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Anteriormente...
�s genial, Maya. Vem c�.
Tens filhos, mulheres que amas.
H� coisas mais importantes do que a arte.
N�o para mim.
Pablo?
Deve ser a Marie-Th�r�se.
A m�e da filha dele, a mulher com quem vai casar.
Talvez deva visitar a esposa dele,
para a informar
dessa esperan�a.
Pablo Picasso, apresento-lhe Henri Matisse.
Quarenta anos depois
e o grande Henri Matisse ainda me tenta superar.
Enquanto artistas, devemos exigir nada menos
do que a subvers�o perp�tua e imoral da ordem estabelecida.
Espero que ela te fa�a feliz.
Tu vais casar e tu vais ter uma fam�lia,
mas n�o comigo.
Vou partir para a guerra e esperava que pintasse o meu retrato.
A mulher que amo est� a morrer.
Pensa que quero pintar o seu retrato?
Se calhar, devia ser soldado.
Ent�o, ser�s general. Se fores um padre,
ser�s Papa.
Eu tive uma vis�o. Vi Jesus.
Disse para te afastares do Picasso.
P�ra!
Senti muito a tua falta.
S� te quero a ti, Fran�oise.
Vamos fazer um beb�.
Tu � que quiseste filhos, Pablo,
mas n�o aceitei abdicar do meu trabalho
para cuidar de ti.
Legendas: National Geographic
Transcri��o: fininhos
Sincroniza��o: Italiansubs
S02.E08 "Picasso: Chapter Eight"
Monsieur Picasso.
Jean Cocteau.
Pedi-lhe para pintar o meu retrato, mas num momento p�ssimo.
Ou�a, sei que gosta de pintar arlequins.
Por isso,
pensei...
Bom...
O Cocteau pediu-me para planear um bailado.
Cen�rio, figurino, tudo.
Sabes muito sobre bailado?
N�o, mas � isso mesmo que me atrai.
Posso trabalhar num meio novo. E n�o o faria sozinho.
O Cocteau escreve o cen�rio. Ele � brilhante.
O Satie � o compositor. Ser� a companhia do Diaghilev.
N�o gostas de partilhar a ribalta, Pablo.
N�o trabalhei anos com o Braque?
Ele recuperou a vis�o.
Faz as pazes com ele e fa�am arte.
O Braque n�o quer saber de mim.
Mesmo que quisesse, o cubismo aborrece-me.
� muito f�cil para mim.
J� n�o me d� satisfa��o.
Preferes coser tutus e pintar panos de fundo?
� mais do que isso, Rosi.
Imagina...
Em vez de mostrar v�rias perspectivas numa superf�cie plana,
posso fazer um quadro que se move, respira,
que se torna outro quadro.
Esperto,
mas, para que venda,
s� precisa de um comprador perspicaz.
Para que um bailado vingue, deve ser admirado pelo p�blico.
Podem n�o compreender o que tentas fazer.
Nunca compreendem,
n�o no in�cio.
Esta guerra vai acabar em breve, Pablo.
As pessoas v�o come�ar a comprar de novo.
Se passares os pr�ximos meses a criar um invent�rio,
podemos ganhar muito.
Invent�rio?
N�o trabalho numa f�brica.
Claro que n�o. � uma express�o...
E n�o preciso de dinheiro.
Preciso...
... de um desafio novo.
Um, dois, tr�s, quatro,
cinco, seis, sete, oito.
Ainda me debato com a forma e o movimento,
mas vou ouvir melhor a m�sica,
testar materiais e ver ensaios.
� assim.
Parece um homem que usa um edif�cio.
Exacto. O Picasso quer derrubar os muros entre...
... cen�rio e figurino, entre o palco e os bastidores.
Entre a raz�o e a loucura?
Bom, vai abalar o estado das coisas.
Olga Khokhlova.
Tem bom olho, como a sua reputa��o sugere, Monsieur Picasso.
Ela � t�o elegante.
Sim, tenho grandes esperan�as para ela.
Bom,
quero ver o que cria a seguir.
... cinco, seis, sete, oito.
Pablo,
n�o percas tempo.
Porque n�o?
Aristocracia russa.
Ela procura um duque ou um visconde,
n�o um pintor espanhol controverso.
E um, dois, tr�s, quatro,
cinco, seis, sete, oito.
Tem linhas melhores do que a bailarina principal.
N�o deixe que ela o ou�a.
Porque n�o? � verdade.
Os contra-regras que criticam bailarinas acabam a pintar cen�rios
no burlesco de N�poles. - Gosto do burlesco.
Deve ter de trabalhar neste fiasco abstracto.
- N�o gosta dos desenhos? - Nada. Se me der licen�a...
Mademoiselle Khokhlova, vejo que conheceu o criador,
o grande Pablo Picasso.
Monsieur Picasso foi modesto para mencionar isso.
Pablo Picasso n�o � nada modesto.
Pablo, vem comigo. Quero convencer o Satie
a incluir uma m�quina de escrever e pistola.
O Satie tem de esperar.
Prometi acompanhar a Mademoiselle Khokhlova ao hotel.
Tive de ser medida para o meu figurino.
Ao que parece, tenciona vestir-me com cart�o.
N�o est� cansada de tutus cor-de-rosa?
Prefiro arte cl�ssica
a caixinhas.
Ent�o, conhece o cubismo.
Conhe�o.
E tamb�m sei o canc�,
mas eu dan�o no bailado.
Quero pint�-la.
As parisienses devem considerar a oferta irresist�vel.
Normalmente.
Obrigada por me acompanhar
e boa noite.
N�o me vai facilitar a vida, pois n�o?
N�o, Monsieur Picasso,
n�o vou.
Pensei que te tinhas esquecido de mim.
Tolice. Nunca faltaria a um dos nossos almo�os.
Sim,
suponho que devo estar grata.
D�s-me toda a tua aten��o, uma hora por semana.
Olga, por favor.
Vamos aproveitar, sim?
Vi-te na horr�vel revista "Life",
com ela. - Desculpa.
N�o tenho culpa que a imprensa insista em publicar estas hist�rias.
Primeiro, a rapariga parva e a fot�grafa louca, e agora...
... deixas-me a apodrecer num hotel sujo.
� o melhor hotel de Paris.
Enquanto o mundo te v� com a amante mais recente e os...
... dois diabretes.
Os meus filhos.
E o nosso filho?
Quando � que o viste?
Vejo o Paulo quando posso.
� adulto e n�o quer estar comigo.
Sim, tem mulher e um filho.
Tamb�m somos a tua fam�lia, Pablo.
Claro que s�o.
Olga...
Por favor, n�o chores.
Por favor, n�o chores.
N�o chores, por favor.
Ainda �s a minha mulher.
A �nica Madame Picasso.
Nada mudar� isso.
Mas as coisas n�o voltar�o a ser como eram.
Pois n�o?
Prostituta!
Claude...
Vem. Vamos para casa.
Afaste-se dele!
Ouviu?
Ele � meu marido, n�o seu!
Pablo?
A Olga seguiu-me de novo.
Gritou e assustou as crian�as.
Desculpa.
Sabes que ela n�o est� bem.
N�o sei porque lhes d�s corda.
Bom,
fazem parte da minha vida.
N�o as posso p�r de lado.
Por isso, andas entre elas. D�s o suficiente a cada uma,
para que se sinta a mais importante.
Tento mant�-las separadas,
para que seja mais f�cil.
- Para evitar confus�es. - N�o h� nada f�cil nesta situa��o.
A Olga parece estar muito confusa
e eu n�o aguento mais, n�o com dois pequenos.
Sa�mos da cidade,
vamos para a praia, para longe da Olga.
Quantas bailarinas posaram para si?
Quer a verdade?
Claro que sim.
J� ningu�m posa para mim.
Porque s� faz obras abstractas.
Desenho de mem�ria.
Assim que vi a curva do seu pesco�o,
a cor das suas ma��s...
... do rosto, ficou-me gravada na mente.
Ent�o, porque estou aqui, com dores nas costas?
Aceitaria estar comigo, se n�o fosse assim?
Afinal, sempre desenha mais do que cubos.
Receio que tenha...
... confundido o meu elogio com um convite.
Se quiser que v� embora,
diga.
N�o.
N�o te posso deixar entrar.
Porque n�o?
N�o somos casados.
N�o � a mulher dele!
Seguiu-nos at� aqui?
Esta era a nossa praia.
N�o...
Pensavam que n�o descobria? Tenho amigos aqui.
Eu sou a �nica Madame Picasso!
Olga!
Olga!
O que � que fazes aqui?
Tenho mais direito do que ela.
Anda, vem.
- Fran�oise, aonde vais? - Claude!
Por favor, Olga, vai.
Vai, por favor. Por favor.
Sim, vai.
DECORA��O DE FIGURINOS PABLO PICASSO
PARIS, 1917 NOITE DE ESTREIA DE "PARADE"
S�o soldados.
Queriam decotes e pernas � mostra.
N�s damos-lhes homens dentro de caixas.
Meus irm�os!
O respeito pela nossa arte � respeito pelo nosso pa�s.
Irm�os, por favor.
Nunca me senti t�o humilhada.
Ouviste-os?
A arte deve provocar.
- Fizemo-los sentir algo. - Sim, avers�o.
Quando pintei "Les Demoiselles", h� dez anos, todos odiaram.
- Agora, todos me imitam. - O meu corpo n�o � uma tela.
N�o dura dez anos.
Agora, tornaste-me um fantoche, para mostrar a tua arte.
Compreendo a vergonha dela,
mas perceber� que fez parte de um movimento novo.
Sim. O que lhe chamaste, Guillaume?
- Surrealismo. - Surrealismo!
Que palavra maravilhosa.
Obrigado por calares a plateia.
Era o m�nimo a fazer.
N�o te preocupes com a Olga.
N�s vamos anim�-la. Organizamos uma festa.
O Diaghilev vai dar um jantar para a companhia,
com a marquesa.
A Olga diz que � importante ir.
Sim, claro.
N�o deves desiludir a marquesa.
Jantar para a semana.
Quero conhecer quem te roubou o cora��o.
A Olga tamb�m vos quer conhecer, mas partem para Madrid na segunda.
Jantamos os tr�s,
no Lapin Agile, como nos velhos tempos.
Eu vou com ela.
Bom, ela deixou-te mesmo enfeiti�ado.
Eu nunca conheci uma mulher assim.
� sofisticada e elegante.
Dif�cil.
Pura. Guardou-se para o casamento. Imaginam isso?
- Ent�o, tu vais... - Se ela aceitar,
sim.
Quero que seja a m�e dos meus filhos.
Paulo, no que estavas a pensar?
Havia u�sque, pai.
Levaram umas mulheres para o quarto e a Pol�cia apareceu.
Tens 28 anos, por amor de Deus.
Como podes estar b�bedo em p�blico com mulher e um filho em casa?
O pai vai dar-me um serm�o sobre ser um marido fiel?
Devia ter-te deixado na cadeia.
Sabe que mais, pai?
Vou facilitar-lhe a vida.
Pode esquecer-me.
E esque�a a m�e tamb�m.
Espere...
J� nos esqueceu.
Ele precisa de ti.
Que mais posso fazer?
J� pago pela vida dele.
O teu dinheiro cuida dele, mas ele n�o se sente amado.
Quero que o Claude e a Paloma conhe�am o resto da fam�lia.
Sim, claro.
Vamos dar uma festa grande. Convidamos todos. A Olga tamb�m.
A Olga n�o, mas...
A Marie-Th�r�se e a Maya deviam vir.
Est�s a brincar.
A Maya n�o sabe de ti ou das crian�as.
Preferes que descubra numa revista?
- Direita, Maya. - Desculpa, mam�.
N�o faz mal.
� um disparate.
Maya, queres pegar na tua irm�?
- Meia-irm�, e eu n�o... - Que ideia maravilhosa.
As minhas duas beldades, juntas.
Paloma, esta � a Maya.
� t�o pequenina!
O Pablito � maior, n�o �, Emilienne?
�, e o Pablito � tr�s semanas mais novo.
Ent�o, o Pablito � meu...
... sobrinho?
Sim, ele �...
... � filho do teu irm�o Paulo.
E o Claude...
Tamb�m � meu irm�o?
Meio-irm�o.
Sim, da fam�lia nova do teu pai.
A que te substituiu, depois de me substitu�res.
Entrega a beb�, Maya.
Este � o meu paso doble favorito.
Vem c�, vem c�.
A sua Maya � maravilhosa.
Educou-a muit�ssimo bem.
E os seus beb�s s�o maravilhosos,
mas nunca me substituir�, Fran�oise.
N�o tento, Marie-Th�r�se. Isto � pelas crian�as.
Adorei ter-te c�.
O que se passa?
Pensei que te tinhas divertido.
Brincaste com os beb�s,
dan��mos.
Eu diverti-me, pap�.
� que...
Sempre pensei que nos tinhas deixado por causa do trabalho,
n�o porque vivias com outra fam�lia.
Porque tonas tudo t�o dif�cil, Pablo?
Estes devem ser os anos f�ceis.
Diz isso � Fran�oise.
A minha vida era calma,
exactamente como eu queria.
Ela tornou-a ca�tica.
Aproveita os teus filhos e netos.
Aceita o caos.
Como posso trabalhar com tantas distrac��es?
N�o fazes uma retrospectiva?
Os curadores parecem abutres,
como se j� tivesse morrido,
mas ainda h� tanto para fazer, Henri.
Aquele americano, Jackson Pollock,
revirou o mundo da arte.
Tinta atirada contra a tela.
Abstrac��o sem qualquer sentido.
N�o posso dizer que compreendo, mas...
... ningu�m compreendia as minhas cores, no in�cio, ou...
... o cubismo, ou a colagem.
Talvez esse Pollock veja algo que n�s n�o vemos.
Ou n�o conseguimos.
Ainda somos a revolu��o.
Ele est� s� a segui-la.
Sim, mas Monet e Degas devem ter pensado o mesmo de n�s, n�o?
Nada nos pode tirar o que alcan��mos, Pablo.
Nada.
Mas n�s dev�amos
abra�ar a nova guarda,
n�o competir com ela.
Isso pode resultar para ti,
mas n�o para mim.
Eu ainda n�o morri.
Agora n�o, Pablo.
As crian�as v�m almo�ar.
S� prest�vel. O frango...
... est� quase pronto.
Frango?
Eu quero fazer amor e...
Tu mandas-me tratar do frango?
O mundo n�o segue o teu hor�rio.
Diz-me a verdade, Fran�oise.
Est�s sempre a inventar raz�es para ter gente c� em casa,
para n�o estares sozinha comigo.
J� n�o te interessas por mim, porque sou velho.
Tento tornar tudo melhor para todos.
Como � melhor?
Pensas que o Paulo me quer ver a brincar aos cowboys com o Claude,
quando se lembra que o enviei para um col�gio interno?
Pensas que a Maya me quer ver a acarinhar a Paloma?
A Maya adora a Paloma.
Eu vou para Paris.
- N�o podes ir para Paris. - Posso.
� muito dif�cil trabalhar com tantas distrac��es.
O que devo dizer a todos?
A Emilienne diz que o Pablo bebe menos.
Quer agradar-te. Tenta arranjar um emprego.
Contrata-o para te ajudar a catalogar o meu trabalho,
para a retrospectiva.
- Tinhas decidido n�o... - O Matisse convenceu-me.
� uma boa ideia recordar aos cr�ticos
que a minha obra ainda � a mais importante do mundo.
Ningu�m tem de recordar que �s brilhante, Pablo.
Pelo menos, fica para almo�ar.
Tu criaste esta confus�o.
Lida com ela. Sim.
Adeus.
PAL�CIO REAL DE MADRID, 1917
O Diaghilev traz o bailado russo para Madrid,
mas n�o v�o mostrar o "Parade".
Foi um esc�ndalo em Paris.
Talvez, mas Pablo Picasso � filho de Espanha.
O povo merece ver o trabalho dele.
Convoque o Ministro das Artes.
Sim, Vossa Majestade.
� um bailado, Vit�ria.
N�o pode ser muito ofensivo.
Todos os directores sonham actuar para o rei.
Se ele odiar,
v�o chamar-me tolo e uma fraude no meu pa�s.
Bom, esperemos que o rei goste de cavalos.
Picasso!
Picasso!
Est�o noivos? Maravilhoso.
E � t�o bonita.
- Obrigada, Madame Picasso. - Madame Picasso?
Disparate. Sou a M�e.
Descansa o tornozelo.
A Olga inflamou uma les�o antiga.
N�o ter� de se preocupar, agora.
Ter beb�s nos bra�os pode pesar nos tornozelos.
Daqui a uma ano, talvez eu seja av�.
Daqui a um ano, espero ser a bailarina principal da companhia.
- A Olga quer ter filhos? - Claro.
Mas ainda n�o quer abdicar da dan�a.
E porque tens de esperar?
Porque a amo?
Quando casamos, h� sacrif�cios,
mas n�o deves ser tu a faz�-los.
Mereces uma mulher que pense sempre primeiro em ti.
A Olga far� isso?
Um brinde ao Monsieur e � Madame Picasso!
- Sa�de. - Sa�de.
As minhas...
... profundas condol�ncias �s parisienses
que, sem d�vida, derramar�o muitas l�grimas, agora que o clube delas
perdeu o seu membro mais proeminente.
Bom, foi um dia longo.
E estranho.
O que ser� mais chocante do que o Pablo assentar
com uma mulher?
Por mais bonita que ela seja.
O Max quase disse que fizeste amor com todas as mulheres de Paris.
O Max estava embriagado.
Queria fazer-nos rir.
N�o lhe prestes aten��o.
Quero saber.
Com quantas mulheres dormiste?
Quantas mulheres?
D�zias?
Mais?
Eu guardei-me para ti.
Sim.
E eu esperei a minha vida toda...
... por ti.
Escolhi-te.
Dei-te o meu nome.
Tu �s a �nica
Madame Picasso.
- Monsieur Picasso est� em casa? - Quem o procura?
- Genevi�ve Laporte. - N�o me lembro dela.
Ao que parece, entrevistou-te
para o jornal da escola
e convidaste-a para te visitar quando estivesse em Paris.
Ent�o, � aluna?
J� n�o �.
Ela � fascinante.
Sabe quando ele o pintou?
N�o pintou, � meu. Pintei-o h� anos.
N�o sabia que era t�o talentosa.
O Kahnweiler pede-me obras novas,
mas eu n�o tenho tempo.
Quem � ela?
A minha av�.
N�o se tem sentido bem.
Eu devia visit�-la.
Porque n�o vai? Eu posso acabar sozinho.
Paulo,
eu agrade�o, mas... - � o m�nimo que posso fazer.
N�o nos devia esta gentileza,
mas aqui estamos.
A minha interfer�ncia afugentou o seu pai.
N�o foi por sua causa.
Ele faz o que quer,
sempre.
Fa�a o que quer.
Visite a sua av�.
E se ele chegar e eu n�o estiver c�?
N�o o vejo h� semanas.
- Estou preocupada, na verdade. - Ele ama-a, Fran�oise.
Eu sei que a ama.
Mas pensa que ele est� em Paris, preocupado consigo?
Deve atender?
O que quer que seja, pode esperar.
E quanto tempo pretende fazer-me esperar?
Como disse?
Meu Deus, pensei...
Quando me disse para voltar, pensei que era quando tivesse idade para...
Desculpe. Sou muito ing�nua.
Ao que parece, o ing�nuo sou eu.
� t�o jovem...
... e t�o bonita.
N�o me ocorreu que se interessasse por um velhote.
N�o me parece velho.
Rosi,
diz ol� a Coco Chanel.
Este � Paul Rosenberg, o meu negociante.
Muito prazer. A minha mulher � uma admiradora
das suas cria��es. - Monsieur Rosenberg,
a sua mulher n�o � barata, pois n�o?
� verdade. Por falar nisso, Pablo,
desde que a Margot viu o retrato da Olga, n�o desiste.
Ela insiste
que te pe�a para a pintares, tamb�m.
Sim, com o estilo cl�ssico, como pintou a Olga.
Rosi,
sabes muito bem que n�o aceito comiss�es.
Pago-te 35 mil.
- N�o preciso de dinheiro. - Tem a certeza?
A sua mulher pediu-me que crie um vestido para ela.
Quarenta mil, ent�o.
N�o aceito.
Cinquenta mil,
mas n�o subo mais.
Vendido! Por 50 mil francos.
Monsieur Picasso n�o est� em casa.
Quer deixar uma mensagem?
Sim.
Sim, por favor.
Diga-lhe que o Max Jacob
veio c� para o levar
numa sa�da de devassid�o.
Pode dar-lhe isto, por favor?
Monsieur Jacob,
n�o o vimos h� algum tempo.
A verdade � que sou
persona non grata
na zona mais sofisticada de Paris.
� bem-vindo aqui.
Obrigado, mas, infelizmente,
tenho outro compromisso.
Abriste o meu correio?
Quem � a Fernande?
Algu�m que conheci.
Escreve como se vivessem juntos.
Foi h� muito tempo, Olga.
Ela pede-te dinheiro. Deste-lhe dinheiro?
- N�o. - O nosso dinheiro?
Quanto tempo estiveram juntos?
Nove ou dez anos.
E nunca pensaste em falar dela?
Porque j� n�o penso nela.
Porque � que o Max te trouxe isto?
� um cora��o mole, tenta ajudar uma velha amiga.
Bom, �s casado e tens uma reputa��o a proteger.
Tens de escolher entre os "velhos amigos" e a esposa nova.
Pablo!
- Entra. - Para a Fernande.
Eu... Obrigado.
Isto vai ajudar,
porque ela est� num fosso de desespero.
A Olga diz que foste l� a casa.
Embriagado.
Dizes que encontraste Deus, que te tornaste cat�lico,
mas comportas-te como se n�o tivesses moral.
Pablo,
eu sou fraco,
admito isso, mas...
... pelo menos n�o abandonei os meus amigos.
Eu n�o abandonei ningu�m.
Quando foi a �ltima vez
que me visitaste?
Alguma vez me convidaste para o teu apartamento chique?
Quando falaste com o Apollinaire? Sabes que esteve doente?
N�o. Vou visit�-lo.
Talvez n�o devas ir. N�o quero que
sujes os sapatos caros na cal�ada suja de Montmartre.
N�o vou pedir desculpa pelo meu sucesso, Max.
Ou por j� n�o viver assim.
N�o.
N�o, tu passas os dias com a marquesa
e com a tua mulher snobe,
a fingir que �s aristocrata.
A Olga limpou-te t�o bem.
Quase nem te reconhe�o.
Tens 40 anos,
por amor de Deus.
� altura de cresceres.
At� l�,
talvez seja melhor n�o nos vermos.
Algu�m ficou gravemente ferido?
A minha mulher partiu o pulso.
As crian�as s� t�m uns hematomas, gra�as a Deus.
V�o ficar bem.
E o carro ficou destru�do?
Desculpa, Pablo.
- Sei que o adoravas. - Deixa-me ver se percebi.
Foste dar um passeio com a tua fam�lia,
no meu carro,
sem me pedires?
Pensei que n�o te importarias.
Disseste que n�o tinhas de sair hoje.
Bom...
Suponho que,
se j� n�o tenho carro,
n�o preciso de um motorista.
Est�s a despedir-me?
Eu confiei em ti, Marcel.
Pensei que serias o �ltimo a enganar-me.
Como posso depender de ti?
Pablo, foi um erro. Devia ter-te pedido.
Desculpa. Pago o arranjo.
Mesmo que pudesses pagar, a minha confian�a n�o tem arranjo.
Pablo,
trabalho para ti h� 25 anos.
- Considero-te fam�lia. - J� tenho demasiada fam�lia.
Vai cuidar da tua.
Confiaste em mim
para te levar de uma amante a outra.
Guardei os teus segredos. N�o tinha de fazer isso.
Est�s a amea�ar-me Marcel?
Afastas toda a gente, Pablo.
No fim, vais morrer sozinho.
Ele sobreviveu � guerra e, agora, a gripe vai mat�-lo.
Obrigado por me chamares.
Vou deixar-vos a s�s.
Pablo.
Desculpa n�o ter vindo antes.
Agora est�s c�.
E Deus ainda n�o me conseguiu calar.
Ningu�m te cala, Guillaume.
Olha para ti.
Estou t�o orgulhoso de ti.
Eu n�o seria assim
sem ti.
Diz-me no que est�s a trabalhar.
Retratos.
Tradicionais.
Acreditas?
Lembras-te da nossa miss�o, Pablo?
Quando bebemos absinto juntos, h� muitos anos?
"A subvers�o perp�tua
da ordem moral."
Nunca te deves esquecer, Pablo.
Por mais retratos que vendas,
a tua arte
tem uma finalidade maior.
Nunca deves ser convencional,
n�o te rendas � exist�ncia burguesa.
Por mais f�cil que seja.
Deves fazer sempre o que � dif�cil.
Foi uma cerim�nia linda.
A av� ia adorar.
Vais l� a casa?
O caminho para Vallauris � longo.
Onde est� o Picasso?
Est� ocupado a trabalhar na retrospectiva.
� mais importante do que o funeral da tua av�?
Emile,
por favor, n�o fa�as isso.
Pe�o desculpa, Fran�oise.
Por muito.
Talvez n�o fosse certo, mas...
... eu tratei-te como se fosses um menino.
Ensinei-te a ser forte, a lutar.
E estou grata por isso.
Mas...
Por favor, diz-me que �s feliz.
Eu sei que fui duro, mas...
... eduquei-te para resistires a homens dif�ceis,
n�o para os aturares.
Levantem-se e aplaudam, senhoras e senhores.
O Diaghilev vai recuperar o "Parade".
Ser� o tema de conversa.
E Diaghilev encontrou uma bailarina principal brilhante.
Espero que n�o se lesione
ou seja seduzida a casar
antes de se poder tornar uma grande artista.
Decerto ser� muito mais feliz quando o beb� nascer.
Ele � perfeito.
Os olhos, a...
A boca.
Ele � tudo
o que eu sempre quis, querida.
Se for um soldado,
ser� um general.
Se for um padre,
ser� o Papa.
N�o � verdade,
Paulo?
Quer que seja seu motorista?
Comprei um Mercedes novo.
Tem linhas lindas, um motor potente.
Deve ser um carro maravilhoso, pai, mas...
Mas o qu�?
Tu precisas de emprego, eu preciso de um motorista.
Podemos passar algum tempo juntos.
Podemos ir a Arles, no fim-de-semana,
� tourada.
Como quando eras pequeno.
- Foram tempos maravilhosos. - Sim. Ent�o,
est� decidido?
Est� bem.
Genevi�ve!
Quero apresentar-te o meu filho Paulo.
Vais ador�-la.
Tem linhas melhores do que o Mercedes.
E ela vem connosco.
C� est� ela.
Genevi�ve, o meu filho Paulo.
Paulo, Genevi�ve.
Isto chegou para si, senhor.
Obrigado.
Querido Pablo,
Eu fiquei zangado contigo,
depois das palavras duras que troc�mos, mas...
... elas n�o me sa�ram da cabe�a
e vi que tinhas raz�o.
Chegou a hora de crescer
e cumprir o voto que fiz a Deus.
Decidi viver
num mosteiro, em Saint-Beno�t,
e espero
encontrar finalmente paz
e satisfa��o com os meus irm�os.
E tu,
que te delicias com a tua fam�lia nova,
espero, com ego�smo,
que n�o te sintas demasiado confort�vel,
que recuses, como sempre,
comprometer o teu talento prodigioso,
e que nunca fiques satisfeito
com nada menos
do que a express�o completa
do teu g�nio.
Atentamente,
Max.
Sabes quem s�o estes homens loucos, filho?
S�o os irm�os do teu pai.
Espero que um dia tenhas amigos como eles.
Pablo,
o que est�s a fazer?
N�o deves tocar no beb� sem lavares as m�os.
Fran�oise!
Fran�oise!
Ol�.
Eu e o Paulo fomos � tourada, em Arles.
Leva isto.
Se soubesse que estavas t�o perto, teria ido ter contigo.
Queria estar sozinho com o Paulo.
O que �?
Tu � que querias que lhe desse mais aten��o.
O que fizeste este tempo todo?
Trabalhei.
H� algu�m nova?
Quem quereria um velho como eu?
Pablo, sempre foste sincero comigo.
Agora, acusas-me de mentir?
Eu devia deixar-te.
Do que est�s a falar?
Ficarias livre e eu podia pintar.
N�o sejas rid�cula!
Ningu�m deixa o Picasso!
Porra!
Mam�.
Sim, querido? Vou j�.
Tradu��o: Ana Rita Santos / MOVIOLA
No pr�ximo epis�dio...
Desculpe, mademoiselle.
O destino f�-la passar por aqui.
Deixe-me mostrar-lhe como a vejo.
Aceitei a oferta do bailado.
Como podes ir para Paris? N�o conseguiria trabalhar.
Se tu podes fazer o que queres, eu tamb�m posso.
Quando foi a �ltima vez que demonstraste qualquer carinho?
Ent�o ser�s conhecida como a mulher tonta que deixou o Picasso.
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