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\m/ Legenda por Postmaster \m/
Por favor, vamos embora.
Onde est� meu cinto?
Na gaveta.
Em qual?
- Na de sempre. - Qual delas?
Cad� meu carregador?
Voc� checou no banheiro?
N�o est� l�.
Merda, sempre pegando meu carregador...
Comprei toneladas deles, j� me custaram mais que o celular.
Deve ter deixado no est�dio.
Pergunte a sua m�e.
Arrume tudo isso!
Javi, na cama �s 11, n�o importa se vov� deixar ficar.
Sem desculpas!
Pegue isso. Voc� deu o beijo de boa noite em Rosa?
Sim.
- Mesmo? - Vou agora.
- Esqueci meu telefone. - Depressa ou nos atrasaremos.
Sim, mas... S� um segundo, relaxe.
A bula mostra a dose.
Sim, o papelzinho na caixa.
Depende do tamanho, sim.
Claro, porque Cuqui...
� de tamanho m�dio.
Pare, pare com isso.
N�o voc�, senhora, eu estava falando...
com meu pastor alem�o.
Sim, ele n�o para quieto.
Se agarra e n�o para de ro�ar.
Sim, todos os animais est�o assim por causa do eclipse.
Aquece o sangue deles.
Eu te ligo amanh�, ok?
Pare, pare, nos atrasaremos.
Voc� � um idiota. Sabe disso, certo?
N�o, me diga a onde est� indo.
J� te disse, para casa da Susana.
Sof�a, por favor...
N�o acredite em mim ent�o.
- Est� indo para a casa de Nacho. - N�o!
Mentindo voc� n�o me machuca, machuca a si mesma.
N�o me enche, m�e.
J� disse mil vezes que vou para a casa de Susana.
Ent�o vamos sair por a� e pode ser que Nacho esteja.
E para que isso?
- N�o s�o meus. - Estavam na sua bolsa. S�o seus.
S�o de Susana, me pediu para guard�-los.
Voc� acha que sou idiota?
Sabe o que? Olhando minhas coisas
voc� n�o me machuca, machuca a si mesma.
Voc� me deixa louca!
"Voc� me deixa louca".
ESTEJA PRONTA. ESTA � SUA NOITE.
Sim, claro.
Sua filha continua mentindo para mim.
- E esses brincos? - O que h� de errado?
Eles s�o novos.
Sim, obrigada por mudar de assunto. Voc� me ouviu?
- Sim, eles s�o novos. - N�o, sobre a sua filha.
- O que houve? - Ela mente para mim!
- Claro, n�o vai dizer nada. - Que quer que eu diga?
Ela tem 17 anos. Ficaria preocupado se fosse o contr�rio.
- Ela ainda est� saindo com Nacho. - Certo. E da�?
- Eu n�o gosto disso. - Parece que ela gosta.
Merda, Alfonso, voc� tamb�m n�o gosta, admita.
Lembra-se quando seus pais tentaram impedir de nos vermos?
Serviu para alguma coisa?
Se eles n�o fossem contra, poder�amos n�o estar juntos.
Sim, voc� deveria ouvir seus pais.
Por que n�o tenta falar com ela sem discutir?
N�o, n�o comece isso de novo.
Quantas adolescentes fazem terapia com voc�?
- Muitas. - E s�o todas super gratas.
- Te mandam cartas, flores... - N�o exagere.
Por que n�o tenta com ela?
- De jeito nenhum. - Por que n�o?
Ela � minha filha, n�o � uma paciente! Por favor!
Voc� est� sempre contra ela.
Ela tinha um monte de preservativos na bolsa.
- O que? - Eu os encontrei.
- Voc� mexeu nas coisas dela? - N�o.
Eu estava procurando por um isqueiro.
Por que se sentou atr�s?
Amor, eu estava deixando as garrafas
e voc� ligou o tax�metro e arrancou.
Costume, desculpe.
- Eu vou trocar. Pare por um segundo. - Deixa pra l�.
Aqui diz que o vinho � "bio... din�mico".
- O que � isso? - N�o fa�o ideia.
- � bom? - Pelo que custa, com certeza sim.
N�o, pare. Vamos comprar outro.
- Olha, podemos pegar um ali. - Blanca, relaxe, por favor.
� um jantar, n�o uma prova, ok?
Eva sempre diz algo, e n�o suporto isso.
- Eva �... Eva. - Ela n�o gosta de mim.
- N�o, � o jeito dela. - N�o com Ana.
- Ela trata Ana diferente. - Ela conhece Ana a vida toda.
� isso, conhece os outros h� tempos, eu sou a novata.
"Novata"? Estamos casados h� um ano.
N�o importa, amor.
Voc� pode levar Rosa ao dentista na segunda-feira?
Segunda-feira?
Sim, segunda-feira.
Vou tentar sair mais cedo.
� �s quatro.
Se n�o puder, me diga agora, a� eu organizo.
Se eu soubesse, diria a voc�, mas n�o sei...
Vou averiguar antes.
Nunca sabe o que tem que fazer.
Sim, eu sei.
N�o, voc� nunca sabe. Sempre.
Sei o que tenho que fazer, querida.
- Na verdade n�o posso ir. - N�o pode?
- Estou te dizendo j�. - Ent�o n�o v�. Esque�a.
Farei tudo o que puder para levar
a menina ao dentista na segunda-feira.
Serve pra voc�?
- H� uma lua de sangue esta noite. - O que?
� assim que chamam, a lua fica vermelha.
Oh, o eclipse. Eu sei.
Dizem que isso deixa as pessoas loucas.
N�o precisamos de um eclipse para isso.
Eles n�o me deixam entrar no grupo.
Qual grupo?
O grupo de WhatsApp: "Aqueles do Jantar".
- Eles te adicionaram, mas n�o eu. - Claro.
Eu j� estou, para que adicionariam voc� tamb�m?
� s� para nos encontrarmos, as pessoas saem.
Voc� recebe mensagens o dia todo.
Olha, vamos fazer uma coisa. O biodin�mico eu levo.
Dessa maneira, Eva s� vai mexer comigo.
Obrigada.
- Boa noite. - Boa noite.
Pode parar de mastigar assim?
Prove isso.
- Eles est�o aqui. - Falta sal.
Mas se exagerar, n�o poder� consertar.
N�o poder�amos ter ido a um restaurante?
Tudo bem, vou jogar essa merda fora e pediremos pizza.
- Voc� quer discutir? - De jeito nenhum.
- Pepe chegou? - N�o, ainda n�o.
- Oi, Eva. - O que � isso?
Alfonso.
N�o feche, Edu e Blanca est�o chegando.
- Sofia saiu? - Ela est� no quarto.
- Eu vou dizer oi. - N�o!
- Eu n�o disse nada. - N�o, Ana. Espera, espera.
Para, para.
- Est�o em p� de guerra? - Terrorismo psicol�gico.
- Ok, n�o � a hora. - Ela tinha preservativos na bolsa.
O que?
Se voc� exagerar, n�o poder� consertar.
- Vai, vai, voc� primeiro. - Deixe comigo.
- Oi. - Oi.
Eva.
Edu.
- Oi. - Blanca.
� biodin�mico.
Biodin�mico? Voc�s ca�ram nessa tamb�m?
Vinhos pisados com o p� que custa uma fortuna?
Pois eu amo.
Vou colocar na geladeira. Talvez precise gelar.
Ol�.
- Oi. - Oi. E Pepe?
- Quase chegando. - Que coisa essa do Pepe.
Ele est� realmente vendo aquela garota?
"Aquela garota" chama-se Luc�a.
E n�o aja como um idiota, ok?
Sem idiotices.
Se ele finalmente escolheu, ela deve ser incr�vel.
Para sair com o Pepe ela n�o pode ser t�o incr�vel.
A principal coisa para Pepe s�o peitos.
Sempre pensando em peitos.
Existe algo mais importante?
Boa pergunta.
Entende? Uma ideia fixa.
Doutora, meu amigo est� defendendo seu p�o de cada dia.
N�o pagam este casa apenas com Botox.
Obrigado, Antonio.
Voc� ouviu? N�o � obsess�o, � profiss�o.
Alfonso, eu quis dizer
que � f�cil se apaixonar por algu�m como Pepe.
- Sim, ele � protetor, carinhoso... - Exatamente.
N�o vamos exagerar.
Essa coisa de "f�cil se apaixonar por algu�m como Pepe "...
- Sem exagerar, n�? - Ele fica t�o ciumento...
Amor...
Pode imagin�-lo aparecendo com uma gostosa?
Uma gostosa como?
Uma gostosa, uma gostosona.
N�o, seria demais ele aparecer com uma MILF,
mas uma coroa j�.
- O que? - N�o assiste muito porn�, n�?
- "Mom I'd Like to Fuck". - M�es que voc� comeria.
Muito bonito. Pensam sobre foder as m�es dos outros?
Incr�vel.
- Um pouco de "biodin�mico"? - Uma dose.
MILF � apenas coisa da Internet,
porcarias que mandam no WhatsApp. Meu telefone est� cheio.
� como o eclipse. As pessoas falam sobre isso.
Eu tenho tr�s mensagens no WhatsApp
dizendo que � o fim do mundo.
Voc� viu esta?
- Sim. - Eu tamb�m.
- Isso me incomoda. - Verdade.
Tem que fazer um desejo e reenviar a mensagem.
O eclipse tamb�m realiza desejos?
Claro, como a lua cheia.
- E o que tem a lua cheia? - Veja...
Pode parecer um pouco estranho, mas...
algumas pessoas...
mostram a bunda para a lua para conseguir dinheiro.
- N�o acredito nisso. - Eu juro, minha av� fazia isso.
Ela ia ao jardim e levantava o vestido.
Ela fazia isso toda lua cheia, certo?
N�o ficou rica, mas umas risadas conseguiam.
Bem, isso � um pouco mais moderno.
Faz um desejo e reenvia a mensagem para dez contatos.
A menos que queira o oposto daquilo que desejou.
Como as correntes que envi�vamos quando crian�as.
Isso realmente me assustava,
passei tardes inteiras escrevendo cartas � m�o.
Por isso se incomoda. N�o sabia que era t�o supersticiosa.
Eu n�o sou, por via das d�vidas.
- Sim, por via das d�vidas. - N�o acreditou nisso, n�o �?
N�o, mas estou enviando para o consult�rio, v�o adorar.
- O que desejou, Eva? - N�o posso dizer, ou n�o se realiza.
A mensagem n�o diz isso.
Desejei que esta noite n�o seja uma chatice.
Porra... Somos t�o chatos assim?
N�o gostariam que acontecesse algo esta noite?
N�o? Algo diferente?
E se algo de ruim acontecer?
Nada � pior que o t�dio, eu te asseguro.
Muito obrigado, meu bem. Eu tamb�m te amo.
- Eles est�o aqui! - Bom, bom.
- Sim? - O que ele disse?
Est�o chegando?
Quando chegarem, n�o os encarem como bobos.
Se ele aparecer com uma MILF, vou me irritar.
OK...
Calem-se.
Alfonso, pelo amor de Deus...
Boa noite.
O que houve?
Onde est� Luc�a?
Oh, Luc�a. Ela pede desculpas, mas n�o p�de vir.
Pegou uma dessas viroses de dois dias,
um v�rus intestinal. Um desastre.
Eu trouxe vinho.
Biodin�mico?
N�o, Marqu�s de Vargas. Reserva.
Isto sim!
Ent�o, Luc�a n�o vem?
Voc� � besta? Eu n�o disse que est� p�ssima?
E n�s quer�amos conhec�-la.
Sim, ela queria conhecer voc�s tamb�m,
mas n�o sair por a� contagiando todo mundo.
Posso entrar ou tenho que ir?
Entre, entre.
- � uma pena a Luc�a. - Sim.
- Brincos bonitos. - Que gentil.
- O que aconteceu, Pepe? - Com o que?
- Voc� n�o se separou? - N�o, n�o.
- N�o brigaram? - Voc� � um babaca? N�o!
Pepe, quantos anos disse que ela tinha?
- Eu n�o disse, Anto�ito. - N�o disse?
N�o, n�o disse. Ela � da nossa idade.
Ahh!
- "Ah", o que? - N�o, nada.
Concordamos em n�o fazer coment�rios de mau gosto sobre Luc�a.
- Ela n�o veio. - Mas eu sim vim.
Luc�a � um nome ador�vel. "Pepe e Luc�a" soa t�o bem.
Puxa! Eu tinha uma cadela chamada Luc�a!
Diga-me, est� apaixonado?
N�o sei. Como saber quando se est� apaixonado?
- Est� me perguntando? - Claro. Voc� � a especialista.
Deveria saber. � uma psic�loga.
Se conversar com ela 30 minutos por dia, est� apaixonado.
Certo. E se conversar 60?
Est� muito apaixonado.
E se voc� nunca conversa, ent�o est� casado.
Desculpe, querida, voc� me deu de bandeja.
N�o ligue.
Cheira bem. O que � isso?
Trufas negras.
Falando de trufas, conseguimos a casa em Teruel?
N�o, ainda n�o.
� delicioso. Dever�amos ir l� e conseguir toneladas disso.
Seria legal, a loja l� embaixo vende-os a 250
cada 100 gramas. E alguns s�o desse tamanho.
- 2500 um quilo? - Mais ou menos, sim.
- � muito dinheiro. - Pode apostar.
Por que n�o cultivamos trufas em La Pedriza?
- Trufas? - Sim.
- Em La Pedriza? - Sim, onde temos a casa.
Seu idiota, Trufas n�o s�o como cebolas.
Crescem em condi��es especiais.
E La Pedriza n�o � exatamente solo f�rtil.
- No inverno � verde. - Sim, � como a Irlanda.
- Est� a 1000 metros de altura. - � s� pedra. Me d� isso.
Perceberam que ser�o nossas primeiras f�rias sem Clara e Diego?
- Parece estranho para mim. - Para mim tamb�m.
Outro dia falei com Clara, ela mandou lembran�as.
- Como ela est�? - Imagine,
ela voltou para os pais em Zaragoza.
Com quem as crian�as est�o?
Com ela, quem mais? Com Diego?
A coitada est� uma bagun�a.
Descobrir que seu marido tinha uma amante
da idade da filha dela destruiria qualquer um.
Tenho pena dela. Vai precisar de tempo para superar.
50, menopausa, e o marido mandando ver numa novinha...
Voc�s sabiam?
Eles sabiam.
- N�o, n�o. - Ele n�o nos contou nada.
- Vamos! - Claro que eles sabiam. Por favor...
Mesmo se ele nos dissesse, dever�amos dizer a ela?
Se voc� � amigo de algu�m, voc� conta.
De acordo com voc�, soub�ssemos ou n�o,
dever�amos ter dito a Clara: "Ei, Diego est� comendo
uma gostosa de 23 anos... "
- Ent�o ela era uma gostosa. - 23 anos?
� apenas um exemplo.
- Os dois n�o s�o nossos amigos? - Est� certo.
Ter�amos feito besteira de qualquer maneira.
� delicado porque se voc� conta e destr�i uma fam�lia,
quem � o culpado? Eles? N�o, aquele que contou.
Vamos esclarecer isso. Se ele me trair, me digam.
Sim, claro que eles v�o te dizer. Cuidam uns dos outros,
nunca te diriam.
- Eles s�o todos iguais. - � uma guerra perdida.
- Somos muito diferentes. - Como um Mac e um PC.
E quais somos n�s?
- PC's. - Spectrum.
S�o baratos, pegam todos os v�rus
e s� podem fazer uma coisa de cada vez.
Antonio por exemplo. No chuveiro ou canta ou se ensaboa.
E os Macs s�o como as mulheres: intuitivo, r�pidos e elegantes.
E podemos fazer mil coisas ao mesmo tempo.
Custam os olhos da cara e s� compat�veis entre si.
E o Diego?
Ele est� com essa garota de 23 anos. Coitado, n�?
Isso � o inferno.
Falo s�rio. Imagine Diego em um show do Justin Bieber
ou bebendo nas ruas com uma sacola de supermercado.
� foda.
Ela ir� levar tudo: a casa, o dinheiro, o carro...
- N�o exagere. - Pergunte a ele.
No seu div�rcio voc� tamb�m foi depenado, certo?
- O que podem tirar de mim? - Todo seu dinheiro.
Que dinheiro? Sou apenas um professor de gin�stica e gordo.
E desempregado tamb�m agora.
Mais um pouco e ela teria que me dar uma grana.
Claro, sem filhos � tudo mais f�cil.
De qualquer forma, � azar uma fam�lia destru�da por uma mensagem.
N�o, uma fam�lia destru�da por uma puta de 23 anos.
- E ele � culpado tamb�m. - Claro.
Se Clara n�o tivesse lido a mensagem...
Agora � culpa da Clara por ler a mensagem.
N�o � isso. Tem que ser cuidadoso e excluir as mensagens.
� a primeira coisa que faz quando trai sua esposa.
- Eu faria. - Como �?
� apenas um exemplo. N�o levemos tudo ao p� da letra.
N�o, n�o, n�o. Ter cuidado com o que exatamente?
Com mensagens ou com o fato de que � uma pessoa nojenta?
Desculpe, Blanca.
Tudo o que digo � que isto � o culpado.
Quando n�o havia isto, n�o havia tantos problemas.
N�o, o problema sempre esteve a�.
- Voc�s homens s�o todos porcos. - Bom Deus...
- O celular n�o � o culpado. - Ok, somos porcos,
- e voc�s s�o irm�s de caridade? - Esse � o meu Antonio.
A �nica coisa certa � o que temos aqui.
N�o h� senhas aqui, � como um cofre.
� verdade que isso mudou tudo.
Onde est�o nossas mentes agora? Aqui.
E deixamos na mesa ao alcance de qualquer um.
Antonio nunca me daria seu telefone.
- O que? - Voc� ouviu.
- O que? - Pegue.
Aqui est�. Qual � o problema?
Vou pegar, s�rio.
J� chega, Antonio.
- Vou pegar, n�? - Continue. 7272.
Olhe para a m�o dele tremendo.
- Est� tremendo. - Voc� est� ficando branco.
N�o. Agora eu quero que voc� pegue.
- Que eu pegue? - Sim, mas me d� o seu.
Vou te dizer o que vai encontrar: mensagens para o pediatra,
da sua irm� porque voc� nunca liga... Devo continuar?
- Esque�a. - � melhor.
Daria seu telefone para o Eduardo?
Claro. Eu nem tenho senha.
Deixe-me fora disso, n�o sou do tipo ciumento.
Ele engoliria o celular antes de me dar.
Claro, como psic�loga ela sabe o que penso.
� �timo.
Vamos direto para a raiva, n�o tem o que discutir.
Aqui, querida, todo seu.
Agora acha que estou te contradizendo e n�o tem valor algum.
Nada do que faz ultimamente vale muito, querido.
Resumindo, ningu�m tem segredo algum, n�?
- N�o. - N�o?
N�s com certeza somos entediantes.
Que segredos quer que tenhamos?
N�s nos conhecemos de cor e salteado.
Espere, estou tendo uma ideia.
Vamos jogar um jogo.
Deixem todos os seus telefones
no centro da mesa.
- E? - Enquanto durar o jantar,
as mensagens, WhatsApps, chamadas que recebemos,
lemos e ouvimos todos juntos.
J� que n�o temos segredos, certo?
Sem problema, aqui o meu.
- Ol�! - Claro, Pepe, que coragem.
Sua garota est� em casa com caganeira.
Eu teria feito isso de qualquer maneira.
Blanca, o que � tudo isso?
- S� um pouco de divers�o. - N�o vejo a gra�a.
Voc� tem algo a esconder?
Eu n�o.
Ent�o comece.
Acha que eu n�o me atrevo? O que me incomoda � que
eu poderia descobrir algo que n�o quero saber.
Se houver bobagem, � coisa sua.
Se houver bobagem, n�o seria t�o burro de deixar por escrito.
Por mim n�o tem problema.
� como o jogo da verdade.
Lembram-se que jog�vamos quando �ramos pequenos?
Quando �ramos pequenos tamb�m bat�amos punheta.
Amor, n�o seja chato, vai ser divertido.
Ou eu deveria me preocupar?
De forma alguma.
O que � isso, est�o falando s�rio?
Eu acho que � de mau gosto deixar os telefones na mesa.
Antonio sempre o deixa para baixo.
Como?
Assim.
- Pensava que eu n�o percebia. - Isso s�o manias impensadas.
N�o pensa que risca a tela e custa 150 euros para consertar?
- � tit�nio. - Nas lojas chinesas custa 50.
- Tudo bem, risquemos todas as telas. - Est� bem, est� bem. Veja.
Feliz?
Muito.
Bem...
agora n�o h� como voltar.
Porra!
O que foi isso?
O eclipse.
Sou eu ou todos enlouqueceram de uma vez?
Avan�ou o sem�foro! Que louco! Perdeu o ju�zo!
Essa esquina sempre tem acidentes. O sem�foro dura pouco.
Carros se chocam...
Estou congelando.
Coloque seus �culos! Quem te deu uma licen�a?
Est� ficando vermelha. N�o vamos assistir ao eclipse?
Dura algumas horas. Vamos ver isso depois.
Se minha m�e ligar, n�o estou atendendo.
- Para mim isso � uma besteira. - O eclipse?
N�o, o jogo. Nos prestarmos a isso. Parecemos crian�as.
Merda!
- Quem os colocou assim? - Eu. Parece mais legal, certo?
Merda, Blanca, voc� me assustou! Parecia um poltergeist.
Vamos ver se entendi. Posso pegar o telefone de algu�m?
N�o, s� mensagens recebidas, WhatsApps, chamadas...
- Seja l� qual tocar. - Exatamente.
Tipo roleta russa?
Facebook?
- N�o, Facebook n�o. Por que? - Por que n�o?
Muitas notifica��es e tal.
Estaremos nos telefones a noite toda.
E sem modo avi�o.
E n�o vale se algu�m tiver um segundo telefone.
Eva, voc� est� venenosa esta noite.
O bife de alcatra falta muito, meu bem?
Bife de alcatra, �timo.
At� mais tarde, ok?
Whoah, Sof�a!
Vamos ver o que ela quer...
Voc� est� linda, Sofi.
Ainda bem que puxou � m�e.
Pai, voc� pode vir aqui?
- Que linda. - Ela est� envergonhada.
Poderia dizer ol�.
Por que n�o diz ol�?
Tem algum dinheiro?
Sim.
Pode me dar um pouco?
Quantos anos Sofi tem agora?
- Ela faz 17 em junho. - 17...
Eu lembro quando ela fez 10 anos na sua casa em C�diz,
parece que foi ontem.
Sim.
N�s compramos um biqu�ni e na �poca ela n�o tinha...
- Pare com isso. - ... caia o tempo todo.
- OK. - Sim, voc� ficou t�o brava.
Tem que lembrar as piores coisas?
Uma mensagem!
� o seu, Edu.
"Eu desejo... seu corpo".
- Come�amos bem. - Puta que pariu...
Quem � essa?
Eu n�o sei. Eu n�o sei.
Eduardo...
Eu n�o sei, meu amor.
N�o, "meu amor" n�o. Quem deseja seu corpo?
N�o fa�o ideia quem diabos enviou esta mensagem!
Conte-me.
- Olha, recebeu uma liga��o. - Voc� tem que atender.
- � o mesmo n�mero? - Voc� tem que atender, Edu.
- Eu n�o sei quem �. - Atenda!
Pois n�o?
- O que disse? - N�o tem ningu�m.
Pergunte novamente.
- Pergunte quem �. - Quem �? Quem �?
Al�?
Seu idiota!
Seu imbecil!
Deveria ter visto sua cara.
Voc� � realmente...
Eu digo: um babaca.
Ele � um palerma! Um palerma!
- Vamos... - N�o foi grande coisa!
- Pai, tenho que ir! - Meu Deus.
Querida, pelo menos diga tchau.
Ol� e tchau!
Tchau, Sofi, divirta-se.
- Tchau. - Tchau, Sofi.
- Ela nem sempre � assim. - �s vezes � pior.
- Eu a acho encantadora. - Ela � maravilhosa.
Na idade dela � normal querer sair.
O que voc� sabe? N�o tem filhos.
Se n�o fizer coisas malucas quando � jovem,
mas s� no fim da vida, acaba bancando o tonto aos 40.
Falando de si mesmo, Pepe?
N�o sei se seria uma boa m�e, me apavora.
Por que? Est�o tentando?
Parece que sim.
Isso � �timo.
- �timo. - Vamos brindar a estes dois.
N�o h� nada para brindar ainda.
- Bom, algu�m que transa � para celebrar. - Isso sim.
Que pouca classe, que pouca categoria, Ana, de verdade.
Eu n�o deveria ter dito isso?
N�o, aqui cada um diga o que quiser.
Pobrezinho, fiz voc� parecer mal na frente dos amigos.
Melhor fingir que ap�s 15 anos ainda transamos todos os dias.
Quem se importa se transamos �s segundas, quartas
- ou outro dia? - N�s n�o passamos dias,
- mas horas, certo? - Amor...
Para as crian�as e o significado que d�o �s nossas vidas.
- N�o, n�o. N�o, n�o, n�o. - Por que?
E aqueles de n�s sem filhos?
Sem filhos a vida n�o faz sentido?
- Desculpe, mas n�o. - Ent�o vamos brindar ao eclipse.
N�o digo por voc�s,
mas ter filhos � muitas vezes uma sa�da para casais,
um passo � frente desesperado.
- Um filho � um passo � frente desesperado? - Pode ser.
Buscar algo que solucione uma situa��o desgastada.
Muito bom, Pepe. Muito bom.
N�o quero uma crian�a para manter alguma coisa.
- Por que voc� quer uma? - Bem, para...
completar a vida de casal, realizar-me como mulher...
Certo e um casal normal mas sem filhos
n�o pode ser feliz ou o que?
Sabe que casais sem filhos, em m�dia, s�o muito mais felizes?
�timo, querida.
Claro, crian�as s�o como alicates, fazendo isso com voc�.
- Est� ficando b�bado. - Eu digo uma coisa,
o melhor que fiz foi ter minha filha. De longe.
E se dependesse de mim, n�s ter�amos mais.
Quando coloco Rosa na cama e seu rostinho me diz
"Voc� � a m�e mais bonita do mundo".
Neste momento sou a mulher mais feliz da Terra.
- Vamos brindar a isso. - Espere at� ela completar 17 anos
e cruzar a rua para as amigas n�o te conhecerem.
Ent�o a "melhor coisa que j� aconteceu em sua vida"
vai fazer voc� a "mulher mais feliz do mundo".
A primeira chamada!
� meu. � minha irm� Marta. Atendo?
- Claro. - Pepe, atenda.
Coloque no viva-voz.
- Ol� Marta. - Ol�.
Veja o que diz, est� no viva-voz.
- Isso n�o � justo. - Viva-voz?
- N�o � justo dizer a ela. - Voc� est� no viva-voz.
- Tire isso. - N�o posso.
- Por que n�o pode? - Eu explico depois, fale.
- Ol�, pessoal. - Oi, Marta.
- Oi. - Ol�, Martinha.
- Eu te ligo mais tarde. - N�o, fale agora. Diga.
Mas por que?
� uma esp�cie de jogo. Explico mais tarde. Fale.
Sobre o que devo falar?
Eu n�o sei, me ligou por algo.
Sobre o trabalho, coisas pessoais...
N�o importa, conversamos amanh�.
Se � sobre o trabalho de Val�ncia, n�o vou aceitar.
Ok, eu te ligo amanh�.
At� logo.
N�o vale, Pepe. N�o pode dizer que estamos ouvindo
- ou n�o faz sentido. - Desculpa.
Desculpe, eu n�o estava pronto.
Eu sinto muito.
O que � esse trabalho de Val�ncia?
Minha irm� me encontrou emprego em uma escola particular.
E voc� n�o vai aceitar?
N�o, � muito longe.
Val�ncia longe? S�o duas horas no trem.
Fa�a Madri a Val�ncia, Val�ncia a Madri,
3 vezes por semana e me diga.
N�o pode ser t�o exigente, como as coisas est�o.
N�o pode esperar cair algo do c�u.
N�o estou esperando cair algo do c�u.
Estou enviando curr�culos para todo lugar.
Quanto tempo est� sem trabalhar?
- Quatro meses. - Quatro meses?
Em 04 meses quantas escolas responderam?
Estou numa porra de julgamento?
N�o tinham o direito de demiti-lo assim.
Se processar, vai ganhar.
Eles n�o me demitiram.
- N�o renovaram meu contrato. - D� no mesmo,
foram 10 anos num contrato de tempo parcial.
� ilegal, n�o podem fazer isso.
Ou�a-me, n�s os esmagar�amos.
N�o, trabalhei l� toda a minha vida.
Exatamente. Espere 3 meses e eles recontratam voc�.
- Meu escrit�rio pode fazer isso. - Obrigado, mas n�o.
Al�m disso, preciso de uma mudan�a de ares.
Com um pouco de calma algo de bom vai aparecer.
"Um pouco de calma", diz ele. Voc� tem que se mexer.
J� basta deste jogo de merda!
Ei!
Eu, por exemplo, continuo me movendo.
Claro, dirige um t�xi pra todo lado.
Coloquei a licen�a � venda.
Colocou � venda?
Sondando o terreno, para ver o que me oferecem.
E voc� n�o ia me contar?
- Sim, eu ia. - Quando?
Amor, � s� uma ideia.
Uber, Car2go, Cabify, soa familiar?
Daqui a um ano os t�xis desaparecer�o, dois no m�ximo.
Tem que olhar pra frente, Pepe, para o futuro.
Como o neg�cio de cigarro eletr�nico que ele montou.
Era diferente, tinha pela frente o lobbie do tabaco.
- Eles realmente jogam duro. - Jogam duro.
Financiaram os Contrarrevolucion�rios da Nicar�gua.
Ou o neg�cio dos Yorkshire.
- Isso n�o foi culpa minha. - N�o, eram todos meus clientes.
Foi constrangedor.
E voc� ainda fica com ele?
Sim. Incr�vel, n�?
Claro.
Quem mais, n�?
Uma chamada.
Meu pai!
- Todo mundo quieto. - Sim.
- Coloque no viva voz. - Sim.
Oi, pai.
Oi, querida. Como voc� est�?
Bem, jantando com os amigos.
Ent�o n�o vou segurar voc� muito tempo.
Falei com Estremera.
Disse que a opera��o pode ser feita em Barcelona tamb�m.
Ele vai duas vezes por m�s, fica no Majestic.
Eu te mando o n�mero e voc� pode falar com ele.
- Obrigada. Um beijo para a mam�e. - Ok, beijo.
Tchau.
Que opera��o � essa?
Mastoplastia de aumento.
Est� aumentando os seios?
Sim, vou operar os peitos.
- N�o � ideia dele? - N�o, de jeito nenhum.
Voc� n�o me contou.
Mas voc� � uma psic�loga.
E?
As psic�logas n�o aumentam os peitos.
Dizendo assim, soa um pouco estranho.
N�o � que eu n�o goste deles, � s� uma melhoria.
- Em teoria, voc� deveria gostar deles. - Por qu�?
Como psic�loga voc� tem que se aceitar do jeito que �.
- Eu me aceito. - N�o parece.
Algu�m que opera os peitos n�o se aceita?
- Bem, n�o. - Eu aceito tudo, menos meus peitos.
Uma psic�loga peituda assim me deixaria nervoso.
Estou colocando peitos, n�o dois mel�es, Antonio.
Deixe-me ver se entendi. Vai aumentar os seios,
que � o que seu marido faz, e est� usando outro m�dico?
� verdade, por que voc� n�o faz?
Porque o pai dela, a "emin�ncia de prest�gio",
acha que � ruim se eu fizer isso. Tem que ser Estremera,
um espertalh�o que opera na Espanha, mas vive em Nova York.
N�o � um qualquer como eu,
que coloca peitos e bundas em cabeleireiras em qualquer cl�nica.
- J� terminou? - � isso ou n�o?
- Claro que n�o. - Ent�o como �?
Um marido n�o pode colocar peitos em sua pr�pria esposa.
� senso comum, por favor.
Claro, � um t�dio.
� como cozinhar o dia todo, ent�o n�o fica com fome.
O pai dela acha que sou um idiota.
Ele preferia um cardiologista ou um cirurgi�o.
Os pais querem o melhor para seus filhos.
Eu tamb�m queria o melhor para mim.
Meu pai colocou forros em tetos e azulejo em banheiros,
n�o teve muitas op��es.
Eu estudei, desenvolvi minha carreira,
me especializei em cirurgia pl�stica
e n�o estou envergonhado, gosto disso.
- Claro, querido. - Ent�o fa�am isso...
Estremera faz um peito e Alfon o outro.
- E vemos qual � melhor. - N�s comparamos.
- Est�o soltinhos esta noite. - Com certeza est�o.
Ela tem raz�o, seria como sua esposa ser sua psic�loga.
Seria desconfort�vel, certo?
Relaxe, ele prefere levar um tiro a ir a um psic�logo.
Sim, os psic�logos tamb�m me intimidam.
Sim, eu n�o contaria minhas coisas para um estranho.
� para isso que os amigos servem. Eu digo a voc�s tudo.
Ele acha que n�o servem de nada.
N�o � verdade? Meu trabalho para voc� n�o serve de nada.
Diga, isso n�o me ofende mais.
Por que voc� diz isso? Sabe que n�o � verdade.
Mas voc� pensa isso.
Eu acho que voc� e eu fazemos a mesma coisa,
tentamos fazer as pessoas felizes.
Voc� leva alguns anos e eu algumas horas, mas � o mesmo.
O bife de alcatra.
Eu vou.
- Desculpe pessoal. - Est� tudo bem.
Este jogo est� me deixando nervoso.
Com licen�a, vou fumar.
- Est� fumando de novo? - Sim, sim.
Parei e engordei 10 quilos. Tenho que perd�-los.
Ah �? Nem se nota.
Espere, vou com voc�.
Porra. Olha s�.
Est� ficando vermelha mesmo.
� t�o estranho o eclipse lunar coincidir com o perigeu, n�o �?
O que?
O perigeu. Quando a lua est� mais pr�xima da Terra.
Dizem que n�o vai acontecer novamente at� 2033.
Os Maias acreditavam que era sinal de algo terr�vel.
Terr�vel como o que?
Destr�i o tempo,
perturba, acontecem coisas que n�o deveriam acontecer.
Sabia que todos eles sumiram de repente?
Os Maias?
Durante um "eclipse de sangue" como este.
Alguns acham que eles ainda existem, mas em uma realidade paralela.
Como voc� sabe tanto sobre isso?
Li na internet, estamos estudando em Ci�ncias.
- Na sua empresa? - N�o, no colegial.
Meu filho Javi tem que apresentar um projeto na segunda-feira.
Passei a tarde toda no eclipse. Ou�a, eu preciso de uma m�o.
Com o projeto do Javi?
� outra coisa.
Como eu explicaria?
Eu tenho uma amiga.
Uma amiga.
� uma coisa boba.
- Que amiga? - Uma amiga, idiota.
Uma amiga.
E todas as noites, por volta das 10, ela me manda...
Uma mensagem de boa noite.
Uma foto.
- Uma foto... Que foto? - Porra! Uma foto dela.
- Porra, Anto�ito, que problema. - Sim, Pepe, sim.
Porra...
- O que quer que eu fa�a? - Tudo bem, Pepe...
N�s temos o mesmo telefone
e estamos sentados um ao lado do outro.
N�s trocamos de telefone.
Voc� pega o meu. Quem vai perceber?
Certo.
S� quando a foto chegar, ent�o eu devolvo, e pronto.
Pronto? Ent�o a foto vem para mim.
- Por que se importa? Voc� est� solteiro. - N�o mais.
Seu idiota, pode dizer que � Luc�a.
Ningu�m aqui a conhece.
- E quando eu a apresentar? - Bem, isso...
...isso n�o vai acabar bem.
Porra, Pepe. Porra!
Eu tropecei.
Uma coisa que te pe�o, s� uma coisa.
N�o deveria pensar nisso antes de jogar este jogo de merda?
Eu disse n�o mil vezes.
O que mais eu poderia fazer? Ana surtaria se me queixasse mais.
N�o me envolva, n�o estou afim. Isso � com voc�s dois.
Pepe... Pepe. Pepe!
Ana me deixaria. Ela me deixaria!
Voc� n�o entende? "Eu n�o estou afim".
Ent�o, n�s destru�mos uma fam�lia?
Quer que tirem meus filhos como Diego?
- Que tipo de foto? - Nada, uma foto dela.
O que, nua? Mostrando tudo? Sacanagem?
N�o, apenas fotos dela.
- Mas estranhas? - Estranhas?
N�o sei do que gosta. Amarrada? Roupas de borracha?
Sadomasoquistas? N�o, s�o selfies.
Selfies...
Selfies, isso � tudo.
- Isso est� me arrepiando. - Pepe, Pepe, Pepe.
Olhe, ontem por exemplo,
ela me enviou uma foto de pijama.
Um pijama do Pluto. Isso � estranho?
- Pluto? - Do Pluto.
Qual a idade dela?
� mais velha do que parece.
Anto�ito...
Quer ajuda?
Mudou seu cabelo.
- Antonio nem percebeu. - Bem, foi pouquinho.
Se eu cortar minha cabe�a, ele tamb�m n�o notaria.
Se eu n�o disser, vou explodir. Seu marido faz sim terapia.
O que?
Um psic�logo em uma cl�nica ao lado do escrit�rio de Antonio.
De quem s�o todas essas mensagens?
Jorge, do futebol de sal�o.
� o jogo.
Sim, futebol.
V�o jogar amanh�?
- N�o chegou nada pra mim. - N�o chegou?
�s vezes leva tempo.
Qual operadora voc� tem? O sinal � ruim aqui.
Deixe eu ver...
- Me exclu�ram do grupo? - N�o, Jorge est� organizando.
- Sabe como ele �. - Como ele �?
- Distra�do. - Tudo bem, venha assim mesmo.
Claro, vamos fazer substitui��es.
Claro.
Seus filhos da puta, s� me chamam quando querem um goleiro.
Seus amigos da on�a.
Olhe, bife de alcatra! Que del�cia, n�o �?
Mensagem, mensagem... Vamos ver...
- De Lola. - D� aqui.
"Me ligue, � urgente".
Quem � essa Lola que precisa de voc� com tanta urg�ncia?
Um nome promissor.
Me desculpe caras,
mas Lola � a garota da central no Radio Taxi.
Sempre me perguntei como eles falam em casa.
Talvez: "Cinco minutos na cama, querida".
"Cama de casal, mesa de cabeceira,
nas proximidades do banheiro".
Eu n�o sei como est� o sal.
- Est� um pouco insosso. - Exagere e n�o pode consertar.
- Parece fant�stico. - N�o, n�o, desculpe.
Ligue para ela, vamos ver o que esta Lola quer.
Sem liga��es de trabalho.
Vai ser uma mudan�a de turno, uma emerg�ncia...
Olha ela defendendo o maridinho.
Se v� mesmo que s�o rec�m-casados.
Amor, defenda-se sozinho. Vamos, ligue para ela.
N�o, s�rio. Se eu ligar, pego uma substitui��o.
N�o, desculpe, as regras s�o para todos, ent�o ligue para ela.
Quer estragar nosso jantar e o domingo amanh�?
- Almo�o com os pais dela. - Que plano. Ligue pra ela!
Idiota!
- Mensagem! - Outro!
- Vamos ver... - Para Pepe.
"120, v�! Passos duplos". O que � isso?
� um aplicativo de treinamento. N�o vou demorar.
Perde de 8 a 12 quilos em 12 semanas. � uma coisa certa.
- Tem que fazer isso agora? - Sempre que ligarem.
- Mas estamos jantando! - Eu sei.
Como consigo emprego na educa��o f�sica desse jeito?
Venha e sente-se.
N�o, ele est� certo, deixe-o malhar.
Eles ligam � noite tamb�m?
Se eu n�o fizer isso, me d� mais exerc�cios
ou me liga �s 2 da manh�. N�o olhem para mim.
E quanto a lipoaspira��o?
N�o precisa de peitos, ele j� tem os dele.
- Merda! - Porra!
N�o, n�o!
- N�o! - Ana... Ana...
A saia tamb�m.
Minha camisa favorita.
Eu sinto muito.
Minha camisa.
- Coloque vinho branco nela. - N�o, �gua gelada. N�o se preocupe.
- Vamos para a cozinha. - Vinho branco em cima do tinto...
- N�o se preocupe. - Vinho branco faz desaparecer.
Ou o sal pode absorv�-lo.
Porra, Alfonso.
- Eu sinto muito. - Relaxe.
Eu sinto muito.
Ana, realmente...
...50. Um treino leve e estou sem f�lego.
Olha uma mensagem!
- Vamos ver... - O que � isso?
"Domingo 6. Lembre: Iva amanha".
Quem � Iva?
� a taxa do IVA, querida. Eu pago amanh�.
Ah, droga!
Por que voc� n�o me contou?
- O que? - Que est� fazendo terapia.
Porra... eu comecei h� pouco tempo.
- Quanto? - Seis meses.
- Seis meses � pouco? - N�o fique brava.
N�o fico, mas voc� nunca quis terapia.
- Agora sim. - Por que?
Ainda acho que n�o � bom, mas me sinto t�o mal,
qualquer coisa ajuda, mesmo que seja absurda.
Obrigada, querido, tamb�m te amo.
Eva, voc� insistiu em terapia de casal,
mas acho que � melhor separadamente, por isso n�o te contei.
N�o, isso se faz a dois.
Mas n�o dois especialistas e um idiota.
Tudo � confronta��o pra voc�?
Acha que � uma partida de t�nis?
Ent�o convide seus amigos e vamos jogar duplas.
Voc� est� certa, transformo tudo em uma confronta��o.
Eu estou certa? Uau! Fant�stico!
Sempre quero estar por cima, j� que tenho um complexo.
- E ter a �ltima palavra. - � o que meu psic�logo diz...
Tenho que aprender a ceder.
E ele diz que
os casais que enfrentam a tempestade
s�o aqueles em que um deles faz o esfor�o
para dar um passo atr�s.
Ent�o o casal est� dando um passo � frente.
- Ele diz isso? - Ele diz.
Ent�o para dar um passo � frente
voc� tem que ir para tr�s.
N�o ria, ele � um dos seus.
Mude sua camisa.
Eu n�o vou mudar minha camisa.
- E uma foto para o Pepe! - O �nico que pode relaxar.
- � a Isabel. - Cuidado, n�o � a Luc�a.
- Mostre a gente, Pepe. - Puta que pariu.
- O que � isso? - O que � isso?
- O que � isso? - Me d� isso.
Alfonso, venha e veja isso.
- Pepe, meu chapa! - Eu n�o sei.
- "Querido... " Quem �? - De quem � isso?
Do Pepe.
- Est� estudando anatomia? - Ginecologia, isso sim.
- O que � isso? - N�o � para voc�s.
- Me d� isto! - Eu tamb�m quero ver.
Essa porcaria � sexy para voc�?
O que � isso? As pernas dela est�o...
Ela est� de cabe�a para baixo ou o qu�?
- Suas peguetes me surpreendem. - Ela n�o � uma peguete.
Eu a conheci na academia.
- E ela est� fazendo pilates. - Ou algum ritual sat�nico.
- Antonio, cale a boca. - Compensando o tempo perdido.
Um ano sem transar,
agora uma namorada, mais uma contorcionista!
N�o � nada, ela � meio louca.
Deixei meu l�pis cair! Deixei meu l�pis cair!
O que � isso na bunda dela?
- O que � isso? - Sim, � um p�nis.
Que tipo de p�nis voc� viu? � uma cobra.
Uma cobra com uma ma�� na boca.
� uma tatuagem b�blica t�pica.
O que acha, professor?
Acho, querido amigo, que est�o rifando um cacete
e algu�m tem todas as cartelas.
- Cuidado com o telefone. - N�o encha o saco.
Ela � nojenta!
- Mensagem! - Qual o problema?
Mensagem.
- Voc� est� bravo? - � o seu.
Meu?
Sim, seu, seu.
Que toque � esse?
As crian�as devem ter posto.
� o Borja.
O que ele disse?
"Como voc� est�?"
Quem � Borja?
- Um cara do escrit�rio. - N�o me � familiar.
Voc� estava de licen�a maternidade
quando ele entrou. Um �timo cara.
- N�o vai respond�-lo? - N�o. Por que?
Ele escreveu para voc�.
Claro, escreva: "Estou bem, estou em casa".
- Ele n�o est� em casa. - Est� certo.
Diga: "Jantando com amigos. Te ligo amanh�".
Claro, tudo bem.
- N�o, n�o est� bem. - N�o?
N�o. Por que ele tem que dizer onde est�?
Sim, por que tenho que dizer onde estou?
N�o h� mais intimidade, nem privacidade.
Antes as pessoas perguntavam "Como voc� est�?".
Agora � "Onde voc� est�?". � insuport�vel.
Ok, mas ele perguntou "Como voc� est�?".
Isso � importante, droga!
Por que devo estar dispon�vel para todos o tempo todo?
Eu te ligo quando tiver vontade!
Costum�vamos ter dez, vinte contatos no m�ximo.
Agora, com a merda dos telefones, n�s temos 100.
E se n�o ligarmos em 5 minutos, eles ficam irritados.
E eles te avistam quando est� online.
Todo mundo sabe onde voc� est� o tempo todo.
Sua m�e, sua garota, o banco, todos, especialmente � noite.
"Por que estava online �s 5 da manh�?"
"Por que diabos se importa a que horas estou online. Porra!"
N�s n�o podemos continuar assim! J� chega!
Ok, n�o vou responder.
Boa! N�o responda.
Al�m disso, Borja � um chato.
Voc� tem um e-mail.
- De quem �? - Ele parece borrado de medo.
Leia-o. Leia em voz alta.
"Fenix Viagens... "
A ag�ncia.
Espere, isso vai impressionar voc�s. Escutem...
Por favor, leia e-mail.
N�o encontrado "leiamail" entre seus contatos.
� sua pron�ncia, fale claramente.
- Mensagem para Ana. - N�o, n�o, n�o!
- De quem �? - Espere um momento.
Vamos terminar Alfonso primeiro, depois vamos para Ana.
Por favor, leia... o... e-mail.
Voc� tem um novo e-mail da Fenix Viagens �s 22:33h.
Assunto: estadia em Teruel.
Caro Sr. Ruiz, lamentamos dizer que ap�s uma pesquisa exaustiva,
n�o encontramos nada abaixo de 100 euros por noite
devido � alta temporada.
Podemos encontrar vagas aumentando o pre�o. At� logo.
Mas estamos sem dinheiro.
Eu n�o posso te ajudar com isso.
Uma quest�o... Por que um limite de dinheiro?
Eu pedi uma cota��o.
Mas quem decidiu que n�o pod�amos pagar mais de 100 por quarto?
Como as coisas est�o, n�o podemos jogar dinheiro fora.
- Como as coisas est�o para quem? - Um pouco para todos.
100 � muito para voc�? N�o me sacaneie!
- N�o � isso, Eduardo. - Se eu disser que vou, posso pagar.
Caso contr�rio, n�o irei. Mas decide as coisas sem mim,
em uma merda de grupo no WhatsApp.
Como o futebol. Qual � o grupo? "Todos menos Edu"?
- "Vamos salvar o Edu"? - "Edu � um p� no saco".
Se voc� quiser, ligo para a ag�ncia e digo "Open bar,
- su�tes para todos, piscina, jacuzzi..." - Est� bem, est� bem.
Eu pedi um or�amento mais apertado
porque, se voc� se lembra, estou desempregado.
- Voc� disse que n�o ia. - Mudei de ideia. Tudo bem?
Ent�o voc� est� neste grupinho?
Sim, do futebol n�o, neste sim.
- "Porque ele tem uma namorada... " - Exatamente.
Deveria trazer Isabel a contorcionista junto.
Eu vou bater em voc�.
Vamos ver a mensagem para Ana.
Pare de tocar nos telefones, porra.
"N�mero desconhecido"
Vamos ver...
"Cara Sra. Garc�a,
informamos que uma vaga acaba de ficar dispon�vel.
Se responder esta mensagem nas pr�ximas 24 horas,
ter� um desconto de 15%." Isso � �timo.
"N�o hesite em nos contatar para qualquer informa��o adicional.
Obrigado por nos escolher.
Resid�ncia da Terceira Idade Los Alamos...
Que lugar � este, Los Alamos?
- Um asilo? - N�o. Uma resid�ncia.
Outro dia fui com Mar�a,
a garota com g�meos, visitar a m�e dela.
N�s vimos o lugar e � muito legal.
Dei meu e-mail para mais informa��es, e nada mais.
Para quem � o asilo? Minha m�e?
N�o � um asilo, � mais como um hotel de luxo.
O caf� da manh� � incr�vel.
Ovos, bacon, salsichas, sucos...
N�o acha que seria bom me dizer?
Oh, certo, aconteceu.
Olha, eu nem sequer salvei o n�mero.
Isso � demais. Voc� quer expuls�-la?
N�o, Antonio! N�o fique t�o irritado!
Eu n�o quero expulsar ningu�m.
A pobre no estado que est�,
mas faz qualquer coisa por n�s,
ela cuida das crian�as, da casa, tudo.
- Esse � o problema. - Que problema?
Estou sufocada.
Desde que ela mora com a gente eu estou sufocada.
Ela escolhe tudo. Tudo! O que assistimos na TV, o caf�...
E ela est� sempre por perto.
H� quanto tempo n�o ficamos sozinhos?
- Agora. - S� voc� e eu.
Estamos sozinhos agora porque neste instante
minha m�e est� cuidando das crian�as.
Eu n�o vou entrar nisso.
- � melhor. - Eu n�o vou entrar nisso.
Desculpa.
Conversamos em casa.
N�o, em casa n�o porque sua m�e est� l�!
Eu realmente gosto da minha sogra.
Mas se ela tivesse que morar com a gente...
- Minha m�e? - Sim.
- Eu a expulsaria antes de voc�. - Viu?
� verdade.
Que horas s�o? O eclipse!
- N�s esquecemos disso. - Ent�o vamos!
Vamos.
� maravilhoso.
- Lua de sangue. - Maior que nunca.
Porra, � enorme.
Como um sonho.
Ou um pesadelo.
Os Maias devem estar surtando.
Que idiota, Pepe. N�o acredita em nada?
Em que devo acreditar?
Todas as culturas alertam para o perigo
de um eclipse como este.
Vamos tirar uma foto! Vou pegar meu celular.
Essa obsess�o fotogr�fica, n�o suporto isso.
- N�o deveria trocar sua camisa? - N�o tiro minha camisa!
- Vamos, uma selfie! - Pegando a lua.
Todos juntos.
- Vamos. - Sorria.
Vamos!
Outra, outra.
Sorria!
� isso a�.
- N�s n�o sa�mos. - Voc� apertou o bot�o errado.
N�o tem foco, use o flash.
N�o, n�s n�o sa�mos. N�o estamos na foto.
- Deixe-me ver... - A lua est� aqui e n�o estamos nela.
Voc� tirou a foto sem querer antes de entrarmos.
- N�o apertou o bot�o. - Eu n�o sou idiota, ok?
- Sei tirar uma foto. - Vamos tirar outra.
- Outra. - Vamos, outra.
Vai.
- Pepe... - Deixe-me em paz, Antonio.
- Para tr�s. - Prontos?
- Sim. - Sim.
"Mensagem de Gordi".
- Quem � Gordi? - Sergio, meu ex.
N�s n�o estamos na foto.
Esque�a as fotos. O que seu ex quer no s�bado a noite?
- Eu n�o sei. - O que voc� acha?
N�o entendo porque continua na agenda como "Gordi".
- � de quando sa�amos. - Ent�o mude.
- OK. - � t�o dif�cil?
Deve ser nome e sobrenome. N�o � mais seu "Gordi".
- OK. - Ele � o ex dela.
- Exatamente. - Isso te incomoda?
N�o confie em ex. Como os japoneses, nunca desistem.
- Suma daqui um pouquinho. - Como os Maias.
Aposto que ele � um cara legal,
est� sozinho em algum bar, entediado,
- e sentiu vontade de ligar. - Posso?
Claro.
O que est� achando?
"Eu...
O que ele diz?
"Eu estou com vontade de transar".
- Talvez seja a autocorre��o. - V� tomar no cu!
N�o, n�o, amor. N�o � a autocorre��o.
- Pode explicar por que est� rindo? - Sim, eu posso.
Ent�o explique!
Sergio est� numa rela��o.
Uma rela��o s� de sexo, ok?
Mas � mentira, ele est� apaixonado como uma cadela.
� por isso que ele ligou para a veterin�ria.
Sou a conselheira sentimental do meu ex. Por isso me liga.
- O que diabos est� dizendo? - N�o acredita em mim?
- N�o, n�o acredito. - Desculpe, parece um pouco improvisado.
N�o, parece terr�vel.
Ok, vamos fazer uma coisa... Vamos l�.
Vamos, vamos.
Ele vai explicar para voc�.
Ou�a.
- Blanca? - Sim.
Ainda bem. Estou ferrado. O que eu fa�o?
- Ela ligou para voc�, certo? - Ela me ligou.
Ok, e?
- Ela me pediu para ir � casa dela. - E voc� n�o vai.
Eu n�o deveria ir, mas eu realmente quero.
Certo, Gordi... Sergio...
- Aja como se n�o quisesse. - Blanca, eu n�o posso.
N�o consigo parar de pensar nela, ela est� me deixando louco.
- Eu me sinto mal. - Se for, vai ser pior como sempre.
Ok, obrigado. Eu sei, � uma grande ajuda.
N�o pode ligar sempre que voc� quiser.
- Ent�o, voc� entendeu direito? - Sim, tudo bem.
OK. Tchau. N�o v� para a casa dela.
N�o. Relaxe.
Viu?
Com que frequ�ncia conversam?
N�o sei, quando sente vontade de tran...
Quando ele est� em crise, me liga, o coitado.
- Coitado? - D� a ele o n�mero de Eva,
ela � psic�loga.
- Ou pode pegar uma prostituta. - Amor...
Est� frio, vamos entrar.
Tiramos a mesa?
Sim, a sobremesa � a pr�xima. Hora do tiramisu.
Se te incomoda, pe�o a ele para n�o ligar.
- Ok, diga isso a ele. - Certo, tudo bem.
Mas � seu amigo, certo? Por que n�o falar com ele?
E � �timo que tenha essa rela��o.
- S� tem que confiar nela. - Eu confio nela,
mas essas liga��es sobre transar me incomodam.
� t�o estranho assim?
Gordi � aquele com a casa em Teruel?
Merda, � por isso que Blanca era t�o louca por trufas.
- � verdade? Tem uma casa em Teruel? - N�o seja bobo.
- O que foi? - Deixe os telefones em paz.
Desculpe, estou acostumado a t�-lo na minha m�o.
Aten��o. Nova regra: N�o pegar os telefones.
- De quem � esse? - Alfonso.
Puta merda.
Ol�, docinho.
Oi pai. Voc� pode falar?
Papai...
� urgente?
�... n�o sei como te contar, mas...
os pais de Nacho sa�ram neste fim de semana
e ele me pediu para ficar com ele.
Quero dizer... dormir com ele.
OK. O que voc� quer fazer?
Eu? N�o sei.
Eu estou afim, mas n�o � o que eu esperava.
Bem, eu quero, mas n�o esta noite.
Se eu disser n�o, ele vai se sentir mal.
Est� convencido disso.
- O que eu fa�o, pai? - Voc� n�o vai dormir com ele
porque ele vai se sentir mal se n�o fizer, isso n�o � motivo.
Voc� faz quando quiser.
Certo.
A primeira vez � uma lembran�a que te acompanhar� a vida toda,
n�o � algo para contar aos seus amigos.
Se acha que sempre lembrar� desta noite com um sorriso,
v� em frente, fa�a isso.
Mas se n�o tem certeza,
se n�o estiver pronta, espere.
Voc� tem muito tempo.
Sabe o que mais?
O que?
N�o, nada.
N�o, me diga, querida. Conte-me.
Fiquei t�o envergonhada hoje
quando me deu aqueles preservativos,
eu queria que o ch�o me engolisse.
Ou�a, n�o te dei eles para usar exatamente hoje.
� como se voc� soubesse o que ia acontecer.
Se eu for � casa do Nacho,
diga � mam�e que estou com Susana, ok?
Por que voc� n�o diz?
- Contar o que? - A verdade.
Est� de brincadeira?
Voc� tem que conversar com ela, faz tempo que digo.
Ela s� fica brava comigo. Nunca ouve.
Tem que ter o tempo certo com sua m�e. Voc� sabe disso.
Tem que ter paci�ncia.
Muita paci�ncia, pai.
Vale a pena, eu lhe asseguro.
� t�o apaixonado por ela, que n�o v� o quanto � chata.
Ei, cuidado!
Bem, j� vou. Muito obrigada, pai.
Espero que tudo corra bem.
Ok.
Um beijo.
Tchau, querida.
Tchau.
Voc� foi muito bem.
Muito bem, pode dizer que a terapia est� funcionando.
- Contou para todo mundo? - Apenas para a Ana.
Eu s� disse a Blanca.
Eduardo me falou.
- Bem, um pouco mais de tiramisu? - Sim.
- Seu bando de filhos da puta. - N�o mais.
- Muito bom. - Est� delicioso.
Quem quer mais um pouco?
Metade, se n�o se importa.
Voc� n�o, engorda.
- Est� muito bom. - Vamos l�, � uma festa.
Podem falar, n�? Mais?
Minha m�e fez.
- Mesmo? - S� para saberem.
- Mensagem. - Borja novamente.
Ele � um chato, o coitado.
Apenas responda.
Sim. Bem...
Estou jantando... com alguns amigos.
Conversaremos amanh�.
Vamos ver se ele entende.
"Cretino", ele disse. O que est� falando? � um idiota?
Este Borja est� com muitas liberdades.
Um idiota.
Veja o que ele quer. Atenda.
- Atenda. - Sim. Tudo bem.
Sim?
Muito bem... O que h� com essa voz?
Voc� n�o me engana.
N�o estava doente? N�o estava gripado?
Por que voc� saiu? Por que n�o me contou?
N�o responde? Claro, n�o sabe o que dizer.
Seu problema � que n�o sabe o que quer da vida.
� o que acontece. Adultos tomam decis�es, entende?
N�o voc�! Voc� finge que est� doente
e ent�o sai com seus amigos.
Coloque a cabe�a no lugar de uma vez.
Pergunte a si mesmo se gosta de homens ou mulheres!
Ei, est� me ouvindo?
Olha, foda-se!
Bem...
Vou explicar isso pouco a pouco,
n�o quero que o de sempre aconte�a.
Esse �... o Borja.
Ele senta ao meu lado no escrit�rio todos os dias,
dia ap�s dia ap�s dia.
E claro, n�s conversamos. Esse tipo de coisas.
Eu n�o dei motivo a ele, ele � assim.
Ele � assim, � gay.
Borja � gay.
E claro, por isso,
o coitado est� obcecado por mim.
� s� isso.
N�o fiquem quietos como um monte de idiotas.
Amor, diga alguma coisa.
Eduardo, n�o � t�o estranho. Diga a ela.
Sim, sim...
Algu�m que trabalha com ele...
� gay.
Ele � gay, viu? � o que ele �.
Voc�s tiveram um relacionamento?
Ficaram loucos ou o qu�?
Voc� teve algo com ele?
O que? Como eu poderia?
Ele se apaixonou por mim,
ele � louco, me segue por a�.
N�o sei se j� percebeu isso, mas...
os gays acham que todo mundo � veado.
Agora, al�m de colocar peitos, � cientista, certo?
Freud, a porra de Freud.
- Sabem o que eu quero dizer. - � assim que �.
Alfonso est� certo.
Quero saber se voc�s dois tiveram alguma coisa.
Est� obcecada. N�o! Ficou maluca?
Querida, olhe para mim.
Estamos juntos h� 15 anos, n�s temos dois filhos.
Voc� deveria me conhecer.
Talvez eu n�o te conhe�a bem o suficiente.
N�o me venha com essa!
Sou eu, ok? Sou normal.
Como posso ser um desses...?
N�o h� nada de mau nisso. Todo mundo sabe o que faz.
Simplesmente tenho outros gostos, gosto de mulheres.
E nem todas as mulheres, apenas uma.
Minha esposa, especificamente.
Ana, como eu te digo? Entre mim e esse...
Borja...
Entre Borja e eu n�o h� nada, merda!
� o Borja.
Puta que pariu!
O que ele disse?
Ele disse... sim... n�o, ele disse...
especificamente...
ele disse...
"Sinto falta dos seus beijos".
Ana... Ana, j� chega. Por favor.
Antonio, Antonio...
Voc� � um veado?
Est� bem. Est� tudo bem.
Tente olhar pelo lado positivo.
Vai me passar o vinho?
- Me passe o vinho! - Ok, tudo bem.
Est� tudo bem.
Estou feliz. Te digo, estou feliz. Valente.
Pare com isso. A piada acabou.
Ele � um veado!
Merda! Me solta!
Ana, j� chega.
Pode me dizer a porra do lado positivo de tudo isso?
Primeiro, n�o h� outra mulher.
Segundo, ele n�o est� questionando seu relacionamento com voc�.
Est� apenas se questionando.
O problema, Blanca querida,
� que um tal Borja sente falta dos beijos do meu marido.
Entende?
Puta merda...
Toda essa merda � por causa desse maldito jogo.
- � f�cil de explicar. - Sim, vamos explicar.
H� uma explica��o. Entende...
Voc� n�o precisa explicar.
- Tem uma coisa... - E esse tom de voz?
Nada. Estou bem. Voc� est� bem?
- Claro que estou. - Ent�o estamos todos bem.
Deixe ele falar.
Ficou calado por 20 anos, � normal ser um pouco dif�cil.
H� uma explica��o. Por favor escutem.
H� algo que n�o entendo.
Est� bravo porque sou um veado ou porque n�o te contei?
Estou bravo porque depois de 20 anos
n�o tenho a m�nima ideia de quem voc� �.
Voc� n�o sabe quem ele �?
Ele � Antonio, seu amigo Antonio, o de sempre.
Ele n�o mudou.
Contou tudo a ele, compartilhou tudo com ele.
Eu compartilhei tudo, ele n�o!
Ignorou um pequeno detalhe que deveria ter me contado.
Eu deveria? Por que?
Por que? Dormimos juntos, de conchinha,
tomamos banho juntos.
Se eu tenho um amigo gay, quero saber.
A� decido se me importo, mas eu quero saber!
"Decido se me importo".
Est� se ouvindo? Percebe o que est� dizendo?
Percebe o que voc� n�o disse?
Qual o maldito problema aqui?
Ele pode dizer o que quiser. Se quiser ficar calado, que fique.
Se estiver tudo bem com todos, ent�o me calo.
Sou o estranho, fim da hist�ria.
Por que algu�m � "estranho" ou n�o?
Vamos deix�-lo em paz. Algu�m quer um gin t�nico?
H� quanto tempo est� com ele?
Porra, isso nunca vai acabar.
Ana, por favor, n�o percebe que tudo isso � absurdo?
H� meses n�o me toca.
Eu tinha certeza que tinha uma amante,
alguma puta como a de Pepe.
- Sem ofensa. - Tudo bem.
Pelo menos isso faria sentido, explica muitas coisas...
Que coisas, Ana?
- Isso � demais, Ana... - Cale-se!
Estou farta de voc�s se defenderem.
Eu quero que ele fale.
H� quanto tempo est� com o Borja?
Vai me dizer?
H� pouco tempo.
E quantos?
Quantos o que?
Quantos "desses" foram antes dele?
- Nenhum. - Ana, Borja � o �nico.
V� tomar no cu, seu palha�o!
Ana, j� chega!
J� chega. J� fez cena suficiente.
Vamos, vamos discutir sobre isso em casa.
Sim, na frente das crian�as.
Colocamos um ao lado do outro e diremos:
"Papai tem algo muito instrutivo para dizer".
Que maldita prova��o!
"Mas n�o diga ao professor que papai gosta de rapazes,
ou ele n�o poder� peg�-lo na escola novamente".
- Porra, isso � pesado. - Ana, ser gay � uma coisa,
um pederasta � outra coisa.
Deixa pra l�. Gay, pederasta, comunista,
jihadista, Trekkie... O que mais eu sou?
Posso dizer uma coisa, por favor?
Agora n�o. Agora cale a boca.
Eduardo.
Atenda.
Oi, Mario.
Merda, voc� n�o me ligou?
Desculpe, estive ocupado.
Ela gostou do anel?
Muito.
Coube nela? Ei, n�o tem problema,
pode vir e vamos ajust�-lo, n�o importa.
N�o, caiu "como uma luva".
Ou�a, agora n�o � um bom momento.
Com certeza se preocupou muito sobre o anel.
Viu como foi melhor me ouvir?
Verdade. Vou desligar agora...
E os brincos? Ela gostou deles?
Edu?
Cara...
Sim, sim, sim...
N�o parece convencido.
At� logo.
Edu...
Eu nunca uso brincos.
Na verdade, minhas orelhas n�o s�o furadas.
Quem gostou dos brincos?
J� chega desse maldito jogo!
V� o que acontece? As coisas ficam distorcidas.
Casais s�o separados.
Vamos l�, n�?
� muito tarde. Que horas s�o?
Por que n�o atende?
� a Lola.
Ent�o atenda a liga��o de Lola!
Mas vai ser sobre o meu turno.
Atenda.
Blanca...
Blanca! O que est� fazendo?
Blanca, por favor, me d� o telefone.
Me d� a porra do telefone, por favor.
O que est� fazendo?
- Me d� o telefone. - Eduardo, me desculpe, sou hist�rica.
Comprei um teste na farm�cia e n�o estou entendendo.
O que significa uma linha vermelha?
Acho que � positivo, mas positivo para que?
- Eu n�o entendo. - N�o... Blanca!
Blanca.
Blanca.
Blanca.
Abra a porta, Blanca!
V� embora!
Que filho da puta.
Escute-me!
Blanca, por favor, deixe-me explicar!
Vai me deixar falar?
De verdade, n�o foi nada. Abra, por favor.
Blanca! Blanquinha!
Blanca! Merda!
Cale-se!
Foi uma noite, foi est�pido, est�vamos b�bados...
Eu juro por Deus...
O que voc� est� fazendo?
Existe alguma hora do dia
em que n�o est� com seu pau enfiado em algum lugar?
Por que? Transamos todos os dias, at� v�rias vezes,
e estamos muito felizes. Por que?!
Por que?
Acabamos de nos casar, eu n�o entendo.
Blanca... saia da�.
N�o fa�a um grande drama por isso.
Tente olhar pelo lado positivo.
Porco!
Blanca.
Eu n�o mere�o isso.
N�o seja melodram�tica.
Desgra�ado, filho da puta.
Vai fazer uma cena agora?
N�o � t�o s�rio.
Est� bem?
Tem algo para me dizer?
Nada.
Blanca...
Um cara aqui quer saber se voc� tirou sua calcinha.
N�o est� usando?
Colocou sua calcinha?
Quem diabos � Hugo?
Ningu�m.
Ah n�o? Aqui diz "Hugo".
� um jogo, uma bobagem.
Desde quando voc� joga esta bobagem?
N�o � nada, n�o o conhe�o.
"N�o o conhe�o", ela diz.
Nunca o vi, s� nos escrevemos.
Ana, n�o me irrite.
- Eu juro, � apenas virtual. - Virtual? Porra!
Come�ou como brincadeira, conversando.
Sim? Ent�o vamos brincar e ligar para ele.
- N�o. Vamos para casa. - Que casa?
Que casa?
Eu nunca ouvi a voz dele.
� casado tamb�m. O que eu devo dizer a ele?
N�o... n�o, n�o, n�o. Por favor, n�o.
Estou te implorando.
Al�?
Ana?
Ol�, Hugo.
Ol�, Ana. Que surpresa.
Eu queria falar com voc�.
Obrigado.
E eu gostaria de te ver.
Mas voc� disse que n�o.
Mudei de ideia.
Podemos nos encontrar. Eu tamb�m gostaria, sabe disso.
Bem, tenho que ir agora.
Ana? Ana?
Diga.
Voc� tem uma voz bonita, diferente do que eu imaginava.
Adeus, Hugo.
� bonita, eu gostei.
Eu gostei muito.
E dessa voz gosta, idiota?
Pronto. Nunca mais ligar� de volta.
Isso muda as coisas?
Que diferen�a faz se transam pelo telefone ou pessoalmente?
Desculpe dizer, mas voc� n�o � ningu�m para dar um serm�o.
Al�m disso, n�o transei com ningu�m.
Voc� � uma porca, Ana.
Uma porca e uma covarde.
Fodendo no telefone.
O �nico problema � perder o sinal antes de gozar, certo?
O pr�ximo eu transo em um hotel, valente, como voc�.
Pelo menos algu�m tira sua calcinha.
Estou indo embora.
Sim, v�. � a coisa certa.
Diga �s crian�as sobre isso, v�o pensar que � brilhante.
V� tomar no cu! N�o, desculpe, voc� ama isso.
- Espere um momento. - Solte!
- Est� usando? - O que est� fazendo?
Me solta!
N�o disse que era virtual?
- Por que se importa? - N�o!
- Antonio, pare. - Deixe-me ver.
- N�o! - Deixe-me ver.
- N�o! - Antonio...
- Deixe-a em paz! - Me solta!
Quero ver se ela est� de calcinha! Acho que tenho direito!
Antonio, por favor!
- Deixe-me ver! - J� chega, Antonio!
Onde voc� vai?
- Deixe-me ver. - N�o!
Voc� � uma porca que n�o usa calcinha?
Saia! Saia!
Porca!
J� chega!
O que voc� tem? Ficou maluco?
Antonio, toque em sua esposa de novo...
e vou arrancar sua cabe�a.
Feliz?
O que h� com voc�?
Uma coisa...
S� para voc�s saberem. Eu sou o veado.
Pegue seu maldito telefone.
O que?
N�o ouviram?
Voc� � um idiota.
Um idiota, n�o, um veado.
Sim.
Eu disse certo? Veado.
Porque voc�s dizem isso alto e claro.
Trocaram de telefone? Para que?
Pergunte a ele.
A contorcionista?
N�o ria.
Olha, fui gay por um momento, e j� basta para mim.
Uma porcaria. Me deixaram louco, desgra�ados.
Todos voc�s: "Veado! Veado!" A coisa da conchinha...
- Qual o problema? - Qual o problema?!
Se eu fosse gay, eu quem levaria na bunda?
Voc� n�o � meu tipo, rapaz.
E voc� tamb�m...
"Eu n�o sou gay, sou normal".
O que? Eu n�o sou normal?
Pepe... Ou�a, me desculpe.
Essa conversa � um saco. � antiga e amarga.
H� casamento gay agora, inclusive ado��o.
Choramingando todo dia!
Por que acha que me expulsaram da escola?
Por engordar 10 quilos?
Desgra�ados.
Porque pensam como voc�, Eduardo.
Veados n�o podem ir a uma academia sem apalpar o traseiro de algu�m.
Se foi isso, Pepe, podemos lev�-los ao tribunal.
Sim, para o tribunal...
Eu nem sequer tenho coragem de dizer aos meus amigos
e vou dizer no tribunal para minha m�e ver.
Agora pode nos apresentar para este Borja, certo?
N�o, de jeito nenhum.
N�s n�o somos ruins, somos?
N�o, voc�s n�o s�o ruins.
S�o idiotas, mas n�o s�o ruins.
Eu n�o me importo com suas piadinhas,
mas elas podem machuc�-lo de verdade
e n�o quero que ele se sinta mal. Sabem por que?
Porque estou apaixonado por ele.
Porra, isso soa intenso. Algum u�sque por a�?
Ela foi embora em um t�xi.
Tentei falar com ela mas n�o houve jeito.
De jeito nenhum. Ela recusou, n�o havia como.
Que noite de merda.
Se ao menos pud�ssemos voltar no tempo.
Talvez estivesse certa, querida.
Dever�amos ter jantado fora.
Sim.
O jogo foi �timo. N�o, s�rio.
Realmente colocou as coisas em ordem.
De qualquer forma, agrade�o a todos
por ficarem t�o quietos, pensando:
"Oh, pobre menina, ela n�o tem a menor ideia.
E n�s n�o damos a m�nima, ele � nosso amigo!"
Voc�s todos podem ir se foder!
Talvez deva ir tamb�m.
Se eu te ver de novo, vou te matar.
Vou dormir.
- Boa noite. - Boa noite.
Voc� est� bem?
Pensei que tinham ido embora. Que n�o estavam aqui.
N�o entendo nada.
- Como? - Se voc� quiser, podemos ir.
N�o pode ser.
N�o pode ser.
Vamos jogar esse jogo do celular.
Sim, antes de nos arrependermos.
Tem que ir para tr�s para dar um passo � frente, certo?
- Sirva-se com mais bife. - N�o, estou cheio.
- Eu quero, est� delicioso. - S� o molho tem muitas calorias.
Para queimar isso e sem o biodin�mico, ter� que correr por tr�s horas.
Tr�s horas de sua vida no lixo, como se nunca existisse.
Realmente vale a pena?
Ei, est� faltando um telefone.
Eva... Coloque o seu.
Coloque.
- Eu n�o posso. - N�o pode?
Agora ela n�o pode.
Estava t�o envolvida, agora diz que n�o pode.
Est� desistindo?
Se lembrou de algo bem desagrad�vel ali, foi?
Eu... derrubei da varanda.
- Voc� derrubou? - Na rua?
- Que coisa. Uma pena. - Nossa...
- Sem contatos, sem agenda... - N�o tem um backup?
Quando essas coisas acontecem, voc� nunca tem nada.
Toda essa coisa de nuvem, e ent�o nada.
Se eu perdesse meus contatos cometeria um hara-kiri.
Tudo bem. Compre outro com seus pontos acumulados.
Mas agora o que n�s jogamos?
Ah, acabou o jogo!
Tudo bem, n�o vamos jogar. Era todo mundo ou ningu�m.
- Estava claro desde o in�cio. - Ent�o n�o jogamos. Que pena.
- Sim. - Sim.
Minha filha tem o jogo Scattergories.
Aceitamos "polvo" como animal de estima��o?
Aceitamos "Pepe"?
Ei, n�o fique bravo e sem bater.
Um momento.
- Vou atender. Vou atender. - Sim!
- N�o! - Eu vou atender!
N�o, a partir de agora todos os telefones no modo avi�o.
Sem mais telefones. Vamos fazer um jantar tranquilo.
- Por mim tudo bem. - Quem era?
N�mero desconhecido.
- Querida, voc� est� bem? - Sim.
Rindo por causa daquela coisa do polvo.
Est� muito estranha. Est� mesmo bem?
Melhor do que nunca.
Eu me sinto �tima.
Deve ser o eclipse.
Sim, deve ser o eclipse.
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