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- Art Subs - 8 anos fazendo Arte para voc�!
Devo confessar,
al�m de consultar voc�, eu vou a uma vidente.
Gostaria de saber quando minha vida virou uma merda.
Sr. Adelaoui, pare de me incomodar.
Tenho que trabalhar no processo, entendeu? Obrigada.
- Ol�, meninas. - Ol�.
- Eu me demito. - O qu�?
Isso aqui � um chiqueiro.
� fofo quando voc� � arrogante.
Voc� nunca est� em casa.
Em teoria, voc� trabalha porque eu estou ausente, n�o?
Nos vimos duas vezes essa semana.
N�o sou seu escravo, sou a bab�.
N�o se desvalorize, voc� � muito mais que isso para mim.
Isso � uma cantada?
Posso process�-la por ass�dio.
Est� bem.
Eu sou advogada.
Meu trabalho � cuidar das suas filhas
- quando voc� n�o est� - Eliott,
n�o devemos nos limitar aos pap�is que nos s�o dados.
Eu entendo, te dei muita liberdade.
Isso � normal, voc� quer se emancipar.
- O qu�? - Sim, voc� quer mostrar
que tem personalidade,
que � algu�m livre, independente.
Mas eu vejo isso, n�o se engane.
- Eu vejo isso. - Suas filhas s�o infelizes.
Retire o que disse.
- Eu retiro. - Isso.
Proponho o seguinte. Fa�a uma pausa.
- Volte em uma hora. - N�o.
Aumento de 5%.
O qu�? Quer 20%? Quer me arruinar?
Est� tirando a comida da boca delas.
Sem problema.
Tudo bem. V�, desapare�a.
Caia fora, n�o tem problema.
Voc� me salvou, Sophie. Eu te devo uma.
Meninas, Sophie vai cuidar de voc�s.
Se comportem.
Fico contente por ser voc�, elas te adoram.
Eu prefiro a sua autoridade � sua benevol�ncia.
Axel, parab�ns!
Meu camarada, meu...
Camarada n�o ficou nada bom.
- N�o vamos repetir 500 vezes. - Sim.
Apenas fa�a..
Eu entendo, mais entusiasmo.
Certo.
Axel!
Bem, � isso.
O que houve, diga? Casamento e tudo mais, �...
Axel! Voc� �...
um dos quatros pilares da minha exist�ncia.
Mesmo eu n�o vendo a que isso faz refer�ncia.
Mas � que...
Na amizade, nem sempre sabemos... Me desculpe!
Simplifique.
- Sim, mais conciso, mais... - Isso.
Mais vibrante, talvez.
Axel!
Que dia maravilhoso...
Meu camarada!
A vida n�o � um fen�meno local.
� o milagre da vida,
essas condi��es propicias,
que fizeram que a vida se desenvolvesse na Terra.
O Big Bang n�o � algo isolado.
Se pegarmos o sat�lite que verifica a radia��o c�smica,
estamos envolvidos pelo Big Bang.
Estamos cercados, � como estar dentro de um ovo.
Extrapolando essa ideia de que o universo � um ovo,
consideraremos que ele cria a vida.
Junto com Vincent, preparamos uma pequena surpresa.
Preparamos uma coisinha.
Vincent!
Talvez estejamos nas prateleiras de um cientista maluco
que reflete sobre o conceito da vida.
Estamos em um estado de civiliza��o evolu�da,
- que se casa. - Vamos l�, todo mundo!
Vamos, cantem!
N�o, senhor, n�o se preocupe.
E quanto a quest�o da barreira de esp�cies,
entre o homem e o macaco, por exemplo,
� bem artificial, j� que as bases moleculares
s�o as mesmas.
N�o ser�amos fabricados desde o in�cio,
para chegar a organismos t�o divergentes?
Para voc�, Suzanna.
Eu passo os dias com idiotas
que pensam que come�ando a frase com "nos dias de hoje",
eles v�o ser absolvidos.
Tudo bem?
Essa garota � completamente louca,
vamos nos separar. Estou p�ssimo.
Merda, mas...
- Voc� est� sempre mal, n�o? - N�o, n�o.
N�o, agora � diferente.
� tudo que tem a me dizer?
- Sr. Mallet? - Sim.
� um cara que conhe�o.
O que voc� faz aqui? Ol�.
Ol�, sou um primo distante da testemunha.
Certo, te apresento um amigo, esse � um antigo cliente.
- Do que voc� foi acusado? - Drogas.
Tr�fico de drogas.
Por sinal, gostaria de agradecer por me tirar do ramo.
Voc� nunca teve cara de traficante.
- Muito gentil. - � a verdade.
Ou�a, ele est� um pouco...
N�o est� muito bem.
Bom, voc� parece super bem-sucedida.
Muito trabalho, voc� sabe.
Falando nisso...
- Estou procurando trabalho. - Certo.
Eu n�o tenho mais nenhuma rela��o com esse mundo,
ent�o se voc� ouvir falar de algum est�gio
em qualquer lugar, ou alguma coisa...
- Isso me ajudaria. - Tudo bem.
Eu n�o estou procurando um estagi�rio.
J� estou com dificuldades
para pagar a mim mesma ent�o...
Mas se eu ouvir algo...
Posso trabalhar de gra�a para voc�.
Bem... Sim...
Isso me soa estranho, mas...
- Voc� nunca cursou Direito? - N�o.
Mas eu tenho a motiva��o, j� �...
Sim, tudo bem.
- Me preocupo com meu futuro. - Eu tamb�m.
� mesmo? Como assim?
Quero dizer, pelo meu.
- Certo. - Sim, sim.
Vai ficar tudo bem.
VICTORIA
- Art Subs - 8 anos fazendo Arte para voc�!
Ela disse que voc� pegou uma faca e a esfaqueou.
N�o, ela fez isso tudo sozinha!
Ela � maluca.
Eu nunca levantaria a m�o contra ela.
Algu�m viu voc�s sa�rem?
Eu n�o sei.
Com certeza.
Mas quando voc� quer transar com sua garota
voc� vai para um local isolado.
Voc� n�o fica no meio de todo mundo.
- Tentou Jamal? - Ele � p�ssimo.
N�o. Ele � um advogado brilhante.
N�o, Victoria.
Eu juro, estou disposto a tudo para que voc� me defenda.
- Estou vendo, mas... - N�o estou brincando, � s�rio.
Como posso provar que ela fez isso sozinha?
� uma doida, ela quer minha pele,
quer me destruir, se livrar de mim.
Talvez voc� n�o se lembre
de ter puxado uma faca
- para amea��-la... - N�o, eu n�o fiz isso.
N�o sou violento, n�o quero mat�-la, sou inocente.
Ela � obcecada por facas. Ela sonha com facas.
Ela tem v�rias facas, ela me amea�a com elas.
Por que ela te acusaria?
Porque me odeia, quer me fazer pagar.
Porra, voc� me conhece!
Sabe que sou incapaz de fazer algo assim.
N�o posso ser sua advogada.
Estamos conversando h� 5 minutos
e voc� j� est� falando de nossa amizade.
Deontologicamente, isso n�o funciona.
E eu estava no casamento, posso ser chamada como testemunha.
Fique com Jamal, � o melhor.
- Ele n�o acredita em mim. - Sim, mas...
Se aceit�ssemos que os clientes dizem a verdade
estar�amos desempregados.
Mas voc� acredita em mim.
A quest�o n�o � essa.
N�o posso defend�-lo porque somos amigos.
Eu n�o conseguiria separar as coisas
para fazer um bom trabalho.
- Voc� ganhou v�rios processos. - E tamb�m perdi v�rios.
E nos que ganhei, eu n�o tinha nenhuma liga��o com os clientes.
Aqui � diferente.
Geralmente, n�o dou a m�nima se s�o culpados ou n�o.
N�o prefere defender um inocente?
N�o, eu at� prefiro defender um culpado.
Se voc� � inocente, o que espero, voc� � meu amigo,
eu teria medo, n�o poderia errar...
N�o estou nem a� para isso, isso � apenas teoria.
Eu estou na merda e preciso de ajuda.
Este � o seu trabalho, irei te pagar.
� imposs�vel.
Voc� deveria se abrir para o mundo.
Eu j� me sinto bastante aberta, at� mesmo escancarada.
Estou falando de um mundo sexual.
N�o � por falta de tentativa, mas...
N�o me sinto muito interessada em sexo, no momento.
N�o quero ouvir sua hist�ria.
E pare com as drogas.
Eu n�o me drogo.
N�o quero que nada aconte�a com voc�.
Eu prefiro n�o falar sobre sa�de.
Eu prefiro falar de amor, de dinheiro...
Eu j� disse tudo.
N�o necessariamente o que veio procurar.
Eu tamb�m vejo que h� algu�m te espionando.
Mas eu n�o cheguei a ver
quem ou como.
Algu�m est� observando voc�.
- Ol�. - O que est� fazendo aqui?
Eu vendo drogas na sa�da da escola.
Brincadeira. Eu trouxe sua bolsa.
Obrigada. Meninas!
Queria falar algo com voc�.
Venha comigo. Leve isso, por favor. Obrigada.
Espere. Vamos, venha.
Desde minha separa��o, morava com um amigo...
Mas como parei de traficar, n�o posso mais
pagar o apartamento. Al�m disso, voltei a estudar confeitaria.
- Mas meu sonho � ser advogado. - Certo.
Mas entre drogas, confeitaria e advogar � um pouco...
N�o, na verdade � simples.
Na verdade, eu adoraria come�ar a estudar Direito.
- E te ajudar, se... - Com licen�a. Al�?
Na pr�xima liga��o,
eu largo seu primo e ele ter� que se virar
para achar outro advogado 24 horas antes da audi�ncia.
- O que voc� quer? - Ser seu aprendiz.
Um assistente pessoal.
Eu j� disse, estou procurando uma bab�.
Sim, isso tamb�m est� incluso. Posso ser seu faz-tudo.
- N�o tem onde morar? - N�o, � verdade.
Mas n�o � apenas por isso.
E eu n�o julgo seu modo de vida, pode deixar
suas calcinhas por a�, que cuidarei delas com prazer.
Eu... Quer dizer, n�o nesse sentido.
- Eu me expressei mal. - Sim.
O que quero dizer, � que posso ser
seu homem por tr�s das cortinas.
Resolverei todos seus problemas e depois, se voc� quiser,
me tornarei seu assistente.
O que podemos fazer � tentar por uma semana.
- Tudo bem? - Sim, claro.
Se n�o funcionar, paramos.
- Certo? - Sim.
- Tudo bem. - Sim. �timo.
- Uma semana. - Certo.
Eu posso... Onde posso me instalar?
Bom, aqui. Esta � sua cama.
- S� temos dois quartos. - Certo. Tudo bem.
Por�m, nada de drogas aqui.
- N�o, estou em uma fase limpa. - Certo.
- N�o precisa se preocupar. - Certo, perfeito.
Bom, vou tomar banho e me arrumar.
Vai sair essa noite?
N�o, tenho uma reuni�o com um cara, no meu quarto.
Certo, n�o estou julgando. Fa�o algo para comermos?
Sim. �timo! Pegue o cart�o na minha bolsa para as compras.
- Certo, tudo bem! - �timo!
- Qual sua senha? - 3668.
Meninas, Sam ir� cuidar de voc�s.
� bonito!
� muito bonito!
N�o prefere vir se deitar?
- Tudo bem? - Sim, sim..
Enfim, mais ou menos.
Estou questionando umas coisas em minha vida.
Est� brincando?
N�o.
N�o, quero dizer...
Falo do fato de voc� querer conversar.
Bem, podemos conversar um pouco, n�o?
- Sim. - Porque, na verdade...
Um amigo me pediu ajuda
e se eu ajud�-lo me colocarei em uma situa��o complicada.
Mas tenho que tranquiliz�-lo.
Apresentei-lhe algumas pessoas que respeito profissionalmente
e espero que tudo d� certo.
Mas...
No fundo, me sinto culpada por n�o ajud�-lo.
Fico me questionando...
N�o sei muito bem o que fazer.
- Entende? - Sim.
Isso me incomoda, desistir dele.
Eu entendo.
� complicado, porque � um amigo.
Estamos juntos, � algu�m com quem me importo.
Eu n�o posso entrar na sua cabe�a aqui.
N�o, claro.
- Certo, vou me calar. Recomece. - Certo.
Mas e se o advogado que indiquei o defender mal...
Se ele perder, eu n�o vou superar.
Isso vai me torturar.
Ficaria me perguntando se poderia fazer melhor.
Bom, j� chega.
- N�o tem problema. - N�o.
Vamos, n�o tem problema.
Mas tudo isso pode correr positivamente.
De toda forma, n�o se preocupe, eu n�o julgo.
J� estou indo.
Tudo bem?
Se quiser conversar, eu estou aqui.
Sabe, Sam,
tenho muitos defeitos, mas eles escondem grandes qualidades.
N�o tenho d�vida disso.
Nossa aproxima��o � uma desvantagem,
precisaremos nos esfor�ar.
Mesmo que eu aceite, preciso entender por que
Eve decidiu se esfaquear e acus�-lo.
Preciso entender tudo.
Como andava a vida sexual de voc�s?
Ela quer me ver pagar pelos ex-namorados dela.
- Ela j� teve muitos parceiros? - Sim.
Somos como duas mol�culas que se atraem,
mas uma est� cheia de �tomos gangrenados.
Sem met�foras com a ju�za.
Estou pagando pelos psicopatas que ela encontrou antes de mim.
Ela n�o suporta o meu sexo.
Eu n�o a forcei a morar comigo, eu n�o a prendi.
Fa�o sucesso o suficiente com as mulheres
para n�o querer apunhalar a minha.
Se atenha � minha pergunta, Sr. Kossarski.
Eu nunca resisti a nada,
nem ela.
Ela disse que voc� arrancou a calcinha dela com viol�ncia.
N�o. Poderia at� fazer
durante um sexo mais selvagem,
de maneira l�dica, n�o violenta.
Mas n�o. Mesmo eu querendo, n�o daria.
Ela n�o estava sem calcinha.
Voc�s se deram conta da gravidade dos fatos?
Isso n�o � uma disputa de casal.
- Claro. - Bom.
Durante o ato, viu se algu�m
- estava vendo voc�s? - N�o.
Nenhuma testemunha humana, s� Jacquie, o cachorro dela.
Ele estava l� e isso me incomodou.
- O cachorro da Srta. Scorr? - Sim.
E voc� o encarou durante o ato?
N�o, ele me encarou. E isso me perturbou.
- Vamos prend�-lo? - Sim, vamos prend�-lo.
- Ol�! - Ol�.
O que faz aqui, David?
Eu posso ver minha filhas, n�o?
Tudo bem com voc�?
Fa�o parte de um blog de escritores agora.
Voc� tem um papel central na minha hist�ria.
Voc� me inspirou bastante.
Meninas, parem de brincar, vamos comer.
David, se despe�a das meninas.
Certo, tudo bem.
N�o subestime minha autoridade.
N�o subestime minha indiferen�a.
Estou preocupado, fui p�ssimo com a ju�za.
Pensei que ela retiraria a queixa, mas isso a excita...
Vincent! Acalme-se. Vou te tirar dessa.
N�o fiz nada, acredite em mim. Fale com ela.
Conven�a ela que
isso � extremamente injusto, � irracional.
- N�o posso falar com ela. - Eu te imploro.
- N�o! - Esse processo...
Eu n�o tenho o direito de fazer isso.
- Entende? - Estou de joelhos.
S�rio, acalme-se. Descanse um pouco.
- Descansar? - Tchau.
A ju�za me desaconselhou a aceitar.
Por que tem um celular desse?
Ele � inquebr�vel.
Foi concebido para os militares.
Merda, o cara!
- Ol�. - Ol�.
Sou eu, lntelloBG75.
- Acho que n�o. - Sim, sou eu.
�? Eu n�o o reconheci.
- Ol�. - Ol�.
Bom, por ali.
N�o � exatamente o que pensei em fazer.
- Me desculpe. - N�o, eu que pe�o desculpa.
Ainda n�o estou interessada. Prefiro que nos conhe�amos.
Ent�o por que me trouxe para seu quarto?
� o �nico lugar em que podemos conversar sossegados.
- Posso me sentar na cama? - Sim.
Sim, claro.
E n�o se sinta obrigado a nada. Se sentirmos que n�o h�
uma grande atra��o um pelo outro.
Tanta da sua parte quanto da minha.
Tudo bem.
Acho voc� bastante atraente.
Quer beber algo?
- Teria um whisky? - Sim.
Adoro whisky com a��car.
- Eu tamb�m, adoro. - S�rio?
N�o, � para criar uma liga��o.
N�o sei o que est� acontecendo, � muito dif�cil.
N�o encontro a sa�da de emerg�ncia.
Sim.
Ela n�o est� longe.
Quem?
A sa�da.
Todos a procuramos,
em todo canto, n�o?
Eu queria me afogar no sexo.
Sim.
Voc� vai conseguir.
Talvez voc� precise de f�rias.
Te acompanho at� a porta?
Tenho uma boa e uma m� not�cia.
- A boa. - Veja.
Eu criei uma conta e enviei um convite de amizade.
- Eles aceitaram? - Veja minha foto.
Eles n�o sabem quem eu sou. Voc� tem as informa��es.
Genial.
- E a m� not�cia? - Conhece o blog do seu ex?
- N�o, por qu�? - Ele escreveu sobre voc�.
Eu sei, mas isso n�o me interessa nem um pouco.
D� uma olhada mesmo assim.
Diz que voc� chama-se Vicky Spock,
que defende psicopatas,
e que � inst�vel.
Fala dos casos que voc� defendeu.
Ele far� uma leitura amanh� no Clube de Blogueiros Loucos.
Eles se re�nem todas as quartas pela manh� em um bar.
Em geral, falam de literatura,
ou dos livros e roteiros deles...
Ela n�o estava nem a� para o que aconteceria com o traficante.
O importante, era receber os 3.000 euros
que o cara pagava em notas de 10,
diante da advogada humilhada.
Vicky S. lavava dinheiro de drogas.
Al�m disso, ela dormia
com funcion�rios de alto cargos do judici�rio.
Ela teve uma rela��o com um c�lebre juiz
e contatou a impressa, nutrindo a esperan�a
de que se envolveria em casos importantes.
Ela representava a incompatibilidade
entre uma postura feminista e humanista
e sua fascina��o por dinheiro e poder.
Eu observava como um beija-flor pego na tempestade.
Eu n�o passava de um pe�o, invis�vel,
mas eu registrei tudo, em segredo.
Muito obrigado, David.
Est� formid�vel.
A vida pessoal que se mistura com a vida profissional,
o lado sujo dos casos jur�dicos.
� realmente um material incr�vel
para come�ar a alimentar nosso blog.
- E atrair a interatividade. - De maneira geral,
N�o hesitem em interagir,
� preciso ir fundo na transm�dia.
Esse � o melhor caminho.
Ent�o, n�o hesitem em propor ideias.
Vamos l�, alimentem o workshop com essas ideias.
� preciso inundar a blogosfera e tamb�m as redes sociais,
Facebook, Twitter...
Como voc� p�de escrever esses horrores sobre mim?
Isso � perigoso para mim, para nossas filhas.
� por que eu n�o te dei dinheiro?
Eu reencontrei a confian�a que havia perdido.
Tenho um talento reconhecido, � o meu trabalho.
Lamento voc� n�o ter percebido.
Eu me inspirei em minha vida. Eu sempre quis fazer isso.
Voc� faz parte da minha vida. � autofic��o.
Voc� mal mudou os nomes.
Voc� suja minha reputa��o sem ao menos pensar
nas consequ�ncias.
Revelou coisas que te confessei sobre meus clientes.
Percebe o qu�o grave � isso?
Voc� revelou coisas confidenciais.
- Mas � apenas um blog, merda! - Apenas um blog?
Pare de reter informa��es.
Voc� representa uma realidade com a qual eu vivi.
Agora essa realidade me pertence e eu quero compartilh�-la.
Suzanna, sinto muito, mas n�o posso falar com voc�.
- Apenas 30 segundos. - N�o posso falar com voc�.
Voc� � uma testemunha.
Voc� est� ciente que est� defendendo um monstro?
Esse cretino destruiu meu casamento.
- Eu sinto muito. - Tenho fotos com ele,
isso me enoja.
Dediquei 10 meses para esse dia.
Meus pais fizeram um empr�stimo, custou 20000 euros.
Eu entendo, de verdade.
O investimento, seu trabalho, tudo isso.
Mas n�o tenho nada a ver com isso.
Esse cara � um psicopata.
Ou�a, conversaremos dentro de um ano. Sinto muito.
Em um ano?
O processo � vago,
Vincent pode pegar uma pena pesada,
ele merece uma defesa.
Um cara ser mis�gino, n�o me importo, mas voc�?
N�o, isso n�o tem nada a ver.
Misoginia � pensar que
as mulheres s�o as v�timas por natureza.
N�o sou mis�gina. Sinto muito.
Ol�.
Tudo bem, meninas?
- Tiveram um bom dia? - Sim.
Sabia que a ju�za vai solicitar uma per�cia
- no cachorro de Eve? - �?
- Ai. - Cuidado.
David me mostrou o roteiro dele.
O qu�?
Ele faz terapia de blogueiros neur�ticos �s minhas custas.
Eu vou process�-lo.
� verdade que voc� dormiu com um juiz?
N�o, claro que n�o.
Quando penso que tivemos rela��es sexuais
� como fic��o cientifica.
N�o deixe elas muito tempo no iPad.
Sim, claro.
Meninas, larguem o iPad.
- N�o. - � para o bem de voc�s.
Vamos, me obede�am. Vamos.
Me entreguem o iPad.
Vamos! Voc�s me ouviram. Vamos, me d�.
Vamos, me d� isso.
N�o.
Deixe-me em paz, � meu corpo.
Os especialistas disseram que seu cheiro o estressa.
Esse cachorro � ciumento. Eve se sente protegida por ele.
Ele nunca suportou nossa rela��o.
- Sexual? - N�o, at� um simples contato.
Talvez voc� o tenha feito medo batendo nele ou algo assim.
N�o, e que valor tem isso, cientificamente?
Ele n�o gostar de mim n�o prova nada.
Quem vai levar a s�rio o testemunho de um cachorro?
- Ol�. - Ol�, por ali.
Eu admito o roubo, sei que � muito dinheiro, mas...
n�o a agress�o. Isso n�o � verdade.
Eu n�o fiz nada. O seguran�a perdeu a cabe�a.
Ele queria me humilhar na frente dos clientes da loja.
Ele me agarrou,
me deu uma chave de bra�o, a arma disparou...
David vem de uma fam�lia burguesa.
Ele n�o d� a m�nima para dinheiro.
Ele tem tempo para bancar o purista.
- Purista? - Sim, isso � um luxo.
Bancar o moralista, � ingenuidade.
Eu fiz besteira, mas n�o tinha escolha.
Ent�o por que ele revelou tudo isso?
Sofre de falta de personalidade. � um frouxo. Eu n�o sei.
Ele � obcecado pela ideia
de que as informa��es devem circular.
Ele adora a ideia de transpar�ncia.
Ele se v� do lado da justi�a. E eu, do mal e corrup��o.
Voc� dormiu com outros magistrados?
Sim, ha alguns anos eu era
um pouco obcecada sexualmente.
Eu amava esse estado quase regressivo,
auto-erotizante.
Isso n�o te incomoda?
N�o.
Me desculpe, eu estou um pouco confusa,
eu mesma estou com problemas, de repente eu...
Se incomoda de conversarmos?
- N�o. - Estou em uma situa��o
desconfort�vel.
Eu revelei informa��es confidenciais
a uma pessoa e ela quer utilizar isso contra mim.
Eu me pergunto
se devo atacar, negociar ou me renda?
N�o permita isso, defenda-se.
Ent�o eu devo atacar?
Evidentemente, � o seu trabalho.
Sim. Sem d�vida alguma eu sei como fazer isso.
Tem certeza que est� tudo bem?
Sim, muito bem, � voc� quem est� sendo acusada.
Perdoe-me.
Eu apenas queria um ponto de vista externo.
Eu amo sexo.
Eu sinto tudo o que voc� sente, elevado a mil.
Como voc� sabe o que eu sinto?
Eu apenas sei.
Eu sinto tudo de maneira exponencial.
Desde quando voc� � t�o sens�vel?
Desde sempre.
Eu aprendi a conviver com isso.
Eu me amo mais do que a maioria das pessoas se amam.
Trabalho nisso diariamente.
Eu me amo por dar mais prazer ao outro.
Eu respeito o meu corpo.
Eu n�o finjo, eu n�o trapaceio.
Eu curto aqueles que passam algumas horas comigo.
Sexo n�o � uma prioridade para mim nesse momento.
Me pergunto por que se atirar dentro
de tal prazer, sem fazer perguntas.
Sexo, sexo, sexo. Estou enojada.
� como voltar ao...
estado de prazer infantil.
- Entende? - Pare de me perguntar isso.
- Ou vai continuar do div�. - Certo. Me desculpe.
De repente...
tive uma crise de p�nico.
Tudo o que vivi durante a semana ressurgiu.
E o corpo dele me pareceu enorme.
T�o grande que tinha que me livrar dele.
Como se tivesse cometido um crime e...
tivesse que me desfazer dele imediatamente.
Eu fingir ter de fazer algo e sa�.
Ele ficou no quarto.
E da�, entrei em p�nico.
Sam.
O que houve?
O que aconteceu?
O que houve?
O que aconteceu?
Acalme-se, vai ficar tudo bem, respire calmamente. Respire.
Certo?
Vou te fazer algumas perguntas. Onde voc� est�?
Onde voc� est�? Est� me ouvindo?
Voc� j� teve esse tipo de crise?
Ele te violentou?
Alguma posi��o perigosa?
Est� bem, eu conhe�o isso, pense em algo feliz.
Pense em an�es, em coelhinhos, no mar.
- Lexo... - Vai ficar tudo bem.
- Cale-se. - Quer um Lexomil?
- Sim. - Onde est�o?
Na estante de livros.
Na estante de livros? Certo.
Peguei.
Tudo bem.
Aqui. Tome.
Aqui, deite-se para fazer o sangue circular.
Respire calmamente.
Isso, respire.
Respire.
- Certo. Voc� se sente melhor? - Sim.
- Obrigada. - Isso.
Voc� era enfermeiro?
N�o, mas eu ajudava os caras que passavam mal
depois de usar crack.
- Preciso de um ponto de fuga. - Olhe para o c�u.
Tudo bem?
- Preciso de espa�o. - Voc� tem espa�o.
Vai ficar tudo bem.
Eu preciso enxergar � minha frente.
- Est� tudo bem. - Estou incomodando?
N�o, tudo bem, ela est� melhor.
- Sinto muito. - Bom...
Eu vou indo.
N�o acho que rola a 3.
N�o � o que est� pensando. Eu cuido das crian�as.
Das crian�as?
Bom, foi divertido.
- Vou indo. - N�o, fique.
- Tchau. - Tchau.
Tchau, cara.
Ele � idiota ou o qu�?
N�o tem problema.
- Respire. - Certo.
Eu vou me deitar.
Pode vir comigo, por favor?
- Dois segundos. - Certo.
- No meu quarto. - Certo, tudo bem.
Venha.
Vamos l�, com calma.
CONSELHO DA ORDEM DOS ADVOGADOS
CONVOCA��O POR ENTRAR EM CONTATO COM UMA TESTEMUNHA
Em 12 anos de carreira,
Victoria Spick nunca teve um deslize.
Ela � acusada
por ter respondido a essa mulher que a perseguia.
Sim, perseguiu, at� seu domic�lio,
onde a assediou.
Nossa colega n�o encontrou a testemunha voluntariamente.
Ela ainda explicou que n�o podia falar do processo.
Ela deve ser punida
por dirigir a palavra a essa mulher,
para dizer-lhe que n�o poderia falar com ela?
Eu acredito que n�o, Vossa Excel�ncia.
Proibi-la de exercer teria consequ�ncias
desastrosas para nossa colega.
Lembro que ela tem duas filhas para sustentar
e que as cria sozinha.
O pai das crian�as...
Artista exc�ntrico, n�o paga pens�o h� mais de 7 meses.
Meus caros colegas,
n�o lhe apliquem uma suspens�o
que dificultar� ainda mais a situa��o dela, j� prec�ria.
Por favor.
Decidimos conden�-la a uma pena de 6 meses de suspens�o.
Nesse per�odo voc� n�o poder� exercer seu trabalho.
Voc� sabia que �
estritamente proibido falar do caso com as testemunhas.
Voc� aceitou defender um conhecido,
deveria ter tido mais cuidado.
� duro o que lhe aconteceu.
Mas eu nunca tive familiaridade com clientes ou testemunhas.
� preciso ser super paranoico. Eu nem saio com meus clientes.
S� quando estou no tribunal do interior.
Mas n�o jantaria com um cliente, nem tomaria vinho.
Ningu�m tem meu n�mero. Eles passar�o pelo escrit�rio
pela secret�ria, existe um filtro.
Se voc� n�o lhes d� poder, n�o h� problema.
Se entendem que voc� pode parar de defend�-los quando quiser
eles te respeitam. � preciso controlar a situa��o.
Tudo bem?
Voc� parece completamente chapada.
Efeitos colaterais?
N�o, efeito procurado.
Voc� n�o quer parar de tomar esses medicamentos?
Preciso voltar l�.
Eu estou aqui, vou te ajudar.
Sam, voc� � realmente incr�vel, obrigada por tudo o que fez.
Mas n�o tenho mais condi��es
de te manter depois do que me aconteceu.
N�o, eu...
Eu prefiro que v� embora.
Aproveite para se restabelecer.
Eu ainda posso te ajudar com o caso.
N�o, n�o pode mais me ajudar.
Jamal assumiu o caso.
Eu n�o tenho mais o controle de nada.
Mas � gentil da sua parte.
- Voc� � muito gentil. - Eu n�o sou gentil
Victoria, � Vincent.
N�o sei se voc� falou com Jamal,
de toda forma, as coisas est�o melhores entre Eve e eu.
Ela vai retirar a queixa.
Muito obrigado por tudo o que fez. Abra�o.
Victoria, � Jamal. Convenci Eve a n�o retirar a queixa,
expliquei a ela os ricos que corria fazendo isso.
Vamos pegar leve para que isso n�o d� em nada.
Tirando isso, eles voltaram.
Abra�o, at� mais.
Seu trabalho � uma merda.
Voc� poderia ter feito direito comercial,
direito social, direito p�blico,
- direito imobili�rio... - Sim, eu conhe�o as op��es.
Poderia ter sido muito mais bem-sucedida.
O sucesso � algo relativo.
Em 10 anos, voc� nunca cometeu um deslize
e a� voc� � enganada por uma testemunha.
� a coisa mais idiota que voc� j� fez.
Eu n�o sabia que iria acabar mal.
Me desculpe, n�o podemos falar disso mais tarde?
Est� vendo? Voc� � passiva agressiva.
Seus atos falam por si.
Voc� se acha legal, mas � fachada.
Se voc� assumisse mais seu lado agressivo,
viveria melhor.
Voc� n�o � v�tima das consequ�ncias,
voc� as domina.
N�o me sinto v�tima das consequ�ncias.
Me sinto flex�vel. Eu me restabele�o depois do impacto.
Me desculpe, mas prefiro ser uma aliada a uma amiga sua.
Gosto muito de voc�, Victoria, sinceramente.
O que est� vendo?
- Nada de mais. - Como assim?
Todo dia a mesma coisa, voltamos para
a hist�ria de drogas com voc�.
Como assim, hist�ria de drogas comigo?
Por que voc� sempre v� isso?
- Sempre h� drogas... - Eu n�o uso drogas.
Deve ter alguma interfer�ncia.
N�o, n�o.
Talvez voc� tenha me visto com um ex-traficante em casa.
Mas n�o � o que est� pensando, eu o demiti.
Eu vejo...
uma ruptura profissional.
Por que eu te pago
para me dizer o que j� sei?
Fale-me do futuro, n�o do passado.
Normalmente, me impressiono com suas vis�es, mas agora...
Eu n�o sou psic�loga! Eu digo o que vejo
Vejo drogas, mal-estar.
Ent�o n�o tem nada de bom nessas cartas?
Nadinha, nem uma melhoradinha?
- Sempre o mesmo. - Sempre o mesmo?
Suas agulhas fazem bastante efeito.
N�o s�o apenas as agulhas.
Voc� est� falando besteira.
Falou de fantasias com seu terapeuta?
N�o.
O sexo, como anda?
Estou predominantemente focada no meu trabalho.
O prazer
n�o tem nada a ver com o gozo.
Estamos de acordo?
Eu n�o percebi a diferen�a... enfim, eu n�o entendi.
O prazer que voc� alcan�a em seu trabalho,
n�o tem nada a ver com gozo.
Concorda?
- Muito bem. - Provavelmente.
�timo.
Come�amos a expulsar o vazio.
E como est�o as coisas com seu amigo, Vincent?
Eles voltaram, eu n�o entendo.
Ele tendo feito ou n�o,
� masoquismo.
Diria que eu apostei tudo no cavalo errado.
Ou que os ovos estavam todos na mesma cesta
e eu estou longe da cesta.
Eu te amo.
6 MESES DEPOIS...
Ol� Victoria, � David.
Tenho que te contar uma �tima not�cia.
Acabei de ganhar o pr�mio Tumblr de Talento de 2016
por Vicky Spock. Tive propostas importantes,
isso � loucura, est� vindo de todos os lados.
Se quiser seguir com o processo, fique � vontade.
Mas, no momento, eu me sinto bastante forte.
� isso. Espero que esteja bem com as meninas. Beijos, tchau.
Voc� est� na caixa de mensagens de Samuel Mallet.
Sam, � Victoria.
As coisas n�o v�o nada bem...
Eu preciso te ver.
Me desculpe.
Fico feliz em te ver.
Eu tamb�m.
Mudou algo?
N�o.
N�o, o qu�?
Eu n�o sei.
Voc� parece bem, est� bonito.
- �? Obrigado, muito gentil. - Sim.
O que voc� fez durante esse tempo?
Eu engoli os livros de Direito e tive algumas aulas.
Est� brincando?
N�o, de forma alguma.
Voc� disse para eu me restabelecer, foi o que eu fiz.
E voc�?
Eu...
Cada hora pesa uma tonelada.
Tenho a impress�o que voc� atingiu o fundo do po�o.
Sim.
Na verdade, constatei que era um buraco sem fundo.
As meninas sentem sua falta.
Tamb�m sinto falta delas.
Pode voltar a ficar aqui, por um tempo,
enquanto saio do buraco?
Tudo bem, mas vai me deixar ajud�-la no trabalho.
Quando acaba sua suspens�o?
Acabou h� 10 dias.
Eu preciso trabalhar. N�o posso viver assim.
Preciso me reconectar com a humanidade.
Voc� � linda.
Victoria, � Vincent. Preciso que me ligue.
Uma ex, Leslie Chevalier, me acusou de ass�dio.
N�o sei como ela soube do processo.
mas ela virou Eve contra mim, ela foi embora.
Eu sei que voc� me culpa, mas me ligue.
Victoria, � Jamal.
precisa falar com Vincent, ele perdeu a cabe�a,
veio de roup�o ao escrit�rio, est� descontrolado.
Preciso conhecer todo o processo,
por que voc� mandou essas mensagens?
Leslie me trata como um psicopata, sem motivo.
Era muito violento, ent�o eu esclareci as coisas.
Esclareceu? Existe uma diferen�a entre esclarecer e assediar.
Por que n�o me disse nada?
Voc� precisa se ajudar um pouco...
N�o venha me dar li��es de moral.
Preciso que me defendam, n�o que me julguem.
Estou saindo de um inferno de 6 meses.
Eu sou a v�tima.
sou eu que serei julgado dentro de 15 dias,
e a pessoa que me acusou,
me amava e vivia comigo 10 dias atr�s.
Vamos nos acalmar.
O �nico que pode te ajudar � voc� mesmo.
Se voc� se fizer mal, os outros tamb�m far�o.
Vincent deve declarar-se
como...
perdedor.
Obrigado, Sam. Foi bastante esclarecedor.
Eu n�o julgo sua rela��o com as mulheres,
mas preciso compreender as coisas.
Voc� me assediou para que o defendesse.
Pare de falar de ass�dio, estou ficando louco.
- Por que voc� voltou com Eve? - � complicado.
Estupidez, sem d�vida. O sexo, evidentemente.
Eu achei que daria certo, mas ela quer ser Deus.
Jamal tem raz�o, voc�s dois s�o loucos.
Eu n�o consigo entender.
N�o me julgue, por favor.
Vincent,
Victoria definiu limites no trabalho.
Ele tem que aprender a separar o trabalho das emo��es.
Prometa-me que vai pegar o caso.
Sabe que o isso significa?
� em 15 dias.
Parece que est� montando um quebra-cabe�a.
Deixe comigo.
N�o subestime meu empenho.
N�o estou o subestimando, estou apenas me questionando.
Ou�a, Sam.
Eu estive pensando...
Quando penso no que fizemos na outra noite...
Foi muito bom. Sem d�vida.
Mas acho que n�o � bom para n�s...
misturar tudo em nossas vidas,
trabalho e tudo mais.
� coisa demais.
Venha ver. Aquele reincidente,
Nicolas Santos, quebrou todo seu escrit�rio.
Destruiu tudo, um horror.
Veja, ele jogou seus arquivos pelos ares.
Pegou a mesa e a jogou assim.
Ele quebrou as cadeiras.
Totalmente destru�da, n�o tem conserto.
Veja, est� tudo destru�do. S� consegui salvar esse lado.
Ele estava fora de si!
O que ele queria?
Ele estava zangado por voc� n�o estar aqui,
"Porra, vou acabar com aquela vadia,
ela exp�s minha vida na lnternet".
Pronto, mais um puto com o blog.
Eu liguei para pol�cia, eles v�o colocar algu�m
para fazer sua seguran�a como preven��o.
Acha que � necess�rio? Ele n�o � perigoso.
Seja educado, mas n�o um puxa-saco...
isso pode ser irritante. Fa�a o rapaz gentil e alegre.
Como voc� n�o tem mulher, nem filhos,
precisamos focar no trabalho. Voc� est� desempregado,
mas � procura de emprego.
- Certo. - Eles precisam sentir
que voc� leva uma vida s� e equilibrada.
Com responsabilidades profissionais.
Estou inseguro.
Saiba que eu sempre come�o pela sujeira.
- Como assim? - Alguns preferem evitar,
mas eu me atiro nela. Eu a enfrento.
E no seu caso, � Leslie Chevalier.
Tudo bem. Como devo me vestir?
Nada muito chique. Veriam como estrat�gia.
- Tudo bem? - Sim, tudo bem.
N�o, estou com muito medo.
Sua for�a est� na sua beleza.
- Isso � uma piada? - N�o.
Por duas raz�es:
N�o acreditamos que caras bonitos sejam assassinos
e pessoas bonitas ganham mais do que as feias.
E eles s�o mais indulgentes com caras inteligentes.
Eles se identificam.
N�o hesite em usar palavras como...
"visivelmente", "ostensivamente".
"Manifestamente", "incontestavelmente".
Sim, "inquestionavelmente ".
Vai me seguir por toda parte?
Sim, por toda parte.
Enfim, at� o trabalho acabar.
Mas sei manter uma certa dist�ncia
para garantir sua prote��o.
Certo.
"Voc� me enganou, vou te destruir ideologicamente.
Voc� vai apodrecer sozinha.
Voc� � um peda�o de merda no universo.
Sua covardia deixou sobre mim uma marca indel�vel.
Eu sempre te culparei por isso."
Ou ainda: "Me ligue, eu te amo, voc� n�o v� como eu sofro,
isso n�o � humano."
Ou ainda,
"Seu monte de merda, voc� vai engolir sua arrog�ncia.
Sociopata de merda, a realidade vai explodir na sua cara.
Sonhei que batia sua cabe�a contra um muro."
Ou ainda: "Sonho em te esfolar viva.
peda�o por peda�o, lentamente, com um canivete su��o.
Hoje fiquei feliz pensando em voc�.
Voc� est� morta, eu choro por voc�.
Enfim a paz, eu posso te amar
e ainda assim cagar na sua tumba."
N�o tenho tempo para continuar lendo
essa compila��o de poesias.
Srta. Chevalier, explique-nos o contexto desses e-mails.
Sim. Eu morei durante 6 meses com Vincent, em 2008.
Ele era perfeito,
at� eu decidir terminar com ele.
Ele ficou violento, n�o aceitava minha decis�o,
fugi dele durante meses, estava com medo dele.
- Srta. Spick? - Sim.
Voc� fala de viol�ncia.
Voc� foi agredida fisicamente?
Ele tentou.
Mas eu consegui escapar.
- Ele lhe agrediu sexualmente? - N�o.
Por que demorou tanto para se manifestar?
Eu me reconheci em Eve.
E isso n�o pode acontecer de novo.
Voc� j� foi v�tima de algum tipo de viol�ncia
da parte de outros companheiros?
Voc� j� n�o prestou queixa contra cinco deles
por causas similares?
- Sim. - E voc� j� n�o voltou atr�s
em tr�s de seus testemunhos?
Isso n�o tem nada a ver, Vincent � violento.
- Eu assumo meu testemunho. - Voc� assume? Muito bem.
Sem mais perguntas.
Eu respeito infinitamente a Srta. Spick,
mas amo a ideia de transpar�ncia.
Estou do lado da moral e da justi�a,
foi por isso que n�o solicitei um advogado.
Isso teria criado um filtro entre minha defesa e eu.
Obrigado, Sr. Gonzalez.
- Sr. Mazetti. - Srta. Scorr,
a senhorita disse que ele arrancou
sua calcinha com viol�ncia.
Sim, com bastante viol�ncia.
Ele veio para cima de mim.
Eu estava assustada, n�o podia transar assim.
- Que fim levou essa calcinha? - Eu n�o sei.
Talvez ele tenha ficado com ela.
Eu nunca vi essa calcinha. Ela n�o usava.
Sil�ncio, por favor.
N�o posso fazer nada se Victoria
n�o respeitou a cl�usula de confidencialidade.
Quanto ao blog, trata-se de autofic��o.
Eu misturei elementos da minha vida pessoal
com elementos de fantasia.
O problema, Sr. Gonzalez,
� que sua protagonista tem o mesmo nome da minha cliente.
Ela � advogada, como minha cliente.
Voc� fala sobre clientes que ela defendeu
e, para piorar,
voc� fala de uma rela��o com um magistrado.
Isso constitui um preju�zo para minha cliente,
porque voc� nos disse, Sr. Gonzalez,
que misturou verdades e mentiras,
e coisa e tal, mas o leitor
n�o tem a capacidade de separar o que � verdade ou n�o.
No que tal leitor acreditar�?
Ela acreditar� no pior, no mais picante.
Ent�o minha cliente tem rela��es sexuais com ju�zes.
Ent�o voc� sujou a reputa��o, o trabalho
e a credibilidade dela.
Voc� sujou toda a profiss�o
com suas afirma��es infames, e isso � intoler�vel.
Vossa Excel�ncia, se me permite, eu discordo do que ela disse.
Eu tenho confian�a na intelig�ncia dos leitores.
Como estamos falando em literatura,
cito Flaubert, que disse: "Eu sou Madame Bovary".
Bem, eu disse: "Eu sou Vicky Spock".
Infelizmente, voc� � o Sr. Gonzalez
e n�o tem imagina��o nenhuma.
Essa � a sua opini�o.
Se refere a mim como uma puta,
ainda que sexualmente, n�o aconte�a nada.
Voc� sabe por que esse cliente destruiu seu escrit�rio?
Ele pensa que dormi com o juiz que o condenou,
no entanto foi com outro.
Ele se sente duplamente tra�do.
Voc� dormiria com o juiz para ajudar seu cliente?
N�o, eu estava mal, mas n�o a esse ponto.
Mas n�o teve problema
em dormir com um juiz por prazer.
Sim, mas � diferente.
Dormi com ele por desejo, n�o por estrat�gia.
De certo modo, acho que voc� deveria estar lisonjeada.
Lisonjeada?
Ele escreveu sobre a sua vida.
Quer dizer que, em algum lugar, existe interesse, admira��o.
N�o escrevemos sobre algo que n�o nos interessa.
� quase uma declara��o de amor.
Voc� est� brincando?
Apesar de tudo, � preciso
ficar fascinado por algu�m que escreve isso.
Ou por lhe atacar ou roubar.
No geral, as pessoas escrevem textos terr�veis.
Ele transformou seu fracasso em algo sublime.
� bonito como voc� acredita na humanidade.
- Eve, acaricie o cachorro. - Srta. Scorr, aqui � a BFM TV.
- O que voc�... - Sem coment�rios.
Por favor, Srta. Scorr.
Quando o animal reencontrou a pessoa
que atacou a dona dele,
ele recuou, demonstrou medo. Se trata de linguagem corporal,
um conjunto de sinais bastante leg�veis. Como o olhar.
Enfim, a posi��o dos olhos,
das orelhas, do corpo...
A cauda, parte muito importante!
O estudo mostra claramente que um cachorro estressado
ou assustado abanar� a cauda para a esquerda,
enquanto um cachorro feliz abanar� a cauda para a direita.
Pode nos explicar o que descobriu
com os testes realizados no cachorro?
Sim. Pode iniciar o v�deo?
Isso. No primeiro teste,
quando apresentei ao cachorro, Jacques,
uma camisa qualquer, ele abana a cauda para a direita.
J� no segundo teste,
quando apresentei uma camisa do acusado,
ele age diferente,
parece inquieto e abana a cauda para a esquerda.
Com licen�a. Se trata de um estudo estat�stico.
- � de car�ter aproximativo. - Sr. Mazetti.
- Sem coment�rios. - Srta. Spick.
H� quanto tempo voc� exerce
a profiss�o de perito para a justi�a?
- Onze anos. - Muito bem.
Durante esses 11 anos, j� pegou algum caso
de cachorro possessivo?
Voc� pode confirmar que certos animais dom�sticos
podem se mostrar descontentes
quando a dona tem rela��es ternas ou sexuais?
Sim, efetivamente, eu j� vi isso.
Ent�o o cachorro pode reagir negativamente
a presen�a do acusado,
n�o por ele ter sido agressivo com a v�tima,
mas simplesmente por ele ter uma rela��o com ela?
- N�o � assim t�o simples. - Responda "sim" ou "n�o".
- Ent�o sim. - Muito bem.
Sem mais perguntas.
Bem, tragam o cachorro.
Dado o car�ter excepcional desse depoimento
pe�o para que n�o riam ou fa�am movimentos bruscos.
Sr. Verban interpretar� o que o cachorro quer dizer.
Srta. Scorr,
se aproxime do cachorro
e fique parada na frente dele alguns instantes.
Certo. Sr. Kossarski,
aproxime-se tamb�m
e toque a Srta. Scorr, no bra�o, por exemplo.
Advogada, tem algo a acrescentar?
- Posso me aproximar? - Sim.
Obrigada.
Por favor.
Sr. Verban.
Bem, o animal parece
muito perturbado.
"Ela nasceu no cora��o
de um seita budista, rendendo uma misantropia aos 13 anos.
Persiste o mist�rio de como
essa comunidade que defende a serenidade
p�de criar um esp�rito t�o torturado, hist�rico,
ap�stolo de seu pr�prio liberalismo.
Isso deixou marcas em suas rela��es com os homens.
Ela tem uma sexualidade particularmente cerebral,
a simples vis�o de uma bela alega��o
ou de uma toga de advogado podia lhe fazer gozar...
imediatamente.
Eu me sentia in�til,
ela se tornou um monstro, um ser desprovido de emo��es.
Sua exist�ncia se resumia ao seu desejo por controle.
Diante dessa mulher f�lica,
eu era invis�vel, mas eu registrei tudo."
Sr. Gonzalez...
No que exatamente est� tentando nos fazer acreditar?
Que se trata de um romance de pura imagina��o? � isso?
Se eu dissesse o inverso, me acusariam por cal�nia.
Ent�o eu digo que � tudo fic��o.
Tudo bem, n�o passa de fic��o.
O retrato que voc� faz de sua protagonista
� um retrato acusat�rio.
Sim, mas trata-se da liberdade de escritor.
Quem vai acreditar que voc� n�o
injetou deliberadamente elementos espec�ficos
para que reconhecessem por tr�s da fic��o,
o retrato difamat�rio da Srta. Spick?
Eu tenho uma sexualidade viril?
N�o. Mas n�o � como se tiv�ssemos praticado muito.
Eu sou um monstro frio e calculista?
- Todo mundo � um pouco. - N�o, voc� n�o. Voc�...
n�o tem maldade alguma. Voc� � uma boa pessoa.
N�o, de forma alguma.
Voc� est� enganada, eu n�o sou uma boa pessoa.
Eu n�o tenho nada, talvez seja isso que me torna
simp�tico e inofensivo.
N�o � por isso que gosto de voc�,
n�o � isso o que eu sinto.
N�o � por que eu me sinto superior a voc�.
Eu n�o sei.
Mas mesmo que seja o caso, j� � alguma coisa.
Gosto de voc� por conta...
de suas qualidades humanistas.
Voc� representa uma zona sem riscos para mim.
Isso se tornou uma prioridade.
N�o sei como devo interpretar isso.
Bem.
Mande Daisy e o dono entrarem.
Venham aqui.
Isso est� ficando rid�culo.
Sr. Mazetti, pe�o que se cale.
- Senhor. - Ol�.
Voc� � parente ou amigo de alguma das partes?
- Sou amigo da noiva. - Voc� tem algo a dizer?
- N�o. - Srta. Spick.
Sr. Kleinberg,
voc� tem o h�bito de alugar seu macaco para eventos?
Sim, perfeitamente.
- O que voc� fazia no casamento? - Fomos contratados
para fazer uma pequena apresenta��o.
E o que fez depois da apresenta��o?
Ficamos at� �s 3h da manh�.
E o que fez com Daisy?
Ela estava comigo. Ela est� em forma,
ent�o n�s dan�amos e ela tirou fotos.
- Ela tirou fotos? - Sim.
- Pode nos mostrar? - Sim, claro.
Vamos tirar uma foto?
Pegue. Com o dedo.
Como eu te mostrei.
Assim.
Por favor!
Pegue, assim. V� em frente.
Foto.
O que voc� fez com as fotos daquela noite?
Eu as... n�o, n�o.
- Sil�ncio! - Fique aqui.
- Importei para o computador. - Certo. Obrigada.
- Bem, continue, advogada. - Sim.
Olhem essas fotos tiradas durante o casamento.
Parecem pessoas dan�ando com as sobremesas
que foram servidas uma hora antes do ocorrido.
� esquerda, reconhece-se em seu vestido,
Eve Scorr, dan�ando de costas. Ampliando a foto,
gra�as ao flash vemos um detalhe revelador.
Vemos que a Srta. Scorr n�o est� de calcinha.
Bem, a Srta. Scorr disse
haviam arrancado sua calcinha.
Restam ent�o 3 possibilidades:
ou meu cliente rasgou a calcinha dela
uma hora antes do ocorrido
ou a Srta. Scorr
decidiu colocar uma calcinha entre as 1h e 2h da manh�
por alguma raz�o dif�cil de imaginar.
E isso n�o consta no testemunho dela.
Ou talvez, mais simplesmente, ela esteja mentindo.
Srta. Spick.
Uma foto, por favor.
Uma foto com o macaco.
Ol�.
Merda, o que houve com o computador?
Eu o destru�.
Algum problema?
Sim, na verdade...
Espere, vou atender e volto para te ouvir.
- O que faz aqui? - Tive algumas ideias
para melhorar meu personagem.
Do que voc� est� falando?
Eu me sinto completamente in�til.
Voc� n�o tem que fazer nada, � o meu trabalho.
Voc� n�o precisa mudar de atitude
na frente dos jurados.
- O que est� fazendo aqui? - Tem um guarda-costas, agora?
- O que diabos � isso? - Sinto muito,
encontrei com ele na rua.
Tudo bem, sem problema.
O que foi?
- Vincent! - Uma crise de p�nico.
Ei, vai correr tudo bem.
Estatisticamente, est� provado, que se voc�
sobreviver a um acidente, as chances de ter outro
- s�o quase nulas. - Mam�e.
J� vou! Vai ficar tudo bem, descanse.
Sam, vou lev�-lo at� a porta e a� conversamos.
V�. Vai ficar tudo bem.
Victoria, minha vida est� completamente...
Pegarei os restos das minhas coisas amanh�.
- O qu�? - Eu me tornei invis�vel.
- Eu n�o existo mais... - Voc� est� tomando nota?
- N�o, eu escrevi um texto. - N�o � poss�vel.
�tienne, pode pedir para esse senhor se retirar?
- Senhor, por favor. - Sinto muito.
Essa � sua verdadeira face.
N�o significo nada para voc�.
N�o se subestime. Voc� � muito importante para mim.
� exatamente por me estimar que decidi partir.
Eu conhe�o toda a sua vida, e voc� n�o sabe nada sobre mim.
Voc� n�o sabe por que eu quis morar aqui.
- � claro que sim. - N�o, n�o sabe.
Tudo que fiz foi para me salvar da minha vida.
Bom... Fale em ingl�s.
- Estou ouvindo. - Em ingl�s? Quando eu...
cheguei aqui, eu percebi
que gostava mais de voc� do que pensava
e isso me surpreendeu.
Eu gosto muito de voc�.
Mesmo quando voc� estava tremendo no ch�o,
ou quando dormia com todos aqueles caras.
Mas eu achava que a situa��o ia mudar.
Eu pensava que
voc� me daria
um lugar melhor em sua vida, em seu trabalho...
Mas na verdade, nem um pouco.
Voc� se aproveitou sem perceber.
N�o, voc� est� se subestimando.
Eu roubei dinheiro seu.
- O qu�? - Roubei um pouco, no come�o.
Achei comovente voc� confiar em mim.
Voc� n�o saberia se eu n�o contasse.
Assim como n�o se daria conta da minha exist�ncia,
se eu n�o fosse embora.
N�o, n�o v� embora. N�o a v�spera da minha defesa.
Eu n�o mudarei de ideia.
- Fique, por favor. - N�o.
Tudo bem, senhora?
Voc� precisa de ajuda?
Sim, voc� pode entrar? N�o me sinto muito bem.
Obrigada.
Pode ficar esta noite? N�o me sinto segura.
- Tudo bem. - Muito obrigada.
Vou arrumar o sof�-cama.
Meninas, hora de dormir.
- Posso usar seu chuveiro? - Sim, � por ali.
Certo.
- Onde ela est�? - No quarto.
O que voc� fez?
Vamos lev�-la para o banheiro.
Quantos comprimido voc� tomou?
Eu n�o sei, alguns.
Era para dormir, n�o para...
Bem, senhorita, voc� � jovem,
tem toda uma vida pela frente.
N�o pode se deixar abater dessa forma.
Deve beber bastante �gua e descansar.
Seu corpo vai se recuperar aos poucos.
Obrigado, quanto lhe devemos?
47 euros, por favor.
Contratualmente, meu trabalho acabou, mas posso ficar.
N�o, tudo bem, muito obrigado. Obrigado por tudo, �tienne.
Voc� nos ajudou muito. Muito obrigado. Adeus.
R�pido, estamos atrasados.
- Eu n�o posso ir. - Levante-se.
Eu vou pedir...
Voc� vai advogar mesmo que n�o se aguente em p�.
Tome, um pouco de a��car.
N�o posso pleitear sentada.
Vai dar tudo certo. Voc� � uma for�a da natureza.
N�o. Voc� viu meus olhos?
Eles s�o lindos. Vou passar um pouco de maquiagem.
Vou sair do escrit�rio.
Levante e se arrume.
- Por favor, n�o discuta. - Pare, vamos.
- Voc� vai defender seu amigo. - Eu vou vomitar.
Vai vomitar? Eu vou vomitar junto.
Voc� tem algo? Alguma anfetamina, algo para...
- Voc� est� louca? - � para o trabalho.
Bom...
Vou fazer com que me substituam...
N�o, voc� vai fazer a alega��o da sua vida.
Inspire.
De novo.
Est� bom?
Voc� me assustou, Victoria.
No fundo do meu cora��o, eu acredito.
Por que ele est� aqui?
- Por qu�? - Porque...
- Por que voc� est� aqui? Por que estou aqui?
Porque salvei a vida da mulher que vai tentar salvar a sua.
Ent�o, de certa forma, eu salvei sua vida. Foda-se.
- Tudo bem, Victoria? - Sim.
D�-me apenas meia hora.
Est� bem?
Srta. Spick, � sua vez.
Um cachorro pode ser ouvido como testemunha?
A quest�o surgiu hoje,
em um caso de tentativa de homic�dio.
Pe�o que fiquem atentos quanto a esses experimentos.
Gostaria de acrescentar que a intelig�ncia de um cachorro
� 51% gen�tica.
E que segundo a classifica��o de ra�as de c�es,
o d�lmata � o �ltimo da lista.
Atr�s do poodle,
do dobermann,
do pastor alem�o e umas outras 30 ra�as.
Em outros termos,
se devemos mesmo
acreditar nas "palavras" de um cachorro,
o d�lmata n�o � o mais indicado a passar qualquer informa��o.
Como podemos...
Como podemos...
acusar algu�m de tentativa de homic�dio?
Como podemos...
E depois voltar a viver com ele?
Ele, no caso, � meu cliente.
O suposto agressor.
Continuar o perseguindo,
o que parece irracional dadas as circunst�ncias,
e depois sair de casa novamente?
Voc� pode acusar meu cliente de ser frouxo,
covarde,
fraco.
Certamente ele n�o � um modelo de virtude.
Mas isso n�o � crime.
Srta. Spick, isso � uma vit�ria?
Muito se falou dos animais nesse processo,
o que pode dizer sobre o papel do j�ri no processo?
A verdade prevaleceu, isso � o essencial. � isso.
Sr. Kossarski?
� poss�vel que a verdade seja triste, mas...
Venha. Sinto muito, estamos com pressa.
Sr. Kossarski, por favor.
Srta. Spick?
Voc� foi genial! Foi incr�vel o que voc� fez. Eu...
Eu me sinto vivo novamente.
Agrade�a ao Sam, de verdade.
Ele se esfor�ou bastante.
- Voc� o viu depois do veredito? - Quem?
- Sam. - N�o.
� como se antes,
eu n�o percebesse que estava feliz e agora eu percebo.
Merda, eu me sinto completamente aliviado.
Eu tamb�m.
N�o consigo acreditar, acabou.
Voc� parece cansada, precisa descansar.
Sabe o que me faria relaxar?
N�o nos vermos por um tempo.
Sim, eu n�o deveria...
te envolver nas minhas hist�rias.
Tenho certeza que voc�s v�o reatar.
Eu n�o conseguiria, de verdade.
Na sua aus�ncia, o juiz rejeitou as acusa��es contra mim
e me condenou a pagar 90 euros por perdas e danos.
O processo me trouxe uma publicidade inespe...
Levando em conta a publicidade que o processo me trouxe,
eu fui igualmente condenado a mudar
o nome dos protagonistas.
Eu ganhei, em troca, o direito incontest�vel
de continuar o blog e o filme com uma publicidade inesperada.
Fiquei contente por a justi�a me devolver
minha liberdade de autor.
Voc� est� na caixa de mensagens de Samuel Mallet.
Sam.
Eu te liguei sem parar.
N�o sei onde voc� estava, mas ganhamos o processo.
Quero lhe agradecer, pois foi gra�as a voc�.
E tamb�m quero dizer que...
Voc� significa muito para mim, de verdade.
Eu entendo o motivo
de ter me roubado dinheiro, queria me mostrar seu interesse.
Eu quero te mostrar minha gratid�o.
� um pouco tarde.
N�o acha que temos qu�mica um com outro?
Qu�mica?
Sim, temos uma �tima qu�mica, n�o acha?
Eu n�o entendo o que voc� est� dizendo.
Eu quero viver com voc�.
Sem me remunerar? Sou eu que saio perdendo.
N�o. Claro, ser� remunerado.
Estava brincando, n�o sou uma puta.
N�o, claro que n�o, mas...
Eu acho que vai ser bom.
Enfim, toda rela��o
deve ser uma troca.
Nenhuma rela��o � equilibrada.
A no��o de equil�brio
arru�na toda forma poss�vel de conex�o.
Na verdade, eu tenho medo de voc�.
Voc� � anormalmente dram�tica.
Sam, eu...
Eu compreendi que...
Compreendi que nesses �ltimos meses...
eu n�o tive tempo de perceber...
que eu estava apaixonada por voc�.
Eu entendi as coisas e quando voc� foi embora,
eu me dei conta que...
eu era feliz com voc�. Eu n�o sabia,
mas eu era feliz.
Eu n�o disse nada porque estava no caso.
Mas agora, eu sei.
Eu poderia
te dar aulas de Direito.
Poderia te apresentar todos os advogados de Paris...
Por que voc� esperou tanto tempo?
Eu n�o sei.
� raro que eu tenha 2 segundos de paz interior.
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