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A COMUNIDADE

Argumento

Sim, ouvi. Come�a hoje a trabalhar numa discoteca.

E o que vai fazer l�? A contabilidade?! A porta?

O qu�, seguran�a? Est�s maluco?! Ainda te matam!

Ouve, conte-me isso tudo logo.

N�o se chateie. N�o posso ficar falando no celular celular...

Desculpa. Sim. Gosto muito de ti.

Estou nervosa por causa do apartamento. N�o vendi nenhum!

Sim, comecei bem, mas foi s� a primeira semana.

Tenho ali gente � minha espera h� meia hora.

Uns clientes.

Faz um frio de rachar, chove a c�ntaros

e eu estou de "tailleur". Voc� � que tem sorte.

Deves poder ir de terno.

Como, de cerim�nia? Teve que alugar um "smoking"?

Mas voc� t� maluco?! Eles � que tem que te dar!

Acha que os bombeiros compram os seus capacetes?

V�, depois falamos.

Um beij�o.

Te amo.

Sim, adeus. Ai que chatinho!

Luis Lajusticia? Julia Garc�a, da ag�ncia.

Estava falando com um cliente que est� interessad�ssimo no apartamento.

Uma maravilha, n�o sei se j� lhes disse...

- Sim, j� nos disse. - Por telefone.

Ora muito bem. Prestem aten��o as excelentes vantagens.

Primeira: fica perto do Metr�; segunda: � muito central;

terceira: escolas para as crian�as;

quarta: espa�os verdes para elas brincarem. N�o falta nada.

- N�s n�o temos filhos. - Ai n�o? Melhor assim.

Eu tamb�m n�o. Sobra mais tempo para ir ao cinema ou ao bingo.

N�o que eu passe l� a vida. Era s� um exemplo.

� o que esta casa tem de bom. Vai-se a p� a todo o lado.

- Ou seja, n�o tem garagem. - N�o.

Garagem propriamente dita... n�o tem.

Vamos l� ver...

Deve ser esta. Ah, s� mais uma coisa.

Estes apartamentos antigos t�m m�veis assim velhos

e aquele papel engra�ad�ssimo que era moda nos anos 70.

Luis, vamos embora. J� estou imaginando!

Exato, � preciso um pouco de imagina��o.

Estas casas costumam pertencer a gente idosa, descuidada.

�s vezes est�o sujas ou cheiram mal.

Mas n�o � este o caso. Olhem s�!

Este � o caso do apartamento super espetacular, ponto.

"Pronto pra morar". E est� equipad�ssimo!

Tem quadros, l�mpadas,

televisor, r�dio, sof�...

Creio que � um sof�-cama. N�o, � um sof�-sof�, e dos bons.

Isto parece couro. Que qualidade!

N�o � como o que eu tenho em casa.

Sempre que mostro este apartamento tenho vontade de ficar eu com ele.

Mas gostos n�o se discutem e eu n�o sou de pressionar.

- O dono mora aqui? - O dono? Que dono?

N�o. Teriam me avisado. Aqui diz que est� livre.

Se assinarem o contrato agora, est�o morando aqui amanh�!

- Que tal? - Podemos ver as outras divis�es?

Com certeza. Tudo bem. Vamos ao quarto.

Mas primeiro, o arm�rio. Imenso, tem espa�o at� para as vassouras.

Parece-me que o quarto...

Mas que maravilha de cama. Grande como poucas!

Um colch�o de �gua, como em Las Vegas!

- E o pre�o? - N�o que eu j� tenha estado l�.

Mas n�o � propriamente uma cama de resid�ncia.

E nas noites em que n�o quiserem tanta agita��o,

� s� desligar. Presumo que haja aqui um bot�o...

E qual � o pre�o?

Ai n�o lhes disseram?

Mas pensem. De toda maneira fiquem com o meu cart�o.

E se fosse ela...

Que chique! Parece um boneco de ventr�loquo!

Isso, goza! Mas que dia o meu!

� sa�da da discoteca apanho um t�xi e quem � que encontro?

- Quem? - O Antonio Pesadas.

O Pesadas que trabalhava comigo na seguradora.

Sei, o "Pesadelos". Ele � insuport�vel.

Pois continua chato, s� que agora � motorista de t�xi.

- Tamb�m foi despedido. - � pelo mesmo motivo.

J� te disse que n�o fiz nada para ser despedido.

- Reestruturaram o quadro. - Foi o que eu quis dizer.

- Ele tamb�m estava a mais. - N�o sei se ele estava ou n�o.

Mas se est� tentando dizer que eu estava...

Ai que ma�ante! J� se v�o 4 anos. Esquece!

Voc� � que me lembrou.

Disse que fui despedido ao fim de 7 anos porque estava a mais.

Ele podia estar a mais, mas eu n�o.

Eu era fundamental.

O que vem a ser isso?

- � um jantar rom�ntico. - Mas de quem � o apartamento?

De ningu�m. E como s� eu tenho a chave, lembrei-me...

Deixa ver se entendi.

Este apartamento est� a venda e voc� est� cozinhando nele?

N�o fale igual meu pai, que me deixa puta.

Que, pai! Voc� faz o que te d� na telha sem consultar ningu�m.

- Se isso � ser pai... - A casa est� vazia.

No fim limpamos tudo e pronto. Ningu�m vai saber.

- V�o saber e te p�em na rua. - E que ponham!

Isto � um trabalho tempor�rio.

Al�m do mais, vale a pena. Tem jacuzzi.

- O qu�? - Hidromassagem, Ricardo.

E sauna, sauna finlandesa.

Tem certeza?

Mas ainda h� o melhor.

Anda.

- Ela se meche! - � um colch�o de �gua.

Pode controlar a temperatura e fazer ondas.

- E como � que p�ra? - Deve haver um bot�o, eu sei l�.

Ai, para!

Para isto tenho de estar descontra�do.

H� 6 meses que esperamos um momento de descontra��o!

Tanto tempo? V� se me entende.

Fico nervoso de pensar que pode vir algu�m.

Estamos s�s. J� vai ver como eu te descontraio.

- Que barulho � este? - � do aquecimento.

N�o. � a TV do vizinho. Ouve-se perfeitamente.

- As paredes s�o muito finas. - Esquece isso, amor, e concentre-se.

Se n�s ouvimos eles, eles tamb�m nos ouvem.

Deixa de paran�ias. Eles que ou�am!

At� pode ser que se animem.

Tira isso de cima de mim!

O que � isto agora?

Que nojo! Mas de onde � que elas sa�ram?

Eu bem te disse que n�o dev�amos aqui estar.

N�o comece com o seu complexo de culpa do col�gio de jesu�tas!

- Mas somos mesmo culpados. - Pois somos.

Somos uns canalhas que estamos fornicando como umas bestas degeneradas,

mas as baratas n�o sabem disso.

Portanto, n�o procure uma liga��o entre uma coisa e a outra, que est� me deixando maluca.

Tem raz�o. Desculpa. As baratas me d�o um nojo terr�vel!

A mim tamb�m, acredite.

Fazemos o seguinte: fechamos a porta e vamos para a sala...

Limpamos tudo e vamos para casa. Por favor.

N�o! Ficamos aqui.

- Porqu�? - Porque eu quero!

L� em casa est� um gelo e n�o se pode dormir. Aqui tem aquecimento.

- Esta noite � especial. - Sim, � a noite de Valpurgis.

N�o diga nada, j� sei. N�o te agrada.

- N�o te importa, n�o �? -O que!

Amanh� estamos a mendigar que nem monges budistas.

Antes isso. L� na discoteca,

um moleque de 12 anos, daqueles de cal�as caindo,

disse que ia me matar porque eu lhe pedi a indentidade.

O que foram fazer! Te contratar como seguran�a!

Eu disse a ag�ncia de trabalho tempor�rio que fazia tudo.

- Ligo a televis�o? - J� n�o chega a do vizinho?!

Que jantar t�o rom�ntico!

O abutre, o coveiro da natureza,

devora os mortos.

Mal um abutre localiza um animal morto,

outros vinte se juntam para dividir a presa.

Um voraz chacal junta-se a eles.

O sombrio festim continua at� n�o restar nada.

Sim?

Meu Deus! Ricardo, acorda!

Credo! S�o as pessoas das 9.

- Acorda, Ricardo! - S� mais um pouquinho.

Agora voc� quer n�o �! Homens!

Hoje entro mais tarde. Podemos fazer algo r�pido...

- Nos vestir! - Est�o tocando?

Querem entrar. � um casal de clientes!

� preciso explicar tudo pra voc�!

- Sempre com pressa! - Carlos Manzanares?

Julia Garc�a, da ag�ncia. Aguardava-os. Entrem.

Comecemos pela regi�o. Aten��o as excelentes vantagens.

Primeira: fica perto do Metr�; segundo: � muito central;

terceira: escolas para as crian�as;

e quarta: espa�os verdes para elas brincarem.

Perfeito.

Couro de qualidade. � um sof� para toda a vida.

- O que � isto? - Ora veja.

N�o se mancha nem com batatas fritas.

Deixe-me mostrar o quarto.

N�o, � melhor mostrar a cozinha antes.

Completamente equipada. Tem at� torradeira.

Disse que era melhor ver a cozinha.

- O que � isso? - Um problema de humidade.

- O que est� fazendo? - Chamando os bombeiros.

- N�o. Isto se resolve rapidinho. - Assim ganhamos tempo.

O vizinho de cima deve ter deixado uma torneira aberta.

Se a ag�ncia sabe, estou perdida.

Pare, � aqui!

Vai, depressa!

- O que se passa? - � hoje, Sra. Encarna. � hoje.

- O velho? N�o posso crer! - Deve ter havido uma desgra�a.

Rezei tanto para que este dia chegasse!

- Espero que n�o seja um alarme falso. - Deus queira que n�o.

Parece uma torneira aberta. Devem ter viajado.

- Vamos ver. - Esta casa � minha!

N�o, desculpe. A porta � esta.

Por favor, minha senhora. Precisamos de espa�o.

Por favor!

N�o t�m nada melhor para fazer?

O que � isto?

J� te disse para n�o aparecer assim. Parece um travesti.

- Porque n�o tocam a campainha? - Meta-se com sua vida.

Sim, deviam tocar primeiro.

Merda! Nos telefonou para qu�? Para virmos tocar a campainha?

- Eu ligar, n�o liguei. - Ora! Arrebente l� a porta.

- E se estiver s� dormindo? - Uma ova!

E ele tamb�m nunca abre a porta a ningu�m, mesmo tocando.

O homem est� louco. � um perigo.

Um dia destes deixa o g�s aberto e vamos todos pelos ares.

- Vai, for�a. - Minha senhora!

N�o me toque no machado! Calma, j� vai ver.

Deve estar trancada.

- Com uma barra de ferro. - E correntes.

- Ainda n�o entraram? - Est�o tentando.

- Avisa a Mar�a e a Salas. - Isto n�o � um circo.

- Quem � o administrador do pr�dio? - Est� fora.

Foi � Disneyl�ndia com os filhos.

A de Paris, n�o � a do "Wals Disneys".

Que azar isto ter acontecido logo hoje.

- A senhora n�o � a administradora? - N�o, n�o.

Esta? Quem � esta? N�o a conhecemos de lugar nenhum.

� a nova vizinha. Comprou a casa do engenheiro.

- Bem, "comprar"... - Juli�n Chueca.

Do videoclube aqui de baixo. � um prazer.

Encontramos o seu marido aqui na porta.

Muito elegante.

- � "croupier" num casino. -� mesmo?

Que engra�ado, ele disse que ia para a discoteca.

� uma discoteca-casino.

O que te parece, Jos�?

Rotaflex.

Mas que diabo! Todos j� l� para baixo!

Eu sa� da Internet. para ver isto.

- Todos l� para baixo. - O meu filho tem raz�o.

N�o podemos ver porqu�? Moramos aqui.

- Porque eu n�o quero! Chega? - N�o � preciso ser grosseiro.

- Ela ficou! - Minha senhora...

Que droga! Mas que merda vem a ser esta?

- Que nojeira! - De onde � que voc� veio?

Da minha casa. A porta estava aberta.

N�o nos atrapalhe. Isto n�o � brincadeira.

Aqui est� o problema. Um cano podre, com certeza.

- Como pode algu�m viver assim? - Eu n�o o conhecia. Sou nova aqui.

Est�o ouvindo algo?

Aqui est� o nosso amigo, vendo televis�o.

Que horror!

- O que fazem aqui? - Est� morto.

� claro que est� morto. Encontramos isso todos os meses.

Deve estar morto h� semanas. Um homem sozinho, sem fam�lia...

- E que cheiro � este? - � o cheiro de carne podre.

O gato deve ter-se alimentado do cad�ver para sobreviver.

Garanto que n�o � um espet�culo nada agrad�vel.

Paco! Corta o papo!

Ou�a...

Est� a�?

O que est� fazendo?

O que est� procurando?

V�o quinze homens No caix�o do morto

Zum, zum, zum E uma garrafa de rum.

Levante-o. O que est� fazendo?

Porra. Vamos ter que dobra-lo.

Dobrar? Levanta-o e vai ver que d�.

Era um indiv�duo arrogante e esnobe.

- Ajude-nos, minha senhora. - Por aqui.

Pega ele, Juanillo.

T�o orgulhoso! E vejam-no agora.

- Raios partam esta porcaria! - Calminha a�.

Vai.

- Mais devagar, Toni. - Este fulano � pesado.

- At� que enfim! - Tem certeza que est� morto?

V�, j� chega. Minhas senhoras, por favor.

N�o � preciso empurrar, somos pessoas decentes.

� ela?

- A do "tailleur". - Como � que entrou?

- Pelo visto foi ele que telefonou para os bombeiros. - Filha da puta!

Um puzzle de quadradinhos?

Sim?

Ol�, amor.

N�o, estou num caf�.

Sim, Sim, os bombeiros vieram.

Era um cano ou algo assim.

Olha porque foi dizer que a casa era nossa?

Agora pensam que moramos aqui... l�.

N�o � bobagem. Se virem que n�o estamos,

a imobili�ria ainda pode saber.

Vou passar l� a noite para disfar�ar.

Voc� vai pra casa? Est� bem, nos vemo amanh�.

E cuidado com os moleques de cal�as caindo. Um beijo.

O segredo � Limpio.

F�cil, j� est� pronto.

Fant�stico. Esfregaste tudo.

S� faltam as minhas costas.

Limpio faz o trabalho duro sozinho.

O segredo � Limpio.

Se o Ricardo souber ele me mata.

V�o quinze homens No caix�o do morto

Zum, zum, zum E uma garrafa de rum.

Est� solta!

O que est� fazendo?!

N�o aguento mais. Tenho que falar com ela.

De faca na m�o? Voc� est� louco, Castro?

Me d� a faca. Vai nos desgra�ar!

O que �? � ela que est� vindo?

Calado. N�o ou�o nada.

Deixe-me ver.

Afaste-se, Castro.

E se acalme.

- Ent�o? - Desculpe?

Vai deixar o lixo fora?

Vou. Com a mudan�a, � o que n�o nos falta.

Espere um instante.

N�o saia da�.

- Deixa pra l�, eu levo. - Por Deus, eu vou com voc�.

N�o se incomode. N�o me importa.

A mim sim.

- E o seu marido? - Esgotado na cama. Mudan�as, sabe como �.

N�o fa�o a menor id�ia. Nasci nesta casa e penso em morrer aqui.

Para falar verdade, n�o os vi trazer muita coisa.

A casa estava prontinha pra morar.

- Conheceu o engenheiro? - Quem?

O antigo dono.

N�o, comprei a casa atrav�s de uma imobili�ria.

- Jamais venderia a minha casa assim. - Porqu�?

Porque s�o todos uns ladr�es. Roubam-nos o dinheiro sem fazer nada.

Subimos?

N�o, acabou o meu cigarro. Vou comprar mais.

Cigarro.

- N�o, n�o! Espere! - O que foi?

� s� papel...

Um momento! J� vou.

O meu marido leva a reciclagem muito a s�rio.

Reciclagem!

Duzentas notas de 5 mil pesetas em cada ma�o

vezes 300 ma�os d�...

...600 milh�es de pesetas.

Calma.

Sou uma mulher madura.

Isto foi algo que aconteceu.

Tenho de aceitar o fato com naturalidade.

N�o vou me descontrolar.

Sou multimilion�ria, mais nada.

Sou totalmente rica.

Posso n�o gastar um tost�o e viver o resto da vida dos rendimentos

sem ter de trabalhar um �nico dia.

Posso dar a volta ao mundo as vezes que quiser, at� enjoar.

Isto vai me afetar?

N�o. Continuo a ser a mesma.

Milion�ria, mas a mesma.

- O que est� fazendo aqui? - N�o me quer ver, �?

N�o! Quero dizer, sim. Disse que ia para casa...

- Se quiser, eu vou! - N�o diga asneiras. Conta.

- A discoteca foi-se. - Te despediram?

N�o, eu me despedi! Porque pensa sempre que sou despedido?

Foi o moleque de 12 anos que te deixou nesse estado?

N�o toque. Pior.

O dono, aconselhado pelo pai do moleque de 12 anos.

Aguentei l� 2 dias. Sou o rei dos seguran�as.

Um verdadeiro gorila, o King Kong das discotecas!

- Quer uma cerveja? - Temos cervejas e tudo!

Nos instalamos de vez aqui, n�o foi?

Ricardo, tenho uma coisa muito importante para te dizer.

Se � para me dar desgosto, deixa para amanh�.

N�o � um desgosto, muito pelo contr�rio.

Imagina que aconteceu algo que mudou tudo.

Tudo mesmo.

Um golpe de sorte.

Julia, olha bem para mim.

Eu sou l� homem de sortes. N�o tenho nada.

Fui espancado, humilhado.

Me sinto... rid�culo.

Portanto, prefiro n�o imaginar nada.

Est� bem, se n�o quer saber...

A DROGA MAIS FORTE N�O � A VELOCIDADE

� O DINHEIRO

Prefere o qu�, um Rover ou um Mercedes?

Eu prefiro um Mercedes. Tem mais classe.

- � chique. - Sim, maravilha!

Quero reencarnar num rica�o e ter um.

Nesta vida nunca vamos por o rabo numa coisa daquelas.

A menos que recorramos ao t�xi do Pesadas.

O safado tinha um Mercedes.

Tudo isto est� azedando o seu car�ter.

Eu n�o tenho car�ter, como voc� diz.

O que voc� n�o tinha era essa amargura.

Agora sou um amargurado! � do que est� me chamando.

E voc�? S� sabes olhar para mim de cima para baixo.

- O qu�? - Sim, n�o se fa�a de ofendida.

Sempre me jogando na cara que os outros n�o me aturam.

"O qu�, foi despedido de novo?"

- O que est� me dizendo? - Voc� ouviu.

Ricardo, voc� est� cansado, a vida n�o te parece boa...

...mas isso n�o te d� o direito de se portar como uma besta.

Durante anos, aqui "A Besta"

� que foi aguentando a nossa coisa, voc� sabe.

- Qual coisa? - Esta nossa coisa.

A nossa rela��o, as contas, o aluguel, tudo!

Escuta, vamos para a cama e falamos disto amanh�.

Antes viv�amos do meu sal�rio sem problema,

mas agora voc� passou a trabalhar na imobili�ria

e n�o para de me atirar na cara.

Para n�o haver d�vidas que � voc� quem manda.

Pensa que eu n�o percebi? Jantar rom�ntico, velas...

Pois a vida pra mim est� uma merda

e eu n�o posso comprar nem um Audi nem um Mercedes. N�o posso!

Ia te dar uma boa not�cia,

mas juro que estou perdendo a vontade.

E eu estou perdendo a vontade de estar aqui!

- Aonde vai? - Vou para casa.

N�o quero ficar aqui porque isto � aquilo que nunca vamos ter.

E voc� n�o percebe.

N�o posso sonhar com esta casa um carro daqueles,

nem uma mulher como a do an�ncio!

- Pois, tem que se contentar comigo. - Eu n�o disse isso.

Disse e eu entendi.

Eu tenho que me contentar contigo e voc� comigo, e depois?

Pelo menos eu reconhe�o as minhas limita��es e n�o espero golpes de sorte.

Ricardo!

O que �?

N�o sabe at� que ponto meteu o p� na merda.

Quique, v� se a senhora quer alguma coisa.

- Est� tudo bem? - Uma maravilha.

� o melhor caf� da manh� de Madri.

- N�o haver� por a� um jornal? - Se n�o h�, vai passar a haver.

Desculpe...

Napole�o esteve preso na Ilha de Elba,

nas Ilhas Can�rias ou na Ilha do Tesouro?

� para o jogo. Quero ver se bato o record.

As Can�rias n�o me cheira bem... Deve ser Elba.

Obrigada.

Paquerando, Charly? Cuidado, que ele � "fresco".

Que liberdades s�o essas?! Tive uma d�vida sobre Napole�o.

Passa aqui o dia inteiro jogando e depois eu � que ou�o a m�e dele.

- Gasta o dinheiro das compras. - Olha cara!

- Que falta de respeito! - Charly, Charly...

N�o ligue. A minha m�e n�o tem nada a ver com isso.

Mora no 5; n�o �?

- E a senhora � a nova vizinha. - Ol�. Sou a Julia.

Muito prazer. Se precisar de alguma coisa...

Agora tenho de ir, ou perco a vez no barbeiro.

Sou o n�35.

H� 10 minutos iam no 25.

S�o 1.525 pesetas. Barato, para Madri, n�o �?

- Creio que n�o vai poder. - A nota n�o vale?

Com a Uni�o Europeia valem todas. O Banco de Espa�a as troca.

- Pagaram-lhe a conta. - Ai sim? Quem foi?

O Oswaldo, o cubano que saiu agora. Ele � professor de dan�a e dos bons.

Dan�a a salsa, o merengue, a lambada... essas coisas.

� um portento.

Agrade�a por mim quando o vir.

IDOSO MORRE VENDO TV

CIFUENTES, 88 ANOS, SEM PARENTES CONHECIDOS...

O que est� fazendo?

A� est� a senhora!

J� tirei. Era silicone.

Algum canalha que se dedica a lixar as fechaduras da vizinhan�a.

N�o a incomodo mais. Se precisar de mim, moro no 3�andar.

E tenha cuidado. H� por a� muitos safados.

Sim? Ol�, como est�?

Estou no hospital com o meu marido.

Ele teve um acidente. Deram-lhe uma sova numa discoteca.

Uns 20 tipos com barras de ferro. Dessa cambada do futebol.

N�o sei porqu�. Embirraram com ele. Por isso � que n�o fui � ag�ncia.

Mostrar um apartamento? Agora?

N�o me cai nada bem.

Qual?

Outros compradores ent�o.

O "pronto pra morar"? E quando � que v�o l�?

Agora?

Vou j� para l�. Levo 5 minutos pra chegar.

N�o mande mais ningu�m. Eu n�o demoro.

N�o � nada de grave. Qualquer coisa de cabe�a ou de coluna...

N�o percebi muito bem. Estava nervosa.

Estou ficando sem sinal. Falamos depois.

Boa tarde. Eu sou da ag�ncia.

- Parece que viemos em m� hora. - De maneira nenhuma. Entrem.

Aten��o as excelentes vantagens. Primeira: fica perto do Metr�.

Mas as senhoras andam mais de t�xi, n�o �?

Segunda: � muito central. Ao lado h� um Bingo.

Um copo de Marie Brizard e toca a jogar.

Terceira: escolas, bl�, bl�, bl�, as crian�as etc.

- Mas as senhoras n�o t�m filhos. - Como?

- S�o adeptas da "tesoura". - Desculpe?

Ela julga que nos dedicamos � costura?

"Tesoura". Vem na sua ficha:

"M�mias l�sbicas procuram apartamento para fazer tesouras.

Mas o que est� dizendo?!

V�, fiquem pensando, sim?

- Mantenham contato. - Cale-se. N�o percebeu?

Ora viva. Parece que vim na hora errada.

Vai viajar?

Estou numa roda-viva, para cima e para baixo...

O meu marido teve um acidente. Ia levar roupas ao hospital.

O que houve?

Nada, foi atropelado por um caminh�o.

- Sinto muito. - Foi terr�vel.

E o caminh�o levava produtos qu�micos e desfigurou-lhe a cara. Parte.

Que horror! Vim mesmo na hora errada, estou vendo.

Ora, o senhor n�o tem culpa.

Vinha convid�-los para uma festa.

- Ah sim? Quando? - Esta noite, em meu apartamento.

Todos os anos festejo o dia em que cheguei a Madri.

- � sentimentalismo. - Eu tamb�m o festejaria...

N�o posso faltar.

Mas e o seu marido?

Pra ele, tudo o que eu fa�o est� bom. E no hospital s� vou me chatear.

Tem muitos tubos ligando ele a m�quinas. Est� vendo?

A senhora est� precisando desligar.

- � isso mesmo. - Ent�o conto com voc�.

- Por volta das nove? - �timo!

Obrigada pelo caf�.

Ela desliza e atropela-me

Sei que no dia em que a perder

Voltarei a sofrer por ela

Voltarei a encontr�-la

Com outra cara e outro corpo

Temos contato visual com o alvo. Aguardamos instru��es.

E seja o que Deus quiser

Vamos lev�-la para o Lado Negro.

Chegou a hora de puxar o sabre de luz.

A For�a...

Sinto a For�a!

Est� vindo! A For�a! A For�a!

A For�a, a For�a...

Est� vindo! A For�a!

Abre a porta, seu porcalh�o.

Eu sei o que faz quando se fecha a�.

A For�a! Sim, a For�a! A For�a...

Para com isso!

Luc�a? Ol�, � a Julia. Lembra de mim?

Sim. H� quanto tempo.

Estou ligando para saber uma coisa.

� uma bobagem, mas como voc� trabalha num banco...

Voc� vai rir.

Uma amiga minha herdou um dinheir�o dos pais, em moedas.

Tinham debaixo do colch�o, eu sei l�.

Ela quer lev�-lo ao banco e quer saber se tem que se justificar.

N�o, n�o estou metida em nada de esquisito.

A quantia certa? N�o sei.

Digamos, 300 milh�es.

Sim, o que � estranho?

Ou isso. Imagina que uma pessoa, a Sra. X,

aparecia num balc�o com uma mala e esse dinheiro. O que voc� faria?

Assim, sem mais.

Obrigada. Eu digo a minha amiga.

Um beij�o.

Temos que nos ver para voc� me falar da sua vida. Tchau.

Chamaria a pol�cia. Imbecil!

� ela!

Aten��o, preparados!

- Ol�. - Mas que surpresa!

N�o estava muito animada, mas disse para mim "Vai" e vim.

Que grande festa!

- Vou apresentar algu�m que quer te conhecer. - � mesmo?

Ol�, Julia. Sou o Emilio.

O administrador. Muito prazer. Que tal a Eurodisney?

As not�cias correm depressa.

Estou aqui h� 2 dias e j� parece que conhe�o todo mundo.

Foi uma maravilha. � um sonho. Um para�so para as crian�as.

- A sua fam�lia veio? - Eles ficaram l�.

N�o tem culpa que eu seja o administrador.

Estou por minha conta.

Esta gente � toda do pr�dio, n�o?

Sim, somos uma comunidade muito unida.

Sempre muito preocupados com o bem comum, com o pr�dio.

H� aqui pessoas que nunca moraram em outro pr�dio.

- Como a Ramona, que nasceu aqui. - Sim.

Eu j� a conhe�o desde pequena. Tchim tchim.

Tem certeza que ela n�o saiu de casa?

Desde que o cubano foi l�, n�o.

N�o suporto essa situa��o. O Emilio nos deve umas coisas!

� o que eu digo, mas ningu�m me ouve.

Lhes fizeram uma lavagem cerebral.

O que voc� faria?

J� a trouxemos at� aqui. O que � que estamos esperando?

Se me deixassem, eu resolvia isto num segundo.

Sem o Emilio saber?

Daqui ningu�m sai, como voc� sabe.

Cuqui, � a nossa can��o! Vem aqui, Cuqui!

Que merda de can��o?! Eu n�o tenho nenhuma can��o.

Dane com o retardado, se quiser.

N�o fa�a caso. � um homem apaixonado.

Apaixonado? O que quer dizer com isso?

Que se apaixona por tudo o que faz;

que n�o gosta de deixar as coisas pela metade.

Se eu lhe conta-se... Passamos as madrugadas vendo filmes.

Eu quero l� saber das intimidades alheias. Tanto faz pra mim.

Como ultimamente andam t�o amigos... Tanta conversa.

Olha a mosquinha morta! Vai mas � dan�ar que n�o faz id�ia nenhuma.

Que mandona!

Filho, tira o casaco. Est� muito calor.

Estou bem assim.

N�o quer � que as mo�as vejam como est� gordo.

Acha que eu n�o te vi comer todos os aperitivos?

Que azarado o seu primeiro dia aqui.

Sim, a morte do velhote. Um horror.

Refer�amo-nos ao seu marido.

Ah, o acidente... Terr�vel!

Acidente? N�o levou uma sova de uns "skin Heads"?

Levou. Eu chamo de acidente

porque devem t�-lo confundido com outro. S� assim se explica.

Conheciam o vizinho do 5�andar?

- O morto? - Aqui nos conhecemos todos.

- Era um homem muito estranho. - Sempre sozinho.

- N�o sa�a por nada. - A loteria subiu-lhe � cabe�a.

- Ele ganhou na loteria? - Sim, fez os catorze.

Voc� sabe. E isso foi h� muito tempo.

- N�o sa�a porque tinha medo de n�s. - Veja que absurdo! Medo de n�s!

Medo!

- J� posso ir? - N�o.

O Emilio disse que t�nhamos de ficar todos.

Eu n�o queria assinar, voc� � que me obrigou.

Quer acabar como o engenheiro? E pare de beber.

Como vai indo?

- N�o sei, a mulher � esperta. - Mas tem o dinheiro.

N�o temos certeza.

- A Ramona viu ela com uns sacos. - A Ramona v� o que quer.

Porque n�o vamos revistar o apartamento agora?

E entrar como? Tem calma. Isto tem que ser bem feito, aos poucos.

Dev�amos t�-lo feito bem desde o in�cio, Emilio.

A Eurodisney nos ferrou bem ferrados.

Finalmente tenho f�rias e... pronto, merda!

Voc� teve muita coragem em entrar no apartamento com os bombeiros.

Aquilo devia ser como uma cova, n�o?

Mais ou menos.

E qual foi a primeira coisa que viu quando entrou?

Baratas, sacos cheios de lixo e muita porcaria.

Mais nada?

Vai nos achar m�rbidas por falar disto...

� que h� muito imagin�vamos como seria.

Se querem saber mais perguntem a ele. Entrou na casa comigo.

O Dom�nguez? Ent�o ele ficou calado.

O viado foi l� e n�o disse nada.

Desculpe t�-la abandonado. Elas te aborreceram?

S�o umas criaturas ador�veis. Toda a gente aqui �.

S�o como uma fam�lia para mim.

Tive sorte em vir morar neste pr�dio velho.

O problema � que n�o h� muitos jovens, como n�s.

Eu chamo de a festa da Terceira Idade.

Mas eles adoram dan�ar.

S� precisam de incentivo, algu�m para dar o exemplo.

N�o, eu tenho vergonha. S� dan�o em casamentos.

- Eu ensino. - N�o, homem.

Venha c�.

N�o precisa me acompanhar.

- Os cubanos s�o educados demais. - Cuidamos das mulheres.

- Deve dizer isso a todas. - E como funciona!

Que vergonha. Sa�mos primeiro e juntos.

Eu podia ter ido para minha casa e voc� para a sua.

N�o, Oswaldito, voc� estava em casa. N�o tinha que ir pra lugar nenhum.

� verdade! Mas que besteira!

- Devem estar pensando o pior. - Ent�o n�o podemos decepciona-los.

J� que tens a fama vamos aproveitar, n�o �?

Espera... e o seu marido?

O meu marido, que pesadelo.

N�o queria te dizer, mas ligaram do hospital. Ele morreu.

- � verdade? - � como te digo.

A anestesia provocou-lhe um ataque card�aco.

Mas n�o quero pensar nele agora. Preciso de...

- De desligar. - � isso, sim.

� impressionante. E podemos fazer ondas, sabia?

- O engenheiro tinha classe. - Conheceu-o?

Mas � como se conhecesse. Todos voc�s me falam dele.

- O que foi isto no teto? - O dedo de Deus a castigar-me.

Anda, vamos dar-lhe motivos de verdade.

Profanaremos esta cama de �gua benta e fa�amos algo selvagem.

Espera um instante.

- Tenho caha�a na cozinha. - Adoro cacha�a. N�o demore.

Esqueceu da cacha�a.

- Eles estavam escutando? - N�o. Batiam no Dom�nguez.

Devia ser o Castro, o do 3�. � sempre o mesmo.

H� gente que n�o devia beber.

O que foi isto?

O qu�, meu amor?

Era na sala. Tem algu�m na sala.

Julia...

Volta aqui, Julia!

Mas o que � isto?

O que fazem aqui?

Como � que entraram?

Saiam imediatamente da minha casa!

Sua casa?

- Vamos embora. - Vou chamar a pol�cia.

- Tem certeza? - Armandito, larga isso.

- O que quer dizer? - Isso � o que ser�.

Esquece. N�o estrague tudo.

- Ela n�o me engana. - Ordin�ria!

Lamento muito.

Larga, isso n�o � seu. Eu te compro um.

V�, vamos embora. Venham.

Incr�vel! Estavam aqui como se n�o fosse nada. Viu...?

Fora da minha casa!

Fora daqui!

Voc�s s�o feitos uns para os outros.

A vizinhan�a.

S� veio aqui encima para lhes abrir a porta.

Como pude ser t�o est�pida? E pensar que voc� e eu...

Rua! Rua!

Rua.

Espero que seja t�o inocente quanto aparenta.

- Para o seu pr�prio bem. - Rua!

- Quieta! Aonde pensa que vai? - O que lhe aconteceu?

Querem me matar e a culpa � sua.

- N�o tive nada a ver com isso. - Cabra mentirosa!

Voc� disse que eu tinha o dinheiro e agora est� fugindo.

- O que � que voc� quer? - Acha que vai sair assim?

Eles est�o l� em baixo � espera para nos matar.

- Est� louco! - Louco?

Eles � que est�o. Sabe o que aconteceu ao engenheiro?

N�o aceitou as normas da comunidade...

- N�o sei do que est� falando. - A sua vida corre perigo.

Vigi�vamos o velho noite e dia.

Todos os dias, durante anos.

Como sabiam que tinha o dinheiro em casa?

O pessoal do banco veio entregar-lhe o dinheiro em sacos e n�s vimos.

- Os 500 milh�es nunca sa�ram de l�. - N�o s�o 500, s�o 300.

- Diziam que eram 500. - S�o 300. Eu Contei.

Tanto faz.

Antes tudo era um sonho, algo que nos ajudava a viver:

esperar a morte do velho e dividir o seu dinheiro.

Agora o dinheiro est� aqui e eles sabem.

Tem que procurar outra sa�da.

- Vamos, suba. - A mala primeiro.

A gan�ncia vai nos levar ao Inferno. Depressa, ajude-me.

- Ajude-me! - O elevador encrencou de novo?

N�o ligue! Ajude-me!

Vai dizer ao Sr. Emilio que o elevador parou.

N�o se aproximem. N�o se mexa, ouviu?

- S� queria ajuda-la. - V� para casa e meta-se na sua vida.

Socorro, tirem-me daqui!

Largue a mala, ou mato-a!

- N�o ouviu, sua desgra�ada? - A culpa � sua, grande ladra!

- Metendo o nariz onde n�o devia! - O que tem o senhor?

O que faz aqui? Vai para o seu quarto!

Est� me esmagando! Meu Deus, est� me esmagando!

- N�o aguento mais! - Vou chamar o Emilio.

Diga-lhe que est� acertado.

Sim, diga-lhe que a mala � dele, se me tirar daqui.

Meu Deus, n�o pode ser!

- Foi um acidente. - Vamos, vai pra l�.

Se gritar, te corto o pesco�o!

Para dentro!

N�s...

...n�o tivemos nada a ver com isto. Foi coisa do Emilio.

- O administrador? - Sim. A id�ia foi dele.

O pobre do velho n�o gozava o dinheiro, vivia na mis�ria.

N�s s� quer�amos que n�o fosse para o Estado.

Que boa gente!

Vamos. Ela deve estar no p�tio.

Cale-se!

O Emilio sabe destas coisas, � contador.

Disse que se fic�ssemos unidos e tiv�ssemos paci�ncia,

poder�amos dividi-lo sem prejudicar ningu�m.

- E voc�s acreditaram? - Nem todos.

Alguns foram embora, os outros assinaram um papel. Partes iguais.

Uma coisa a s�rio. Nunca pens�mos em prejudicar ningu�m.

Que morra o Armandito, se � mentira.

- N�o, n�o quero! - Cale-se!

L� para fora, de bico calado.

Voc� tamb�m.

V�, l� para fora!

- Vai matar a mam�? - N�o sei, Armandito.

Est� aqui!

Avisem o meu marido. Ele est� no videoclube.

N�o fa�a nenhuma bobagem, mulher.

Larga a Hortensia!

Calma. Falando � que a gente se entende.

Nesta mala h� dinheiro para todos. Voc� ter� a sua parte.

N�o fa�a nada de que te arrependas.

Para tr�s, ou eu a mato!

N�o � uma assassina. N�o quer matar ningu�m.

Mas voc�s sim. Eu vou sair daqui, por onde der, fiquem sabendo.

Voc� tem medo. Pensa que temos culpa na morte do Dom�nguez.

O elevador h� meses que falhava. Foi um acidente.

� verdade. Chamamos o t�cnico e tudo. N�o fizemos mal a ningu�m.

- Como pode pensar isso de n�s? - Somos pessoas normais, como voc�.

Normais? Mataram o Dom�nguez e agora querem me matar!

Ela tem raz�o. Para que tudo isto? � acabar j� com ela, e pronto!

Castro, cala a boca! Vai, me d� a mala.

- Vai a merda. -Me d� a mala e vai embora.

Chatearam o velho durante anos at� ele morrer de medo em casa.

N�o vou deixar o dinheiro, seus idiotas de merda!

Algu�m telefone pro meu marido, por favor!

Ela a mata e fica com o dinheiro. Foi para isso que esper�mos anos?

Cale-se. Deixe-me pensar.

N�o h� nada para pensar. Ou eu saio daqui,

ou h� um banho de sangue. Decidam.

Temos que lhe dar o dinheiro.

Eu mato ela.

O que est� fazendo? Larga isso.

Castro!

Saiam da frente!

Quem � que chamou a pol�cia?

Ainda bem que chegaram a tempo. Calma...

Chamo-me Guti�rrez. Sou o administrador do condom�nio.

Aqui est� o corpo. Foi um espet�culo dantesco.

N�o, � melhor n�o o verem.

Foi um acidente...

A mulher est� louca.

H� muitos anos que � administrador?

N�o sai daqui nem morta.

- Quer que eu grite, �? - Grita...

...e explica a mala pra pol�cia.

Desculpe, Julia.

Lembrei-me que voc� foi a �ltima a ver o Dom�nguez com vida.

- Sim, mas foi tudo t�o r�pido... - � melhor irmos a delegacia.

- Para qu�? - Para prestar depoimento.

- � uma formalidade. - N�o tenho tempo para isso.

- Vou apanhar um avi�o. - Ah, vai viajar. Da� a mala.

� uma viagem de neg�cios. Quando voltar, daqui a dias, ligo pra voc�s.

Desculpe, mas n�o pode ser.

Depois do depoimento pode ir para onde quiser.

E porque n�o se faz isso aqui? Desculpem a intromiss�o,

mas eu sei como s�o estas coisas.

Tem que prestar declara��es. Sem isso, nada feito.

� um instantinho. Deixemos os senhores agentes trabalharem.

- Pode ser em minha casa. - N�o!

N�o � preciso. Pode ser na minha. Vamos.

Obrigada, Emilio, mas n�o precisamos de voc�.

Para cima!

J� est� tudo, n�o �?

Pode ser que venham chama-la mais tarde.

S� mais uma coisa.

Neste pr�dio, est� acontecendo algo que n�o � normal.

O que aconteceu? O que tinha de acontecer.

A sua mulher ficou s�; quase que a mataram.

Eu estava no videoclube Entregando umas fitas.

N�o, que eu fui cham�-lo e s� vi a loura.

Devo ter ido tomar um caf�. N�o sei.

Se voc� n�o sabe quem � que sabe?

- Estamos de guarda desde as sete. - E o que fazemos a seguir?

- N�o sei. Me d� um tempo. - E se ela contar tudo?

- Tudo o qu�? - O elevador, a festa...

N�o pode contar ou teria que falar do dinheiro.

N�o viram como se agarrava � mala?

N�o � isso. �... complicado.

Digamos que eles procuravam uma coisa h� anos

e eu em dois dias a descobri.

- "Eles"? - Os vizinhos, a comunidade.

Sabem que eu a tenho e agora querem me matar.

E o que foi que encontrou?

Minha senhora, o que foi que encontrou?

Este apartamento.

Parece loucura, eu sei. Mas ele � �mpar.

Est� mobilado e tem vista para a rua.

Encontrei-o por acaso.

Eles h� anos que trabalham para t�-lo.

As pessoas s�o muito invejosas.

E o que tem isso a ver com o elevador?

Querem mat�-la porque ela tem um apartamento melhor.

Absurdo, n�o �? Desculpem-me, mas estou um pouco angustiada.

J� est�o indo?

Est� tudo em ordem.

Ela vai embora. Faz alguma coisa.

Talvez queiram um aperitivo.

- Umas cervejinhas, quem sabe. - N�o, obrigado.

- Temos de voltar a delegacia. - Ora, homem.

Veja, pode nos trazer umas cervejas?

- � para j�. - E azeitoninhas.

- Vamos tomar uma cervejinha. - Muito agradecidos.

- Mas estamos de servi�o. - Umas cervejinhas nunca fizeram mal.

- A mim, fazem muito bem at�. - Eles n�o querem nada!

- Vamos embora. - Raios a partam!

Ela vai embora, Emilio.

Julia, uma coisa.

Est�o te chamando.

Deixou a porta aberta.

O qu�?

Esqueceu de fechar a porta.

Venha, suba.

Puxem-na que ela fecha. Adeus.

Devia fech�-la � chave, se vai para fora.

H� tantos assaltos por aqui. N�o �, senhores agentes?

Ele tem raz�o. Deveria fechar a porta a chave.

Eu vou subir, mas os senhores esperem por mim aqui.

Fique tranquila.

Olhe que perde o avi�o.

O pol�cia l� de baixo disse para descerem. Est�o levando o morto.

O que fazemos? Esperamos?

- N�o. Ela j� desce. - Tem certeza?

Sim. Mas ele � pinel.

Isso d�i mais em mim do em voc�.

Quer�amos que fosse uma de n�s,

compartilhando conosco a sorte de viver aqui.

At� te fizemos uma festa de boas-vindas.

� assim que nos agradece?

Rindo de n�s e dando no p�, a maior de todas as sujeiras.

O Dom�nguez n�o teria morrido, se n�o o tivesse tra�do.

Disse o que pra ele? "50% para cada e os outros que se danem!", foi?

O pobre do Dom�nguez n�o merecia este fim.

Sabe h� quantos anos estou neste projeto?

Sabe o que me custou coloc�-los todos de acordo?

Recusei trabalhos muito bem pagos

para n�o me afastar daqui.

Sabia que se n�o estivesse aqui, iria tudo por �gua abaixo.

E v� o que aconteceu?

Queria dar uma alegria aos meninos...

As �nicas f�rias que tive em 20 anos!

E voc� chega e fode tudo!

Mas quem voc� pensa que �? Eu lhe digo.

Uma puta mentirosa que n�o tem onde cair morta.

Nem sequer � dona deste apartamento.

Mas isso importa?

Gente como voc� s� me d� pena!

- O que est� dizendo? - N�o se fa�a de boba.

Sabe muito bem do que estou falando.

Voc�s s�o todos iguais, uns ego�stas.

E nem fam�lia deve ter. Isso � outra mentira.

Voc�s querem l� responsabilidades!

Gostam � de gozar a vida, s� viver o presente.

Os outros que se danem! Mas aqui n�o � assim.

Somos uma comunidade.

O Garc�a sofre da anca

e vai todos os dias comer na casa da filha.

Precisa de um carro, desses pequenos para andar na cidade.

A Paquita, a do 5�andar, tem 40 anos e continua solteira,

sabe porqu�?

Porque a sua boca mete nojo e nunca ningu�m a beijou.

Tem que arranjar os dentes.

Est� aqui tudo, nesta lista atualizada todos os anos.

Sabe do que estou falando?

De solidariedade, de respeito.

N�s respeitamos o pr�ximo.

Voc� sabe l� o que isso quer dizer!

- Acabe de uma vez! - N�o me diga o que tenho que fazer!

Matou o engenheiro, n�o foi?

Ele n�o queria vigiar o velho e eram s� duas horas por dia.

N�o, ele estava acima de todos! N�o tinha fam�lia para sustentar!

Todas as noites acordado at� tarde.

B�bados entrando e saindo.

N�o deixava ningu�m dormir.

Estava destruindo a comunidade.

Ent�o me mate tamb�m e n�o me venha com serm�es.

Voc� � um impostor e um ladr�o, como eu, como todos.

N�o, eu n�o sou um ladr�o. N�o sou um ladr�o.

Tenho direito. Tenho direiro.

Fizemos a loteira esportiva juntos. Sem mim ele teria errado tudo.

Quando n�o sabia o resultado ele me pedia ajuda.

Daquela vez disse:

"Sporting-Real Sociedad..."

E eu...

Eu disse...

..."X (Empate)".

N�o sei, me saiu de dentro.

Mais ningu�m, em toda a Espanha, p�s "X".

S� eu.

Eu disse "X".

Quando soube que ele tinha acertado os catorze,

fiquei contente. Juro que fiquei.

E o velho n�o quis dividir o pr�mio com ningu�m.

Como se n�s nem exist�ssemos. �ramos vizinhos.

Uma vida inteira juntos, cruzando no elevador, no caf�...

Para ele n�o significava nada.

Podia ter-nos dado uma parte ou bons presentes, sei l�.

Mas n�o, queria tudo para ele,

o maldito avarento de merda.

Todas as noites eu sonho com aquele momento.

Se tivesse ficado de bico calado, em vez de falar,

se n�o tivesse dito "X",

o safado n�o nos teria dado cabo da vida.

Vai ficar com o dinheiro todo?

O qu�?

Voc� n�o mataria por 30 milh�es,

mas por 300, sim.

Tem gente que mata at� por 15 mil pesetas.

Precisava dos vizinhos.

Sozinho n�o podia vigiar o velho o dia todo.

- Planejou tudo desde o in�cio. - � mentira.

Agora que n�o precisa mais deles como pensa em sair daqui?

Matando todos eles, n�o �?

Precisa de uma boa desculpa para sair com a mala,

mas deve ter pensado nisso.

Teve 20 anos para pensar

at� em como livrar-se da sua mulher e dos seus queridos filhos.

Amo a minha mulher como quando nos conhecemos.

Deve ser uma boa esposa para aguentar tanto tempo sem f�rias!

Mas agora, com dinheiro, pode aspirar algo melhor.

Cale-se.

Algu�m que n�o lhe jogue na cara o que fez;

algu�m que n�o destoe da sua mans�o com piscina

e do seu novo convers�vel.

J� pensou nisso?

Entre na banheira. N�o quero sujar o ch�o de sangue.

Entre na banheira, j� disse!

100, 200, 300, 400, 500...

O que est� fazendo? Porque comprou tudo isso?

N�o me distraia, sen�o me confundo e tenho que recome�ar.

Estava preocupada com voc�. Est� tudo bem?

Sim, m�e. Deixe-me em paz.

Aconte�a o que acontecer, n�o saia de casa.

Vai correr tudo bem.

Sim?

� a pr�pria. Quem fala?

A ag�ncia? Qual ag�ncia?

Ah, a imobili�ria!

O que se passa?

Desculpe, mas agora n�o posso.

O qu�? E quem te disse?

Um vizinho.

Sim, estou vivendo aqui e presumo que esteja despedida.

N�o se preocupe, estar� limpo dentro de uma hora.

Pronto, uma hora e meia.

O qu�?

V�m visit�-lo novamente?

N�o h� mais casas para ver em Madri?!

Parece que est� vazio. Entrem.

Aqui est� o belo apartamento.

Aten��o para as grandes vantagens. Primeira: fica perto do Metr�;

segunda: muito central; terceira: escolas para as crian�as;

e quarta: espa�os verdes para elas brincarem.

Podemos ver a cozinha. Creio que est� bem equipada.

- N�o tem garagem? - S� lhe falta isso.

Se tivesse, j� estaria vendido.

Sou Julia Garc�a, da ag�ncia.

O que aconteceu? est� ouvindo?

Devem ser amigos dela.

Com este copo de pl�stico n�o se ouve nada!

D� licen�a? Queria dar uma palavrinha a s�s com voc�.

- Com certeza. - Como se chama?

Javier Pacheco.

Temos que avisar o Castro.

Ele mandou dizer que estava no caf�.

�timo.

Vou cham�-lo.

Ele n�o est� l�. N�o quer � que a mulher saiba.

- O qu�? - Do caso dele com a loura.

A do videoclube?

N�o viu que ele agora anda sempre carregado de fitas?

Desde que a loura est� no balc�o que ele n�o para de ver filmes.

N�o pode ser.

Ela � uma gostosa. At� eu fiquei s�cio e n�o tenho nem v�deocassete.

Quero l� saber da vida alheia, e muito menos a desse safado.

Como me perguntou...

-Me deu uma pancada! - E voc� merecia mais.

Voc�s n�o podem ver um par de tetas.

S� tem merda na cabe�a.

Escuta, Jaime ou Javi. Preciso de um favorzinho.

Eu toquei 3 vezes e como me disseram que iam avis�-la...

Fez muito bem Jaime ou Javi.

S� te pe�o que n�o mostre o quarto.

- E eu lhes digo o qu�? - A verdade.

- Que est� em reforma. - � esse o motivo?

N�o, tonto. Digamos que ontem eu n�o estava sozinha

e que hoje tamb�m n�o estou.

Foi ele quem fez isso?

O amor � muito estranho, mas voc� � muito novo para saber.

Est� vendo como a reforma era verdade?

Assim n�o vale a pena mostrar-lhes o quarto.

Como � novo ainda n�o sabe, mas isto � normal neste trabalho.

Os chefes sabem. � uma esp�cie de gratifica��o.

Seja como for, pretendo esperar uns meses antes de...

...trazer minha mulher para os apartamentos.

Primeiro voc� tem que encontrar uma mulher.

Uma m�o lava a outra, certo?

A SORTE BATE � PORTA DA RUA SAN JERONIMO

Tenho algo aqui na cabe�a.

Ajude-me, Julia.

O que voc� fez? Venha aqui.

Venha aqui!

Julia, sou eu o Oswaldo. Abre.

N�o, Oswaldo. Lamento.

Onde est� o Emilio? Ele tentou te fazer algum mal?

Eles aguardam um sinal do Emilio.

Quem te mandou desta vez? O Castro? A Ramona?

N�o, esque�a-os. Estou aqui sozinho.

Esta � a nossa oportunidade de fugirmos.

- Eles n�o tardar�o a voltar. - Voc� s� quer a mala.

Claro que quero o dinheiro, mas para dividir contigo.

Esta gente est� doida.

- Tenho medo. - Julia!

Ajude-me!

Daqui at� ao aeroporto � menos de uma hora.

Amanh� poder�amos estar bem longe.

- Juntos? - E porque n�o?

Entre n�s h� algo e voc� sabe muito bem.

Precisamos um do outro. Somos como n�ufragos.

Dois n�ufragos numa ilha.

Uma ilha de monstros.

N�o chore, querida. Voc� � forte

e eu n�o deixarei que te fa�am mal.

Abre a porta, amor. Preciso de ti mais do que tudo no mundo.

N�o est� me ouvindo? Meu carro est� l� embaixo esperando.

Est� ouvindo, amorzinho? Abre.

Caralho! Raios partam a desgra�ada!

- Vamos. - Meu Deus!

N�o pode ser verdade!

N�o pode ser.

Socorro! Querem me matar!

N�o me ouviu?

Socorro!

Pronto? Ent�o? E a�?

Ou�a!

Mam�, mam�.

Mexa-se, moleque. Merda!

Ah, velho tresloucado, voc� tamb�m queria fugir!

Venha c�. Ela trancou a porta.

Empurra. Raios partam esta merda, porra!

Pai Nosso que estais no C�u, santificado seja o Vosso nome...

- Por aqui, depressa. Julia! - Charly?

Sim, sou eu. Sobe. Depressa!

Vamos, vamos!

- Onde est� a mala? - N�o, esque�a o dinheiro.

- N�o h� tempo. Eles j� est�o aqui. - A mala.

Aonde vamos?

Ele era meu amigo, sabe? Iamos fugir juntos.

Ent�o sabe sair daqui.

Ele procurou a sa�da a vida toda e foi morrer agora. N�o � justo.

Filha da puta!

- Est� no terra�o. - Vamos!

N�o � preciso correr!

Eles v�o levar a mala!

Por ali.

O plano � este: voc� foge enquanto eu os distraio como na Estrela da Morte.

Qual estrela?

Han Solo distrai as tropas imperiais e o Luke e a Princesa fogem.

- Como � que n�o se lembra?! - Isto n�o � a "Guerra nas Estrelas"!

A For�a est� comigo.

Eles podem te matar, n�o percebe?

Calma, vai correr tudo bem.

Me farei de tonto, como sempre. Confia em mim.

Tarde demais. A Princesa fugiu.

A Revolu��o triunfar�. Viva a Rep�blica!

Rep�blica?

Mas qual rep�blica? O que o retardado faz aqui?

- Deixa ele. Assim voc� o mata! - Ele que n�o saia daqui.

- Vamos, Castro. Deixa ele. - N�s falamos depois.

Eu disse pra voc� ficar em casa.

Ela disse que me amava e que nos �amos casar.

O teu pai tinha raz�o.

Dev�amos ter te afogado na banheira ap�s o nascimento.

Meu Deus! Socorro!

Traz isso pra c�.

Vai cair sozinha.

Vai cair sozinha.

Deixe-me fugir e te dou a mala. Juro que n�o conto nada. Juro, por Deus!

Me d� isso, j� disse!

Atira, Ramona!

Outra vez, est�pida!

- N�o v� que ela est� fugindo. - Est�pida, eu?

Atira duma vez!

O meu Cuqui n�o! O meu Cuqui n�o!

O que est� fazendo, Ramona? Calma.

- Vai por ali. - Estamos todos no mesmo barco.

O que est� fazendo, Ramona?

Vou atr�s de voc�, fofa.

N�o corra, fofa!

Voc� vai sair daqui, mas com os p�s na cova.

Me d� j� a mala!

Queria passar na frente dos outros.

- Me larga... - Queria ficar com tudo.

Desgra�ada!

O que voc� fez com o Emilio? O que foi?

Queria ficar com a mala.

Que tal isso?

Me d� a mala. N�o vai mais precisar dela.

Que mentirosa!

Olha como se agarra a mala.

At� parece que leva a� dentro a alma. Voc� � igualzinha a n�s.

N�o, n�o posso ser como voc�s.

N�o pode evitar. Voc� nasce com isso.

Est� no seu sangue.

� o que nos move pra frente.

Diga que � como eu.

Diga!

N�o, Ramona. Voc� nunca faria isso.

VIZINHOS SE MATAM POR DINHEIRO INEXISTENTE

CAVALEIRO JEDI PROCURA PRINCESA PARA RELA��O

ENCONTRO JUNTO AO URSO E O Madro�o

O URSO E O MADRO�O

Passei 3 dias junto ao urso da Puerta del Sol, at� saber do bar.

Porque n�o me falou da troca de malas? Eu quase morri!

Eles teriam percebido e voc� n�o teria conseguido fugir.

S� isso?

N�o, queria ter a certeza de que voc� n�o era como a minha m�e.

- Quer um caldinho? - Com um copinho de xerez.

- Outro, por favor. - O que havia na outra mala?

Charly, est� o m�ximo!

- Toma. Voc� n�o merece... - � do caix�o, Charly!

- Dan�amos? - Pode ser.

Ai, Portugal, porque gosto tanto de ti?

Ai, Portugal, porque te vejo t�o feliz?

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