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Original subtitles

"� EXCELENTE TER A FOR�A DE UM GIGANTE...

MAS US�-LA COMO UM GIGANTE � UM ATO DE TIRANO."

OS �RF�OS DE BROOKLYN

O Frank costumava dizer: "Conta a tua hist�ria em andamento."

Ele era mais filos�fico do que os detetives normais,

mas gostava de conversar em movimento, por isso foi assim que tudo se passou.

H� algo de errado com a minha cabe�a. Isso � a primeira coisa a saber.

Se!

� como se tivesse vidro no c�rebro.

N�o consigo parar de mexer nas coisas,

dar-lhes a volta, reconfigur�-las.

Sobretudo palavras e sons.

� como uma comich�o que tenho de co�ar.

Para de puxar isso. Vais estragar isso tudo.

Tenho uma linha na pinha.

Tenho uma linha na pinha!

Tenho uma linha na pinha, meu!

E tenho muitos tiques.

� dif�cil n�o repararem nisso.

Pare�o um daqueles cromos com paralisia cerebral,

mas se tentar controlar-me, s� pioro a situa��o.

Podes ajudar-me?

Eu disse-te que ias lixar isso tudo!

Arruinaste outra camisola, Aberra��o.

N�o, corta rente!

Tudo lixado, � isso mesmo.

A freira disse que eu n�o estava em paz com Deus e que devia ser penitente.

O Frank disse que algu�m que ensina o amor de Deus a bater com uma vara

deveria ser ignorado em qualquer assunto.

Frank Minna.

Se s� pudesses escolher um tipo para teres ao teu lado,

ias querer que fosse ele.

O jogo � dele. Estamos s� em fila de espera.

-Rapazes. -Patr�o.

Frank. Frankly Frankady Franko!

Ou�am.

Este � o plano. Vou estar no terceiro andar.

O Lionel vai � cabine telef�nica daqui a 20 minutos.

Quando eles vierem, provavelmente uns tr�s ou quatro,

ligas-me para este n�mero.

Abro-lhes a porta. O Coney espera � entrada.

Abro-lhe a porta, ele fica l� dentro.

O Lionel estar� a ouvir, ao telefone.

Se me ouvires dizer "temos um problema," v�o l� ter comigo depressa.

O Coney deixa-te entrar. Sobem os dois as escadas

e d�o-me apoio rapidamente.

O que vai acontecer aqui, Frank?

Esta tem de ficar debaixo do chap�u, rapazes.

Gordo no c�u de chap�u!

� isso mesmo, p�.

Vamos l� ganhar bom dinheiro e engordar.

-Patr�o, n�s n�o temos nada. -O qu�?

Uma fusca. N�o tenho uma fusca.

"Fusca?" Diz "pistola," Gilbert.

-Pronto, n�o tenho pistola. -Conto que n�o tenhas.

� assim que consigo dormir � noite, sabendo que n�o tens uma pistola.

Eu tenho uma. Voc�s s� t�m de aparecer.

N�o quero que voc�s, seus broncos, subam as escadas

a gritar como uma gaita.

Girar a gritar, gaita na snaita! Para de me enervar.

Com uma gaja de saia e um nariz a sangrar.

-N�o �, Brooklyn? -Narig�o e sangue de c�o.

Ponho a m�o no nariz do c�o.

V� l�, a s�rio. N�o me desconcentres.

-Conta-nos o resto, est� bem? -Est� bem.

Se eu disser "deixa-me ir � casa de banho,"

quer dizer que vamos sair.

Vais buscar o Gil, entram no carro e preparam-se para nos seguir.

� poss�vel que tenha de escapulir-me. Perceberam?

Sim. "Problema," subimos as escadas. "Casa de banho," ligamos o carro. Certo.

Certo, certinho, cert�ssimo!

O Lionel percebeu, faz o que ele fizer.

V� l�, s� podes estar a gozar.

Coney, o que � que eu disse quando entrei no escrit�rio na ter�a-feira?

-O qu�? -Lionel?

Penduraste o casaco, puseste o chap�u no terceiro gancho

e disseste: "Acabei de ver uma mi�da no ferry

"e o sorriso que ela me deu vai ajudar-me a passar o inverno."

Depois atiraste o bloco de notas ao Danny e disseste:

"Como se mant�m um casamento com tantas mi�das de 22 anos por a�?"

Como disse, o Lionel presta aten��o.

Toma l� disto, Bailey!

Cabr�o do Bailey.

Se!

A minha cabe�a chama-me Bailey.

Aponta-me o dedo de cada vez que tento resistir.

H� coisas que a acalmam.

Pastilha el�stica, erva.

Por vezes, algo mais forte, se estiver a passar um mau bocado.

Mas se tentar conter-me, fica pior.

Se estiver nervoso, fica pior.

Se estiver excitado, fica pior.

Se!

� uma discuss�o que n�o consigo ganhar.

Cuidado!

Isto � outro momento cl�ssico do Minna.

Estamos aqui a congelar. Nem sei para ganhar o qu�.

Tens planos para o fim de semana, Coney?

Talvez tenha.

-Um encontro escaldante? -Talvez tenha.

Coney Island.

Cachorros-quentes de Coney Island!

-Cachorros-quentes de Coney Island! -Certo, Aberra��o...

Faz menos barulho, por favor.

Est� na nossa hora. Prepara-te.

-Estou. -Estou, patr�o.

Porra, patr�o!

Est�s calmo, Brooklyn?

Sem problema, tenho pastilha el�stica. Vou controlar-me quando for preciso.

Fica atento, tal como fal�mos.

Talvez precise da tua cabe�a, mais tarde.

Sim, estou aqui para o que for preciso.

Eu sei que sim.

Acho que os teus amigos chegaram.

Certo, quantos s�o?

Dois a subir a rua, dois a sair do carro.

-Consegues v�-los? -Sim, consigo.

Meu Deus, o tamanho daquele tipo.

Eles v�m bem protegidos. Est� tudo bem, patr�o?

Mais relaxado � imposs�vel. � s� uma conversinha.

"Aqui jaz Frank Minna. Mais relaxado � imposs�vel."

V�o escrever isso na l�pide dele.

N�o sei se por ter crescido em Greenpoint ou por ter combatido os japoneses,

ele relaxava sob press�o de uma forma que n�o se consegue ensinar.

Eu limitava-me a estar feliz por ter lugar na equipa dele.

E se h� coisa que o meu c�rebro irritante sabe fazer

� ouvir e memorizar as coisas.

Obrigado por terem vindo, senhores.

-Querem uma bebida? -N�o vamos aqui ficar muito tempo.

Agora, explique esta merda.

O que � que n�o entendem?

Que tal a parte em que teve a ideia de ir investigar

uma mi�da de cor, para come�ar?

Trabalha para o comit�.

� uma secret�ria de merda.

Dissemos-lhe para investigar a Horowitz e encontrar algo para os tramar.

N�o h� ali nada, Lou.

Querem saber o que est� naquele relat�rio?

A "mi�da de cor" est� a fazer-lhes o trabalho sobre o Hamilton.

Por isso, tamb�m passei um tempo a investigar.

Foi vasculhar em lugares estranhos.

O que querem? Sou bisbilhoteiro. � o que eu fa�o.

-� ser meticuloso. -� fazer-nos perder tempo.

Isto � chin�s, Frank!

Se precisa de um mapa para limpar o rabo, n�o posso ajudar.

Explique-nos tudo, Sr. Minna, s� para ficar tudo bem claro.

Est� a� tudo, escrito a tinta.

Algu�m oferece uma interpreta��o diferente?

Nada disto pode ser provado.

Aquela assinatura � verdadeira.

Se conhecesse o homem, saberia que isso � altamente improv�vel.

Comparei-a com as outras. Isso � a assinatura dele.

E a papelada burocr�tica confirma-o.

-Acha que a Horowitz sabe disto? -N�o.

Ou voc� j� estaria na merda.

Apareceria no jornal no dia seguinte.

A mi�da � casada? Tem fam�lia?

Est� tudo no relat�rio. A m�e dela morreu. N�o tem irm�os ou irm�s.

-E o pai? -O pai � um veterano em mau estado.

Dirige um clube de jazz por aqui. Bebe demasiado.

Sr. Minna, presumo que saiba o que vai acontecer de quinta-feira a uma semana?

Sim.

Ent�o compreende a nossa determina��o

em manter essa informa��o longe das m�os dos nossos detratores?

Claro, � assim que as coisas funcionam.

Tudo isto s�o fotografias.

Posso confiar que possui os originais?

-Sim. -Excelente.

Vamos precisar que no-los entregue.

J� calculava.

Pensei que pud�ssemos falar de condi��es.

Que raio est� a dizer?

Perdeu a cabe�a?

N�o vamos estar com brincadeiras.

Voc�s est�o sentados no maior comboio de massa do s�culo.

S� pe�o que me deixem sentar na carruagem de tr�s.

Isso � imposs�vel.

Receberia o dobro de qualquer jornal da cidade.

Vou fingir que n�o acabou de dizer isso e vamos l�...

� apenas uma observa��o.

Estou aqui de boa-f�.

-Estou s� a calcular... -Tire isso da cabe�a!

Bolas, qual � o seu problema com algu�m ser pago por um trabalho bem feito?

Tanto quanto vejo, voc�s s�o pagos para n�o fazer nada.

-Veja como fala. -Tenham calma.

-Merda. -Abra o casaco.

-O que �? -Est� armado?

Trouxe uma arma para uma reuni�o?

-Tenho-a desde a guerra. -Mas que raio?

Ouve l�, cabr�o, vou pedir ao meu amigo

-para ta enfiar no rabo. -Chega. Lou, quero falar contigo.

Vamos l�, rapazes, n�o fiquem zangados. S�o neg�cios, mais nada.

Sr. Minna, agradecemos-lhe o servi�o que prestou.

Estes cavalheiros v�o consigo buscar os negativos das fotografias

e, se tudo estiver certinho, arranjaremos uma solu��o apropriada para si.

Claro. Como disse, estou de boa-f�.

Deixem-me usar a casa de banho primeiro.

Anda l�!

-Bate e mete! Bate na retrete! -O que aconteceu?

Bateram-lhe. Acho que lhe bateram.

Caramba, Aberra��o! Ent�o, o que fazemos aqui?

N�o, n�o. Espera.

Ele disse "usar a retrete." Quer que o sigamos.

Homem na retrete! Chiclete na retrete!

E este tipo!

-N�o gosto disto. -Eu tamb�m n�o. Vamos l�.

Merda!

N�o! N�o!

Merda. Temos de ir!

Vamos l�!

Vamos, vamos! D�-lhe g�s!

Anda l�, d�-lhe g�s!

Este cabr�o!

Chupa-me, Sr. Pilas!

Chupa-me, Sr. Pilas!

Vamos l�.

Esquerda, esquerda! Engole a enguia, Em�lia!

Est�o ali! S�o eles.

N�o passes por eles. Abranda.

Cuidado!

Merda.

�s ceguinho?

-Mas que raio? -Como � que os perdemos de vista?

Ali! Est�o ali!

Onde vai ele?

A rampa. Ele est� a ir para Queens. Queenie Coney.

Queenie Coney.

Na fila da direita. Mete-te � direita.

Onde raio est�o?

S�o eles! Anda, sen�o vamos perd�-los.

Anda l�!

-Moda, mete, moeda! -O qu�?

-Moda, mete, moeda! -O qu�?

Uma moeda! Precisas de uma moeda, Coney!

Porque n�o disseste nada?

Vamos!

Por ali. Vai pela esquerda.

Eles t�m de estar em algum lado.

Tamb�m diria que sim, Gil. Mas onde?

Para! Volta atr�s!

Jesus!

Merda! Larga isso! Temos de sair daqui!

Anda l�, vamos!

Raios partam.

Frank!

Aproxima-te com o carro!

-Queres ajudar-me a sair daqui? -Sim.

Merda!

-Consegues levantar-te? -Sim.

Coney, seu brutamontes, traz o meu chap�u!

Esquece o chap�u, Frank.

Traz o meu chap�u, sua aventesma!

A minha arma tamb�m.

-Onde est�s a ir? -N�o conhe�o a zona.

D�-me uma sugest�o.

Vai para o hospital! Herpes hospitaleira!

Para o Mercy Hospital. Ao cimo da McGuinness, cabe�as de couve!

-Desculpem. -Presta aten��o!

-Se, se! -Calma, p�.

Desculpa.

P�e o meu rel�gio e a carteira no chap�u e deixa-o no carro.

N�o quero que o roubem.

Que raio aconteceu, Frank?

Fi-los andar �s voltas e depois tentei fugir.

Dev�amos ter intervindo mais cedo.

Achei que tinhas feito sinal para n�o me meter.

N�o � culpa tua. Quase consegui.

Esqueci-me que tinham a minha arma.

Sobrevivi ao Guadalcanal sem um arranh�o e sou alvejado pela minha arma em Queens.

Vais ficar bem?

Sim, apanharam-me de lado, mas nada de especial.

-Quem eram eles? -N�o te preocupes com isso.

Fala comigo, Brooklyn. Conta-me uma das tuas piadas.

-O qu�? -Preciso de uma piada. Conta-me uma.

Um tipo entra num bar com um polvo e diz:

"Aposto 50 d�lares em como o polvo toca tudo o que aqui t�m."

Que piada. J� � hilariante.

Eu vou...

-Porra! Merda! -N�o estragues o fim da piada, Lionel.

Cuidado!

Jesus, o que estamos a fazer?

Estamos quase l�.

SALA DE EMERG�NCIAS

O que est� a fazer? Tire o carro...

Hoje, somos uma ambul�ncia! V� chamar algu�m!

O que temos aqui?

Alvejado nas costas. A bala saiu pelo est�mago.

N�o te preocupes. Eles cuidam de ti.

Aperta a minha m�o.

Pin�a.

N�o adorme�as, sim? Fica comigo.

Merda, Brooklyn. Agora ela est� em sarilhos.

Quem? Quem estava no quarto?

Fui demasiado ambicioso.

Devia t�-la mantido...

Tem calma. Eles v�o dar-te uma inje��o agora.

D�-me duas unidades.

A morfina j� est�.

-Brooklyn... -Estou aqui, Frank.

N�o �s nenhuma aberra��o.

Est� bem.

Fica acordado, est� bem?

Andavas a trabalhar para aqueles tipos. Quem s�o eles?

-Formosa... -Formosa? O que � isso?

Formosa...

-N�o tenho pulso. -Mexam-se!

-N�o pode estar aqui. -Saia!

Saia daqui!

Um tipo entra um bar...

Um tipo entra num bar...

Um tipo entra num bar...

-Um tipo entra num bar... -Fizemos o melhor que pudemos.

-Um tipo entra num bar... -EPerdeu demasiado...

Demasiado sangue.

Ele n�o sobreviveu.

-Lamento muito. -Lamento muito, Bailey!

Lamento muito, Bailey.

Frankly Frankady Franko!

Frankly Frankady Franko!

Frankly Frankady Franko!

Frankly Frankady Franko!

Frankly Frankady Franko!

AG�NCIA L&L

Depois, disse que os levava a ir buscar algo, era o nosso sinal.

Ele leva-os a ir buscar algo que queriam e matam-no.

N�o faz sentido.

N�o sei. Aconteceu t�o depressa. Est�vamos a tentar acompanhar.

-Mal os vimos. -Como se deixaram ficar t�o para tr�s?

J� te disse, perdemo-los na ponte.

Eles tinham um distintivo e passaram. N�o pudemos fazer nada.

O Aberra��o tem raz�o. Foi uma confus�o.

Quem eram eles?

Ele n�o disse. Nem depois, no carro.

Obrigadinho, Frank!

FRANK MINNA CHEFE DE INVESTIGA��O

Se, se, se!

Temos de contar � Julia.

J� lhe disse.

Quando?

Ela ligou � procura dele.

Como � que ela reagiu? Rugiu!

Como achas que reagiu, Aberra��o?

N�o voltes a chamar-me isso!

N�o estou para isso.

Est� bem, tem calma.

S� estou a dizer...

Todos conhecemos o feitio dela.

Algu�m tem de lhe levar as coisas dele.

Eu vou.

Olha.

Leva o dele, est� bem?

N�o podes sair assim vestido.

Est� um gelo l� fora.

-Obrigado. -Tens a certeza de que queres fazer isto?

Talvez ela queira saber o que aconteceu no fim, entendes?

Ele disse alguma coisa sobre ela?

N�o.

Ajuda-o uma �ltima vez.

Mente um bocadinho.

-Lionel. -Ol�, Julia, eu...

Deixa estar. O hospital j� me telefonou.

N�o � isso, eu trouxe algumas das coisas do Frank.

Achei que ias dar-me a not�cia, outra vez.

Ouve, Julia, eu...

-Sinto muito. -Bela surpresa, n�o?

N�o estava � espera desta, devo dizer.

Surpresa, suspiro, sopa! Merda.

S� quero ficar sozinha, est� bem?

Claro que sim.

Posso ficar com o rel�gio. N�o quero mais nada disso.

Fico com a arma dele, se n�o te importas.

-Queres o chap�u? -Para qu�?

Devias ficar com isto.

Ele estava acompanhado quando...

Sim, eu estava com ele.

Ele falou de ti, sabias?

N�o me mintas, est� bem? Estou zangada com ele.

-N�o estejas. -Pois, mas estou.

Cabra zangada!

Desculpa.

Julia...

O Frank disse-te com quem ia ter, hoje, ou o que andava a fazer?

N�o disse, n�o.

Tens alguma ideia sobre quem fez isto?

N�o, mas quando descobrir vou faz�-los arrependerem-se.

Prometo-te.

N�o me fa�as promessas.

N�o faz diferen�a, de qualquer maneira.

Se!

Se!

Se!

Se!

Se!

Se!

Se!

Aqui tem, senhor.

BANHOS P�BLICOS GRATUITOS

AD 1 AGENTE DE NY

AUTORIDADE DISTRITAL NOVA IORQUE

-Deixa-os entrar, Charlie. -Muito bem, senhores. Podem entrar.

Tenham cuidado. Pode estar escorregadio.

Aceito humildemente a responsabilidade do cargo de Presidente da C�mara

e aceito o desafio

de servir com lealdade os cidad�os de Nova Iorque o melhor que conseguir.

Limitados apenas pela nossa pr�pria vis�o e aud�cia,

construiremos o legado dos nossos tempos.

Um legado que as futuras gera��es possam olhar e dizer:

"Isto � ousadia.

"Isto � o melhor que o Homem consegue criar."

Deus vos aben�oe. Obrigado.

Obrigado, caros nova-iorquinos. Obrigado.

Jura solenemente servir o povo de Nova Iorque

e assegurar a integridade do gabinete de Vice-Presidente de Rela��es da Comunidade?

Juro.

Mo. Espl�ndido.

Jura solenemente servir o povo de Nova Iorque

e garantir a integridade do gabinete do Comiss�rio dos Parques da Cidade?

Juro.

Jura solenemente servir o povo de Nova Iorque

e assegurar a integridade do gabinete do Comiss�rio de Engenharia e Constru��o?

Juro.

� bom t�-lo a bordo, Mo. Continua��o de bom trabalho.

Macacos me mordam, ele f�-lo.

Eu disse-te.

Este n�o se deixa pressionar.

Senhoras e senhores, o vosso comiss�rio de Nova Iorque.

Aposto 10 d�lares em como ele n�o dura at� ao meio-dia.

Sr. Presidente!

Por aqui.

E depois disso, ele votou no tipo errado em tr�s freguesias diferentes.

Que merda � esta?

E o Planeamento Urbano?

Ent�o, Mo. O que vem a ser isto?

N�o brinques comigo, seu rafeiro.

Ou me d�o o Planeamento Urbano ou demito-me j� dos outros dois!

Os rep�rteres ainda c� est�o.

Calma, n�o vale a pena enervares-te.

Provavelmente � apenas um esquecimento.

Esqueceram-se de me dar o formul�rio.

D�-nos um dia para nos estabelecermos e eu trato disso.

Assina.

Devolve-mo.

Certo.

Malditos amadores.

Fecha o raio da porta e mant�m-na fechada!

A autoridade para o desporto tem desenvolvimentos

nas negocia��es com Walter O'Malley para manter os Dodgers em Brooklyn.

CONHE�A O NOVO CHEFE

Leia tudo no Telegram.

Os Dodgers podem ficar se a cidade lhes der um campo.

Leia tudo no Telegram.

Os Dodgers podem ficar se a cidade lhes der um campo.

Estes macacos brutamontes a deixarem lama no meu apartamento,

a fazerem todo o tipo de perguntas...

Eu disse-lhes: "Por Deus, ele est� morto.

"Querem prend�-lo?"

Onde raio te meteste? Liguei-te a manh� toda.

O que aconteceu aqui?

O Danny teve de ir cedo a Belmont. Quando voltou, isto estava assim.

A pol�cia esteve em casa do Frank tamb�m, a vasculhar tudo.

Se!

Mexeram na gaveta de roupa interior,

a sorrir para mim enquanto o faziam.

Vamos descobrir quem fez isto. Certo, rapazes?

Nem quero saber.

Sempre com a mesma merda de atitude misteriosa,

a dizer-me que desta vez estava metido em algo grande

e que ia melhorar a nossa situa��o...

E depois deixa-se morrer

e deixa-me 4 mil d�lares numa conta poupan�a,

um buraco cheio de correntes de ar, em Lookout Point

e este pr�spero neg�cio!

Que raio querem que fa�a com isto?

Ou�am, do meu ponto de vista,

voc�s agora trabalham para mim.

Sei que o conheciam h� mais tempo do que a mim,

mas � assim que tem de ser, agora.

Sei que o servi�o dos carros era para enganar as Finan�as,

mas n�o fal�vamos muito sobre como ele geria o trabalho de investiga��o.

E eu n�o estou interessada.

Por isso, vou p�r o Tony como respons�vel.

Ele vai gerir o neg�cio e manter-me informada. Certo?

Claro que sim, boneca. � a coisa certa a fazer.

Certo.

Queres que te leve a casa?

N�o, obrigada.

Vou ficar em casa da minha irm� por uns tempos.

Tenho de pensar no que fazer com o meu futuro.

Mas telefona-me. Est� bem?

Para me atualizares do que se passa.

-Ol�, Julia. -Ol�, Lionel.

N�o podes parar com isso?

Toca-lhe, Bailey! Desculpa.

Por uma vez?

Se!

-Eu... -Jesus.

O que foi?

Aqueles ot�rios at� desmontaram o autoclismo.

Esque�am, tratem disso depois.

Agora, que estamos s� n�s os quatro,

algu�m sabe no que o Frank andava metido?

Ele s� pediu que f�ssemos ter com ele para uma espera.

Nem deu ind�cio de que era � s�ria.

-Mas estava nervoso. -Nervoso?

-Ele n�o estava nervoso. -Ouviste o telefonema?

Estou-vos a dizer, eu ouvi, ele estava nervoso. Nellie Nervoso!

Notava-se na voz. Ele estava a tentar enganar aqueles tipos.

Vai acontecer algo importante de quinta-feira a uma semana.

E eles estavam lixados com o que ele descobrira.

�bvio. Limparam-lhe o sebo por isso.

Sebo saboroso!

N�o, acho que n�o queriam faz�-lo. Acho que foi engano.

Acho que borraram a escrita quando o alvejaram, agora andam � nora.

Que enigma de merda. Bolas.

Est� bem, vou diz�-lo.

Eu adorava o tipo.

Quando est�vamos naquela espelunca, ele viu algo em n�s,

deu-nos uma oportunidade, ensinou-nos procedimentos...

Mas nunca nos disse tudo.

Ele jogava os seus pr�prios joguinhos.

N�o vou meter o nariz nos assuntos de um morto

e arriscar ir desta para melhor � custa disso.

Temos muitas contas para pagar, por isso diria para irmos � luta.

Deves-lhe mais do que isso, T.

Sim? Quando descobrires que raio foi aquilo, avisa.

Est� bem? Entretanto, tenho de acabar o caso da mulher do rabi.

Anda a comer um talhante que n�o � kosher

e parece-me que ele est� prestes a deix�-la,

e o caso vai acabar assim.

Quero o Gil em cima do caso de fraude do Gunderson.

-Mas sou eu que tenho o caso. -Sim, mas quero que seja o Gil!

-Porqu�? -Porque quando fizermos a apreens�o

a companhia de seguros vai querer que estejamos l�

para mostrar as fotos ao advogado e quero causar boa impress�o.

Sim? J� n�o tens o Frank para te proteger.

-Fada da fraude! -Como eu disse,

o Gil fica com o caso.

O Danny dar� apoio noturno

e tu, Lionel, vais tratar dos carros,

at� aparecer algo novo.

Est� frio. Vamos receber muitas chamadas e precisamos daquele neg�cio. Merda!

Vamos l�, toca a limpar isto.

O Tony, o Coney, o Danny e eu...

Antes de trabalharmos para o Minna,

�ramos apenas mi�dos sem futuro no orfanato cat�lico.

FRANK MINNA CHEFE DE INVESTIGA��O

Investiga-bexiga.

Eu costumava estar pior, l�. Uma aberra��o completa.

Ningu�m sabia o que fazer.

L&L.

Sim, temos carros dispon�veis. Para onde gostaria de ir?

As freiras pensaram que podiam bater-me at� o problema passar.

Uma delas em particular.

At� o Tony ter pegado na p� que ela tinha na m�o e lhe ter dito

que se ela me batesse outra vez apanhava com o dobro da for�a.

O Coney e o Danny estavam atr�s dele,

e ela sabia que n�o era bluff.

Depois disso, fiquei a pertencer ao grupo deles.

Se!

AG�NCIA L&L

Rapariga de cor Comit� - Horowitz

relat�rio Hamilton - assinatura

Pai veterano Clube no Harlem

De quinta-feira a uma semana

-L&L. -Com quem estou a falar?

Ess-rabo!

Fala Lionel Essrog. Sou investigador...

Est� l�?

Formosa.

Formosa.

O Frank era do bairro.

Era esperto.

Todos sabiam que subia na vida. Todos gostavam dele.

Foge da mosca, Bailey!

Ele era amigo de um dos padres e ouviu dizer que eu tinha boa mem�ria.

N�meros, palavras, coisas...

E ele podia usar essa capacidade.

Foi ele que me ensinou a usar a cabe�a,

a control�-la e a faz�-la trabalhar para mim.

Acabou por nos proteger a todos.

Deu-nos um lugar neste mundo de merda.

-Lionel? -Se!

Jesus!

Assustaste-me.

Pensei que estava a ver um fantasma. O que est�s a fazer?

A dar voltas � cabe�a.

-J� voltaste? -N�o, ando a fazer piscinas.

Tenho de voltar em breve.

Est�s bem?

Nunca devia t�-lo deixado entrar naquele carro.

Fiz asneira, Danny.

Tive um sargento quando estava no Bulge.

Ele disse-me: "�s vezes, fazes tudo o que deves fazer

"e ainda assim as coisas desfazem-se em merda."

N�o � culpa tua, amigo.

Obrigado, D.

Algu�m telefonou?

Sim. Merda!

Tenho de ir.

Tenho uma marca��o �s 14:30.

Olha,

alguma vez ouviste o Frank falar sobre a "Formosa"?

A ilha japonesa?

N�o. Ele j� tinha sido ferido e estava fora de combate.

H� um lugar em Midtown chamado "Formosa."

Uma vez, levei a Linda at� l� para vermos o Chet Baker.

O Frank n�o tinha de me proteger.

Ele nunca me colocava em situa��es que me fizessem disparar.

Conversar com pessoas, extrair-lhes informa��es,

� esse o dia-a-dia do nosso trabalho,

mas nunca foi o meu ponto forte.

Especialmente se aparecer uma rapariga � mistura,

que � geralmente o que acontece neste tipo de trabalho.

A m�sica come�a �s 19:00.

Posso pedir uma bebida? U�sque, puro.

-Irland�s? -Pode ser.

Costuma estar por aqui?

A maior parte da minha vida.

Alguma vez viu este tipo por aqui?

Chama-se Frank Minna.

J� o viu?

Para mim, toda a gente � parecida,

mas acho que n�o.

Ela � boa com caras.

Alguma vez viu este tipo?

-� seu amigo? -Sim.

-Tem uma cara bonita. -Se!

Voc� tamb�m.

Tem lume?

Um brincalh�o.

Desculpe.

Esque�a l� isso.

-Aquece o chouri�o, Bailey! -Muito elegante.

Tem alguma coisa contra loiras?

Tem de soar bem, ou n�o consigo parar.

Deve ser inconveniente.

N�o imagina quanto, amigo.

Aquela merda no norte da cidade � a s�rio, n�o?

Costuma l� ir?

-Desculpe? -Ao King Rooster.

-N�o conhe�o. -Um clube de jazz, no Harlem.

O Lucky's tamb�m � giro, mas os m�sicos a s�rio est�o no Rooster.

A.D. 14:30

Muito obrigado.

Ainda n�o abrimos.

Mesmo assim, posso beber algo? Estou gelado.

Um u�sque, puro. Fique com o troco.

Voc� � o gerente?

Pare�o-lhe ser o gerente?

Quem toca, hoje � noite?

Billy, quem vai tocar hoje?

O Sr. Importante.

Espero que n�o julguem que t�m bar aberto.

Bem, � o que eles pensam.

Sabes quem vai ter algo a dizer sobre isso.

J� viu este tipo atuar?

Eu j� tinha visto malta cool.

Este irm�o est� a redefinir o que � cool.

-Vejo-o para a pr�xima. -N�o espere muito.

Se as mi�das francesas continuarem a acarinh�-lo, vai acabar por se mudar.

Francesas a dar � l�ngua!

Obrigado, p�.

Num dia normal,

a erva d� conta dos meus tiques e dos gritos,

deixa-me adormecer.

Mas faz-me ficar toldado.

Nos meus sonhos, estou calmo e concentrado como quando era mi�do.

Mesmo depois da minha cabe�a come�ar a lixar-me,

a minha m�e conseguia acalm�-la.

Cantava-me can��es doces,

acariciava-me a parte de tr�s do pesco�o, e ficava calmo por um bocado.

Fic�vamos deitados na cama, a falar dos lugares onde quer�amos ir.

A "mi�da de cor" est� a fazer o trabalho de sapo sobre o Hamilton por eles.

SALVEM OS VIZINHOS! SALVEM FT. GREENE!

VENHAM � AUDI�NCIA SOBRE O PLANO DE HABITA��O DE HAMILTON

Bolas, Coney, conseguiste a foto ou n�o?

O qu�? A fazer o qu�?

Aparecer no jornal n�o vale nada.

Que rela��o tem com as costas dele?

"Deu um jeito a baixar-se" o tanas!

Preciso que ele tire o corta-relva do carro ou que jogue t�nis,

ou que esteja a rodopiar com uma gaja pendurada no mastro, de bra�os abertos.

Estou-me nas tintas, desde que envolva as costas dele.

Sim.

Eu sei que ele est� a fingir. � por isso que j� ganhou tr�s processos.

Espera que ele fa�a asneira ou monta-lhe uma armadilha.

Eu sei que est� frio. � por isso que se chama inverno!

Porra.

Dou-lhe at� ao final da semana.

Bem, o tipo at� podia meter uma vaca numa carrinha...

O Coney falharia a fotografia na mesma.

Ele nunca se lembra de rodar o rolo. Acha que � uma metralhadora.

Estou sempre a dizer-lhe: "Dispara, roda, dispara, roda."

J� chega! Vou dar-lhe o resto da semana.

N�o brinques comigo, Gil. Sim?

Pe�o desculpa. L&L.

-Temos tido corridas? -N�o.

Ningu�m precisa de um carro a uma ter�a-feira, j� reparaste?

Nunca. Porque ser�?

Tetas � ter�a!

Est� bem, obrigado.

Um caso?

Para mim.

N�o te armes em misterioso agora, T.

Tu n�o �s nenhum Minna.

Ainda n�o.

Vou levantar uma receita da minha m�e, cabe�a de azeitona.

Queres todos os pormenores?

Tudo bem.

Vou buscar um caf�. Querem?

Sim, com natas e a��car.

Est� bem.

Este � o nosso novo patr�o.

Se n�o tiveres nada para fazer, ajudas-me?

Em qu�?

Podes ir a este lugar por mim? � no Harlem.

N�o conhe�o.

Acho que o Frank esteve l� naquele dia,

ou talvez no dia anterior, ele tinha isso nas cal�as, estava quase cheia.

-Cheia de recheio! -Sim, mas

talvez ele apenas tenha l� parado para comprar f�sforos.

Acho que n�o. Ele estava a falar sobre a mi�da de cor

que tinha encontrado algo de que n�o gostaram

e que o pai dela era um veterano, dono de um clube no Harlem.

Esse lugar fica a tr�s quarteir�es de onde eles tiveram a reuni�o.

Ent�o, foste l�?

Sim, imagina quem � o gerente? Um tipo de cor com um problema no bra�o.

Certo, o que queres que fa�a?

Vai at� l�, v� se consegues descobrir o nome dela ou algo assim.

Usa a tanga da fiscaliza��o do �lcool. Fisga o anzol!

Descubro o nome dela.

-S� isso? -N�o, senta-te um bocado.

V� se ela aparece l�. Tira-lhe uma fotografia.

Queres que veja se uma mi�da de cor entra num clube de jazz?

Deixa-me fazer uma previs�o.

Eu tenho outro �ngulo, cara de cu.

Vamos juntar as duas perspetivas e descobrir quem ela �.

Est� bem. Mas posso saber porque estamos a fazer isto?

Porque ele faria o mesmo por n�s.

Tens raz�o.

Est� demasiado frio para esperar no carro.

Leva o Bel Air. O aquecimento assa-te como um frango.

Franja da franga!

Agora �s cabeleireiro?

N�o queres que te trate da franja, acredita.

Posso ajud�-lo?

Sim. Se!

-Sa�de. -Obrigado. Gostaria de ver a Mildred.

Mildred? N�o h� aqui ningu�m com esse nome.

Tenho quase a certeza de que o nome � Mildred.

-Myrna. -A minha menina Myrna.

N�o, eu estive a falar com uma mi�da de cor.

A Josephine?

Ou a Laura?

-Mary. -N�o, penso que era Mildred.

Falei com ela ao telefone por causa da minha candidatura. Como se chama?

Betty. Que tipo de candidatura?

Para a licen�a de vendedor.

Este � o gabinete de licenciamento, certo?

Isto � o Comit� da Discrimina��o Racial na Habita��o.

Nesse caso, n�o me podem ajudar a vender cachorros-quentes.

Lamento muito.

VENHAM A UMA AUDI�NCIA SOBRE A PROPOSTA DO PLANO DE HABITA��O DE HAMILTON

Espere. O Sr. Horowitz est� c�?

-Quer dizer a Sra. Horowitz? -Um deles.

-Ela est� l� atr�s. -Pode indicar-me quem ela �?

Ali est� ela.

Ajudou mais do que pensa.

Dissemos para investigar a Horowitz.

Hora do u�sque!

Hora do u�sque!

Merda, o que aconteceu?

Bolas, Danny.

Est� bem. Vamos l�.

Anda.

Merda. Precisas de gelo?

N�o. Bebo um trago. Tens a� um?

Tenho.

-Obrigado. -Quem foi, D?

Foram uns quantos.

Um deles era um gigante.

-Um qu�? -Um cabr�o de um gigante.

O maior tipo que j� vi.

Ele deu cabo de mim.

Destruiu a m�quina fotogr�fica.

-Disseram alguma coisa? -Sim.

"Fica fora do lixo do Minna. Diz � tua equipa para fazer o mesmo."

E encostaram um facalh�o � minha garganta.

Aqueles filhos da m�e!

Mas n�o ficaram com isto.

-Ot�rios. -Que raio � isto?

C�o gigante! D, �s o maior.

Em que � que se meteram?

-Tens todas? -Estas s�o tuas, e estas minhas.

Sim.

-� o mesmo tipo que eu vi. -Sim.

-O bra�o lixado. -Esquece isso tudo.

Ela n�o aparece at� ao final do rolo.

Sim.

-Olha, eles sa�ram juntos. -Sim.

Espera, eu vi-a. Essa �...

Laura, chamaram-lhe Laura.

Laura Rose? Talvez ele seja o Billy Rose, se for o pai dela.

Ela vive na mesma esquina do clube.

Eles devem ter dado por mim. Quando sa� para ir ver,

ca�ram-me em cima.

Pois. � ela.

Esta � a mi�da de cor que o Frank andava a seguir.

Certo, estou contigo.

-Mas ainda � vago. -Magro como um esqueleto.

Vago? J� a identific�mos e s� estamos nisto h� um dia.

Seja o que for,

tem de ser algo em grande para estarem a ir t�o longe.

Tem de ter algum valor.

Olha, Aberra��o,

o Gil e eu ficamos a trabalhar no caso do dinheiro.

Tu e o Danny continuam com isso. Vamos ver o que encontramos.

-Eles que se lixem. -Sim.

-N�o �? -Sim.

-Se! -Espero que os broncos apare�am

porque tenho algo para eles se o fizerem.

Que dizes, D?

Rapazes, eu...

Eu adorava-o, sabem?

Quer dizer, eu...

Eu trato dos carros.

Posso trabalhar em casos dom�sticos,

mas eu tenho a Linda.

Deixa estar, � a coisa certa a fazer.

-Vai para casa, mete um bife no olho. -Pois.

Eu dou-te boleia.

-At� logo. -Sim.

O que quiseste dizer, que era capaz de valer alguma coisa?

N�o sei, pensei que talvez possamos lucrar com isto.

N�o quero um acordo com estes anormais.

Esquece isso. Eu s� estou...

N�o achas que quero saber quem matou o Frank?

Sim.

Ent�o, n�o me escondas nada.

Estamos a trabalhar nisto juntos.

Vamos descobrir quem fez isto e acertamos contas.

Se tu o dizes.

Queres uma cerveja?

-N�o. -Anda l�.

Anda. Vamos beber uma cerveja.

-Anda l�, vamos beber uma cerveja. -Deixa-me em paz.

Est� bem.

N�o fiques acordado at� tarde, kemosabe.

Levanta-te, cara de cu!

D�-lhe o lugar!

DEVOLUTO PROPRIEDADE DE: CONSTRUTORES BELMONT

ESTA ESTRUTURA FOI DECLARADA COMO INSEGURA PARA OCUPA��O OU USO HUMANO.

QUALQUER PESSOA N�O AUTORIZADA QUE REMOVA ESTE AVISO SER� PUNIDA.

Ol�, Gabby. Est�o fechados.

S� podes estar a brincar!

-Pois. -�s 15:30?

RESIDENCIAIS INWOOD O NOSSO NEG�CIO � A FELICIDADE DO SEU LAR

HOR�RIO SEG-SEX 9h-17h

Ol�, amigo, sou novo neste circuito. Qual � a hist�ria aqui?

Hist�rias de injusti�a e desespero, acenos de confian�a

e depois volta tudo ao que era. � a maneira americana.

Embora ela possa tornar as coisas interessantes.

Quem � o tipo da direita, ali ao fundo?

� o presidente do distrito de Brooklyn. Quem �s tu, um rep�rter televisivo?

N�o, apenas novato.

Tem in�cio esta audi�ncia p�blica.

Diga o seu nome, morada e filia��o, por favor.

William Lieberman, do Comit� Presidencial de Limpeza de Bairros de Lata.

Arranjaremos uma solu��o apropriada para si.

-Residente em East 65th Street, Manhattan. -Lieberman.

Cindy Fleming, dona de casa, Yonkers.

Costumava morar em East Tremont.

A minha fam�lia teve de mudar-se quando demoliram o nosso pr�dio por causa da

-autoestrada do Bronx, quero que... -Sra. Horowitz.

Menina.

Menina Horowitz, n�o pode apropriar-se desta audi�ncia...

-para repetir queixas antigas... -Gabby Horowitz,

do Comit� da Discrimina��o Racial na Habita��o,

N� 552, Clinton Avenue, Brooklyn.

Pensei ser uma audi�ncia comunit�ria.

Sobre habita��o, n�o autoestradas.

Voc�s est�o a fazer as mesmas promessas a Fort Green

que fizeram em East Tremont,

onde os vossos "servi�os de realojamento" desapareceram por completo

e deixaram fam�lias como os Flemings completamente � deriva.

As pessoas t�m o direito de saber o que as espera.

Estamos comprometidos com o bem-estar das fam�lias

desalojadas pelos necess�rios programas comunit�rios de desenvolvimento

e o passado tem sido bom professor, menina.

Os novos empreiteiros v�o certificar-se de que todos ter�o casas adequadas...

Isto n�o � Long Island.

N�o � uma tela em branco que possam pintar � vossa vontade.

H� pessoas aqui, comunidades estabelecidas.

Bill, d�-me licen�a...

Espero que saibam o meu nome. Sou o Presidente da C�mara,

a residir recentemente na Mans�o Gracie.

Menina Horowitz, obrigado pelo seu trabalho e pela sua paix�o.

Certamente todos concordamos que, mesmo numa cidade grandiosa como a nossa,

existem bairros de lata que n�o devem ser romantizados nem preservados.

Devem ser demolidos para melhorar a qualidade de vida de todos.

Um bairro n�o � de lata

porque os pobres e as minorias habitam l�, Sr. Presidente.

East Tremont n�o era um bairro de lata,

a Terceira Avenida n�o era um bairro de lata

e Fort Green tamb�m n�o �.

S�o comunidades da classe trabalhadora.

Os seus construtores est�o a torn�-los em bairros de lata, Sr. Randolph!

Isso � uma mentira sem fundamento absolutamente nenhum.

Temos documenta��o oficial. Temos aqui 20 pessoas

e muitas mais atr�s delas

que podem testemunhar contra uma fraude escandalosa em progresso.

De que modo querem prosseguir?

Ou�am.

Estamos a embarcar no mais ambicioso programa de limpeza de bairros de lata

da hist�ria americana, Sra. Horowitz.

E a Sra. est� a entaramelar tudo com o seu veneno!

Uma catarata de veneno.

Fa�am-no dizer o nome.

Nome e resid�ncia, como toda a gente.

Todos sabemos perfeitamente quem ele �.

O Mo Randolph � um dos melhores funcion�rios p�blicos. Uma lenda viva.

Nome e resid�ncia, como toda a gente!

A gente mente em frente!

Dirigiu o Departamento de Parques durante mais de 30 anos.

� o Comiss�rio de Constru��o. Tem um sem n�mero de cargos.

E vive do lado oposto a mim, na rua 88.

Fa�a-o diz�-lo!

Foquemo-nos nos assuntos que interessam aos cidad�os de...

Nome e morada!

-Se n�o conseguimos agir com civilidade... -Diga-o!

...teremos de vos pedir que saiam!

Diga-o!

Chuis azuis!

Diz l�, Caro Comiss�rio de Casas!

Diga! Diga!

Tenho uma doen�a. Calma!

"Caro Cabr�o Comiss�rio de Casas"?

Essa � boa. Tenho de decorar essa.

-Se! -Sim, pois...

� esse o desafio da vida, "se." Se conseguirmos.

Olha...

Sabes algo sobre o Bill Lieberman?

� o respons�vel pelo neg�cio da habita��o?

Respons�vel? N�o, n�o �.

Um pouco mais do que aquele tipo que se diz Presidente da C�mara,

mas todos eles trabalham para o Moses.

-Para, espera l� um segundo. -Deixa-me ir. Est�s louco?

-Acabaste de dizer "Formosa." O que �? -O que � "Formosa"?

Disseste "trabalhar na Formosa." O que significa?

N�o, eu disse "todos eles trabalham para o Moses."

O Moses Randolph.

O Mo Randolph? O tipo que chegou atrasado?

A pessoa que n�o diz o nome como um comum mortal.

O que te interessa?

Olha...

Sou o Jake Gleason. Trabalho para o Post.

Posso pagar-te um caf�?

Tenho fome. Podes pagar-me o jantar.

Isso quer dizer que um tipo obedece ao outro tipo

-e todos obedecem ao Presidente da C�mara. -O Presidente da C�mara?

Aquele palha�o � t�o verde que ainda nem sabe que n�o sabe.

Ele vai sair do cargo antes de se aperceber

que todos a quem pede conselhos est�o a ser pagos pelo Randolph.

-Achava que era o comiss�rio dos parques. -E �.

Chamaram-lhe comiss�rio de constru��o.

Tamb�m � isso, mas esse cargo nem sequer existia

at� os agentes federais decidirem entrar no jogo da habita��o.

N�o havia um poder definido, ent�o ele definiu-o, eles aprovaram-no

e agora qual � o controlo da cidade sobre esse dinheiro? Zero.

Ele tem tudo. Sabes o que significa um "dom�nio eminente"?

-Acho que sim... -Se ele diz "bairro de lata," � o que �.

Ele costumava ter de lutar para construir autoestradas e parques onde queria,

agora � s� ir a qualquer lado, demolir algo.

Ele pode classificar como devoluta uma sec��o inteira da cidade,

despejar quem l� vive e construir o que quiser.

-E pode faz�-lo de machado na m�o. -Mascarado de an�o!

Mas seria o tipo mais odiado da cidade. Iria irritar toda a gente.

As pessoas adoram-no.

� isso que me torna t�o...

Ele voa por cima de tudo. Eles veneram-no.

-Porqu�? -Porque ele construiu os parques.

Se fores o tipo que d� parques �s pessoas,

caminhas com os anjos, n�o podes perder.

No dia em que o Rockaway Beach abriu,

o Moses Randolph tornou-se um her�i do povo nesta cidade.

As pessoas n�o se apercebem do quanto ele as odeia.

"O her�i do p�blico que odeia pessoas." Ai tens o t�tulo da tua not�cia.

E sabes quem � que ele odeia particularmente?

Os negros.

Ele vai apropriar-se de todos os bairros que n�o s�o maioritariamente brancos

e entreg�-los ao grupo de construtores privados, escolhidos a dedo.

Est�s a dizer que ele est� a enriquecer � custa das comiss�es?

N�o, ele n�o quer dinheiro. Ele quer controlo.

E usa o dinheiro para o obter e conservar.

H� tipos que n�o ficam satisfeitos se n�o comerem filet mignon.

O Moses Randolph ficaria satisfeito com uma sandes de pastrami e poder.

Desculpe.

Pode dar-me uma fatia de cheesecake? Aquecida, por favor.

Gostava que estivesse quente.

Metade da cidade vai � boleia de um dos cavalos dele.

Ele controla todos os trabalhos de constru��o da cidade!

-Mas disseste que o cargo � recente. -N�o.

Constru��o, bairros de lata, parques. Ele tem catorze nomea��es.

Tudo isso � tinta numa porta de vidro.

Nada disso interessa. � tudo da AD.

AD?

Autoridade Distrital.

Dizes que �s um rep�rter? De qu�?

-Do circuito das artes? -Peidos e tartes!

-J� leste Emerson? -N�o, devia?

-Podes crer que devias. -Est� bem.

O Emerson dizia que "uma institui��o � a sombra alongada de um homem."

Esta cidade � dirigida pela Autoridade Distrital

e a Autoridade Distrital � o Moses Randolph.

AUTORIDADE DA PONTE DISTRITAL

Se!

FORTUNA

O MOSES RANDOLPH CONSTR�I E CONSTR�I

NENHUM PORMENOR � INSIGNIFICANTE PARA O COMISS�RIO

OS HOMENS DA AUTORIDADE DISTRITAL

MOSES RANDOLPH - COMISS�RIO WILLIAM LIEBERMAN - VICE-PRESIDENTE EXEC.

Cabr�o do Lieberman.

Se!

"AO SERVI�O DO P�BLICO"

ABERTURA DO PARQUE WEST RIVER

A VIDA PRIVADA DE UM HOMEM P�BLICO

MOSES RANDOLPH AO LADO DO IRM�O, NUM EVENTO PRIVADO

O tonto no restaurante, com costeleta de porco e ervilhas na barba,

foi um dos mais talentosos engenheiros da gera��o dele.

ALUNO DE PRINCETON VENCE O PR�MIO HUBER DE ENGENHARIA CIVIL

Formado na Liga Ivy. Grandes pr�mios.

A caminhar junto ao irm�o em dire��o a algo importante.

Mas depois, ap�s o Colapso de 1929,

nada.

Como se tivesse sido apagado.

A ASSOCIA��O DE CONSTRUTORES HOMENAGEIA MOSES RANDOLPH

Talvez tenha sido azar, talvez tenha sido a bebida.

Houve todo o tipo de v�timas, naqueles dias.

Senhoras e senhores, por favor deem as boas-vindas

ao presidente da Associa��o de Construtores Gotham,

Joe Pompano!

Tenho de mostrar isto ao Bill Lieberman.

Ele vai querer ver isto antes de o Randolph discursar, acredite.

Obrigado, senhoras e senhores. Por favor, sentem-se

e deem-me a vossa aten��o.

N�o se preocupem, vamos celebrar. Vamos comer como s� n�s sabemos comer.

A celebra��o desta noite torna-se especial com a presen�a do nosso convidado de honra

e amigo da nossa profiss�o...

-Ol�, Gleeson, n�o �? -Ol�.

...que poderia ser aclamado como o maior mestre construtor do pa�s...

Bela farpela.

...ou "O Grande Movedor de Terra,"

como gosta de ser chamado.

N�o os deixe v�-lo sacar de um bloco de notas.

O lema desta noite �: "Imprensa? Esquece."

Ter�amos de olhar para os c�sares

e para os fara�s para encontrar homens com uma vis�o

compar�vel � dele.

-Um grande homem. -Se!

Um homem de hist�ria,

a servir o povo desta cidade h� mais de 25 anos...

Moses Randolph!

Bolas, parece que apareceu o Patton!

Ele paga 1,5 vezes a taxa do sindicato em todos as obras dele.

Eles lan�ariam alcatr�o por cima das m�es por ele.

Obrigado, Joe.

Esta noite, mais de 300 anos ap�s a funda��o desta grande cidade,

reafirmamos o nosso compromisso com a antiga verdade

que n�o � conhecimento,

mas a��o e empreendimento,

o motor e o objetivo da vida.

Homens inteligentes aparecem e desaparecem,

mas por cada d�zia deles, com as suas grandes ideias,

n�o existe mais do que um para as executar.

Olhando para esta sala, n�o vejo muitos rapazes brilhantes

ou progressivos bondosos com os seus ideais paralisantes.

Vejo homens da minha tribo.

Os homens que fazem as coisas. Que fazem este ser um grande pa�s.

Ser homenageado por voc�s

� toda a afirma��o ou pagamento que alguma vez desejarei.

Eu sa�do-vos

e agrade�o-vos.

Muito bem!

-Vemo-nos no pr�ximo. -Est� bem.

Terminaste-o?

� o melhor trabalho que alguma vez fiz.

Uma moderniza��o completa da rede el�trica estadual.

A uma escala que apenas tu poder�s concretizar.

-Trata de ti, por favor. -Como? Com o qu�?

Nem uma palavra tua sobre nada disso.

Se me vieres com essa conversa de novo, vou fechar-te a porta para sempre.

Moses, estou t�o fora que tenho trabalhado com mi�dos acabados de sair da escola.

Voltas a galvanizar uma multid�o contra mim,

e agarro na tua grande ideia e atiro-a para a sucata.

-� isso que queres? -N�o, n�o.

Est� bem, pe�o desculpa.

Nada disso interessa.

L� isso.

Vou ler.

O que faz algu�m virar-se contra o pr�prio irm�o?

Toda a vida, nunca tive fam�lia,

por isso, nunca percebi pessoas que tinham uma e deixavam as coisas azedarem

O meu c�rebro maluco estava a dizer-me que devia continuar a puxar este fio,

mas seja o que for que o Frank encontrou, conseguiu-o seguindo a rapariga.

Por isso, continuei a seguir as pegadas dele.

Est� algu�m?

Est� c� algu�m?

Se!

Tem calma, Aberra��o.

Jesus.

-Est� � procura de algo? -Ajuda, Bailey!

Merda.

Acha que pode entrar em casa das pessoas assim?

N�o, estava � procura de algu�m. N�o pensei que algu�m morasse aqui.

-Mora aqui algu�m. A minha mam�. -Certo.

-Pelo menos, est� a tentar. -Se!

Est� com quem?

Espero que esteja com a Belmont.

Sim, com a Belmont. Quem mais poderia ser?

O que se passa?

Temos um intruso.

-Bateste-lhe com muita for�a? -Quase nem lhe toquei.

O tolo caiu e bateu com a cabe�a.

Se!

"Se" o qu�?

Vou dizer-te uma coisa, "se,"

� melhor explicares quem �s se quiseres sair daqui a andar.

Eu j� te vi em algum lado?

Sim, chamo-me Jake Gleason.

� um mal-entendido.

Sou um rep�rter.

Estive na audi�ncia de Habita��o de Hamilton, na outra noite.

Liguei para o comit� hoje de manh�. Vim at� c� � sua procura.

Foi ele que disse que estava com aqueles cabr�es chantagistas.

Roubaram-lhe o frigor�fico.

Roubaram-lhe os canos de cobre. O que esperava?

Primeiro, colocam um aviso a dizer que a casa est� devoluta.

N�o � verdade, mas isso assusta metade das pessoas e f�-las vender barato.

Depois, chegam e apoderam-se das velhas casas familiares,

dividem-nas em quatro e arrendam-nas.

QUem n�o sai, � importunado, cortam-lhes o aquecimento,

v�m fazer repara��es mas limitam-se a roubar os canos de cobre.

A cidade vendeu imobili�rio que vale 15 milh�es por 500 mil

para poderem arriscar construir os projetos federais.

Eles nem sequer submeteram os planos. Sugaram at� se tornar num bairro de lata.

Grande lata, Bailey!

Ent�o? � daqueles que pensa que estamos s� a agitar?

A inventar tudo, uma conspira��o de propaganda negra?

N�o, nada disso. Eu tenho uma doen�a.

Faz-me dizer parvo�ces, mas n�o estou armado em engra�ado.

A s�rio que n�o. Estou a ouvir.

Para onde foi toda a gente?

A maioria desaparece. Desvanece-se.

200 mil em dois anos, s� nesta parte de Brooklyn.

A maioria s�o negros. Latinos tamb�m.

A Horowitz disse que tamb�m o fizeram em East Tremont.

-A mesma coisa? -Sim, tamb�m o fizeram a judeus,

mas n�o de modo sistem�tico como aqui.

Quantos parques acha que foram feitos nesta cidade desde que ele � comiss�rio?

255.

Quantos deles acha que s�o no Harlem?

Um.

Constr�i uma nova praia para as pessoas,

mas as que n�o t�m carro, as pobres, as pretas e as castanhas,

como conseguem chegar aos parques e �s praias?

De autocarro.

Adivinhe a altura das passagens de pe�es na nova via paisag�stica?

30 cm demasiado baixas para um autocarro conseguir passar.

-V� l�. -Esque�a o facto de ser discrimina��o.

O governo federal e a cidade est�o a cair num embuste.

Devem existir servi�os de realojamento.

Uma empresa saca um contrato de 2 milh�es de d�lares para o fazer,

mas ningu�m atende o telefone.

Liga para a C�mara, dizem que as pessoas est�o na lista para novas casas sociais

que nunca s�o constru�das.

Sabe mais do que qualquer secret�ria que conheci.

Secret�ria? Quem lhe disse isso?

Sou licenciada em direito, sabia?

E vou passar o exame da Ordem � primeira.

Est� bem, ent�o. Desculpe.

Como vai escrever tudo isto sem tirar um �nico apontamento?

"2 milh�es para realojamento,

pontes demasiado baixas para autocarros, um em 255 parques,

15 milh�es de imobili�rio por 500 mil, 200 mil pessoas s� em Fort Green." Isto?

Nunca me esque�o de nada, acredite. De uma �nica palavra.

Pe�o desculpa. N�o consigo evitar, tenho uma...

Tudo bem.

Escreva sobre isto, por favor.

O que acontece aos pobres da cidade

n�o foi not�cia ontem e n�o ser� amanh�,

mas deve haver algu�m que se preocupa com o que suceder� a Brooklyn.

� apenas a maior cidade do planeta.

Onde mora?

No Harlem.

Este � o meu carro.

Quer boleia?

V�, os comboios v�o estar apinhados. Dou-lhe boleia.

Venha.

Bebop, Bailey, na B�pera Metropolitana!

Meu Deus.

Pe�o desculpa.

N�o pe�a. � engra�ado.

Acha? Assista um bocado e logo me dir�.

Se!

Mas de que doen�a se trata?

N�o sei. Nunca ningu�m me disse o nome.

� como se parte da cabe�a se tivesse separado e tivesse vida pr�pria,

e depois decidiu que continuaria a atormentar-me s� pela piada.

Tiques e picles!

Nicles e tiques! Desculpe.

N�o faz mal.

� como viver com um anarquista.

Mas o engra�ado � que, ao mesmo tempo, tem de ter tudo no s�tio certo.

As coisas t�m de estar ordenadas e alinhadas de certa maneira.

Tudo tem de soar mesmo bem, caso contr�rio,

fico mesmo em polvorosa at� ficar tudo como quero.

Por exemplo, agora estou a falar consigo, certo?

Mas aquela parte da minha cabe�a

est� preocupada se as notas na minha carteira est�o bem ordenadas

e est� a dizer-me "para de falar com a rapariga, trata disso."

N�o � justo.

Todos temos as nossas batalhas do dia-a-dia, certo?

Sim, suponho que sim.

Beija-lhe a cara toda a noite, Bailey!

Meu Deus.

Eu...

-Sinto muito. -N�o faz mal.

-N�o quis dizer nada com isto. -N�o pe�a desculpa.

N�o faz mal.

Eu moro aqui.

Em cima do bar? Deve passar as noites acordada.

O meu pai � dono do bar.

Cresci a adormecer na parte de tr�s dos clubes.

Est� bem composto, para segunda-feira � noite.

A melhor banda do mundo, a semana toda.

Oi�a...

Tenho de investigar uma coisa ou outra,

mas est� mesmo interessado no que tenho estado a dizer?

Sim, fui � sua procura, n�o fui?

Se quiser entrar, posso dar-lhe muito mais.

N�o me dou muito bem em lugares destes.

V� l�, n�o vai perturbar a paz num pequeno clube com uma banda a tocar.

Est� bem.

A festa � sua.

Fica de olho no carro, est� bem?

Ol�, Vance.

Voc�, saia.

-Ol�, George. -Ol�, mi�da.

Bem-vindos.

Volto j�.

Se!

Desculpe, senhor?

Pe�o desculpa. Eu tamb�m sou m�sico.

E sabe que mais? Admiro mesmo o seu tremolo.

Estou curioso, como � que desenvolveu esse tremolo?

A chupar rapazinhos brancos como tu.

Sai daqui.

E ent�o? Chupa o chupa do branquelas!

"E ent�o" est� correto.

-Ou�am. -Como est�o todos esta noite?

Sabe bem estar em casa com amigos, em fam�lia.

Tenho viajado pelo mundo,

aprendido novas l�nguas,

e com uma nova l�ngua v�m novas ideias.

Por isso, vamos experimentar algumas em voc�s, esta noite.

Apertem os cintos.

Se!

Tema certeza de que n�o quer sentar-se l� atr�s?

Vance?

O trompetista � jazzmatazz!

Podemos sentar-nos l� atr�s? Vamos l� para tr�s.

Ningu�m se importa.

� melhor porque controlo o que oi�o.

Precisa de sair mais.

-Quer subir ao palco? -N�o. N�o quero.

Est� a dar-me problemas.

N�o me toques.

Ali est� ela, a minha menina preferida, bonita como uma rosa.

A pr�xima � para ti, Laura.

N�o sei se consigo fazer isto. N�o �...

Est� tudo bem.

Se! N�o � boa ideia.

Onde est� ela?

Vou s� tratar de uma coisa.

O que se passa?

N�o estejam demasiado confort�veis. Foi a vossa �ltima pausa.

Se!

O que foi?

Tenham calma.

O que � que eu fiz?

Eu disse, vamos l�!

-Diz isso ao juiz. -Tenham calma.

-Cala-te! -Eu trato disto.

Julgas que n�o sei para quem trabalhas, branco?

-Preto e branco, preto no branco! -Olha l�!

Sobrevivi a Iwo Jima, cabr�o! Achas que o teu patr�o me assusta?

Diz-lhe que se eu vir mais algum bisbilhoteiro dos vossos ao p� dela,

eu mato-vos um a um

e envio uma carta ao Post com aquilo que ele procura, de borla!

Est�s a ouvir? Vou enviar uma carta ao Post!

Vamos.

Se!

Se!

Miau, o gato dom�stico!

Scarlet, o gato assustado!

O meu amigo trompete!

O gato fixe precisa de ajuda!

Ajuda o gato fixe!

Foste bastante fixe l� dentro, gato.

Ajuda!

O gato fixe precisa de ajuda!

Se!

A tua cabe�a tamb�m precisa de conserto?

Sim.

Espera, isto n�o � s� marijuana.

N�o faz mal.

Lembra-te do que disse.

Meu Deus.

Merda.

Desculpa.

Desculpa, nem sei o que aconteceu.

Passaste um bom bocado, foi o que aconteceu.

Dei uma festa.

Uma mistura de gente diferente do habitual.

Ela chamou-lhe "�trange m�lange."

Achei que precisavas de descansar, por isso deix�mos-te estar.

Pois.

Aquele tipo deixou uma pegada nas minhas costelas, lembro-me disso.

Obrigado por me tirares dali.

O Sarge � um bom homem,

mas tens de ter cuidado como ages com a fam�lia de um homem,

percebes o que digo?

Quem � o Sarge?

-O Billy. -Porque lhe chamas "Sarge"?

N�o sabes o que lhe aconteceu ao bra�o?

Unidade de Marines Negros, carregava muni��es,

um dia apanhou uma arma e tentou parar um ataque suicida japon�s,

foi atingido. Voltou dessa guerra amargo como o inferno.

Uma pena, porque ele tocava bem.

Trombone.

Costumava tocar connosco no Minton's, durante os anos 40.

Alguma vez conheceste a mulher dele?

O Sarge nunca casou.

E a m�e da Laura?

N�o sei nada sobre isso.

Era s� ele e a Laura.

Ela era uma coisinha pequenina,

sempre na cozinha, a ler enquanto n�s toc�vamos.

Tu tocas?

M�sica? N�o.

Eu n�o sou adepto de ter pessoas a vocalizar enquanto n�s tocamos,

mas tu estavas � letra.

Conseguia ouvir.

� letra, Lionel. O Lionel estava � letra.

Desculpa, eu...

H� algo de errado com a minha cabe�a

e a m�sica estava a despoletar-me. Desculpa.

N�o pe�as desculpa.

Tens uma cabe�a como a minha.

Sempre a ferver.

A dar a volta �s coisas.

Mas isso � a m�sica.

Controla-te mais do que tu a controlas, quando a tens dentro de ti.

H� quem lhe chame um dom, mas � uma doen�a cerebral na mesma.

Bem, eu s� tenho tiques e grito.

Tu pelo menos tens uma corneta para soprar,

faz�-lo soar bem.

Sim, mas o dia tem muitas mais horas.

Percebes o que digo?

Demasiadas.

Obrigado por me teres ajudado.

Se alguma vez precisares de algo, liga-me.

Desculpe.

Menina Horowitz...

-Jake Gleason, do Post... -Voc� n�o � o Jake Gleason.

Eu conhe�o o Jake Gleason.

O Jake Gleason levou-me � audi�ncia sobre Hamilton na outra noite.

Ouvi-a falar.

Sou um novo rep�rter do Times.

Tive uma conversa muito elucidativa com a sua assistente, Laura Rose.

Ela mostrou-me tudo o que se est� a passar em Fort Greene.

-Estou muito interessado nesta hist�ria. -A s�rio?

Achei que o Times estava mais interessado em ser o gabinete de imprensa da AD.

N�o digo que consiga a primeira p�gina de amanh�,

mas se n�o tiver ajuda na investiga��o, como posso tentar?

Bem, algu�m vai ganhar o pr�mio Pulitzer com esta hist�ria.

Talvez venha a ser voc�.

Se! Desculpe.

Ela j� saiu para o protesto.

Quer vir comigo?

Quero que ou�am a pr�xima interveniente e prestem aten��o ao que ela diz.

Ela ensinou-me mais sobre lutar por uma causa do que ningu�m.

Olha, trouxe o The New York Times.

Ela usa �culos de avozinha, mas n�o se deixem enganar!

Ela � um pit bull pelas pessoas!

E deixem-me dizer o seguinte,

quero que ou�am isto.

-N�o vamos estar com rodeios. -N�o!

Vivemos num tempo que exige que chamemos as coisas pelo nome.

Sim!

Isto n�o � um programa de remo��o de bairros de lata.

N�o!

Isto � um programa de remo��o de negros!

Certo!

N�s n�o vamos aceitar isso!

N�o!

Senhoras e senhores, Gabby Horowitz!

PRIMEIRO ABRIGO DEPOIS CULTURA

O que � uma cidade?

� um lugar onde as pessoas s�o escravas dos senhores do a�o e do bet�o?

N�o!

Um curral para os druidas das finan�as tosquiarem a humanidade?

N�o!

Uma cidade � a sua gente!

Sim!

-� a sua comunidade! -Sim!

RANDOLPH O DITADOR

Quem vai lutar pela cidade?

N�s!

Quem vai relembrar os pol�ticos, os mediadores e quem lucra

de que a cidade pertence �s pessoas que vivem nela?

O Mo tem de sair!

Nunca vi tanta treta na minha vida.

O Mo tem de sair!

Talvez tenhamos um problema com o nosso amigo de Brooklyn.

Ele est� a tentar afirmar-se.

De que modo?

Bem, ele n�o est� aqui para esta loucura.

Ele n�o � t�o corajoso, mas talvez n�o alinhe na vota��o.

Diz que o eleitorado dele est� de bra�os no ar.

Fizemos dele presidente do distrito. Pusemo-lo no Conselho de Or�amento.

N�s somos o eleitorado dele. N�o me digas que ele n�o vai alinhar.

Olha...

Vou dar-lhe isto na v�spera da vota��o.

Ele vai alinhar.

Ele � um piolho.

MOSES O DITADOR

O Mo tem de sair!

Vamos almo�ar.

Jake?

Jake!

� a senhora que desaparece.

Lamento muito. Devo-lhe um...

N�o me deve nada. Estou habituado.

N�o, eu tentei encontr�-lo. Eu...

-Quero explicar... -Laura!

Tem de ir. N�o faz mal.

Sim, ou�a, eu...

Vou estar no clube, hoje � noite.

Venha ter comigo.

-Vou ver se posso. -Laura, anda l�!

Venha.

Espera a�.

O rep�rter que nunca reporta. Tenho de ser eu a escrever por ti? Jesus.

N�o �s muito ambicioso, pois n�o?

Ainda ando a juntar os detalhes.

-Conta-me alguma coisa. -Esta � a tua pr�xima manchete:

"A nova autoestrada vai ser o maior parque de estacionamento do mundo."

-O qu�? Porqu�? -Porque os carros s�o um cancro

e as estradas causam met�stases, em vez de os diminu�rem. Precisamos de comboios.

-Mas ele est� a matar os comboios. -Porqu�?

Sempre com os "porqu�s." Porque ele n�o controla

os lucros dos comboios.

Ele controla as portagens das pontes e das estradas.

Autoridade Distrital. Sabes o que � uma "Autoridade"?

-N�o. -Nem tu nem ningu�m sabia.

Foi ele que a inventou. Uma quarta �rea do governo.

Uma �rea-sombra.

Tudo controlado por ele, o que quer dizer que ele controla tudo

mas ningu�m votou nele nem ningu�m o pode votar para fora.

Espera! O que poderia impedi-lo?

Praticamente nada.

-Agora, est� mais perigoso que nunca. -Porqu� agora?

O Conselho de Or�amento vota os planos dele das autoestradas e bairros de lata

esta semana e ele est� a fazer bullying a toda a gente!

Ele � o homem mais poderoso da hist�ria da cidade!

� um c�sar autocr�tico, mas ningu�m se apercebe.

Continuam todos a passear, calmos como vacas hindus,

a pensar que vivemos numa democracia, por isso o que pode acontecer?

Vais escrever sobre isto ou qu�?

Se sabes tanto sobre ele, porque � que ainda n�o o tramaste?

Porque n�o posso ser eu.

Pois, porque �s o irm�o dele.

N�o, porque ainda tenho sonhos.

� essa a raz�o.

Sonhos que estou prestes a realizar.

� a minha contribui��o para a sociedade.

O meu legado!

Eu...

Eu n�o vou arrisc�-lo.

Tudo bem.

Est� bem, olha...

Investiga os Construtores Belmont e as Residenciais Inwood.

O que � isso?

Meu Deus, estou a dar ao desbarato. Um mapa para a hist�ria da d�cada!

Faz o teu trabalho!

Trabalha!

J� tenho problemas que chegue.

Gabinete de registos.

Desculpe, terei de ver a sua identifica��o e ter� de assinar o registo.

Vou apenas ler isto aqui, n�o vou levar nada para casa.

QUem deseje analisar

os materiais incorporados dos empreiteiros

deve registar-se no gabinete de constru��o do comiss�rio.

Isso n�o pode ser legal.

N�o � uma lei, � mais uma regra, senhor...

Gleason.

ARTIGOS DE INCORPORA��O SERVI�OS RESIDENCIAIS INWOOD

ADMINISTRA��O WILLIAM M. LIEBERMAN

CONSTRUTORES BELMONT

OFICIAIS E ACIONISTAS WILLIAM M. LIEBERMAN

-Boa noite. -Ol�.

� aqui que obtenho os formul�rios de realojamento, certo?

Sim, est�o ali.

E podem enviar-se pelo correio?

As candidaturas de realojamento t�m de ser feitas pessoalmente. Ali.

Ent�o, eles deixaram-na encarregue de toda desta opera��o

sozinha, � isso?

Sim, deixaram.

Mamas grandes!

Sa�de.

Tenha uma boa noite. Obrigado pela sua ajuda.

Espere, o seu formul�rio!

SERVI�OS DE REALOJAMENTO DA COMISS�O DE LIMPEZA DE BAIRROS DE LATA DE NY

O lixo das pessoas permanece propriedade privada at� ter sido recolhido,

nunca ningu�m te disse?

Espera l�.

J� nos vimos antes, n�o foi?

N�o � verdade que j� o vimos?

Sim, j� o vimos.

Se continuas a meter o nariz no lixo dos outros,

vamos voltar a ver-nos.

Gigante, panilas, porco an�o!

Est� bem.

Sabes,

disseram-me para n�o ser duro contigo e n�o fui,

mas agora obrigas-me a fazer isto!

Nem se dignam a fingir, est�o s� a recolher os cheques

e a atirar a vida das pessoas para o lixo.

O esc�ndalo de Tammany, ao p� disto, parece coisa de mi�dos.

As pessoas fazem acordos com pol�ticos a toda a hora para conseguir contratos.

Pagar aos que mandam, � a natureza da coisa.

Eles n�o fazem acordos com as pessoas, mas com eles mesmos!

As empresas s�o deles e servem para receberem contratos e pagamentos.

� um furto.

-�s um bufo! -Acalma-te.

-N�o d�s bufas! -Tens erva? Deixa-o fumar.

O Minna disse que era o maior comboio de massa do s�culo,

e tudo acontecer� daqui a dois dias.

Ent�o, isto � coisa s�ria, mas como � que o Frank se envolveu nisto?

Os executivos da Autoridade Distrital v�o fazer milh�es com este acordo,

-mas nada deixa rasto at� ele. -At� ao Frank?

-Ao Randolph. -O comiss�rio dos parques?

Sim, o Moses Randolph.

Ele est� por tr�s disto tudo. � ele que controla tudo.

Ou�am, a mi�da descobriu o esquema.

Foi ela que investigou todas as empresas

para o comit� e a Horowitz.

Acho que ela encontrou algo que liga o Randolph ao dinheiro.

O Frank andava a segui-la e apercebeu-se,

por isso, levou o caso ao Lieberman e mostrou-lhes.

Ele tinha a assinatura dele escrita algures.

Acho que o Frank tinha algo que pode tramar o Randolph.

V� l�!

Onde � que os perdemos?

-Na ponte. -Na Ponte Distrital.

Estes gajos eram da Autoridade Distrital! A Autoridade Distrital matou o Frank!

Bolas, Lionel.

Acho que descobriste algo.

Mas qual � o papel daquele tipo, o dono do clube?

O pai dela? Porque raio andava o Frank a falar com ele?

N�o sei. Ainda n�o percebi essa parte.

N�o faz sentido, mas ele sabe alguma coisa.

Ele sabe alguma coisa.

Est� bem. Vai para casa.

Vou fazer uns telefonemas.

Espera, a quem? A quem � que vais ligar?

Podes confiar em mim e deixar-me trabalhar?

O Frank era a �nica pessoa que conheci

que pensava que o modo como ganh�mos a guerra nos ia trazer problemas.

Ele disse que, depois do Colapso, nos �amos erguer cuidando uns dos outros.

Agora que t�nhamos visto o que pod�amos fazer com for�a bruta,

n�o havia como voltar atr�s.

Ele disse que, a partir de agora, todos quereriam poder, de cima a baixo.

Sim?

Sei quem tu �s.

Quem fala?

�s um dos rapazes do Minna.

Quem � o Minna?

N�o brinques comigo.

Deste o teu n�mero ao homem da corneta.

Desculpa l� ter-te batido.

Pensava que eras um dos capangas da AD.

Est� bem. E depois?

Onde est� o envelope?

N�o sei. O que est� no envelope?

Espera.

Ouve, n�o podemos falar disto assim.

� demasiado complicado.

Encontra-te comigo no clube.

Estaciona ao fundo do quarteir�o e entra pelas traseiras.

Deixo-te entrar por ali.

-Quando, agora? -Sim, agora.

Est� bem.

Billy?

Est�s a�?

Billy.

Merda.

Filho da...

Ent�o, ele disse-lhe para vir ter com ele,

depois matou-se para voc� o encontrar antes de os empregados chegarem.

N�o, j� disse, n�o me limitei a encontr�-lo, ouvi o que aconteceu.

Ele n�o disparou sobre si mesmo... Dispara merda, Bailey!

Desculpe. Ou�a, algu�m fez isto.

Tentaram fazer com que pare�a suic�dio,

mas eu ouvi-os a sair.

Temos p�lvora na camisa,

foi � queima-roupa, os vizinhos dizem que tinha d�vidas.

Parece-me bastante simples.

A arma estava na m�o direita dele.

-E ent�o? -O bra�o direito dele � um peixe morto.

Ele tinha uma les�o de guerra, chefe.

N�o pegava num Zippo, quanto mais um rev�lver .38.

Explique-me como disparou contra o pr�prio cora��o com a esquerda

e passou a arma para a m�o direita antes de quinar?

Ou�a, o tipo faleceu

no palco do seu pr�prio clube, luzes apontadas e tudo,

temos de dar-lhe cr�dito, dar-lhe respeito.

Costumam mandar detetives ao Harlem �s tr�s da manh� por um suic�dio?

Vamos aonde for preciso.

J� posso ir embora?

Sim.

N�o!

-N�o, n�o! -N�o!

N�o me lembro da �ltima vez que o vi sorrir,

mas porque � que ele faria isto?

-A si pr�prio? -N�o fez.

N�o foi ele. Algu�m o matou.

O qu�?

Tentaram fazer parecer suic�dio, mas algu�m o matou.

N�o, ningu�m o odiava assim tanto. Ningu�m.

Juro, � verdade.

Quem faria uma coisa destas?

As mesmas pessoas que o fizeram a um amigo meu.

Lamento. Sinto muito.

Tem algu�m a quem possa telefonar?

Est� sozinha?

Voc� n�o faz ideia.

N�o faz mal.

Pode ficar comigo um bocadinho?

Quer que fique?

Se!

Meu Deus, desculpe.

-Tudo bem. -Merda.

Eu...

Pe�o desculpa.

-N�o sei o que aconteceu. -N�o faz mal.

-Adormeceu. -N�o faz mal.

Obrigada por ter ficado.

Claro que sim.

Sei como se sente. Acredita que sei.

Em breve, ir� ouvir a voz dele na sua cabe�a.

Ele vai dizer-lhe para se recompor e seguir em frente.

E quando o fizer,

vai senti-lo a sorrir para si de novo, prometo.

Lamento muito.

Porque est� a ser t�o simp�tico comigo?

Porque acho que � uma boa pessoa.

Est� a tentar fazer a diferen�a.

Preocupa-se realmente com o que acontece �s outras pessoas.

N�o h� muita gente que possa dizer o mesmo.

� bom ser assim.

Voc� � um amor.

N�o sei se a maioria das pessoas me descreve assim ao conhecer-me,

mas fico feliz que pense assim.

Algu�m j� lhe disse que fala durante o sono?

Nunca dormi com ningu�m.

Nunca dormiu com ningu�m?

J� estive com algumas raparigas, mas n�o...

N�o o tipo de mulher que quer ficar a dormir comigo.

Quem � o Frank?

O qu�?

Disse esse nome enquanto dormia.

Parecia chateado.

Era o seu amigo que...

Sim, eu...

Eu trabalhava com ele,

trabalhava para ele, mas conheci-o quando tinha 12 anos.

Andava naquele orfanato cat�lico para rapazes, na DeKalb.

Mandaram-me para l� aos seis anos, depois de a minha m�e ter morrido.

O Frank...

O Frank protegeu-me, por assim dizer.

Nunca me chamou pelo meu nome.

Chamava-me Brooklyn.

Dizia: "Olha para ti, �rf�o de Brooklyn, n�o tens ningu�m que olhe por ti."

Todos precisamos de algu�m que olhe por n�s.

� a tua m�e?

� linda.

Ela morreu h� muito tempo.

N�o me recordo dela.

Parece que ambos estamos sozinhos, agora.

Ouve, tenho de te perguntar, h� alguma coisa que n�o me est�s a contar?

O qu�?

Est�o a esconder algo, tu e a Horowitz?

Sobre estes neg�cios da habita��o?

� que...

Os brutamontes da AD, eles est�o assustados com alguma coisa.

H� a� alguma coisa importante,

que tem a ver com estas fraudes que tu tens investigado.

Acho que tudo leva ao Moses Randolph.

Sabes o que �?

N�o, n�o. Quer dizer,

h� algu�m a enriquecer, mas n�o.

Tens de levar isto a s�rio.

Se est�s a guardar alguma carta, � espera para a jogar

e tentar bloquear aquele voto, est�s a jogar um jogo perigoso.

Eles j� mataram o Frank, mataram o teu pai,

fizeram-me isto ontem, esta gente n�o vai parar.

O que � que o Billy tem a ver com isto?

Ele sabe algo sobre isto.

N�o. Espera, isso n�o � poss�vel.

Ele e o meu amigo Frank estavam a trabalhar nisto.

Ele nem sequer sabe...

Nem sequer sabia no que eu ando a trabalhar.

Tenho um tio que conhece a Gabby. Foi ele que me arranjou esse trabalho.

N�o �s um rep�rter, pois n�o?

N�o, e o meu nome n�o � Jake, � Lionel.

Ouve, o Frank � um investigador privado.

Eu trabalhava para ele.

Eles contrataram-no para vigiar o teu comit�.

Ele andava a seguir-te.

Eu n�o estava a tentar expor nada.

Estava a investigar para tentar descobrir quem o matou,

e agora h� tantas pe�as que parece que tenho vidro no c�rebro,

j� nem sei o que procuro.

Desculpa ter-te mentido, mas tens de acreditar no que eu te digo.

Est�s enredada em tudo isto, est�s em perigo.

Podes ficar por aqui hoje?

A Gabby est� � minha espera.

Estamos a preparar o nosso depoimento.

� importante...

Mas preciso de tratar das coisas.

-Do funeral. -Ouve, nada disso interessa.

Se eu tiver raz�o, eles v�o querer manter segredo

e nem sequer v�o deixar o m�dico-legista libertar o corpo dele.

Por favor.

Pede a um dos tipos do clube para te acompanhar at� ao trabalho.

Fica perto de pessoas que conhe�as, durante os pr�ximos dias.

Eu vou ter contigo.

Est� bem?

Est� bem.

Certo, certo.

Tenham calma.

Hoje, mandaram os profissionais, devo ter tocado num nervo.

AUTORIDADE DA PONTE DISTRITAL

Obrigadinho.

Segura nisto, est� bem, querida?

Sabes quem sou?

Tenho andado a indagar sobre isso.

Mas parece que toda a gente tem uma resposta diferente.

Falaste como um verdadeiro investigador.

O que � que tu achas?

� f�cil.

Sou um construtor.

Pois, consigo ver isso.

Quando eu era mi�do,

sabes quantas pontes ligavam a ilha de Manhattan?

Duas.

Uma coisa insignificante para comboios aqui, e a ponte de Brooklyn.

E quando a atravessavas, a maior parte do caminho era feito sobre estrume.

As pessoas costumavam entrar em Nova Iorque pelas docas, como ratos.

Fui eu que constru� esta, e esta,

e esta,

e esta.

Agora, as pessoas saltam os rios e v�m pelas vias paisag�sticas do...

-Olimpo. -Rato ol�mpico!

Desculpe.

S�o pontes bem bonitas, reconhe�o.

Obrigado.

Quero que me d�s mais uma coisa, se a conseguires encontrar.

J� encontraste?

O que cont�m?

Difama��es, falsidades,

falsifica��es, provavelmente.

Ent�o tem a lei do seu lado. N�o tem com o que se preocupar.

Muito pouco do que eu consegui na vida assentou na legalidade.

N�o vou estar � merc� de algo t�o fr�gil como a lei agora, quando mais importa.

-Est� acima da lei? � isso? -N�o.

Apenas estou mais � frente.

Qual � a diferen�a?

As leis s�o um livro de regras que fazemos para os tempos em que nos encontramos.

Se reconstru�res a cidade, na minha experi�ncia,

a lei vai seguir-te e adaptar-se ao que fizeres.

Muita gente que gosta da cidade como ela �.

Est� a reconstru�-la para quem?

Para a gente que a� vem.

Daqui a 50, 100 anos,

de entre o que fazemos agora, o que importar�?

O que ajudar� as pessoas a tornar a fic��o cient�fica em realidade?

As leis de hoje?

Ou estradas, pontes e t�neis para facilitar o acesso ao com�rcio?

Praias e parques que permitam �s pessoas escapar e inspirar-se?

Pal�cios de cultura onde apenas existiam bairros de lata infernais?

Soa tudo muito bem,

a menos que seja uma das pessoas

cuja casa est� a atrapalhar tudo agora.

Central Park,

o maior parque urbano do mundo.

Quando come�aram a trabalhar nele, nem sequer havia cidade acima da rua 57.

Despejaram os agricultores e os ocupantes ilegais,

expulsaram os pastores para fora da lama e da porcaria.

Mudaram algumas das �rvores.

As pessoas protestaram sobre a perda do campo.

Se um homem n�o tivesse tido a vis�o para saber do que precisar�amos,

esta cidade seria inabit�vel, n�o seria?

Seria.

A maioria das pessoas nem sabe o nome do Fred Olmsted,

mas deviam agradecer-lhe todos os dias.

Agrade�o-lhe.

O mais importante desta vida � concretizar as coisas.

Quem pode, constr�i. Quem n�o pode, critica.

Eu n�o vou obstruir as grandes obras deste mundo

por uns esquilitos andarem a protestar por terem de realojar as suas nozes.

R�i-me as nozes, esquil�o!

Esquila-me as nozes do amor, meu.

N�o consigo controlar-me, desculpe.

N�o faz mal.

O talento e a intelig�ncia s�o recompensados neste edif�cio, Lionel.

Se alinhares connosco, vou certificar-me pessoalmente

de que os teus dons s�o valorizados.

Esta � a proposta de hoje.

Diz-me a tua decis�o at� hoje � noite.

Tem piada. Est�vamos enganados.

Porqu�?

N�o pens�mos que fosses o �s do baralho do Minna.

Vai para o baralho!

Vai para o baralho!

-Est�s bem? -N�o.

Linhas na pinha, cabe�a de vento!

Acalma-te, Lionel.

Falta uma pe�a, Danny.

Falta uma pe�a e eu n�o a consigo ver.

Est� a dar-me dores no c�rebro.

Onde est� o resto?

-As outras? -Est�o na secret�ria,

mas ela s� aparece nessas.

Vai busc�-las.

Estas foram tiradas antes de ela ter chegado.

Havia umas com o Billy.

-Pois, olha... -Paparazzi papalvo!

Bolas, Lionel.

Este � o pai dela, a sair.

J� vimos essas fotos todas.

Isso � um vagabundo a pedir dinheiro.

Ele gritou-lhe por um segundo, mas ela n�o est� nestas fotos.

Aquele sacana.

As chaves do carro?

O Coney e o Tony t�m os carros...

Espera, onde...

O que � que me escapou?

-Aonde vamos? -Preciso que vejas uma coisa.

Quem � este aqui com o teu pai?

-Onde � que... -Responde!

Sabes quem �?

Paul.

Paul Morris.

O teu tio Paul, que te arranjou o trabalho.

N�o me enganes, eu sei quem ele �.

O meu pai...

Sim, o teu pai e o teu tio Paul, com o meu amigo Frank,

montaram isto tudo.

-N�o... -Sim!

-Conta-me l� o que se passa. -N�o!

Est�s metida nisto ou n�o?

N�o, n�o � o meu pai com o meu tio Paul.

� o meu tio Billy com o meu pai, o Paul.

Puxa mais!

O que disseste?

Lembras-te daquela fotografia da minha m�e?

Agora olha para o Billy. E olha para mim.

V�s?

O resto do mundo pode olhar para mim sem se aperceber, mas eu n�o.

Espera, foram eles que disseram isso?

Eles nunca me disseram, mas n�o � preciso muito para perceber.

Por que outra raz�o ele teria tanto interesse em mim?

Cuidar de mim quando o Billy esteve na guerra?

Pagar a faculdade de direito, quando n�o tem nada?

Seja quem ele for, est� a usar-te agora.

Ele est� a usar-te para se vingar do pr�prio irm�o.

N�o creio que ele tenha fam�lia.

Pois, mas o nome dele n�o � Morris. � Randolph.

O irm�o dele � o Moses Randolph.

E est� a usar-te para o chantagear.

-Isso n�o �... -� verdade, sim. Lamento.

Espera aqui, est� bem?

Espera aqui at� eu voltar.

Isso n�o � poss�vel!

Sabes o que isto me diz?

Que tu e o Billy armaram isto com o Minna para chantagear o teu irm�o.

Onde arranjaste isto?

Foste tu quem descobriu o esquema.

Foste tu quem descobriu seja o que for que os assusta,

mas fizeste com que pare�a que veio da Laura e do comit�...

-N�o. -...e escondeste-te atr�s dela e do Frank.

-N�o � verdade. -H� gente a morrer.

-N�o percebes. -Puseste a vida da tua filha em risco...

Tu n�o...

N�o sabes de que raio est�s a falar!

Podia t�-lo afundado tantas vezes.

-Ele afundou-me. -Fuma o fumo do fundo!

-Ele afundou-me! -Fuma o fumo do fundo!

Esconder-me atr�s dela?

Eu desisti de tudo por ela.

Tudo o que podia ter alcan�ado na minha m�sera vida.

Foi isso que aconteceu entre os dois?

Estiveste com a m�e dela e ele odeia tanto as pessoas de cor...

N�o vou discutir estas coisas contigo!

Eu sabia que n�o eras um rep�rter.

Um monte de balelas.

�s o tipo do Minna.

Podes crer que sou. Ele era meu amigo.

Lamento, mas n�o fui eu.

O Frank armou isto tudo.

Ele e o Billy acharam que podiam lucrar com isto.

Gan�ncia parva. Eu tentei impedi-los.

Disse-lhes que isto ia p�-la em risco.

O Frank foi morto, o Billy liga-me em p�nico a pedir ajuda...

� o que est� na fotografia.

Est�s a meter-te em algo que n�o compreendes.

Se lhe fizeres frente

por uma quest�o de princ�pio, como eu fiz,

ele vai arruinar-te s� porque pode.

Mas se amea�ares o trabalho dele,

ele destr�i-te.

Destr�i.

Encontra o envelope do Minna.

Frank. Frankly Frankady Franko.

O que quer isto tudo dizer, Frank?

Lembra-te do que eu disse.

Esta tem de ficar debaixo do chap�u.

Traz o meu chap�u, sua...

...debaixo do chap�u...

Se!

Frank Frankly Frankady Franko.

Frank Frankly Frankady...

ESTA��O PENNSYLVANIA

Para a Esta��o Penn.

AG�NCIA L&L CONFIDENCIAL

-Cuidado! -N�o! N�o!

EMPREGADO DO WILSON HOTEL BELLA ROSE

ASSINATURA DO CLIENTE MOSES RANDOLPH

Bella, volto daqui a uma semana, quero muito ver-te. - M.R.

CERTID�O DE NASCIMENTO LAURA ROSE

BELLA ROSE - M�E MOSES RANDOLPH - PAI

TESTEMUNHA - WILLIAM ROSE

Se!

PAI MOSES RANDOLPH

L - ISTO � PARA TI F

ESCRITURA

Encontraste?

Sim.

Mas s� h� uma maneira de isto fazer sentido.

N�o foi ele a assinar a certid�o de nascimento, foste tu.

Sim.

Eu assinei.

O Billy trouxe-a para a nossa casa de fam�lia.

Os nossos criados tentaram expuls�-la, mas o Billy come�ou aos berros.

Est�vamos a jantar com a nossa m�e, por Deus.

Eu segui o Mo at� � porta.

Ele desprezou-os.

Recusou-se a assumir.

Mas eu vi a verdade na cara dela,

e na dele, no modo como olhou para ela.

-Confrontaste-o? -Implorei-lhe!

Invoquei todos os princ�pios e valores

que fomos ensinados a respeitar.

Estava angustiado.

N�o consegues compreender.

Quando �ramos jovens, ele era o meu her�i.

Escrevemos um manifesto. �amos consertar o mundo, juntos.

Mas para servir as pessoas, tens de amar pessoas.

O Mo tentou,

mas era t�o brilhante

que tinha rancor de mentes menores

e tornou-se inflex�vel.

Obcecado com a vit�ria, viciado em poder,

totalmente avesso a ideais.

Este "homem do povo" � uma farsa.

Quando n�o vemos algu�m como realmente �,

as coisas tornam-se perigosas.

Mais ningu�m sabe quem ela �?

Nem a Horowitz.

-Porque n�o lhe dizes? -Porque ela t�-lo-ia usado.

T�-lo-ia usado com bons resultados,

mas teria destru�do por completo a Laura.

A satisfa��o n�o aligeira um cora��o atormentado.

Por isso...

Posso manter o segredo.

E tu tamb�m podes.

Por favor.

Pois.

Est� tudo num cacifo na Esta��o Penn.

Se alguma coisa me acontecer,

envia isso ao Jacob Gleason do Post.

-O Post? -Ele saber� o que fazer.

O Post � um trapo.

Sim, mas o Times tamb�m est� no bolso do teu irm�o.

Tenho de tir�-la da cidade antes da vota��o.

O que est�s aqui a fazer, Tony?

Estou a olhar por ti.

Anda l�.

O que dizes de irmos beber alguma coisa?

Se! Desculpa.

Como est� esse olho?

Vai doer por uns tempos.

H� quanto tempo andas a seguir-me?

N�o estava a seguir-te.

Puseram-me no pr�dio dele e vi-te subir.

"Eles"?

N�o vamos estar com merdas um com o outro.

Tamb�m tens falado com eles.

Sim, mas n�o trabalho para eles.

Eu ia contar-te.

-Sim? -Sim.

Est� bem.

Eras tu do lado de fora do clube, naquela noite?

Pensei ter visto algu�m no beco

quando o dono do bar estava a bater-me, a amea�ar-me.

-Contaste-lhes isso? -Eles pagam-me para eu vigiar.

� o que tenho feito. Vigiado.

-� o que fazemos, vigiamos. -Se! Se!

T, ele estava a fazer bluff.

Nem tinha nada e mataram-no a pensar que sim.

Mas porqu� tentar perceber, certo? Est�s a subir na vida.

-Est� bem. -Traz e leva, leviano.

-Acalma-te. -Traz e leva!

Acalma-te. Bebe alguma coisa.

Traga-me um u�sque. O que queres beber?

-Vou querer um ch�. -Um ch�?

�gua a escaldar com a saqueta de ch� ao lado.

Leite e a��car em separado. A escaldar, est� bem?

Mamas escaldantes na minha cara de ch� com leite!

-N�o ligue. -Mamas de a��car na minha cara de leite!

H� algo errado com a cabe�a dele.

N�o h� nada de errado com a minha cabe�a.

Podias ter-me enganado.

H� quanto tempo andas a comer a Julia?

Depois de tudo o que ele fez por ti,

n�o podias arranjar outra pessoa com quem dormir?

Neste mundo, toda a gente tem de encontrar o seu caminho, Lionel.

Achavas que ia ficar na sombra do Frank toda a vida?

Servia para ti, mas n�o para mim.

Cuidado.

Anda l�, n�o podemos beber uma coisa a s�rio?

Eu n�o quero beber nada.

Qual � o grande problema, Lionel? Ele foi-se!

N�o h� nada que possamos fazer.

Ajudamo-los a conseguirem o que querem e partimos para outra.

Algo mais f�cil, talvez?

Depois de tudo o que pass�mos,

tudo o que tivemos de fazer para sobreviver enquanto cresc�amos?

Anda l�. Merecemos algo f�cil.

Especialmente tu.

Eu sei que tens talento verdadeiro.

Vou certificar-me de que tens lugar.

Vamos ser s�cios a valer.

Vamos falar disso depois de amanh�, est� bem?

Tenho de ir fazer uma coisa.

N�o v�s ao Harlem hoje � noite, Aberra��o.

Fica fora disto.

-O qu�? -N�o fa�as isso.

V�s, n�o estou t�o fora como pensas.

Vamos fechar o caso hoje � noite.

N�o, n�o! Ouve-me...

-N�o te envolvas. -Encontrei o que eles procuram.

-Encontrei! -S� falta fechar isto.

N�o, n�o, tens de lhes ligar, agora mesmo,

-e mand�-los cancelar. -N�o est� nas minhas m�os.

Tony, eu tenho-o.

Anda l�, vamos beber algo.

Merda!

Cabr�o!

Tentei ajudar-te.

-R�pido! -Comit� para a Habita��o.

Posso falar com a Laura Rose?

Desculpe, ela j� saiu.

-O qu�? -Foi para casa. N�o estava bem.

-Foi para onde? Quando? -Desculpe, quem fala?

-Quando? -H� cerca de 15 minutos.

Para o Harlem! A toda a velocidade! Tenho dinheiro!

Esquina da rua 149 e St. Nicholas!

Se! Merda...

Passe o vermelho! Eu tenho dinheiro!

Se! Se! Se!

Este comboio vai parar aqui. N�o ir� al�m desta esta��o.

Atravesse a rua 141.

Sim, suba a St. Nic's!

Pare! Pare j� aqui!

Laura!

Sacana!

Laura.

O que est�s a fazer...

Anda.

Anda.

N�o v�s para baixo. Eles est�o l� em baixo.

Sobe!

Eles est�o a subir!

N�o!

Vai!

Anda c�. Est�s bem?

-Temos de ir. -Est� bem.

Se!

Ela n�o sabe!

N�o faz diferen�a nenhuma.

Mas encontrei o que ele procura. Diz-lhe.

Diz-lhe que est� comigo.

N�o. Essa oferta expirou.

E eles disseram-me que eras esperto.

Cabr�o.

Deu cabo da minha melhor corneta.

N�o, quero v�-lo a s�s.

Sim, agora mesmo.

Deixa-me dizer-te, se se armarem em espertinhos,

amanh� v�o ter o pior dia que j� tiveram em muito tempo,

percebeste?

Sabes onde isto �?

J� ouvi falar.

Achas que consegues lev�-la at� l� esta noite?

Sempre apreciei uma boa viagem noturna.

Vai com eles, est� bem?

Estar�s segura.

Vou l� ter de manh�.

O que � que eu n�o sei?

N�o era a hist�ria que ela queria ouvir.

N�o traria bem nenhum contar-lha, por isso queria dizer "n�o interessa."

"N�o tem nada a ver contigo."

Mas n�o h� nenhum benef�cio em mentir a uma mulher mais esperta que tu,

por isso, contei-lhe a verdade.

O Frank uma vez disse-me que se tiveres de enfrentar

algu�m maior do que tu, que n�o possas vencer taco a taco,

f�-los pensar que respeitas o tamanho deles

e faz um acordo que te permita sair de l� inteiro.

Depois, pensa numa forma de os tramar mais tarde,

sem deixares impress�es digitais na faca.

Mesmo no momento em que l� entrei, n�o tinha a certeza do que ia fazer.

S� esperava que ele n�o me visse suar no meio de todo aquele vapor.

Se!

Quem � que manda agora, Bailey?

Quem � que manda?

O que se passa contigo?

J� te disse que n�o me consigo controlar.

Os teus capangas n�o te puseram ao corrente?

N�o me interessa a tua doen�a de merda.

Qual � o teu �ngulo? O que queres em troca da pasta?

Quero ouvir a tua vers�o do que tem l� dentro.

Porqu�?

Digamos que um quebra-cabe�as incompleto faz-me doer a cabe�a.

Est� bem? Mais do que � maioria das pessoas.

Se eu explicar tudo certinho a esse c�rebro irritante,

encerramos este assunto hoje?

� a tua melhor oportunidade.

Eu era jovem.

Era o "homem que concretizava,"

a trabalhar para o melhor governador da hist�ria deste estado.

Foi uma festa.

Foram bons tempos, antes do Colapso.

Nunca existiram nem existir�o festas como as de Tammany.

T�nhamos o hotel todo para n�s.

Vi-a l�, a trabalhar.

Ela era...

Nunca tinha sentido tanto desejo por algu�m.

Vinte e cinco anos depois, se pensar nela, o meu sangue ainda mexe.

Segui-a para uma entrada de servi�o.

Ela viu-me a segui-la.

Ela olhou para tr�s.

Ela entrou numa sala de manuten��o. Eu tamb�m.

Tivemos rela��es encostados �s toalhas de reserva.

Violaste-a.

Fui eu que dei o passo da primeira vez, mas tratei-a bem, comprei-lhe coisas.

Certifiquei-me de que o Partido continuasse a usar o hotel durante anos.

Ela podia ter desaparecido, deixado de l� trabalhar, mas n�o.

Ela era t�mida, mas sabia como as coisas eram e estava agradecida.

Viola��o?

Tens a mais pequena ideia

de como o poder funciona?

Poder � sentir, � saber

que podes fazer o que quiseres e ningu�m te pode impedir.

E se algu�m tiver uma ideia parva que te desagrade,

� o fim dessa ideia, ou dessa pessoa, se quiseres.

Se eu quiser construir autoestradas enquanto o resto do pa�s est� na pen�ria,

atravesso todos os bairros de merda que eu quiser.

Se for num dos bairros de lata negros onde quero construir o meu projeto federal

ou a sa�da da minha ponte,

aqueles anjinhos bem podem fazer barulho o dia todo.

E se algum ot�rio tentar chantagear-me, amea�ar mudar a nossa equipa de basebol,

os Dodgers bem podem fazer as malas e ir � ca�a de gambozinos para longe.

Encontrarei outra equipa que queira jogar basebol comigo no meu est�dio.

E se eu quiser comer uma mi�da de cor num quarto de hotel de vez em quando,

porque me sinto nos p�ncaros,

podes crer que vou faz�-lo, amigo.

Se pensas que vou deixar

um ser insignificante que nunca devia ter nascido,

ou o teu chefinho da tanga, ou o meu irm�o idealista

e as falsifica��es dele em meu nome abrandarem o trabalho que ando a fazer,

ainda tens muito para aprender sobre como o poder funciona.

Porque aquelas pessoas s�o invis�veis. N�o existem.

Vamos ver se ainda pensas o mesmo amanh�, depois da grande vota��o.

Ela sabe?

Interessante.

Ent�o, �s tu e o Paul?

Eu sei o que ele quer.

Se ele tivesse tomates, j� o tinha usado para me encurralar e lixar,

coisa que, na verdade, eu teria respeitado.

Mas ele acredita que o modo como ages importa,

e, por isso nunca vir� a ser algu�m.

Tamb�m �s idealista?

Queres dar-me a pasta para salvares o quarteir�o onde cresceste?

Fazer-me alterar as minhas demarca��es por um comit� de mulheres sem filhos,

a uivar pelas crian�as negras que adotaram?

Ou �s apenas outro detetive chantagista de meia tigela que quer fazer neg�cio?

V� l�, diz o que queres!

Diz, quis, fiz!

O detetive de meia tigela era meu amigo,

e a rapariga � a �nica raz�o para ainda estares a respirar.

Faz o que quiseres nesta cidade,

vai construir as tuas pir�mides no Nilo,

mas deixa-a em paz.

Se lhe acontecer alguma coisa, ponho tudo no correio.

� isso.

N�o h� mais nada.

Deixa-me ser claro.

Se tu ou o meu irm�o interferirem com o que quero fazer,

destruo a vida dela ainda mais do que o que lhe fiz a ele.

Diz-lhe que eu te disse isto.

Parece que temos acordo, ent�o.

Vou dar-te uma de barato.

O teu comparsa, o Lieberman, vai causar-te problemas.

Como assim?

Ele det�m uma parte de metade das empresas que trabalham com a limpeza dos bairros.

Imagino que ele nunca te tenha dito.

Quando tratares dele,

diz-lhe que fui eu quem te disse, e que � pelo Frank.

Sacana.

Pareces esquisito, mas �s esperto.

Devias ter aceitado a minha proposta.

Podias t�-los feito ajoelhar-se e pedir desculpa.

Mas se ela for minimamente parecida com a m�e dela, percebo o impulso.

Certo.

Mais uma coisa.

Diz ao meu irm�o que li a obra-prima dele. � brilhante como todos dizem.

Ningu�m o faria melhor e beneficia todos, incluindo eu.

N�o h� uma �nica raz�o para o negar.

Diz-lhe que lhe dou a opini�o amanh� de manh�.

Se!

Sacana!

RECUSADO M.R.

Enquanto crescia, sempre pensei que o Frank era um her�i.

Mas, no final, ele n�o era nenhum justiceiro.

Era apenas um detetive a tentar fazer dinheiro, como todos.

Mas ele n�o tinha de comprar esta guerra.

J� tinha idade para ter evitado isto, mas decidiu avan�ar

porque achava que valia a pena lutar por este pa�s.

Nunca tive nada que me fizesse deixar de pensar nos problemas. A Laura, sim.

Havia uma hist�ria que ela queria contar

e apercebi-me de que estava na altura de me decidir e escolher um lado.

Gleason, � para ti.

Ol�, amigo, sou novo neste circuito. Qual � a hist�ria aqui?

Hist�rias de injusti�a e desespero, e volta tudo ao que era.

"Hist�rias de Injusti�a e Desespero" ou Uma Hist�ria Melhor para um rep�rter real

A maneira americana.

Vamos tornar as coisas interessantes... Um Amigo

Obrigado pelo empr�stimo

NEW YORK POST JACOB GLEASON

Pago-te com um Pulitzer

EXECUTIVOS E ACIONISTAS WILLIAM M. LIEBERMAN

Est�s doida? Est� um gelo c� fora.

Que lugar � este?

Era do Frank.

Parece que agora � meu.

ESCRITURA - FRANK MINNA KINGS COUNTY, NOVA IORQUE

PARA CASA E TERRENO SITUADO EM POINT LOOKOUT, NASSAU COUNTY, NY

Ainda est� a olhar por ti, afinal.

� engra�ado onde as coisas v�o dar.

Pois.

"Brooklyn � grande...

"Brooklyn � grande, mas h� coisas ainda maiores."

O que � isso?

Acho que � algo que o Frank me disse, mas...

N�o me recordo quando.

Talvez fosse isto o que ele quis dizer.

Se!

Se!

Ripadas por: n0Te

OS �RF�OS DE BROOKLYN

Legendas: Gon�alo Neto

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