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''H�RCULES E A CONQUISTA DA ATL�NTIDA''
-Aceita outra coisa? -Assim est� bem, obrigado.
-Vou trazer outra garrafa. -Obrigado.
Muito bem.
O teu pai devia-nos ajudar.
Androcles tem raz�o. Venha nos ajudar, pai.
Para qu�?
Ah! Est�s aqui?
-Vai ajudar ou n�o? -N�o acabei a minha refei��o.
Larguem-me! Sou o rei de Tebas!
R�pido, venham!
E agora, chega!
Vamos embora.
Em seus cabelos havia o cheiro do mar.
Os seus olhos eram de mel.
Os seus quadris tinham a curva de uma �nfora de Tyro...
e apoiavam as pernas de m�rmore.
A sua pele era doce. O sol desenhava a sua sombra.
-E depois? Depois? -Tim�teo.
-Falei por falar. -Diga voc�, Androcles.
N�o posso passar a minha vida preso a um cavalo.
N�o podes passar a tua vida a meterste em encrencas.
Porque � sempre o teu pai a tirar-te das confus�es.
� mesmo?
Obrigaste o rei de Tebas a lutar como um qualquer.
lsso � verdade. Pelo vaso de Pandora!
E ainda cheira a vinho!
Claro! � o �nico rem�dio para o meu mal, vinho.
Bom!
E aquela dan�arina n�o era nada m�!
Basta! O meu filho vai-se casar com a filha de um rei!
O rei de Calia.
� um reino como todos os outros.
Fica calado. Devias estar envergonhado.
Como se eu n�o soubesse que te metes com as mulheres.
Um belo exemplo que tu �s!
Eu sei. � a minha fraqueza.
Esta foi a �ltima vez.
Ao regressarmos, vou te trancar no pal�cio.
-Fica calado! -Eu n�o disse nada!
Olhem, o sol!
Parem! Aonde est�o indo?
A Gr�cia est� ensanguentada! Pobre p�tria nossa? fujam?
O que diz? Quem te feriu?
Olhem, esse sangue n�o vem de uma ferida, mas do c�u!
fen�menos estranhos devastam a Helade...
em todas as suas cidades o povo foge da noite sem fim!
E do c�u, olhem! Chove sangue do c�u!
A morte est� sobre n�s!
� a ru�na das cidades da Helade!
O que acontece? O que significa isso?
N�o sei! S� pode ser sinais do c�u.
S� Tir�sias, o adivinho, pode revelar este mist�rio.
Vamos para Tebas.
Os deuses falaram.
Com os raios, com o cora��o, com os ventos...
falaram.
Mas n�o para amea�ar ou para punir.
Para ainda ajudar os homens. Falaram.
Diga-me, Tir�sias, o que nos amea�a?
Um ser, uma coisa.
Um perigo amea�a a Helade.
Um perigo novo...
que vem de longe.
Quem quer nos atacar?
Quem ousa enfrentar os gregos?
As for�as do mal.
As terr�veis for�as de um mal novo do Ocidente.
Al�m dos mares e do estreito de onde nenhum navio saiu.
Al�m dos mares...
al�m do estreito de onde nenhum navio saiu.
Al�m do estreito, disse Tir�sias.
Al�m do estreito.
Vem dos grandes mares o grande perigo que nos amea�a.
Eu vos digo que devemos atacar essas for�as...
antes que cheguem � nossa cidade.
Atac�-las e destru�-las.
Mas se nem sabemos quem s�o e onde se encontram!
-N�o � verdade, irm�o? -lsso mesmo.
N�o podemos enfrentar algo em mares desconhecidos.
-N�o � verdade, irm�o? -lsso mesmo.
E em terras jamais percorridas.
-N�o � verdade, irm�o? -lsso mesmo.
Se pudesse decidir, n�o hesitaria a me unir a voc�.
Mas � o Conselho dos Trinta que governa o meu reino.
� dif�cil que 30 conselheiros estejam de acordo.
Mas sou eu que controlo o meu reino.
Usarei a raz�o. � melhor atacar que defender.
-Persenope! -Sim, m�e.
Vamos nos dividir. Uns atacam, outros defendem.
-E voc� vai ser dos que defendem. -Verdade.
Sem d�vida. Ataquem, que eu dou cobertura.
Muito bem!
E aproveite a nossa aus�ncia para se apoderar dos nossos reinos.
-Certo, irm�o? -O que insinuou?
Que suas feridas ainda n�o cicatrizaram devido � derrota.
Verdade?
E que vive esperando a vingan�a.
-Eu o desafio! -Me desafia?
Ele o desafia. A voc�.
Bem, ele est� pronto a aceitar o desafio.
Desafio-o a sustentar o insulto com armas!
Ele est� pronto a qualquer hora e com qualquer arma.
-Verdade? -N�o.
Se ele disse que n�o, � n�o.
Amigos, n�o nos reunimos para desabafar nossos rancores...
mas para nos unir contra um inimigo que nos amea�a.
Mas como podem esperar que o inimigo ataque...
que destrua as nossas cidades?
Passivamente.
-Passivamente. -Passivamente.
Mas com as armas prontas!
Claro, prontos a matar quem ousar nos atacar.
-Verdade? -Certo.
O meu ex�rcito � invenc�vel!
Os meus navios podem transport�-lo.
Persenope!
Mas seria loucura deixar a cidade.
Olhem para o mapa da Gr�cia.
Vejam as fronteiras do meu reino.
Juro por todos os deuses, que ningu�m ousar� cruz�-las.
Daqui...
at� aqui.
Se acha que me impressionou com esse espect�culo, engana-se!
A sorte cansa-se de ver um rei que se gaba.
O tributo que deve pela �ltima guerra ainda n�o foi pago.
Se pensa que vai encher o seu cofre com meu ouro...
por uma alian�a errada... n�o!
Chega!
Pensava que estariam unidos, prontos a defender a nossa terra.
Voc� � muito impulsivo!
Enfrentar um inimigo desconhecido � muito perigoso.
� verdade.
Nenhum de voc�s est� disposto a seguir-me?
-Tu? -Eu n�o.
Que seja.
Partirei s�zinho com os meus guerreiros.
Abandono a minha casa para defender a dos outros.
Desculpe, mas quem governar� o seu reino na sua aus�ncia?
O Conselho. J� decidi.
Esquecemos disto.
Quem o suceder� no trono em caso de...?
Em caso de morte?
Diga abertamente, n�o tenha medo, caro primo.
De morte.
ainda nem parti e j� est�o a pensar em dividir o meu reino.
-Vamos dividi-lo. -Eu e ele.
-Porcos! -N�o tema, Androcles!
Farei de modo que ningu�m se sente no seu trono...
durante a sua aus�ncia!
Ser� reconstru�do no dia em que Androcles voltar!
Que pena! Era um belo trono!
Foi esculpido por Dario de Tyro.
Mandarei construir um ainda mais belo para festejar o seu regresso.
O meu regresso? O nosso, queria dizer.
Vais partir outra vez? Vais-me abandonar como sempre?
Mas eu n�o disse nada.
N�o, mas eu conhe�o-te bem demais.
N�o deixarias Androcles partir s�zinho.
Preferes a gl�ria do que viveres junto da tua esposa.
Ao lado do teu filho que mal conheces, de tanto viajares...
de lutares, de combateres.
E tu? Mesmo assim a julgares-me t�o mal, ainda me amas?
�s vezes, maldigo o meu amor.
Mas seria mais f�cil p�r fogo no mar...
que sufocar isso em ti.
N�o, Dejanira. Eu tamb�m te amo.
-E sabes disso. -Por isso sofro.
Desta vez, n�o partirei. Decidi isso antes.
Mas se tinha alguma d�vida, agora n�o a tenho mais.
N�o quero que sofras por minha causa.
-Falas sinceramente? -Juro.
Chegou o momento de eu repousar tranquilo...
como um homem qualquer.
-H�rcules. -O que quer?
Perdoe-me, mas esperava uma resposta de H�rcules...
para a nossa partida.
Eu lhe a dou. H�rcules fica em Tebas.
Mas como? N�o percebe?
Voc� deve vir. N�o podemos ficar aqui, esperando. Pense.
Estou pensando muito bem. Por isso fico em Tebas.
Aqui tenho a minha casa, a minha esposa, o meu filho.
Est� na altura de aproveitar finalmente isso em paz.
Voc� � nosso amigo. N�o pode tir�-lo de mim outra vez.
Tudo bem.
Quando me pediu para o acompanh�r, eu fui...
mesmo nas campanhas mais arriscadas.
E n�o que eu n�o tivesse medo.
Mas Dejanira tem raz�o.
Talvez, se tivesse uma esposa e um filho, agisse como voc�.
At� breve. Espero-o no pal�cio.
Beberemos juntos o velho vinho de Tyro...
para o sucesso da minha miss�o.
Mas...
Acha que vai ficar muito zangado?
� dif�cil de prever. Mas agora est� feito.
Se ele soubesse que eu lhe coloquei o son�fero no vinho.
Est� a acordar.
Vou andando. Imagine se ele me encontra a bordo.
-Espera, vou contigo! -Fica aqui!
-Bonito dia. -Nada mal.
-H� quanto tempo � que estamos no mar? -Desde a madrugada.
Onde est� a sua frota?
Onde est�o os seus guerreiros?
Por isso � que precisava de voc�.
Entendo.
E isto seria a tripula��o?
Marujos e condenados � morte.
-Bela companhia. -Os melhores que consegui encontrar.
Uma pergunta:
Voc� n�o era o rei de Tebas, ou me engano?
Os generais e os anci�es estavam contra mim. � a democracia.
Muito bem.
Ent�o n�o errei em quebrar o trono, ao que parece.
Desculpe, mas como pretende vencer o inimigo?
Contamos com Tim�teo?
Sem ironias.
Um inimigo desconhecido � duas vezes mais forte.
Devemos descobrir quem �...
e de que terra desconhecida nos amea�a.
Qual � sua pot�ncia. Quais s�o as suas armas...
quais s�o os seus planos, como pretedem atacar.
-H�rcules, o que faz? -Vou dormir.
N�o gostei. Preferiria que tivesse ficado Zangado.
llus, acorda! Trouxe-te comida.
N�o aguento mais. Estou aqui h� seis dias.
Estou com enj�o. Vou subir.
N�o te mexas! E se H�rcules te descobrir?
Ele perguntou se tinhas ficado em Tebas.
-O que � que respondeste? -Que pergunta!
-O que mais ele disse? -Nada. Ele come e dorme.
-E quando n�o dorme, pesca. -Pesca?
Pesca.
-E apanha peixes? -N�o.
H�rcules dorme. Androcles fica ao tim�o.
Fique tranquilo. A terra est� pr�xima.
Ningu�m nos vai surpreender.
R�pido!
A �gua n�o deve estar longe. Em breve os homens voltar�o...
e poderemos partir com o sol ainda a pino.
Olha, atr�s do horizonte est� o mist�rio que procuramos.
Vamos descobrir o que �...
e os gregos saber�o o perigo que nos amea�a.
Acha que os deuses o ajudar�o?
Vou me unir aos homens.
N�o gosto deles enfiados nas Cavernas.
Nunca se sabe o que h� l� dentro.
E n�o � a melhor tripula��o para uma miss�o do g�nero.
Durma, n�o se preocupe. Ser� acordado, antes da partida.
Todos desceram, mas tu n�o podes descer.
N�o aguento mais, deixe-me subir um instante.
Ainda n�o est� na altura do teu pai saber que est�s a bordo.
-Depois do estreito. -N�o aguento mais! Vou sair!
Calado, os marinheiros est�o de regresso!
Socorro! H�rcules! H�rcules!
Socorro! Ajudem-me!
l�ar a vela!
Mais depressa!
Vamos com os remos!
Mais forte!
Ainda mais forte!
For�a!
Eoles, deus dos ventos, fa�a parar o vento.
Obrigado.
Mais forte!
For�a!
O vinho seria melhor. Venha. Venha.
Esperem aqui pelo nosso regresso...
ou por algum outro navio que passe.
-Acha que � uma boa id�ia? -Mesmo sendo criminosos...
n�o pode for��-los a irem de encontro � morte.
Estou a falar de n�s.
� diferente. Escolhemos isso livremente.
Como manobraremos o navio em tr�s?
Em tr�s? Quer dizer dois. Um na vela, outro no tim�o.
� suficiente.
V�i para o tim�o.
Ele disse que o movimento do mar o ajuda a dormir.
Vem c�!
-Podes segurar o tim�o? -Claro.
Acorde. Estamos em plena tempestade.
-Precisa diminuir as velas. -�ptimo. Fa�a isso.
-Disse que alcan�ava. -Eu me enganei.
Traz aquela corda!
Ponha para baixo!
Ajudem-me!
H�rcules, ajude-o, ou preciso eu ir?
-Eu vou para o conv�s! -�s louco?
N�o posso mais ficar fechado, prefiro enfrentar o meu pai.
Eu posso ajudar.
Que besteira! Justo agora que H�rcules decidiu nos ajudar.
O clar�o iluminou alguma coisa.
-V� ver. -Fique no tim�o.
V� r�pido!
V� r�pido!
H� rochas aqui.
O que est� vendo?
Rochas. Vire � direita!
Um pouco mais.
Estamos em cima!
Androcles! Androcles!
H�rcules!
H�rcules!
H�rcules!
H�rcules!
Zeus, omnipotente! Zeus, meu pai!
Escute-me.
Se Androcles ainda est� vivo, se era isso que queria me dizer...
deixe que o reveja.
Quero ajud�-lo. Salv�-lo.
Zeus, meu pai!
Mate-me. Mate-me, eu lhe suplico!
N�o tema. N�o quero lhe fazer mal.
Termine esse tormento. Mate-me!
Quem �? Que deus a persegue?
Fuja, estrangeiro, fuja!
Mas quem a aprisionou?
Era um homem como voc�, depois transformou-se em �gua...
depois numa serpente, est� em tudo.
No ar que respiramos, na terra em que pisamos.
V�-se embora! N�o se sabe sob que forma pode aparecer!
-Quem � o monstro que a amea�a? -Proteus.
Fuja! Fuja! � ele!
� um bom conselho, estrangeiro, v�-se embora.
N�o quero intrusos na minha ilha.
Se n�o se for embora, morrer�.
-Estou salva. -Sim, Proteus morreu.
Aquele � o sangue dele.
Como disse, esta ilha, esta rocha...
era onde ele imolava as suas v�timas.
-Mas agora acabou. -Acredita?
Foi o meu povo que me sacrificou para ele...
para que protegesse o meu pa�s.
Matando-o, foi contra a vontade dos deuses.
N�o, sem a ajuda dos deuses...
nunca conseguiria matar aquele monstro.
E eles mesmos ainda nos ajudar�o.
Aquela � a minha terra! A Atl�ntida!
Hoje � o dia dedicado a Urano.
A rainha est� no templo, para a cerim�nia sagrada.
N�o, n�o, o meu filho, n�o.
N�o, n�o, o meu filho, n�o.
As criancas s�o oferecidas ao culto de Urano...
e conduzidas � montanha sagrada.
Antinea, perdoe-me se interrompo a cerim�nia...
mas a n�voa que protege a nossa ilha se dissipou.
Eu vi da montanha.
Mais nada esconde a Atl�ntida dos olhos dos mortais.
Urano abandonou-nos. Esta � a raz�o de sua ira.
Ouvem os sons que v�m da montanha?
Marcamos outros sacrif�cios a Proteus.
N�o, Proteus n�o precisa de mais v�timas humanas.
O que quer dizer? Quem � voc�?
Eu sou H�rcules, de Tebas...
meu pai, Zeus, me guiou at� aqui.
Deixem-no.
Nenhum mortal at� hoje ousou p�r os p�s...
nas terras de Atl�ntida.
Por que est� aqui?
Por que raz�o desafiou a ira do nosso deus?
N�o creio em deuses maus, sempre combati essa id�ia...
de que queiram sacrif�cios humanos para aplacar...
a sua sede de sangue e de morte.
Por isso matei Proteus.
Por isso salvei a jovem destinada � f�ria do monstro.
Mente.
M�e...
perdoe-me.
Por que este sil�ncio?
Sua filha est� viva, e n�o h� alegria nos seus olhos.
Cometeu o maior dos sacril�gios.
Matou a criatura de Urano: Proteus.
E com sua morte se dissipou a n�voa que protegia a Atl�ntida.
O que escondem que os outros homens n�o podem ver?
O que veio procurar na Atl�ntida, H�rcules de Tebas?
Trouxe Ism�nia de volta � m�e.
E se os deuses fossem contra isso, eu n�o estaria aqui.
N�o teriam me ajudado a destruir Proteus.
Talvez tenha raz�o, talvez estiv�ssemos errados...
M�e.
Se erramos, reparemos o erro e lhe agradeceremos.
Venha, minha filha.
Estou contente que tenha voltado. S� me resta pedir-lhe perd�o.
E agradecer ao homem que a salvou.
N�o me agrade�a.
O acaso me trouxe aqui, � procura de um amigo.
O acaso deu mais sorte � minha filha que a seu amigo...
se o trouxe a esta ilha.
Nenhum estrangeiro jamais desembarcou aqui.
Meu amigo Androcles sumiu no mar, durante uma tempestade.
Sei que est� vivo, mas corre perigo.
Se seu amigo estivesse aqui, eu lhe diria.
Faria qualquer coisa para recompens�-lo...
de ter salvado a vida da minha filha.
Mas agora vamos festejar sua vit�ria sobre Proteus.
E fa�amos votos que isso seja de bom ausp�cio.
Ser� o meu h�spede.
Pe�a o que quiser para se recuperar de sua fadiga.
-M�e...
parece-me ter acordado de um pesadelo.
Eu tremo pensando na morte que me esperava.
Amo-te muito. Mais ainda que antes.
Certo, eu tamb�m a compreendo, minha filha.
E ainda assim, se H�rcules n�o a tivesse salvado...
o seu destino teria sido menos cruel.
Menos cruel? O que quer dizer?
Quando a destinei como v�tima de Proteus, sofri muito.
Para satisfazer a crueldade daquele monstro maldito...
n�o havia necessidade de sacrificar a filha de uma rainha.
Voc� � a filha de Antinea. Minha filha...
e se fosse para morrer, seria por uma raz�o imperiosa.
Mas...
N�o entendo.
O seu destino est� ligado ao meu, como meu...
est� ligado ao meu reino.
Nunca lhe contei a verdade, porque morte e verdade...
t�m o mesmo significado. E ainda assim, nada mudou.
O dia em que uma f�mea gerada por mim...
sobreviver a mim, a Atl�ntida ser� destru�da.
Mas eu... ent�o...
Voc� deve morrer.
N�o quero morrer! N�o quero morrer!
Levem-na embora!
N�o, n�o quero morrer!
Androcles!
Androcles, pare!
Androcles, por qu�...?
-N�o � poss�vel. -O que n�o � poss�vel?
Este homem. Eu vi Androcles.
Androcles? N�o o entendo.
Nem eu.
Tenho a certeza de ter visto o meu amigo.
Mas agora?
N�o duvido de sua palavra, mas...
Acha que sonhei? Tamb�m me parece ter sonhado.
N�o, nossos desejos nos levam a enganos.
A esperan�a de ver uma pessoa querida nos faz v�-la...
onde ela n�o est�.
Tem raz�o.
Deve estar cansado da longa viagem.
Viu s� morte e dor durante o seu caminho.
Seria melhor que se distra�sse, vendo coisas mais agrad�veis.
Acorda, os cavaleiros est�o a chegar.
Deixa-me em paz.
H� dias que procuramos terra. Agora quero dormir.
Acorda! Est�o perto, e vi uma mulher com eles.
-Ela deve estar em perigo. -Uma mulher!
Prendam-na aqui. Vamos esperar o crep�sculo.
Por que esperar o crep�sculo?
Ordem de Antinea.
Ao crep�sculo, a atiraremos sobre as rochas.
E n�o me olhe assim. � a sua m�e que quer a sua morte.
Se fosse por mim...
O que queres fazer?
Salvar aquela mulher. Vou deixar que morra?
Mas eu n�o quero morrer, para salv�-la.
Abaixa!
-H� mais? -N�o, o �ltimo morreu.
R�pido, a garota!
Coragem, n�o h� mais perigo. N�s a protegeremos.
� in�til.
-Por qu�? -V�o me achar.
N�o posso fugir do meu destino. Devo morrer.
Explica. Quem quer te matar?
-Que tipo de pa�s � este? -Um pa�s pouco acolhedor.
Fujam para longe. V�o mat�-los, tamb�m.
Talvez neste momento j� tenham matado H�rcules.
H�rcules? H�rcules est� aqui?
-Conhece-o? -� o meu pai.
Fique tranquila. Se ele est� aqui, resolver� tudo.
Na Gr�cia gostamos mais de dancarinas que de magia.
N�o � magia. � a pr�pria natureza.
N�s, na Atl�ntida tentamos vencer a natureza...
para que ela nos sirva.
A natureza me agrada como �.
Selvagem, e ao mesmo tempo doce. Cruel e generosa.
Talvez porque sua forca e coragem Ihe permitam...
n�o ter medo dos mist�rios do universo.
Por qu�? Voc� tem medo?
Talvez.
Por que quer partir? Fique comigo.
-Minha companhia n�o o agrada? -Preciso encontrar Androcles.
N�o terei paz enquanto n�o souber onde est�.
Talvez tenha morrido...
e seu corpo esteja nas profundezas do mar.
Gostaria de ficar com voc�, mas agora n�o posso.
Que pena!
Se quiser, Ihe darei um navio para que continue suas buscas.
Mas uma coisa, eu Ihe peco. Prometa que voltar�.
Voltarei, prometo.
Androcles!
Eu te odeio! Eu te odeio!
Por que veio � Atl�ntida?
O que quer de n�s?
O que diz, Androcles? Enlouqueceu?
Voc� que � louco, se acha que combater� a Alt�ntida...
com a m�sera forca de seus m�sculos.
Voc� pode me matar, mas ela o destruir�!
Destruir� todos os seres como voc�.
Todos os que se oponham � nossa vontade e pot�ncia.
N�o haver� mais esperanca para voc�s.
-Escute-me. -N�o. Escute-me voc�.
Vai morrer...
como v�o morrer todos os gregos num banho de sangue...
que purificar� a terra.
Um c�u de fogo iluminar� a nossa vit�ria.
E ruir�o os templos in�teis de seus deuses.
Um grande deus sair� do nada...
Urano dominar� os c�us!
N�o blasfeme!
Lamento, eu n�o queria...
Por que mentiu?
Por que n�o disse que Androcles estava aqui?
Voc� desconfia sempre.
Sabe l� que sentimentos ign�beis atribui � minha alma.
Talvez tenha se deixado enganar pelas vis�es...
de sua mente adoecida.
Creio no que vejo e sinto. N�o pode negar que mentiu!
Disse que Androcles n�o estava na Atl�ntida.
Talvez reconheca aquele Iouco do Senado como seu amigo...
aquele pelo qual se arriscou para saber que fim levou.
-Por que n�o me disse? -Queria Ihe poupar a dor.
Androcles havia desaparecido para voc�.
Como est� morto, n�o sei se � melhor ter piedade por ele...
como eu tive, ou sen�o...
N�o, se teve pena dele, por favor, continue tendo.
E perdoe-me por ter suspeitado de seus sentimentos.
Levem-no embora e tratem dele.
N�o se preocupe.
Se ficar aqui, juntos conseguiremos cur�-lo.
Sempre que voc� desejar.
Beba este vinho, vai ajud�-lo a repousar.
Espero que amanh� decida a ficar aqui...
o tempo que quiser. At� por toda vida.
Ningu�m da Atl�ntida ousaria nos atacar.
E dois homens conseguiram p�-los para fugir?
Se nos der mais homens, eles n�o escapar�o.
Vou prend�-los. Juro que ser� a �ltima vez que acontecer�...
uma coisa assim.
Tem raz�o. Ser� a �ltima vez.
N�o! N�o! Me larguem!
Me larguem!
N�o, n�o! Me larguem! Me larguem!
Me larguem!
Temos de nos livrar dele. Escapou do seu controle.
-Ele se tornou perigoso. -Perigoso para quem?
Para a Atl�ntida.
Eu sou a rainha da Atl�ntida e quem decide vida e morte.
Abram!
Pobre Androcles.
Fr�gil demais para o peso que deveria ag�entar.
Outro subir� ao trono que era destinado a voc�.
H�rcules!
Levem-no ao vale e deixem-no morrer como todos os fracos.
Achem Ism�nia e matem-na! Matem-na!
N�o pode ter sa�do daqui. As grades est�o intactas.
Onde quer que esteja? N�o pode ter desaparecido.
Procurem-no! Achem-no!
Os soldados!
� Androcles, vamos!
Est� louco? Com tantos soldados!
S� quero segui-los. Ver para onde o levar�o!
V�m vindo outros!
-Aleijou-se? -N�o.
� o H�rcules!
H�rcules! H�rcules!
-Chefe da guarda? -Parados!
-Trouxe-se-nos um outro h�spede? -Sim, aquele ali.
deitem-no no fosso!
Alimentem aqueles desgra�ados!
Comam, sen�o acaba logo!
H�rcules, estou aqui!
Zeus, eu Ihe agradeco. Achei que tivesse morrido no navio.
N�s tamb�m achamos isso.
E depois quando Ilus salvou aquela garota...
llus? E como ele veio parar aqui?
Ele estava conosco no navio. N�o fique bravo.
llus, o que quer fazer?
N�o, s�o em muitos.
Se solt�ssemos aquela gente, poder�amos enfrent�-los melhor.
Como?
Embaixo h� uma palicada. Deveremos derrub�-la.
� absurdo, o que est� fazendo.
Mesmo se conseguir passar, os guardas vir�o.
� melhor nos escondermos.
Se meu pai me encontrar escondido com uma mulher...
acaba comigo.
� preciso que me ache fazendo algo �til.
E nos escondemos depois.
Venham, r�pido! Est�o derrubando a palicada!
Os soldados est�o chegando!
Pai Zeus, agradeco. Ele est� vivo.
Para a palicada! Os estrangeiros fugiram.
Est�o liberando os prisioneiros!
Os soldados! Vamos!
Coragem!
V� as feridas que temos no corpo, no rosto?
Foi Antinea que, com a lepra, nos condenou � morte!
At� hoje, maldiz�amos o destino que nos mantinha vivos...
e a esperanca louca que t�nhamos de escapar disso.
-Por que ela faz isso? -Para criar uma nova raca.
Na montanha sagrada h� uma pedra que vive...
e que tem o poder de transformar o homem.
-O que quer dizer isso? -N�o sei.
S� sei que morremos.
Os guardas de Antinea procuram as criancas...
destinados � influ�ncia misteriosa daquela pedra.
Alguns resistem. Outros, n�o.
As criancas que vimos...
�ramos como eles, quando fomos conduzidos � montanha...
h� muitos anos. Olhe-nos agora.
Os que resistem, n�o sei que fim que levam.
Ningu�m viu os que sobreviveram.
Dizem que se transformam em seres sobrenaturais.
Fort�ssimos, invenc�veis.
-lrei � montanha. -� melhor atacar Atl�ntida!
H�rcules tem raz�o.
N�o seremos livres sem destruir os poderes daquela pedra.
Eu o acompanho.
Esperem-me aqui e cuidem de Androcles.
Quando eu voltar, decidiremos o que fazer.
Sim, pai.
Vamos.
N�o chore. Ver�, logo tudo acabar�.
Vou lev�-la para a Gr�cia. L� � diferente.
E nesta estac�o, � lind�ssima.
Os jovens s� pensam no amor.
Estrangeiro, os meus companheiros querem marchar para a Atl�ntida.
Est�o loucos? Parem! N�o ouviram meu pai?
Somos gratos a ele, mas, neste assunto, ele n�o pode dar ordens.
N�o pode impedir nossa vinganca!
Se tem medo, fique aqui e obedeca ao seu pai.
Vou tentar det�-los. Cuide de Ism�nia e Androcles.
llus!
Esta � a origem do bem e do mal!
No fundo est� a pedra que gera a forca ou a morte.
N�o me acredita?
Acha que sou louco? Depois de tudo que suportei?
Louco, n�o?
N�o pode crer que uma pedra destrua os homens e as coisas...
transforme os corpos e as mentes!
N�o cr� que numa pedra esteja encerrada toda a forca do c�u...
e todo o mal da Terra!
� uma pedra de luz, mas tamb�m da morte!
Ele estava condenado. P�s fim � sua dor!
A luz o tocou e o homem desapareceu.
A luz n�o d� s� a vida.
Quem �, sacerdote?
N�o h� anos em seu vulto, nem tempo em seus olhos.
H� muitos anos, antes que Zeus, seu pai...
reinasse na Terra e sobre os homens...
um outro deus, imenso, potente, dominava o Olimpo.
Urano.
Mas tra�do por seus filhos, Urano foi ferido e desceu ao nada.
O sangue de suas feridas caiu sobre o mar e foi engolido.
Somente uma gota caiu sobre a terra.
Numa ilha perdida no mar...
caiu uma gota do precioso sangue de Urano.
E este sangue tornou-se pedra.
Uma pedra viva que d� luz e trevas.
Vida e morte.
Antinea, a rainha, quer usar a forca desta pedra.
Passaram-se anos. Anos de sacrif�cio e morte.
E agora, Antinea atraiu a maldic�o de Urano...
e usar� a pedra para ser invenc�vel contra os homens.
� um sacerdote. Como pode falar de destrui��o e morte?
Sou o �ltimo sacerdote de Urano.
Adoro a �ltima gota de seu sangue, a sua mem�ria.
Urano era um deus justo, n�o de vingan�a.
Se � verdade o que diz, deve-se destruir esta pedra...
j� causou muito mal.
Ningu�m pode destruir o sangue de Urano.
Ningu�m da Terra.
S� algo de fora e superior a n�s...
que ao toc�-la, poder� dissolver a pedra.
Revela-me o segredo dessa for�a.
S� �quele que for mais forte que a pedra...
eu poderei revelar o mist�rio do fim de Urano.
Pegue naquele ferro, H�rcules e prove a sua for�a.
Zeus, meu pai, escute-me.
N�o � por orgulho que fa�o isto e voc� sabe.
� s� para amolecer os seus cora��es de pedra...
e para que tenham piedade.
Fazer cair de seus olhos, duros como o cristal.
N�o me abandone nesta prova.
Escute, H�rcules de Tebas...
s� o sol pode dissolver o sangue de Urano.
Quando um homem destruir a rocha...
e um raio de sol tocar a pedra...
ser� o fim do reino de Antinea e da Atl�ntida...
e dos seus habitantes.
Obrigado, e n�o tema. Eu vencerei Antinea...
sem destruir a Atl�ntida e a sua gente.
Porei fim ao seu dom�nio, com a ajuda dos meus compaheiros.
Onde est� o meu filho? Onde est� Androcles?
O seu filho est� vivo. N�o tema, H�rcules.
Est� salvo.
O que lhe fez? Onde est�? Por que o poupou?
Fiz-lo por si, H�rcules Escute-me.
Poderia matar o seu filho e todos os seus amigos.
Poderia ter morto voc�.
� o que deveria fazer.
Foi o que me aconselhou a minha gente.
Mas recusei o conselho deles.
Eu o quis vivo, porque o amo.
Se quiser, ficar� a meu lado para a conquista do mundo.
Todos os homens da terra me reconhecer�o como rainha...
e ir�o ador�-lo como seu �nico deus.
Ame-me e reinaremos sobre todos os homens e deuses.
E quais s�o as suas armas para conquistar o mundo?
Estes s�o os meus soldados, aos quais...
nenhuma for�a do mundo conseguir� se opor.
� a ra�a eleita, nascida do sangue de Urano.
Levante aquela mesa e a atire o mais longe que puder.
Com esta nova ra�a, eu dominarei o mundo.
E voc� estar� a meu lado.
Est� louca, mas vou acabar com a sua loucura.
Pai!
llus!
Pai!
Por que n�o esperou a minha volta?
Tem raz�o, mas eles quiseram atacar a cidade.
Fiz tudo para impedi-los, mas n�o consegui.
-Onde est�o os outros? -N�o sei.
Tim�teo est� a salvo com Ism�nia e Androcles.
Devem estar em seguranca.
Eu fui golpeado por um guerreiro.
Quando acordei, estava aqui.
Eram fortes demais para n�s.
Pai, olhe!
Entendo. � isso que � esse lugar.
Com a n�voa que sa�a, Androcles invocava minha ajuda.
Foi aqui que ele perdeu o conhecimento e a mem�ria.
� isso que Antinea quer fazer conosco.
Olha!
Aquela galeria d� no templo. De l� se alcanca o mar.
Ache uma barca e fuja.
-E voc�? -Eu o alcancarei, se puder.
Obedeca desta vez e, se eu n�o voltar...
cuide de sua m�e.
Descobriram nossa fuga. Anda!
Aos cavalos!
Sigam-me!
R�pido, sigam-me!
-Socorro! -Sou eu!
llus!
Ainda sou eu!
-Onde est� Ism�nia? -Foi presa, como Androcles.
Tentei impedir. Me joguei sobre os soldados.
Lutei como um le�o. Matei nem sei quantos.
Tim�teo, voc� fugiu.
Onde est�o agora?
Naquele navio, para serem sacrificados aos deuses do mar.
V�o p�r fogo no navio e a abandonar�o aos ventos.
Devemos entrar a bordo do navio.
-O qu�? -Grite.
Gritar?
-Pe�a socorro! -Mas voc� � maluco?
Grita.
Deixe-me! Socorro! Ele enlouqueceu!
-Grite. -Est� bem. Socorro!
Deixe-me!
Trago um prisioneiro. Podem i�ar a �ncora!
-Ainda n�o deram o sinal. -Eu sou o encarregado.
Vamos!
N�o grite, Ism�nia. Sou o Ilus.
-Ilus! -Quieta.
-Voc� grita! -Socorro!
O sol n�o est� parado, H�rcules.
E onde agora h� sombra, em breve, haver� luz.
Saia deste lugar. O destino n�o quer que morra.
Logo a nau se incendiar�...
e as ondas do mar, aplacadas, n�o buscar�o outras v�timas.
Assim, proteger�o a viagem de nossos guerreiros.
O sinal. Des�a que eu ponho fogo.
O que est� fazendo? Des�a!
Mas o que faz?
Ilus!
Liberte Tim�teo.
Venham!
Olha, H�rcules!
H�rcules!
O que houve? Que navio � este? Onde estamos?
N�o se lembra de nada?
A tempestade. Eu ca� no mar.
Eu te chamei.
Depois me agarrei numa rocha e n�o me lembro de mais nada.
-N�o sabe o que fez? -O que eu fiz?
Conseguiu salvar a Gr�cia.
No grande estreito, erguirei duas colunas.
Elas relembrar�o aos homens para n�o se aventurarem...
F I M
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