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EU, QUE VIA DE TUDO NA RUA NUNCA ME SURPREENDIA.
NAQUELA NOITE, TUDO FICOU SÉRIO E TE DERAM 3 PUNHALADAS.
EU, QUE NÃO AS VI, ME APROXIMEI FITANDO TEU CARRASCO
E ESPEREI QUE ELE SACASSE A ESPADA
PARA EU IR À GUERRA COM A MINHA FACA.
ELE PASSOU AO MEU LADO,
EU O ENCAREI PARA VER QUEM ERA MAIS MACHO.
ELE NÃO PAROU, E CONSIDEREI A BATALHA GANHA, COMO TANTAS.
NÃO VI O QUE SE PASSOU.
NA CONFUSÃO DA BATALHA, NÃO VI O BRILHO DA ESPORA.
SE O VISSE, TALVEZ FÔSSEMOS DOIS MORTOS.
EM MEMÓRIA DE CARLOS (CONHECIDO COMO ZARTO)
Por que me deixou?
Senti a sua falta.
Tinha um mês...
Por que acha que eu teria um filho seu?
Porque me amava.
Eu amei muitos.
O que é?
Era.
María, eu mudei.
Diga-me...
Eu o abortei.
Quanto é?
Vinte mil.
- Está tudo escrito ai. - Deixa comigo.
Puro rap, puro rap
escuta essa
com a ilusão de que um bom futuro está próximo
trabalha de sol a sol por alguns trocados
fui moleque levado, exposto ás ruas e a um mundo violento
uma mãe vinda do gueto
com mais coração e coragem do que um guerreiro
- Quanto é? - Vinte.
Tome.
Olá. Uma aguardente, por favor.
Balada boa, né?
Que tal?
Obrigada.
Tem banheiro?
Lá no fundo. Vá.
ATENÇÃO: PARA SUA SEGURANÇA E PRIVACIDADE.
VOCÊ PODE VER PELO VIDRO, MAS NÃO PODE SER VISTO.
Ei, cuidado!
Você usou o meu perfume?
Isso é de menina.
Já volto.
Prontinho.
Tchau.
- Essa bicicleta é sua? - Esta? É.
Vamos dar uma volta or lá?
Estou com pressa.
Quanto é a bicicleta?
Não está à venda.
Vai vender para mim?
Não.
Vai me alugar?
Também não...
Se eu quiser, posso te ferrar. Posso roubá-la.
Aonde vai com tanta pressa?
Para a pizzaria do sr. Jorge.
Você mora por lá?
Não, só trabalho.
Eu moro lá, me leva?
- Tudo bem. - Se quiser, eu pedalo.
Fique atrás.
Ele está sempre aqui.
Essa loja é muito legal.
Vende roupas?
É, roupas maneiras.
Duas e meia da manhã, com certeza ninguém dorme
dois quartos onde o Diabo...
Valeu, cara. Qual é o seu nome?
Martín. E o seu?
Milton, mas me chamam de "Cacareco".
- Valeu. - Tudo bem.
- A gente se vê. - Tchau.
Escuta, Jorge.
Preciso de um aumento.
- Um quê? - Um aumento.
Estou economizando para ir à Disney.
E preciso de grana.
- Aonde vai? - À Disney.
Olha, filho.
Pato Donald, Mickey Mouse e essas bobagens
são tudo mentira.
É como Papai Noel. São fantasias, não é real.
Me responda uma coisa.
Sabe o que é um visto?
Nunca te darão um visto.
Não dão visto pra mim. Imagina o outro, para Disney...
Já falei isso para ele.
Mas como ele é o sr. Sabe Tudo...
Hoje demorou mais, não é?
Tome.
Por que separou as camas?
Responda quando falo com você!
Em que anda metido?
Oi, sócio!
O que é?
O que vai fazer?
Tenho aula.
- Vamos dar uma volta por aí. - Por onde?
Por aí.
Não sei, tenho aula de Matemática.
Vamos, eu lhe ensino Matemática.
Anda.
- Eu pedalo, se quiser. - Não, eu pedalo.
Quando você quiser, eu compro esse trambolho.
Milton, posso experimentar?
Olá.
Olá.
Dois cafés, por favor.
- Vem cá! - O que é isso?
- Calma. Não queria te assustar. - Qual é?
Só queria te agradecer por aceitar o café.
Sou seu vizinho, moro ali.
Isso não é hora para procurar ninguém.
Eu sei.
Você me assustou.
Sabe que minha filha estuda na mesma escola que seu filho?
Depois conversamos.
Vá para trás.
- Deixe-me levá-la. Eu consigo. - Ande, estou com pressa!
Deixe-me levá-la.
- Quando for grande. - Ai teremos um carro.
Então me levará no carro. Vai!
Pronto?
Segure-se.
Que carro quer comprar?
Olhe. Ponha essa mão aqui.
Ande, ponha aqui!
É a mão que segura a navalha.
Aqui e aqui.
Ataco assim?
Isso, vai, em cinco pontos.
- Um, dois... - Não, foi no braço.
Pronto.
Mas se defenda, mané!
Aí você já está morto.
Outras três.
Pronto, moleque.
Estas duas são da farmácia, esta do bobão da casa feia,
as outras duas são da boate.
Não tem problema, ele está quieto.
Desculpa, nem lembrei.
Coma.
Está frio.
Mas é uma delícia. Onde comprou?
Deixe a bicicleta aí.
Tudo bem, mano? Senta aí.
Senta, cara.
Deixa acabar o programa e a gente sai.
Tchau, mãe.
Vamos.
O que houve?
Nada.
O que há com você?
Não há nada.
Precisa de grana?
Trabalho na pizzaria, não preciso de grana.
Então o que é?
É que terminei com a minha namorada.
Como se chama a sua namorada?
Chamava-se. Ela não é mais minha namorada.
- E como se chama sua ex? - María.
Com a grana da venda disso, acha que pode ir à Disney?
Onde fica isso? Nos EUA?
Se eu quiser, posso ir até a Rússia.
Mas há um problema.
- Qual? - O visto.
O que é isso?
É tipo um passaporte, para ir de um pais ao outro.
E, se não conseguir, não pode viajar?
Não. Tenho vários amigos que foram lá.
Uns voltam cheios de grana, e outros, não.
Ficam por lá na cadeia.
Já ouviu "Mais Que Real"?
Não. Sabe a letra?
Mais que real. não duvide, é a elite do rap
não vê que a rua não para?
mais que real, não duvide, é a elite do rap
não vê que a rua não para?
te falo da triste dor dos pobres
aspire outra vida e nunca mais pós ruins
bandoleiro do subúrbio escravo
eu sou rapper profissional do bairro pobre
perambulando por becos e escadarias
fortalecendo minhas intenções como o vicio
Quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
Tinha 20,
foram vendidos 15.
Por que sua mãe não se mexe?
Isso é normal. Às vezes, ela passa o dia assim.
Seis de dez.
Quanto dá isso?
130 mil pesos.
- Confira. - Está certo, veja.
Confira.
Pronto.
400 mil pesos.
Viu?
Por me acompanhar.
Tem horas?
Seu relógio não funciona?
Molhou.
São 2h da manhã.
Tenho que ir, minha mãe vai me matar.
Que mãe?
Ei!
Leve estas flores.
- Para quem? - Para sua ex-namorada.
É um menino muito ajuizado e nunca demorou tanto na rua.
Sim... Ele é branco.
- 1,20m... - 1,50m.
1,50m. Desculpe.
Ele tem o cabelo curto.
- Olhos castanhos. - Tem olhos castanhos.
Sim, senhor, desde as 7h da manhã.
Como assim? 24h?
Mas isso é um absurdo. É um menino de 12 anos.
- Olhe a hora... - Chegou!
Ele chegou agora.
Onde estava? Onde se meteu, maldito?
Não bata assim nele, María!
Não me bata!
Fique com seu garotão.
Ei, Milton. Você vende a essa hora?
Deus ajuda quem cedo madruga.
Eu estou querendo sair de casa.
Por quê? Por causa de sua ex?
É, ela pós outro cara lá em casa.
- Quem? O garotão? - Sim, aquela bicha.
Todas as mulheres são assim, todas são putas.
Se quiser, pode ir para a minha casa.
Onde comem dois, comem três.
- E sua mãe vai deixar? - Minha mãe nem sabe onde está.
Vai se apresentar assim?
Vai espantar a clientela.
É o garoto de novo?
São outras coisas.
É melhor trabalhar, precisa faturar.
O que é isso?
Peguei de um cliente que está lá em cima.
- Sai daí. - Eu pedalo.
- Sai, eu pedalo! - Cara maluco!
Espera, estou subindo...
Olha o caminho. Licença! Licença!
Mãe, não bata injustamente no seu filho
você não sabe se amanhã isso será a raiva dele
não sabe se ele cresce amando os pais
se ainda menino ele vai querer ir para as ruas
sem rumo, nem valores, só uma pessoa
becos sem saída, sem alegria
quem apostou sua vida a perdeu por nada
brincar com o Diabo, com o Inferno na cara
como vê, crescer é dureza
desde cedo na vida, tive que cair no crime
matar minhas ilusões, pôr de lado meus sonhos
é profunda a crise que dirige essa viagem
desde menino navegando louco de fome
só a esperança pode me alimentar
O que é isso? Não pedi pizza hoje.
Pegue, é para você.
Vou ao banheiro.
O que foi? Anda!
Me dá uma cerveja.
Você é muito pequeno para isso.
- Me dá uma cerveja! - Quem é você?
- O sócio. - Sócio de quê?
Ei!
Vá preparar o cachimbo para a minha mãe.
Vamos.
- Aonde? - Entregar uma grana.
- Que horas são? - São 3h da manhã.
Já volto. Vou ver se já chegaram.
Fuja com a mochila!
- E a grana. - Vamos negociar como homens!
Cadê a grana?
Cadê a minha grana, imbecil?
Vamos agir como homens!
Tudo bem.
Isso... Isso...
Essas tetãs sao minhas!
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