All language subtitles for Lightning Strikes Twice 1951 DVDRip XViD

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Original subtitles

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

"CI�ME QUE MATA"

Aqui est�, padre. O guarda o acompanhar� ao corredor da morte.

Obrigado, Diretor.

Trevelyan...

...um padre para falar com voc�.

N�o preciso de padre.

Mas eu preciso de voc�, Trev.

- O que o senhor quer? - Vim pedir que me perdoe.

S� fez dizer o que viu no tribunal. Cumpriu sua obriga��o.

Por favor. Quero ficar com minha consci�ncia tranquila.

Tudo bem. Eu o perdoo.

Algo que eu possa fazer nestes seus �ltimos dias?

Obrigado, mas parece que o Estado j� organizou tudo.

Nenhuma mensagem que queira transmitir para algu�m?

Myra Nolan? J. D.?

- Por que teria? - Deve saber como est�o se sentindo.

N�o tenho nada a dizer.

Sinto muito, Trev.

Se apenas n�o tivesse ido � sua casa naquela manh�.

Mas foi.

Voc� deve ter amigos muito importantes, Trevelyan.

Acabaram de informar que sua execu��o foi suspensa.

At� novo julgamento.

Levem-no de volta � sua cela.

TREVELYAN INOCENTE!

TREVELYAN CULPADO!

Sim? Como o j�ri se posicionou?

O qu�?

Mas n�o faz uma hora e estava onze a um pela condena��o.

Quem foi o respons�vel?

Aquela �nica mo�a, hein?

Deve ser hipnotizadora.

Hank! Mulheres!

- Qual dos dois? - Nenhum deles.

P�e "J�ri n�o chega a acordo".

T� dizendo que os onze n�o conseguiram convenc�-la?

N�o. Ficou seis a seis.

Ela conseguiu rachar ao meio. Vamos logo com isso.

Est� bem. E agora?

Sei l�. Depende do Estado.

Al! Al!

N�o entendo. N�o d� pra entender.

- Esquece, Tom. - Mas ele estava liquidado.

- V� se dorme, Tom. - E a toalha que ele enterrou?

J� discutimos isso.

Deve ter rolado dinheiro, te garanto.

Era rico antes quebrar o cr�nio dela, agora est� pobre.

Como o dinheiro n�o serviria pra nada se fosse enforcado...

ele deve ter resolvido mexer os pauzinhos.

Captou, Al? Forca... pauzinhos?

Que foi que disse, Al?

Se n�o calar a boca acho que vai pintar outro assassinato por aqui.

Est� seguindo o caso Trevelyan?

Ele � que est� me seguindo por todo o sudoeste.

Sou vendedor. T�nico capilar.

Problemas no telhado, chame Jack Ross.

Bonita paisagem nessas bandas.

Muito bonita!

Com toda certeza, at� que esse estrangeiro Trevelyan apareceu e estragou tudo.

Dizem que ela era um peda�o.

Quem, a mulher no j�ri?

N�o. A esposa, Lorraine.

S�o sempre as bonitas que entram em encrenca.

Ningu�m perde tempo matando as feias.

Bonita desse jeito, devia tomar cuidado, mocinha.

Tentarei n�o esquecer.

Acha que Trevelyan era culpado?

S� agora fiquei sabendo desse caso. Sou do leste.

- Que coincid�ncia! - J� imaginava.

Pr�xima parada em cinco minutos. El Llano.

Como vamos viajar juntos que tal nos conhecermos melhor?

- Para onde est� indo? - El Llano.

- Tem certeza que ningu�m mais ligou? - Pode ser que Bill tenha atendido.

Pois pergunte a ele!

N�o importa que horas s�o. Acorde-o.

- Vai aguardar? - Claro que vou.

Um quarto com banheiro, por favor.

Sim, senhora.

Quarto 17, segundo andar.

Sabe onde posso alugar um carro para amanh�?

- Para ir aonde? - Tumble Moon.

- Onde? - � um rancho tur�stico a 120 km daqui.

Isso eu sei, todo mundo conhece Tumble Moon. Mas est�o avisados?

Fiz uma reserva h� semanas.

Acho muito estranho!

O que tem de estranho em fazer reserva num rancho tur�stico?

A garagem Summer's, duas casas rua acima, aluga carros.

Sou cliente de l�. Os pre�os s�o muito em conta.

Summer's? Muito obrigada.

Daria para mandar um sandu�che para meu quarto?

Mas s�o duas da madrugada!

Tolice! A mo�a est� com fome. Precisa comer alguma coisa.

Sim, Sra. Nolan.

E leite quente.

Mais uma vez obrigada.

- Hummel! - Sim, senhora?

Acha que ela encontrar� o quarto sozinha?

Claro que n�o, senhora. Por aqui, senhora.

N�o, senhora. N�o houve mais chamadas.

- Tem certeza? - Sim, senhora.

Obrigada. Voltaremos amanh�.

Nenhum recado no rancho. Ningu�m o viu desde o julgamento.

Por que ele est� fazendo isso, Myra?

Por que nos d� as costas quando mais precisa da gente?

Temos que encontr�-lo, Myra.

- Mas como? - Talvez haja uma maneira.

Me desculpe.

Achei que seria a melhor maneira de acord�-la.

Que horas s�o?

Passa das duas. Dormiu doze horas.

Costuma fazer isso?

� por isso que sou atriz. Para poder dormir at� tarde.

Estranho...

Posso jurar que tranquei a porta ontem � noite.

- Chave mestra. - Ah.

Parece at� que � dona deste hotel.

E sou.

E daquela loja, daquela garagem,

e de um rancho imenso.

- Algum teatro tamb�m? - Um cinema.

N�o. Bem...

- Parece que est� sem sorte, n�o? - N�o muita.

H� alguns meses pintou minha grande oportunidade.

Interpretando Desd�mona em Otelo numa turn�.

J� foi enforcada oito vezes por semana?

Devo admitir que n�o.

Toda noite tinha que me fazer de morta num celeiro gelado.

Acabei pagando o pre�o.

Desd�mona acabou sendo estrangulada com quarenta de febre.

Que horror! Mas o show tinha que continuar, n�o?

Sim, mas com minha substituta.

Continuei umas semanas esperando que fosse melhorar.

Mas n�o foi muito sensato.

No Kansas foi s� o m�dico olhar para mim...

...e receitou que eu passasse pelo menos um m�s por aqui.

Tive que pedir um dinheirinho emprestado.

Seu desjejum.

- Entra, Raquel. - Buenas tardes, se�ora.

- Boa tarde. - Ol�.

Bacon, ovos, geleia, torradas e caf�.

Muito bem, Raquel.

- Obrigada, se�ora. - Obrigada, Raquel.

Se esta � a famosa hospitalidade do oeste, estou gostando.

Sinto dizer que tem uma raz�o por tr�s de tudo isso.

Quero que me fa�a um favor.

Claro, se puder.

Disse que ia alugar um carro para ir a Tumble Moon.

Meu marido acaba de chegar no meu convers�vel...

e eu j� tenho um carro grande aqui.

Gostar�amos de voltar juntos. Assim haver� um carro sobrando.

Se voc� for para Tumble Moon num carro pequeno,

economizar� seu dinheiro e me poupar� de ter que voltar aqui.

E como ele vai peg�-lo de volta?

Nosso rancho, o N-T, fica a apenas 60 km de Tumble Moon.

Aqui isso � vizinho de porta.

Eu irei peg�-lo. Fiz um mapa para voc�.

Se segui-lo n�o ter� como errar.

De Bainbridge voc� segue at� Frontera...

- O que tem a dizer do tempo? - �.

Como assim?

Que vai fechar. Vai pra longe?

Um pouco al�m de Palmaredo.

Melhor parar aqui. Tem um hotel de primeira.

Claiborne � a capital do condado.

Talvez n�o seja m� ideia.

N�o, acho que continuarei em frente.

- N�o quer levantar a capota? - Gosto do ar fresco.

Vai acabar nadando a� dentro.

Vinte km depois de sair de Claiborne siga a placa no cruzamento.

� a sa�da para Palmaredo.

Meu carro atolou perto da sua cerca. Posso entrar?

Desculpe incomod�-lo, mas o frentista em Claiborne...

...disse para procurar uma seta no cruzamento 20 km adiante.

Devo ter me distra�do. Disseram que a estrada era toda asfaltada...

e faz duas horas que � s� lama.

Cad� seus sapatos?

Foi s� sair do carro que se perderam na lama.

Onde voc� vai?

Fique perto da lareira.

Obrigada. Havia duas maletas dentro do carro.

Como adivinhou que eu quereria a menor?

Geralmente mulher leva as coisas mais importantes nas menores.

Voc� � sabido demais para ser solteiro. � casado?

Fui.

Comida!

� bom avisar que s� somos n�s dois na casa.

Devo gritar?

Ningu�m ia te ouvir.

Ent�o n�o perderei meu tempo.

Bendita seja aquela mulher!

Frango assado. Um frango inteiro.

Ter� que me ajudar a comer.

Obrigado. N�o estou com fome.

N�o precisa ter fome pra comer frango assado.

- Vamos. Tem de sobra. - N�o, obrigado.

J� tinha ouvido falar da hospitalidade texana,

mas nunca imaginei nada assim.

Sem me conhecer,

uma mulher me empresta o carro, enche de comida caso eu me perca,

o que aconteceu...

Talvez a conhe�a. � uma pe�a. A Sra. Nolan.

Foi Myra Nolan que te mandou para c�?

Imposs�vel.

At� me perder nem eu mesma sabia que viria parar aqui.

� o carro dela que voc� est� dirigindo?

J� disse. Precisava de um carro para chegar onde queria e ela me emprestou.

Aonde voc� est� indo?

Para um rancho tur�stico aqui perto. O Tumble Moon.

Myra Nolan sabia que voc� estava indo para Tumble Moon?

Claro que sim. Por isso me emprestou o carro.

E n�o mencionou meu nome nem pediu que me procurasse...

e avisasse a ela se me encontrasse?

N�o.

N�o acredito.

N�o tenho h�bito de mentir.

Todo mundo mente!

Me perdoe. Tenho passado um mau bocado ultimamente. Deve dar para perceber.

N�o pode continuar dirigindo neste temporal.

N�o se preocupe. J� incomodei demais.

Ficarei aconchegadinha aqui.

N�o tem nenhuma cama. Isto �, nenhuma em que se possa dormir.

N�o tem roupa de cama. Mas tem um sof� no escrit�rio.

Talvez quebre um galho.

Nenhuma cama? Ent�o onde voc� dorme?

Era o que me perguntava quando voc� bateu na porta.

Esta n�o � minha casa.

Cheguei pouco antes de voc�.

N�o � sua casa?

N�o sabe quem eu sou?

Deveria?

Acho que sim.

ACUSADO DE MATAR MULHER � LIBERTADO

Ent�o voc� � Richard Trevelyan?

Como era ela?

Era linda, atraente, sempre rindo...

e absolutamente m�.

Pode dormir no escrit�rio.

A porta tem tranca.

Ser� necess�rio?

Quero que se sinta segura.

Do qu�?

Dos seus pensamentos.

Obrigada.

Voc� n�o trancou a porta.

Sou o Pedro.

Obrigada, Pedro.

- Caf�? - Caf�? Com certeza.

- Imediatamente, talvez. - �timo.

A prop�sito, Pedro, onde fica o banheiro?

Venha aqui fora. Eu lhe mostro.

Tem muito cano l� em cima mas nenhum funcionando.

Isso est� �timo.

Aquela � minha casa ali no bosque.

Se soubesse que estava aqui teria vindo mais r�pido.

S� soube uma hora atr�s. A� eu vim.

Sente-se que j� trago o desjejum.

Oh, obrigada!

Desculpe a frugalidade.

- Onde est� o Sr. Trevelyan? - Quem?

Sr. Trevelyan, o homem que estava aqui ontem � noite.

N�o tem ningu�m aqui. S� eu.

Quer dizer que ele foi embora.

Ou voc� n�o sabe?

Sim, n�o sei nada.

Bem Pedro, qual � a dire��o para o rancho Tumble Moon?

V� aquele pinheiro?

Quando chegar ali ver� uma estradinha cercada.

Siga at� a autoestrada e vire � direita.

Siga sempre em frente e logo estar� l�, talvez.

Obrigada, Pedro.

Se o Sr. Trevelyan...

Sim?

- N�o, nada. Adeus. - Adi�s.

Oi. Que bom te ver de novo.

Queria te agradecer por ter me acolhido ontem.

O suficiente para me prometer uma coisa?

Que tipo de promessa?

Esquecer que me viu, que me conheceu, sequer sabe quem eu sou.

Tirando o que leio nos jornais?

Exatamente.

N�o acha isso uma tolice? Isto �, ficar se escondendo.

Afinal o julgamento acabou. Voc� est� livre.

Vai me prometer?

Prometo.

Vamos, seja um beb� bonzinho.

Fico cansada tentando te fazer comer o dia inteiro...

pra voc� me acordar faminto no meio da noite.

� leite bem quentinho. Melhor tomar logo, vamos.

T� bem...

Me desculpem. N�o queria assustar.

Sou a Shelley Carnes.

- Quem? - Shelley Carnes.

Fiz uma reserva mas... devo ter me enganado com a data.

Vejo que ainda n�o abriram.

N�s abrimos e fechamos.

Mas tenho a carta confirmando a reserva aqui na bolsa.

- Mas isso foi h� semanas. - Mas eu era esperada hoje.

- N�o escreveu cancelando as reservas? - Todas.

N�o sei explicar. O rancho est� fechado.

- Por que ser� que ela n�o me disse? - Quem?

- A Sra. Nolan. - Myra?

Conhece Myra Nolan?

Sim, n�o t�o bem assim...

Ela me emprestou seu carro para vir at� aqui.

- � pra nos vigiar, isso sim. - Por que faria isso?

Ele se refere a Myra... � Sra. Nolan.

- Quer apostar? - O qu�?

Que Myra disse para n�o se preocupar em devolver o carro...

e que ela o pegaria aqui.

Foi exatamente o que ela disse.

- Me chamo Lisa McStringer. - Muito prazer.

- Este � meu irm�o. - Ol�.

Desde que fechamos o rancho...

n�o vemos mais nossos velhos amigos.

Myra � uma pessoa muito legal.

Achou que deixar seu carro aqui serviria de pretexto...

pra nos visitar e ver como estamos passando.

Quanto tempo voc� passou no rancho da Myra?

N�o estive l�. Cheguei ontem a El Llano.

Dirigiu essa dist�ncia toda esta manh�?

N�o, ontem. Passei a noite em... Claiborne.

Tem um hotel muito bom l�.

- Tomou seu desjejum? - S� caf�. Sa� cedinho.

Pelo menos posso te dar de comer.

Tudo bem, String. Ela n�o recebeu sua carta.

Todo mundo recebeu.

N�o � minha culpa. Acha que vim at� aqui s� para...

� isso! N�o recebi porque estava na turn�.

Turn�?

Com a companhia de teatro. Sou atriz.

Estive doente e o m�dico no Kansas me aconselhou uma temporada aqui.

Da� economizei e aqui estou eu.

Tem muitos ranchos nas redondezas.

Com certeza algum pode te receber.

Ligarei para alguns assim que voc� comer.

Ele ouviu a palavra 'comer'.

Essa jogada eu conhe�o. O branco faz xeque-mate em tr�s.

Voc� joga xadrez?

Meu pai dizia que para uma atriz eu jogava xadrez muito bem.

Acho que este pe�o avan�a duas casas.

Claro. Agora meu bispo move...

N�o. A rainha. Se fizer isso voc� perde a rainha.

Acho que seria muita falta de hospitalidade te mandar embora desse jeito.

Mas � que os empregados foram embora. N�o tem ningu�m.

Pronto. Mais uma jogada e pronto.

Escuta, se pudesse ficar s� uns dias,

podia ajudar um pouco. Cozinho razoavelmente bem.

String, se � pra a Srta. Carnes comer acho melhor olhar se as galinhas...

fizeram a gentileza de botar ovos.

Xeque-mate! Consegui!

Ah, ovos.

Talvez te deixe ficar...

...mas � melhor que saiba da situa��o.

Que situa��o?

Myra mandando voc� deixar o carro aqui sem dizer que est�vamos fechados.

Sabe alguma coisa a respeito do caso Trevelyan?

Um pouco.

Myra disse como se chamava seu rancho?

- Alguma coisa barra alguma coisa. - N barra T.

Sabe o que significa?

Nolan...

...Trevelyan.

J. D. Nolan veio da Inglaterra com seu grande amigo George Trevelyan.

Tudo o que eles tocavam, im�veis, petr�leo, gado,

virava ouro.

A�, numa noite de temporal, Trev pai e sua mulher...

tiveram um acidente de carro...

e o jovem Trev ficou �rf�o.

Ent�o ele seguiu as disposi��es do testamento de seu pai,

terminou seus estudos na Inglaterra,

mas passava todos os ver�es aqui.

Os Nolan n�o tinham filhos,

e com o tempo parecia at� que J. D. era seu pai.

Quando a guerra acabou, Trev se mudou para c� definitivamente.

J. D. fez por ele tudo que teria feito por seu pr�prio filho.

Mais at�. E quanto a Myra...

...para ela nunca houve ningu�m como Trev.

Mas desde o momento em sua mulher foi encontrada morta,

Trev se recusou a ver os Nolan, falar com eles, aceitar qualquer ajuda.

E ningu�m nunca entendeu por qu�.

E quando o caso foi encerrado...

Trev simplesmente desapareceu.

E Myra acha que se ele est� se escondendo s� pode ser aqui.

Por que aqui?

Voc� sabia que o segundo j�ri...

n�o conseguiu chegar a um acordo...

por causa de uma mulher que pedia sua absolvi��o?

Essa mulher era eu.

- Bom dia, Padre Paul. - Bom dia, Lisa.

Bom te ver de novo. Oi, Smoky, oi, Thunder.

Esperava encontrar o rancho aberto.

N�o, Padre.

Sou uma "leprosa".

- Alguma novidade? - Nenhuma.

Myra mandou uma mo�a aqui pra ver se eu sabia de alguma coisa.

Quem � essa mo�a?

� s� uma turista.

Fez uma reserva e n�o recebeu nossa carta de cancelamento.

Deixarei que fique alguns dias.

Talvez fa�a bem ao String.

- Ele melhorou? - N�o.

Se recusa a tocar no assunto.

Isso passa. Precisa ter paci�ncia.

� o que fico me dizendo.

Mas n�o dou ouvidos.

A maioria da minha par�quia � de hispano-americanos.

Frequentar a igreja � parte de suas vidas.

S� rezo missa uma vez por m�s...

e os fi�is aproveitam para transformar o dia num piquenique santificado.

Parece meio... bem...

Sacr�lego? N�o sei n�o.

O milagre da multiplica��o dos p�es e dos peixes...

foi uma esp�cie de piquenique santificado, ou n�o?

- Imagino que sim. - Eu gosto. Acho bonita a ideia.

Trazem sua comida e comem debaixo das �rvores ap�s a missa.

Os mais velhos fazem a siesta...

os mais jovens dan�am e se cortejam.

Quando chega a hora da b�n��o todos voltam a fazer suas preces.

A� voltam para casa, cansados e felizes.

Passam um dia espl�ndido.

O senhor parece muito contente.

Acho que Deus fica contente.

Chamo isso de sacril�gio.

Como � que Deus pode ficar contente?

Um mundo doente, cheio de assassinatos. Acha que Ele chama isso de bom?

String, n�o admito isso!

Que belo par, voc� e Padre Paul!

Como podem dividir a mesma mesa juntos?

O homem que condenou Trev,

e a mulher que salvou ele da forca.

Um de voc�s dois estava errado.

Um dos dois deve ter mentido. Qual dos dois?

Qual?

- Gostou da nossa capela? - � linda.

T�o antiga e graciosa. Quando foi constru�da?

H� muitos, muitos anos, por gente como essa.

Gente com f� e amor.

- Por isso ainda � linda. - F� e amor s�o resilientes.

- Padre Paul... - Sim?

O senhor foi amigo de Richard Trevelyan, n�o foi?

- Ainda sou. - Ent�o n�o o condenou?

Meu depoimento ajudou a conden�-lo no primeiro julgamento.

E voc� sabe o que aconteceu no segundo.

Mas ainda acha que ele � culpado?

N�o cabe a mim dizer.

Ele n�o confiou em mim como amigo.

S� sei o que foi revelado nos tribunais.

Conseguiu assistir aos dois julgamentos sem formar uma opini�o?

Quando voc� o conheceu?

Eu n�o disse...

Como o senhor sabia?

O cora��o humano � parte do meu territ�rio.

Padre,

acha que ele seria mesmo capaz?

S� sei o que vi.

N�o pode me contar como foi?

Por favor.

Estava indo para Palmaredo naquela manh�,

como ainda era cedo decidi dar um pulo l� no caminho...

para conversar com Trev e Lorraine.

N�o os via h� algum tempo.

Ao fazer a curva na estrada vi Trev.

Estava enterrando alguma coisa.

Ao ver-me dirigiu-se para a casa.

Eu fiz o mesmo, sabendo que o encontraria l�.

Geralmente o cachorro da Lorraine sa�a para me receber, mas nesse dia n�o.

N�o entrei logo, receando que Lorraine ainda estivesse dormindo.

Ela sempre acordava tarde.

Foi ent�o que ouvi o Digger, o cachorro da Lorraine.

Estava ganindo e entrei para ver se podia ajudar.

Mas era tarde demais para ajudar quem quer que fosse.

Lorraine estava ca�da no ch�o ao lado da cama...

com uma enorme ferida na base do cr�nio.

Sabia que estava morta.

Digger tamb�m sabia.

Ao voltar ao p�rtico dei de cara com Trev.

Eu disse: "Sabe o que acabei de ver?"

Olhando fixo para mim, ele respondeu:

Sim. Ela deve ter ca�do ao levantar da cama e bateu com a cabe�a no bala�stre.

Contou a mesma hist�ria nos dois julgamentos.

Antes de amanhecer, segundo ele,

foi tinha ido ao est�bulo tratar de um cavalo doente.

Foi assim que ele justificou a toalha.

Era velha e a tinha enterrado para evitar cont�gio.

Mas n�o era uma toalha velha.

Era nova, bordada com um 'L', de Lorraine.

As manchas eram de sangue humano... dela.

Quer que continue?

N�o.

Mas, Padre, conhecendo Trev, sabendo o tipo de pessoa que �,

como pode ach�-lo capaz de matar?

Tem muita coisa boa no Trev,

mas tamb�m muitos tra�os de viol�ncia e indisciplina.

Se pudesse v�-lo num acesso de raiva...

...talvez at� j� tenha.

Raiva n�o significa assassinato.

� apenas uma quest�o de grada��o.

Minha jovem, muita gente prefere acreditar

que n�o existe maldade inata,

que o homem � bom por natureza.

Mas todo homem tem seus momentos sombrios.

E � conquistando-os que encontra sua salva��o.

Ent�o o senhor acredita que as almas se perdem.

Tamb�m acredito que as almas se salvam.

J� vou atend�-los.

Pode encher o tanque. E verifique os pneus.

Por favor.

Pegue essas coisas no armaz�m. Farei o resto das compras.

- Onde nos encontramos, aqui? - No hotel. Podemos tomar alguma coisa.

Onde fica?

Onde voc� passou a noite da tempestade.

- Ah, aquele. - � o �nico.

Consegue entender o que est� escrito aqui?

Lo��o de calamina. � para queimadura de sol e...

� ele, o Trevelyan! N�o est� reconhecendo?

� ele, Trevelyan. O homem que matou sua mulher.

Pode pegar a lo��o, por favor.

Seu troco.

Sabia que era ele. Reconheceria em qualquer lugar.

Oi. Achei melhor vir at� aqui para que n�o se perdesse.

- Por que a pressa? - Achei que estava atrasada.

Estava pensando... Voc� ainda tem cavalos no rancho, n�o?

Sim. Sabe montar?

Qualquer exerc�cio vale contanto que seja sentada.

Cal�as de montaria. Pensei em comprar umas.

N�o precisa. Tem roupa de sobra no rancho.

Venha, vamos para o hotel.

Ao final do dia cercada dessa gente cai bem uma bebida bem forte.

Por qu�? O que foi?

Aparentemente me culpam por t�-los furtado de uma execu��o.

Ol�.

Bom dia.

- Onde est� o Sr. Trevelyan? - Quem, por favor?

N�o come�a de novo.

Pedro, se tivesse um recado importante para dar ao Sr. Trevelyan,

saberia onde encontr�-lo, n�o �?

Ele comprou isso para voc�. Por isso que ele foi a Claiborne ontem.

Ou ele est� aqui ou esteve.

Por que n�o me diz?

Sou amigo dele.

Eu tamb�m.

Siga a estrada at� chegar � �rvore com o galho quebrado.

Do outro lado ver� um riacho.

Siga nessa dire��o e chegar� ao Moon Canyon.

- Moon Canyon. - Encontrar� ele l�.

Obrigada, Pedro.

Procurando alguma coisa?

Moon Canyon.

� s� olhar para baixo. N�o tem como errar.

Acho melhor n�o olhar para baixo.

Tem medo de altura?

Sinto vertigem s� de subir numa cadeira.

Vou te ajudar.

Tudo bem.

� s�...

eu me convencer de que n�o estou numa cadeira.

Assim eu consigo.

Est� vendo? Funcionou.

Voc� � uma criatura rom�ntica, hein?

Em que sentido?

N�o me encontrou aqui por acaso.

Ningu�m me mandou aqui, se � o que est� pensando.

Ningu�m sabe que nos conhecemos.

Agora que me encontrou, o que foi?

Talvez eu possa ajudar.

N�o me lembro de ter mandado um S.O.S.

- Sei como deve se sentir. - Sabe?

Toda aquela gente olhando e cochichando no armaz�m!

Deu vontade de bater neles.

N�o pode culp�-los por me acharem culpado. Metade dos jurados achou.

Pois eu acho que n�o �.

O que a faz pensar assim?

Voc� � alguma criminologista famosa...

que eu deveria conhecer dos suplementos dominicais?

Trabalho no teatro. Me chamo Shelley Carnes.

Teatro. Isso explica sua veia rom�ntica.

Se � rom�ntico acreditar nas pessoas ent�o...

acho que sou mesmo.

- Me parece que... - N�o, obrigada.

est� advogando minha inoc�ncia com mais veem�ncia que eu.

Por qu�?

Bem, conheci quase todo mundo envolvido nesse caso...

e acho que ningu�m conhece toda a verdade.

E voc� conhece.

N�o. Mas tentarei descobrir se puder.

E...

o que a faz crer...

que sabe mais que qualquer outra pessoa?

Tenho uma vantagem sobre os outros.

Ningu�m sabe que estou envolvida no caso.

E voc� est� envolvida?

Escuta, parece que voc� esqueceu um fato muito importante.

O caso est� encerrado. E quero que fique assim.

Por qu�?

Talvez porque esteja livre. Sua ajuda pode atrapalhar.

Ou isso n�o te ocorreu?

N�o, n�o tinha.

Pois pense, Srta. Carnes.

Assim ocupar� sua cabe�a enquanto estiver voltando pelo despenhadeiro.

Parece que � hora de sair de cena.

Melhor assim, antes que baixe a cortina.

Apesar de tudo que diz,

ainda acho que n�o foi voc�. E tentarei prov�-lo.

J� disse para n�o se meter.

Pode ser perigoso.

Para voc�?

Para qualquer um que se meter.

Me ajuda, por favor.

Avance alguns passos. Vai alargando.

N�o consigo.

N�o consigo soltar.

Me d� sua m�o.

Agora vire-se...

e avance devagar, passo a passo.

N�o consigo ir na frente.

Darei um jeito nisso.

Feche os olhos.

Bem apertado.

Agora vamos em frente.

Segure minha m�o e n�o olhe para baixo.

Vai conseguir?

Lisa...

Voc� deve estar faminta.

O almo�o estar� pronto assim que voc� se refrescar.

N�o vou almo�ar. Vou embora.

Assim de repente?

- O que aconteceu? - Nada, Lisa.

Pensei que estivesse gostando daqui... e da gente

- Voc�s t�m sido maravilhosos. - Ent�o por qu�?

Nada, acho que esse deserto n�o est� combinando muito comigo.

Me sinto meio s� e assustada.

N�o posso te culpar.

Ultimamente String e eu n�o temos sido boa companhia.

N�o diga isso. A culpa � toda minha.

- Despe�a-se de String por mim. - Ele vai sentir sua falta.

String tem que aguentar uma barra mais pesada que a maioria das pessoas.

Voc� � a primeira mo�a de quem ele gosta desde...

Desde quem?

Lorraine. A mulher de Trev.

� engra�ado, n�o? O tipo de mulher por quem os homens se apaixonam.

Como era essa Lorraine?

L�bios pintados, olhares de soslaio, corpo bonito...

Era uma vadia.

Vi logo assim que a conheci no escrit�rio de J. D.

Acho que devia ter batido na porta antes de entrar.

Voc� conhece aquelas piadas de velhos com suas secret�rias.

E que piada!

E acho que Myra tamb�m sabia, pois logo depois J. D. a despediu.

Mas Lorraine n�o era do tipo de ficar muito tempo desempregada.

Encontrou emprego melhor. Casou-se com Trev.

A� n�o precisou mais se esconder atr�s das portas para conseguir o que queria.

Pode imaginar como o J. D. ficou.

E Myra.

Um mau come�o para um casamento.

Dava at� para prever o desfecho...

...mas ningu�m me perguntou.

Adeus, Shelley.

- Quero falar com a Sra. Nolan. - Entre, por favor.

Est� na piscina com os convidados.

- Pode me acompanhar? - Gostaria de falar com ela a s�s.

Aguarde ali dentro, por favor.

Ol�, querida. Bem que achei que era meu carro chegando.

Vim devolv�-lo, Sra. Nolan. Tome as chaves.

Mas era para eu peg�-lo. N�o foi o que combinamos?

N�o sei bem o que tinha em mente,

mas obrigada pelo carro. Agora, se algu�m pudesse me levar at� a esta��o,

eu agradeceria.

Claro. N�o que se sentar?

- Pe�a ao Sr. Nolan que des�a � biblioteca. - Sim, senhora.

J. D. e eu a levaremos.

- Cigarro? - J� tenho, obrigada.

Aceita uma bebida?

Sra. Nolan, por que tantos rodeios?

Quando me mandou para Tumble Moon, sabia que estava fechado.

Sim, de certa forma.

Mas sabia que Lisa McStringer te acolheria.

Senti que fui usada aceitando seu carro.

Foi sim.

Sra. Nolan, viajei mais de 1.500 km...

s� para descansar num rancho, andar a cavalo e me bronzear.

N�o para servir de espi�.

Quanto mais cedo voltar para a calma de Nova York,

melhor ser� para meus nervos.

N�o sou muito chegada a pedir desculpas, minha querida.

Acho que ser� mais f�cil se nos sentarmos.

Eu sinto muito.

N�o quis ser grosseira.

� que nunca interpretei nenhuma detetive.

N�o me sinto bem nesse papel.

Ent�o sabe por que a mandei para Tumble Moon?

- Lisa me deu uma explica��o. - A correta?

Qual � a correta?

N�o dava para eu aparecer em Tumble Moon por acaso.

Trev teria achado que fui para v�-lo.

O carro oferecia um motivo plaus�vel.

Mas agora...

...� tarde demais.

Como ele est�? Perguntou por n�s?

Ele n�o est� em Tumble Moon.

Mas tem que estar.

N�o o veem desde o julgamento.

Mas Lisa deve saber onde ele est�.

Acho que gostaria de saber.

Ent�o n�o soube de nada?

Nada.

Ora, Srta. Carnes. Que prazer!

Ol�, Sr. Nolan.

- O que foi, Myra? - Ningu�m o viu, J. D.

Ent�o fizemo-la perder seu tempo.

Que falta de educa��o a nossa.

Tem todo direito de nos recriminar.

N�o, por favor.

J. D., pode nos conduzir � esta��o com a Srta. Carnes?

Espero que n�o esteja pensando em ir embora hoje.

Por que n�o?

Poderia dizer que n�o tem nenhum trem partindo.

Prefiro dizer por que tanta pressa?

Na verdade minha estada em Tumble Moon n�o foi das mais agrad�veis.

Mais uma raz�o para que fique.

Se estragamos suas f�rias, o m�nimo que podemos fazer � compens�-lo.

A menos que fique uns dias n�o saberemos se nos perdoou.

Tudo bem, se t�m onde eu ficar.

Isso. N�o � todo dia que posso desfilar com uma mo�a t�o bonita.

Venha conhecer os convidados.

J. D., mande tirar as malas do carro e levarem para o quarto ao lado do nosso.

Claro, querida.

Meu radar nunca falha. Sabia que tinha captado uma linda mulher.

Voc� nunca o desliga? Shelley, este � Harvey Turner.

Srta. Carnes, Harvey � nosso vizinho.

P�ssima apresenta��o, haja vista que somos amigos de longa data.

Meu nome � Harvey Fortescue Turner.

Tenho entre 25 e 40 anos de idade, mais de 1.82 com minhas botas...

e muito mais dentes do que tinha quando nasci.

Vamos, Shelley. N�o deixe que ele te constranja.

Ah, Shelley...

N�o fomos n�s feitos um para o outro como o s�o as notas musicais?

Isso � de Shelley, o poeta.

Voc� � um doce, Harvey, mas n�o precisa dizer bobagens.

Culpa do meu pai. Ele me dava cem d�lares...

por cada poema que conseguisse recitar de cor.

Gastava logo meu dinheiro em 'institui��es' loiras...

mas nunca esquecia os poemas.

Conhe�o mais oitenta e sete. Quer ouvir?

Cuidado. Posso contra-atacar com Shakespeare.

N�o, querida. J� lutei minha �ltima batalha. Agora sou s� amor.

Tenho m�s not�cias para voc�. Ela n�o � seu tipo.

- N�o � complicada. - Assim fica f�cil. Eu complico.

Se meu m�dico me visse agora cobraria em dobro.

Todo esse espa�o! No come�o me assustou um pouco.

Mas come�o a achar que o deserto e eu somos bons amigos.

Esses mil acres s�o um novo acr�scimo ao nosso rancho.

Ganhei num jogo de p�quer. Me chamam de Nolan Cara de P�quer.

As noites de inverno s�o intermin�veis.

Ademais, Harvey n�o vai sentir falta.

Ganhou todas essas terras do Harvey?

Ele ainda prefere fazer neg�cios entre amigos.

N�o me pareceu ser um jogador.

Harvey n�o parece ser muitas coisas que �.

Talvez seja ego�smo nosso n�o transformar o N-T num rancho tur�stico?

Olha o que fez com nossa amiga da cidade grande!

At� de noite d� para ver o bronzeado.

Acho que estou podre de saud�vel.

Gra�as a voc� e Myra.

Foi bom para n�s ter gente jovem por perto de novo.

Me feriu sua insinua��o a respeito da minha idade, J. D.

Esqueci de dizer que tamb�m sou um ex�mio nadador.

Excetuando a vez que quase me afoguei quando tinha oito anos.

Que tal um mergulho mais tarde? Faz muito bem � pele...

...de todo o corpo.

Outra hora. Afinal com tanta comida eu afundaria.

Ent�o teremos que nadar nisso.

Estranho ainda marcarmos o gado com N-T, Nolan/Trevelyan, sem o Trev aqui.

- Por que ele n�o voltou? - N�o sei.

Desculpe, D. J., n�o tinha o direito de perguntar.

Tudo bem. N�o � a primeira vez que perguntam.

Daria o bra�o direito para saber a resposta e tudo voltar a ser como era.

Se estiver interessada em polo,

sou um craque. Um verdadeiro goleador.

Dizem que pare�o ter nascido num cavalo.

Na verdade nasci numa charrete a caminho do hospital.

O que muito se assemelha a um cavalo, dando-lhes raz�o.

Shelley?

Onde voc� estava? Estava te procurando.

Pedi aos m�sicos que tocassem minhas m�sicas favoritas.

Estava olhando o menino prod�gio?

Menino prod�gio?

� o que Myra e J. D. achavam.

Trev nunca fazia nada de errado...

at� que errou feio.

O que ele far� agora?

Isto �, como um homem como ele reconstruir� sua vida?

� um bom engenheiro. Encontrar� emprego.

Quem dar�? Voc�?

Posso ajudar.

- Ent�o acha que � inocente? - N�o disse isso.

Mas est� tentando ajud�-lo.

Digamos que � minha maneira de quitar uma d�vida.

Existe uma velha express�o: "Nascido para a forca".

Algumas mulheres s�o "nascidas para serem mortas"...

e Lorraine era a primeira da lista.

Trev teve o azar de ter sido ele.

Podia ter sido eu.

Mas n�o foi.

Nunca te vi t�o calado assim.

Nunca fui t�o calado assim.

Como se meu motor tivesse parado.

� o que acontece quando n�o faz uma revis�o de vez em quando.

Eu sei qual � meu problema.

O alegre e superficial Harvey Fortescue Turner.

Minha vida toda falando coisas que n�o sentia.

Agora, de repente, estou sentindo,

Mas n�o sei o quero falar.

Por favor, n�o fale, nem sinta.

Nenhuma magia?

Nenhuma magia.

Nem com m�sica, luar, champanhe e um cara irresist�vel como eu?

- Voc� � muito legal, Harvey, e... - Voc� tem muito carinho por mim.

Entendi. Tenho uma tia que sente a mesma coisa. Vamos.

- Aonde vamos? - Dar uma volta de carro.

Vamos.

� a �ltima coisa que te pedirei.

Nunca sentiu vontade de fazer uma coisa que sabia que ia se arrepender...

mas que resolveu fazer de qualquer jeito?

Isso � uma charada?

Vive-se um temp�o e nada acontece.

Mar�o vira abril, noite vira dia.

Segunda vira ter�a.

Chega um momento em que se sabe que tudo h� de mudar.

Como esta noite.

Sei que para o resto de minha vida...

me perguntarei se valeu a pena.

Quando souber ser� tarde demais.

N�o gosto que fale assim.

Vamos voltar.

N�o. Vamos para minha casa.

- A esta hora? - S� para uma fechar a noite.

Mas eu ainda nem comecei.

Piada de mau gosto � meu departamento.

Vamos voltar, por favor.

Cuidado! Cuidado, estamos a cento e vinte.

Mas na dire��o errada.

Escuta, quando voc� disse 'nenhuma magia',

eu soube a dire��o exata que �amos tomar.

Mas esta n�o pode ser sua casa.

N�o � a casa principal. � para h�spedes.

� aconchegante e discreta.

Precisamos parar, Harvey?

Temos que parar porque � assim que a hist�ria acaba.

Oxal� isso fosse um sonho,

assim eu n�o saberia o desfecho.

Oh, � voc�!

Que bom que � voc�!

Desculpe. Estava t�o assustada.

No devia ter medo do Harvey.

Ele me cedeu a casa para morar e Pedro para cuidar de mim.

Harvey � o �nico amigo que me resta no mundo.

Mas ele estava t�o estranho...

fingindo que �amos passear e me trazendo aqui.

- Pedi-lhe que a trouxesse aqui. - Por qu�?

Porque me arranjou um emprego e queria me despedir de voc�.

- Quando voc� parte? - No final da semana.

E f�-lo me trazer at� aqui s� para me dizer isso?

Acha engra�ado?

Lembrei de uma coisa que me disse em Moon Canyon.

Que eu era uma criatura rom�ntica.

Queria pedir desculpas por Moon Canyon.

N�o costumo me comportar daquele jeito... sem ser provocado.

Ent�o � adeus?

Receio que sim.

Fico feliz que esteja de partida. Quer dizer...

fico feliz que tenha conseguido o emprego.

Mesmo significando que estou fugindo?

N�o chamaria fugir come�ar vida nova em outro lugar.

N�o?

Afinal, pense nos Pilgrims. Sem eles onde estar�amos?

Por que est� chorando. Diga.

Porque voc� vai embora.

- Porque... - Por qu�, Shelley?

Porque acho que estou apaixonada por voc�.

Agora pode me levar de volta para o rancho?

Posso te dizer uma coisa antes?

� sobre um sonho que tenho. Um pesadelo recorrente.

No sonho estou no corredor da morte, escutando o tique-taque dos minutos passando.

Em seguida ou�o os passos dos homens que v�m me pegar.

Enquanto se aproximam, o tique-taque vai mais r�pido...

at� que um estrondo violento me desperta.

Ao despertar, a primeira coisa que fa�o...

� tentar me concentrar no menor resqu�cio de felicidade...

algo que me d� alento para enfrentar outro dia que se inicia.

Ap�s a noite em que voc� chegou � cabana,

percebi que estava me concentrando em voc�, no seu rosto.

Pensando em voc� o pesadelo desaparecia.

Me sentia realmente em paz,

pela primeira vez desde n�o sei quando.

Foi assim que percebi que estava apaixonado por voc�.

Oh, Trev.

Falei mais do que pretendia.

Era s� para dizer adeus.

- Para onde voc� vai, Trev? - Muito longe daqui.

Me leva com voc�.

N�o v� no que estaria se metendo?

Todo mundo falando...

- Apontando-a como mulher de um assassino... - N�o fale isso.

Preciso. Outros dir�o.

S� sei que quero estar a seu lado.

N�o teria medo,

de casar comigo mesmo depois de tudo que aconteceu?

- Seja qual for sua explica��o. - N�o posso oferecer nenhuma.

- N�o importa. - Nem assim teria medo?

S� tenho medo de te perder.

Hoje, ap�s meses, acho que dormirei sem pesadelos.

- Trev, o que eu digo para Myra? - Nada.

N�o posso ir embora sem mais nem menos.

N�o quero que conte para ningu�m.

Por que tanta amargura contra os Nolan? Se soubesse como eles se sentem...

N�o quero falar dos Nolan.

Desculpe, Trev.

Est� vendo como seria?

Ainda d� tempo de pensar.

� a �nica coisa que n�o quero fazer.

Quando me viu esta noite...

voc� se sentiu agradecida, segura.

- Sim. - Lembre-se disso.

Pode deixar.

Partirei amanh� antes que acordem. Estarei te esperando.

Est� bem.

� voc�, Shelley?

N�o sabia que estava acordada.

Sente e coma um sandu�che comigo.

Nunca tenho tempo de comer nas minhas festas e acabo faminta.

N�o estou com fome.

Est� com cara de quem andou aprontando. Onde voc� esteve?

Dando uma volta.

Pela Via L�ctea? Seus olhos ainda est�o brilhando.

Coma um. Te far� bem.

N�o precisa contar o que aconteceu, mas pelo menos quando.

- Quando o que aconteceu? - Quando ele te prop�s, claro.

Olhe-se no espelho.

Qualquer idiota notaria que te fizeram a grande pergunta...

e que voc� respondeu.

Devo admitir que estou felic�ssima.

Bem, um brinde ao sortudo.

Apesar das suas tolices sempre achei Harvey um bom rapaz.

Sabe, logo que voc� chegou eu fiquei preocupada com voc�.

Tive um pressentimento, e sempre acredito nos meus pressentimentos,

de que havia visto a Trev, que devia conhec�-lo.

- O que te deu essa ideia? - Sou cheia de ideias.

Mas me enganei e devo admitir que estou aliviada.

Por qu�, se gosta tanto do Trev?

- Parou de acreditar nele? - � uma tarefa um tanto solit�ria.

Lisa acredita nele. Sua f� o salvou.

Sabe por que o salvou?

Porque o ama. Sempre amou.

E n�o te daria isso...

pelo ju�zo de nenhuma mulher apaixonada.

Agora v� dormir.

Voc� � uma mo�a boa e gosto de voc�.

Se as coisas fossem diferentes...

- Boa noite, querida. - Boa noite.

N�o desejarei bons sonhos pois sei que os ter� de qualquer jeito.

JUIZ DE PAZ. CASAMENTOS CELEBRADOS DIA E NOITE.

Richard, aceita esta mulher como sua leg�tima esposa...

para conviver segundo as leis de Deus em sagrado matrim�nio?

Promete ser-lhe fiel, respeit�-la e am�-la na sa�de e na doen�a...

at� que a morte os separe?

Aceito.

Shelley, aceita este homem como seu marido...

prometendo ser-lhe fiel, respeit�-la e am�-la na sa�de e na doen�a...

at� que a morte os separe?

Aceito.

O anel.

Devia ter te prevenido. Isso foi ideia do Pedro.

� t�pico de festas de casamento No M�xico.

Bem-vindos. Vamos entrando.

- Oh, Pedro! - Entrem!

- Ent�o, gostou? - Ah, sim, Trev.

Minha filha Conchita. Foi ela que arrumou a casa para voc�.

Obrigada, Conchita.

Vamos, Conchita.

Ol�, ol�, ol�!

S� pode ser uma pessoa... Johnny L�pez.

# Eu canto sobre um cara maravilhoso #

# Que acaba de se casar hoje #

# Escolheu uma mo�a maravilhosa #

# Que veio para ficar #

# Formam um lindo casal #

# Igual nunca vi #

# Ele se chama Trev #

# Ela eu n�o sei, # # Mas quem sabe ele me apresente #

# Quem sabe ele me apresente #

Shelley, este � Johnny L�pez.

- Ol�, Johnny. - Se�ora, estou muito feliz.

Faz aos que n�o me sinto t�o feliz, desde Trev e Lisa,

quando os dias eram sempre felizes.

Mas agora... tudo est� bem.

- O banquete est� pronto. - Que beleza!

N�o v�o ainda. Temos que brindar � noiva.

E ao noivo. Mais copos, Conchita.

Ao Sr. e Sra. Trevelyan.

Que lindo. Mas o que significa?

Significa que o amor � maravilhoso.

- Devemos brindar a Johnny e Pedro. - E a Conchita.

E ao cachorro.

Eu soube mas n�o acreditei.

O banquete de casamento.

Obrigado pelas felicita��es, Lisa.

Ent�o se casou com ele.

Apesar de tudo, casou-se mesmo.

Por que n�o, se o amo?

Sua louca!

Voc� n�o o ama.

Est� fascinada pelo cheiro de um crime.

- Chega, Lisa! - Pergunta em qualquer pris�o.

Te contar�o de mulheres que mandam cartas de amor a assassinos,

que mandam flores e dinheiro.

Voc� superou todas elas.

O que se passa com voc�, Lisa? Logo voc�.

Voc� votou pela absolvi��o de Trev.

N�o porque o julgava inocente,

mas porque acho que Lorraine merecia morrer.

Esse tempo todo achou que Trev era culpado?

Eu estava l� aquela noite.

Eu vi o que aconteceu.

Shelley!

Por que n�o me deixou ir atr�s dela, Trev?

N�o posso te dizer.

Se ela esteve l� naquela noite,

o que ser� que ela viu?

Nunca tentei fingir para voc�, Shelley.

Desde o come�o te digo que n�o posso falar do que aconteceu.

Agora mais que nunca quero que confie em mim.

Eu confio, Trev.

Podemos continuar com a festa?

Claro. Volte, Johnny, E Pedro e Conchita.

Quero fazer outro brinde.

� minha esposa.

Sa�de!

S� h� dois quartos aqui em cima. Este e o menor.

Pensei em usar o outro como vesti�rio.

Trev.

�timo. Assim voc� n�o foge.

Preciso de minha bolsa. Deixei-a l� em baixo.

Ainda estar� l� de manh�.

Querido, nenhuma mulher se sente segura sem sua bolsa.

Por favor, abra a porta, Trev.

Detesto me sentir trancada.

Imagina se houver um inc�ndio.

Arder�amos juntos nas chamas cantando algum dueto oper�stico.

Costuma-se fazer a vontade das noivas.

Voc� que manda, querida.

Pronto. S� para o caso de um inc�ndio.

- Deve estar me achando uma tonta? - De jeito nenhum.

Mas me pergunto como teve coragem de viajar pelo pa�s sozinha?

N�o estava sozinha. Tinha toda a companhia.

- Mas n�o dentro de um quarto. - Engra�adinho!

Voc� deve ter dado uma grande Of�lia. D� at� pra ver.

N�o fiz Of�lia e sim Desd�mona.

Foi por isso que larguei a companhia.

Cansei de ser assassinada toda noite.

Desculpe. N�o quis...

N�o fique zangado comigo, Trev

Esque�a o que eu disse. Foi uma estupidez.

Ambos teremos que esquecer muitas coisas.

Esperava que esta noite seria o come�o.

E � o come�o.

Sabe por que o salvou?

Porque o ama. Sempre o amou.

E n�o te daria isso...

pelo ju�zo de nenhuma mulher apaixonada.

Eu estava l� naquela noite.

Eu vi o que aconteceu.

N�o!

Era uma aranha.

Para, Shelley!

Est� tudo bem. Achei que podia ser venenosa.

N�o consigo parar.

N�o consigo.

Estou com medo demais.

- Medo? - De voc�, Trev.

De voc�!

N�o. N�o se aproxime!

- Aonde voc�? - Para a casa de Lisa.

Shelley! Shelley!

- Harvey? - Sim?

Pegue seu carro e venha para c� imediatamente.

- Por que imediatamente? - N�o pergunte! Venha logo!

- O que foi? - Tem que me levar at� a casa da Lisa.

- Da Lisa? - Sim, Lisa.

N�o, para!

N�o sei o que mais eu disse a eles.

S� podia pensar naquela casa, com a m�sica e a luz de velas.

Cheia de amor.

- N�o aguentei. - Esquece esta noite.

O que voc� fazia na casa de Lorraine na noite que a mataram?

Meu cavalo come�ou a mancar...

...e as luzes da casa estavam acesas.

- O que voc� viu? - Nada.

- Estava l� quando aconteceu. - N�o.

- Voc� viu Trev matar Lorraine! - N�o!

- Mas amava-o tanto que mentiu no julgamento. - Eu n�o estava l�!

- Est� mentindo agora. - Foi o Harvey!

- Harvey? - Eu vi o Harvey.

Estava beijando Lorraine.

Quando ele saiu eu entrei e contei a ela que tinha visto.

Ela estava l� com os cabelos ruivos cobrindo os ombros,

A mulher estava arruinando a vida de Trev e eu disse que ela tinha que sumir.

E ela me respondeu com aquela voz arrastada e suave...

"N�o vou sumir. Tenho tudo que quero aqui".

A� eu disse o que sentia pelo Trev,

como o amava desde sempre.

N�o conseguia nem olhar para ela enquanto falava.

E ela riu.

Olhou para mim e riu.

Mandei ela parar mas n�o parou.

At� que a fiz parar.

Voc� a matou.

Sim!

Sim, eu a matei.

Ela era desprez�vel!

String!

De que adianta? Acho que n�s dois somos desajustados.

O que voc� vai fazer?

Vamos embora onde n�o possam nos encontrar.

Fa�a as malas. Porei gasolina no carro.

N�o, eu... tenho que ficar aqui.

- Esperarei o Trev. - Trev est� casado.

N�o voltar� a menos que seja com a pol�cia. Vamos!

Pensei que fosse sua noite de n�pcias.

Eu fugi.

Fiquei desesperada desde que voc� saiu.

N�o conseguia parar de pensar.

Preciso saber o que voc� viu aquela noite.

N�o posso continuar sem saber. Tentei mas � imposs�vel.

� melhor que n�o saiba.

Devia ir embora e esquecer que conheceu Trev, esquecer tudo.

- N�o posso. - Mas tem que.

Lisa, preciso saber a verdade.

- Eu ainda o amo. - Amor?

O que voc� entende disso?

Voc� e seus olhos e seu sorriso inocente.

Daria minha vida por uma palavra carinhosa do Trev.

Acha que me importaria mesmo se tivesse matado Lorraine?

Nunca o teria abandonado quando precisasse de mim.

Voc� disse 'se' ele tivesse matado Lorraine".

- Disse? - Voc� esteve l� naquela noite.

E da�?

Voc� sabe quem matou Lorraine. Sempre soube que n�o foi Trev.

Trev � inocente.

Isso faria voc� se sentir melhor, n�o �?

Toda essa sua desconfian�a desapareceria.

Ele � inocente, n�o �? Diga.

E se for. Pra voc� agora � tarde demais.

Quem voc� est� protegendo, Lisa? Quem voc� viu aquela noite?

Quem matou Lorraine?

Quem o amava o bastante para mat�-la sen�o eu?

Ele estava protegendo voc�?

N�o.

Ele � nobre, mas nem tanto.

Ele sabia que um homem estivera l� naquela noite mas n�o achou que fosse Harvey.

Achou que foi J. D. que a matara.

Trev n�o acusaria J.D. nem que sua vida dependesse disso.

Voc� deixou ele passar pelo que passou... a pris�o, os julgamentos, a desonra?

Faria qualquer coisa para ficar com ele.

Ele teria seguido achando, que protegia J. D.

Mas n�o teria mais para onde ir exceto para c�.

E mais cedo ou mais tarde acabar�amos juntos,

como era para ser.

Mas n�o.

A� aparece voc� com esse rosto bonito...

e o tirou de mim.

Exatamente como Lorraine.

Ainda consigo ver como ela estava naquela noite...

deitada na cama.

Estava linda,

mas a� come�ou a rir de mim.

Disse que eu estava com ci�mes, que eu era uma idiota, feia...

Que estava com ci�mes e riu!

Mas n�o por muito tempo, porque minhas m�os...

Vai, pode gritar!

Lorraine tamb�m gritou.

At� que arrebentei a cabe�a dela no bala�stre da cama.

Quebrei a cabe�a de Lorraine!

Isto te torna um her�i, n�o �, Harvey?

Por que n�o conta pro Trev quem estava com Lorraine naquela noite?

- Lisa. - Ou n�o conseguiria dormir se ele soubesse?

Escuta, Trev...

Trev, eu fiz tudo que pude pra tentar compensar pelo que fiz com voc�.

Ligue para o xerife.

E acho que nunca conseguirei, nem perante mim mesmo.

Vai embora!

- J� est�o subindo. - Sozinhos?

Sim.

Est�o mortos, J. D. Os dois.

Lisa ainda estava viva quando cheguei.

Agora foi tudo esclarecido.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes

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