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UM DOCUMENT�RIO ORIGINAL NETFLIX
Tu escolhes: cantar, divers�o e muito mais,
ou ficar em casa a estudar, a fazer os deveres e ir � escola.
Eu n�o teria d�vidas.
Foi algo que a maioria dos mi�dos nunca vivenciou.
Acho que foi algo que os marcou.
O mais estranho � que a melhor fase,
ou uma das fases mais intensas da nossa vida,
aconteceu quando t�nhamos 14 anos.
Parece ser o mais dif�cil de engolir.
Eu senti pena deles ao pensar que a queda seria dif�cil,
porque eles passaram anos numa nuvem.
� o clich�:
h� um mi�do que � artista e vai ser um fracasso.
Porqu�?
Esse mi�do ser� o que quiser ser.
Uma das coisas mais loucas
que os f�s dos Parch�s, como eu, faziam
era neste mesmo hotel, Camino Real, onde os Parch�s ficavam...
Eu vinha de Cuernavaca, que fica a duas horas de viagem,
e ficava aqui horas e horas ao sol
para ver o Tino ou a Yolanda a espreitar pela janela, talvez.
Era precisamente por aqui que a carrinha deles passava
e havia centenas de pessoas, de ambos os lados do passeio,
para ver os Parch�s a passar.
Uma vez, a Yolanda fez-me isto
e foi fant�stico, senti-me...
N�o sei explicar.
Senti-me realizado.
Muito bem, acho que n�o � um mist�rio, para ningu�m neste est�dio,
o motivo do aparecimento de bandas destinadas aos jovens.
Acho que se deve fundamentalmente, entre outras raz�es,
ao desenvolvimento espetacular dos meios de comunica��o, como a televis�o,
que nos d�o acesso
a novas formas de divers�o e entretenimento.
Foi por isso que esta banda, Parch�s, veio preencher um vazio
que n�o conseguimos preencher durante muito tempo.
Esta noite, Parch�s!
Claro, quando os Parch�s foram lan�ados em 1979,
tinha havido um pequeno baby boom.
Portanto, houve uma repentina e espetacular explos�o...
JORNALISTA
... de mi�dos que tinham de ser entretidos.
Anda algu�m � minha procura?
Sim!
Sim? Quem ser�?
- A Ana! - A Ana?
AUTOR DE "O MUNDO FANT�STICO DAS CAN��ES INFANTIS"
Digo sempre que este boom come�ou numa noite de setembro de 1977
no programa Esta noche... fiesta do Jose Maria I�igo.
Com a can��o...
O lado B deste single do Enrique, a can��o "Esto es Amor".
A pr�pria companhia discogr�fica, a Hispavox, ficou surpreendida
pelo sucesso, o estrondo do duo Enrique y Ana.
Maravilhoso!
Quando surgiu a ideia de formar uma banda...
EMPRES�RIO EM ESPANHA
... ela veio do diretor.
Chamou-me � parte e disse-me
para p�r um an�ncio no jornal para encontrar crian�as.
OPORTUNIDADE PARA CRIAN�AS DOS 8 AOS 12 ANOS
Tinham de ser bonitos, saber andar aos saltos...
PROFESSORA DE M�SICA
... saber estar no palco, ser carism�ticos.
DIRETOR INTERNACIONAL
Mas eles procuravam uma banda que, al�m de cantar,
representasse uma certa imagem na televis�o e nas atua��es, e tudo isso.
Foi assim que come�ou.
Contaram com a preciosa colabora��o do Rudy Ventura,
um artista da Discos Belter,
porque ele tinha uma filha que j� tinha lan�ado discos com o pai e assim.
Quando a Belter teve a ideia de formar a banda,
pensou em mim como uma poss�vel membro dos Parch�s.
No in�cio, �ramos quatro, duas meninas e dois meninos.
Ao teu ritmo e batida
Mas surgiu o David e vimos como ele se mexia.
Era um mi�do que dan�ava bem.
Dissemos que podia ser o dado.
Para mim, na altura, n�o significou nada.
Gostava de dan�ar e brincar.
N�o vi aquilo como o meu trabalho de sonho. N�o queria saber.
O Tino foi descoberto por um senhor na escola,
funcion�rio da Belter, o filho dele era cantor
e viu o Tino a cantar.
O dado n�o quer cantar
A piada da audi��o � que, lembro-me que depois de cantar,
sa�ram e deixaram a porta aberta
e ouvi o diretor art�stico a dizer � secret�ria:
"Canta bem, � pena � ser t�o feio."
Ficou gravado, perguntei � minha m�e: "Sou assim t�o feio?"
Parch�s, ch�s, ch�s
Havia um menino, o Oscar, ele era um mi�do.
Ele era muito bonito.
Na verdade, as primeiras audi��es eram para um vocalista a solo
e, pronto, fui como se fosse um casting para um an�ncio.
Pousas no quadrado...
Provavelmente, a �nica que veio do casting
foi a Gemma.
Em casa, disse aos meus pais: "Acho que fiz asneira,
n�o v�o selecionar-me, fiquei mal nas fotos,
cantei mal,
n�o me disseram mais nada." Sempre fui pessimista.
Parch�s, ch�s, ch�s
O jogo que � cantado Para ti e para mim
Parch�s, ch�s, ch�s
Mas, no in�cio, era um encontro entre mi�dos.
Eu e o David �ramos os mais novos com um ano e meio de diferen�a.
Mas a diferen�a entre a Gemma e a Yolanda era maior
e ainda maior com o Toni. Era vis�vel.
De repente, juntam-nos com quatro mi�dos que n�o conhecemos.
Agora convive, agora grava, agora tira fotos, agora...
Era muito estranho.
N�o houve uma liga��o imediata.
Era uma idade dif�cil.
Disseram: "Vais cantar e n�s vamos gravar um disco."
Eu fiquei entusiasmado, feliz.
Pensei: "Isto vai tirar-me da escola durante umas horas, boa!"
AS 25 GRANDES CAN��ES DOS PARCH�S
No in�cio, em agosto,
come��mos a gravar Las Super 25 Canciones de Los Peques.
Hoje, vamos numa excurs�o
Vamos jogar � bola
A maioria das vezes, eu e as raparigas grav�vamos juntos,
uma vez que t�nhamos os solos um pouco mais importantes.
Mais r�pidos que um comboio
A Yolanda era quem cantava mais e a seguir era a Gemma.
Eu acho que o David cantava o mesmo.
Sinceramente, era pouco.
Vamos todos cantar
Apesar de ter durado um ano,
a ideia da gravadora era fazer um grande lan�amento.
Grandes can��es para crian�as! Dois discos ou duas cassetes.
O cat�logo da Belter era maioritariamente constitu�do por artistas espanh�is,
como Juanito Valderrama, Dolores Abril, Rosa Morena,
Dolores Vargas, Carmen Sevilla, Lola Flores...
� m�sica espanhola, sobretudo espanhola.
A Belter estava a afundar. E eles disseram...
Ao ver o aumento de crian�as por explorar, disseram:
"Temos de agarrar isto."
E foi assim.
Gastaram muito dinheiro na aventura dos Parch�s,
a passar publicidade na televis�o e tudo,
e se n�o tivesse resultado,
provavelmente, estar�amos todos lixados.
Mas n�o acho que a empresa estivesse a falir, de todo.
No in�cio, junt�vamo-nos s� para isso, por um curto per�odo de tempo,
durante tr�s ou quatro meses, e pronto.
Gravar�amos um disco com dez can��es e aparecer�amos no programa.
Portanto, n�o... N�o havia mais nada.
Seguindo a tradi��o da nossa revista,
a Aplauso tem uma nova p�gina infantil, � verdade.
E vestimo-nos a rigor para apresentar uma nova banda.
Deixamos-vos com a hist�ria de "Barbapapa" e as vozes de Parch�s.
Se aparecessem, numa tarde de inverno,
no programa Aplauso, aos s�bados,
seriam vistos por toda a Espanha, porque havia dois canais,
n�o tinham alternativa. Seriam vistos.
Encontraste um Barbapapa
Estava nervosa, eu era t�o alta, era a mais alta.
E ali estava eu... E eles ainda me deram um casaco comprido...
A ideia inicial era eu ser o dado para poder vestir-me de branco, preto,
de todas as cores.
Mas, no final, ficou o branco.
Agora, como revolta, visto-me de preto.
- Gostaram da hist�ria do Barbapapa? - Sim!
Depois do segundo programa Aplauso, para mim foi...
... sabem...
... entrevistas, cortes de cabelo, roupas feitas � medida...
- Aplausos! - Aplausos!
Por exemplo, em Espanha, no Aplauso, era muito rigoroso.
Entra a m�sica!
Os dan�arinos do Giorgio Aresu reclamavam
que n�o �ramos bons o suficiente.
Enfim...
Acho que n�o fazer nada perfeito fazia parte do charme.
Ao ritmo do mesmo toque Cantar e dan�ar
Lembro-me que o diretor da escola me fez ir de aula em aula numa cadeira.
Ele dizia: "Est�o a ver esta mi�da?
Vai � televis�o, para que saibam".
Na segunda, quando �amos � escola
e t�nhamos ido ao Aplauso e os colegas tinham visto,
diz�amos: "O que foi?"
Olhavam mais, sim, porque �ramos mais populares.
Eu n�o gostava muito,
mas aumenta um pouco o autoestima.
No meu caso, isso foi bom.
- Todos a dan�ar! - Vamos dan�ar!
- Vamos l�! - Vamos dan�ar!
- V�, vamos l�! - Vamos dan�ar!
Para a reviravolta da escola
Eu pergunto: como te sentirias se tivesses 12 anos?
N�o percebemos o que vivemos, mas fascina-nos,
� como um jogo que ningu�m tem.
Fazer aquelas coisas naquele momento e idade...
Foi um privil�gio, uma sorte.
O GRUPO INFANTIL DO MOMENTO
Acho que n�o sab�amos o que significava "�xito".
Aos dez anos,
conhecemos palavras tang�veis como "pedra", "vermelho"...
Mas n�o entend�amos o conceito de "�xito".
E o que significa receber este disco de ouro?
Para n�s, significa que as crian�as gostam das nossas can��es
e estamos muito contentes por receb�-lo.
- Parab�ns, Parch�s. - Muito obrigado.
Acho que s�o circunst�ncias �nicas na vida.
Escolheram bem os membros,
as cores, coreografia, roupa, m�sica,
compositores, can��es... Foi tudo muito bem escolhido.
As pessoas procuravam mesmo algo emocionante e novo.
Eu acho que o sucesso teve o apoio
dos programas de televis�o e filmes,
porque foram quem fez mais filmes e apari��es televisivas.
CONTRA O HOMEM INVIS�VEL
N�o, sem d�vida que teve sucesso porque se investiu muito dinheiro.
CHEFE DE VENDAS DA BELTER
Eu recebia um cheque de 500 mil pesetas por m�s,
que depositava na conta,
ent�o, eu passava cheques de dez, 15, 20 mil pesetas,
que eram entregues a diferentes pessoas
para tocarem os nossos discos.
PARCH�S, M�SICA PARA CRIAN�AS
Sim, circulava dinheiro e presentes,
casacos de pele, Rolex de ouro e sabe-se l� o qu�...
Cheques de um milh�o para alguns apresentadores...
Agora, aten��o, crian�as.
E esta semana, convosco...
... uma can��o que as crian�as v�o adorar.
- E como se chamam? - Parch�s!
Convosco, Parch�s!
Tamb�m acho que algumas coisas aconteceram por acaso.
Vendo o percurso da banda,
�s vezes, davam um passo � frente e depois recuavam.
Acho que n�o havia um plano de mestre.
Mortadelo Mortadelo e Filem�n
N�o h� um estilo geral, n�o se pode dizer que � pop,
porque h� can��es rancheras.
Extrovertido E muito cuidadoso
E tamb�m temos de falar sobre a produ��o dos discos.
Os discos dos Parch�s pareciam uma bomba.
H� uma guerra entre gal�xias
A BATALHA DOS PLANETAS
Naquela altura, n�o era compositor, era um t�cnico.
Mas o diretor art�stico pediu-me uma can��o...
PRODUTOR E COMPOSITOR
... e foi a primeira que fiz, "Comando G" dos Parch�s,
foi a minha primeira m�sica.
Comando G, Comando G
Est� sempre alerta
Conseguiam cantar qualquer coisa,
dentro da limita��o de que nem todos cantavam bem.
E t�nhamos de...
Os mi�dos iam sempre atr�s do microfone.
Cuja miss�o � proteger A Terra de ataques
Eles gravavam, n�s harmoniz�vamos, ou fosse o que fosse,
e depois, vinham os profissionais, vocalistas de est�dio, meninas...
Como imitavam bem as vozes masculinas, n�o se notava.
A f�nix levanta voo
As vozes dos Parch�s estavam sempre num plano.
N�o posso dizer que t�m ou tiveram tanta ajuda
que ficaram perdidas.
As vozes e o timbre deles estavam l�.
V�o ganhar a batalha
"Comando G" teve muito sucesso?
- Sim. - Porque achas?
Porque o filme est� na televis�o e veem-no todos os dias e gostam.
Tu gostas do filme?
Gostas de estar sempre a viajar ou achas aborrecido?
N�o, fico entusiasmado, eu adoro.
Eu n�o era... Desde o in�cio, temos de avan�ar aos poucos
e a televis�o acelerava o processo.
E at� houve uma altura em que nos met�amos todos num Seat 131
com o empres�rio, algo que agora seria impens�vel.
- Estamos todos? - Sim!
Eu queria que n�o lhes faltasse nada,
que estivessem confort�veis e felizes,
e, principalmente, que se divertissem,
que n�o parecesse trabalho.
E que mais?
As vacinas!
Eram todos �timas crian�as.
Faziam coisas de crian�as...
Autoriza��o dos pais. Um, dois, tr�s, quatro, cinco.
O normal.
As minhas filhas pregavam-me partidas!
Imaginem os filhos dos outros!
Est�vamos num terra�o, meio aborrecidos, e, de repente,
decidi atirar uma cadeira do terra�o.
Z�s, e atira-a.
Com o risco de poder acontecer algo.
Mas n�o ficou por a�,
porque, com o medo... Contaram esta hist�ria?
E, ao sair do terra�o, eu espreitei
e vi o senhor da casa de baixo a olhar para cima e a reclamar.
Senti-me provocado a atirar outra cadeira.
"Como ele j� me viu, vou atirar outra."
E atirei.
Continuem a atirar bolos! No final, sou eu que levo com eles.
E, claro, o senhor foi ao hotel, muito chateado,
dizer que ia fazer queixa � Pol�cia,
e o coitado tinha toda a raz�o.
Eu � que trato sempre de tudo.
- � para isso que est� aqui. - N�o sejas insolente.
Sinceramente, foi como uma chapada.
Os lugares aonde �amos come�aram a encher.
O sucesso cresceu,
apresentaram o primeiro filme, A Guerra das Crian�as.
Faltam as matracas
Nada de problemas
Os filmes envolviam grandes profissionais.
O Javier Aguirre era experiente
em fazer todo o tipo de produ��es,
desde filmes de nudez a este tipo de filmes.
O anterior filme com crian�as tinha sido um fracasso.
O Berm�dez contratou-me a dizer que o filme n�o tinha dado em nada...
O PRIMEIRO FILME DOS PARCH�S
... mas que me contratava...
REALIZADOR
... porque os mi�dos estavam bem encaminhados.
Nos Parch�s, n�o existia essa figura paternal.
Nos filmes, a figura paternal � para ser desafiada,
as figuras autorit�rias, o que era muito porreiro.
Tem uma esp�cie de lado rebelde.
Avancem com as escavadoras!
Demoli uma escola desnecess�ria!
E, enquanto est�o aqui, matem o dono!
O homem que n�o quis negociar com a educa��o e se arruinou!
Lembro-me especialmente que o Tino tinha muito jeito.
Ele era o l�der da banda, claro.
Acho que n�o voltam.
- E o Magricelas, o que est� a fazer? - � f�cil de imaginar.
O an�ncio dizia:
"Procura-se crian�a gorda para an�ncio."
Antes de ler, sempre achei que dizia: "Procura-se
jovem atraente, alegre e carism�tico", n�o "gordo e chamativo".
ATOR
Come��mos com essa din�mica.
Para terem no��o, antes disso, n�o fazia ideia de quem eram os Parch�s.
A GUERRA DAS CRIAN�AS
O Berm�dez estava convencido de que seria um �xito.
E, por exemplo, no teatro, em Callao,
quase nunca havia bilhetes.
Era uma amostra de como as coisas estavam bem.
N�o vi um tost�o.
Os meus pais � que geriram o dinheiro.
Estou a ficar cheio!
Perguntam-me o que fiz com o dinheiro que ganhei com os Parch�s.
Primeiro, n�o sei quanto foi,
e segundo, deram-me uma bicicleta,
que foi roubada no dia seguinte.
Foi como... um mi�do cigano roubou-a
e, basicamente, ele ficou com o dinheiro que eu ganhei.
E pronto.
Estava a preparar a �ltima viagem do ano,
a visitar todas as empresas
que licenciavam a Discos Belter na Am�rica Latina.
Claro, quando vi e ouvi o disco do c�ntico de Natal,
vi a fotografia, apresentaram-me as crian�as,
isto e aquilo, organizei as ideias.
As can��es n�o importavam.
Se eles cantavam, se as vozes eram dobradas em est�dio,
n�o me interessava.
Eu queria era vend�-los.
O carisma e a naturalidade deles, a forma de se movimentarem,
de lidarem com as pessoas.
Compr�mos umas amostras de capas, encomendei um gravador,
porque era assim naquela �poca,
e perguntei se tinham um postal ou fotografia e isto e aquilo,
porque ia inseri-los na agenda da digress�o que estava a preparar.
Ent�o, obrigatoriamente,
uma condi��o essencial, sine qua non: eu queria os mi�dos na Argentina.
"Isso � rid�culo! Vai custar uma fortuna!"
Mas a verdade � que tudo mudou quando aterr�mos l�.
Depois do que t�nhamos vivido, o sucesso aqui em Espanha,
aterr�mos no M�xico e l�, contra todas as probabilidades...
BEM-VINDOS, PARCH�S
... as coisas n�o resultaram.
Na Argentina, resultaram.
Foi a reafirma��o de tudo o que tinha acontecido em Espanha,
s� que para um p�blico muito maior
e com maior repercuss�o.
Quando a banda come�ou a ter grande sucesso na Argentina...
TODOS OS SEUS �XITOS
... um produtor abordou-me, o Sr. Spitz.
PARCH�S TRIUNFAM NA AM�RICA DO SUL
Ele prop�s-me que a banda fizesse um filme.
Rat-a-tat-tat! Olha Rat-a-tat-tat! Dan�a
O primeiro filme foi filmado na Argentina,
em Mar del Plata.
Est�vamos num hotel perto da praia.
De manh�, grav�vamos o filme ali
e, � tarde, duas sess�es num circo.
DE 8 DE JANEIRO A 20 DE FEVEREIRO
Foi assim durante um m�s. Ou mais.
Uma vez por semana, lig�vamos aos pais de algu�m
e eles ligavam aos dos outros.
Claro, falavas com um dos pais,
nem falavas com os teus pais, s� uma vez por m�s.
Mas essa digress�o na Argentina foi...
Ao viver isso em crian�a, nem percebemos,
mas houve algum descontrolo.
Porque eu tinha namorado e outra pessoa tamb�m,
faz�amos o que quer�amos.
�amos dar uns amassos...
N�o sei, n�o havia ningu�m a cuidar de n�s.
Todos j� beij�mos a Yolanda,
ela � extrovertida e, a certa altura, todos gost�vamos dela.
A Gemma tamb�m, mas ela dava-se connosco de outra forma.
N�o significa que a rela��o de algu�m tenha passado disso.
Est�vamos s� a experimentar,
a brincar e a descobrir os nossos corpos, e esse tipo de coisas.
O vaiv�m das sa�das fez-nos come�ar a reparar
no sexo oposto.
Conhecemo-nos a caminhar
As experi�ncias que, naquela idade, se t�m com um colega de escola,
eu tive com os meus colegas de banda.
E sentes o mesmo do que eu
E eu preocupo-me tanto como tu
N�o sei se isto � normal
A nossa idade � especial
Especial
Dei o meu primeiro beijo ao Tino, mas n�o durou.
Era uma mi�da que sa�a contigo e, aos poucos, ias vendo
dois altos na camisola e ficavas perplexo.
Quando somos muito novos, acho que a parte atraente de uma rela��o
� a emo��o do encontro e desencontro...
Quando estamos juntos todo o dia, n�o existe mist�rio.
Ele n�o me deixa s� Nem por um minuto
Nem consigo respirar
Antes de podermos oficializar essa poss�vel rela��o,
percebi que, nas filas da frente,
estavam mi�das e f�s,
mas tamb�m as m�es que vinham com elas...
Pensamos: "Caramba, olha para aquilo!"
O que despertou no Tino � o que nos desperta a todos aos 15 ou 16 anos.
E, na �poca, nos concertos, as mi�das eram loucas
e o que ele queria, se conhecesse uma rapariga
que facilitasse as coisas, era tirar o m�ximo de proveito.
O que todos fizemos quando �ramos novos.
A Am�rica do Sul amava o Tino.
Ele era o l�der.
E nas rela��es interpessoais da banda,
de forma subconsciente,
ele retratava isso.
O Tino tinha muito poder na banda,
na �poca e talvez depois, mas...
... ele agia como...
Sejamos simp�ticos, como l�der.
Sempre foi muito claro quanto ao que queria.
E, al�m disso, a discogr�fica,
que era a dona de todo o conceito dos Parch�s,
escolheu-o como o protegido.
Quer dizer que ele passava o dia todo na sede quando est�vamos em Espanha.
Iam jantar fora, ele sabia os segredos deles,
quem namorava com quem ou quem era amante de quem...
Ele sabia de tudo, embora para n�s fosse um mist�rio.
N�s �amos l� quando havia uma reuni�o,
mas n�o and�vamos com facilidade na sede da discogr�fica.
N�o era o nosso territ�rio. Mas era o dele.
Isso deu-lhe muito poder.
� tarde, Quando a vejo ir embora
Parece que algo explodiu No meu peito
O tempo passa...
Eu sei e percebo que, de alguma forma,
por parte da empresa,
eles tentaram destacar a minha presen�a
por quest�es concretas.
Um dia, o Orfilad disse, de repente:
"Todos fazem isto e tu fazes isto e aquilo."
Porqu�?
Devia ter dito: "N�o, nem penses"? N�o.
Ela � a rapariga ideal
Ela � a rapariga ideal
Havia dois lados: o lado da discogr�fica...
... onde estava o Tino.
E ele era um dos maiores representantes.
Tinha muita margem, podia fazer tudo.
Como � �bvio, o poder para um mi�do t�o novo pode ser...
... uma arma perigosa.
E ele usava-a.
Todos t�nhamos os nossos problemas.
O Tino, por ser o mais famoso,
tinha uma atitude mais tir�nica, mas tamb�m era o mais velho
e talvez tivesse um processo de pensamento mais adulto.
Tu � que �s o l�der deles?
Quem me dera!
- N�o te deixam. - E eu!
- Mas n�o posso. - N�o podes?
A rela��o com o Tino n�o era nada boa.
Eu n�o me dava nada bem com o Tino,
isto �, no in�cio, mas foi piorando.
O Oscar era uma crian�a problem�tica.
Estava sempre pegado com os outros.
Talvez por ser o mais novo,
os outros estavam sempre pegados com ele.
No final, dava-me melhor com a Gemma.
E com os outros, bem...
... menos.
O Oscar foi...
Ele tinha as coisas dele.
Na segunda viagem, a m�e dele tamb�m veio, ent�o...
Ele era mais novo, mais protegido.
E o facto... O facto de o Oscar ter a m�e dele e os outros n�o terem,
fez com que pens�ssemos: "Olha para ele,
porque pode trazer a m�e dele?"
Bem, porque ela meteu-se no avi�o e foi!
Os outros n�o.
A m�e do Oscar vinha sempre, mas nem repar�vamos.
A minha m�e veio e percebeu que aquilo...
... estava descontrolado e que n�o havia limites,
nem disciplina
e que ningu�m cuidava de n�s.
Quando elas foram ver os mi�dos,
viram um panorama que n�o gostaram nada,
porque viram que eles estavam completamente abandonados, a viver...
Atiravam coisas do terra�o para ver se ca�am na cabe�a de algu�m,
ligavam para o servi�o de quarto e pediam coisas caras,
como caviar, e n�o comiam...
Eram crian�as como...
Como as do Senhor das Moscas. Ficavam loucas.
Nem tudo � comer aqui, comer ali,
os melhores presentes, os melhores hot�is,
e n�o, n�o pode ser, tem de haver algumas regras.
R�pido, para baixo, baixote!
O sentimento que guardei da �poca
� que cuidaram bem de n�s.
As coisas melhoraram muito, porque tivemos professores.
Tinha acontecido algo que abalou as bases do grupo, por isso...
Como havia compromissos importantes de ir para fora, e tudo isso,
tinham esperan�a de encontrar algu�m
que, de alguma forma, pudesse ter esse trabalho de estar com os mi�dos,
de ser cuidador deles, algu�m que os entretivesse e distra�sse.
E n�o est�o fartos de gravar?
N�o.
- E de cantar? - N�o.
- Sentem falta da m�e? - O qu�?
- Saudades da m�e? - Est� aqui!
- A m�e dele est� aqui. - Est�?
A m�e do Oscar n�o gostava da forma como...
... estavam a lidar com a nossa fama.
Enquanto crian�a, dir�amos que est�vamos cansados e que quer�amos ir embora,
mas n�o t�nhamos no��o para dizer que aquele mundo n�o era para n�s, certo?
A minha m�e via isso,
acho que ao viajar comigo, connosco, para a Am�rica do Sul...
� UM JOGO PARA CANTAR
... ela viu que as coisas n�o iam por um bom caminho.
OS MILION�RIOS MAIS JOVENS DE ESPANHA TVE NO FESTIVAL DE VARS�VIA
Houve uma campanha que dizia que ela era algu�m...
Que ela tinha feito mal � banda,
que era m� para n�s,
que mentia e que era irritante.
Claro, os outros pais come�aram
a v�-la como problem�tica.
"E agora o que nos quer contar? E agora,
parece que trabalham dez horas em vez de oito."
E entraram numa din�mica em que tudo o que a m�e do Oscar dizia
parecia que n�o tinha efeito positivo na banda.
Com os outros pais...
M�E DO OSCAR
... dava-me bem, mas sempre que ia numa viagem,
eu dizia-lhes o que se passava.
O que se passava era que...
... as crian�as n�o recebiam,
estavam a ser exploradas e tal.
Todas as atua��es estavam cheias.
Ent�o, para onde ia o dinheiro?
N�o era preciso ser contabilista.
Claro que n�o fazia sentido.
Os pais de alguns n�o acharam isso t�o preocupante como a m�e do Oscar.
Na �poca, est�vamos no foco da ribalta
e, sem d�vida, embora fosse pendurado, esfolado e esquartejado...
Eu ia em digress�o durante dois meses
e recebia o que o meu pai ganhava em quatro meses.
Acho que a m�e da Gemma, como a minha,
deixavam que os maridos as controlassem muito.
E os maridos tinham uma ideia diferente do que era melhor para as filhas.
No caso do meu tio, n�o tenho d�vidas, era da profiss�o.
Era um homem a falir e estar envolvido naquilo tudo,
era algo que o entusiasmava e fascinava.
Ele gostava que a filha pudesse ser artista...
Sem d�vidas.
Na altura, eu estava separada
e precisava do dinheiro, mas o Oscar era a prioridade.
Coloquei o Oscar � frente das minhas pr�prias necessidades.
Somos cinco grandes amigos
Perguntei-lhe se queria que o tirasse da banda e ele disse que sim.
Ele n�o tinha certeza, mas disse que sim.
Porque ele tamb�m se tinha divertido,
os mi�dos brincavam muito, ele viajava muito...
Nem tudo era mau.
Se esta mulher continuar aqui, estamos mal.
O menino n�o estava confort�vel. Fiz o perfil do que se passava.
Juntos sem medo
E eu sugeri que, se quer�amos avan�ar
e n�o ter mais surpresas,
era conveniente e necess�rio substitu�-lo.
Somos cinco grandes amigos
Mas quando quer�amos sair da banda, n�o era f�cil.
Diziam que faltavam digress�es, que havia contratos...
Como crian�as, ach�vamos que ela s� arranjava problemas
e se queria ir, que fosse.
Pronto, n�o �? Sem problemas.
Mas temos de admitir que, com o que ela dizia,
tinha mais raz�o do que os nossos pais.
N�o acho que ficaram traumatizados com a sa�da do Oscar.
Imagino que quando eu cheguei, ele j� tivesse
amea�ado sair. Se n�o foi ele, foi a m�e.
De alguma forma, para eles,
como queriam continuar e eram felizes com o que faziam,
s� queriam que entrasse algu�m novo
e problema resolvido, f�cil.
Ol�, amigos. Somos os Parch�s.
Como sou o mais velho, vou apresentar-nos.
Aqui, temos o membro mais novo, o Frank.
Tenho nove anos!
O Oscar sempre teve uma atitude de "eu fa�o, est� tudo bem,
mas n�o adoro", porque ele era um modelo.
O Frank...
Os Parch�s eram tudo.
Ele tinha uma enorme paix�o pela banda.
Est� a gravar? A minha vers�o...
As minhas vers�es s�o de...
H� muitas coisas em que, como a Yolanda e a Gemma dizem,
eu exagero muito.
Eu tendo a exagerar um pouco.
Se digo que eram 150 mil pessoas, deviam ser 70 mil.
Mas eu lembro-me de muitas coisas.
Disseram-me o que tinha de ser feito.
Digress�es no M�xico, Argentina, um filme...
E eu percebi mal.
Percebi que ia entrar no grupo depois disso.
As paredes e o ch�o tamb�m
Quando os meus pais me disseram que ia come�ar dentro de um m�s,
foi uma enorme alegria.
Entrar nos Parch�s, uma banda que adorava.
E o Frank foi uma crian�a que funcionou bem.
Primeiro, devido aos atributos f�sicos,
ao seu carisma e por ser natural.
Ol�, amigos
No in�cio, quem mais me ajudou foi a Yolanda e a Gemma.
Passaram muitos dias a ensinar-me os passos,
onde entrava, onde sa�a...
Para ele, foi mais dif�cil aprender a coreografia
por ser o mais pequeno.
Ele seguia os passos dos mais velhos.
Em v�rias cenas parece que estou a ser engra�ado, mas na verdade,
eu perdia-me, porque era...
Era muita informa��o para uma crian�a de nove ou dez anos.
Achas que vai funcionar?
Sim, tem o �man mais forte do mundo.
Eu e o Frank brinc�vamos muito.
V�amos tudo como uma oportunidade para brincar.
Tudo.
N�o destru�amos os hot�is,
mas faz�amos pistas de obst�culos no nosso quarto.
Em C�dis, fizeram um campo de futebol num quarto.
Num hotel de cinco estrelas.
Em Buenos Aires,
onde faz�amos tendas com as camas e tudo mais,
pediram-nos para n�o voltar.
Durante um tempo, torn�mo-nos numa esp�cie de ladr�es.
O meu primeiro perfume foi o Agua Brava, o perfume que os pais usavam,
e era um dos perfumes que roub�vamos no avi�o.
Aumenta isso.
�amos a lojas de lembran�as para turistas, por exemplo,
e quando gost�vamos de algo, roub�vamos.
Quando cheg�vamos ao hotel, v�amos:
"Quantos tens tu e quantos tenho eu?"
Muito bem, vamos filmar.
Desliguem a m�quina, faz barulho.
Sil�ncio!
O M�xico e a Argentina foram os primeiros pa�ses a que fui.
Luzes!
Era uma viagem constante.
Playback!
Vens de uma fam�lia humilde e, de repente, est�s no meio desta algazarra
com avi�es, helic�pteros, f�s, digress�es, entrevistas...
Cheg�vamos l� e �ramos como...
Eu sentia-me como os Beatles. Foi...
Davam-nos as boas-vindas. Davam-nos tudo.
Outro grande pr�mio que receberam
foi um disco de platina triplo por venderem tr�s milh�es de c�pias,
imaginem. For�a, Parch�s!
Acabou uma grande aventura
O sucesso deles era t�o incr�vel,
que era imposs�vel ficar indiferente.
V� l�, meninos, vamos ensaiar.
�ramos infetados.
De certa forma, �ramos arrastados por essa onda e por esse caminho,
e mesmo tendo uma perspetiva cr�tica,
�ramos levados.
Acabei por escrever m�sicas e preparar concertos.
E agora, o que todas as crian�as ansiavam,
convosco, Parch�s!
J� me aconteceu, por exemplo,
ir a certos locais, que eram recintos de lutas de galos,
dizer ao promotor que tinha de pagar antes da atua��o.
Ele tinha dois guardas de 1,90 m atr�s,
que sacaram duas pistolas assim,
e ele disse: "Os mi�dos atuam e depois eu pago."
Cuja miss�o � proteger A Terra de ataques
Atu�vamos em s�tios...
... muito estranhos, diversos e complicados.
Hoje, pod�amos atuar numa sala
e, de tarde, num s�tio
feito s� com quatro t�buas.
Uma vez, houve um problema, numa can��o, subiam crian�as ao palco
e havia uma cortina preta atr�s de n�s,
mas n�o estava presa ao palco de madeira...
� muito divertido � o nosso favorito
... e as crian�as subiram e ficaram atr�s de n�s,
mas, infelizmente, os mi�dos estavam sempre a cair l� atr�s.
V�amos os pais a reagir e pessoas a levantar-se.
N�o sab�amos porqu�.
Muitas vezes, pergunt�vamos:
"Onde � que acab�mos de atuar? Com que recursos?"
Mas o incr�vel � que, mesmo se cant�ssemos sem microfones,
as pessoas achavam fant�stico.
Pod�amos ser bons, maus ou med�ocres.
S� nos queriam ver, estar ali, viver aquela experi�ncia
de estar no concerto.
Os rapazes e raparigas
dos 12 aos 16 anos,
ficavam loucos.
Amigos dos Parch�s
Mas as crian�as dos quatro aos sete anos,
ficavam estupefactas a ver aquilo e interagiam:
"Gostaram?", "Sim!", "N�o ouvi!", "Sim!"
Amigos dos Parch�s
Tamb�m cri�vamos la�os fortes com as pessoas,
porque viam que nos est�vamos a divertir.
Apesar de ser t�mida, subir ao palco...
Eu adorava.
Ver... Quantas mais pessoas, melhor.
Porque as pessoas, como no M�xico ou na Argentina,
chamam pelo nosso nome, gritam,
ouve-se o nosso nome em todo o lado. Sentimo-nos amados.
Outro membro da banda infantil do momento,
convosco, Gemma!
Para mim, ap�s algum tempo, tornaram-se dif�ceis
as digress�es, as viagens, os filmes, as entrevistas...
Tudo isso me desgastou.
Acho que a Gemma � uma mulher muito corajosa.
Ela lidou muito bem com as coisas desde cedo.
Ela tinha uma intelig�ncia natural.
Ela conheceu a Yolanda e...
Elas davam-se muito bem, sobretudo porque a Gemma cedia,
mas acho que ela precisava disso.
Mas a rela��o que tinham
era uma rela��o de domina��o, como � conhecida em filosofia.
O mestre e o escravo.
Uma precisava da outra para ser quem era.
As pessoas pensam que tentei ofusc�-la,
mas n�o era assim.
Acho que, emocionalmente, depend�amos muito uma da outra.
Nesse aspeto, eu dependia muito dela, porque tamb�m cuidava de mim.
�s vezes, ela sentia-se cansada.
Talvez n�o tivesse tanta energia como a Yolanda,
que sai ao pai
e � uma mulher que adora o que faz acima de tudo.
Esta linda menina de dez anos, a Yolanda, � filha de Rudy Ventura.
Quero saber, gosta que ela cante?
PRIMEIRA APARI��O NA TV
Sim, ela gravou �lbuns e contos para crian�as. Eu gosto.
E ela? Gostas de cantar, Yolanda?
Sim, muito.
Vamos v�-la a atuar "Si Vas a Par�s, Pap�".
O meu pai dizia: "Tens de ser uma cantora e atriz,
uma artista muito completa.
E o palco � sagrado, mesmo que n�o te sintas bem,
d�s tudo no palco", porque ele era assim.
O pap� vai a Paris E n�o disse o que vai fazer
Se vai ao Moulin Rouge Ou buscar um beb�
O pap� vai a Paris...
Claro, a minha m�e dizia-lhe
que eu tinha de ir � escola, que eu n�o ia � escola.
E o meu pai dizia que eu estava bem.
Que estava a fazer o que ia fazer.
No in�cio, n�o se pensava na quest�o acad�mica.
Mas, de repente, no ano seguinte, pensava-se:
"Estes mi�dos n�o v�o � escola."
Outro ano letivo Que aventuras posso esperar?
Os professores davam a disciplina,
mas claro que n�o �amos � aula.
No terceiro ano da banda, fui � escola cinco ou seis dias.
A SEGUNDA GUERRA DAS CRIAN�AS
E reprovaram-me nesse ano.
Com latim, ingl�s e franc�s Batalhar outra vez
Para um mi�do de 15 anos que vem do furac�o de sucesso e isso tudo,
voltar a enfrentar o dia a dia...
Houve alguns momentos um pouco complicados.
A escola era dif�cil.
E eu sempre disse que...
... a fama, ou seguidores que t�nhamos nos pa�ses da Am�rica Latina,
em Espanha, tornou-se uma destrui��o.
Era sempre: "Parch�s, ch�s, ch�s", "O qu�?", "Parch�s, chis!"
O normal.
Mas acabamos por nos tornar imunes a isso tudo.
Est�o contentes por voltar � escola?
Sim!
Fico feliz.
Uma altura, falei em levar um professor.
No caso, a certa altura...
Nas grandes digress�es, de repente, havia quatro dias
em que podiam estar tranquilos.
Acho que fiz o papel dos pais que n�o estavam l�.
A fun��o de os mandar estudar...
PROFESSORA
... estar l� quando tinham problemas...
Fazia o papel de m�e.
Eu acho que ca�amos na realidade quando acab�vamos uma digress�o,
cheg�vamos a Barcelona e eles sentiam-se sozinhos,
porque n�o tinham amigos de escola.
Eu ia para a escola e eles faziam viagens, acampamentos e isso tudo,
mas eu n�o ia por causa das digress�es.
E manejar a espada como o D'Artagnan!
Acho que, quando entravam nessa rotina,
quase que preferiam passar quatro meses longe de casa do que estar ali.
A ser mais um aluno da escola.
As nossas travessuras s�o inocentes Hilariantes...
Porque n�o posso estar com amigos,
se me convidarem para sair, e falar normalmente
sem me olharem para ver o que tenho vestido?
Era tudo uma bolha.
A nossa bolha.
E viv�amos ali.
Era uma confus�o enorme que nem havia tempo para pensar.
Nunca era igual, ir � televis�o...
Havia uma atua��o quase todos os dias.
Muito bem, n�o fiquem nervosos.
O importante � manter a calma.
Est�o nervosas? Querem um calmante para os nervos?
N�o. � melhor n�o.
Todos os que tinham poder e dinheiro,
queriam que os Parch�s estivessem com os seus filhos, netos...
Claro, os mi�dos revoltavam-se
e, muitas vezes, causavam problemas.
Mas faz�amo-lo. Pod�amos dizer...
Mas faz�amo-lo. �amos � festa ou � entrevista ou o que fosse.
A rotina especial deles
era adormecerem, assim que entravam no avi�o.
Estou ansioso por ir ao Rio de Janeiro.
Porque n�o vamos agora?
Eu tamb�m aprendi a dormir no avi�o.
Nessa digress�o de quatro meses, em rela��o a dormir numa cama,
devo ter dormido menos de quatro horas di�rias,
ao longo dos quatro meses, chegava l� e apagava.
Volta ao M�xico a extraordin�ria e elegante banda
que, unicamente para quatro espet�culos,
atuar� no Pavilh�o Azteca e na Cidade do M�xico.
No M�xico, se n�o se trabalhava com a Televisa,
n�o se trabalhava.
Eles tinham poder, n�o como marca, mas poder medi�tico.
Parch�s �dolos, Parch�s brilhantes,
Parch�s consagrados.
A Televisa era a empresa mais importante do M�xico,
mas era a que pagava pior.
Dia 24 e 25 de abril,
�s 16 e �s 19 horas, no Pavilh�o Azteca.
Ent�o, come�ou a rondar o hotel.
N�o sei atrav�s de quem, nem porqu� nem de que forma,
apareceu um personagem.
Por exemplo, o Jorge Berlanga vendeu o Hugo S�nchez ao Atl�tico,
portanto, trabalha muito com transfer�ncias do futebol,
sabe tudo sobre isso,
� amigo do Maradona, conhece o caso do Messi.
Um dia, se o conhecerem,
levem muitas baterias, mesmo muitas,
porque eu sou o Harpo Marx, comparado com ele.
O Joaqu�n dizia-me,
e ele pode confirmar, se falarem com ele.
Ele disse-me...
EMPRES�RIO NO M�XICO
... que o 1o Porsche em que entrou foi no meu.
Eu tinha um Porsche? Nem me lembrava que tinha um Porsche!
Ent�o, ele explica-me que sabe que...
... trabalhar com ele seria melhor
e que tinha uma rede de empres�rios por todo o pa�s,
que pod�amos fazer concertos muito mais importantes.
E que os mi�dos n�o se cansariam tanto.
Ele ofereceu-lhes um jato privado para viagens longas.
Dava-me uma soneira
ficar numa fila de 200 pessoas para embarcar cinco crian�as,
portanto, pedia um avi�o a alguns empres�rios.
Eles deram-nos luxos, isso deram.
E dos melhores.
Se eu quisesse ir ao centro comercial e insistisse que gostava de um anel,
davam-me o anel, n�o �?
O Jorge Berlanga fez bem
ao dizer que precis�vamos de uma folga por semana.
Nunca ningu�m o tinha dito.
Ou que, quando faz�amos anos, precis�vamos de celebrar,
e eles apareciam com mariachis e davam-nos presentes...
Antes, pass�vamos o dia de anos no avi�o
e ningu�m queria saber.
O que me ligou aos Parch�s foi uma s�rie de circunst�ncias.
A primeira foi o enorme carinho que ganhei pelo Joaqu�n Oristrell,
pela Carmen Balaguer e pelo Rudy Ventura, que descanse em paz.
A segunda...
... os meus filhos adoravam-nos.
Na maior digress�o que tivemos, os nossos pais vieram.
Todos os nossos pais foram convidados
para ir a Las Vegas, depois a Acapulco...
Fomos a Los Angeles, S�o Francisco,
fomos a Orlando.
Foi tudo pago pelo empres�rio, neste caso, o Sr. Berlanga.
Pagou pela minha mulher, que, na �poca, era minha namorada.
Ela contava-me todas as hist�rias da viagem, que eu experienciei depois.
Eram v�rias,
eram...
Uma "Sentmenat" era uma 7 Up,
um "Tutti Frutti" era um Duty Free, e por a� adiante.
Parecia uma fam�lia de desenhos animados a caminho do M�xico.
E acab�vamos num restaurante japon�s,
um restaurante incr�vel, no meio deste e daquele,
aquela gente de bairros humildes...
Estivemos em Distrito Federal com os pais
e eles ficaram encantados por ver algumas atua��es dos mi�dos.
Ficavam nos melhores hot�is, tudo pago,
portanto, os pais estavam felizes, os mi�dos tamb�m e eu tamb�m.
Est�vamos no Pavilh�o Azteca, no M�xico, outra vez,
foi um concerto mais exclusivo
e a capacidade do local era, digamos, 6500 pessoas,
e os bilhetes eram muito caros, mas foram dez mil pessoas.
Era um palco montado numa tenda, tipo um circo, mas n�o era.
O que aconteceu? A tenda era abafada.
E come�ou a chover suor.
A temperatura l� dentro era desumana.
Tivemos de os mudar v�rias vezes.
Os pais foram a esse concerto, foram todos convidados.
Uma m�e achou aquilo insuport�vel
e, no outro dia, n�o foi ver a filha a suar.
Eu disse: "Se ela pode suar, tu tamb�m podes!
Pelo menos, podes comprar algo para ti com o dinheiro dela."
Eu tive os meus problemas com elas.
Diria que a atua��o mais importante da carreira art�stica dos Parch�s
foi no est�dio Azteca, sem d�vida.
EST�DIO AZTECA
Uma das hist�rias desses dois dias
� de que me lembro de ver um mi�do que estava a pedir, que nos chamou...
Lembro-me que ele estava na primeira fila
e passou o concerto de bra�os abertos.
Isto � a Am�rica
Tinha estado a pedir para poder
ouvir de bra�os esticados.
Impressionou-me muito.
Am�rica, um para�so sem igual
Lembro-me de uma atua��o,
num local chamado Bosques del Lago, a norte do Distrito Federal.
T�nhamos de ir de helic�ptero.
De carro era imposs�vel, porque havia muita gente.
Lembro-me de subir ao palco e de come�ar a chorar
de entusiasmo, ou por respeito,
de estar � frente de mais de 100 mil pessoas.
� algo que, para uma crian�a, eu devia ter dez ou 11 anos,
me impressionou muito e cantei as primeiras m�sicas a chorar.
CORPORA��O PERUANA DE AEROPORTOS
A maior rece��o que tivemos foi no Peru.
A "FEBRE PARCH�S" CAUSA DESTRUI��O E FERIDOS
O aeroporto estava inundado de f�s que nos esperavam.
PARCH�S CAUSAM REMENDOS
Foi um banho de pessoas. Foi incr�vel.
Lembro-me do dia em que atuaram no Madison Square Garden,
que estava chei�ssimo de gente.
Beijos, muitos beijos dos Parch�s
N�o atu�mos sozinhos no Madison.
Lembro-me que havia outras bandas como Los Chamos, da Venezuela,
o Luis Miguel...
Ir a Nova Iorque, subir o Empire State,
ver a cidade e depois atuar l�,
ser um dos primeiros ou dos poucos espanh�is
a conseguir atuar l�...
Era para o p�blico latino,
porque n�o entr�mos no mercado ingl�s, mas foi um marco, algo ainda not�vel.
Isto � a Am�rica, Am�rica
N�s devor�mos os Menudo.
Devor�vamos toda a gente.
Falo dos Menudo por serem a concorr�ncia.
N�s devor�vamos o mundo infantil.
SEM MEDO DA CONCORR�NCIA
Devor�vamos artistas consagrados.
Havia pastilhas el�sticas dos Parch�s, banda desenhada dos Parch�s,
havia de tudo.
Os Parch�s estavam em todos os programas e an�ncios.
F�
Apareciam antes do cart�o de teste.
Estavam em todo o lado, vendiam-se por si s�.
No in�cio, trabalhei para ser um sucesso,
n�o para ser um fen�meno social.
E os Parch�s n�o tiveram sucesso. Os Parch�s foram um fen�meno social.
Est�vamos numa �poca em que, no M�xico, e talvez em todo o mundo do espanhol,
as m�sicas infantis n�o eram feitas por crian�as.
T�nhamos adultos a cantar para crian�as.
Foi a primeira banda que representou a nossa gera��o, na m�sica.
Era muito interessante. Obviamente que era colorido,
bem feito e era um produto inteligente.
O sucesso dos Parch�s instigou o aparecimento de muitas bandas.
Disseram-me que surgiram, pelo menos, 15 bandas infantis, em Espanha,
por acharem que desfrutar�o do mesmo sucesso.
Eu acho que as sequelas nunca s�o melhores.
Quem faz uma vez, faz duas.
Seja para crian�as, os Parch�s, ou adolescentes, os Menudo.
Diziam que aquelas bandas eram dispens�veis e falsas.
PRODUTOR DE TELEVIS�O
E agora s�o as que enchem audit�rios nacionais.
Os artistas dos anos 80, tenham a idade que tenham,
s�o importantes no M�xico.
As perspetivas melhoraram.
E � verdade que, motivadas pelo nosso sucesso,
apareceram novas bandas, como os Timbiriche.
A Televisa criou os Timbiriche para destruir os Parch�s.
Sabem quem s�o os Timbiriche?
Sim!
Bem...
Para n�s �...
- Um jogo! - Um sonho!
Uma hist�ria!
Infelizmente, o Miguel Bos� protegeu-os.
Ele come�ou a fazer apresenta��es.
Um tempo depois, os Parch�s voltaram ao M�xico
e decidimos fazer um concerto duplo, Parch�s e Timbiriche.
E decidimos que seria no Pal�cio de los Deportes.
No bilhete dizia:
"Parch�s", o log�tipo como bal�es, enorme...
"Timbiriche". Pequenino...
Isto � a Am�rica, Am�rica
Sa�ram os Parch�s...
A s�rio... Eu chorei...
Estava a colapsar com os gritos dos mi�dos.
Am�rica
Obrigado!
E depois: "Convosco, Timbiriche!"
Convosco, os Timbiriche que v�o cantar "La Vida es Mejor Cantando"!
E a meio do concerto diziam:
"Convosco, Parch�s!"
"Convosco, Timbiriche!"
Foi a� que disseram: "Esperem l�.
Vamos ter de come�ar a separar isto, porque isto � um monstro."
At� breve Aos pequenos e gra�dos!
Amigos dos Parch�s
E aconteceu algo estranho nesse concerto.
N�o sei se j� vos contaram isto.
A Paulina Rubio ficou perdida de amores pelo David.
Ent�o, a Paulina, que era quase a l�der dos Timbiriche,
for�ou reuni�es constantes entre os Parch�s e os Timbiriche
para poder ver o David.
De repente, eu gostava de uma das raparigas, a Paulina.
E garanto que n�o era t�o bonita como � agora.
E t�nhamos uma rela��o de amizade.
J� n�o havia a obriga��o que nos impuseram,
de partilhar um palco ou programas de televis�o.
N�s quer�amos estar juntos nos tempos livres.
O que achas das meninas da banda Parch�s?
Lembro-me de me dar sempre muito bem com o Frank.
O Tino era o mais velho, at� mais velho do que n�s,
e havia uma grande admira��o por ele.
A nossa casa, no M�xico, ficava a dois quarteir�es da dela,
ent�o, eu ia v�-la ou ela vinha...
Havia uma rela��o inocente entre duas crian�as
que se amam e partilham uma realidade,
que � ser famoso e isso...
Na altura dos Parch�s, eu dizia uma piada:
"Que apare�a o Herodes e mande matar as crian�as,
porque todos os pais querem torn�-los famosos, viver �s custas deles
e ordenhar a vaca."
Essa coisa dos f�s e da loucura vinha mais dos pais.
E, muitas vezes, das m�es.
Percebi
que quando uma senhora pede um aut�grafo ao Julio Iglesias
e ele n�o o d�,
a senhora vira costas um pouco irritada e vai embora.
Mas, quando uma m�e aborda um membro dos Parch�s
e lhe pede um aut�grafo para o filho ou filha,
se o Tino n�o lho der,
a senhora agarra-o pelo pesco�o e estrangula-o.
Ela agride-o.
O problema � que tinham de dar os cinco.
Como � que resolvemos isso?
"Tome o seu postal, senhora, n�o mate ningu�m."
Claro, �s vezes, as pessoas adaptam-se ao papel que t�m,
portanto,
eles eram muito parecidos ao que as pessoas viam.
A imagem que passava era bonita, bela e agrad�vel,
mas havia outro lado que n�o era tanto.
Mas as personalidades eram bastante parecidas
com as personalidades vendidas ao p�blico.
� o ritmo louco dos Parch�s
Com outras crian�as, n�o teria tido o mesmo sucesso.
N�o por sermos especiais, mas porque encaix�mos na perfei��o nos pap�is.
Foi uma coincid�ncia eu ficar
com o p�blico constitu�do pelas m�es, av�s e as meninas,
o David com as indecisas,
o Tino com as adolescentes e mais velhas...
E havia uma guerra de mi�das.
Porque como a Yolanda era a mais bonita, a mais extrovertida e exuberante,
muitas meninas apoiavam a Gemma.
Havia um clube anti-Yolanda.
As mi�das achavam que eu e o Tino �ramos namorados ou que ele gostava de mim.
E elas viam-me como concorr�ncia.
Quando atu�vamos, principalmente na Am�rica Latina,
apresentavam a Gemma e todos gritavam. Quando diziam "Yolanda",
�s vezes, vaiavam-me. "Eu n�o fiz nada.
Acabei de chegar, porque me odeiam tanto?"
L�, percebemos que as pessoas gostam de n�s de forma diferente,
talvez por me acharem mais t�mida... n�o sei porqu�.
O meu favorito sempre foi o Tino.
Ent�o, eu queria ser o Tino, vestir-me como ele,
ver-me como ele, ter a mesma apar�ncia.
Vou provar que sou o melhor
Ganhei a todos
Porque no momento que todos t�m a bilirrubina em alta,
� normal, somos todos iguais ali.
Encontramo-nos a desfrutar
de uma posi��o de adora��o constante...
� assim.
Dizem-nos, relembram-nos tanto
e mesmo n�s percebemos esse sentimento,
que acabamos por pensar: "Devo ser especial!"
Essa descoberta de "eu seduzo, eu posso, eu gosto, admiram-me",
para estas crian�as foi multiplicada...
... por um milh�o, por terem muitos olhos neles.
Muita gente os olhava, n�o s� por atra��o e com o olhar
de admirar a m�sica e a dan�a,
mas por amor, por serem bonitas e bonitos.
Isso era contagioso.
Podia ser namoradeira, mas era uma crian�a.
E sim, provavelmente, algumas pessoas tinham...
... tinham...
... fantasias inapropriadas para aquela idade.
Havia a festa das crian�as, normalmente, num jardim,
e a festa dos adultos, onde havia subst�ncias...
... que n�o eram propriamente gomas nem nada do g�nero.
Um pouco de tudo.
PROFESSORA
Nas festas, havia pessoas interessadas, claro.
As meninas eram bonitas.
Ent�o, havia... moscas � volta do mel.
Era preciso estar atento para que n�o fosse mais longe.
Por exemplo, proteger a minha pr�pria prima, a Yolanda,
porque ela era um alvo
para muitos empres�rios, para muitos homens adultos.
Lembro-me de a minha m�e dizer: "Tem cuidado.
Podes sentar-te no colo de algu�m
e podem interpretar mal." Eu dizia:
"Mas como? Sou s� uma crian�a."
Por me sentar no colo, isto �...
Tinham filhas da minha idade!
Ela gostava que gostassem dela,
os novos e os mais velhos, gostava que gostassem dela,
mas ela tinha 15 ou 16 anos,
n�o queria ser assediada.
Para mim, a Yolanda era...
... bonita e linda. Eu apaixonei-me e vivia apaixonado pela Yolanda,
desde os meus nove anos.
Ela foi o amor da minha vida.
Mas tamb�m tinha no��o de que a Yolanda
estava a crescer e tinha pretendentes, e n�o podia fazer nada acerca disso.
Nem sabes quem vi na fila do teatro!
Acho que gostava muito de mim e eu devo t�-lo magoado.
Sem inten��o, mas porque eu era...
Pronto, aparecia outro e ele era muito pequeno,
e eu gostava do Argenis dos Los Chamos ou gostava de outro e...
Era namorada deles durante a digress�o.
Linda!
N�o � para menores, mi�do.
N�o me importava de a conhecer.
E vais conhec�-la.
O Tino era quem ligava mais a mi�das.
Tamb�m era o mais velho,
ele tinha uma... as suas rela��es n�o se baseavam s� em...
... dar uns beijos.
O Tino n�o tinha de fumar, mas fumava.
�s vezes, bebia...
Na verdade, felizmente, n�o gostava de �lcool.
Teve rela��es sexuais muito jovem.
De forma gratuita, por assim dizer.
Portanto, claro, ele tinha uma vida
semelhante � do Justin Timberlake, quando ele come�ou aos 18 anos,
n�o de um mi�do daquela idade.
E isso foi motivado pelas pessoas que o rodeavam.
Pelo que sei, uma vez, o pai do Tino
disse-lhe que o expulsava de casa se se continuasse a portar mal
e ele respondeu: "Mas eu paguei esta casa."
Tino, o concurso � muito f�cil,
perguntas-me se quero sair contigo e eu digo que sim.
- E j� ganh�mos, querido. - N�o.
Na maioria das breves rela��es que tive,
tinha de haver algo mais do que "o calor do momento".
Vamos dar in�cio �s perguntas.
A primeira pergunta � para a minha primeira amiga.
Qual � a tua cor de olhos?
Tenho olhos verdes.
- Verdes? - Sim, espero que gostes.
Sim, gosto muito.
�s vezes, gabava-se das suas conquistas,
mas era sempre...
Muitas mulheres gostavam dele. E at� mulheres mais velhas.
Ele n�o andava atr�s delas.
Se gostasse de algu�m em especial, talvez fosse atr�s dela,
mas lembro-me que as mulheres entravam sorrateiramente no quarto dele.
Entravam no quarto e escondiam-se no arm�rio.
Dispostas a fazer o que ele quisesse.
Eu n�o estava por perto, mas ficava de olho neles.
Certo? N�o podia permitir...
... que o Tino tivesse uma rela��o amorosa com uma m�e na casa dos Parch�s.
Al�m de ser o fim do neg�cio,
�amos todos presos.
Nos momentos mais prop�cios, alugavam um chal�.
No M�xico, na zona de Pedregal,
havia tr�s senhoras que cuidavam de n�s.
Do ponto de vista operacional,
para os adultos e os mais velhos, n�o seria t�o pr�tico,
mas, para n�s, era mais confort�vel.
Um dia, disseram que nos mostrariam a casa,
fomos v�-la, a casa era enorme
e, a certo momento, perguntei pelo meu quarto.
Responderam-me que n�o havia quarto para mim.
Estavam a separar-me do meu dever, da minha responsabilidade.
Acho que havia uma luta pelo poder
entre o empres�rio, que, na altura, era o Berlanga,
a discogr�fica e o seu representante, e os pais.
Acho que o Berlanga arriscou,
porque viu que os Parch�s tinham futuro.
Acho que t�nhamos futuro e ger�mos muito dinheiro.
Continu�mos as nossas atividades, o nosso trabalho, os espet�culos e assim,
mas havia cada vez mais atrasos nos pagamentos.
Eu devo ter sido a aventura mais divertida.
Mas n�o fui...
O maior lucro veio dos filmes. Eu n�o era o Berm�dez de Castro,
eu n�o realizava filmes.
Tamb�m n�o tinha nada a ver com os discos.
Est�vamos no camarim
e perguntei quando iria receber.
Ele dizia que n�o podia ou que pagava depois ou o que fosse,
foi ent�o que fiquei s�rio.
Disse: "Se eu n�o receber, os mi�dos n�o cantam hoje."
Houve uma agita��o e o mi�dos sa�ram para atuar,
entre outras coisas, porque eles, a banda e a equipa
disseram que atuariam
e a minha autoridade n�o significava nada.
Voltei para o hotel
e disseram-me que andava algu�m � minha procura.
Sugeriram que seria melhor sair do hotel.
Aconteceu algo estranho, n�o sabia muito bem,
mas foi uma situa��o tensa,
ningu�m sabia o que se passava, � noite... n�o sei.
Ele estava num hotel chamado Presidente Chapultepec
e pediu-me que fosse buscar a bolsa dele,
porque tinha medo que algu�m o fosse matar.
Ligaram-me
da Discos Belter e disseram-me para voltar a Barcelona.
Expliquei o que tinha acontecido
e depois...
... disseram-me...
... que eu n�o tinha sido honesto, digamos, com as crian�as.
Que as tinha enganado e isto e aquilo,
e que era melhor demitir-me.
E...
E o Janer desapareceu.
Eu nem sei quem roubava a quem...
... com que frequ�ncia nem de que forma, mas �...
Parecia quase... um pesadelo,
porque n�o sabemos quem s�o os bons e os maus da fita.
J� sabemos que o dinheiro vai para aquele investidor corrupto.
O pior � que ele ficou com tudo o que fizemos no programa.
Sim, ganharam muito dinheiro, uma digress�o aqui, outra ali...
M�E DO FRANK PAI DO FRANK
E vieram os gastos: hot�is, viagens, pessoal...
... a parte da Belter, do empres�rio, do outro tipo.
Criou-se uma esp�cie de miniempresa.
Uma miniempresa em que a Belter...
DISCO DE PLATINA
... indevidamente, do meu ponto de vista,
tamb�m se torna empres�ria da banda, como � �bvio com o consentimento dos pais.
Uma sociedade com os pais que, se bem me lembro, era de 70-30.
E sim, os Parch�s faziam dez mil d�lares por atua��o,
mas quando o peso desvalorizou, faziam 2500 d�lares por espet�culo.
Numa digress�o em que...
No final da digress�o, ganh�vamos 200 mil d�lares
e desses 200 mil d�lares,
140 mil iam para a Discos Belter
e 60 mil eram divididos por cinco fam�lias,
s�o apenas 12 mil d�lares por fam�lia.
N�o �s o David Bowie,
nem o Eric Clapton, nem os Rolling Stones.
Mas o idiota que os levava ao M�xico num jato privado,
claro, processem-no por danos psicol�gicos.
A culpa � minha.
A primeira vez que nos pagaram uma comiss�o pelos discos
foram 100 mil pesetas por cada crian�a.
Acho que a discogr�fica que tinha os direitos,
digamos, a Musart, no M�xico, a Discos Am�rica, no Peru,
dizia � Disco Belter que tinham vendido 100 mil
e tinham vendido um milh�o de c�pias.
Do estrangeiro, n�o recebemos nada.
Diz�amos sempre: "Ent�o, e isto..."
E eles diziam que faltavam dados daqui e dali,
que tinham de acertar tudo, fazer isto e aquilo...
E nunca nos pagaram nada pelos discos.
Da perspetiva deles,
� de pensar: "Com os sacrif�cios que fiz,
arruinei a minha inf�ncia",
porque n�o tiveram inf�ncia.
"Com tanto trabalho e os sacrif�cios que fiz,
s� ganhei isto?
Fui enganado, fui roubado."
O Frank perguntou-me: "Alguma vez fizeste um contrato,
estipulado para 2000 d�lares,
em que recebeste 3000, mas obrigaste-os a escrever 2000?"
Nunca.
Nunca.
Refiro-me aos famosos 600 milh�es de pesetas
que, quando o Ignacio Janer foi expulso da discogr�fica,
eu pensei ou ouvi falar ou imaginei
que ele teria roubado.
Acho que foi uma armadilha da ger�ncia, ou n�o sei de quem,
mas o dinheiro, assim que entrava, desaparecia.
Eu s� sei que geraram muito dinheiro.
Muito dinheiro.
E esse dinheiro foi parar a algum lado.
N�o penso que foi algu�m em particular, foi um conjunto de pessoas,
um conjunto de coisas destas,
mas vivemos num mundo em que isto acontece muitas vezes.
Isto �...
Acho que realizei 12 filmes e n�o sei quanto custaram.
Acho que, para as fam�lias, chegou a um ponto
em que os seus filhos podiam fazer muito dinheiro
e nunca consideraram se seria demasiada press�o para eles,
se passar tantos meses longe de casa e da fam�lia lhes faria mal.
Mas a culpa foi deles.
Mais nada.
Depois, claro, uma discogr�fica m�, homens perversos, uns exploradores,
mas s�o vossos filhos.
N�o h� desculpas.
N�s tamb�m... Foi uma surpresa,
de repente, o nosso filho � escolhido por uma banda famosa,
claro, n�o pens�mos no dinheiro.
N�o �amos discutir.
Para correr bem, ele devia ter pedido um tempo
para ver como estava tudo, ver as contas...
Nem ele nem os outros se preocuparam.
- Trabalhava muito. - Ningu�m.
E, ent�o, o �ltimo conflito
surgiu quando... Fizeram uma oferta aos mi�dos.
Apareceu um contrato da Disneyl�ndia,
dos jogos de tabuleiro Parker e Atari.
Apareceram com uma proposta.
Queriam pegar nos Parch�s e...
... dar-lhes um toque mais ianque.
E realizar�amos o sonho latino, n�o �?
Os mi�dos latinos que tiveram sucesso
atuar�o na Disneyl�ndia ou Disney World ou o que fosse.
Entusiasmaram-nos com o projeto.
Era...
O melhor ainda est� para vir.
Um mundo bonito
Que pudeste construir
O projeto da Disney tinha um problema:
as crian�as tinham de morar nos Estados Unidos durante um ano,
sem ganhar.
E teriam professores de ingl�s, canto e dan�a
para se profissionalizarem.
Quantos sonhos
Deixaste fugir
Os meus pais falaram com o Joaqu�n,
pois, n�o s� os Parch�s, como tamb�m as fam�lias,
sobretudo na altura,
recorriam ao Joaqu�n para ver se poderia ser uma coisa boa.
E, face � situa��o, devido ao que surgiu no futuro,
e como os pais n�o iam desistir
da carreira dos filhos,
parecia uma op��o muito boa.
Viver com alegria
Os mi�dos tamb�m estavam mais ou menos de acordo.
Mas a discogr�fica n�o estava envolvida, ficava a perder.
Tudo � poss�vel Aqui no Disney World
Eu e o Rudy Ventura fomos ao M�xico, fal�mos com eles,
explicaram-nos o contrato, todas as condi��es...
Uma das condi��es, segundo o Jorge,
� que t�nhamos de ir os cinco,
porque se n�o f�ssemos, n�o manter�amos o nome.
A Belter n�o iria querer, obviamente.
Foi tudo feito em segredo.
Nem todos os pais concordaram.
Por exemplo, surgiram d�vidas legais.
"Podemos rescindir o contrato da discogr�fica?"
Por exemplo.
Aconteceu tudo muito r�pido e algu�m deu com a l�ngua nos dentes.
Voltei para Espanha para me reunir com as fam�lias,
que eram muito dignas e graciosas,
e quatro fam�lias aceitaram o projeto da Disney,
mas uma n�o.
E, quando volt�mos a Espanha, tivemos uma grande surpresa,
a Belter tinha roubado o Tino.
Tinha havido um compl�,
algo que ia contra algu�m, que, para melhor ou pior,
tinha estado connosco quatro ou cinco anos
e era a nossa �nica refer�ncia v�lida,
porque aquilo que conquist�mos, conquist�mos com eles,
com a Belter.
Ent�o, quando volt�mos, fal�mos com o pai do Tino:
"Como pode ser? Sabes o que fizeste?
Destru�ste o sucesso
e tudo o que os Parch�s conquistaram,
destru�ste tudo com isto."
Cheg�mos a um ponto em que eu tinha 16 anos
e come�ava a sentir-me um pouco oprimido,
no macac�o vermelho dos Parch�s.
E queria exprimir coisas na m�sica
que n�o fosse o comboio vermelho a caminho da casinha no Canad�.
E quando o Tino saiu,
se o problema financeiro j� era mau,
devido � situa��o dos Parch�s no M�xico,
foi o fim da banda na Am�rica Latina.
A banda tinha um ciclo de vida. N�o se sabia se era de dois ou de 20 anos.
Mas todas as bandas o t�m.
Acho que nos fizeram a proposta quando j� est�vamos em decad�ncia.
N�o sei se seria uma queda da qual nos levantar�amos
ou se ir�amos mesmo afundar.
No �ltimo filme, Parch�s Em A��o,
n�o fal�vamos com o Tino,
porque ach�vamos que nos tinha tra�do.
Ele deixou-nos...
... plantados.
"Corta!" N�s �amos para o nosso lado e o Tino ia para o outro.
E durante esses meses de filmagem, t�nhamos vidas completamente separadas.
E eu sei, porque se eu estivesse vestido de azul ou de dado,
ficaria completamente irritado com todos e sentir-me-ia mal.
E provavelmente guardaria rancor at� agora, n�o sei.
Mas, na altura, ficaria irritado, com certeza.
Mas o que me aconteceu? Cresci primeiro do que eles.
Esta � a noite espetacular do...
... Tino!
H� muitas quest�es para ficarmos a conhecer este cantor.
H� muitas quest�es para conhecer este �dolo da juventude da Am�rica Latina.
Com coragem, fala comigo
O primeiro disco correu bem.
Havia muita gente no p�blico que, como eu, tinha crescido
e o primeiro disco chegou a ouro no M�xico e na Argentina.
N�o tenhas medo Deixa-me amar-te
Deixa-me abra�ar-te Deixa-me sentir-te
A minha carreira de quatro ou cinco anos
foi na companhia deles e, de repente,
lembro-me perfeitamente da primeira sensa��o num est�dio de TV.
Olhava para os lados e, caramba, aquilo assustou-me, porque...
... n�o estavam l�.
Consideras-te um s�mbolo sexual? Tu, o Luis Miguel e os Menudo.
Pessoalmente, n�o me considero um s�mbolo sexual.
A quest�o �... n�o sei,
se quiserem que venha c� cantar, eu venho cantar.
E se quiserem que continue a trabalhar, eu continuo,
n�o como um s�mbolo sexual,
mas como um amigo que vos adora, s� isso.
Que lindo. N�o � divino?
Acho que nenhum deles beneficiou.
E para ambos, apesar de os Parch�s terem continuado
a gravar discos com o Chus,
perdeu-se aquela magia.
Mas o Chus tamb�m esteve bem.
Quero que chegue a domingo Tu tamb�m esperas com emo��o
O Chus era muito v�lido a n�vel musical,
a n�vel da dan�a,
mas acho que ele se sentiu um pouco...
N�o aceitou bem.
Vamos tomar uma bebida Bem feita com gelo e gin
Eles queriam fazer algo mais juvenil,
as can��es eram diferentes,
falavam sobre a adolesc�ncia, namoros...
Mas n�o era a mesma coisa.
Vamos partilhar um cigarro
Toda a produ��o, toda a aten��o foi para o �lbum a solo do Tino.
E n�s pens�vamos: "Pronto, � at� isto acabar."
Tirem as m�scaras, vamos come�ar o ensaio.
- Um osso! - Esque�am os ossos!
Vamos come�ar o ensaio.
Quando vi que as coisas... Eu vi uma queda.
Quero ver-vos a sorrir e passos fortes, est� bem?
� s� um ensaio.
Passos fortes, sorrisos.
Como se estivessem perante dez mil pessoas.
- Cale-se! - N�o...
Como se estivessem perante dez mil pessoas.
Eles tamb�m estavam rabugentos porque:
"J� n�o vamos aqui ou ali" ou "J� n�o fazemos o que faz�amos"
ou "Antes, abrias o frigor�fico e havia isto ou aquilo e agora n�o h�".
E eles come�aram a ver, e as pessoas a comentar,
que a discogr�fica, a Belter, n�o estava bem,
acho que faliu pouco depois.
DISCOS BELTER N�O PAGA
Quando faliu...
Eu digo sempre que foi uma fal�ncia fraudulenta,
apesar de terem feito parecer uma suspens�o de pagamentos.
Foi uma fal�ncia em que metade da administra��o devia ter ido presa.
Acho dif�cil de justificar: uma empresa com 20 e muitos anos de hist�ria,
obt�m o seu maior lucro quatro anos antes de falir
e, quatro anos mais tarde, fecha por n�o haver dinheiro.
Para onde foi o dinheiro?
Eu pago-te o jantar
Eu quero conversar Eu pago-te o jantar
Isso coincidiu, depois do segundo,
com o fecho da Belter, iam falir,
devido aos seus esquemas inteligentes.
Al�m disso, fiz 18 anos e tinha de ir para a tropa.
Tive de fazer servi�o militar, como qualquer mi�do, um ano,
em Sarago�a.
Foi o que interrompeu o que podia ser uma carreira musical a solo.
O primeiro disco correu bem, o segundo aguentou-se
e o terceiro foi um fracasso total, sem d�vida.
Chegou uma altura em que tinha de escolher entre estudar e cantar.
Ent�o, escolhi estudar.
E lembro-me que em vez de ser o diretor da gravadora a perguntar:
"Tens a certeza?",
foi um dos meus pais.
Percebem? Eles...
Isto mostra quem estava na outra ponta da mesa.
�s vezes, n�o...
�s vezes, �ramos n�s que est�vamos l�.
Mas podia ter continuado.
Eu acho que podia.
Com inten��o, apoio e... Pod�amos ter continuado tranquilamente.
Mas, quando o David saiu, j� eram demasiadas altera��es.
Pod�amos continuar com o Chus,
mas sem o David...
O Michel... Acho que n�o foi uma boa escolha.
O Michel n�o combinava nada.
- Porqu�? - Porque ele era como
o Poupas da Rua S�samo.
Ele era um metro mais alto do que n�s.
Mas, finalmente, aos 15 anos, cansei-me,
queria ser uma pessoa an�nima,
queria voltar � normalidade e aquele ritmo de vida...
J� n�o gostava daquilo.
A discogr�fica fechou. Acho que est�vamos no M�xico, talvez,
e quando volt�mos, a discogr�fica tinha falido e n�s... Pronto.
Cheg�mos...
... e...
... fomos para casa.
Acabou ali.
Eu sabia que a Yolanda, como o pai dela era artista,
seguiria a carreira de artista,
mas os outros, acho que sabiam que aquilo n�o ia durar muito
e que seguiriam as suas vidas.
Na fase final dos Parch�s, tinha feito
audi��es para uma s�rie chamada Platos Rotos,
escrita por Joaqu�n Oristrell, o meu primo,
e tinham-me dado o papel de Mariel.
Mariel, entre o pai e a m�e, ou seja, a espada e a parede.
Nunca vou casar, aguentar sempre o mesmo homem � chato,
� como ter apenas um canal.
Acho que tamb�m foi...
... uma forma de fugir dos conflitos que havia.
Os meus pais tinham-se separado, o fim dos Parch�s...
E acho que, nesses momentos,
n�o percebia, mas n�o me enquadrava muito bem.
Nem em Espanha, nem na minha fam�lia, nem...
Nem em lado nenhum.
Estivemos distantes uns anos.
Estava longe da Gemma, da Yolanda, n�o falava com o Tino,
mas o Frank estava sempre l�. O Frank � como um irm�o para mim.
A t�tulo pessoal,
tive as minhas aventuras com um mau estilo de vida,
tive dificuldades em seguir em frente,
porque sa�mos dali marcados.
Apesar do fim da banda,
aos 17 anos ou aos 16 anos, onde quer que fosse,
dava muito nas vistas, sobretudo eu.
E, no fundo, quando deixas de ser algu�m,
ainda por cima naquela idade, eu ainda era a mi�da dos Parch�s.
No bairro, fui sempre "a dos Parch�s".
Todos os vizinhos, na escola...
No fundo, ficamos com uma sensa��o
de t�rmino. Cerca de um ano depois, faltava algo na minha vida.
Isso provoca um pequeno problema.
E quem negar que venha falar comigo.
Provoca um pequeno problema, alguma falta de confian�a, autoestima.
Ent�o, cheguei ao M�xico e n�o havia trabalho,
no in�cio, n�o havia nada.
Estar longe de casa sem a banda,
a viver num pa�s que tinha sido t�o importante...
N�o � f�cil perceber
que estamos numa fase de depress�o. Que estamos tristes.
Acontece a todos,
porque est�o num processo de luto, porque aconteceu isto e aquilo,
e porque � muito dif�cil
sobreviver com integridade depois de fazer parte de uma banda como esta.
Porque a banda era tudo.
Depois de pesar tudo, pensamos: "O qu�?"
Classificados, ofertas de emprego... � o que resta.
Foi o fim de uma banda a n�vel pessoal
e, al�m do mais, acho que o sentimento de raiva durou anos.
Distanci�mo-nos do Tino e n�o tivemos not�cias dele durante anos,
at�...
Devido ao acidente, reconcili�mo-nos com ele.
Tudo o que vou contar, n�o � porque me lembro,
porque, al�m da amputa��o, tive um traumatismo cranioencef�lico grave.
S�o as declara��es do tipo com quem tive o acidente.
O senhor disse � Guarda Civil
que viajava no sentido oposto a mim,
atr�s de um tipo que ia a brincar.
Ent�o, o tipo da frente fez a manobra dele,
eu vinha e ele j� me via
e, em vez de parar, ele acelera,
no momento que eu ia a passar, ent�o, para n�o lhe bater,
invadi a outra via, ele chega e batemos de frente.
Devido � colis�o frontal, o cap� entrou pelo carro
e, por instinto, pus o bra�o assim
e foi como uma guilhotina, foi o que levou.
Mas podia ter-me decapitado.
Quando o Tino teve o acidente, ainda estava chateado com ele,
na �poca, n�o quis saber.
E estava errado, porque � uma pessoa de quem gosto,
por isso, agi mal.
E isso mudou muito a minha vida, claro.
Principalmente, porque ao sermos confrontados com algo assim,
percebemos o que realmente importa.
E que as coisas que servem apenas para preencher
vazios ef�meros ou satisfa��es ef�meras
s�o absurdas.
E realmente...
E, agora, eu acho o Tino uma pessoa fant�stica.
Eu admiro quem n�o se vitimiza,
apesar de terem vivido coisas de que se podem vitimizar.
Admiro mesmo... Admiro-o muito.
A forma como... O homem que se tornou.
N�s cheg�mos ao ponto em que somos irm�os.
Podemos dizer quase tudo. Desde que mais ningu�m o diga.
Posso insultar o Tino e ele a mim.
Meia-hora depois, j� passou.
H� algumas correntes que nunca mais se quebram.
E n�o importa se nos insultamos ou nos tra�mos uns aos outros,
partilh�mos experi�ncias que nos tornaram uma fam�lia.
Para bem e para mal.
Posso dizer que, depois disto, eu j� fui escritor, realizador,
vice-presidente da Academia, presidente do conselho...
J� tive muitas vidas, tenho dois filhos adotados,
tive in�meras aventuras complicadas,
mas � muito poss�vel que a fase mais excitante da minha vida
tenha sido com os Parch�s.
� justo dizer que chegamos a um ponto em que pensamos: "Tenho 50 anos,
gostei de fazer parte dos Parch�s, mas � passado."
�s vezes, preferia n�o ter feito parte dos Parch�s,
n�o ter sido t�o conhecido ou t�o famoso.
Mas fa�amos o que fizermos, aquele grau de sucesso ou popularidade
� quase imposs�vel de voltar a alcan�ar.
Ao longo dos anos, a situa��o mudou
e �... Acho que estou grato
por ter feito parte dos Parch�s, por ter feito parte de...
Sei que soa piroso,
mas por ter feito parte da inf�ncia de milh�es de pessoas.
Quem pode dizer que teve dez mil pessoas a cantar consigo?
Quem pode dizer?
Quem pode dizer que usavam camisolas com o seu rosto ou...?
Somos sortudos, porque, no final de contas,
acho que a vida s�o experi�ncias.
E a nossa foi fant�stica.
Porque eles t�m de estar conscientes do que fizeram
e do que foi.
Devem ter mem�rias com muitas lacunas, porque eu tamb�m tenho,
mas nunca contaria isto,
se n�o acreditasse que tinha acabado bem.
Para todos.
N�o houve nenhuma trag�dia, n�o houve ressentimentos,
n�o houve destrui��o.
Houve sofrimento, supera��o de todo o tipo de coisas,
porque, no final de contas, o que isto vem mostrar
� que estas pessoas foram...
Eles foram campe�es na sua �rea,
n�o s� por fazer o que fizeram, n�o s� por serem os Parch�s,
mas por sobreviverem aos Parch�s.
- Posso come�ar? - Sim.
Para mim, o mais importante foi poder viajar.
Para um mi�do de 12 anos, entrar num avi�o,
e o que v�s torna-se o teu manual...
Quem viaja durante cinco anos?
- Seis? - N�o sei.
- Sem parar? - Sem parar.
Quando pensamos nas casas cheias onde atu�mos
e faz�amo-lo sem qualquer vergonha.
- Consci�ncia. - Hoje, n�o conseguiria
estar ali dois minutos. - Estar ali.
Eu andei numa escola da vida muito diferente da escola
dos outros. E cheguei a conclus�es...
... muito intensas.
Quando sa� da banda, aos 16 ou 17 anos, e ia � discoteca com o Frank,
�ramos reconhecidos,
as raparigas ficavam todas a olhar. Era muito f�cil namoriscar.
Mas elas namoriscavam com uma celebridade, n�o com uma pessoa real.
- Pois. - Quando se apercebiam da pessoa,
ficavam desiludidas, n�o era a imagem que tinham.
Durante um tempo,
tinha uma inseguran�a, achava que n�o me conseguia abrir,
emocionalmente, de certas formas, porque n�o me viam
como sou, mas como imaginavam. - Pois, claro.
H� um estigma estranho, que se foste...
N�o � um prod�gio, mas uma crian�a famosa,
em adulto, n�o tens talento.
Eu aceito que demorou muitos anos
para me ligarem pelo meu trabalho e n�o por ter feito parte dos Parch�s.
- Adoro ver as rea��es... - Completamente.
... quando se apercebem. Devia ser filmado.
H� oito anos, quando me mudei para Nova Iorque,
achei que n�o me reconheceriam.
Obviamente. Comecei a trabalhar e, de repente, uma rapariga
estava a ver uma foto dos Parch�s no computador.
Ela reconheceu-me e toda a gente da empresa de Nova Iorque
enlouqueceu, tipo...
O que disseram?
"�s uma celebridade".
- "�s t�o famoso. Como?" - "Uma celebridade pequena".
E, de repente, disseram: "J� atuaste no Madison Square Garden!"
Legendas: Daniela Senra Gomes
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