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E 1 e 2 e 3 e 4,
5 e 6 e 7 e 8.
Isso, crian�as!
Fa�am como o papai.
Ok, corta. J� foi.
Life is a cabaret!
E onde est� o irm�o Jacques?
Eu os vi no Brasil e fiquei maravilhada.
Era uma coisa diferente, porque era t�o vanguardista.
Eu fui aos bastidores
E me apresentei.
Incrivelmente ousados. E eu adorei!
N�o somos damas e nem cavalheiros.
Desculpe, pessoal, mas n�o somos homens.
Est�o no show errado. N�o somos homens.
N�s n�o somos mulheres tamb�m n�o.
Exatamente.
Se querem um show de mulheres, tamb�m n�o somos mulheres.
� outro papo.
Eu sou abelha.
- N�s somos gente. - Exatamente.
N�s reunimos tudo e nos transformamos numa coisa s�: Gente.
Como voc�s! Voc�s tamb�m s�o gente.
Vou lhes apresentar minha secret�ria.
Muito prazer. Est� uma loucura hoje, mas tudo bem.
Hi, everybody, excuse moi...
Bunda magra, bunda magra.
A primeira coisa que tentei fazer na vida foi medicina.
Eu preciso de uma secret�ria pra falar franc�s,
pois o franc�s � uma l�ngua muito dif�cil pra mim.
Cantem! � melhor!
� melhor do que fazer isto.
Mais alto!
Eu o conheci em 1954.
Naquela �poca, ele era o bad boy da Broadway.
Quando ele fez um teste para um show da Broadway,
ele se vestiu de uma forma t�o irreverente
que seria imposs�vel algu�m contrat�-lo.
Fiz. Fiz "West Side Story", fiz "Pajama Game",
fiz "Guys and Dolls", fiz v�rios programas de televis�o.
Ningu�m ia contrat�-lo.
Porque ele trocava de espet�culo e ganhou aquela reputa��o.
Ele era bom demais para se prender a um show da Broadway.
Eu era um "child star" quando eu tinha 10 anos de idade,
eu tinha um programa meu na televis�o
com uma cantora chamada Connie Francis.
E da� eu encontrei com o Carlos Machado.
Quando eu descobri a m�sica brasileira,
foi como se eu tivesse descoberto a batida do meu pr�prio cora��o.
E o Lennie expressava isso de uma forma t�o bonita,
diferente de todos.
Eu nasci em um lugar chamado Brooklin, NY.
Ele me ensinou um passo da bossa nova.
Um, dois, tr�s. Um, dois, tr�s. Um...
Quando ele fazia, eu adorava isso!
Se voc� pedir para algu�m fazer um passo do Fred Astaire,
n�o vai parecer o Fred Astaire.
Lennie era o Fred Astaire daquele tipo de dan�a.
Ele reinventava tudo em que encostava.
Tem um n�mero que ele faz com um poste, semi-nu.
Ele me ensinou isso.
- Foi uma troca. - �, uma troca.
Nossa, eu nunca vi ningu�m dan�ar como o Lennie.
Ele me parecia corajoso.
E da� eu comecei a dan�ar com ele. N�s dan��vamos � tarde no Brasil.
Ele era incr�vel na dan�a, na m�sica, nas coreografias.
Ele percebia cada batida,
Cada tom da m�sica.
N�o s�o muitos core�grafos que fazem isso.
A vida � um cabar�! N�o acredito!
Voc� acredita? � a vida!
Olhem e agrade�am.
Aposto que todas as hist�rias s�o verdadeiras.
Ele fez muito pela revolu��o gay.
Olhem e agrade�am.
Se voc�s tiverem alguma d�vida, por favor, me perguntem, pois,
como voc�s sabem, � um espet�culo brasileiro e
haver� coisas que voc�s provavelmente n�o ir�o entender.
� verdade! Pois n�s mesmos n�o entendemos nada.
Voc�s v�o conhecer uma fam�lia m�gica!
A cada dia n�s ficamos mais livres em cena e
ficamos mais livres na vida tamb�m.
Esper�vamos tudo, menos isso, algo t�o extraordin�rio.
Mesmo com toda a publicidade, n�o havia quase p�blico.
- "Madrinha", n�? - Madrinha?
Eles n�o nos tocavam, iam mais longe.
E voc� sentia o movimento em volta deles.
Voc� realmente... Era como fuma�a ou algo assim.
Todos pareciam estar se divertindo muito.
�s vezes, eu ficava l� atr�s, sem eles saberem, e era a mesma coisa.
Voc�s devem ver isso. J� viram?
Voc�s t�m que ir, � �timo!
Paris, Paris, Paris, Paris, Paris!
Eu sempre falava deles. Falava mesmo!
Eu estava cheia de purpurina, porque n�s corremos mesmo.
Trazido por Patrice Calmettes a partir de 1973 a 1975,
a trupe brasileira Dzi Croquettes definir� a cena de Paris em fogo
trazendo novos ares.
Eu vi os Dzi Croquettes pela primeira vez em 1977.
Ao sair do espet�culo, estava deslumbrada e
voltei pra casa a p�, era noite,
e dancei com todos os postes de luz que encontrei na rua.
Foi como se tivesse visto estrelas cadentes.
E eu decidi fotografar aqueles dan�arinos maravilhosos.
Foi por causa do seu pai...
� verdade. Pois seu pai trabalhava com eles,
e depois conheci o grupo todo.
Me apaixonei pelo grupo todo no primeiro dia.
Bom, os atores...
Me lembro bem de Cl�udio Tovar, de Cl�udio Gaya, de Ciro...
Tovar, Reginaldo, Gaya, Paulette...
Wagner, Lennie, Eloy, Bayard...
Eu adorava! Eu assisti in�meras vezes.
Eu assistia ao espet�culo toda noite no Teatro Hebertot.
Eu tinha 20 anos.
Eu ia todas as noites. Vi muitas vezes.
Era um espet�culo de vanguarda.
Eles marcaram muitos atores e a classe art�stica francesa.
Eles jogavam muito bem com aquela bissexualidade e
seduziam homens e mulheres maravilhosamente bem,
sem problemas, o que era muito agrad�vel.
Eles n�o eram travestis, eram verdadeiros artistas.
Era realmente uma filosofia de vida.
E como eles usavam tamb�m a l�ngua francesa.
Eles falavam franc�s muito bem,
Mas com um sotaque brasileiro.
Essa mistura de l�nguas...
Eles me fizeram descobrir o Brasil. Voltei muitas vezes ao Brasil.
Como os Dzi Croquettes eram vistos em Paris?
Como uma loucura. Como algo extraordin�rio.
Pra n�s, eles eram realmente extraordin�rios.
Era alegre, l�dico. Era sensual. Era algo novo pra n�s.
Nunca tinha visto nada assim, e nunca vi nada assim depois.
Eram fogos de artif�cio.
Nossa, nunca vou me esquecer!
Me deixaram apaixonada pelo Brasil.
Aprendi um pouco de portugu�s.
Um luxo, n�o?
Brilhante, brilhante, n�? Brillant.
Eu sonhava em dan�ar no palco, ent�o, conheci o Lennie,
e meu sonho se tornou realidade.
E agora temos o prazer de apresentar para voc�s
uma grande amiga nossa: Paulette!
�.
Cantar Jacques Brel, vestido mulher e sendo negro, n�o era comum.
Fenomenal.
Paulette era extraordin�rio. Ele tinha uma maneira
de dan�ar �nica. Nunca vi ningu�m dan�ar como ele.
Eu nunca estudei nada, mas sempre estive envolvido,
sempre gostei do meio art�stico.
Nos convidaram para ir a Nova York.
Eu teria adorado.
Liza disse: "Lennie, me d� 3 meses."
Mas ele n�o veio. N�o veio a Nova York.
Essa escadaria. S�.
Uma puta escadaria que o Tovar vai botar como se fosse largo de...
Largo de Bonfim. N�o, n�o. N�o mesmo. Tovar!
Tava t�o inseguro, at� com a inseguran�a das pessoas
a gente pode fazer tanta besteira por um segundo.
Pra falar por que acabou, por que "eu acabou",
por uma coisa t�o, t�o "pequeno"...
Acho que tudo tem sua hora.
De repente, n�o sei que ia ser assim.
De repente, tava junto at� agora.
A rela��o de duas pessoas � bem dif�cil,
voc� imagina uma rela��o com 13 pessoas vivendo junto todo dia,
amando junto, sofrendo junto, sucesso junto.
E cada ser humano tem seu caminho, seu espa�o.
Ficamos muito amigos quando estive no Brasil.
Sempre que eu ia, n�s nos v�amos.
Quando o vemos dan�ar, parece que ele est� no para�so.
Acho que ele era muito feliz.
Nossa, eu o amava. E ele era rebelde.
E muito � frente do seu tempo.
Eu quero ser amado.
Eu quero, eu, Leonardo La Ponzina, ser amado.
Ele foi um dos meus �dolos. Eu o amava.
Desculpe, n�o fui muito breve, mas me emociono. Nossa!
�, realmente foi um trabalho maravilhoso.
� uma coisa que eu posso, de repente,
passar para uma outra atmosfera agora,
posso passar pela terra, muito feliz.
Eu realmente posso dizer que sou um homem muito feliz.
Todos lutando a mesma batalha.
N�o sei descrever o Dzi Croquettes com uma palavra.
� isso que estou dizendo.
Acabou.
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