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Zulu
llann Girard Fala sobre o Filme
"Mandela: Meu Prisioneiro, Meu Amigo", take um.
Pode falar-me um pouco acerca do financiamento,
de como o projecto foi conseguido?
Sim. O que é importante, acima de tudo é...
... É insistir no facto de que este filme...
... foi levado a cabo como um filme europeu.
Foi iniciado por um produtor belga e outro francês.
E a partir daí conseguimos reunir uma equipa de co-produtores
da Alemanha, Reino Unido e Itália.
E, obviamente, tivemos de arranjar um parceiro sul-africano
para participar no projecto. Por isso, o importante...
O que é...
... mais invulgar neste projecto é que se trata de uma história sul-africana,
mas nós demos-lhe um prisma europeu.
Acreditamos que é uma história universal,
que não tem a ver com a especificidade de um local.
Pessoas de diferentes lugares podem identificar-se com a história.
Cêus.
Pode falar-me um pouco acerca do financiamento do filme
e de como foi conseguido?
O financiamento deste filme reflecte
a história do projecto. É...
Foi levado a cabo como um projecto europeu.
Na verdade, quando abordámos os financiadores com esta ideia,
dissemos que era um tributo europeu
ao que Nelson Mandela fez pelo país dele.
O projecto foi lançado por produtores franceses e belgas.
Conseguimos formar parcerias...
... com outros co-produtores, um inglês, um alemão e um italiano.
Naturalmente tivemos de arranjar um parceiro sul-africano
e, nesse aspecto, tivemos muita sorte em trabalhar com a Film Afrika.
O filme tem vários financiadores...
Acima de tudo, não queriamos
que houvesse o envolvimento de uma empresa americana.
Queríamos manter uma certa...
... liberdade na forma como a história seria narrada.
Obviamente, quando...
Abordámos o Bille August precisamente por essa razão.
Queríamos ter um ponto de vista da história
que não fosse americano, que não fosse sul-africano,
nem mesmo britânico.
Queríamos um ponto de vista objectivo
sobre a história de James Gregory e Nelson Mandela.
Este processo já foi iniciado há muito tempo.
Quais foram os obstáculos e problemas com que se depararam?
Tivemos muitos...
Foi complicado conseguir financiamento para o filme,
mas isso não é nada invulgar neste ramo.
Na verdade, lembro-me bem que,
quatro meses antes de começarmos a rodagem,
havia 40 ou 50 filmes precisamente na mesma situação,
que procuravam obter financiamento para filmarem antes de uma data
por causa dos impostos.
No fundo...
... É a energia do produtor
que concretiza o projecto. Juntamente com o realizador, a equipa,
os profissionais que nos têm apoiado e nos têm sido fiéis,
mesmo nos tempos difíceis.
Portanto, as dificuldades que tivemos não foram invulgares.
Tivemos algumas crises, como todas as produções,
mas o mais extraordinário foi que não tinhamos...
... O estúdio a apoiar-nos.
O produtor, eu e o meu parceiro belga,
investimos dinheiro nosso para o projecto avançar.
Depois outra empresa aderiu e também investiu dinheiro.
E foi esse processo que nos permitiu seguir em frente,
gastar dinheiro, preparar o filme
e mostrar a toda a gente que este filme tinha de ser feito.
Acho que tinhamos razão.
Mas penso que no cinema existe um elemento de...
Todos nós contamos histórias a nós mesmos.
Mas a determinada altura temos de assumir o compromisso
de concretizar algo e,
para tal, há que assumir riscos financeiros.
E nós conseguimos algumas facilidades bancárias,
que nos ajudaram a prosseguir. Mas, no fundo,
são as responsabilidades financeiras do produtor que estão em jogo.
Nós estamos confiantes de que valeu a pena passar por isso.
Houve alguma razão específica para ser tão importante para vocês
levar avante este projecto em particular?
Sim.
Quer dizer...
Cada um de nós tinha uma ideia diferente da história.
Para um produtor sul-africano não significava o mesmo que para mim,
que sou francês.
Mas acho que todos reconhecemos que não estávamos a contar...
Não fingimos contar a história
de um grande testemunho de Nelson Mandela.
Nós queriamos contar a história
do que este homem fez pelo seu país
e de como isso podia ser um exemplo noutras situações.
Portanto...
Estávamos conscientes de que o modo como a história era contada
seria talvez pouco convencional.
E com a perspectiva que o Bille August tinha do filme,
podíamos criar algo emotivo, forte, mas também universal.
Acho que os financiadores...
A determinada altura conseguimos apoios
e depois perdemos financiamento.
Por causa dos impostos no Reino Unido...
... um dos financiamentos não se concretizou.
Mas conseguimos um substituto num curto espaço de tempo.
Em três semanas conseguimos substituir esse financiamento.
Os financiadores sabiam que estávamos a fazer algo excepcional,
que contávamos seguir...
... Carreiras comerciais sólidas e, no final,
mesmo que tenham tido de contornar questões relacionadas com impostos...
... ou tenham tido de arranjar uma fórmula de financiamento, no final,
foram os distribuidores,
as pessoas que investiram o seu dinheiro no filme,
que o tornaram possível.
Enfrentaram algum desafio ao filmar na África do Sul?
Não diria...
Este país tem uma longa tradição na indústria cinematográfica,
tivemos uma equipa maravilhosa, todos...
... reconhecem isso.
O que terá sido mais complicado...
Nós estávamos a contar uma história sul-africana de outra forma.
Talvez no futuro se façam outros filmes
sobre Nelson Mandela
e sobre outros personagens principais da História da Africa do Sul.
Mas talvez tenhamos transmitido
um prisma muito específico
da História da África do Sul,
que eu creio que agradará ao povo sul-africano.
É uma História muito recente, difícil de contar por quem a viveu.
Com a visão do Bille August e a equipa de produtores europeus,
acho que conseguimos transmitir...
... O nosso prisma universal
desta história muito específica.
Gostaria de falar de outro assunto?
Deixe-me pensar.
Acho que...
Não, acho que falámos de tudo.
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