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OS ANJOS EXTERMINADORES
Os lustres...
Os lustres precisam das suas...
Os lustres precisam das suas longas capas vermelhas.
Minha av�...
Tenho que v�-la.
O que aconteceu?
Tenho que ver a minha av�...
H� semanas que ela agoniza no hospital e n�o fui visit�-la ainda!
A pobre da sua av� j� morreu h� dez anos...
Deita a� e me deixa dormir em paz.
Tenho que l� ir.
Tenho que ir ao hospital!
Tenho que ir, foi ela que me criou.
Ela me ama mais do que a minha m�e e o meu pai...
Fran�ois...
- Fran�ois... - Vov�. N�o � poss�vel!
Ia agora mesmo te ver.
N�o tenha medo...
N�o tenho medo.
A sua mulher tem raz�o. Estou morta. E voc� sabe.
Estou sonhando?
Vim lhe prevenir.
Tem que prestar aten��o em voc� pr�prio.
Voc� sempre foi muito curioso.
Mas desta vez, pode desencadear a m�quina infernal.
De que est� falando, vov�?
Do lugar onde estou, ajudar-te � dif�cil e perigoso.
Caramba, p�ra de falar sozinho...
Preciso dormir!
As grandes paredes brancas inundam-se
de uma tremenda felicidade tr�gica. Tr�s vezes.
O sangue dos aeroportos
n�o suportar� muito mais tempo a neve
que inunda a erva azul. Uma vez.
Repito, o sangue dos aeroportos
n�o suportar� muito mais tempo a neve que inunda a erva azul...
Uma vez.
Parece estar de mau humor...
Estou cansada.
Tenho vergonha do que fa�o.
Aquele vai ser f�cil demais...
Por que nos ralamos com ele l� em cima?
Por que. Sempre por que... Como quer que saiba?
Trata da sua vida e obedece �s ordens sem discutir. Ponto final.
E se eu desobedecer?
Sabe muito bem o que nos acontecer�.
J� n�o somos anjos,
mas tamb�m n�o somos feiticeiras. - Sim, sim.
Anjos ca�dos, condenados a obedecer...
P�ra de besteiras e vamos ao trabalho, menina...
N�o sejam muito cru�is com ele.
Fran�ois � uma curiosa mistura de intelig�ncia e tolice.
Mas � uma crian�a.
Observa esta jovem.
Escute-a bem, ela vai te inspirar.
Ela vai tornar-lhe c�lebre.
Ent�o, como me sa�?
Bela. Mas nunca imaginei que voc� fosse t�o longe.
- Fiz mal? - N�o necessariamente.
Mas repito, voc� foi muito bela.
Sabe, h� pouco, quando cheguei � porta,
tive vontade de fugir, de t�o assustada que estava...
Conhe�o os seus filmes, gosto deles,
tinha vontade de participar nos seus testes...
mesmo sem grandes expectativas...
J� lhe disse que s� cinco s�o boas para o papel.
Preparava um filme policial.
Criara o h�bito de s� selecionar as atrizes
depois de testes feitos com as seq��ncias mais dif�ceis.
Desta vez, escolhera duas cenas,
uma das quais bastante er�tica, que Virginie acabava de gozar.
Sabe, eu sou nobre...
Ensinaram-me desde pequena que o prazer sexual � proibido...
a todas as mulheres decentes...
Evidentemente que nunca pronunciaram as palavras abertamente.
Em resumo, eu nunca tinha tido prazer...
At� hoje.
Tenho um namoradinho, claro... Quando ele me deseja,
pula em cima de mim: Dois minutos depois, acabou-se.
N�o sei por que lhe conto isto...
Incomodo?
De modo algum.
Numa palavra, quando cheguei � sua porta, s� tive vontade de fugir.
Por que faz aqui os seus testes?
N�o quis faz�-los no escrit�rio, nem em sua casa, nem na minha...
Por que come�ou com os testes er�ticos?
Se voc� ficasse embara�ada, tinha logo possibilidades de n�o faz�-los.
Voc� me disse que se eu estivesse embara�ada,
devia ultrapassar o meu embara�o para transform�-lo em prazer...
E depois, deixar-me levar pela emo��o...
E ir mesmo mais longe.
Obedeci de novo.
Em seguida, n�o pensei em mais nada e o esqueci completamente.
Fui at� ao fim.
Sei que voc� n�o me pediu tanto, mas...
...a verdade � que experimentei um verdadeiro prazer.
Mesmo... Um prazer bastante intenso.
Nunca teria imaginado uma coisa assim t�o intensa. Nem em sonhos.
Ent�o, foi um primeiro orgasmo?
Acabei de lhe dizer.
Como explica isso?
Acariciar-me na sua frente j� foi um tabu suficientemente excitante.
E mais ainda por voc� ser um desconhecido.
Al�m disso, pude fantasiar com voc�, sabendo que voc� nunca me tocaria.
Imaginei-o
excitado,
torturado pelo desejo de me possuir...
...enquanto eu me sentia perfeitamente segura.
Voc� podia estar enganada...
Voc� n�o � um estuprador.
O que sente agora?
N�o sei.
- Vergonha? - N�o.
O sentimento de ter sido levada...
...para qualquer coisa suja? - N�o.
A culpa n�o foi sua.
Eu vim aqui fazer um teste, sabia muito bem o que fazia.
E al�m do mais, tudo isto foi muito excitante...
Aprendi muito.
Foi at� uma certa revela��o...
sobre o meu ego proibido...
Est� arrependida?
De momento, n�o.
Pelo menos estou contente por voc� ter tido prazer, mesmo...
...de uma forma t�o inesperada...
Prometa-me que o que acabei de lhe dizer ficar� em segredo.
Prometo.
Agora, se n�o estiver muito cansada,
vamos continuar a fazer o teste do texto.
A cena � muito dif�cil...
Uma outra atriz foi ligeiramente melhor que ela no teste,
e o filme foi feito sem Virginie.
Mas fiquei muito tempo perturbado pelas confid�ncias da jovem.
Especialmente por me ter cruzado com ela dois anos depois.
Ela olhou-me friamente
e acusou-me de t�-la traumatizado profundamente.
A que se deveria esta mudan�a t�o brusca de atitude?
No momento dos testes,
teria esta jovem me contado aquelas hist�rias para obter o papel?
Nos meus anos de cineasta, sempre fui um pouco c�tico
quanto ao que diz e afirma sentir a maioria dos atores.
Mas na �poca estava certo que Virginie me dissera a verdade.
As suas confid�ncias tinham me dado, na �poca, a id�ia...
e o desejo de fazer um pequeno filme mais ou menos experimental...
sobre as rela��es entre os tabus e o prazer.
Encontrei um produtor...
- Ol�. - Ol�, senhor.
Sente-se, por favor.
Menina, talvez v� assust�-la...
Eu me chamo Olivia.
Olivia, preparo um filme sobre o prazer das mulheres...
e a transgress�o de certos tabus...
Procuro atrizes...
capazes de fazer coisas er�ticas e excitantes na frente da c�mera.
Ou seja?
O que � mais excitante na vida?
Julgo que nos excita ousar fazer pequenas coisas er�ticas...
que at� agora estiveram proibidas na nossa cabe�a,
mas que t�nhamos um desejo louco de experimentar mesmo assim;
n�o sei...
acariciar-se diante de um desconhecido num quarto de hotel,
ou numa escola, ou em plena rua...
No filme, usarei a cumplicidade das atrizes, se poss�vel,
os seus desejos,
as suas experi�ncias secretas e pessoais.
O que deixa algum espa�o para a improvisa��o.
Te assusta?
N�o!
Enfim, um pouco, sim.
- E terei de fazer testes para isso? - Sim.
De que g�nero?
Do que corresponde �s cenas chave do filme.
Ou seja?
Provavelmente acariciar-se...
e como n�o � l�sbica, fazer amor com uma mulher pela excita��o moment�nea.
Sempre tentando ser excitante.
Asseguro-lhe que n�o haver� amor f�sico com um homem.
"Excitante"... O que quer isso dizer exatamente?
Que terei de ter um orgasmo?
Pelo menos, dar disso uma ilus�o t�o verdadeira como real.
Sobretudo, no crescendo da exalta��o.
O que deseja realmente testar?
A sensualidade das atrizes.
Certas garotas s�o excitantes, outras n�o.
Especialmente na tela grande.
Desculpe a minha franqueza.
N�o � por fazermos uma cena er�tica em v�deo para voc�,
que a voltaremos a fazer perante uma equipe inteira...
Ent�o, para que a faria em minha frente?
Mas voc� tem raz�o.
As garotas desistem muitas vezes no �ltimo momento.
J� passei por isso.
Por isso sou for�ado a testar...
o potencial de exibicionismo de uma atriz.
Da� a minha primeira etapa com os testes em v�deo.
H� algum texto nos seus filmes?
Sim, e do tipo bem dif�cil.
N�o posso me permitir fazer um filme pornogr�fico.
Nem as minhas atrizes. Elas e eu corremos esse risco.
O que eu quero � captar...
a gra�a do prazer no rosto delas,
e no seu corpo...
O prazer...
Para exprimi-lo, � preciso primeiro saber o que ele �.
Por que n�o utiliza atrizes profissionais...
a quem ensinaria a representar?
J� n�o sinto nelas a excita��o da transgress�o.
Julgo compreender o que voc� procura...
Um dia, um amigo me levou a um bar de troca de casais.
Odiei o lugar.
No entanto, a certa altura, deparei com duas garotas...
Estavam deitadas no ch�o,
e uma delas beijava o sexo da outra.
Parei para ver.
Podia ver o prazer subir lentamente naquela que era...
...beijada.
Era muito bonita.
Fiquei rapidamente fascinada pelos movimentos do corpo dela.
Antes...
e durante o orgasmo...
Era belo.
E compreendi subitamente que estava muito excitada,
e que gostaria de ter estado no seu lugar...
E no entanto, n�o sou l�sbica.
Para ser muito franca,
s� falar disso...
me excita um pouco.
N�o � essa esp�cie de excita��o...
nas mulheres que voc� pretende filmar?
Fazendo um filme verdadeiro...
...tentarei criar uma certa tens�o sensual...
para mistur�-la com a poesia, o suspense e o drama.
Nunca se fez uma coisa dessas at� agora.
E o filme ser� projetado nos cinemas? Ou na televis�o?
Espero que nos dois lugares.
Nunca fiz amor com outra mulher...
Bem, fiz quando tinha 13 anos, com uma menina da minha idade.
N�o me parece que gostasse, de fato.
Ao mesmo tempo,
estou tentada a faz�-lo...
...mas receio a rea��o da minha fam�lia...
Sobretudo do meu pai.
Parece-me que voc� teve uma boa id�ia, � um tema original,
que nos interessa a todas.
Al�m do mais, voc� nos ouve.
Gosta de n�s.
Ficamos logo tentadas a fazer-lhe confid�ncias.
Mas para ser franca, fazer cenas de sexo me assusta.
N�o me atrevo.
Lamento muito.
Adeus, senhor.
Adeus, menina. � uma perda para o meu filme.
N�o, realmente n�o...
...desconhecido num hotel?
N�o!
- Nem sequer um teste? - N�o!
Com uma mulher, pelo prazer da experi�ncia?
N�o!
- Sinceramente? - N�o!
Pela exalta��o de quebrar um tabu?
N�o...
Desculpe.
Num hotel, por exemplo?
N�o!
Voc� � l�sbica? N�o?
N�o!
...em frente � c�mera?
N�o!
Senhor!
- O senhor � produtor... - Sou.
Meu nome � Julie...
Ouvi dizer que est� preparando um filme. Posso falar com voc�?
Sim. Vamos nos sentar.
- Come�o a ficar meio desanimado. - Por qu�?
Todas as atrizes com quem falei t�m medo dos testes e do projeto.
Quer dizer, em parte as compreendo...
Mas neste momento, � este o filme que estou preparando...
e nada mais tenho a propor a ningu�m.
Esses testes s�o poss�veis comigo. Garanto que os fa�o.
J� ouvi falar de voc�... O que voc� faz � s�rio.
Eu confio em voc�.
Al�m do mais...
...n�o tenho nada a perder.
Ent�o, fui bem?
N�o. Vejo isso na sua cara!
Devia ter-me deixado a iniciativa, eu poderia ter sido mais intensa.
N�o diga mais nada. Vai ver.
Em geral, gozo com isto.
Vai ver!
Espere, descanse um pouco.
Posso continuar logo em seguida...
Uma vez, quando eu tinha 12 ou 13 anos,
Enfiei toda aqui dentro e n�o conseguia tirar.
Fui obrigada a pedir ajuda � minha m�e...
Ela fingiu n�o entender...
Como ela conseguiu ajud�-la?
O que voc� acha?
Est� come�ando...
Com minha bolinha, eu gozo rapidamente.
�s vezes, depressa demais...
Pode falar comigo, dizer-me que sou bonita.
Seja como for, n�o responderei.
N�o quero fazer o seu filme. N�o quero me mostrar nua.
Est� no seu direito, menina. Mas a mais n�o lhe pe�o nada.
Ent�o, melhor...
Posso conversar um pouco mais com voc�?
Se quiser...
� que tenho duas coisas a lhe pedir. Posso?
Por favor.
Estou preparando uma monografia sobre literatura moderna.
Tenho um trabalho para entregar na pr�xima semana...
sobre a constru��o dram�tica no teatro.
Voc� tem algum material sobre?
Nas obras completas de Corneille h� dois textos...
sobre a composi��o do poema dram�tico...
que se mant�m atuais...
O segundo livro � uma an�lise excelente da trag�dia cl�ssica.
Posso pedir-lhes emprestados?
Se voc� me devolv�-los...
Sem falta, na pr�xima semana.
Quanto � segunda coisa...
Acho que o meu namorado n�o tem iniciativa suficiente comigo.
Talvez ele n�o adore o amor...
O sexo, voc� quer dizer...
Pode me ensinar a ter um orgasmo?
S� explicando-me, claro.
Menina, pe�a isso ao seu namorado.
Sim, mas talvez eu n�o seja suficientemente sensual para ele.
Ou n�o seja muito h�bil.
Para fazer o qu�?
As preliminares para excit�-lo.
E voc� acha que sou a pessoa certa para ajud�-la?
Evidentemente! Voc� v� um monte de garotas todos os dias.
Voc� � um juiz privilegiado.
Posso mostrar-lhe o que fa�o para ele...
e voc� me d� a sua opini�o sobre o meu poder de sedu��o.
S�o 13:30. Todo mundo foi almo�ar.
Podemos ficar sossegados, n�o �?
Ningu�m vir� nos perturbar, se � isso que lhe preocupa.
Mas tenha certeza que estou na melhor condi��o para fazer o que me pede?
A quem irei pedir, ent�o?
Vamos com isso.
M�sica?
Ent�o?
Fui sensual, ou n�o?
Trago os livros para voc� na semana que vem.
Fiz isto pelo meu namorado e apenas por ele.
N�o quero entrar no seu filme...
J� percebi perfeitamente, menina.
Rebecca!
- Viva. - Ol�.
- Que prazer em v�-la! - Para mim tamb�m.
- Tem cinco minutos? - Sim, dois minutos.
Diga-me o que tem feito.
Nada.
Sim. Decidi parar com esta profiss�o.
Vendo roupa numa loja ao lado.
Voc� � uma das poucas atrizes a quem alguma vez aconselhei a continuar.
Por qu�?
Por ter feito um papel principal num filme, t�o cedo?
Tinha 16 anos e meio.
Era muito nova.
Todo mundo tratava de mim.
Penteavam, maquiavam,
eu era a rainha da cocada preta.
Mas depois disso n�o fiz mais nada.
Recusei tudo,
sob o pretexto de que era uma grande atriz,
e que n�o devia descer de n�vel.
Mas � preciso viver de qualquer coisa.
Que sentido fazia me levantar todas as manh�s para ir trabalhar?
N�o queria parecer um mero mortal.
Comecei a viver com homens,
depois com mulheres,
depois com qualquer um.
Recusava-me a ver as coisas.
Depois comecei a dormir por a�.
O que quer dizer?
Qual � a diferen�a?
� est�pido, ou qu�?
N�o sei. Talvez.
Explique.
Temos 20 anos, somos belas,
somos jovens.
Temos o mundo aos p�s. Usamos o nosso encanto.
Mas isso n�o dura para sempre.
A beleza diminui,
bem como o dom�nio que temos sobre as pessoas.
H� sempre algu�m que nos fa�a pagar o pre�o.
Quando n�o se � rico, acaba na casa dos pais.
Depois, pouco a pouco, vi as outras atrizes,
como elas s�o.
Quase todas alopradas.
Com os homens acontece o mesmo.
Toda mundo aparentando ser muito sensato,
mas com egos...
do tamanho de catedrais.
E eu,
me tornando como eles,
suavemente,
por pregui�a,
por desconfian�a.
Por que se deixou ir dessa maneira?
Eu me recusei a cair nisso,
precisamente.
Voc� faria melhor em fugir tamb�m,
e fugir depressa.
Gosto bastante de voc�, sabia?
Agora que j� entrei no seu teste, posso confessar-lhe,
eu j� tinha feito um filme pornogr�fico.
N�o ousei dizer-lhe com medo de ser tachada.
N�o, obrigado.
H� cerveja na geladeira, se preferir. Sirva-se.
Como foi parar em filmes pornogr�ficos?
Foi simples. Eu era estudante.
Primeiro, fui posar nua.
Depois, dancei. Tamb�m nua.
Depois, naturalmente, fiz strip-tease.
E depois, um dia... E pronto!
Ent�o, para voc�, ter um orgasmo frente � c�mera � f�cil.
N�o pense isso.
Raramente nos vimos.
Oficialmente, nunca.
E voc�?
O que quer saber exatamente?
Se por vezes era o �xtase?
No outro dia, tive uma cena com um cara que me enojava.
Acabei por ter um orgasmo.
Por causa disso.
Mas n�o � coisa que se admita...
Somos todas um pouco estranhas, mesmo um pouco indecentes.
Quanto maior for o tabu, mais n�s gostamos.
Inevitavelmente.
Quando sabem que fazemos pornografia,
h� muitas mulheres que v�m conversar com a gente,
para nos fazer perguntas sobre o que fazemos exatamente,
se gozamos de verdade e quantas vezes seguidas,
se gostamos.
Por pervers�o, para saber.
Porque mesmo entre n�s, mulheres, mentimos,
vangloriamo-nos.
Os romancistas e cineastas deviam olhar mais...
para esse aspecto da mulher.
Apesar das apar�ncias, � quase territ�rio virgem.
� isso que tento fazer. Mas partindo da verdade.
Qual � a verdade? Voc� � ing�nuo.
Fa�o-lhe todas estas perguntas porque voc� parece ser...
uma profissional do sexo inteligente e sincera.
Sincera!
N�s, atores, somos todos prostitutas pelo papel que desejamos.
J� se perguntou por que raz�o as garotas v�o aos testes com voc�?
Est� consciente do papel que desempenha?
Desempenho um papel?
- N�o � neutro. - Ou seja?
Voc� n�o � um playboy.
� uma das raras pessoas que nos escutam.
Voc� � calmo, seguro de voc�,
pelo menos aparenta.
Sem perceber, desprende-se de voc� um certo encanto,
mantendo algo infantil.
� s�rio?
Deixe-se de disparates.
H� qualquer coisa a mais em voc�.
Sem mesmo se dar conta, voc� emite a imagem do pai.
Eu?
Eu, eu? Quem havia de ser?
- Incluindo no dom�nio er�tico? - Sim!
Temos a impress�o de praticar um incesto.
E isso nos faz gozar ainda mais, de outra maneira.
H� pouco, eu estava de barriga para baixo,
sonhando que te excitava.
A imagin�-lo me imitando, atr�s de mim,
e depois a me possuir como um animal.
Isso me fez ter ainda mais prazer.
Tenho que confessar que as boas ocasi�es s�o raras.
Diga, depois desta conversa toda, fui bem?
Sim...
D� a impress�o, talvez,
de fazer isto com muita facilidade.
Mas espero para ver o meu v�deo.
Estou muito habituada ao sexo. N�o fico suficientemente embara�ada?
Por favor, menina, espere uns dias pela minha resposta.
Voltarei para os testes dos di�logos.
Sim?
Por favor, sente-se, menina.
Trouxe fotografias...
e um curr�culo.
Obrigado.
Observa bem esta garota, deixe-a te encantar, abandone-se...
...totalmente.
Eu estou aqui,
ao seu p�.
Por isso, atira-se...
Voc� est� livre para jantar esta noite?
A minha amiga Agn�s, a garota dos livros,
j� me explicou tudo sobre o seu filme.
E pronto.
Vamos fazer agora os dois um jogo...
Que tipo de jogo?
Apreciar os meus pequenos prazeres proibidos e secretos.
Num local pouco apropriado para isso...
Onde � esse lugar?
Aqui...
Onde voc� costuma vir.
Como sabe disso?
Convidei uma pessoa.
Quem?
- Tinha medo de ficar sozinho comigo? - Outra atriz.
Que n�o deve demorar.
Uma rival?
Sua eventual parceira.
Ent�o, vou faz�-la participar.
Assustado?
N�o sei. Estou � espera.
Aproximo da mesa...
Coloco a minha m�o sobre a minha perna.
Um pouco acima do joelho...
e subo, suavemente, pelo interior da coxa...
� isso, observe discretamente � volta.
Proteja-me.
Adivinha o que estou fazendo?
Acho que sim.
A empregada te observa.
E depois?
Estou s� a esfregar o dedo no tecido do vestido.
Debaixo da mesa...
� agrad�vel, apesar da espessura do vestido?
N�o goze, agora n�o...
Prefere que espere pela sua convidada?
Isso � estranho.
� muito agrad�vel esperar assim por um orgasmo.
Podia fazer durar isto horas,
apesar de ter um pouco de medo.
A empregada est� de novo a olh�-la.
Abra o vestido.
Passe os dedos sobre a textura do tecido.
Agora, por baixo.
� bom?
Muito!
Continue a acariciar-se.
Mesmo quando ela se aproximar, mas discretamente.
Para eu puder ver a rea��o dela quando ela perceber.
Menina.
Quer ter a gentileza de nos trazer uma garrafa de champanha?
Voc� � engra�ado.
Estou toda molhada.
Continue o que est� fazendo.
Ol�, Julie.
Ent�o, � atriz?
E vamos ser parceiras?
Julie j� passou os testes er�ticos.
Estou a fazer o mesmo debaixo da mesa.
N�o acredito.
Espetacular!
Retirem discretamente as cal�inhas.
Mas tenham cuidado.
Sobretudo, deixem as m�os exatamente onde est�o.
Quer o card�pio?
N�o, obrigada. Vou s� beber um pouco de champanha.
Muito bem, menina.
Aproximem-se um pouco...
e acariciem-se uma � outra.
Vivo instantes incr�veis.
Obrigado.
N�o lhe causa frustra��o nos ver assim...
a um metro de voc�,
e estar preso pela promessa de n�o nos tocar?
N�o se importe com a minha frustra��o.
N�o!
N�o gozem imediatamente, ser� melhor depois.
Se quiserem, levo voc�s ao hotel em frente para continuarem.
Est�o ouvindo o barulho da engenharia? Repito.
Est�o ouvindo o barulho da engenharia? Repito.
Voc�s foram maravilhosas.
Venham!
- Assim? - Sim, assim.
Fique a�, Julie.
Vem.
Fa�a sua colega gozar uma segunda vez...
Eu fico de vigia.
Foi magn�fico!
Trabalhamos e gozamos ao mesmo tempo.
Devia ser assim toda a vida.
Entretanto, nunca tive prazer assim.
Eu tamb�m n�o.
Estava quase no s�timo c�u.
Expliquem, j� tinham tido prazer...
�s vezes.
Apenas �s vezes?
Quero compreender.
Esta noite, viveram algo muito forte.
Sim.
- Ent�o de onde veio a diferen�a? - N�o sei.
Muitas mulheres nunca sentiram nada.
Nem sequer sozinhas... nem quando eram pequenas.
Pelo menos � o que dizem.
Acredito que reprimem. Mas...
E eu? Sozinha, claro que sim.
Eu me masturbo frequentemente.
Por vezes dez ou quinze vezes por dia.
E fico t�o exausta que n�o consigo fazer mais nada durante o dia.
Com os homens n�o sinto grande coisa.
� mais f�cil eu gozar com as mulheres.
Elas conhecem o meu corpo.
Sabem melhor o que fazer.
E o fato de ser ainda um pouco tabu na minha cabe�a acentua o prazer.
E voc�, Julie, al�m da bolinha?
N�o sinto nada.
Exceto o prazer de te excitar, a voc�, a ela.
Menti e voc� nem percebeu. As mulheres s�o assim.
Estou brincando.
Gozo de todas as maneira... H� anos.
A princ�pio, o prazer das car�cias e da penetra��o n�o � o mesmo.
Depois, pouco a pouco espalha-se gradualmente pelo meu corpo todo,
irradia...
e da� eu gozo.
�s vezes, parece m�stico.
A sodomia � mais uma coisa diferente.
- Tamb�m pratica a sodomia? - �s vezes.
No princ�pio, era necess�rio tomar algumas precau��es.
Mas depois de algum tempo, esquecemos tudo.
E d� um prazer imenso.
E para ter o seu orgasmo, calculo que se masturbe ao mesmo tempo.
N�o tenho orgasmo.
Apenas um imenso prazer.
Como quando chupo algum cara bonito.
Tenho que ir embora... O meu namorado vai me matar.
- Descem comigo? - Prefiro ficar mais um pouco.
Eu tamb�m.
Em resumo, querem ficar juntos sem mim.
Ela disse coisas interessantes.
Se interesse antes por mim.
Sabe de onde sa� quando te encontrei?
N�o.
Do meu psiquiatra.
Eu o vejo duas vezes por semana.
Ou melhor, via.
Porque desde que te conheci que decidi parar com a an�lise...
e n�o mais voltar a ver o meu psiquiatra.
� ao mesmo tempo satisfat�rio e inquietante.
Talvez mais inquietante, que satisfat�rio.
Por que est� dizendo isso?
O meu pai � um grande psiquiatra de forma��o psicanal�tica.
A minha m�e � psiquiatra.
Uma fam�lia de psiquiatras.
O seu amiguinho tamb�m?
N�o.
Acabamos de nos separar.
Acredito que foi na mesma noite em que te conheci...
O seu rompimento com ele teve alguma liga��o comigo?
N�o, n�o sei.
N�o me parece.
Tenho um apartamento pequeno que o meu pai me comprou.
Ele me d� uma esp�cie de pens�o.
Ele � famoso, tem v�rias cl�nicas, faz um monte de confer�ncias.
Os seus pais vivem juntos?
Ele fez um filho na minha m�e - Eu.
E em outras mulheres tamb�m.
Eu fui reconhecida.
Me v� regularmente...
Embora, quando eu era pequena,
as visitas a casa dele exigiam todo um cerimonial:
A minha exist�ncia era mantida secreta de sua esposa leg�tima,
que amea�ava suicidar-se toda vez que uma garota atra�a o marido dela.
Um dia, eu tinha sete anos,
fui ver o meu pai na cl�nica.
Ela estava l�.
A minha m�e apresentou-me como algu�m que passava ali por acaso.
A mulher dele se jogou em um lago 15 minutos depois.
A minha m�e e eu encontramos um barco...
e fui eu que saltei l� para dentro para busc�-la.
Me agarrei em um dos remos.
Felizmente que n�o era muito profundo.
Nessa �poca, a minha m�e tinha um colega mais novo que ela 10 anos.
Quando a minha m�e estava em consulta,
o amigo dela me cortejava...
e divertia-se me beijando e acariciando por todo o lado.
Isso durou muito tempo?
Tr�s ou quatro anos seguidos.
E contou � sua m�e?
Contei.
Quando percebi o que est�vamos fazendo.
A princ�pio ela n�o acreditou,
n�o fez nada e casou-se com ele. Eu fugi...
Fui falar com o meu pai.
Ele preferiu alugar uma casa para mim.
E foi assim que me tornei independente aos 13 anos.
At� agora, tive uma exist�ncia muito movimentada.
- Que idade tem? - Vinte e um.
Conto o resto depois.
Sinto que gosto bastante de voc�.
Voc� goza muito depressa...
Comigo, o afeto vem logo, ou nunca mais.
E pode durar muito tempo, por vezes.
� verdade que com os teus 21 anos, j� deve ter tido longos amores...
� a Julie...
- Voltei. Vou subir. - Est� bem.
� a Julie.
Tive uma briga com o meu namorado.
Contou-lhe sobre a nossa noite?
N�o! Esta noite foi de trabalho, n�o lhe diz respeito.
Mas cheguei tarde e n�o tinha lhe preparado jantar.
Gritou comigo e vim embora.
Decidi me divertir um pouco. Vamos dan�ar at� desmaiar.
Idiota!
Importa-se de ir a um clube sexual?
Nunca fui a um e tenho vontade de experimentar.
Claro, vamos.
- V�o sem mim, meninas. - Seja simp�tico...
- N�o quer mesmo nos acompanhar? - N�o.
J� viu as horas? Podia ter telefonado.
Ent�o, onde est�?
Que tem?
N�o tem ci�mes da mulher dele, n�o?
Cuida da sua vida.
Encontrou as atrizes?
Em princ�pio, sim. Falta-me uma terceira.
O que lhes pede que fa�am, exatamente?
Se concordam, levam-me at� aos fantasmas...
das suas fantasias er�ticas.
Eu as observo.
- Sem lhes tocar? - Sim, por qu�?
O que fez com elas esta noite?
Testes.
Er�ticos!
E foi na seq��ncia disso que saltei em cima...
como h� muito n�o o fazia.
Olha nos meus olhos.
Que procura ao certo?
Compreender o que se passa na cabe�a delas.
Observ�-las no seu prazer, compreender quando elas simulam.
Escrevo em seguida o meu roteiro a partir do que elas me contam.
Terei de estiliz�-lo para o cinema.
Est� sempre sozinho com elas?
Quem eu poderia levar como testemunha? Voc�?
Um assistente? J� n�o aconteceria nada.
Arrisca ser acusado de manipulador...
E ser� atacado por todos os lados por ser um homem.
N�o tenho vontade de me transformar em mulher.
Escuta-me.
Essas garotas est�o prontas para contar-lhe o que voc� quer ouvir.
E tamb�m a lhe trair se n�o contrat�-las!
E mesmo que sejam boas, procura outras.
Elas podem recusar-se no �ltimo minuto... por capricho...
ou chantagem emocional...
...Ou porque o seu namoradinho vai ficar com ci�mes...
Meu amigo, proteja-se.
Sinto que est� em perigo...
E eu tamb�m.
Ora, n�o seja tonta.
Anda.
Recordo.
Os pequenos dem�nios azuis t�m ordem...
para n�o atacar os mais velhos...
antes do grande massacre.
Repito, os pequenos dem�nios azuis t�m ordem...
de n�o atacar os mais velhos antes do grande massacre. Tr�s vezes.
Por favor, ajuda-me. Venha me buscar...
Onde?
Estou sozinha desde ontem � noite. Vem!
Ou�a, senhor, tem uma jovem deitada num banco no meu bar.
Chegou h� uma hora, completamente chapada...
Venha busc�-la! Imediatamente!
Voc� � o Fran�ois?
� o pai dela?
Nem pai, nem marido, nem amante.
Melhor para voc�.
Essa garota vem periodicamente aqui criar confus�o! Estou cheio!
Desapare�am daqui os dois: Se voltar aqui, a coloco para fora.
- N�o, Charlotte... - Venha fazer amor comigo.
Anda...
Eu te desejo! Me beija...
Lamentaria depois, e eu tamb�m.
Venha se deitar!
Vou tomar uma ducha.
Est� bem?
Que aconteceu?
Com quem brigou?
Com ningu�m...
� necess�ria a for�a de um homem para fazer isto.
Foi o seu antigo namorado?
N�o, fui eu mesma sozinha.
N�o quer me contar?
� assim t�o dif�cil contar?
Se eu te contar, voc� n�o acredita...
Por qu�? Vai mentir?
Juro pela minha m�e, se estiver mentindo...
Est� bem...
�s vezes, sou possu�da pelo dem�nio.
N�o ser�o as drogas?
N�o uso.
Nem nunca usei.
Eu juro!
Como eu estava fazendo muito barulho,
o filho da zeladora,
que � meu amigo de inf�ncia,
subiu aqui acima.
Ele tem as chaves...
Entrou
e tentou me segurar no ch�o...
Mas n�o conseguiu, tal era a minha for�a.
Chamou o amigo dele, e tentaram os dois me segurar...
A princ�pio, fui mais forte que eles dois!
Depois, o diabo me abandonou...
e perdi toda a energia.
Por favor.
N�o conte isso a ningu�m...
N�o...
N�o lhe contei nem o m�nimo sobre a minha vida.
�s vezes, me acontece estar � beira do desespero.
Por que n�o retoma a sua psican�lise?
Sente-se, St�phanie...
Nos conhecemos?
� curioso, tenho a certeza de j� nos termos encontrado ou cruzado por a�.
Com licen�a.
Fran�ois? � a Charlotte...
Tudo bem? Atrapalho?
Estou numa reuni�o.
Julie est� comigo.
Ontem � noite, voltamos a sair. Estamos loucas.
J� fomos a tr�s clubes.
Neste momento, estamos num carr�o...
com uns caras que nos colocaram uma m�sica.
Por que n�o vem se encontrar com a gente?
N�o dormiram?
Para qu�?
Vamos continuar toda a noite que vem.
Como conseguem continuar? Est�o cheirando coca�na?
� s� champanha.
V�o gastar uma fortuna...
S�o eles que est�o pagando...
E n�o est�o pedindo nada em troca?
Sabemos nos defender.
Fran�ois? � a Julie. Vem com a gente.
Vamos te mostrar muitas coisas...
Estou numa reuni�o.
- Com uma garota bonita, aposto. - Sim.
T�o bonita e excitante como n�s?
Seria melhor voc�s irem dormir. Adeus.
Pe�o desculpa.
Ouvi falar de sua pesquisa para o filme.
Voc� disse que desejava deixar uma parte ao improviso,
e � inven��o er�tica das suas atrizes?
Quero sobretudo evitar filmar os meus pr�prios fantasmas.
Pois eu gostaria que um homem, ou mesmo v�rios, me levassem ao hotel...
Entre cinco e sete.
Imagino que fa�o amor com tr�s homens ao mesmo tempo,
talvez mesmo com cinco.
Entendo os tr�s primeiros, mas para que s�o os outros dois?
Ainda me sobra duas m�os.
Chocado?
De forma alguma.
Seis num quarto. Eu no meio.
Se poss�vel com os olhos vendados,
assim, a cada vez que cruzar com um cara sedutor na rua,
posso imaginar que foi com ele que fiz amor.
Permita-me viver os meus sonhos,
leve-me a um quarto de hotel...
desses baratos,
e eu farei os testes que pretende...
E voc� me prestar� um favor.
Ent�o?
Ent�o, o qu�?
Est� decidido? Vai me levar ao hotel?
Venha, pegue a sua m�quina e vamos.
Estou come�ando a desej�-lo.
Eu?
Te assusto. Posso ver nos seus olhos.
Voc� pede �s garotas que se entreguem,
mas voc� n�o faz o mesmo.
� verdade que voc� me causa desconforto.
Pois �...
Vejo sobretudo que voc� precisa ser abalado.
Vamos embora.
Est� Fran�ois? Somos n�s outra vez.
Nunca nos cansamos enquanto nos divertimos...
E St�phanie convenceu as duas garotas
a ir com a gente ao hotel.
As estrelas fantasma devem inundar de agora em diante...
os vastos oceanos des�rticos. Duas vezes.
Vou finalmente me divertir.
� tempo de cobrir com os sud�rios vermelhos
o dorso das gigantescas montanhas ocas. De novo duas vezes.
Voc� deve estar habituado a ver garotas se acariciando...
Um pouco, j� faz um tempo.
Eu nunca tinha feito isto at� agora.
Sabe por que estou fazendo?
Porque descobri que adoro me acariciar na sua frente.
Adoro que me olhe.
Filma.
Devem ser as outras duas garotas...
Vou dizer-lhes que voltem daqui � uma hora...
Se enfia debaixo dos len��is.
N�o, vai abrir.
Tem certeza?
N�o diga mais nada.
Vai abrir e fa�a-lhes uma surpresa.
Deixa, eu cuido disso.
Sente-se um pouco.
Assim?
Acabei de viver pela primeira vez na minha vida algo incr�vel e novo.
Francamente, com filme ou sem ele, farei outra vez.
Sabe, voc� j� tinha me visto.
No restaurante... A empregada. Sou amiga de Charlotte.
A m�e de Charlotte considera-me uma mentirosa patol�gica.
Talvez ela tenha raz�o.
Tamb�m � psiquiatra?
Foi assim que conheci Charlotte e que nos tornamos amigas.
Diga, Fran�ois, voc� me achou bonita?
Voc�s tr�s foram formid�veis.
Ent�o, vai nos contratar?
Vou deix�-las.
Quase atingi o meu objetivo.
Pelo menos, espero que sim.
Vamos, terceiro ato.
� a sua vez.
� mais uma das tuas garotas?
N�o atenda. N�o deixe que elas invadam a nossa vida.
A esta hora, pode ser algo grave.
Est� a�, Fran�ois?
� a Stephanie.
Ou�a, � importante. Apaixonei-me pela Charlotte.
Eu a amo. � tudo. Tinha que te dizer.
Podemos nos ver amanh�?
Passa no escrit�rio de manh�.
Mas cedo, se poss�vel.
Um beijo.
Era mesmo uma das suas �queridinhas�!
N�o minta, Percebo o teu ar de idiota.
Voc� � mil vezes mais gentil com elas...
Como quer que n�o seja am�vel com elas, depois de tudo o que lhes pe�o?
Pede-lhes que representem...
N�o � mais dif�cil do que pedir-lhes que chorem ou riam sinceramente.
�, sim!
� muito mais dif�cil trabalhar com sexo do que com outra coisa.
O sexo � imoral, compreende?
As garotas mais interessantes...
Entregaram-se totalmente.
Elas s�o loucas e te deixam apaixonado!
Est� procurando confus�o!
Tem mesmo de lhes pedir que fa�am tudo isso � sua frente?
Sim. S� posso filmar o que conhe�o.
Al�m do mais, a escola de teatro n�o ensina a representar...
cenas de car�cias debaixo de uma mesa de restaurante...
ou a fazer amor com algu�m com beleza.
O meu projeto evoluiu,
quero tamb�m dar a sensa��o de um encontro com o �xtase m�stico,
quando as atrizes sentem o prazer crescente e gozam.
S� se sente isso no amor,
quando amamos realmente,
e mesmo assim, � rar�ssimo.
Tive a sorte de viver isso duas vezes...
Com voc�...
Por que n�o o procuramos juntos?
Apenas voc� e eu?
N�o, n�o posso ser ao mesmo tempo ator e observador.
J� n�o � o mesmo comigo.
Eu te amo e tenho a sensa��o de ter lhe perdido.
Eu juro que necessito muito voc�!
N�o � a mesma coisa.
Escuta com aten��o.
Est� se lan�ando na destrui��o e n�o se d� conta.
E ainda me arrasta com voc�.
Por favor, n�o atenda.
N�o dramatize tudo, � apenas uma mensagem.
Por mim!
Fran�ois? � Charlotte.
Acabei de receber uma declara��o de amor maluca da St�phanie.
Eu gosto de homens.
Quero fazer tudo o que voc� quiser,
fazer amor com ela de verdade...
Mas � por voc�... apenas por voc�.
Ou para o teu filme.
Por que est� sempre t�o triste?
"Os astros esmaltam o c�u profundo e sombrio;
"O crescente fino e claro entre essas flores de sombra...
"brilha no ocidente
"e Ruth perguntava-se, im�vel,
"de olhos semi-abertos sob os v�us...
"que Deus,
"que ceifeiro de um ver�o eterno teria, ao partir, lan�ado sem cuidado...
"tal dourada foice no campo das estrelas".
- Hugo. - Foi bem lido.
Agora, decorem isso.
Venha perto de mim.
Depois do filme, nas entrevistas,
direi que me tornei l�sbica gra�as a voc�.
Sabe que eu n�o te amo dessa forma...
Adorei que nos tenhamos dado prazer, mas foi tudo.
Fran�ois, n�o me deixe s�.
� Fran�ois. Desculpem.
N�o te telefonei h� pouco.
Ent�o, sente-se s� comigo?
Sei me contentar com o que tenho.
Mesmo assim, fica sabendo que se precisar de um favor...
ou de uma prote��o, estarei aqui.
Nunca te pedirei nada em troca...
- Tenho a sensa��o de estar sobrando... - De modo algum.
Venha aqui.
S� vou ficar um pouco.
Vim ver a St�f e a sua nova amiga.
St�phanie � como uma irm� para mim.
Eu a amo e nunca lhe recuso nada.
Ela e eu somos filhos de pobres.
Mas eu, de vez em quando, gra�as �s minhas rela��es,
apanho um cara rico,
ou importante, ou famoso.
Por que me conta isso? Est� me amea�ando?
Ora, ora! N�o leve a coisa assim.
S� estamos conversando.
Adeus, irm�zinha do meu cora��o...
Sobretudo, divirtam-se.
Disse-me que de vez em quando, ia para a cama com um policial. Era ele?
Que mal tem isso?
Eu amo � a Charlotte.
Voc� leva a sua vida como quer.
Mas por favor, n�o quero ter mais nada a ver com esse cara.
Fran�ois!
Vejo que continua a fazer testes. Est� nos traindo?
Como souberam que eu aqui estava? Pelo escrit�rio?
N�o! Seguimos voc�.
Vai contratar a nova garota?
Por que devo responder? Devia expulsar voc�s do filme.
Temos a impress�o de estar sendo enganadas.
Voc�s s�o o m�ximo!
Que farei se uma de voc�s adoecerem...
ou mudar de id�ia no �ltimo minuto?
As suas desculpas pat�ticas...
n�o nos afastar�o do filme.
- Se fizer isso, eu me atiro da janela. - Eu tamb�m me mato.
Eu te fa�o em picadinho.
Sejamos claros! Voc�s n�o fizeram nada por mim!
Fizeram testes, talvez n�o muito ortodoxos,
para representar num filme.
Tal como outras atrizes que n�o foram contratadas.
� assim que se passa em todos os filmes!
Com a gente n�o foi nada assim.
Voc� � a nossa �nica hip�tese de �xito. Abandonamos tudo por voc�!
Infelizmente!
E agora me amea�am! Devia expulsar todas!
- Nunca serei nada sen�o atriz. - Milh�es de garotas n�o s�o.
- Se n�o for, eu me mato. - Eu tamb�m.
J� sei, j� me disseram! E eu n�o aconselho voc�s neste of�cio.
Nem a ningu�m, ali�s.
Seria melhor interessar-te pela cl�nica do teu pai.
Seria mais �til.
Nunca!
Por favor, n�o me abandone...
Daqui em diante, preciso de voc�...
Se quiser, depois do filme, continuarei a fazer testes para voc�.
Prendi-me a voc�... De tal maneira...
Sabe, acho que me apaixonei.
Meninas, voc�s me cansam! Vou embora.
Quero que as enquadres assim,
quero sentir a diferen�a entre a luz e a sombra.
Experimentaremos com tr�s luzes diferentes depois.
Meninas, este � o produtor.
Obrigado, Fran�ois. Como est�o, meninas, encantado...
Est�o encantadoras.
N�o sabe onde est� a Charlotte?
Na maquiagem.
Volto j�.
Est� tudo bem?
Olha para mim um instante...
Talvez seja melhor suavizar um pouco.
At� logo.
Quero um grande plano da pequena e ilumina��o em contraluz.
Vai chamar um m�dico depressa.
Como quiser, mas n�o � de um m�dico que ela precisa!
Vai, anda logo!
Vem ajudar!
P�ra!
Sou a amante do Diabo!
Soltem-me!
Soltem-me!
Fran�ois, quer arranjar algu�m para substituir a garota?
Por enquanto, n�o.
Comigo, ela sempre se comportou normalmente,
n�o temos que terminar aqui o nosso contrato.
Ou�a, Fran�ois, nunca assinarei um contrato com esta garota.
Consiga uma substituta depressa.
Uma, n�o, duas!
Voc�s s�o nojentos por trat�-la assim.
Usou a coitada!
E a mim! E a todas as outras!
O teu filme, s� � poss�vel,
gra�as a n�s, aos nossos testes,
�quilo que te demos quando fizemos amor � sua frente.
Se expulsar a Charlotte,
eu te juro que impedirei voc� de faz�-lo.
E que, mais cedo ou mais tarde, eu me vingo!
Quem s�o estas loucas? Menina,
sou eu que tomo as decis�es aqui.
Est�o despedidas. As duas!
E voc�? N�o fala uma palavra para nos defender?
Coloquem para fora daqui este bando de loucas!
Perd�o...
N�o direi mais nada.
Estou perdendo a mem�ria.
O mal ou o bem...
Sou um ber�o.
Que uma m�o balan�a.
No vazio de um t�mulo...
Sil�ncio,
sil�ncio...
Perd�o meu querido amor,
mas sofro tanto,
E sobretudo... tenho tanto medo...
Tanto medo...
Ajuda-me, paizinho...
Socorro...
Por favor...
Estou aqui, querida.
Estou aqui. Esque�a estes desgra�ados.
N�o tenha medo. Eles v�o pagar isto muito caro!
Tudo isto, � profundamente culpa sua.
Era mesmo necess�rio insistir assim?
Eu continuava com a responsabilidade...
de um filme e de uma equipe inteira.
Consegui arranjar rapidamente duas substitutas,
uma das quais C�line, que apesar das minhas apreens�es,
se revelou uma excelente atriz e de uma grande gentileza.
Contrariamente �s minhas inquieta��es,
a filmagem aconteceu sem incidente algum.
Tentei mais tarde saber not�cias das duas garotas,
mas elas tinham se mudado, e mudado os n�meros de telefone.
Por outro lado, por raz�es misteriosas,
Julie tinha desaparecido totalmente depois do �ltimo dia de filmagem.
O filme foi um sucesso, contra todas as expectativas.
Mas eu estava bem longe de ter obtido...
resposta para as minhas perguntas.
Por que seria que o sexo desencadeava...
uma tal viol�ncia e hipocrisia...
sobre temas que n�o s�o mais que uma tempestade...
num copo de �gua?
E depois, tal como C�line me disse,
o que � a �verdade�?
De fato, certamente, andava, em v�o, � sua procura!...
Pol�cia.
Sargento Devigny, temos um mandado de busca.
Fui detido...
e tive que responder a acusa��es de ass�dio...
feitas por Charlotte e St�phanie.
Tinha uma senten�a de pris�o pendente sobre a minha cabe�a...
O boato correu rapidamente pela minha profiss�o,
retomado pela imprensa sensacionalista.
O que me valeu uma p�ssima reputa��o,
que a minha intui��o certamente n�o esperava, nem imaginara,
quando me preparava para este filme.
Que absurdo!
Fran�ois,
infelizmente descobri qual foi a sua vida durante esses longos meses.
Nunca conseguirei te perdoar por ter me tra�do a esse ponto.
Vou embora antes que seja tarde demais. N�o esque�a,
o tempo passa depressa para todo mundo.
Julie!
Tenho imenso prazer em te ver.
E eu a voc�...
Podemos nos beijar?
Por que desapareceu ap�s a filmagem?
Ent�o?
Encontrei uma pessoa...
Fui obrigada a falar-lhe do filme...
Ele teve um ataque de ci�mes.
Quando as minhas cenas terminaram,
ele me obrigou a mudar de casa e de n�mero de telefone,
a cortar todos os contatos...
E o que faz atualmente?
Trabalho numa empresa de inform�tica.
E � feliz?
A verdade � que fugi.
Fugiu de qu�?
De voc�.
De mim?
Quando me acariciei diante de voc�,
para os testes,
no princ�pio s� gostei em parte...
Depois, muito rapidamente encontrei nisso um prazer intenso,
mais acentuado ainda quando fiz amor com Charlotte.
Era porque estava sob o teu olhar.
Foi voc� que me iniciou e agora tudo isso me faz falta...
E, para dizer a verdade,
na �poca, fiquei presa a voc�.
Muito presa mesmo...
Foi assim t�o forte?
Voc� n�o se deu conta de nada, n�o �?
Ali�s, nunca percebeu nada...
Refiro-me �s coisas s�rias...
Por exemplo, que era completamente...
manipulado por todas as suas garotas.
E que desencadeou qualquer coisa em mim.
Compreende que tento lhe dizer uma coisa?
Percebe ao menos que me fez sofrer?
Eu te fiz sofrer?
- � o que tento explicar. - Desculpa.
N�o sabia. Para mim tamb�m As filmagens foram um inferno.
A filmagem...
Continua ent�o sem compreender?
Que coisa t�o s�ria devia eu compreender?
Diga.
Nem sequer consigo te odiar!
N�o percebeu que me apaixonei loucamente por voc�...
E n�o apenas por causa do sexo...
Foi intenso, profundo.
T�o forte, que preferi fugir nos bra�os de outro e nunca mais te ver.
Apaixonou-se por mim?
Meu Deus!
E contudo, estou certa que n�o faz de prop�sito.
Foi assim t�o intenso?
Provavelmente para as outras tamb�m.
Voc� desencadeou coisas profundas e intensas.
Foi por isso que tudo acabou t�o mal...
Voc� continuar� toda a vida assim t�o...
...sem perceber...
Mesmo que seja s� por isso...
guardarei voc� para sempre num cantinho secreto do meu cora��o.
Agora tenho que ir...
Posso ter o n�mero de seu telefone?
E posso dar o meu?
Voltaremos a nos ver?
O grande deserto azul deles n�o passa de um inferno...
de correntes sem chamas. Tr�s vezes. Repito.
O grande deserto azul deles
n�o passa de um inferno de correntes sem chamas.
Que querem?
Soltem-me!
Soltem-me!
Vamos acabar com ele?
Por que o salvou?
Meu Deus!
Estou aqui, querido.
Sou sua vizinha, n�o se preocupe.
O que � que te deu? Por que fez isso?
N�o se apaixonou por ele, n�o?
E se tivesse apaixonado?
Ambas est�o no vazio em que os mortos se procuram...
Nunca deveriam ter me colocado com voc�s; estamos perdidas!
Fran�ois!
Fran�ois!
Fim da chamada! Fim da chamada!
Os olhos de �dipo nunca ver�o...
al�m da obedi�ncia do chacal e da esfinge.
O vocabul�rio era denso demais.
Levaram todos os corpos espl�ndidos.
Uma s� vez.
Uma �nica e �ltima vez...
Produ��o
Tradu��o: Ping�im-SP
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