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Tem certeza de que o cad�ver � de Eduardo Sastre?
Sim, tenho certeza.
Reconhe�o a jaqueta e a corrente.
Tem seu nome e tipo sangu�neo atr�s.
Meu pai lhe deu, h� muitos anos.
Precisa me acompanhar � delegacia, para assinar uma declara��o.
Um de seus amigos est� morto, o outro, no hospital.
Como se sente?
Triste.
O que aconteceu � noite? Problemas com algum comprador...
talvez um bando de assaltantes?
Imagino que, se um dia pegar os autores desses roubos
e n�o me encontrar entre eles, sentir� grande decep��o.
Talvez n�o haja mais roubos nesse estilo.
Tem metade do bando entre o hospital e o necrot�rio.
Este est� desaparecido. N�o sei se sabia.
N�o sei o que aconteceu ontem. N�o posso ajudar.
-J� tinha ido para casa. -Estava com algu�m?
N�o.
Ter� de se contentar com as declara��es do pessoal no bar.
Dir�o que eu n�o estava l�.
Miguel, n�o entendo, s�rio. Eduardo Sastre era seu amigo.
Sabe quem o matou e por qu�. Ainda assim, n�o vai nos ajudar.
N�o o conhecia t�o bem como acredita, inspetor.
Pode acreditar.
Meus pais nunca v�o me comprar uma.
Tenho de esperar at� o Natal do ano que vem.
E se roubarmos?
Aqui � a porta.
Aqui, a porta dos fundos.
Aqui, outra porta, que � a do dep�sito.
� aqui que consertam bicicletas.
-Cara, como sabe tudo isso? -� s� observar.
Eu entro e pe�o alguma coisa ao vendedor.
Digo que minha m�e vir� mais tarde. Ou algo assim.
Enquanto isso, voc� entra no dep�sito...
vai � oficina, pega a bicicleta e sai.
-E por onde saio? -Aqui h� uma porta, cara!
Abre por dentro, pega a bicicleta e sai.
E nos encontramos na esquina da fonte.
N�o sei. Parece complicado.
N�o � como na loja do liban�s.
Ent�o, eu vou. Mas voc� tem de entreter o cara para me dar tempo!
N�o. Eu vou.
Ent�o, como �? Somos Apaches? Ou n�o somos Apaches?
Vamos?
Vamos.
O cad�ver encontrado no descampado � de Sastre.
-Tem certeza? -Foi identificado.
E seus amigos?
Um est� no hospital, com o cr�nio quebrado.
O outro, desaparecido.
Deve estar na casa do pai.
Quando ele puser um p� na rua, traga-o aqui.
Outra coisa.
Fa�a correr a not�cia no bairro.
Que n�o haja um bar, loja ou oficina onde n�o se saiba.
Sastre est� morto.
Bom dia, Sr. Rabal.
-Bom dia. -Estou procurando Miranda.
-Para qu�? -Preciso falar com ela.
Est� no hospital onde est� Dela. Com Asun e toda a fam�lia.
-Obrigado. -Ou�a!
Sinto muito por seu amigo. Sabe que n�o era santo de minha devo��o.
Mas n�o desejava que terminasse assim.
Era uma boa pessoa. E amava Miranda.
Nunca amou a ningu�m tanto como ela.
Ouvi falar que vai embora do bairro.
Tamb�m gostaria que Miranda tivesse um futuro melhor longe destas ruas.
Sastre n�o teria sido contra.
-Aonde vai? -� igreja.
Vou rezar pela alma do rapaz.
-Asun. -Oi, Miguel.
Como est� Dela?
Temos que esperar.
Os m�dicos dizem que � um traumatismo grave...
e...
que as pr�ximas horas s�o muito importantes.
Ele tem de come�ar a reagir e...
se recuperar.
Dela � forte. Sair� desta.
A cabe�a dele...
est� coberta com ataduras.
N�o d� para ver nem os olhos.
Est� cheio de tubos.
-Voc� precisa de algo? -N�o. Obrigada.
Ol�.
Sabe onde est� Miranda?
Acabou de sair.
Vou procur�-la. At� logo.
Sastre.
-Procure onde pendurar isto. -Aqui.
R�pido.
Aqui est�.
Ataduras.
Tem de encharcar.
Pronto.
Vamos ver.
Cruzes!
Calma, filha. Tudo bem. Vai ficar bem, vai ficar bem.
V� buscar �gua, Miranda.
Ande!
-Ele vai se recuperar? -N�o sei. S�rio.
Perdeu muito sangue, e tem risco de infec��o.
Vou aplicar o antibi�tico, mas ele est� fodido.
Posso fazer algo?
Aqui � frio. Talvez pudesse trazer um aquecedor, algo assim?
-Bom dia. -Como vai, chefe?
-Parece que foi uma noite agitada, aqui. -� o que dizem.
A que devemos sua presen�a?
S�o do Esquadr�o Antirroubos. N�o houve nenhum.
Estamos investigando alguns participantes nos eventos de ontem � noite.
E?
Achamos que est�o envolvidos nesses �ltimos assaltos a joalherias.
Ou�a, esses rapazes, no m�ximo, roubariam um caminh�o de torradeiras.
Mas servi�os t�o complexos como as joalherias, n�o.
N�o acredito.
Tem ideia do que houve ontem?
Pelo que soube, uma briga de bar. Que se intensificou...
e acabou em algo mais s�rio.
Soube que um dos que foi parar no hospital trabalha para o senhor.
Sim. Ali est�o.
Trabalham para mim. Mas n�o s�o meus amigos.
Depois que fechamos...
n�o sei o que fazem, nem me importa.
Mas, por favor, se quiser interrog�-los. Veja se sabem algo.
Trabalhei em muitos casos. E a maioria dos que resolvi
foi porque algu�m tinha algo a dizer.
N�o sei que porra acontece neste bairro...
que ningu�m viu nada, ningu�m ouviu nada, e ningu�m diz nada.
Sim. Este lugar � muito fodido.
Fodido, sim. Ontem � noite, mataram, em sua casa,
Isidoro e Esteban Garay.
-Tamb�m n�o sabe nada a respeito. -N�o. Nada de nada.
Ali�s, nem entendo por que algu�m mataria esses dois pobres velhos.
Claro. Vamos.
Mais uma coisa, inspetor.
Se estiver certo, e esses rapazes participaram desses roubos...
caso resolvido. N�o h� mais problemas.
Mais um sucesso em sua carreira.
-Deve valer uma medalha. -Algo assim.
Mas, sabe, tenho um palpite que esse caso ainda n�o est� encerrado.
� s� um palpite. Vamos.
O que aconteceu, loirinha?
Est� acordado!
-Estou uma merda, n�o �? -Vai ficar bom, s�rio.
Merda de namorado, o seu.
Talvez sua m�e esteja certa. S� fa�o voc� chorar.
N�o acho.
� verdade. S�rio.
N�o.
-Desculpe acabar assim. -N�o vai acabar nada.
Ou�a...
eu ia morar com voc�, n�o era?
Custei para decidir. N�o vai me abandonar, rapaz.
-N�o h� nada de que mais gostasse, mas... -Nada de "mas".
Sastre!
-Voc� nunca desistiu. -N�o.
E n�o desistir�, agora.
Al�m do mais...
temos muitos planos juntos.
Temos que fazer a mudan�a.
Temos que...
pintar a casa toda.
Tirar todos os m�veis.
Quero que saiba que...
esses dois �ltimos anos...
foram os melhores de minha vida.
S� por estar com voc�.
-Se eu n�o sair desta... -N�o diga isso.
Ent�o?
Acordou e desmaiou de novo.
� por causa da dor. Consegui dois frascos de soro e analg�sicos.
Como ele est�?
Continua com febre, mas parou de sangrar.
-Est� com aspecto melhor. -Sim.
� uma vantagem que tenha sobrevivido at� agora.
-E a�, cara? -Oi.
-Tem uma bebida, ou n�o? -Sim, claro.
Est� gelando um pouco.
N�o parece muito surpreso.
Fui eu que identifiquei o cad�ver para a pol�cia.
Flaco!
Ajudei um pouco. Deixei sua medalhinha nas roupas dele.
-Como voc� est�? -Vivo.
-Ficarei com ele hoje � noite. -N�o. Eu fico, Miguel.
N�o posso vir todos os dias. Ent�o, � bom que voc� descanse.
Miguel tem raz�o.
Est� bem.
-Diga o que tenho de fazer. -Nada. Deixo tudo pronto.
Aqui h� alguns analg�sicos, para a dor.
-Sabe p�r? -Sim.
-Amor. -Miguel, uma coisa.
Se come�ar a tremer, ou a temperatura subir muito, tem de ir para o hospital.
Est� bem.
Vamos.
Obrigada.
Tem um cigarro ou um baseado, algo?
Porra, cara. Durma.
Que porra de acompanhante.
-Mais flores? -Sim. � meu dia de generoso.
-J� soube? -H� algu�m no bairro que n�o saiba?
De que adianta cuidar de algo se n�o ficarem sabendo?
Alfredo, n�o quero mais flores.
Por que n�o mandou � fam�lia de Sastre?
Fiz isso. Mandei uma coroa com uma faixa: "Pr�ncipe do Bairro".
N�o se vanglorie.
� brincadeira.
N�o pretendo fazer nada disso.
N�o entendo por que se aborrece.
N�o consigo me alegrar pela morte de ningu�m.
Eu o avisei. Disse que, se me enfrentasse,
o pr�ximo enterro seria o dele.
�, j� sei.
O cara queria me matar. E n�o pretendo continuar falando disso.
Vista-se, por favor. Quero lhe mostrar algo
O que v� a�?
Um descampado...
e algumas casas velhas.
Saia.
Venha.
Daqui a uns dois anos, passar� uma avenida por aqui.
Ligar� o bairro com aquelas torres, ao fundo.
E tudo isso ser� urbaniz�vel.
Adivinhe quem comprou essas casas e esses terrenos.
Voc�, imagino.
Vou derrubar tudo e construir novas casas.
Pr�dios de dez, doze andares.
N�o ser� tudo para mim. Mas uma grande parte, sim.
Quem mora a�?
Uns velhos. Assim que eu tiver a licen�a...
eu os tirarei e come�arei a construir.
Por que est� me contando isso?
Por que acha que Sastre me odiava tanto?
Ele amava tudo isso...
essas ruas, essa gente. Para mim, parecem uma merda.
Um mundo que vai para o caralho.
Eu quero fazer coisas. Ele queria que tudo continuasse igual.
Apostou a vida e perdeu.
Podemos ir, agora?
Carol, quando liguei ontem � noite, onde voc� estava?
-Fui dar uma volta? -Foi atr�s dele?
Sim.
N�o queria que ele estivesse l�, quando seus homens chegassem.
Por qu�?
Para que se afastasse de tudo isso. Ele n�o pertence a este lugar.
J� n�o tem nada para ele.
Tem certeza?
Sim.
Vamos.
O que foi? Est� me roubando?
Sim. Vou deixar voc� na rua.
Pegue tudo. Estou fodido.
Vai ficar bom.
Se eu sair desta...
quando El Chatarrero souber que estou vivo, vir� atr�s de mim.
Eu poderia morar com voc�, n�o?
E Miranda?
Ela est� melhor sem mim.
Vou lhe dar mais uma destas. Voc� precisa descansar.
Sei que um dia poder�amos ser os chefes destas ruas.
N�s dois.
Fico feliz porque voc� n�o estava no bar.
Sa� justo antes de tudo come�ar.
Filho da m�e sortudo!
Descanse.
Estou aqui.
Qual �! Agora � minha vez.
-J� passaram dez minutos? -Mais!
� demais! Melhor do que uma BMX!
Podemos dar uma volta no terreno baldio, hoje � noite.
Est� bem.
-Venha c�, moleque safado! -N�o!
-Acho que est� com meu filho. -Sim, senhor. Est� l� atr�s.
Eu j� ia chamar a pol�cia, mas um vizinho disse que era seu filho.
Como sabe que foi ele?
Porque o vi na rua, dando volta de bicicleta, como se n�o fosse nada.
Seu filho � um ladr�o e quase um assassino.
Foi voc�?
Levante-se, merda!
Foi voc� que roubou a bicicleta?
-Foi voc�? -Sim.
Imprest�vel! E n�o chore! N�o chore que lhe dou raz�o para chorar!
Ou�a, ou�a! Aqui, n�o! � melhor resolver isso em casa.
Por favor.
Venha, ande, filho da puta!
Ande!
Bom dia.
Voc� dormiu?
Preciso levar esse ouro e algum dinheiro.
Leve.
Onde escondeu a pistola que usou para matar Pastor?
Por qu�?
Diga.
Oi, meu amor.
-Bom dia. -Bom dia.
-Ei! Como ele passou a noite? -Melhor. A febre baixou.
Os antibi�ticos funcionaram.
Marta!
Tome. Para voc�.
Est� me pedindo em casamento?
Agrade�o muito sua ajuda com Sastre.
Bobagem.
� lindo.
Miguel?
Eu teria me contentado com um convite para jantar.
-Ol�. -Ol�.
Como vai Dela?
Melhor.
Fez uma cirurgia ontem � noite. Um co�gulo na cabe�a.
Os m�dicos disseram que correu tudo bem.
Que temos melhores possibilidades.
Fico feliz.
Asun, preciso lhe pedir um favor.
Preciso do equipamento que ele usava para abrir cofres.
N�o est� aqui.
Mas certamente voc� sabe onde ele guarda.
O que vai fazer? Mais roubos?
N�o se trata disso.
Mas � para algo muito importante. Preciso.
Ajude-me.
Tenho de fazer algo por Sastre e por Dela.
D�-me um minuto.
Miguel...
fa�a com que esses canalhas paguem.
Que paguem!
-Tome mais um pouco. -N�o quero mais sopa, porra!
Que merda!
-Ol�, -Como vai?
Tudo que faz � se queixar. Ent�o, acho que melhor.
E voc�?
Vou deixar voc�s a s�s.
Comporte-se.
-Preciso de um cigarro. -N�o! Cigarro, n�o!
Porra, n�o seja como ela, voc�, tamb�m.
S� uma tragada.
Que del�cia!
-O que pretende com tudo isso? -Tudo o qu�?
Porra, Miguel. Pistola, o ouro.
Tudo.
-Vai me contar, ou n�o? -Claro.
Lembra-se daquela hist�ria de �ndios que papai nos contava?
-Sim, claro. -Que bom.
Bem...
faziam os inimigos acreditarem que estavam vencidos.
Quando ficavam confiantes, tinham uma surpresa para eles.
El Chatarrero n�o vai ceder, Miguel.
Porra, cara.
N�o por mim, mas por seu pai.
Voc� nem sabe se vai dar certo.
Vale a pena tentar.
N�o vai me ouvir, n�o �?
N�o.
Est� bem. Ent�o, vou com voc�.
Est� bem.
-Merda. -Devagar.
Vamos, vamos, calma.
O que lhe dei n�o o antibi�tico.
-Voc� � um filho da puta, sabe? -Sei.
-N�o fa�a isso, porra. S�rio. -Calma.
Descanse.
N�o se preocupe, ele ficar� bom. D�-me o casaco.
-Ol�. -Ol�.
Trouxe revista em quadrinhos. Esta � a �ltima de Pulgarcito.
Ainda n�o li.
Deixe a�. Leio depois.
-Por que n�o contou a verdade? -N�o sou dedo-duro.
Sinto muito, Sastre. Sinto muito.
Foi tudo culpa minha. Mas isso n�o ficar� assim. Juro.
Soube que ele roubou a bicicleta. E que faltou pouco para matar o homem.
Miguel disse que Sastre n�o fez isso.
-E voc� acredita? -Acredito.
N�o sei o que ele contou. Mas todos dizem que, n�o fosse o pai, ele seria preso.
Se n�o tivesse o pai que tem, essas coisas n�o aconteceriam.
N�o falariam dele assim.
Por favor, n�o arranje encrenca.
N�o est� cansada de injusti�a? Porque eu estou!
Muito cansado disso tudo.
Esse homem � militar e carrega uma pistola na cinta.
-� capaz de atirar em voc�. -� um covarde.
� preciso muita coragem para matar um homem.
-Tomara n�o esteja errado. -N�o me importa se estou errado.
Como pai, � o que devo fazer.
Carol, preciso falar com voc�.
-N�o temos mais nada para falar. -N�o tem nada a ver conosco.
Se � sobre Alfredo, ou Sastre, n�o me interessa.
-Voc� tem de me ouvir! -N�o. Ou�a-me, voc�.
Quero esquecer tudo que houve nessas semanas. Ent�o, deixe-me em paz.
Garanto que n�o quer uma cena no meio da rua.
Solte! Solte!
Entre.
Vou contar a El Chatarrero sobre n�s.
-Por Deus, Miguel. Ele j� sabe. -Eu sei.
Mas escolherei um momento em que n�o queira ouvir.
Para qu�? Pedi a voc� que cuidasse de minha vida?
Ou�a, Carol. Voc� merece algo melhor.
Talvez fosse bom um empurr�o para sair daqui.
Quem voc� pensa que �, porra?
-Deixe que cuido de minha vida. -N�o vou deixar que acabe assim.
-Vou faz�-lo por Sastre! -Sastre est� morto!
Esque�a!
Era meu amigo. Como um irm�o.
Amava voc�. N�o espero que entenda.
Vou fazer isso por ele, por mim e pelo bairro.
N�o quer viver neste bairro de merda.
� meu bairro de merda.
Vou fazer isso hoje � tarde, quando ele fechar o armaz�m.
Eu n�o ficaria esperando por ele. N�o acho que ele v� aceitar bem.
Est� louco!
Louco varrido.
Ele vai matar voc�. Sabe disso!
� poss�vel.
Voc� n�o se importa! Por favor, Miguel, estou pedindo por favor.
-J� tem o que veio buscar. -Carol, fa�a as malas.
V� ficar com sua amiga, ou sei l�.
Que ele n�o encontre aqui hoje � noite.
Rabal, sirva a esses senhores o que quiserem.
Eu pago.
Esta rodada � por conta do Sr. Alfredo.
Rabal, uma cerveja, por favor.
Como foi com a pol�cia?
Esteve na delegacia, n�o �?
Queriam que eu assinasse a declara��o. Afinal, identifiquei o cad�ver.
Deve ter sido dif�cil.
Tamb�m fizeram perguntas sobre Sastre.
Quem sabia em que andava metido, quem poderia t�-lo assassinado.
E?
Respondi que n�o sabia nada.
� disso que gosto nos homens deste bairro.
Sabem manter a boca bem fechada.
Sim. � o que nos ensinam desde pequenos.
Contaram-me que levou um tiro no meio da cara.
Como podem ter feito isso? N�o entendo.
Pergunte a quem o fez.
Cobre, Rabal. Aqui est�.
Vai ver Carol?
Pergunto porque, se voc� n�o for, eu gostaria de ir.
Tem sido dif�cil esperar que voc� saia da cama dela para eu entrar.
Cale essa maldita boca.
Quem deveria calar a boca � ela. Os vizinhos est�o reclamando.
Como geme, meu Deus!
S� de pensar, j� fico com tes�o.
Perro!
N�o quero mais brigas em bares.
Na verdade, fiquei surpreso.
Carol me contou que voc� sabia sobre n�s.
Voc� carregou os chifres com muita dignidade.
Admir�vel.
Sou uma caixa de surpresas.
Sim.
Filho...
se fosse voc�, sairia correndo e n�o voltaria t�o cedo.
Mais uma cerveja, Rabal.
Carol!
Vamos atr�s desse filho da puta!
Saiu do bar faz tempo.
Este aqui disse que viu as luzes acesas na oficina do pai dele.
Vamos peg�-lo.
E ela?
Amanh� cuidaremos dessa puta.
Quero deixar seu corpo no meio do bairro para todos verem.
-Onde est� Miguel? -Disse que n�o viria.
Que horas s�o? Tenho de ajud�-lo.
Ei! Aonde vai?
Se levantar, os pontos podem abrir, e pode ter uma baita hemorragia.
-N�o me importa. -Sastre!
V�o mat�-lo, Miranda.
-Tenho de fazer algo. -Sastre, por favor.
N�o sei o que pensar, s�rio.
Ou perdeu a cabe�a, ou tem colh�es quadrados.
Ela dizia a mesma coisa.
Levem-no para o descampado, no mesmo lugar onde acharam o amigo.
Esperem... Esperem!
-Espere! Posso compensar! -Quero ver seus ovos na ponta de um pau!
Trinta quilos de ouro! Eu lhe dou tudo!
Desapare�o do bairro para sempre.
Parem!
�amos fazer um roubo. O �ltimo.
Seria... Mas, sem Sastre, n�o posso fazer.
De que est� falando?
H� uma f�brica. Compraram um mont�o de ouro.
� s� entrar, pegar e sair.
De que precisa?
De sua ajuda.
Quando abrir o cofre e estiver com o ouro, mate-o.
Ali mesmo?
Sim.
A ideia � invadir esse dep�sito.
Abrir um buraco na parede e entrar na f�brica.
N�o.
Vamos entrar na f�brica, direto.
Acho que est� se esquecendo de algo.
Portas e janelas est�o ligadas � pol�cia. Estariam aqui em cinco minutos.
Veja, esse golpe n�o me ocorreu no �ltimo momento.
Levei semanas planejando.
Esta � a parede dos fundos da f�brica.
Comece a quebrar.
Ande.
Para tr�s.
Pare, porra! Assim, vamos passar a noite toda aqui!
Yogi.
Est� bem.
Est� bem, est� bem. Chega.
Isso est� pronto.
Voc�, primeiro.
Miguel?
Miguel?
Miguel!
Perro!
Perro!
Miguel! Filho da puta!
Depressa! A pol�cia est� chegando!
Obrigado, Santos.
Calma! Calma!
Onde est� Cabeza de Perro?
N�o sei.
Talvez a caminho do hospital.
Ou da delegacia.
N�o quero matar voc�, ent�o, n�o me obrigue.
A pol�cia vai interrogar Cabeza de Perro. E vir�o atr�s de voc�.
Voc� vai passar alguns dias respondendo a perguntas.
E eu farei a primeira.
Onde est� o cofre?
De que est� falando?
Que cofre?
Pensa que sou idiota?
Durante meses, eu lhe trouxe ouro, e voc� pagou com um monte de dinheiro.
Quer que acredite que guarda tudo na gaveta? Por favor!
Isto � Tetu�n.
Onde est� o cofre?
Est� cometendo um erro.
Ser� um rapaz muito rico.
Pegue tudo e leve.
Sente-se.
Deixe as m�os sobre a mesa.
Isto � por meu pai...
por Sastre, por Dela...
por Carol e pelo bairro.
Ei! Quem est� a�?
-Venha c�! -Solte!
-Est� roubando de mim, �? -N�o!
Porra!
Esse n�o vai dizer nada, chefe.
� uma pistola nove mil�metros. Certamente, a que estamos procurando.
Quero confirma��o da bal�stica.
Veja isso.
Com certeza, o que pegaram nos �ltimos roubos.
Pensar que estava aqui o tempo todo!
Mas...
por que ele se suicidaria?
Sei l�. Deve ter pensado que algo ia mal,
que n�s o pegar�amos, e n�o queria passar 20 anos na cadeia.
N�o sei. Uma coisa assim, se matar...
Seja o que for que lhe pensou, tanto faz.
Este caso est� encerrado.
� o que parece.
Que horas s�o, amor?
Quase uma.
-Como est�? -Bem.
Quase n�o tem febre.
Espere, espere.
N�o precisa mais ir embora deste bairro de merda.
O que aconteceu?
-Boa tarde. -Boa tarde.
N�o estou em servi�o. Venho em paz.
Entre.
Acabei de fazer um caf�? Quer?
Ora, obrigado. Sim.
-Consegui trabalho em um jornal. -Volta ao jornalismo?
Exatamente.
Tem a ver comigo, embora n�o acredite.
A��car? Leite?
N�o. Puro est� bom, obrigado.
Voltou a fumar?
A vida � muito curta para deixar de fazer o que gosta.
O que houve com El Chatarrero?
Suicidou-se. Ou � o que parece.
Embora n�o esteja t�o claro para mim.
Como tudo, nesse caso.
Sei.
Ali�s, parece que se enganou, ao identificar o cad�ver de Sastre.
Eu o encontrei na rua, outro dia. Quase me borrei de susto.
Soube que saiu de f�rias com a namorada.
Sinto muito. Eu me enganei.
E me viu na TV, na entrevista � imprensa?
Sim.
-Podemos ser informais? -Claro.
Voc� ouviu o que eu disse, n�o?
Investiga��o encerrada, caso arquivado.
S� queria lhe dizer...
na verdade, digo, que espero que n�o tenhamos de reabri-lo.
N�o o far�. Eu lhe garanto.
-Viva os noivos! -Viva!
SEIS MESES DEPOIS
Beijo! Beijo! Beijo!
-Querem que beije voc�! -E da�?
-Merda! Caixas de bebida? -O que acha?
-S�o pesadas. Por que n�o me chamou? -N�o quero que se aposente.
-Asun me mata! -Matar? Ou coisa pior.
Contratou-o como barman? Estamos ferrados!
Ele s� sabe escrever.
-Ao noivo! -A voc�s!
Sastre, pensei que fosse mais forte.
Que porra � isto?
Um mont�o de dinheiro.
Legendas: Marcia Torres
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