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SÉRIE BASEADA EM FATOS REAIS
ALGUNS PERSONAGENS E ASPECTOS FORAM ALTERADOS
OU CRIADOS PARA FINS DRAMÁTICOS
O nome do suspeito é Robert Napper.
Está no Hospital de Segurança Broadmoor desde 1995.
Condenado por homicídio duplo e vários estupros,
e suspeito de muitos mais.
Napper matou Rachel, André.
E esta equipe vai provar isso.
E eu devo acreditar em você?
CONSULADO BRITÂNICO, BARCELONA
Por quê?
Bem, a confirmação pelo DNA é bem provável…
Se isso fosse prova, diria que acusaram esse homem,
mas não é o caso, é?
A amostra ainda não tem padrão probatório.
E se nunca tiver?
Já presumimos que precisaremos de outras provas.
Com um suspeito principal, a busca é mais focada.
Então ele não admitiu?
Não o entrevistamos ainda.
Mas sabemos pelos seus outros crimes
que ele só se responsabiliza quando não tem escolha.
A equipe do Stagg se concentrou na confissão.
Sei o que fizeram.
Nosso foco é ter provas irrefutáveis e provar sem dúvida alguma
que Napper é culpado.
Olhe,
eu entendo que você queira certeza.
Quero a verdade.
Sobre aquele dia e os dias seguintes em que ninguém foi responsabilizado.
Quando tiver isso,
eu vou ouvir.
Está bem.
A TESTEMUNHA
Um caso não resolvido de 14 anos atrás.
Esta investigação, em uma década e meia,
foi reduzida, depois revista, e está investigando novas evidências.
Mas, até agora, não houve novas acusações.
O que seu pai vai fazer hoje?
Não me importo.
André? Você está aí?
É o Francisco.
Não o vejo há meses. Onde você está?
Estamos preocupados com você.
Como colocamos Robert Napper em Wimbledon Common
na manhã de 15 de julho de 1992?
Começamos provando que ele não estava onde disse.
POLÍCIA METROPOLITANA DE LONDRES
Bom. Onde seria?
No trabalho. Serco, em Greenwich. Teria passado o dia todo lá.
Algum ex-colega ainda está na região?
O capataz. Ele foi entrevistado na época.
Ele tinha calendários anuais com os turnos dos funcionários.
Mas não acharam 1992.
Acha que devemos falar com ele de novo?
- Acho que não. - Também acho.
No entanto, precisamos analisar tudo…
Tudo e todos como se nunca tivessem sido analisados.
- Tem aquela pegada? - Sim, aqui está.
Tone, tem uma pegada.
Uma das únicas evidências físicas
da cena do crime original, certo?
Benno vasculhou os arquivos tentando compará-la aos sapatos do Napper,
mas…
não havia sapatos no quarto do Napper no dia em que o prenderam.
- Nenhum. - Então…
Estamos pensando…
o que ele tinha nos pés quando foi preso?
Ele nunca mais foi solto, certo?
Não.
Ainda poderia estar com os pertences dele?
Estão nos armários de Broadmoor há dez anos.
Vale a pena olhar.
Com cuidado, depois da última vez.
Não fale a ninguém antes de termos um mandado.
- Sim. - O quê?
Já pediu um mandado para vasculhar uma prisão?
Alex?
- Você está bem? - Estou.
Como foi sua semana?
Tudo bem.
É? E no trabalho?
Sim, tudo bem.
E com você?
Tudo bem.
Quer comer agora ou depois?
Vou comer na casa da Anna.
Só vim pegar umas coisas.
Certo.
Por que não me avisou?
- Achei que tinha avisado. - Quando, Alex?
Você nunca está aqui.
Estou agora, se quiser conversar.
Não há muito o que falar.
Não sei se quer saber se a polícia me ligou, mas…
não ligaram.
Não chegaram a lugar nenhum com o novo suspeito.
Vou tomar banho.
Trabalhei lá há mais de dez anos.
E você não sabe dizer com certeza
se Napper estava ou não no trabalho naquele dia?
Tenho uma memória boa, mas…
Sabe de alguém que lembraria?
Como eu disse, Napper não ficou muito tempo.
E eu só o vi falando sozinho.
Lembro que as garotas o evitavam.
- Sabem que eu já contei isso? - Sim.
E você guardou alguns calendários anuais?
Na garagem, sim. Nem sei por que os guardei.
Mostravam os turnos dos funcionários.
Dei o de 1991 e 1993 para os outros. E o resto foi para o lixo.
Não achou o de 1992?
Não.
Podemos dar uma olhada?
Não vai querer entrar lá.
Não, você tem razão. Eu não quero.
- São enormes. - Certo.
- Ficavam na parede. - Sim.
Puta merda.
Aqui, chefe.
CALENDÁRIO ANUAL DE TURNOS 1992
Feliz Natal.
Sim.
Certo. Aqui está ele.
Robert Napper.
Quarta-feira, 15 de julho. Ele teve o dia todo de folga.
Tem certeza?
George é meticuloso. Ele tem certeza.
Robert Napper estava de folga o dia todo.
Agora podemos provar onde ele não estava.
Vejamos se ele diz onde estava.
HOSPITAL DE SEGURANÇA BROADMOOR, INGLATERRA
Obrigado novamente.
Você é a advogada dele?
Isso mesmo.
E se a equipe médica notar qualquer problema durante a entrevista,
vou pará-la imediatamente.
Bob é frágil. Mentalmente.
Bob também é um prisioneiro condenado.
- E suspeito de assassinato. - Na verdade, não é um prisioneiro.
Ele é um paciente.
Aqui é um hospital, não uma prisão.
Bob. Temos uma cadeira para você aqui.
- Vamos lá. - Olá, Robert.
Vamos. Isso mesmo.
Isso.
Certo.
Estamos aqui para falar sobre Rachel Nickell.
Conhece esse nome, não é?
Já perguntaram sobre a Rachel, certo?
Rachel foi agredida sexualmente e assassinada em 1992.
Graças a avanços científicos,
identificamos um DNA masculino anteriormente desconhecido
encontrado no corpo da Rachel.
E é seu, Robert.
Você entende o que é DNA?
É algo só seu, como uma impressão digital.
Sim. Também significa que você teve contato físico com a Rachel naquele dia.
Não é?
Se puder nos explicar, Robert, esta é sua chance de fazer isso.
Por que não conta o que aconteceu?
Está ouvindo?
Não fizemos isso.
Você trabalhava na Serco, em Greenwich, Robert.
Eles têm um calendário anual.
Ele prova que você não estava no trabalho naquele dia.
E prova que mentiu para a polícia quando perguntaram sobre a Rachel em 1995.
Por que você mentiu?
Onde você estava no dia 15 de julho?
Robert.
Sem comentários. Obrigado.
Sobre o que mais mentiu?
Estava em Wimbledon Common naquele dia?
Você matou Rachel Nickell, não foi?
- Detetive… - Por que deixou o menino viver?
Ficou sem tempo depois de matar Rachel?
Conforme a declaração que li,
meu cliente não responderá mais nenhuma pergunta.
Por que mães?
Sua mãe o expulsou aos 18 anos…
- Detetive Nash! - Já chega.
- Obrigado. - Obrigado.
Você está bem?
Sim.
Você está em um hospital, não em uma prisão.
Vamos conseguir o mandado.
Certo.
DEPÓSITO DE PERTENCES 1
A polícia está investigando um homem de 40 anos sobre Rachel Nickell.
Avanços no DNA identificaram este suspeito em particular.
Acredita-se que o homem esteja sob custódia no Hospital Broadmoor
por outro crime.
A polícia não confirma o nome,
apenas dizem que estão falando com um homem de 40 anos,
o que faz parte de investigações em curso sobre o assassinato da Rachel.
Manteve sua promessa.
Você me fez chegar aos 18 anos inteiro.
E você está?
Estou o quê?
Bem,
você está…
inteiro?
- Sim, acho que sim. - Sim?
Certo. Então você acha que deixou tudo para trás agora?
Vamos fazer isso agora?
Eles me disseram: "Ele precisa de sinceridade."
E tentei me ater a isso. Eu tentei.
E sinceramente, Alex,
de adulto para adulto…
não acho que deixou.
Nem um pouco.
- Só quero seguir em frente. - Eu sei.
Parar de viver no passado.
O que isso quer dizer?
Devo fingir que nunca aconteceu, como você faz?
- Sei o que aconteceu. Eu estava lá. - Eu sei, mas não sabe quem foi.
Ou por que ele ainda está livre.
Nós não temos a verdade, Alex.
E acho que até a termos, não podemos ter paz de espírito.
- Paz de espírito? - Para nós dois.
Talvez não consiga isso.
Está perdendo seu tempo.
Você precisa aceitar isso.
E apenas seguir com a minha vida?
É o que acha que tem feito? Procurando respostas na religião?
Não é religião. É fé.
Encontrar o próprio caminho.
Ou talvez…
Talvez só esteja se distraindo.
O que quer que eu esteja fazendo, não é mais problema seu.
Certo.
- Senhor? - O que é isso?
Marrom.
Como descrito pela testemunha.
Certo. Vamos levar aos especialistas.
Caramba.
Certo, pegue isso.
Com certeza, você encontrou algo.
Quando Alex foi examinado no dia, pentearam o cabelo dele
e encontraram pequenos fragmentos de tinta metálica.
Tinta vermelha.
Como teria parado lá?
Não sabemos, mas é a caixa de assassinatos do Napper, não é?
Melhor ainda, ainda temos as amostras do cabelo do Alex.
Qual é a má notícia? Sempre há más notícias.
O desafio é que fazer o teste nesses fragmentos irá destruí-los.
Basicamente, só temos uma chance.
Se não funcionar, a evidência estará perdida.
Tanto isso quanto os sapatos precisam ser compatíveis para acusá-lo.
Sim. Com relação aos sapatos…
Não analisaram ainda, mas o tamanho parece errado.
Puta merda.
No entanto, vão levá-los ao parque
para testá-los em condições idênticas.
Então…
cruze os dedos.
Sim, muito científico.
Chefe?
Ligação para você.
Perícia. Diz que só vai falar com você.
É uma intimação, Robert.
Está sendo acusado do assassinato de Rachel Nickell.
Não fizemos isso.
Está bem.
Quem era no telefone?
Pai?
Era a polícia.
Ele foi acusado?
Eles…
querem saber se iremos ao julgamento.
Está pensando em ir depois da última vez?
Não quero confiar em alguém de novo.
Eu preciso ver.
- Nós dois precisamos. - Não tem nada a ver com a gente.
Disseram que a probabilidade deste perfil de DNA
pertencer a outra pessoa é de 1 em 12 milhões.
Eu não vou, pai.
Não vou, e você não deveria ir.
Um homem de 41 anos acusado pelo assassinato de Rachel Nickell
está sob custódia.
Robert Napper participou por vídeo do Hospital Psiquiátrico Broadmoor.
Foi solto sob fiança até a audiência no fim do mês.
Pai?
- Pai. - Eu sei.
Eles sempre souberam onde estávamos. Estavam esperando uma desculpa.
Tentei brigar com eles e não funciona. Pare.
Eu garanto, fale comigo e os outros o deixarão em paz.
Não temos mais a dizer.
- Está perdendo tempo. - Podemos pagar.
- Vá se foder! - Alex!
É você, Alex?
Chamamos a polícia. Está invadindo.
Vá embora. Saia daqui!
Estão falando com os vizinhos. A cidade inteira vai saber.
- E daí? - Alex, e a Anna?
- O que tem ela? - Não contou a ela, né?
Ela não deveria saber por você?
Alex!
Alex, como vai? Sou Pete Collier, do The Sun.
Só preciso de dois minutos.
Sua mãe parece incrível.
Eu me lembro do rosto dela, mas…
acima de tudo, me lembro da sensação…
de ser completamente amado por ela
e amá-la completamente.
E ainda sinto o cheiro dela.
Tenho um frasco do perfume dela.
Por que não me contou?
É uma vida diferente.
E não estou acostumado a falar disso.
Meu pai sempre foi tão…
A bolsa perto da porta,
sempre pronto para fugir se…
E agora encontraram vocês.
O que acontece agora?
Desta vez, não vou fugir.
Sei que muita gente tem feito perguntas.
Entende por quê, não é?
Sabem que ele é milionário.
Por isso eles voltam. Sabem sobre a família dele.
E a sua família, Bob?
Queria saber mais sobre eles.
Estão todos em livros de pessoas famosas.
Sei que seu pai era muito especial para você.
Você o admirava.
Eles não acreditam que…
Que eu… Que ele…
ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
Porque ele não lhes contava tudo.
Seu pai deixou você, não foi?
Alguns números foram duplicados.
Então esses anos pareceram levar o dobro do tempo que deveriam.
Percebi que você tem estado preocupado com os números
e outros pensamentos.
Mas por que será?
Do que tem tanto medo, Bob?
Todo o dinheiro está no banco. Em Sidcup.
O dinheiro de Star Wars.
Quero falar sobre a Rachel.
Acho que pode ajudar.
Não vou perguntar se você a matou. Não é meu trabalho como seu psiquiatra.
Meu trabalho é ajudá-lo a encarar a verdade.
Você pode achar que isso significa ficar aqui por mais tempo.
Talvez até para sempre.
Mas de alguma maneira,
poderia libertá-lo.
Acho que pode ser uma chance, Bob,
para você começar a progredir.
E a família da Rachel?
Tenho certeza de que é importante para eles saberem a verdade.
E o garotinho?
Ele não merece saber o que houve com a mãe?
E o garotinho dentro de você, Bob?
Ele ainda está aí, não é?
O que ele merece?
Cadê o Alex? Ele voltou para Londres?
Ele vai ao julgamento?
Acha que haverá justiça desta vez?
- Onde está o Alex? Onde ele está? - Só queremos conversar! André!
André, só queremos esclarecer tudo.
SEDE DA POLÍCIA METROPOLITANA DE LONDRES
Sr. Hanscombe.
André.
Comandante Campbell.
Desculpe fazê-lo esperar tanto.
- Íamos nos encontrar horas atrás. - Surgiu um imprevisto.
Por favor, sente-se.
- Lembro de você. - Sério?
Talvez. Embora eu só estivesse na periferia da investigação original.
Eu queria vê-lo porque acho que deveria saber de certos fatos
antes de contarmos à imprensa.
Fatos?
Sobre o Sr. Napper.
Parece que ele teve contato com várias autoridades quando criança
e mais tarde, antes de crimes mais sérios.
Quero assegurá-lo
de que só chamou a atenção da polícia por crimes pequenos.
Entretanto,
acho que podemos esperar que nossos amigos da imprensa,
sei que já sabe como são,
aumentem o que na realidade é muito pouco.
Está dizendo que… sabiam sobre ele antes dos assassinatos?
Em retrospectiva, faz sentido, André.
Mas, na verdade, ninguém poderia ter previsto
a extensão dos crimes do Napper.
Agora, eu insisto…
que não se envolva com a imprensa, para seu próprio bem.
Sabe como são.
O importante é que você e seu filho tenham a justiça que merecem.
Deve ser o único foco.
Para todos nós.
Obrigado por vir.
TRIBUNAL CRIMINAL CENTRAL, LONDRES
Oi.
Silêncio no tribunal.
Levantem-se.
Por favor, sentem-se.
O acusado pode se levantar?
Robert Clive Napper,
você é acusado de, em 15 de julho de 1992,
em Wimbledon Common, Londres,
assassinar Rachel Nickell.
Como se declara?
Inocente
de homicídio,
mas…
culpado de…
responsabilidade diminuída.
Desculpe. Culpado de…
homicídio culposo por responsabilidade diminuída.
O Sr. Napper tem Síndrome de Asperger desde a infância,
e, mais tarde, esquizofrenia paranoica.
Mas a psicose dele é evidente desde 1989,
quando deu entrada no hospital após uma tentativa de suicídio.
Ele acha que tem poderes telepáticos.
Ele também fala sobre ter sido atacado pelo IRA
e que seus dedos explodiram ao desarmar uma bomba.
Ele diz que os dedos cresceram de novo porque ele inalou vapores brilhantes.
Sr. Napper, levante-se.
Você esfaqueou a Rachel 49 vezes.
Enquanto isso, Alex estava presente.
As marcas no rosto dele provam que, na minha opinião,
você o arrastou para longe da mãe.
Ele não ter sido morto, como depois Jazmine Bisset foi,
é explicado pela sua ansiedade em não ser pego
se ficasse por muito tempo.
Agora, no início da idade adulta,
Alex sabe que o homem que matou a mãe dele
foi trazido, embora tardiamente,
à justiça.
Talvez agora ele possa fechar um longo capítulo em sua vida.
Você é, na minha opinião, um homem muito perigoso.
Deve voltar imediatamente a Broadmoor,
e você nunca será solto,
a menos que não seja mais um perigo para o público.
É improvável que isso aconteça.
Tem algo a dizer?
Meu cliente gostaria de se desculpar aos amigos e família de Rachel Nickell
pela coisa terrível que fez,
e também a Colin Stagg, que foi injustamente acusado do crime.
Levem-no.
Alguém pode pedir desculpas ao garotinho?
André.
Ficou feliz com o veredito?
Pode deixar tudo para trás, não é?
O Comissário Adjunto Yates vai dizer algumas palavras à imprensa.
Queria saber se quer acrescentar alguma coisa.
Depois de todos esses anos, é o que tem a dizer?
Como?
Por que demorou tanto?
Podiam tê-lo impedido antes de ele matar alguém. Não é?
- Acho… - Não é?
Então, não, não tenho nada a dizer.
Nem para eles, nem para você.
E um homem admitiu o homicídio culposo de Rachel Nickell.
A polícia admite que Napper podia ter sido impedido.
Perderam várias chances de prendê-lo.
Finalmente, podemos dizer
que conseguimos justiça para Rachel e a família dela.
Agora, com relação a Colin Stagg.
Em agosto de 1993, ele foi injustamente acusado de matar Rachel,
e hoje peço desculpas a ele,
e também reconhecemos o enorme e duradouro impacto
que isso teve na vida dele.
Agora também é apropriado reconhecer
o trabalho focado e profissional da atual equipe de investigação
que nos trouxe a este ponto.
Eles têm sido incansáveis em sua atenção aos detalhes,
e sua determinação ao longo de vários anos para encontrar provas
finalmente levou Robert Napper à justiça.
O que soubemos hoje é como Napper evitou ser capturado,
devido mais à incompetência institucional da Polícia Metropolitana
do que à astúcia do assassino.
Por que o assassino se desculpou se não afeta a pena dele?
Aquele homem não está bem, Alex.
Sabemos disso há muito tempo.
Nem sei se ele sabe por que disse aquilo.
Você ainda está procurando algo, não é?
Não preciso de mais conselhos.
O julgamento…
O julgamento não significa nada para mim.
E quanto ao Robert Napper?
Eu ia querer saber o motivo.
O motivo do quê?
Por que ele fez o que fez.
Porque é doente?
Ele ainda fez uma escolha.
Mas por quê?
Você merece uma explicação.
LONDRES
Dra. Monroe.
- Posso falar com você? - Desculpe, estou atrasada.
Você tratava Robert Napper, certo? Foi um dos médicos dele.
Não tenho mais nada a dizer à imprensa.
Não sou da imprensa.
Sou Alex Hanscombe. Filho da Rachel Nickell.
Só preciso de 15 minutos, por favor.
Não posso dizer nada além do que já é domínio público.
Você pode me dizer quem ele é, e como ele é.
Há muito pouco a contar.
Soube que ele sofria bullying na escola. A mãe e o pai dele brigavam muito.
Bem, isso é um eufemismo.
Robert era o mais velho, e…
ele e a mãe sofreram muito com a violência do pai bêbado.
A Síndrome de Asperger não foi diagnosticada por muito tempo,
aumentando seu isolamento.
E por volta dos 12 anos, ele foi gravemente agredido.
Isso está registrado.
O homem foi acusado.
Robert foi estuprado em um bosque por um amigo da família.
Por que ele atacou mulheres?
Por que escolheu mães com filhos?
Não posso te dizer porque não sei.
Sei que não tem as respostas.
O que quero dizer é que Robert nunca falou sobre seus crimes.
Com ninguém, que eu saiba.
É possível que estivesse violentamente zangado com a mãe
por seu pai ir embora.
E ele a punia repetidamente
na forma de mulheres que estavam sendo maternais
de uma forma que ele nunca teve.
O que está dizendo é que…
minha mãe era a mãe dele?
Pode ser.
Pode ser por isso que ele não matou você.
Porque você era ele.
Ele se lembra?
Lembra o que aconteceu com ele?
Acredito que sim,
mas tem poucas lembranças da infância.
Crianças traumatizadas e negligenciadas têm poucas lembranças de si,
e eventos que outras pessoas lembram,
como aniversários,
noites de Natal,
a maioria nunca aconteceu.
Então, há um vazio.
Tenho muitas lembranças
de antes e depois daquele dia.
Então…
você provavelmente se sentiu seguro e amado.
Alex.
Oi.
O que é isso?
Eu não sabia se devia te mostrar ou não,
mas mandaram para nós dois.
Foi enviado anonimamente de dentro da promotoria.
Parece que a polícia não contou tudo.
Tudo isso compõe um relato detalhado de todas as chances perdidas.
Senta aí.
Chances que perderam de deter o assassino.
Antes de atacar você e sua mãe, e quase cem outras mulheres.
Há muito mais do que a imprensa noticiou.
Por exemplo, em 1989, a própria mãe dele ligou para a polícia
e disse que ele confessou um estupro, e não fizeram nada.
Um ano depois de matar a sua mãe,
a polícia o pegou no jardim de uma mulher,
e só o levaram pro apartamento dele.
Três meses depois, ele matou Jazmine e Samantha Bisset.
E só continua, erro atrás de erro.
Várias oportunidades perdidas…
É isso que você esperava? Isso finalmente te traz paz de espírito?
Não, Alex, é que…
Isso prova que falharam com todos nós.
- Há sangue nas mãos deles também. - Podem ter falhado com ele também.
Como?
Não disse por que fui a Londres.
- Falei com a médica que o tratou. - Médica?
Falou com a psiquiatra dele? Por quê? Alex…
Ele passou por coisas terríveis também.
- Isso não justifica nada. - Talvez pior do que…
Não se atreva a se comparar. Você não é como ele.
Essa é a questão!
É difícil fazer boas escolhas quando ninguém se importa com você.
Eu sempre tive isso.
Eu tinha minha mãe e sempre tive você.
Eu disse que não te respeitava e falei sério.
Não penso mais assim.
Respeito muito o que você fez por mim.
Você me manteve vivo.
Não, Alex, você…
você me manteve vivo.
Temos que focar no que ganhamos.
Para seguirmos em frente.
Sua mãe estaria orgulhosa de você.
Talvez…
talvez seja assim.
O quê?
Talvez seja assim que tornamos algo negativo em positivo.
Como?
Ainda não sei, Alex, mas…
Seja lá o que for, não vou conseguir sem você.
Sempre disseram que o assassino da minha mãe me poupou,
me deu uma segunda chance.
Mas não acho que ele me deixou viver.
O amor fez isso.
É interessante de ver, não é?
Pode andar mais no seu caminhão de bombeiro para mim?
O que é isso?
- O que é? - O que tem aí atrás?
- Martelo. - Martelo?
Sim.
Vamos, bombeiro, vamos para o gazebo, depressa!
Lá vamos nós. Tchau!
Estou atrás de você.
- Acho que você não está aí. - Eu te amo.
USANDO O DOSSIÊ QUE VAZOU DA PROMOTORIA DE JUSTIÇA,
ANDRÉ E ALEX ENTRARAM COM AÇÕES JUDICIAIS CONTRA A POLÍCIA METROPOLITANA.
A AÇÃO LEVOU A UM RELATÓRIO CONTUNDENTE
FEITO PELA OUVIDORIA DA POLÍCIA.
ELE LISTOU "…MÁS DECISÕES E ERROS POLICIAIS.
SEM ESSES ERROS, ROBERT NAPPER PODIA TER SIDO PRESO
ANTES DAS MORTES DE RACHEL E DAS BISSETS,
E ANTES DE MUITOS ATAQUES SEXUAIS A MULHERES."
UMA INVESTIGAÇÃO INTERNA ENCONTROU FALHAS GRAVES,
MAS NENHUM POLICIAL ENFRENTOU AÇÕES DISCIPLINARES FORMAIS.
A TÉCNICA DE APRIMORAMENTO DE DNA
DESENVOLVIDA PARA A REINVESTIGAÇÃO DO ASSASSINATO DE RACHEL NICKELL
FOI USADA PARA SOLUCIONAR MUITOS CASOS.
ANDRÉ E ALEX MORAM NA ESPANHA E CONTINUAM ACREDITANDO
NO PODER DA FÉ, ESPERANÇA E AMOR.
HOJE SÃO MAIS PRÓXIMOS DO QUE NUNCA.
BASEADO NO LIVRO LETTING GO DE ALEX HANSCOMBE
Legendas: Daniele N. Alves
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