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Original subtitles

HOLOCAUSTO

A HIST�RIA DA FAM�LIA WEISS

EPIS�DIO 4

Fazem fila no exterior. Aqui, j� se despiram. Pr�ximo.

A triagem das roupas. A m�o-de-obra � judia, equipas especiais.

O que lhes acontece?

Desaparecem, eventualmente.

O processo de selec��o. Quem pode trabalhar vai para a direita

e os do tratamento especial para a esquerda.

O interior de uma c�mara antes do uso do Zyklon B.

Durante. Depois.

As equipas especiais entram e retiram os corpos.

- Arrancar dentes, cortar cabelo. - O H�ss evita casos de roubo?

Em Majdanek, julg�mos militares por roubo de propriedade do estado.

Ele � muito rigoroso. Seguinte.

O cremat�rio. Andamos a testar tapetes rolantes.

Valas para as cinzas.

Acenda a luz, por favor.

Parece ter assumido as suas novas fun��es com a dedica��o do costume.

General, quero pedir-lhe que me mande para Berlim, para ajud�-lo.

Dorf, trabalha melhor no campo. Fique na Pol�nia e colabore

com os comandantes dos campos. - H� o problema da minha esposa.

- Custa-me falar nisto. - Anda a dar facadinhas no matrim�nio?

Nada disso. A Sra. Dorf est� doente. H� anos que sofre do cora��o

e as minhas aus�ncias prolongadas afectam-na bastante.

lnterne-a no nosso hospital. Ela que tire umas f�rias.

- As nossas mulheres merecem tudo. - � muito generoso,

mas, com os bombardeamentos e cortes, devia estar com ela.

O Dorf espanta-me! As nossas tropas s�o massacradas em Estalinegrado,

os ingleses e os americanos arrasam as nossas cidades

e o Dorf queixa-se da mulher doente.

Pensei que a minha dedica��o �s SS...

Major! Tem muita sorte por ainda poder usar esta farda.

Fez inimigos e encobriu informa��es sobre o seu passado.

N�o � verdade.

- E depois? Os homens acham que �. - Estou a ser injusti�ado.

Cumpra a sua miss�o. Mantenha os campos em funcionamento.

Talvez possa transferi-lo mais tarde. Talvez.

"Os cad�veres em Babi Yar devem ser exumados e cremados.

"N�o deve ficar qualquer vest�gio. E uma quest�o de prioridade m�xima."

"Os cremat�rios n�o est�o a cumprir os objectivos.

"Sugerimos um programa de crema��o ao ar livre para destruir os cad�veres.

"Pilhas de dormentes regados com gasolina podem ser uma solu��o."

H� muito que desconfiava. Conversas sobre espi�es e sabotadores...

- A erradica��o de doencas. - Onde encontraste essas c�pias?

N�o tem import�ncia, pois n�o?

Andavas t�o obcecado com mentiras que percebi logo que havia problemas.

- O que disse o Kaltenbrunner? - Vou para a Pol�nia amanh�.

Por que n�o te impuseste? Depois de tudo o que fizeste por eles?

J� nada disso importa, Marta. A Pol�nia, a Ucr�nia...

- Est� tudo a descambar. - N�o digas isso.

O Kaltenbrunner pressente quando falas assim.

N�o admira que a tua carreira esteja destru�da.

As tuas cartas e comportamento d�o a entender que est�s farto.

- Que tens vergonha do que fazes. - As vezes, at� tenho.

Mas n�o podes permitir isso! Obedece at� ao fim.

lsso convencer� as pessoas de que est�s a agir bem.

Marta...

A minha doce Marta.

lnterpretei-te mal. Pensei que ficarias furiosa.

Supervisionei a morte de mulheres e criancas

e indignas-te porque n�o me orgulho mais do meu trabalho!

Mas tens de te orgulhar!

Obedece at� ao fim.

lsso convencer� as pessoas de que est�s a agir bem.

N�o te rias de mim.

- N�o rias de mim! P�ra! - N�o estou a rir de ti, Marta!

Estou aturdido com a minha estupidez.

Sim... N�o tenho alternativa.

Tenho de me dedicar ao meu trabalho com mais entusiasmo.

Erik... Temo que estejamos a ser castigados.

Castigados?

Todos n�s.

N�o fizeste nada de mal, Marta. E eu tenho sido um bom soldado.

Aquelas cartas.

As pessoas nuas.

As c�maras de g�s, as piras funer�rias...

T�m de se livrar de tudo isso, para que ningu�m saiba,

para que ningu�m possa dizer mentiras sobre ti.

Chamamos-lhe campo de fam�lia para que n�o fiquem apreensivos.

- Eles n�o se apercebem? - Alguns.

Ocasionalmente, h� subleva��es, mas depressa se controlam.

Encantador.

Major, este � o Prof. Pfennenstiel,

um especialista em higiene da Universidade de Marburg.

Especializou-se no tratamento de res�duos e afins. Pode ajudar-nos.

Ser� um privil�gio ajudar-vos em tudo o que puder.

- Mas onde est�... - L� dentro.

E os indiv�duos?

H� um grupo � espera. V�-los-� daqui a nada.

Tornamos tudo o mais agrad�vel poss�vel.

O p�tio, m�sica, mantemos as fam�lias juntas...

Sim, sim. Extremamente humano.

Vamos entrar?

- Passe, professor. - Obrigado.

Dorf.

- O Kaltenbrunner despachou-o. - N�o � verdade.

Tirou-lhe o posto no estado-maior, em Berlim.

P�-lo a vistoriar os centros de tratamento especial.

- Mas dizem que n�o tem est�mago. - Tenho est�mago que chegue.

N�o sabia se o professor e o Major queriam ver o processo t�o de perto.

O calor e o fedor podem ser insuport�veis.

- Temos ao todo 46 destes. - Muito eficiente.

Livrou-se de si porque n�o conseguiu fazer com que uns artistas falassem.

lsso � mentira, H�ss. Algu�m anda a espalhar boatos maldosos.

N�o olhe para mim. Limito-me a despach�-los e crem�-los.

Cumpro o meu dever e pronto.

Esta � a...

Dizemos-lhe que � um banho desinfectante, para eliminar piolhos.

Claro, para ficarem tranquilos. J� agora, qual � a vossa m�dia di�ria?

Doze mil quando os fornos est�o todos activos

e quando a l.G. Farben ou assim n�o exige trabalhadores judeus.

O Major H�ss tem um trabalho muito delicado, professor.

Gerir o tratamento especial e mant�-lo em segredo.

Fiquem descansados. N�o comentarei a visita com ningu�m.

O segredo � a nossa divisa.

Talvez o professor saiba como eliminar o cheiro que sai pelas chamin�s.

Os polacos sentem-no a quil�metros de dist�ncia.

Grande segredo.

- Qual � o produto usado? - Usamos o buraco no tecto

para lan�ar cristais de Zyklon B.

Evaporam em contacto com o ar. E uma quest�o de minutos.

Mas o produto deteriora-se e tivemos de criar um sistema de distribui��o.

Tivemos mesmo de criar uma empresa para a distribui��o e venda.

Mas s� os manda-chuvas em Berlim podem ter ac��es.

Professor...

N�o vem?

S�o maravilhosamente ordeiros.

Temos quase uma linha de montagem, mas o trabalho continua atrasado.

Despem-se, tiramos-lhe os pertences e levamo-los para o duche.

- Cremamo-los e enterramos as cinzas. - Que engenhoso.

- Tudo a postos, Comandante. - Forca.

Venham!

Est�o a ver? � s� um duche, demora cinco minutos.

Ficam limpos e desparasitados.

A porta tem um �culo, se quiser ver, Professor.

Ver? Eu?

- Major Dorf, talvez queira... - N�o, j� vi.

Fant�stico. Simplesmente fant�stico.

Parece... Parece uma cena do lnferno de Dante.

Estes barulhos... Parecem os lamentos numa sinagoga.

Quando os guardas se aproximarem, comecem a entrar nas carruagens.

Apressem-se e mantenham-se na fila.

Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.

- Sente-se ali, Metzik. - Eles estavam a olhar para n�s.

- Eu resolvo o problema. - V�m a�.

Berta, sai pelas traseiras. Zalman, v� com ela.

Todos de p�!

- Estas pessoas est�o doentes. - Sil�ncio, Weiss. De p�, j� disse!

- O que vem a ser isto? - E uma cl�nica, Capit�o.

N�o me parecem doentes. Por que n�o fui informado, Weiss?

Foi, pois. N�o tenho culpa da incompet�ncia do seu gabinete.

lsto � um cambalacho do Weiss, n�o �?

Tenho febre.

- N�o encontro a autoriza��o. - Tamb�m n�o h� nada no meu arquivo.

Feche a cl�nica. lncendeie-a.

Expe�a todos os envolvidos no transporte de amanh�.

Desculpe, Frau Weiss. Tem de me acompanhar.

- Podemos repetir a can��o? - Receio que n�o.

Posso falar com o meu marido primeiro?

Ele estar� na esta��o.

- Professora, vem amanh�? - Claro, Aaron.

Ocupem o resto do dia com a leitura de Shakespeare.

A leitura da "Noite de Reis" estava a correr t�o bem.

Aaron, toma conta da turma.

Quero que se dediquem aos estudos.

A educa��o faz de n�s pessoas melhores.

Adeus, meninos.

Prossigam! Mantenham-se na fila!

N�o parem!

Olhe! L� vem ela!

Sra. Lowy. Sr. Lowy.

Vejo que seremos companheiros de viagem.

Sabes, Berta, o Sr. Lowy � como um antigo colega de escola.

Fizemos o mesmo percurso.

Fomos deportados de Berlim para Vars�via e, agora...

Para um campo de fam�lia na R�ssia.

- N�o chores. - J� estava na hora de mudar de ares.

O jornal da resist�ncia perdeu o tip�grafo. Como v�o safar-se?

Ensinei a Eva a trabalhar com a m�quina.

Mas vem a� algo em grande. E pena que n�o estaremos c� para ver.

E o meu irm�o Moses? Tamb�m devem ter ido atr�s dele.

Est� em seguran�a, escondido com o Zalman.

Comecem a entrar nas carruagens. Apressem-se e mantenham-se na fila.

Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.

Entrem nas carruagens. N�o empurrem.

As fam�lias ficam juntas.

Ficar�o juntos no campo de fam�lia.

Dr. Weiss. Lamento...

Karp, n�o podem poupar a minha mulher?

� professora e int�rprete. Fala alem�o melhor do que os seus chefes.

lnterceda por ela.

lmposs�vel, doutor. Estaria a arriscar a minha pele.

N�o te livras de mim assim t�o facilmente, Josef.

Estou s� a despedir-me do nosso amigo Karp.

N�o me culpe. Um dia destes, deitam-me a unha.

Se n�s n�o deitarmos primeiro.

Comecem a entrar nas carruagens. Apressem-se e mantenham-se na fila.

Bem, n�o � exactamente o Expresso do Oriente.

- V�, n�o chores mais. - N�o consigo, tenho medo.

Desde que estejamos juntos, Josef, n�o podem destruir-nos.

Mudan�a de rota, Treblinka est� lotado. V�o para Auschwitz.

As fam�lias ficam juntas. Apressem-se e mantenham-se na fila.

Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.

"Ouve, � lsrael! O Senhor nosso Deus � o �nico Senhor."

- N�o rezas? - N�o sei rezar. E tu?

Deixei-me disso quando mataram a minha fam�lia.

Que o Deus de lsrael vos proteja.

Leia-nos algo da B�blia, rabino. Toda a ajuda � bem-vinda.

"Ent�o David disse aos seus homens: 'Tome cada um a sua espada'."

Primeiro Livro de Samuel.

- �ptimo. Levavas-me � certa. - At� a mim levei � certa.

Vai.

Rudi, desta vez, n�o hesites. Se for necess�rio, mata.

Correio. As linhas est�o em baixo. Tenho uma mensagem para o Capit�o.

- Qual deles? - E eu � que sei? Tenho o nome aqui.

C� est�.

Von Karltt? � este, correcto?

Von Karltt?

Est�s bem?

- A chave da sala de armas! - Est� bem, n�o dispare!

Aqui! V� no dep�sito das muni��es!

- Est�o aqui em baixo. - Vamos ver.

Fiquem baixos.

Est�s a mago�-lo!

Sil�ncio, ou expulso-te daqui. Sejas ou n�o mulher dele.

- Vais mat�-lo com a tua brutid�o. - Tenta aguentar.

Valeu a pena. Nem imaginam o que trouxemos:

uma metralhadora, granadas, muni��es...

N�o me interessa o vosso saque. Quero o meu marido.

Ele est� novamente a sangrar. Passa-me uma compressa.

� de uma Mauser. � algo para mostrar aos filhos.

- Manda banh�-la a ouro. - P�ra! Odeio-vos a todos!

Brincam como se isto fosse um jogo!

O meu marido ia morrendo e brincam com a bala que quase o vitimava.

Odeio este campo e a vossa guerra in�til.

Matam um alem�o aqui e um ucraniano ali... E depois?

No pr�ximo lnverno j� estaremos todos mortos.

Fizeste isto quase t�o bem como o meu pai.

Lamento n�o o ter conhecido.

Vou buscar algo para te ajudar a dormir.

Helena?

Rudi, podias ter morrido. E para qu�?

Para lhes provar que n�o somos cobardes.

N�o nos podem matar e escapar impunes.

Mas eles est�o a matar-nos.

Est�o a matar milh�es e ningu�m riposta.

Ningu�m quer saber.

- Diz que me amas. - Amo-te.

Amo-te.

Mas eles h�o-de voltar um dia e...

- Disseste que nunca morrer�amos. - J� n�o acredito nisso.

Vamos viver.

Vais conhecer a minha fam�lia.

V�o gostar de ti tanto quanto eu.

Da pr�xima vez que sa�res com o Sasha e os homens,

quero ir contigo.

- A minha mulher, n�o. - Quero andar armada, Rudi.

Quero estar contigo.

Eu falo com o Sasha.

Vamos, Weiss.

N�o me batam mais. N�o sobrevivo a outra tareia.

Acabaram-se as tareias. Vais para Auschwitz.

Posso ver a minha mulher?

Meia hora.

Escusas de procur�-lo. O teu amigo Frye morreu.

- Eu sei. O Felscher tamb�m. - � uma sorte ainda estares vivo.

Eles soltaram-te, Karl!

- Inga... - Espancaram-te.

Estou vivo.

- As tuas m�os... - Eles certificaram-se...

... que n�o voltaria a pintar.

Inga...

N�o as podes curar.

Dizem que nos habituamos,

mas � mentira.

Por favor, n�o me contes mais nada.

Grit�mos que �amos a lt�lia, ver os museus e as igrejas...

Para abafar a dor.

O Frye era admirador de Piero della Francesca.

Queria ver Arezzo.

Havemos de ir a Arezzo em homenagem ao Frye.

Eu queria ver a lt�lia.

O meu breve momento de coragem acabou.

V�o enviar-me para Auschwitz.

Mas tu n�o vais.

E se fores, vou contigo.

N�o podes, Inga. Tens de contar ao Karl.

O qu�?

Karl...

... tenho o teu filho no meu ventre.

O meu filho...

O nosso, sim.

- N�o podes ter essa crian�a. - Mas vou t�-la.

� por isso que a Maria quer que fique aqui.

J� nasceram algumas crian�as em Theresienstadt.

Eu j� as vi.

Amaldi�oadas para o resto da vida.

N�o precisa de ser assim.

As mulheres proteger�o a Inga, v�o cuidar do beb�.

Inga...

Se me amas,

p�e fim � sua vida antes que veja esta terra maldita.

N�o farei tal coisa.

Karl, por favor.

Quero a tua b�n��o para o nosso filho.

N�o quero filho algum.

O rabino diz que todas as vidas s�o uma santifica��o,

uma centelha divina. - Deixa a Inga ter a crian�a.

Uma crian�a que nunca verei.

Ver�s, sim.

Prometo.

Mostra-lhe os desenhos,

quando tiver idade para compreender.

Adeus.

Amo-te.

Adeus, meu querido.

Parem! Esperem a�!

Calma, n�o somos contrabandistas, somos comerciantes.

Certifiquem-se que voltam antes do recolher obrigat�rio.

Com certeza.

Vai!

Quatro armas.

Quatro granadas.

Como podemos come�ar uma revolu��o com isto?

� um princ�pio.

Quantos de n�s restam no gueto de Vars�via, Moses?

N�o sei, uns 50 mil.

300 mil j� foram levados para Treblinka e para Auschwitz.

Se apanharmos alguns soldados e lhes tirarmos as armas,

talvez uma metralhadora...

Acho que n�o nos far�o a vontade.

N�o valho grande coisa como cowboy.

Os judeus e as armas s�o uma mistura perigosa.

� o Salman!

- As SS bloquearam as ruas. - Desconfiam de alguma coisa?

Podes ter sido seguido, est�o a revistar os pr�dios.

- De que andamos � procura? - Alguns polacos est�o armados.

Deita a porta abaixo.

Assim que entrarem, abram fogo. Escondam-se!

- Deita a porta abaixo. - Porque n�o deitas tu? Tens medo?

Medo de judeus?

Enfermeiro! Socorro!

Eva, leva as armas!

Depressa!

Afinal, Deus existe. Os judeus est�o a ripostar!

Leva isto. Saiam todos! V�o para os t�neis.

Cuidado. Baixem-se.

Cuidado!

Carreguem as armas!

Mat�mos alguns daqueles sacanas!

Vejam, j� come�ou.

Mais cedo do que o esperado, mas comecou.

N�o fazem pontaria. Apontam o cano e varrem tudo � frente.

- Tamb�m quero uma. - Cresce e aparece.

J� chegaram.

Vamos enfrent�-los l� fora.

Salman, Aaron, venham comigo. Vamos levar isto.

Morrem como os outros!

Nunca duvidei disso, s� t�nhamos medo de os matar.

N�o acredito... Batem em retirada!

Minas terrestres. Quem percebe de minas?

Uma prenda dos polacos?

Foi uma compra. Pag�mos bem por elas.

- Eles est�o a tentar resistir. - N�o podemos contar com isso.

Meus amigos, s� podemos contar connosco.

Salman, monta vigia. Estamos em guerra!

J� n�o precisamos disto para sabermos quem somos.

lnstru��es de montagem da mina.

Ser� que o Talmude nos ensina sobre esta mat�ria?

- Onde est� a Berta? - Est� ali.

- Berta? - Josef!

Josef...

Se te apanham aqui, castigam-te.

- Tenho um livre tr�nsito falso. - Mas est�s proibido de estar aqui.

Estou a tornar-me num mentiroso rematado.

Como est�s?

Estou bem.

Correm rumores que amanh� vamos trabalhar para a l.G. Farben.

Talvez precisem de uma pianista.

- Josef... - Podem enviar-nos para o inferno,

mas havemos de sobreviver. E temos de tentar viver.

Pensei nos rapazes e na Inga.

- Eu tamb�m. - Algo me diz que est�o vivos.

Se um de n�s morrer aqui,

o outro deve tentar encontr�-los,

ficar com eles e am�-los.

- Percebes o que quero dizer? - Sim, meu querido.

N�o apenas por sermos uma fam�lia, mas por sermos judeus.

Querem dizimar-nos � viva for�a,

devemos ser mesmo muito valiosos.

Mas se pudermos ensinar alguma coisa aos outros...

Toca a andar! Vamos!

- Os homens n�o podem estar aqui. - J� estou de sa�da.

Arranjem s�tio para ela. E louca, n�o fala.

- O que lhe fizeste? - Nada.

Veio no comboio de ontem.

Mandaram os pais dela para os duches e ela viu-os a entrar.

- Os duches... N�s sabemos. - Certifica-te que n�o se conspurca.

Sophia, de Mil�o, lt�lia.

� dif�cil lembrarmo-nos que somos seres humanos.

lndiv�duos com nomes, casas, fam�lias...

� assim que nos amaldi�oam.

Tiram-nos a nossa identidade.

E � mais f�cil processarem...

lsso de que fala n�o existe.

S�o apenas duches.

Pobre crianca...

lgualzinha � minha Anna.

Como pode algu�m ser t�o cruel?

� como diz o meu marido,

quando n�o sabem mais o que fazer, metem-se com os judeus.

Podes falar comigo, Sophia. Sou tua amiga.

Olha...

Fotografias dos meus filhos.

Jovens maravilhosos, como tu.

Estes s�o o Karl e a Inga,

e este � o Rudi. Havias de gostar dele.

Tem 24 anos e � muito bonito.

E ao lado est� a Anna, que � pouco mais velha do que tu.

Estou t�o assustada como ela, mas tenho vergonha de o mostrar.

N�o precisa de ter vergonha.

Talvez amanh� tenham trabalho para n�s.

Pobre crian�a, est�s gelada.

Fala-me de lt�lia, de Mil�o.

N�o se lembra. Talvez seja melhor assim.

�s muito bonita, como a minha Anna.

V�o todas l� para fora.

Porqu�? T�m trabalho para n�s?

N�o precisam de ter medo. Despachem-se.

N�o temos o dia todo.

Devem ter trabalho, Frau Weiss. N�o acha?

Receio bem que n�o.

Vamos!

Despacha-te! Levanta-te!

- lsso n�o � necess�rio. - Ela � doida!

Ela vai a bem comigo.

Vamos embora, Lowy.

Sou uma excelente cozinheira. Tenho serventia numa cozinha.

- Vamos embora. - Para onde nos levam?

N�o fa�am perguntas. Vamos.

V�, vamos embora.

Tal como a minha Anna.

Tirem as roupas.

V�o tomar um duche.

Vamos.

V�, vamos.

Dispam-se.

V�o tomar um duche.

V�o sair daqui a dez minutos.

N�o precisas de mentir.

Sou Berta Weiss, esposa do Dr. Josef Weiss.

Ele e o marido desta mulher, Franz Lowy,

est�o a ajudar a construir a estrada.

Por favor, diz-lhes o que se passou aqui.

Vamos embora.

M�es com crian�as de colo,

apertem-nas bem e digam-lhes para respirarem fundo. Faz-lhes bem.

A desinfec��o demora dez minutos. Formem uma fila. Venham por aqui.

Agarra-te a mim, eu protejo-te.

V�em? � apenas um chuveiro.

Adeus, Josef. Amo-te.

- Sente-se bem, Doutor? - Sim.

Estou apenas um pouco tonto.

Est� com m� cara. Devia ir ao hospital.

N�o diga disparates.

Desde que trabalhemos, sobrevivemos.

Aquele engenheiro civil � diferente dos outros.

Por nos poupar a vida desde que trabalhemos?

N�o, est� a correr um risco por n�s.

Ouvi dizer que os oficiais das SS o pressionavam a livrar-se dos judeus.

Escondeu 300 dos nossos aqui.

Tem raz�o, Sr. Lowy. N�o devia ter dito aquilo.

Parece ser boa pessoa.

N�o se sente bem?

Eu estou bem.

Antes o trabalho que a alternativa.

- Como se chama? - Josef Weiss.

- Dr. Josef Weiss. - � m�dico?

Sim, tinha um consult�rio em Berlim.

Venha antes cuidar do fogo.

Venha.

Agrade�o-lhe imenso.

- Como est�s, Erik? - Bem.

Vejamos... Natal em Berlim, certo?

lsso mesmo, Marta e as crian�as.

� bom ver-te, Erik.

� um prazer v�-lo, Tio Kurt.

Tenho caf� a s�rio l� dentro. Vamos.

As suas estradas s�o importantes, como medida sanit�ria

e de preven��o de cont�gio das doencas mortais de Auschwitz.

Presumo que tanto de quem manda como dos prisioneiros.

Doen�as do esp�rito, talvez at� da alma.

Cada vez se nota mais a sua... Como direi?

lndigna��o honrada.

Fazemos o que fazemos por necessidade.

P�ra. Guarda essas mentiras para os judeus que assassinas.

Mentes-lhes at� ao �ltimo instante. Porque os mandas despir?

Em nome de Deus, n�o os podes deixar morrer com dignidade?

Eu j� vi os guardas das SS a sorrirem para as mulheres nuas.

S�o criminosos, inimigos,

e v�o nus para as unidades de processamento por raz�es sanit�rias.

Os judeus do gueto de Vars�via est�o a ripostar. Pensa nisso.

�s desprezado pela gente armada de Vars�via

que desafia a "ra�a superior".

Quase nos restaura a confian�a na Divina Provid�ncia.

Dizem-me que usa centenas de judeus como m�o-de-obra,

quando tem russos e polacos dispon�veis.

- E depois? - N�o pode faz�-lo.

Os judeus t�m como destino o tratamento especial.

Vamos enviar-lhe um destacamento do Ex�rcito Vermelho: fortes e brutos.

N�o.

Prefere favorecer os inimigos do Reich?

Os filhos daqueles trabalhadores v�o sublevar-se e destruir a Alemanha.

Devia estrangular-te como um favor ao teu pai.

Quantos mortos te satisfar�o?

Um milh�o? Dois milh�es?

Temos de continuar a mat�-los. Sen�o, � uma admiss�o de culpa.

Se continuarmos, provamos ao mundo o nosso empenho nesta miss�o:

a satisfa��o de imperativos morais e hist�ricos.

- Tente compreender isso. - Compreendo muito bem.

Desaparece daqui!

N�o est�o aqui.

N�o podem entrar aqui.

Por favor, a minha esposa e a Sra. Lowy est�o a trabalhar?

N�o tenho culpa de nada, limito-me a cumprir ordens.

Tal como todos os outros.

Malditos sejam!

Porque levam sempre a sua avante?

Porque � que ningu�m lhes faz frente?

Obrigado.

Obrigado.

Estamos na P�scoa, Weiss.

19 de Abril de 1943.

N�o me esqueci.

Mas receio bem que n�o possamos desfrutar do Seder.

Pod�amos ter aceitado o convite das SS.

Sim, ouvi a banda sonora. Algu�m aceitou?

Nem sequer o Profeta Elias.

Eu podia ter ido.

Quando era pequeno, o meu irm�o � que faziam sempre as quatro perguntas.

Ontem � noite, talvez as SS me concedessem esse privil�gio.

Talvez. Antes de te matarem.

Sabe Deus como estar� o meu irm�o.

- Ele e a Berta. - Fazia-nos jeito ter aqui um m�dico.

Para tratar dos feridos?

Eu estaria mais inclinado a matar os feridos.

Nem parece teu.

Estou mais s�bio do que era h� um ano.

Diz-me, Salman, quantos soldados temos?

- 400. Armados. - E os outros?

Mais algumas centenas que nos apoiam. Os outros 50 mil... est�o aterrorizados.

Tamb�m eu. N�o fui feito para disparar armas.

E algu�m foi?

Sabes que Hitler faz anos amanh�?

E sabias que Himmler prometeu entregar-nos como prenda de anos?

Vars�via deve ficar limpa de judeus para comemorar a ocasi�o.

Somos velas no seu bolo.

Nunca pensei ficar resignado perante a morte.

Mas n�o me importo.

- Desde que tenha uma arma na m�o. - Apaga essa luz!

- Estou a limpar para a P�scoa. - Apaga a luz!

Mas n�o estou a ser cr�tico, estou apenas incr�dulo.

Mesmo a tempo.

Desejamos uma P�scoa feliz aos nossos amigos judeus.

Saiam em paz e prepararemos uma ceia do Seder.

Esque�am estes combates absurdos. Entreguem as armas.

Quem vos levou a combater, traiu-vos.

Desejamos uma P�scoa feliz aos nossos amigos judeus.

Saiam em paz e prepararemos uma ceia do Seder.

N�o est�o a bater em retirada, v�o voltar em forca.

Marchar!

Sempre a miser�vel pol�cia do gueto em primeiro,

seguida pelos lituanos.

Guardem as balas para os alem�es.

Ser� um prazer.

Ainda vou dizer a um SS lituano que lhe salvei a vida.

Agora!

D�em-lhes uma despedida em grande!

Vejam como fogem! Salman, pela primeira vez na vida,

sinto em mim o sangue do Rei David!

- N�o exageres, Weiss. - S� um bocadinho.

� o �ltimo do vinho da P�scoa. Partilhem-no connosco.

N�o, � vosso.

Por favor, precisam dele.

Gut Yontev.

Le'chaym.

"Porque � esta noite diferente de todas as outras?

"Nas outras noites, pod�amos ter comido p�o �zimo ou fermentado;

"mas, nesta noite, apenas p�o �zimo.

"Nas outras noites, pod�amos ter comido qualquer tipo de ervas;

"mas, nesta noite, apenas ervas amargas.

"Nas outras noites, n�o molhamos uma �nica vez;

"mas, nesta noite, molhamos duas.

"Nas outras noites, comemos sentados ou reclinados;

"mas, nesta noite, todos nos reclinamos.

"�ramos todos escravos, sob o jugo do Fara� do Egipto,

"mas o Deus Eterno libertou-nos,

"com a sua m�o poderosa e o seu braco estendido..."

Voltaram em forca.

"Louvado seria o Senhor mesmo que n�o nos tivesse libertado.

"N�s, os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos..."

"Louvado sejas, Deus Eterno e Senhor do Universo."

"... a comer p�o �zimo e ervas amargas..."

"... o tempo que se aproxima.

"Para que rejubilem na constru��o da Tua cidade

"e exultem ao Teu servico.

"E que possamos comer ali o cordeiro sacrificial,

"cujo sangue ser� derramado sobre o altar..."

Avancem junto ao pr�dio!

"Louvado sejas, Deus Eterno, Salvador de lsrael..."

Cortem a �gua!

- Avancem. - Preparar!

Fogo!

Tirem-nos daqui, escondam-se!

Depressa, pelas traseiras!

Saiam daqui!

Vamos sair, n�o aguentamos mais!

- D�s-nos cobertura? - Sim, saiam!

Foram apanhados no fogo cruzado!

Perderam novamente!

Eva, a bandeira!

N�o acredito no que vejo.

As malditas SS est�o a retirar!

Como te sentes, Weiss?

Volt�mos a rechacar os filisteus!

Eu sei que o quarteir�o foi arrasado, mas tentem encontr�-los.

Sim, precisamos de comida e medicamentos.

N�o, n�o nos renderemos!

Steve, tentem entrar em contacto com a Resist�ncia polaca no exterior.

Sei que ainda n�o nos ajudaram, mas talvez o facam.

Quantos dias passaram?

Hoje � 8 de Maio.

Os combates com as SS comecaram no dia 19 de Abril.

J� passaram 20 dias e continuamos a combater.

N�o cheg�mos a dar a prenda de anos a Hitler.

Demos, pois.

Mas n�o a que Himmler lhe prometeu.

"Milhares de mulheres e criancas est�o a ser queimadas nas casas.

"Pessoas envoltas em chamas saltam das janelas como archotes.

"Lutamos pela vossa e pela nossa liberdade.

"Vamos vingar Auschwitz,

"Treblinka, Belzec e Majdanek.

"Viva a liberdade!

"Morte aos assassinos e aos criminosos nazis!

"Viva a luta de vida ou morte contra os b�rbaros alem�es!"

V� se consegues passar com isto.

- Vou contigo at� � entrada. - Est� bem.

� o papel que nos resta.

- Nunca fui um homem corajoso. - Nem eu.

Mas aprendi uma coisa.

Todos acabamos por morrer. Porque n�o fazemos com que valha a pena?

Eles mataram-no! Est�o por toda a parte, l� fora!

G�s.

� o fim.

As c�psulas.

N�o chegam para todos.

Talvez alguns queiram sair.

Podem tentar arriscar... com os outros.

Eu fico.

- Quer ir l� para fora? - H� uma hip�tese, esperan�a.

Est� bem, eu guio-vos.

Salman...

- Adeus. - Adeus, Weiss.

Foi pena n�o nos podermos conhecer melhor.

Fica para outra altura.

Tenho o nome certo,

mas n�o vos posso guiar at� � Terra Prometida.

Venham comigo. Aaron...

Vamos!

Saiam com as m�os no ar!

Vamos, depressa!

Ningu�m vos far� mal.

M�os para cima. Encostem-se ao muro.

Mantenham as m�os no ar!

Todos em fila, virados para o muro.

Aaron, d�-me a m�o. D�em todos as m�os!

Preparar!

Apontar!

Fogo!

- Meu Deus... - Algum problema?

� terr�vel. A nossa rua foi bombardeada.

"Felizmente, est�vamos todos no abrigo e ningu�m ficou ferido.

"Mas houve estragos no apartamento, incluindo o nosso bel�ssimo piano."

Desde que ningu�m tenha ficado ferido...

- Os pianos podem ser substitu�dos. - H� boatos de Berlim?

J� n�o tenho acesso a informa��es confidenciais,

desde que Lichtenberg morreu.

Lichtenberg... Sim, o padre de Hedwig.

A minha mulher diz que morreu em Dachau.

O senhor avisou-o, n�o foi, Major?

O fedor das chamin�s invade a sala. J� nem se pode desfrutar do almo�o.

� inevit�vel. Processamos 12 mil por dia.

Tenho 46 fornos a funcionar ininterruptamente.

Se acha que tem problemas, ontem tive de enfrentar o Ex�rcito.

Queixaram-se que ando a requisitar os comboios para transportar judeus.

Hurst, qual � a pol�tica sobre o uso de judeus como m�o-de-obra?

M�o-de-obra? Apenas polacos e russos.

Aos judeus est� destinado o tratamento especial.

Parece que h� judeus a construir as estradas.

N�o devia haver. Aos judeus est� destinado o tratamento especial.

Um indiv�duo de Vars�via disse que os judeus lutaram durante 3 semanas.

Foram necess�rios sete mil alem�es para os reprimir.

- Conhece algum dos nossos? - N�o participou nos combates,

� por isso que ainda est� vivo.

Puxem com mais forca!

Puxem!

- Quem deu a ordem? - O comandante.

- Mas por que motivo? - Ter� de lhe perguntar a ele.

- Mas agora mesmo? - Sim, senhor.

O Major Hurst disse que a m�o-de-obra ser� substitu�da.

Parem! Formem uma fila indiana. Dois a dois.

- Para onde vamos? - Para a desparasita��o.

� o fim, Sr. Lowy.

A nossa viagem foi longa, meu amigo.

Berlim, Vars�via, Auschwitz... N�o foram nenhumas f�rias.

Pois n�o. Foi um bom amigo.

E um dos meus melhores pacientes. Pagava sempre a horas.

Em frente!

Porque � que ainda obedecemos? Vamos morrer.

- Eles que se lixem. - Em frente!

D�-me a sua m�o, Dr. Weiss.

Sinto-me t�o nervoso como no primeiro dia de escola.

Sr. Lowy, chegou a fazer o exame � ves�cula?

Avisei-o durante anos, desde que entrou no meu consult�rio, em Berlim.

Vou tratar disso na Primavera.

- Haver� pior maneira de se morrer? - Talvez seja s� uma desparasita��o.

Sim... Fui tip�grafo a vida toda.

Ainda tenho tinta debaixo das unhas.

- Talvez os panfletos tenham ajudado. - Tenho a certeza que sim.

Parem o cami�o!

- Acho que deram com a bomba. - Mas eu escondi tudo.

Espalhem-se! Fujam! Encontramo-nos no campo!

- Podemos enfrent�-los. - N�o!

Fujam todos!

Atr�s deles!

Parem ou disparamos!

Ali!

Helena!

Helena!

Helena...

- N�o compreendo. - O que ouviste?

Est�o a planear uma fuga.

- Como te chamas? - Rudi Weiss.

- Alem�o? - Judeu.

Pertencemos ao Ex�rcito Vermelho. 51a. Divis�o.

Weiss, se �s um espi�o, teremos de te matar.

N�o sou um espi�o.

Se v�o fugir, d�em-me uma arma. Fui guerrilheiro durante dois anos.

- Em que unidade? - Na do Tio Sasha, o m�dico de Karitz.

Em que ac��es estiveste envolvido?

Fizemos uma emboscada �s SS ucranianas,

atac�mos o quartel-general das SS em Crimage...

Fomos apanhados quando tent�mos rebentar com um destacamento.

A minha mulher foi morta.

Onde estamos?

Em Sobibor, no Leste da Pol�nia.

Gaseiam dois mil judeus por dia e queimam os cad�veres.

Est� tudo coberto de cinzas.

As SS dormem em almofadas forradas com cabelo de judeus.

Acho que confio nele.

Tem ar de guerrilheiro.

Desenterr�mos e queim�mos todos os corpos de Babi Yar, Reichsf�hrer.

- 33 mil? - Mais de 100 mil.

Os 33 mil foram o resultado dos dois dias de retalia��o.

Parece ter sido h� tanto tempo...

Eichmann?

lnsisto na prioridade sobre os comboios.

O Ex�rcito n�o pode desvi�-los.

- Hurst? - Auschwitz est� a laborar.

- Sobrecarregado, mas a laborar. - Em segredo, espero.

Tanto quanto poss�vel, Reichsf�hrer.

E quanto aos relatos de revoltas e insurrei��es de judeus?

N�o h� resist�ncia em Vars�via.

Apenas algumas bolsas, mas foram quase todos liquidados.

Houve ocorr�ncias nos campos, mas nada de significativo.

Os judeus parecem estar cientes da sua aniquila��o.

Reinstala��o.

Major Dorf, o nosso perito em sem�ntica.

N�o t�nhamos not�cias suas desde a sua miss�o no Leste.

O seu entusiasmo diminuiu?

Estou mais entusiasmado do que quando fiz o juramento.

Espl�ndido.

Meus senhores, estou receptivo a sugest�es

sobre o futuro desmantelamento dos campos.

N�o que pense que a Alemanha ser� derrotada, claro.

- Desmantelamento, Reichsf�hrer? - Sim, a tarefa est� quase conclu�da.

Uma Europa livre de judeus.

Talvez os campos e a maquinaria possam em breve ser destru�dos.

Perd�o, Reichsf�hrer, mas porqu�?

- Porqu�? - Porqu� apagar as provas?

Porque achou necess�rio desenterrar 100 mil cad�veres

e inciner�-los em Babi Yar?

Porqu� desmantelar Auschwitz?

N�o seria mais digno transform�-los em monumentos

aos servicos prestados � Humanidade?

Major, n�o est� a perceber...

Foi o pr�prio F�hrer quem disse que est�vamos aqui

para concluir a tarefa da Cristandade e defender a cultura ocidental.

E eu estou de acordo, Major Dorf.

Mas pode haver quem n�o perceba. Os judeus v�o mentir sobre n�s.

A menos que contemos a verdade ao mundo!

Temos de distribuir filmes,

fotografias, testemunhos...

Temos de explicar, de forma l�gica e persuasiva,

que aquilo que fizemos foi um imperativo moral e racial.

N�o cometemos nenhum crime.

Limit�mo-nos a seguir a l�gica da Hist�ria da Europa.

Fil�sofos e cl�rigos eminentes podem atestar as nossas raz�es.

Auschwitz tem defesa poss�vel.

Eu sou advogado, percebo destas coisas.

N�o h� vergonha, nem desculpas, meus senhores.

N�o h� que pensar nos judeus mortos.

Temos de clarificar ao mundo

que fomos o �ltimo reduto entre a civiliza��o

e a conspira��o dos judeus para dominar o mundo

e para destruir a dec�ncia.

Apenas n�s...

... tivemos a coragem suficiente.

O Major � capaz de ter raz�o.

Tenhamos a convic��o que cumprimos esta tarefa

por amor ao nosso povo.

E que n�o macul�mos o nosso car�cter e a nossa alma.

Continuamos a ser paradigmas de dec�ncia e caridade.

� algo de que nos podemos orgulhar.

Eu conhe�o aquele homem.

Karl!

Karl Weiss, o artista de Berlim.

Trabalh�mos em Buchenwald, na alfaiataria, lembras-te?

Depois, enviaram-te para Theresienstadt.

N�o te lembras do dia da briga com o kapo por causa do p�o?

Tinhas uma mulher crist�.

Ela enviava cartas atrav�s do sargento...

- Inga. - Ficavas chateado, mas ela...

Mas isso pertence ao passado. Foi uma sorte teres sobrevivido.

Os americanos est�o a entrar por Fran�a,

os russos est�o na Checoslov�quia, em Budapeste.

- � o fim dos nazis! - O meu pai esteve aqui.

Diz-se que nos v�o soltar.

O meu pai e a minha m�e estiveram aqui.

Sinto muito, Weiss.

O que eles fizeram �s tuas m�os...

Papel e l�pis.

Foi o melhor que arranjei.

Obrigado.

Sei quem �s, Weinberg. Foste um amigo.

Era assim que me sentia... h� muito tempo.

As minhas botas est�o prontas?

As minhas botas, disse eu!

Quem � este?

- N�o conseguimos chegar l�. - Deixa-me tentar.

Vamos para Leste. O Ex�rcito Vermelho est� perto.

Vens connosco, Weiss?

N�o, tenho fam�lia algures. Quero encontr�-la.

- Os alem�es v�o apanhar-te. - Eu terei cuidado.

- Adeus, Barski. - Obrigado.

Vanya.

� uma evacua��o, todos os prisioneiros devem sair das camaratas.

Repito.: todos os prisioneiros devem sair das camaratas.

- lsto � uma evacua��o geral! - Weiss?

Cheg�mos at� aqui...

Perdoa-me por levar isto.

Tamb�m n�o vais precisar disto.

Era apenas um mensageiro.

Recebia ordens do Heydrich e do Kaltenbrunner.

S� transmitia as ordens, era um manga-de-alpaca.

Um manga-de-alpaca?

Fale-me desta fotografia.

Execu��es.

Essas pessoas deviam ser sabotadores, ou guerrilheiros.

Deviam ser?

Sabe como � a guerra.

� triste, mas � poss�vel que tenham morrido alguns inocentes.

Mas n�o tenho conhecimento disso.

O que � isto, Major?

N�o sei. Bem, s�o cad�veres.

Recolhemos o depoimento de 24 testemunhas

que atestam que ajudou a supervisionar os gaseamentos em Auschwitz

e noutros campos.

E que esteve presente aquando dos genoc�dios.

Posso ter estado presente como representante de Berlim,

mas n�o tomei decis�es. Essas vinham de Berlim.

T�nhamos de nos livrar dos judeus. Assim que ascendessem ao poder,

o seu dinheiro e influ�ncia destruiriam a Alemanha.

Foi por isso que...

Contra a nossa vontade, certamente,

mas foi por isso que liquid�mos as crian�as.

As crian�as...

Tivemos de matar as criancas...

Se tivesse poder para isso, Dorf, metia-lhe j� um bal�zio na cabe�a.

Mas como fazemos as coisas de forma democr�tica, ser� julgado.

Os russos e os polacos t�m primazia.

Perd�o?

T�m uma pretens�o legal.

Gostaria de o entregar aos judeus,

talvez aos pais destas crian�as... se ainda estiverem vivos.

N�o estou a ser tratado de forma justa.

Sou advogado, conheco os meus direitos.

Veja estas fotografias.

Se quiser contar alguma coisa, avise. Vou chamar uma esten�grafa.

Andy, precisamos de uma esten�grafa.

Chamem um enfermeiro!

"Quero garantir-lhe, Frau Dorf, que o seu marido, o Major Erik Dorf,

"morreu como um her�i ao servico do Reich.

"N�s, os seus camaradas, honraremos a sua mem�ria

"e manteremos viva a tradi��o que ele personificava."

- N�o est� assinada. - E � uma mentira.

Mentira?

Marta, o Erik suicidou-se.

Estava detido pelos americanos como criminoso de guerra.

O mais certo era ter sido executado ou passar um longo per�odo na pris�o.

Est� a mentir! Sempre odiou o Erik!

Nem sempre. E j� n�o consigo odi�-lo.

Estive demasiado envolvido nisto para julgar os outros.

Saia daqui! O meu pai foi um her�i!

Peter, encara a verdade. Tu, a tua m�e, a Laura...

- Cale-se! - O teu pai era um assassino!

Ele e os seus comparsas de negro eram assassinos mec�nicos.

Um her�i? Fuzilou, gaseou e torturou inocentes.

- M�e, mande-o calar! - Kurt, saia desta casa!

N�o queremos voltar a v�-lo.

Como se atreve a conspurcar o nome do Erik?

Devia rezar pela sua alma.

Ter� de ser outro a fazer isso.

Eu assisti a tudo sem agir, e acreditei nas mentiras.

Temos de admitir o que somos e o que fizemos.

N�o me calarei.

Adeus, Marta.

Adeus, meninos.

Tradu��o e Legendagem Pedro P�voa / CRlSTBET, Lda.

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