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Volta para mim
Sinto-me tão só
Vem depressa
Meu amor, vem depressa, sou teu
Volta para mim
O meu coração só te quer a ti
Vem para casa
A tua casa é o meu coração
Minha querida
Perdoa se te magoei
Perdoa
E diz que és minha
Volta para mim
Volta, bella mia
Vem depressa para casa
Para os meus braços, os meus lábios, o meu coração
É pena termos de lhes pôr telhados.
Bill, vou para casa. Até amanhã.
- Adeus, Big Mike. - Diverte-te hoje, Bob.
Como sempre.
LESTER E FISHER CASA DOS GORILAS
TODOS OS GORILAS ESTÃO AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO
Então o que eu vou dizer é assim - subo para o estrado
e digo “ Boa noite, senhoras e senhores”.
“Falo-vos hoje em nome do meu amigo Sydney...”
Sydney, estou mesmo nervosa.
- E tu queres lá saber... - Liz?
Sabia que estavas aqui.
Sydney, como é que isso vai, meu?
Preciso da tua assinatura para mudar a alimentação do urso polar.
Já são cinco horas. Eu trato da cria. Vai para casa arranjar-te.
O Bob vai-me buscar o vestido, tenho collants, tenho de levar o Mel a passear.
Arranjar o cabelo, pintar-me... Estou tão nervosa!
O pior que pode acontecer,
é esqueceres-te do discurso e não termos donativos.
- Não digas isso sequer. - Estava a brincar.
Olha para ele, Charlie. Nós dávamos em doidos num sítio tão pequeno.
Pois era. Mas vamos resolver isto.
Deseja-me sorte, Sydney.
Só contigo é que ele faz isso.
- Quem é que levas hoje? - Não decidi. Ainda faltam duas horas.
Não te sacudas.
Não!
Cãozinho molhado.
Lindo menino! Tens fome? Vamos comer.
Anda, Mel. Ela está quase a chegar.
Anda comer.
Que bom aspecto!
Vai lá jantar.
Jantar. Embora!
Ela já está quase a chegar.
Olá, querido.
Olá, amor.
Chove a cântaros.
- Trouxeste o vestido? - Fui buscá-lo à lavandaria.
Temos tempo. Vai correr tudo bem.
Mel, estou tão nervosa.
Levei o Mel a passear.
De smoking? Tens as calças encharcadas.
- Diz ao Mel para comer. - Mel, come!
És tão giro!
Passas o dia com um macaco, de que é que estás à espera?
...o Sydney recuperou as forças e manteve uma saúde excelente.
Nestes anos, o Sydney passou a fazer parte da família.
Aqui está ele com o meu marido.
O meu marido é o da direita.
Com os generosos donativos que recebemos hoje
juntamente com a continuada recolha de fundos - perceberam a alusão -
espero - esperamos - alargar o habitat do gorila para o triplo da extensão.
Obrigada pelo apoio extraordinário e espero que se divirtam.
Elizabeth Rueland. Obrigado, Dra. Rueland.
Aplausos para ela.
E agora, vamos receber o Sr. Joey Gian.
Boa noite.
A propósito de animais, preparámos uma coisa especial.
Vamos lá a começar a festa.
“O que é que espera duma relação?”.
“A) Companhia; B) Sexo ou C) Respeito?”
Punha B, mas vamos pôr C para termos mais pontos. O que é que achas?
Acho...
O que é? O pescoço? Deixa-me ajeitar a almofada.
As costas? Eu ajudo-te a levantar.
Rosebud.
Engraçadinha. Ia tendo um ataque de coração - desculpa a expressão.
Meg, podes ir para casa.
Para quê? A TV Cabo não funciona.
Para o Joe e os miúdos.
Eles ficam bem.
É bom que eles os veja quando estão na ressaca do açúcar.
Normalmente ele enche-os de açúcar e eu apanho o turno da desintoxicação.
Já viste como é!
Promete que tomas conta do avô.
Mas o que é isso agora?
Posso não conseguir um coração, sabes?
Sei que vais conseguir. Sei isso.
Vais poder fazer coisas que nunca fizeste. Concentra-te nisso.
Imagina só, Grace. Imagina andar de bicicleta.
É nisso que deves pensar. Viajar, pintar na Europa
e sair com homens lindos. Tem de acontecer a uma de nós.
Vou ter um coração novo, não é um rabo novo.
Bob!
Bob Rueland!
Sr. Bennington. Não o tinha visto, se não já o tinha cumprimentado.
- O discurso da Elizabeth foi lindo. - Não foi? Vou-lhe dizer isso.
Imagino que ela lhe falou no nosso grande donativo?
- O meu... da minha... - Da Sra. Bennington?
A minha mulher deu, sabe... Totalmente anónima.
Claro. Muito generosa. Vou agora mesmo dizer à Elizabeth.
E demos um bocado para a floresta. Quando dei por mim, estava num safari!
Está-me a ver num safari?
Não, não estou.
Mas estive. Eu e a patroa, ali no mato.
- Charlie? - Bob! Sr. Bennington!
Charlie, já sabe que fiz um donativo considerável?
O tal anónimo. Já sei.
- Ela adora esta canção. - Parece que sim.
- Não queremos incomodar... - Fica, vou pôr mais bâton...
Acha que é possível?
- Vou contigo. - À casa-de-banho das senhoras?
Tens grandes novidades para o Sr. B, não é? Ele tem boas notícias para si.
- Novidades? - De que é que estás a...?
Por causa do donativo, vão pôr um retrato seu na casa dos macacos.
- Isso comove-me. - É uma honra.
Ainda não é oficial - tenho de confirmar com outras pessoas. Vou já fazê-lo.
Vocês os dois têm muito que falar. Fiquem e conversem.
Oiça, Charlie, era capaz de pensar... já pensou...
num mural, talvez?
Adoramos aquilo. A família da minha mãe é da Toscânia, é como ir para casa.
Que simpático.
Tem de nos ir visitar. A casa fica ao pé dum vinhedo magnífico.
Tudo fica ao pé de vinhas. É a Toscânia.
- Senhora Rueland. - Olá, estranho.
Lembras-te da Celia e do Tony.
Estávamos a falar da nossa casa em Itália.
- Estivemos para lá ir na lua-de-mel. - Mas o Sydney não gosta do avião.
Prometo que havemos de ir a Itália - qualquer dia.
Já é qualquer coisa. Se é uma promessa, aceito.
- Onde é que vão de férias este ano? - A um parque aquático.
Que bom.
Ele estava a brincar, Celia.
Prometi à minha mulher que hoje íamos dançar, com licença...
- Com certeza. - Gostámos de vos ver.
Boa noite.
Isto agora está cheio de gente. Vamos esperar pela próxima canção.
Vá, a sério... que tal fui?
Perfeita. Com a luz por detrás, o vestido ficava transparente.
Não, foste maravilhosa. Tenho imenso orgulho em ti.
Não tenhas demais. O pobre do Sydney ainda lá está enfiado no buraco.
Se me prometeres que vais a Itália comigo
construo uma casa nova para o Sydney, com ou sem donativos.
Combinado.
Podes pisar-me.
Volta para mim...
Sinto-me tão só
Vem depressa para o meu coração
Minha querida
Perdoa se te magoei
Perdoa
E diz que és minha
Mulher, 34 anos, acidente de automóvel. Choque lateral.
Traumatismo craniano, desmaiou, não acordou mais.
O Westfall que se prepare.
- Nome? - Ela tem alergias?
O nome dela?
Elizabeth Rueland.
Desculpe, mas não pode entrar.
Tem que esperar aqui.
Vamos tentar ajudá-la.
Volta para mim
- Angelo, põe enquanto está quente. - Já ponho, Marty.
- Olha, ponho eu. - Como queiras, querido.
Onde é que está a Sophie?
Foi fazer uma permanente hoje. Ainda tinha a cabeça a arder. Foi para casa.
Claro, porque é que eu perguntei?
Porque é que não arranjas uma gôndola?
Serviço.
Aqui tens, Nancy querida...
Parece muito, mas acabas por comer tudo.
Obrigada.
Marty, como está a Gracie?
Bem. Estamos todos à espera.
- Ainda rezas o terço? - Todas as noites.
- Dá-lhe beijinhos nossos. - Claro, com certeza.
Eu faço isso. Onde é que estão as Galinhas à Vesúvio?
- Já servi. - Muito obrigado.
Já o tens, não é?
Tens? Graças a Deus e a todos os santos.
Deixa-me falar com ela.
Vou já para aí. Está aqui o Angelo.
Telefona a toda a gente!
Conseguiste um coração?
Daqui a uma hora ou assim?
Alguém há-de cá vir dar notícias de vez em quando.
Ele está cá.
- Já cá estás. - Não é tão linda?
Obrigada por teres sempre tomado conta de mim, avô.
E se eu não sair dali...
Gosto tanto de ti!
Tens de sair. Se as túlipas que plantaste saem cá para fora
e me vêem ali, metem-se logo pelo chão adentro.
Obrigada. Dá-me um beijo.
Vamos lá, gente.
- Vamos lá. - Reza, avô.
Vamos tratar bem dela.
Até logo.
Tenho de ir passear o Mel.
Já o levei ao Parque há bocado.
Obrigado.
Querido, vai me buscar o vestido preto à lavandaria
Amo, amo, amo-te - Eu
- Fico contigo. - Não.
Vou buscar os teus pais ao aeroporto.
Obrigado.
Ok.
Telefona se precisares dalguma coisa. Estou cá em dois minutos.
Obrigado, Charlie.
Ela não vem para casa, Mel.
São Miguel Arcanjo, que protege na batalha.
E esta é a maior batalha das nossas vidas.
A minha mulher nunca te achou grande coisa, mas és o meu favorito.
Porque és um batalhador, um lutador.
Luta por nós agora, Miguel.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ámen.
Adam Martin Dayton, que é isso?
Groselha.
- Sophie, deste-lhe vinho? - Angelo...
Angelo, queres dar cabo de mim?
- É um tranquilizante. - Boa!
Olha, processa-me. Agora estão bêbedos e desordeiros.
Acha graça, pai?
Acabem já com isso, vocês os dois.
- Joe... - O que é...?
Ajuda aqui. Leva os miúdos para a tua mãe. É uma da manhã.
- Toma, Emmett. Alimenta-te. - Obrigado.
Posso beber leite?
Tyler, quero aqui os teus irmãos todos.
Só me fazes ir comprar mais.
- Vamos. - Quero ver o coração novo.
Vês quando vier para casa. Vamos lá.
Não páras em lado nenhum. Vens directinho para aqui.
- Paro só num bar de strippers. - Que graça!
- Onde está o Marty? - Pai, onde é que está o Marty?
Na capela.
ÓRGÃO HUMANO
Avé Maria, cheia de graça. O Senhor esteja convosco...
- Queres que baralhe? - Sim.
- Entras com cinquenta paus? - Entro.
Esse tipo não canta nada.
- Porque tem uma orquestra tão grande? - Para o abafarem.
Wally, não te metas.
Quantos cantores polacos famosos é que há?
Só te digo duas palavras: Bobby Vinton.
O Bobby Vinton?
E vocês o que é que têm? Os Irish Rovers?
Digo-te três palavras.
Senhor Bing Crosby.
Ficava muito bem de padre.
E fartou-se de bater nos putos.
Não quer dizer que cantasse mal. O Sinatra batia em toda a gente.
O Frank não batia. Quem batia eram os guarda-costas.
Vejam o Dean Martin.
Esse nunca bateu em ninguém.
E o Jerry? Mas ele andava a pedi-las.
O que interessa é que temos o Frank, temos o Dean, o Perry Como,
o Vic Damone, o Bobby Darin,
o Mario Lanza, o Luciano Pavarotti,
temos o Beniamino Gigli, temos os compositores!
O Verdi, o Leoncavallo!
- Milhões. - É verdade. Uma dinastia.
- Não me estou a gabar? - Não estás?
Não te estás a gabar?
Meu Deus, não se cala há meia hora.
Deixe-se estar.
- Levo-te ao médico no meu Caddillac. - Não, obrigada, vou de bicicleta.
- E se chove? - Molho-me.
Ficas doente.
Gracie, desempata lá isto: o melhor cantor, morto?
O Dean Martin.
- O Frank! - O Bing!
O Bobby Vinton!
Vais directa à consulta e depois para casa da Megan.
Se mudares de planos, telefona.
Paro só no Clube das Gatinhas. Parece que há uma vaga para stripper.
Não digas isso. Deus ouve-te.
Já passou um ano. Quase que não se nota.
Boa tentativa, Angelo. Não gosto de tanta pergunta.
Convence-te de que és a rapariga com mais sorte do mundo.
Eu sei, avô.
És linda e ninguém vai reparar no teu peito.
Obrigadinha.
- Até logo. - Adeus! Diverte-te no Zoo.
Vai pelo passeio.
Deixa-a em paz.
Passa pela igreja.
Já deu graças que cheguem.
Hás-de ficar bastante tempo no Purgatório.
Olha, fico com amigos.
Deus está a ouvir.
Ora bem...
Por respeito, tem de se dar uma menção honrosa ao Sammy Davis Jr.
Só tinha um olho. É preciso dizer mais?
Era irlandês.
Estás cego? Era judeu.
Ou isso. Havia ali qualquer coisa.
É difícil para ele.
Já morreram todas as pessoas de quem ele gostava. Só me tem a mim e eu a ele.
- Bom dia, Grace. - Olá, Alice.
Parece estar tudo óptimo. Como é que se sente?
- Bem. Feliz. Claro que estou feliz. - Bom.
- Só posso estar feliz, não é? - Bem, todos temos os nossos dias.
Junte estes aos remédios da manhã.
36.8.
Acho que não devia ter “dias”.
Devia estar feliz só por estar viva - e estou.
Estou viva porque alguém morreu.
Devia era calar-me e ser feliz, não é?
Pode vestir-se. Vemo-nos para o mês que vem.
Ele é bom a ouvir as pessoas.
- Diga, querida? - Nada.
Mas que raio se passa?
- Não depende de mim. - Então de quem?
- Os meus homens trabalharam 18 horas. - Ganham bem nas horas extraordinárias!
- Tens os homens melhores. - Quero lá saber!
Vou fazer um intervalo.
Tens de estar no Wabash às três - vão lá levar as vigas.
Venham lá.
- Manda, Grace. Vais-te sentir melhor. - Eu sei. Quero mandar.
Nunca consigo.
Não sei porquê. É anónima.
Diz que estás grata. Eu gostaria de a receber se me morresse alguém. Tu não?
Sim, mas é tão estranho.
Mandar uma carta a agradecer um coração.
Parece que...
não chega.
- Não é pior não mandar? - Claro, trago-a sempre comigo.
Já passou um ano, manda a carta e segue com a tua vida. Eles devem tê-lo feito.
É.
ROBI, LIGAÇÃO COM DADORES DE ÓRGÃOS, CHICAGO, IL 60607
Põe lá.
Todos a bater palmas à tia Grace. Enviou uma carta muito importante.
- Mãe, olha a carrinha tão fixe! - Olha-me para aquilo.
Olha-me para os braços deles.
Ora bem, vamos lá - gorilas.
LINGUAGEM GESTUAL COM SYDNEY
SYDNEY, DEZASSEIS ANOS
APRENDEU LINGUAGEM GESTUAL EM 1990 COM A DRA. ELISABETH RUELAND.
Karson, tens as calças a cair.
Essas são do Adam, ele é que pôs as tuas.
Não faz mal. Anda, Laura.
Laura, ficas à minha frente o tempo todo.
Tia Grace, tudo bem?
Sim. O que quer que tenha sido, não doeu.
Vamos tentar fazer com que ele cá venha.
“H”...olha, vem para cá.
Gosta de nós.
- Não vos faz lembrar o pai? - É maior que o pai.
- Viste? - Tão querido.
Bob, não vás lá. Falei agora mesmo com eles.
Olhem, isto é assim.
A minha mulher queria isto feito há anos. Estamos atrasadíssimos.
Primeiro, você: as árvores artificiais não se plantam.
Preciso de mais 15 metros para construir à volta dos carvalhos.
E deixo montes de espaço para o raio do vosso quiosque dos souvenirs.
Se não aprovam, levo a minha gente porque não preciso do trabalho.
Nem do dinheiro. Faço-o pela minha mulher.
Perceberam?
Bom.
Obrigado pela gritaria. Agora tenho de ir lá limpar a coisa.
Queres ir beber um copo? Para esquecer esta cena?
- Vamos beber uma cerveja. - Não, Charlie, obrigado.
Se não hoje, então sexta, porque te arranjei alguém.
Não, Charlie.
Tem um corpo fantástico: advogada, óptimo corpo, inteligente...
Tens de começar a sair! Ela adora animais - o gato dela foi meu doente.
Gosto de cães.
Só estou a tentar ajudar.
- Dan, puseste-os! - É a primeira vez.
- Ficam-te bem. - Sinto-me bem.
- Precisas de ajuda? - Não é preciso.
Olha só para ti!
- Onde é que vais? - Não sei.
Obrigado. Levei o Mel a passear.
Pus o correio ao pé do telefone.
Obrigado, pá. Até logo.
Anda, Mel.
Alguém ligou?
Não tem mensagens.
Queres comer?
- Olá. - Olá, Sr. Rueland.
Oi, Mel!
- Tome. - Obrigada. Até amanhã.
Anda. Para a cozinha.
Arranjei-te arroz.
Aqui.
Hoje comes aqui.
Que bom.
Anda.
Não quero mais isto. Vais voltar a comer na cozinha.
Bolas, Mel, anda lá comer na cozinha como uma pessoa normal!
Lindo menino. Vamos lá.
Anda para a cozinha. Vem comigo.
Lindo menino.
Muito bem. Já foste até meio caminho.
Tens de sair dessa.
Charlie, é o Bob.
Vou sair contigo sexta, está bem?
Ouviste bem, sim.
Onde?
O O'Reilly's?
Um restaurante italiano O'Reilly's?
Onde é?
Grande final, avô!
Ainda ando a tentar pô-los a tocar música irlandesa.
Galinha à Vesúvio e carne com couve - sem manteiga.
Olha, aqui... não comas isso.
Oh, meu Deus!
Guarda isso para os italianos. Já sei que gostas de mim.
Temos dinheiro para isto?
O Angelo diz que um verdadeiro artista tem que pintar na Pisa Navona.
Na Piazza Navona!
- Podia ir contigo. - Claro.
- Marty, deixa-a ir sozinha. - Ou até podias nem ir?
- Ela vai bem. - Vou pois.
Nunca andou de avião e Roma é longe.
- Vai bem. O bilhete está pago. - Falamos disso depois.
- Preciso de mais duas mãos. - Sophie, ele deu-lhe o bilhete!
Não podias esperar até eu chegar?
Estava com a mesma cara que está agora - mostra lá.
Nunca vejo nada!
Olha, os clientes ali é que te querem ver...
Posso só ver?
Olha.
Não mexas!
- Olha só o preço. - É uma maravilha!
- E tu mereces, querida. - Lá isso merece.
- Vá, vamos. - Obrigada.
Ao trabalho.
Obrigada, avô.
Angelo, obrigada.
Como é que o convenceste?
Meu Deus! Tenho tanto orgulho nele.
Ele gosta tanto de ti, és mesmo uma mãe italiana.
Vou já dizer à Megan. Ela vai-se passar.
Tenho mais uma surpresa para ti.
- Ele está cá. - Quem?
O tipo de quem te falei. Está no bar à tua espera.
Não te preocupes, disse-lhe tudo.
- Que fizeste uma coisa no peito. - O quê?
- Angelo, ele vai pensar que eu... - O quê?
Não interessa.
Não faz mal. É um tipo porreiro. Olha, até fez um transplante também.
Coraggio - vai lá.
Os médicos dizem que é um transplante muito firme.
Parece tão natural. Puxe lá.
- Não, tudo bem. - Dê um puxão!
LIGAÇÃO COM OS DADORES DE ÓRGÃOS
O'REILLY'S ITALIANO
Boa noite.
- Vai ou fica, ou quê? - Fico.
Muito obrigado.
Bob!
Bobby, amigão!
É a Marsha.
- Puxe lá. - Tenho as mãos com gordura.
Não tem mal, posso lavar, tomar duche, nadar. Vá, um bom puxão!
- Não quero magoá-lo. - Vá, à vontade.
Isso aí ainda está sensível.
Gracie, atende aqueles quatro, está bem?
Sim.
Prazer em conhecê-lo.
- Boa sorte com o cabelo. - Obrigado.
Patrick, agarra lá com as duas mãos e puxa com força.
- Não, não toco em homens. - É cabelo de mulher.
E eu disse: “É o Squeaker, o meu gato!”.
Era tudo a rir.
Foi assim que conheci o Charlie. O único veterinário que estava aberto.
Onde é que estão os menus? O que é que se passa?
O Squeaker não deixa mais nenhum veterinário tocar-lhe.
Nem eu admitia que mais alguém te tocasse no bichano.
Não era o que eu queria dizer.
- Gosto disto. É simpático. - Para quem gosta do género...
Aqui é tudo bom.
Olhem só, estamos os dois de verde. Verde, verde, tudo a dar.
Mas eu já trato disso.
Muito obrigada.
Pode pendurar isto aí?
O Charlie diz-me que o Rob trabalha no Zoo?
Não trabalha lá, está a construir uma coisa. É construtor.
O edifício novo na State Street? Foi o Bob.
É seu?
Não, desenhei-o.
Boa noite.
Não, não. Tem água engarrafada?
Claro. Mais alguém quer?
- Traz a lista de vinhos? - Claro.
Já nos conhecemos?
Acho que sim. Já cá tinha vindo?
- Lembrar-me-ia dum sítio italo-irlandês. - Sem dúvida.
Oh, meu Deus - blá, blá, blá. A minha água?
Não quero água suíça. Uma vez fiquei doente com isso, lembras-te?
Foi horrível. Estiveste malíssimo.
Não quero nem suíça, nem da torneira - prefiro francesa, sem borbulhas.
Fresca - sem gelo, sem copo, só a garrafa e uma palhinha.
Não quer tomar nota? Não quero água suíça.
Já percebi.
Pode ser café para mim?
- Claro. - Sem palhinha.
Detesto que não tomem nota.
- Ela é capaz de acertar. - Não acerta.
Não é o meu.
- Não sou eu. - Não.
Tem o rabo a tocar.
Normalmente não ando com ele. Com licença. Rueland.
Mike! Com licença, tenho de atender.
O que é que achas?
Patrick, dá-me uma Aquafina.
Boa. O soldador pode trabalhar quatro dias para nós e um no Zoo.
São pagos na mesma.
Quem mais é que trabalha?
Parece bem. Falo-te amanhã.
Espera! Telefona-me daqui a três minutos e não ligues ao que eu disser!
E diz o velho: “Já lhe disse que não quero bananas castanhas!”.
Lista de vinhos.
- Deve ser refrescante. - É cá uma diferença!
Já não era sem tempo.
Ando a fazer esta nova combinação de alimentos e portanto não preciso...
- As especialidades são Galinha à Vesúvio. - Por favor!
Passo o dia com galinhas.
Sou veterinário.
Soufflé de carne e couve lombarda e ravioli de espinafres, o meu favorito.
- Eu quero isso. - Deve engordar imenso.
- Peça outra coisa. - É tudo feito em óleo?
Não, há umas coisas que nós cozemos em água suíça.
- Dê-nos mais um minuto. - Ok.
- Devíamos fazer com que a despeçam. - É óptima.
Não, não tinha nada que dizer aquilo.
- Deixa passar, Patty. - A massa tem sido muito elogiada.
Porque não? O Angelo é o melhor chefe italiano de Chicago.
Angelo, são mais três empadas de carne.
Sou eu. É o meu.
Rueland. Olá, Mike.
Estou a jantar.
Não, não há problema.
Vou. Estou aí daqui a cinco minutos.
- Onde? - No edifício Wabash.
- Vais trabalhar sexta à noite? - Dá para acreditar?
- Não. - Uma urgência. Tenho de ir.
- Prazer em conhecê-la, Marla. - Marsha.
- E a Shari? - Isso.
Peço desculpa e... divirtam-se.
Adeus.
- Está tudo bem? - Sim. Tenho de ir trabalhar.
A sua namorada e os amigos ficam?
Não é a minha namorada. Nem amiga, nem conhecida.
Sim, eles ficam.
Espere aí.
- Soph, o que é isto? - Ravioli e couve para levar.
Pronto, aqui tem, Sr. Atsuki.
Por conta da casa.
Volte sempre.
Obrigado.
A sua senha.
- O que é que estás a fazer? - Tenho de ir.
- É sexta-feira. - Eu sei.
Bebe um copo, diverte-te um bocado.
Não posso. Tenho de ir trabalhar. Desculpa.
- Obrigado. - Sei que vais para casa.
Não vou para casa, vou trabalhar.
Pois, pois.
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Querida família do dador:
Espero que isto vos conforte, embora não consiga exprimir como vos estou grata.
Sinto cada dia o coração que me bate dentro do peito. Estou viva, a vós o devo.
Grace? Um chapéu de chuva.
Obrigada.
Mais umas chaves.
Encontrei este telefone no bar há bocado. É giro, hã?
Segundo a planta... só estamos a rodear uma árvore?
Não, tenho planos novos no escritório. Trabalhamos aos sábados.
- Já trabalhamos aos sábados! - Vou buscar o projecto novo.
Vou levar este para casa. Os miúdos adoram colori-los.
- Bob, posso ver o projecto novo? - Está aqui.
- Este vai ser mesmo o último, não é? - É.
É verdade...
Alguém telefonou por causa do meu telefone?
Sim, do restaurante. Têm-no lá.
- Quem é que ligou? - Do restaurante.
- Quem, do restaurante? - Sei lá. Uma mulher.
- Nova ou velha? - Não sei.
- Mando um dos homens buscá-lo. - Não, eu passo lá.
Que giro.
Paras-me com esse piano?
Vou no Outono.
- E o sítio dos porquinhos. - Sim.
A mãe tem dez biberões a sair da barriga.
Que giro.
Pára com o piano!
Megan!
Não sou eu que estou a tocar.
O que é que viste mais no Zoo?
Fomos ver os gorilas e a mãe disse que eras tu.
Não disse nada! Não disse!
- E a mãe levou-vos aos elefantes? - Joe, cuidado!
- Mudaste-lhe a fralda? - Vou já.
Vai mudar-lhe a fralda. O que é que estiveste a fazer?
- A salvar vidas o dia todo. - Engraçadinho.
- Eu mudo. - Não, Grace, eu faço.
- Joe, levanta-te e vai já mudar. - Eu faço, Grace, deixa.
- Megan... - O quê?
Convidei o Rudy. Para conhecer a Grace.
O Padre Rudy?
Já não é padre.
Para mim, há-de ser sempre. Ela encontra alguém sozinha.
Onde? Passa aqui as noites de folga.
- É um tipo simpático. - Não interessa!
Se ela não quer, nada feito.
Agora ajuda aqui a arrumar o puzzle!
- O celeiro está aqui. Foi-se o celeiro! - O que é?
Nada. O Joe arranjou-te um encontro com um desconhecido.
Não é um encontro. Só vem cá jantar.
- Tenho de pôr o lenço ao pescoço. - Despacha-te!
- Disse-lhe que fizeste umas reparações. - Quê?
Ela não é um carro.
Ele compreende e não se importa. É padre!
- Um padre? - É.
Um ex-padre. Qual é o drama? Nunca andou com ninguém, tu também não.
- A Grace namorou. - Com quem? O Chooch Patucci?
- Nunca andei com o Chooch! - Isso é que é um namoro?
Andaste com o Chooch Patucci?
Não quero ouvir esse nome nesta casa.
- Tudo bem, Megan. - Tu detestas padres, tia Grace?
- Não, querido. - Olha que vais para o inferno.
Não digas isso...!
- Boa, ensinaste-lhe “inferno”. - Ouviste a mãe dizer isso, não foi?
- Nunca disse “inferno”, meu sacana. - Não comeces.
Merda! Chegou o Padre Rudy.
- Não digas merda em frente do padre. - Merda! Merda!
São capazes de se acalmar, por amor de Deus e dos santinhos todos?
Calma, porra, que inferno!
Pára com isso.
- Apaga isso. - Pai...!
Boa noite, meninos!
Por amor de Deus, é só um homem!
Ainda não me habituei a não a usar!
Entra.
- É ela. - Oh, diabo!
O jantar.
Vou ligar ao meu amigo para saber onde é que ele anda.
Bobby!
Onde é que estás?
Ontem fugiste, hoje não apareces...
Desculpa, Charlie, hoje não me sinto lá muito bem.
Sei lá, qualquer coisa que comi.
Fico por aqui a descansar, vou para a cama cedo.
- O que é que estás a fazer? - Agora? Estou a ver os Cubs.
- Quanto é que está? - Quanto? A...
É... os Cubs estão a perder.
Sr. Rueland?
Grande Dan!
Grande lixeira - estava no gozo.
Talvez pudesses dar uma arrumação.
Acho que sou caro demais para si.
Que tal estou?
Alto.
Obrigado.
Megan, foi simpático. Era bom tipo.
- Ainda nos rimos um bocado. - Pois foi.
Até tinha medo de me ver levar a travessa das batatas.
Só estava a ser bem educado.
Assim que sabem, pensam que estou estragada.
Pensam que és uma mulher amorosa que sobreviveu a provas dificílimas.
É assim que eu te vejo.
Tyler, vamos embora!
O tipo certo há-de saber, garanto-te.
O Joe não ajuda nada. O modo como descreve a operação, assusta-os.
Estão a dormir. Hoje podemos!
O que é que ele disse?
Pede desculpa por hoje.
À esquerda. Degrau. Lindo menino.
- Pai! - Raios partam!
- Pai! - Megan!
Estou aqui. Calma.
- Pai, quero água. - Não podes beber água.
- Pode sim senhor. - Faz chichi na cama e quem é que limpa?
- Eu, poça. - A fada do chichi muda.
Anda, vais dormir para sempre!
- Pára, ficam a pensar nisso toda a noite. - Eu dou-lhes uma coisa em que pensar!
- O que é que estás a fazer, pai? - Estou a tentar pôr a mamã na cama.
- Avô, queres ajuda? - Não, querida.
O trabalho é uma bênção.
- Bons sonhos, Gracie Alana. - Boa noite, avô.
A melhor cantora.
- Morta ou viva? - Tanto faz.
- É fácil: a Ella Fitzgerald. - Com essa concordo.
Concordo.
- O Ernie Banks é melhor que o Ty Cobb. - Não sejas ridículo.
Não podes fazer a tua equipa ideal com épocas diferentes.
- Essa regra é nova? - Não se misturam vivos e mortos.
O Ty Cobb foi o melhor jogador de sempre.
- Grande jogador mas um animal. - Eu ia pelo Ernie Banks.
- Sabem quantos estavam no funeral? - O Di Maggio era o que tinha mais classe!
Não misturem alhos com bugalhos.
Ou está muito atrasado ou muito adiantado. O que é que acha?
Esqueci-me cá do telefone. Alguém me ligou. Uma rapariga.
- Vou procurar. Entre, beba uma cerveja. - Não, obrigado.
- Tem a mulher em casa à espera? - Não.
- Então não é casado? - Não propriamente.
Espero que ela não o tenha deixado.
Não, ela morreu.
Jesus, Maria, José - que tristeza.
Tenho imensa pena.
Ande, vamos beber uma caneca. Venha conhecer os rapazes.
Este é o meu amigo...
- Bob. - Bob. A mulher dele morreu.
Robert, como está?
É o Wally e o Emmett e o meu cunhado Angelo.
Eu sou o Marty. Ele também joga. Sente-se que eu vou buscar a cerveja.
Dêem-lhe uma cadeira, vá!
- Sophie, traz mais uma caneca. - Não jogo lá muito bem, mas...
- Tem dinheiro? - Tenho.
- Então joga. - Arrisque um pouco.
Estou de saída.
Olá.
- Como é que o apanharam? - Sophie...
A mulher dele morreu.
Seja bem-vindo.
Quem é que me acompanha?
Moras duas portas abaixo. O que é que pode acontecer? Perderes-te?
Espero bem que sim, para vos pesar na consciência.
- Conversa fiada. - Anda, eu vou contigo.
Não lhes ligue.
- O Wally. - És um tipo com muita classe.
Porque é que não a acompanhaste? Há imenso tempo que ela gosta de ti.
- Devia-la ter levado a casa. - Conheço-a há 20 anos.
- Wally Casanova. - Acham que gosta de mim?
Casanovinsky.
Acho que gosta de si.
- Acha? - Estava-se a atirar a ti.
- Deu-lhe essa impressão? - Apanhei a vibração.
- Porque achas que gosta de ti? - Aqui está um tipo com bom gosto.
Não posso confiar na opinião destes dois desgraçados.
Foi-se tudo embora, é?
O barman, os ajudantes, os empregados, as empregadas? Está mesmo fechado?
Não jogo muito bem, mas... Willie Mays.
Mas acho que estas cartas com figuras são uma coisa boa.
- Por amor de Deus! - Francamente!
É a tua noite de sorte.
- Tenho de ir cobrir as minhas plantas. - Espera, Gracie.
Robert, é a minha neta Gracie. Não é tão bonita?
É, sim, falámos ontem. Estive cá com...
- a senhora das águas. - Foi.
- Prazer em vê-lo, Bob. - Bob, por favor.
Deixei cá o telefone e você ligou-me e...
Ah, sim! Tenho ali o seu pijama... o telefone atrás do balcão.
Vou buscar. Vai cobrir as plantas. Roberto, dê-lhe uma mãozinha.
- Precisa de ajuda? - Não.
- Acham que vá? - Vá com ela.
Isso mesmo.
Lá vão eles.
- Vou jogar no lugar da sorte. - Sempre à procura duma vantagem.
- Marty, vamos jogar a quê? - Ao Texas Hold'em.
Que plantas tão frágeis.
- O quê? - Nada.
- Já sei que estou ridícula. - Não... é um amor... o chapéu.
Eu tirava-o, mas depois ficava com o cabelo acachapado.
E já viu o meu cabelo ontem. Não é que estivesse a reparar, mas...
Talvez tivesse reparado na minha cabeça. Cabelo. A cabeleira.
Obrigado.
Desculpe terem-no arrastado para aqui.
Ontem ofereceu-me o jantar. Muito bom, aliás.
Ainda bem.
Plantou isto tudo?
Sim. Não tem ordem nenhuma. Deixei crescer.
É espantoso. Nunca vi nada assim no meio da cidade.
É como um jardim.
- Sou capaz de ter dobrado aquela. - Não faz mal.
- Preciso de mais estantes. - Você cheira tão bem.
São as flores.
Não esta em particular - é um tomateiro. São as flores todas.
Pode pôr aí.
Pintou isto?
Sim.
Onde é? Na Europa?
- Podia ser. - Quantas vezes é que lá foi?
Nenhuma. Nunca fui a lado nenhum.
É lindo, onde quer que seja.
Devia levá-lo para dentro.
Acho que pinto os lugares dos meus sonhos.
Aposto que adora adormecer.
Quer sair comigo?
Sim?
- É uma pergunta? - Não, é sim. Sim!
- Amanhã à noite? - Sim.
- Oito? - Sim.
- Venho cá buscá-la? - Sim.
Que mulher tão difícil.
Leve isso para dentro. Eu acabo isto.
Vou buscar o telefone.
Vão entrar. Vamos embora.
Nunca tive um jogo tão bom!
- Não te ponhas a discutir. - Quero jogo novo quando voltarmos.
Emmett, anda lá.
Entrem, não consigo fechar a porta.
Avô?
Não estamos cá.
- Quem é? - Sou eu.
- Quem? - A Grace.
Conheci uma pessoa. Era só para te dizer isso.
Tenho de ir, que o avô não sabe que eu me escapei.
- Queres que te leve? - Não, tenho a bicicleta.
Não é a primeira mulher em que reparo, mas como homem...
Tu percebes.
Estou-te a construir um sítio bestial.
Não sei o que hei-de vestir. Achas que o preto é muito coiso?
Eu cá vestia uma coisa clara. Tem é de ser confortável.
Tenho uma cicatriz de trinta centímetros.
Se quisesse conforto, punha camisola.
Má ideia. Mas sobretudo não rapes as pernas.
- Porquê? - Não deixes ir a coisa longe demais.
Megan, é o primeiro encontro.
Eu casei-me com um primeiro encontro. Sei como é.
Sais com um tipo, gostas dele, tudo o que diz é brilhante.
As pernas com pêlos ligam-te à realidade.
Escreve isso a ponto cruz numa almofadinha.
Sou bem capaz. Fez com que ficasse virgem até...
- Certa altura. - Adeus.
Vou duas vezes por ano à Florida visitar os meus pais.
- Estou ansiosa por andar de avião. - Nunca andou?
- Não podia. - Porquê?
Desde os 14 anos que eu...
O meu avô é doente.
Nunca me pude afastar muito, tinha de tomar conta dele.
Agora parece cheio de saúde.
Agora está bom. Nem sequer gosta que lhe falem nisso.
Nunca.
Não me esqueço. E os seus pais?
A minha mãe morreu quando eu tinha cinco anos.
Que pena. Como?
De doença cardíaca.
O meu pai deixou-nos, a doença dela não entrava nos planos dele.
Mas tudo bem.
O avô é que tomou sempre conta de nós.
O que é que vai querer?
- Posso comer duas bolas? - Não.
Claro que pode.
Cuidado com a cabeça.
Foi o primeiro trabalho que dirigi sozinho.
Adoro este prédio.
Que bonito!
É incrível!
Vemos isto tudo porque estamos no topo dum prédio que você construiu.
Tive ajuda.
Obrigada.
Eu e a Elizabeth casámos aos 20 anos.
Andávamos juntos desde os 15, isto pode parecer infantil, mas...
Posso dar-lhe a mão?
Sim.
- Parece que foi noutra vida. - Sei o que quer dizer.
Obrigado por sair comigo. Gostei imenso.
Eu também.
Tome o seu casaco.
Fique com ele. Dá-mo quando sairmos outra vez.
- Está bem. - Fica bem com essa blusa.
Meu Deus!
Peço imensa desculpa.
- Meu Deus, viu alguma coisa? - Nem sequer olhei!
Não, eu sei. É porque tive um coração...
Um coração... Fez-me bem ao coração sonhar consigo.
- Deve ter sido um pesadelo. - Não, você estava muito...
- Assustador? - Atraente.
- Teve um sonho erótico comigo? - Não.
Não tive um sonho erótico consigo. Nem sequer o conheço.
Peço imensa desculpa.
Boa noite.
Boa noite.
Bom dia, Dennis. Rapazes.
Thomas!
Vêm ou não?
É a anca nova.
Quem me dera mexer-me assim, Wally.
Qual é a tua bola?
- Cala-te lá! - Não disse nada.
Aqui vai disto!
Faz strike! Sim!
Megan, é a tua vez.
Megan, como é que eu estou?
- Óptima, nunca te vi tão feliz. - Tenho um calor!
Trazes uma camisola de lã!
- É algodão. - Vai para a tua pista.
- É até cá acima! Diz-lhe duma vez. - Vou dizer.
Onde é que está a tua bola?
Cá vai.
Fui-te buscar chocolate quente. Pensei que tivesses frio.
Obrigada.
Podemos continuar o jogo?
Eu seguro. Volto já para aqui.
Vou só jogar.
Arranja-me uma Miller? Garrafa, sem copo.
Oh, meu Deus!
Já volto.
Angelo!
- Dêem-me espaço! - Anda, matador!
Charlie, conseguiste vir.
Obrigado.
- Pensei que íamos a um bar. - Há ali um bar.
- E que é esta cena da terceira idade? - Estamos a jogar bowling. Anda.
Este é o Charlie.
Joe, o Charlie. Um bom amigo.
Emmett, o meu amigo Charlie.
- Charlie, também jogas? - Joga. Aposta dez.
A favor ou contra?
A favor.
Claro.
- Apostei em quê? - Se o Angelo faz strike ou não.
Aonde foste, Joe DiMaggio? Estás aqui mesmo.
Assim é que é!
- Ganhei? - Ganhaste.
- Boa! - Ganhámos todos.
- Cá vai disto. - É a maior pontuação que tiveste.
Que é 67, até agora, Emmett.
- Não calculava que o Bob soubesse jogar. - Não sabe.
Dedico a próxima jogada à Grace,
que me fez voltar a este jogo após uma ausência de 25 anos.
Antes de ser moço de recados e andar a distribuir o leite,
a última vez que joguei bowling foi na festa dos 13 anos do
Andy Jankovsky.
Portanto, Grace...
Esta jogada é para ti.
68! 68!
- Ainda é só 66! 66! - Ô Bob!
- Experimenta com o outro braço. - Ainda tenho mais uma.
- E você o que é que faz? - Sou vet.
Eu cá não fui ao Vietname.
Está é para ti, querida.
O Sammy Davis Jr é o maior artista desse grupo.
- E também gosto do Bill Cosby. - Bem, eu...
E o Flip Wilson.
Oh, sim!
Que tarado.
- Isso dura bem uma semana. - Obrigadíssimo.
Agradeço imenso. Até logo.
Adeus Emmett. Adeus, rapazes!
Vai um poker?
Não, eu e a Grace vamos beber um vinho, dar um passeio...
- Eu abro. - Hoje não vos fico com a massa.
Não se afastem muito. Está a ficar muito escuro aí.
Querem dar uma volta no meu Cadillac? Está todo enceradinho.
Não, essa máquina é demais para mim, obrigado na mesma.
- Precisas duma camisola? - Precisa sim.
Não preciso, está bem?
Não precisam de ir muito para lá do jardim.
Devia pôr lá fora aquela vela que afasta os insectos.
De todas as espécies, menos uma.
E que espécie é essa?
A mosca dentes-de-sabre.
A famosa vela.
Marty, afasta-te da janela! Pareces um voyeur!
Tudo calmo. Acho que lhe vai dizer hoje.
Quanto mais esperar, pior é.
Não percebo qual é o drama. Fez um transplante cardíaco.
Andei com uma rapariga que tinha o pé boto. Tinha o sapatão e tudo.
- Hão-de se lembrar de ti no Céu. - És um santo.
Devia ter uma personalidade do caraças para te aturar essas roupas.
É melhor que ele não a magoe, é só o que eu digo.
O que é que foi?
Está tudo a embirrar comigo hoje.
- Vá lá, acalma-te. - Quantas queres?
Espera, vamos pôr o Pavarotti - inspiração para os pombinhos.
Não precisam de música, Angelo.
Esperem, e que tal um pouco de Bing?
O Bing não! Precisamos é do Bobby.
Ponham uma coisa suportável.
Desculpem, com licença.
Eles fazem a música deles.
Deixem-me tratar disto.
- Foi divertido hoje. - Pois foi.
Muito divertido.
Ela gosta do Dean ou do Frank.
Precisamos duma coisa moderna. Não têm discos novos?
Estes são todos novos.
- Angelo, escolhe tu. - Sinatra. Quem mais?
No princípio era o Sinatra.
E para sempre será Sinatra, o único.
Voltou a estar na moda, embora morto.
Frankie, canta, meu.
O que é isto? Um jogo de beisebol?
- É um concerto ao vivo. - Deve resultar.
- Vou pedir para tirarem a música. - Não. Não.
Eu gosto.
Como é que vai a coisa lá fora?
Deixa a magia actuar.
Não, não sei dançar bem.
Não te preocupes.
- Tommy, arranjaste aquela...? - Está tudo feito.
- Nem sequer sabes o que vou perguntar. - Está feito. Garanto.
O Bennington telefonou.
Disse-lhe que a inauguração é daqui a duas semanas.
Adiou as férias porque insiste em fazer a tua apresentação.
A Elizabeth havia de gostar.
Havia de adorar isto.
- Conseguiste. - Demorei o meu tempo.
Bob, vou encomendar mais um vidro duplo.
Não, Jeff. Espera.
Queres ir beber uma cerveja? Ou hoje é a noite do bingo?
- Faz uma folga. - A Grace quer falar depois do jantar.
Quer conversar, faz-te o jantar e nunca dorme lá. Não estás a topar?
Se calhar andou a ler aquele livro com as normas, as leis, ou lá o que é.
Isto é o jogo delas para nos apanharem.
- Está a resultar. - És tão triste.
Oi, miudagem!
Está aqui o Sammy Sosa!
Oiçam todos!
Vou-lhe dizer hoje à noite.
- Já ouvi essa. - Não, vou mesmo.
Devias, porque ele é perfeito.
Pois é.
Para mim, é.
Vê se me percebes - não é nenhum Joe.
- Amor? - Sim?
O Austin vomitou-me a camisa toda.
Dei-lhe o remédio e vesti-lhe o pijama.
Vai dormir na nossa cama. Outra vez!
Está sempre a vomitar.
Não lhe devia ter dado aquela pizza com pimentos.
O que foi?
Veste uma camisa ou a Grace nunca ficará satisfeita com outro homem.
Gostas disto, amor?
- Sou mauzão. - É tudo músculo.
Anda, vem dançar comigo.
- Gracie, dança comigo. - O nosso ritmo só nos mete em sarilhos.
- Não queres mesmo ajuda? - Sei fazer pipocas no microondas.
Viste aquilo no Tribune sobre a inauguração?
Não, tenho de ler.
O avô e os amigos querem todos ir.
- Desde que tu vás. - Claro que vou.
Olá, Mel.
Lindo.
Já chega.
O Sydney vai adorar a nova casa, espero eu.
Estou a pensar mudar-me também para lá.
É perfeito para ele.
Deves estar ansioso.
Finalmente.
Fartaste-te de trabalhar.
Mas valeu a pena. Para realizar o sonho da Elizabeth.
Pelo menos pude fazer isso por ela.
Tenho a certeza de que tem imenso orgulho em ti.
Obrigado, Grace.
- Querias dizer-me alguma coisa? - Sim.
E agora era boa altura.
As pipocas!
Ok.
Desculpa.
- Guardas-me o lugar? - Claro.
Comprei um CD novo. Queres ouvir música?
Sim, está bem.
Ok...
Onde é que está?
No bolso do casaco. Lá em cima.
HABITAT PARA GORILA AO AR LIVRE ABRE NO ZOO DO LINCOLN PARK
“A Dra. Elizabeth Rueland morreu num acidente de automóvel a 12 de Abril.”
ROBI, LIGAÇÃO COM OS DADORES, CHICAGO, IL 60607
Grace?
Gracie?
O microondas. Hoje não há pipocas.
Desculpa. Tenho de ir.
- Agora? - É.
Porquê?
Esqueci-me de que disse à Megan que ia lá ficar com os miúdos.
- Hoje? - Foi.
- Vou contigo. - Não! Não!
Levo-te de carro.
Não é preciso. Tenho a bicicleta.
- Raio da bicicleta, é tão velha! - Sentes-te bem?
Sim, estou atrasada... ela preocupa-se.
Mais devagar.
Dá-me isso, ainda te magoas.
- Estou atrasada. - Eu levo-a na carrinha.
Não, eu levo. Deixa-me ir.
Vou ligar à Megan e digo-lhe que vais a caminho.
- Não, o bebé deve estar a dormir. - Está bem...
- Ela preocupa-se... não telefones. - Calma. Tudo bem.
- O que é que me querias dizer? - Nada. Não interessa.
Mel, fica!
Anda.
- Oh, meu Deus! - Querida...
Mas o que é que Deus estava a pensar?
- Levo-te lá e falas com ele. - Não posso ir!
Podes sim.
- Não lhe posso dizer nada. - Podes sim, é só dizer.
Como?
Assim: Bob... Sabes.. eu...
Bob... sabes. E dizes. Bob...
Tu nem consegues dizê-lo.
Assim de repente, não. Dá-me tempo para pensar. Mas arranjamos maneira.
Ajudo-te e levo-te lá.
- Vou contigo. - Não quero ir.
Espero no carro e tu entras e dizes.
Não há nada que eu possa dizer.
Santo Deus! Morreu alguém?
- Ninguém. - A mulher do Bob.
- Ele é casado? - Oh Deus!
O grande filho da mãe!
O grande filho da mãe!
Queres que dê cabo do sacana?
Já sabia - o cabelo, o tipo criativo - nunca engana.
- Não estás a perceber! - Acabo com ele!
Dou-lhe cabo do canastro!
Pára de me empurrar!
Grace, queres que eu trate dele?
Dou-lhe uma tareia das grandes!
Joe, por favor! A Grace tem o coração da mulher morta do Bob.
Não é casado?
Tudo bem.
- Querem gelado? - Sim.
Querem? Querida? Grace?
Telefonei ao Fabrizio.
Vai-te buscar ao aeroporto em Roma.
Não posso lá ir antes do Outono.
O Angelo e a Sophie precisam de mim. Há muito trabalho no Verão.
Eu sei, avô.
Acho que podes ir sem mim.
Avô...
É melhor assim.
É mais fácil para o Bob se eu cá não estiver.
Só estou preocupado contigo.
Depois de lhe dizer, quero ir-me embora.
- Olá, Marty! - Olá, Robert!
Olá, Gracie.
Fecha os olhos e não abras até eu dizer.
Ouve...
É ao carácter mais forte que Deus dá mais desafios.
Portanto, é um elogio que te faz.
Tens os olhos fechados?
- Sim. - Deixa-os estar.
Não espreites.
Põe a mão sobre os olhos. Assim sei que não vês.
Deixa estar fechados.
Abre.
Uma bicicleta.
- Ainda nem sequer abriste. - Compraste-me uma bicicleta.
Com cesto.
Arranjei-a no Rudy's da Addison. Restaura óptimas bicicletas.
E esta era perfeita para ti.
Acho que ela gostou.
Estás bem?
Fiquei preocupado contigo ontem.
Vou-me embora.
O quê?
- Vou-me embora. - Porquê?
Devia ter-te dito uma coisa.
Não tive coragem.
Há pouco mais de um ano, fui operada.
Um transplante de coração.
Pensei que me ias dizer que eras um homem.
- Magoei-te? - Não.
Mas agora estás bem. Estás curada.
Já me podias ter dito.
Devia ter-te dito e peço desculpa. Mas eu...
encontrei isto em tua casa.
Fui eu.
Vou-me embora hoje, para que tu não te lembres.
Não sabia. Não sabia que...
Juro por Deus que não sabia.
Tenho tanta pena. Desculpa.
Tenho de ir.
- Desculpa, tenho de ir. - Está bem.
Tenho de...
andar.
Não vais levar isso no avião?
Quero levá-la.
- Marty, deixa-a levar. - Mas eu levo-ta quando for.
Já vi no atendedor outra vez. Não há mensagem dele.
É melhor ficares.
Às vezes tem de se fugir para ver se alguém vai atrás de nós.
Disse-lhe que ia, mas só posso no Outono.
Meu Deus!
- Mas ele sabe mesmo que vais? - Eu disse-lhe que me ia embora.
É para a viagem, querida. Gosto tanto de ti.
Reza em Roma. Deus ouve-te melhor.
Detesto dizer-te adeus.
Vai lá.
Pronto.
Ok.
- Adeus, rapazes. - Adeus, querida.
Charlie, sou eu.
Preciso de falar com alguém.
Pelo telefone, não.
Podemos encontrar-nos?
Meio dia e meia está óptimo.
Obrigado.
O inspector está cá. Bebe.
Scusa. Gosta?
Não, obrigada.
Talvez a ajude a pintar?
Não, ia para casa agora - la casa.
Obrigada na mesma.
Ele é casado?
É uma longa história.
Faço agora a minha pausa.
Raio!
É.
- Quem me leva? - Eu.
Não, Marty, levo eu.
Boa noite.
Boa noite, Sophie. Até amanhã.
Vai pela sombra, Wally.
Ai, meu Deus!
- O que foi? - A porta.
Que homem este!
Wally, é o Bob!
Pensei que a ias levar.
- Foi rápido. - Eu jogo.
- Não estamos a jogar. - Não ias para casa?
- Ela não está cá. - Como é que tens passado?
- Tens fome? Vou fazer-te uma massa. - Não, obrigado.
- Foi-se embora? - Há dois dias.
- Estive a pensar... - Claro que estiveste!
A inauguração é para a semana.
E... é tão importante para mim.
E para a Elizabeth.
- Claro. - Trabalhaste como um cão.
Tenho saudades da Elizabeth.
Hei-de ter sempre.
Mas...
sofro com a falta da Grace.
E não sei se posso...
Ou se ela...
Pode, pode!
Olha, Bob.
Chega aqui um bocado.
Eles ficam bem.
Angelo, senta-te.
Tudo bem, querida.
Só a Grace é que te sabe dizer os nomes de todas as flores do jardim.
Só sei um ou dois.
O que é que se passa?
- Está a esganá-lo! Com um caraças! - Oh, meu Deus!
- Marty, não faças isso! - Mas o que estás para aí a dizer?
Olha, Robert... Não tenho nada a ver com isso.
Sei que o que aconteceu foi... terrível.
E sei que vai demorar até ir tudo ao lugar.
Mas enquanto estás a tentar perceber as coisas, lembra-te que eu rezei sempre
para que a Gracie tivesse uma segunda oportunidade na vida,
e sabia que se Deus nos fizesse essa mercê
o coração que lhe dessem teria de ser
duma pessoa muito especial
para se dar bem dentro da Grace.
Quando te conheceu
o coração dela bateu de verdade pela primeira vez.
Se calhar estava destinado a ficar sempre contigo.
É, é minha.
Quer andar?
Vieste este caminho todo até Itália?
Vim.
O caminho todo até Itália.
Amo-te, Grace.
Muitos de vocês vieram ter hoje comigo
porque me reconhecem do retrato que há na casa dos macacos.
Mas não estamos aqui para falar dos meus donativos consideráveis
ao longo dos anos.
Senhoras e senhores - Bob Rueland!
Obrigada pela apresentação e pela sua generosa contribuição.
Gostaria de agradecer a todos os que contribuíram com tempo e energia.
À minha equipa incrivelmente dedicada, que está ali sentada.
E ao veterinário supervisor, o meu querido amigo Dr. Charles Johnson.
Olá, Charlie!
Vai dar autógrafos depois da cerimónia.
A inauguração desta nova casa para o Sydney e a família dele
tem um grande significado pessoal.
A minha falecida mulher, Elizabeth, passou muitos anos com o Sydney.
Ensinou-lhe muitas coisas. E imaginou isto para ele.
Ensinou-lhe linguagem gestual. Apresentou-o à mulher dele.
Mas, mais importante,
foi a sua paixão constante que hoje nos trouxe aqui.
É para mim uma grande honra
dedicar este novo habitat
à querida memória de Elizabeth Rueland.
Saiam por favor da pista de dança
para que os noivos dancem a primeira música.
Legendas de Visiontext: Luísa Costa Gomes
:: Ressincronização ferneiva ::
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