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Original subtitles

Gloria e Natasha Gregory Falam sobre o Filme

Como foi para vocês assistir às mudanças e como mudaram...

... a Vossa perspectiva da sociedade?

Eu acho que o James...

O facto do James ter sido criado numa quinta no Sirilanca

teve um enorme impacte nele.

Quando foi para o colégio interno teve de passar por muitas mudanças

porque foi na altura do Apartheid.

E quando conheceu o Mandela, ele não ficou lá muito satisfeito.

Como estava na prisão pela primeira vez, achou...

... Que as coisas não deviam ter chegado àquele ponto.

No fundo...

Acho que o James encontrou Bafana, o amigo que lhe faltou, na quinta.

Eu acho isso muito especial.

O facto dessa amizade nascer de um sentimento quase de ódio

que depois sofre uma reviravolta. Foi muito especial.

Porque ele e você foram criados...

Fomos criados com o Apartheid e achávamos isso muito triste.

Lembro-me de visitar os pais dele, e de ouvir a mãe do James dizer:

"Os negros deviam sair do passeio para nos deixar passar."

Era triste e isso marcou-me. Ainda me lembro dessas coisas.

Fico muito feliz por as coisas terem mudado.

Eu estive a falar com o Dennis acerca do assunto

e ele perguntou-me quais eram as semelhanças com o Sul dos EUA.

Eles passaram pelo mesmo nas décadas de 40 e 50.

Estivemos a falar disso ontem, porque queriamos ver a rodagem

do filme.

Eu disse ao meu marido: "Até custa a acreditar que as coisas eram assim."

Agora custa-nos acreditar que já vivemos assim.

É inacreditável.

Mas aqui estamos hoje, mais de dez anos depois.

Há toda uma geração de crianças que não sabe o que aconteceu.

Vivemos todos juntos, trabalhamos todos juntos.

Há muito poucos problemas.

E quando pensamos nisso...

No meu caso, quando era criança, apesar de ter vivido com o Apartheid

até aos meus 18 anos...

Como brancos, éramos muito protegidos,

não víamos o lado mau das coisas que se passavam.

Vivíamos numa pequena comunidade.

Apesar do meu pai não falar no assunto,

lá em casa sabíamos que tinhamos uma educação diferente.

Respeitávamos toda a gente,

não podiamos faltar ao respeito às outras pessoas, falar mal,

nem chamar nomes às pessoas.

Só depois é que percebi. Não me deixavam brincar em certas casas,

nem ser amiga de determinadas crianças.

Quando era pequena, eu não compreendia isto.

Mas nessas casas viviam pessoas que apoiavam o Apartheid.

E os meus pais não aceitavam isso.

Quando nos mudámos para a Ilha... Eu sempre quis viver numa ilha.

Mas no Havai e não na Cidade do Cabo.

Foram tempos muito dificeis para nós.

Tivemos anos de seca.

Se não chovesse bem no Inverno...

Tínhamos três tanques grandes para armazenar água da chuva.

A Natasha era pequena quando viviamos na ilha.

Eu achava que lavar a roupa toda à mão, pois não havia máquinas,

era muito primitivo.

E tinhamos um fogão a carvão na cozinha para aquecer a água.

Não tinhamos água quente.

Vivemos em condições muito difíceis.

No início sofremos muito.

Estou muito satisfeita por as coisas terem evoluído

porque a nossa casa de banho era ao ar livre.

E depois fizeram uma coberta, com uma retrete de madeira.

Eu tive uma experiência horrível. Nem sei se deva falar nisso...

Os homens vinham num camião

para recolher os depósitos das retretes.

E eu estava na casa de banho, quando senti alguém tirar o balde

e meter lá outro. Fiquei tão envergonhada!

Acho que ninguém viu nada, mas a experiência em si,

o ter de atravessar o jardim para ir à casa de banho...

No início tinhamos condições muito duras.

Mas acho que isso só nos tornou pessoas melhores.

- Os miúdos adoravam... - Tinhamos muita liberdade.

- Tinham toda a liberdade. - Pareciamos selvagens.

Os nossos pais chamavam-nos para irmos à Cidade do Cabo

e não queriamos calçar sapatos, andávamos sempre descalços.

Não nos preocupávamos com carros nas estradas.

- Tinham muita liberdade. - Tu prendias-me, lembras-te?

- Para ir à cidade com ela... - Senão, eu desaparecia.

Isso também se deveu ao facto de ter dois irmãos mais velhos.

Portanto, ela fazia tudo o que os irmãos mandavam.

Foi manipulada pelos irmãos para se comportar como um rapaz.

Como... Deve ser difícil ver...

... O Brett enquanto criança.

É muito comovente, muito comovente.

Só me apeteceu chorar, ele é muito parecido com o Brett.

Fico muito satisfeita por o filme ter feito essa ponte...

Ele é muito fofo e a Natasha também está linda.

Escolheram as crianças certas, elas são muito parecidas.

Devias ver a caravana delas,

tem um letreiro a dizer "Brett e Natasha Gregory".

- Devia tirar uma fotografia. - Eu achei tão querido.

É como voltar atrás e reviver o passado, o que é muito agradável.

Conheceu Mandela?

Conheci-o na abertura do Parlamento.

- Ele convidou-nos. - Na inauguração.

Fomos primeiro à inauguração, mas lá...

... houve uma confusão e puseram-nos na tenda errada.

Estávamos a ver ao vivo na nossa tenda

e reparámos que ele andava à procura do James.

O James só dizia: "Estou noutra tenda!", mas ele não nos ouvia.

Mandela sabia que ele estava lá, mas não o via.

Ficámos muito tristes, muito aborrecidos.

Eu não o conhecia.

Depois convidou-nos para a abertura do Parlamento

e lanchámos juntos. Foi um momento alto da minha vida.

Apertei-lhe a mão.

Mas durante a cerimónia, não nos deixaram aproximar dele.

Só lhe podiamos acenar de longe.

Mas o ponto alto foi a abertura do Parlamento.

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