All language subtitles for Witness.To.Murder.1954.1080p.BluRay.x264-.YTS.AG

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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

TESTEMUNHA DO CRIME (1954)

Telefonista, me ligue com a pol�cia.

Depressa, por favor.

� aqui.

� logo ali no final do corredor.

Sigam-me.

N�o entendo por que quereriam ver o Sr. Richter.

� um homem de bem. Nunca deu problema.

S� um momento.

Sim?

� o Charlie. Uns policiais querem falar com o senhor.

Sinto incomod�-lo, Sr. Richter. Recebemos uma queixa contra voc�.

Contra mim? Tem certeza?

Sim. Sou o Tenente Matthews, este � o Sargento Vincent.

- Como vai? - Podemos entrar?

Ora... claro.

Afinal, o que foi que eu fiz exatamente?

Uma mulher do outro lado da rua

disse ter visto um casal brigando neste apartamento.

- Acha que houve um assassinato. - Assassinato?

Assassinato? Nossa!

Tem certeza de que est� no apartamento certo?

� este, sim. Importa-se se dermos uma olhada?

Por favor.

O Sr. Richter n�o mataria ningu�m. � um dos nossos melhores inquilinos.

Incr�vel. Nem sei o que dizer.

N�o se preocupe. �s vezes as pessoas se enganam.

Mas temos que investigar. � quest�o de rotina.

�, imagino que sim.

- Escritor, hein? - Ah, desse crime sou culpado.

Sobre o que �?

Probabilidades hist�ricas.

Uma colet�nea de palestras que dei no exterior.

Ficou aqui a noite toda?

- Sim. - Visitas?

Nenhuma.

Acendeu as luzes durante as �ltimas horas?

N�o...

Ah, sim. Acordei h� cerca de meia hora e acendi a luz para ver as horas.

Ficou acesa apenas alguns segundos.

Entendo o que quer dizer.

Ela deve ter visto minha luz e achou ter visto algo mais.

� prov�vel.

Oh!

- Que pena. - Lastim�vel.

Devo estar nervoso. N�o costumo ser acusado de assassinato.

- Nenhum cad�ver. - Seria embara�oso para mim se houvesse.

Ainda bem que n�o havia. Homic�dio � coisa complicada.

Um monte de burocracia e n�s no meio.

Nesse caso, fico mais feliz ainda.

Bem, acho que � tudo. Sinto muito pelo inc�modo.

Nada disso. Aceita um drink antes de sair?

N�o obrigado. Temos que ir.

Da pr�xima vez que matar algu�m, feche as cortinas.

Eu lembrarei.

- Sinto muito pelo transtorno. - Nem pensar, Charlie.

- Boa noite. - Boa noite.

- Ent�o? - Nada.

- Nada como? - N�o houve assassinato.

- Nem mesmo uma briga. - Mas eu vi!

- Ou melhor, sonhou que viu. - N�o foi sonho. Estava acordada.

Mas estava dormindo, n�o � verdade?

N�o quando eu vi. Sei a diferen�a entre sonhar uma coisa e v�-la.

�s vezes � imposs�vel. Isso acontece.

Teve um pesadelo, pensou estar acordada, mas n�o estava.

Da� viu um assassinato que n�o aconteceu.

N�o � raro deixar-se enganar por um sonho.

- N�o acredito. - � muito simples. N�o houve assassinato.

Nenhum corpo, sinal de luta, nada.

Ele pode t�-lo escondido.

N�s procuramos. Pode acreditar, n�o havia nenhum cad�ver.

Acha que � f�cil esconder um corpo?

Tudo bem... s� n�o parece poss�vel...

Lembro que acordei, olhei para l� e...

Claro, mas na verdade n�o viu, certo?

Bem, eu...

eu n�o sei.

Bem, registraremos que pensou ter visto algo, mas n�o viu.

N�o se sentia bem, teve um pesadelo.

Que tal, tudo bem?

Me sinto uma tola.

N�o se sinta. � o que mais acontece.

Tem algum outro endere�o onde possamos encontr�-la?

Trabalho como decoradora na Sloane, em Beverly Hills.

Est� sob cuidados m�dicos?

Claro que n�o. Por que pergunta?

Rotina.

N�o sou desequilibrada, se me permite dizer.

Quem disse que era?

� s� isso. Pode voltar pra cama.

- Sinto muito pelo alarme falso. - N�o precisa. N�o foi trabalho algum.

Claro, tudo bem, senhora.

S� que...

na pr�xima vez, cuidado com o que sonhar.

Tentarei.

- Voc� que pintou? - Sim.

Nada mal.

Ambos s�o lindos. Fica dif�cil escolher.

Realmente n�o sei.

Como voc� disse, azul � uma maravilha.

Mas o bege combina com meu sof�.

N�o acha mesmo que bege faz mais meu g�nero?

Ora, francamente!

A madame parecia aborrecida com alguma coisa.

O que foi?

N�o estava com cabe�a para suas cortinas.

Parece n�o estar com cabe�a para nada hoje.

O que foi? Est� nas nuvens?

N�o, s� n�o dormi muito bem.

Meu Deus, estou atrasada.

- Preciso ir a um rancho em Van Nuys. - Nunca que vai conseguir.

E seu almo�o?

Passarei por uma lanchonete quando voltar pra casa.

O que voc� faria se achasse que algu�m tentaria te matar?

Chamaria a pol�cia. Est� pensando em quem? Na madame?

Ela n�o parecia t�o furiosa assim.

Eles n�o acreditariam.

- Quem? - Ningu�m.

Est� calada hoje.

- Preocupada? - Mais ou menos.

N�o se entregue.

Ponha isso na cabe�a, amanh� pode ser pior.

� isso que me preocupa.

Aluga-se Apt. 3 quartos

Tem um apartamento para alugar?

- Posso v�-lo, por favor? - Claro.

Queira me acompanhar.

J� n�o a vi antes? Me parece familiar.

� poss�vel. Moro aqui no bairro. Estou pensando em me mudar.

Entendo. Pode entrar.

Ficar� �timo quando acabarem de pintar.

- Dif�cil avaliar um apartamento vazio. - Entendo o que quer dizer.

Se pudesse ver algum j� mobiliado.

Se quiser posso mostrar o apartamento ao lado.

O inquilino n�o est� e � igual a este.

- N�o dar� muito trabalho? - Trabalho nenhum.

Por aqui, faz favor.

Sim, � muito bonito.

O Sr. Richter � solteiro.

Uma mulher arrumaria tudo bem diferente.

Aqui tem pouco rod�zio. Os inquilinos todos v�o ficando.

O apartamento que acabou de ver ficou alugado mais de 9 anos por uma mulher.

Ela foi morar com a irm�.

O Sr. Richter est� aqui h� 3 anos.

� gente muito fina.

- Bem, j� vi o suficiente. - Sim, senhora.

Mas ter� uma ideia melhor quando estiver pronto.

Pre�o melhor n�o encontrar�. Edif�cio de primeira.

- Vou pensar. - Sim, senhora.

Pode entrar.

Prazer em rev�-la. Sente-se.

S�o estes mesmo.

Como assim?

O Sr. Richter ligou h� pouco comunicando o roubo de uns brincos do seu apartamento.

N�o os roubei. Peguei-os para mostr�-los � pol�cia.

Invadiu a casa de uma pessoa e levou algo que n�o lhe pertencia.

O nome disso � furto.

Fiz o que a pol�cia j� devia ter feito se n�o tivesse tanta certeza das coisas.

Srta. Draper, nos romances policiais

as pessoas costumam invadir a casa dos outros,

esconder-se em arm�rios, procurar pistas...

e roubar brincos que n�o lhes pertencem.

Na vida real isso d� pris�o.

Na verdade, meu dever seria acus�-la de furto.

Mas ele � um assassino. N�o percebe que estou correndo risco de vida?

Vamos, n�o fique nervosa.

Diz que ele � um assassino. Quem ele matou?

Sei l�! A dona desses brincos.

A dona desses brincos era sua esposa. Ela morreu na Alemanha em 1943.

- Como sabe? - N�s verificamos.

Estava na declara��o aduaneira quando entraram no pa�s em 1949.

Ah...

Mas isso n�o explica a cortina rasgada.

Acha que sonhei algo que de fato aconteceu?

- Que cortina rasgada? - A que ela agarrou enquanto se debatia.

Ainda est� l�. Veja com seus pr�prios olhos.

Aquela cortina se rasgou ontem na minha presen�a.

O pr�prio Sr. Richter a rasgou ao fech�-la.

N�o pode. Eu vi no momento em que aconteceu.

N�o me importa o que ele fez.

Pode ter feito de prop�sito s� para despist�-los.

Isso � poss�vel, claro, contanto que seja um assassino.

Mas como concluir isso? Com base em qu�? S� na sua palavra?

Seja sensata, n�o podemos acusar ningu�m sem provas.

Desse jeito n�o temos direito nem de suspeit�-lo.

N�o � verdade?

Pode entrar.

Oh, Srta. Draper.

N�o esperava encontr�-la aqui.

S�o estes?

Sim! Que �timo que conseguiu reav�-los t�o r�pido.

S�o heran�a de fam�lia. Detestaria perd�-los.

Tem algo a ver com sua devolu��o?

Eu os peguei.

A Srta. Draper est� bancando a detetive.

Ainda acha que um crime foi cometido ontem em seu apartamento.

- Mas isso � rid�culo! - O que esses brincos faziam na sua mesa?

Ia mandar limp�-los num joalheiro. Ia d�-los de presente.

E como explica as marcas no ch�o do apartamento ao lado

onde voc� arrastou o corpo para escond�-lo.

E a mala hoje de manh� com o corpo dentro?

- Isso � um absurdo! - Calma, vamos.

- Sim, me desculpe. - Nervosismo n�o vai ajudar em nada.

Claro. Tentarei ser paciente com a Srta. Draper.

Deve estar sofrendo de alguma compuls�o incontrol�vel.

N�o sei de marca alguma, j� que nunca pus os p�s no tal apartamento.

Quanto � mala, est� cheia de livros. Se quiser checar, est� na minha casa de campo.

Satisfeita?

Posso ir agora?

A menos que o Sr. Richter queira apresentar queixa-crime.

Nem sonhar.

Creio que nenhum de n�s gostaria de ver a Srta. Draper na cadeia.

- Ela � bonita demais. - Gentileza sua, Sr. Richter.

Mas sabemos muito bem que eu estaria mais segura na cadeia, n�o �?

Uma pena. Nem d� para acreditar olhando para ela.

- Acreditar no qu�? - Ora, obviamente ela n�o est� bem.

Voc� acha?

Ela parece normal.

Ah, a prop�sito. Onde fica sua casa de campo,

caso precisemos entrar em contato com voc� l�?

Eu me hospedo no antigo chal� do porteiro da mans�o Overhill em Pasadena.

A Sra. Overhill � uma grande amiga minha. � para ela que vou dar os brincos.

Certo. Muito obrigado.

Adeus, Tenente. Tem sido muito prestativo.

De nada.

Eddy, levante os dados desse tal de Richter.

Eu sei. Mas levante mesmo assim.

- Boa noite. Posso entrar? - Sim, por favor.

Joguei com a sorte de peg�-la em casa. Como fica no meu caminho...

queria falar com voc�.

Ora... Estava lendo Richter antes ou depois?

Comprei hoje ao voltar.

Se n�o for ilegal dizer,

nosso amigo Richter tem umas ideias bem estranhas.

Escuta s� isso.

'A viol�ncia � intr�nseca ao progresso.

� o manancial do crescimento.

As estrelas entraram em conflito para criar a terra,

a mat�ria contra mat�ria para criar a vida.

O homem nasce da dor, para infligir dor ou morrer.

Apenas os indignos aceitam o mart�rio da submiss�o.

Dispens�veis, s�o eliminados pelas engrenagens do futuro,

inaptos para viver.

Que morram. Para eles, a morte � uma d�diva.

Que tipo de conversa � essa?

Uma salada de Nietzsche e Hegel, eu diria.

Richter � um ex-nazista.

N�o � t�o ex, a julgar por isso.

Por sorte, voc� � a �nica que compra seus livros.

Soube que as vendas s�o bem baixas.

Andou investigando? Subiu no meu conceito.

O que mais descobriu?

A contracapa diz apenas que � um renomado historiador

e que deu palestras em in�meras universidades europeias.

Bem, ele foi um a figura de relativa import�ncia cultural no sistema hitlerista,

sua mulher morreu durante um ataque a�reo,

pressentiu o fim chegando e fugiu para a Su��a.

Voltou pra Alemanha ap�s a guerra e foi absolvido pelo Tribunal de crimes de guerra.

Veio para os E.U.A. e obteve visto de perman�ncia.

Dizem que vai se casar com a Sra. Overhill, vi�va do financista.

Ora!

Achou que n�o d�vamos conta do trabalho, hein?

Trabalho completo.

S� Deus sabe o que descobriu de mim. Imagino que tenha procurado.

Californiana, formada pela UCLA,

estudou arquitetura, foi para N.Y. estudar arte,

dedicou-se a decora��o de interiores,

arranjou emprego na Sloane, onde � bem conceituada.

Faz parecer t�o cacete.

Bem, os fatos s�o sempre cacetes.

A verdade est� nas lacunas.

Como ter sido noiva um cara que n�o voltou de uma miss�o de guerra, coisas assim.

Perd�o, n�o sabia que ainda sentia.

Para que veio aqui?

Fico preocupado com voc�. N�o s� oficialmente.

N�o me agrada a forma desesperada como est� agindo.

Tornando fantasia em realidade, n�o faz bem.

Voc� � legal demais.

Ainda acha que eu sonhei.

- N�o tenho d�vida. - Como pode ter certeza?

Andei investigando.

N�o h� prova alguma de crime exceto em sua imagina��o.

Ou ent�o Richter � melhor como assassino do que voc� como detetive.

- Voc� � sempre t�o teimosa? - S� quando vejo um assassinato.

Espera que negue algo que vi com meus pr�prios olhos?

Eu o vi mat�-la!

Testemunhas oculares j� se enganaram.

Muita gente inocente j� foi parar na pris�o.

Testemunhas honestas, como voc�.

N�o me conven�o.

Outro dia voc� aceitou a possibilidade de estar enganada.

At� admitiu. N�o estaria mais?

S� prova como voc� � insistente. Voc� me assustou, s� isso.

Vamos, desista disso. Cumpriu seu dever.

Achou que viu um crime e prestou queixa.

Fez seu papel de cidad� correta. Agora esque�a.

Eu posso esquecer, mas e ele?

Voc� viu o livro. Ele acha que matar � normal.

� �bvio que sou a pr�xima da lista.

Supondo que tenha matado algu�m.

Supondo que n�o. A amea�a � voc�, n�o ele.

Por enquanto ele n�o amea�ou.

J� olhou bem os seus olhos?

N�o se prende ningu�m pelo olhar.

Sen�o metade de Los Angeles iria pra cadeira el�trica.

O sorriso e os olhos n�o combinam.

Olham para voc� mas n�o te veem...

ficam te medindo como...

um animal faminto e...

Olha o que me fez fazer.

Imposs�vel que isso fosse ficar bom.

Estava bom ontem e anteontem. Ficaria bom hoje.

Faz o seguinte. � outra causa perdida. Vamos jantar fora.

Conhe�o um lugar que nunca serve restos de comida.

At� que voc� merecia pagar meu jantar.

S� que nem te conhe�o.

Afora o fato que tentou me prender hoje.

N�o tem muito para saber.

Sou um detetive tenente, solteiro,

daqui a seis meses me formo em advocacia com emprego na promotoria.

Futuramente, um juiz simp�tico e adorado por todos.

Que tal?

- Nada mal. - Ent�o o que estamos esperando?

Pretendia ficar em casa e adiantar uns trabalhos.

Deixe de bancar a dif�cil.

V� se aprontar. Estou com fome.

Tudo bem. N�o tenho nada a perder.

Pelo menos ser� a primeira vez que janto com escolta policial.

Larry? J� leu o jornal de hoje?

Tem uma hist�ria sobre um assassinato.

Encontraram o corpo nu de uma mulher no Griffith Park.

Tem que haver alguma liga��o...

Segure as pontas a�. Te pegarei e...

Entrada dos fundos... certo.

- Seria muito improv�vel. - N�o vejo por qu�.

A casa dos Overhill n�o � naquela dire��o, perto de Pasadena?

Ele pode ter escondido o corpo na mala.

J� checamos a mala. Est� na casa, cheia de livros, exatamente como disse.

Nenhuma marca de sangue, nada, s� livros.

Continuo dizendo que estava na mala.

Acha que v�o descobrir quem ela era?

Ainda n�o tem pista nenhuma.

O corpo ainda n�o foi identificado e parece que vai continuar assim.

Pra isso o assassino tirou sua roupa. Ele foi esperto.

Sim, mas deve haver algu�m que d� por falta

e apare�a para identific�-la, n�o?

Quem sabe?

Depende do tipo de mulher que ela era.

Acredito que n�o.

Mas e as pegadas e coisas assim?

N�o existem m�todos cient�ficos para rastrear esse tipo de coisa hoje em dia?

N�o havia pegadas.

Havia marcas demais de pneus para servir de alguma coisa.

Ela deve ter sido jogada de um autom�vel.

� isso! Richter a jogou da perua.

Vai come�ar de novo? Como pode saber?

Porque eu sinto.

Intui��o feminina. Grande premissa pra acusar algu�m de assassinato.

Mais prov�vel que tenha sido desovada l�

por algum cliente que passou dos limites.

Isso � comum.

N�o tem sentido ligar isso ao com Richter. N�o teria fundamento.

Como policial, n�o posso fazer nada.

Mesmo assim, � o que eu sinto.

Sente porque quer.

Precisa satisfazer essa obsess�o por mais inconsistente que seja.

Mesmo que precise se iludir de algo que n�o aconteceu.

N�o � isso, falo s�rio.

Por tr�s de toda fixa��o h� uma ilus�o.

Come�a deixando-se iludir e acaba esquecendo-se de que � uma ilus�o.

Muito bem. Eu disse a verdade como eu vi.

Se ningu�m quer acreditar...

Eu acredito que falou a verdade como a viu.

Mas a quest�o �: voc� viu de fato?

E a resposta � n�o?

Tem que ser.

- Por qu�? - Porque os fatos indicam que sim.

Acha que estou desequilibrada? Se acha, por que n�o diz?

N�o disse isso. Para de colocar palavras na minha boca.

Mas pode vir a ficar se n�o encarar a verdade.

O que eu vou fazer, Larry?

Trate de vencer isso antes que te derrube.

J� tentei.

Tento me convencer de que n�o aconteceu mas fica dando voltas na minha cabe�a.

Tente se provar que n�o � verdade

com a mesma determina��o com que tenta provar em contr�rio.

Mude sua linha de ataque.

Desse modo ver� tudo voltar� a entrar nos eixos.

Muito bem.

N�o houve assassinato. Foi um sonho.

Logo n�o havia nenhum corpo na mala

ent�o n�o podia ser a mo�a encontrada no parque, que tal?

Est� fazendo progresso.

�timo. S� queria acreditar no que disse.

- Tchau. - Tchau.

Larry, sabe h� quanto tempo ela tinha morrido?

H� dois dias, segundo o m�dico legal.

Dois dias, faria todo sentido.

Sentido...?

Pensei que t�nhamos resolvido isso.

- S� estava pensando. - Ent�o pare de pensar.

Pelo menos nisso. Pense em mim pra variar.

Te ligo hoje depois do curso, tudo bem?

- Tudo bem. Tchau. - Tchau.

- O que voc� quer? - N�o vou demorar.

- Preferia que n�o. - S� queria protestar...

- contra esta carta que me mandou. - Que carta? Do que est� falando?

Esta carta que recebi hoje pela manh�.

N�o mandei carta nenhuma.

Claro que mandou. Quem mais teria?

'Eu o vi mat�-la. Continuarei dizendo n�o importa o que fa�a comigo.

Voc� � um assassino.

Est� me importunando com suas acusa��es e agora manda cartas amea�adoras.

Isso � uma cilada. O que pensa que est� fazendo?

Voc� cometeu um assassinato. Eu vi!

Eu a previno, Sra. Draper, minha paci�ncia est� se esgotando.

Saia daqui!

N�o quero fazer-lhe mal. Na verdade, sinto pena de voc�.

Mas insisto que ponha fim as cartas e acusa��es.

Esta eu destruirei, como se nada tivesse acontecido.

Mas se continuar, serei for�ado a tomar medidas dr�sticas.

Saia daqui antes que chame a pol�cia.

Pode chamar, mas eu n�o aconselharia.

Sugiro que consulte um m�dico. Voc� n�o est� bem.

Sim?

Ah, ol�.

Ele n�o est�. Est� no curso de direito.

Sim, na UCLA.

Obrigada.

'Eu o vi mat�-la. Continuarei dizendo, n�o importa o que fa�a comigo.

Voc� � um assassino.

- N�o entendo. - Ele mesmo pode ter escrito.

Por qu�?

Para me implicar de alguma maneira, n�o sei como.

- Mas voc� disse que ele a destruiu. - Quem poderia ter escrito?

- Algum trote. - Mas ningu�m mais sabe disso.

Nem nos jornais saiu.

Muita gente sabe. O ascensorista, o administrador,

Eddy sabe, eu sei...

- Voc� a escreveu, Larry? - Conscientemente, n�o.

Est� dizendo que pode ter sido escrita inconscientemente?

� poss�vel.

Ah...

Bem, vai perder suas aulas.

Passarei por l� quando voltar. Conversaremos.

N�o. Vai ficar tarde. Preciso pensar.

Falarei com Richter amanh�. Talvez ele possa esclarecer alguma coisa.

Est� bem.

Ele disse que eu devia consultar um m�dico.

Bobagem.

Talvez deva mesmo.

Por favor, permane�a nesse endere�o. Entraremos em contato.

Continue tentando.

Ei, veja s� isso.

Teu amigo Richter virou not�cia.

'Herdeira se casa. Vi�ve de financista em segundas n�pcias.

Sra. Lathrab D. Overhill, esposa do falecido banqueiro internacional,

anuncia noivado com Albert Richter,

conhecido historiador e escritor. Que tal, coisa fina, hein?

Est� explicado por que n�o consigo falar com ele o dia todo.

J� deve estar gastando os milh�es.

Eu � que merecia uma esposa dessas.

Sargento Vincent.

Pode deixar, eu digo a ele.

O Capit�o Donnelly gostaria de v�-lo em sua sala imediatamente.

- Aconteceu alguma coisa? - Voc� n�o soube?

Vou assumir o departamento.

Como vai, Tenente? Sr. Richter.

Sente-se, Larry.

Parab�ns, acabei de ler sobre seu noivado.

- Obrigado. - Vai se casar?

- Sim. - Vai se casar com a Sra. Overhill.

Deu no jornal.

- N�o diga! Boa sorte. - Obrigado.

Larry, como este caso � seu, mandei cham�-lo.

� sobre a Cheryl Draper.

N�o leve a mal que eu tenha procurado seu superior, mas...

as coisas est�o ficando s�rias.

O que mais voc� est� sabendo, al�m disso?

N�o tem nada para saber. Ela � uma pessoa fina, inteligente...

talentosa e excepcional.

- Normal? - Hm-hmm.

Que hist�ria � essa de acusar o Sr. Richter de assassinato?

N�s dois j� discutimos isso.

Ela teve um sonho especialmente realista.

Est� sendo muito dif�cil convenc�-la de que n�o aconteceu.

Mas acho que j� se convenceu.

Acredito que o Sr. Richter n�o ter� mais problemas.

E como explica estas cartas?

Cartas? Como, mais de uma?

Duas cartas amea�adoras.

Recebidas pelo correio uma atr�s da outra.

- N�o � verdade? - Ontem e hoje.

Uma a cada entrega.

Posso v�-las?

A amassada eu ia jogar fora, mas pensei melhor.

Foi esta que comparou com a de ontem?

Sim, pensei que pararia se eu fosse l� pessoalmente.

Mas ao chegar a segunda, percebi que o caso era mais grave.

Para seu pr�prio bem, acho que algo deve ser feito, n�o concorda?

Dif�cil crer que ela faria uma coisa dessas.

O Sr. Richter n�o quer levar o caso � justi�a, se puder evitar.

Pensamos num exame m�dico preliminar para determinar sua imputabilidade...

Sim?

Mande-a entrar.

Mandei trazerem-na.

Queria esquecer esse assunto.

Mas h� outras implica��es, minha noiva, por exemplo.

Se atentar contra minha vida como diz em suas cartas...

ou se suas acusa��es absurdas chegarem aos jornais...

com o nome de Overhill publicamente associado ao meu

podem imaginar o constrangimento que seria.

- Larry! - Cheryl...

Do que se trata isso. N�o estou entendendo.

N�o se preocupe. Vai dar tudo certo.

S� precisamos esclarecer algumas coisas.

Este � o Capit�o Donnelly. O Sr. Richter voc� j� conhece.

Se colaborar, Srta. Draper, ser� a melhor solu��o.

Ser� melhor para voc�, para o Sr. Richter, para todos.

Por que fui trazida? Estou presa?

N�o precisamente. Queremos ajud�-la, Srta. Draper.

Ajudar como? Que foi que eu fiz?

- Larry, eu... - Vai dar tudo certo. N�o se preocupe.

Fique � vontade, sente-se.

Vamos por etapas para entender a situa��o.

Tente ser o mais objetiva que puder.

� apenas uma formalidade.

N�o posso tratar disso pessoalmente?

Sei que posso resolver tudo se nos permitir falar em particular.

N�o vejo por qu�.

Lembre-se que ningu�m quer prejudic�-la.

Mas tamb�m n�o queremos que prejudique ningu�m.

Como o Sr. Richter.

Insiste em acus�-lo de assassinato.

Mas j� falamos disso. J� admiti que estava enganada.

Eu sinto muito, me desculpe.

Estas cartas n�o fazem parecer isso.

Que cartas?

Sabe muito bem, as que escreveu para o Sr. Richter.

Ah, a que ele disse que eu escrevi. N�o me lembro de t�-la escrito.

- N�o pode ter sido outra pessoa? - E a segunda?

Tamb�m n�o se lembra?

A segunda?

Esta.

'Voc� � um assassino. Pode tapear a pol�cia, mas a mim n�o.

Se n�o o punirem por seu crime, eu o punirei.

N�o fui eu! Eu nunca escrevi isto!

- Larry! - Est� maquina de escrever � sua?

Bem... eu n�o sei.

Olhe bem, n�o tem pressa.

Acho que sim, parece com ela.

� sua, sim.

Recolhemos do seu apartamento h� menos de uma hora.

Esteve no meu apartamento?

Estas cartas foram escritas na sua m�quina.

Mora mais algu�m no seu apartamento?

- N�o. - Ent�o s� pode ser voc�.

N�o � verdade?

Vamos, foi voc�, n�o foi?

Melhor dizer a verdade.

N�o adianta fingir.

Mas n�o fui eu. Eu nunca escrevi isso.

Larry, diga que n�o...

Isto � uma cilada. Sabe que nunca escrevi essas cartas.

- Matou-a e agora quer me matar. - Cheryl...

N�o v� o que ele est� tentando fazer? Acredite em mim!

Cheryl, pare.

N�o pode adiar isso at� ela se sentir melhor?

N�o adiantaria nada.

Est� claro que ela precisa de assist�ncia m�dica.

Sugiro que seja internada imediatamente para ficar em observa��o.

- N�o! - � para seu pr�prio bem!

Quem faz o que voc� fez n�o pode estar bem.

Precisa de prote��o.

- Por favor, Capit�o. - Mas n�o estou louca, n�o estou!

N�o fa�a isso comigo, por favor!

Est� cometendo um grande erro.

A responsabilidade � minha.

Pois eu n�o irei! N�o irei!

- Arranjarei um advogado. - Est�o todos contra mim. Todos!

Mas eu n�o deixarei! N�o deixarei!

N�o deixarei...

Conduza o Sr. Peabody � biblioteca, por favor.

Est� acordando. J� n�o era sem tempo.

Deve ter levado um tranco.

Um choque desses at� que me faria bem.

Est� se sentindo esquisita? � o rem�dio. Vai passar.

- Como vim parar aqui? - Daqui a pouco se lembra. Est� no hospital.

Uma coisa � certa. N�o � a casa dos Vanderbilt.

- N�o se meta, May. - Diga logo a verdade.

Est� numa enfermaria sob observa��o, meu doce.

Cuidado com o que diz.

Ela anota tudo. Depois usam contra voc�.

Comporte-se, May.

Voc� se sentir� melhor depois de falar com o m�dico amanh� cedo.

Mas eu n�o tenho nada.

Tome um caf�. Vai se sentir melhor.

- Aproveita e traz um pra mim. - J� tomou o seu. Deixa de ser gulosa.

N�o fale nada, especialmente pro m�dico.

Concorde com tudo. Sen�o pode parar num manic�mio.

- O que foi, suic�dio? - N�o, n�o fiz nada.

Foi um engano. Um terr�vel engano.

O mesmo aqui. Querem me convencer que fiquei pelada no meio da rua.

Onde j� se viu? A maior arma��o.

Precisam botar gente aqui dentro, sen�o ficam sem emprego.

Conduza o Sr. Peabody � biblioteca, por favor.

Veja ela, maluca de pedra.

N�o deviam deix�-la aqui com a gente. Pode ser perigosa.

Para com essa cantoria. N�o conhece outra m�sica?

N�o me admira que tentasse se matar, ouvindo isso o dia inteiro.

Eu gosto dessa m�sica.

Conduza o Sr. Peabody � biblioteca, por favor.

Cala a boca!

Conduza o Sr. Peabody � biblioteca, por favor.

S� diz isso. Fica mon�tono.

# Eu tinha um homem... #

Aposto que nunca teve um homem.

Os homens faziam fila atr�s de mim.

Esse � meu problema. Homens.

Ficam atr�s de mim.

� alguma coisa que eu tenho, n�o sei o qu�.

N�o diga nada pra enfermeira, mas o m�dico tamb�m est� a fim de mim.

Por isso que ele me prende aqui,

- Podes crer! - Algu�m te perguntou?

N�o se meta. E para de cantar, est� me irritando!

# Eu tinha um homem, mas o perdi... #

Para com isso, j� disse!

- # N�o sei como... - Est� pedindo, n�?

Pensa que t� brincando? Te tor�o esse pesco�o!

Pensa que vou parar?

Parem com isso!

S� podia ser voc�! � s� dar as costas!

Volta pra cama e fica l�.

- Tenho que sair daqui! - Veja s� o que foi fazer.

Deite-se! Calma! Ningu�m vai te fazer mal.

Me tire daqui! N�o posso ficar aqui!

Conduza o Sr. Peabody � biblioteca, por favor.

- Sou a Cheryl Draper. - Sente-se.

- Costuma ter ataque de histeria? - N�o.

- Com que frequ�ncia? - Nunca.

S� ontem � tarde. Estava perturbada.

Quando era crian�a, costumava chorar quando queria alguma coisa?

Imagino que sim. Acontece com a maioria das crian�as, n�o?

- H� quanto tempo pinta? - Desde sempre.

Como se sente antes de come�ar um quadro?

Como se fosse pintar uma obra-prima.

E depois?

Como se n�o fosse.

H� uma pintura na parede de seu apartamento.

Uma espada apontando para o espectador

cercada de c�rculos, ret�ngulos e quadrados imperfeitos

desintegrando-se, com a predomin�ncia da cor vermelha.

O que isso significa para voc�?

N�o tem significado... Tem sentimento.

N�o pinto s�mbolos ou coisas, pinto emo��es.

Pelo menos eu tento. Nem sempre consigo.

Que emo��o representa, ent�o?

Nenhuma que se possa descrever. Voc� consegue descrever uma emo��o?

� o que a pr�pria pessoa intui.

Por exemplo, centenas de pessoas podem ver o mesmo por do sol

mas cada uma sentir� de forma diferente.

Quando viu o Sr. Richter pela primeira vez?

Na noite em que...

quando me pareceu estar assassinando algu�m.

- Nunca o tinha observado antes? - N�o.

- Tem certeza? - Absoluta.

� poss�vel que o tenha visto mas n�o lembre?

� poss�vel, mas n�o creio.

J� sonhou com o Sr. Richter?

N�o.

Referia-se a Richter quando disse � sua colega na Sloane

que algu�m estaria tentando mat�-la?

Eu disse isso? Acho que disse, sim...

Sim, era Richter.

Costuma transformar imagens sonhadas em realidade?

- N�o. - N�o acredita em fantasias?

N�o.

Tem medo do escuro?

- �s vezes. - Por qu�?

Sei l�, acorda-se assustada sem raz�o especial.

Acha que pode haver algu�m escondido no escuro,

talvez um homem que possa atac�-la?

� poss�vel, mas n�o creio.

O homem poderia ser Richter?

Possivelmente.

Acha que ele est� perseguindo-a?

Eu...

achava que ele queria me tirar do caminho por ser a �nica testemunha...

do que ele tinha feito.

Ainda insiste que ele cometeu um assassinato.

- N�o, agora n�o. - Mas insistiu.

Sim.

Por que mudou de ideia?

Bem, os fatos indicam que n�o. Devo ter-me enganado.

E as cartas?

Deve ter sido eu.

Mas negou.

� que n�o me lembro de t�-las escrito.

E agora se lembra.

Quem mais poderia ser? Foram escritas na minha m�quina.

Mas n�o lembra de t�-las escrito.

N�o.

Sim?

Ela est� aqui.

Direi a ela.

� s� isso. Pode ir.

Ao sair, passe pela dire��o no final do corredor.

Obrigada.

Doutor...

- Eu estou bem? - Veremos.

Obrigada.

Oh, Larry!

Fique firme.

Voc� vai para casa. Consegui um alvar� de soltura.

- Foi horr�vel. - Eu sei.

Espere s� um pouco. J� est�o acabando.

Assine aqui, por favor.

Estou mesmo perdendo o ju�zo, Larry?

Claro que n�o.

Alguma coisa tem que ser, ou n�o teria escrito as cartas.

Fui eu que escrevi, n�o foi?

Ao que tudo indica, sim.

Que horror.

N�o tem nada de horr�vel. � s� um dist�rbio.

Voc� � uma pessoa muito sens�vel.

Sofreu um choque que a perturbou.

� s� procurar um m�dico, como outra doen�a qualquer.

N�o � como outra doen�a qualquer.

Tolice.

Devia ver as pessoas com quem convivi esses dois dias.

Quando ser� que isso come�ou? Sempre me achei...

Cheryl, pare de pensar nisso.

O que eu vou fazer?

Estou t�o confusa.

E se te dissesse que ainda acredito ter visto o assassinato?

E que n�o escrevi as cartas.

� como se eu fosse duas pessoas diferentes.

Estranhas uma � outra.

Cheryl, por favor. Prometo que tudo vai se resolver.

� s� ter paci�ncia.

- N�o precisa subir. - Tem certeza de que ficar� bem?

Sim, tudo bem.

Larry, n�o devemos continuar nos vendo.

Que tal deixar que eu decida isso?

N�o, Larry.

N�o.

V�TIMA DE ASSASSINATO IDENTIFICADA

Que tal uma sobremesa bem caprichada?

Hoje, n�o, Tommy. S� um caf�.

O que foi? Mal tocou na comida.

N�o estou com fome, s� isso.

- Sim, senhor? - Obrigado.

- Traz a conta, Tommy. - E o caf�?

Hoje n�o.

MO�A ASSASSINADA IDENTIFICADA

JOYCE STEWART V�TIMA DE ASSASSINATO

Corpo de Griffith Park identificado como mo�a de Santa M�nica

Identificado corpo nu de mo�a encontrada no Griffith Park

Larry. Escute isso.

Acabei de ver Richter comprando todos os jornais e fiz o mesmo.

Todos t�m a hist�ria identificando a mo�a de Griffith Park e...

Sei que � remota, mas � poss�vel. Que raz�o teria para comprar os jornais?

E tamb�m acho que descobri como as cartas foram escritas.

Ele entrou aqui, destravou a porta...

e escreveu...

N�o, n�o tenho prova, mas...

Deixa pra l�.

Deixa pra l�!

Cheryl.

Cheryl!

Eddie.

Traga todos os jornais de hoje.

T� certo, obrigado.

Um momento.

Entre.

Estava esperando-a.

Me esperando?

Sim. Quando a vi comprando todos os jornais

sabia que me procuraria mais cedo ou mais tarde.

N�o quer se sentar?

- Ent�o sabe o que encontrei neles. - Naturalmente.

Ela...

era ela?

Era.

Voc� admite?

Para voc�...

sim.

Por que n�o?

- Se pretende me matar... - Vamos, sente-se Srta. Draper.

N�o seja melodram�tica. Claro que admito.

N�o preciso tem�-la. Voc� � louca.

Est� registrado na pol�cia e no hospital.

O que tiver a dizer sobre minha confiss�o

apenas corroboraria o diagn�stico.

Voc� tem uma ideia fixa comigo.

Talvez perigosa.

Provavelmente a trancariam num manic�mio.

- Entendo. - Claro que entende.

Voc� � t�o inteligente.

� uma pena que tenha tido o azar de testemunhar a morte da minha amiga.

Uma pena mesmo. Em outras circunst�ncias talvez pud�ssemos nos entender bem.

Voc� pinta muito bem.

N�o que admire seu estilo, mas muito bem.

E, como tamb�m l� meus livros, podia ser um relacionamento agrad�vel.

- V�o acabar te pegando. - N�o creio.

Embora admita que fiquei sobressaltado quando identificarem o corpo.

Nunca soube que Joyce j� tinha sido presa.

Pobre coitada.

Mas n�o h� prova alguma que me ligue a ela.

Mas voc� n�o pode...

Quem voc� pensa que �?

N�o importa quem ela era. N�o tinha o direito de mat�-la.

Tinha menos direito de viver. O que ela era, afinal?

Uma criatura com quem me divertia.

Imagine s�, uma coisinha insignificante como ela

pondo em risco o trabalho da minha vida.

Pondo em risco o futuro do mundo.

Pois eu, e s� eu, minha cara,

possuo a chave que o mundo aguarda.

O evangelho que pode muito bem tornar-se a religi�o de s�culos vindouros.

Com a fortuna de minha futura mulher e com a Srta. Stewart eliminada,

n�s avan�amos.

Avan�amos por sobre os ossos de pintores fracassados enlouquecidos,

palha�os italianos e camponeses georgianos.

rumo ao futuro.

Sim. Agora o caminho est� livre.

Com exce��o de voc�, minha cara.

Mas parece que est� num impasse, n�o �?

Se fosse voc�, Srta. Draper, eu desistiria.

De qualquer forma, cara senhora,

melhor ser� juntar-se a Srta. Stewart.

Sim... voc� olha para mim com desprezo e �dio.

� assim que quero que me olhe.

Pois no �dio h� amor, amor verdadeiro.

Amor que provoca dor, extingue a vida.

Voc� � louco!

Larry, ele confessou. Me disse que a matou.

Larry, ele � louco!

- Calma. - Voc� n�o acredita em mim.

Ele acabou de ligar dizendo que voc� esteve l�.

Os jornais! Ele estava lendo sobre a mo�a.

Disse que estava lendo sobre seu noivado. Tamb�m est� em todos os jornais.

Larry, voc� tem que acreditar.

Eu quero acreditar. Sempre quis.

Mas o que eu posso fazer?

J� disse e redisse para mim mesmo,

ela est� falando a verdade, ele � um assassino.

E da�? A que me leva?

Pelo menos se houvesse uma prova qualquer, por mais inacredit�vel que fosse,

mas n�o h�.

Voc� diz que ele lutou com uma mulher em seu apartamento.

Que mulher? N�o encontramos nada que corroborasse sua hist�ria.

N�o pense que n�o tentei.

Diz que � a mulher encontrada em Griffith Park.

Baseada em que diz uma coisa dessas? Como podemos provar?

Diga alguma coisa de concreto al�m das suas suposi��es, uma s�.

Estamos perdidos, Larry.

N�o posso prender ningu�m sem provas. Preciso de alguma evid�ncia.

Estamos perdidos.

Cheryl.

Sim?

� ele falando.

J� vou, Capit�o.

Ele n�o acreditou em voc�, n�o �?

Disse que n�o iria.

Melhor desistir.

S� nos resta agora dar um fim a isso.

Tarde demais. Ela foi embora.

Parecia muito abalada.

Vim aqui porque queria lhe falar sobre ela.

Estou preocupado com sua seguran�a.

Hoje � noite a vi em p� diante da janela de seu apartamento.

Dava impress�o de que ia pular.

Quando me viu, parece que mudou de ideia.

Foi quando ela veio ao meu apartamento.

- Ela contou outra hist�ria. - Mais acusa��es.

Coitada.

Sei que n�o � de minha conta,

mas acho que ela devia ser hospitalizada.

Algum sanat�rio onde poderia receber tratamento.

Com o tempo pode se recuperar. Casos assim t�m cura, voc� sabe.

- Veremos. - Se for quest�o de dinheiro...

agradeceria se me procurasse.

Poderia contribuir. Afinal, sinto-me respons�vel.

Gostaria de poder ajudar.

Gentileza sua, mas n�o ser� necess�rio. Obrigado, mesmo assim.

� s� uma ideia. Est� de p�, se precisar.

- Boa noite. - Boa noite.

Arranje uma policial para checar a Srta. Draper esta noite.

Nada oficial.

- Algum problema? - S� por precau��o.

Est� preocupado com alguma coisa?

Cuidado com presentes de grego.

O qu�?

� um ditado, 'Cuidado com presentes de grego.'

Encontrou mais alguma coisa sobre a Joyce Stewart?

Empacou.

O pessoal t� quase desistindo.

Se quer saber,

para mim ela era garota de programa. Arquivo morto.

Uma chance em um milh�o.

Dois milh�es.

Dois milh�es de qu�?

Do que est� falando?

- Vamos dar uma passada l�. - L� onde?

Onde ela morava. Tem seu endere�o?

Ficou maluco? O caso nem � nosso.

Vai se meter no trabalho dos outros.

- O que deu em voc�? - Somos detetives, n�o somos?

Vamos agir como detetives.

Detetives de tev�.

6:45 e vai procurar encrenca.

6:46, encontramos.

Melhor desistir.

S� nos resta agora dar um fim a isso.

S� nos resta agora dar um fim a isso.

um fim...

um fim...

um fim...

um fim...

um fim...

um fim...

Melhor tomar cuidado com essas curvas, senhora.

Tem um cara de prontid�o no apartamento. Poderemos entrar.

Tem certeza de que quer se meter nisso?

Esquece o apartamento. Vamos falar com o gerente.

Sim?

- Pol�cia - 3 C. Tem um policial l�.

Ele deixar� voc� entrar.

Antes quero lhe fazer umas perguntas.

Mais perguntas? N�o sei de nada.

Disse � pol�cia que n�o sei nada.

Era uma mo�a bonita. Mo�a bonita sempre se mete em confus�o.

Sem marido, d� problema.

J� viu este homem por aqui?

N�o. Nunca vi esse homem.

Obrigado.

Estou come�ando a entender. Mas como ele se encaixa nisso?

Tr�s milh�es.

As chances est�o diminuindo, hein?

� esse aqui.

Vamos tentar este primeiro.

Sim, o que querem? Estou preparando o jantar.

Outra vez? J� disse tudo que sabia.

Pode me prender. N�o sei mais nada.

- Quem s�o? Rep�rteres? - S� quero saber se j� viram esse homem.

- Eu n�o. - N�o. Este n�o � o assassino.

Se quer saber, acho que foram g�ngsteres que fizeram o servi�o.

- Algu�m te perguntou? - Cala a boca!.

S� faz se meter. N�o para de falar...

Ol�. Sua m�e est�?

Somos da pol�cia.

M�e! A pol�cia de novo.

J� viu esse homem?

- Uh-huh. - Sim?

Desculpe incomodar.

S� me diga se j� viu esse homem por aqui.

Nunca. N�o sei pra que tanto alvoro�o. Chega.

Obrigado.

Quatro milh�es.

Dessa vez eu te digo. Uma em dez milh�es.

Valeu a tentativa.

Vamos aproveitar e dar uma olhada no apartamento.

- De quem? - Da mo�a.

O que espera encontrar? J� vasculharam tudo.

N�o temos nada a perder.

- Vai acordar o tira. - Ele vai gostar. Deve estar entediado.

Vamos entrando. N�o esperava mais ningu�m a essa hora.

Os caras da per�cia vieram � tarde.

S� quero dar uma olhada.

Acha que foi ela?

Queria mais � sair desse buraco. S� fa�o escutar o r�dio.

E tomar cerveja.

Esse trabalho d� sede.

Quer uma? Tem na cozinha.

Guarda pra voc�. A noite pode ser longa.

Bem, acho que chega. Essas paredes n�o v�o falar.

As chances diminu�ram de novo.

Parece que sim.

Ora, a mo�a parece se amarrar em literatura da pesada.

S� literatura?

Melhor a gente ir embora.

Foi a coisa mais inteligente que disse hoje.

- Ora essa? - O que � isso?

Quem diria que ela lia livros de Albert Richter?

- Onde fica o telefone? - No quarto.

Vamos. As chances acabaram de aumentar muito.

- Estava esperando por voc�. - O que voc� quer?

Tenho algo aqui que quero ler para voc�.

'A quem possa interessar,

Estou muito doente e n�o vejo raz�o para continuar.

Que Deus me perdoe pelo que vou fazer.

Ser� melhor dessa forma.

Voc� escreveu isso na sua m�quina.

Foi a �ltima carta que escreveu antes de suicidar-se.

Voc� pulou da janela e morreu.

Eu tentei impedir mas n�o consegui.

N�o! N�o!

- Ele est� tentando me matar. - O que est� acontecendo aqui?

- Quem � voc�? - Pol�cia. O Tenente Matthews me mandou.

Estava tentando suicidar-se. Veja isso.

N�o! � parte do seu plano. Ele quer me matar!

Acalme-se!

Socorro! Socorro, ele est� tentando me matar!

Segure-a! Ela � louca.

O que aconteceu?

- Me salve! Me salve! - O que foi?

Pega o elevador e v� at� o �ltimo andar.

- O elevador n�o est� funcionando. - Tem que estar.

- O que foi que aconteceu? - Uma maluca tentando se matar.

Pol�cia!

Cheryl!

Seu...

Cheryl!

Voc� est� bem, rapaz?

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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