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Original subtitles

- Vamos p�r m�sica �rabe. - Tenho uma ideia melhor, �rabe n�o.

- N�o! Por favor! Espera! - Porque n�o? � uma grande m�sica!

- Khader... - Vais ver, � fant�stica!

- O que tem de fant�stica? - Fabulosa.

V�s, muito bom!

Um brinde � festa!

Como � que � a play list do David?

Ouvi-a hoje em casa, � boa. Vamos dan�ar at� cair.

Quantos amigos ele vai trazer?

S� um, mas mais vir�o.

Quero saber quantos judeus israelitas v�o l� estar. Um quarto, metade?

Ir�o haver judeus israelitas, claro.

Mas que percentagem? 75 %? 50 %?

E isso que mal tem?

Est� tudo mal nisso.

Porqu�? Eles s�o de esquerda.

Se podem ir ao Anna Loulou porque n�o � nossa festa?

Porque � a nossa festa, e n�o o Anna Loulou.

Mesmo assim, eles gostam de festas e apoiam-nos.

Eles n�o v�m para nos rebaixar e dizer, "Viva a Ocupa��o!"

Eles v�m para "Nos salvar!"

Os nossos salvadores!

O BLOCO

Centro LGBT, Tel Aviv

Eu sou o Khader Abu Seif.

Tenho 25 anos. Sou de Jaffa.

Mudei-me para Tel Aviv quando tinha 18 anos, quando acabei os estudos.

Assumi a minha homossexualidade quando tinha 15 anos.

Quebrei um tabu quando lancei a minha coluna no Mako sobre gays �rabes.

Juntei-me � Uni�o LGBT e sou agora o coordenador dos assuntos �rabes.

O meu companheiro � judeu. Estamos juntos h� tr�s anos.

Sendo um casal misto j� pass�mos por muito,

desde discuss�es pol�ticas �s pequenas discuss�es de casa

que nos matam lentamente.

Irei come�ar com uma hist�ria que aconteceu recentemente.

H� alguns meses atr�s recebi uma chamada de um jornalista da BBC.

Ele disse, "Queremos a tua hist�ria. Temos a certeza que j� sofreu..."

E eu respondi, "Espere um pouco.

Acho que est�o a falar com a pessoa errada.

Os meus pais sabem, e aceitaram-me,

e amam-me e apoiam-me.

A minha m�e manda comida ao meu namorado no Ramad�o porque eu n�o como carne.

Por isso, n�o sou eu quem procuram."

E depois ele disse,

"Talvez nos possa indicar um palestino que tenha sofrido?"

E aquilo irritou-me mesmo,

porque parece que Israel e o Ocidente

monopolizaram o conceito de liberalismo e de assumir a homossexualidade.

Para a primeira parte desta palestra

quero apresentar uma nova gera��o palestina

que ainda n�o puderam conhecer.

Voc�s definem-se como palestinos.

Palestino.

Voc� tem um cart�o de cidad�o israelita ou palestino?

O que � que quer?

Quer que saiamos daqui e que haja um novo pa�s �rabe?

- N�o estou a entender. - Ent�o irei explicar.

Tenho um cart�o de cidad�o israelita,

mas apenas defino a minha identidade de acordo com a minha fam�lia.

O meu av� nasceu em Jaffa como palestino.

E no que concerne se quero ou n�o voc� fora do pa�s,

� uma discuss�o irrelevante.

Goste ou n�o, estamos aqui presos juntos.

Conhecer-nos no The Block, uma discoteca em Tel Aviv,

h� quatro anos atr�s.

Ele veio ter comigo e disse, "Ol�, sou o Khader."

E eu respondi, "Lindo nome."

E ele disse, "Sim, porque sou �rabe."

Acho que a nossa qu�mica vem de um lugar

onde ambos nos achamos uma minoria.

Partilhamos esta alteridade, que � o que nos une verdadeiramente.

Em certo sentido, somos ambos forasteiros nesta hist�ria.

Sim, pode-se dizer isso.

Mesmo que me sinta como uma minoria na minha vida...

porque imigrei para Israel muito novo,

nunca me senti tanto uma minoria como ele.

Uma minoria que � discriminada,

que lhes dizem, "Tu n�o prestas, �s um terrorista, a merda de um �rabe..."

Tantos insultos que nunca ouvi falar.

Ele tenta tirar partido do estatuto de minoria de vez em quando,

mas eu n�o deixo. Fixe, �s uma minoria, j� percebemos...

N�o significa que n�o tenhas de lavar a loi�a.

N�o s�o essas as regras.

"Lavar a loi�a!"

Ou outra coisa qualquer, como lavar a roupa.

N�o sei fazer isso.

Pensei que os �rabes soubessem limpar a roupa, arrumar...

E pensava que os arm�nios n�o lavavam a loi�a, mas fazes isso na mesma.

Olha para aquilo. O meu pai ficaria envergonhado.

Chamo-me Fadi.

Tenho 26 anos, e sou de I'billin.

Assumi-me quando tinha 16 anos.

Foram tempos dif�ceis para os meus pais.

N�o falamos muito hoje em dia.

Mas se precisasse de falar disso, n�o seria um problema.

Falo disso no Facebook, e os meus pais s�o meus amigos l�.

Conheci o Khader quando tinha 16 anos.

Por acaso, foi um encontro �s cegas.

N�o o vi durante cinco anos depois disso,

mas quando nos reencontramos em Jaffa outra vez,

apercebi-me do quanto temos em comum.

E conheci o Nagham nos dormit�rios da universidade de medicina de Tel Aviv.

Tenho passaporte israelita, mas n�o me defino como israelita.

Gosto de me definir como palestino,

mas n�o acho que tenho o direito.

N�o sinto a ocupa��o fisicamente, porque n�o vivo em Gaza ou Ramallah.

Acho que me posso chamar de �rabe, apenas um �rabe.

O meu nome � Naeem, tenho 24 anos.

Sou palestino, vegetariano, ate�sta e feminista.

Cresci em Kafer Yasif e mudei-me para Tel Aviv

h� quatro anos para estudar enfermagem.

Hoje, finalmente, posso dizer que sou homossexual.

Ultimamente, tenho pensado muito sobre assumir-me,

e isso stressa-me muito.

N�o sei se estou preparado para dar esse passo.

Quando estou em Tel Aviv, sinto que estou preparado,

tipo, vivo num ambiente em que me encoraja.

Mas quando volto � vila,

todas as d�vidas, medos e hesita��es voltam,

e impedem-me de dar esse passo.

Chegamos a Kafer Yasif!

Ol�, Kaser Yasif!

O Naeem e eu falamos sobre construir uma divis�o sobre a minha casa para ele.

E ele disse-me, "N�o te preocupes comigo,

porque n�o sei os meus planos a longo prazo."

Pensei que se ele j� tivesse terminado os estudos voltasse para casa,

embora a vida seja boa para os jovens em Tel Aviv.

Tel Aviv n�o � para n�s. Ele devia arranjar emprego perto de casa.

Agora ele terminou os quatro anos de estudo em Tel Aviv.

O que mais pode ele fazer l�?

Preferia que vivesse perto de mim, ele e a esposa.

Vai precisar do nosso apoio no futuro com as crian�as

e n�o estamos a ir para novos.

Assist�ncia m�tua na fam�lia � uma coisa linda.

N�o vejo nada de errado em ficar perto da fam�lia.

E digo sempre aos meus filhos,

espero que me tratem como eu tratei os meus pais.

O que � que eu fiz, por exemplo?

Todos os meses guardo dinheiro para o meu pai.

Quando o Naeem era novo eu punha esse dinheiro nas m�os dele

e dizia, "D� isto ao av�,

porque o av� � velho e j� n�o pode trabalhar mais,

e devemos ajud�-lo."

Gostava de falar de mim por uns momentos.

Voc�s s�o uma parte insepar�vel de quem sou hoje.

N�o se enganem, estou muito orgulhoso disso.

Por outro lado, sou um Naeem diferente daquele que criaram.

Sou um homem novo que tamb�m foi influenciado por elementos externos.

N�o estou a dizer se � bom ou mau,

mas � um facto. Penso de maneira diferente de voc�s.

Estou a referir-me a muitas coisas, e n�o a apenas uma.

Talvez devam olhar para mim como uma pessoa madura

e n�o o Naeem que voc�s educaram e criaram.

O que podes ter em Jaffa e n�o podes ter aqui? O que � melhor?

� melhor porque tenho a minha liberdade.

Que liberdade?

Quem � que aqui est� a limitar a tua liberdade e independ�ncia?

- A vila, a mentalidade daqui... - Esquece a vila.

- Tu, indiretamente... - Esquece a vila!

Os meus av�s, o meu tio. As pessoas � minha volta, o bairro.

Estou a tentar perceber porque � que a vila te sufoca.

Porque � o que esta vila faz. Ela sufoca-te.

� um problema psicol�gico. Nem mais nem menos.

Somos loucos? N�o, meu...

N�o podes fazer nada em rela��o a isso, � vila sufocar-te,

julgar-te, criticar-te e perseguir-te.

Quando toda uma gera��o sente isso, significa que existe.

N�o � s� fruto da nossa imagina��o.

N�o est�s a perceber. Achas que queremos ir embora

porque queremos fugir da nossa fam�lia?

Ele est� feliz e est�s a interpretar isso como uma derrota para ti.

Ele est� feliz, tem emprego e sente-se livre.

Se � 100 % feliz l�, porque n�o pode ser 90 % aqui?

- Porque n�o sacrifica esses 10 %? - Por quem devia ele sacrificar?

Pela fam�lia, pelo esp�rito familiar.

N�o podes ter isso enquanto ele est� em Jaffa, certo?

N�o. Sinto que ele est� desconectado da fam�lia.

Ent�o porque n�o podes sacrificar esses 10 % para ele ser feliz?

Estamos na casa do Fadi!

Adoramos I'billin que tem o gay mais sexy da cidade!

Este � o quarto onde cresci.

Isto s�o restos da minha juventude.

Era g�tico e muito rebelde.

Costum�vamos chamar-nos de "As cabras unidas".

O que era isto?

Era um grupo de amigos.

O meu primeiro grupo de amigos quando est�vamos no liceu.

Gibran Khalil Gibran, um dos meus escritores favoritos.

Isto � uma enciclop�dia palestina.

Toda a hist�ria da palestina est� escrita aqui,

todas as vilas, tudo.

Sentiste a falta dele?

Sempre. Por vezes dormia no quarto dele com as saudades.

Ol�! Como est�s?

A nossa fam�lia adora mesmo o Fadi,

mas ele n�o suporta a vila.

� uma vila �rabe, completamente primitiva.

Muito primitiva!

A s�rio, eu sofro aqui.

N�o � o �nico, eu tamb�m sofro.

Por vezes quero fumar um narguil�.

Sabem, eu fumo... Sou um fumador.

Mas n�o fumo, por exemplo, quando estou com a minha cunhada.

Porque aqui n�o � aceit�vel.

Eles sabem.

Sabem que eu fumo.

At� a minha m�e e os meus irm�o sabem.

Mas �s vezes apetece-me um cigarro.

Digamos que estou numa cerim�nia, num casamento,

depois de um copo de vodka, quero um cigarro, raios!

N�o suporto mesmo a vila.

Tenho um amigo em Ramallah quem visito por uma semana �s vezes,

e � sempre narguil�, vodka,

amigos, bebidas, dan�as, partir a loi�a toda,

l� ningu�m me conhece!

Fazes o que quiseres! Ningu�m te conhece!

Com os �rabes, tens uma casa,

e a minha m�e est� sempre a dizer para poupar dinheiro

porque temos um filho que vai casar em breve

e precisa de casa. Sabem como � que s�o os �rabes.

Isso n�o me incomoda.

Deixo-o fazer o que ele quer.

Acabou os estudos, tem emprego em Tel Aviv,

n�o tenho problemas com isso.

N�o o eduquei e criei para o manter por perto.

O que ele quiser. O que for bom para ele, tamb�m � para mim.

Ele tem muitos amigos l�...

Aqui n�o h� onde ir.

N�o h� cinema, discotecas...

E isso � a vida dos jovens.

A vida � l�, n�o aqui.

O que � espantoso � o quanto o Fadi � parte deste lugar,

e o quanto este lugar simboliza o Fadi.

N�o consigo falar sem me emocionar.

Este dia todo tem retirado todo o nojo de mim,

e agora sinto que me estou a limpar,

vendo o qu�o parecido � o Fadi aos seus pais de tantas maneiras.

N�o interessa o quanto ele tenta evitar.

Uma pessoa que cresce numa casa assim

est� destinado a trazer mudan�a.

Ent�o n�o acreditas que os teus pais te percebam?

Sinto pelo teu choro que tens um problema.

N�o, eu e o meu pai n�o nos falamos.

A minha m�e entende-me. Mas o meu pai e eu n�o nos falamos.

Desculpa perguntar. Se n�o quiseres falar sobre isso...

N�o, tudo bem. Eu e a minha m�e falamos muito.

Ela � uma das minhas melhores amigas.

Mas o meu pai n�o me fala de todo.

- Ele n�o vive contigo? - N�o vive connosco.

Ele n�o aceita a minha forma de viver.

Isso magoa-te ou j� est�s habituado?

Magoa-me quando me sento nesta casa

e ou�o algu�m dizer, como o pai do Fadi,

"O meu filho deve viver livremente como ele quiser."

Eu nunca ouvi isso do meu pai.

Naeem, est� bem assim ou devo cortar mais fino?

Est� bom, mas podes cortar mais com a faca.

� a tua vez.

Est� muito quente.

Oh, c�us!

De qualquer forma, o que aconteceu ontem

fez-me aperceber que temos de fazer algo.

O que � que queres fazer?

N�o sei ao certo, mas algo que...

Mas algo que expresse o que sentimos quando visit�mos os nossos pais.

Que expresse a diferen�a entre eles e n�s.

Como vemos o que se passa na nossa sociedade e como eles veem.

E algo que expresse como a nossa situa��o � diferente da deles,

que somos uma gera��o diferente.

A quest�o �, o que podemos fazer?

Precisamos de algo viral.

Algo online, nas redes sociais.

Talvez fazer um v�deo?

Que tipo de v�deo?

Um v�deo de "Como cozinhar a tua couve-flor?

Podemos chamar ao nosso grupo de "Qambuta!"

- Que grupo? - Um grupo de �rabes jovens

que querem usar os v�deos para fazer mudan�a social.

Acho que devemos fazer v�deos para a mudan�a social.

Mas para nossa sociedade, para os �rabes, n�o para os judeus israelitas.

- N�o para Nova J�rsia! - N�o para Nova J�rsia!

Nova J�rsia n�o! N�o.

Podemos pegar nos problemas dos nossos amigos, por exemplo,

tipo raparigas for�adas a casar ou l�sbicas que n�o podem estar juntas.

Acho que h� muitos grupos de Facebook que j� lidam com isso.

Mas tendem a lidar com o problema nacional ao inv�s do social.

Focam-se no nacional e esquecem todas as outras identidades.

Mas temos muitas identidades complexas.

H� muitos problemas que as pessoas t�m receio de confrontar,

e esta � a nossa oportunidade de jogar com essas identidades.

Gostaria de ver cr�ticas da sociedade religiosa,

e n�o a religi�o em si.

Se fizermos um v�deo, que m�sica usaremos? Tem de ser forte.

- Elisa, "Living for you". - Nem pensar!

O meu amor por ti enlouqueceu-me O meu cora��o est� louco de esperan�a

S� contigo pode o meu cora��o controlar a batida, meu amor

Acho que deveria ser algo mais cl�ssico.

H� dois dias atr�s, ouvi uma m�sica do novo �lbum da Yasmine Hamdan.

- "It's not me." - O cover da... como se chama?

Abd Al-Wahab.

Abd Al-Majid Abed Allah.

N�o sou eu quem chora...

� perfeito, � uma m�sica linda, e tamb�m ir�nica.

N�o � muito sobre amor.

O nosso p�blico alvo s�o pessoas como n�s, que se sentem exclu�dos ou estranhos,

pessoas que s�o julgadas pela sociedade.

A mensagem tem de ser poderosa.

E o v�deo tamb�m.

Poderoso, mas n�o muito �bvio,

algo subtil, que fa�a as pessoas pensar.

Algo que distor�a as linhas.

Desfocado.

N�o sou eu que choro N�o sou eu que me queixo

Mesmo que ainda haja algo entre n�s

Porque � que mantive o nosso amor estes anos quando n�o te importavas?

Porque � que mantive o nosso amor estes anos quando n�o te importavas?

E agora queres que volte para ti

N�o voltarei para ti

N�o, n�o voltarei

Eles mudaram-te, educaram-te

Para me esqueceres e continuares

Como pudeste vender-me assim? Como pudeste esquecer-me?

Onde est� o homem que amo?

J� n�o foi trespassado o suficiente O meu cora��o

J� n�o foi trespassado o suficiente O meu cora��o

E agora queres que volte para ti

N�o voltarei para ti

N�o, n�o voltarei

Vamos ver o que diz o Abdallah.

"Este v�deo toca em problemas muito importantes,

e o mais importante � o facto de ter sido feito por doentes mentais."

"Ent�o despiste a mulher religiosa e encheste a fantasia do ocupante...

Porque n�o trazes um monte de esquerdistas para a violar tamb�m?"

Quem � este?

"Este v�deo � t�o parvo,

v�-se claramente que n�o sabem o que � ser um homem moderno.

Sugiro que leiam um livro ou algo do g�nero."

Lemos o dobro do que tu l�s...

"Que merda � esta? Isto � homossexual.

V�deo de putas l�sbicas."

Acho que h� coment�rios que o Google eliminou.

O Amman � o nosso escape para o mundo �rabe.

Podemos conhecer pessoas de todo o mundo �rabe aqui,

que n�o poder�amos conhecer noutras circunst�ncias.

Este lugar mostra-me o que poderia ser se a Palestina existisse.

Em Amman, de repente, sentes-te diferente.

Levantas-te de manh� e est�s a viver em �rabe agora,

e est�s a viver como deverias viver.

Queres estar num pa�s onde as bandas �rabes possam vir e atuar,

sem discuss�es sobre a ocupa��o, guerra ou boicotes.

Talvez hajam muitas exce��es e liberdades em Tel Aviv,

mas ao mesmo tempo tens de ser "Um dos Nossos."

Existem os outros e n�s.

Em Israel, os judeus homossexuais dizem todos,

"Se n�o est�s bem aqui, vai para qualquer lado do mundo �rabe,

veremos como eles te acolhem. Como te tratar�o."

E eu digo, olha para mim, estou no meio de Amman,

numa festa hyppie

e estou a divertir-me muito.

O que me dizem disso?

Onde vivemos, temos uma festa por m�s.

Milhares de judeus homossexuais v�m � festa

chegam e olham para n�s como se estivessem num zoo.

T�m a expectativa de namorar um tipo �rabe,

um tipo �rabe tem de ser mais masculino,

e bom na cama, coisas dessas.

J� namorei com um judeu israelita.

S� experimentei porque os meus amigo diziam sempre,

"Experimenta, pode fazer-te bem."

E experimentei, duas vezes no ano passado,

e eu sei que n�o posso estar com um judeu israelita.

Preciso de sentir...

A pol�tica � muito importante para mim.

N�o posso nem namorar um tipo �rabe que n�o goste de pol�tica.

Um judeu israelita,

mesmo que venha com a mente esquerdista,

mesmo assim n�o fala comigo...

N�o sinto isso.

Por isso �-me dif�cil namorar.

N�o me imagino com outro judeu israelita. Nunca.

Connosco agora, o nosso rep�rter militar, Nir Dvori.

Nir, o que � que j� sabemos?

H� uma preocupa��o com as vidas dos tr�s adolescentes colonos,

que est�o desaparecidos desde ontem na suspeita de rapto

por uma das organiza��es terroristas daqui, na �rea de Hebron.

Este caso come�ou ontem � noite �s 22h aproximadamente,

quando os adolescentes de 16 anos deixaram a yeshiva em Kefar Etzion

depois de informarem os familiares que estavam a caminho de casa,

e nunca mais foram vistos.

Os servi�os secretos est�o a investigar o caso,

apoiados por terra e ar..."

Estamos aqui sentados porque n�o sabemos a pr�xima dire��o.

Na semana passada,

pelo menos sete �rabes foram atacados por judeus.

Os civis deste pa�s foram atacados por outros civis judeus

porque s�o �rabes.

Acho que est� na hora de retirar a nossa nacionalidade.

H� uma altura em que tens de ser pol�tico e n�o apenas social.

N�o podes separar as duas,

o pol�tico e o social.

Como �rabes a viver aqui, n�o os podes separar.

N�o precisas de andar sempre a pregar para a sociedade e dizer-lhes,

"Sois uma sociedade que n�o percebe nada.

N�s vamos consertar-vos e mudar-vos."

N�o somos apenas rebeldes, queremos mudan�a.

Queremos ser ativistas.

Ainda temos muitas coisas boas da sociedade que carregamos.

- A nossa sociedade nem sempre � m�. - Nunca dissemos isso.

Uma das melhores coisas que temos � o direito de regressar � terra.

Depois de tantos anos, ainda aqui estamos sentados a discutir,

a protestar e a debater este assunto.

H� pessoas que se manifestam em tendas,

e pessoas que morrem.

� uma hist�ria sem fim.

Acho que o v�deo precisa de usar a chave como �nico s�mbolo.

Todas as nossas av�s t�m chaves.

A chave � um s�mbolo para muitas coisas, n�o s� para a Palestina.

A chave simboliza o lar e todos aqueles que sa�ram de casa.

A chave velha expressa algo que te pertence,

a tua terra, o teu lar.

A minha av� era muito nova em 1948

quando casou como meu av�.

E ela...

Lutou pela terra em que viveu.

Ela e o meu av� lutaram por isso.

E tiveram de enfrentar muitas vezes soldados judeus.

Foi muito traumatizante para ela.

Ainda hoje n�o vai � mercearia fazer compras,

porque os donos s�o judeus.

E tem medo que eles a envenenem.

Porque vivi em Tel Aviv ela n�o fala para mim,

ela diz que sou judeu.

Ela tem pesadelos e acorda aos berros.

"Os judeus est�o a atacar!"

A minha av� ainda tem a chave de sua casa.

At� um certo ponto eu invejo-a...

porque ela viveu na Palestina, no passado.

Ela sabe por que espera, ela sabe o que quer.

Ao contr�rio de mim. Eu n�o sei.

Eu luto, eu quero e por a�...

Mas se ir� existir uma Palestina

ou um pa�s para todos, quem sabe.

Eu n�o sei se sinto que perten�o aqui.

A voz da cidade chama-me

E a tua voz tamb�m me chama

A Maisam vem daqui.

Ela entra pelo canto,

vem por aqui e aperta o la�o no pesco�o da Ruba...

A Ruba come�a a fugir, nesta dire��o,

eu quero film�-la a correr � volta do pr�dio...

Quero que os confetis venham de lado.

Levantaremos as pernas juntos.

A��o!

N�o te mexas.

Grita, Naeem!

Grita. Quero que grites bem alto.

Ele come�a a correr a partir daqui,

e depois o Nagham fica louco.

A correr...

A��o!

Fadi, menos amaricado!

Oh, c�us!

Muito bem feito! Ficou fant�stico.

Oh, c�us!

Estou feliz!

Amanh� depois da corre��o de cores,

posso p�r no Youtube e dizer,

"Somos palestinos, somos gays e estamos aqui!"

Avi�es da for�a �rea israelita atacaram bases terroristas em Gaza.

E ao mesmo tempo, h� um tiroteio no sul de Israel.

Cerca de 20 morteiros foram disparados hoje.

A reportagem � do nosso correspondente Tamir Steinman.

O tiroteio continua a sul de Israel, depois dos recentes raptos.

At� agora, a for�a �rea israelita atacou 34 pontos terroristas em Gaza.

Tenho de ligar � minha m�e.

Em que dia � o casamento?

Todos os meus amigos v�m.

Est� bem, m�e. Adeus.

Est� bem, devo passar a� esta tarde.

- Vamos ao casamento da tua irm�? - Sim.

- O meu pai est� a ligar. - Atende.

Ol�.

Bem.

Estamos sentados a beber. O Nagham, o Fadi e o Khader.

Em Jaffa.

O qu�?

N�o te consigo ouvir.

Est� bem.

O meu pai manda cumprimentos.

Na semana passada ele levou-me a I'billin para estar com o Fadi.

Disse-lhe que renovei o arrendamento no apartamento.

Ele disse, "Porque � que fazes as coisas sem me dizer?

N�s concordamos com tudo.

N�o somos uma rapariga

que est� a tentar fugir dos pais,

ou um homossexual..."

E depois disse o nome de um tipo l� da aldeia.

Ele disse, "� t�o triste, que grande golpe Deus lhe deu."

Ele disse-o como se uma desgra�a tivesse acontecido �quela fam�lia.

A quest�o �, e n�o quero assustar-te

ou escolhes viver confortavelmente contigo pr�prio,

ou escolhes viver confort�vel em fun��o dos teus pais.

Assumir resume-se a isso.

S� me preocupa o meu pai.

Tenho medo que algo lhe aconte�a.

O que poder� acontecer?

V�o pensar em mandar-me para um psiquiatra,

e dizer que fui enfeiti�ado, que me perdi ou assim.

Por isso � que a carta dir�,

"N�o, eu sei quem sou.

Tenho a certeza do que sou.

N�o sou um beb�,

n�o preciso de nenhum tratamento nem nada disso.

Sou o que sou, aceitem.

De certeza que j� suspeitavam."

- E porque n�o cara a cara? - Muitos escrevem uma carta.

N�o os consigo enfrentar. Esquece.

N�o sei bem como explic�-lo, mas n�o ser�,

"Eu sou homossexual."

N�o sei o que vou escrever em vez disso.

Porque n�o?

"Eu gosto de homens."

"Eu gosto de p�nis."

Vai-lhes levar tempo, mas ir�o aceitar, eventualmente.

Vai ser duro, ir�o chorar e gritar e perguntar porqu�.

V�o esfor�ar-se para dizer, "N�o, n�o."

Mas no fim, ir�o aceitar-me.

Ter�o de viver com isso, tu �s o filho deles.

Estou...

- Tudo bem? - O que se passa?

Tudo bem, onde est�s?

Em casa.

- O que est�s a fazer? - Nada. Acordei agora.

D�i-me a cabe�a. Onde est�s?

A mim tamb�m. N�o dormi.

Como correu o resto da tua noite?

C�us...

V� l�, conta, conta...

Pequei.

O que � que fizeste?

Fui para casa acompanhado.

Eu sei, eu vi-te.

Ele era jeitoso.

Muito jeitoso.

Como � que se chamava?

Benyamin.

Benyamin?

Benyamin como em... Benyamin, Benyamin?

Um judeu...

N�o!

Meu Deus!

N�o tem mal.

Pediu-me para adicion�-lo no Facebook a noite toda,

mas n�o sei porqu�.

E quando saiu, eu adicionei-o,

e vi fotos dele no ex�rcito...

Tiveste alguma qu�mica? Falaram sobre coisas?

Sim, mas tive uma qu�mica com ele

mais do que com qualquer outro, faz tempo.

- Queres ir tomar o pequeno almo�o? - Sim.

Boa, j� a� vou ter.

- Mais detalhes! - Sim, temos de falar disso.

- Yalla, adeus. - Yalla.

O que quero dizer nesta carta � um problema que me afeta h� muito.

Decidi escrev�-lo sem dizer-vos cara a cara

porque �-me dif�cil confrontar-vos.

O que vos vou contar, suspeito que j� desconfiam

e pressentem h� algum tempo, desde que era mi�do.

Tentem imaginar o qu�o dif�cil este passo � para mim.

E � isso. Estou a sufocar, n�o consigo mais mentir e esconder de voc�s.

Sempre que vou a casa, explodo quando voc�s me falam do futuro,

do casamento.

PAZ

N�o irei casar.

N�o estarei com uma mulher porque n�o sou assim.

Eu sou homossexual.

Gosto de homens.

N�o controlo. N�o escolhi ser assim.

Isto n�o � uma doen�a que precisa de tratamento.

Sou adulto que chegue para saber quem sou e o que quero na vida.

Tentei mudar e ser a pessoa

que voc�s e a sociedade queriam, mas n�o consegui.

Espero que aceitem um dia e que me amem pelo que sou.

N�o sei se tenho medo, felicidade, raiva... N�o sei.

Porei a carta hoje em casa, e logo lhe direi para ler.

Como tenho receio da rea��o deles e o que possam fazer,

n�o irei a casa em Jaffa por dois ou tr�s dias.

Vou ficar com um amigo meu em Haifa

porque vai ser um per�odo dif�cil para mim.

Sinto culpa porque sei que os vai magoar

e vai ser uma grande desilus�o.

N�o posso ser incomodado para um evento de fam�lia! Preciso de �lcool!

O que se passa?

O que se passa contigo?

Fala-me do Ben.

Sinto-me fraco.

Fraco porqu�?

Estou a apaixonar-me por um sionista.

Porque o v�s dessa maneira

quando te est�s a apaixonar por um belo rapaz?

Por algu�m que te quer mesmo, que gosta de ti,

algu�m que te respeita.

Estou apaixonado pelo inimigo.

Estou apaixonado por tudo aquilo que sou contra.

N�o me interessa que ele seja judeu.

Est� bem.

Tenho problemas que ele n�o pense

que h� uma ocupa��o israelita aqui.

Quando amo algu�m que n�o pensa

que o meu povo vive uma cat�strofe...

Como podes amar algu�m assim?

Tento convencer-me que esta n�o ser� a pessoa que amarei.

Fadi, a vida n�o � s� ideologia.

Se achas que o Ben te realiza...

como homem, como homossexual...

algu�m que te ame, algu�m que te aprecia,

algu�m que goste de ti, algu�m que te respeita...

porque n�o?

Porque ele � sionista?

A tua felicidade vale isso?

A s�rio?

� um mundo marado.

Vivemos todos num mundo marado.

Como �rabes, os de 1948, palestinos... Ningu�m sabe aonde pertencemos,

quem somos e para onde vamos...

� um mundo marado, mas n�o tem nada que ver com o amor.

Ent�o, pelo menos, diverte-te.

Sou um hip�crita.

Tenho vindo a dizer a vida toda...

que sou contra, contra...

E agora as pessoas veem-me a sair com um soldado.

O que te interessa o que as pessoas dizem?

Porque preferes agradar aos outros ao inv�s de a ti?

Isso � o que me deixa louca.

Porque se ele me deixar, ficarei vazio.

As pessoas dir�o,

"Ele merece isso."

Outra vez, o que te interessa o que os outros dizem?

E eles teriam raz�o.

Terei vendido todos os meus princ�pios.

Por esta pessoa.

E depois ele n�o ficar� comigo.

Ficarei sem ele e sem os meus princ�pios.

Serei nada.

Fadi, o que � que queres?

A s�rio, o que � queres?

Quero ser feliz.

E ent�o, porque n�o? Porque n�o �s feliz?

Porque n�o o sei fazer.

Posso abra�ar-te?

- Sim, tens de o fazer. - Abra�a-me.

Vamos dan�ar.

Vamos dan�ar.

A quem est�s a ligar?

� minha irm�, Ruba.

Onde est�s?

Vai ao meu quarto.

Vai pelo lado da cama na mesinha � direita.

Abre a gaveta debaixo.

J� abriste?

Est� a� uma carta num envelope.

Est� bem.

Entrega-a aos pais.

Eles devem l�-la e n�o tentem falar comigo depois de lerem.

Est� bem? Adeus.

- C�us. - � agora. Acabou.

N�o h� volta a dar.

� melhor assim.

Como eu gostava de estar l� para ver as rea��es deles.

N�o ias querer, acredita em mim.

Est�o a fazer uma cara que n�o ias querer ver.

Not�cias de hoje, suspeita-se que o jovem palestino,

Mohammed Abu Khdeir foi assassinado por judeus a este de Jerusal�m.

O assassinos foram filmados quando raptaram Khdeir, ser�o identificados.

Enquanto isso, uma grava��o do rapto

dos tr�s jovens judeus foi mostrada.

Numa declara��o, as m�es dos jovens expressaram

a gratid�o pelo apoio que receberam.

Booboo, que dizes de irmos tr�s meses para Berlim,

como eu sempre quis?

David, � muito tempo.

N�o me importa duas ou tr�s semanas, mas tr�s meses n�o!

Normalmente, s�o dez dias ou duas semanas.

Vamos s� um m�s.

Um m�s j� me parece razo�vel.

� algo em que est�s disposto a pensar?

Sim.

Est� bem.

Um m�s em Berlim seria divertido.

Sim, podemos desligar-nos daqui um pouco.

Talvez te conven�a a ficar l� para sempre.

Pois, pois!

N�o vai acontecer, ficarei aqui.

Sim, porqu�?

Porque n�o quero sair daqui agora.

Os meus amigos, fam�lia. Este � o meu habitat natural.

J� existe o Skype.

Para j� com isso.

N�o vamos por tr�s meses. Esquece isso.

Eu disse um m�s.

Um m�s est� bem, mas tr�s meses � demasiado.

"Judeus e �rabes recusam-se a serem inimigos!"

"Judeus e �rabes recusam-se a serem inimigos!"

LIBERTEM GAZA

"Em primeiro lugar a ocupa��o deve terminar!"

"Em primeiro lugar a ocupa��o deve terminar!"

J� n�o tenho esperan�as para este lugar.

Desculpa, mas n�o aceito isso.

A maior li��o que aprendi na vida � que nunca se deve desistir.

O meu sonho � que este pa�s se torne uma na��o para os seus habitantes.

N�o uma na��o judaica, nem crist�,

nem mu�ulmana. Uma na��o para todos.

Um estado para os seus habitantes, como os Estados Unidos.

Mas para isso acontecer,

precisamos eliminar primeiro a ideia de um estado judaico nacional.

- Isso nunca ir� acontecer. - Como � que sabes?

- Como � que sei! - E se acontecer?

E como aconteceria? Explica-me.

A hist�ria j� provou que tudo pode acontecer.

Achas mesmo que Israel deixar� algu�m tomar conta disto?

Achas mesmo?

Quando os ministros dizem que os �rabes s�o umas carra�as,

e sugerem mudar a c�pula de ferro para um punho de ferro?

Quando mulheres e crian�as s�o mortas nas ruas...

De que solu��o est�s a falar?

Querido, baixa o tom. Gritar n�o faz com que tenhas raz�o.

J� pensei como tu uma vez, mas cheguei � conclus�o

que enquanto Israel for poderoso, um estado palestino nunca existir�.

E mais, a Palestina nunca existir� dentro das fronteiras de Israel.

Por 60 anos ou mais, andam em conversa��es. O Darwish tentou.

Ningu�m arranjou solu��es.

Enquanto Israel for importante,

n�o h� ningu�m a quem falar, Fadi. Ningu�m.

N�o h�.

V� l�, a s�rio?

- O que � que queres? - Otis, anda c�!

Otis! De p�!

Para!

Aqui vamos n�s, acabou agora.

Aqui vamos.

N�o h� nada.

Outro.

Para.

Ele escolheu-me a mim.

Sentiste o tremor?

� de loucos.

Anda, Otis.

Lindo c�ozinho.

Tens raz�o.

Que c�o est�pido.

Sim, tens raz�o.

A vida � dura.

J� chega.

Anda.

Otis, anda.

Aqui, Otis. Vai.

Devemos falar sobre o qu�o deprimidos estamos?

Sim.

O que se passa contigo?

- O que est�s a sentir? - Vazio!

- O pior sentimento de todos. - N�o est�s sozinho. Todos sentimos.

O que se passa com os teus pais?

Por um lado, sinto que eles querem aceitar-me como sou,

mas por outro, eles est�o preocupados...

em como v�o ser vistos na aldeia.

Sinto isso, agora, eles aceitam que eu seja gay,

mas a ideia de n�o me casar ou ter filhos no futuro

� duro para eles.

Eles perguntaram-me, "N�o queres ter filhos?

Algu�m que continue o nome da fam�lia?"

Eu disse-lhes que ningu�m tem respostas para essas perguntas.

Nem um jovem homossexual.

Mesmo se fores hetero, podes nunca casar ou podes divorciar-te.

Se eles eram completamente contr�rios �s minhas escolhas de vida antes,

agora devem estar preocupados com o meu futuro.

Acho que foi muito melhor do que eu esperava.

Devagarinho.

BERLIM / ALEMANHA

O gabinete de Israel aprovou uma lista de 40 000 reservistas.

Est� bem.

Talheres?

Vamos voltar � guerra.

Vamos ter mais morteiros,

mais �rabes "fedorentos", mais judeus "fedorentos",

mais colonos "fedorentos".

E de repente todos fedem, n�o escapa ningu�m,

est�o todos chateados com todos,

e faz-me querer fugir para um pa�s que matou milhares de judeus,

mas pelo menos � mais agrad�vel

do que a realidade do pa�s de origem deles

como resultado do genoc�dio.

Pensamentos?

N�o, n�o tenho mais pensamentos sobre esse lugar.

Engra�ado, fui t�o teimoso e fixado em ficar l�,

dizendo a mim pr�prio que n�o sairia,

e depois de um m�s aqui, de repente apercebi-me,

que h� uma vida fora daquele gueto.

BEM-VINDOS PRODU��ES QAMBUTA

Onde est� a Fadia?

J� se foi embora!

- Est�s a falar a s�rio, em mudares-te? - Sim.

O qu�? Como? Porqu�?

E o trabalho? O que � que v�o fazer aqui?

Encontrarei emprego aqui.

Quando � que se mudam?

Em mar�o,

para nos habituarmos ao frio.

Preciso disso. Este m�s aqui mudou-me.

Est� bem, estiveste aqui um m�s. S�o f�rias e n�o o dia a dia.

T�m de perceber uma coisa,

tenho uma oportunidade de viver uma vida diferente

num lugar diferente.

Uma vida normal, como um ser humano.

Sem os "judeus", "�rabes", "este a raptar aquele".

J� chega. Estou farto disso.

"Houve um ataque terrorista", "Crian�as foram raptadas".

Num segundo �s transformado em inimigo do �rabe.

N�o interessa o qu�o amigo deles �s,

o quanto os amas e eles a ti.

Tornas-te logo inimigo do �rabe. Automaticamente.

Qual � a solu��o? Levantar e sair?

� o que eles querem, que as pessoas como tu saiam.

A solu��o n�o � sair, mas fazer algo por ti.

Isso � muito ego�sta.

Isso n�o � verdade. Porqu� ego�sta?

Ele n�o mudar� nada. Ele n�o pode mudar nada.

Correto.

Pode escrever o que quiser no Facebook

e ser um ativista, mas no fim de contas ele n�o mudar� nada.

Isso n�o � verdade. O Khader j� mudou muita coisa.

S� se vive uma vez.

Acho que h� pessoas que podem mudar as coisas de l� de fora.

Especialmente depois de ver a parada gay daqui,

com tantas bandeiras internacionais e israelitas,

desde que n�o hajam bandeiras �rabes nesta parada, temos trabalho a fazer.

H� um lugar para defesa internacional,

e n�o s� entre n�s.

Quero que os meus filhos cres�am numa cidade como Berlim.

N�o quero que sejam julgados

de acordo com o seu "juda�smo" ou "arabismo".

A Alemanha � igual.

A islamofobia na Europa � aterradora.

Aterradora.

A Fran�a aprovou uma lei em que a mulher n�o use a burca em p�blico.

E ainda assim a vida deles � um milh�o de vezes mais calma do que a nossa.

Quem me dera que os meus problemas

fossem que a minha filha n�o pudesse usar a burca na escola.

Resumindo, um ano ou dois e voltarei.

Posto isso de lado, olha o tamanho dos pepinos daqui.

� isso, convenceste-me.

Ele est� convencido.

UM M�S DEPOIS

Quase dois meses de lutas sem tr�guas com baixas em ambos os lados,

o governo israelita aceitou

a proposta do Egito para cessar fogo com o Hamas.

O Hamas tamb�m confirmou o acordo com Israel,

dizendo que o acordo abre uma vit�ria sem precedentes

contra a entidade sionista.

O nosso povo est� paralisado, e todos julgam que somos fracos,

mas como todos os ex�rcitos militares �rabes antes de n�s,

derrot�mos o ex�rcito israelita.

Estou a passar por tanto agora na minha vida,

que a mudan�a para Berlim me parece rebuscada.

Talvez o David v� para l�, mas eu se calhar fico aqui,

para mais um per�odo de teste neste inferno.

Ficarei com muitos ci�mes da pessoa que ficar com o David.

Mas no meu caso,

a longo prazo, n�o �...

Ficamos amigos e tudo o resto meio que desapareceu.

Ficamos amigos muito chegados.

E at� o nosso amor e intimidade se ficou pela amizade.

E isso � um pouco deprimente.

N�o era algo que ambos quis�ssemos.

Ent�o � isso? Tu e o David acabaram?

Como assim? Acho que ficaremos amigos,

sou eu e o David, afinal de contas.

Mas a intimidade acabou. J� n�o estamos naquela casa.

At� um certo ponto, senti que estava a cair,

numa rotina sem fim.

E isso assustou-te.

Olhava para mim ao espelho e perguntava-me,

"O que est�s a fazer? Porque est�s a fazer isto a ti pr�prio?"

Estava a ficar um rob�, a s�rio.

Isso foi comigo. E convosco, malta?

Como vai isso com o Sr. Kine?

- O Sr. Kine � fixe. - O Sr. Kine � fixe.

- Sr. Kine? - Nadav Kine.

J� n�o o vejo h� algum tempo.

Dois dias.

- Muito tempo, dois dias. - Muito mesmo.

- Muito mesmo. - Anos.

Vou v�-lo amanh�.

Tudo nele faz-me sentir

que sou muito mais maduro nesta rela��o.

Mais do que fui com qualquer outro homem.

Todas as minhas rela��es passadas tinham sempre tantos problemas,

e com o Nadav n�o h� nada disso.

E n�o h� claramente a cena da "batalha de identidades" entre n�s.

N�o h� "judeu nem �rabe". Apenas o Fadi e o Nadav.

Como duas raparigas perdidas que se encontraram.

Com o Ben n�o era assim.

Com o Ben era um jogo de quem se sentia mais inferior,

e a minha rela��o com o Nadav � onde eu relaxo. Respiro.

E a Qambuta?

- N�o sei. - Dever�amos fazer um terceiro v�deo.

Acho que estamos no lugar certo para fazer um novo v�deo.

Completamente.

� a nossa hora de dar.

Mas quero que o v�deo seja engra�ado.

Que tenha uma mensagem, mas de uma forma agrad�vel.

Eu alinho.

Vamos a isso.

Como vou caber nisso? Ele � louco.

Se a minha m�e me visse neste vestido

ela iria pensar que me ia casar mesmo. Ela ficaria muito feliz.

Fadi, devias ir assim para o trabalho amanh�.

"Enfermeira Fadi".

Leva-me ao padre, estou pronta.

Porqu� ao padre e n�o ao sheikh?

O sheikh n�o me casaria.

E o padre sim?

O meu pai vai adorar.

"Minha filha querida..."

Finalmente uma noiva.

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