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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
É um clássico.
Se os ratos fogem do navio, ele vai afundar.
Esse é o rato.
Cruz do Norte vai afundar.
Abra!
Abra!
-Ei! -Passem, putas!
Por que voltou, loira?
Porque não vamos mudar a prisão,
mas, às vezes, temos de fazer o certo.
Vamos pegar a Barbie.
Calma.
Puta que o pariu.
Alô! Sim, é Carlos Sandoval, diretor de Cruz do Norte.
As presas se rebelaram.
Sim. Tomaram o pátio central e o bloco três.
Loira, graças a Deus você veio.
Somos uma dupla estranha...
Estou na Enfermaria.
Mande logo a tropa de choque.
Sandoval, sinto seu perfume pela prisão.
E seu medo.
Abra a porta, Barbie!
Imediatamente.
Ou vou assoprar e assoprar até derrubar a porta.
Há um exército a caminho,
é melhor voltarem à porra das celas.
Vamos fingir que não aconteceu nada.
O que não aconteceu?
A rebelião?
A minha filha?
Sandoval, abra.
Está em negação, Sandoval.
Como psicólogo, o primeiro passo
é aceitar a realidade
e a realidade é que está fodido.
Zulema.
-O que foi? Não vem? -Não.
Sabe quando não curte a festa
porque pensa em alguém que ama?
Nem imagino do que está falando.
Entendi.
É por isso que somos tão diferentes.
Graças a Deus.
CAM 09 - ÁREA 03 SEM SINAL
O puto do Sandoval.
Porra, a puta da chefe da prisão.
Consigo o que desejar.
Mas não faça nada comigo, por favor.
Tudo que eu quiser?
Dê o colar.
E os brincos.
São de ouro branco. São seus.
O que é isso?
Um lenço.
Lenço? Vai passando.
Dê tudo.
Isto tem estilo.
Se eu tivesse dinheiro, também teria estilo.
Sua bolsa.
Pensei que tivesse...
-Não se mexam. -Serão fodidas vivas.
Vão acabar na porra da solitária.
Vai parecer uma sauna gay.
Não caberemos todas.
Isto não terá final feliz, garotas.
Claro que não, Palacios.
Vai acabar mal pra caralho como sempre.
Saibam que desta vez a culpa é de vocês.
-Exato! -Como funciona?
A culpa é de vocês, não podem tocar na Sole.
E ficam mexendo na gente.
Não temos nada a perder. Agora se foderam.
Deviam ter pensado antes.
O que querem?
Dar um adeus adequado à Sole.
Tere, venha cá. Só você pode parar isto.
Você tem bom senso.
Palacios, acha que dá pra parar isto?
Vai curtir, né, Zulema?
Não consigo parar de te olhar.
Olho pra você e me pergunto...
sou psicopata?
Quais os sintomas de um psicopata?
Sou toda ouvidos.
Gosta bastante de si, né?
Narcisismo.
Certo?
Conduta antissocial.
Falta de remorso.
Falta de empatia.
Verdade. A gente quer mais é que se fodam.
O que mais?
Manipulação.
Encanto pessoal.
Frieza.
E a incrível capacidade...
de conseguir o que quiser, de quem e quando quiser.
Sou psicopata de carteirinha.
Tudo se encaixa.
Mas me lembra alguém.
Não acha que somos psicopatas?
Senhores, comigo!
Conheço muito bem a prisão.
Dá pra entrar pelo corredor cinco e pelo telhado.
Nem Deus vai entrar.
As filhas da puta fizeram a Sra. Cruz refém.
Quem você é, caralho?
Capitão Medina, unidade de intervenção.
As presas têm porta-voz?
Contataram algum agente? Sabemos o que elas querem?
Ninguém se comunicou conosco, mas conheço bem as líderes.
Posso entrar lá e mediar.
Obrigado, inspetor,
mas sou o encarregado.
Peça duas unidades da tropa de choque.
Garotas, é a mami.
Sei que estão meio ocupadas,
mas vou aproveitar e falar com vocês.
Isto não vai durar muito,
então serei breve.
Quero que saibam...
que tenho muita sorte.
Talvez isso não tenha muito a ver com minha vida,
na verdade.
Mas é sério.
Aqui, vivi...
os melhores momentos, ao lado de vocês.
Na prisão, fui muito mais feliz e livre
do que lá fora.
Devo isso a vocês.
A maré amarela.
Não se enganem, garotas.
Esta é a rebelião mais absurda da história.
Sim.
Quem faz uma rebelião,
pede comida melhor,
mais visitas íntimas...
ou meia hora a mais de sol no pátio.
Já esta rebelião...
estão fazendo por mim.
Vou partir.
Mas partirei...
me sentindo tão amada.
Que mais posso pedir?
Nada.
Amo muito vocês, minhas garotas.
Todas.
Se me ajudar, facilito sua vida.
Terá tratamento preferencial.
Tudo que quiser.
O que quer?
Televisor?
Cela individual?
Comida? Muita. Comida especial.
Você é bonita.
O que será quando a rebelião acabar?
Não sei. Devo passar a vida aqui.
Mas a prisão será diferente.
Você verá.
E a gente?
Andei ocupada com mil coisas nesses meses.
Trafiquei drogas,
tentei escapar novamente.
Também tive uma relação.
E, pode-se dizer...
que consegui te esquecer.
Porém...
agora que te vi...
-Comigo é igual. -Certo.
Agora que te vejo...
Mas...
seria injusto alongar uma história...
-que foi tão especial. -Não.
Meus netos vão pirar quando eu contar.
-Com que parte? -Toda. Ainda mais o fim.
Sobretudo este final que me enche de tesão.
Rola uma guerra lá fora e estamos aqui.
Aqui.
Quero pedir uns favores.
Primeiro, por favor...
não me ignore...
nem me evite no corredor, tá?
Número dois, nunca diga a ninguém...
que eu te deixei.
Porque nunca te deixaria.
Nunca.
É tão fácil te amar.
Já te chamei de puta louca...
porque se apaixona por quem não conhece.
E sabe o que acho?
O quê?
Quem dera existisse mais gente como você.
Quem dera.
Eu te amo tanto, Kabila.
Também te amo.
Muito.
Desculpem interromper o drama lésbico.
Não, eu te amo mais. Não, sou eu. Esperem aí.
Fui...
A Sole me mandou buscá-las.
É importante virem.
Ela quer se despedir das amigas.
Você é quem é graças a mim, Zulema.
Deveria me agradecer.
E quem sou eu graças a você?
Diga!
Gosta de livros de história?
Prefiro gibi de terror.
Vou contar uma história de quase cem anos.
Mais exatamente de 1920.
Os americanos começaram a exportar bacalhau...
do porto de Boston a Xangai.
Eles os levavam vivos dentro de tanques.
Só que havia um problema.
Chegando à China, o gosto não era igual.
Não tinham gosto de nada.
Estavam gelatinosos como se não tivessem músculo.
Por que os peixes estavam assim?
Sabe por quê?
Esclareça.
Porque estavam relaxados.
Relaxados demais.
Mas a astúcia de um marinheiro,
que teve uma grande ideia,
mudou a história.
Ele pensou em botar espécies diferentes de peixe
no tanque do bacalhau.
Uma ameaça.
O peixe-gato.
Eles ficavam mordendo o bacalhau,
provocando pra valer.
E o bacalhau chegava em forma?
Cheios de saúde e músculos.
Sabe por quê?
O bacalhau precisava viver sentindo medo.
É o nosso peixe-gato?
O filho da puta que nos mantém em forma, né?
E?
O quê?
Está falando de si mesmo.
Quem sou eu?
Quem sou eu?
Diga!
É a abelha rainha, Zulema.
A abelha rainha desta colmeia de merda.
Se não fosse por mim, seria mais uma desgraçada.
Só outra presa como suas amiguinhas.
Calado.
De psicopata a psicopata.
Esquecemos o sintoma mais importante.
A capacidade de aprender com a experiência.
É ruim nisso, maricão.
Sou pior porque aprendo logo.
Não vou encostar em você,
mas lá fora tem um oceano de bacalhaus
e é justo sua vida depender deles, peixe-gato.
Desfile, Sra. Cruz.
Vamos, quero ver.
É gostosa, hein?
Isso. Levante as tetas. Assim.
Está medonha.
Então? Como se sente com isso?
Não me ouviu? Como se sente com a porra desse pijama amarelo?
Feia.
Verdade. Está feia pra caralho.
O que mais?
Desajeitada.
Pequena.
Uma merda, né?
Diga, Sra. Cruz!
Quero ouvir.
"Eu me sinto uma merda."
Vamos.
Eu me sinto uma merda.
Mais alto.
Eu me sinto uma merda.
E por que escolheu o pijama amarelo?
Pra nos sentirmos uma merda?
Para ficarmos feias?
Porque amarelo dá azar?
Por quê?
Estava mais barato.
Porra!
O amarelo estava em oferta.
Se souberem lá fora que a chefe está aqui...
será enforcada na porra da galeria.
Andando. Vamos embora.
Obrigada.
Vamos, meu bem.
Não percam tempo.
Medina, os soldadinhos chegaram.
Cacete, vai mandar que entrem ou não?
Se não se calar, será expulso.
Está brincando com 200 vidas, incluindo a Sra. Cruz.
-Dê a ordem! -Tirem ele daqui!
Está fazendo uma grande cagada, Medina!
Me soltem, porra! Sei caminhar.
Vejam o perímetro do portão da frente.
Certo, mami. Será só uma picadinha.
Dormirá e não sentirá nada.
Obrigada, minhas garotas.
Saray.
Obrigada.
E pensar que agora...
serei a primeira a sair daqui.
De verdade.
Contigo aprendi
Que existem novas
E melhores emoções
Contigo aprendi
A conhecer um mundo novo de esperanças
Aprendi
Que a semana tem mais de sete dias
Para aumentar minhas poucas alegrias
E a ser feliz contigo aprendi
Contigo aprendi
Refeitório.
Entre.
Vocês se acham espertas.
Mulheres fortes e valiosas, é?
Então por que estão aqui? Porque são escória.
São todas escória.
A mais miserável possível.
Putas presas. Mães presas.
Filhas presas.
Não valem nada.
Não valem nada.
Nada.
Sra. Cruz,
vou pedir uma última coisa antes de sair.
Sim. Tudo que quiser.
Bem...
Uma selfie... de recordação.
Coloque a senha.
Ótimo.
Ótimo.
Sorria, porra.
Ah, que linda.
Paradas!
Ela me sequestrou!
O que disse? Tratei você como princesa.
Saia já daqui. Vamos.
Não fiz nada, tá?
Certo, Sra. Cruz?
Já tinha chupado xoxota antes, né?
Calada.
Parada!
-Sou Magdalena Cruz. -Quero ver as mãos!
-Sou Magdalena Cruz. -Quero ver as mãos!
Ajoelhe-se!
Ajoelhe-se!
-Deitada! -Pro chão!
Parem! Afastem-se dela!
É a Sra. Cruz. Para trás! Tudo bem?
Entre logo nessa porra e ponha ordem na minha prisão!
Liberado!
Liberado!
Liberado!
Liberado!
Liberado!
Liberado!
Queria ser...
queimada numa...
grande fogueira.
e subir ao Céu.
Feito uma guerreira viking.
Faz 12 anos que nos despedimos da Sole.
E todo dia penso nela.
Quando a perdi, pensei que o mundo pararia.
Mas a vida não para.
Eu, que vivia mais pra lá do que pra cá,
larguei as drogas e me salvei.
Não foi fácil,
mas lidar com dois pequenos tsunamis todo dia me ajudou.
Tudo mudou na minha vida.
Mas nunca deixei Cruz do Norte de verdade.
Oi, Tere.
Virei assistente social. Venho muito aqui.
Sem falar que tenho amigos aqui.
-Tere? -Palacios?
-Tere? -Palacios!
Vamos.
Não adianta. Sou inútil como diretor.
-É muito pra mim. -Bem.
Não me levam a sério.
Vivem me pedindo cada vez mais e nunca basta.
-Como sempre. -Porra.
Ora, Palacios.
Há quanto tempo é diretor de Cruz do Norte?
-Dois anos. -Certo.
Quantas presas morreram?
Uma mulher morreu...
Foi morte natural. Não conta.
Então, nenhuma.
-Quantas se suicidaram? -Nenhuma.
Palacios, as presas riem, vão às oficinas...
É um puta diretor.
O melhor que Cruz do Norte já teve.
Fala isso porque é amiga.
Cruz do Norte é a mesma de sempre.
Grades, cheiro de ferro, uniformes amarelos.
Mas não reconheço mais.
As amigas davam sentido a este lugar,
e a maioria já saiu.
Palacios, pode dar licença?
Sim, claro.
Não acredito que, apesar de tudo,
conseguimos sobreviver a este inferno.
Deve ser por isso que a vida sorriu para nós.
Luna.
É comissária de bordo.
Olá, boa tarde. Mais café ou chá?
Ela costuma voar para a China.
Engraçado, né? Ela que evitava chinesas em Cruz do Norte,
se apaixonou por um sujeito de Xangai.
Goya foi promovida.
Ela trabalha num depósito e é chefe dos trabalhadores.
Porra, quem deixou os paletes?
Quem pisar na bola vai chupar minha xoxota!
O ruim é que o uniforme é amarelo.
Mas não podia largar por isso, né?
Antonia achou a vocação na prisão.
Mais molho pra carne!
Ela sempre foi boa cozinheira,
mas nunca ganhará uma estrela Michelin.
Pelo? Diz pra engraçadinha que disse isso
pra vir aqui ver o meu matagal de baixo.
Mas ela nem precisa.
Saray recuperou a custódia da filha, Estrella.
Oi. Dá vontade de te devorar.
Ela a cria à moda dela.
Venha cá, moleque.
Já ouviu dizer que estive presa?
É verdade.
Mas não podia ser uma mãe melhor.
Saray, deixa ela em paz. Não seja careta.
Estamos sozinhas!
Castillo levou um susto com a saúde.
Agora, a cada mês vivido, ele faz uma tatuagem.
Valeu.
Tere.
Cachinhos entra e sai da prisão há anos.
Roubo, tráfico de drogas e o ciclo recomeça.
-É? -Caso clássico.
Sairá em dois dias.
Valeu.
Aceite o trabalho que arrumei. Sem queixas.
Durante muito tempo, achei que ela conseguiria,
mas, com o passar dos anos,
vi que ela teme mais a liberdade do que a prisão.
Não é todo mundo que sabe se cuidar.
-Tere. -O quê?
Tem notícias da Macarena?
Só o que o leio.
Com licença, senhorita. O cachorro fez as necessidades no chão.
Sandoval.
Quantas vezes tenho de pedir pra não fazer cocô?
Não faça cocô. Cachorro malcriado.
Não entendo a obsessão das mulheres por joias.
Mas se insistem que valem uma bolada,
não discuto. Temos o suficiente.
Pronta, loira?
Desculpe o cocozinho.
Se alguém piscar, estouro a porra da cabeça! Entenderam?
Legendas: Leandro Woyakoski
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