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Hoje, ninguém mais liga para cabaço.
E outra.
Tem um médico.
A mulher sai mais virgem do que entrou.
É o pitangui das xoxotas.
Resolveu?
Senta.
Que mania de ficar de pé.
Acho que uma viagem é o ideal.
Para uma mulher, só o casamento resolve.
Pois não, doutor Peixoto.
Dona Vanda, vá no departamento pessoal e apre as fichas de todos os funcionários
que eu devo.
Sim, senhor.
É melhor para você.
Afinal, o casamento não é tão mau assim.
Você vai ver.
Eu me mato de trabalhar.
Enfrento fila, ônibus lotado.
Dou um duro até altas horas da noite e vou ser aceitando carona de qualquer um.
O Edgar é um cara respeitador.
Sua boba.
De mais a mais você tem namorado. Isso não está direito.
Eu não sou mais criança, tá? Eu já tenho 18 anos.
Todo mundo pega carona, Ritinha.
Escuta, eu dou um duro danado para que vocês se casem.
Olha, para mim eu não quero nada.
Eu só quero, eu só peço a Deus para que vocês se casem na igreja, direitinho, de
véu e grinalda.
Entendeu?
Ai, não enche.
Olha,
se eu souber que uma de vocês, qualquer uma, aceita o carona, eu quebro a cara
de uma.
Deixa de onda, Ritinha.
Você tá aí com ciúme.
O quê?
É isso mesmo.
Você vive dando em cima dele.
Do Edgar.
Você vai repetir isso, Aurora.
Vive se abrindo. É isso mesmo.
Aurora, cá.
Aurora, repita. Repete. Repete.
Repete. Repete. Repete.
Repete.
Repete.
Repete.
Dona Rita!
Dona Rita!
Você não é Dona Rita?
Sou sim, mamãe. Eu sou Dona Rita.
Ai, sim, você é Dona Rita.
Dona Rita, houve um roubo nos Correios.
Disseram que fui eu. Vou ter que repor o dinheiro.
Deu tudo pra trás.
Tá dando tudo pra trás. Minha vida tá dando tudo pra trás. Tá dando tudo pra
trás. Tá dando tudo pra trás.
Tá dando tudo pra trás.
foi da cara preta pega essa
menina que tem medo de cair
Você está bêbado?
Eu estou bêbado.
É hora de abrir o jogo.
E tirar todas as máscaras.
Você é o que se chama o mau -caráter.
Quer vencer na vida?
Se eu sou o mau -caráter?
Escuta aqui.
O senhor conhece o Otto?
O Otto Lara Resende?
O futebol?
Futebol onde?
O ato imortal. Ele escreveu um livro e entrou pra academia. Ele disse uma, olha
só. Ele disse, o mineiro só é solidário no câncer. Que tal?
O mineiro só é solidário no câncer?
Piada. Aí que está.
Não é piada.
Escuta aqui, doutor Peixoto.
A princípio também eu até achei graça.
O mineiro só é solidário no câncer.
E daí?
Eu vou lhe contar.
Quando meu pai morreu, os vizinhos tiveram que fazer uma subscrição, uma
vaquinha. Eles cicatizaram pra pagar o enterro.
Comigo não, comigo é fome. A frase do Otto me ensinou.
Agora eu quero um caixão com tampo de vidro como o de Getúlio Vargas.
E enterro de penacho, mausolé, o diabo. Eu não sou defunto de cova rasa, pô.
Isso mesmo.
O outro, Lara, é que está com a razão.
Ô, Manolo, deixa que eu me viro.
O mineiro só é solidário do câncer. Eu sou mineiro.
É, escuta.
O que é que eu tenho que fazer?
É simples.
Você não vai matar ninguém.
Vai se casar.
Eu casar?
Mas que piada é essa?
Piada ou escolari?
Sim, sim.
É afim.
Milionária. A melhor família brasileira.
Eu sou um perrapado. Um borrabota.
Não interessa.
Viu? Não interessa.
O mineiro só é solidário no câncer.
É ou não é?
Só no câncer.
Bom, então você já sabe.
Eu arranjo tudo.
Tchau. Ela entra com o dinheiro e você com o resto.
Ainda por cima, linda.
Linda, rapaz. Uma coisinha.
Essas gajas que saem da manchete não chegam nem aos pés.
Não são nem páreo pra tal garota.
Eu topo. Eu caso.
Caso imediatamente. Eu caso já.
Eu sempre gostei de granfina.
A granfina é a única mulher limpa. Trepa e não transpira.
Mal caráter. Eu sou defunto de cova rasa.
Eu quero o enterro de pedaço. De pedaço. Mal caráter. Mal caráter. De
pedaço. De...
Igual o pai, gastando dinheiro com bebida.
E eu aqui.
Porra, mamãe.
Pode se entrar?
Doutor Peixoto, desculpa a desarrumação.
Ora, minha senhora.
O senhor, eu vou fazer um cafezinho.
Eu vim pra gente continuar o nosso papo de ontem.
Doutor Peixoto, eu... Corta o doutor.
Eu ontem fiz um papelão.
O senhor... Você me desculpe. Isso.
Me trate de você.
Pelo contrário, você foi brilhante. Aquela frase do Otto.
Otto? A frase do câncer.
Aquela do câncer.
Tem mineiro. Entra mineiro na história.
Como é mesmo, diz.
O mineiro só é solidário no câncer.
Exatamente. Aliás, você... Bobaz.
Bobaz. Em absurdo.
Sua interpretação foi brilhante.
Mas peraí.
Um momento.
Você diz que se o mineiro é isso, tudo é permitido.
Eu concordo.
Sou da mesma opinião.
Bom, mas não foi bem assim.
Ah, foi.
Eu tenho boa memória. Mas não interessa, não interessa.
Você casa ou não casa?
Casa.
Peraí, doutor Peixoto, só deve estar brincando.
Escuta, liga.
Você tem namorada?
Noivo?
Algum compromisso? Tem?
Bom, no momento eu... Quer dizer, é uma menina, minha vizinha. Uma coisinha ela.
Mas, por enquanto, não há nada.
Mas esse casamento é uma piada, claro.
Oh, rapaz, piada vírgula.
Olha, eu vou ser mais claro.
Uma certa família, das melhores do Brasil, encarregou -me de arranjar um
pra menina.
Menina, aliás, linda.
Linda! E esse marido pode ser você.
É o senhor?
Desculpe. É você quem escolhe? A pequena não apita?
Eu implico. Você vai compreender.
Essa menina sofreu um acidente.
Um acidente do tipo especial.
Ela vinha de carro por uma estrada.
Se chama de negro mole.
Você me chama de negro, morre! Eu mato!
E
agora
que você já sabe...
Casar.
Vai, filho, vai.
Edgar, pense no futuro.
Bom, então você já sabe de tudo.
É, de fato.
Contei o caso por alto.
Bem, portanto, você já sabe que a moça... A moça sofreu um acidente.
É, foi um acidente.
Com um atropelamento, uma trombada.
Entende? Essa moça é minha filha.
Filha do seu patrão.
Presta atenção, porque isso é muito importante.
Filha do seu patrão.
Entendido?
Sim, senhor.
Gostei da inflexão.
Sim, senhor.
Assim como direi. Meu filho, houve o que houve com a minha filha.
Mas eu posso garantir.
Nunca houve menina mais virgem.
Exato, exato. Mas vamos ao que interessa.
Você trabalha na firma há 11 anos.
Entrou para lá antes do Peixoto.
Começou de baixo.
Veio do nada.
Qual foi mesmo o seu primeiro posto lá?
Auxiliar de escritório.
Mentira.
O que é isso, Heitor?
É mentira dele.
Começou como contínuo.
Contínuo.
Contínuo.
Não foi como contínuo?
Contínuo.
Eu menti, eu... Contínuo, contínuo.
Portanto, não se esqueça disso.
Você é um ex contínuo.
Põe isso na tua cabeça.
Heitor, você está humilhando o rapaz.
Meu marido gosta de se fingir de mal.
Mas ele é bom.
Eu posso falar? Senta.
Momento.
Não, não acabei.
Você vai casar com a minha filha.
Tá bom.
Mas sabe como é? Com separação de bens.
Aliás, eu acho que se eu me casar, se realmente eu... Não, Rui.
Eu acho que a separação de bens é o certo.
É o justo.
Eu também prefiro. Prefere nada conversa.
Olha aqui, meu senhor. Senta, rapaz. Essa mania, essa obsessão de ficar de
Separação de bens.
Mas você vai ganhar alto.
Não faz diferença.
Ganhar até mais.
E tu?
Você fala como se tivesse comprado um gerro.
Lígia, não atrapalha.
Essa é terna mania.
Meu marido é bom.
Mentira.
Você me acha um cafajeste?
Diz que eu faço barulho quando eu como.
Nunca.
Eu vou me retirar.
Com licença.
Você é bom, Heitor.
Você é bom.
Caso sério, minha vida.
E você que quase não fala.
Tudo sai de você aos bocadinhos, feito titica de cabra.
Fala, rapaz.
Vou falar, sim.
Mas senta.
Escuta aqui, doutor Werneck.
E você também, Peixoto.
Você. Não é doutor não, tá?
Você.
Olha, eu não vou mais casar com sua filha não. Não vou mais não. E tem mais,
largo o emprego.
Enfim, os onze anos de estabilidade no rabo. É, no rabo.
E tem mais, eu sou um ex -contrino. E você é um filho da puta.
Seu filho da puta.
Apanha a panela, mãe.
Deixou o emprego por quê, Edgar?
Quer apanhar, pelo amor de Deus.
Não sei pra que tanto orgulho.
Problema meu.
Todo dia, todo dia você chega bêbado.
Teu pai também era orgulhoso.
E qual foi o resultado?
Deu pra beber.
Bebia. Não fala do pai, mãe.
Você exatinho, seu falecido pai.
Mas exatinho, meu Deus.
Olha, o meu arrependimento, olha.
Eu não volto mais ao doutor Werneck, mas nem atiro. O meu arrependimento é não
ter enfiado a mão na cara dele naquele dia mesmo. Devia ter metido a mão.
Abaixa a cabeça, Edgar.
Abaixa a cabeça.
Capricha, mãe, capricha. Abaixa.
Quem tá boa pra burra é a Ritinha.
Tá um negocinho. Você vai acabar como seu falecido pai.
Porcaria esse edifício.
Sujeito tem que tomar banho de panela.
É o Brasil.
Vai pra cidade?
Tijuca. Eu vou pra lá, eu levo você.
Obrigada, eu prefiro Iônica.
Bora.
Entra aí.
Aliás, foi bom até.
Olha, Edgar, vou te pedir um favor.
Não oferece mais carona para as minhas irmãs.
Mas por quê? Eu não entendo. Há algum mal?
Ah!
Um momento.
Escuta.
Escuta, eu não tenho.
E eu estou sendo honesto.
O menor interesse por suas irmãs. Mas nenhum.
Meu interesse é por você.
Só por você.
Eu gosto de correr.
Eu vou raptar você.
Que tal?
Não brinca assim que eu.
Edgar, eu tenho que estar no colégio. Vamos voltar.
Vamos para as matas da Tijuca.
Você está maluca? Eu tenho hora marcada, os alunos.
E se eu fizesse com você? É, com você. O que fizeram com a moça que eu conheço.
Aliás, granfinérrima.
O carro enguiçou na estrada.
Apareceram cinco criolones.
Agarraram a...
É mentira.
O Mineiro só é solidário no câncer.
Não me interessa, Mineiro.
Maldita hora.
Vá lá.
Eu vou ser humano.
Eu volto daqui e levo você na Tijuca.
Levo no colégio. Eu levo.
Mas antes vem cá.
Você vai me dar um beijo. Nunca. Um beijo só. Olha aqui Edgar, o que você
fazendo comigo?
Sua burra. Sua burra.
Olha, eu bem que podia fazer com você.
O que os criolões fizeram com a Granfina.
Mas não quero.
Eu quero um beijo.
Um beijo só e voltamos imediatamente.
Tá. E se eu der o beijo? Você promete? Jura?
Prometo.
Juro.
Eu fecho os olhos.
Vem. Então tira a mão.
Não me segura.
Isso nunca foi beijo.
Na face?
Eu quero na boca. Na boca!
Ou você me beija, ou ficamos aqui. Até amanhã.
Me escolhe. Que inferno.
Eu vou beijar, mas obrigada, porque sou obrigada.
Eu quero mais. Não resista. Eu quero mais.
Nós estamos sozinhos. Não adianta gritar, hein?
Vem. Deita.
Me larga. Me larga.
Não. Não. Quieta. Não adianta gritar.
Quieta. Edgar, não.
Não, já não.
É a maior suruba.
É uma mixaria, ô cara.
Puta que pariu. Eu tô duro, porra.
Guarda essa merda.
Guarda essa merda e aguenta aqui.
Ô rapaz, você desapareceu? É que eu... Olá.
Senta, senta.
A Maria Cecília queria falar com você.
Comigo, é? Olha, o emprego continua lá, hein? É teu.
Eu me demiti.
O doutor Werneck não aceitou a tua demissão.
Continua ganhando.
Papai gosta tanto de você, Edgar.
Ele me humilhou, fui humilhado.
Não chateia, Edgar.
Como vai, doutor?
Se conhecem?
É, de vista.
A Maria Cecília quer conversar contigo.
Vem comigo.
E não se esqueça, hein?
O mineiro só é solidário no câncer.
Eu vim aqui, queria que você fosse falar com o papai.
Com seu pai eu não falo. Nem eu pedindo.
Maria Cecília, eu sou filho de... Posso falar?
Desculpe. Eu acho, não sei, é uma impressão. Eu acho que você tem
lá, de ter sido contínua.
Eu? Você.
É absoluto.
Vergonha por quê?
Contínua é um homem como outro qualquer.
Um ser humano.
Então explica. Por que você ficou vermelho?
Ficou, Edgar, você ficou vermelhinho.
Mas nunca que eu... Me deixa falar?
Eu me lembro quando eu era garotinha, você ia lá em casa.
Eu olhava pra você e você nem... Um dia você almoçou na cozinha.
Você usava o uniforme caque.
É.
Uniforme.
Você se ofendeu?
Por quê?
É lindo.
Tão lindo ser esposa de um ex -contínuo.
Ex -contínuo.
Eis contigo. É gostoso, acho.
Na bola, coitinha.
Olha pra lá, Nadia.
Olha. Vai ser uma puta festa.
Não vou.
Não adianta.
Sozinha eu não vou.
Porra, vambora. Então vai todo mundo.
A Nadia topa, não topa, Nadia? Eu topo. Eu não vou. Nem você, Nadia.
Gracinha.
Quem fica com o nome?
Eu dou um jeito.
A única coisa que presta no mundo é o sexo.
Desde a punheta.
Como é que é? E o Fluminense?
É, o Fluminense precisa de time, né? Ah, vai melhorar, você vai ver. É, sim,
tchau.
no chão cama daquele jeito não
enche o saco você também você sabe eu não sou de
reclamar eu sou um marido que não reclama mas na minha casa na minha cama
minha o que?
minha a casa É minha.
Eu não admito aqui dentro.
Chateia. Aqui não. Aqui eu não quero.
Eu te conheço.
Você nunca soube ser homem.
Exato, sim.
Não fala nesse cachorro. Esse palhaço.
Se eu fosse homem, por que não quebrou a cara dele?
Vem aqui dizer que vai casar.
Ei, Liana.
Está com dor de cor,
não é?
Ou você pensava que fosse o quê?
Dor de corno, sim.
Mas você nem sabe o que é isso.
Você não gosta de ninguém.
É incapaz.
Você já gostou de alguém?
Eu gosto de alguém.
Duvido.
Entra, Edgar.
Doutor Wernick.
Como é que é?
E o mineiro? Só é solidário no câncer?
Doutor Wernick.
Vamos falar sério.
Estou falando seríssimo.
Essa frase tomou conta da cidade.
Duvernac, eu vim aqui como homem. Antes de mais nada, Edgar, aquilo que houve
entre nós foi, como um brasileiro diz, um mal entendido.
O brasileiro é cínico pra burro.
Vamos botar uma pedra?
Eu voltei pro emprego há 10 dias e não tô satisfeito. Eu não faço nada, eu não
tenho função, doutor Werner.
Com a ordem minha, Edgar.
Escuta aqui, Edgar.
Você não é um funcionário qualquer.
Cometeu o salário quatro vezes.
Fique sabendo.
Você é meu genro. E meu futuro genro não precisa trabalhar.
Eu não quero ser o genro, eu quero trabalhar.
O pessoal lá fala, doutor Werner.
Não dá bola.
O pessoal fala mal de mim. Nas minhas costas dizem um diabo. Eu não me sinto
bem.
Olha, então faz o seguinte.
Não vai lá.
Fica em casa.
Passa lá só para receber o dinheiro.
Pronto. Eu estou vermelho.
Eu não sou peixoto.
Engano.
No Brasil, Edgar, todo mundo é peixoto.
Apoia o talco. Ali.
Passa nas minhas costas.
Espalha nas costas.
Tá coçando pra burro.
Aí, assim.
Massageia.
Mais pra baixo.
Mais embaixo.
Eu tenho caráter, doutor. Eu sinto cócegas.
Quando eu tomo massagem, eu me sinto como um
mero de um filme americano.
Mas vem cá, do que mesmo que... que você estava falando lá?
Caráter.
Escuta aqui.
Tem caráter?
Tem, senhor.
Tem?
Você até que tem muita sorte.
Minha filha continua pura.
Tão pura que nem a alma tem.
A alma vem... vem depois.
Com o tempo.
Você disse que tem caráter.
Eu quero esse casamento.
De qualquer maneira.
Para quê?
Cheque.
Ao portador.
Leia a importância.
Leia.
Cinco milhões de cruzeiros.
Por quê?
A troco de quê?
É o teste.
O mineiro só é solidário no câncer, Edgar.
Cinco milhões.
É teu o dinheiro.
Mas se você tem caráter.
E eu acredito.
Se você tem caráter.
Rasga o cheque.
Depois se atira na minha cara.
Papel picado.
Ou você é peixoto?
Não passa de um peixoto.
O Mineiro só é solidário no câncer.
Tintinha? Oi? Você sumiu.
Eu quero me despedir de você.
Despedir? É, eu vou me casar.
É mentira. Fiquei noivo.
Olha, Aliança.
Quer dizer que... E como é a última vez, a última, eu quero ficar uma hora com
você.
Edgar, eu tenho responsabilidade.
Bobagem. Eu conheço o lugar.
Bacané. O melhor lugar do mundo.
O lugar mais discreto do mundo.
Ideia sinistra, Edgar?
Ideia mais sem graça?
Diga, parece uma traca.
Evidente. O que é que eu estou fazendo aqui?
Você é noivo, e mesmo que não fosse noivo, eu não posso gostar de ninguém.
Eu quero te falar uma coisa.
Tá bom, Edgar, fala.
O que é?
Edinho, escuta.
Tá bom, mas não fala bonito.
Edinha.
Eu não gosto de homem que fala bonito.
Ouve.
Até hoje só conheci duas mulheres dignas de amor.
Uma é minha noiva.
A outra é você.
Eu? É, você.
Sua noiva sim.
Eu não.
Você não me conhece.
Olha. O que?
Um túmulo vazio.
Vem cá, Ritinha.
Vem.
Sai daí, Edgar.
Pula também. Pula.
Você está maluco? Pelo amor de Deus.
É a nossa despedida, Ritinha.
Escuta, olha.
Eu quero te beijar aqui.
Pode ser mórbido, mas dane -se a morbidez.
É o nosso último beijo, vem.
Você quer um beijo?
Eu te dou um beijo.
E o resto?
Tudo.
Mas de graça não.
De graça não?
Três mil cruzeiros.
É quanto eu cobro.
Tomeu a dona e ficou com o resto.
Eu quero ver tua cara.
Edgar, eu gosto de você.
Eu continuaria fingindo se fosse outro.
A professorinha é uma máscara. Eu sou outra coisa.
Eu trepo com qualquer um por dinheiro.
Não me compare à sua noiva.
Não chego aos pés da sua noiva.
Ai, gatita, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita.
Edgar,
eu só quero que você entenda.
Você entende, Edgar?
Eu tinha que te contar isso.
Mas, oh, meninos, que novidade é esta?
Escuta, meu chapa.
Não leva mal, não, tá?
Mas pegue -se aqui para uma cervejinha.
Ah, vá lá, vá lá.
Vá lá, vá lá.
Agora dão mais uns beijinhos, vamos andar e que isto não são locais de
bandalheiras. Daqui a pouco o enterro vem para cá.
Ó meu chá.
Mas o que é que foi?
O mineiro só é solidário no câncer.
Ó, deixa para lá, deixa para lá.
Quer dizer que você é uma... Em nome, não.
Não diga essa palavra. Essa palavra, não.
Eu não presto.
Posso ser uma vagabunda, uma ordinária.
Tudo que você quiser.
Mas eu te adoro.
Ninguém. Nem tua noiva.
Malalija, não perde tempo.
Para o noivado, mamãe já encomendou a missa de ação de graças.
Oito de paus.
Pinóia. Era um casamento simples.
Se viu religioso em casa.
Sem vestido de noiva.
Malete.
Sem vestido de noiva por quê?
Depois do que houve, não seria decente.
Mas ninguém sabe.
Deus sabe.
Deus não se mete.
Aquele médico.
Resolvi a situação.
Você pensa o quê?
Toda noite vai acabar, não é?
Essas expressões, reitor.
Você sempre com essa mania de ser honesta.
Lígia.
Ninguém honesto.
O mineiro só é solidário no câncer.
Não, Heitor, essa frase não.
Livrai -nos, Senhor, da tentação.
Afastai o demônio do meu coração.
Abri as portas da salvação.
Recebei -me em vossa mansão.
Aceitai esse no meu coração.
Como vai a frase do Otto?
Muda de chapa, Peixoto.
Está com vergonha de mim?
Eu também sou mau caráter.
Eu não sou mau caráter.
No Brasil, quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte.
Está bêbado, Peixoto.
Mas olha, eu não me vendi.
Eu aceitei esse casamento por quê?
Eu já conhecia Maria Cecília.
Eu sempre achei que podia me apaixonar por Maria Cecília.
E a tua vizinha?
Que vizinha?
A tal que é um negocinho.
Aquele não foi nada.
Ainda por cima uma vigarista.
Mas olha, eu já gosto de Maria Cecília.
Escuta, Edgar.
Toda a família tem um momento que começa a apodrecer.
Percebeu? Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo.
Lá um dia aparece um tio que é pederasta, uma irmã que é lésbica, um
ladrão, um cunhado que é louco.
Tudo ao mesmo tempo.
Tá ouvindo, Edgar?
Acaba.
Com a minha autoridade bêbado.
A família da minha mulher, da tua noiva.
Começou a apodrecer.
Nós. Eu, você.
Também Edgar.
Peixoto, você é de uma surdidez.
Sou. Sou um canalha.
Quer saber de um?
Ninguém se acha canalha.
Pois eu sou um canalha. E digo isso de boca cheia. Eu sou um
canalha.
Edgar, a gente vai casar?
Eu quero que você saiba de tudo.
Olha, meu bem. Sim.
Eu quero te mostrar um lugar.
Está vendo?
Foi aqui que aconteceu tudo.
Vamos embora.
O Peixoto estava me ensinando a dirigir.
Peixoto?
O carro começou a dar defeito. Ele veio aqui procurar um mecânico. O motor
morreu.
Ele saltou.
Ligue o motor.
Como é que é, meu chapa?
Tem alguma mãozinha?
Eu acho que foi o carburador.
Tem uma chave aí?
Tem sim. Eu vou ver.
aqui toma
amorzinho dá um
beijinho
Por que o Peixoto não matou esses caras um por um?
Desmaiou.
Numa hora dessas, feito um desmaio, feito mata, tem que matar.
Edgar, um dos miseráveis se chamava Cadelão.
De vez em quando eu ouço uma voz repetindo, Cadelão.
Foi esse que... Foi o primeiro.
Mandava nos outros.
Respeito teu sofrimento.
O pior você não sabe.
Telefonaram lá pra casa, voz de homem. Uma vez o sujeito só disse isso.
Maria Cecília, você gostou de ser violada.
Eu gostei de ser violada.
Me desligaram.
Só pode ser o cadelão.
Miserável cachorro.
Edgar.
E se você...
Nós estamos sozinhos aqui.
Se você quisesse me pegar à força, quisesse você fazer sozinho o que os
homens... Mas você não tem coragem.
É covarde.
Depositar o cheque? Nem vou depositar.
Edgar.
Dá esse cheque.
Dá, Edgar.
Fica comigo.
Se eu depositar esse cheque... Se eu tocar um tostão desse cheque, eu tô
perdido, mãe. Eu tô perdido, mãe.
Edgar, esse dinheiro é nosso.
Não vem, mãe.
Não vem se deu o queime. Meu filho.
Eu sou velha.
Velha.
A sua mãe quer um dinheirinho.
Mãe.
Você parece uma bruxa.
Filhinho.
Você não vai fazer isso comigo.
Você não vai deixar sua mãe na merda.
Eu quero queimar e não posso. Eu não consigo. Porque o mineiro só é solidário
câncer. Escuta, mãe. O mineiro só é solidário no câncer.
Não repete, Edgar. Não repete.
Eu não gosto de mineiro. O mineiro só é solidário no câncer.
A frase do Otto, mãe.
A frase do Otto.
Chega.
Chega.
Desgraçado.
Você é igualzinho ao pai.
Eu marquei o encontro, Edgar. Eu queria explicar.
Vitinha, não interessa.
Edgar, você não sabe. Eu não era assim. Eu juro. Eu era direitíssima. Quer
dinheiro? Não me humilhe, Edgar.
Sabe o que é isso? É um cheque.
Ouve, Edgar.
Um cheque de cinco milhões de cruzeiros.
Edgar, eu sou o que sou, porque eu... Se eu não rasgar isso, serei um canalha.
Pelo amor de Deus, escuta.
Quem tem razão é o Otto.
A frase do Otto é genial.
Não adianta você me contar história nenhuma. Enquanto eu não rasgar esse
ou eu rasgo esse cheque, ou a frase do Otto é verdadeira.
Edgar, minha mãe era tesoureira dos correios e telégrafos.
Funcionária antiga.
Eu quero que Deus me segue se eu estiver mentindo.
Um dia, houve um roubo.
Desapareceu uma grande quantia.
Eles fizeram uma comissão de inquérito.
Eu fui falar com o presidente da comissão.
O presidente?
Edgar, você está me ouvindo?
O mineiro só é solidário no câncer.
Continua.
Ele disse que minha mãe era culpada.
É?
São os fatos.
São os fatos.
Em 20 anos, minha mãe não teve uma falta.
Nem tirou licença -prêmio.
São outros 500.
Outros 500.
Sua mãe roubou.
Roubou.
Todas as suspeitas.
Entende?
Roubou.
Minha mãe é incapaz.
Incapaz de tirar um níquel.
Nós passamos privações.
Você é filha. E a filha não aceita. Não concebe.
Vai se fazer justiça.
Doa quem doer.
Não vão me sujar.
Ou você pensa que não sou moleque?
Quer dizer que...
Estou sendo durão por causa dos outros.
Ficou ouvindo.
Uma corja.
Afinal, esses meus anos de emprego... Eu tenho netos.
Tenho muita peninha de ti.
Pelo amor de Deus.
Vamos fazer o seguinte.
Você vem aqui no domingo.
No domingo não tem ninguém.
E podemos conversar.
Conversar?
Eu deixo a porta encostada.
Se empurra.
E entra.
O negócio tem que ser discretíssimo.
Conversaremos e... Não garanto nada.
Mas quem sabe?
Ele prometeu.
Insistiu.
Eu voltei lá no domingo.
coisa.
Estamos sozinhos.
É que eu ouvi de tudo.
É uma gente que... nervosa.
Mãe, acho e disse... Sua mãe é uma colega como poucas.
Distintíssima.
Sabe que a sua mãe depende de mim?
Só de mim?
Eu sei, eu sei.
Pois é.
Ora, chorando por quê?
O que eu quiser, os outros assinam em cruz.
É o que eu quiser.
Agora escuta uma coisa.
Você quer salvar sua mãe?
Sim.
Mas o que é isso?
Está bem, eu não toco em você.
Eu me afasto.
Aonde?
E você?
Baixa um pouco o decote.
Para baixo.
Um pouquinho.
Não quero.
O senhor não pode fazer isso.
Ou prefere?
O senhor está abusando de mim.
Você só mostra o seio.
O seio.
Eu fico olhando, não toco em você. Fico de longe.
Olhando.
E salvo sua mãe.
Agora escolha.
O senhor jura que minha mãe não será presa?
Eu sou um homem de bem.
Homem de uma palavra só.
Tamozinho.
Olha o que... Médico não há...
Minha filha.
Lá mesmo.
Em pé.
Em pé.
Depois me mandou ir fora do expediente.
Prometia, prometia.
Até que um dia... O resultado do inquérito foi contra a mamãe. Exato.
Contra a sua mãe.
O senhor abusou de mim pretendendo que... Escuta uma coisa.
Os médicos quando tiram casquinhas...
E suas clientes reclamam.
Dizem, neuróticas.
Neuróticas.
Eu também tenho a minha saída.
Digo que você é uma neurótica.
Uma vigarista.
Cínico. Não, só sem vergonha. Isso aqui não é o que você pensa.
Nós temos aqui uma polícia particular.
Você entra na borracha.
Mulher aqui apanha também.
Saia.
Quer fazer chantagem comigo? Só sem vergonha.
E agora, compreendeu?
Duas violadas.
Você ouviu?
Eu não nasci vagabunda.
Me fizeram isso.
Eu tive que arranjar o dinheiro para repor. De qualquer maneira.
Você está com febre.
Você está quente, está assim.
A frase do Otto.
Entende? A frase do Otto é mais importante do que todo machado de Assis.
Tudo é a frase do Otto.
Se eu não rasgo o chefe, se o cara te violentou,
é porque a frase do Otto é verdadeira.
Olha, lá no cemitério eu falei aquilo do dinheiro, mas foi... Olha, Edgar, eu...
Eu te via tão iludido.
Eu não queria enganar você.
Eu quis.
Mas eu não aceitaria nada de você.
Só amor.
Você é o único que eu... A frase do Otto.
A frase do Otto é que eu cansei.
Tô voando pra trás.
Tô voando pra trás!
Quer ver como eu sou um psicólogo?
A tua doença é a frase do outro.
É ou não é?
Vá à merda, Peixoto. Vá à merda.
Confesso, Edgar.
Ah, Peixoto.
Passei a noite inteira acendendo e apagando esse isqueiro.
Tentando queimar esse cheque e não tem coragem.
O cheque não tem fundo?
Deixa de ser besta.
Se o cheque tem fundo, guarda isso.
Ouça.
Você vai se casar.
Precisa conhecer a família da tua noiva.
Família não interessa, porra.
Interessa.
Peixoto.
Você não entende, Peixoto.
Eu não vou desiludir Maria Cecília. Ela foi violada. Eu não posso.
Sua besta.
Teu fogo dá uma festa.
É um negócio.
Você vem comigo.
É uma família que começou a apodrecer.
Atenção!
Nós vamos fazer uma brincadeira.
Meus amigos, o negócio é psicanálise. Psicanálise. É de ganheiro, mas é
psicanálise. Quem vai querer?
De preferência, mulher casada.
Com o marido presente. No sofá.
Psicanálise, tem que ser aí, ó, no sofá. Eu só vou nua. Fica nua, nua. Mas
respeita o doutor Floyd, fala.
Ana Isabel, qual foi o seu michê mais barato?
75 cruzeiros.
Trepei no buraco do metrô. Eu inaugurei o metrô do Rio de Janeiro.
Eu também quero.
Eu preciso falar.
Fala, vamos lá.
É psicanálise grupo.
É psicanálise grupal.
Boa noite.
Dona Rita.
A senhora me conhece.
Detesto fofoca.
Mas as meninas moram todas pro fio perama.
Até a senhora sua mãe tenta pra...
Seus íris, o senhor tem certeza?
Absoluta.
Onde estão as meninas?
Branca de neve, cadê minhas irmãs? Eu não sei, dona Rita. Fala, viado. Eu não
sei, dona Rita. Você sabe sim. Fala, dona Rita.
Fala, dona Rita. Eu não sei.
Fala, dona Rita. Eu não sei. Fala, pelo amor de Deus.
Fala, fala.
Vocês vão ver um show.
Um crime sexual.
Três menininhas.
E nós vamos entupir os namorados de droga.
Eu louco.
Eu vou -me embora.
Ele já me viu.
Sabe que nós estamos aqui.
E não está bêbado.
Está representando pra nós.
Vocês não acreditam?
No poder econômico?
Com meu dinheiro?
Tapo a boca da família.
Com o dinheiro?
Eu tapo a boca de qualquer um.
Peixoto, se ele fizer isso, espera e verá.
Escuta, se ele fizer isso, eu mato. Eu juro. Eu mato. Eu mato esse velho. E teu
casamento? Eu mato.
Eu juro.
Teu casamento?
Sim, com Maria Cecília.
Mas é um crime, Peixoto.
Mas vamos só assistir.
Olhar.
Peixoto, você é sórdido.
Pelo amor de Deus, mais depressa.
Ninguém é de ninguém.
Quem é você?
Eu sou irmã.
Eu sou irmã dessas meninas.
Elas são direitas, eu juro.
Eu pago.
Velho decente.
Velho filho da puta!
Você vai morrer!
Eu vou te matar!
Olha aqui.
Escuta.
Essas meninas eram tudo o que eu tinha na vida.
Você quer me ouvir?
E eram virgens.
Eu caí na putaria para que elas, ao menos elas, se casassem direitinho.
Mas vocês...
Vocês devoraram.
Não tem mais nada na vida.
Eu dou dinheiro.
Dinheiro grande.
Vocês arrebentaram minhas irmãs.
Eu pago a costura.
É o médico.
Pitangui dos cabaços.
Eu pago.
Ele dá o retoque.
E na noite do casamento, o negócio vai sangrar até mais.
Eu pago.
Eu quero ser bom pra vocês.
Acordada? Te esperando, meu amor.
Quer dizer que eu ainda sou o amor de alguém?
Meu.
Ainda?
Sempre.
Lígia.
Eu queria que você dissesse.
Nesse momento.
Que eu sou bom.
Você é bom, Heitor.
Eu sou bom, Liz.
Eu sou bom.
Eu sou bom.
Eu te chamei porque... Eu vim correndo. Papai e mamãe saíram. As empregadas
estão lá fora. Eu tive medo, não sei.
Medo de ficar sozinha.
Eu te adoro, cadelão. Meu cadelão.
Você me chamou de cadelão?
Te chamei?
De cadelão?
Eu ando com a cabeça tão... Você sabe que todas as noites eu sonho com o
Cadelão?
Sonho.
Todas as noites.
Desculpe.
Querido, olha.
Deixa eu te chamar de Cadelão. Não, assim eu não quero.
Cadelão, meu Cadelão.
Eu sou o Cadelão.
Ele vai mentir. Ele vai mentir.
É assim que me chamavam no colégio.
Meu apelido de colégio.
Eu não admito, Peixoto.
Eu não admito.
Eu não sou tão canalha.
Por que vou impedir o teu casamento?
Foge dessa mulher Edgar.
Foge dessa casa.
Cala essa boca, Peixoto.
Cala essa boca ou eu te arrebento.
Ela é a última.
A última das cachorras.
Mentira!
Eu preciso te contar.
E você precisa saber.
Escuta.
Quando Maria Cecília saiu do colégio... Logo depois... Mentira!
É mentira!
Maria Cecília leu no jornal... Uma reportagem de curra.
Os caras pegaram a crioria no Leblon.
Disseram o diabo.
Eram cinco.
Estou mentindo?
Cadelão.
Continua. Eu me apaixonei por ela.
Então ela me dizia.
Eu quero uma curra igual àquela do jornal.
Pôs isso na minha cabeça.
Catei cinco sujeitos.
Paguei os cinco.
Custou 50 mil cruzeiros.
Ela queria que eu ficasse olhando.
Compreendeu, Edgar?
Foi ela.
Ela que pediu para ser violentada.
Obrigado.
Amém.
Responde, é verdade.
Você está me machucando.
Você me chamou de cadelão, por quê?
Excontínuo.
Tem 17 anos e é mais puta que... Só sabe amar assim.
A única coisa que aprende a mim... É o apelido.
Cadelão.
Edgar.
Foge dessa mulher.
Eu não fugirei nunca.
Não, Edgar!
Não! Não!
Cadê Lão?
Cadê Lão?
Meu amor... Eu não mereço viver.
Nem você.
Eu vou acabar com a tua cara.
Obrigada.
O que é, rapaz? A garota está comigo.
Desinfeta!
Eu vim te buscar.
Quero te dizer uma coisa.
Olha, eu me julgava fria porque não conseguia desejar homem nenhum.
Mas quando te vi pela primeira vez, me senti toda molhadinha.
O quê?
Eu nunca tive prazer com homem nenhum.
Você vai ser o primeiro.
Olha aqui.
O que?
O cheque. O tal cheque.
Cinco milhões de cruzeiros.
Cinco milhões?
Cinco milhões.
E eu vou queimar.
Escuta. Fala.
É muito dinheiro. Você não acha que... Continua.
Nós vamos viver juntos.
E esse dinheiro... Acaba.
Esse dinheiro pode ser importante para nós, Edgar.
Nós vamos começar do nada.
Sem um tostão.
E se for preciso, um dia você beberá a água da sarjeta.
Comigo.
Apanharemos água com as tuas mãos.
Entendeu?
Agora olha.
Está morrendo.
O mineiro só é solidário.
Morreu.
A frase do ato.
Morreu.
Olha o sol.
O sol.
Eu não sabia que o sol era assim.
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