N�o, vou lev�-lo em casa.

Eu termino as minhas tarefas.

Depois � mais complicado.

Deve haver uma rua. N�o seja infantil.

Se gosta de mim, me deixe aqui.

O que disse?

Desculpe, nem te agradeci ontem.

N�o teve tempo, mas nunca � tarde.

Obrigado, ent�o.

Queria dizer que vou tentar as aulas de teatro.

S�rio?

Ent�o, ao trabalho.

"Juventude, aten��o ao que vos digo.

Tudo pode surgir de uma palavra que se perde.

Tudo! O �dio e a tristeza.

N�o protestem!

Os vossos amigos sabem que a vossa voz � suave.

Mas aquela palavra que achavam n�o ter sido ouvida,

murmurada num lugar sombrio e escuro,

mal sai, parte, escapa, para longe da escurid�o!"

"Sobe as escadas, abre a porta, passa,

entra e, zombando, olha o homem nos olhos

e diz: "Aqui estou eu, saindo da boca de algu�m".

Est� feito. Voc� tem um inimigo mortal."

Muito bem. Est� melhor.

Mas gostaria de sentir a presen�a do autor.

Ponha-se no lugar dele.

Procure sentir cada palavra.

Ainda soa um pouco como na escola.

� normal, estou na escola.

Voc� entendeu.

Outra vez.

"Juventude, aten��o ao que vos digo.

Tudo pode surgir de uma palavra que se perde.

Tudo! O �dio e a tristeza. N�o protestem!

Os vossos amigos sabem que a vossa voz � suave..."

Desculpe.

Com licen�a. Sim, Christophe?

Te liguei porque o texto precisa ser alterado.

N�o � um hotel tradicional.

A localiza��o � excelente e fica perto de um templo.

- Em Kyoto? - � incr�vel, Kyoto.

Fui l� h� muito tempo.

Marvin, venha c� para te apresentar.

Me d� o endere�o.

Vou te dar o nome. O endere�o n�o adianta.

Sim, � verdade.

Isabelle Huppert.

Marvin.

� um rapaz bem interessante.

N�o duvido.

- Quanto tempo vai ficar l�? - Dez dias.

Adoro ver esta casa cheia.

Ent�o, Marvin, ouvi dizer que � ator.

Aposto que � de com�dia, pela forma da sua boca.

N�o sei se o que fa�o � engra�ado.

N�s julgaremos isso.

� sobre...

o que tenho em comum com grandes homens.

E tem algo em comum com grandes homens?

Por exemplo, tenho algo em comum com Caravaggio.

O pintor.

O pintor...

Mas n�o tem a ver com pintura.

Ele usa as roupas at� se estragarem.

E eu tamb�m.

Mas isso n�o � nada engra�ado.

Se enganou em rela��o ao Marvin. Nada doce sai daquela boca.

Apenas o que l� foi posto.

Suponho.

Para!

Para!

N�o sei nadar.

Voc� tem seu telefone?

Divertiu todo mundo, mas as piadas v�o perdendo a gra�a.

E os dentes podres fazem as pessoas rir menos ainda.

Voc� tem que tratar dos seus dentes.

Escreva.

Escreva.

Philippe Bagenelles.

Avenida Kl�ber, 5.

Ortodontista.

V�, de minha parte.

N�o se preocupe com o dinheiro.

- Ol�. - Ol�.

- Tudo bem? - Sim, e com voc�?

- Desculpe. - Por qu�?

Eu queria poder fazer isso.

Eu gostaria de fazer isso com voc�.

Eu gostaria de ter jogado.

E eu gostaria de fazer mais coisas de meia idade.

Sim, seria �timo.

Foi por isso que vim para Paris.

Est� t�o quietinho. N�o fala ingl�s?

O menos poss�vel.

Sa�de.

Mas devia.

Falar uma l�ngua estrangeira � como um disfarce.

Sabe se Roland foi embora?

Sim, nosso amigo ingl�s queria sair e Roland o levou.

Mas acho que foi por causa do Jaguar.

� surreal o efeito daquele carro sobre os rapazes.

Voc� n�o dan�a?

Vou morrer.

Tudo bem?

Aconteceu alguma coisa?

- Vou morrer. - Vai?

Que merda.

Quer beber alguma coisa primeiro?

Anda.

Vou fazer um ch�. Ele vai morrer.

Tem alguma coisa mais forte?

Posso dormir aqui esta noite?

Claro.

Deixa eu ver.

O que fez nos dentes?

Foi um cara que pagou.

O que anda fazendo?

N�o sei o que ando fazendo.

Por onde tem andado? Voc� desapareceu.

- Estive no campo. - Legal!

N�o, n�o � nada legal.

"Foi um cara que pagou".

Legal.

Nunca irei conseguir.

- Fazer o qu�? - Fazer nada.

� muito dif�cil. Fui burro em pensar...

Sua pe�a n�o est� andando?

As pe�as n�o andam.

� muito dif�cil. Vou desistir.

Est� me parecendo que voc� j� desistiu.

N�o vai dizer mais nada? N�o devia tentar anim�-lo?

Dizer o qu�? N�o tenho nada a dizer.

"Tem que continuar.

N�o posso continuar.

� preciso continuar. Vou continuar."

- Samuel Beckett. - Pare com isso.

Ningu�m pediu uma cita��o.

Ele quer a sua opini�o e n�o a do Beckett.

� pedir muito?

- Minha mesmo? - Sim, sua mesmo.

- Minha mesmo? - Sim, a sua.

Est� bem.

Vou te explicar.

O "eu" � um tesouro

que se guarda dentro da gente e se abre de vez em quando

no momento da verdade, quando nos exprimimos.

Olha s�, ele est� no palco.

Mas isso s� me preocupa um pouco.

Desculpe, n�o h� nada �ntimo

ou pessoal no que Marvin fez. Nada.

� a hist�ria t�pica. Tudo.

Marvin � um viado atormentado do proletariado

que arranjou um atalho para mudar de vida, certo?

Passando pelas camas.

Isso � tudo muito bom mesmo.

Piscinas...

carros de luxo...

dentes todos bonitos.

Estou farto de ser pobre. O que posso me tornar?

Um burgu�s, claro!

E bem rico.

Pois, claro.

Estou enganado?

Estou?

Mas que merda.

Parece que voc� tocou em um nervo.

Vamos, isso n�o � nada.

Vamos.

Marvin Bijou?

Venha.

E assim termina um ano

E assim terminam os dias

� a esta��o onde tudo cai Com golpes fortes do vento

Um vento que vem do t�mulo E que golpeia os vivos tamb�m

Caem aos milhares Como uma pena in�til

Que a �guia larga no ar

Para que as penas novas

Aque�am as suas asas Com o chegar do inverno

Muito obrigado.

Pr�ximo.

Marvin Bijou.

"O Segredo", de Victor Hugo.

Juventude Aten��o ao que vos digo

Tudo pode surgir de uma palavra que se perde

Tudo! O �dio e a tristeza

N�o protestem

Os vossos amigos sabem que a vossa voz � suave

Escutem com aten��o

Cara-a-cara, � noite

Porta fechada, em vossa casa, ningu�m � vista

Murmuras ao ouvido do teu amigo, se n�o sentires tanto �dio...

- A senhora fuma? - Em ocasi�es especiais.

Mas n�o trago.

E ent�o?

Acho que estraguei tudo.

Duvido muito.

De qualquer modo, agora temos que aguardar.

Vai fundo!

Boa!

Continua!

Vai!

Acelera!

Essa barulheira n�o acaba?

Seus marginais!

Saiam daqui!

J� est� enchendo o saco, sua gorda!

Vai ver a gorda se eu for a�!

Cale essa boca, vaca!

Vou chutar sua bunda!

Venha c�! Mexa esse rabo!

Sua puta!

Voc� fez a puta calar a boca.

- A gente � foda! - Sim!

Vai fundo!

Mais r�pido!

Voc� est� namorando algu�m?

Talvez.

N�o chegou nada da Seguran�a Social?

- N�o chegou nada da escola? - N�o, que merda!

Seu pai podia trabalhar se quisesse.

S� interessa a ele a bebida e os amigos.

A Sra. Clement!

Ent�o, Bijou?

Festejando com cerveja?

- Festejando o qu�? - Como assim?

Entrou na escola de teatro.

N�o recebeu a carta?

Muito bem.

Parab�ns.

Que mau humor � esse?

Mas que mau humor!

Que merda!

Eu ia te dar a carta.

- Quando ela chegou? - N�o fa�o ideia.

T� nem a� pra quando ela chegou.

Onde ela est�?

Trate de se controlar!

Se me provocar, vai ver!

Mam�e. Marvin vai perder o trem.

Vou lev�-lo na esta��o.

Assim param de me chatear.

Se n�o gostar, que se dane.

Esque�a. Eu o levo.

Temos que conversar.

Vamos.

Antes que eu me esque�a...

tome isto.

N�o � muito, mas...

d� pra voc� beber uma Coca-Cola.

Ou o que quiser.

Queria te dizer...

que l�...

s� tem ral�.

Pretos, �rabes, mais nada. Tenha cuidado.

Principalmente marroquinos. Esses s�o os piores.

Se te assaltarem, d� tudo.

Dinheiro, telefone, tudo.

Certo?

Se resistir, te matam.

Desculpem.

Mas ver viados se ro�ando por duas horas � chato como a morte.

N�o concordo.

Por que compara a homossexualidade com a morte? � diferente.

N�o pode ser. Se s� houvesse gays a humanidade acabava.

"Quando" s� houver gays, Julien.

Quando voc� come uma garota, seu sangue bate forte.

Com um cara, o que bate em voc� � a merda.

- Bate? - Onde foi buscar essa?

Que express�o � essa?

E a�, Bijou?

Sra. Clement?

Entre!

Vou te preparar um banho.

N�o vou me despir na sua casa!

Desculpe.

O cigarro a incomodou?

N�o estava dormindo.

� uma daquelas noites. Nem vale a pena me preocupar.

Posso?

Sim.

Voc� lembra do que me disse h� muito tempo,

para que eu n�o o levasse at� sua casa?

Voc� disse: "Se gosta de mim, me deixe aqui."

E eu o deixei, porque gosto de voc� como voc� �.

N�o � o que somos que importa.

E somos o qu�? Poeira.

Mas � poss�vel viver em paz com isso.

Com o n�o sermos nada.

O que interessa � o que fazemos.

Nem isso.

O que interessa � o que est� dentro de n�s

e que n�s nem sabemos. E isso que interessa.

Depois disso,

o que fazemos ou n�o...

Pare.

Sabiam que ele quer fazer uma digress�o com sua pe�a?

Tenho que arranjar um pseud�nimo.

N�o gosta de Fran�ois Chasson?

N�o � nada mau. Olha s� ele. Se chama Wilfrid e n�o se queixa.

Marvin Bijou � o seu verdadeiro nome?

Claro, n�o � pseud�nimo que se escolha.

Marvin Bijou. � uma loucura! � radical!

Ricardo Cora��o de Le�o ficaria com inveja.

Queremos progredir.

Tem raz�o. Este ano tenho a impress�o que n�o progredi.

Est�o exagerando. Eu acho que progredi.

N�o se pode fazer teatro hoje em dia

sem derrubar a quarta parede.

J� viram o novo diretor? Parece bem jovem.

E � portugu�s.

Filho de um pedreiro e de uma faxineira.

Que grande promo��o. Incr�vel.

Ele deve merecer.

N�o � muito diferente da sua hist�ria.

Tamb�m n�o te deram o diploma, os estudos, a gl�ria...?

Sim, mas de tanto andar com pessoas como voc�s...

Chamou seu programa de "Ex�lios".

Deu muita �nfase �s minorias, � homossexualidade...

Por que essa escolha?

Responderei a essa pergunta com uma pequena hist�ria.

Uma crian�a negra...

a quem chamavam "preto porco" na escola...

regressa para casa magoado.

Est� triste, perturbado.

Mas seus pais est�o l�.

Eles o apoiam, o confortam.

Est� em sua casa, protegido e acompanhado.

Por outro lado,

uma crian�a gay.

Muitos o chamam de viadinho,

e quando vai para casa ningu�m o apoia.

Ningu�m o conforta.

Est� s�.

A ponto de nem sequer falar sobre isso.

Por qu�?

Porque na sua pr�pria casa, a sua pr�pria fam�lia,

� uma fam�lia culturalmente pobre,

insultam os gays e as l�sbicas.

Para mim, esta � uma forma radical de ex�lio.

Esta crian�a, pobre,

triste,

e gay, que eu fui,

j� n�o se sente bem em casa.

� um estranho na sua pr�pria casa,

entre os seus.

J� volto.

- Ol�. - Ol�.

Estou no primeiro ano.

Onde?

Aqui, no teatro.

Muito bem.

Posso falar contigo?

Mas j� n�o estamos falando?

Queria te dizer que...

Sou como voc�.

Exatamente igual.

N�o h� problema que n�o tenha solu��o.

H� o rev�lver.

A corda.

Tamb�m pode saltar do d�cimo andar.

� muito eficaz.

E a psican�lise, mas n�o pode ter pressa.

Se � como eu...

J� que � como eu,

fa�a algo com a sua diferen�a.

� para isso que serve o teatro.

Voc� sabe disso?

N�o � s� para com�dias.

Tudo bem?

Como se chama?

Marvin.

Ol�, Marvin.

Pierre, venha c� para te apresentar.

- Marvin. - Pierre.

Talvez possamos tomar uma bebida.

Quer beber alguma coisa?

"Objetivo:

Pedir a altera��o do sobrenome.

Tendo em vista o car�ter

(especificar se �:

desagrad�vel, indecoroso,

insultuoso, ofensivo,

grotesco) do meu sobrenome,

� do meu interesse pessoal e profissional alter�-lo.

� por isso

que solicito que considerem

a mudan�a do meu nome atual, Marvin Bijou,

para Martin Clement."

Ah, �? Martin Clement?

"Clement" como a Sra. Clement?

N�s n�o somos bons o suficiente para voc�?

� incr�vel podermos mudar de nome.

� caro? Deve ser.

Cerca de 100 euros.

S�rio? Pensava que era mais.

Um nome n�o � muito caro.

Seu pai vai ficar contrariado por j� n�o ter mais o nome dele.

No entanto,

Martin Clement � melhor que Dany Lapine.

O que � isso, Dany Lapine?

Dany tem uma namorada. Ela se chama Lapine.

N�o acredito.

Jo�lle Lapine.

Quando ele disse que ia recome�ar do zero, foi mesmo do zero.

Eu acho que ele anda � toa.

Foi como quando ele foi para o sul com o �rabe dele.

�rabe? Qual �rabe?

Sei l�.

Se chamava Neige.

Neige. Acredita?

Ele nunca falou disso?

N�o, ele mente o tempo todo.

S� sei que n�o se largavam.

Depois Dany regressou, de rabo entre as pernas, sem um tost�o.

E foi isso.

Al�?

Marvin?

� Isabelle Huppert.

Ol�.

Voc� j� sabe?

Do Roland?

N�o.

Imaginei que ningu�m te ligaria.

Ele sofreu um acidente, Marvin.

Ele est� morto.

O qu�?

Numa estrada na Alemanha.

N�o sobrou nada do Jaguar.

Ficou em peda�os.

N�o pense muito. N�o perca tempo.

O segredo � esse. Decidir depressa.

Ent�o, quando devemos pensar?

Pobrezinho, ele quer pensar.

Voc� n�o deve pensar.

� quando pensa que o trapezista cai.

Ele falava pouco dos seus "gatos perdidos".

Era assim que chamava os seus protegidos.

Eles iam e vinham.

S� isso.

Como voc�... Bem...

N�o s� voc�.

N�s nos vimos...

h� poucas semanas. Nos encontramos em Genebra.

Ele me disse que seria boa ideia ficar de olho no Marvin.

N�o lembro o que lhe disse. Devo ter respondido:

"N�o tenho tempo para cuidar dos seus gatos."

E ele disse: "N�o s�o todos, � s� o Marvin."

Engra�ado, n�o?

E eu disse que sim.

N�o sei porqu�, mas disse a ele que sim.

Se precisar de mim, basta miar.

Mesmo de longe. Eu escuto bem.

Sua opini�o � muito importante para mim.

N�o exagere.

N�o me toque!

N�o me toque!

De onde veio aquilo?

A quem ele saiu?

Alguma vez bati nele?

Batiam era em mim.

Meu pai � que nos batia. Que arda no inferno!

Alguma vez levantei a m�o para voc�s?

Levantei?

Gerald s� pode estar brincando.

Isso n�o est� certo.

N�o est� certo.

E o outro?

Por que se comporta como um viadinho?

� s� para nos chatear?

Por que nos envergonha?

Muito bem.

� bom fazer todos os pap�is.

N�o sei.

Existe um texto?

Suponho que voc� tenha um texto.

Claro.

Obrigada.

Belo caderno.

Onde est�o as plantas do Pierre?

Ele as levou quando partiu.

Bem como a lou�a voadora do filme "Fantasia".

Nunca viu "Fantasia"?

� normal.

Gostaria de ficar conversando mas tenho que trabalhar.

Abel, pare com suas sa�das de cena.

Como assim, Pierre partiu?

Sair de cena?

Voc� j� fala como Pierre.

Falo como as pessoas que amo. Tamb�m falo como voc�.

Pierre partiu na semana passada.

Partiu porque...

eu j� n�o tinha hist�rias para contar a ele.

Esgotei todas as magias.

Comecei a ficar calado.

E ele se entediou.

Eu tamb�m.

Comigo e n�o com ele.

E � isso.

Deveria chorar, acho eu.

N�o seria contra isso.

Chorar.

Eu choraria, se soubesse.

Vou tentar no fim de semana, quando acalmar.

Ou vou para a casa da minha m�e, n�o sei.

Merda, isso vai me matar!

Ao menos sei do que vou morrer.

Costumava contar uma hist�ria a quem estivesse interessado.

E tamb�m a quem n�o estivesse.

E eu, idiota, pensei que estava constipada.

Me do�a como se estivesse constipada.

Sabe como magoa quando me conta isso?

Corri para o banheiro. Nem precisei fazer for�a.

Ouvi um barulho e olhei. E l� estava voc�, no vaso.

Que belo ber�o!

� a piada do ano!

No meu sonho, voc� est� completamente nua.

Completamente.

Todo mundo est� olhando para voc�.

E parece gostar disso.

Ningu�m diz nada.

E voc� tem um buraco enorme em vez de um cu.

Como uma galinha limpa.

Uma galinha de supermercado.

Mas voc� parece feliz por estar vazia e limpa.

L� dentro,

n�o resta nada.

Nada de entranhas.

Pelo buraco,

a luz do dia entra no seu corpo.

Carne branca e rosada. P�rola.

� muito bonito.

� uma pena ter morrido.

E eu, idiota, estava cheia de medo.

Aterrorizada, voc� nem imagina.

Puxei a descarga.

Olhei e vi o qu�? L� estava voc�.

No meio do vaso.

N�o queria partir.

N�o quero partir.

Quero regressar.

Nunca quis outra coisa, mas n�o te digo isso.

� por isso que voc� n�o ouve.

Peguei a vassoura e te empurrei pelo buraco.

Direto!

De qualquer maneira.

Mas foi por causa do p�nico.

Era vis�vel que n�o iria passar.

Voc� era muito grande para passar.

Mesmo que empurrasse.

Me deixe regressar.

Mam�e, me deixe regressar.

Dany teria ficado doido se perdesse seu primeiro filho.

� compreens�vel.

Mas como sou uma boa galinha poedeira

e ele tem dois grandes tomates far�amos outros.

Me deixe regressar.

� o sucesso do ano: "Quem matou Marvin Bijou?",

a pe�a autobiogr�fica de Martin Clement,

que a interpreta com Isabelle Huppert

e que esgota todas as noites.

A imprensa parisiense � un�nime.

Mas na pequena aldeia de onde vem o jovem autor,

a fam�lia n�o partilha da mesma vis�o das coisas.

N�o entendo porque na pe�a

ele nos representa como retardados.

Ele teve tanto amor como os outros.

N�o somos homof�bicos.

N�o pensem isso.

Eu amo os meus filhos.

Profundamente.

Essa n�o � uma fam�lia amorosa?

Ele � meu filho.

� o meu orgulho.

Era o meu preferido.

Marvin sempre foi um pouco diferente.

Lembro que quando jog�vamos bola,

ele nunca jogava como os outros.

� voc�?

Entre.

Se fosse voc�, fugiria.

Gerald sabe seu endere�o em Paris.

Ele disse que ia te bater com um taco de basebol.

Diga adeus aos seus belos dentes.

Ah, �? Gerald sempre quer massacrar todo mundo.

Sim, e ele vai fazer.

N�o devia ter vindo aqui.

Voc� est� matando todos n�s.

Sabe bem disso. Destruiu as nossas vidas.

As suas vidas?

As suas? E a minha, n�o?

N�o � ao contr�rio?

N�o foram voc�s que tentaram me matar?

Acha que me esqueci que os viados deviam todos morrer?

Acha que me esqueci disso?

No final, voc� se deu bem.

E a carta da escola?

Quem a escondeu o ver�o inteiro?

Mesmo eu perguntando todos os dias?

Perguntei todos os dias. N�o foi para me impedir?

N�o chore. Pensei que estivesse com raiva.

Prefiro que esteja com raiva.

N�o percebe que ele deu o seu melhor?

Ele fez o que p�de. Sabe como ele foi criado.

Pretos, viados, bichas. N�o sabia outras palavras.

� disso que eu falo na merda da pe�a!

N�o v� que estou tentando salvar todos n�s?

� disso que eu falo.

As pessoas como n�s s� sabem foder a sua pr�pria vida

e a dos outros, por ignor�ncia.

Ele est� orgulhoso de voc�, se quer saber. Ele n�o � idiota.

Quem?

O Dany.

Sim, claro.

Tudo o que ele v� � que voc� est� na TV.

Mas est� orgulhoso.

Este � o... Martin.

- Jo�lle, minha companheira. - Ol�.

Maryline.

Linda.

Mickael!

Este � o Mickael.

- As crian�as. - Muito prazer.

Voc� veio de Paris?

- Fez boa viagem? - Sim, foi boa.

Bem, a comida n�o se faz sozinha.

Ent�o, vamos preparar os espetos.

Salsichas e costeleta de cordeiro, est� bom?

Est� �timo.

Te disseram l� em casa que arranjei emprego?

Em casa? N�o tem mais casa. Ela foi vendida.

Quer?

Pode se servir.

Ent�o, voc� n�o gostava de "Marvin"?

N�o. Ningu�m se chama assim.

� isso que � bom.

N�o tem muitos.

Mas tem muitos que se chamam Martin.

Voc� v� algum problema nisso?

De jeito nenhum.

Cada um � que sabe do seu cu.

Voc� � quem sabe.

Est� tudo indo bem para voc�, n�o �?

- N�o diria tanto. - Ent�o...

Os jornais, a TV, tudo isso. � incr�vel.

N�o vi a pe�a.

N�o se preocupe.

Tamb�m tem um livro, parece.

Ser� que v�o vender no supermercado?

N�o sei.

Eu te trago um.

� preciso ter culh�es para fazer o que voc� fez.

Ah, sim! Agora voc�s podem se casar.

Agora.

N�s?

Os gays.

Agora voc� fala "gay"?

Sim. N�o � assim que se diz?

Voc� vai se casar?

� preciso amar algu�m para isso.

Por que eu me casaria? Voc� casou e era infeliz.

Estamos falando de voc�.

Qual � a diferen�a?

Voc� lembra porque casou com Odile?

J� a tinha deixado antes, n�o foi?

Foi para o sul com Neige.

Com Neige, sim.

Sim...

O que fazia com Neige?

N�o, eu...

N�o � nada do que voc� est� pensando.

Est� rindo?

Voc� est� muito enganado.

N�o quero partir.

Quero regressar. Nunca quis outra coisa.

Mas n�o te digo isso, � por isso que voc� n�o ouve.

Qual � a diferen�a entre aquilo que voc� viveu

e o que se pode ver na sua pe�a?

Nada do que se passa no palco � a vida real.

� teatro.

Mas os fatos s�o verdadeiros, n�o inventei nada.

A sua inf�ncia foi assim t�o dif�cil?

� claro que houve momentos de alegria,

at� de felicidade.

Mas o sofrimento � como uma luz que nos encandeia � noite.

Faz todo o resto desaparecer.

Ent�o � tudo real?

N�o inventei nada.

Vivi tudo aquilo.

�s vezes vivemos as coisas sozinhos.

S� n�s sabemos que aconteceram.

N�o quer dizer que n�o existam. Existem apenas para n�s.

- N�o quero ir para casa. - Por qu�?

Meu pai vai fazer enguias. � a terceira vez esta semana.

Eu acho enguia muito nojento.

Pelo menos n�o tem que com�-las vivas.

As ostras � que s�o nojentas.

Meu pai pesca, por isso comemos muito peixe.

Apanhar enguias n�o � pescar. Basta atirar uma rede.

� para os pregui�osos.

Cale a boca! � assim que se pescam, e pronto.

Todo mundo sabe que seu pai n�o faz nada.

N�o vai calar a boca?

� a verdade. Seu pai n�o faz nada.

- Retire o que disse. - N�o, n�o vou retirar.

N�o, Marvin. Me largue!

- Retire o que disse! - N�o.

- Pare! - Retire o que disse!

- Retire! - Marvin!

Retire o que disse!

Marvin, me largue!

QUEM MATOU MARVIN BIJOU?

Para Dany

com todo o meu...

Marvin?

Tudo bem?

Estava com medo de n�o te pegar.

Que idiota, esqueci o livro no trem!

N�o faz mal.

As crian�as conseguem na internet.

Aqui, toma.

J� que falamos de casamento.

Pegue. N�o a uso.

Antes valia alguma coisa.

N�o a ponha no bolso.

Ponha na carteira.

Isso.

Assim est� segura.

Pronto, rapaz.

Legenda - NoriegaRJ -

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