Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Adoro estar no Exercito.
Adoro usar o uniforme, tenho orgulho em usa-lo.
Nunca na vida poderia ter imaginado que um dia acabaria por ser preso.
ESTAB. PRISIONAL REG. EXeRCITO
Depois do primeiro crime,
tudo aquilo em que acreditava no Exercito deixou de existir.
O pessoal do meu pelotao mudou, alguma coisa mudou nas pessoas.
Passou a ser o pelotao infernal.
Acusado de crimes chocantes. Entre eles, matar afegaos por desporto.
� epoca, o que se passava � nossa volta nao...
Nao era inconcebivel. Nao era bizarro.
Considerava-o uma coisa normal, sabe?
Era aceitavel.
Os soldados formaram alegadamente um Esquadrao da Morte,
que mutilava cadaveres, atirava � traicao sobre civis afegaos.
Neste momento, se me dessem um dedo humano, assustar-me-ia.
Mas la, estamos em combate. Acontece.
Os civis afegaos desarmados que escolhiam eram alvejados de pe e explodiam com eles.
Eu estava super determinado a evitar tudo isto e a manter-me de fora.
Nunca na vida quis matar ninguem.
Chris, pai do militar Adam Winfield, avisou o Exercito.
Tragicamente, os oficiais do Exercito recusaram-se a investigar.
O filho esta agora acusado do terceiro crime, ocorrido tres meses depois.
O seu filho e um informante ou um assassino?
e um informante. Ele tentou. O Exercito nao ouviu.
quando nos disseram que o Adam tinha sido detido,
achamos que ele estava seguro.
O Exercito disse-nos que tudo se ia resolver.
Mas assim que saiu do aviao,
prenderam-no por homicidio.
Nao sabiamos o que se passava. Nao sabiamos como tinha acontecido.
Sabiamos que, meses antes, tentara dizer �s pessoas o que se passava
e, agora, subitamente, estava acusado dos mesmos crimes que reportara.
FORT LEWIS, WASHINGTON
Esquerda. Esquerda, direita.
O Exercito diz querer avancar com este caso,
mas todas as ac�es empreendidas contrariam isso mesmo.
Era para ja termos ido a tribunal
e so agora e que p�em sobre a mesa novas provas que descobriram?
Tretas. Tudo uma treta.
Tenciono agora obter...
Estou preso ha 367 dias.
ESPECIALISTA
UMA ACUSAcaO DE HOMICiDIO PREMEDITADO
Estao a tentar condenar-me por homicidio premeditado em primeiro grau,
que da, no minimo, prisao perpetua.
Logo, estou constantemente deprimido.
E nunca na vida tive os niveis de ansiedade que tenho agora.
- O mesmo tipo, certo? - Sim.
Mesma situacao. O mesmo tipo que este.
O mesmo tipo que este.
As provas do Exercito...
Estando ja destacados, a dada altura,
os soldados do meu pelotao e o lider do esquadrao assassinavam pessoas.
Tentam dizer que esta e a vitima?
Bem, eles depois vem dizer que esta e a vitima.
Pensei: "Posso tomar aqui uma atitude e arriscar a minha vida,
ou posso apenas tentar manter-me fora disto o maximo
que puder.
Infelizmente, nao foi assim que aconteceu.
AFEGANISTaO, 2009
No Exercito, a nossa vida e um teste constante.
CABO
TReS ACUSAc�ES DE HOMICiDIO PREMEDITADO
es homem o suficiente? es duro o suficiente?
Consegues puxar o gatilho? Matar? Sobreviver?
O comandante da nossa brigada descreveu-o antes de partirmos.
"O Afeganistao e o paraiso do guerreiro."
O meu primeiro tiroteio...
Estavamos prestes a entrar numa aldeia pelo muro
e comecaram a voar balas por cima de nos.
A atingir as arvores mesmo atras de nos.
A primeira coisa que me veio � mente
foi Danger Zone, de Top Gun.
SOLDADO RASO 1.� CLASSE
UMA ACUSAcaO DE HOMICiDIO PREMEDITADO
E POSSE DE DESPOJOS HUMANOS
Foi intenso.
Foi mesmo fixe.
Ouviamos o tiroteio mesmo diante de nos
e havia helicopteros, avi�es de ataque e explos�es.
Toda a treta compensou naquele momento.
quer dizer, todos os exercicios de marcha e aquela merda toda, tinham valido a pena.
Nao sei se foi a adrenalina ou o que foi,
mas podermos finalmente comecar a fazer o nosso trabalho a serio
era fantastico. Muito fixe.
Alguns de nos... Estavamos perdidos de riso
quando comecaram a disparar.
O motivo que nos levou a alistar
justifica-se ali, de repente, uns 10, 15 minutos,
mas, depois, volta-se ao trabalho de sapa, entende?
Volta-se a odiar a vida. Uma treta.
Esta merda e uma seca.
Ca estamos nos.
No Afeganistao, cu do mundo.
Ja ca estou ha tres dias.
Isto e uma seca.
Esperava andar a escalar montanhas e em tiroteios todos os dias,
a andar na estrada dias seguidos.
Nao havia nada disso.
Dirigimo-nos a uma aldeia, localizamos o anciao local, o mullah, ou la o que e.
O tenente faz-lhe umas perguntas e depois regressamos.
Foda-se!
Explosivo improvisado.
Um, dois.
Um, dois, tudo bem?
Por que raio e que arriscamos a merda do pescoco?
Atravessamos o deserto, arriscamos que alguem va pelos ares,
so para ir fazer perguntas a um velhote?
Mas para que?
A patrulhar as ruas de... Onde estamos?
Estamos em Tabin-e Ulya.
- Tabin-e... Nao interessa. - Pois.
- Estamos no Afeganistao. - Fantastico.
Ha aqui muita gente amiga que nos quer matar.
O nosso maior medo e pisar minas terrestres.
Sim, olhem para o chao.
Ou chapas de pressao.
Temos de andar o dia todo,
a ver se nao pisamos em explosivos.
Treinamos este tempo todo para fazer uma so coisa,
cenas de contraguerrilha.
E, claro, ser um guerreiro e ir dar cabo deles.
Depois, chegamos la e somos obrigados a ajuda-los,
a construir-lhes um poco, uma escola e eu sei la.
Para qualquer operacao ofensiva
era preciso a porra da assinatura de um qualquer la de cima.
Do general chefao ou ate do Presidente Karzai.
Nao podes matar ninguem por este motivo.
Nao podes faze-lo por aquele motivo.
Eles rebentam contigo e e ve-los afastarem-se nos carros.
SOLDADO RASO 1.� CLASSE
SEM ACUSAcaO FORMADA
Nao era nada da loucura que todos diziam.
Talvez parte disso fosse a razao
pela qual as coisas aconteciam.
BASE CONJUNTA LEWIS-McCHORD
Ha alguns factos incontestaveis.
Ha um tipo morto,
duas pessoas a 15, 20 metros, de arma apontada para esse tipo,
um civil desarmado, que esta morto.
ADVOGADO DE DEFESA FUZILEIRO EUA (APOSENTADO)
E porque razao?
Ha que ter aqui muito em conta a questao moral,
pois ele nao esta totalmente inocente.
Acho que estou a ver isto numa outra perspetiva.
Alguem que esteja a ver isto de fora
tem de decidir se ha maior probabilidade ou nao,
ou acima de qualquer duvida, que este tipo,
nesse dia, soubesse o que se ia passar e tenha participado de bom grado.
E parece que sim, segundo uma versao da historia.
e plausivel. e possivel.
O Adam estava la. Disparou a arma dele.
Ha imensas testemunhas que o corroboram.
A unica diferenca e
o que lhe iria pela cabeca no momento?
Era ou nao um participante voluntario?
NOVEMBRO DE 2009
Estavamos a avancar com o batalhao por uma aldeia.
E nao tinhamos chegado sequer ha 30 minutos,
quando o lider do nosso esquadrao pisou um explosivo.
Acho que lhe cortou a perna esquerda.
So o pude ver no hospital, antes de ele ir de aviao para a Alemanha,
e estava muito sedado.
Tinha os olhos fechados, fomos la e dissemos-lhe:
"Desculpa nao te termos defendido, meu.
es um irmao para nos, gostamos de ti."
Vamos la a mexer!
Ficamos com um tipo a menos.
Precisavamos de um novo lider.
E creio que foi duas semanas depois
que o Gibbs apareceu.
Estavamos no pais ha um tempo
e andavamos a treinar entre nos ha anos. Aparece um tipo novo
e pensamos todos: "Mas quem e este cabrao?"
Depois de o vermos, foi do genero: "Ora bem...
Esta ali o modelo de um tipo da infantaria."
SARGENTO DE PESSOAL
TReS ACUSAc�ES DE HOMICiDIO PREMEDITADO E CONSPIRAcaO
Se o governo usasse uma linha de montagem,
seria aquele o homem.
Ja era veterano da infantaria.
Ja tinha estado no Afeganistao e no Iraque.
Nao tinha medo de mudar de tatica.
Trazer o combate ate nos em vez de procurar um inexistente.
Os outros lideres de esquadrao seguem as normas � risca.
O Gibbs era uma outra historia.
Se trabalhas para ele, tens hipoteses de voltar inteiro.
Ou podes trabalhar para o tipo que segue as normas e ires pelos ares.
Nunca me contou o que aconteceu no Iraque.
Mas eu vi-lhe as tatuagens.
PROVA EXeRCITO EUA
Ele estava a fazer exercicios fisicos e eu: "Caveiras.
que fixe. O que significam?"
Ele nao me respondeu,
mas depois perguntei a outra pessoa
que me disse: "Sao os tipos que matou."
GABINETE ADVOGADO DO JUIZ DO PESSOAL
SERVIcO DEFESA JULGAMENTO REGIaO OESTE
Nenhuma pessoa para la desta sala e nossa amiga.
Temos de proteger a area.
Ninguem entra nesta area.
Ninguem entra nesta sala.
Nao falamos com ninguem. Eles... Nada.
Esta bem? Estao bloqueados.
e um sistema de justica militar.
Contrariamente ao mundo civil, em que ha partes imparciais,
as pessoas que acusam o Adam destes crimes sao,
basicamente, as mesmas que determinam
quem ira apreciar o processo, quem sera o juri
e quem profere a decisao da sentenca.
Sao o juiz e o juri.
O juiz e o juri, literalmente.
Logo, falar com qualquer um,
ainda que tenha um sorriso no rosto, nao significa nada.
Todos sao o inimigo.
Entao, vamos a todas as reuni�es
cientes de que lutamos pela vida dele.
Eu e o Gibbs passamos muito tempo juntos no camiao,
naquelas duas primeiras semanas.
Estavamos a conhecer-nos e a conversar.
"Como foi o teu ultimo destacamento?"
Falou especificamente de um incidente que recordo.
quando estava no Iraque tinha porte de arma automatica.
E estava a atravessar a estrada,
um carro vinha na direcao dele sem parar.
Ele abriu fogo sobre o carro e, afinal, era uma familia.
Acho que morreu a mae, o pai e uma crianca pequena.
Podia ter parado o veiculo ou te-los deixado passar
e nada teria acontecido.
Mas da forma como o descreveu,
andava � procura da oportunidade e aproveitou.
e que seria algo a que facilmente dava a volta e justificava.
Facilmente se justificava aquela situacao.
Eles investiram.
Nao havia la ninguem para dizer o contrario.
Disse ele: "Pois e, meu. Disse aquilo e tudo fixe.
Ninguem p�s em causa. Tao simples quanto isso."
Esse foi o primeiro passo,
que acabou por levar �s conversas entre nos
sobre como poderiamos talvez fazer coisas mais ou menos dessa forma.
A primeira conversa foi...
Baseou-se na ideia de plantar armas.
Sempre ouvi dizer que ha pessoas, no Iraque, no Afeganistao ou assim,
que encontram uma arma e a guardam para o caso de precisarem.
Para o caso de...
Um civil ser morto e teres de plantar uma arma junto dele,
para que nao... Nao pareca inocente.
Durante uma das nossas sess�es de fumo,
o Morlock mencionou o facto
de que podia matar facilmente, armando ciladas �s pessoas.
Disse que tinha estado a falar com o Sargento Gibbs
e este lhe contara como poderia fazer uma vitima.
Compra uma granada de mao sem registar. So precisas disso.
A ideia que me lancou foi:
"Meu, tenho umas granadas extra que nao sao rastreaveis."
A ideia era dizermos que eramos abordados por um nativo,
um mauzao, como lhe chamavamos,
que nos tinha abordado e...
Lancou-nos a granada ou tinhamos visto a granada que tinha na mao
e detonavamos a granada para que parecesse
que o tipo nos atacou e tivemos de o matar.
quem de bom senso ira pensar que inventamos aquilo?
Esta a ver a ideia?
e uma situacao suficientemente credivel,
quem o iria questionar, percebe?
Pensa-se entao: "Pois, tens razao.
Nao parece... Pois. Safavamo-nos com essa."
Nas nossas cabecas, estavamos ca ha meses.
E ninguem e inocente, porque os tipos ou conhecem os Taliba
ou trabalham com eles. Nao trabalham com nem para nos.
Estamos ca para os ajudar e eles nao nos ajudam.
Explodem connosco sempre que la vamos
falar com eles ou construir um poco, que se lixem.
Desde que fiz a minha primeira declaracao,
os tipos do meu pelotao andam cheios de medo.
Ate tenho pesadelos com isso, com os tipos atras de mim.
AVALIAcaO PSIqUIaTRICA
20 DE JULHO DE 2011
E tambem e sempre la.
La no teatro de operac�es.
Nao e... Nunca e nos Estados Unidos.
e sempre... Estou sempre la.
No ultimo ano, senti-me um pouco
o inimigo do pelotao,
porque fui um dos poucos a dizer a verdade e a...
E morre nesses pesadelos?
Morre?
Como o matam?
Explodem comigo, sobretudo.
Normalmente, envolve uma granada.
Por duas vezes foi com objetos cortantes.
E nunca tenho hipotese de fugir deles.
Eles... Eles apanham-me sempre.
Disse algumas coisas incriminatorias sobre alguns deles
e nao me e dificil acreditar
que quisessem algum tipo de vinganca.
E isso e o pior de tudo.
As mesmas pessoas que temi... Tenho temido no ultimo ano
sao tambem as mesmas pessoas com quem vivi nos ultimos quatro anos.
Eram pessoas minhas amigas e, numa determinada altura,
tambem estavam dispostas a arriscar a vida por mim.
E tenho de me lembrar disso.
Especialista Winfield, sabe que ainda esta alertado
quanto aos seus direitos, pois foi ja informado sobre os mesmos.
E mencionou prescindir de um advogado.
DECLARAcaO GRAVADA
ESP Adam Winfield, 12 maio 2010 Kandahar, Afeganistao
Antes de sair em patrulha,
lembra-se de alguma discussao anterior
envolvendo o Sargento Gibbs? Ele alguma vez montou um "cenario"?
O unico cenario que se tinha de facto discutido
foi o de simplesmente plantar armas.
Ao que sabe, isso chegou a acontecer?
- Sim. - Uma arma plantada?
Sim.
Pode dizer-me quando e onde tal pode ter acontecido?
A primeira vez foi talvez em janeiro ou fevereiro...
em La'l Mohammad Kalay, houve um incidente com uma granada...
15 DE JANEIRO DE 2010
LA'L MOHAMMAD KALAY, DISTRITO DE MAYWAND
Nesse dia, estavam os chef�es
no cimo do monte, a falar com o anciao da aldeia.
Eu e o Holmes estavamos afastados da maioria do pelotao.
E eu disse:
"Meu, anda ver se apanhamos um daqueles tipos ali.
Esta um tipo a trabalhar o campo."
Falamos entao especificamente do que ia acontecer.
"Olhe, este tipo vinha direito a nos. Mandamo-lo parar.
Ele nao acatou as ordens.
O Holmes detetou-lhe alguma coisa na mao. Pensou ser uma granada.
Ele atirou-nos uma coisa e foi ai que o confrontamos
e nos refugiamos atras da parede."
Foi disso que falamos.
Estou eu la atras e ia a olhar para la
quando ouco o Morlock gritar-me no ouvido: "Granada, Holmes, dispara!"
Saquei da granada, lancei-a, baixei-me,
berrei ao Holmes: "Fogo!". Aquilo pareceu-me uma eternidade.
Tinha cinco segundos, desde que a patilha saltasse da granada,
ate que ela explodisse.
Disparou de rajada com a arma automatica.
Puxei-o para baixo. A granada explode.
Uma grande confusao, aquilo fez imenso po.
Olhei para a esquerda, pois era onde estava o Morlock.
Tinha as costas contra a parede.
Ele tinha o radio e gritava.
Dizia a toda a gente: "Contacto. Contacto. Contacto."
Eu ouvi: "Contacto" e pensei que havia confrontos.
Mas assim que ouvi a descricao do que tinha acontecido,
tudo se encaixou.
Ele tinha dito que alguem tentara lancar uma granada sobre ele e o Holmes
e eles mataram a pessoa.
E foi esse o mesmo cenario que ele me explicou.
E eu olho para ele e pergunto: "Confrontamos novamente?"
Levantamo-nos novamente e alvejamos o tipo e assim?
O Morlock nao me respondeu.
Voltou a levantar-se, olhou para o tipo que estava no chao,
sacou da M4 e deu-lhe mais dois tiros.
Nao registou que estava ali uma pessoa. Nao... Estava so para ali.
Fiquei entusiasmado. Eu e Holmes ficamos.
Como ele disse, isso descreve
a ideologia do universo militar.
Do estilo: "Foda-se! Bora la."
Tinhamos matado, � parte
de sabermos se era mesmo mau tipo.
Entao, levaram la o pai e o irmao.
Perguntaram: "Conhecem este homem?"
E o tipo: "Sim, e meu filho."
E o irmao para ali sentado e os dois a chorar.
Depois pusemo-lo num saco preto para cadaveres
e levamo-lo la acima � aldeia,
atamo-lo � dianteira de um dos Strykers
e levamo-lo para a base do posto avancado.
Saltamos para a traseira do camiao,
todos euforicos com a cena da adrenalina,
sem saber o que iria acontecer a seguir.
quando chegamos � base do posto avancado...
Foi como se me considerassem um heroi.
Recebiam imensos aplausos.
Toda a gente lhes dava mais cinco e apertos de mao,
lhes dizia que eram homens feitos
e que eram...
que todos tinham de os admirar.
E eu sabia que nao.
Todos tambem sabiam que nao, mas foi aceite.
qualquer pessoa com meio cerebro diria:
"Olhem, voces armaram uma cilada ao gajo para o matarem.
Inventem para ai."
Estive-me nas tintas.
Lembro-me de estarmos a fumar, estarmos ganzados.
E o Morlock: "Meu, limpamos o sebo ao gajo."
CABO CORAL, FLORIDA
- Estou? - Estou.
Ligo de um estabelecimento prisional
e a chamada esta sujeita a escuta e gravacao.
- Ola. - Ola. Como estas?
- Bem. - Como foi o teu dia?
Foi bom.
Foi? O que fizeste hoje? Alguma coisa? Conseguiste ir la fora?
- Cheguei agora do patio. - Foi? que bom.
Pensamos talvez levar ai a Mae na proxima sexta.
- Para que? - Como assim, para que?
Eu nao vou sair.
Adam, nao comeces a perder a fe agora.
Eu sei que estas ai todos os dias,
mas, olha, o meu coracao parte-se todos os dias.
Eu sei.
E talvez eu nao esteja presa, mas estou presa.
Entrei para a Marinha em tempo de paz.
Era totalmente diferente.
quando o Adam chegou a dizer que queria alistar-se,
estavamos em guerra.
Tive algumas conversas longas com o Adam sobre isso.
Ele praticamente tinha-nos dito:
"quero a vossa autorizacao,
mas quando tiver 18, alisto-me de qualquer modo."
Se o obrigassemos a esperar ate fazer 18, ele iria pensar sempre:
"Nao acreditaram em mim nem acharam que fosse capaz de o fazer."
E eu nunca quis que o Adam achasse que nao acreditavamos nele.
quando fomos ate la e ele disse: "Esta decidido. Vou para o Afeganistao."
Eu disse-lhe: "Nao te armes em heroi. Faz o que tens a fazer e vem-te embora."
O Gibbs, umas duas horas depois de regressarmos, disse:
"Holmes, vem ca ver isto."
Fui entao � tenda, ate ao quarto dele
e ele saca de um pedacinho de tecido de dentro de um saco
e tira de la um dedo,
dizendo: "Este e do que mataste."
A ideia dele era pegar nos dedos,
deixa-los decomporem-se
e, depois, extrair o osso e fazer um colar com os ossos dos dedos.
E eu fodido a olhar para aquilo...
Do estilo: "Meu, essa merda e de malucos."
Mas, ao mesmo tempo,
ali nao pensamos ao nivel normal de toda a gente.
Entao, achei eu...
Os trofeus de guerra estao relatados desde a Biblia.
Cortaram a cabeca de Salomao. Estao a perceber?
Alem disso, andamos para ali sempre a ver entranhas e sangue.
E estamos em guerra e pensamos: "Por mim, tudo bem.
Eu nao vou fazer um colar de ossos,
mas, se quiseres um, e como queiras.
e a tua cena, forca."
Pensei apenas: "que se passa com estes tipos?
que se passa com os tipos que conheci?
Porque alinham com tudo isto? Porque nao ha ninguem que fale?
Porque sou eu a unica pessoa que acha isto mal?
Porque so eu?"
EXeRCITO EUA
ADAM WINFIELD [AFEGANISTaO] Ola
CHRISTOPHER WINFIELD [EUA] como estas tu, e o pai
leste a mensagem que vos enviei
e arranjaste problemas com isso ou ja passou
nao percebeste o que te disse que os tipos do meu pelotao andam a fazer
crime
O Adam teve mesmo
de me dizer num chat do Facebook: "Nao percebes que estou a dizer
que estao aqui a matar pessoas inocentes?"
Tive de ler aquilo duas vezes e...
Senti como que um arrepio no corpo todo.
A unica coisa que me ocorreu
foi que ele estava a 13 000 km de dist�ncia e eu nada podia fazer.
ADAM WINFIELD [AFEGANISTaO] eu quero fazer alguma coisa
o problema e que nao me sinto seguro a contar a ninguem daqui
CHRISTOPHER WINFIELD [EUA] pede que te transfiram ou algo parecido
isso nao funciona assim
nao podes pedir que te transfiram assim
nos vamos fazer alguma coisa a respeito
Eu ja nao aguentava mais e queria contar a alguem o que se passava.
Nao tinha acesso � policia militar,
se contasse a alguem da cadeia de comando, haveria logo repercuss�es,
porque e assim que as coisas sao no Exercito,
os assuntos sao tratados internamente.
Senti que nao tinha a quem me dirigir no pelotao.
Estavam todos do lado do Sargento Gibbs e eram-lhe leais.
Logo, era a minha palavra contra a de 30 tipos.
Alguem nos tinha dito que o Winfield queria ir falar com o capelao,
porque estava com problemas.
Posso contar ao capelao. Nao me ira falhar, e o capelao.
E, antes de ter la ido falar com o capelao,
o Sargento Gibbs escoltou-me.
No caminho ate la, ele disse-me: "Nao estas a pensar
em falar de nada de que nao devas falar, pois nao?"
E entao, o Gibbs, nem sei ao certo quando foi,
veio com esta ideia:
"Meu, o Winfield pode ser um risco. Talvez tenha de apagar o gajo."
E eu: "De que porra estas a falar, meu?"
Diz ele: "Ele sabe imensa coisa
do que se passa e do que fizemos. e bem facil."
"O que foi? Como assim, e bem facil?"
E ele responde:
"Podiamos leva-lo ao ginasio e mandar-lhe um peso � cabeca.
Deixar-lhe cair uma barra em cima e acabar com o gajo."
Acha que ele falava a serio
ao dizer que talvez tivesse de apagar o Winfield?
Pode crer.
Claro. Sem duvida.
DECLARAcaO GRAVADA
Cabo Jeremy Morlock, 11 de maio de 2010 Kandahar, Afeganistao
Nao viu isso como uma piada,
talvez so como conversa fiada, ele a ser fala-barato?
O Gibbs nao fala barato.
Perguntei isso ao Morlock algumas vezes.
"Meu, o que se passa? Andam a conspirar contra mim ou que?"
E ele ate me disse de caras:
"Sim, estamos a pensar em fazer-te alguma coisa.
Nao sei o que, mas alguma coisa havera de ser."
Tens a seguranca acionada em branco.
Passa a vermelho e ja esta.
Certo?
Sabe, isto tornou-se um tema forte na imprensa
e ja tivemos pessoas � porta de casa com c�maras.
Andou gente a seguir-nos por toda a parte.
Ha pessoas que pensam o pior de tudo e assim que ouvem...
"Esta preso por homicidio, deve ser culpado."
- Tres. - quantas consegues p�r ai?
Onze.
Recebemos algumas ameacas.
Nao diretas, mas podia ler-se nas entrelinhas:
"Sabemos onde vivem, sabemos qual a vossa morada."
E tenho de proteger a minha familia.
e uma Ruger de 9 mm.
Tenho-a ao lado da cama, carregada e pronta a disparar.
Nao queremos ser apanhados desprevenidos.
ADAM WINFIELD [AFEGANISTaO]
procura o numero do inspetor-geral do Exercito
CHRISTOPHER WINFIELD [EUA]
vou falar com alguem sem mencionar os nossos nomes
tenho provas de que planeiam mais um
querem plantar uma AK47 num tipo
Comecei entao a fazer chamadas. Nao sabia a quem ligar.
A maioria das vezes, respondia-me uma gravacao.
E eu deixava mensagens, na esperanca de que alguem me ligasse.
Pensei no que teria de fazer
se viessem atras de mim a meio da noite.
Tinha sempre uma arma por perto,
uma faca � mao e coisas assim.
E estava sempre a olhar por cima do ombro.
Andava agitado. Estava em p�nico. Estava alterado.
Implorava: "Liguem de volta."
Havia tensao na minha voz.
Eu nao... Andava �s aranhas. Nao sabia a quem ligar.
O Gibbs parecia andar a recrutar mais pessoas
para a ideia do Esquadrao da Morte, basicamente.
Via lideres de esquadrao e soldados dizerem ao Sargento Gibbs:
"Ve se me arranjas uma matanca, meu. Ajuda-me a arranjar alguma coisa."
E ele: "Diz-me apenas quando."
Liguei � linha de apoio permanente do Exercito.
Liguei ao Comando de Investigacao Criminal de Virginia, ao gabinete central.
Liguei ao CIC de Fort Lewis.
Fartei-me de ligar para numeros.
Ao gabinete do Senador Bill Nelson.
Achei que deveria estar alguem
na sala do capelao em Fort Lewis.
O capelao e o assistente dele. Liguei a ambos e obtive mensagens
de voz em ambos os gabinetes.
O Sargento Gibbs passava a vida a dizer-me merdas,
a chamar-me medricas, isto e aquilo.
A dizer que eu devia gostar de matar. Sao todos uns selvagens.
E sao uns merdas. Nao valem nada.
E era essa a atitude generalizada, na verdade.
Por fim, apanhei alguem em Fort Lewis, no Centro de Comando
e contei a historia toda ao tipo.
E o tipo disse: "Nao posso fazer nada.
e a palavra do seu filho contra a dos outros.
A menos que alguem venha contar a mesma historia,
nada posso fazer."
E esperei que, dai a uns dias,
alguem me viesse buscar a meio da noite e dissesse:
"Venha connosco, acabou-se, esta a salvo."
E isso nunca aconteceu.
Esta e outra hipotese sobre a mesa.
Acho que esta e a opcao mais realista e verdadeira.
Falou-se num acordo de defesa.
O meu advogado esta a tentar reduzir a acusacao.
que nao e...
Nao sou culpado de homicidio premeditado.
Nao se abespinhe comigo, ouca apenas o que eu digo. Certo?
Conduta cobarde.
Certo?
que o acusado cometeu um ato de cobardia. Certo?
Neste cenario, nao os impediu de fazer uma coisa ma.
Porque teve medo.
"A conduta e apenas cobarde caso resulte de mau comportamento motivado pelo medo.
Uma mera exibicao de apreensao nao e suficiente.
A conduta cobarde e a recusa ou renuncia ao exercicio de um dever,
perante ou em presenca do inimigo, em resultado do medo."
Certo? Ora, o inimigo, neste caso, nao era apenas o homem Taliba,
era tambem o Gibbs.
e que o tipo estava constantemente a ameacar mata-lo.
Em quanto acha que incorre?
Percebo a acusacao de ma conduta perante o inimigo,
por conduta cobarde.
- quanto acha que sera o maximo... - Oito anos.
O tempo passou, ocorreu o segundo homicidio
que, no inicio, eu nem sequer sabia que era novamente crime.
Pensei ter sido mesmo um confronto.
Ouvi o Morlock e o Sargento Gibbs gozarem e falarem daquilo.
E descobri o que se tinha realmente passado.
Armaram um crime com uma AK e alvejaram um tipo
a sangue frio.
Plantaram-lhe a AK ao lado e alegaram ter sido um tiro legitimo.
Parecia que tudo se estava a desmoronar,
tudo a descoser-se.
Toda a minha unidade, todo o meu conceito
de exercito, honra, integridade e...
A imagem que se tem de um soldado,
o que se espera que um soldado seja.
Vou agora mostrar-vos o que os Apache fazem
� porra dos cadaveres, topam?
Foi bem alvejado. Mortinho da silva, o cabrao.
- Ei. - Nem digas nada, meu.
Todos tinham as suas c�maras.
Fotografa a tua experiencia de combate.
Claro. E porque nao?
Sentamo-nos com os nossos lideres de esquadrao e malta
e todos sacam dos DVD e discos de destacamentos anteriores,
dizendo: "Vejam aqui estes tipos que matamos la."
Morte e cadaveres, entranhas e sangue coagulado, tudo isso apela...
Ensinam-te a normalizar e a nao teres problemas com isso.
ADAM WINFIELD [AFEGANISTaO] o Exercito desiludiu-me mesmo
quando pensava que eu vinha para aqui fazer o bem
talvez fazer alguma mudanca neste pais
descubro que e tudo mentira
ja nao existem aqui homens bons
Estava simplesmente fulo com tudo.
Estava fulo com a situacao toda.
Para que serve tudo isto?
Mas o que fez que me passasse mesmo,
por historias que tinha ouvido a pessoas de outras unidades
foi saber que estas coisas acontecem mais do que...
Eu sabia que estava a acontecer muito mais do que as pessoas admitiam.
estou numa encruzilhada
devo fazer o que esta certo e colocar-me em risco por isso
ou calar-me e lidar com o assunto
Se voltasse atras, provavelmente teria continuado a ligar.
Mas e facil dizer isso aqui sentado agora.
� epoca, preocupava-me o que...
Se continuo a fazer isto, ainda matam o meu filho?
Foi provavelmente a decisao mais dificil
que tive de tomar na vida.
So faltava mais dois meses
para ele voltar para casa, denunciavamos o caso
e ele estaria a salvo.
Mas a coisa nao correu assim.
O Adam ia ao meu armario e vestia o meu uniforme.
E folheava sempre os meus livros da Marinha.
O Adam talvez tenha lido o livro Essentials of a Marine 50 vezes.
Antes de ele supostamente seguir para a recruta,
tinha para ai uns 45 kg.
Era demasiado leve.
Foram buscar 5 litros de agua antes de entrarem,
obrigaram-no a bebe-la e disseram: "Nao mijes ate te pesarem."
Eu pus-me entao rapidamente em cima da balanca,
sai de cima dela e fui � casa de banho vomitar.
Mas estava mesmo motivado a ir.
E ele com uma mochila que pesa 36 kg em cima.
quase mais pesada do que ele.
Ele teve muito... Teve de se esforcar muito para conseguir.
quem o ve, diz: "Impossivel. Este tipo no Exercito?
Impossivel."
Mas ele tem �nimo.
Se marchamos 9 km, ele marcha 9 km.
Cruzavamo-nos com um tipo e ele dizia:
"Nao e do Exercito. Olha o magricelas."
E iamos ter com ele e diziamos: "Ouve la, meu cabrao.
Ele e talvez o militar mais preparado e aguerrido que conheco."
Soa atrozmente.
Homicidio involuntario soa terrivelmente.
Chegou isto do promotor de justica. Responderam com...
e o que estao a propor.
Homicidio involuntario.
Dizem que ele nao agiu quando podia ter agido.
Ainda nao compreendo bem o que esperavam que tivesse feito.
Nao sei como o Adam ira reagir a isso.
O que achas que ele vai dizer?
Talvez, na cabeca dele, seja preferivel homicidio involuntario
a cobardia.
Nao sei.
Tudo isto e uma treta.
Basicamente.
Sim, querem continuar a dizer:
"Olhem, apanhamo-lo e foi ele o mau da fita."
Acho que e um monte de tretas.
Tem mesmo de o tentar apanhar por oito anos para parecer bem?
Ando a dizer a mesma coisa.
Sabes, nesta fase,
nao temos escolha.
Ele esta a ser obrigado a tomar outra decisao
que nao e a correta.
Independentemente do que escolha.
Outra vez.
Estar de licenca e talvez uma das piores partes do destacamento,
porque vais para casa e queres que tudo esteja normal.
Mas nada esta normal.
Estas zangado e fulo.
Rodeias-te das pessoas que amas e que te amam,
mas nao sabes lidar com as suas emoc�es,
porque nao tens mao nas tuas. Foi simplesmente,
sei la, pesou-me tudo imenso.
Cheguei a passar algum tempo a pensar bastante
em a quem contaria.
Devia falar com a minha namorada, o meu irmao ou a minha mae?
Mas como se conta a alguem uma coisa assim?
Portanto, sei la.
Fiz o que a maioria faz.
Ou, a maioria dos machos.
Reprimi tudo, esta a ver?
Nunca fui um tipo que lidasse bem com as emoc�es,
por isso, fiz o de sempre, sabe?
Enterrei. Enterrei aquilo e passei � frente.
Voltei, acho eu, algures no inicio de abril.
E, depois, de repente, nem sequer passado um dia ou uma hora,
sai literalmente do Black Hawk, abri para o meu quarto
e encontrei logo o Gibbs.
"Ve so as coisinhas boas que arranjei na tua ausencia.
Assim que voltar da ronda,
conto-te as cenas fantasticas que perdeste quando estavas fora."
Estava mesmo ali, estava de volta �quilo.
Desde que tenham carta-branca
para qualquer sentenca que queiram aplicar,
o pior que ele vai apanhar, � parte dos factos, sao oito anos.
e o que o governo esta a dizer.
O pior.
Logo, a acusacao nao interessa puto.
Nao consigo encaixar o facto de nao abrirem mao destes oito anos,
independentemente da acusacao,
pois e o que o Morlock apanhou
por matar pessoas.
E nao digo que o Adam estivesse inocente
e que tenha tomado todas as decis�es certas,
mas sei tambem que a 20 de janeiro nos enviou um e-mail,
logo a 20 de janeiro, a dizer:
"Preciso de vos falar de uma coisa."
E depois vem fevereiro.
"Sabes que mais? Engole isso.
Engole isso e se um homem."
O Gibbs tem o que? Uns 90 e tal quilos?
Isto e um autentico caso de bullying
e nao encaixo o facto de irem simplesmente dizer:
"Vamos dar-lhe oito anos."
O governo pode desculpar-se por todos os maus passos que deu.
Nas suas proprias palavras,
facamos um exemplo do Adam Winfield,
ainda que, de todas as pessoas ali,
fosse o unico que fez alguma coisa.
Vejo ai um problema.
E, em ultima analise, nao e meu. e o problema do Adam.
Mas posso ter problemas com isso, pois, para mim, nao e justica.
O Exercito continua a ter o meu filho
e, a menos que facamos o que eles dizem, nunca mais o vou reaver.
Olhe, sei que e mae. Sei que e o seu filho.
Estou a ponderar tudo isso.
Mas e a unica mae no mundo para ele.
Para todos os demais, ele e um soldado.
Entao, o que achas?
Tudo bem.
- Isso nao me causa problemas. - De certeza?
Esta bem.
Em ultima analise, no pior dos cenarios, se tudo descambar, sao oito anos.
Nao quero que aches que estamos a desistir de ti.
Porque vamos fazer este acordo?
O que mais podemos fazer, Emma? Nao temos hipotese.
Vamos a julgamento? Nao.
Nao podemos.
Nao sei, Chris. Acho que, de certa forma,
estamos a da-lo � morte.
Eu devia ter feito mais.
Nao devia ter aceite a resposta que me deram.
Ando ha muito a pensar nisso.
Esta-me sempre na mente.
Nao estariamos aqui agora se eu tivesse feito mais.
Passou-se marco, passou-se abril e
estavamos a chegar ao fim. Talvez nos faltasse uma missao importante.
Sabia que o Gibbs tinha muita coisa planeada.
E se conseguisse apenas aguentar mais dois meses
ate junho, julho, e acabava-se.
2 DE MAIO DE 2010 qUALADAY, DISTRITO DE MAYWAND
A tarefa nesse dia era ir confrontar de novo um tipo
que tinha sido detido, estava eu de licenca.
Encontraram um explosivo improvisado em casa
e o oficial inferior queria controlar o que ele fazia.
Eu e o Winfield acabamos por deixar o bloco
e dirigimo-nos
a um bloco adjacente, mais ou menos ligado ao outro.
Acabamos entao por nos encontrarmos com um individuo de la.
O Sargento Gibbs vinha pelo outro lado.
Tinha com ele uns outros tipos.
A maioria da malta que estava com ele tinha nocao do que se passava...
quer dizer, aquela coisa das encenac�es que estavam a ser feitas.
Entao...
Entao, nao houve muita conversa.
O Sargento Gibbs perguntou: "e este o tipo?"
"queres faze-lo?"
Como assim, "faze-lo?"
Mata-lo.
Naquele preciso momento, soube que nao era capaz de matar um inocente.
Nao podia alvejar um homem inocente a sangue frio.
Nao conseguia. Nao tinha...
Nao tinha qualquer motivacao nem desejo. Nao queria faze-lo.
Nao queria estar ali. Nao queria aquela situacao.
So queria pirar-me dali.
O Sargento Gibbs comecou a dizer-nos como iam ser as coisas.
Dizia: "Vamos montar isto
para que pareca que estamos a circular
e este tipo aparece e ataca-nos quando estamos a passar.
Vimos uma granada e tivemos de o matar.
e assim que a coisa vai ser."
O meu coracao comecou a disparar a mil.
Comecei a ficar nervoso, com os musculos a contrairem-se.
Paralisei.
Nos estavamos um ao lado do outro, pelo que comecei a instrui-lo.
A falar-lhe ao ouvido e a dizer-lhe: "Nao tens com que te preocupar, meu.
e facilimo. Ja o fizemos. Nao tens com que te preocupar.
Confirma a historia e despacha la isto."
Podia insurgir-me e alvejar o Gibbs e o Morlock.
Mas matar um dos nossos homens,
na opiniao deles, por um afegao sem valor?
Mais uma razao para ser implacavel.
Disparei uns dois tiros
apos a granada ter explodido.
Nao apontei para ele. Nao...
Afastei a minha arma dele.
Depois de o po da explosao ter assentado,
o Sargento Gibbs foi la ter e,
de sorriso no rosto, alvejou o tipo mais duas vezes.
Depois, disse: "Vem ca tirar uma foto comigo junto ao corpo."
E disse-me que eu era um homem feito
e que ja nao tinha nada com que me preocupar com ele.
O que se passara? Como entrara ali?
Andava muito bem a evitar aquilo e agora estava metido.
O rosto dele... Nao me esqueco do rosto dele.
Pois.
O rosto dele morto.
A cabeca dele cravejada e toda inchada.
Vejo-a fitar-me constantemente.
Sempre que penso naquilo.
E o grito daquela mulher.
Nunca tinha ouvido nada assim.
- Nunca tinha ouvido o puro som da dor. - Sim.
Isso, diria, e o pior com que tenho de viver.
Pois.
E aquele sorriso no rosto dele
quando voltou a atirar no tipo.
O sorriso no rosto do Gibbs?
Estava satisfeito. Estava feliz. Tinha um enorme sorriso, arreganhado.
E encarou-me de frente, a sorrir.
E eu entao...
So pensar que sei que ele faria o mesmo sorriso se tivesse sido eu.
Neste momento, vivo um pesadelo.
Tenho pesadelos se nao tomar soporiferos.
Tenho de lutar contra um monstro mau nos meus sonhos.
Muitas vezes, nao me lembro de quem sao.
So sei que sao violentos.
Dou um salto, tento agarrar alguma coisa e impedir que venha.
Ate ja cheguei a cair da cama umas vezes ao faze-lo.
O Chris preocupa-me.
Acho que esta a lidar
porventura, com a culpa.
"Te-lo-ei criado bem?
Deveria te-lo deixado alistar-se? Deveria ter tentado mais?"
Ele e um excelente pai.
E quando um filho vem ter connosco a pedir ajuda
e nao o conseguimos ajudar...
Tentamos fazer o que estava certo
e parece que nao chegou.
Tres dias apos o crime de 2 de maio
So nos restavam uns meses de destacamento.
A partir dai, estamos safos.
Nada se soube,
as historias batiam certo e nada temos com que nos preocupar.
Foi entao que aconteceu todo o incidente com o Stoner.
quer fazer o favor de comecar pelo inicio,
quando chegou � base do posto e tudo comecou?
quer comecar pelo consumo de drogas?
O Stoner manifestou a sua preocupacao por os tipos do pelotao fumarem haxixe,
o que lhe tinha valido uma sova.
Porque apanhariam ganzas no meu quarto? Porque?
Aquilo fedia.
E quem haviam de culpar? O soldado raso.
Foi chamado ao quarto do Sargento Gibbs?
Sim, confirmo.
qual foi o motivo dessa conversa?
Basicamente... havia imensa conversa a acontecer.
Mas a declaracao final do Gibbs foi: os bufos apanham bufos.
E ouvi bater � porta, entao, abri e deixei-os entrar.
Ja sabia o que ia acontecer.
Ele disse uma tirada foleira, estilo:
"Consta-me que estao aqui para arrear em mim.
Va la... Despachem o assunto."
Depois disso, pensei: "Muito bem."
O meu unico objetivo tinha sido sempre
nao lhes dar o gostinho de saber o quanto doi.
PROVA EXeRCITO EUA
E SE EU NaO FOR O HERoI E SE FOR O MAUZaO
Vou simplesmente apanhar
e aguentar-me � bronca.
Mas os fracos sao voces por se passarem assim.
Agora temos um problema, porque anda a chibar-nos pela porra do haxe.
De que mais nos andara a chibar?
O Gibbs ate era muito polido.
Ele era um louco quase que simpatico e feliz.
Explicou-me o seguinte: "Percebes por que fizemos aquilo."
Envolvi-me ainda em grande parte daquela conversa.
Avisei o Stoner: "o meu,
se nao fechas o bico daqui para a frente,
e bom de ver que aqui o Gibbs
consegue matar pessoas. Ja matou pessoas...
...e nao se ensaia nada em faze-lo se tiver de ser."
O Gibbs foi a ponto de me dizer:
"Enfiavamos-te numa barreira Hesco e matavamos-te.
Ninguem voltaria a encontrar-te.
Cobriamos-te com terra. Na boa.
Ou levavamos-te numa missao. Matavamos-te. Ninguem daria pela diferenca."
queria provar o que dizia
fazendo rolar os dedos dos tipos que tinha por trofeus de guerra
pelo chao.
No dia seguinte, uma conhecida minha, paramedica no posto de assistencia...
Eu tinha la ido por uma cena qualquer. Sei la.
Disse ela: "O Stoner esteve ca a falar com o nosso major
e andavam todos muito sigilosos e assim."
Levaram-me para a tenda pessoal dele
para me falarem de tudo o que tinha acontecido.
Nao era preciso um especialista para perceber que tinha levado uma coca.
E e claro que ele contactou de imediato o tipo acima dele
e a coisa comecou a subir mais de nivel.
quando aquilo chegou ao CID, comecaram a fazer outras perguntas.
A unica coisa que eu sabia era dos membros do corpo.
Dito aquilo, estava aberta a porta para tudo.
Cinco soldados norte-americanos estao acusados de crimes chocantes,
entre eles, assassinar afegaos por desporto.
CASO "KILL TEAM"
Hoje, perto de Seattle, o alegado lider do grupo...
A historia soube-se. Prenderam o Gibbs. Prenderam o Morlock.
Detiveram todos os outros.
Entao, inicialmente, pensamos: "Muito bem.
A coisa ja se soube. Ele esta a salvo."
O pessoal do CID do Exercito veio ca ter e disse-nos...
Perguntamos se o Adam precisava de advogado.
E eles: "Nao devera precisar de advogado."
Tinha partido mesmo do Adam, que tinha dito:
"Podem ligar aos meus pais. Falem com os meus pais.
Contei-lhes isto no mes de fevereiro."
E eles: "Ele esta bem. Ele e apenas uma testemunha nisto.
e uma testemunha principal. Tudo vai ficar bem."
Fiquei aliviado, sabe?
- Saia-me um peso enorme de cima. - Certo.
Finalmente, podia desabafar tudo e contar realmente a alguem
aquilo que tinha querido dizer nos ultimos quase seis meses.
Disseram-me que eu ia ajuda-los na acusacao deles contra o Sargento Gibbs.
que nao era atras de mim que estavam.
Mas mentiram-me.
- Achou que lhe tinham mentido? - Sim. Enganaram-me.
Eu estava no trabalho
e a Emma ligou-me.
Disse que o comandante da base lhe tinha ligado a dizer-lhes
que o Adam tinha sido acusado de homicidio premeditado.
E ela estava...
A Emma estava histerica e eu so dizia: "O que?"
Eu fiquei espantado. Eu fiquei simplesmente espantado.
Passei-me.
Fiquei... Eu...
Comecei a hiperventilar. Cai no chao.
Nao podia acreditar naquilo.
quase me matei nessa noite.
Achei que naquela noite me matava mesmo.
que era naquela noite.
Nao parava de pensar nisso.
Tive ataques de p�nico a noite toda e...
Estava sentado � secretaria e tinha uma M4 mesmo ao lado.
Carreguei-a. Estava preparado.
Ja tinha uma no tambor.
- E estava prestes a escrever um bilhete. - A quem?
So aos meus pais.
A pedir perdao por tudo. que lamentava partir daquela forma.
Entao...
Ao procurar papel e caneta para escrever,
acabei por encontrar uma Biblia.
Comecei a le-la.
Comecei a rezar.
Comecei a chorar e a pedir perdao a Deus.
Continuei a ler a Biblia e li uma parte que dizia assim:
"Seras levado � presenca de reis
e dos juizes das sinagogas e seras julgado, mas,
se permaneceres fiel e sofreres por Mim,
estarei contigo."
Entao, eu...
Continuei a rezar a manha toda. Descarreguei a arma e guardei-a.
Ele sorria com tudo.
Falava a mil � hora.
Era uma especie de miudo contentinho.
Uma mae, um pai, uma casa, empregos, tres filhos,
foi isto que tinhamos pedido.
e o que qualquer familia americana pede.
E tinhamos isso.
Leu todos os livros de historia
e tudo acerca dos grandes patriotas americanos
e do quanto eram heroicos.
queria provar a si mesmo que era capaz de um feito daqueles.
Por fim, vai haver julgamento.
Vou declarar-me culpado por homicidio involuntario.
As acusac�es de homicidio premeditado e conspiracao estao a ser retiradas.
O Exercito quer apenas que tudo isto seja esquecido
e estao a tentar reduzir isto ao menor denominador comum.
querem que os tipos mais abaixo paguem por isto. Ninguem foi acusado.
Isto e, sargento de pessoal ou inferior e e tudo.
Nenhum oficial sera responsabilizado por nada.
Tudo isto e muito grande.
e superior ao Adam. e superior a mim.
De momento, e superior a qualquer um.
No melhor dos casos,
o juiz atribui-me o tempo que ja cumpri e saio com a minha familia no mesmo dia.
No pior dos casos, arrisco pena de oito anos.
Se o Adam tivesse falado la com alguem, ja estaria morto.
Teria regressado num saco de cadaver, se tivessemos sorte.
e que o Gibbs tinha ameacado
que o cortava em mil pedacos,
o lancava �s matilhas de caes selvagens que la ha e ninguem o encontraria.
Os unicos despojos que restariam
eram o dedo do Adam no colar que estava a fazer com restos mortais.
Tudo se resume a matar pela primeira vez
e regressar com um simbolo que diz que mataste alguem.
Dao-te o distintivo que diz que la estiveste, que lutaste numa guerra
e e a isso que todos aspiram, independentemente de ser ou nao legitimo.
E e tudo... Enoja-me simplesmente.
Parte das minhas func�es ali era proteger civis.
Tinha a responsabilidade de p�r fim ao que se estava a passar.
Sinto-me... Sinto-me culpado.
O Adam e um peao em tudo isto, a verdade e essa.
Estava preso no meio do nada.
Tinha os Taliba a dispararem sobre ele de um lado.
Tinha o seu proprio grupo a ameacar mata-lo se nao...
Se dissesse alguma coisa, do outro lado dele.
Tinha armas apontadas a ele de ambos os lados.
O que e que se faz?
Ha de ser a primeira vez que te vejo assim.
Nunca te vi com esse uniforme.
Nao, na verdade, e a segunda vez que o usei...
Vais ter de usar isso o julgamento todo?
- Nao. - Certo.
Depende do que acontecer.
E, se continuar detido, o que estiver a usar na cadeia.
Esta bem.
Depois de amanha, seja como for,
ou ele sai ou pomos um circulo num dia do calendario e dizemos:
"Temos X numero de dias ate estares em casa.
Falta menos um dia ate estares em casa."
E acho que isso para ele significa imenso, poder ao menos dizer:
"Ha de chegar ao fim."
Ele diz que nao...
Disse-me que nao espera sair amanha, mas logo veremos.
Eu ca gostaria que sim.
Inspire duas, tres vezes e depois diga aquilo que vai dizer.
Mantenha isso em mente, bem como uma imagem
e talvez queira entao olhar para os seus pais.
- Certo? - Certo.
Nao desistas.
- Promete-me isso, esta bem? - Nao desisto.
As coisas vao compor-se.
- Todos de pe. - Todos de pe.
O Especialista Winfield percebeu, a 2 de maio de 2010,
que estavam a matar um homem inocente.
Podia ter feito uma cena nesse dia. Podia ter feito algo.
E o que faz o Especialista Winfield?
Nada.
Teve repetidas oportunidades
de assegurar que fazia o que estava certo.
Foi o proprio a dizer-vos que falhou.
E essa falha teve consequencias catastroficas.
Nao proteger aquele homem foi...
Tem vindo a perseguir-me desde o ultimo ano e...
Eu so quero ir para casa. Desculpe.
Especialista Adam Christopher Winfield,
o conselho de guerra sentencia-o
a uma pena de prisao de tres anos
e � sua exoneracao do Exercito por ma conduta.
Estou bem.
Vou conseguir.
- Desculpa nao te termos protegido. - Tudo bem.
Mae. Ola. Apanhou tres anos.
Tres anos. E exoneracao por ma conduta.
- Estas bem? - Estou bem.
Promete-me so que nao vais atentar contra ti.
- Nao vou fazer nada. - Esta bem? Certo.
- Tive orgulho de ti hoje. - Eu tambem.
es mais forte do que eu.
Eu ja passei pelo pior disto.
- Agora acabou. - Nao interessa o que...
Sabes que mais?
Eles ja nao te podem fazer nada. Acabou-se.
Exato. Ja esta feito.
Acabou-se tudo.
Por vezes, dou comigo a pensar:
"Como vais contar esta historia mais tarde?"
Alguem me disse que uma forma de ver isto e: nao e que sejas um assassino,
so que foste condenado por homicidio.
quando estava la... Apos o primeiro incidente,
pensei: "Porra, bem-vindo ao clube, Morlock.
Agora es um homem feito."
E e isso que um militar procura.
Procuram... Cumprir a sua funcao.
Cumprir o modo de vida de um militar.
e por isso
que os teus superiores, de certo modo, sao como pais.
Tornam-se os tipos que mais queres impressionar.
E esta foi uma forma de o fazer.
Com tres acusac�es de homicidio premeditado, Jeremy Morlock
foi condenado a 24 anos de prisao.
Eu tinha 19 anos. Acabado de sair do liceu.
Pensava que sabia o que havia para saber,
mas como me enganei tanto.
Nao sabia com quem falar, sabe?
Nao sabia o que dizer. Nao sabia o que pensar.
Eram estes os tipos com quem ia para o combate...
Fazia rondas com estes tipos e nao queria...
Nao queria que eles pensassem outras coisas de mim.
Com uma acusacao de homicidio nao premeditado, Andrew Holmes
foi condenado a 7 anos de prisao.
Treinamo-los desde o dia em que se alistam ate ao dia em que saem
para matar.
A vossa funcao e matar. Sao militares.
A vossa funcao e matar tudo o que se meta � vossa frente.
E entao porque se chateiam quando o fazemos?
Justin Stoner foi exonerado com honras em fevereiro de 2012.
Passou � Reserva do Exercito oito meses depois.
Nunca quero que se refiram a mim como informante,
porque e pior do que a descricao que fazem deles.
Se pudesse voltar atras, nao teria dito nada.
A imprensa retratou o que fizemos como atos horriveis do Esquadrao da Morte,
o pelotao dos patifes, essas coisas todas.
Nao me importa o que o Exercito queira dizer,
mas isto vai muito para alem de nos.
Somos apenas os que fomos apanhados.
Nao havia como eu nao participar disto.
Nao ha como nao ser cercado pelo Gibbs.
Nao ha como nao ser pressionado a fazer estas coisas.
A pressao constante de ter de matar
e, ainda, o proprio risco de te matarem,
era impossivel uma pessoa nao se render a toda aquela insanidade.
Penso muito nisto.
Na guerra.
Em todas as coisas que os tipos do meu pelotao faziam.
Nunca compreendi. Eu...
Mesmo agora, nao compreendo.
Nao sei. Acho que nunca compreenderei.
A guerra e suja.
Nao e como a pintam nos filmes, em que
ha apenas uma data de homens honrados
com um patriotismo inabalavel.
Nao passa de um bando de tipos armados.
Como o descreveria?
O incidente?
So o incidente e como o fez sentir-se.
Basicamente, foi a pior coisa que fiz na vida.
Subtrai um homem � sua familia.
E nao sei se foram as minhas balas que o mataram
ou se foi a granada. Ainda assim, fiz parte daquilo.
Oxala pudesse consertar isso.
E oxala...
Nao sei. Oxala nada daquilo lhes tivesse de acontecer.
Oxala pudesse dizer-lhes eu isso.
Onze soldados foram condenados nos julgamentos do Esquadrao da Morte.
Ao longo das diligencias, foi revelada a identidade das vitimas:
Gul Mudin, 15 anos Marach Agha, 22 anos
Mullah Allah Dad, 45 anos
O Sargento de Pessoal Gibbs foi condenado a prisao perpetua.
Continua a afirmar que as mortes derivaram de confrontos legitimos em combate.
Adam Winfield foi libertado da prisao a 23 de agosto de 2012.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.