All language subtitles for Lonelyhearts por.(1958)

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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

CORA��ES SOLIT�RIOS

Ol�, Sra. Shrike.

Boa noite, Adam.

Como vai? Bem.

Sente-se.

Cigarro? N�o, obrigado.

Ah, eu esqueci.

Charlie.

Um ginger ale, por favor.

Com gelo.

J� experimentou Cinzano?

N�o � forte, mas relaxa.

� uma vergonha, mas acho que sou al�rgico a �lcool.

At� tento beber de vez em quando, mas passo mal.

Na verdade sempre passo mal.

Deus deve ter-se descuidado quando me fez.

Ou ent�o tomou cuidado demais.

Obrigado.

Ainda n�o conseguiu emprego?

Para ser sincero, n�o tenho procurado.

Quando conhecer seu marido talvez consiga um emprego no "The Chronicle".

� o que eu mais quero.

Quantas noites voc� j� esperou?

N�o muitas. N�o sei, n�o contei.

Mas sei que seu marido � um homem ocupado.

Como disse, �s vezes ele sai tarde do trabalho e se estiver cansado vai direto para casa.

� de se esperar.

Como vai sua namorada?

Vai bem, obrigado.

Justy � t�o paciente quanto eu.

Boa noite a todos.

Charlie, prepara a� minha dose mortal de sempre.

Ol�, Florence, querida.

Bill, este � o rapaz de quem lhe falei.

Ah, sim, Adam!

Como vai?

Seu nome me intriga. Sente-se.

Obrigado.

Prazer em conhec�-lo.

Em breve talvez se arrependa da imagem que faz de mim.

Como?

Como sabe que tem prazer em me conhecer?

H� dias que tento conhec�-lo.

Pode ser que mais tarde me arrependa, mas no momento � um prazer.

Florence disse que voc� � escritor.

Gostaria de ser.

Como conheceu a Sra. Shrike?

Sabia que este bar era um ponto de encontro de jornalistas

e como o "The Chronicle" fica perto daqui...

Tentei v�-lo em seu escrit�rio mas n�o me deixaram entrar.

Ent�o decidi me plantar aqui at� conhec�-lo.

Quanta dedica��o! Continue...

Bem, a Sra. Shrike estava aqui...

e deve ter-me achado meio desamparado e solit�rio.

Come�amos a conversar e ela teve a gentileza de se oferecer a me apresentar a voc�.

Minha mulher gosta de rapazes solit�rios.

Bill...

� verdade, n�o os conhe�o, voc� � o primeiro... Chega, Bill.

Sua esposa � uma mulher linda e encantadora.

Tem sido muito gentil.

Louv�vel defesa.

Ent�o quer escrever para o "The Chronicle"? Sim.

Muito bem.

Me escreva alguma coisa.

Como?

Quer escrever? Vamos l�.

Ou�amos o que tem para escrever.

Agora? Claro.

Amanh� posso estar morto.

Um infarto, hemorragia, acidente de tr�nsito, um bueiro destampado.

Este � o momento. Prossiga.

Bem...

Ah, voc� � lento. Isso n�o � bom num jornal.

Talvez prefira ser entregador em vez de escritor.

Talvez.

Muito bem...

Primeiro a manchete:

Editor conhece novo membro da equipe.

Subt�tulo:

Novo escritor se submete a teste.

A mat�ria:

William Shrike,

editor-chefe do "The Chronicle",

conheceu ontem � noite o novo membro de sua equipe

no ambiente pungente do Delehanty's, ponto de encontro de jornalistas.

� primeira vista, o Sr. Shrike mostrou-se sard�nico e indiferente

com a apar�ncia do novo rep�rter.

S� para test�-lo, chegou at� a insultar sua esposa.

O rapaz, contudo,

ansioso pelo emprego,

resistiu ao impulso de acertar o Sr. Shrike

e resolveu controlar-se.

O Sr. Shrike, impressionado com a ambi��o do jovem,

e divertindo-se �s custas da sua falta de coragem,

decidiu contrat�-lo para fazer parte do seu jornal.

Fim.

Muito bem, defensor da f�.

Pode ir.

Charlie.

Boa noite, Sra. Shrike.

Sinto muito.

Fico muito agradecido.

Meu jovem, apresente-se no jornal amanh� �s 11.

Tenho algo em mente para um homem com tanta nobreza de car�ter.

Pau-de-arara?

N�o se atrase.

Boa noite.

Parab�ns.

Acho que ele escreve bem.

Acha mesmo?

Nesse caso tem direito a uma recompensa.

O que voc� quer?

Outro Cinzano?

Pelo valor recebido.

Charlie.

Oi.

Oi. Oi, Adam.

Oi, Sr. Sargeant.

Oi, Adam. Quer pipoca?

N�o, obrigado.

Entra, o filme est� �timo.

N�o, querida, quero falar com voc�.

Adam, entra. Ou ent�o, Justy, sai voc�.

N�o vai me perguntar quais as novidades? Quais s�o as novidades?

Que bom que perguntou.

Conseguiu?

Voc� est� falando com o mais novo contratado do "The Chronicle".

Qual � o sal�rio?

O qu�? Como assim qual � o sal�rio?

Trago uma not�cia importante e voc� quer saber o sal�rio?

Alguma coisa eles devem pagar.

Duvido muito.

Querido...

N�o sei, talvez um m�nimo determinado pela associa��o dos jornalistas.

Vamos tomar uma Coca.

Pelo jeito, voc� tem 3 op��es: laranja, laranja ou laranja.

O que acha que v�o mand�-lo fazer?

Pra come�ar, qualquer coisa indigesta, eu imagino.

Mas aos poucos vai-se aprendendo, te d�o cr�dito

e enfim...

a chance de escrever o que se quer.

Quantas maneiras existem para dizer "Eu te amo"?

Uma.

Que gosto bom de laranja.

Entre, luz da minha vida.

Reposit�rio da minha juventude dourada.

Para de zombar de mim.

N�o estou zombando, � verdade.

Seus ouvidos tamb�m ficaram frios.

Em voc�, meu amor, eu vejo minha juventude.

Por isso eu te adoro.

Quer tomar leite? Leite?

Com meu est�mago se dissolvendo em �lcool?

Quanta gentileza! Pare de falar assim comigo!

Pare de me humilhar! Pare!

Por que n�o acaba logo com isso?

Pelo amor de Deus, diga que est� tudo acabado mas n�o fa�a isso comigo

Posso falar?

Ainda n�o respondeu � minha pergunta.

Se n�o consegue me perdoar, por que continuamos juntos, Bill?

Por qu�?

Porque eu tamb�m estou de luto.

Irremediavelmente de luto ao p� do t�mulo.

Voc� tamb�m est� de luto, Florence.

� minha mulher mas vi�va do nosso amor.

Disfar�a atr�s dessa apar�ncia alegre � espera de sua ressurrei��o

para que possa receb�-lo com o frescor de uma noiva.

E voc�, espera pelo qu�?

Paz.

Pelo menos um dia em que possa me esquecer da imagem de uma jovem esposa...

Mas j� faz dez anos.

Dez anos!

Qual � a pena para adult�rio?

Eu estava s�, b�beda.

Voc� j� tinha me tra�do tantas vezes!

Ah, queria ficar quites.

N�o foi isso.

Como se chamava o rapaz?

Adam?

Adam de qu�?

N�o sei.

Ele disse mas eu esqueci.

S� o vi no Delehanty's.

Eu acredito.

Tamb�m acredito nele.

Ele tem aquela cara virtuosa de quem n�o tocaria na mulher de outro homem.

Ainda.

Bill...

Daqui a pouco me dir�...

que estou b�bedo.

Pela cent�sima vez eu ia lhe pedir desculpas.

Pela cent�sima vez ia dizer que esperava que pud�ssemos encontrar um jeito de ficar bem juntos.

J� tomei meu leite.

Posso ir pra cama?

Sabe?

Seus reflexos s�o constantes.

Copo sujo tem que ser lavado.

Jovem ambicioso tem que ser ajudado.

E os seus reflexos?

Jovem ambicioso s� pode ser um aproveitador.

O bom tem que ser mau.

Conhe�o esses homens bons.

Tem sido bom por falta de incentivo para ser mau.

Conhe�o esse tipo muito bem.

Boa noite, Bill.

Te ofendi?

Querida...

durma bem com teus sonhos

para que eu tamb�m possa.

THE CHRONICLE FUNDADO EM 1904

Oi, Gates.

Ol�.

Detesto chuva.

Bem... toma aqui.

Odeio tudo.

Simplesmente odeio.

Minha mulher.

Este jornal, que n�o muda h� 30 anos, desde que se chamava "The Gazette".

Acho que tamb�m te odeio, Goldsmith.

Sim?

Obrigado.

Shrike est� subindo.

E, por �ltimo, odeio chefes.

N�o o conglomerado do "The Chronicle".

Para mim, isso � s� uma massa cinzenta.

Falo dos chefes em carne e osso.

Tipos nojentos como nosso ilustre Sr. Shrike.

Teve uma noite ruim, hein?

Horr�vel.

Fui assistir � produ��o de ''Otelo'' com atores negros, caiu um aguaceiro,

quando cheguei em casa Jenny estava dormindo e n�o consegui escrever nada.

Me d� alguma ideia.

"Ontem assisti a uma produ��o de Otelo na universidade...

Uma droga.

Senhores.

Como est�o empregando seu tempo?

Est�vamos falando.

Qual era o assunto em pauta?

Fiss�o nuclear?

Elei��es?

Literatura americana moderna, ou seu trabalho?

Shakespeare. Mas o que ia falar, e falarei agora,

� da coluna "Srta. Cora��o Solit�rio''.

Voc� quer escrev�-la? Gostaria sim.

Acho que pode dar algo s�rio.

Mas voc� � necess�rio na cr�tica de cinema.

Teatro amador.

Resenhas de feriados nacionais.

P�scoa, Natal, A��o de Gra�as, entrevistas... � insubstitu�vel!

Voc� � t�o importante nessa se��o quanto minhas am�dalas,

que eu tirei h� uns 40 anos.

Como voc� pode odiar um cara assim?

Por que ele � assim?

Por que n�o entro l� e digo que ele me apunhalou pelas costas?

Por que n�o quebro a cara dele?

Sei l�, Ned.

H� muito que deixei de ser fil�sofo.

Agora eu trabalho para sobreviver.

Que tal almo�armos no chin�s?

Adam!

Bom dia.

A maior mentira da sua vida.

� de arrepiar.

Fuma? N�o, obrigado.

Tire o sobretudo.

M�os � obra.

Muitos dos nossos leitores nos escrevem,

espontaneamente.

Para nossa sorte contamos com videntes, profetas e anjos

que sabem responder �s perguntas que eles fazem preocupados, apreensivos, ansiosos,

perplexos, impacientes.

Ent�o este jornal, embora meio conservador e desgastado,

vem considerando a ideia de criar uma coluna fixa.

Chamar-se-� ''Srta. Cora��o Solit�rio''.

Ser� publicado 6 vezes por semana,

com uma m�dia de 1000 palavras por dia.

"Srta. Cora��o Solit�rio".

Pediremos que enviem cartas e responderemos dando conselhos sobre qualquer assunto.

Menos doen�as f�sicas.

Transtornos mentais entretanto ser�o aceitos

e voc� � uma autoridade nesse assunto.

N�o... n�o sou, n�o.

Acabo de dizer que voc� �.

J� li alguma coisa nessa linha, Freud e Menninger, mas...

Oh, n�o, nada dessa baboseira.

Use os salmos, ora��es.

Todo o acervo de magia organizada.

Vou ser editor religioso?

Ainda n�o foi contratado, William Randolph Hearst.

O que est� te incomodando?

Sr. Shrike, eu...

n�o acho que seja o homem que procura para o cargo.

Adam, n�o estou pedindo que opere milagres com essa coluna.

Se, como Srta. Cora��o Solit�rio, isso for necess�rio,

seja discreto.

Estou sendo justo?

Insensato?

Nosso her�i vai jogar pro alto essa chance de tornar-se um jornalista?

Acho que n�o.

Muito bem, meu ne�fito.

Vamos.

Vou te encaminhar.

Fiquem sentados, senhores. Deixem as boas vindas para mais tarde.

Este � Adam... de qu�? Adam White.

Adam White.

Estes s�o os pilares da minha equipe.

Ned Gates, um dramaturgo que promete...

uma promessa furada.

Frank Goldsmith.

O Sr. Adam vai escrever a coluna dos Cora��es Solit�rios.

Usar� a mesa dispon�vel.

Providenciarei uma m�quina de escrever. Vamos.

At� mais tarde, rapazes.

Rapazes n�o, homens.

Seus colegas preferem ser tratados por homens.

Podem n�o merec�-lo, mas assim exigem.

Essa � uma p�rola!

Sou uma mo�a com menos 30.

H� 11 anos estou com um homem que promete casar-se comigo.

Essa daqui foi teimosa!

Bl�, bl�, bl�... Bem.

Parece que encalhou com um enxoval, m�veis e 3 meses de aluguel

porque o pilantra se mandou para Las Vegas com a gar�onete de um drive-in.

A� ela pergunta:

O que devo fazer? Sou solteira e n�o tenho ningu�m.

O que vou dizer aos meus amigos? Que o dispensei? Me ajude... sinceramente... estou farta.

Essa � f�cil. Manda ela pegar o dono do drive-in.

Esta se assina "Muito preocupada". Isso significa que est� solteira e gr�vida.

Meu filho acaba de ser...

eleito sargento do ex�rcito dos E.U.A.

N�o aceita mais meus conselhos. � jovem e precisa da ajuda da m�e

mesmo que seja sargento.

Como farei para ele me escutar? Sinceramente...

Curioso!

Tudo que ela tem que fazer � alistar-se e ser eleita sargento.

Escuta aqui, White,

eu queria essa posi��o e n�o consegui.

Estou tentando acabar a minha coluna.

Cala a boca.

Me desculpe.

Ele � detest�vel... como o Shrike.

Sinto muito se voc� n�o conseguiu, mas eu n�o queria esse trabalho.

Teria tentado dar mais seriedade � coluna.

Diga a essa gente pra parar de se lamuriar.

A vida � para ser enfrentada.

E se n�o se consegue?

S� uma resposta por cliente.

O que tem nessa? Div�rcio, suic�dio,

desvio de septo?

Ela � cega.

Ou�a esta.

Meu pai diz que pode ser um castigo

por algo que fiz,

ou por algum dos seus pecados.

N�o me lembro de ter feito nada errado,

exceto uma vez quando quebrei o espelho de minha m�e.

Tinha sete anos.

�s vezes acho que deveria dar um fim a isso tudo. O que posso fazer?

Sinceramente, etc...

S�o todas assim.

Primeiro a gente ri, depois...

n�o consegue mais.

N�o tem outro cargo no jornal?

N�o, at� j� sondei, mas n�o.

Fa�a o melhor que puder.

Seja bom ao ponto de for��-lo a te dar outra tarefa.

Olha pra mim.

Comecei como arquivista e em dois anos me tornei secret�ria.

N�o � bem a mesma coisa.

Eu sei.

Mas como pode desistir antes de come�ar?

N�o leve essas cartas t�o a s�rio.

Se algu�m est� em apuros, como n�o se preocupar?

Quem escreve para um jornal s� pode estar com a auto-estima muito baixa.

Mesmo assim, pode estar em apuros.

Adam, querido...

Como homem honrado, imagino que n�o esteja trabalhando s� para me impressionar.

Na verdade, � a �nica raz�o.

N�o tenho te visto no Delehanty's.

N�o senti saudades, mas minha mulher sim.

A mesma baboseira de sempre? Hm-hmm.

Na sua primeira semana aqui costumava escrever uma coluna e responder 1 ou 2 cartas por dia.

Na semana seguinte foi mais lento.

Hoje chegou �s 10, j� s�o 7 e ainda est� batalhando por m�seras 1.000 palavras.

Leva tempo.

Talvez esteja come�ando a amar seu trabalho.

Pode ser.

Cuidado com o ego�smo que hipocritamente chamamos de amor.

Infelizmente eu acredito no amor.

Em bondade tamb�m?

Tamb�m.

Amor e bondade.

A humanidade � boa.

Escuta aqui, menino sonhador.

Melhor tomar um banho e tirar essa col�nia. Est� fedendo.

Na minha adolesc�ncia eu era capit�o do meu time de futebol.

Bravo, forte, cheio de garra.

Um dia, quebrei meu tornozelo.

Durante semanas as pessoas me cercavam s� para apertar minha m�o e assinar seus nomes no gesso.

A� o m�dico me disse que eu nunca mais jogaria.

Adeus, Charlie! N�o disseram, mas � como se tivessem...

Adeus Shrike, voc� j� era.

Mais do mesmo?

Aos 30 eu j� era editor do jornal e todos eram t�o simp�ticos.

Mas quando me mandaram embora junto com tantos outros

Fiquei cercado de um vazio total.

Nenhum aperto de m�o, apenas o dedo frio da indiferen�a.

Pois continue a� na sua busca desesperada e angustiante.

Mas pouparia uma fortuna em tempo se desse ouvidos ao velho Shrike.

A enciclop�dia dos ot�rios.

Subt�tulo:

Todos os homens.

Sr. Shrike, acho que tem um pecado,

dos grandes.

� muito c�tico.

Que mundo seria esse se todos fossem criados � sua imagem?

Guarde seu discurso para os trouxas.

Se quiser outra pessoa para esse emprego pode procurar.

Isso � um ultimato?

Chega de conversa, tem uma hora para entregar isso.

Baixa um pouco o volume, filho.

N�o tenho sido boa companhia para ningu�m,

muito menos para voc�.

Voc�s n�o entendem nada de mulheres.

Tentamos.

Mas n�o entendem.

Meninas come�am a pensar em meninos aos 4, 5.

Os meninos come�am mais tarde.

S� pensam em subir em �rvores, atirar pedras, caub�is e �ndios...

� mesmo?

A�, quando chegamos aos 13, 14,

achamos que eles come�am a se interessar um pouco.

E se interessam sim.

Talvez.

Mas ainda se interessam mais por beisebol,

basquete, futebol, todos os jogos menos aquele que n�s queremos jogar.

A�, na idade certa, eles come�am a correr atr�s.

Correm atr�s de voc�?

Mas ent�o n�s queremos casamento e eles...

outra coisa.

Se der sorte te pedem a m�o,

talvez at� deem um anel.

Os dias passam e n�o os vemos mais.

Quando os vemos

dizem que n�o fazemos parte desse mundo secreto.

Desse mundo de trabalho e preocupa��es.

Que tal o programa? Legal.

Legal.

Querido, quero saber o que est� fazendo, pensando.

Algum mal nisso?

N�o, claro que n�o.

Hoje recebi uma carta de uma menina.

Tem 16 anos.

Nunca saiu com um rapaz.

Talvez nunca saia.

Acidentou-se num inc�ndio e o nariz ficou desfigurado.

N�o tem mais nariz.

Que horror.

N�o pode se envolver desse jeito com todos os problemas do mundo.

Acha que tem que ajudar todo mundo.

O qu�?

Que mundo � esse que tacha de maluco quem quer ajudar pessoas com problemas?

� pecado ser sens�vel?

Adam...

Fazer o bem � crime? Por que seria?

Voc� tem irm�os demais.

N�o quero te aborrecer, por que est� t�o nervoso?

Quanto falta? N�o sei. Eu estava dormindo.

Pois ent�o pare. Pai, os meninos t�m aula amanh�.

Tudo bem.

Adam, n�o se envolva tanto assim.

Voc� tem raz�o.

Toda raz�o.

O que posso fazer?

Pedirei ao Shrike que me d� outra posi��o.

Se ele se negar, que me despe�a.

Tem milh�es de coisas que pode fazer naquele jornal.

Te vejo amanh�?

Claro.

No mesmo lugar?

J� vai, Adam?

Sim, boa noite.

Boa noite. Adeus.

Televis�o educativa...

Boa noite.

N�o se esque�a: voc� consegue fazer qualquer coisa.

Boa noite.

Gallahad!

Boa noite. Sente-se.

Oi, Adam.

O que o traz a este santu�rio?

N�o prefere falar sobre isso amanh�?

Nada deve esperar at� amanh�.

At� l� os diplomatas podem ter dado um tal jeito nas coisas

que teremos desaparecido numa explos�o at�mica.

N�o acha prov�vel que ainda estejamos aqui amanh�?

A esperan�a � a �ltima que se perde.

Mas os arsenais s� fazem crescer E as bombas ficam mais potentes.

Os dedos que apertam os bot�es ficam mais impacientes.

E dois bilh�es de pessoas n�o sabem e nem se importam com o que est� acontecendo no mundo.

N�o seria poss�vel v�rias pessoas falarem a uma s� voz

para protestar?

Escuta aqui, vision�rio,

vox populi,

a voz do povo n�o passa de um grunhido,

nem mesmo um gemido.

Bem...

a raz�o da minha visita n�o � discutir isso.

Ent�o veio para falar de assuntos s�rios?

Para mim, sim.

Quero um emprego diferente.

Tem alguma raz�o aceit�vel?

� um pesadelo.

N�o gosto de escrever a coluna dos Cora��es Solit�rios.

Por falar em pesadelos,

Meu pai foi Presidente dos E.U.A.

Sempre exigiu uma boa raz�o para dispensar membros do seu gabinete.

Por isso tive que ser Secret�rio de Estado durante 30 anos.

Me d� uma raz�o, Adam.

Uma raz�o.

Meu pai era chefe dos chefes dos Apaches.

Muito bem.

Sonhos sobre os pilares que sustentam nossas vidas.

As cartas mandadas para a coluna me ensinaram a n�o rir de sonhos.

N�o rir dos enfermos que querem se curar

ou dos solteiros que querem se casar.

N�o consigo rir deles,

e tamb�m n�o consigo ajud�-los.

Se n�o consigo ajudar s� estou enganando todos esses tristes,

at�nitos, desesperan�osos, desesperados, desiludidos...

Prefiro ignor�-los a mentir para eles.

Antes estar morto do que rir deles.

Florence...

Suas l�grimas me comovem profundamente.

E voc�, cavalheiro, � um falso.

Fala de fazer o bem.

Na primeira chance de exercer seu of�cio voc� foge como um m�dico assustado na sua primeira cirurgia.

Por pouco julguei que fosse um bom samaritano.

Pois � o que ter� que ser sen�o perder� seu emprego.

Estou emocionado.

At� amanh� de manh�.

Talvez esteja fazendo isso mesmo.

Te emocionando.

Ele � um falso.

Um pilantra querendo passar por bonzinho.

Seria capaz de pilhar meu cad�ver.

Por que n�o o despede?

Porque gosto de ver esses jovens furarem suas promessas.

� como ganhar na loteria.

Alguma pergunta mais?

N�o.

Vou pra casa. Florence...

Antes que se v�. Por que uma mulher trai seu marido?

S� por curiosidade.

Quer uma resposta simples?

Gostaria sim.

Traem porque s�o vagabundas.

Falou a palavra m�gica.

Agora podemos ir pra casa.

Senhor, com licen�a.

Sim, senhora.

J� vi esse rapaz que estava com o senhor em algum lugar.

N�o diga.

Desculpe o atrevimento, mas podia me dizer quem ele �?

Ele trabalha no "The Chronicle".

Escreve a famosa coluna ''Srta. Cora��o Solit�rio''.

Cora��o Solit�rio...

Voc� tem algum problema?

N�o.

S� queria saber, obrigada.

Sou uma fonte de informa��es.

O que senhor faz?

Chega, Fay. Para de bisbilhotar.

Desculpe, Pat. Com licen�a.

Boa noite.

Pra que queria saber?

Por que sempre faz perguntas a desconhecidos?

S� s�o desconhecidas at� que se fale com elas.

Da pr�xima vez n�o voltamos aqui. � caro demais.

Como quiser, Pat.

Como quiser, Pat.

Voc� me deixa maluco, Fay.

Completamente maluco.

Como quiser, Pat.

A se��o de F�rias ficara �tima.

Pode dizer � C�mara de Com�rcio que n�s somos a favor das f�rias.

Certo.

Menta ou frutas?

Normalmente minhas perguntas n�o s�o t�o prosaicas.

Eu sei.

Nem minhas desculpas, quando pe�o.

Quando a chamei pensei que fosse acabar mais cedo mas ainda estou ocupado.

Esperarei no Delehanty's?

N�o demorarei, mas � que prometi � C�mara de Com�rcio.

Eu espero.

Daqui a pouco estarei l�.

Prometo com um beijo.

Edna, diga ao Adam que quero v�-lo.

Sim, ele veio trabalhar hoje,

se � que tinha d�vida.

N�o tinha.

Ele n�o teve escolha.

Precisa mesmo?

O qu�?

Mant�-lo na coluna?

Sim.

Ent�o,

como v�o as coisas?

Indo.

Se fui grosseiro ontem, foi intencional.

N�o fique taciturno.

Eu respeito raiva, rancor... N�o estou...

impaci�ncia e at� insol�ncia, mas gente taciturna me irrita.

Estava pensando em outra coisa.

Acabo de assinar meu pedido de demiss�o,

mas depois a rasguei.

Fico contente de saber.

Prefiro que n�o pe�a demiss�o.

N�o at� descobrir o que faz voc� bater.

N�o sou rel�gio.

Est� sendo pragm�tico, Adam.

Sente-se.

N�o estou falando da selva que temos dentro de n�s.

A selva das veias, das entranhas emaranhadas,

dos pulm�es cinzentos,

intestinos dourados e �rg�os vermelhos e amarelos...

Estou falando do p�ssaro chamado ''alma''

que mora l� dentro,

e que todos n�s buscamos.

Cat�licos, protestantes, hebreus, budistas...

Essa � minha pergunta, Adam.

Voc� tem esse p�ssaro?

E como ele est� de sa�de?

O que � que te consome?

Fome, ainda n�o almocei.

Espere.

Esses caras que escrevem colunas de conselhos, ajuda e apoio,

toda essa gente cheia de respostas f�ceis acaba atirando no pr�prio p�.

Come�am a dar uma de Deus.

Andam por a� com os Dez Mandamentos em uma m�o

e rel�mpagos e trov�es na outra.

Voc� ainda � meio jovem para esse papel.

Sr. Shrike, qual � seu problema?

Algum dia,

quando estiver a fim de me abrir,

mandarei uma carta para voc� assinada ''Perplexo''.

Quem sabe voc� possa me dizer?

Boa tentativa.

N�o pode usar o punho.

T�m que ser lan�adas na horizontal. Se usar o punho n�o conseguir�.

Bem, fique de olho no mestre.

Legal.

Parece cinerama.

N�o tem mist�rio.

Deixa eu tentar.

Peguem as cartas, meninos.

Toma.

Pelo jeito vai passar horas fazendo isso.

Srta. Sargeant, s� porque n�o domina esta arte de prestidigita��o...

Arte de prestidigita��o uma ova!

Que estraga prazeres.

Quer jogar domin�?

Temos t�o pouco tempo pra ficar juntos.

Em plena noite de s�bado e voc� jogando com meu pai e meus irm�os.

A noite mal come�ou, querida.

N�o parava de pensar em amanh�, domingo...

e agora voc� diz que tem sair.

Temos muitos domingos pela frente.

E prometo que volto pra jantar.

O que voc� vai fazer?

Vou ficar fora umas cinco horas.

Onde voc� vai?

Justy, querida...

n�o sei se...

Sim, vou contar.

Tem uma loira me esperando...

Sou t�o possessiva!

Eu gosto. E ego�sta.

Diga, por que voc� me ama?

Por qu�?

Eu te amo porque voc� me ama,

e porque voc� me quer,

e porque voc� quentinha e fofa

nos lugares errados.

Estou sendo po�tico demais?

Onde voc� tem que ir domingo?

Onde tenho que ir?

Prometi que ia ao meu antigo orfanato.

Prometi, tenho que cumprir.

Por que n�o disse logo?

N�o disse porque...

essa hist�ria de ser �rf�o...

Isso � a coisa mais boba que voc� jamais disse.

Adam, querido, eu serei sua fam�lia.

Quero saber tudo que se passa na sua cabe�a.

Eu te amo.

APENAS PRlSlONEIROS

Oi, pai.

Ol�, Adam.

J� revistaram.

� sobre beisebol.

Acho que vai gostar.

Ainda pretende ser escritor? Hm-hmm.

Deve dar algum dinheirinho.

De vez em quando.

Um dia desses quem sabe escreve um livro?

"Meu Pai � um Presidi�rio", por Adam Lassiter. Que tal?

Tudo bem, pai?

Tudo bem.

Ainda est� trabalhando na carpintaria?

N�o, agora estou na lavanderia.

Voc� n�o tem escrito para mim.

Bem...

tenho trabalhado muito e...

sabe como �...

Sabia que ia v�-lo, o tempo foi passando...

Eu compreendo. detesto escrever cartas.

N�o tem nada para falar.

Mais de 25 anos no mesmo lugar, nada de novo.

N�o tenho dormido bem ultimamente.

Aquele sonho est� voltando.

Sua m�e na cama.

N�o... n�o... vamos falar disso de novo.

Come�a sempre da mesma maneira.

Sua m�e na cama,

eu entrando pela porta, ela me v�.

O homem come�a a se levantar...

Eu levanto a arma e come�o a atirar.

N�o paro de atirar.

As manchas vermelhas come�am a aparecer neles.

N�o consigo parar de atirar.

Eles n�o dizem nada.

Nada.

Eles mereciam.

H� meses que eu j� sabia.

Esperei para peg�-los e peguei-os de vez.

Fiz bem.

N�o fiz?

Pai...

Voc� est� me julgando.

Ganha um trocado, alivia a consci�ncia e depois vem aqui para me julgar.

N�o estou julgando.

Voc� ainda era crian�a.

Pintava ela como a m�e perfeita.

N�o passava de uma vagabunda.

Essa � a verdade.

Esse livro � engra�ado?

N�o sei, disseram que era.

N�o � seu estilo, �?

Pelo menos � o que me disseram.

Obrigado pelo livro, as balas e os len�os.

Quando voc� volta?

Em breve.

Em breve, hein?

Daqui a alguns meses?

Provavelmente antes.

N�o se force.

Adam...

Sim?

Est� magro demais.

Estou em forma.

Aposto que gostaria de cuspir na minha cara.

Nunca diz o que pensa.

Me odeia por ter matado sua m�e, mas nunca diz.

N�o conseguiria odi�-lo.

Bem, j� vou ent�o.

At� logo.

Tchau, pai.

PROIBIDAS TROCAS ENTRE VISITANTES E PRISIONEIROS SEM REVISTA PELO GUARDA

N�o, nunca vi nenhuma produ��o de "Casa das Bonecas".

Sim, conhe�o a pe�a.

Qual � o problema?

N�o, lbsen via Nora como um s�mbolo da mulher que inibe seu passado.

Certo.

De nada.

O cara acabou de ganhar uma aposta com a mulher e n�o quis me dizer qual era.

Senhores!

Uma colmeia.

Vai almo�ar?

Espera eu acabar a partida.

Pode ir, a pr�xima jogada ser� xeque-mate.

Bem,

vamos admitir, al�m de bom perdedor tamb�m sou constante.

Passei os �ltimos 15 minutos da minha vida estudando sua coluna.

Neste mundo dif�cil e ansioso da bomba at�mica,

n�o podemos fazer jogo de respostas espirituosas recheadas de clich�s.

Os problemas do seu irm�o n�o podem ser resolvidos apenas com o cora��o.

Precisa recorrer �queles que estudem sua mente.

Sugiro que consulte um bom psiquiatra.

Est� falando s�rio?

Por que n�o?

Assim voc� perder� leitores.

Esperam que voc� seja o or�culo.

N�o s�o os seus leitores que me preocupam, mas sim que eles deixem de ler o jornal.

Estou perdendo?

Por enquanto ainda faltam dados.

Mas n�o se pode dizer que voc� seja uma sensa��o.

Na sua opini�o, o que tem de errado na minha resposta?

Quase tudo.

Essa mulher falando do irm�o quer que lhedigam que est� agindo bem.

O irm�ozinho � travesso, tem que ir � igreja.

Se isso n�o der certo, pra pol�cia. Pra que complicar a vida dela?

E onde vai arranjar $25 por hora de an�lise?

Numa cl�nica p�blica n�o gastar� um centavo.

As filas dobram o quarteir�o.

Ent�o deveria haver mais m�dicos.

O que � mais importante...

� que talvez descubra que ela odeia o irm�o

e quer p�r o idiota pra fora de casa.

Vejamos ent�o... poderia aconselh�-la a suicidar-se.

Boa ideia.

Mas pode afetar nossa circula��o. Sou contra apenas por quest�es comerciais.

Que tal mimeografar um modelo de carta

e mandar para todos?

Pode ser?

Adam.

Essas pessoas que escrevem s�o todas umas falsas.

Como o resto da humanidade.

� s� ler o que sai nos jornais.

Desespero, engana��o, duplicidade, degrada��o...

Tudo nas manchetes de Moscou a Minneapolis.

De Caracas � Calif�rnia.

� s� atentar para os 10 mais.

Est� se referindo � Confer�ncia de Futebol?

N�o.

Aos 10 mandamentos inviol�veis que devemos obedecer.

Seria o fim das transa��es comerciais se obedec�ssemos ao 1�, 8� e ao 10�.

N�o amar�s outros deuses, n�o furtar�s, n�o cobi�ar�s.

Nada de pris�es nem asilos se obedec�ssemos ao 5�, 6� e o 9�.

Ou seja, honrar�s teu pai e tua m�e.

N�o matar�s.

N�o dar�s falso testemunho.

A procura por d�lares, rublos e francos d� conta do 2�.

A imagem esculpida.

Quem n�o toma Seu santo nome em v�o?

Quanta gente joga ou assiste a jogos aos domingos

transgredindo o 3� e o 4�?

Sobra o 7�.

O grande 7�.

Se todos os ad�lteros se juntassem,

cortariam fora o 7� do livro.

As pessoas s�o animais,

farsantes,

fraudes...

Admita.

Fascinante.

Tudo bem. Descubra por si mesmo.

Ligue para esta,

ou esta,

ou esta.

Que hist�ria triste � essa?

Um homem... est� faminto... desempregado, doente.

Algum b�bedo provavelmente.

O que mais tem a�?

Bem, a t�pica esposa de um parapl�gico

pede ajuda, como todas as outras.

Ajuda para qu�?

Conhe�o 4 maneiras vulgares para descrever o que ela precisa.

Com certeza pensaria em 15 se se desse ao trabalho.

Escolha qualquer uma dessas,

Conhe�a pessoalmente esses escritores amadores.

Ou n�o se atreve?

Al�?

Sim, � a Sra. Doyle.

Sim.

Claro.

Oh...

� muita gentileza sua ligar.

Sei que pedi, mas n�o esperava.

Sim.

� disso mesmo que eu gostaria.

Falar com voc�.

N�o, aqui n�o d� porque...

Meu marido, voc� entende.

N�o, n�o gostaria de ir ao seu escrit�rio.

Ficaria envergonhada.

Se pudesse ser na sua casa e sua mulher n�o...

Achei que fosse casado.

Sim, espera.

Nem que seja por alguns minutos.

Gostaria muito.

O endere�o?

Obrigada.

Obrigada.

Sr. Cora��o Solit�rio?

Entre.

Quase que desisti no caminho.

� mesmo?

� que...

n�o fica muito bem eu sendo casada...

Mesmo que n�o fosse.

Faz o seguinte, senta aqui e...

eu pego essa cadeira

eu me sentarei aqui e deixaremos a porta aberta.

Sabia que era um cavalheiro,

v�-se pela maneira como escreve e por sua voz ao telefone.

Acho que a voz � um verdadeiro teste de car�ter, n�o acha?

N�o sei, n�o. Uma vez ouvi um cantor no r�dio,

uma voz maravilhosa,

acabou em Sing-Sing.

Claro que h� exce��es.

Vou me sentar aqui.

Voc� � muito legal de me deixar contar meus problemas.

Estou com vergonha.

Sra. Doyle, se preferir n�o...

N�o, eu preciso falar com algu�m.

� sobre meu marido.

Somos casados h� mais de 11 anos.

N�o gostaria que ningu�m ouvisse.

Posso fechar a porta? Claro.

� de fundo nervoso. Sempre acho que tem algu�m escutando.

Est� com medo?

De certa forma.

Meu marido � inv�lido.

Disse que se feriu na guerra, mas depois de tr�s anos de casado disse que era mentira.

Que tinha ca�do trabalhando no estaleiro.

Ei disse que n�o me importava. Afinal, era quase o mesmo que se estivesse na guerra.

Construir navios e avi�es � uma maneira de ajudar a vencer a guerra.

Tem raz�o.

Amo muito o meu Pat.

Mas...

depois de um tempo,

ele n�o...

parecia mais capaz...

de me amar.

Puxa!

� dif�cil falar disso.

Sim, eu sei.

Bem...

ele consultou um m�dico que disse que isso pode acontecer

com homens que sofrem acidentes como o do meu Pat.

H� sete anos...

que o casamento est� s� no papel.

N�o posso deix�-lo,

e sou jovem.

N�o ria de mim. N�o estou rindo, n�o faria isso com voc�.

H� 7 anos que sou fiel e honesta,

tentando aceitar o destino.

Mas...

�s vezes, de noite, depois que ele vai dormir,

fico ali chorando e pensando em alguma sa�da.

N�o chore.

N�o quero... mas n�o consigo evitar.

Voc� � a primeira pessoa pra quem eu conto.

�s vezes tenho vontade de morrer. Morrer!

Essa n�o � a solu��o.

Na verdade n�o quero morrer.

Quero viver.

Estou cheia de vida, mas sinto que estou morrendo por dentro.

Por favor, diga o que devo fazer?

N�o sei. N�o sei.

Eu sei que o que aconteceu com voc�...

Por favor.

S� uma vez, de leve...

Deixe-me sentir seus l�bios.

Voc� � um cavalheiro.

Vou andando daqui. � logo na esquina.

Muito bem.

Quando te vejo de novo?

Bem...

Voc� quer, n�o?

Sra. Doyle...

Daqui a alguns dias voc� me liga. Pense a respeito.

Quero muito v�-lo.

Bem, eu...

Diga alguma coisa agrad�vel.

Quem sabe um beijo de despedida?

Voc� n�o � meio mal-agradecido.

Ama depois descarta, � assim?

Sra. Doyle, n�o a chamei para... Para que me chamou ent�o?

T� pensando o qu�?

Queria uma hist�ria triste, pois ouviu uma.

Tamb�m queria a��o, assim como eu.

Tem raz�o.

Podes crer.

Uma mulher assim j� me custou uma janela quebrada.

Pra onde?

Qualquer lugar.

Um bar qualquer. Certo.

Tem um logo na esquina.

Minha mulher esteve aqui? Hoje n�o.

Oi.

Ol�.

Posso estar enganado,

mas j� n�o te vi no Delehanty's?

Pode ser.

�, acho que foi voc� mesmo.

Escreve no "The Chronicle", n�o?

Sim, escrevo.

Deixa eu te pagar um.

Joe, dois duplos.

Quero que me fa�a um favor.

Tenho raz�es para acreditar que minha mulher escreveu uma carta para o jornal.

Para aquela coluna, voc� sabe, ''Cora��o Solit�rio''.

Tente fazer isso por mim.

Entenda uma coisa. Eu amo minha mulher.

Ela � meio estranha.

N�o que ela seja louca ou coisa parecida.

Mas temos nossos problemas.

Acho que um casal deve resolver seus problemas sem pedir ajuda de estranhos.

Concordo.

S� estou contando isso porque quero te pedir um favor.

Meu nome � Doyle.

Pat Doyle.

Quando um homem desconfia da mulher isso o consome.

Sei que n�o era santa quando me casei com ela. Eu tamb�m n�o era.

Estava disposto a esquecer.

Acho que ela inventa hist�rias a meu respeito.

Preciso saber o que ela fala.

Por isso quero essa carta.

Olha,

a carta em si...

�...

Voc�s dois alguma vez...?

N�o d� nem para conversar!

Duas pessoas com medo de se falarem.

Medo do que v�o dizer.

Ent�o n�o falamos.

Nos encontramos em algum lugar e bebemos.

Quando nos embebedamos o suficiente � como nos velhos tempos.

Nos esquecemos de como � agora.

Sr. Doyle, acho que n�o posso ajud�-lo.

Pode pedir a carta ao cara que escreve no jornal.

Mas isso...

Minha mulher se chama Fay.

Fay Doyle.

N�o, deixa que eu pago.

Obrigado.

O Sr. White j� voltou?

Desculpe.

Por favor, pe�a que ligue para Justy.

Justy.

Sim.

Pode esperar sentado que nunca mais ligo pra ele.

Est� sendo irrespons�vel, sem considera��o, cruel.

Voc�s parecem uns porcos comendo. Somos adolescentes.

Que v�o virar homens, se apaixonar�o

e nunca ligar�o para as namoradas que acabar�o detestando-os.

Pronto, minha vida amorosa j� era.

Deixa que eu levo isso. Justy...

Quer que eu ligue para o hospital? N�o seja m�rbido.

Ele � cruel demais para se acidentar. Detesto ele.

Querida...

Sim, pai?

Se o odeia tanto, porque est� chorando?

N�o estou chorando.

Ei, Justy, aproveita e traz o leite!

Um u�sque duplo, por favor.

J� estava bebendo u�sque.

Algum problema?

Por isso estou bebendo.

Com soda ou �gua?

�gua.

N�o sou autoridade no assunto, mas n�o � assim que se bebe.

Ora, ora.

J� estava sentindo falta.

Um dos nossos colegas acaba de saber que vai ser pai.

A conta corporativa pode bancar um jantar. Voc� est� convidado

Legal.

Que noite!

Minha experi�ncia diz que voc� est� de porre.

Voc� � um g�nio.

Me perdoe.

Voc� est� absolutamente s�brio.

Voc� tinha raz�o.

As pessoas s�o falsas e mentirosas.

Sabe o que mais?

Eu lidero a prociss�o.

Voc� deu um telefonema.

Sim.

E tamb�m recebi uma visita.

Uma mulher pedindo ajuda?

Foi o que ela disse,

mas n�o era o caso.

E agora sua consci�ncia est� te atormentando.

Hm-hmm.

E por isso estou bebendo.

Para me livrar do tormento.

O caminho para o inferno.

Uma saideira...

Devia cumprimentar os rapazes antes.

Gates � o futuro pai. Devia congratul�-lo.

Sei o que � casamento.

Sua consci�ncia rec�m-adquirida est� mexendo com voc�.

Vamos.

Senhores, aten��o!

Nosso novo colega, Srta. Cora��o Solit�rio.

Por que ele est� t�o feliz?

Adam n�o est� b�bedo.

Est� emancipado.

Gostaria de fazer um brinde.

Um brinde para o futuro pai.

Imaginei que estivesse atrasado,

ent�o escrevi a coluna para voc�.

N�o tem a sua compaix�o, Adam,

mas vai servir.

Qualquer um pode escrever aquilo.

At� eu.

Isso � verdade, qualquer um pode, e vou provar.

Jerry. Hein?

Tenho 59 anos, tenho problemas card�acos...

Minha mulher morreu no ano passado

meus filhos se casaram e querem me mandar para um asilo.

O que eu devo fazer?

Sirva seu pa�s e se ofere�a para ser o primeiro homem a ir pro espa�o.

Todas as respostas t�m que ser aprovadas pela Srta. Cora��o Solit�rio.

Ei, Smitty, agora uma pra voc�.

Sou uma garota de 17 anos.

Meu pai morreu. Minha m�e e eu moramos com um tio...

que n�o me ama como tio, se � que me entende.

Devo contar pra minha m�e?

Claro, talvez ela goste do seu tio.

N�o sei n�o, quem sabe o tio � rico e voc� acaba com as chances dela?

Calem-se!

Qual � o problema dele?

Est�o vendo?

Adam n�o gostou das suas respostas.

Essas pessoas n�o merecem esse esc�rnio.

Deixem suas mis�rias nas cartas.

Por falar em mis�ria, tinha uma que...

Cala a boca.

Escuta aqui, Cora��o, � um pa�s livre.

Bem, esse cara...

Filho da...

Me desculpe.

Perd�o.

Adam?

O que aconteceu com ele? Est� b�bedo.

Mas ele n�o bebe. Tudo bem, mas est� de porre.

Onde ele vai?

Vai tentar ser perdoado.

Pelo qu�?

Florence, a fortaleza ruiu, a muralha se rompeu.

Foi a vit�ria do adult�rio, da viol�ncia e da bebedeira.

Ele vai se machucar? Nada acontece a b�bedos.

Vamos tomar alguma coisa.

Para celebrar a vit�ria?

Onde ser� que nosso gladiador b�bedo vai afogar as m�goas?

Tem uma mo�a chamada Justy Sargeant no telefone.

Est� a noite toda atr�s do Adam White. Diz que voc� saberia onde ele est�.

N�o quis dizer que ele estava de porre.

Diga-lhe o seguinte.

Que o Sr. White n�o est� dispon�vel. Foi para Perdition, em Nebraska.

Johnny, diga-lhe que ningu�m sabe onde ele se encontra.

Vamos, querida.

N�o fique triste.

Agora que quebrou o gelo, quem sabe n�o passa uma cantada em voc�?

Te acordei?

Como voc� entrou?

O zelador.

Eu disse que era do Comit�.

Qual? Ele n�o perguntou.

Comit� j� � uma palavra de peso.

Cuidado, est� quente.

Obrigado.

H� dois dias e noites que voc� n�o liga.

Onde voc� estava?

N�o liguei porque...

Porque estava envergonhado demais para te ligar.

Por qu�?

Porque tomei um porre.

Um porre hom�rico, agredi um cara...

Quis feri-lo...

E...

n�o s� isso...

Uma mulher?

Naquela primeira noite, na ter�a-feira...

foi o que pensei.

Eu te odiei.

N�o conseguia sentir nada.

N�o te vi.

N�o tive not�cias.

No jornal disseram que estava doente.

Fiquei esperando.

Quando cheguei,

voc� parecia um menininho

senti pena de voc�.

Comecei a sentir alguma coisa de novo.

Vou chorar de novo.

Quem �?

Seu chefe.

Pode entrar.

Membro dos Cora��es Solit�rios?

Esta � minha amiga, Justy Sargeant.

Me desculpe, adivinhei mal.

Resolvi vir porque estava preocupado.

Pelo jeito estou atrapalhando.

J� vou.

Querida.

Querida.

Vou te ver � noite?

Vou sair com papai e os meninos.

E amanh�?

Espero que melhore.

Sr. Shrike.

Querida...

V� embora.

Bem, se n�o uma fazenda ou os mares do sul...

que tal Arte?

Seja um artista ou um escritor.

Quando estiver com frio, aque�a-se com as cores ardentes dos grandes mestres,

Michelangelo, Ticiano, Rafael...

Quando sentir fome,

alimente-se espiritualmente com Bach, Beethoven e Brahms.

Mande a sociedade eliminar as garotas de programa.

Fique em casa com sua vitrola hi-fi e a cole��o completa de Shakespeare em um s� volume.

Ex-chefe, n�o quero os mares do sul

e n�o quero cultivar nada.

E n�o quero arte em casa.

Adam...

O que voc� realmente quer?

Nunca mais quero bater num homem nem perder meu controle.

Estou revoltado.

N�o quero fugir para nenhuma ilha

porque sei que n�o posso fugir de mim mesmo.

S� quero � curar a ferida que causei em mim mesmo

antes que infeccione.

Me deixe em paz.

Posso falar com voc�, Justy?

J� disse que estaria ocupada.

Gostaria de falar com voc� antes de ir embora.

Embora?

Onde voc� vai?

Podemos nos encontrar?

Amanh� � s�bado. Venha almo�ar.

Gostaria de falar com voc� sozinha.

Se n�o chover, pod�amos dar um passeio de carro.

Talvez.

Posso te dar uma carona pra casa?

Meu pai est� me esperando l� embaixo.

Quer mais ch�?

N�o, obrigada.

Deixa que eu levo.

Lixo n�o � problema.

Querida...

Quero falar com voc�... eu preciso.

Saber dos detalhes n�o ajudar� em nada.

Sente-se, por favor.

Menti para voc� e quero que saiba...

Sobre o outro dia?

H� muito tempo que venho mentindo.

Meu nome verdadeiro n�o � White, � Lassiter.

Meus pais n�o morreram num acidente de trem.

Meu pai est� vivo, na pris�o.

Encontrou minha m�e na cama com outro homem e matou os dois.

Eu tinha 3 anos de idade.

Aos 15 anos o diretor do orfanato me contou tudo,

e onde meu pai se encontrava.

Me levaram para v�-lo.

Isso � tudo.

Exceto por uma coisa mais.

A �ltima vez que menti foi no domingo.

Disse que ia para o orfanato,

Mas n�o fui.

Fui ver meu pai na pris�o.

Mas nunca menti do quanto te amo.

Minha vontade � dizer que sinto muito.

Sinto muito.

Mas n�o sei se isso � pouco ou muito.

Leve-me pra casa, por favor.

Claro.

Pega!

Beleza!

Mais baixo agora!

Falou!

Foi alto demais, desculpe.

Essa foi boa!

Pega!

Oi, Adam.

Oi, Adam. Oi.

Vamos pro quintal.

Tudo bem?

Bem, obrigado.

Obrigado por emprestar o carro.

Adeus, Adam.

Adeus.

O que foi, Justy?

Ele vai embora, pai.

Algu�m j� calculou quantas l�grimas derramamos numa vida?

De quais est� falando?

De felicidade ou de tristeza?

De tristeza.

Sr. White, telefone.

Obrigado, j� vou.

Al�?

Sim, � Adam White.

Consegui seu nome atrav�s de algu�m no jornal.

N�o quiseram me dar seu telefone, sabe como s�o.

Queria te ver outra vez.

Afinal, agora somos amigos para sempre...

como se diz.

N�o sou de ligar para qualquer homem... s� voc�.

Voc� � jovem e carinhoso...

Por favor.

Quero te ver tanto, querido!

N�o me importo com ele.

Escuta, n�o venha com essa...

Como pode me ligar e falar assim?

N�o ouse falar essas coisas!

Eu...

As coisas que ele disse. Cala a boca!

Quem era?

Que diferen�a faz?

N�o minta! N�o!

Quem era?

Est� machucando minha m�o.

Assim est� melhor?

Est� me traindo?

Preciso saber.

Voc� est� completamente b�bedo.

O suficiente para te matar.

Fala.

Fala!

Vai, bate mais uma vez.

Na pr�xima enfio isso em voc�.

Perdeu a coragem, hein?

N�o � homem o suficiente? N�o � homem pra nada.

Chega de dar ordens. Nunca mais!

Quer saber quem era, eu digo.

Era o cara do jornal.

� jovem, forte e eu gosto dele.

O que pretende fazer?

Aleijado de merda!

N�o posso culp�-lo por mudar de nome.

Mas que hist�ria � essa de sangue ruim?

Ele acha que tem alguma coisa errada nele.

Pelo que a m�e fez.

E o pai tamb�m.

Isso � rid�culo.

Absolutamente rid�culo.

N�o tem por que um filho pagar pelos pecados do pai.

Adam sempre me pareceu um rapaz legal.

Justy...

O que voc� disse para ele afinal?

Pai...

Me sinto envergonhada do que eu n�o disse,

do que eu estava pensando.

� mesmo?

Na verdade ele mentiu.

Mas se voc� n�o o perdoar, como acha que ele poder� se perdoar?

Onde ele disse que ia?

Para algum lugar.

N�o sei.

N�o sei, pai.

S� sei que, para onde quer que v�, quero estar com ele.

Iria correndo agora se n�o fosse por voc� e os meninos.

Algum dia teremos que nos virar sozinhos.

Voc� nasceu para se casar.

N�o para cuidar de dois irm�os e do pai.

Separei uma conta para voc� com 3.000 d�lares.

D� para come�arem alguma coisa juntos.

Se ele � o homem que escolheu, v� atr�s dele.

Papai...

Com licen�a, o Sr. Adam White esteve aqui hoje?

Sim, estava ali falando com a Sra. Shrike.

Obrigada.

� a Sra. Shrike?

Sim.

Sou Justy Sargeant e...

Oh, Adam me falou de voc�.

Estou procurando ele, sabe onde est�?

Esteve aqui procurando meu marido.

Acabou de sair para o escrit�rio. Certamente o encontrar� l�.

Obrigada, Sra. Shrike.

Justy...

fico contente que esteja procurando Adam.

Espero que ele me d� uma segunda...

Seria horr�vel se n�o me desse uma segunda chance...

Ele dar�.

Algumas mulheres t�m que correr atr�s de uma segunda chance,

outras, t�m que ficar sentadas e esperar.

N�o espere.

Obrigada, Sra. Shrike.

Vim me despedir.

Adeus.

Gosto de voc�, Goldsmith.

Deu pra perceber...

Se tiver alguma despesa m�dica, deixa que eu pago.

Esquece.

Tudo de bom.

Boa sorte. Adeus.

V� se n�o some.

Claro.

Ent�o � adeus mesmo.

Para onde vai, peregrino?

N�o fa�o a menor ideia.

Mais s�bio?

Espero que sim.

Tchau.

Minhas li��es serviram?

S� sei que n�o posso continuar aqui.

Um homem de fibra.

Me perdoa?

Que bom!

Adam.

Teu �ltimo pagamento.

Inclu� o dia de hoje.

Um gesto de magnanimidade.

Tamb�m vai com Adam nessa sua cruzada ou seja l� o que for?

Seja l� o que for.

Quero falar com a "Srta. Cora��es Solit�rios".

J� fechou para o fim de semana, amigo.

N�o estou brincando.

N�o tem nenhum rev�lver a�.

� um rev�lver, sim.

Sr. Doyle,

Eu sou a "Srta. Cora��es Solit�rios''.

Deve ter me achado muito engra�ado enquanto beb�amos juntos.

Atirar num homem � contra a lei.

Cala a boca!

Por que a seguiu?

Recebi-a porque ela pediu para me ver.

Eu a pedi que ficasse.

Ela ficou.

Eu quis que ela ficasse.

O que ela falou de mim?

Vamos, fale.

Ela s� me contou o que voc� j� sabe.

Como sabe se era verdade?

Eu n�o sei.

S� voc�s dois podem saber.

O que v�o fazer comigo?

V� para casa.

N�o vai mais v�-la?

Sr. Shrike, adeus.

� "Srta. Cora��es Solit�rios".

H� tempos conheci um rapaz

muito promissor.

Esperei que a promessa se confrontasse com os fatos da vida real.

O que aconteceu.

Entretanto, esse rapaz me surpreendeu.

Ele se vergou ao vento,

mas n�o quebrou.

Agora ele est� deixando o que, de modo geral,

foi uma parceria agrad�vel.

Teria alguma sugest�o de como eu poderia persuadi-lo a ficar?

Sem ter que me humilhar.

Assinado:

Perplexo.

Caro ''Perplexo'',

infelizmente n�o tenho nenhuma sugest�o a fazer.

Talvez esse rapaz precise praticar,

tudo que aprendeu trabalhando com voc�.

Talvez ele tamb�m esteja triste de partir.

Sinceramente, ''Srta. Cora��es Solit�rios''.

Boa sorte e adeus.

Adeus, Sr. Shrike. Adeus.

Ah... sua mulher est� esperando-o no Delehanty's.

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