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- Art Subs - 11 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - JuLima -
Eu j� volto, espere.
Nunca mais me ligue assim t�o tarde.
- Da pr�xima vez, n�o virei. - Por favor...
- Est� certo. - Obrigado.
Boa noite.
EUFORIA
Beb�!
O que est� fazendo? N�o vai voltar?
Lola... e o caf�?
O caf�...
Lola...
Vem c�.
Espere um pouco. Veja s� isso.
Finalmente!
Estas s�o as primeiras propostas que esbo�amos.
Para a festa da Imaculada Concei��o.
Isso, as proje��es do dia 8 de dezembro.
A ideia � essa:
c�pulas que desmoronam.
Da queda, vemos nascer os raios de luz
e anjos voando.
Queda? Desmoronamento?
N�o. N�o.
Elas se abrem como uma flor
que nos revela um voo de pombas
e anuncia a apari��o da Virgem Maria.
O efeito � de um cofre celestial
onde poder�amos acrescentar escritas ou s�mbolos.
Para projetar nos tel�es.
- Bonito. - Muito sugestivo.
- Pode continuar. - Tem mais?
Gostaria que reconsiderassem nossa proposta
para a restaura��o dos quadros.
A empresa japonesa est� disposta a investir muito dinheiro.
J� disse que n�o estou convencido...
Uma empresa de cosm�ticos quer financiar a restaura��o
do quadro "Madona das Harpias".
- Se nos d�o licen�a... - Permita-me insistir.
Vamos encarar assim: a beleza protege a beleza.
Esse quadro far� 500 anos,
sobreviveu a inunda��es, terremotos, guerras,
cortes�os de moralidade duvidosa, ladr�es...
e ningu�m se lembra deles.
Entendo que a uni�o possa parecer um pouco arriscada,
mas daqui a 500 anos,
quem se lembrar� de um patrocinador japon�s
ou de n�s?
Permanecer� apenas a beleza da obra.
A beleza protege a beleza...
Deixe-me pensar, Matteo.
Isto poderia ser �til, vamos lev�-lo.
Ent�o...
Esta aqui est� grande para mim, vou te dar.
- Obrigado. - � s� um empr�stimo.
Camisas, camisas, muitas camisas...
Chega de camisas, ficar� fora s� tr�s dias.
Sim, mas em Abu Dhabi faz 50 graus e eu suo, suo.
Blusas, blusas...
- Te levo para o aeroporto? - N�o.
Antes preciso passar no Grand Hotel.
Arturo me levar�.
Algu�m te hospedar� em Abu Dhabi
ou ficar� num hotel?
Ciumento, ciumento...
Mas ficarei num hotel, num hotel...
Por que sempre repete as palavras?
Feche a mala, feche a mala.
Giovanni?
Sim.
Desculpa, pode repetir?
Est� no hospital?
Sim.
Se trata de les�o cerebral secund�ria
o problema � que n�o acharam o "primitivo".
O que significa isso?
Para met�stases cerebrais pode fazer radioterapia,
mas ele tem um melanoma que n�o foi encontrado.
Um melanoma � uma mancha, n�o �?
Ent�o, dar� para ver na pele...
Nem sempre.
N�o d� para ver? Explique melhor.
Quando est�o nas mucosas, � quase imposs�vel encontr�-los.
Te explicarei melhor quando nos virmos.
O neurocirurgi�o disse que � oper�vel?
Matteo, tente entender,
seria uma interven��o muito invasiva.
Esque�a as met�stases, o problema � o melanoma
que � muito agressivo.
Agora deve fazer radioterapia, depois poder� tentar
medicamentos experimentais que s�o menos t�xicos
e aumentam a expectativa de vida.
- Est� certo... - Pode viver mais alguns meses.
Entendi.
- Presentinhos! - Amor da mam�e!
Pare com isso, estou ficando tonta.
M�ezona linda!
- E o Ettore? - Est� l� nos fundos.
- O que o m�dico falou? - Pegue os presentes.
Sim, mas...
Hi, brother!
- Como voc� est� americano! - Coloque na tomada.
J� arrumou as malas?
Falei com o m�dico, voc� s� est� com um cisto.
� o lugar onde ele est� que te faz desmaiar.
Vai devagar!
Esse meu amigo � um g�nio, vai para Boston uma vez por m�s.
- E da�? - Ele me explicou tudo.
Voc� tem um cisto, � uma coisinha de nada.
Mas o problema � o lugar onde ele est�
que causa as dores de cabe�a e os desmaios.
- E o solu�o. Ele teve solu�o. - O que tem isso, m�e?
Voc� solu�ou por tr�s dias, talvez seja sintoma de algo.
- As camisas ficam aqui. - Por qu�?
N�o estou indo para o servi�o militar.
Voc� est� falando h� meia hora e n�o entendi porra nenhuma.
- Eles v�o tirar esse cisto? - N�o sei, n�o sou m�dico.
Mas seu amigo, �. Ele fez algum relat�rio?
Claro, est� com ele, ele nos entregar�.
Falei com ele pelo telefone, ele disse que v�o tir�-lo,
mas n�o agora porque est� grande.
Primeiro v�o reduzi-lo e depois v�o tir�-lo.
- M�e! - Sim?
- E os presentes? - J� vou levar.
- Aqui, mas n�o sei de quem s�o. - Este � seu.
Comprei algo para voc�, mas ficou em casa.
Este � para o Andrea. Ali�s, cad� ele?
Andrea est� na casa dele, com a Michela.
- Trouxe algo para ela tamb�m. - Voc� n�o consegue mesmo.
Voc�s brigaram, mas ela ainda � minha cunhada.
Voc� n�o consegue terminar um assunto.
Mudei meus planos, mas estarei a� semana que vem.
Sim, claro, � uma grande oportunidade.
Voc� trouxe p�o, m�e?
- Na minha casa tem p�o. - Mas voc�s comem tudo.
N�o, n�o estou falando com voc�.
- Mas voc�... - O qu�?
- Voc�... - O que tem?
Voc� desmaiou muitas vezes?
N�o, s� duas vezes e meia.
- Meia? - Sim, porque...
Desculpa, pode falar...
� que senti que ia desmaiar, mas consegui sentar antes
e colocar a cabe�a entre os joelhos.
A primeira vez foi na escola.
Estava na lousa explicando a �rbita de Saturno
e de repente vi um buraco negro.
Um momento, vamos brindar. Todos juntos.
- Ao Matteo. - N�o, a Tatiana que hoje faz...
- Calado! - N�o posso falar?
Pode falar que � meu anivers�rio, mas...
Est� certo, n�o vou dizer.
Ent�o vamos brindar a este belo jantar.
Sa�de!
Esse vinho � gostoso.
Por que pediu para aquela mulher fazer o jantar e n�o para mim?
Meu filho adora gastar dinheiro.
Eu tamb�m desmaio.
- Voc� fez exames? - N�o, � porque sou triste.
Acabei de me separar... Enfim, eu desmaio.
- Sinto muito. - Chega de beber.
- Ap�s 20 anos ainda fala dela? - Voc� gostava dela.
- E ela gostava dele? - Sim! Acho que dormiram juntos.
Ele n�o era gay antes.
� verdade...
Ele sempre gostou muito de mulheres.
Perdoem essa lenda folcl�rica da minha m�e.
Mas o irm�o dele a roubou.
Ettore era o terror de Nepi.
As mulheres o rodeavam como moscas. N�o � mesmo?
- Elas faziam fila. - Faziam mesmo.
Ele escolheu a mais bonita e casou com ela.
Ela era mesmo a mais bonita, ganhou um concurso de beleza.
- Foi Miss... - Lago Bolsena.
Estou falando s�rio!
O que est� dizendo? Era Miss Rimini.
- Miss Romanha. - Isso! Miss Romanha.
Vejam como eram fofos quando pequenos.
Matteo!
Ent�o, aqui est�o...
Eu tenho uma aqui que � bem fofa.
Achei! Fantasiados no carnaval. Que lindinhos!
- Voc� gostou? Viu s�? - � linda.
- Voc� lembra disso? - Lembro.
Eles tinham aprendido a musiquinha,
cantavam, dan�avam e eu assobiava.
- Voc� assobia? - Sim, assobio.
- Ent�o assobie. - Agora n�o...
Assobie! Assobie! Assobie!
Est� certo.
Esperem...
Eu n�o havia amado assim Desde janeiro, abril
Ettore...
- Vamos l�... - N�o lembro.
Muito bem, mam�e!
O que foi isso? O que houve?
N�o acredito... Veja s�.
Sim, eu j� vi. Esta � a casa do m�gico Silvan.
- N�s te acordamos? - N�o.
- Quando chegaram? - O assado est� pronto, quer?
- Bom dia. - Bom dia.
- Quer um pouco? - N�o.
Voc� n�o vai comer nada? Est� t�o magro.
Eu queria ir a um restaurante, mas ela j� preparou tudo.
Sim, est� tudo pronto. Quer um pouco de queijo?
- N�o v� ficar doente... - Minha nossa, que casa linda!
Tem um terra�o incr�vel. Ela tinha comentado...
Quer um suco?
- Quer caf�? - Sim, quero.
- E voc�? - N�o, obrigado.
- Andrea te viu? - N�o, mas eu o vi brincando.
Ele amou o quebra-cabe�a.
- Obrigada pelo perfume. - Imagina...
E a�?
Se fosse s� uma pulada de cerca, eu entenderia.
Eu n�o teria gostado,
mas ap�s tantos anos pode acontecer.
Agora ele diz que precisa entender.
N�o sei o que precisa entender.
Acho que ele n�o est� bem da cabe�a
e por isso adoeceu.
Ele disse que acabou, que eles terminaram.
Mas n�o quer voltar comigo.
Ele disse que se apaixonou. Entendeu?
Isso me machucou.
Ele queria contar para o Andrea.
Ele � s� uma crian�a, n�o entende disso.
E o que ele diria?
"O papai vai se separar da mam�e porque ama outra."
Uma menina, ali�s.
Uma menina? Quantos anos ela tem?
Trinta ou trinta e dois.
Ent�o n�o � uma menina, � uma mulher.
Como voc� pode saber? Falou com seu irm�o sobre isso?
Ele nunca me contou nada.
Claro, voc� nunca aparece, faz um ano que n�o vai a Nepi.
Estive l� anteontem.
E voc� sabe que eu e Ettore nunca conversamos muito.
Ele nunca me contou nada da vida dele.
E nunca quis saber da minha.
Ele n�o conversa com ningu�m.
Falei para o Andrea que o pai dele...
O qu�?
Nada.
� incr�vel.
Estamos em outubro e ainda est� esse calor.
Que bom!
- Aqui uma pe�a azul. - N�o, essa � verde.
- Marrom? - � laranja.
- Entendeu? - N�o.
Como n�o? Voc� nunca fez isso com ele?
- Ettore! - Oi.
- Voc� nunca fez com ele? - N�o.
O vov� sempre fazia com a gente.
Tente...
Muito bem! Voc� conseguiu!
- Onde mora seu traficante? - Em Katmandu?
Est�o todos dormindo.
N�o fa�am bagun�a.
Podemos?
- Oi. - Oi, linda!
O que posso oferecer? O que voc�s querem?
Um pouco de "Branca de Neve"?
- O banheiro � aqui? - Idiota.
- Oi. - Oi.
- O que est�o fazendo? - Dando uma volta.
Que m�sica bonita. � antiga, mas � bonita.
Veja s�.
Veja, preste aten��o.
- Venha ver. - N�o, tenho medo.
- Do qu�? - Eles s�o malvados.
N�o � verdade. Veja s� esse aqui.
Eu odeio gaivotas.
- M�e, nos vemos l� �s 12h. - Sim, vou esperar a Michela.
Andrea! Quer ir trabalhar com o tio?
- Posso? - Pode, vai.
Soube que j� aprovou as outras.
Falta s� "La Dispersion du Fils" que � linda.
- Luigi, tenho pouco tempo. - Que novidade!
Vai nos engolir?
N�o tenha medo, � de mentira.
Que maneiro!
Andrea, voc� gostou?
- Tem certeza, Michela? - Se eu trouxer o carro para c�,
poderei lev�-lo.
Mas tem muito tr�nsito e voc� n�o conhece a cidade.
O que voc� acha, Ettore?
Segure isto aqui. Me d� isso. Veja s�.
Mentirosa!
- Essa mulher � de mentira? - N�o, � de verdade.
Pare ou vamos cair.
A� est�o eles.
- Oi, m�e. - Por que est�o com essas caras?
Est� tudo bem, vamos.
Fizemos s� a resson�ncia.
Teremos que voltar depois de amanh�.
Matteo, esse � um problema de oncologia.
- Como �? - Na guia est� escrito:
"Redu��o da massa tumoral. Oncologia."
A radioterapia � feita na ala de oncologia.
Sim, mas o que est� escrito aqui...
"Tumoral. Oncologia."
"Tumor" vem do latim e significa "incha�o".
Como uma inflama��o, um cisto, ou algo como isso.
� tudo a mesma coisa.
Sim, mas...
Leia a guia.
Chega disso.
Voc� falou com o m�dico? Falaram com o Dr. Bartoletti?
Sen�o vou ligar para ele e pedir que explique tudo.
Vamos procur�-lo e ele explica melhor.
Eu disse que est� tudo bem. Cad� o carro? Onde voc� deixou?
- No estacionamento. - Ent�o vamos logo.
Tire as duas de perto de mim, mande-as embora.
- O que direi? - Sei l�.
Que n�o pode hosped�-las, invente algo.
- Fala s�rio... - Mande-as embora!
Meu filho tamb�m. Eles enchem meu saco.
- Te acordei? Est� muito alto? - N�o.
Eu estava tendo uns sonhos estranhos...
Est�vamos aqui, voc� tamb�m estava.
N�o sei...
Posso?
N�o sei. Talvez fa�a mal misturar com os rem�dios.
- Uma carreirinha s�. - Est� certo.
Mas cheire a menor.
Eu falei a menor.
Ele � o seu...
- namorado? - N�o, � um amigo.
Mas eu o amo.
- O qu�? - Quero dizer...
- Se n�s transamos? - Sim.
N�o.
Por qu�?
Somos muito �ntimos, � como se fosse da fam�lia.
� minha dama de companhia.
- O que foi? - N�o...
Tenho uma curiosidade, mas...
Pode falar.
Quando voc� faz... aquelas coisas...
- N�o com ele, mas... - Sim.
Voc� d� ou recebe?
O que voc� ia preferir?
Visto que � meu irm�o mais novo,
prefiro n�o saber que toma no cu, mas...
Eu quis dizer, o que voc� ia preferir fazer?
Que imbecil!
Al�m do mais, receber pode ser muito educativo.
- Mas n�o funciona assim. - N�o?
- E como funciona? - Voc� d� e recebe
dependendo das circunst�ncias e do interlocutor.
- � mesmo? - Sim.
- Do interlocutor? - Sim, isso � muito importante.
E qual � o seu tipo de interlocutor?
Bem...
� s� uma hip�tese...
Sim, pode falar, fique sossegado.
- Estou curioso. - Por exemplo...
Voc� seria meu tipo de interlocutor.
Por qu�...
voc� tem essa barbinha que � meio...
e tem esses pelos de urso que saem da camisa...
N�o encoste. Pode falar, mas n�o tocar.
- Certo. E suas coxas... - N�o me toque!
- Essas coxinhas... - N�o encoste ou vou te bater.
Isso, n�o pare.
Eles sabem que ningu�m presta aten��o.
E aquelas coisas que devem inflar fora do avi�o?
- Aonde irei, se sair do avi�o? - Que tal subir nelas?
- Oi, Ettore. - Ele � meu irm�o Ettore.
- Oi. - Oi.
- Como foi? - Bem.
Estou meio cansado, vim de metr�.
Foi ao hospital de metr�? N�o seria melhor ir de t�xi?
De t�xi? Fala s�rio!
- Amanh� farei Arturo te levar. - Claro...
- At� logo. Divirtam-se. - Tchau.
J� volto.
Ettore!
Ettore, espere um segundo...
Arturo vem te buscar, ele � pontual.
N�o quero motorista.
Voc� tem vergonha? O que � isto?
- � um estabilizador de humor. - Bartoletti te deu?
- S�o benzodiazepinas? - Como vou saber se nunca tomei?
Eu j� tomei. Esse � �timo, � fraquinho.
Arrume-se, hoje jantaremos fora.
Estamos combinados, Arturo vir� amanh�.
- De novo isso? - Qual o problema?
Eu ganho muito mais que voc�.
� um prazer mandar o motorista para voc�.
N�o se preocupe comigo. Me hospedar � o suficiente.
Certo, mas te darei isto para qualquer eventualidade.
- Tchau, Matteo. - J� v�o embora?
- Nos falamos depois? - Beleza, tchau.
- At� amanh�, Matteo. - At� amanh�.
Vamos?
Tenho um cliente de Abu Dhabi
que fechou um grande contrato no Qu�nia.
Sabe como � o Qu�nia, n�o? L� tem zonas �ridas, desertos.
- Os �rabes levar�o �gua at� l�. - Como assim?
Areia nanotecnol�gica que ret�m a umidade.
Onde existe �gua, existe cultivo e sombra.
- Est� entendendo? - Estou, continue.
A ideia � essa...
Nessas �reas reconstru�das,
construir campos de refugiados de nova concep��o.
Precisamos de patrocinadores internacionais.
- Para a It�lia, pensei em voc�. - Qual seria meu retorno?
O mundo est� mudando,
estamos passando da �poca do desejo
para a �poca da necessidade.
Eles precisam de comida, papel higi�nico,
banheiros qu�micos e barracas, barracas.
- E quem fornecer� as barracas? - N�s?
Claro! Com o seu tecido para o ar livre.
O neg�cio do futuro � a piedade.
Belo projeto! Muito bem, parab�ns!
Como assim, o que tem de errado?
Eu crio novos campos de refugiados,
levo �gua, �rvores e tudo mais e n�o deveria ganhar dinheiro?
- N�o � isso... - N�o?
Juro que para mim est� tudo bem.
Mas n�o te interessa resolver o problema dos refugiados.
- Sim, mas... - Inclua piso de madeira tamb�m.
- Matteo, eu entendi. - Ao menos eu fa�o algo.
N�o estou te julgando.
- Bom dia. - Ol�.
- Sou Arturo. - Prazer.
- Entre, por favor... - Obrigado.
N�o posso contar, � surpresa.
Onde voc� est�?
Pode pedir para a Lola preparar
arroz branco e batatas cozidas?
Preciso comer coisas leves.
Est� certo. Tchau.
N�o pode entrar com o telefone.
- N�o? - Posso guard�-lo no quarto.
Preciso avisar meus familiares.
Voc� pode pedir para me darem anestesia geral?
Sei que n�o precisa, mas eu prefiro.
Adoro aquela sensa��o...
A� est� ele!
Que m� impress�o!
O que havia de errado com sua panturrilha?
Eram como palitos de dente.
- Minhas coxas s�o grossas... - Fique parado.
Acho at� que deveria ter colocado pr�teses maiores.
- Existem medidas? - Claro, como para os seios.
Os seios t�m utilidade e suas panturrilhas?
Para mim t�m utilidade.
Mas eu errei e escolhi muito pequenas.
Eu sempre tenho medo de exagerar.
- Est�o muito duras. - � normal.
O m�dico disse que preciso caminhar, caminhar e caminhar.
- E depois elas... - V�o desinchar?
N�o devem desinchar, sen�o n�o serviu para nada.
Bom dia.
Bom dia.
Que horas s�o?
N�o sei, � cedo.
Voc� estava falando enquanto dormia.
- � mesmo? - Sim.
O que eu disse?
Disse: "N�o quero morrer, n�o quero morrer."
- Jura? - Sim.
Eu n�o entrava num hospital desde que Michela deu � luz.
L� tem gente doente de verdade.
Eu sei muito bem.
Coloquei aqui seus rem�dios com os dias certos.
N�o d� para errar. N�o tome o amarelo � noite.
Sim, voc� j� disse isso.
Sen�o n�o dormir� e subir� pelas paredes.
Deixarei tudo aqui e nos veremos amanh�.
- E para dormir... - Trouxe sua �gua.
- Obrigado. - De nada.
- Tome esse em gotas. - Certo, coloque ali.
- Bom dia. - Bom dia.
- Desculpa, quase terminei aqui. - Eu que pe�o desculpas.
Dormi com Matteo porque estava triste demais para ir para casa.
- Voc� s� precisa tirar... - Sim. Obrigado.
Quando come�ar� o novo tratamento?
N�o sei, foi o Matteo que falou com os m�dicos.
D� um abra�o no Matteo. Tchau, Ettore.
Tchau, Luca. At� logo, senhora.
Senhora?
Falta mais algu�m acordar ou est�o todos aqui?
- Est�o todos aqui. - �timo.
Veja s� isso.
Caminhar, caminhar, caminhar, caminhar...
Com quem voc� falou?
Depois enviaremos um e-mail explicando.
Pare aqui.
Encoste aqui. D� seta que ser� r�pido.
- Vou levar este. Serve? - N�o, � uma m�scara capilar.
Venha, me mostre seu rosto...
Voc� precisa de um hidratante para pele mista.
- Como voc� se chama? - Viola.
Como funciona este aqui?
Voc� deve usar � noite e � para a cintura.
Perfeito! Tenho essas gordurinhas aqui
e queria elimin�-las. Funciona mesmo?
� incr�vel, as clientes est�o satisfeitas.
Mas precisa usar regularmente.
Matteo! Voc� pagou t�o caro nisso...
T�o caro... Quanto custa?
- Oi. - Oi.
- E a�? - Tudo bem e voc�?
O que fez hoje?
Dei uma volta com a Tatiana. Fomos para a livraria.
Fiz um novo planejamento para os alunos,
para quando eu voltar.
Tenho muito tempo livre, estou tentando aproveitar.
Como a Tatiana estava? Triste?
Muito triste.
Passei no consult�rio do Bartoletti.
Os comprimidos chegaram, amanh� voc� come�a o tratamento.
- Oi, Ettore. - Oi.
Ele me mandar� um SMS com as doses, depois te passo.
- Devo lavar o cabelo depois? - Ele entregou assim.
Devia estar num frasco maior. Mas que diferen�a faz?
Nenhuma, mas...
- Quer? - N�o, obrigado.
- Obrigado. - Imagina.
- O que voc� est� aprontando? - Nada, vou tomar um banho.
N�o vamos comer muito tarde, sen�o n�o iremos ao cinema.
- Onde est� o creme? - Aqui. O que � essa farsa?
Onde est� a sacola da perfumaria?
Por que voc� jogou a embalagem dos rem�dios?
N�o quero que ele leia a bula.
Por qu�?
Que perguntas s�o essas, porra?
Ele poderia entrar na internet
e ler blogs de pacientes terminais.
Acabaria lendo claramente: "Tumor no c�rebro.
Expectativa de vida: de seis a oito meses."
Do que est� falando?
Do que voc� acha?
- O que o Ettore sabe? - Nada.
- E a Michela? E sua m�e? - Ningu�m sabe de nada.
- Voc� n�o tem o direito... - Preste bem aten��o!
Ele n�o deve saber de nada. Os m�dicos mesmo disseram isso.
� importante.
Ele precisa pensar que vai sarar.
- Est� certo. - Certo.
Espero que a "Madona das Harpias"
seja s� o primeiro quadro no qual trabalharemos.
- Sr. Barbieri? - Sim?
Quer pedir uma ben��o? Estamos indo embora.
- Voc� vem conosco? - Claro.
Voc� cansou muito r�pido.
Nadar contra a corrente � idiotice.
N�o �, voc� nada o dobro. Venha, vamos para a �rea relax.
O que � isso?
Vou te levar para Lourdes.
- Eu? - Isso.
Por qu�? Sou inv�lido por acaso?
N�o... Preciso ir a trabalho.
Tem um cliente que me deve dinheiro
e quer pagar por baixo dos panos.
N�o me interessa o dinheiro,
mas farei com que ele empreste seu jatinho
e iremos para Lourdes.
- Voc� � muito idiota. - Eu tenho que ir mesmo.
Vou fazer uma pesquisa
para a exposi��o que faremos sobre a Virgem Maria.
Aproveitaremos para pedir b�n��os.
Voc� acredita nisso agora?
- Depende. - Do qu�?
Das circunst�ncias e do interlocutor.
- Vou te esperar aqui. - Por favor, venha comigo.
Vamos pedir uma ben��o.
Vamos pedir uma ben��o de jatinho?
E da�? Al�m do mais, quem ficar� sabendo?
A Virgem Maria. Ela sabe tudo e v� tudo.
Ent�o voc� acredita!
N�o irei para Lourdes.
S�o talentosos, n�o? Aonde voc�s est�o indo?
Para Medjugorje.
- E voc�s? - Para Medjugorje tamb�m.
Viu, como os 'Papa Boys' s�o talentosos?
Como voc� est�?
�s vezes, sinto que tem uma lula-gigante
dentro da minha cabe�a
espirrando tinta para todo lado.
Odeio n�o poder descontar nela.
� como se houvesse uma rebeli�o, um mo... um mo...
- Um mo... - Um motim.
Imagina...
Voc� s� est� enjoado por causa do mar.
"Caro amigo ariano,
agora voc� est� entre os mais amargos do zod�aco.
Houve muitos problemas. J�piter estava em desarmonia.
E infelizmente, precisar� respirar fundo
- e ser muito paciente." - Deixa pra l�, leia o seu.
Ent�o... "Escorpi�o.
Os astros sorriem para voc�."
Tem 5 estrelas para a sa�de, amor, trabalho.
Que estranho!
"Longo tr�nsito de V�nus..."
O que fala o meu sobre o amor?
"Amor... �ries."
- Vou ler, mas... - Leia logo.
"Cuide dos seus amigos peludos."
Est� escrito aqui, n�o inventei.
Vamos deixar pra l� o hor�scopo.
Qual � o nome dela?
Elena.
E o que mais?
- O qu�? - Digo...
- O que quer saber? - Voc� est� apaixonado?
Sim, estou.
- E ela? - Tamb�m.
- Voc�s t�m sorte. - Abra...
De novo...
Mais uma vez...
Quando ficou sabendo, a Michela pirou.
Ela fez cada cena que nem te conto.
Por pouco n�o foi parar no hospital.
Andrea ainda � pequeno, teria sofrido demais.
Mas eu n�o voltarei com a Michela.
Ela � vazia, superficial.
Infelizmente, eu sempre soube disso.
- Ao menos, antes era bonita. - Ela ainda � bonita.
Isso � maldade sua.
Sim, sou um bosta.
C�rrego b�snio.
Casa chamuscada b�snia e crian�as b�snias.
Gansos b�snios.
Cabeleireiro b�snio.
Voc� passou no sinal vermelho.
Policiais b�snios.
Bonit�o b�snio.
Velhinho b�snio. Freie, por favor.
Pelo menos seu solu�o passou.
- Espere... - Ela disse am�m.
Bom apetite. Aproveitem o jantar.
- Bom apetite. - Bom apetite.
Quem � ela?
� tipo uma assessora de imprensa
que nos deixar� assistir a apari��o na primeira fila.
N�o ficaremos longe no meio da multid�o.
Quando ser� a apari��o?
N�o sei.
- Com licen�a... - Pois n�o?
Que horas ser� a apari��o amanh�?
N�o. N�o haver� apari��o amanh�.
- Como assim? - A Virgem Maria aparece...
somente no segundo dia do m�s.
- S�? - Sim.
- Todo m�s. - Obrigado.
- Entendeu? - Duas vezes por m�s?
- N�o. - Uma vez a cada dois meses?
- N�o, no segundo dia do m�s. - Mas hoje � dia 9.
Tem outras coisas legais que poderemos fazer amanh�.
Depois veremos com o guia.
- Quantas esta��es s�o? - Quatorze.
J� estamos na metade do caminho. For�a!
N�o suba a montanha para se livrar de sua cruz,
mas para aprender a carreg�-la.
Precisamos parar, meu irm�o cansou.
Seu irm�o? Eu consigo, vamos!
Minhas panturrilhas est�o doendo.
Deveria ter ficado com as verdadeiras.
Esperem um pouco.
Muitas pessoas que sofrem v�m at� aqui
para se libertarem com ajuda da ora��o.
Vamos rezar por ela.
Espere.
- Ettore... - O que foi?
Fa�a-me um favor, saia um pouco.
- E aonde irei? - Para a sacada.
- Voc� � doido? - Por favor, s� meia hora.
No m�ximo 20 minutos.
Vou descer, n�o ficarei na sacada.
N�o, se te virem, seremos expulsos.
- Quem � ele? - Est� tudo bem...
- Coloque o casaco, est� frio. - Ent�o me ajude.
Que frio! Voc� � maluco. Me d� a coberta.
Pegue o travesseiro tamb�m.
- Sinto muito. - Eu tamb�m.
- N�o demore. - Uns 20 minutos no m�ximo.
- Doutor. Ol�! - Ettore! Como vai? Parece bem.
Sim, me sinto cheio de energia.
D� vontade de correr pelas escadas. N�o sei por qu�.
� a cortisona que te deixa euf�rico e animado.
Ali�s, se movimentar e caminhar te far� bem.
Desculpa, mas preciso renovar a dispensa da escola,
arranjar os substitutos e fazer o planejamento.
Quando poderemos fazer a cirurgia do cisto?
Uma coisa de cada vez.
Vamos encerrar o ciclo de radioterapia,
depois analisaremos bem e decidiremos o que fazer.
Est� certo.
Estarei na minha sala em meia hora.
- Voc� lembra onde fica? - Lembro.
Me encontre l� e conversaremos com calma.
O motorista veio me buscar...
Nos vemos no check-up em 10 dias.
- Est� certo. - At� logo.
Saia da frente da lareira.
- Voc� gostou? - Sim, � linda!
- � original? - Claro.
Seu tio est� procurando os ingressos para o jogo.
Do pr�ximo domingo?
N�o, daqui a dois domingos no jogo da Inter.
- Certo, Arturo? - Pois �.
Amor, veja um romano que torce para a Inter.
- Oi. - Oi.
Ele me leva pela cidade.
Quando nos encontrarmos, eu te apre... apre...
O que voc� disse, pai?
Nada, passe para a mam�e.
N�o, passe para a minha m�e, sua av�.
V�!
Vou ver se ela est� l� em cima.
Estou ouvindo assobiar, siga o assobio.
Vov�!
Ela � surda... V�!
- V�, � o papai. - O que est� fazendo na escada?
- Des�a da�. - Estou trocando a l�mpada.
O que faz toda maquiada em cima da escada?
- O que voc� quer? - Nada, s� te cumprimentar.
J� cumprimentou, tchau!
O que foi? O que voc� tem?
Faz 10 dias que nem voc� nem o babaca do seu irm�o
- atendem o telefone. - Era melhor n�o ter ligado.
Ainda que esteja doente, n�o pode fazer o que quer.
Sou sua m�e e mere�o respeito.
Voc� tem raz�o, te ligarei � noite.
Muito bem.
- � para ligar mesmo. - Pode deixar.
N�o suba mais na escada. Andrea, tire a escada da�.
- N�o se preocupe. Tchau. - Tchau.
- Matteo, vamos? - Vamos.
- Bom dia. - Bom dia.
- Voc� vai tomar caf�? - Quero um suco de tangerina.
- Tangerina? - Ou melhor, de rom�.
Rom�, rom�. Veja quantos rom�s aqui...
N�o se preocupe, o departamento jur�dico
est� ciente de tudo.
- � tarde saberemos o que fazer. - N�o quero cuidar disso.
N�o quero saber nada disso.
Corremos o risco de acabar nos jornais de novo.
- Eu cuido disso, relaxa. - N�o posso.
Chamamos Prestieri e Bellucci, j� t�nhamos te avisado.
N�o pode dizer o contr�rio.
Desculpa interromper. O banco ligou,
houve uma movimenta��o suspeita com o seu cart�o,
aquele que voc� nunca usa.
- Desligue o aspirador, Lola. - Sim.
- E o Ettore? - N�o sei.
Ettore!
Ettore!
Ettore!
Vou sair hoje � noite. O que quer jantar?
Sei l�... O que voc� quiser.
Eu vou sair, voc� que vai jantar em casa.
O que voc� tem?
Nada.
E a�? Presunto e queijo?
J� disse que pode ser o que voc� quiser.
Est� nervosinho?
Voc� fez tanto drama, disse que n�o queria o motorista
nem o cart�o de cr�dito, e depois gastou 9 mil euros.
Ent�o era isso!
Achei que tinha algo a�.
O que fez com 9 mil euros?
Comprei um rel�gio.
Qual rel�gio?
Um Cartier. O mais barato de todos.
Vejam s� o professor... E onde est� o rel�gio?
- No meu quarto, por qu�? - Por que n�o est� com ele?
Voc� tem vergonha? � isso?
Se tivesse pedido, eu te daria, n�o precisava esconder.
N�o quero passar a vida te agradecendo.
Deve me agradecer mesmo assim.
O que voc� disse outro dia? "Eu ganho muito mais que voc�."
E agora fica todo irritadinho?
Quanto custa o seu rel�gio? Vinte mil euros?
Fica se vangloriando para os seus amigos
e agora vem regular o que eu gasto.
Sou eu que pago a conta. E n�o � quest�o de dinheiro.
- O que � ent�o? - Melhor deixar pra l�.
N�o, fale o que �. Me explique qual � a quest�o.
Qual � o problema?
Tudo deve come�ar por voc�, assim todo mundo nota
quanto voc� � bom e generoso?
Por que me deixou ficar aqui? � por voc� ou pela mam�e?
Pela mam�e.
Ainda faz as coisas por ela?
Para que te perdoe por ser viado?
Voc� � um babaca.
O que foi isso?
Que nojo! � um peixe!
Caiu do bico dele.
Que nojo! O que tem no meu rosto?
N�o encoste nele! Jogue fora!
Est� com nojo agora? Mas quando voc� come, n�o tem.
Pegue um balde e vamos coloc�-lo na �gua.
- Jogue fora. - Precisamos jog�-lo no rio.
Vamos jog�-lo no rio Tib...
- O que voc� disse? - No Tib...
Ettore!
O que voc� tem? Ettore!
Olhe para mim!
- Lola! Lola! - N�o grite.
Por que n�o vai para casa? O que vai fazer aqui?
N�o vou te deixar com esses dois cad�veres.
V� para casa, por favor...
Ettore...
Matteo!
- Vou te mostrar a casa. - Eu te levo.
Eu n�o tomo p�lulas.
Mas adoraria um ch� de ervas. O que acha?
Onde est� o Matteo?
Acho que est� no quarto de h�spedes.
Do Ettore?
Um segundo...
Guido, deixa pra l�. Vou para casa, pegarei um t�xi.
Eu pego um t�xi.
Vou embora.
Cai fora...
- Vamos embora. - O qu�?
Vamos.
- Eu n�o cheiro. - Vamos l�...
Assim ele n�o levanta. Vem c�.
Eu fa�o ele levantar! N�o se preocupe.
- Que belos m�sculos! - Trabalho duro neles...
Lind�o!
- Como se chama? - Mia.
- Ela se chama Mia. - Que fofa...
- � minha. - E esse � meu!
Pode pegar.
Ela � ciumenta. Vem c�...
Saia da�!
- Essa cachorra... - Voc� � doido? Deixa pra l�.
- Desculpa... - N�o!
- Espere, Marcello... - N�o bata nela.
- Quem voc� pensa que �? - Marcello, eu n�o queria...
N�o, n�o. N�o, deixa pra l�.
Ela me atacou por tr�s. Relaxe, Marcello, vamos l�...
- Por favor, me desculpe. - Eu disse n�o. Me deixe em paz!
Vamos, Mia. Venha.
- Marcello... - Ainda com isso?
Quem diabos voc� pensa que �?
N�o � porque tem dinheiro que pode bancar o louco.
- Espere... - V� dormir, seu louco!
- Marcello... - De novo? Vamos, Mia.
- Desculpa, eu errei. - V� dormir! Mia, vamos.
Marcello...
"Marcello, come here!"
- Obrigado. - De nada.
- Acabei de acender... - Chega de fumar.
J� est� na metade.
Daqui a meia hora, Lola vir� retirar.
Desculpa.
Sinto muito, fiz merda.
Eu queria preencher o vazio daqui de dentro.
Estou muito preocupado com o Ettore.
N�o meta seu irm�o nisso.
- O problema � voc�. - Sim.
Voc� � um viciado.
Precisa se tratar.
Sim, preciso me tratar.
Pare de me dar raz�o! Pare!
Espere.
N�o quero que voc� v� embora.
Voc� n�o gosta mais de mim?
Pelo contr�rio, Matteo...
Eu te amo.
Te amo.
N�o finja que n�o sabe.
"Eu te amo, Matteo..."
Trouxe suco, coloco na geladeira ou voc� quer agora?
Agora n�o, obrigado.
Vai, beba um pouco, vai te fazer bem, � natural.
- Precisa engordar um pouco. - Mas n�o com suco.
Bem, tem a��car...
Abro a janela para o ar circular?
N�o, n�o! Acalmem-se.
Ali�s, a comida daqui n�o � ruim.
Ontem comi a carne que ele n�o quis e estava �tima.
Seu irm�o est� sendo bem tratado aqui.
- Voc� gostou daqui? - Gostei, achei lindo.
Ent�o vamos reservar um quarto para a mam�e tamb�m?
Eu viria para ficar ao seu lado, mas voc� n�o quer.
Ele sair� daqui a dois dias mesmo.
O m�dico disse que s� precisa fazer mais uns exames.
- Vamos ao bar? - Ao bar?
- Fazer o qu�? - Isso, v�.
- Vamos tomar alguma coisa. - Aproveite para ver gente.
Aqui est� cheio de gente.
"Tudo bem?" "Eu fui operado." "Da pr�stata?" "Traqueia."
� bem animado.
Ele disse que n�o aceita esse tipo de paciente
porque o que eles fazem aqui, n�s podemos fazer em casa.
Eu perguntei para ele...
"Se acontecer de novo, o que faremos?"
Ele disse: "Logo ele precisar� de cuidados paliativos."
Um m�dico n�o pode falar assim!
Em voz alta, no corredor. Como ele ousa?
Ele � um retardado, um imbecil.
Mas voc� comentou algo com a mam�e?
Por favor... N�o deixe o Ettore te ver chorando.
Ele vai terminar esse ciclo de radioterapia
e o levarei para uma cl�nica em Mil�o ou Nova Iorque...
Por que voc� n�o contou nada para ele?
Voc� quer contar?
Isso tinha que acontecer justo agora?
Ficamos juntos por 20 anos
e justo agora que ele nem quer me ver...
Pare com isso. N�o deixe ele te ver chorar!
O que est�o fazendo?
N�o � verdade que n�o quer te ver,
ele disse que est� feliz em te ver.
Na verdade, ele disse...
que ainda te ama.
Ele s� precisa de um pouco de tempo.
Ele te disse isso?
Disse.
Vamos para o quarto ficar com a mam�e.
Eu errei em ligar...
- Voc� vem para c� hoje? - N�o. Hoje n�o d�.
- O que voc� tem, Matteo? - Ficarei aqui.
- Por causa do Ettore? - Isso.
- Ele voltar� a morar com voc�? - � �bvio.
Por favor, passe aqui em casa.
- Espere um pouco. - O que foi?
Tenho um presentinho para voc�.
Espere.
Vamos l�...
Vamos l�!
Para a esquerda...
Um, dois, tr�s...
Agora para a direita...
Viu s� como voc� lembra?
Pode deixar, eu levo para o seu quarto.
Voc� viu? Enquanto n�o estava aqui...
- O qu�? - Acabamos o quebra-cabe�a.
N�o acabaram, ainda falta uma pe�a.
� que n�o achamos ela.
Mas est� praticamente acabado.
N�o...
N�o est� acabado.
- Meu Deus! - Perd�o...
- Eu estava mesmo te procurando. - Voc� me assustou.
Voc�s brincavam aqui quando crian�as?
Eu n�o. O Matteo talvez.
- A casa � longe? - N�o, � aqui perto.
Aqui est�o eles...
- Voc� desmontou tudo, pai? - Sim, assim montaremos juntos.
- Quer um caf�? - N�o, talvez um ch�.
- Pode trazer um ch�? - Claro.
Obrigado.
Obrigado por ter vindo. Voc� veio de trem?
- Como voc� � bonita! - Obrigada.
Ettore sabe que voc� me ligou?
N�o, ele n�o sabe de nada.
Foi uma iniciativa minha.
Faz tempo que voc�s n�o se veem?
N�o entendi por que voc� me ligou.
Aconteceu alguma coisa?
Sim, Ettore passou uns dias no hospital.
Agora j� est� em casa. Na minha casa, aqui em Roma.
Infelizmente...
ele tem...
Fisicamente ele est� bem,
mas acho que logo come�ar� a piorar.
N�o � oper�vel. Ele n�o sabe de nada.
E acha que � benigno.
Ele n�o sabe?
O que ele tem? Um tumor?
A doen�a poderia ter um desenvolvimento r�pido.
O que quer dizer com r�pido?
N�o sei.
Pouco.
Sabe, paramos de nos falar porque...
ele quis assim.
Disse que era por causa do filho
e que era melhor n�o nos vermos mais.
E eu entendi, claro que entendi.
Eu sei, ele me contou.
Ele n�o voltou mais para a casa dele.
E ainda fala de voc�.
Ele diz que errou.
Que ainda te ama.
N�o sei... Agora � um pouco dif�cil.
Voc� est� com outro?
Est� me pedindo para voltar a v�-lo?
Voc� tem outro?
Que pergunta � essa? Qual a l�gica?
Qual a sua l�gica?
- Lola! Onde est� o Ettore? - No terra�o.
Um peixe caiu na cabe�a dele. Eu o peguei, era enorme.
Senhorita...
- Senhor... - O que � isto?
Gim-t�nica.
Meu Deus! Desculpa, n�o farei mais isso.
Eu te machuquei? Quero ver.
- Acertou meu olho... - Desculpa, me desculpe.
N�o baterei mais com tanta for�a.
Eu te amo.
Estou saindo. Boa noite.
Tchau.
- O que est� fazendo? - Vou comer uma ma��, posso?
- Est� me vendo? - N�o.
- Legal, n�o �? - O que � isso?
- Deixa eu ver... - O qu�?
Matteo...
E a Elena?
Est� dormindo.
V� acord�-la, vamos para a praia.
N�o. Ela precisa voltar para casa.
V� cham�-la, aposto que ela ir� junto.
Anda logo. Vai.
- A zona batipel�gica. - Voc� ensina a mesma mat�ria?
Ensino Matem�tica, mas ele contou isso mil vezes.
Abaixo dos 4 mil metros, temos a zona abissopel�gica,
lugar muito escuro e habitado por personagens perturbadores
como o engolidor-negro e a lula-gigante...
A lula-gigante!
Ou o peixe-trip�.
Ele tem um trip�, se apoia no fundo do mar,
abre a boca e come.
E n�o acaba aqui.
Abaixo dos 7 mil metros, tem a zona hadopel�gica.
- Vem do latim. - O que significa?
Que n�o tem porra nenhuma! Sem luz, sem cores,
os organismos s�o cegos e sequer enxergam onde est�o.
� praticamente o al�m-t�mulo.
Precisa escolher muito bem as pessoas com quem mergulha.
Os habilidosos emergem e te deixam l� embaixo.
Ent�o n�o tem muito o que fazer, a �nica coisa � emergir devagar.
Voc� vem comigo?
Assim que sarar, voltarei a mergulhar.
Quem quer sobremesa?
- N�o, obrigada. - N�o, vou dar um mergulho.
- N�o seja idiota. - Voc� � doido?
- A �gua est� gelada. - Imagina, est� �tima!
- Estamos no inverno. - Estou indo.
- Por favor, Ettore... - Est� frio!
Nossa Senhora!
Preciso pegar o trem das 16h, sen�o vou me atrasar.
Sim, daqui a pouco iremos embora.
Espere um pouco!
Hermes...
Seria melhor se ela n�o tivesse vindo.
Por qu�? Nos divertimos, ela estava feliz?
Imagina...
Ela n�o estava feliz, ficou com pena de mim.
- Ela n�o devia me ver assim. - Assim como? Voc� s� emagreceu.
E est� melhor assim, ali�s.
Ela sequer olhou para mim.
S� enxergou algu�m com o p� na cova.
Voc� foi ler coisas na internet?
� um monte de mentira, n�o se deixe impressionar.
Est� tudo sob controle, voc� far� a radioterapia...
Chega, Matteo!
Vai insistir que est� tudo sob controle?
Ainda n�o cansou disso?
Voc� fala com os m�dicos, liga para a Elena...
Voc� decide tudo.
E nem posso dizer que estou com medo.
N�o posso dizer isso porque voc� j� decidiu.
Por que ligou para ela?
Achei que voc� fosse gostar.
Como diabos ousou fazer isso?
Voc� queria construir a cena da grande despedida?
Na praia, algo bem rom�ntico...
Para contar aos seus amigos
enquanto bebem champanhe no terra�o
e eles se comoverem um pouco.
"Voc�s precisavam ver quando se beijavam..."
- Era isso que voc� queria? - Que diabos est� dizendo?
Eu odeio os seus amigos! Odeio todos eles.
Voc� odeia os meus amigos? � a mim que voc� odeia, admita.
- Diga, se tiver coragem. - Sim, eu te odeio.
J� voc� � o melhor, voc� � perfeito!
Claro! Nunca fez porra nenhuma porque � um covarde.
Voc� sempre se sentiu especial s� porque � viado.
S� porque � diferente.
Tente ser normal para ver quanto � dif�cil.
Normal como voc�? Voc� nem ama o seu filho.
Tire as m�os de mim!
Nunca mais repita isso.
Voc� enlouqueceu?
Pare com isso.
Est� me machucando.
Quando voc� vai morrer?
O que houve com voc�?
Oi, Arturo. Pode falar.
Nenhuma mudan�a, por qu�?
Ligar para Ettore.
Informa��o gratuita...
Ligar para casa.
Ligar para Arturo.
- Al�? - Arturo.
- Estou aqui. - E a�?
Como j� te disse, cheguei �s 8h30, como sempre.
Ele n�o estava em frente ao port�o,
liguei v�rias vezes, mas o celular est� desligado,
tamb�m interfonei, mas ningu�m atendeu.
- Lola ainda n�o chegou? - Acho que n�o. Ela n�o atendeu.
- Por isso liguei para voc�... - N�o suba, espere por mim.
J� estou chegando.
Matteo...
Onde diabos voc� est�? Estou te ligando h� uma hora!
Para que gritar? N�o grite. N�o posso mais dar uma volta?
N�o! Precisa ir para o hospital! Precisa fazer o tratamento.
N�o irei mais ao hospital. J� est� bom assim.
N�o, n�o est� bom assim!
Lamento por ontem, eu errei e disse coisas horr�veis.
Desculpa, mas por favor, vamos ao hospital.
Onde voc� est�? Vou te buscar.
Estou exausto, acabado.
Eu tamb�m lamento por ontem, tamb�m disse coisas horr�veis.
Eu sei que estou morrendo e n�o irei mais ao hospital.
N�o � verdade, voc� n�o est� morrendo.
Pare com isso... N�o estou morrendo agora!
- Ettore... - V� para casa.
Me deixe sozinho hoje.
Sinto muito...
Pare de chorar.
Eu sinto muito.
Chega, por favor...
Ettore...
Voc� n�o sabe o que est� passando por cima de mim agora.
� lindo!
- O qu�? - Uma revoada de p�ssaros.
� enorme.
Eles abrem, fecham, parece um organismo que respira.
Vou te deixar ouvir... Ou�a, ou�a.
Est� ouvindo? Est�o indo na dire��o do rio.
- Na dire��o do rio? - Matteo...
Eu nunca tinha visto uma revoada assim.
Eles s�o preto e cinza.
Desenham formas lindas.
O que ser� isso? Uma festa?
Essa � a festa de todas as revoadas.
Que maravilha!
PARA EMILIO
PARA MARIO
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