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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Oi!

O que estão fazendo? Ainda na balada?

Estou trabalhando, otários.

Quem está aí?

Pitu também é...

Não, esperem por mim, safados.

Sim. Onde estão?

Está certo.

Não, o que resta fazer

é limpar a bunda da Bela Adormecida

e vou aí.

Ficariam loucos com a Bela Adormecida. Ela é muito gostosa.

Eu a chamo de cadáver loiro.

Não, merda. Ela não está morta.

Ela está em coma faz uns oito meses.

Se esperarem, mando um presentinho.

Um presentinho.

Se eu contar, deixa de ser presente.

Vão pirar.

Esperem aí. Tchau.

Em primeiro lugar,

o corpo da mulher deve ser tratado com respeito.

Segundo, só se tira foto de mulher pelada

se ela deixar.

Em terceiro lugar,

vou enfiar o celular no seu rabo,

babaca.

Garotas, tenho uma pergunta.

Quando uma pessoa morre?

Quando o coração para ou quando você esquece quem é?

Todas sabem que tenho Alzheimer.

Não quero virar um vegetal.

Não quero ser alimentada.

Não quero que troquem minhas fraldas.

Esse é o futuro.

O presente...

vou esquecer meu passado.

Não quero virar um corpo sem memórias.

Quem vai me ajudar?

Eu tinha aceitado ajudá-la.

Já tínhamos o remédio escondido,

mas levaram durante uma revista.

Eu não consigo fazer.

Sei que estou me matando com drogas, mas não...

Não consigo matar uma amiga.

Alguém mais?

Está pedindo para ser morta?

Peço que me ajudem a viver

enquanto puder viver com dignidade.

Pensei em cortar os pulsos,

para não precisarem fazer isso, mas...

sou católica.

Sim. É católica,

mas fez churrasco do marido, né?

Sim.

A verdade é que

não consigo fazer sozinha.

Não tenho coragem.

E o que pensou? Que será mais fácil pra nós?

Não vou matar ninguém.

Muito menos você.

Sole, eu a mataria se não gostasse de você, mas eu gosto.

Por que estamos falando disto agora?

Está louca.

O que está pedindo, Sole...

é muito pesado.

Assassinar você?

Sim, é muito pesado.

Não estou pedindo que me assassinem.

Peço um ato de amor,

de compaixão.

É o último favor que peço a vocês...

como amigas.

Logo serei transferida.

Estarei cercada por gente estranha.

Longe do meu mundo, longe de vocês,

minhas amigas,

da minha família.

Tenho o direito de decidir

quando e como.

Então...

quem vai me matar?

Altagracia.

Vou te mostrar uma coisa.

Sandrita.

Eu a chamava assim quando nos conhecemos.

Era a mais bonita e tímida da faculdade.

Só precisou nos olharmos uma vez para percebermos, em silêncio,

sorrindo, que seria para sempre, eterno.

MAR DE PLATA, JANEIRO, 1991 BUENOS AIRES, JULHO, 1992

Trocando as fraldas da primeira filha.

Sua filha é muito bonita.

Sua esposa sabia nessa época que você abusava das presas?

Ou ela só suspeitava?

Talvez achasse que fazia o mesmo com as filhas.

Conseguia se segurar, Carlos?

Acho que não.

Só existe uma certeza na vida:

todos nós vamos morrer.

Mas construir uma vida é algo que exige muito esforço...

muito autocontrole.

Todos os dias da vida tive de fazer pactos

com o melhor e o pior de mim.

Com o melhor e o pior dos outros.

Pactos.

Seu único pacto foi com a destruição,

Altagracia.

Diga-me uma coisa, Altagracia.

O que minha mulher sentiu antes de morrer?

Quando os pulmões começaram a encher de água.

Quando a vida se apagava.

Ela teve convulsões, espasmos?

Diga-me uma coisa, Altagracia.

Sandra estava consciente antes de morrer?

Ela será transferida a um centro com presas menos perigosas.

Zulema.

Vou cuidar pessoalmente do bem-estar dela.

Não impediu que a estuprassem

e agora se preocupa com ela?

Quem é você, Hierro?

O filho da puta que manda uma garota aos porcos?

Ou o mimado que se arrepende depois?

Agora eu entendi.

Mas vou dizer uma coisa. Prefiro o filho da puta.

Prefiro odiar você a sentir pena.

-Eu tenho pena de você. -Tem? Mentira.

Sim, sinto pena de você.

Se tivesse confessado onde estava Altagracia,

sua filha não estaria aqui, mas você é tão orgulhosa.

E ela está pagando por isso. Sinta a culpa.

Culpa não serve pra nada.

É o sentimento mais inútil de todos. Além disso, você e eu

já passamos para o próximo nível.

Sério? E qual é?

-Qual? -Somos inimigos agora.

Você me fode, eu fodo você.

Dizem que sou uma inimiga maravilhosa.

Não se preocupe, nos divertiremos.

-Agora não, Saray. -É da sua filha.

Ela deixou na sua cama.

Você tinha razão.

É uma mãe de merda.

O que então me une a você?

Um cordão umbilical que esqueceram de cortar?

Tentei rompê-lo,

com as mãos, com os dentes

a vida inteira.

Sei que também tentou.

Sei que tentou me esquecer.

Que esperou até o fim antes de trair Altagracia.

Sei que se traiu.

Mas se temos algo em comum, Zulema,

é que não conseguimos cortar o cordão.

Estamos unidas,

por mais que isso nos magoe.

Quis abraçar você antes de partir.

Mas não vou abraçar.

Sabe por quê?

Porque sei que me rejeitaria,

mesmo querendo me abraçar.

Estou começando a ficar igual a você.

Estou virando uma filha da puta.

E estou gostando.

Só que também me cago de medo.

Antes de me despedir, uma pergunta:

que nome me deu quando eu nasci?

Minha avó me chamou de Fátima.

Mas que nome você me deu?

Quero recuperar esse nome.

Vão embora!

DUAS SEMANAS DEPOIS

Você é fora de série, Maca.

Acabou de acordar do coma

e já fez um enfermeiro pedir licença.

O porco nunca mais mandará minhas fotos aos amigos.

Como vai?

Bem.

Como se estivesse morta por oito meses

e acabado de ressuscitar.

-Que porra está fazendo aqui? -Quê?

Esperava abrir essa porta e saber que tinha escapado.

Mas tem de me levar à Cruz do Norte, né?

Sim. Não sei se é só velhice,

mas não estou a fim de te levar de volta pra lá.

Sandoval é o diretor.

As coisas estão fodidas, Maca.

Fodidas de verdade.

A Cachinhos está bem?

Kabila está bem, mas está na solitária.

-E ficará lá um tempão. -Por quê?

Porque é uma prisão particular.

Preciso explicar mais?

É um puta chiqueiro sem lei.

Estão privatizando tudo: prisões, colégios, hospitais.

A desculpa é ganhar eficiência,

só que as coisas não melhoram.

Ao contrário, ficam mais cruéis.

Cruz do Norte é um puta negócio milionário.

Vou me aposentar.

Vai?

Até que enfim.

O grande Castillo vai a Cuba beber mojitos.

E brindar ao comunismo

antes que cheguem os ianques e fodam tudo.

Vou com você.

Vou junto, Castillo.

Tenho vontade de viver.

Mas viver de verdade.

Não trancafiada numa prisão ou amarrada à porra duma cama.

Preciso escapar ou vou morrer.

Escute com atenção.

Sim. Já sei o que vai dizer.

Devo cumprir a pena. Vão me dar a condicional,

-toda essa merda. -Escute, caralho.

Amanhã é meu último dia de trabalho.

É a última vez que poderei fazer algo por você.

Às 14h, irei buscá-la para dar seu depoimento.

TRANSFERÊNCIA PENITENCIÁRIA

Quando estivermos no tribunal,

pegará minha pistola e fugirá no meu carro.

Vou demorar meia hora para denunciar.

No porta-luvas, encontrará documentos falsos

e dinheiro para você.

CRUZ DO NORTE

O bastante para recomeçar do zero, o mais longe que puder.

Será livre amanhã, Maca.

Ainda mantêm os bons costumes.

Vista-se.

Disseram que a Cachinhos está na solitária...

Quando minhas filhinhas se recuperavam de uma doença,

de gripe, amidalite, o que fosse,

sempre lhes dava um presente.

Eu as convidava para tomarem lanche ou sorvete.

Ou íamos ao cinema.

Eram premiadas por superarem a doença com valentia.

Qual seria o prêmio justo

para quem acabou de sair do coma?

Conheço muitas maneiras.

Deixe-me ver a Cachinhos.

Sabe o que mais adoro?

Apesar da tentativa de se esconder atrás dessa...

fachada de presa perigosa...

ainda vejo a mesma mulher que conheci no primeiro dia.

A garota frágil, fraca, assustada,

até desajeitada, diria.

Mas sensível...

e com uma necessidade atroz por afeto.

Quanto à Kabila,

sinto informar que vou decepcionar você,

pois aquela garota...

passará um longo tempo na solitária.

Ainda é o mesmo porco de sempre.

Por que essa agressividade? Diga-me.

Deveria ser grata.

Como explica que uma pessoa desagradável e asquerosa,

como me julga ser,

se deu ao trabalho

de visitá-la toda semana?

Estive lá...

do seu lado...

ao pé da sua cama.

Não faltei nunca.

Não ficou sem carinho um dia sequer.

Se dependesse de mim,

nunca faltaria.

Abrir bloco três. Macarena Ferreiro entrando.

BLOCO DE CELAS 3

Porra, aonde pensa que vai...

novata?

E aí, loira?

Surpresa!

Maca!

Como é bom ver você.

Maca!

Queria tanto te abraçar.

Ei! Olha a filha da puta. Acordou do coma e tal, hein?

Nunca tinha posto fé em você.

Maca!

Sabia que voltaria. Eu sabia.

E a Zulema?

Disseram que me tirou da lavadora.

Eu agradeço.

Queria matá-la com as próprias mãos.

-Não será fácil. -Sossega.

Não estou mais a fim.

Vim pra cá por ser imbecil.

Eu me apaixonei por um filho da puta que me fez dar um desfalque.

Depois, quis controlar a prisão.

Para sobreviver.

Agora, só penso na liberdade.

Quero sair desta jaula de merda.

Agora entendo você.

Desembucha.

Já estou no nível seguinte.

O da vingança?

Sandoval.

Sair daqui é importante.

Só que antes a Barbie deve morrer.

Tenho tantas razões quanto você para matá-lo.

Mas, caso consiga,

quem acha que virá depois?

A Madre Teresa?

Não.

Virá outro filho da puta.

Porque o problema não é o Sandoval.

O problema é o sistema.

E nem a grande Zulema pode mudar isso.

-Oi. -Como vai?

Um agente da Admissão me deu o relógio.

Sim, eu o herdei do meu pai.

Pensei que ficaria milionária, só que não.

Isso é tudo que ele me deu.

E quer que eu fique?

Sim.

Ou não.

Fininho, não se sinta obrigado. É que...

Não posso usar aqui e, se for para deixar guardado...

Tere.

Fininho, perdão.

Tudo bem se não gostou. Volta à caixa.

Adorei.

Mas é feio pra caralho.

E deve ter uns 40 anos.

Não, mas vou usar. Assim, me lembro de você.

E...

já que demos este passo e tal...

o que você acha

de uma visita íntima?

Ou não. Se você concordar, é claro.

Sem pressa. Sei lá.

Estou com medo, Fininho.

Medo do quê? De que seja um desastre?

Medo que seja maravilhoso.

E não me acostumar a não sentir você todos os dias.

Ei, sem tocar!

Perdão.

Ei, você!

O que foi?

Você é barra-pesada, né?

O que você quer?

Já matou gente.

Claro que sim.

Aqui dentro também.

Sim.

Como você faz?

Quer apagar a loira, né?

Porque ela está com a Cachinhos.

-Te peguei. -Filha da puta. Como você faria?

Não sei, tem muitas formas de matar.

Tem facas, afogamento,

a lavadora, o ferro de passar, atirar sobre o parapeito,

um bom soco na cara, queimar.

Assim não.

-Quer que ela sofra? -Não.

Então por que quer matá-la?

Não importa.

Espere aí. Vejamos. Chega mais.

Há três pontos importantes para decidir como matar.

Número um:

o quanto essa pessoa importa.

Para mim, importa.

Número dois:

é muito fodido para você matá-la?

-Muito. -Está bem.

Número três, o último.

Se tem colhões...

para olhar nos olhos dela quando matar.

De verdade?

Sim.

Na verdade, não tenho.

Então esqueça a faca, a segunda melhor opção é o travesseiro.

-O travesseiro? -Sim, asfixia com o travesseiro.

Ela vai resistir um pouco, espernear,

mas, num minuto, zás! Partiu pro outro lado.

O travesseiro.

-Saray? -Sim?

Diga quando vai liquidar a loira.

Quero trepar com ela antes.

Já estou avisando.

Vai fundo.

Eu ganho de você.

Sem feitiços nem coisas assim. É trapaça.

-Trapaça, uma ova. -Vamos lá.

Vejamos.

Olha a cara da Tere.

-Meu bem. -Querida. Que cara feia.

A merda que injeta está cada vez pior.

Jogue, meu Deus.

Não sopre nos dados. Vai encher de cuspe.

Tere, está tudo bem?

É que o Fininho quer uma visita íntima.

Visita íntima. O safado quer fazer sacanagem, né?

-Quer. -Muito legal.

A Tere está muito feliz

Porque a Tere vai comer

Uma bela linguiça

"Linguiça", ora vamos.

-Ah, Tere. -Nem me lembro da última vez.

Vou contar a minha,

cobrei 20 euros e estava chapadona.

-Que triste, querida. -Tere.

O Fininho fala a sério?

-Não sei. -Ah, meu bem.

A vida está sorrindo para você.

Sei lá. Minha vida costuma ser uma merda.

Já me viu pelada no chuveiro?

-Claro que vi. -Sou um saco de ossos.

Cheia de picadas, pontos, cicatrizes.

Outro dia, perdi meio molar.

-Um pedação assim. -É melhor sem dentes.

Ele podia ter corrido daqui após a 1a visita,

e também há dez minutos. Ele fugiu?

Fugiu?

-Não fugiu. -Não. E o que ele fez?

Pediu para te ver a sós. Foi o que ele fez, querida.

Minha nossa.

Ele está comendo na palma da sua mão.

Faz tanto tempo. Tanta coisa aconteceu.

-Vou devorá-lo. -Sua chorona.

Precisa liberar a tensão acumulada.

-Eu sei. Também faz parte. -Solta!

Ele vai me tocar, e eu vou gozar.

Tipo uma adolescente.

Um homem.

Você precisa é acalmar a periquita.

Antes da visita, precisa dar um belo trato.

Como os homens fazem pra se acalmar.

Que coisa mais suja.

"Suja", santinha?

Olha o que tenho pra você.

Pode pegar.

É o consolo da Anabel?

-Agora se chama Cherokee. -Cherokee.

-Cherokee. -Sim.

Porra, não.

Não? Como assim, "não"? O que está dizendo? Volte.

Deixa de ser boba. Tem lista de espera.

É apenas profilaxia.

-Não. Isso me dá arrepios. -Como assim, "arrepios"?

É só pegar o Cherokee

e usar nas partes mimosas.

Acredite. Chegará à visita calminha.

Tome. Pegue.

-Venha cá. -Venha, querida.

-Está santificado. -Diz a beata.

-Por que fui pedir seu conselho? -Enfia.

E o tamanho é perfeito para iniciantes.

Vai, vadia.

Vou treinar. Não me incomodem.

Lave primeiro.

-Me deixem em paz. -É só lavar.

-Lave. -Mas vai treinar com o dedo.

Sabe o que mais odeio na prisão?

Na boca. Isso.

O que mais odeio é que dizem quando escovar os dentes.

As regras.

Dizer o que posso ou não fazer

e quando e como fazer.

Todas temos direito a escolher o básico.

Como viver e como morrer.

Assim.

Sabe?

Quando...

Quando eu olhava a Estrella na incubadora,

tão pequenina, com tantos fios.

Eu só pensava:

"Por favor, bendito Deus, não a deixe sofrer.

Não a faça sofrer."

Sentia a angústia dela dentro de mim.

Eu pensava: "Se falarem que não tem cura,

eu a mato.

Vou matá-la, libertá-la."

E então?

Ah, Sole.

Eu te amo muito.

Juro por Deus,

antes que os filhos da puta te levem,

vou te ajudar a morrer.

Vou te ajudar.

É esquisito ver você aqui na cela.

Minha filha estava aqui faz umas semanas.

Escute,

se quer condolências, não me peça.

Ela morreu.

Segundo a versão oficial,

ela saltou de um helicóptero a mil metros no ar.

Jeito estranho de fugir, né?

Veja bem, Zulema.

Perdi meu filho por sua causa.

Perdi minha família por sua causa.

Na verdade, perdi tudo por sua causa.

Merece todo o mal que acontecer.

Que seja...

Sabe por que fui condenada pela primeira vez?

Matei o homem que roubou minha filha ao nascer.

Isso mudou o mundo?

Mudou alguma coisa?

Eu perdi tudo.

Mas eu faria tudo de novo,

pois o porco merecia morrer.

Matar Sandoval talvez não mude nada.

Pode ser.

Mas escute só, loira.

Às vezes você tem de fazer o certo. E só.

Quando eu chegar às portas do Inferno

e Belzebu me perguntar:

"O que fez para merecer tanto fogo?"

Responderei: "Matei dois filhos da puta."

Boa noite.

CRUZ DO NORTE

É um dia memorável.

Que ficará na história da família Cruz.

Liberaram os contratos das próximas duas prisões Cruz.

-Parabéns, Magdalena. -É por isso que vim, Sandoval.

Quero definir o quanto antes a nova direção dessas prisões.

Claro.

Serei sincera.

Não é fácil achar alguém que entenda este negócio,

que o aceite como é.

As presas são os erros da sociedade.

Quem vai querer assumir esses erros?

Quem vai querer encará-los?

Ninguém.

Por isso admiro seu trabalho, Sandoval.

Tem a gana.

Quero que seja o novo supervisor de todas as prisões Cruz.

Uma espécie de superdiretor.

O que me diz?

Tudo bem?

É como se...

o mundo tivesse parado.

Eu me sinto em paz.

Isto é bem melhor que um pico.

Eu me sinto bonita pela 1a vez em muito tempo.

Babaca!

Sole.

Preciso ir.

Vou ao tribunal por causa dos chineses.

E...

Não queria sair...

sem dizer o quanto te amo.

Eu te amo tanto, minha garota. Tanto.

O que aconteceu com os chineses?

Fizeram algo a você?

No fundo, sinto um pouco de inveja de você.

Tem muito que queria esquecer.

Até logo.

Ande, Sole. Termine logo. Já vamos.

Aonde vamos?

Será transferida a outra prisão.

Mas a transferência é em quatro dias, né?

Mudança de planos. A direção decidiu. Vamos andando.

O que estão fazendo? Aonde vai? Não!

Não podem levá-la. Não.

Um momento.

Preciso falar com Sandoval.

Ele sabe de tudo. E nem me despedi de minhas amigas.

Depois você manda uma carta. Vamos.

Não quero!

Não quero!

-Não me obrigue... -Fique longe dela!

-Já chega! -Vá sentar, Vargas.

-Não vou. -Não quer, porra?

Não quero, porra.

Pare. Calma.

Não me queria um filho da puta? Aqui estou.

Não está sendo filho da puta,

está mais pra adolescente querendo atenção.

Somos todas mulheres adultas

e conversamos para nos entender. A Sole...

só pediu para Sandoval vir aqui falar com ela.

Cale a boca. Quem pensa que é?

Uma palhaça sindicalista?

Essa foi boa. Sou palhaça, mas não sindicalista.

Só peço para Sandoval vir aqui.

Não se meta.

-Sente-se. Ou verá só. -O quê?

-Senta logo! -E se não?

Senão, vou quebrar sua cara.

Caladas!

Sabe no que você se transformaria?

Num ex-presidiário deprimido com esposa

e provavelmente dois filhos, em quem bateria.

Finalmente seria seu pai, Hierro. Era o que queria?

-Hierro! -O que é isso, filho da puta?

-Parem o cara! Porra! -Assim não, Hierro!

Afastem ele!

Filho da puta! Seu bosta!

Filho da puta do caralho!

Filho da puta!

Sandoval, preciso que venha ao refeitório.

Saiu do controle.

Situação de alerta máximo. Precisamos que venha.

Portão três, três.

Espere por mim no corredor.

Hierro, precisa se acalmar.

Tenha calma.

Não vou permitir.

Vai ficar aqui. Não sairá daqui,

e cumprirei minha promessa.

Que caralho está acontecendo?

Sandoval.

Ah, Sandoval.

Você prometeu

que eu seria transferida em quatro dias.

Sei que tudo se adiantou, eu entendo.

Mas, por favor, precisa me deixar ficar ao menos um dia.

Preciso fazer tudo direito.

Quero me despedir das amigas, de Cruz do Norte...

Ah, Sole.

Por que está fazendo isto se sabia que podia falar comigo?

-Nunca te deixei na mão. -Tentei, mas não consegui...

-Nunca te deixei na mão. -Escute, Sandoval.

Sempre dei tudo que pediu e mais.

-E então? -Não dei?

Então, posso ficar até amanhã?

Sole.

Assim não.

Podem levá-la agora mesmo.

Não!

A Sole vai embora e acabou!

Não!

A Sole não vai a lugar nenhum!

Ela não vai, caralho!

A Sole ficará!

A Sole não vai!

A Sole não vai!

Precisamos de reforço urgente no refeitório.

A Sole não vai!

A Sole não vai!

A Sole não vai!

-O que está fazendo? -Eu que sei?

Outra cagada. O que posso fazer?

Não vê que é a última chance de ser livre?

Sim, eu sei.

Mas não seria totalmente livre

porque estaria pensando em toda merda que deixo aqui.

Até logo, Castillo.

Obrigada...

por tudo.

A Sole não vai!

Não era pra você morrer hoje, otário.

Parem!

Entrem! Batam nelas!

Filhos da puta!

Escute bem,

puta elfa do inferno,

garanto que ficará na solitária

até que a única coisa que queira fazer seja arrancar seu coração de merda

e comê-lo.

Soltem a Zulema, filhos da puta.

Guerra!

Legendas: Leandro Woyakoski

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