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Original subtitles

- F�mea. - Devem estar por chegar.

Vai voc�. Eu busco a Alex e encontro voc� em casa.

AS ORIGENS DO SEXO

Oi.

- Voc� est� igual. - Oi, Ramiro.

Oi.

Voc� est� um homem feito.

- Recebeu tudo? - Sim. Ramiro est� lendo o livro.

- Ainda n�o pude falar com Kraken. - Por que n�o?

Hoje eu darei um jeito.

Ramiro n�o falou com ningu�m, sim?

N�o, n�o se preocupe. Ele � muito discreto.

PROIBIDO ENTRAR

Olhem pra isso. � o para�so.

�lvaro!

Olha como ele cresceu.

Voc� n�o se lembra de mim.

Claro que n�o. Era uma crian�a. Vem c�.

Oi. Como vai voc�?

Bem-vindos.

- Querem ajuda? - Tudo bem. Obrigado.

- Como foi a viagem? - Tudo bem.

Entrem...

�lvaro, chega aqui.

Alex gosta de tirar um cochilo neste sof�.

Acha que � mais fresco.

Mas ir�o dividir o banheiro, para seus pais terem mais privacidade.

- O que � isso? - Homeopatia.

O que est� na sua m�o � para quem tem medo de ser agredido.

Medo de ser machucado.

Oi.

Oi.

Voc� se masturbou.

- O qu�? - No seu quarto.

Como voc� sabe?

D� para ver.

- Voc� tamb�m se masturba? - Todos os dias.

Nunca estive no Uruguai.

Estamos falando de masturba��o e voc� me vem com Uruguai.

- Quantos anos voc� tem? - Quinze.

Eu nunca transei com ningu�m. Voc� transaria?

- Com quem? - Comigo.

Com voc�?

�lvaro, voc� quer?

- N�o, sou vegetariano. - S�rio?

N�o se incomode. N�o vai experimentar.

N�o gosto de experimentar coisas novas.

- Oi, filha. - Ol�.

Ele � Alex. �rica...

Como vai?

- Ramiro. - Oi.

Voc�s j� se conheciam?

�lvaro, Alex...

Quando jovens, sua m�e dizia que teria quatro filhas.

A cham�vamos de Susanita.

A Susanita acabou ficando com medo.

- Voc� vai � escola? - Eu ia.

Como assim "ia"?

- Segunda-feira serei expulsa. - Como assim?

Bati no Vando e quebrei seu nariz.

Por qu�? O que houve?

- Quem � Vando? - Seu melhor amigo.

Amigo ou namorado? Ningu�m fica assim por um amigo.

Quando ela vai falar com ele?

Ela disse que amanh�.

"Em todos os vertebrados, incluindo o ser humano...

o sexo feminino � prim�rio no sentido evolutivo e embriol�gico."

Temos de combinar um encontro com os pais de Vando.

- Para pedir desculpas. - Desculpas? N�s?

Porque quebrou o nariz do infeliz? S�o eles que deveriam se desculpar.

- � o melhor amigo de Alex. - Era.

Por que voc� n�o me disse que ele � cirurgi�o?

- Ele � o melhor naquilo que faz. - Quem falou? Ele?

- Andei me informando. - Se informando?

Desde quando?

- Eu n�o sou o inimigo. - N�o?

Ela n�o est� tomando o medicamento, sabia?

N�o sabia.

- Voc� gosta? - De qu�?

Da minha casa.

Sim.

N�o minta pra mim.

Voc� gosta de abrir corpos?

� o meu trabalho.

Alex!

- Depressa! - Na escuta, Alex?

Est�o levando as tartarugas para o porto.

- Onde elas est�o? - A uns 18 quil�metros.

Estou indo para a�.

- Posso ir? - Sobe a�.

Uma perdeu as nadadeiras dianteiras.

- Onde a encontraram? - 18km mar adentro.

Estavam seguindo um cardume de peixes.

Ficaram 20 horas na �gua. Dentro da rede.

Coitadas. Est�o identificadas?

Havia outras?

Meu filho disse que sim.

O que houve? Foram pegas?

Esteban, tem algo para mim?

- Nada. - Tem certeza?

Voc� � bi�logo ou policial?

Deveria se desculpar em vez discutir.

Meu filho vomitou sangue. Est� com o nariz quebrado.

Minha mulher quer dar queixa.

Melhor ela n�o aparecer mais por aqui.

Espere, Alex.

- Alex... - O que voc� est� olhando?

J� chega, chega...

Isso, � melhor tir�-la daqui.

H� muitas esp�cies em extin��o por aqui.

Agora seu filho tem medo da minha filha?

- Seu filho � um tra�ra. - Pai.

- N�o vou permitir... - O que n�o vai permitir?

J� pensou que pode encontr�-lo na rua e quebrar seu nariz de novo?

Ela � como eu. Pense bem, ela � capaz.

Para quem voc� contou?

S� pra Vando.

Se sou t�o especial, por que n�o posso falar com ningu�m?

Afinal, nossos pais fazem a mesma coisa.

Vai sobreviver?

Sim, mas n�o voltar� mais para o mar.

Quantos cirurgias de seio seu pai fez?

N�o sei.

- Voc� � estranha. - Voc� tamb�m.

Deve ter operado milhares.

- Voc� j� foi alguma vez? - Aonde?

� sala de cirurgia pra ver como mutilam corpos.

Ele n�o mutila corpos, os conserta.

Ele faz seios e narizes por dinheiro, mas prefere outras coisas.

Tipo o qu�?

N�o sei, deforma��es...

Os caras que nascem com 11 dedos, meu pai tira.

- E ele come isso? - Falo s�rio. N�o � brincadeira.

Voc� disse que ele n�o mutila, e agora voc� diz que tira dedos.

Deixa pra l�, voc� n�o entende.

Voc� gosta de seus pais?

S�o meus pais.

E da�? Gosta deles?

Acho que sim.

Obrigada.

Eu fico com pena dos meus, ficam sempre esperando...

Por que bateu nesse garoto?

Ele procurou.

Posso pagar com pesos argentinos?

- Sim. - Quanto �?

18 pesos.

Ele vai pagar.

Tome.

Obrigado.

Sabe por que � bom ouvir m�sica na rua?

Parece que todos ouvem a mesma m�sica que voc�.

- O que foi? - Tenho um presente.

- Para mim? - Sim.

Olhe...

� uma identifica��o que colocam nas tartarugas.

Eu tenho uma igual.

- Serve pra qu�? - Para seguir sua rota migrat�ria.

S�o da mesma fam�lia. Tem o mesmo n�mero de s�rie.

- De onde �? - Da �frica.

Legal... legal. Obrigado.

N�o vai us�-la?

N�o... depois.

Voc� n�o gostou?

N�o... sei l�. Depois eu vejo.

Cuidado com isso.

- O que �? - Corticoide.

Pra minha barba n�o crescer.

- Bom dia. - Bom dia.

- Talvez eu possa lhe ajudar. - Com qu�?

Falando com ele. Para explicar do que se trata.

Vamos?

J� voltamos.

- O que � isso? - Um bicho raro. N�o mexa!

O que voc� sabe das esp�cies da minha casa?

Pare o carro.

Tenho certeza que foi aqui.

Aqui fiquei gr�vida da Alex.

Ainda mor�vamos em Buenos Aires.

Eu tinha medo que algu�m nos visse.

Achava que passaria algu�m e fosse-nos ver.

- � rid�culo. - O que � rid�culo?

Que estivesse preocupada com os outros.

"Voc� est� gr�vida? � menino ou menina?"

L� na cl�nica, � a primeira coisa que perguntam.

H� quanto tempo ela n�o toma corticoide?

Duas semanas, mais ou menos.

Sabe o que vai acontecer se ela n�o tomar mais?

- O que vai acontecer? - Vai se masculinizar.

Vai mudar tudo. Seu corpo, os ciclos...

Vai parar de se desenvolver como mulher.

Chega.

Voc� pensou no que eu disse?

Sim. Mas n�o vou transar com voc�.

- Por qu�? - Voc� � muito nova.

- E da�? - Tamb�m acabamos de nos conhecer.

Por isso quero transar, eu n�o vou me apaixonar por voc�.

Nem eu de voc�.

Diz que n�o pode transar comigo por ser mais velho e repete o que eu falo?

Voc� n�o � normal. Voc� � diferente, voc� sabe.

Por que as pessoas olham pra voc�?

Por que olham assim? O que voc� tem?

Fique a�.

Chega aqui.

- Eu n�o tenho nada. - Eu adoro...

AOS 18 ANOS, SCHERER COME�A O CAMINHO DE VOLTA:

DE MULHER PARA HOMEM

Podemos come�ar, se quiserem.

E as crian�as?

�lvaro...

Deve estar com Alex.

Alex...

Filha...

Ele chegou.

- O que houve? - Est� chovendo muito.

Coitado.

V� se trocar, vamos jantar.

- O que houve? - Nada.

Me passe seu prato.

Nada? Como assim nada?

- Deixe-o em paz, Ramiro. - Eu quero saber o que houve.

Desculpem.

E Alex?

N�o est� disposta.

- Aconteceu alguma coisa? - N�o aconteceu nada.

- Posso ver? - Sim.

Veja como ele desenha bem.

- Eu n�o bebo �lcool. - Hoje vai beber. J� � adulto.

Ramiro...

Precisa ter algo no sangue.

- Vai, pode beber. - N�o beba, se n�o quiser.

- Eu n�o me incomodo. - � que eu n�o suporto a prepot�ncia.

- N�o tem import�ncia. - Tem, sim.

Nos mudamos de Buenos Aires pra ficar longe de certo tipo de gente, lembra?

E agora estamos todos sentados na mesma mesa.

Vai, vai...

Quero mais, mais...

Toma, assim...

Mais, mais...

Voc� j� fez.

- Como voc� sabe? - D� pra ver.

Foi com meu primo. Cinco vezes.

Eu nem queria, mas eu gostava.

Ele disse que n�o ia doer, que n�o ir�amos at� o fim.

Mas fizemos de tudo. E n�o doeu muito.

Alex, vista isto.

Vamos pegar o colchonete.

No ch�o... Ou Alex ter� de ir embora.

V�o dormir. � tarde.

Quero mais, mais...

Tenho uma garrafa de licor.

Eu vou dormir.

- Fique tranquila. Vamos dormir. - N�o, eu j� volto.

O que aconteceu?

- Encontrei os dois juntos. - Quem?

Alex e esse garoto, �lvaro.

- Como assim? Aonde? - Juntos!

- Fazendo o qu�? - Sei l�, eu fui embora.

- Por cima... - O qu�?

Ela estava por cima.

N�o estou entendendo...

Comendo o filho de nossos convidados. Entendeu ou quer que eu desenhe?

- Se n�o fosse ele, seria outro. - J� chega, Kraken.

Sab�amos que isso ia acontecer.

Ela n�o vai virar mulher.

- O que quer dizer com "normal"? - O qu�?

- Voc� disse "normal". - Eu n�o disse nada.

N�o alimente esperan�as.

Ela nunca ser� uma mulher.

Mesmo que o cirurgi�o tire o que est� sobrando.

Quando voc� contou pra eles?

Antes de eles virem? Vieram para isso?

N�o, queria que a conhecessem, mais nada.

N�o sou maluca.

Fale com ele.

E se ela quiser?

Encho o tanque?

Desculpe.

O que voc� quer?

Voc� � m�dico?

Jornalista?

Tenho uma filha...

Um filho...

J� vi voc� antes.

- Voc� j� veio por aqui, n�o? - Sim.

Eu quase n�o bebo, mas...

Isso vai cair bem.

� seu filho?

Adotado.

Estamos vendo a papelada pra adotar uma menina.

Uma fam�lia padr�o.

- Quantos anos Alex tem? - Quinze.

Quer ver como eu era nessa idade?

Se n�o se incomodar...

Sou eu aos 12 anos.

Fique com ela. D� pra Alex.

- Voc� sempre soube? - Que n�o era mulher?

Ainda me questiono o que seria da minha vida sem a opera��o.

Como foi sua transforma��o...

de mulher para homem?

Aos 16 anos...

comecei a tomar testosterona.

Aos 17 fui operado e no mesmo ano... mudei meu nome.

Seis meses depois conheci minha mulher.

O resto da minha vida est� dormindo ali.

E se eu me enganei?

Por deix�-la escolher?

Sabe quais s�o minhas primeiras lembran�as?

Os exames m�dicos.

Eu achava que havia nascido horr�vel...

pois tiveram de me operar 5 vezes antes de eu completar um ano.

� o que eles chamam de "normaliza��o".

N�o s�o cirurgias, � uma castra��o.

Se ela tivesse sido operada, teria ficado com medo de seu corpo.

� o pior que pode fazer com um filho.

O que est� fazendo?

Est� me olhando diferente.

Voc� cresceu.

Se eu cresci, porque n�o me disse pra que vieram essas pessoas?

Porque eu n�o sabia.

- Voc� vem comigo? - N�o, quero andar.

Alex...

Alex...

Me explica...

- Voc� n�o �... - Sou as duas coisas.

Isso n�o � poss�vel.

Vai me dizer o que � ou n�o poss�vel?

Mas voc� gosta de homens ou de mulheres?

Eu n�o sei.

Desculpe pelo que eu fiz com voc�.

Voc� n�o fez nada.

N�o me incomodei.

Eu gostei.

S�rio?

Sim.

Eu tamb�m.

S�rio?

Vamos concluir, n�o fomos at� o fim.

N�o vou fazer isso com voc�!

- Por qu�? - Eu quero outra coisa.

Eu tamb�m quero outra coisa!

Ah, �? O que voc� quer?

O que voc� quer?

- Alex... ser� nosso segredo. - Mentira!

- N�o vou contar a ningu�m. - Me larga!

Vai! Conte a todo mundo que sou um monstro!

Alex...

- Cad� a Alex? - O que est� fazendo aqui?

- Pedi pra voc� n�o aparecer. - Onde ela est�?

Cai fora, Vando.

Diga a seu pai que est� encrencado.

Alex...

Espera, Alex...

Alex...

Espera a�.

Espera... vem c�.

Vem por aqui.

N�o se preocupe...

Fique calma, n�o vamos te machucar.

Fique quieta...

Me largue, por favor.

Segura ela...

Filha da puta!

Quieta! Fica quieta!

Segure firme.

Est� tudo bem, s� quero ver.

Deixa eu ver... o que tem a�?

O que voc� tem a�?

Ela � espada!

- N�o � poss�vel. - Ela tem os dois.

Eu te disse que n�o era sacanagem.

Ela tem de tudo.

- Que nojo! - Que nada. � muito irado!

Ele fica duro? Deixa ver se fica duro.

Responda!

Fica duro?

Largue ela!

Se manda, filho da puta!

- N�o fizemos nada... - Cai fora!

Cai fora.

- Est� doendo? - N�o.

- Te machucaram em outro lugar? - N�o.

- Vou lev�-la ao hospital. - N�o quero que ningu�m a toque.

- Calma, vai ficar tudo bem. - Nada vai ficar bem.

Vem c�...

- Me larga... - N�o se meta com minha filha!

Chega... vai mat�-lo!

Chega? Voc� fala isso?

Voc� � como eles. At� pior.

Quem tocar meu filho de novo...

Precisam oper�-la. Ainda h� tempo.

N�o podem mant�-la escondida a vida toda.

Escondida?

Voc� a v� como um fen�meno?

Por isso fomos embora. Para evitar as opini�es dessa gente idiota.

N�o quero mais.

N�o quero mais medicamentos, cirurgias, nem mudan�a de escola.

Quero que tudo continue igual.

Desconfiaram antes de ela nascer.

Queriam uma autoriza��o para filmar o parto...

por "interesses m�dicos" e pra informar ao conselho de �tica.

Dissemos n�o para tudo.

Alex nasceu azul.

Demorou 40 segundos para respirar.

Dois dias depois, queriam oper�-la.

Disseram que n�o se lembraria de nada, s� das cicatrizes.

Suli estava assustada.

Eu a convenci pra n�o fazer nada.

Ela era perfeita.

Desde o primeiro momento em que a vi...

Perfeita.

Esque�a dela.

Ela � muito pra voc�.

Ainda n�o posso ir embora.

Quero falar com ele.

Precisamos partir.

V� procurar seu filho.

Vai ficar resfriado.

- Posso? - Sim.

Achei que n�o bebia.

Voc� pediu para eu beber.

Voc� gosta de mim?

Voc� � meu filho.

Vamos abrir o jogo e falar s�rio.

Mais ou menos.

E eu? Voc� gosta de mim?

Voc� gosta do que eu fa�o?

Eu daria tudo para ter seu talento.

E eu? Tenho talento?

N�o.

Acha que um dia?

N�o.

N�o...

N�o entendo por que...

Antes n�o era assim.

Assim como?

Quando perdeu o interesse por mim?

N�o foi uma boa ideia vir aqui.

Sua m�e tem raz�o. Vamos embora.

- Quando? - Hoje, ao amanhecer.

Eu ainda n�o posso ir embora.

Por qu�?

Voc� gosta de Alex?

Finalmente uma boa not�cia.

Achei que voc� fosse viado.

O que est� fazendo?

Cuidando de voc�.

N�o vai poder me cuidar sempre.

At� voc� escolher.

O qu�?

O que voc� quiser.

E se n�o houver nada pra escolher?

Terminei.

Te machucaram?

N�o.

Voc� fez a den�ncia?

N�o. Isso voc� decide.

Se quiser, a gente faz...

mas voc� decide.

Todo mundo vai ficar sabendo.

Que saibam.

- Boa viagem. - Obrigado.

J� volto.

Vou te ver de novo?

Acho que n�o.

Olha...

Nunca pensei que fosse me apaixonar por algu�m como voc�.

Mas aconteceu.

Comigo tamb�m.

N�o...

N�o?

Com voc� aconteceu outra coisa.

Do que voc� sente mais pena? De n�o me ver mais ou de n�o t�-lo visto?

Voc� quer ver?

Filho, vamos perder o barco.

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