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HOLOCAUSTO
A HIST�RIA DA FAM�LIA WEISS
EPIS�DIO 3
Sempre em frente. � proibido falar!
Weiss? Onde est� o Karl Weiss?
Felscher?
Weiss e Felscher?
Aqui.
- Weiss e Felscher? - Karl Weiss. Como sabe quem somos?
As not�cias correm. Chamo-me Maria Kalova, uma das artistas daqui.
Acompanhem-me.
- Lojas, um banco? - � fachada. O campo � uma fraude.
Podem beber �gua quente no caf� e comprar uma mala de cabedal na loja.
- E o banco? - Circula moedas sem valor.
- Ent�o, � tudo um jogo. - Nada � um jogo para os alem�es.
S�o bem tratados ou...?
As casernas est�o cheias de idosos e de doentes.
Todos os dias tiram de l� mortos.
Entraram pela pequena fortaleza.
Tortura, homic�dio, execu��es.
Karl, isto � igual a Buchenwald, excepto no aspecto exterior.
O que querem com isto?
Theresienstadt � o passaporte deles para a respeitabilidade.
Nem acredito.
Acreditam quando a Cruz Vermelha c� vier e decidir
que os Nazis tratam os judeus com gentileza.
Os suecos, os su��os... Todos os pa�ses neutros nos visitam.
"Um banco e uma padaria.
Um cinema. De que se queixam estes judeus?"
E safam-se assim? As pessoas acreditam neles?
Se calhar querem acreditar.
Venham.
Presumo que estejam contentes por ter sa�do de Buchenwald.
Parece ser uma melhoria.
N�o te deixes enganar pelas apar�ncias, Weiss.
Um artista deve ver o que est� por baixo.
Sim, obrigado. A Maria j� me contou.
Este lugar � um inferno. Viram os idosos no comboio?
Os que tinham casacos de peles estragados e chap�us de marca?
Alguns s�o da minha cidade, Berlim.
Os �ltimos burgueses judaicos
entregaram os marcos alem�es e as obras de arte que sobraram
para poderem viver aqui.
- E morrem de fome todos os dias. - N�s somos os sortudos.
Se tu e o Felscher obedecerem, talvez sobrevivam.
J� algu�m fugiu daqui?
As pessoas nunca s�o libertadas?
lsto n�o � uma pris�o normal.
Vamos ficar aqui muito, muito tempo.
- lsto � teu? Teu e dos teus colegas? - De todos.
E orgulham-se disto?
N�o vi criancas com este ar. Desculpa, Frey, mas...
Sei que n�o sou um pilar, mas quer dizer...
Crian�as do gueto a brincar
e as refei��es de S�bado? Sinceramente.
Vigia a porta.
Somos um grupo bastante ecl�ctico.
Usamos v�rios estilos.
Estou a ver.
Este podia chamar-se "G�tico do Campo de Concentra��o."
- lsto � teu? - �, mas todos fazemos disto.
V�m a�!
Obrigado.
Como disse, vou mostrar-lhe as qualidades art�sticas que temos.
- Como est�o os meus artistas hoje? - Muito bem, meu Comandante.
�ptimo. O convidado � o Herr Banson, embaixador da Comiss�o Sueca.
Ouviu falar no nosso programa art�stico e quis v�-lo em pessoa.
� um belo atelier, n�o �, Banson? N�o � uma c�mara de tortura.
Frey, mostre-lhe os quadros das crian�as judaicas, por favor.
Encantador.
Mais uma prova da gentileza com que tratamos os judeus.
Quem ouviu falar num campo destes com um est�dio de artes?
Encantador.
Meus senhores, vou mostrar-lhes a nossa orquestra.
Tentamos desenvolver um ambiente art�stico independente das qualidades.
- Mentiroso duma... - Calma, Weiss.
Quem � ele?
O Sasha? � m�dico.
- M�dico? Onde � o gabinete dele? - N�o gozes. Consegue coser feridas.
- E o homem a rezar? - O Samuel? � rabino.
- Um rabino com guerrilheiros? - E um rabino para mim.
Pode ser que me fa�a regressar � sinagoga.
Mi�dos! Pode n�o parecer, mas isto � uma sinagoga!
Falo contigo mais tarde!
� como em Berlim. Chateavam-me por jogar � bola no S�bado.
- Como vieram aqui parar? - O tio Sasha tirou-nos de Koretz.
Os alem�es mataram a mulher e as filhas dele.
Mais de 2 mil judeus mortos numa tarde. Os meus pais, o meu irm�o.
A minha fam�lia toda.
Um dos doentes do Sasha, ucraniano, ajudou-nos a sair. 20 pessoas.
Depois, os outros foram-se juntando. De Sitomir, Berdichev,
e de outros s�tios onde mataram judeus.
- Para este acampamento? - Este � o nosso quarto acampamento.
Os alem�es v�m � nossa procura. Se n�o eles, os ucranianos.
- E lutam contra eles? - Sim, quando tivermos armas.
- Do que est�o � espera? - N�o � f�cil.
H� mulheres, idosos, crian�as.
- O tio Sasha n�o os abandona. - Ele n�o reza com os outros?
Deitou fora o xaile de ora��o quando a mulher foi morta.
Diz a todos os que chegam: "J� n�o somos carneiros para o matadouro."
Mas s�o poucos. Milhares de judeus enfrentaram a morte.
Ficaram confusos. Ningu�m achou que isso fosse acontecer.
Weiss, vais fazer servi�o de sentinela.
- Sabes disparar? - Sei. E isso funciona?
Se n�o funcionar, usa-a como moca. Anda, eu mostro-te.
Porque est�s a sorrir?
- Lembrei-me... O meu pai era m�dico. - Ai �? Onde?
Tinha uma cl�nica em Berlim. Est� em Vars�via h� muito tempo.
Achou que eu seria m�dico.
- N�o consegues ver sangue? - N�o, sou � mau aluno.
Tio Sasha!
Tio Sasha! Posso fazer servico de sentinela com ele?
- Claro. O Mothel mostra-vos onde. - Obrigada.
Mas n�o durmam e nada de namorar.
- Tio Sasha, o rabino Samuel... - O que tem?
Pode celebrar um casamento depois de virmos da sentinela?
Porque n�o? Nem sequer t�m de lhe pagar.
Car�ssimos. Vinde cumprimentar a noiva.
Cumprimenta a noiva do S�bado.
Vinde ao S�bado com alegria, pois � fonte constante de b�n��os
de tudo o que foi ordenado pelas escrituras.
A �ltima cria��o � a primeira em pensamento.
Neste dia, falei com o Senhor que me exigiu o salvamento divino.
Que este casamento seja aben�oado com felicidade e filhos
e amor eterno um pelo outro.
Pela f� de Abra�o, lsaac e Jacob, declaro-vos marido e mulher.
Matzel Tov!
- Pode beijar a noiva. - Como estamos casados, tenho medo.
Bravo!
Nadia, obrigada por me emprestares a alian�a.
Fica com ela. Era da minha irm�.
Agora tens novas responsabilidades.
Fam�lia, casa, filhos... Tens de poupar dinheiro.
Pareces o meu pai. Ele chateava-me por gastar a mesada no futebol.
Sasha! Os Nazis!
Est�o a 3 kms. O meu pai disse-me que viu o cami�o.
Pessoal, vamos embora! Abandonar o acampamento! Depressa! Depressa!
Rudi! Helena!
J� podemos ir?
Por aqui, Reichsf�hrer.
Meus senhores!
- Quem teve esta ideia? - O coronel Nebe.
Ele � um idiota.
Achou que o Reichsf�hrer devia ver isto em primeira m�o.
Conhe�o melhor o Himmler que ele.
Em sentido!
Depressa, atirem as roupas para o monte!
Em sentido!
Quantas pessoas?
Cerca de cem. Por norma, tratamos de grupos maiores.
Em cinco meses, j� despach�mos 45 mil judeus na �rea de Minsk.
lsso n�o � nada.
Despach�mos 33 mil em dois dias em Babi Yar.
Por aqui.
O jovem alto, o segundo... Parece ariano. Tragam-no c�.
Sargento, traga o mais alto.
- Os seus pais s�o os dois judeus? - Sim.
- Algum antepassado n�o era judeu? - N�o.
� pena, n�o o posso ajudar. Mande-o para a linha.
- Quando quiser, Reichsf�hrer. - "Quando quiser"?
Sim, claro. Est� � vontade, Coronel.
Fogo!
� a primeira vez. Decerto compreendem que � dif�cil de aceitar.
Maldito cobarde. N�s fuzilamos milhares.
- Alguns ainda est�o vivos. - Sargento!
Heydrich, temos de encontrar outra maneira.
Meus senhores, nunca estive t�o orgulhoso dos soldados alem�es.
Fiquem de consci�ncia tranquila.
Serei respons�vel perante Deus e Hitler pelos vossos actos.
Os homens agradecem, Reichsf�hrer.
Vamos aprender com a natureza.
Em todo o lado h� lutas.
O homem primitivo percebeu que um cavalo era bom
e que um percevejo era mau.
Podem dizer que os percevejos, os ratos e os judeus
t�m direito � vida e at� posso concordar com voc�s.
Mas o homem tem o direito de se defender dos parasitas.
Contudo, Heydrich, temos de encontrar m�todos mais convincentes.
- Bem, Nebe, parece que estragou tudo. - Coronel Nebe para si, Major Dorf.
� uma sorte n�o ser sargento depois desta trapalhada.
Quem o autorizou a convidar o Reichsf�hrer para esta banhada?
N�o encontrou atiradores que acertassem � primeira vez?
- Caramba, Dorf. N�o me critique. - E uma desgra�a.
Major Dorf, alguns de n�s est�o fartos das suas interfer�ncias.
Ai est�o?
Para sua informa��o, Blobel, n�o estamos contentes com Babi Yar.
Heydrich quer que exume os cad�veres e que os queime.
- Mas quem julga que �? - Pegue nas tralhas e volte � Ucr�nia.
Major Dorf, n�o tem o direito de falar connosco assim.
Claro que tem. � a mascote do Heydrich.
Voc� e aquele semi-judeu.
O Heydrich n�o tem sangue judaico.
E quem espalhar essas mentiras ir� responder caro.
V� para o inferno.
Preciso de uma bebida.
Escute, Major. Tenho umas ideias que podem interessar a Himmler.
Maneiras mais eficazes e mais baratas de os matar.
Dinamite talvez. lnjec��es, g�s...
Ele que v� para o inferno!
Faz-nos companhia, Major?
Ele n�o. Tem de manter a cabeca fresca para armar esquemas.
� como um maldito judeu.
Temos de fazer alguma coisa em rela��o �quele patife.
Mas o qu�? Ele � muito r�pido.
Diga-me s� se alinha.
BERLlM
Parte hoje para a Pol�nia?
Sim, meu General. Estamos a analisar m�todos alternativos.
Antes de ir, � melhor ler isto.
"O Major Erik Dorf, do seu pessoal,
"� membro do Grupo Juvenil Comunista na Universidade.
"O pai dele era um l�der comunista que se suicidou perante um esc�ndalo.
"A fam�lia da parte da m�e de Dorf...
... hip�tese de sangue judeu."
- N�o est� assinada. - Nunca est�o.
O que acha, Erik?
S�o mentiras, do in�cio ao fim.
O meu pai era mais ou menos Socialista...
Eu nunca fui membro do Partido Comunista.
Quanto muito, fui a uma reuni�o, mas por curiosidade.
- N�o tem cromossomas judeus? - Claro que n�o!
O exame habitual foi-me feito em 1935 quando me alistei.
lnfelizmente, Himmler tamb�m recebeu uma c�pia e quer outra investiga��o.
Registos familiares e isso assim.
- N�o lhe deu garantias minhas? - J� sabe como � neste ramo.
Eu e o Himmler temos rivalidades. lnfelizmente, foi apanhado por elas.
- Sabe quem mandou a carta? - Qualquer um. E para se vingarem.
- Mas � o segundo na hierarquia. - Sim, mas est�o todos fartos de mim.
Erik, sei tudo sobre eles, do in�cio ao fim.
Sei a cambada de bandidos e ral� que s�o.
Uma verdadeira galeria de trapaceiros.
G�ring: consome drogas e recebe subornos.
Rosenberg: tenho as cartas dele para a amante judia.
Goebbels: esc�ndalo atr�s de esc�ndalo.
Himmler: algo duvidoso do lado da mulher.
Sem falar no Kaltenbrunner: um simples criminoso.
Espero n�o vir a fazer parte da sua galeria de trapaceiros.
Porque faria? Presumindo que a carta � falsa...
Est� em esfor�o. 70 � muita gente.
- Quanto tempo demora? - 10 a 12 minutos.
Mais tempo quando o autocarro est� a abarrotar. Esforca o motor.
- A estrutura tem de ser melhorada. - N�o foram feitos para isto.
- Como � dentro do autocarro? - Muitos arranh�es e murros.
�s vezes, at� os ouvimos dar pontap�s no autocarro.
Agora n�o. O motor faz muito barulho.
Ajuda a�.
Por aqui.
Mais este Timmy.
Aqui.
Nada mal. Meia hora desde o acampamento.
- Mas n�o � bem o que queremos. - Concordo.
Se usarmos este m�todo, os cami�es v�o passear por toda a Pol�nia.
- Trabalhoso, lento. - H� que ter instala��es permanentes.
Sim. Eu, o Blobel e os outros falamos imenso nisso.
Ai �?
- E de que mais falam? - De muitas coisas.
E n�o escrevem cartas an�nimas?
Bilhetes ao Heydrich e ao Himmler sobre o pessoal deles?
- N�o sei ao que se refere. - N�o?
Est�o todos mortos, menos duas crian�as. Tivemos de as alvejar.
Muito bem. � tudo.
- N�o gostei do que vi. - Nem eu.
As m�es protegem os filhos e por isso, alguns ainda sobrevivem.
N�o me referia a isso.
O mon�xido de carbono n�o � eficaz.
Seria de pensar que com tantos especialistas alem�es, fosse melhor.
S� falta mais um.
Olha para isto.
Outra vistoria da Cruz Vermelha. Vieram ver o "Gueto Modelo".
Seria de esperar que quisessem ver Dachau ou Buchenwald.
O que me espanta � que ningu�m questiona nada.
Que direito t�m os Nazis de nos prender a todos?
N�o se importam que os judeus sejam presos, desde que n�o os matem.
N�o sei se n�o andar�o a matar-nos, sistematicamente.
Ouvi um gendarme falar de um s�tio na Pol�nia chamado Auschwitz.
Auschwitz, sim...
Rham est� a fazer teatro outra vez, desta feita, para a Cruz Vermelha.
Maria.
J� te falei do meu irm�o mais novo, o Rudi?
N�o. S� me falaste dos teus pais.
E da Inga.
O Rudi fugiu.
Provavelmente, est� morto. Talvez tenha matado uns tantos, mas...
Tem menos cinco anos do que eu, mas defendia-me dos mi�dos rufias.
A tua fam�lia deve ser maravilhosa.
N�o voltarei a v�-los.
E n�o me importo de n�o voltar a ver a Inga.
Karl...
Ela costumava mandar-me cartas por um sargento das SS.
Um conhecido da fam�lia dela.
- Mas por um pre�o. - N�o a julgues t�o severamente.
O que me dana � que ela sempre foi mais forte do que eu.
Talvez quisesse que assim fosse.
- �s um artista talentoso. - Sou med�ocre!
Sou uma desilus�o para os meus pais.
Nem o Rudi nem eu correspondemos �s expectativas do nosso pai.
Tenho a certeza que ele te amava e que a Inga tamb�m te ama.
Ser�?
Mas ela devia ter sido forte e recusado!
N�o a odeies. Quando se reencontrarem, perdoa-a.
- Diz-lhe que a amas. - Acho que n�o vai haver reencontro.
Vamos morrer todos aqui.
Karl...
- Tem cuidado. - Quero l� saber se me apanham.
N�o serias s� tu. Estamos todos metidos nisto.
Rudi...
O que foi feito de ti?
Alem�es?
- N�o, mil�cia ucraniana. - Valem a pena?
Mataram mais de n�s do que os nazis.
Fogo!
Apanha-o! Mata-o!
Por favor! N�o, n�o.
Por favor! N�o, n�o.
- Mata-o. - Por favor...
Caramba, Weiss! Se n�o o matas tu, mato eu!
Se ele regressa, vai contar aos alem�es!
N�o!
Por favor!
Era um mi�do.
O Yuri diz que � do g�nero dos que matam judeus por dinheiro.
Rudi, por favor.
- Nunca matei ningu�m. - Eu sei.
Teve de ser.
Achei que era t�o corajoso.
Tinha sangue na cara toda...
N�o percebo nada. E os meus pais tamb�m n�o percebiam.
Talvez o Sasha perceba.
Queremos viver, Rudi.
� s� isso que tens de perceber.
Mas n�o chega. Quando esta matan�a acabar, se � que vai acabar,
e ainda estivermos vivos, o que faremos?
Ent�o, seremos o casal Weiss e iremos para a Palestina.
- Trabalhar numa quinta de mel�es? - Tu...
Rudi, vamos viver at� l�.
Laranjais, cedros, aldeiazinhas de agricultores
e um mar azul.
Acho que te devo uma viagem � tua p�tria sionista.
Uma viagem n�o, Rudi. Uma vida para n�s,
onde n�o nos possam prender, espancar ou matar.
Lembras-te da primeira vez que fizemos amor em Praga?
N�o me facas corar.
Foi lindo.
A melhor coisa que j� fiz na vida.
Para mim tamb�m.
E agora, sempre que estamos juntos, � uma maravilha.
Duas pessoas que se conhecem t�o bem.
N�o s� os corpos, os bra�os, os l�bios.
� como se Deus
ou a natureza ou algu�m decidisse que tinha de ser assim.
Rudi, h� um poeta em ti.
N�o.
S� mais amor por ti do que consigo descrever.
Eu sei, meu querido.
Eu sei.
� por isso que sei que n�o vamos morrer.
Nunca iremos morrer.
VARS�VlA
- A costa est� livre. - Vamos, Aaron.
- Est�s velho para isto. - Estou velho para muita coisa.
- Deixa ir antes um dos jovens. - Os jovens d�o melhores soldados.
Se eu morrer, s� se perde um farmac�utico.
V�o l�!
Para mais, tenho o meu guarda-costas. Ningu�m p�ra o Moses e o Aaron!
Avancem!
V�o l�.
Adeus.
Olha para isto! J� passou a hora do recolher obrigat�rio, ala!
- Mexam-se! - V�, toca a andar.
Andor! Mexam-se!
Anton?
- Tiveram sorte em chegar at� aqui. - O meu amigo conhece bem a zona.
Aqui tem o dinheiro.
Mas... Disseram-me que era uma d�zia de armas.
Uma arma. � o melhor que se arranjou.
Mas t�nhamos combinado que o dinheiro era para uma d�zia.
N�o quer? Devolva-a.
S� pedimos um pouco de coopera��o. Temos o mesmo inimigo, correcto?
Balas?
Vamos, Aaron.
N�o h� problema.
Anton, meu amigo, talvez um dia possamos colaborar.
Talvez.
- N�o confio neles. - D�-lhes o benef�cio da d�vida.
Se nos ajudarem a matar alem�es, por que n�o?
- Os judeus n�o combatem. - Aquele rapaz... J� o vi por a�.
N�o deve ter mais de 13 anos.
Cano.
C�mara, c�o,
gatilho e coronha.
Vai para ali. Pega na arma.
Afasta as pernas e estica bem os bracos.
Faz pontaria pela linha do cano.
O espa�o em forma de "V" fica ao n�vel do topo do alvo.
Agora, respira fundo.
Expira um pouco...
Sust�m a respira��o e prime o gatilho devagar, n�o sejas brusco.
Preparar, apontar, disparar.
- Agora, s� precisamos de muni��es. - E v�rias centenas de armas.
- Preparar. - Bem, j� � qualquer coisa.
Apontar, disparar.
H�ss, como Comandante de Auschwitz,
a sua miss�o ser� duplicar a dimens�o do campo.
Entendo, Reichsf�hrer, mas de onde vir� a m�o-de-obra?
lsso n�o lhe faltar�.
A l.G. Farben recruta-a toda para as f�bricas.
A l.G. Farben cumprir� as nossas ordens.
H� demasiado tempo que enriquece com a nossa m�o-de-obra.
Os presos ser�o maioritariamente judeus?
Treblinka, Belzec e os outros campos n�o est�o a cumprir a reinstala��o.
- Planeamos algo numa escala maior. - Maior?
O objectivo � a solu��o final para a quest�o judaica.
N�o o deixarei ficar mal.
Reichsf�hrer, fui educado para servir e obedecer.
�ptimo. O Dorf ser� o oficial de liga��o aqui em Berlim.
- Deviam conhecer-se melhor. - Compreendo.
- Ainda estamos a investigar o Dorf? - Se insiste...
Temos tido queixas dele. E autorit�rio e exigente.
N�o descobrimos nada. O pai dele era socialista. E depois?
A m�e pode ter voltado a casar com um meio-judeu. E depois?
Gostava de ter provas mais concretas.
Para poder substitu�-lo ou a inten��o � atingir-me?
Reinhard, meu amigo...
Se me tornar novamente um alvo, ou o Dorf, quem mais se seguir�?
N�o podemos distrair-nos com estas quest�es.
O programa de Auschwitz � priorit�rio.
Perfeitamente, Reichsf�hrer.
Erik... H� algum problema?
N�o. Desculpa ter-te acordado.
N�o dormes em condi��es desde a �ltima vez que foste para Leste.
- Estou preocupada contigo. - Eu estou bem, querida.
N�o quero que te preocupes, tens de cuidar da tua sa�de.
- As crian�as precisam de ti. - Eu estou �ptima.
Eu sei que escondes muita coisa de mim.
Desde aquele dia no consult�rio, h� sete anos.
Sabia que eras doente, mas n�o querias que eu soubesse.
�s corajosa, Marta.
Mais corajosa que o teu marido, com as suas botas e farda negra.
Como podes dizer isso? Tiveste tantas miss�es importantes.
Marta, perdemos a guerra.
Perdemos no dia em que os americanos entraram.
A �nica esperan�a � um bom acordo e p�r os ingleses, os franceses
e os americanos contra os russos. Mas parece n�o estar a resultar.
N�s vamos vencer.
Pensa assim, se te consola. Mas eu vejo o que est� a acontecer.
- N�o gosto que fales assim. - Querida...
Um dia, dir�o mentiras monstruosas
sobre o que fizemos na Pol�nia e na R�ssia.
- N�o lhes darei ouvidos. - Eles v�o obrigar-te a ouvir.
Nesse caso, tens de dizer a ti mesma e aos nossos filhos
que sempre prestei um bom servico ao Reich.
Era um homem honrado que se limitou a obedecer a ordens.
- Ordens das mais altas inst�ncias. - N�o permitirei que mintam sobre ti.
N�o percebo.
O Hans Frank vangloria-se dos milh�es de...
E o Himmler fala das f�bricas dele como se...
H� um sujeito, o H�ss, que � o Comandante de Auschwitz
e que diz sempre:
"Acreditar, obedecer, agir."
Quem me dera ser como ele.
� um homem bondoso. Adora os filhos.
Adora animais, a natureza...
Erik, �s melhor do que eles todos.
�s melhor do que qualquer Frank ou H�ss.
Sim, melhor do que os altos comandos!
Abra�a-me, Marta.
Erik.
Nunca duvides de ti mesmo.
Meu menino...
Est�s gelado.
Fala o Major Dorf.
Como?!
Repita l�.
- N�o... - Erik, o que foi?
- Sim, � s� o tempo de me vestir. - O que aconteceu?
Tentaram assassinar o Heydrich.
Houve um atentado bombista contra ele, em Praga.
- Duvidam que sobreviva. - Que horror.
Erik... S� ousado. S� agressivo.
� a tua oportunidade.
Quando morrer, podes ser o sucessor dele.
- Inga! - J� lhe disse para n�o me seguir.
Inga, quero ajudar-te.
Por muito que rezes, n�o tirar�s o Karl de Theresienstadt.
E voc� pode faz�-lo?
N�o. N�o te vou mentir.
Amo-te.
Podes divorciar-te! Ele � um inimigo do Reich e tu uma crist�.
Desde aquela altura, no campo...
- Inga, preciso de ti. - Afaste-se de mim.
- Inga, por favor. - Odeio-o! Odeio-vos a todos!
S�o incapazes de amar! S� conhecem a gan�ncia e a crueldade!
O pior � que vos deix�mos subir ao poder!
Estamos em guerra. As guerras s�o cru�is, h� sofrimento.
N�o tenho nada contra o Karl, nem nada pessoal contra os judeus.
Deixe-me em paz!
- Sim, menina? - O Padre Lichtenberg est�?
N�o, menina.
- J� n�o est� c�. Foi levado. - Levado?
Advertiram-no que parasse de falar sobre os judeus.
Santo Deus.
Para onde foi? Como podem prender um homem t�o bom?
Ele era um padre teimoso.
Todos lhe diziam que esquecesse os judeus, n�o � connosco.
Mas ele n�o se calou.
Onde est� ele? Como se atreveram a fazer semelhante coisa?
Eles fazem o que querem. Levaram-no para um s�tio chamado Dachau.
N�o temos not�cias dele desde ent�o.
Posso levar-te a casa? Talvez a visita te tenha feito mudar de ideias.
- Pode fazer mais do que isso. - Excelente.
- Talvez comece a ir � igreja. - N�o era isso que tinha em mente.
Sabes o que sinto. Faria qualquer coisa por ti.
Denuncie-me. Acuse-me de um crime qualquer, n�o � complicado.
Depois, mande-me para junto do Karl.
Enlouqueceste? Para aquela pris�o checa?
Soube o que aconteceu ao Padre Lichtenberg.
- Quero fazer o mesmo. - At� os melhores campos...
N�o s�o muito agrad�veis.
Diga � Gestapo que tentei suborn�-lo para chegar ao Karl ou assim.
Sacrificarias a tua liberdade por ele?
Sim.
Para o tipo de desinfec��o em massa que quer, recomendo este produto.
Zyklon B.
N�o sou qu�mico. Pode dar-me umas luzes?
O Zyklon B tem �cido pr�ssico na sua base. Vem em cristais na lata,
mas evapora em contacto com o ar. - J� foi testado?
Sim, na elimina��o de ratos, piolhos e outros parasitas em �reas extensas.
- Foi testado em... - Humanos?
Bem, sabe a que me refiro. Criminosos, doentes terminais.
Deve saber isso melhor do que eu. Somos apenas qu�micos.
Soube, oficiosamente, que os sujeitos tiveram uma morte dolorosa.
S� sei que � excelente para despiolhamento e fumiga��o.
N�o danifica as m�quinas
e n�o precisa de aparelhos, como o mon�xido de carbono.
Por que fala em mon�xido de carbono?
Boatos.
Zyklon B, disse?
Vamos fazer uma encomenda para Auschwitz.
� um prazer negociar com o Servi�o de Seguran�a.
A guia deve indicar que o Zyklon B ser� usado apenas para desinfec��o.
Entendido. Quer ver como funciona?
- H� algum risco? - Nenhum, usaremos s� um cristal.
Chuveiros, ralos, valas de esgoto.
Basta fechar a porta para selar a sala e o combust�vel est� no exterior.
Ligamos o motor e o g�s sai pelos chuveiros.
N�o precisa de combust�vel. Temos um produto chamado Zyklon B.
Vem em cristais. Basta atir�-los para o ch�o e evaporam.
� um produto caro?
Em grandes quantidades, fica a meio centavo por unidade.
Belzec, Sobib�r, Majdanek,
Treblinka, Chelmno, Auschwitz... A quantidade n�o ser� um problema.
Dorf, H�ss.
General Kaltenbrunner.
O Major H�ss e eu analis�vamos os problemas do tratamento especial.
Tratamento especial?
Avisaram-me que, quando substitu�sse o Heydrich,
herdaria um mestre das palavras. H�ss, d�-nos licen�a, por favor.
Dorf, sou diferente daquele mesti�o afectado do Heydrich.
- Est� a ser injusto. - No funeral, vi os filhos rafeiros.
E as baboseiras no leito de morte,
implorando perd�o pelos crimes contra os judeus.
- Estava a delirar. - N�o se d� ao trabalho de defend�-lo.
- Preocupe-se consigo. - N�o tenho motivos para tal.
Tenho executado a Opera��o Reinhard com rigor. Est� tudo controlado,
os judeus da Pol�nia deslocam-se em n�mero crescente.
O Heydrich morreu. Eu comando as SS.
O Dorf tem um estigma.
Um pai de passado d�bio, possivelmente comunista.
Fui investigado e ilibado.
Os comandantes em campo queixam-se de si.
Chamam-lhe delator, intriguista.
O que acha destes desenhos?
�... Parece Theresienstadt.
"A Ra�a Superior".
"Ceifeiros".
"As Criancas do Gueto". S�o pavorosos.
Um dos nossos agentes descobriu-os em Praga.
S� nos faltava que a Cruz Vermelha os visse. N�o est�o assinados.
Una-se ao Eichmann e descubra os autores deste nojo.
Garanto-lhe que os encontrarei.
Tenho a sensa��o que h� mais. N�o podemos tolerar isto.
Descubra quem s�o estes Rembrandts an�nimos!
Encontre-os.
Felscher, n�o encontro os esbo�os que t�nhamos terminado.
Sim, nem vais encontr�-los. Vendi-os.
Vendeste-os?
- Vendeste-os? - Um gendarme checo quis uns tantos.
Combin�mos que os desenhos ficariam escondidos no campo.
Se os Nazis os apanham...
E n�o tinhas o direito de vender as minhas obras, nem as do Weiss!
Que diferen�a faz? Pens�vamos que �amos mudar as coisas.
Que diferen�a faz?
Frey, precisava de um ma�o de tabaco e um frasco de doce de laranja.
Eram s� quatro esbo�os. N�o volto a faz�-lo.
Divido os cigarros convosco.
S� espero que a Gestapo n�o lhes deite a m�o.
� um crime querer um ma�o de tabaco?
Coitado do Felscher. �s vezes, pergunto-me se vale a pena.
- Tamb�m eu. - Transportes...
Est�o sempre a mandar velhos e doentes para a Pol�nia. Porqu�?
H� muito que deixei de tentar perceb�-los.
Karl, abre tu.
- Karl! - Inga... Inga.
Como chegaste c�?
Karl, n�o � complicado vir parar a um campo.
- Est�s t�o p�lido e magro. - Eu estou bem.
Tenho um bom emprego... e amigos.
Herr Frey, Herr Felscher, Maria Kalova.
Ouvimos falar imenso em ti, Inga.
Estou muito feliz por vos conhecer.
H� s�tios piores do que Theresienstadt.
� verdade. Ainda estamos vivos.
Por que vieste?
Para estar contigo.
Devem querer um pouco de privacidade.
Pensava que n�o voltaria a ver-te.
Disse-te para n�o desesperares.
Lembro-me das tuas cartas.
T�o cheias de esperan�a e palavras ternas.
Tamb�m me lembro de quem mas trouxe.
- O Muller contou-te? - Vangloriou-se. Inga...
- Porqu�? - Karl, fi-lo para te contactar.
- Para ficarmos juntos. - Escolheste uma estrat�gia estranha.
Quando penso que estiveste com aquele animal, aquele porco.
Karl, tens de acreditar em mim. Tentei evit�-lo.
N�o havia respeito entre n�s.
N�o houve nada entre n�s. Odiava-o.
E, agora, odeio-o ainda mais.
Preferia n�o voltar a ver-te a isso.
- A s�rio? - Muita gente ficou s�.
Sem fam�lia ou cartas, e conseguiram sobreviver.
O Felscher n�o sabe da fam�lia h� mais de quatro anos.
O marido da Maria Kalova foi morto pela Gestapo.
Sempre achei que eras diferente dos outros.
Senti que precisavas do meu amor, nem que fosse por carta.
Sim.
� verdade.
N�o teria sobrevivido sem ter not�cias tuas.
N�o importa que meios usaste.
Karl...
Vamos p�r isso para tr�s das costas.
Chamavas-me a tua Saskia, lembras-te?
A esposa e modelo de Rembrandt.
Vamos tentando aguentar-nos e sei que, em breve, seremos livres.
Inga, os Nazis livram-se de n�s muito antes de se renderem.
N�o podemos desistir. Para mais, agora, estou contigo.
E o que tens? Um artista esgotado,
sem uma r�stia de sentimentos humanos.
Karl, tu n�o �s assim. Est�s vivo.
Lembro-me de quando o teu pai partiu para a Pol�nia.
Beijou a tua m�e e disse:
"Aconte�a o que acontecer, amor vincit omnia. "
"O amor supera tudo."
Por que vieste?
Porque sou a tua mulher!
Porque te amo!
Porque, aconte�a o que acontecer, ficarei sempre contigo.
Amo-te tanto.
Todos encostados � parede!
Revistem o atelier!
Havemos de encontr�-los.
Arranquem o soalho!
- Tem ideia de quem s�o os autores? - Pode ter sido qualquer um deles!
Damos-lhes conforto, privil�gios especiais
e � assim que os biltres agradecem! - Calma, Major.
- Na verdade, n�o s�o nada maus. - ldentifiquem todos os artistas.
Queremos todos os trabalhos deles, esbo�os, desenhos, quadros,
e os conspiradores que os ajudam a contrabandear estas atrocidades.
N�o deve ser muito dif�cil de descobrir.
Vamos descobrir. Porqu� tanto alarido por causa destes rabiscos?
Queremos manter os judeus calmos, agora que entramos numa nova fase,
e evitar protestos dos pa�ses neutros. Mande-os entrar.
Parece estar numa situa��o dif�cil, Major.
Est� a transpirar.
"Subiu ent�o ao trono do Egipto um novo rei que n�o conhecera Jos�."
O Kaltenbrunner � o nosso novo rei.
- Posso? - Fa�a favor, est� no seu territ�rio.
Chamo-me Adolf Eichmann e este � o Major Dorf, de Berlim.
Digam-nos como se chamam e de onde v�m.
- Voc�. - Otto Felscher, de Karlsruhe.
- Emile Frey, Praga. - E o cabecilha, sov�-lo-ei at� falar.
Major.
- Voc�. - Karl Weiss, Berlim.
Aproximem-se e digam-me quem � o respons�vel por estas aberra��es.
Obede�am ao Major! Mexam-se!
- Ent�o? - Este � meu.
Estes dois s�o meus.
- Felscher. - Eu fiz este.
Comecamos a entender-nos.
O Major Dorf veio de Berlim para averiguar quantos existem,
onde est�o escondidos, para onde foram enviados
e quem s�o os vossos contactos no exterior.
Frey, come�amos por si?
N�o h� mais desenhos.
- Weiss? - Estes s�o os �nicos.
Voc�.
- Bem... Estes... - Vamos, desembuche.
O Comandante est� a par do trabalho que fazemos.
- S� pintamos retratos... - Mentira!
Que eu saiba, n�o h� mais.
Weiss, qual � a fun��o da arte?
A fun��o da arte?
Creio que algu�m disse que era engrandecer a vida.
E acha este lixo engrandecedor?
"Transporte para Leste". "Criancas do Gueto".
Como podem produzir tais deturpa��es da verdade e dizer que � arte?
- Porque � a verdade. - Como � que a Cruz Vermelha vistoriou
o campo uma d�zia de vezes e nunca viu estas condi��es?
Diga ao Weiss que sabe que a mulher chegou de Berlim, pode reconsiderar.
Weiss, o Comandante diz que a sua mulher chegou agora de Berlim.
De facto.
De certeza que ela quereria que dissesse a verdade.
Estou a dizer a verdade.
- Felscher? - Eu...
- Quer dizer alguma coisa? - N�o quer nada!
Deixe-o responder.
N�o. Nada.
Weiss.
Tenho a sensa��o que o conhe�o. Ser�?
N�o me recordo de si.
De berlinense para berlinense. Esque�a estes checos e austr�acos.
Os berlinenses meteram-me em Buchenwald durante 4 anos
e mandaram os meus pais para Vars�via.
O vosso problema � serem t�o rancorosos.
Estes esbocos s�o muito importantes para mim.
A sua esposa � crist�.
Talvez se arranje qualquer coisa.
- Pode libertar-nos? - Podemos ponderar essa hip�tese.
Caso contr�rio, entrego-o ao Rahm
e fica em tal estado que a sua mulher nem querer� v�-lo.
N�o h� conspira��o nenhuma. N�o h� mais desenhos.
- Arranque-lhes as informa��es. - Levem-nos!
- Est� t�o p�lido como eles. - Ai sim?
N�o se deixe afectar. Os homens do Rahm v�o descobrir a verdade.
Vai voltar a Berlim como um her�i.
Karl! Karl!
Para onde te levam?!
Inga, afasta-te! N�o te aproximes!
- Eu fico bem! - N�o! N�o!
Eles n�o me fazem mal! N�o te aproximes!
Mas ele n�o fez nada!
Volta para casa, por favor! Eu fico bem!
Karl! N�o...
Karl!
Vamos!
Depressa. Por aqui! Entrem.
Entrem.
N�o parem!
Frey, consegues ouvir-me?
Sim, Karl. Sim!
- Felscher, ouves-nos? - Sim.
- O que v�o fazer-nos? - Espancar-nos, presumo.
- Lembra-te do combinado. - A culpa � minha, vendi os esbo�os.
Ouve, Felscher. Podem magoar-nos, mas n�o nos matam!
N�o sou corajoso. J� passei os 60 anos.
Tenho rins fr�geis.
- N�o fui talhado para ser her�i. - Ainda te surpreendes, Felscher.
Contaram-me que, passado algum tempo, j� nem se sente nada.
Felscher, basta!
Oucam-me.
- J� foram a lt�lia? - N�o, mas h� anos que quero ir.
Vamos fazer um juramento, n�s os tr�s.
Faremos um p�riplo com as nossas mulheres por Floren�a e Veneza...
N�o te esque�as de Arezzo.
Sou um admirador de Piero della Francesca, Weiss.
Temos de ver os frescos de San Lorenzo.
Siena, Perugia, Orvieto. Tu e o Felscher fazem o itiner�rio.
Tem algo a dizer antes de comecarmos?
N�o sei de nada. Por favor...
N�o...
N�o! Por favor, n�o!
N�o...
N�o lhes digas nada!
Felscher, eles que se danem! Basta de sermos dominados!
Quer voltar ao gabinete do Comandante e confessar?
N�o tenho nada para vos dizer.
lt�lia, Weiss! lt�lia!
Floren�a! A Galeria dos Uffiizi!
lt�lia, Weiss!
lt�lia!
- E agora, j� quer falar? - N�o.
N�o.
Este foi-se.
O velho morreu. O Weiss e o Frey recusam-se a falar.
Eles t�m de falar.
Ent�o, temos de pression�-los um pouco mais.
N�o os mate, por amor de Deus!
Aqueles sujeitos ainda v�o parar a Auschwitz.
S� depois de falarem.
O Major Dorf diz que, se disser onde est�o os desenhos, est� livre.
N�o sei de nada.
S�o os �ltimos. Tir�mo-los do atelier na altura certa.
Sim, mas estes quadros significam alguma coisa?
Sim. Servir�o para mostrar a verdade ao mundo.
Suponho que sim.
Senti-me tentada a lev�-los ao Comandante e dizer-lhe:
"Aqui tem. Agora, d�-me o meu Karl!"
- Sei que ele e o Frey preferem assim. - Espero que sim.
Por Deus, espero que sim.
Frey?
Frey?
- Est�s a ouvir-me? - Sim.
Partiram-me as m�os.
A mim tamb�m.
T�o depressa n�o voltaremos a pintar.
Ainda acabamos como o Felscher.
N�o t�nhamos o direito de obrig�-lo a resistir.
Ele fez o que achou ser correcto.
N�o podemos preocupar-nos mais com isso.
Toda a vida fui um cobarde.
Em mi�do, fugia para n�o lutar.
Chorei no meu primeiro dia de escola.
Tamb�m n�o nasci para ser her�i.
lt�lia, Frey.
O David de Miguel �ngelo...
A Capela Sistina.
Seis mil por dia.
Que crit�rio usamos para escolh�-los?
Como membros do Conselho Judaico, conhecem a vossa gente.
- O que lhes dizemos? - A verdade.
V�o para campos de fam�lia na R�ssia.
- Campos de trabalho? - Exactamente.
Ar puro, comida boa. Pais e filhos juntos.
� melhor do que ficar no antro em que Vars�via se transformou.
- As pessoas podem resistir. - At� agora, n�o resistiram.
Com o assass�nio do Heydrich, j� n�o podemos ser t�o clementes.
Mas, com seis mil evacuados por dia, o gueto ficar� deserto.
Disparate. S� queremos eliminar o excesso.
Pessoas como voc�s, funcion�rios p�blicos, pol�cia e m�dicos, ficam.
Compreendem?
�ptimo.
N�o se esque�am. Todos os dias, �s 16h, sete dias por semana,
quero seis mil pessoas na esta��o.
- O que descobriu? - Os comboios n�o v�o para a R�ssia.
- Para onde v�o? - Para Treblinka, a tr�s horas daqui.
- Treblinka. Outro campo de trabalho? - E um campo de exterm�nio.
Os polacos crist�os v�o para o campo de trabalho.
Os judeus v�o logo para um grande edif�cio.
Os SS dizem-lhes que v�o ser desinfestados.
As nossas suspeitas confirmam-se?
T�m tabuletas falsas. Chapeleiros, alfaiates, peleiros.
Dizem que, depois do banho, ser-lhes-� atribu�do trabalho.
Mas n�o saem dos duches. S�o gaseados.
- Seis mil por dia? - Fam�lias inteiras.
M�es com filhos. ldosos.
Tinha raz�o.
Perdoe-me por ter duvidado de si.
A campanha no Norte de �frica vai de vento em popa.
As for�as do 8� Ex�rcito Brit�nico
controlaram mais cinco cidades na fronteira libanesa.
141 sortidas foram realizadas por aeronaves dos Aliados em Franca
e nos Pa�ses Baixos nas �ltimas 24 horas.
A resist�ncia polaca informa-nos
que as tropas nazis t�m cometido atrocidades contra a popula��o,
incluindo a execu��o de civis polacos.
Termina assim esta emiss�o da BBC, em Londres.
Execu��o de civis polacos! H� semanas que sabem de Treblinka,
das c�maras de g�s e da limpeza dos guetos,
e nem uma palavra na BBC!
Agora j� percebe porque somos sionistas.
- Talvez n�o acreditem em n�s. - Ou preferem n�o acreditar.
lnform�mo-los. Os judeus na Pol�nia est�o a ser dizimados.
Envi�mos a informa��o. Responderam-nos:
"Nem todos os vossos radiogramas se prestam a serem divulgados."
Julgam que mentimos. O crime � t�o grotesco que ningu�m acredita.
A �nica solu��o � mais armas.
Tem de falar com o seu amigo Anton, do lado crist�o.
Talvez consigamos tirar alguns dos transportes.
H� edif�cios vagos perto da esta��o. Tencionava abrir uma cl�nica l�.
Sim, pode salvar alguns, mas a solu��o est� nas armas.
N�o parem! Vamos.
Mantenham-se na fila!
Por que n�o ripostam, caramba?!
Somos meio milh�o e eles meia d�zia.
Se morrermos, paci�ncia.
Josef, o rapaz da pasta � meu aluno.
- N�o olhes, Berta. - Por que n�o?
CL�NlCA DA ESTAC�O
A vida na R�ssia n�o deve ser muito m�. Teremos emprego.
- � um campo de fam�lia. - Eu sei.
Estaremos juntos.
O que faz o Dr. Weiss? N�o sabia que estava aqui.
O que faz aqui, Dr. Weiss?
Sr. Lowy, est� muito doente. V� com a sua esposa para a cl�nica.
- N�o percebo, n�o estou doente. - V� para a cl�nica.
- Que cl�nica? - Estou a tirar gente dos transportes.
N�o diga nada. Finja que est� doente e v�.
N�o precisa de me dizer duas vezes.
Voc�s os tr�s n�o podem viajar.
Esta crian�a parece ter tifo. Para a cl�nica, por favor.
Sente-se aqui.
Est�o demasiado doentes para viajar.
O que vem a ser isto?
� a cl�nica da esta��o. Foi autorizada ontem.
Estas pessoas est�o muito doentes.
Se o transporte levar gente a menos, fico em apuros.
Seu idiota! Ningu�m vai ficar em apuros.
Quem estiver a incubar tifo ou c�lera est� proibido de ir no comboio!
Fora daqui!
Deixe os meus pacientes ou fa�o queixa de si!
Comecem a entrar nas carruagens.
Apressem-se e mantenham-se na fila.
Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.
Encham as carruagens. N�o empurrem.
As fam�lias ficam juntas. Ficar�o juntos no campo de fam�lia.
Comecem a entrar nas carruagens. Apressem-se e mantenham-se na fila.
Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.
Apressem-se e mantenham-se na fila.
L� v�o eles.
Seis mil hoje, seis mil amanh�.
Ainda que tentemos salvar seis, dez ou at� mesmo vinte...
Far� alguma diferen�a, Josef?
Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.
Apressem-se e mantenham-se na fila.
Encham as carruagens. N�o empurrem.
As fam�lias ficam juntas.
Ficar�o juntos durante a viagem e no campo de fam�lia.
Adeus! Adeus!
Tradu��o e Legendagem Pedro P�voa / CRlSTBET, Lda.
:: Ressincronia, novas legendas e v�rias correc�es ferneiva ::
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