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Eu não disse?
O Zecão não ia mentir.
Vai logo, porra.
Puta merda.
É grana pra caralho. Aí deve ter uns três milhões. Quatro milhões.
Quatro. Justamente como o Zecão disse.
E o coitado tinha que morrer de colapso cardíaco justo na hora da fuga. Melhor
pra nós.
Ele já estava velho mesmo.
Sobra mais pra nós três.
Quatro. Você esqueceu o homem do bar? É mesmo.
E ele? E o carro?
É.
A gente o destrói.
Coloca fogo nele.
Não, não me mate. Eu tenho uma família, amor.
O que
foi?
Não sei.
Acho que vi um tiro.
Um pesadelo.
Mais um?
Ana, às vezes eu tenho tanto medo.
Pobrinho, estou aqui para te proteger para sempre.
Obrigado.
Esse susto, esses pesadelos, ocorrem devido ao sentimento de culpa.
Intimamente você ainda não aceitou nossa relação.
Imagina se estou aqui contigo numa boa.
É, mas acho que as palavras da tua mãe e da tua irmã mexeram contigo. Você
realmente teve coragem em contar tudo.
Não é questão de coragem. É que não sei viver mentindo.
Apenas não esperava reações tão violentas. Não liga não, Benzinho.
Você vai ser muito feliz.
É, mas eu tenho medo.
Mamãe disse que todo pecado é castigado de maneira violenta.
Ah, maldita repressão. É pecado na formação delas, que são atrasadas,
Olha o Fábio, veja como ele encara tudo numa boa.
Mas é diferente.
Não, não é.
Ele também tem família tradicional, machista, e é o único filho homem.
A barra não deve ter sido fácil, mas ele soube não se deixar grilar pelos
outros.
Bem que alguém disse que o inferno são os outros.
Não foi Jean Paul Sartre?
É isso aí.
Agora vai ver se o Fábio quer café.
Bom dia.
Anja está fazendo café.
Você quer?
O que tomei era de ontem. Acordei cedo.
E você, Mikon? Como está vivendo o teu momento de decisão?
Muito bem.
Apenas alguns grilos.
Essa é a tua cabecinha. Mas conosco você não vai ter tempo para se grilar, não,
tá?
Tomara.
Como vai, minha amiga e patroa?
Muito bem. E o bariz Nikov dos pobres?
Dançou muito hoje?
Dos pobres, é? Você vai ver. Vou deixar ele lá embaixo.
Aliás, ontem eu relia a peça pela terceira vez. É maravilhosa. E as cenas
danço, então?
Aliás, todos os papéis são bons e contrastantes.
O meu é um contraponto do de Neila. E o da Sandra é a frescura juvenil em
contraste com a amargura da Letícia.
Eu fico tão contente ao ler a peça por saber que o Renato, o meu Renato...
Escreveu essa maravilha. Mas se prepare bem, porque o teu Renato, como diretor,
é super exigente. Sem exceção.
Tudo bem. E daí?
Você sabia que um dos primeiros filmes de Neila foi dirigido pelo Renato?
Claro que sabia.
E que nessa ocasião eles tiveram um caso?
Renato me contou. Só que foi por mais por parte dela. Na época, a Neila custou
perceber que não fazia o gênero dele.
E você não se importa com isso? Não.
A conheci só uma vez.
Ela me parece ser muito legal.
Bem menos neurótica que a Letícia.
E ela, vem com a Neila?
Devem chegar ao meio -dia.
A Neila vem com seu atual amor, um economista.
Ela quer entrosá -lo no seu ambiente de trabalho.
Eles estão de casa há uns cinco meses.
Você não estava no programa.
De manhã?
As matinês são sempre melhores que as noturnas ou as vesperais.
A gente acorda com disposição.
Cada dia que se passa, aprende algo.
Você não sabia disso?
É claro, vocês artistas só se ligam à noite.
Ah, não. De vez em quando você faz suas cenas eróticas de dia.
E aí, como é que é?
Como é que é o quê?
Você se liga?
Não nesse sentido.
Eu faço qualquer tipo de cena, a qualquer hora.
Mas profissionalmente.
Viu? Sem sentir nada pelo companheiro de trepar.
De cena.
Sem sentir absolutamente nada.
Só se tiver muito carente.
Mas desde que te conheci, nunca mais me senti assim.
Ah, Neira, Neira.
Está difícil me acostumar com a tua situação de atriz.
E atriz erótica.
Até quando?
Não sei.
Até quando o corpo aguentar.
A cara.
Sei, até quando der.
E nessa peça? Você vai ter que ficar nua?
Acho que sim.
Pode ser.
O Renato está pensando.
Ah, o Renato.
Ah, Amaro, que ridículo esse ciúmes todo.
Eu já te disse, o Renato foi um amor rápido.
Foi uma paixão da minha juventude.
Eu estava deslumbrada com a sua inteligência e grande parte da minha
cultural eu devo a ele.
Pra você ter uma ideia, um dia um jornalista me perguntou se eu gostava de
cáfrica. Eu disse que sim, com arroz.
Não sabia, eu pensei que era um prato tipo qualquer.
Quando o Renato viu isso publicado, ele queria me matar.
Mandou que eu pensasse duas vezes antes de responder.
Não, Amaro, não, não. Tem que passar no estúdio ainda. Não, eu quero, eu quero,
eu quero.
Não, Amaro, não, agora.
Ai, Amaro, não. Contra campo, contra campo.
Ai, não.
Não, Amaro.
Pare,
Eugênio. Pare,
Eugênio.
Qual é
agora?
Eu não devia ter te recebido hoje.
Daqui a pouco o pessoal vem me buscar.
E daí?
Dava tempo pra gente terminar.
Pô, vai me deixar na mão?
Será que você não consegue deixar de ser vulgar, pelo menos por um minuto?
Então é isso. O diálogo não estava à altura.
Eu tinha que me comportar diferente com a grande atriz Letícia Simons.
Tinha que dizer, oh Rochinol, seja minha eternamente. Quero sentir teu perfume.
Deixa de ser ridículo! Deixa de ser ridículo a você! O que esperava de mim?
pouco mais de ternura, de respeito, de amor.
Da maneira que você está agindo e falando, eu me sinto um animal.
Sinto muito, mas eu não sei fazer a fresfura desses atores intelectuais.
Agora que eu estou fazendo uma dureza.
A culpa foi minha.
O que eu poderia esperar de um... Carpinteiro, pode falar, eu não tenho
não. Agora, não vem com onda, porque quando você me conheceu lá no estúdio,
deu uma bola incrível.
Foi puro tesão.
Perdão, atração física.
Nunca prometi nada.
Enquanto você vinha com balinhas, docinhos, palavras macias sobre diálogo,
comunicação, calor humano.
Eugênio, para!
Tudo papo furado. Foi mais uma interpretação. Eugênio, para!
Pare de representar e encareça a tua vontade de trepar.
Letícia. Numa boa.
Veja a corda, tá?
Obrigado.
Vamos lá pro carro.
Pronto, ia, porra. Mas eu não ia pra lugar nenhum.
Ah, merda.
Cala a boca e obedeça, porra!
Tá bom.
Vai!
Oi, tudo bem? Oi.
O que tá acontecendo?
Foda, Fábio!
Peraí, peraí! O que foi?
Não sei, tem uns caras estranhos aí fora.
Me deixa aqui, Jorge. Me deixa aqui.
Tu vai ver, seu puto.
Escuta aqui, garoto.
Se você não abrir essa porta, o próximo tiro vai ser na cabeça do seu amigo.
Então, garoto, como é que é?
Vai abrir ou não vai?
Eu já vou abrir.
Vamos, escondam. Vamos.
Só tem você aqui.
Só.
Gente, vamos tirar a barriga da miséria. Por enquanto não. Nós estamos muito
cansados e temos que ficar bem atentos. Esse fresco está sempre me alugando.
Jorge,
nós não viemos aqui para fazer piquenique.
Tem mais alguém nessa casa.
Tinha sim.
Mas ela já foi embora.
O café está quentinho.
Pois é.
Estranho, não? Sim, é que... Bem, elas foram embora há meia hora, mais ou
Acontece que nas últimas duas horas não passou ninguém por essa estrada.
A não ser esse cara aí.
Como é?
Vai dizer onde estão os outros, hein?
Jorge! Olha só as coelhinhas na toca.
Hoje eu vou ter um banquete.
Pelo jeito, elas devem ser bailarinas.
Só quero ver se são equilibristas.
Seu puto querendo esconder essas peças. Por favor, deixe -a em paz.
Esses dois, não sei não.
E ainda por cima são artistas.
Mas o que eu gosto mesmo é de atrizes jovens, suaves,
tesudinhas. Deixa ela em paz.
Pelo jeito deve ser outra dobradinha.
Pode ser.
Mas, acima de tudo, elas são mulheres.
Que louca!
Para com isso, Zóio! Para com isso, chega! Para com isso, Zóio! Para!
Vê se cuida do teu estômago. Come alguma coisa primeiro.
Ah, mas que eu ainda vou comer essa franguinha, eu vou. Ah, isso eu vou!
Pô, cara!
Há mais de cinco anos que eu não vou de uma mulher.
Pô! Calma, rapaz! Calma! Depois a gente discute isso, tá?
Saco! Agora, quanto a vocês, eu acho bom ter um pouco de paciência.
É só até amanhã, tá? Se não for abuso perguntar, por que até amanhã?
Vai lhe dar satisfação?
Tudo bem.
Agora não faz nenhuma diferença.
É que amanhã, a uns 500 metros daqui, um barco estará nos levando
para outro país.
Para a liberdade total.
Adeus prisões, adeus medo.
Adeus sonhos.
Adeus.
Antes as pessoas eram melhores.
Mais puras.
Mais autênticas nos sentimentos.
Havia mais possibilidades de amor. De ternura.
Agora é tudo de vez, de sopetão, sem amor, sem poesia.
Puxa, que fossa, hein?
Não é fossa.
Eu estou me sentindo deslocada.
Sei lá, eu quero me mandar.
Pra onde?
Sei lá, longe desse insensato mundo.
Onde haja realmente mais verdade.
Poxa, Letícia, o que é isso?
Você precisa relaxar.
Você vai ver como esse trabalho com a gente vai lhe fazer muito bem.
Tenho as minhas dúvidas.
Tantos problemas existem na vida.
E o Renato acha de fazer uma peça sobre a morte?
Eu acho um tema muito bom.
A abordagem da peça também é muito boa.
É algo que a gente vive pensando.
Ou vai me dizer que você não pensa nisso?
Claro que sim.
Mas não como a maioria das pessoas.
Não encaro a morte como um fim.
Acho que a morte pode ser um começo.
E um belo começo.
Embora a luta armada tenha sido um caminho errado, naquela época, nós
cheios de certezas. Nós acreditávamos que...
Calma, gente.
São nossos colegas. Por que não disse que vinha mais gente?
Vocês não perguntaram nada.
Aí, eles pararam.
Você aí, vem cá.
Agora você vai lá fora e vai recebê -los com muita naturalidade.
Se você não fizer tudo muito direitinho, já sabe, ela morre primeiro.
Agora anda, vai!
Oi. Oi.
Oi. Oi.
Quem é esse cara, hein? Não sei, deve ser ator também.
Oi, Sandra.
Oi.
Tudo bem?
Nossa, Sandra, tu tá achando tão abatida. A Ana precisa cuidar melhor de
hein?
Tudo bem?
Oi.
Oi.
Olá.
Oi. Nossa, mas que cara. Oi. Tudo bem? Ah, já sei. O casal andou brigando.
Neila. Oi. Neila. Para, Renato.
Oi. Ah,
já sei. Você deve fazer parte do coro.
Coro? É.
Uma vez a gente fez um dueto.
No teatro.
Ah, é.
Você se lembra? Num show.
De Natal. Como é que era mesmo?
Já lembrei.
Aquela.
Com a imagem tua
Tirei as calças, fui cagar na rua
Guarda que apareceu Caiu na merda E se
fudeu
Bonitinha,
né? Bonitinha
Olha aqui, eu sou cafajés, filho da puta. Exige o mínimo de respeito, viu? O
é, maçã? Vai bater?
Vou sim.
Então bate.
Eles invadiram a casa?
Chega de conversa fiada, falou?
Eu acho que nós temos que dar um sumiço em todos eles. Não é necessário nada
disso. Chega de violência.
Nós havíamos combinado que não ia haver nenhuma morte. Já houve uma e foi uma
coisa muito estúpida. Ah, seu bosta.
O que tu queria?
Que a gente deixasse o cara vivo pra ele voltar pra cidade com o carro e abrisse
o balcão pra polícia. Porra, qual é?
Ah, chega de papo furado.
Em vez de discutir, a gente tem que se servir.
É só o material.
Já pensou, malandro?
Que baba que tu ia faturar se tivesse essas frangotas nas mãos na época que tu
era capitão.
É mesmo.
Só que nesses últimos anos, antes do surpresa, o material que eu tinha não
dessa qualidade.
Mas eu posso voltar a faturar.
Nesse país que a gente vai.
Eu podia levar uma delas e pôr pra trabalhar.
Ô, Paulão, dá um tempo. Vê se descansa um pouco, cara.
Como é?
A gente vai se decidir no palitinho aí. Claro, né?
Elas são todas gostosonas, malandro.
Essa daí, eu acho que eu já vi num filme.
Era queridas e violentadas.
Que previsão.
Escutem. Não façam mal a elas. Eu tenho dinheiro em São Paulo e, infelizmente, a
gente não tem muito tempo para apanhar tua grana em São Paulo.
Agora, as frangotas... Mas olha, eu trabalho num banco e o mocinho é
é? Sou economista e trabalho ligado à diretoria.
Então você é economista?
Sou.
Cambada de parasitas.
Não fizeram outra coisa a não se atrapalhar o desenvolvimento do país.
Mas que mal nós fizemos?
Se omitiram o tempo todo enquanto era feita uma péssima justiça social.
Na base de decisões econômicas inteiramente arbitrárias.
Não fizeram nada por uma distribuição de renda mais justa.
Por uma renda per capita mais equilibrada.
Mais democrática. Eu não entendi picas.
Mas que ele falou bonito, falou.
Porra. Falar bonito é típico nos idealistas de Araque. Renato. É isso
A tua maneira de ajudar o país foi assaltando bancos e matando vigias que
ser chefes de família.
O moço aqui, segundo ele me contou, foi condenado por participar de um assalto a
banco, causando a morte de um pobre vigia.
Eu não tive culpa, aquilo foi um acidente, não fui eu que o matei, eu já
E ele disse que foi por motivos políticos, para melhorar a vida dos
E era mesmo.
O nosso movimento sonhava com uma vida melhor para todos os brasileiros.
Sem tanta desigualdade, sem tanta fome, sem tanta cobiça.
Hoje eu concordo que naquela época nós usamos o método errado, mas era o mínimo
que se poderia fazer.
Mas eu ainda vou lutar por um mundo melhor.
Por um pouco mais de paz.
Por uma ética menos burguesa.
Ética?
Mas Renato, o ideal dele é respeitável, digno.
Não podemos criticá -lo pelas suas boas intenções.
Boas intenções?
Diz -me com que anos que eu te direi quem és.
Olha, cara.
Na vida, a gente é obrigado a fazer algumas concessões.
E você, pelo jeito, já deve ter feito muitas.
Eu não tenho culpa se fui considerado um criminoso comum.
Por isso fugiu com eles. Exatamente.
Sem eles e sem o Zecão que morreu, não teria havido fuga.
E nem o dinheiro.
E sem os meus conhecimentos, não haveria o barco que vai nos levar para a
liberdade. Por isso você passou por cima dos seus princípios éticos e se juntou
a um cafetão várias vezes condenado por lenocínio e a um... Ladrão, sim, senhor.
Com muita honra. Eu fui condenado a 20 anos de prisão por assalto e crime.
Agora não precisa ficar lembrando aí, viu, seu viado?
Agora tu fecha o teu bico, senão corto tu e o teu boy.
Calma, Jorge.
Calma, rapaz. Calma.
Quer saber?
Eu quero é fuder.
Tu fica perdendo tempo com esse papo furado e com essas frangotas aí na mão.
Qual é? Calma, Jorge. Eu já disse calma, rapaz. Calma.
Então, estamos aqui frente a artistas consagrados? Muito bem.
O que é que vocês têm para nos oferecer?
Que tal um striptease?
É isso aí.
Renato, olha, a gente poderia representar algumas cenas da peça?
Isso, isso mesmo. Faria bem a todos nós. Ótima ideia.
Vamos lá?
Mostre -nos um pouco da sua arte.
Está certo?
Você me dá algumas horinhas para a gente se preparar. A sós.
Não.
Não, eu não tenho condições.
Mas, gente, precisamos fazer alguma coisa. Vocês não podem se deixar levar
provocações. E pelo jeito vamos ter muitas.
Então.
Representar a peça vai nos fazer bem. Talvez passe alguma coisa para eles.
-os pensar.
Aqueles cafajestes?
O mocinho não parece cafajeste.
E exerce uma certa liderança sobre os outros.
Até certo ponto.
De qualquer forma, temos de ter muito cuidado e usar toda a nossa psicologia.
Vamos, pessoal.
Pelo menos a gente ganha tempo.
Hoje vai ser um dia muito bonito.
Vamos.
Hoje vai ser um dia muito bonito.
Cheio de sol.
E promessas.
Hoje vai ser mais um dia.
Tenho certezas.
Ah, eu quero que ele venha.
Para sempre.
E eu vim com a missão a cumprir.
É uma de vocês.
Mas eu esqueci a ordem e agora não sei. Eu tenho certeza de que não sou eu a
quem você veio buscar.
Nem eu.
Tenho muito o que fazer.
Para mim, tanto faz como tanto... Que saco! Eu acho...
Que o garoto vai comer uma delas. Para valer? É uma loucura. É claro.
O teatro agora é nessa base.
Não se deixe enganar pela beleza.
Ela é sempre um disfarce para um destino fatal.
Se vocês não forem, eu vou com ele.
Espera. Você não percebeu?
Ele é o emissário. O enviado que veio nos buscar.
E a nossa juventude? Não conta?
Não sei.
Realmente chegou o fim dos dias para uma de vocês.
Mas não sei qual.
Por favor, me ajudem, não posso cometer erro algum.
Afinal, o que ele é?
Não estou entendendo porra nenhuma.
O garoto faz o papel do anjo da morte. Da morte?
Que merda!
Ô gato, se fico eu aguentando a sua porrinhação, pensando que vai dar uma
sacanagem, fica todo mundo aí falando sobre essa frescura de morte.
Ah, vão tomar no cu!
Pousoso, deixa eles continuarem. Deixa porra nenhuma, tu não saca nada.
Aí, quem vai organizar esse show de merda agora sou eu. Vem cá.
Sai pra lá, vai.
É isso aí.
Aí, um strip completo.
Aí,
é melhor obedecer, senão alguém vai se machucar.
Diferente porra!
Música Música
O que é isso?
O que é isso?
O que é isso?
Não, não, não.
Deu pra matar a saudade.
Qual é, porra?
Já fez tanto disso nos filmes.
Ou vai dizer que lá era só faz de conta?
Como é, Bolão?
Agora é a tua vez.
Ou vai me dizer que não se lembra mais como se faz?
Claro que me lembro, porra.
Só que esses anos de prisão... mudaram o meu paladar.
Espera um pouco.
Espera um pouco.
Vem cá!
Não, ele não. Não, ele é apenas um rapaz. Não, por favor. Por favor, saia
Larga.
Manda ferro, Paulão. Deixa.
Só que para completar, eu vou querer um show.
As duas.
Vamos.
Quero ver como é que fazem.
Grande, cara.
Como é? Vamos começar logo ou estão a fim de levar chumbo?
Por favor, mande parar com isso.
É muita humilhação.
Eu sinto muito, mas eu não posso fazer nada.
Mas é demais.
Vai contra os seus princípios éticos.
Ou você também... Por favor, por favor, entenda. Eu não posso fazer nada.
Nós temos um acordo. Eu entro com a cabeça e eles com a força.
É até preferível que fiquem só nisso.
Para se desrecalcarem de anos e anos de prisão.
De repressão constante.
Eu até acho bom que eles fiquem cansados, porque assim eu posso evitar o
para vocês.
A polícia ainda não tem pista dos fugitivos da penitenciária,
mas já sabe quem são.
Trata -se de Jorge Ramalho da Silva, de 32 anos, condenado
por assaltos de crime e morte.
Paulo Sanches, vulgo Paulão, que cumpria a
pena... por exploração de lenocínio e Tércio de
Toledo Lince condenado por
assalto a banco seguido de morte e José Carlos
Duarte vulgo zecão condenado por assaltos
diversos a polícia
Agora aguarda a recuperação de Zecão,
que foi encontrado
inconsciente, vítima de ataque cardíaco.
Oh, então ele não morreu.
Puta que os pariu. Seus idiotas. Você principalmente. Você tinha dito que ele
estava morto.
E parecia.
Mas, mas, depois daquele troço que ele teve, ele não poderia ter vindo com a
gente. E agora o nome é menor condição.
Agora ele vai dedar. Vai chegar lá, vai dizer pra polícia onde o barco vai
buscar a gente e tudo mais, pô. Ah, o Zecão não faria isso. Diz que ele tá
inconsciente. Mas tu também tinha dito que ele tava morto. Aí sujou, sujou.
Os babaca aqui acreditamos na inteligência.
A melhor cuca sempre foi a de teter.
Eu já disse pra você não me chamar desse jeito.
Ué. Às vezes você estava lá na prisão e o pessoal te chamava... Vem cá, Tetê.
Bom, você está na prisão. Agora acabou.
É, mas até agora a gente não tem prova de que tu é macho mesmo.
Está aí a tua oportunidade.
Sem essa, pô. Eu não sou de forçar ninguém.
E depois eu não tenho nada para provar para vocês.
Pô, esses anos todos não tiveram saudades de uma bucetinha?
Ou vai me dizer que mudou de paladar também?
Seu grosso.
Eu tenho saudades, sim.
O amor.
O amor de uma mulher.
A gente só está querendo saber se tu é macho mesmo.
Se tu não for, eu vou no teu lugar e como uma dela. Chega de palhaçada,
Ela já sofreu bastante.
Menos a madame aqui.
Ela leva uma pinta de bom remelexo.
Eu não sou de forçar ninguém.
Vai, o que quer acontecer?
Eu vou.
Eu vou com você.
Amém.
Pronto. Agora estamos mais seguros.
Eu vou dar uma volta na praia para ver o local onde o barco vai chegar.
Veloz não vai fazer nenhuma besteira, hein?
Numa boa.
Numa boa, cara.
De graça por estarmos vivos até agora.
Aqueles dois são perigosos.
Parecem dois moleques descontrolados.
Nós temos que ter muito cuidado para não provocar reações mais fortes.
E você, Letícia?
É um tanto arriscado esse teu jogo.
Que jogo?
Ora, acontece.
Esse papel de apaixonado que você está representando.
Quem disse que estou representando?
Não adianta.
Nunca se sabe quando a Leticia está representando ou falando a verdade.
Nem ela sabe.
Ai, que vontade de tomar um banho.
Para quê?
Para se exibir novamente.
Pensa que eu não percebi o quanto você alongou seu striptease.
Tá certo. Eu demorei. Mas era pra ganhar tempo.
Eu estava com medo, Amaro. Ou você acha que eu fiz isso pra me exibir?
Além do mais, eu não preciso disso.
Não sei, não. Mas tome cuidado com seu exibicionismo. Porque são todos loucos.
Todos eles.
Inclusive esse filho da puta porque você está deslumbrado. Ou parece que está,
sei lá.
Escuta aqui, Amaro.
Se você está com medo, acho compreensível.
Razoável? Mas assuma, não venha descarregar na gente não, hein?
Eu não tô querendo esconder o meu medo.
Eu apenas acho perigoso esse teu relacionamento com esse merdinha, com
idealista de merda.
Sabe o que te irrita? É que ele tem o ideal dentro de si. Enquanto que você,
sabendo, não passa de economizar dinheiro de merda, tá legal?
Peraí, Amaro. Peraí, Letícia.
O que está acontecendo aí?
Nada.
Nós estamos um pouco nervosos.
Escuta.
Nós poderíamos tomar um banho?
Só as mulheres.
Tudo bem.
Mas que bobagem. Pensa que eu nunca vi?
Não é isso.
É que você me pegou de surpresa. Eu já estava te vendo aí.
Sabe, eu gostei. É?
Pois fique sabendo que eu também te vi antes.
Peladinha. Você estava junto com teu amigo e tua amiga.
Vocês estavam... Você viu tudo?
Sim. Pois é, e é por isso que eu estou meio aflita.
Sabe, quando é a três, alguém sempre sobra. Não aproveita tudo.
Com esses dois eu geralmente me sinto sobrando. E depois ansiosa.
Mas eu acho que eu posso dar um jeito nisso. Ou não posso.
Vamos até a barraca. É? Vão demorar. Vem. Então vamos.
Vamos, eles foram fazer conta.
Reconheço que foi muito estúpida com a Mari.
Não era a hora de dizer aquilo.
Mas ele me provocou.
Devia respeitar os meus sentimentos.
Sentimentos? É.
Está patente, meu amor, pelo Tércio.
Você não acha que está sendo um pouco precipitada?
Mal conhece esse cara?
Desde o primeiro momento.
Eu sinto que ele é o homem que eu sempre procurei.
Poxa, mas que hora para se apaixonar, hein?
Entenda, Neila.
É como se durante toda a minha vida eu estivesse esperando por este momento.
Durante todos esses anos eu...
Procurei algo que nem eu mesma sabia o que era.
Agora, eu sinto de corpo e alma que minha procura acabou.
Ai, nem nos apresentamos.
Como você se chama?
O meu nome é Jorge Ramalho da Silva. Muito prazer.
Prazer. O meu nome é Lilian Jordão Moreira do Prado. Pode me chamar de
Lili? É. Lili.
Lili está sempre cantando. Está.
Vamos ver melhor essa pontinha, senhorita Lili.
Lili.
Eu vou te lamber essa
cerveja todo dia.
Eu quero tudo que eu tenho direito.
Pensa que vai me deixar assim na mão.
Primeiro uma chupetinha submarina.
É verdade, Ana.
Acho que tudo isso é um castigo.
Que bobagem, Sandra.
Aconteceu porque tinha que acontecer.
Não tem nada a ver com a gente.
Estou com medo.
Acho que vou morrer.
Eles vão nos matar.
Sandra!
Sandra!
Eles não farão isso, Sandra.
Tudo vai acabar bem, você vai ver.
Precisamos é manter a calma.
Que lindo.
Qual é?
Você pode manter um pouco de sossego nessa casa?
Calma, mocinha.
Só vim avisá -las que devem preparar um jantar muito bonito.
As mulheres devem vir nos seus melhores trajes.
É às oito.
Portanto, vamos logo com isso. Escuta, o que pretende, hein?
Ah, apenas um bom jantar.
Refinado. Só o jantar? Só o jantar.
Por enquanto.
Filho da puta!
Ela era bem doidinha. Uma transa legal, cara.
Essa bosta não me serve. Só que o Terson não pode ficar sabendo.
Ele não pode ficar sabendo que eu matei.
Puta que eu pariu.
Foi sem querer.
Ela reagiu ao paguê, pô. Você já imaginou se começam a procurar e
Puxa, mas que elegância, hein?
Meus parabéns.
Muito bem, então.
Como é que foi, hein?
Tudo legal.
Só tinha um pessoal hippie acampando aqui na praia.
Mas pode ficar tranquilo que eles estavam bem distante daqui.
Ótimo. Aí então, você aproveitou e tomou um banhinho, né? Seu idiota.
Você não percebe que com isso você poderia nos expor ao perigo? Olha aqui,
espero que da próxima vez você não faça uma outra besteira como essa, tá?
Ah, não enche o saco, porra!
Como eu gosto de mesa fina.
Tudo bonito e tudo bom.
Sabe, desde criança que eu gostava de jantares assim.
Toda vez que a minha mãe arrumava a mesa, assim com luxo, eu morria de
Ah, as crianças tinham que jantar separadas.
Não havia criança naquela casa.
Era só um casal muito rico e a solteirona da irmã dele.
Minha mãe era criada.
Criada e cozinheira.
Desculpe, eu não sabia.
Quer dizer que a mãezinha do Paulão era empregada?
E daí?
Nada.
Só que...
Há empregadas e empregadas.
A tua era pra todo serviço, era?
Seu puto!
Mais respeito com a minha mãe! Calma, cara! Só tava brincando, pô! Qual é?
Paulo, não tenha modos. Esse é um jantar fino.
Eu não admito que falei mal da minha mãe.
Era uma santa.
Deu um duro danado por minha causa.
Depois que o puto do meu pai, que eu não conhecia, abandonou.
Mamãe era incrível.
Apesar de dar duro, sempre tinha fé.
Era muito religiosa.
Me fazia ir à missa com ela todos os domingos.
À missa? É, à missa.
E eu ia numa boa.
Depois, ela ficou doente.
Sofreu até morrer.
Foi quando eu tinha mais ou menos 15 anos.
Daí eu me mandei e nunca mais rezei.
Fiz mil promessas para que melhorasse e não morresse.
Como é que eu poderia continuar sendo religioso depois disso, porra?
Eu acho que quando a fé é forte, dificilmente a gente a perde, por maior
seja a provocação.
E você acha que no mundo de hoje, com tanta injustiça social, com tanta
Alguém ainda pode ser religioso?
Não se trata de ser religioso ou não, mas de se ter fé num ser superior que
comanda nosso destino e que nos move de encontro uns aos outros.
É, mas que também nos afasta, mesmo quando a gente não quer.
Sim, e que também nos afasta por razões que às vezes fogem da nossa compreensão.
Houve uma razão muito forte para sua mãe morrer.
Deixou de sofrer com a doença.
E também poupou -se de sofrer vendo o filho transformar -se num criminoso.
E o que você tem com isso, hein?
Ou a sua mãe está orgulhosa com a vaca da filha que tem?
Minha mãe já morreu, mas estaria orgulhosa com a minha carreira de atriz.
Atriz, meretriz, é tudo a mesma coisa.
Artista é puta ou viável.
Ô, Paulão Manela, não estraga o jantar. Então não me enche o sapo.
Quero mais carne.
E a nossa sobremesa, como vai?
Merda! Calma, Amaro. Assim não vai resolver nada.
Como posso ficar calmo se eles estão com a minha mulher?
Mas não vai haver nada de grave.
Eles querem apenas se divertir. É isso que me preocupa. Vocês artistas não têm
mínimo senso de fulgor.
Se entregam com má facilidade.
Espera aí, não estou te entendendo.
Ah, vai me dizer que você não gostou daquilo com o gordo.
É o mesmo que você faz.
Só que teve plateia.
Olha aqui, seu puto, eu fiz aquilo por medo, tá entendendo?
Se você está com vergonha, foi porque está tendo medo.
Calma, Fábio, calma.
Nós todos estamos com medo, porra.
Só você não quer reconhecer e fica fazendo proselitismo a respeito dos
Para de encher o saco do Fábio.
E quer saber o que mais?
O que ele faz não é o seu gênero.
Faz muito mais o meu, seu careta.
Desculpe, eu fui um grosso. Na verdade, eu estou apavorado. Precisamos fazer
alguma coisa.
O que, por exemplo, Amaro? Não sei, algo prático.
Eles devem ter um ponto fraco.
O café está gostoso. Mas a gata... Obrigado. Podemos
levar o jantar para os outros?
Podem sim.
Mas vocês vão passar a noite lá com os outros? Ou preferem dormir no outro
quarto? Eu prefiro ficar por lá.
Eu também.
É, como eu disse, a união faz a força.
Bom, como nós combinamos, você ou o Jorge vigiam enquanto eu durmo algumas
horas. Depois a gente se alterna.
Eu prefiro ficar primeiro.
Para mim, tudo bem.
Que besteira.
Quem vai procurar a gente por aqui? Sei lá.
O Zecão poderia ter dado com a língua nos dentes. Ah, o Zecão não faria isso.
De qualquer forma, eu acho melhor a gente não brincar em serviço.
Cadê o Jorge?
Ele já deveria estar aqui.
Aquele puto foi comer a menina e esqueceu de mim.
Pô, o Jorge é muito irresponsável, mas deixa comigo que eu vou buscá -lo.
É melhor dar esse revólver pra ele e você me dar o outro.
Esse aqui é bem menos perigoso.
Sandrinha, o que houve?
Eu perguntei se ela quer alguma coisa, mas ela não responde.
Oh, meu Deus.
Sinto muito, eu não tive culpa.
O que vocês fizeram com ela, hein? Seus cafajestes nojentos. O que vocês
pretendem mais, hein? Qual será a próxima?
Calma.
Foi, Jorge, mas fiquem tranquilos. Agora não vai acontecer mais nada de mal a
você.
Quer sair um pouco?
Filho da puta.
E agora essa débil da Letícia ainda vai... passear com esse pivetinho de
Já disse, foi ela quem pôs resistência. Ela é uma rei, né?
Pô, é muita estupidez. É muita selvageria da tua parte. Mas olha aqui.
Eu vou cumprir a minha parte no trato. Você vai no barco, tudo bem. Mas eu não
quero mais ver você aqui dentro fazendo besteira, tá legal?
Tá legal.
Eu vou ficar de vigia.
É, eu acho bom mesmo, tá?
Ah, chefinho.
Chefinho de merda.
Eu só tô aguentando os gritos desse viado só por causa do barco.
Depois, ó.
Ele é boa praça.
E você também.
Exagero. Três um dia.
Pô, malandro.
Fazia tempo que eu não via mulher, né?
Tinha que recuperar o meu tempo perdido.
Ah, é?
Vê se agora não faz besteira que eu quero é dormir, tá?
Pode ir tranquilo que o boneco aqui não aguenta mais.
Olha, eu... Desculpa, fala você.
Fala você, eu prefiro.
Não sei.
Estou tão confuso.
Não sei nem para onde começar.
Eu acho que eu te amo.
Acha? Não tem certeza?
Entenda, eu... Eu te conheci em circunstâncias tão especiais.
Eu estava confinado no mundo há anos, sem o carinho de uma mulher, e de
repente... Eu me pergunto se o que eu estou sentindo não é por desespero, por
carência, por angústia... Mas e daí?
Que importam as razões?
O que vale é o que você sente, o que nós sentimos.
Eu também me perguntei se era certo amar alguém que está do lado de outros
homens, que nos humilham, nos aprisionam.
Escute.
Eu não consegui controlar aqueles dois, mas eu juro.
Vocês vão escapar desta são e salvos.
Eu sei disso.
Sei também que posso confiar em você, no teu caráter, na tua pureza.
Sei também que nunca senti por ninguém o que estou sentindo por você agora.
Você aí.
Eu? É. Por que ela?
É pra fazer café.
Como é?
E deixa, Marta.
Calma.
Além do mais, ela é mais gostosa do que tu.
Quero um café bem gostoso, viu, Teseu?
Qual é?
Sou tão feio assim?
Não, não é isso.
Você até que é bonito.
Eu que estou um pouco nervosa.
É, eu também estou cansado.
Leva o café lá fora, tá?
Claro.
Como eu gostaria de estar com você aqui para sempre.
E o que te impede?
Já não me permito mais ter esses sonhos bonitos, coloridos.
Ainda hoje, estarei a caminho de um outro país, outro mundo, outras
Sem essa paz que você me dá.
Eu posso ir com você.
Não brinque.
Não estou brincando, estou falando sério.
É isso, você não me conhece.
Eu não acreditava em amor à primeira vista.
Até hoje.
Por minha causa, você seria capaz de deixar a sua carreira? Os seus amigos?
O seu país?
Eu já não sinto mais satisfação no meu trabalho.
A vida para mim tem sido uma constante depressão.
Contigo agora eu sinto que renasci.
Dessa vez estou disposta a ir até o fim do mundo para não te perder.
Então vamos.
Está com pouco açúcar.
Ótimo. É assim que eu gosto.
Eu sei. Já tinha observado.
Pensa que tem veneno.
Você acha que eu envenenar um moço tão bonito como você?
É mesmo?
Você me acha bonito mesmo?
É que eu não devo, mas eu te desejo tanto.
Legal.
Eu quero me provar que você é um homem capaz de ser carinhoso.
Sua tesão.
Oh, George!
Oh,
George! Acaba logo, que o chefe Gil está voltando.
Eu não sei chamar boa, não.
Logo pode pintar a saudade do país, da carreira. Não, tenho certeza que não.
Eu prefiro a insegurança do teu lado do que saudade.
É isso que você está falando agora.
Quero ver se depois você um dia...
Olha
aí, polícia.
Como é que...
Eles podem chegar logo até a casa.
Vamos por aqui.
Vem.
Jorge! Jorge!
Rápido, gente. O outro já percebeu que eu estou aqui.
Ajuda aqui.
Vamos, gente.
O que é que houve?
Acabei de matar o Jorge.
Deixa aqui.
Vamos. Vem, gente.
Devagar, gente.
Sua vaca.
Você matou o Jorge. E você pode ter o mesmo fim. Vamos.
Vamos, seu frouxo.
Atire. Não, Amaro.
Não.
Não.
Seu puto.
Desgraçado.
Mais uma munição.
Mas aqui tem bastante munição e eu acho melhor não brincarem.
Mas não para todos nós.
Você pode me matar.
Mas e depois? Como é que fica?
Não me obrigue a fazer aquilo que eu não quero, garoto. Espere.
Vamos com calma.
Eles disseram que vão embora hoje.
Eu acho que agora vai ser difícil.
Uma porrada de policiais junto a um cadáver na praia.
Deve ser a mocinha que o Jorge matou.
Ele me disse ontem.
Ele comeu e... Porra, cadê aquele filho da puta?
E então?
É um cara da polícia. Porra, e esse agora?
Bom dia. Bom dia.
Eu sou da polícia.
Houve um crime aqui perto e eu gostaria de saber se a senhorita não viu algo de
suspeito. Não, não vi nada.
Faz tempo que está aqui?
Há uns dois dias.
E está sozinha?
Ah, sim.
Não. Se tem outras pessoas em casa, por favor, chame -as. Gostaria de interrogá
-las. Estão dormindo.
Mas precisa interrogá -las.
Vão se aborrecer em acordar tão cedo.
E afinal, o que poderão dizer sobre a morte dessa moça?
Por favor, volte depressa. Eu, nós, ficaremos
eternamente gratos.
Muito bem, voltaremos mais tarde. Até logo.
Eu já disse que não dei nenhuma informação. Eu não sou louca. Pois é.
Mas ele disse que ia voltar e ainda não voltou. E já são mais de meio dia.
O que foi que houve, então?
Sei lá. A investigação deve ter tomado outro rumo, mas, por favor, nos deixe em
paz. Vá embora daqui.
Eu já não... Pega a boca dessa mulher, pelo amor de Deus, antes que eu perca a
cabeça. Calma.
Acho que está na hora da gente se mandar.
Se o barco chegar e não nos ver, estamos fodidos.
E bem fudido. É muito arriscado, Paulão, mas nós vamos ter que ir assim mesmo.
A polícia não sabe nada da gente. Eles devem estar na praia procurando o
assassino da moça.
Vamos indo, Paulão.
Você vem conosco.
Segura ele.
Você só sai daqui quando ele voltar.
Mas é perigoso. Se a polícia pegar, ele também... Azar dele.
Nosso pesadelo está chegando ao fim.
Daqui a pouco a gente sai e avisa a polícia.
E arriscar a vida de Fábio? Eles não podem ficar impunes.
Eles nos pouparam a vida.
Daqui a pouco estarão a caminho de outro país, são e salvos. Além do mais, a
polícia não voltou.
Eles não sabem que os dois estão aqui.
Sabem?
Eu avisei.
Esse porra aqui não chega.
Por que essa demora?
Calma, calma.
Ele pode atrasar.
É só esperar que logo, logo ele pise.
Mas se esse barco não vier, como é que fica?
Olha, eu acho melhor pra você que ele venha.
E a moça foi corajosa dando o sinal.
Atacamos? Ainda não.
Epa, o que está acontecendo lá?
O próximo tiro vai ser na cabeça dele, está me entendendo?
É melhor que você se renda. O Zecão já confessou tudo.
É mentira!
Ele não faria isso.
Não faria se não tivesse sido abandonado como foi. Nós pensamos que ele havia
morrido. Mas de pensar morreu um burro.
Chega! Vamos, salte logo, mocinho.
Não, enquanto não vier o barco.
Arrumem logo esse barco.
Senão ele mata o rapaz. Eu tenho ordens para não deixá -lo sair do país.
Você pode convencê -lo a se entregar. Vamos, Letícia.
Pelo amor de Deus.
Letícia, não se aproxime.
Largue o Fábio, Tércio.
O que há com você?
Está preocupada com o anjinho da morte? Não, preocupada com você. Chega de
violência, Tércio.
Se ele morrer... A culpa será sua e você viverá no eterno círculo de incertezas,
de remorsos. Por favor, Tércio, larga dessa vida.
O sonho acabou.
Nós estamos cansados. Ele não.
Ele está cheio de vigor, de idealismo, de vida.
Volte e ele poderá conseguir o que nós não conseguimos, Tércio.
Por favor.
Muito cansado. Eu não quero voltar para a prisão.
Muito cansado. Por favor, Letícia.
Me ajude.
Eu não quero voltar para a prisão. Eu não quero voltar para a prisão. Eu tenho
medo.
Por favor, Letícia, me ajude. Você não vai voltar para a prisão. Por favor.
Você agora vai ter paz.
Por favor.
Você vai ter paz.
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