All language subtitles for La-propera-pell.2016

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Original subtitles

L�o!

L�o, o que est�s a fazer?

Desce da�! J�!

L�o! Porque est�s a subir para a�?

Desce da�, j�!

O que raio est� ele a fazer?

L�o, desce da�!

�s demasiado pesado!

Filho da m�e! Ele fez isto de prop�sito!

Salta!

Onde est� o Michel? Vai busc�-lo.

Todos para dentro! Ouviram-me. Para dentro!

L�o, desce da�!

Salta, seu desgra�ado.

V� l�, salta!

Cala-me a boca!

Salta!

Cala-te!

Arranja coragem. Salta.

N�o te mexas.

L�o!

Merda! Porque ningu�m o impediu?

Ele � o raio do teu rapaz. Onde estavas?

L�o?

Queres ver o meu �ltimo voo?

Ana, telefone.

Sim, sou eu.

Sim, um pouco.

Onde est� ele?

E agora?

Vais saltar ou devemos falar?

N�o quero fazer o teste.

Dois anos � procura e agora que encontrei a tua m�e, est�s com medo?

Fant�stico.

N�o sou eu.

Ouve, L�o,

sei que est�s com medo,

mas em breve far�s 18 e a� podes fazer o que quiseres.

E se a vir e n�o me lembrar dela?

Tens a oportunidade que os teus amigos gostariam de ter.

Encontrar a fam�lia deles.

N�o a desperdices. Confia em mim.

Virias comigo?

N�o te preocupes.

Sim.

Como me devo chamar?

... O RAPAZ, GABRIEL FARR�S, DESAPARECEU DEPOIS DE...

Bom dia.

- Prazer, sou o Michel. - Ana.

- Enric. - O meu cunhado.

O tio do Gabriel?

Sigam-me.

Como se vai proceder, este encontro?

D�-me o ficheiro do L�o, por favor. Obrigado.

Desculpe, mas...

Quando o trouxeram, ele tinha uma t-shirt do Leo Messi vestida.

Ele nunca a tirava e o nome ficou.

H� quanto tempo est� aqui?

Est� aqui h� dois anos.

As hip�teses de encontrar uma crian�a desaparecida ap�s oito anos

s�o quase nulas.

Costumamos verificar os nossos casos de crian�as desaparecida na Europa.

Mas quando o L�o aqui chegou, ele n�o falava.

Por isso lev�mos algum tempo a identificar o sotaque catal�o.

Depois disso,

procur�mos crian�as que tivessem desaparecido da Catalunha na altura.

- Est� bem? - Sim.

T�nhamos uma lista de dez nomes.

Desculpe. Temos de entrar todos?

Poderia deixar-nos?

Entre eles, estava o Gabriel Farr�s.

E onde o encontrou?

Nas ruas.

N�o se lembrava de nada.

E o que diz ele? Ele diz que � o Gabriel?

� mais complicado do que isso.

J� ouviram falar de amn�sia dissociativa?

� geralmente causada por um choque psicol�gico.

N�o � o que todos eles dizem ter?

Para n�o serem mandados para casa?

Os mi�dos aqui s�o delinquentes, sem fam�lia.

A maioria sofreu abusos.

Tento saber coisas sobre o seu passado para lhes dar apoio psicol�gico.

Mas com o L�o foi imposs�vel,

porque ele n�o se lembrava da sua inf�ncia.

Ent�o, ele n�o...

N�o se vai lembrar de mim?

Ficarei convosco durante algum tempo para o ajudar a readaptar-se.

E se n�o tivermos a certeza que � ele?

A lei francesa diz que o reconhecimento m�tuo � suficiente.

Mas se a d�vida persistir, podem ainda fazer um teste de paternidade.

- Compreenderam? - Sim.

Est�s bem?

Podemos parar?

Aqui n�o. Espera um bocado.

Est�s mal disposto?

Tenho de mijar.

L�o.

N�o se preocupe, n�o � nada.

Ele volta. Est� tudo bem.

Vou procur�-lo.

L�o?

N�o vens?

N�o mudaste nada.

Deixei-o como estava, para ti.

Dantes n�o chegava aqui.

Onde est� o meu c�o?

N�o...

Talvez te lembres dos teus av�s.

E os cavalos?

Vendemo-los.

� a Gl�ria, que devo fazer?

- Fica pelo menos para o jantar. - Ela vai querer v�-lo.

� minha mulher.

Talvez seja melhor ficarmos por aqui, hoje.

J� tiveram emo��es que chegue para um dia.

- Ent�o, eu fico. - N�o, deixe-os sozinhos.

� melhor come�ar logo em grande, n�o acha?

Pode dar-me boleia para o hotel?

O matadouro usa m�todos de matan�a de gado isl�micos.

A maioria dos empregados s�o de Mali...

Obrigado.

... da Guin� ou do Norte de �frica.

O matadouro come�ou h� pouco tempo a usar um sistema de rota��o

para que os empregados n�o tenham sempre a mesma fun��o,

uma vez que uma grande percentagem dos que fazem a matan�a,

desenvolveu problemas psicol�gicos.

Agora, todos os empregados alternam de trabalhos:

a sec��o de entrada do animal e a sua matan�a,

limpar, esquartejar

e a prepara��o da sua carne para consumo.

Estou cansado, sim?

Vou para a cama.

Importas-te?

RAPAZ DESAPARECE NOS PIRIN�US

HOMEM MORRE E O FILHO DESAPARECE EM SETRIUS

M�E MANT�M A ESPERAN�A VIVA

RAPAZ, 9, DESAPARECE AP�S A MORTE ACIDENTAL DO PAI

DESAPARECIDO

Bom dia.

Fiz-te o pequeno-almo�o.

Olha. Estes s�o giros.

Gostas deles?

Que n�mero cal�as?

Quarenta e dois, mas j� tenho estes.

Sim, mas vais precisar de cal�ado de montanha.

Deixa que a tua m�e cuide de ti.

N�o quero que gastes dinheiro comigo.

Com quem mais o gastaria?

Tamb�m tenho uma coisa para ti.

GRANDES �XITOS

Obrigada. Gosto muito.

Ol�. N�o te dou um abra�o, porque cheiro mal.

Joan?

Vai l�, eu estou aqui.

Joan, vamos.

Gl�ria?

Anda, o mi�do est� aqui.

Ol�.

Ol�.

- Tivemos saudades tuas. - Eu tamb�m.

Est� todo crescido.

O que tens feito?

Fomos �s compras e demos um passeio.

Faz-te bem sair um bocado.

Gl�ria, chega.

Tens de recuperar o tempo perdido.

- Pode tirar uma foto, Joan? - Sim.

J� est�.

Vamos fazer um brinde.

Obrigado.

Ao Gabriel.

Ao Gabriel.

Ao Gabriel.

- O que foi? - O que pensas?

De qu�?

Da aldeia.

Talvez esperasses outra coisa.

Continua uma seca, como sempre.

N�o pareces aborrecido.

Como?

A de verde � tua namorada?

Eu vejo tudo.

Tens de fazer algo.

Lembras-te mesmo de mim?

Est�s a gozar?

Claro que me lembro de ti.

Est�s perdido.

N�o reconheceste a minha m�e h� bocado.

N�o finjas comigo.

Pensava que me estava a sair bem.

Jog�vamos basquetebol, n�o era?

Lembro-me de algumas coisas, de outras n�o.

Sim, certo. Lembras-te do que te conv�m.

Relaxa, n�o me parece que se tenham apercebido.

Se precisares de alguma coisa...

N�o me lembro de nada do meu pai.

Eles dizem que � melhor se fores tu a lembrar-te das coisas.

Joan, anda.

Tenho de ir...

Toma, s�o as chaves de casa.

H� comida no frigor�fico.

ESCOLA SECUND�RIA PAU RIBA

Ana?

Achas que o Gabriel poderia trabalhar aqui?

Aqui? Imposs�vel.

N�o seria melhor deix�-lo em paz por uns tempos?

N�o lhe faz bem n�o fazer nada.

E que tal no hotel do Enric?

N�o quero ficar a dever mais favores ao Enric.

N�o achas que seria bom para o Gabriel se nos mud�ssemos?

Queres ir embora?

Quero.

N�o h� nada para fazer aqui.

N�o podia ir embora sem o Gabriel,

mas agora mudou tudo.

Para onde irias?

Eu?

Sou do sul.

Nunca tinha visto montanhas como esta antes.

Por agora, � provavelmente melhor se ficares.

Seriam demasiadas mudan�as para o Gabriel.

E tu? Onde vives?

O lar de acolhimento � a minha casa.

O lar de acolhimento?

A minha hist�ria � parecida � do Gabriel.

Tinha 15 anos, quando l� entrei.

Mas n�o tive tanta sorte.

E n�o � assim t�o f�cil sair.

Levar uma chamada vida normal.

Por isso, fiquei e eles tornaram-se a minha fam�lia.

Depois consegui ser assistente social e isso salvou-me.

Sen�o, acho que teria ido por maus caminhos.

Maus caminhos?

Porque acabaste l�?

Isso �...

... uma hist�ria para outro dia, com uma cerveja.

Milho tostado.

Estas s�o minhas. O meu primo � menor de idade.

Vendo-te cerveja, mas n�o abuses da sorte.

J� tenho idade.

- N�o me mintas, mi�do. - N�o estou a mentir.

Se n�o gostas assim, n�o precisas de levar.

Sempre a mesma coisa!

Joan.

O troco � a minha comiss�o.

Toma!

� precisa identifica��o para isto?

Vamos v�-lo conduzir a seguir.

S� conduzo carros.

Pois, podes conduzir o meu quando quiseres.

Gabriel, onde tens estado?

N�o te lembras de nada?

O que tens a ver com isso?

Acreditas em tudo o que ouves? Claro que me lembro.

Por onde tens andado?

Por todo o lado.

Sozinho?

�s vezes, sim. Conheci pessoas pelo caminho.

Deves ter conhecido todo o tipo delas.

De que vivias?

Do que aparecia.

Havia sempre algo para fazer.

O que significa isso?

Trabalhavas?

Queres saber tudo?

Avisa-me quando te fartares.

Trabalhei como tatuador,

mec�nico, apanhador de morangos,

eletricista, palha�o, pintor, carteiro...

Avisa-me quando chegar.

E como homem do lixo, certo?

A distribuir publicidade, como empregado... J� chega?

Uma vez, em Portugal,

conheci um homem que trabalhava num matadouro

e ele p�s-me l� dentro.

Entrei

e eram todos pretos ou �rabes.

Eu era o �nico branco.

Que trabalho, meu.

Como em tudo, habituas-te.

O pior foi quando apanh�mos o patr�o a dar uma com uma ovelha.

- O qu�? - N�o, a s�rio.

Isso � nojento!

Diz isso a quem a comer.

Com o s�men dele l� dentro!

Nojento!

Foi dif�cil acordar e matar 50 animais por dia?

Isso � selvagem, meu.

- Bem, tu ca�as. - N�o � a mesma coisa.

Lembro-me de uma vez,

na primeira viagem, eu e a minha irm� fizemos ca�a furtiva.

Eu queria muito ir ca�ar e ela s� queria ir para casa.

Deparei-me com uma cabra-mont�s

e matei-a.

N�s abrimo-la logo l�.

Era uma f�mea gr�vida e eu senti-me muito mal.

Continuo a com�-las, s�o deliciosas,

mas n�o as voltarei a ca�ar.

Sim, matar a toda a hora p�e-te maluco, por isso � que eles rodam.

Come�as a esfolar, depois a cort�-los.

Ningu�m passa o dia a mat�-los.

Mas deparas-te com todos os tipos. Uma cabra beb� n�o � nada.

Um dia, est�vamos a abrir uma vaca,

quando ouvimos um barulho a vir de algum lado.

Era como...

Uma abelha?

N�o.

Ouvimos este barulho,

depois abrimos a vaca

e vimos um telefone l� dentro.

Um telem�vel.

- Ainda funcionava? - Funcionava.

� um telem�vel de qualidade!

Ainda funcionava.

O agricultor estava tipo: "N�o encontro o meu telem�vel." Continuava a ligar.

Setenta chamadas n�o atendidas.

Lig�mos-lhes de volta por divertimento.

Aposto que ainda se lembra de n�s.

�s maluco. E deste uma numa ovelha?

S� o pessoal das aldeias � que d� uma com animais.

Joan, preciso da tua ajuda.

De que precisas?

- S� posso confiar em ti. - O que se passa?

Preciso de subir a montanha.

Onde o meu pai morreu. N�o consigo sozinho.

Ajudas-me?

Como foi com o pessoal?

Bem. S�o gente porreira.

�s bom nisto.

Achas?

Gosto disto.

Gostaria de aprender a cozinhar.

Posso ensinar-te.

Precisa de amor, como tudo.

Quando vives sozinho, n�o te importas.

Mas com um pouco de amor,

deitas algumas ervas que tenhas

e chamas-lhe "ragu de vitela com ervas finas" e est� pronto.

N�o h� �gua.

Os canos devem estar congelados. Sai da�.

- �gua. - Fecha.

Queres mais?

- Um pouco mais? - N�o.

- S� uma pinga. - Vais embebedar-me.

N�o...

Isto � muito bom.

O que � isso?

Meu Deus.

- Prova. - Isso � nojento. N�o.

Prova.

Prova.

E tu, gostas disso?

Deixa-me provar.

N�o, n�o gosto.

Obrigada por ter vindo.

Espera.

Vou contigo, para aprender a fazer.

O Joan disse-me que foste � escola dele.

Sim.

Olha, mi�do,

n�o sei o que queres, mas a mim n�o me enganas.

Est� claro?

Est�s a falar de qu�?

Podes fingir ser o Gabriel, mas deixa os mortos em paz.

Percebeste?

Como v�o as coisas com a Ana?

Bem.

Ouvi dizer que a escola local � muito boa.

Escola? Para que preciso de uma escola?

- Podias fazer um curso profissional. - Esquece isso.

Quanto tempo vais ficar?

Uns dias, uma semana no m�ximo.

Tenho de voltar. Eles n�o podem viver sem mim.

Gabriel, diz-me...

Chama-me L�o, por favor.

Gabriel � demasiado estranho.

Para mim tamb�m �.

Queres ficar com este?

N�o, tira-o.

- Tens a certeza disto? - Tenho.

Ficarei bem aqui.

- N�o tens frio? - N�o.

O que � isto?

N�o sei. N�o os vi.

O pai est� em alguma?

Lembras-te dele?

De algumas coisas.

Gabriel, onde est�?

Pap�! Mam�!

Tinha uma voz t�o aguda.

Agora tens voz de homem.

Mudaste um bocado.

- Ana? - Sim?

Est�s bem?

Sim?

Olha para o teu cabelo comprido.

- Dantes parecias-te mais comigo. - Era?

As tuas sobrancelhas s�o mais escuras agora.

S�o como as do meu pai, agora.

N�o �, Michel? Esta parte aqui.

A express�o, particularmente.

Que fato de banho giro.

Que vergonha.

- Est�s linda. - Sim, pois.

- Est�s linda. - N�o...

- Ela est� bonita, n�o est�? - Muito bonita.

E ainda o �.

Olha, o teu pai era lindo.

Voc�s os dois passaram o dia a jogar.

Ele gostava mesmo de n�s.

Est�s louco. Porque n�o ficas por aqui?

Vais congelar.

Isto n�o � frio.

Uma vez na R�ssia, quase morri congelado. Isso � que era frio.

- Estiveste na R�ssia? - Estive.

Cinco tipos saltaram-me para cima e come�aram a bater-me.

Pensava que me iam matar.

Comecei a dar murros e pontap�s

at� me aperceber que estava a congelar.

Eu estava assim.

Aqueles pobres desgra�ados ficaram lixados.

- Como foste parar � R�ssia? - De boleia.

S� dizes tretas.

- Isto � m� ideia. Vamos. - Espera.

Vamos voltar.

Foi aqui que ele caiu?

O que aconteceu?

Perderam-te. O Llu�s continuou � procura.

O teu pai foi buscar ajuda.

Penso que foi aqui.

E depois?

Nevou durante dois dias e depois o meu pai encontrou-o.

Isto � m� ideia, meu.

O que fazia um menino de 9 anos aqui?

A ca�ar. O teu pai era assim.

E onde estavas tu?

O meu pai n�o me trazia, quando eu era pequeno.

Eram s� voc�s os tr�s.

- O teu pai era diferente. - Diferente como?

Como te lembras de mim e n�o dele?

Porque n�o fala ningu�m dele?

Porque n�o h� nada de bom para dizer.

� melhor se n�o te lembrares.

O teu pai � um animal, mas tu ama-lo.

O meu pai procurou-te durante cinco dias.

Cinco dias! Na neve.

Mal se safou. Os dedos deles quase congelaram.

Isto foi o que sempre fizeste. N�o percebo porque o defendem.

N�s defendemo-lo?

J� ningu�m no hospital acreditava que tu e a Ana tinham acidentes.

Desculpa. N�o digas � tua m�e que te contei.

Enche tudo.

Tudo. N�o? Sim, est�s a ver!

Um, dois e...

Outra vez.

Vamos secar-nos.

Pap�! Mam�!

Mam�!

PAUSA

O que se passa? H� algum problema?

Tens algo para me dizer?

Eu? Como o qu�?

Estou farto. N�o perten�o aqui.

O que foi agora?

Como � normal, desistes � primeira dificuldade.

O que queres? Ficar aqui com a Ana ou voltar para o lar?

N�o � isso.

Ent�o, � o qu�?

Est�o todos a mentir.

Eu menti-te?

Trouxeste-me para aqui, mas n�o me contaste nem metade.

N�o sei do que est�s a falar.

Queres que fale com a Ana? Diz-me.

Que vergonha.

� sempre o mesmo filme todos os anos.

Voltei a ver as cassetes.

Era muit�ssimo bom. Voc�s levavam-me a todo o lado.

Bem...

Dantes t�nhamos mais dinheiro.

Que mais faz�amos com o pai?

O que viste.

F�rias.

Mas aqui, na aldeia, o que faz�amos?

Jogavam futebol,

iam esquiar...

E que mais?

Gostavam muito de nadar no lago no inverno.

Que mais?

- Escalar... - Que mais?

N�o sei.

O que queres saber?

Penso que me come�o a lembrar de outras coisas.

Boa noite.

Boa noite.

Enric.

Enric.

O Gabriel est� em casa.

N�o o quero acordar.

N�o o vamos acordar.

Enric, n�o.

N�o, Enric. N�o.

Por favor. N�o me fa�as isto.

Tenho saudades tuas.

Pensa no Gabriel.

�s o tio dele.

E eu?

Quem pensa em mim?

Quem vai � frente?

O Alfred.

Mas saem muitos no �ltimo dia, por isso, isto pode mudar.

O teu pai ganhava sempre.

Ele podia passar horas a ca�ar.

Ele odiava perder. O Enric costumava ficar muito chateado.

Tamb�m podes ir, mas tens de acordar �s cinco da manh�.

N�o, tenho problemas de sono,

e, aqui em cima, o mais pequeno barulho acorda-me.

Vejo que o Joan n�o est� aqui.

Vou procur�-lo.

Estava delicioso, Gl�ria. Obrigado.

Vou deixar-te pagar, Enric.

Mant�m isto em fam�lia.

Andavas a comer a Ana, quando o meu pai era vivo?

O teu pai...

O teu pai?

Deixa o meu irm�o em paz.

N�o sei quem �s,

mas n�o �s bem-vindo aqui.

Querias a Ana s� para ti?

N�o fazes a m�nima ideia.

Pela �ltima vez,

afasta-te da minha fam�lia. Percebeste?

E tu afasta-te da Ana.

Se ficares calado, eu tamb�m fico, sim?

- Porque me mentiste sobre o pai? - Perdoa-me.

Estava prestes a ir-se embora. N�o somos uma fam�lia.

Gabriel.

Gabriel, por favor.

Volta a mentir e eu vou-me embora.

Desculpa-me.

Desculpa-me.

Pomos o c�o na jangada?

P�e-no l�.

Est�s a subir?

- Sobe. - Ele n�o quer subir.

Anda c�.

As raparigas querem que v�s � escola.

Elas v�o comer-te � bruta.

Aposto que a Sara disse isso.

Elas acham-te giro.

Mesmo se eu for assim?

Deixa-me ver.

N�s far�amos um bom par.

Tens demasiada pele.

Um casal fofo!

Est�s envergonhado, Joan?

O Joan n�o gosta disto.

Tens demasiada pele.

Pod�amos circuncidar-te como uma pila.

Est�s envergonhado?

As raparigas podem mudar de ideias, se te virem assim na escola.

- Vou passar pela escola. - Porqu�?

Se calhar, farei forma��o profissional.

V� l�.

Para de ser um idiota.

Est�s surdo?

Est�s surdo?

�s da prote��o animal?

- Sim, sobe! - Desaparece!

Disse para subires. Tens medo de ir l� para cima?

- J� l� estive antes. - Ent�o, sobe.

- Vamos ver. - Sobe!

- N�o tenhas medo. - Vai.

Agora vais sofrer, estupor!

Parvalh�o!

- Parem, pessoal! - Era isto que dava tanta gra�a?

Para, n�o tem gra�a.

Um presentinho para ti.

N�o faz mal o teu c�o cair, mas tu j� faz?

Est�s a ir demasiado longe.

Parvalh�o!

E agora? Navega at� � Am�rica!

Rapazinho espertalh�o.

Para!

V� como o c�o est� a rir agora.

Parem, pessoal. Parvalh�o!

Para!

Para j� com isso!

Para!

David, para com isso!

"Vou chorar."

- Filho da m�e! - Para!

Desgra�ado!

- Para! - Filho da m�e!

Filho da m�e.

Gabriel, para com isso.

- Acalma-te. - Deixa-me em paz!

Est� tudo bem.

Est� tudo bem. Calma.

Eu n�o sou assim.

Gabriel?

Desculpa, n�o te vi.

- Passa-se alguma coisa? - N�o, n�o � nada.

- O que se passa? - Nada.

Por aqui, por favor.

Entra.

� encantador.

- Porque estamos aqui? - Para ter alguma privacidade.

Os alde�os n�o v�m aqui, s� os turistas.

E porque precisamos de tanta privacidade?

Para celebrar a tua partida.

Gin t�nico?

- Ol�, jeitoso. - Dois gins t�nicos, por favor.

Muito bem, estou a ouvir.

Quero saber quem � aquele mi�do.

O que fez ele?

Os ficheiros s�o mantidos em segredo. Mesmo da fam�lia.

Especialmente da fam�lia.

� a chave para a reintegra��o.

Obrigado.

Ent�o, deixas a Ana com um estranho?

Esse estranho � o filho dela.

Qual � mesmo o teu problema?

E tu? Qual � o teu problema?

Porque escondes coisas?

Temos o direito de saber.

Eu tamb�m tenho o direito a saber coisas.

Sei que queres proteger a Ana,

mas eu tenho de proteger o Gabriel.

Compreendes?

Podemos pagar isto?

N�o.

- N�o? - N�o.

�s vezes, temos de nos mimar.

E porque estamos aqui?

Quando o teu pai estava de mau humor, eu trazia-te aqui.

At� o Enric o ter acalmado.

O Enric?

Sim.

O Enric.

Sei que parece bruto,

mas ele foi o �nico que me ajudou.

Desculpa-me.

Pensava que era melhor, se n�o te lembrasses do qu�o maus pais �ramos.

Afinal, a amn�sia tem a sua parte boa.

Parece que sim.

� t�o f�cil.

Se tivesse sido corajosa o suficiente para me ir embora h� 8 anos,

n�o te teria perdido.

Ent�o, vamos faz�-lo agora.

Vamos.

Sim.

Vamos faz�-lo bem.

Ele come�ou a roubar e a traficar pequenas quantidades de drogas.

Depois juntou-se a um gangue.

Tamb�m foi preso, mas saiu sempre. Depois, as coisas complicaram-se.

Fizeram assaltos � m�o armada, uma bala saiu mal e um homem foi baleado.

Ele foi preso uns tempos depois nas ruas.

Faz o que tiveres de fazer, mas quero-o fora daqui.

O que te incomoda mesmo

� que ele est� a estragar a tua rela��o com a Ana.

Desculpa, mas isso n�o vai a lado nenhum. Ela tem muito mais em jogo.

Tu tens o bar, amigos, a ca�a... Mas ela est� sozinha.

N�o te metas.

�s um psic�logo da treta.

Se eu fosse outra pessoa, a Ana e eu j� ter�amos ido embora h� s�culos.

Mas aqui...

Sou o cunhado dela,

o irm�o do Llu�s

ou o tio do Gabriel.

Se amas mesmo a Ana, ter�s de aceitar o Gabriel.

Aceitar o Gabriel? Depois do que me acabaste de contar?

O que te contei n�o � a hist�ria dele, mas sim a minha.

E mesmo assim, aqui estou eu.

Ouve, aquele rapaz n�o � o Gabriel.

Conhe�o estas montanhas. Um mi�do n�o as poderia ter atravessado.

E muito menos na neve. Imposs�vel.

A Ana reconheceu-o, porque ela precisava de o fazer.

Se lhe pusesses uma rapariga � frente, ela tamb�m a reconheceria.

� culpa minha.

Devia ter pedido um teste de paternidade primeiro.

Mas ver a Ana t�o feliz... N�o me atrevia a pedir.

E agora � como um cancro.

Tens de travar isto, antes que isto arru�ne tudo.

Se fosse mesmo o Gabriel, ele nunca voltaria para este fim do mundo.

Amn�sia dissociativa ou n�o, h� coisas...

Coisas que s�o imposs�veis de esquecer.

Est�s muito envolvido emocionalmente.

Tenho procurado durante anos

e este tem de ser o Gabriel.

Estou a dizer-te que n�o � o Gabriel.

Eu sei que n�o.

Por isso, diz-lhe para desaparecer.

Faz e diz o que quiseres. Eu n�o direi nada.

Sou bom nisso.

Como explicas as suas mem�rias deste lugar?

N�o sei.

N�o h� d�vida que � esperto, mas asseguro-te que n�o � o Gabriel.

Est� tudo bem com a Ana?

Algo que me queiras contar?

Est� tudo �timo.

Podes ir descansado.

Por enquanto, fico por aqui.

Est� a ir bem.

� melhor come�ar logo a s�rio, certo?

Obrigado, vou ter saudades tuas.

Percebi que tu e o Enric n�o se d�o l� muito bem.

Est� controlado.

Vai tomar um banho.

O Gabriel?

Foi tomar banho.

Vim s� buscar-lhe uma t-shirt limpa. Ele est� transpirado.

O quarto est� excelente. Bom trabalho.

Est� bonito.

Preciso de um caf�.

Queres um?

Adoraria.

Ana.

Como vai o Gabriel? Tu v�-lo mais do que eu.

Est� bem.

Ele quer que partamos.

Acho que seria bom para n�s.

O que achas?

Acho que devias fazer o teste antes de ires embora.

N�o o posso fazer passar por isso.

N�o h� necessidade.

Um copo de vinho?

Sim, por favor.

- Obrigado. - De nada.

Venham c�.

Aten��o, por favor!

Muito bem, pessoal...

� a �ltima vez que me v�o ganhar.

Adoraria regressar a Cadaqu�s este ver�o.

O que � tudo isto?

Nada.

Lembras-te de quando queimei as costas?

Lembras-te?

Passaste o dia todo na �gua.

Pisei um ouri�o e tu obrigaste-me a sair, lembras-te?

Tive de te levar ao colo.

Porque eu n�o conseguia andar.

E o que fizemos a seguir?

Comemos polvo num restaurante?

Castigaste-me, porque bebi da tua cerveja.

Lembras-te?

N�o me lembro l� muito.

Amas-me?

Como dantes?

Queres ir dar um passeio?

Posso?

Gabriel, anda c�.

- Anda. - Vejo-te no t�nel.

Anda c�.

Est� tudo bem?

Pareciam felizes.

Achas que nunca iria descobrir?

Dizes-me porque mentiste o tempo todo?

Viste o que fizeste? Os riscos que corri por ti?

Eu?

Tu � que quiseste que eu tivesse uma fam�lia.

Mas n�o assim.

Tens de te ir embora amanh�.

Mas se magoares a Ana, mato-te. Entendido?

- Entendido? - Sim.

J� fizemos estragos que chegue.

Cuida-te.

Vai.

O que raio est�s a fazer?

Est� frio.

Est� um gelo! � aqui que v�m comer-se?

- N�o h� aqui ningu�m. - Exatamente.

Experimenta isto.

Tens lume?

At� onde foram? Beijaram-se e tocaram-se...

- Aquecemo-nos. - Olhem para voc�s.

Um casal bonito.

D�-me um golo.

Cantas para n�s?

Toma.

Queres isto?

Toma.

- � muito mau. - Muito mau?

Muito mau?

N�o atires isto t�o baixo.

Merda!

Ela � sexy.

A Clara � gira, n�o �?

Ela est� b�beda.

- Ainda n�o fumei isso. - Toma.

Boa!

� assim que �.

- Vamos? - Vamos.

- Vamos aquecer-nos. - Aquecer? Est� bem.

Tenho muito frio.

- Estou a congelar. - Estou aflitinho.

Importas-te que mije aqui?

Mija onde quiseres.

Joan.

Olha!

N�o atires mijo!

Joan, para!

V� l�.

- O que foi? - O que se passa?

N�o podemos ficar aqui?

N�o. Levanta-a.

- Deixaste cair? - O qu�?

Toma.

Espera.

P�e-na aqui.

- Tapamo-la? - Sim, tapa-a.

Bestial!

Querias saber onde estive.

- Isto � russo? - Sim, diz "chupa-me a pila".

Aquece-me as m�os para mim.

Est�s gelado.

O teu pai era um desgra�ado.

N�o, eu fiz essas.

Essas acordam-te, quando te est�s a perder.

Fizemo-las todos no lar.

E estas queimaduras?

Acho que tamb�m as fiz. N�o me lembro.

Gabriel.

Para de me chamar Gabriel.

O que se passa?

N�o me habituo.

Vais habituar-te.

Est�s bem?

Gabriel?

Porque est�s t�o certo que sou o Gabriel?

N�o foste tu que fizeste essas queimaduras.

Vai para a cama, mi�do.

Entra.

- O que est�s a fazer? - Anda.

Al�m para cima.

Mexe-te!

Continua.

- Deixa-me ir! - Sobe para ali. Mexe-te!

N�o!

Sobe para ali.

V�, continua.

Por aqui. Ali para cima.

Ali para cima.

Para.

Por favor, Enric, deixa-me ir.

N�o direi nada. Por favor.

Por favor!

Seu desgra�ado, vais matar-me?

N�o fazes a m�nima ideia!

Toma.

- Toma isto e vai-te embora. - N�o quero ir!

Vai!

A fronteira � por tr�s daquela montanha. N�o voltes.

Vai!

N�o vou, vai tu.

Foste tu que mataste o meu pai.

�s est�pido?

Anda c�. N�o entendes?

O Llu�s era um desgra�ado, mas n�o o matei.

Est�s a ouvir? N�o o matei.

Se fosses o Gabriel, lembrar-te-ias...

Foi o Gabriel que o empurrou.

Gabriel!

O que foi?

Est� tudo bem, meu amor.

Meu filho.

N�o fui eu!

N�o fui eu.

Legendas: Cl�udia Bil�

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