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OUTRA HISTORIA DE AMOR
Grande Francesco.
Veja, River 5, Argentino 4
Que jogador!
Armindo Negro, era jogador.
Quem?
Armindo Negro, n�o viu ele jogar?
Por favor.
- Era outra �poca. - Outra �poca?
Me fa�a um favor.
Quanto?
- N�o muito, quero convidar Mercedes... - Quem � Mercedes?
Mercedes, a garota do meu anivers�rio.
Sei l�, me apresentou tantas no seu anivers�rio.
Vai conhec�-la.
Deixe-me aqui.
Outra coisa.
O que?
Essa camiseta.
O que tem?
� minha!
Sim eu sei, nunca usa.
As vezes uso.
E outra coisa.
O que?
� s�rio com a Mercedes?
� uma coisa s�ria?
N�o!
N�o esque�a do dinheiro.
E n�o use minha camiseta, v�.
- Bom dia. - Bom dia.
Muito bem, j� que estamos de acordo com as condi��es de trabalho.
Como gerente, s� me resta dar-lhe as boas-vindas.
Na empresa.
Quero que lembre que essa.
Mais que uma grande empresa.
� uma grande fam�lia.
Estou certo que vai ser um de nossos filhos.
Rosita?
Sim, senhor.
Acompanhe o Sr. Castro at� o escrit�rio do Sr. Louveira, por favor.
Sim, senhor.
Muito bem.
Desejo-lhe sorte, Sr. Castro.
Obrigado, senhor.
Qual seu objetivo ao entrar na empresa?
Chegar a ser gerente geral.
Ambicioso!
Mas informo que vamos concorrer ao mesmo cargo.
Eu se fosse voc�, n�o tentaria.
Al�m do mais espirituoso.
- Ol�. - Ol�.
Como s�o seus colegas?
N�o � f�cil.
Uma mo�a na minha sess�o estava esperando o meu cargo e deram para mim.
Sou o melhor.
Ela me odeia.
Mas tenho que vencer de alguma forma.
E a chefe?
O chefe.
E digo que � muito bonito.
Imagino que vai se comportar.
N�o!
Bom dia!
O que foi?
Te amo.
Bom dia.
Neste humilde ato comemoraremos meu primeiro m�s na empresa.
Mais que uma empresa, uma grande fam�lia.
- Bom dia, senhor. - Bom dia.
Orgulhos de completar meu primeiro m�s nessa grande fam�lia, te convido...
Humildemente que compartilhemos juntos minha alegria.
Parab�ns, Castro.
Obrigado, senhor.
Agora ao trabalho.
N�o, obrigada.
A��car branco faz mal ao p�ncreas.
Eu quero.
Sr. Louveira.
Sim.
Fala Castro.
Posso falar contigo?
Sim, claro.
Pode ser agora?
Sim, claro, venha.
Algum problema com o balan�o, Castro?
N�o, n�o � de trabalho que quero falar, senhor.
Problema pessoal, fale, fale.
Com toda confian�a.
Gosto de voc�.
O que disse?
Gosto de voc�.
N�o estou entendendo.
Gostaria de transar contigo.
Mas isso � uma falta de respeito.
Castro, eu sou seu chefe.
Sou um homem casado.
N�o perguntei seu estado civil.
Somente disse, que gosto de voc�.
Castro, reconsidere.
Sou um pai de fam�lia.
Sim, eu sei.
Castro, informo que voc� e eu caminhamos por caminhos diferentes.
Que pena!
E sugiro.
Que esque�amos esse incidente.
Est� bem.
Esque�amos o incidente.
Bom dia.
Bom dia.
Discutindo algum novo m�todo para o controle dos balan�os?
N�o, exatamente.
J� vou, senhor.
Com licen�a.
Ah, sr. Louveira.
Sim!
Com rela��o ao que falamos.
Se mudar de ideia, me avise.
Ok.
Rapaz com iniciativa, n�o �?
Sim!
Ou�a, ou�a.
T�cnicas combinadas, manuais de chupetas.
Primeiro.
Pegar o saco com a m�e esquerda e aplicar uma leve press�o.
Segundo.
Abrir lentamente a boca.
Deixando o l�bio inferior solto e aplicando a l�ngua...
Chamado em chin�s fei, O que � fei?
Sei l�.
Na metade do caminho entre o anus e o saco.
Movimentado a l�ngua com movimentos mais r�pidos.
Colocar a m�o, terceiro.
A m�e esquerda na base inferior do p�nis como se fosse abrir uma garrafa.
Esse procedimento se chama tira fora.
� f�cil.
Tem que deixar mais espa�o, sen�o vai doer o p�nis.
Que grosso que voc� �.
Sr. Louveira.
Venho da garagem.
Falaram que seu carro n�o estar� pronto at� amanh�.
Obrigado, Castro.
Obrigado.
Garagem?
Fala Louveira.
Prepare um carro que tenho que sair.
20 e te fa�o uma chupeta.
Precisa ir ao banheiro?
N�o.
Eu sim.
Vai demorar?
N�o, j� vou.
Finalmente.
Sinto-me mal.
Vista-se.
Quanto devo?
O que eu disse, 20.
Castro, por favor, pode vir ao meu escrit�rio com as faturas do m�s passado?
Sim, senhor.
Precisa verificar balan�os, senhor?
Sim, claro.
Preciso falar contigo fora do escrit�rio.
Quando quiser.
Pode ser hoje, na sa�da?
Ou�a-me Castro.
- Um caf�. - Um pingado para mim.
Te chamei para n�o comprometer sua situa��o na empresa.
Voc� tem um problema.
Eu quero ajudar.
O fato de estar aqui n�o significa que seja...
Homossexual.
Eu tamb�m n�o.
Como que n�o?
Definir-me como homossexual seria limitar-me, e odeio limita��es.
N�o entendi.
O sexo oferece mil possibilidades.
Me interessam quase todas.
Isso significa que eu para voc� seria uma possibilidade?
Dentro de mil.
N�o, n�o.
Se pegamos a argentina como um todo seria uma possibilidade em 30 milh�es.
Que confus�o n�o?
Fiquei confuso quando me falou.
Por que eu?
Nunca transou com um cara?
N�o!
Nem quando era adolescente?
N�o!
- Uma punheta em grupo? - Nada!
Voc� n�o existe.
Como foi a primeira vez?
No que?
No sexo.
Olha o que me pergunta.
Sei l�.
Tinha 15 anos.
No bairro tinha uma mulher sozinha.
Que permitia.
Que permitia ser fodida quer dizer?
Sim.
Permitia.
Um dia meu pai me levou.
Meu irm�o e eu.
Assim foi a primeira vez.
Olha o que voc� apronta.
E voc�?
Com mulheres ou com homens?
Primeiro as damas.
Eu tinha 12 anos quase 13.
Estava na escola.
Fomos de f�rias com meus pais na casa de uns tios.
Tinha uma prima da mesma idade.
Que precoce, heim?
A que idade come�a a sentir tes�o?
Aos 12.
Com que idade te deixam entrar num hotel?
18.
Seis anos de punheta.
3 por semana.
Por isso somos um pa�s de punheteiros.
Agora me conte a outra.
Essa � outra hist�ria.
Tinha 20 anos.
Sa�a de um cinema e se aproximou um rapaz.
25.
Me pediu as horas.
E eu dei.
Hector.
Estudante de ci�ncias econ�micas.
O encontrei o m�s passado.
Gordo.
Casou-se, tem dois filhos.
Tem um cargo importante numa companhia petroleira.
O que faremos?
Quer outro caf�?
N�o posso te convidar � minha casa, porque...
Moro com minha m�e
Eu tenho o que fazer.
Se quiser te deixo em algum lugar.
N�o, eu tenho meu pr�prio ve�culo.
- At� amanh�. - At� amanh�, senhor.
Ramal 113, por favor.
Nora, � Jorge.
Por favor, diga a Louveira.
Minha m�e n�o est� bem, vou chegar atrasado.
Obrigado.
- Gabi. - O que foi?
Preciso do apartamento.
N�o, n�o posso.
Duas horas, uma hora.
Vem Carlos, sen�o te emprestava.
Boa sorte.
Martin.
- Ol� - Ol�.
O que faz aqui vestido de executivo?
Est� de castigo.
Est� enganado.
- N�o deveria estar no escrit�rio? - Telefonei e disse que minha m�e n�o estava bem.
Confessa.
O que quer?
A que horas voc� fecha hoje?
Tarde, tenho que entregar tudo isso.
Me empresta seu apartamento das 6 �s 9?
Ok.
O que est� aprontando?
Bom dia, senhor.
Bom dia, Nora me disse que sua m�e n�o estava bem, est� melhor?
Sim, obrigado, trago o atestado m�dico.
Obrigado.
Pode ir.
Pode ir.
Depois continuamos.
Se tem coragem e se anima, te espero em Huergos 1334, 9� andar, �s 6 horas
Que filho da puta.
- Vai sair? - N�o!
Entra!
Entra!
Quer um conhaque?
Sim, sim!
Bonito apartamento.
De quem �?
De um amigo.
Tira o palet�.
N�o, n�o, estou bem assim.
Alguma vez te falaram que � um filho da puta?
Sim!
Mas nunca t�o suavemente.
N�o faz mal.
Me perdoe.
N�o!
Me perdoe, voc�.
Para que era a reuni�o?
Com os de rela��es p�blicas.
Mas isso n�o tem nada a ver com sua �rea.
Sim, mas querem que assuma o comando das conven��es at� o fim da temporada.
Beto, vem almo�ar?
Sim, mas vai chegar mais tarde.
Chamei pois terminou a experi�ncia de Castro.
Queria saber seu desempenho para confirm�-lo ou n�o no cargo.
N�o tenha nada contra.
Teve uma adapta��o r�pida ao ritmo do trabalho.
Frequ�ncia?
Quase perfeita.
Nunca faltou.
Chegou um dia atrasado por problemas de sa�de de sua m�e.
Integrou-se bem � equipe?
Sim, sim!
As vezes o vejo muito informal.
� um grande sedutor.
Recomendado por algu�m?
N�o!
Veio pelo anuncio do jornal.
E n�s fizemos a sele��o.
N�o se enganaram.
N�o � justo, n�o � justo.
Esses filhos da puta n�o podiam fazer isso.
N�o podiam fazer isso.
Eu estudei administra��o.
Eu me fodi 2 anos, 2 anos.
Para aprender computa��o.
E serviu para que?
N�o fica assim.
Como n�o vou ficar assim se ele ficou com o cargo.
Esse Ramon me deixa louca.
� um amor.
Vi�vo como eu, industrial e dan�a com os deuses.
Imagino o rei do fox.
- Rid�culo. - Beto.
Nos matamos com Nina Hagen.
Deixe-me contar.
Conheci ele na rua.
Ay, tia.
N�o me interprete mal.
Bati no carro dele.
E terminamos tomando um caf�.
Isso faz 3 meses.
Agora quer que viajemos para o Rio.
Acho que antes disso v�o se casar?
Nem pensar.
Que moderna!
Est� muito bem assim, para que complicar as coisas?
Depois n�o penso perder a pens�o de meu marido.
Nora!
Sim, senhor!
Vou sair.
Para amanh� quero os balan�os prontos.
Est� bem, senhor.
Que surpresa voc� aqui durante a semana.
Tinha vontade de te ver.
Trouxe algo que vai gostar.
Que a enfermeira n�o veja sen�o tira de mim.
Hoje de manh� veio seu irm�o.
Viu?
Voc� n�o queria vir pois n�o viriam te ver.
N�o � a mesma coisa que em casa, porem...
Estou esperando meus colegas de p�quer.
- Sr. Juan. - D�-me.
Essa � uma idiota.
Domingo estivemos almo�ando na tia Orfelina.
E como vai a doida da minha irm�?
Est� namorando.
Como sempre.
N�o me contou nada de Beto e Matilde.
Est�o bem.
Outro que est� namorando � Beto.
E voc�?
Eu?
O que est� pensando?
Eu sou um...
Pai de fam�lia.
Argentino.
Ocidental e crist�o.
Eu tamb�m.
Mas quando algu�m se solta.
Ningu�m segura.
E voc� n�o parece muito preso.
Estranho ir ver seu pai durante a semana.
Tive vontade.
Castro.
Venha aqui, por favor.
Precisa algo, senhor.
Um bom conhaque na rua Huergos.
Jorge!
O que voc� quer?
Tenho sede.
Tem algo para beber?
N�o, idiota.
Comprei um vinho branco.
Onde trabalhava antes de entrar na empresa?
Numa financeira, que fechou.
Sempre trabalhou em escrit�rio?
Nem sempre.
Quando terminei os estudos.
Estive um ano e meio viajando de carona.
Por onde?
Fui com um amigo.
Estivemos em Santiago do Chile.
Lima, Manaus, Rio, Assun��o, Buenos Aires.
Me falava dos trabalhos.
Em Santiago fui motorista de um �nibus.
Um �nibus.
Para crian�as, escolar.
Em Lima escrevi programas para o radio sobre a corrida espacial.
No Brasil?
No Rio vendi artesanatos.
Em Manaus n�o fiz nada.
Em Assun��o estivemos de passagem.
Bonita experi�ncia.
Legal.
Quando terminei os estudos quis fazer o mesmo na Europa.
Mas, depois meu pai morreu.
Tive que trabalhar s�rio.
E por que quis estudar administra��o de empresas?
Porque gosto dos n�meros.
Eu gosto de vinho branco.
J� te contei quase toda minha vida.
E de voc� n�o sei nada.
O que posso te contar?
Que sou de Buenos Aires.
Que venho de uma fam�lia de classe m�dia.
Terminei a faculdade casei-me e logo veio o Beto.
E isso � tudo.
E as pequenas coisas onde est�o?
Que pequenas coisas?
N�o sei, n�o sei.
As ilus�es.
Quando tinha 10 anos o queria ser quando crescesse?
Bombeiro.
- E aos 20? _ Chef.
Em um hotel internacional, n�o ria que cozinho muito bem.
E agora?
O que gostaria de ser quando crescesse?
Gostaria...
De estar em paz!
Sim?
- Boa tarde, senhora. - Boa tarde.
Vim para uma pesquisa de margarina.
Posso entrar?
Sim, entre.
Com licen�a.
Desculpe o incomodo.
N�o, n�o incomoda.
Ok.
Voc� cozinha ou tem cozinheira?
N�o, n�o eu cozinho.
- Usa margarina? - Sim!
Para sobremesas ou para tudo?
Para tudo.
Ah, uma pesquisa de margarina.
Boa tarde, senhor.
J� acabo e vou embora.
Voc� cozinha?
Sim, as vezes.
Usa sempre margarina?
N�o.
Eu atendo.
Ol�, papai.
Ol�.
Bom, j� vou embora.
- Ol�. - Como vai.
Te acompanho.
Obrigado, senhor.
by amn
N�o foi certo o que fez.
- Me enganei, n�o foi tudo isso. - N�o foi tudo isso o cacete.
Nos encontramos depois?
Nem pensar.
- Vamos ao parque? - N�o!
Um conhaque no caminho?
No que pensa?
Gostaria que tiv�ssemos um lugar nosso.
O que est� dizendo?
Estou cheio de nos vermos em lugares emprestados.
� nossa realidade, Raul. - Sim, sei que � nossa realidade.
E se alugamos um apartamento juntos?
Eu estou duro.
Eu tenho um pouco.
Alugamos e depois vemos.
- Tem ideia onde est� se metendo? - Sim!
Em que estamos nos metendo?
N�o sei.
Mas acho..
Acho que te amo!
Tia Orfelina telefonou para saber se vamos no domingo.
O que lhe disse?
Que sim.
Alo!
Se for corajoso v� at� a janela.
N�o tem ningu�m com esse nome aqui.
Por quem perguntaram?
N�o sei, um nome estranho.
Se vamos na tia Orfelina vai ter que me trazer mais cedo.
� a reuni�o mensal com as senhoras da a��o cat�lica.
Me traz e volta.
EU TAMBEM TE AMO.
Pai, como se chamava aquela mulher que morava perto de casa?
Qual?
Aquela que uma noite me levou Felipe e eu para...
Cirila.
Boa mulher.
Sua m�e a odiava.
Todo o bairro a odiava.
Era sublime.
Ningu�m fazia t�o bem como ela.
Sabe o que me disse na noite que levei seu irm�o e voc�?
N�o!
Me disse que dos dois.
Voc� era o melhor na cama.
Era mais descontra�do.
E tinha mais imagina��o.
N�o sei.
Sinto-me muito bem.
Acho que me apaixonei.
Nunca senti uma coisa t�o forte.
E vamos alugar um apartamento.
Sabia que esse final de semana, Matilde vai visitar a irm�?
Sabe andar de bicicleta?
Quer?
Bate punheta?
Olha o que me pergunta?
O que tem de errado?
A gente respira, come.
Sim, ou n�o?
Sim de vez em quando.
N�o sou um adolescente.
E quando era adolescente?
Em quem pensava no momento culminante?
Voc� � insuport�vel.
Pergunta o que n�o se deve perguntar.
Sim, sou capaz.
Em quem pensava?
Diga.
Numa morena.
Alta.
Com olhos penetrantes.
Como n�o se sente mal com as coisas que te acontecem?
Com teu trabalho, com tua mulher.
Voc� se traiu mais uma vez.
O que quer dizer com isso?
Queria ser chef de cozinha.
� contador.
E sua mulher.
N�o � alta nem morena.
E voc� quando era crian�a o queria ser quando crescesse?
Gerente geral de uma multinacional.
Escritor.
Tenho v�rias coisas escritas.
Acredita que eu tamb�m escrevia?
Quando nasceu Beto.
Escrevi um pequeno conto.
Depois continuei escrevendo.
Agora faz um ano que n�o escrevo mais.
Vamos ao cinema essa noite?
Pode?
Sim!
Na segunda inauguramos o apartamento.
Pode ficar at� tarde?
Sim!
Disse a minha mulher que tenho que cuidar das conven��es.
Hoje tenho uma, segunda tenho outra.
Para mim est� �timo.
O que podemos ver hoje?
Com todo o trabalho que tem.
Por que imaginar essas cartas?
Que outra coisa poderia fazer?
Eu cuidaria sempre de voc�.
Voc� poderia ser outra coisa.
Se quisesse.
Se confiasse em mim.
Que terr�vel.
Todas essas coisas.
Continuar�o aqui.
E eu.
O que aconteceu que esse fim de semana n�o foi acampar?
Nada, o instrutor ficou doente.
Melhor, assim posso ir ao cinema com Mercedes.
Cuide-se n�o volte tarde.
Mercedes tem que estar em casa as 9.
Nunca entendi essa ideia fixa de que as mo�as tem que chegar cedo em casa.
Os pais deveriam saber que os hot�is ficam aberto 24 horas.
Tia.
Bom se fossemos assim independentes nessa idade.
Ou�a seu irm�o.
Como se eu tivesse prendido ele.
N�o falo desse tipo de independ�ncia.
Refiro-me a ser livre pensador.
Pensar e viver sem...
Sem preconceitos.
Claro, agora que anda de conven��o em conven��o.
O que � isso de conven��es?
O gerente de rela��es p�blicas est� doente.
Tenho que substitu�-lo.
Que cagada!
- Quer que inauguremos outro dia? - N�o!
N�o faz sentido.
Teria que dizer que a conven��o foi suspensa e ficaria evidente.
Como quiser.
Inauguramos as 9.
Traje de etiqueta.
Onde a coloca.
Se mexe n�o posso por.
Coloca, coloca.
Esperamos algu�m?
Disse a David que viesse tomar um caf�, te incomoda?
Filhos da puta!
Viados de merda.
O que foi?
Entra.
Ol�.
Vai.
Vai!
O que faz ai?
Tua m�e e eu tivemos um pequeno problema e....
Precisamos conversar a s�s.
Pode ser?
Sim, aconteceu algo?
N�o.
Algo grave?
N�o, n�o!
Vai!
Espero l� embaixo.
Como soube?
Uma mulher viu voc�s.
E telefonou.
E o endere�o?
De sua agenda.
Matilde.
Por favor, Raul, n�o me explique nada, n�o tem nada que explicar.
Mas � que...
Est� tudo claro.
Casei-me com um homossexual e demorei 20 anos para perceber, que idiota, que idiota.
Matilde, querida, quero que entenda.
O que quer que entenda?
Que meu marido transa com o secretario e depois vem para minha cama quer que eu entenda?
Matilde, querida.
O fato de que eu ...
Tenha rela��es com Castro.
N�o significa que n�o te ame.
S�o duas coisas diferentes.
Fico mais tranquila.
N�o perdeu a capacidade de perceber.
Que somos duas coisas diferentes.
Mas � como que...
Como que amo os dois.
Preciso dos dois.
Raul.
Nessa vida se � homem ou mulher.
Branco, negro, bom ou mal.
N�o uma mistura indefinida.
N�o estou t�o certo.
N�o sei como vamos sair de tudo isso.
Vamos ser o assunto de toda a fam�lia.
Foda-se a fam�lia.
S� o que te preocupa.
N�o se preocupa como eu posso estar.
S� o que os outros v�o pensar.
Me mato trabalhando para mudar o apartamento, o carro.
Para mandar Beto nas melhores escolas.
E eu para que, para nada.
Por que n�o podemos desfrutar do que temos, por que?
Sempre pensando nos de fora.
Estou cheio de viver para os outros.
Agora quero viver para mim.
O que foi?
Nada.
- Vou caminhar um pouco. - Vou contigo.
Fique com mam�e.
Beto ficou sabendo?
Mais ou menos.
Sabe que acontece algo, mas...
N�o sabe o que.
Alo.
Como?
O que disse?
Mas n�o pode ser.
Como est�?
Onde?
Vou para l�.
O que foi?
Matilde.
Onde est�?
Ai.
O que aconteceu?
O que aconteceu, Beto?
Que cagada voc� fez?
Como que cagada?
Senhor Louveira, preciso fazer umas perguntas.
Venha para casa comigo.
Alo.
Como vai?
Agora bem.
Estou na casa de minha tia.
Imagino que no escrit�rio soube de tudo.
S� dei um telefonema.
N�o, ela est� bem.
Amanh� receber� alta.
Beto vai dormir na casa de meu irm�o.
Sim, amanh� eu te explico.
N�o, n�o eu te agrade�o.
Prefiro passar a noite aqui.
Obrigado.
At� amanh�.
Eu tamb�m.
Com quem falava?
Com um colega do escrit�rio.
N�o podem fazer isso.
Eu tenho um filho.
- Isso deveria ter pensado antes. - Nem antes, nem depois.
Ningu�m tem o direito de publicar nada sobre a vida privada de ningu�m.
Quando se tem um vida normal.
Normal, o que � normal?
Voc� sabe muito bem.
- O que todo mundo faz. - Eu fa�o parte do mundo.
Pode ser.
Desculpe, esse assunto n�o me interessa.
Faz 20 anos que voc� est� na empresa.
Levando em conta seus antecedentes.
Resolveram te transferir para Madrid.
Madrid, mas por que Madrid?
Se ficar em Buenos Aires.
Seria imposs�vel manter sua autoridade.
Sim!
Sim, entendo.
A empresa vai cuidar de tudo.
Passaporte, passagem, moradia.
Acho que vai se divorciar.
E que seu filho v� morar com sua mulher.
Sim, claro.
N�o sei.
Tudo isso foi t�o repentino.
Para n�s tamb�m.
Esta situa��o.
Pense.
Mas, r�pido.
Madrid est� sem gerente faz 10 dias e queremos que voe o quanto antes.
Isso � tudo Louveira.
Agora me desculpe.
Tenho que falar com Castro.
Sim!
Rosita.
Sim, senhor.
Que entre Castro.
Sim, senhor.
Sente-se.
Por favor.
Bem.
Imagino que depois do que aconteceu n�o deve se sentir � vontade na empresa.
N�o vejo por que?
Me senti e me sinto t�o a vontade como em minha casa.
N�s n�o sentimos voc� como parte dessa casa.
- A partir desse esc�ndalo... - Esse esc�ndalo refere-se a minha vida particular.
Esse � meu trabalho.
Pediria que n�o misture as coisas.
Est� bem, entendo.
Para a empresa deixou de ser uma pessoa s�ria.
Se tem algo contra meu trabalho na empresa diga.
N�o vou permitir dizer com quem transo.
Acalme-se por favor, sr Castro, acalme-se.
N�o temos queixa com rela��o ao seu trabalho.
Muito pelo contr�rio.
Est� na dire��o.
O desejo que voc� se demita.
Tirem isso da cabe�a.
Ent�o vai nos obrigar.
A demiti-lo.
Sim, demita-me.
Quero que na demiss�o, conste a causa real.
Despedido por causa de sua vida sexual.
Que acontece fora da empresa.
Lamento dizer.
Corrompeu a ordem dessa casa, senhor.
N�o � contigo com quem tenho que falar.
Bom dia.
Meu nome � Jorge Castro.
E quero informar.
N�o vou aguentar que nada me diga como devo transar.
Por favor, Castro.
Sou um ser humano
E tenho o direito de viver e sentir.
A escolher.
N�o est� certo, Raul.
N�o est� certo.
Fala Louveira, um caf� duplo e duas aspirinas, por favor.
Sente muita culpa?
Muita.
Mais pelo Beto.
Continua amando Matilde?
N�o d� para deixar de amar uma pessoa com a qual viveu por 20 anos.
Ela pode.
Disse que te odeia.
- Ama muito ele? - Sim!
Sei l�.
Isso � t�o complicado.
Por que n�o o leva para a Espanha?
Por favor tia, n�o seja louca.
Mora com sua m�e.
Um dia ela morre e ele vai ficar sozinho como todos n�s.
E Ramon?
N�o aguentou minha independ�ncia.
Assustou-se.
O amor � um milagre.
N�o vire as costas a ele.
Para todos sou o vil�o dessa hist�ria.
Quando na verdade sou um idiota que as coisas passaram por cima.
Por sorte.
Para mim n�o � o vil�o nem o idiota.
Afinal todos passam por uma situa��o como a sua uma vez na vida.
- N�o me diga que voc�... - A essa velha n�o agrada dar conselhos.
Mas vou te dizer algo.
Defendo o que � seu por mais louco que pare�a.
Porque se n�o defende.
Ningu�m vai defender.
Hoje recebi o telegrama de demiss�o.
Raul viaja amanh�.
Por que n�o vai para a Espanha?
N�o tenho como.
E depois eu sustento minha m�e.
Vou sentir falta dele.
Olha.
Quando teu irm�o disse que estava se separando.
Que estava se separando de Matilde.
N�o senti pena, porque.
Matilde � uma boa mulher, mas...
Sabe como me aborrecia.
Deveria ter dito h� 20 anos.
Sua m�e estava t�o entusiasmada com ela que...
E como fazia sempre o que tua m�e queria.
Somente eu?
Me escrever�?
Sim, sim, escreverei.
Vou sentir sua falta.
Eu tamb�m.
Quem vai me trazer doces durante a semana?
Quero te pedir duas coisas.
Cuide de Beto.
Que papai n�o saiba de nada.
Est� bem.
Beto te adora.
Quanto ao pai pode ficar tranquilo.
N�o quer se despedir?
Sabe como ele est�.
Veio pegar o computador.
Hoje estive com o vov�.
Disse que gostou muito das revistas de aventura que mandou.
E quando vinha para c�.
Pensava.
Com a idade que voc� tem.
Nunca disse que te amo.
E que.
Essa � uma oportunidade.
E quero que saiba.
Que papai n�o � um super. homem.
Que tem os teus mesmos medos.
E tuas mesmas ilus�es.
Gostaria que nos desped�ssemos.
Mas respeito sua decis�o.
Vai ter not�cias minhas.
E gostaria de ter not�cias tuas.
Tchau, Beto.
Papai.
Tchau.
Diga ao meu irm�o que o cart�o verde est� aqui.
Fica tudo dif�cil sem voc�.
Tudo me d� frio.
Sem voc�.
Tudo desaba.
Sem voc�.
Tento de tudo.
E n�o consigo, sem voc�.
Sem voc�.
E me enquadra o silencio.
Solid�o � um grito.
Sem voc�.
Aparecem os medos.
Sem voc�.
E nunca chega.
O prazer.
Sem voc�.
Como se pudesse escolher o amor.
Como se fosse um raio que te parte os ossos.
E te deixa no meio do p�tio.
Traduzido e legendado por Alexandre Neto.
Para Marcos
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