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Original subtitles

Estou com um mau pressentimento.

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Se eu não aparecer em 15 minutos,

-pé na tábua. -Cuide-se, está bem?

Zulema!

Se nos entregarmos, perdemos. Mas, se lutarmos, podemos vencer.

Pare, Zulema!

Precisa me levar ao hospital.

Tem uma coisa que não posso dar: minha liberdade.

Tenho seis milhões de euros escondidos.

Se me ajudar a fugir, rachamos meio a meio.

Você não tem filha porque é um estuprador de merda.

Eu usaria a inteligência que Deus te deu

e começaria a tratar o pai da sua filha com respeito.

Bem-vinda à Cruz do Norte.

Não será tão engraçada após uma semana de solitária.

Fui nomeado diretor

porque não vacilo em executar a justiça.

Mercedes Carrillo,

pegue as drogas escondidas na cela

e coloque no corredor da galeria.

Lembrem-se do que acontece com traficantes que violam regras na Cruz do Norte.

-Quer trepar? -Está brincando?

Estamos atravessando turbulência.

Puta elfa do inferno.

CRUZ DO NORTE

Tome.

Valeu.

Ainda dói?

Eu mereço.

Um pouco, sim. Não escutou os avisos.

Zulema Zahir quase arrancou minha cabeça.

Ela é o diabo.

Dei mole e fui enganado.

Se servir de consolo, em algum momento, ela já enganou todos.

Sim, claro, mas fui burro a ponto de levá-la ao banheiro...

e comê-la.

Não está no relatório.

Cale essa boca. Que mané relatório? Sente-se e conte tudo.

Sente-se!

Como foi?

Como foi o quê?

Como assim, "como foi", babaca?

Como é comer uma mulher feito Zulema?

Uma hora, deve ser como...

acariciar um réptil. Frio...

e úmido.

É diferente. Sei lá eu.

É como...

fazer amor com medo.

Deve ser como ter uma corda no pescoço.

E vai puxando.

A cada metida, a cada enfiada.

Algo assim.

Sabia que o homem pode ejacular até depois de morto?

Morte e sexo...

andam de mãos dadas.

A pequena morte.

Com Zulema, faltou pouco.

Muito pouco.

Mas vou dizer uma coisa.

A filha da puta não me enganará de novo.

Vá embora.

Ei.

Muito bem, idiotas.

Podem me foder de novo, mas uma vai se lascar.

Quem será a primeira?

As galinhas são sensíveis.

Mas fedem.

Só que se estressam com brigas.

Goya.

Não se mexa.

Vai se foder, Zulema!

Não se meta. Não é da sua conta.

Não é da minha conta?

Altagracia é das minhas. Você não é?

-Das minhas? -Das suas.

Você foi embora. Deixou a gente na merda.

Com Sandoval, a coisa só piorou.

Ninguém quer você.

Viu muitos filmes Kung Fu Panda?

Eu também.

Você não?

Prefiro mais o Cantinflas.

Não pode protegê-la pra sempre.

O que foi, merda?

Andando.

As presas querem te matar. Os agentes também.

É a rainha da cocada preta.

Quando saí da solitária,

não deram papel higiênico nem sabonete.

Sabe o que significa?

Que não tomará banho amanhã.

Vou fugir hoje.

Apanhar a flor...

Parem!

É o pior coral que já ouvi na vida.

Horrível. Cada uma de um jeito.

Não somos as Meninas Cantoras de Viena.

Sole, merecem prisão perpétua por cantarem tão mal.

Precisamos de mais tempo, senhor. Certo?

Ou de um baseado. Chapada, a Tere canta lindo.

É de molhar a calcinha.

É, a Mary Whitney aqui canta como os anjos.

Essa música é uma merda.

Não! Senhoras, parem, por favor!

O coral tem regras.

Sem brigas, provocações nem tensão.

Nenhuma voz vale mais que as outras. Todas têm seu lugar.

Entenderam? Não gostou, vaza.

Impressionante.

Palacios, você é o cara.

Vamos, garotas! Do começo.

Há quatro meses, nesta prisão havia assassinatos, galinhas-bomba, fugas.

Hoje, um coral.

Parabéns, diretor.

Não há segredos, Sra. Cruz.

É só impor limites.

É importante as presas estarem felizes.

Acho que não compreendeu.

Não as quero felizes, quero trancadas.

O mercado muda. Hoje, o negócio é a criptomoeda.

Ontem, foram os ladrilhos.

Amanhã, energias renováveis, mas...

o único negócio que sempre funcionou

é o do medo, Sandoval.

O medo gera dinheiro.

As pessoas pagam para se sentir seguras em casa.

Pagam para saber que têm

uma cerca elétrica entre elas e os maus.

Estou a ponto de construir uma nova prisão...

para homens.

É mesmo? Achei que os contratos

com o Ministério do Interior foram congelados.

Quase. Por isso não quero meu sobrenome novamente no noticiário.

Sem fugas...

nem assassinatos, nem escândalos, certo?

E, se acontecer,

que a notícia não vaze.

Dividimos uma cela e a vida.

E amor.

O que eu mudaria na prisão?

Faria um buraco aqui no pátio,

colocaria terra e semearia plantas.

Grama com irrigadores que fazem...

Tudo molhado.

O barro. Pôr as mãos no barro, né?

-Sim. -Tudo molhado.

Esqueci como é andar descalça na grama.

Às vezes, no chuveiro,

quando estou descalça,

fecho os olhos e tento lembrar disso.

Não consigo. Não tenho imaginação.

Tudo é pré-fabricado, plástico, aço.

-Tudo é duro. -Escutem...

Não digo que deviam nos dar uma piscina,

mas mais sombra cairia bem. É grátis.

Que deem também a sombra...

-É desumano. -Verdade.

Temos uma menininha linda, né?

Entre.

-Posso? -Depressa!

Vou pedir a Sole para me ensinar a rezar.

Quanto tempo a deixam vê-la?

Só uma hora por dia.

O que somos agora?

Não sei.

Só sei que não deveríamos ficar com alguém por pena.

Existe outro relacionamento em prisão?

O que somos agora, seja o que for,

Saray, é o melhor que podemos ter.

Quando a neném sair da incubadora,

você irá pro bloco da maternidade.

Não sei quando ela sairá.

Ela vai sair.

Claro que sim.

Ela sairá porque tem sangue cigano,

pois é uma sobrevivente como eu.

Só que, quando sair,

vai mijar num saco,

tomar três remédios por dia,

com uma enfermeira que cuidará dela.

Não sei como vou pagar isso.

E daí?

Viro puta se precisar.

Sim?

Zulema, Zulemita.

Raramente tivemos chances de ficar assim,

cara a cara.

Nunca vi sua cabeça por trás.

Raspa todo dia?

Tem uma careca perfeita.

Venha.

Fique à vontade.

Ali.

Sabe o que penso?

Que nos evitamos esse tempo todo porque...

nos respeitamos.

Não é respeito.

É medo.

Medo.

Nós nos tememos.

É por isso que a respeito.

Claro.

Os alfas dominantes não podem se enfrentar.

Se brigassem, só aconteceriam duas coisas.

Ou se aliam,

ou se destroem.

Jamais seremos aliados.

É o chefe deste chiqueiro,

e eu sou a puta louca que quer sair.

Está mais para a segunda opção.

De toda forma, se me enfrentar,

vai comer grama pela raiz.

Contudo...

Contudo, com um pouco de sorte,

outra pessoa fará esse serviço por mim.

Viu a Saray?

Ela daria a vida pra visitar você.

Ela está encantada,

pois quer batizar a Estrellita.

Não sei se a convidaria para ser madrinha.

Mas o que eu disse? Que horror.

Viu? Minha cabeça não é tão perfeita.

Claro.

Como ela te convidaria se tentou matar as duas?

Zulema.

A amizade é algo tão frágil, não?

Como fugiremos?

Coisas não planejadas nunca funcionam.

Nem as planejadas.

Sabe quanto tempo trabalhei nesta prisão?

Sete anos de merda.

Conheço tudo.

Todo corredor, toda câmera,

os protocolos em caso de incêndio, rebelião, brigas e fugas.

Também sei

que a cabeça dos parafusos nas camas

se encaixam perfeitamente com as porcas das janelas do vestiário.

Não fode.

Dali, é bem fácil saltar para o corredor externo e fugir.

A fuga perfeita da prisão, piranha.

Sim, porra!

Porém...

só funciona uma vez para uma pessoa.

Você não vem.

Preciso que ajude na fuga, depois eu a busco.

Que filha da puta.

Filha da puta.

Ai, merda, amiga.

Ela é capaz de usar drogas.

Ela está olhando aquela merda há mais de uma hora.

Ela vai pegar?

Merda. Vai pegar.

O que está fazendo?

Nada.

Sabe que os cães devoraram a Mercedes por essa merda, né?

Se não vão ajudar, não atrapalhem.

Está bem, tchau.

Gatinhas.

O que foi?

Deixaram cair isto aqui.

São tão fofas.

Palacios.

Montou um coral?

Sim, vai ser legal.

Participe. Precisamos de mais vozes.

Vou pensar.

Está certo.

Que trapalhona, Altagracia.

Vou ficar de dieta.

Olha só pra mim. Um, dois, uma laranja inteira.

Ei.

Bem fina.

Quero uma maçã.

Vai cair.

Cigana, calma.

Não vale a pena.

É assim que acaba uma amizade,

com uma bandeja que fede à tortilha. Que merda.

Fui achada com o cinto de segurança no pescoço.

Briga no refeitório. Peço reforços.

Venha cá.

Minha filha foi arrancada de mim como coelho de cartola.

Branca e quase morta!

Morra.

Morra.

A cesariana, filha da puta.

Eu fiz...

o que precisava fazer.

Sua puta.

Porra.

Tem mais uma coisa.

Que bom que estão vivas, putas.

O que estão olhando?

Já chega.

Chega.

Acabou.

Não vou poder usar biquíni depois dos tiros que deu...

Puta merda!

Deixe cansarem, senão leva o primeiro soco.

Parece novo, Palacios.

Filha da puta.

-Já chega! -Saray!

Nós três saímos vivas daquele carro.

Mas alguém morreu naquele dia.

Morte se paga com morte.

E você vai pagar por isso.

Vai pagar.

Por que me chamou com tanta urgência e desespero?

Desculpe, senhor. Sumiram as drogas da galeria.

Há quanto tempo desapareceram?

Não sei.

Estava trabalhando no pátio.

Volte a filmagem da galeria central, por favor.

Quero muito conhecer essa abelhinha empreendedora.

Adoro mulheres com iniciativa, Millán.

O que é isso?

Cobriram a câmera com algo.

Estava de guarda hoje, senhor?

Sim.

Muito bem.

Vá ao vestiário,

pegue suas coisas e suma.

Obrigado, Millán.

Por que pegou as drogas do chão?

Por que não usou?

Entregue as drogas.

Nem fodendo.

Dá a porra das drogas!

Vamos fazer um trato. Quer ser minha sócia?

Você e eu? Sócias?

Sim, sócias.

-Meio a meio. -Não.

Veja bem.

A mercadoria é minha. São 70%.

Rachamos os 30% restantes.

Como é forte, terá um bônus.

Como os cães podem vir pra cima

e tenho de achar clientes, vamos rachar o bônus.

Tiramos 5% por perdas, 10% pra Sole, a tesoureira,

alguns para subornos, sobra 25% pra você. Sócias?

Quer me enganar?

Eu não dormiria tranquila.

Fechado?

-Sócias. -Fechado. Isso.

O que mudaria na prisão se pudesse?

O pior...

é...

pensar demais.

Pensar demais.

Não.

Um psicólogo.

Querido, um bom psicólogo. Para a gente conversar.

Alguém que nos entenda, dê conselhos e ajude.

Bonitão, quarentão. Que venha de terno. Bem-vestido.

A Zulema pensa demais.

Eu não.

Sou de ação.

O mundo em nossa cabeça é uma coisa bem complicada.

Aqui, as pessoas são putas loucas.

Tente conviver com quem não está bem da cabeça.

Após duas semanas numa cela assim,

com as mesmas roupas, comida e tudo,

você termina subindo pelas paredes. Puta doidice.

Não é isso o que queria?

Por que todos eles? Por que não diz logo?

É o que Lenny quer.

Dê a mão.

Obrigada.

Não te dão folga, né?

Eles te trancam,

matam de fome...

Uma galinhazinha me disse...

que ainda é cúmplice da Zulema.

Não entendo.

Ela tentou me matar.

A mim.

Não leve a mal,

mas eu teria feito o mesmo.

O que você mais ama?

Sua filha, né?

Mataria por ela?

Agora, eu mataria por dinheiro.

O que a Zulema mais quer?

A liberdade.

Está tudo fodido.

Se pensar friamente, tem lógica.

Sua equipe meteu a porrada. Faz parte disso.

De que lado está?

Vai ser amiguinho da Altagracia?

"Entre pro coral"?

A piranha matou um de nós.

Desde que ela chegou aqui, só ficou um dia fora da solitária.

Não dá comida a ela. Ela tem...

A filha da puta matou o Frutos!

Ela o atropelou com o ônibus e o deixou na estrada como um cão.

É por isso que ela foi pega e está trancada aqui.

Você não foi ao funeral.

Não apertou as mãos dos filhos.

Não viu o cadáver maquiado

para não verem que a roda passou na cabeça.

Tenho trabalho.

Você é recém-chegado.

Se estiver do lado dela, ficaremos contra você.

Não se esqueça.

Serei direta, Goya.

-Não gosto da Altagracia. -Nem eu.

-Quase a matei. -Eu sei.

Mas gosto menos ainda quando sai dando porrada.

A situação não pode seguir assim.

É mais bruta que um touro.

Além disso, se continuar assim, ficará sozinha.

E daí?

Sem sócias.

E ser sócia é legal, né?

Sem colegas de cela.

Pedi para ir a outra cela, Goya.

Não aguento mais. Você me assusta.

Pira todo santo dia.

Ser fodona não é mais legal.

Não é bacana.

Faça a porra que quiser.

Não me importa.

Escute, Goya.

Qual é seu problema?

Por que vive procurando encrenca? O que foi?

-Sei lá. -Escute aqui.

O que sua mãe ensinou em casa?

Em casa?

Nada.

Apanhava como boi ladrão.

De quem?

Da minha mãe.

Por quê?

Por comer.

Ela dizia que eu era gorda, uma baleia.

Quando eu comia, pumba! Na cara.

E o que você fazia?

Ora, comia mais.

Devorava tudo da geladeira.

Comia até cair.

Então me levavam ao PS, para uma lavagem estomacal.

E repetia no dia seguinte.

Eu comia e ela, pumba!

Na cara.

Goya, pôde falar disso com sua mãe agora que é adulta?

Minha mãe está morta.

E...

se estivesse viva,

o que diria a ela, Goya?

Bem...

Que não me batesse mais.

Que não sou baleia fora d'água!

E pediria um abraço.

Querida, ei.

Às segundas, quartas e sextas,

após o café, banho e tal,

vou de cela em cela

pegando roupas brancas, lençóis, toalhas e tal, menos uniformes...

Eu pego, vou à lavandeira e lavo.

Penduro para secar. Passo a manhã assim.

Então, à tarde...

vou à...

Bem, vou...

Eu vou no... Não me lembro.

Desculpe.

Continue.

Vou ao...

Simplesmente esqueci.

Não sei do que estava falando.

Hierro.

Quero pedir uma visita íntima.

Não sabia que tinha namorado.

Não tenho.

É só sexo.

Está certo.

Escreva uma carta de solicitação e fale com Millán.

Não.

Quero visita íntima com você.

Relaxe.

Não peço pra se apaixonar.

Nem pra me salvar.

Nem me dar flores.

Falo em curtir juntos,

esquecer que estamos neste chiqueiro.

Se topar, me avise.

Desta vez, sem dedos...

nem pistolas.

Falando nisso...

Altagracia, minha amiga, vai fugir.

Está brincando.

Nada disso.

Quando?

Agora.

Tique-taque.

Portão.

O que ganha me contando isto?

Se Altagracia fugir,

vai direto ao dinheiro escondido.

Assim, nós dois ganhamos.

Você impede uma fuga e eu protejo o dinheiro.

Onde ela está?

Nem imagino.

Mas é melhor começar a procurar.

Millán. Localize Altagracia agora.

Sente-se.

Aqui?

Ali.

O que estou fazendo aqui?

Ei!

Qual é a sua?

Ou fugimos juntas, ou ficamos, mexicana.

Por acaso é uma menina malcriada?

Você é muitas coisas, Zulema, mas não estúpida.

O que esperava?

Que confiasse em mim.

Que confie numa cascavel?

Sua amiga Zulema te traiu.

O que tinha na cabeça?

Que ia sair pelo portão, chamar um Uber

e ir de 1a classe pra Punta Cana?

Veja bem.

Sair pelo vestiário é o mais fácil.

As janelas dão no estacionamento.

E, entre os carros,

não dá pra ver das torres de vigia.

Demora de três a quatro minutos para um agente sair.

Escolheu a pior companhia para organizar uma fuga.

A pior.

Basta você distraí-los

enquanto vou pelo túnel de ventilação à sala da caldeira,

que tem grades.

Da sala da visita íntima se vai à Admissão.

Conferem quem entra,

ignoram quando saem.

E sai direto no estacionamento.

Millán sempre estaciona fora

e deixa a chave no bolso da jaqueta.

Se tudo der certo,

hoje vou jantar fora.

O que vai comer?

Hierro, vá ao vestiário.

Há uma tentativa de fuga.

Cara, não fui a única enrolada pela Zulema.

Filha da puta.

Sandoval.

Tentativa de fuga em andamento.

Ela não pode sair daqui.

Se preciso, atirem pra matar.

Ela está no estacionamento do bloco sete.

Aonde ela vai? Não tem saída de lá.

Zulema!

Zulema!

Filha de uma puta.

Não vou a lugar algum.

Não vou!

Pensou o quê? Que eu queria fugir assim?

Uma mexicana viva lá fora vale mais que uma morta aqui.

Era a Altagracia que precisava sair, idiota.

Podem levá-la.

Podem levá-la!

Vão se foder, idiotas!

NO PRÓXIMO EPISÓDIO

Mandaram você pra me matar?

Há muitas formas de machucar alguém.

Cruz do Norte será pior que Guantánamo.

Quem concorda comigo?

Não me diga o que fazer.

Tomar no cu.

Legendas: Leandro Woyakoski

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