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HOLOCAUSTO
A HIST�RIA DA FAM�LIA WEISS
EPIS�DIO 2
Doutor.
Sem comida suficiente, n�o conseguem resistir �s doen�as.
- Hoje recebemos as ra��es? - Est�o novamente atrasadas.
Vou falar com o Conselho.
Alimente apenas aqueles que puderem sobreviver.
Doutor!
Doutor! Dr. Weiss!
- Dr. Weiss! A sua mulher! Vi-a agora. - A minha mulher?
Veio no comboio. Reconhecia-a em qualquer lugar.
A Berta?
VARS�VIA 1941
Frau Berta Weiss? Berta Weiss. Conhece-a?
Frau Berta Weiss. Conhece-a?
Berta Weiss?
Berta?
Berta!
Berta, querida! Meu Deus, que saudades!
N�o v�s. Abraca-me.
Anda. Vou mostrar-te onde vivemos.
Mas n�o tenho de me registar?
A minha mulher respeitadora da lei.
lsso pode esperar. At� neste gueto h� burocracia.
Temos um caf�.
N�o � bem o Hotel Adlon.
Onde h� judeus, tem de haver um s�tio para conversar.
O caf� acabou h� muito. Podemos s� ficar sentados de m�os dadas.
Como faz�amos quando estudavas.
Por favor, uma esmola para a beb�.
Vamos fingir que isto � o Kurf�rstendamm.
Josef, n�o me podes esconder nada.
- Tamb�m n�o te irei esconder nada. - Falamos depois.
N�o estamos mal. Como m�dico, h� trabalho. H� uma comunidade...
N�o precisas de me enganar.
Vi os pedintes na rua e ouvi falar das execu��es.
Mas vai tudo acabar. Ouvi dizer que o pr�prio G�ring vai acabar com isto.
N�o tens de me enganar mais, Josef.
- J� vi muita coisa. - Vimos todos.
Fala-me das criancas. A Anna?
Josef...
A Anna morreu.
A Anna?
A Anna?
- Mas como...? - Pneumonia. Foi r�pido e n�o sofreu.
- Como? Quando? - No apartamento. Adoeceu um dia.
N�o arranj�mos o medicamento. Morreu a dormir e n�o sofreu.
Josef, chora. lsso ajuda.
Mas ela morreu e se calhar � melhor assim.
Melhor? A vida � sempre melhor que a morte.
J� n�o tenho tanta certeza.
- E os rapazes? - O Rudi fugiu.
Escreveu-me uma carta em Praga. Diz para n�o nos preocuparmos.
Sabes como � o Rudi, o indestrut�vel.
O meu arruaceiro... Devia ter passado mais tempo com ele.
- E o Karl? - O Karl ainda est� em Buchenwald.
A Inga soube que ele est�...
... bem, tendo em conta a situa��o.
Josef, n�o � bom pensarmos muito nestas desgra�as.
Tens raz�o.
Vou falar com eles para dares aulas.
- Eu? - Claro.
Espera at� veres as criancas de Vars�via.
Quase sem comida, os mi�dos d�o concertos e fazem teatro...
Josef, nunca te amei tanto como agora.
Nem eu a ti.
Meu Deus...
Olho para ti e vejo a Anna.
N�o fiques assim.
Vamos.
Mostra-me a tua bela casa, sim?
Alto!
Sargento Muller. Fala o soldado Richter. Port�o Este.
Est� aqui uma mulher para si, meu Sargento.
Frau Weiss. Sim.
Sim, meu Sargento.
Guarda, abra o port�o.
Herr Muller. Recebi a sua carta.
Como est�s, Inga?
Sabe porque vim.
Vai para o teu lugar. Anda!
Entra, por favor. Temos uma sala de visitas.
- Quero ver o meu marido. - Podemos falar disso l� dentro, Inga.
Disse na carta que podia tratar disso.
A seguran�a est� mais apertada. S� fui transferido h� dois meses.
Achei que era um favor de um velho amigo.
Quero ver o meu marido.
Tens medo de mim?
N�o, n�o tenho medo de si.
lsto n�o � uma sala de visitas. lsto � o seu quarto.
Por favor, senta-te.
Um cigarro?
Conhaque?
Caf�? � do bom, n�o � do suced�neo. Apenas o melhor para o ex�rcito.
Quero ver o Karl.
A persist�ncia dos Helms...
Como est� ele? Ainda est� na alfaiataria?
lnfelizmente n�o. Meteu-se numa briga.
Tiveram de o prender a um poste.
Agora, trabalha na pedreira. E trabalho duro, picar e escavar.
Mentiu-me.
N�o o posso ver, pois n�o?
Est�o a ver se trabalha at� morrer? Ouvi hist�rias sobre o que fazem.
Ouviste disparates. Trabalham e s�o alimentados.
N�o chores.
N�o chores.
Eu ajudo-te.
- Pode entregar-lhe uma carta? - Porque n�o?
E pode receber a minha, e envi�-la para Berlim?
Posso tratar disso.
N�o somos monstros, sabes? H� um trabalho a fazer.
- � mais do que um trabalho, Muller. - Para mim, � s� isso que �.
Conheces-me h� muito tempo. Fui ao teu casamento.
Tive uma vida dif�cil. Estive anos desempregado.
O meu pai n�o me p�s a estudar Artes. Sou um simples mec�nico berlinense.
Porque me desprezas por isso?
N�o era isso que queria dizer.
O que importa?
Prometa-me que lhe entrega as minhas cartas e que me envia as dele.
Combinado.
Sendo assim...
vou indo.
O Karl n�o est� bem. O trabalho no exterior pode dar cabo dele.
O qu�?
O que quer dizer?
Estou a arriscar-me, mas tenho influ�ncia com o comandante.
O que pode fazer?
Posso transferi-lo para o est�dio de artes.
Por favor.
Por favor, faz isso? Ficar-lhe-ia muito grata.
�ptimo.
Mas claro, ter�s de trazer as cartas pessoalmente.
O correio aqui � muito incerto.
Outra semana a transportar pedras e ser� mais um judeu morto.
- Documentos. - N�o temos.
Ajude-nos. Queremos ir para a Jugosl�via e passar para a Hungria.
- Toca a mexer. - Por favor. Podemos pagar.
Disse, mexam-se!
Rudi! Rudi, p�ra! P�ra!
- Foge! Helena, vais morrer! - N�o consigo!
Rudi, j� chega. J� chega.
Helena, tem de ser. Este lugar n�o � seguro.
Rudi, n�o faz diferen�a.
- Estamos feitos. - N�o. Primeiro, t�m de nos matar.
N�o faco a m�nima ideia onde estamos agora.
- E isso importa? - lmporta.
N�o estou preparado para morrer.
"A irmandade do amor"?
Por favor, Biberstein, que raio � "a irmandade do amor"?
N�o acredito em nada. Essa organiza��o n�o existe.
� verdade. Quando deixei o semin�rio luterano, queria...
encorajar o amor entre os homens atrav�s da f� crist�.
E como resultou esse amor fraternal?
Mal, infelizmente. Por isso, juntei-me �s SS.
Est� a tentar indoutrinar-nos, Biberstein?
N�o, n�o, convertemo-nos todos a uma nova f�.
- N�o �, Dorf? - Uma nova f�? E os ap�stolos?
Oucam s� o Dorf. E quem faz de Pedro?
- Eu sou o incr�dulo Tom�s. - Desde que n�o haja nenhum Judas.
Dorf.
Cuidado com este. � o vigilante do Heydrich.
Meus senhores. Foram todos escolhidos para uma �rdua tarefa.
E ser�o observados.
O Capit�o Dorf vai para a frente Russa como representante m�vel.
A vender o qu�? Exterm�nio?
Cuidado com a escolha de palavras, Blobel.
V�o todos dizer ao Dorf o que fazem e escrever ao m�nimo essas ac��es.
Meus senhores, nem o F�hrer colocou isto por escrito.
Nada de tagarelice.
"Tagarelice." Fedelho...
N�o ser� um trabalho f�cil.
Ter�o 1600 km de frente russa para controlar,
do B�ltico ao Mar Negro. - Com menos de 3 mil homens?
Exacto, general. O plano inclui o recrutamento de mil�cia local.
Ucranianos, lituanos...
Se me permite, Capit�o, este novo programa, estes comandos de ac��o,
v�o fazer algo mais...
abrangente que a reinstala��o.
Ohlendorf, temos no��o disso. A chave � mobilidade.
Quando uma �rea estiver segura,
procurem os judeus e tratem deles em condi��es.
N�o se preocupem com o ex�rcito normal. Os generais t�m medo de n�s.
Dorf, leia-lhes a carta do ex�rcito.
"lnstru��es gerais sobre como lidar com l�deres pol�ticos
"seguindo as ordens do F�hrer de 30 de Marco de 1941 .
"Onze categorias de indiv�duos da Uni�o Sovi�tica
est�o sujeitas � nossa jurisdi��o."
Jurisdi��o... Gostei. Uma vala e uma metralhadora.
"Estas categorias incluem criminosos, ciganos,
"oficiais do Estado Sovi�tico e agitadores do partido,
Comunistas e todos os judeus."
O ex�rcito publicou esta lista?
Exacto. E o F�hrer deu a ordem, deixando claro o que queria,
por isso, obede�am. O ex�rcito ser� o vosso fiel escravo.
O F�hrer fez tudo para real�ar que a guerra na R�ssia n�o ter� igual.
E estas s�o as palavras dele:
"Ser� conduzida com uma crueldade
sem precedente e implac�vel." Fim de cita��o.
Os russos devem ser vistos como sub-humanos, escravos � nascen�a.
Pouco mais que os judeus.
Haver� excep��es? Casos especiais?
Sim. Podemos excluir alguns elementos russos de confian�a
e ucranianos que queiram trabalhar connosco.
- E os judeus? Haver� excep��es? - Nenhuma.
Agora est� claro. Achei que esta reuni�o era sobre isso.
H� dois anos, o embaixador italiano op�s-se �s nossas pol�ticas judaicas.
Mussolini ficou ofendido e tudo o mais.
O F�hrer disse-lhe que dali a 500 anos,
o nome de Adolf Hitler seria venerado por uma raz�o:
"Ter eliminado os judeus da face da terra."
R�SSlA
O que se passa?
Disse-lhe que �ramos checos e que estudei na Escola de Lenine.
J� sei o que aquilo significa. V�, diz-lhe que somos judeus.
- Ele quer mandar-nos embora. - Se formos embora, morremos.
Eu sei, mas ele diz que n�o quer problemas com os alem�es.
Diz-lhe que as estradas est�o cheias de tanques e artilharia alem�.
Disse-lhe que o meu pai era um bom Comunista.
Beija-o se for preciso.
Rudi, ele perguntou se �s um bom Comunista.
Sim, claro que sou... Se isso me salva a vida.
Ele vai mandar-nos para Kiev!
Pergunta-lhe como � Kiev.
Ele diz que � bonito. Uma grande cidade.
Onde foste buscar aquela hist�ria da Escola de Lenine?
Era mais o lnstituto Hertzel, mas achei que n�o fazia mal mudar o nome.
Ele diz que s�o armas russas.
- Weinberg, estou arrasado. - N�o, Weiss, continua a trabalhar.
N�o consigo.
Voc�s os dois! Calem-se e toca a trabalhar!
Ciganos. Admiro a lata deles, questiono o bom senso.
� melhor morrer por um cigarro.
Apaguem esse cigarro!
Escumalha! Seus porcos! Apaguem isso!
Apaguem isso!
Kapo, bate-lhes!
Sai da�! Kapo, sai da�!
- O que aconteceu? - Tentaram fugir. Eram ciganos.
Voc�s dois! V�o l� abaixo buscar os corpos!
Depressa!
Levem-nos para o cremat�rio!
- Espera. Quero aquele. - Sobe!
Tu, vai ajud�-lo!
A tua mulher � uma fiel correspondente.
- Ela est� aqui? - Chegou mesmo a horas.
- Muller, posso ver a Inga? - Ela foi-se embora.
- Pode entregar-lhe uma carta minha? - N�o fa�o sempre isso?
- Leia a sua agora. - Leio depois, quando estiver sozinho.
-Tem saudades dela, n�o tem? - Muller...
N�o me pode tirar daqui? � amigo da Inga, sabe como ela est� a sofrer.
Se me odeia por se judeu, ao menos, tenha pena dela.
Quem diz que o odeio? E como tem a certeza que ela est� a... sofrer?
- Como assim? - As mulheres d�o a volta.
- Ele disse-lhe alguma coisa? - lsto � um neg�cio, Weiss.
Os judeus percebem de neg�cios.
Acha que arriscava a pele a brincar aos carteiros sem receber nada?
Muller...
Est� a mentir.
Porque acha que ela vem c� em pessoa? Podia p�r tudo no correio.
O dinheiro n�o troca de m�os.
Acho que percebe o que quero dizer.
� esse o vosso mal. Esperam sempre alguma coisa por nada.
� por isso que s�o t�o detestados.
N�o quero a carta dela e n�o lhe vou enviar nenhuma.
N�o, Weiss. A sua vida pode piorar se se recusar.
N�o quero saber.
Claro que quer. N�o vai ficar aqui para sempre.
Nem vai notar qualquer diferen�a nela quando sair daqui.
Seja esperto, Weiss! Escreva-lhe hoje.
Vou ler e responder.
N�o quero escrever-lhe nem v�-la nunca mais.
N�o seja parvo. Viu o que aconteceu aos ciganos.
N�o quero saber.
Ou se calhar, prefere ser um dos meninos do Mengele.
Tem um grupo s� de jovens.
Mas talvez seja muito velho para ele.
Muller, j� chega.
- Posso transferi-lo para o est�dio. - N�o.
- Traga a carta amanh�. - N�o.
Acho que vai mudar de ideias.
Cuidado com o meu amigo Weiss.
Foi requisitado para o est�dio de artes.
� um tipo sens�vel.
Toca a trabalhar, v�!
Ei, tu? P�ra!
T�o contrabandista!
Aaron...
Est�s atrasado de novo...
Desculpe professora tive de limpar ao p�tio!
Aposto que esteve no lado Crist�o, aposto!
Contrabandista!
Contrabandista! Contrabandista!
Parem com isso!
Aaron....
Foste avisado para n�o te esgueirares pelo muro.
A tua m�e n�o ia querer que fosses contrabandista.
E ladr�o.
N�o faz mal senhora, mudo quando for mais velho.
Tome quer um ovo?
N�o, obrigado Aaron. Trabalhaste para ele, � teu.
J� chega, crian�as.
Agora, vamos repetir.
Do principio.
N�o gostamos de visitas nos ensaios!
Desculpa por interromper,
o Aaron Feldman est� aqui?
Aaron?
Joseph?
Passa-se algo?
Nada de grave.
Sabes quem eu sou, Aaron?
Claro, marido da professora, faz parte do Conselho.
Sabe quem eu sou?
Quem n�o conhece o famoso Aaron Feldman?
O rato do esgoto, o pr�ncipe dos contrabandistas.
N�o sou contrabandista.
Aaron, o pol�cia do gueto viu-te tr�s vezes. Para a pr�xima, prende-te.
N�o prende nada. Dei-lhe um ovo para o calar.
N�o podes dar um ovo aos Nazis para os calar.
Primeiro, t�m de me apanhar.
- N�o tens medo? - Tenho, mas continuo a mesma.
- N�o me vai denunciar, pois n�o? - N�o, claro que n�o.
Mas n�o o fa�as de novo.
Dev�amos concentrar-nos nos produtivos, nos saud�veis.
Dev�amos concentrar-nos em alimentar todos.
Os contrabandistas davam-nos comida e agora, os alem�es matam-nos.
E amea�am matar 20 judeus por cada contrabandista que apanhem.
Os rapazes que v�o pelos esgotos podem ser a nossa salva��o.
- Que parvo�ce. V�o matar-nos a todos! - Seja como for, matam-nos.
- Desculpe? - Seja como for, matam-nos.
- Como � que sabe? - J� come�ou.
Os Nazis j� entraram na R�ssia, acabaram-se os guetos.
- O que quer dizer com isso? - Assass�nios em massa, execu��es.
Eles querem matar todos os judeus na Europa.
Que rid�culo.
- Como se chama, jovem? - Anielewicz.
Dev�amos fazer contrabando de comida e de armas e granadas.
Essa conversa leva-nas � morte.
Vejo-nos a n�s, estrelas judaicas, a enfrenter o ex�rcito alem�o.
Os alem�es derrotaram o ex�rcito polaco num m�s,
e invadem a Uni�o Sovi�tica, aniquilando as divis�es sovi�ticas.
E n�s vamos resistir-lhes?
- Temos de o fazer. - Meu jovem,
n�o � a forma dos Judeus agirem.
Sobrevivemos pela acomoda��o.
Fazer um dinheiro aqui, trocas, encontrar um aliado,
um pr�ncipe, um cardeal, um pol�tico!
N�o lida com pol�ticos ou cardeais,
Os Nazis s�o assassinos de massas,
independente do que fizermos,
qu�o obedientes somos, qu�o �rduo trabalhemos.
Eles v�o-nos matar.
N�o precisamos desse tipo de conversa!
Se este Conselho n�o tem coragem para dar as ordens, os sionistas d�o!
- N�o vamos morrer sem dar luta! - Saia daqui!
V�o morrer aqui com a vossa boa educa��o. N�o t�m autoridade!
Expulsem-no!
- Analavitz! - Sim?
- Dr. Weiss. - Sei quem �.
Jovem, n�o sei por onde come�ar, voc�,
- voc� pol�ticamente... - Sou Sionista.
N�s simpatizamos.
N�o interessa, no longo prazo
n�o suportar�o os nossos ideais politicos.
Podemos falar consigo.
Sim, mas n�o aqui.
S� prendemos uma centena, Coronel, de umas aldeias aqui perto.
Sim, Coronel. Esperamos por si.
Mieline! Vai � vala e diz para esperarem pelo Coronel Blobel!
Convidados especiais!
Bonic! Jueniet! Ponham o capacete. Somos militares!
5 milh�es de judeus na R�ssia e s� 3 mil alem�es para os matar.
- O que queres? - Transfer�ncia. E a Companhia C?
N�o � o gabinete do capel�o.
Bolas! Disse-lhes para esperarem!
"Helms, Hans. Cabo. Regimento de infantaria 72. Companhia B."
Transferido. Que bom...
O que fizeste, Helms?
Sou soldado de combate. Dois anos na Pol�nia e na Ucr�nia.
Ningu�m pede para vir para esta unidade. Que porcaria � que fizeste?
Adormeci no servico de sentinela.
Aqui podes dormir. Temos hor�rios normais.
Deram-me a escolher.
Ou cumpria pena na Casa da Guarda ou era transferido para os Comandos.
Bem-vindo �s SS. Se fechares a matraca, corre tudo bem, Helms.
Vai ao oficial de equipamento buscar ins�gnias novas.
- E lembra-te de uma coisa, Helms. - O qu�?
Depois de os oficiais chegarem, dividimos o saque.
- De que fala? - Canetas, rel�gios, roupa...
Soldado de infantaria idiota.
Malta! Vistam a farda! Os oficiais!
"O maldito ex�rcito, Major.
Estas chacinas matinais s�o um conceito antialem�o!"
A linguagem, Blobel, a linguagem. N�o � uma chacina.
Estou a cit�-lo. Eu conhe�o as regras, Dorf.
"Tratamento especial. Ac��o especial. Ac��o de reinstala��o de judeus."
Eu disse-lhe: "Sou alem�o, seu soldadinho de chumbo.
Soldados fartos de sangue judaico."
O marechal de campo Von Reichenau,
disse-me que se matam judeus com duas balas, n�o cinco. E antialem�o.
Gostava que percebesse que estamos solid�rios consigo.
Ent�o, pare de fazer exig�ncias imposs�veis.
Um milh�o e meio de judeus foge para Este.
- N�o os podemos apanhar a todos. - Mas t�m de apanhar, Blobel.
Sargento.
Hoje h� poucos, Coronel. As aldeias foram todas esvaziadas.
Sargento, aquilo s�o civis?
- Quem s�o aqueles, Foltz? - Ucranianos, coronel. Gostam de ver.
E o fot�grafo e o homem a filmar? Quem s�o eles?
� para os arquivos do batalh�o.
- E o homem que tira apontamentos? - N�o sei. Quem �, Foltz?
Correspondente de guerra italiano. Teve autoriza��o do quartel-general.
- lsto n�o me agrada. Nada disto. - N�o lhe agrada?
Mas julga que isto � o qu�, um ballet? Quer uma R�ssia sem judeus, n�o �?
- N�o est� organizado. - N�o est� organizado...
Eu mostro-lhe o que � organiza��o.
Facam uma fila!
N�o quero os civis a ver!
Blobel, n�o � assim que se cumprem ordens!
Fogo!
Sem protestos, sem resist�ncia. Nada.
O Himmler tinha raz�o. "Os sacanas s�o sub-humanos."
Coronel Blobel, vou apresentar um relat�rio negativo sobre si.
O qu�?
Tinha ordens para manter segredo e disciplina
e est� a fazer um arraial. - Seu maldito burocrata!
� proibido ter convidados civis a assistir.
� proibido ter jornalistas a passear. E proibido fumar e beber.
O que est�o eles a fazer?
O saque da guerra.
� proibido! Os bens deixados pelos judeus s�o propriedade do estado.
Muito bem, seu "papeladas".
Diga-lhes que n�o podem beber conhaque.
Aten��o � hierarquia, Blobel. lsto � trabalho seu.
O Heydrich enviou-me para a frente Este
para se certificar que as ac��es eram cumpridas em segredo, com efici�ncia.
- Falhou em todos os pontos. - Deixe-me dizer-lhe uma coisa.
N�s estamos de olho em si.
O Ohlendorf e os outros... Reconhecem um espi�o quando o v�em.
N�o tente destruir-me, Blobel. Falo com o Heydrich todos os dias.
- Coronel, pr�ximo grupo? - N�o, esperem! Tirem os civis daqui.
Mandem o operador de c�mara e o fot�grafo parar.
Sargento, eu quero a pel�cula!
Voc�s a�! Rua! Todos para a rua!
Rua, v�! Todos para a rua!
Voc�, alto!
- Fala com o Heydrich todos os dias, �? - Blobel, devolva-me a arma.
Soldado de secret�ria. Capit�o do papel.
V� para ali e despache alguns.
Parecem estar todos mortos.
Todos os cuidados s�o poucos. V�.
lsto � rid�culo.
Tem trampa nas veias, Dorf? Ou se calhar, tem nas cal�as...
"Tem de apresentar um relat�rio negativo sobre o b�bedo do Blobel
que n�o sabe organizar uma opera��o."
Maldito seja...
V� l� para baixo e organize aquilo tudo!
� como comer massa, Dorf. Quando se come�a, n�o se pode parar.
Pergunte aos homens como �, Capit�o.
Mata dez judeus e os pr�ximos cem j� s�o mais f�ceis.
Se mata 200, mata mil.
Aquele, Capit�o.
Muito bem. Dois tiros chegam, diz o Reichenau.
Capit�o Dorf.
Os guerreiros Zulu dizem:
"Um homem s� � homem depois de lavar a sua lan�a com sangue."
Porque prenderam uma enfermeira?
Foi presa por um bom motivo. A Sara Olnich � contrabandista.
A Sara Olnich atravessou o muro para comprar comida para as crian�as.
Ela conhecia as regras: nada de contrabando.
- Quero que a liberte. - Ai quer?
� das melhores enfermeiras na ala de pediatria.
Tem vantagens de classe, �?
Tamb�m a iria libertar se fosse dona de casa? Ou pedinte?
- Claro. - Ent�o, pode pedir recurso pelos oito.
Oito?
Mas acha que sou o qu�? Um monstro?
Aquela mais nova, a pedinte, tem 16 anos.
Que crime cometeu?
O mesmo dos outros. Contrabandear comida para os filhos.
Valha-me Deus... � um judeu.
Era judeu, converti-me. E por isso que tenho este trabalho.
E quero mant�-lo e obedecer a ordens e sobreviver.
- Use a sua influ�ncia com os alem�es. - Quem � voc� para falar?
Voc� e o seu irm�o Moses t�o poderosos na porcaria do Conselho.
Seguem ordens dos alem�es, entregam listas, fazem o trabalho deles.
Quer ser um her�i? Experimente, doutor. Experimente.
O Conselho Judaico fez mais um recurso aos alem�es, mas...
- Berta, n�o tinhas de vir. - Eu quis vir.
Aaron!
- Vamos embora, Berta. - N�o.
N�o, � o m�nimo que podemos fazer, ser testemunhas deles.
lmportas-te de nos acompanhar?
Eu e o meu irm�o esquecemo-nos das ora��es.
As ora��es j� n�o servem de nada.
- Estamos a ficar sem tinta. - Sou farmac�utico.
Arranja-nos qu�micos do hospital e fazemos a tinta. Carv�o, linha�a...
- V�o fazer um jornal da resist�ncia? - O primeiro exemplar sai hoje.
Mas se trouxer os qu�micos para fazer tinta, estarei envolvido.
� melhor estar envolvido connosco do que com o Conselho.
Os membros do Conselho est�o vivos. Os infractores s�o abatidos.
- N�o quero ser abatido. - Vais morrer � mesma.
E � melhor morrer a protestar.
N�o acho que nos queiram matar.
De que lhes serve ter judeus mortos?
Ele que v�... N�o precisamos dele.
O mestre artes�o a trabalhar, mas com este equipamento...
N�o me interpretem mal. Mas a l�gica diz que n�o somos...
A l�gica j� n�o prova nada, Sr. Weiss.
"Aos judeus de Vars�via.
"Vamos acabar com a apatia.
"Acabou-se a submiss�o ao inimigo.
"A apatia pode causar um colapso moral
"e destruir nos nossos cora��es o �dio pelo invasor.
Pode destruir em n�s a vontade de lutar."
Est� bem, eu alinho.
- Deus o aben�oe, Sr. Weiss. - O doutor tamb�m nos dava jeito.
"Pode debilitar a resolu��o. Como estamos numa posi��o desesperada,
"a nossa vontade de dar a vida
"por um objectivo mais sublime que a exist�ncia di�ria deve ser reforcado.
Os nossos jovens devem andar de cabe�a erguida."
Quem publicou e afixou isto � mais corajoso do que eu.
� curioso, continuo a pensar no nosso filho Rudi.
E porqu�?
Se o Rudi estivesse aqui, estaria no meio da ac��o.
A afixar cartazes, a recusar desistir.
Tenho a impress�o que ele est� bem.
- Tenho f� no Rudi. - Tamb�m eu, Josef.
Confisquei todo o filme que encontrei.
Que qualidade p�ssima. Quem filmou isto?
O Blobel disse que era para os arquivos italianos.
Achei que era para divers�o pr�pria.
- Dev�amos manter um registo. - Acha?
Todo o trabalho deve estar documentado.
N�o mostrava isto nos cinemas,
mas adorava mostrar ao Himmler e convidar o F�hrer tamb�m.
Veja como � casual. Eles nem parecem estar a chorar.
� incr�vel.
Parece um rito religioso.
Descarregamos isto por um p�o.
V�o-se embora. Os civis n�o podem estar aqui.
Por favor... Um p�o?
V�o-se embora. N�o sabem que aqui � o quartel-general alem�o?
ldiotas.
- Um p�o... - Tira as m�os, ouviste?
Oxal� vos matem a todos!
Em todo o lado. Onde est� o Ex�rcito Vermelho? Para onde agora?
Anda.
Rudi, n�o consigo comer. O meu est�mago est� aos saltos.
Pensa que � uma panqueca de batata, bem oleosa.
P�ra, seu monstro.
� assim que agradeces? Vou buscar o jantar e ainda te queixas.
Quando estivermos casados, n�o vai ser assim.
- N�o te mexas. - O que foi?
SS.
- N�o acredito! - O que foi?
- Conheco-o. - Conhece-lo?
O hotel Continental! Os russos rebentaram com aquilo!
Voltem para o quartel-general. V�o enviar engenheiros!
- E o Helms? - Esquece-o. Est� morto!
Helms.
- Rudi Weiss? Como chegaste aqui? - lsso n�o importa.
� familiar meu. Acreditas?
A irm� dele � casada com o meu irm�o Karl.
A �ltima vez que o vi foi num jogo de futebol, antes de me expulsarem.
A culpa n�o foi minha, Rudi. N�o tenho nada contra ti.
�gua. Por favor, �gua.
Helms, escuta. Voltaste a Berlim?
- Viste a minha irm�? - H� seis meses.
A minha fam�lia, fala-me deles. E os meus pais?
- O teu irm�o est� em Buchenwald. - E os meus pais?
Na Pol�nia. A Inga teve not�cias deles, est�o bem.
Onde?
N�o... N�o me lembro. Talvez em Vars�via.
Como me posso lembrar?
- Deixa-me em paz. Que mal te fiz? - Kristallnacht? H� tr�s anos?
Tu e aquele patife do Muller a baterem no meu av�.
Est�s enganado. Deix�mo-lo ir. Deix�mos-te ir tamb�m.
E a minha irm� Anna?
- Ela... - O que tem?
Morreu.
O qu�?
- O que aconteceu? - N�o sei.
No ano passado, h� um ano e meio... Nem sequer estava em Berlim.
Ela adoeceu. Pneumonia ou algo assim.
A Inga foi visit�-la. Morreu no hospital.
- Ela s� tinha 16 anos, Helena. - Eu sei, Rudi, eu sei.
Gostavas muito dela.
- Devia mat�-lo. - N�o. N�o, Rudi.
- Ele pode estar a dizer a verdade. - E estou.
Por amor de Deus, acolhemos a Anna e a tua m�e.
Eles est�o bem. O doutor, a Sra. Weiss...
Mentiroso! Com esta farda �s culpado de prender o Karl ou de matar a Anna!
Eu cumpro ordens.
Escuta, tira-me daqui. Ajuda-me a ir para a rua para pedir aux�lio.
Talvez te enterre debaixo de uma pilha de destro�os,
como enterram os judeus vivos.
Arranjo-vos passes de trabalho e tiro-vos de aqui. Kiev n�o � seguro.
Rudi, ele tem raz�o. Acho que podemos confiar nele.
Sim, aqui est� igual!
Rebentaram com metade de Kiev!
Abriguem-se!
- Helms, 22� Divis�o. - Quem s�o eles?
S�o judeus.
Levem-nos para o cami�o. Juntem-nos aos outros judeus!
- V�, depressa! - Sacana! Salv�mos-te a vida.
O que vai ser de n�s?
N�o sei. S� quero viver o suficiente para me vingar do patife do Helms.
Ningu�m sabia que os russos tinham minas em Kiev? Mas que raio fazem?
Bebem vodka e perseguem bailarinas?
Sabotadores russos em Kiev. Metade da cidade est� a arder.
- Perdemos centenas de homens. - Os Servicos Secretos falharam.
Claro, est�o ocupados a matar judeus!
E agora? J� ou�o o Himmler a desbaratar sobre contra-espionagem.
- Apontamos o dedo aos judeus. - Viu os judeus de Kiev.
Mulheres velhas, velhos de barba, crian�as...
- Eles rebentaram com Kiev? - Se dissermos isso, sim.
Absolvemos os servicos secretos e damos ao Heydrich o que ele quer.
- Uma Ucr�nia sem judeus. - Mat�mos mais de 100 mil judeus.
Est� perante o homem que limpou os guetos de Sitomir, Berdichev, Uman.
Est� a pedir mais?
Lembre-se, Coronel. Se matar dez judeus, � mais f�cil matar cem,
mais f�cil matar mil e ainda mais f�cil matar dez mil.
Ele diz que vamos para um campo de trabalho.
Campo de trabalho... J� ouvi falar disso.
V�, n�o saiam da fila! Continuem a andar.
- O que chamam a isto? - Babi Yar.
- O que significa? - A ravina da av�.
N�o sabem marchar, pois n�o?
Ucranianos.
O que � aquilo ali?
O cemit�rio judaico de Kiev. E adequado, n�o acha?
Claro que isto continua a ser uma opera��o de reinstala��o.
Foi o que lhes disseram e � nisso que acreditam.
- � fant�stico como colaboram. - O que prova que n�o merecem viver.
V�m ali.
Estamos � espera de 6 mil.
Os homens dizem que est�o l� mais de 30 mil judeus.
Simplesmente fant�stico.
N�o olhes.
Mulheres, crian�as...
Rudi, abra�a-me, por favor...
Ningu�m vai acreditar nisto. V�o dizer que mentimos.
Ningu�m seria capaz de fazer isto.
Leve o Major Dorf aos aposentos dele.
Estou encarregue da constru��o das estradas na Ucr�nia.
- O local tem de ser examinado. - Hoje n�o. � uma �rea de seguran�a.
- N�o passo porque h� treino de tiro? - Talvez para a semana.
Algum problema?
Este civil quer passar, diz que � engenheiro civil.
Exacto, Major. Tenho ordens para...
- Erik! - Tio Kurt.
- Entre. - Obrigado.
Dorf!
V� ter comigo ao quartel-general mais tarde. A contagem final.
- Contagem? - Sim, �... um assunto burocr�tico.
Olha para ti, o tem�vel Major.
Vamos.
- Desculpa l�, mas o que faziam ali? - Execu��es.
Sim, claro, � a tua responsabilidade.
Algu�m tem de o fazer.
- Quem eram as v�timas? - A escumalha do costume.
Sabotadores, pessoas que rebentaram com Kiev.
Criminosos, contrabandistas...
- Judeus? - Alguns.
A resist�ncia est� activa.
S� estou na Ucr�nia h� umas semanas,
mas ouvi dizer que o teu colega � bastante bruto ao lidar com os judeus.
S� quando � preciso. Estamos a reinstal�-los.
Reinstal�-los?
Tir�-los da frente para que a guerra prossiga.
Como mudaste Erik!
Eras um mi�do timido, nas ruas, olha para ti agora?
A dar ordens a realizar projectos,
a mudar a face da terra.
Atribuis-me demasiado poder,
acho que s� sigo ordens.
N�o seguimos todos?
A estrada est� cheia deles. V�o todos para Babi Yar.
E outros s�tios.
Para a reinstala��o?
A maioria. Os criminosos e os espi�es ser�o executados.
- � cruel. - A guerra � assim.
Mas tantos civis...
Estou ansioso para ver a minha fam�lia.
Acredite, tio. Sem eles, sem a Marta, sem os mi�dos,
n�o sei se conseguiria aguentar.
Continuas a ser fant�stico a tirar a pulsa��o.
Tive uma boa forma��o.
Um truque antigo para n�o estar t�o frio?
Um m�dico de fam�lia tem imensos truques.
O que ouves, Josef?
Mozart.
N�o brinques comigo.
Respira pela boca.
Outra vez.
Est�s melhor. Hoje n�o te sentes mais forte?
Sinto. Quero voltar � escola amanh�.
Se falto �s aulas, eles fogem.
Minha querida, se calhar, n�o devias ter as fotografias.
Josef, enchem-me de esperan�a.
Quando ou�o as crian�as chorar na rua por comida,
quando vejo os corpos gelados e os idosos esfomeados,
olho para as fotos e penso que os nossos filhos est�o vivos e felizes.
De certeza que est�o.
O Karl tem um of�cio, � um bom artista. V�o dar-lhe uso.
J� viste como � no gueto de Vars�via. Eu sou m�dico, tenho utilidade.
Quem puder contribuir, sobrevive. E cruel, mas � verdade.
E n�o falamos da Anna...
N�o a podemos ressuscitar.
Tenho de deixar de chorar.
Quando sair da cama e voltar para a escola,
prometo que n�o choro.
Assim est� melhor.
Sou uma mulher mimada tanto pelos meus pais,
como por ti, pelos criados... - De todo, Berta.
�s t�o corajosa como qualquer um aqui.
Josef, o dinheiro que cosemos ao forro do casaco quando eu parti...
O que tem?
Fica com ele. Toma.
N�o precisamos. Usa-o para as crian�as no hospital.
Podemos precisar dele para n�s.
Entre.
Dr. Weiss, o seu irm�o voltou com o homem de Viena.
Obrigado, Sr. Lowy. J� vou.
O Moses foi a Viena?
N�o, s� at� � esta��o. Este tipo teve de ser trazido �s escondidas.
Algu�m quer entrar �s escondidas no gueto?
N�o, ele � um mensageiro. Volta ainda hoje. Eu j� venho.
Uma confer�ncia de alto n�vel na sala de reuni�es.
N�o acreditem nos alem�es quanto aos guetos e campos de trabalho.
N�o levamos � letra o que nos dizem.
- Querem matar todos os judeus. - E imposs�vel.
Repres�lias. Sim, tamb�m as h� aqui.
N�o s�o repres�lias, � assass�nio em massa. O exterm�nio dos judeus.
Em tempos, houve 80 mil judeus no gueto de Bylany.
Hoje, h� menos de 20 mil.
- 60 mil... - Mortos pelas SS.
Mas n�o se consegue matar 60 mil seres humanos.
- N�o acredito, Kovel. - Como � que fazem?
As SS levaram os homens que conseguiam trabalhar,
e mandaram-nos para o campo cavar valas.
A Pol�cia lituana cercou o gueto.
Ningu�m entrava ou sa�a.
Os lituanos entravam nas casas e batiam, espancavam.
Os judeus sa�ram depressa. Os que tentaram esconder-se, foram mortos.
Levados em cami�es para as valas, despidos, revistados,
colocados nas valas e executados com metralhadoras.
Ficaram parados.
Sem chorar, sem resistir.
- Se calhar, Bylany foi uma excep��o. - Os guetos est�o a ser aniquilados!
O ex�rcito alem�o tem oficiais decentes. Devem ser contra isso.
Abram os olhos!
Vars�via tem a maior concentra��o de judeus na Pol�nia.
A vossa vez vai chegar.
N�o h� valas, armas, balas suficientes para nos matar a todos.
S�o um povo energ�tico e engenhoso. Se calhar, h�.
Diz-nos o que temos de fazer, Kovel.
Resistir.
Podem come�ar por isto.
"A todos os judeus do gueto.
"N�o podemos aceitar a morte como cordeiros no matadouro.
"Jovens, apelamos a voc�s. N�o acreditem em que vos quer fazer mal.
"O plano de Hitler � aniquilar os judeus. Vamos ser os primeiros.
"Sim, � verdade. Estamos fracos e isolados,
"mas a �nica resposta que damos ao inimigo � a resist�ncia.
"Mais vale morrer a lutar do que morrer � merc� da chacina.
Vamos defender o gueto at� ao nosso �ltimo sopro."
Mas de que serve isto? Eles v�o dizer que v�o morrer � mesma.
"Eles", Dr. Kohn? N�s.
Sem armas contra tanques e artilharia?
- T�m armas? - Ainda n�o.
Vamos ensinar os jovens sionistas a cumprir ordens e a ser soldados.
E ent�o, arranjamos armas.
lsto parece mesmo judaico. Comecar um ex�rcito sem armas.
Os alem�es podem ser subornados! Sabem que v�o perder a guerra.
Perderam �frica. A Am�rica vai invadir a Europa n�o tarda.
Vamos estar mortos quando c� chegarem.
- Berta, n�o devias ter sa�do da cama. - Ouvi tudo, Josef.
� s� conversa. Ningu�m sabe ao certo o que fazer.
Abri o casaco. T�m de comprar armas.
Quantos?
Nos dois primeiros dias, mais de 33 mil.
Ainda podemos despachar mais de 100 mil antes de acabarmos.
- Melhoraram a seguran�a? - Sim, meu General.
- E a roupa? - Os ucranianos ficam com ela.
N�o fazem perguntas.
- Pai, podemos abrir os presentes? - Sim, os presentes!
Depois do concerto, meninos. J� sabem as regras.
Cantar, arrumar e depois, abrir os presentes.
- As recompensas depois dos deveres. - E o mesmo no ex�rcito.
O teu pai s� teve f�rias depois de servir na frente russa.
E a mam� recebeu este piano novo por ser corajosa na minha aus�ncia.
� lindo. Um dos fant�sticos Beckstein.
Fiquei pasma quando o trouxeram. Nem queria acreditar.
- E n�o custou um centavo. - A s�rio?
Sim, estava numa cl�nica aqui perto.
Ningu�m fazia uso dele, estava a acumular p�, e o m�dico ofereceu-mo.
- Ofereceu-to? - No interesse da unidade partid�ria.
O piano precisa de ser afinado.
Afinar um piano n�o � problema, arranj�-lo � que �.
Para ti, n�o parece ser dif�cil.
- De quem era? - J� disse, da cl�nica.
Uns judeus viviam l�, mas foram-se embora.
lmagino para onde...
Vamos fazer um intervalo. Querem abrir os presentes?
- Menos avidez, meninos. - Marta, deixa. � s� uma vez por ano.
- Dois ratos brancos! - Mam�, tamb�m queria um rato!
Pai, adoro-os. Vou chamar-lhes Zigfried e Botan.
� melhor mudares um nome, o senhor da loja disse que havia uma f�mea.
- Um macho e uma f�mea? - V�o viver juntos e fazer ratos beb�s.
Estou ansioso! Beb�s!
- Se calhar, dou-lhe os doentes. - Peter!
Erik, as crian�as est�o cansadas.
Cantamos o "Noite Feliz" e eles v�o dormir.
Ouvimos a Missa do Galo na r�dio.
Tio Kurt, v� como estar casada com um administrador a torna eficaz?
Acho que � ao contr�rio. A efici�ncia da Marta contagiou-te.
Vamos, crian�as.
Est�o preparados?
H� algo a abafar o som. Uma das cordas est� partida?
lsto estava nas cordas. Fotografias antigas.
Fotografias. Deixe-me ver!
- Posso? - Sim.
- Quem s�o? - � o Dr. Weiss.
E esses devem ser os filhos.
- Sabes onde est�o, Erik? - N�o faco a menor ideia.
Acho que ele foi deportado h� anos.
Laura, deita isto fora.
N�o acab�mos de cantar o "Noite Feliz".
Como est� a �rvore geneal�gica da fam�lia Muller?
Mentiras atr�s de mentiras. Fazem de n�s prostitutas, Felscher.
� assim que sobrevivemos.
Quer que inclua o Carlos Magno e Frederico, o grande.
T�m ci�mes porque descendemos de Abra�o.
Lindo. N�o se esque�a dos dois cruzados.
Aqui e aqui.
Weiss, ainda vamos ser amigos antes de isto acabar.
Quem sabe? Com a Am�rica na guerra,
posso precisar de amigos judeus para falarem bem de mim.
N�o conte comigo.
Depois de tudo o que fiz por si?
A sua mulher esteve aqui ontem. A sua carta mensal.
- N�o a quer? - Obrigou-a a pagar o costume?
Vinha com multa. Teve de pagar mais, mas ela pode.
Muller, saia daqui. N�o quero que ela volte c�.
N�o volta. Vai ser transferido, voc� e o Felscher.
Foram requisitados dois artistas de n�vel superior.
Transferidos?
Ganharam reputa��o de g�nios de campo de concentra��o.
V�o para Theresienstadt, na Checoslov�quia.
O "Gueto Modelo".
Vou ter saudades de ser o seu carteiro.
Weiss, n�o.
Escuta, j� nada � como devia ser.
L�-a, responde-lhe.
Querido Karl, adorado marido. Cada dia tenho mais saudades tuas.
Aguardo o dia em que estaremos juntos. A esperan�a nunca morre.
Continuo a falar com oficiais,
mas n�o parece haver maneira de te conseguir libertar.
Esperamos que os teus pais estejam bem.
Por milagre, recebi uma carta de Vars�via h� uns meses.
O teu pai trabalha no hospital e a tua m�e d� aulas.
Gostava de ter not�cias do Rudi, mas ele desapareceu da face da terra.
Amo-te, Karl e quero-te tanto. Por favor, compreende-me, querido.
Tive de fazer certas coisas para te fazer chegar estas cartas.
Mas o meu amor por ti � eterno. A tua dedicada Inga.
"Dedicada".
Anima-te, Weiss. Dizem que Theresienstadt n�o � muito mau.
Sempre quis conhecer a Checoslov�quia.
BERLlM
Bom dia, Heydrich. Dorf.
Que par... Um, metade judeu, o outro, ral� berlinense.
Estima-se que haja 1 1 milh�es de judeus no mundo.
- A solu��o final � acabar com todos. - Com todos?
O F�hrer ordenou o exterm�nio f�sico dos judeus.
A linguagem, Heydrich. A linguagem.
A pol�tica em rela��o aos judeus � a seguinte.
Ser�o enviados para campos de trabalho na Pol�nia
onde a nutri��o natural devido � fome, cansa�o e enfermidades
causar� preju�zos.
Os sobreviventes ser�o tratados conforme as circunst�ncias.
"As unidades de comando ser�o expandidas"?
- Entre outros m�todos. - Podemos saber quais?
- O uso de g�s est� a ser examinado. - G�s?
� uma hip�tese.
Lembra-se do que aconteceu com as mortes por eutan�sia h� uns anos?
- Sim? - A elimina��o de deficientes, mutantes.
- Sim, mas onde quer chegar? - Dorf, sabe bem onde quero chegar!
O Vaticano denunciou tudo! As igrejas fizeram um esc�ndalo!
- Ele recuou e as mortes acabaram. - E?
Vai acontecer a mesma coisa. N�o podemos enfurecer as igrejas.
Heydrich, esta porcaria est� a ficar descontrolada.
Represento o lado civil do Reich e estou muito preocupado!
S� vamos tratar dos judeus.
Que controlam a lmprensa Estrangeira, os bancos, que falam com Roosevelt...
Ningu�m vai mexer um dedo para proteger os judeus.
E teremos uma base jur�dica. Estamos a eliminar inimigos: espi�es, terroristas.
Que diferen�a faz se s�o executados, gaseados ou se morrem a trabalhar?
lsto n�o me agrada.
Caramba, tamb�m sou advogado e exijo ser ouvido!
A no��o convencional de justi�a morreu, Frank.
Lembra-se do que o F�hrer disse sobre a sua "preciosa Lei"?
- N�o me recordo. - Dorf, � melhor dizer-lhe.
Penso que o F�hrer disse: "Estou aqui com as minhas baionetas.
Voc�s est�o a� com a vossa Lei. Vamos ver qual vence."
Se � exterm�nio que querem, faco-vos a vontade.
Hoje foram tomadas decis�es importantes.
- Decis�es inevit�veis. - Fascinante.
Est� relutante?
Claro que n�o. Estamos a cumprir a lei, a lei do F�hrer.
E n�o uma no��o abstracta como aquela a que o Frank se referia.
- Est� de consci�ncia tranquila? - Estou a seguir ordens.
- Quem sou para julgar os superiores? - Porque t�m de ser julgados?
Diga-me, Dorf, como est� a sua linda esposa e os seus queridos filhos?
Est�o bem.
Lembro-me do dia que pass�mos em Viena, no parque. Quando foi?
H� tr�s anos. Fui aconselhar-me consigo, a pedido de Heydrich.
Exacto. O jovem inocente.
- E a sua fam�lia, Eichmann? - �ptima, tendo em conta a situa��o.
Com a guerra, os racionamentos e tudo o mais.
S�o as fam�lias, mulheres e crian�as, que nos d�o coragem e determina��o.
Sem d�vida. Uma mulher dedicada, filhos felizes...
Devemos-lhes um mundo melhor.
Como as decis�es que tom�mos hoje.
- � preciso assegurar o futuro da ra�a. - Exacto.
As gera��es futuras n�o ter�o for�a para cumprir estas tarefas.
Olho para os meus filhos e sei que estou a agir bem.
- Rudi, tenho frio. - Chega-te mais perto.
N�o serve de nada. Acho que nunca mais ficarei quente.
D�-me a tua m�o.
Rudi...
N�o podemos continuar a fugir assim.
Achas que dev�amos ter ficado em Praga?
N�o sei. Ao menos l�, t�nhamos o meu apartamento. Tinha comida, amigos.
Os teus amigos est�o todos nos campos de concentra��o.
Acho que sou um fardo para ti. Choro demasiado.
Helena...
Eu tamb�m quero chorar.
Mas quando era mi�do em Berlim, aprendi que nunca se chora numa luta.
Nunca, mesmo que doa.
H� sempre algu�m que te quer ver chorar. E se vir, mata-te.
- N�o h� nada, nem um nabo. - Rudi, o que vamos fazer agora?
Falas sempre na na��o judaica que os teus amigos sionistas querem.
No meio do deserto, rodeado de �rabes?
O tipo da barba... Como se chama?
Fritz Hertzel. N�o me tentes fazer rir.
S� quero que vejas as coisas como s�o, nada mais.
Achas que consegues esse lugar sem lutar?
Sem matar ou ser morto?
Mas tenho frio. N�o consigo pensar no Hertzel quando tenho frio.
Vou procurar comida.
Fecha os olhos, tenho um presente.
- Rudi, p�ra. - V�, fecha os olhos.
- Est� bem. - Abre a boca.
- O que � isto? - Batata crua. Vitaminas.
- Est� a deixar-me maldisposta. - Finge que � um bolo.
Um brioche, acabadinho de sair do forno.
P�ra com isso.
N�o cheiras o caf�? O meu � com natas.
- �s horr�vel. - lmagina a nossa fam�lia berlinense.
- S� comida. N�o vivemos em Berlim. - E n�o vivemos em Praga.
Ent�o onde? Na tua terra inexistente em lsrael?
N�o sei. Mas onde quer que estivermos, eu serei feliz.
E eu tamb�m.
Saiam com as m�os no ar!
Estamos 50 c� fora! Guerrilheiros.
N�o, Rudi! A faca n�o serve de nada. Eles s�o muitos.
Saiam devagar!
Uma arma... Devia ter avancado.
- Onde est�o os 50 guerrilheiros? - Aparecem quando forem precisos.
Quem s�o voc�s?
Somos checos. Fugimos para Kiev e depois, sa�mos de Kiev.
- Porqu�? - lsso importa?
S�o judeus.
N�s tamb�m somos.
- Shalom. - Shalom.
Shalom.
- Judeus com armas? - Poucas.
- T�m 50 guerielheiros? - E a imagina��o do tio Sasha.
Sou o Sasha. Comandante da Brigada Guerrilheira de Sitomir.
Foi uma sorte os guerrilheiros ucranianos n�o vos terem encontrado.
Ter-vos-iam matado t�o depressa quanto os alem�es.
T�m uma arma para mim?
N�o. Por enquanto, temos mais judeus que armas.
V�, vamos para o acampamento. Voc�s parecem esfomeados.
Tradu��o e Legendagem M�nica Moreira / CRlSTBET, Lda.
:: Ressincronia, novas legendas e v�rias correc�es ferneiva ::
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