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Original subtitles

"PARA MIM, O MOMENTO MAIS FELIZ NA VIDA HUMANA

� QUANDO SE PARTE PARA TERRAS DESCONHECIDAS

O SANGUE FLUI � VELOCIDADE DA INF�NCIA"

SIR RICHARD BURTON EXPLORADOR DA �FRICA E DO NILO

Bem antes do cora��o da �frica ser mapeado...

exploradores eram irresistivelmente arrastados para este mundo secreto.

O maior segredo da �frica, por milhares de anos...

foi o rio mais extenso do mundo: O Nilo.

O Nilo � �nico entre os rios do mundo.

Alguns o t�m como o rio mais importante da Terra...

porque deu vida � primeira grande civiliza��o.

Para um ge�logo como eu...

este deserto � um ambiente rico e produtivo.

Pois a apenas 1.6km do rio, n�o encontro uma �nica planta.

H� 8.000 anos, fazendeiros desviaram a �gua do Nilo para irrigar planta��es.

E fizeram o deserto florescer.

Sem o Nilo, n�o haveria as Grandes Pir�mides...

nem uma civiliza��o adiantada com todas as suas inova��es

na l�ngua, na arte e na astronomia.

Todo ver�o, o n�vel de �gua do Nilo sobe v�rios metros...

sem que uma gota de chuva caia sobre o Egito.

Os primeiros eg�pcios constru�ram estruturas para medir...

a eleva��o do rio com precis�o.

Mas algumas poucas vezes na Hist�ria, o rio misteriosamente n�o subiu...

por v�rios ver�es seguidos ocasionando a fome em todo o Egito.

Todos os anos, os fazendeiros olhavam para o rio e pensavam:

"De onde vem toda esta �gua?"

Este foi o primeiro grande mist�rio do Nilo.

O MIST�RIO DO NILO

Em 1858, um explorador brit�nico decidiu resolver o mist�rio do Nilo.

E declarou que o Lago Vit�ria era sua verdadeira fonte.

S� que havia um pequeno problema, ele estava enganado.

O Lago Vit�ria contribui com apenas uma fra��o das �guas do Nilo.

A principal fonte do Nilo fica nas in�spitas montanhas da Eti�pia.

As riquezas do Egito s�o uma d�diva do Lago Tana.

Mais de 80% da �gua do Nilo vem do Nilo Azul na Eti�pia...

e de seus afluentes.

Meu objetivo � liderar a primeira equipe a descer toda a extens�o do Nilo Azul.

Daqui da Eti�pia at� o Mediterr�neo.

Por 4.800km.

Trouxe minha equipe para o Lago Tana para realizar a expedi��o da vida.

Chegamos �s montanhas da Eti�pia bem na hora de uma prociss�o crist�.

� a primeira vez que venho � Eti�pia...

e confiei em Pasquale como nosso l�der.

Abuna Zerabruk.

Sim. Ele � um dos nove santos que vieram da S�ria.

"Picollo Abbay."

"Gergel." "Wateete, Abbay."

PASQUALE SCATURRO L�DER DA EXPEDI��O

Pasquale liderou expedi��es ao Monte Everest

e navegou em v�rios rios violentos do mundo.

Ele sabe muito bem o que est� fazendo.

Estamos aqui para tentar pela primeira vez...

descer o rio mais poderoso da �frica: O Nilo Azul.

Contratei barqueiros et�opes para que sejam cozinheiros...

ajudantes e guarda-costas.

Estamos entrando em um territ�rio onde poucos estrangeiros testemunharam.

A parte superior do Nilo Azul foi navegada e mapeada...

pela primeira vez em 1968 quando uma expedi��o...

do Ex�rcito Brit�nico explorou apenas esta parte.

Tiveram ferimentos graves. Um homem morreu.

Descobriram que o Nilo Azul fervilhava de enormes bandos de crocodilos.

Eles contavam com setenta especialistas.

A maioria de minha equipe � de novatos.

Coloquem na �gua de novo.

Certo, para o bote, agora.

Terei de ficar de olho no cientista eg�pcio, Dr. Mohamed Megahed.

Mohamed! Onde est� o Mohamed?

Como hidrologista, passo a maior parte do tempo fechado, no laborat�rio.

- Bom trabalho. - O Pasquale est� preocupado comigo...

e eu tamb�m

Gordon Brown, o nosso caiaquista de seguran�a...

� o �nico que ficar� comigo durante os quatro meses de expedi��o.

Voc� segura esta parte aqui atr�s...

e empurra o bote com o corpo e isto o ajudar� a ir para a corredeira.

- Certo. - De qualquer forma...

H� cinco anos, foi diagnosticado um tumor cerebral em Gordon.

Isto teria matado a maioria de n�s...

mas ele lutou e se recuperou ap�s um ano de radioterapia e quimioterapia.

Ele � um sobrevivente de verdade.

Assim.

Entendeu?

Saskia Lange � uma jornalista da Espanha.

Ela est� escrevendo um artigo sobre as religi�es ao longo do rio.

O rio passa por �reas onde n�o h� estradas...

portanto, conseguiremos estudar os nativos...

pessoas que jamais conheceria de outra forma.

Que gracinha.

Muito obrigada.

Miriam Seco � a arque�loga da equipe.

Aqui, na cidade sagrada de Lalibela...

os et�opes escavaram 122m de leito de rocha.

Esta igreja foi cinzelada de um bloco gigante de pedra.

� uma das onze igrejas monol�ticas, ligadas por canais.

Por dezesseis s�culos...

os crist�os daqui permaneceram aliados � igreja no Egito...

a 4.800km daqui.

Fico imaginando como o Nilo manteve esta liga��o viva.

Dizem que escondida nestas igrejas de pedra est� o Arco da Velha Alian�a...

a caixa que Indiana Jones procurava.

Esta Arca cont�m a placa que traz esculpidos os Dez Mandamentos...

a verdadeira placa dada a Mois�s. Ser� mesmo que est� aqui?

Lalibela � a oitava maravilha do mundo.

E se n�o �, deveria ser.

Assim como os crist�o de Lalibela esculpiram magn�ficas igrejas de rocha,

O Nilo Azul tem esculpido este enorme c�nion

atrav�s das montanhas da Eti�pia,

que os brit�nicos batizaram de o Grande C�nion da �frica.

Este avi�o ajuda, mas � decepcionante.

De cima, � realmente f�cil esquecer que � o rio mais perigoso da �frica.

A observa��o a�rea confirmou que as �guas no alto diminu�ram,

era hora de come�ar a expedi��o.

Gordon e eu planejamos ficar no rio...

por provavelmente mais de quatro meses.

Esta � a regi�o do Nilo Azul...

E l� estava eu liderando um bando de novatos no rio...

que nunca havia entrado em um bote.

Manter todos vivos nesta expedi��o � a minha maior responsabilidade.

E finalmente para as Cataratas de Tissisat.

E ent�o, vamos passar por este c�nion...

que tem corredeiras classe V e VI.

Antes de partirmos, Mohamed tinha uma promessa a cumprir.

PRIMEIRO DIA

Meu av� � fazendeiro no Egito.

Cem por cento da �gua que ele recebe vem do Rio Nilo.

Prometi a ele que quando eu fosse � fonte do rio...

eu lhe traria um frasco de �gua benta.

Os et�opes valorizam o Nilo, assim como n�s no Egito.

Ao descer o rio, a equipe est� motivada.

A maioria dos rios agrestes em todos os continentes j� foram estudados.

Mas n�o o Nilo Azul.

Esta � uma das �ltimas expedi��es a grandes rios que restou no mundo.

Ningu�m foi bem-sucedido percorrendo este rio da fonte para o mar.

Aqueles que tentaram morreram ou desistiram.

Como ge�logo, este fluxo de lava causa-me uma certa fascina��o.

Fluxos de lava assim contraem o rio...

for�ando a �gua correr por um canal estreito...

criando enormes corredeiras.

Mas a rochas vulc�nicas s�o pontiagudas como facas.

E nossas embarca��es s�o feitas de tecido.

Segurem firme.

Esta foi a primeira vez que Mohamed nadou no Nilo.

Fiquei de olho nele.

H� um limiar entre uma corredeira emocionante e uma mortal.

Os botes s�o bastante pesados,

portanto, quando o rio fica mortal e dif�cil de ser percorrido...

mandamos o bote vazio e carregamos o equipamento.

Um jeito de ser alvo de risadas na Eti�pia...

� carregar bote de borracha na cabe�a.

As montanhas da Eti�pia foram encobertas por uma floresta densa...

mas nos �ltimos 30 anos, a tribo Amhara derrubou 90% das �rvores...

para usar o carv�o para cozinhar.

Isto mudou toda a bacia hidrogr�fica.

O Nilo Azul carrega muitos minerais vulc�nicos...

que nutriam os campos de meu av�, no Egito.

Fiz um teste de salinidade porque o teor de sal do Nilo...

est� destruindo nossa gleba de terra.

O rio est� acelerando...

mas a equipe n�o percebe a magnitude da energia do rio...

at� p�r os olhos em uma das mais incr�veis vis�es de toda a �frica.

As Cataratas de Tissisat.

O Gordon tem um pouco de caub�i.

Tem um jeito pr�prio de fazer as coisas.

Disse a Pasquale que percorrerei cada cent�metro deste rio.

Agora ele sabe que falo s�rio.

Agora est� na hora de ver como Mohamed se sai sob press�o.

Ele nunca havia usado uma corda.

- N�o se preocupe, est� bem? - Certo.

Muito bem. Est� indo bem, Mohamed.

Tinha de apressar Mohamed.

Quanto menos pensar, melhor.

Um pouco mais.

Um pouco mais.

Vamos, Mohamed, um pouco mais.

- Certo. - Mais corda.

Saskia ficou cansada de esperar Mohamed descer seus cent�metros...

ent�o, deixei que ela fosse em frente.

Isso n�o � justo. Quando me candidatei a esta viagem...

Pasquale perguntou se eu sabia nadar. N�o perguntou se eu sabia voar.

O Mohamed n�o fez muitos pontos por estilo, mas me mostrou coragem.

Acho que nosso garoto da cidade est� come�ando a se fortalecer.

N�o vim at� aqui s� para recolher amostras de �gua.

Estou aqui principalmente para vivenciar o rio, para compreend�-lo.

Mas tamb�m para me conhecer.

E me surpreendi com o que posso fazer.

Este povo, os Amhara...

caminharam ao longo do rio para cuidar das planta��es.

Mas, por outro lado, eles se afastaram do rio para evitar locais perigosos.

Eles evitaram os bandidos e a mal�ria.

D�CIMO PRIMEIRO DIA

O membro mais entusiasmado da equipe � Michel L'Huillier, do Chile.

Ele � o fot�grafo da equipe.

Amo a Eti�pia.

Admiro a am�vel dignidade de seu povo.

Eles apreciam o que t�m.

Espero que minhas fotos captem o esp�rito deles.

Ol�, ol�, como v�o?

Ol�.

� por isso que o cristianismo sobreviveu por aqui.

As montanhas mantiveram os invasores afastados.

Esta n�o � exatamente uma terra af�vel.

Admiro os predadores eficientes,

exceto quando me veem como almo�o.

O crocodilo mais perigoso do mundo � o do Nilo.

Eles nadam 19km/h e comem mais gente na �frica...

do que todos os outros animais juntos.

Est�vamos descendo o rio e l� na margem havia um crocodilo enorme...

de cerca de 4.2m e ele se escorregou da margem...

foi bem agressivo e nadou em dire��o ao Gordon.

Ele come�ou a se arcar fora da �gua e...

Ele continuava atr�s de mim...

ent�o, peguei o remo e bati na cabe�a dele.

Ele mergulhou e foi para baixo do bote e bateu nele.

Por um segundo, achei que fosse virar.

Quando o crocodilo abriu aquela boca...

temi que torcesse o bra�o de Gordon e o levasse para baixo.

E se isso acontecesse, ele morreria.

Gordon n�o conseguiria fazer nada sem que outros crocodilos o pegassem.

� noite, quando acamp�vamos � beira do rio...

fic�vamos de olho nos crocodilos antes de dormir.

Jamais tive de fazer isso no Cairo.

N�o s�o rochas, Saskia, s�o hipop�tamos.

Pasquale nos avisou que um hipop�tamo pode facilmente virar um bote.

Mas isso n�o evitou que nos aproxim�ssemos para v�-los.

Foi a coisa mais linda ver hipop�tamos pela primeira vez.

Havia oito em volta do bote com as orelhas assim.

Durante toda a viagem, quando par�vamos para comprar vegetais...

ovos e carne do povo local, pod�amos ver como eles viviam.

A Eti�pia possui mais de cem grupos �tnicos...

a maioria isolada uma das outras devido ao terreno rochoso.

Este � o meu am�vel novo amigo.

D�CIMO NONO DIA

Mais de 200 milh�es de pessoas dependem do Nilo.

E estima-se que esta popula��o ir� dobrar nos pr�ximos 25 anos.

Ser� que o Nilo aguenta tantas pessoas?

Por milhares de anos, toda vez que a Eti�pia amea�ava represar o Nilo...

os eg�pcios levavam a amea�a a s�rio.

Se o rio for desviado, o Egito morreria.

A quem pertence as �guas do Nilo?

Fui explorar um canal lateral e...

de repente, estavam atirando em mim.

Eu me protegi atr�s de rochas, tentando me esconder ao m�ximo.

Provavelmente, houve cinco tiros do outro lado do rio.

E pensei: "Isto pode ser o fim.

Minha �nica op��o era chegar ao rio.

Ouvi tiros.

Nestes c�nions afastados, os bandidos locais chamados "shifta"...

roubaram e mataram pelo menos quatro pessoas de expedi��es anteriores.

Gordon havia sa�do h� uma hora.

E eu n�o via sinal dele.

Sabia que n�o podia ficar l� muito tempo.

Tive de remar descer o rio e remei feito louco.

Sabia que se eu parasse, seria um alvo f�cil.

Naquela noite tive uma longa discuss�o com o Gordon.

N�o posso deixar que ele se afastasse daquele jeito...

porque est�vamos chegando � maior extens�o de corredeiras...

que jamais havia experimentado na vida.

Manobrar um bote em uma enorme corredeira pode ser fatal.

As pessoas podem afundar na correnteza, bater a cabe�a numa pedra...

ou ficar presas sob a �gua.

Em outras expedi��es, pelo menos seis pessoas morreram s� neste trecho.

Naquela manh�, Michel levou seu bote no meu maior pesadelo.

Foi uma perfeita virada.

FOT�GRAFO DA EXPEDl��O N�s tr�s ca�mos na �gua.

Ozo.

Ozo.

Ouvi algu�m gritar "ozo", que significa crocodilo.

E pensei: "Nossa, h� crocodilos neste rio."

E esta foi a primeira vez em toda a expedi��o...

que realmente senti o cabelo da nuca arrepiar.

Sab�amos que poderia haver crocodilos por aqui.

Geralmente, esperavam nas corredeiras para que pudessem pegar os peixes...

que passam pelas corredeiras.

E �ramos peixes grandes.

Quem estava no bote de Michel tem sorte de estar vivo.

Acho que se fizermos isto, poderemos descer e passar por aqui.

- Acho que � seguro. - Sim, n�o sei...

- quanto a esta corredeira. - N�o, vamos pelo rio.

Voc� est� bem? C�mbio

Sim, estou bem.

Cuidado quando estiverem � esquerda.

Entendido. Acha que podemos navegar pelo meio? C�mbio.

Naquela noite, acampamos na fronteira com o Sud�o.

� um local perigoso.

Saskia, Myriam e Mohamed temiam atravessar um pa�s...

onde a guerra civil tem sido intermitente por 20 anos.

Eles v�o nos deixar aqui e nos encontrar depois em Kartoum.

QUADRAG�SIMO SEGUNDO DIA Assim que cruzamos a fronteira...

Gordon e eu sa�mos para explorar o Sud�o...

o pa�s mais misterioso ao longo do Nilo.

O Sud�o est� encoberto de segredos atr�s do v�u do Isl�.

Ao nos depararmos com um mercado de camelos...

ficamos apreensivos no in�cio.

Mas decidimos enfrentar.

Afinal, nem sempre podemos dar um lance em um leil�o de camelos?

Acabou sendo um �timo dia.

E fiquei feliz quando deram um lance maior no camelo do Gordon.

Nem c�es raivosos nem ingleses saem sob este calor.

46 graus � sombra era normal.

Aqui em Kartoum, capital do Sud�o, os dois rios se convergem.

O Nilo com corredeiras vem da direita, sob a ponte...

para se unir ao Nilo Azul, bem maior.

Foi �timo ver a equipe reunida novamente.

Guerra e viol�ncia j� se difundiram no Sud�o.

Mas jamais nos deparamos com um �nico militante extremista.

L� est�vamos, cercados por islamitas felizes e bondosos...

saudando-nos de forma acolhedora.

E se surpreenderam pelo fato de termos chegado t�o longe pelo Nilo.

- Pasquale, diga "ol�". - Ol�.

Estamos indo para a antiga cidade de Meroe...

um dos segredos mais bem guardados do Nilo.

No remoto deserto do Sud�o, o Nilo passa por uma cidade-fantasma...

onde poucos estrangeiros visitaram.

Estamos entre os poucos sortudos.

Os n�bios t�m governado esta regi�o do Nilo por mais de mil anos.

H� mais de 2000 anos, estas pir�mides de Meroe eram cercadas de florestas.

Mas quando os n�bios cortaram as �rvores...

permitiram que a areia soprasse e aceleraram a pr�pria desgra�a.

Sinto pela perda de uma civiliza��o e pela perda das florestas.

Os sistemas que sustentam a vida s�o muito fr�geis.

Se n�o os alimentarmos, eles se transformam em areia e p�.

Aqui, �s margens do Nilo, ouvimos ecos assombrosos...

de uma antiga dinastia, metade coberta de areia e obscuridade.

Por que, quando os fara�s eg�pcios s�o t�o venerados...

os n�bios ainda definham nas sombras da hist�ria?

� o grande mist�rio que encontramos ao longo do Nilo.

O Sud�o provou ser cheio de surpresas: o acolhimento das pessoas...

e a beleza assombrada deste reino perdido, o reino de Kush.

OCTOG�SIMO PRIMEIRO DIA

Perto da fronteira do Sud�o e do Egito, o Nilo des�gua no Lago Nasser.

O capit�o de um bote pesqueiro avisa-nos que n�o cruzaremos...

o Lago Nasser de forma segura em nossos pequenos botes.

Para recuperarmos o tempo perdido, decidi que Gordon e eu tentar�amos

cruzar sozinhos o Lago Nasser � noite.

Que grande erro.

Um enorme vendaval apareceu do nada.

O vento soprava a 100km/h.

As borrifadas frias nos congelavam at� os ossos.

Est�vamos a 16km da praia.

Se uma grande onda nos atirasse na �gua...

ningu�m conseguiria nos encontrar e morrer�amos devido �s intemp�ries.

Pasquale estava em m� forma.

Estava com medo que ele n�o conseguisse.

Estamos todos muito cansados. Estamos muito cansados...

L�DER DA EXPEDl��O devido ao vento

e ao sol em nosso rosto. E � �gua.

Portanto, espero que esta noite seja uma boa noite.

Percorremos uma longa extens�o at� este ponto.

CAIAQUISTA DE SEGURAN�A Chegamos ao limite. De verdade.

Eu estava lutando contra uma reca�da de mal�ria.

Tive tremores e febre. Estava totalmente exausto.

Sentia dores, estava doente.

Odiamos a ideia de desistirmos do sonho de percorrermos o Nilo...

mas n�o valia a pena morrer por isto.

Mas no dia seguinte eu me recuperei devido ao sonho de um fara�...

e uma incr�vel hist�ria de sobreviv�ncia.

Quando o vale do Nilo foi inundado, os monumentos antigos desapareceram

no fundo do Lago Nasser.

Mas este sobreviveu.

Em 1260 B.C., o fara� eg�pcio, Rams�s o Grande...

construiu este templo ao longo das margens do Nilo.

Como egipt�loga, Myriam vive e respira essas coisas.

H� 40 anos, o novo lago feito pelo homem ia inundar este templo.

Para salv�-lo, os oper�rios separaram cuidadosamente o enorme templo

e o deslocaram, bloco por bloco para um local mais alto.

Deslocar este templo foi um esfor�o heroico.

Se eles conseguiram...

Gordon e eu podemos realizar o que nos propusemos a fazer.

Os antigos eg�pcios estudaram as estrelas...

e usaram este conhecimento para criar o primeiro calend�rio preciso...

com 365 dias por ano.

O templo foi perfeitamente alinhado com o sol.

Em um determinado dia, a luz do sol incide no templo

para iluminar as est�tuas reais.

Exatamente como conseguiram fazer isso � um mist�rio para mim.

Meus ancestrais eg�pcios tinham duas coisas a temer quanto ao Nilo.

�gua demais e �gua de menos.

Mas, agora n�o.

O Dique de Aswan p�s um fim nas cheias catastr�ficas...

que j� mataram milhares de pessoas.

Mas o dique � uma b�n��o mista, pois as cheias de ver�o...

j� n�o enriquecem mais a terra.

Elas j� n�o lixiviam sais do solo.

Sem as enchentes de ver�o, j� n�o h� necessidade destes "nil�metros"...

marcadores usados por fara�s para acompanhar a eleva��o anual do Nilo.

Fomos a um monast�rio crist�o abandonado a poucos quil�metros do rio...

onde Myriam achou um elo inesperado entre religi�o e o Nilo.

Os sacerdotes de monast�rios como este tinham fortes liga��es...

com a Igreja em Lalibela, na Eti�pia.

Quando os crist�os aqui estavam em perigo, prestes a serem varridos...

pela maioria isl�mica, os et�opes rio acima amea�avam bloquear o Nilo.

E a amea�a dava certo.

� por isso que o cristianismo sobreviveu aqui por tanto tempo.

CENT�SIMO QUARTO DIA

Myriam nos contou como os fara�s se sentiam aben�oados...

pela natureza e por Deus.

E o Nilo era a perfeita via de interc�mbio.

Os ventos levavam os barcos rio acima...

e ent�o, o fluxo do rio os trazia de volta.

Isto transformou o Nilo em um rio de ouro.

Ap�s mais de tr�s meses no rio, nossa rotina estava chegando ao fim.

Parem. Descarreguem os botes.

Preparem o jantar, armem as barracas.

Comam, tomem um banho, durmam, acordem...

carreguem os botes.

Todos os dias. Dias ap�s dia. Dia ap�s dia.

Dia ap�s dia.

Quando vi Luxor, eu era um menino. Mas ap�s visitar a fonte do Nilo...

tudo isto parece diferente para mim.

Por 3.000 anos, o Egito foi governado por fara�s como Rams�s, o Grande

e pela Rainha Hatshepsut.

O Nilo os transformou em deuses vivos.

N�o � � toa que veneravam o rio.

Faziam 46 graus quando Myriam nos levou ao Vale das Rainhas...

onde visitamos a tumba da Rainha Nefertari...

a esposa favorita de Rams�s, o Grande.

Na tumba do fara� Tutmoses III, contei aos meus amigos...

como o Nilo foi reverenciado como uma passagem entre a vida e a morte.

E para mim, tamb�m, esta foi mais do que uma viagem pelo rio.

Foi uma viagem interior.

Ela me modificou.

Chegar ao Cairo foi um marco.

Ap�s meses de dunas de areia e cabanas de lama...

a cidade me encanta como se fosse uma fabulosa miragem.

Tendo o Nilo como base, os fara�s governaram por 3.000 anos.

As dinastias se foram h� tempos, mas a energia espiritual do rio permanece.

Acho que ganhei uma esp�cie de espiritualidade nesta viagem.

Compartilhar esta expedi��o com Pasquale me mostrou...

que qualquer coisa � poss�vel onde voc� coloca o seu cora��o.

Ap�s quatro longos meses e 4.800km, finalmente chegamos ao Mediterr�neo.

N�o posso acreditar. Fomos os primeiros na Hist�ria

a percorrer o Nilo Azul da fonte at� o mar.

Quando finalmente chegamos ao surfe e � �gua salgada...

fui inundado por exaust�o, orgulho e uma alegria esmagadora.

CENT�SIMO D�CIMO QUARTO DIA O MAR MEDITERR�NEO

O rio liga as pessoas.

O colar da sorte de uma menina crist� da Eti�pia...

trouxe-me novos amigos ao longo do Nilo.

As horas que mais me marcaram foram os simples encontros di�rios...

com as pessoas ao longo do rio.

Sabe, Gordon e eu tivemos alterca��es ao longo do caminho...

mas super�vamos isto quando nos acalm�vamos e eu precisava dele.

Ele salvou a minha vida, mais de uma vez.

Todos n�s sentimos um respeito infinito pelo rio.

Sabe, percebemos isso quando finalmente...

pisamos na praia de Alexandria, nosso destino final.

Senti muito orgulho por ter participado da expedi��o.

Fui visitar meu av� assim que cheguei.

Como fazendeiro, ele valorizou o frasco de �gua benta que eu trouxe da fonte.

Uma menina islamita em Alexandria admirou o meu colar.

Boa sorte.

Pessoas de v�rias culturas compartilham o rio,

muitas delas em conflito, mas a maioria delas em harmonia.

Nossos amigos na Eti�pia, no Sud�o e no Egito seguem religi�es diferentes...

mas todos eles recebem o sustento espiritual do rio.

O Nilo trouxe riqueza e poder que muitos tentaram possuir.

Mas o rio desafiou at� os mais poderosos fara�s...

porque � maior do que todos n�s.

As �guas do Nilo trazem vida...

e alimentam a alma.

***Shig***

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