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SELVAGEM E PERIGOSA
- Isto � o c�u. Mesmo ao lado das portas do para�so. - Isto n�o � o meu bairro.
H� uma sala de bilhar l� em cima. � a sala principal.
Desculpe. Desculpe, pode dar-me a conta?
Eh, Charlie, a conta para o senhor da frente.
- Gostou? Aqui tem a conta. - Obrigado, Dottie.
Eh, Frenchy! Como vais, camarada?
Eh, voc�! Oi!
- Voc� n�o pagou o almo�o. - O qu�?
- N�o pagou o almo�o, matul�o. - Oh, claro que paguei. N�o paguei?
A conta est� no seu bolso.
Oh.
Tem raz�o. Ok, eu trato j� do assunto.
Desculpe. N�o sei como isto aconteceu. � s� que eu...
� s� que... estou com muitas coisas na cabe�a, quest�es de neg�cios, e esqueci-me.
Voc� saiu deliberadamente sem pagar.
N�o foi nada. Olhe, v� l�. Tome l� o dinheiro e fique com o troco e...
Muito bem. Talvez queira contar � pol�cia.
N�o! N�o... isso n�o.
Deixe-me adivinhar. Voc� �s vezes n�o paga o almo�o.
E talvez roube ocasionalmente um chocolate ou um jornal.
Voc� � um rebelde escondido.
Oh, � o meu pager. Tenho de ligar para o escrit�rio.
Para que lado vai? Eu dou-lhe boleia.
Bem, voc� n�o tem... n�o tem de voltar para o trabalho?
Eu n�o trabalho ali.
Esp... espere l�. E que hist�ria � essa com a conta?
Vens?
Bem, eu... est� bem. S� tenho de passar pelo banco. E depois...
- Obrigado. - Quer morrer jovem?
Tenho de passar pelo banco e depois ir ao escrit�rio.
- Eu deixo-te l�. - � na baixa.
Fica-me a caminho.
Est�s pronto ou n�o, filho?
Acha muito engra�ado, n�o acha? O modo como...
A maneira como me enganou h� pouco.
- Foi giro. Sou a Lulu. - Charles. Prazer em conhec�-la.
Espere, espere l�. Onde � que vamos?
- Eu conhe�o um atalho. - Oh, �ptimo.
Oh, bolas.
- Mostra-me. - Oh, � o...
Eh, isto �... espere. Isto � o t�nel Holland. estamos a ir mal.
- Est�-me a ouvir? Volte para tr�s. - Charlie...
O que est� a fazer?
� louca. Sabe, n�o sabe? Oh, meu Deus!
Eu tenho de ir para o trabalho. Tenho reuni�es, um milhar de chamadas...
Eh, eh, eh, relaxa-te, Charlie. V� l�.
Tira uma tarde de folga.
Tu mereces. A s�rio.
Eu n�o posso tirar assim uma tarde de folga. Voc� � o qu�? Doida?
Muito bem, olhe, voc� d� a volta quando sairmos do t�nel. Vamos voltar para tr�s.
- Isto n�o tem piada. - Queres uma bebida?
N�o! Meu Deus, n�o beba! Por favor, isto � perigoso.
N�o fa�a isso. Meu Deus, n�o.
Olhe, se n�o d� a volta e me leva para tr�s,
vai obrigar-me a fazer algo que eu n�o queria fazer.
Nem posso esperar, Charlie.
- Linda alian�a que tens, Charlie. - Obrigado.
H� muito tempo que �s casado?
Diga-me s� para onde vamos, certo?
- Quantos filhos tens, Charlie. - Isso n�o � da sua conta.
V� l�! Mostra l� as fotos.
O que a leva a pensar que eu tenho fotos dos meus filhos?
- Est�s com medo de mim, Charlie? - Eu n�o tenho medo de si.
- Mostra-mos. - Muito bem, se quer.
Aqui est�o.
Muito bonitos, Charlie. Estou impressionada.
Obrigado.
"Charles Driggs. Director Regional."
Acabaram de me promover a vice-presidente. De facto, come�o na segunda-feira.
Ah, sim? Vice-presidente?
Ora bem. � sua, Sr. vice-presidente.
- Queres? - N�o, n�o.
V� l�, Charlie. V� l�! N�o faz mal.
- N�o, muito obrigado. - N�o sejas corte, Charlie.
Est� bem, que se lixe. D� c�.
- Quero comprar outra garrafa. - Ok, vou ligar � minha secret�ria.
Ol�. Queria 4 garrafas de whisky, por favor.
Ent�o, trabalha aqui, ou qu�?
- Quatro? - Sim.
Mas claro.
Ol�, cachorrinho.
Duas.
As ac��es adquiridas antes de Janeiro de 84
n�o devem ser sujeitas a regras "anti-straddle", por muito tempo que sejam mantidas.
Espero que nada do referido atr�s cause qualquer preocupa��o indevida. Charles S. Driggs.
Muito obrigado.
Aquilo ali em cima � Glenlivet?
� Glenlivet, n�o �?
Eu tenho de comprar uma garrafa. Desculpe faz�-lo subir, mas � a minha favorita.
- Claro. - Obrigada.
O motivo porque eu gosto tanto de whisky escoc�s � que a minha fam�lia � escocesa.
A minha av� materna era uma O'Connor.
A s�rio? Que interessante.
Isso faz de mim um quarto escocesa.
O m�e do meu pai era uma Hawthorne.
J� quase a apanhei.
O meu filho Willy foi concebido na nossa viagem � Esc�cia h� alguns anos atr�s.
Oh, merda. Veja se me desmarca esse jogo de squash com o Graves �s 5 horas.
Diga-lhe... Lynn?
Era do escrit�rio, por amor de...
Vens?
H� uma lei fiscal em estudo que ir� autorizar os regulamentos a serem escritos
amplificado o significado de "redu��o substancial".
O qu�?
Charlie, o que fazes para te divertires para al�m de roubares chocolates, h�?
Tens raz�o. Sou um rebelde.
Sou sim! Apenas canalizei a minha rebeldia para o "mainstream". Dou-te um exemplo.
Em 81 apostei em "munis" de longo prazo.
Todos disseram: "Driggs, �s louco, n�o fa�as isso."
- Munis? - Obriga��es Municipais. Livres de impostos.
Caramba, fechei a 15%!
Posso parecer certinho, mas, c� no fundo, tenho o que � preciso.
� mesmo?
- O que � isto? - Vou alugar um quarto.
PRE�O ESPECIAL PARA CASAIS
Passa-se algo de errado, Charlie?
Talvez n�o seja propriamente boa ideia alugar um quarto.
- N�o tens nenhum s�tio onde possamos ir? - Que tal a tua casa?
Estou mesmo a ver os vizinhos a verem-te sair do carro.
Tens dinheiro?
Quero dizer, para o quarto. O resto � de borla.
Bem, aa...
Deixa-me ver.
S� tenho estes cart�es de cr�dito da empresa.
O nosso contabilista iria querer saber o que fazia eu num motel numa sexta � tarde.
- Usa o dinheiro. - N�o, n�o posso.
- Porqu�? - � dinheiro para o Clube de Natal.
Charlie, est�s a dizer-me que n�o vamos alugar um quarto
porque est�s a poupar para prendas de Natal? A meio de Junho?
N�o � mau. J� estive em piores. A vista n�o � nada de especial, contudo.
Quero que saibas que eu... nunca fiz nada assim antes.
N�o te preocupes, Charlie. Eu j�.
Eu quero ficar com a T-shirt, est� bem?
- Porqu�? - N�o sei. Ainda n�o me sinto � vontade.
Caramba.
- Como te sentes agora, Charlie? - Bem.
Queres um bocado?
Sim. Obrigado.
Andas � procura de alguma coisa?
Jogas?
�s uma rapariga engra�ada.
Oh, meu Deus! � uma T-shirt nova!
Charlie, n�o deves ter suficiente em casa.
- Hmm, pareces-me bom para comer. - Oh, obrigado.
O que est�s a fazer?
Uma chamada...
Sim, telefonista? 21 27-274-270
N�o, n�o!
Meu Deus! Oh Deus!
Gabinete de Charles Driggs.
- O Charlie est�? - N�o!
N�o est�? S�o 3:30. Ele n�o devia j� ter voltado do almo�o?
- Oh, por favor, n�o! - Chiu!
Quem fala, por favor? Pode deixar mensagem para o Sr. Driggs.
N�o, � um assunto consideravelmente urgente.
Por favor passe-me ao superior dele.
Boa tarde, gabinete de Richard Graves.
Sim, o Sr. Richard Garves, por favor. � uma chamada do Sr. Charles Driggs.
Sim?
Richard, daqui � o Charles Driggs. Sim, ou�a...
Sim, s� estou a ligar a avisar que n�o vou voltar esta tarde.
N�o vai voltar? Passa-se algo de errado?
N�o, nada. Estou s� entalado entre reuni�es exteriores. Sabe como �.
Bem, eu contava que nos pud�ssemos encontrar hoje.
Oh, desculpe l� isso.
Bem, n�o, eu ia passar isso ao Dillman.
Sim.
Sim, estou a apontar.
Oh, Charlie. Oh, Charlie...
Ou�a, Richard, e se eu lhe deixar umas c�pias na secret�ria logo na 2� feira?
N�o pode... Sim, com certeza, claro.
Adeus.
Charlie, �s um magn�fico mentiroso quando queres.
Oh, n�o pares, por favor?
Tinha ambos os bra�os cobertos de pulseiras e bijutarias...
Acess�rios em preto, sat�nicos... Por favor, estou na televis�o.
- Voc� diz que ela estava armada? - Definitivamente, sim.
Pareceu uma 9 mm ou uma 38.
Oh, meu Deus, que horas s�o?
Hora de dar o fora de Dodge.
- Se queres tomar um duche, despacha-te. - Porqu�? Se sairmos agora apanhamos tr�nsito.
Eu n�o vou voltar. Vais ter de ir de autocarro.
- Porqu�, onde vais? - Para a Pensilv�nia, onde nasci.
A s�rio? � dif�cil imaginar-te em crian�a.
O qu�, julgas que nasci assim?
Sim, estou a apontar!
"Ele devia ter voltado. S�o 3:30!"
Ol�, querida. Eu sei que � inesperado, mas fui chamado para uma viagem de neg�cios.
Tenho uma reuni�o esta noite em Filad�lfia. Sim, pois �, o que � que se pode fazer?
Portanto, devo voltar amanh� � noite. De certeza.
Ou talvez amanh� de manh�. At� pode ser que esta noite, mais tarde.
Dependendo de, tu sabes... dependendo.
Portanto, tamb�m te amo, adeus.
Tens a certeza que sabes o que est�s a fazer?
N�o. Mas que se lixe, sabes.
MAM� & PAP� RESTAuRANTE ITALIANO
Mam� & Pap�. Fala o Pap�.
...Mickey Lolich a lan�ar para Babe Ruth com o Tony Lazzeri na segunda base...
Obrigado, Rose. ...onde p�es o Mickey Stanley...
O que � que foi t�o engra�ado?
- Tu. - O que foi que eu fiz?
Chamar a empregada pelo nome.
� para isso que servem as etiquetas com o nome.
- Aqui tem. - Obrigado, Rose.
Torna as coisas mais amistosas, um pouco mais pessoais. Eu gosto disso.
- Sim. Charlie Driggs. - Sim.
Quanto � que temos?
Oh, meu Deus. N�o posso crer.
Sobraram 4 d�lares do dinheiro do Clube de Natal.
Eu pago, Charlie. Tu pagaste o quarto.
- Obrigado. - N�o tens de qu�.
Eu volto j�.
Gosto de ti, Charlie. �s um tipo simp�tico.
Talvez um pouco simp�tico de mais.
N�o, lamento. N�o temos nada dispon�vel at� �s 7:15.
Sim, est� bem.
- Boa noite, Rose. - A jovem disse que o senhor tratava disto.
- Ela n�o pagou? - N�o, senhor.
Lulu?
Ela disse que o cavalheiro pagava o jantar.
Tu...
O cavalheiro...
Isto � absolutamente incr�vel.
N�o h� problema, Rose. Eu trato disso imediatamente.
Desculpe. Os cart�es de cr�dito. E esta agora?
N�s n�o aceitamos cart�es de cr�dito.
Nenhum cart�o de cr�dito.
Algum problema, Pap�?
Um poss�vel problema de liquidez.
N�o, n�o h� problema nenhum. N�o acho que haja nada...
...nada para preocupa��es. Por amor de Deus.
Quer dizer, acham que eu tenho ar de fugir sem pagar? Por favor!
Voc�s...
V�, Charlie! V�, Charlie!
O que est�s a fazer?! Eu podia ter sido morto.
Tu sabes que n�o gostas de pagar estas coisas.
Ainda tenho boas pernas, n�o tenho? Viste bem?
�s muito r�pido para um cota.
O gajo n�o tirou o n�mero da matr�cula, pois n�o?
Oh, Charlie.
- Onde, Charlie? Onde? - 10 metros, 5 metros...
Estamos quase... deixaste passar.
Cuidado, cuidado!
�ptimo, muito bem. Estaciona, pronto. �ptimo.
Estaciona. Fecha-o. Vamos embora. Deixa-o aqui.
- Charlie, onde � que est�s? - Estou bem.
Tu est�s bem?
- N�o te esque�as dos hamb�rgueres. - Os hamb�rgueres. Charlie!
Onde � que vais? Cuidado, h� um declive...
- Ok, eu trato disso. - Qualquer coisa. Est� a dar cabo de mim.
Obrigado. Muito obrigado.
Escuta, marca um ponto para o teu pai, est� bem? Ok.
Diz ao Scott que o adoro.
Ok. �ptimo, �ptimo. Adeus.
Espere um bocadinho.
Tome metade agora e metade mais tarde, vai sentir-se muito melhor. Tome l�.
N�o se esque�a, mas vale ser um c�o vivo do que um le�o morto.
Eu tamb�m sentia o mesmo antes.
- Boa sorte para si. - Sim, obrigado.
Lulu?
Lulu?
- Oh. Desculpa. - O que foi? Vem c�.
- O que � isso? - Bem, �... tu sabes...
Levou algum tempo, mas acho que o whisky me bateu.
Como podes beber isso?
Tenho que beber. N�o aguento a cabe�a. H� anos que n�o tinha uma ressaca.
Dentada de c�o cura-se com p�lo do mesmo c�o.
Meu Deus, n�o, n�o! N�o bebas isso. N�o. A s�rio.
- Ontem bebeste disto o bastante. - Ontem � noite foi ontem � noite.
- Toma isto. - N�o.
N�o, n�o me digas n�o, por favor.
- � melhor para ti. Foi testado e resulta. - N�o quero nada disso.
- Est�s com ressaca? - Sim.
Ent�o � isto que se bebe quando se est� de ressaca. V� l�, bebe, por favor.
- N�o. - Por favor.
- N�o. - Por favor.
- N�o. - Bebe.
Obrigado.
Merda!
O tipo do restaurante deve ter tirado a matr�cula.
Este carro � seu, amigo?
Tenho estado a admirar a sua mota.
Interessa-se por motas?
N�o, mas gosto de sentir coisas grandes e potentes entre as pernas.
Obrigado, Sr. guarda.
Bolas, deixei a minha mala no carro.
Eu n�o me posso arriscar a ver-me envolvido em coisas destas. Eu tenho responsabilidades.
N�o te preocupes com o carro. N�o vai haver problema.
Pois bem, eu estou preocupado. N�o vamos estragar o que temos aqui.
O que � que n�s... Temos de recuperar o carro!
Afasta-te, Charlie!
Se n�o queres andar comigo, volta aos teus barbecues e pequenos-almo�os.
N�o precisamos de recuperar o carro. Podemos comprar outro.
520, 540,
560, 580, 600.
Muito bem, agora preciso de documentos de identifica��o v�lidos
e algo que prove que tem seguro.
- Aceita a minha palavra? - N�o, desculpe. Lamento, mas n�o.
Ok.
- E neste senhor, acredita? - Assim � outra coisa.
V� l�, Charlie, fala comigo. O que se passa contigo?
Queres saber onde arranjei dinheiro para o carro, certo?
Quero saber onde arranjaste aquele carro, para o poderes abandonar assim.
Depois sim, quero saber onde arranjaste o dinheiro.
Partilha de bens. Est� na moda.
Meu Deus, lamento.
N�o lamentes. Eu n�o lamento.
Charlie, n�o te preocupes com o carro. Ainda est� registado em nome dele.
Tens de deixar de te preocupar tanto.
- Oi, pessoal, querem boleia? - Obrigado, obrigado.
Saltem.
- Deixe-me... - Bem-vindos a bordo.
Obrigado pela boleia.
Tchau, Lulu.
- Obrigado! - Prazer em conhec�-lo.
Obrigado, minhas senhoras.
Minhas senhoras, precisamos de algo para este senhor aqui.
Sigam-me.
Oh, Charlie!
- Fica-te a matar. - Esquece.
N�o, n�o. Eu n�o vou comprar isto.
- Olha para isto. - Absolutamente, com toda a certeza, n�o.
- Real�a o azul dos teus olhos. - Sim, mas, mesmo assim.
- As senhoras, o que � que acham? - N�o.
Muito bonito.
Oh, meu Deus.
Digam-me. Se fossem a minha m�e e eu lhes apresentasse a ele como meu marido,
o que achavam? - Muito bonito.
Mas, se fosse a si, livrava-me dessas algemas.
Charlie!
N�o fiques t�o surpreendido.
Entra para o carro.
- Onde � que estamos? - Anda c�, Charlie.
- O que est�s a fazer? - Estou a libertar-te.
- E se eu quiser ficar preso? - Talvez estejas.
Anda.
Ol�.
- N�o me chames Lulu. Chama-me Audrey. - Audrey?
- Audrey! Que surpresa! - Ol�, mam�.
M�e, quero apresentar-lhe Charlie, o meu marido.
- Oh, bem... ol�, Charlie. - Prazer em conhec�-la, Sra...
Oh, trate-me por Peaches (p�ssegos).
- � mesmo o nome dela. - Peaches...
- Aqui tem. - Obrigado.
Charlie, quando � decidiram passar por aqui?
A Audrey disse "vamos visitar a minha m�e", e aqui estamos.
A Audrey � muito impulsiva. � uma das coisas que eu gosto nela.
E, querida, exactamente quando � que decidiram casar?
Em Setembro. Ainda somos rec�m-casados, de facto.
Tem de nos vir visitar. Temos um quarto a mais.
Vai ser o quarto do beb�, um dia.
O Charlie � que o fez. � muito jeitoso com as m�os.
Ele queria uma fam�lia grande, mas eu acho que s� um casalinho era �ptimo.
- N�o �, querido? - Tudo o que queiras, querida.
Est� a ver, mam�? Ele � exactamente o tipo de homem com quem sempre quis que eu casasse.
Mam�, vamos descansar um bocadinho, porque conduzimos o dia inteiro.
- Porque lhe disseste que t�nhamos casado? - Queria faz�-la feliz.
- Ela n�o sabe que foste casada? - N�o. De qualquer forma, ela n�o gostava dele.
Para a pr�xima, avisa-me dos teus planos. Quase me desmanchava.
Isso era parte da surpresa. Queria ver se te aguentavas � bronca.
Que tal me portei?
Tal como disse, tu �s um bom mentiroso quando queres, Charlie.
MEM�RIAS DE 1976
Audrey Hankel.
HOMEM DE QUINCY DETIDO POR ASSALTO A MERCEARIA
NOVOS ASSALTOS ATRIBU�DOS AO BANDIDO ARMADO DE QUINCY
O tipo estava a apanhar por todos os lados. Eu corria como um idiota e entrava de "carrinho"
Estava tudo pasmado. O "apanhador" tinha a bola.
Corri at� � "casa", ganh�mos o jogo.
Oh, meu Deus, foi �ptimo!
Bem, fico feliz por ter sido um jogo t�o bom para si.
- Esta comida tamb�m � �ptima. - Bem, espero que deixe o prato limpo, ent�o.
Voc� tem uma mulher a s�rio algures, n�o tem, Charlie?
Hum, bem, isso � um pouco complicado, Peaches.
- Voc� ama a minha filha? - S� a conhe�o h� pouco tempo.
� dif�cil...
Tome cuidado, ent�o. Ela tem uma no��o muito particular da vida.
Sim, eu sei.
Oh, meu Deus!
Eu usava este vestido no liceu. A minha m�e guarda tudo.
- N�o �, mam�? - Claro que sim.
N�s fizemos a mala e esquecemo-la ao p� da porta. Ainda bem que tinha este vestido.
Mas o pobre Charlie tem de usar o que tem vestido o fim-de-semana todo.
Adeus, Mam�.
Vamos fazer por aparecer mais vezes. O emprego do Charlie n�o lhe deixa muito tempo.
Oh, eu compreendo, querida. Apare�am quando puderem.
- D�-lhe um beijo. - Adeus, Peaches.
V� l�. Ela � a minha m�e, Charlie. D�-lhe um beijo.
- Adeus, Charlie. - Obrigado pelo jantar. Estava...
- Adeus, Max. - Toma aten��o, Max.
- Espero que tudo corra bem consigo, Charlie. - Boa sorte para si tamb�m!
Foi um prazer conhec�-la, Peaches.
Espera, deixa-me...
V�! Vamos l�.
- Queres-me dizer onde vamos? - N�o.
- At� � pr�xima! - Adeus.
Adoro-te, mam�.
- Caramba, o que � isto? - Prepara-te, Charlie.
A reuni�o dos antigos alunos do meu liceu. Meu Deus, estou t�o nervosa.
Est�s a gozar?
Espera, espera a�! � suposto eu ser quem?
- Oh! - OK.
Devo assinar aqui?
- Audrey Hankel? - Sim.
Lembras-te de mim? Donna Penski?
- Sim, claro, Donna. Como est�s? - Bem.
Audrey! James. James Williams.
Ol�, James!
Como � que est�s? Este � o meu marido, Charlie.
- Ol�, James. - Gosto em conhecer-te, Charlie.
Temos aqui este folheto com os nomes e moradas
das pessoas que n�o puderam vir esta noite.
Oh, a s�rio?
Audrey! Sorri, por favor.
Obrigado.
- Aposto que tens filhos, n�o tens? - Sim, dois. Um casalinho.
Oh, que bom. Como � que se chamam?
Os nomes?
- Scott e Leslie. - Scott e Leslie.
Quero ouvi-los gritar!
Aquele fulano trabalha no meu escrit�rio!
Eu sempre fui um tipo introvertido, t�mido.
Charles Driggs!
Oh! Meu Deus! N�o! Deixa-me fazer eu a conversa. Tu n�o me conheces.
- Larry! - O que diabo fazes aqui?
Julgava que nunca saias do escrit�rio!
Lembras-te da minha mulher, Peggy? Conheceste o Charles na festa de Natal.
Parab�ns pela promo��o. Foi realmente merecida.
- Eu sabia que ias chegar ao topo. - Obrigado. �s muito am�vel.
Aposto que diz isso a todos os novos Vice-presidentes.
Ah, Larry, esta � a Audrey. Conhecemo-nos h�...
Somos amantes.
Apenas no sentido em que todos os seres humanos s�o... amantes.
Audrey Driggs?
Tive de adoptar o nome dele por causa do beb�.
- Vai ter um filho dele? - Julgo que seja dele.
O Larry trabalha na contabilidade ao fundo do corredor, certo?
� este o tipo que se ficaria a interrogar porque � que usaste os cart�es de cr�dito da empresa
ontem � tarde, naquele motel em New Jersey?
Caramba, Charles, n�s pod�amos ter abafado isso. Para a pr�xima avisa-me.
Est�s a ver?
Esta � Peggy, a minha mulher.
And�mos juntos na escola, Larry. Lembras-te? � a nossa reuni�o.
- Ol�, Audrey. - Ol�.
Estas reuni�es s�o divertidas, n�o s�o?
Vamos, Larry.
D�o-nos licen�a?
Driggs, n�o imaginava que fosses capaz.
- Obrigado. - Charlie!
- Charlie, acalma-te. Acalmo-me?
O que � que tu estavas a fazer? Aquele tipo trabalha no meu escrit�rio.
Se ele abrir a boca acerca disto e, acredita, vai faz�-lo, estou arruinado.
Charlie, tu �s vice-presidente.
Viste a express�o do fulano? Ele considera-te um her�i.
Charlie, o que se passa?
Eu digo-te o que se passa. Cart�es da empresa. Cart�es de cr�dito v�lidos.
Estavam na minha carteira, que estava no meu casaco. Desapareceram.
O meu n�mero de identifica��o pessoal, o meu cart�o de acesso � minha habita��o!
Sabe-se l� quem os tem! Os meus t�tulos do clube de Natal... Oh, merda!
- Se n�o os recupero, sabes que mais? - O qu�?
Estou fodido!
Charlie, eu tenho-a.
Tenho a tua carteira.
Tens a minha carteira?
Caiu do teu casaco e eu apanhei-a.
- Porque n�o me disseste? - Estou a dizer-te agora.
Est� no porta-luvas.
Lulu, olha...
Caramba, tu �s uma mi�da porreira. Tens alguns problemas, mas �s uma mi�da porreira.
E est�s cheia de potencialidades. Mas �s demais para mim.
N�o dou conta disto.
Deixa-me levar a carteira e apanhar um autocarro e voltar para a minha vidinha chata e segura.
Enquanto ainda a tenho.
Charlie, desculpa. N�o pensei que fosse assim t�o importante. Desculpa.
Acreditas em mim, n�o acreditas?
Sim, sim, claro que sim.
Amanh� ir�s acordar e ainda vais ser o Charlie Driggs.
E isto estar� tudo acabado e arrumado.
Portanto, porque n�o aproveitamos enquanto podemos?
E amanh�, ent�o, n�o h� mais Lulu.
A n�o ser que queiras mesmo ir.
Ent�o vai.
The Feelies! The Feelies! Vamos! Obrigado!
Queres alguma coisa... do bar?
Apetecia-me mesmo uma gasosa.
Vou apanhar ar. Estou l� fora, ali.
Ok?
Ser� que posso... Seria poss�vel...?
Tem lume?
Bem, deixe-me... N�o, acho que n�o.
Chamo-me Irene. N�o gosto de etiquetas com nomes.
Oh. Muito bem. Sou o Charlie.
Nunca tive grandes convic��es sobre o assunto, num sentido ou noutro
- Voc� � o marido da Audrey, n�o �? - Humm... sim.
Sim? N�o parece muito convicto.
Eu pr�prio quase que n�o acredito. N�o nos conhecemos h� muito tempo.
- Voc� n�o parece o tipo dela. - Sim, bem, o que lhe hei-de dizer?
Ol�, Audrey. Olha para o Charlie na ponta do bar.
Sa�mos, cas�mos, pela Igreja, sabe... e... humm...
N�o fazia ideia que o Charlie tivesse tanto jeito com as mulheres.
Nem ele fazia.
- Eu trabalho na cidade. - E o que faz?
Parece excessivamente interessada na Audrey e em mim.
Somos velhas amigas.
Pode dar-me uma gasosa? Pode dar-me uma gasosa?
Charlie? Eu vou a Nova Iorque de vez em quando.
- O qu�? - Eu vou a Nova Iorque de vez em quando.
- Sim? - Sim.
- Gostaria de tomar um copo comigo? - O qu�?
Se quer tomar um copo em Nova Iorque!
Sim. N�o! Sou casado. Tenho... Sou um homem casado.
Oi�a...
Divirta-se na reuni�o, est� bem? Prazer em conhec�-la.
Oh, meu Deus!
Ol�, querida. Surpresa!
Ol�, Charlie.
- Vamos embora. - Porqu�? O que se passa?
Vamos, pronto.
Charles, oi. Vais estar por c� amanh�?
N�o sei, est�vamos a pensar voltar cedo.
- Que tal um almo�o? - H�, que tal um almo�o?
- Ol�! - Ol�. Charles Driggs. Marido da Audrey.
Bem, Charlie, prazer em conhecer-te. Eu sou o Ray. Esta � a Irene.
Sim, j� nos conhecemos.
- Ol�. Sou o Larry Dillman. - Ol�. Sou o Ray. Esta � a Irene.
Ol�, Irene. Esta � a Chloe e a minha mulher, Peggy. O Ray e a Irene.
Ol�.
Bem, n�s conhecemos a velha Peg. N�o �, Peg?
Ol�, Ray.
- O Charles e eu trabalhamos juntos. - A s�rio? Mas que bom.
- A dar no duro para o velho... - A� vem ele!
H� tempos que n�o te via, Audrey.
- Parece que foi ontem, Ray. - Como o tempo muda as coisas.
- Oh, se �. - � assim a vida, n�o �?
A prop�sito das coisas mudarem, n�s temos de ir andando.
- At� daqui a... dez anos. - Ok.
- Passa bem, Charlie. - Prazer em conhecer-te.
- Ouve, queres... Ok, vamos l�. - Adeus, Peg. Adeus, Larry.
Caramba, isto � que � um gajo que cai sempre de p�.
Como assim?
H� nove meses atr�s, a mulher levou-lhe os mi�dos e fugiu com o dentista da fam�lia.
Foi o melhor que lhe podia ter acontecido.
Sim, acredito que sim.
- Bolas! - N�o o afogues.
Ol�, pessoal!
- Como � que sa�ram t�o depressa? - Nunca reveles os teus truques, Charlie.
Pensei que pod�amos ir tomar um copo juntos.
A festa aqui acabou. Ainda temos tempo para uma rapidinha.
Obrigado, mas n�o, Ray.
Oh, v� l�!
Vai ser divertido.
- N�o te importas, pois n�o, Charlie? - N�o, tudo bem comigo. Querida?
O que dizes, Audrey? Vai um copo?
N�o queres que eu conte ao Charlie como passas os teus tempos de liberdade condicional, pois n�o?
- V� l�! S� um copo! - Ok, um copo.
Muito bem! Guio eu, Charlie!
Eh, Charlie, o que achas deste carrito?
- Oh, caramba, � uma maravilha, Ray. - Pois �.
- J� n�o se fazem destes hoje em dia. - Caramba, este carrinho anda mesmo.
- Qual � o teu carro? - Humm... uma carrinha Ford.
Uma carrinha? Oh!
Eh, pessoal! Que tal vai isso, h�?
- Larry, filho! - Vamos comer uma piza. Querem vir?
- Humm... piza? - Eu n�o quero piza.
N�o, n�o podemos. Temos outros planos.
Claro. Bem, at� segunda de manh�, Sr. Vice-Presidente, h�?
Ok, at� l�!
Ele vai meter-se em sarilhos com aquela gente.
- Com que ent�o, vice-presidente, h�? - Sim. Acabei de ser promovido.
Bem, vamos ter de fazer desta noite, uma noite para recordar.
Irene, porque � que tu e o Charlie n�o nos v�o buscar umas grades de cerveja?
- Sim, 'bora l�, Irene. - Ray!
O que � feito das boas maneiras? � a tua cidade. porque n�o vais tu?
Eu vou.
Deixa ele ir.
Eu vou.
- Irene, porque n�o vais com ela? - Eu vou com ela.
Olha-me para aquela Audrey.
� uma obra prima, h�?
Oh, sim.
- �s um homem de sorte, Charlie. - Oh, e eu n�o sei?
- H� quanto tempo se casaram? - Deixa c� ver. O ano passado, em Setembro.
- Ainda casados de fresco, pois. - Sim?
- Sabes... - � maravilhoso. � mesmo.
- Onde � que est�o a viver? - Temos uma bela casa em Long Island.
- Sim? Onde? - Stony Brook.
- Estou a fazer um quarto para os mi�dos. - T�m filhos?
- Bem, tencionamos t�-los. - Sim? Que bom.
- A Audrey era um pouco indisciplinada no liceu. - Oh, bem, sim, imagino!
Mas eu sabia que ela iria assentar um dia.
Oh... Obrigado, Ray.
Irene, h� quanto tempo est� ele na cidade?
- N�o sei. - O que queres dizer com isso?
Que n�o sei!
- V� l�, Irene! - Juro por Deus que n�o sei.
Fiquei t�o surpreendida como tu quando ele apareceu.
Oh, meu Deus.
Pergunto-me sobre o que estar�o a falar.
Ora, essa � uma quest�o.
- N�o devia estar a perguntar-te isto... - N�o, n�o, seja o que for.
Sim?
A Audrey era a gaja mais boa do liceu.
E eu pergunto-me como � que ela ser� mesmo.
Que mi�da, Ray. Que mi�da!
Ela �... impulsiva e... a imagina��o dela...
N�o, n�o! Pergunto, na cama!
Oh!
O que estou eu a fazer?
Oh, meu Deus! Bem, ela...
V� l�, Charlie, tens de admitir que ela tem ar de quem te parte em dois na cama.
- Quer dizer, foder-te at� te desfazer. - Ray, isso n�o s�o coisas que se digam.
Tens raz�o.
Tens raz�o.
Eu compreendo.
Desculpa, Charlie.
N�o...
Desculpa, Charlie.
V� l�...
Somos amigos?
Claro. Oh, sim.
Ok.
Vou comprar cigarros. Volto j�.
�s um gajo fixe, Charlie. N�o interessa o que eles digam.
Irene, o Charlie est� sozinho l� fora.
Porque n�o nos deixas uns minutos a s�s?
Vai l�! Vai fazer-lhe companhia.
- Eu n�o tenho nada para te dizer, Ray. - Anda c�.
Estava com esperan�as que aparecesses esta noite.
- Quando � que tu sa�ste? - Tenho andado � tua procura.
Como � que sa�ste, Ray?
- Quem � este Charlie? - Ningu�m. Acabei de o conhecer.
Ai sim? E ele anda a gabar-se l� fora de como tu �s boa.
Tretas, Ray. �s doentio.
Ele � demasiado gentil para dizer uma coisas dessas.
Audrey!
Tive tantas saudades tuas!
- De ti todinha. - N�o...
Nunca me devias ter deixado, querida.
Tentei explicar-te na �ltima carta que te escrevi.
Escrever-me?! Foda-se, Audrey! Eu estou na merda e tudo o que fazes � escrever-me?
Eu n�o quero falar disso, Ray.
Eu concordei em beber um copo contigo. Mas acabou. N�o te esque�as, est� bem?
Est�s a dizer que j� n�o me amas?
� isso que me est�s a dizer?
Sim, � o que te estou a dizer.
Eh, o Charlie tem uma cerveja. Onde est� a minha?
- Aqui. - Aah... caramba! Esqueci-me dos cigarros.
Podes ir buscar-me cigarros, por favor? Por favor?
Claro. Estou a ir.
Obrigado, Irene. �s fixe.
- Despacha-te, Irene. - Oh, sim.
Charlie, olha para isto.
Ray, espera! Ray!
- O que est�s a fazer, Ray? - O que � que te parece?
- Irene! - Espera, ali est� a Irene!
Ela � crescidinha. Ela fica bem.
Al�m do mais, esta � a tua noite para comemorar. Achei que dev�amos ser s� n�s os tr�s.
'Bora l�, salta para a frente. V�!
- Sim, bem, est� bem, Ray. - V� l�. Isso mesmo.
- V� l�, Audrey. - N�o.
Bem, parece que somos s� n�s os dois, camarada.
Porque � que estamos a parar agora?
Ainda tenho de comprar os cigarros, n�o te lembras?
Anda, Charlie. Quero mostrar-te uma coisa.
Caramba. Vou buscar umas bebidas.
- Queres alguma coisa? - Fica aqui comigo.
Audrey, eu deixo o r�dio ligado. N�o achas que ela nos vai abandonar, pois n�o?
N�o. N�o ias fazer isso, pois n�o?
- Anda l�. Quero mostrar-te uma coisa. - Porreiro.
Fique bem.
- Charlie? - Sim?
- J� apareceste na TV? - N�o, Ray. Nunca apareci na televis�o.
- � a tua chance. - Porqu�? O qu�?
- �s o novo vice-presidente, certo? - Sou, pois. N�o te esque�as disso.
Ora bem. Ent�o faz um discurso.
Oh, olha para aquilo!
- Est�s no ar, espertalh�o. - Sim.
Ol�! Eh, eh!
- Ol�. - Como est�?
- Em que posso ajud�-lo? - D�-me um ma�o de Marlboro.
Marlboro. � tudo?
Para o Larry Dillman, um homem cuja discri��o
� apenas excedida pelo seu mau gosto na escolha dos fatos.
Obrigado. Muito obrigado.
Obrigado. Sentem-se!
Por favor, sentem-se.
Acho que n�o temos Marlboro.
...gra�as � minha maravilhosa mulher, Audrey, que me apoiou sempre...
Meu Deus! Ray, o que est�s tu...? Oh!
Voc� est� bem?
Sacana, Ray!
Est�s bem, Charlie?
Levanta-te! Levanta-te!
Ray, maldito sejas!
Cala-te, Audrey!
Vou contar-te uma coisa, Charlie.
Quando eu fazia disto um modo de vida,
Costumava assaltar uma loja de bebidas,
dar a volta � esquina, tirar a m�scara de ski que tinha posta,
p�r outro casaco e voltar ao s�tio que tinha acabado de roubar.
Meu, era de mais! Eles estavam de tal modo passados que n�o reconheceriam as pr�prias m�es.
Eu ficava ali enquanto eles descreviam o que se passara e quem os tinha roubado.
A maior parte das vezes achavam que tinha sido algum fantasma que o tinha feito.
Eles v�o ver a tua cara no v�deo, meu amigo.
Provavelmente � a ti que te v�o apanhar.
V� l�! V� l�, mexam-se!
Muito bem, meninos e meninas. Vamos fazer um joguinho de verdade ou consequ�ncia.
- Afasta-te dele. Afasta-te. - S� estava a ver como estava o nariz dele.
Ora, eu sei que voc�s n�o podem estar mesmo casados.
H� uns tempos que n�o te via,
mas ter-me-iam mandado pap�is se te quisesses divorciar.
Ent�o, porque � que os dois pombinhos n�o me contam que porra � que se passa?
Contem-me, bolas!
- Parem com isso a�! - P�ra tu, caralho!
P�ra com isso, Ray! Deixa-te disso! Ray, p�ra!
Eu conto-te, est� bem?
Ele � s� um tipo que eu apanhei numa rua de Nova Iorque.
Fizemos de conta que est�vamos casados por causa da minha m�e e continu�mos na reuni�o.
O gajo tem uma mulher e dois filhos a s�rio.
- Foi s� uma brincadeira que fugiu de controle. - Tretas!
Tretas, tretas, tretas!
- Calem-se para a�! - Cala tu a puta da boca, porra!
Ray...
Eu conheci-o ontem. N�o se passa nada entre n�s.
Nada. Percebes?
Olha para ti. Pareces a merda de um show de TV.
Tal como ele.
Posso n�o ser educado aqui como o Carlinhos,
mas n�o sou est�pido.
Ela est� a contar-te a verdade, Ray.
Est�?
Ela est�-me a contar a verdade, Charlie?
Sim.
�? Toma...
Ray, est�s fazer uma tempestade num copo de �gua!
- Desculpa ter-te mentido, Charlie! - Continuas a mentir!
Eu sei de fonte segura que aqui o teu amigo n�o � casado.
- A mulher deixou-o por tua causa. - O qu�? O qu�?!
Est�s louco?!
Eu s� o conheci ontem!
Quantas vezes queres que eu repita?
Diz l�, Charlie,
quando � que a tua mulher te deixou?
N�o imagino onde � que ouviste isso, Ray. � absolutamente rid�culo.
- Diz l�, Charlie. - N�o � verdade.
Eu tenho mulher. Tenho fam�lia. Tenho...
Esquece.
- Charlie... - Au! Setembro passado.
Setembro passado?
�s um excelente mentiroso, Charlie.
Charlie, esta � a Audrey. Audrey, este � o Charlie.
Quem � que est� a enganar quem, aqui?
Inacredit�vel!
Deixa-me fazer-te uma pergunta.
- Alguma vez praticaste boxe? - N�o.
- Est�s bem? - Sim.
- Tens a certeza? - Sim.
- Toma. Bebe um golo. - N�o. Obrigado.
Audrey?
Eu costumava lutar muito na cadeia.
Era eu e um grupo de camaradas.
Todos achavam que eu era doido.
Contudo, quando sa� de l�, todos me respeitavam, Charlie.
Partiram-me 3 vezes o nariz.
Ningu�m morre com um nariz partido.
N�o morre, n�o, Ray, mas a viol�ncia nunca resolveu nada.
Quem semeia ventos, colhe tempestades, um dia vais aprender isso.
Ray, �s capaz de o levar daqui?
Merda, querida, ele vai chamar a pol�cia antes de termos tempo de dobrar a esquina.
Porqu�? O que vai ele dizer? Ningu�m o for�ou a vir connosco.
Se ele abrir a boca, pode agarrar na sua casinha nos sub�rbios,
no seu relvado e na sua carrinha,
e na sua vidinha normal e mand�-la pela sanita abaixo.
A n�o ser, claro, que tamb�m estivesses a mentir sobre isso, Charlie.
N�o, isso n�o � mentira.
Compreendes a situa��o?
Sim.
Estou certo de que voc�s os dois v�o ser muito felizes juntos.
P�e-te na alheta.
Os velhos h�bitos nunca se esquecem, n�o �, querida?
Charlie!
- Quer que ateste? - Sim, ateste.
Quer que ateste?
Sim. Aceita cart�es de cr�dito... Nelson?
- Sim, Charlie. Todas as marcas mais conhecidas. - Como sabe o meu nome?
- A sua etiqueta. - Ah!
Sim, sim.
Obrigado.
- Muito bem, Charlie, s�o $13,50. - Obrigado, Nelson. Desconte aqui.
E desconte uma gasosa, tamb�m.
- E uma coisa destas, tamb�m. - Tudo o que quiser, Charlie.
D�s-me licen�a, Joy?
- Eh, essa camisa. O que aconteceu? - O qu�?
- A sua camisa. - Oh, eu... tenho tend�ncia a sangrar do nariz...
- Sim, desconte tamb�m uma camisola. - Uma camisola.
Est� bem? E que tal um chap�u?
Com certeza. Aqui o tem.
- E... tem cal�as? - Cal�as, n�o. Que tal uns cal��es?
- Cal��es? Sim! Vamos aos cal��es. - A sua medida � L, certo?
L, sim. Sim. Parece-me bem.
Ok. E que tal umas meias?
Meias? Sim, junte umas meias �...
- Aqui tem. - Parece-me bem.
- Arranje-me, Nelson. - Eh, Charlie? Tente ser mais discreto.
- Eh, voc� � algum espi�o, Charlie? - Chiu, Nelson!
Ok...
- �culos de sol. Preciso de �culos de sol. - N�o, fique com esses. Est� lindo.
Ok, muito bem.
- Aqui tem. - Ok.
Devia pedir a algu�m para ver esse nariz.
Um nariz partido n�o mata ningu�m, Nelson.
Ok, a� tem, aqui tenho... Ok, obrigado.
- Eh. - Tudo bem, Nelson.
Ol�. Como est�?
Ol�.
- Posso ajud�-lo? - Quanto custa isto aqui?
$49.95.
- Pode ser com cart�o de cr�dito? - Claro.
Registe na caixa.
� mais alguma coisa?
Sim.
Sim. Uma destas camisas.
"Acabei recentemente forma��o administrativa para as sapatarias de desconto LB."
"Parece que irei viver em breve em Fairfield, Iowa,
onde abriu outra sucursal." Caramba!
"A acompanhar-me estar�o a minha mulher, Joyce e os 3 batatinhas,
Billy, 5 anos, Tina, 3 e a nova aquisi��o o pequeno Eric J�nior, 11 meses."
Que parvo�ces!
- O que foi? - Vou-me mudar.
Sim, quero ver como esse fato de banho novo te fica.
- Eh, Audrey! - Sim?
- Quero ver como te fica esse fato de banho. - Espera!
- Vamos nadar ou n�o? - Espera s� um minuto.
Eh, Audrey, o que se passa?
- N�o entres. - Est�s bem?
Audrey!
Vem c�!
O que est�s a fazer?
- � por aqui. - P�ra! P�ra, Ray!
Anda, eu mostro-te. Anda!
N�, n�o...
Querias nadar? Queres nadar, nada!
Parvalh�o!
Parece um casal terr�vel.
- Estamos fechados. - S� preciso de dois minutos.
Abrimos amanh� �s sete.
Eu j� sei o que quero. V� l�. Por favor?
O senhor? Precisa de ajuda?
- N�o, estou bem, obrigado. - Ok.
Gostas de viver aqui?
N�o est� mal.
N�o te aborreces?
Sim, �s vezes.
�s vezes?
�s vezes qu�?
�s vezes � chato, ou �s vezes h� alguma coisa para fazer?
�s vezes aborre�o-me.
- Como � que te chamas? - Tracy.
Tracy, eu sou o Ray.
- Ol�. - Ol�.
Muito bem. L� vamos n�s.
Eu quero um hamb�rguer JD e batatas fritas. E pickles extra.
E uma cerveja e uma cola.
- � para j�. - Obrigado.
Oh, amigo, est� a usar o telefone?
N�o, faz favor.
Senta-te e relaxa. Vamos buscar-te um caf�.
Darlene? Um caf�, por favor, para o George.
- E para sobremesa? - Quero uma raps�dia Rustler.
- Raps�dia Rustler. - Para mim � s� um caf�, Darlene.
- � um instante. - N�o te importas, pois n�o, Ray?
Tu est�s passado. N�o sabes o que est�s a fazer.
Charlie!
�s um est�pido de um filho da m�e!
Estou quase a come�ar a gostar de ti.
- Aqui tem. - Obrigado, Darlene.
Eu quero a Lulu.
� este o teu nome esta semana? Lulu?
Sim.
Sabes, Charlie, ela n�o vai ser feliz
a andar de carrinha o resto da vida dela.
� melhor que penses nisso.
� melhor perguntares-te a ti mesmo se a queres mesmo.
Quero-a mesmo.
�ptimo.
Charlie, vais lutar por uma mulher assim?
N�o vou ter de lutar contigo. N�s sa�mos daqui e n�o h� nada que possas fazer.
Oh, Charlie. Sa�ste-me c� uma coisa. Mas c� uma coisa!
Olha para ali.
V� l�.
- Boa noite, Sr. guarda. - Que tal vai isso?
Ray, tu �s um bandido condenado de posse de uma arma escondida.
Roubaste uma mercearia, assaltaste aquele pobre mi�do � m�o armada.
Deixaste o estado da Pensilv�nia, violando as regras da liberdade condicional.
E era capaz de apostar que aquele teu Cadillac � roubado.
Charlie...
Agora �s tu que tens algo a perder.
Vai-te foder.
- Ele apanhou-te, Ray. - Vai-te foder tamb�m tu, Lulu.
Boa, noite, Srs. guardas.
- Como est�o? - Oh, muito bem, obrigado.
Passa-me as chaves do carro.
V� l�, passa as chaves do carro.
No JD, onde querias que fosse?
- Vamos. - Vais-te arrepender por isto.
- Bem, a vida � cheia de arrependimentos. - N�o.
Vais-te arrepender a s�rio.
- Agora a tua carteira. - Charlie, v� l�!
Achas-te muito espertinho, n�o � Charlie?
Bastante.
Mas olha, Ray, s� para te mostrar que n�o guardo ressentimentos,
o jantar � por minha conta.
- Boa noite. - Boa noite.
O outro senhor disse que voc� pagava.
O filho da m�e.
Meu Deus, foi fant�stico!
Oh, caramba, isto vai ensin�-lo a n�o se meter com o Charlie Driggs, podes crer.
Muito bem, mentiroso. Sai!
- O qu�, est�s a gozar? - Tu salvaste-me, eu salvei-te. Agora sai.
- Eu n�o saio do carro. - Sai da merda do carro!
- No meio da Virg�nia? - Charlie, sai!
- N�o, n�o saio... - Porra! Sai!
- Estamos a meio da noite. - Sai da merda do carro, Charlie!
Ok...
O que � que tu...?
Tu... �s vezes n�o sei quando est�s a brincar ou n�o.
Porra, Charlie! Eu vi a tua alian�a!
Merda, vi as fotos da fam�lia!
Envolvi-me com um homem casado que nem sequer � casado?!
Eu era casado quando aquelas fotos foram tiradas.
Muito engra�adinho.
Eu uso a alian�a porque detesto admitir que a minha fam�lia se desfez.
Eu disse-te que era casado para me proteger.
E depois, tinha medo que, se te dissesse, te fosses embora.
Podes crer, parvalh�o. Teria ido.
- Tu tamb�m me mentiste bastante. - Exactamente.
Oh, obrigado, Senhor!
Entra, entra. Entra, entra, d� a volta!
Entra! Entra! Entra! Entra!
Ok...
Eu volto dentro de dias, sim? Vais estar aqui?
A tua irm� fugiu mesmo com um vendedor de B�blias?
Juro por Deus. Os tipos religiosos s�o do piorio.
Eu volto, sim? Esperas por mim?
Ok, tenho de ir andando, est� bem?
- Vai, vai. Vai para casa. - Tchau.
Despacha-te. Vai.
� t�o estranho.
- Disseste alguma coisa? - N�o me apetece ir para o meu apartamento.
Merda...
Bem...
podes ficar na minha casa.
Por esta noite.
N�o h� muita mob�lia, mas h� imenso espa�o.
Ok, obrigada.
Audrey Hankel.
Sim... Stony Brooks.
Charles Driggs.
Sim, com D. D-R, sim.
D�-me a morada disso.
1427 Maple. 1427 Maple. Obrigado.
- Onde � a casa de banho? - Ao fundo do corredor, � esquerda.
Charlie...
Sim?
O que vais fazer agora que viste como vive a outra metade?
Outra metade?
A tua outra metade.
Ol�, Charlie.
Ray!
Levanta-te!
Vamos l� ver do que �s feito, Charlie!
Charlie?
Charlie?
Ray, p�ra com isso! Vais mat�-lo!
Estou s� a aquecer!
Sai da frente!
Fico contente por saber que finalmente conseguiste casa nos sub�rbios, cabra!
Anda c�!
N�o me interessa...
o que ela te disse, eu conhe�o a minha mulher.
E voc�s, VIPs queques, n�o chegam para ela.
- Est�s bem, Charlie? - Charlie, vou buscar ajuda!
Charlie!
Eu n�o te disse para ficares? J� n�o me magoaste o suficiente?
Olha o que me est�s a fazer! Entra para aqui!
Porque me est�s a fazer isto? Cala-te!
Entra aqui, Charlie! Entra no teu quarto, Charlie!
Lulu!
P�ra com isso, Ray! P�ra!
Charlie, est�s bem?
Charlie!
- Odeio-te! - Eu tamb�m te odeio!
- Lulu! - Charlie!
Charlie, chega aqui! Tenho uma coisa para ti!
Porque n�o me d�s uma oportunidade? Porqu�?! Porqu�?!
P�ra! P�ra!
N�o, n�o...
Oh... Oh, meu Deus!
Ray!
N�o! N�o!
N�o!
Odeio-te tanto! P�ra!
Charlie!
N�o, Ray!
Merda, Charlie.
Pelo que percebo, o assalto ocorreu h� uma hora.
- Sim. - As chaves
Ele partiu a janela para entrar
e voc� foi for�ado a entrar, Sr. Driggs, pelas traseiras.
Pelo que percebi, ele algemou-o nessa altura.
Sr. Driggs, conhecia-o?
Conhecia este tipo?
Ele era o meu marido.
O seu marido?
Ray Sinclair.
E qual � o seu nome?
Audrey.
Audrey, pode vir comigo, por favor?
Espere.
N�o vai... N�o a vai prender por causa...
Est� tudo bem, Sr. Driggs. S� pretendemos mais informa��es.
Charles?
Larry!
Ol�.
Ouve...
Lamentamos que te v�s embora.
Oh, agrade�o.
N�o h� maneira de te fazer mudar de ideias?
N�o. Acho que n�o.
- H� alguma coisa que eu possa fazer? - N�o. J� est� tudo tratado.
Est� tudo bem.
Bem...
O que achas de um gajo como o Ray Sinclair?
Bem...
Diz qualquer coisa. Prometes?
Prometo.
Eh, Larry.
� prefer�vel ser-se um c�o vivo do que um le�o morto.
Foi bom trabalhar contigo, Charlie.
Quem �?
Estou � procura da senhora do 3F. Chama-se Lulu, ou Audrey.
Eu vivo no 3F. Deve estar a procurar a rapariga que se mudou.
Falou com ela? Quer dizer, ela disse...
Ela disse para onde ia, ou deixou algum endere�o ou alguma coisa?
N�o. Quando me mudei para aqui estava vazio.
Ok, obrigado.
- Eh! - Sim?
- Sabe quanto ela pagava de renda? - A renda?
Sim. Este pr�dio � de renda estabilizada mas desconfio que o senhorio me est� a enganar.
Sim, bem, n�o me surpreenderia.
O Minist�rio P�blico apanhava-os e confiscava-os,
E eu ia busc�-los de volta e voltava a vend�-los.
- Aqui est� a sua conta. - Ok, obrigado.
Eh! N�o pagou a comida. Onde � que pensa que vai?
- V� l�. N�o tenho o dia todo. - O qu�?
- N�o pagou pela comida. - Claro que paguei, Dottie. Pus $5 em cima da mesa.
Acha que eu sou parva?
Ou�a, est� enganada. A conta era de $3,1 e eu deixei $5 na mesa. � uma gorjeta choruda.
- Acha que pode comer sem pagar? - Est� bem. N�o tem grande problema, por mim.
- Fique com... Fique com o troco. - Claro.
N�o chegaste a dizer adeus.
Nunca quis dizer adeus.
Queres boleia?
Claro, Audrey.
Porque n�o?
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