All language subtitles for Vita.and.Virginia.2018.720p.BluRay.H264.AAC-RARBG.AMARELO+NEGRITO

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Original subtitles

- Art Subs - 11 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - Biaik -

Legenda - Hirschen -

Legenda - BethRockefeller -

Revis�o - Biaik -

E agora, em nossa terceira s�rie de discuss�es

intitulada Casamento Moderno,

o Sr. Harold Nicolson e sua esposa,

a distinta novelista Vita Sackville-West

partilham conosco o pensamento deles

sobre os pilares de um casamento moderno.

Eu n�o assinei um contrato de casamento.

Eu negociei um.

E achei um �timo neg�cio ter mais flexibilidade

do que fui levada a esperar.

- Concordaria comigo? - Sim.

O casamento � menos como um m�vel

e mais como uma planta.

Um organismo vivo que demanda constante nutri��o.

N�o � algo que possu�mos, mas algo que cultivamos.

E ao faz�-lo, temos a oportunidade

de nutri-lo � nossa pr�pria imagem.

Sim, mas aparentemente

os homens tendem a considerar-se a planta,

e as mulheres, o solo.

Essa � uma p�ssima condi��o para ambos os sexos.

Eu aprecio as qualidades em mim mesma

que poderiam ser ditas masculinas.

E tamb�m eu, querida.

No entanto, eu argumentaria que a mulher mais viril

� infinitamente mais feminina que o homem mais feminino.

Esse tipo de pensamento implica absoluto delet�rio.

Que h� algo necessariamente passivo no feminino,

e portanto, que dever� ser sempre a mulher

quem desiste das suas oportunidades.

Mas voc� concorda que as alegrias da maternidade

s�o compensa��es suficientes para tamanho sacrif�cio?

Enfaticamente n�o.

Est� dizendo que o seu sucesso como escritora famosa

a entusiasma mais do que a maternidade?

Meu sucesso profissional satisfaz um est�mago diferente.

A independ�ncia n�o tem sexo.

Acha que escandalizamos a na��o?

Com alguma sorte, sim.

Voc� vem para Bloomsbury?

N�o sei se aguentaria uma noite de apertos de m�o ma�antes

e filosofia ofegante.

Acho que poderia descobrir que os tem interpretado mal.

Boa sorte com a sua m�e.

Voc� n�o � uma querida?

Quero um peda�o de bolo, mam�e.

Meninos, como � que se diz � bonne maman?

Tudo bem. Sirvam-se � vontade.

Fui convidada para uma festa em Bloomsbury hoje � noite.

Os artistas mais interessantes estar�o l�,

e todos os escritores da Editora Hogarth.

Esta n�o � a editora daqueles Woolfs?

Sim. Por isso estou t�o lisonjeada.

Mas eles s�o socialistas. S�o bo�mios.

Esta � uma chance que tenho de ser aceita por mentes s�rias.

Ouvi dizer que ela � louca.

N�o gostaria que acreditassem em tudo o que ouvem sobre mim.

Claro que, no seu caso, tudo o que ouvem � verdade.

Virginia � uma mente muit�ssimo brilhante

e eu preciso conhec�-la.

Espero que n�o esteja pensando em fugir com ela tamb�m.

- Claro que n�o, maman. - Se voltar a fazer aquilo...

A senhora j� me repreendeu o bastante.

Disse v�rias vezes o quanto me arrependo do que aconteceu,

e somente fingi ser um homem quando fui � Fran�a com Violet,

para obter uma c�pia do meu livro.

Sinto muito se a maledic�ncia causou-lhe dor.

Pensei que poderia esquecer o seu comportamento,

mas agora voc� decidiu contar ao mundo inteiro.

- Ent�o... a senhora leu? - N�o � um romance.

� um relato mal disfar�ado do seu caso absurdo.

- J� est� sendo impresso. - Mas n�o publicado.

Voc� interditar� a publica��o,

ou eu interditarei o dinheiro a voc� e ao Harold.

E eu poderia tomar medidas para proteger os meninos

da sua influ�ncia.

Pedirei ao editor que n�o inicie a encaderna��o.

O que muito desejo

� ter uma filha da qual possa me orgulhar,

e n�o uma exibicionista prom�scua

que apenas me envergonha,

depois de tudo o que fiz para ser aceita pela sociedade.

Voc� tem que prometer que n�o vai.

Aqui est� voc�, Vita.

N�o estou certo se Nessa ficaria contente

em encontrar voc� bisbilhotando por aqui.

N�o pude resistir.

Esse � o novo retrato

que minha esposa fez da irm� dela.

� a Virginia?

Bem, volte para a festa

e eu lhe apresentarei � verdadeira, se quiser.

Ela n�o � t�o calma fora da tela.

Posso assegurar-lhe.

Duncan, encontrei Vita no est�dio da Nessa.

- O que faremos a ela? - 40 chicotadas, imediatamente.

Mais interessada no trabalho de Nessa

do que no de Duncan, n�o �, Vita?

N�o sabia do seu trabalho com a Sra. Bell, Sr. Grant.

Com frequ�ncia. Quase metade da produ��o ali � minha.

Eles t�m o mesmo modo de ver o mundo, entende, Vita.

Virginia chama o casamento deles de "canhoto".

Ent�o, como ela chamaria o seu casamento com Nessa?

De "lotado".

Nessa e eu tentamos captar a verdade de uma coisa

deixando-a nua...

- Vanessa? - ...capturando sua ess�ncia.

Simplifica��o radical.

N�o, n�o, voc� est� entediando a pobre Vita, Duncan.

Ouvi-a no r�dio esta manh�.

Acabei de ler seu �ltimo romance.

Por que acha que seus livros vendem mais do que os meus?

Popularidade nunca foi sinal de genialidade.

Vai fumar isso?

Corpos, corpos, corpos.

- Como o sente? - O que est� percebendo?

O momento presente.

Do que ele � feito?

� feito de sensa��es corporais.

O ar sopra frio na pele por baixo da roupa.

O toque da m�o d� a sensa��o

que ela est� mergulhando at� o centro da terra.

O momento torna-se dif�cil...

manchado pelo desejo de ser amado...

de ser abra�ado por outra figura.

Consegue sentir isso escorrendo pela sua espinha,

descendo pelos seus membros?

Consegue ver o que est� dentro deste momento?

Consegue sentir?

Sim, est� endurecido.

Manchado pelo desejo de ser amado.

A� est�.

Z�s.

O corpo nos leva l� e nos traz de volta.

� completamente necess�rio e uma constante distra��o.

Se n�o vivemos calmos dentro do momento...

...qual seria a vantagem de morrer?

N�o.

Fique neste momento. Ningu�m o diz o bastante.

Bom dia, vizinho.

Bom dia, vizinha.

E � um dia muito bom, vizinho.

Como foi no Clive?

Uma revela��o.

Voc� a encontrou?

Sim.

Adoro-a.

E voc� tamb�m vai.

Ela estava em completo sil�ncio,

at� querer dizer algo,

e ent�o o disse absolutamente bem.

Ainda n�o sei por que voc� quer chafurdar em Bloomsbury.

N�o seja um esnobe t�o horr�vel, Harold.

Muitos deles se sentem t�o oprimidos e austeros.

Poderia convid�-la para o nosso clube de escritores,

- a menos que discorde. - Decididamente, querida.

Magn�fico. Ser� ainda mais divertido convid�-la.

N�o, s� ou�o relatos da loucura ela.

Loucura.

Que maneira conveniente de explicar a genialidade dela.

Genialidade.

Nada contra ela, querida.

Apenas penso que ela parece esfor�ar-se muito.

Aquele jovem � um idiota cong�nito.

O pequeno c�rebro dele

tem sido comandado por Dora Carrington.

Esqueceu de lubrificar os rolos da prensa.

Esqueceu onde colocou os tipos para os seus cavaletes novos.

S� espero que venda melhor do que da �ltima vez.

Essa dor de cabe�a � mesmo sinusite?

Com certeza.

Voc� esteve at� tarde na Vanessa.

- Deveria voltar para a cama. - Deixe-me em paz, Leonard.

Aqui est�o seus malditos tipos.

- Suponho que ele disse-lhe. - Sobre os cilindros?

N�o! Que se danem os cilindros!

Como posso pensar em cilindros quando tenho sido... tra�do?

- Dora traiu-me. - De que maneira?

Ela mentiu para mim.

Disse que n�o estava saindo com Lytton, e estava.

Foi honesta. Ela disse que queria sair com ele.

- E eu disse-lhe que n�o. - Entendo. Voc� disse a ela.

Eu... Eu a amo. Ela � minha.

- Acha que isso � amor? - Com certeza.

E eu estou... agonizando!

No pr�ximo an�ncio de emprego,

vamos restringir a oferta aos eunucos.

Com frequ�ncia penso que o romance

� apenas n�o conhecer completamente a outra pessoa.

� o n�o conhecer que nos enlouquece.

Cara Sra. Woolf,

admito que quando Clive convidou-me

para a festa da sua irm�,

fui com a clara inten��o de encontrar a senhora.

E que criatura t�o interessante encontrei.

A senhora age com tanta for�a e clareza.

Como que, de alguma maneira, se movesse sobre n�s.

Como consegue caminhar �quela altura, sem cair?

Agora, se me permite perguntar,

o Comit� Pen est� muito ansioso para que se una ao nosso clube.

Ser� simp�tica e os vai deixar fazer de voc� um membro?

Por mim, se n�o por nenhuma outra raz�o.

Um monte de aristocratas fundi�rios

parabenizando uns aos outros por seus rabiscos med�ocres.

N�o me diga que n�o � pura tortura para voc�.

Eu gostaria de discutir os rabiscos med�ocres deles.

Vita pareceu vender sempre mais do que eu.

O �ltimo livro dela superou D.H. Lawrence com folga.

N�o acredito que voc� se importe.

N�o. Apenas ressinto sua proibi��o.

N�o estou proibindo nada.

Mas esgotaria-lhe e enfureceria

ter sua mente brilhante cobi�ada por aqueles esnobes.

Ela n�o se vestiu como um homem

e fugiu com Violet Trefusis?

Deve ter sido dif�cil para Nicolson

nas Rela��es Exteriores.

Odeio esse tipo de fofoca, Ginia.

Voc� sabe que n�o levo

aberra��es aristocr�ticas a s�rio, Leonard.

Ent�o estamos de acordo.

"Noto pelas publica��es que � um clube de jantar,

e pela minha experi�ncia, n�o posso pertencer

a clubes gastron�micos.

Sinto muito."

Est� frustrada porque queria a Sra. Woolf

como membro do seu clube,

ou simplesmente nunca foi rejeitada?

O que Violet tinha a dizer?

Est� indo para o exterior. Ela quer que eu v� com ela.

Voc� ir� para Lausanne, n�o pode interpretar

a esposa de diplomata por cinco minutos?

Ficarei zangado se voc� n�o for.

Sim, claro.

Ela � absolutamente inescrupulosa.

Se a vir, sei que vai ficar

como uma �gua-viva viciada em coca�na.

Voc� sabe como sou grata que ter ido me resgatar.

Eu a mataria se ficasse com ela

por mais um instante.

Teria nos arruinado, mas voc�

seria expulsa da sociedade. Teria perdido os meninos.

Eu n�o poderia ter feito nada para ajud�-la.

N�o terei mais nada com ela. Palavra de honra.

Estou mesmo exausto com esse cortejo s�fico.

N�o acho que suportaria entrar nesse v�rtice infeliz outra vez.

- Quase me esmagou. - Hadji, eu amo voc�.

E eu amo voc�.

Mas voc� gosta de ter seu bolinho e com�-lo, Vitti.

E tantos bolinhos.

Tantos.

Nada ir� convencer-me a v�-la novamente.

Mas se for com ela para a Fran�a,

n�o vou busc�-la de avi�o, como j� o fiz antes.

Chocaria a na��o e fugiria para Catmandu,

com o Lorde Curzon.

Conto com a sua discri��o, Vitti.

Minha pr�pria vida depende disso.

N�o se juntar� ao meu pequeno clube de escritores,

ent�o devo encerrar meu �ltimo manuscrito aqui.

Eu adoraria saber o que a senhora pensa.

Se gostar, meu pr�ximo � da senhora.

Um presente, se a Editora Hogarth apreciar.

Minha nossa. Teremos que ler agora.

Voc� admitiu que ela vende.

Sugere que ela escreva para n�s?

Poder�amos ter um sucesso de vendas.

Lembre-se que temos Tom Eliot e Sigmund Freud para vender.

Talvez dev�ssemos pensar melhor.

Mas n�o a poesia dela. N�o vou imprimir uma palavra.

"N�o perdi a vontade de conhec�-la melhor.

Ent�o a senhora deve ser muito gentil

porque serei muito corajosa e perguntarei,

a senhora viajaria comigo?"

Essa proposta parece-lhe atraente?

Estou muito lisonjeada.

Presumo que a Sra. Woolf saiba que me convidou.

Claro, sempre tomamos decis�es em conjunto

sobre os escritores que publicamos.

Eu a pediria para se juntar a n�s,

mas quando h� uma cruz naquela porta

� porque ela est� escrevendo.

E somos proibidos de perturb�-la.

At� o marido dela?

At� o marido dela.

Ent�o ela escreve aqui no meio de tudo isso?

Julian.

Um livro pequeno, talvez de viagem, seria bom.

Mas a senhora decide.

- Tia Ginia, comprei... - Julian!

A Sra. Nicolson est� aqui, Virginia.

- Est�? - Como se sente?

Minha cabe�a est� melhor. Deixei algumas palavras de fora.

Julian, querido, s�o lindos.

Tem algo para eu ler?

Se estiver mal escrito, ao menos o papel ser� delicioso.

O Sr. Woolf disse que n�o deveria ser incomodada.

Eu estava lutando para ler o Sr. Joyce.

A senhora escrever� para n�s?

Nunca me fizeram um desafio

que eu n�o estivesse disposta a cumprir.

Encontrarei o Harold na It�lia.

Nos picos das montanhas e ao lado de lagos verdes

escreverei a minha hist�ria.

Fecharei meus ouvidos aos murm�rios dos rios.

Taparei meu nariz ao cheiro dos pinheiros.

Concentrar-me-ei na minha hist�ria...

para voc�.

Devo ir.

A senhora iria a Bloomsbury

e viajaria comigo?

Pode ver isso como material.

Acredito que a senhora veja tudo,

e todos, como material.

Adeus, Sra. Woolf.

"Sinto que gostaria escrever-lhe uma longa carta.

Uma carta intermin�vel.

P�ginas e p�ginas.

Desde que deixei a Inglaterra, ajo como algu�m

em um est�gio avan�ado de intoxica��o.

Bebidas que n�o s�o feitas de gim e vermute,

mas de fr�mito e tristeza,

aventura e saudades de casa."

"Cara Vita

Conte-me quem voc� tem visto...

mesmo que eu desconhe�a.

Eu posso ter a sensa��o de v�-la de vez em quando,

mas ent�o vejo-a indo embora.

O qu�o pouco conhecemos algu�m.

Apenas movimentos.

Gestos.

Nada conectado...

cont�nuo...

profundo.

N�o acha essa filosofia �ntima um pouco vulgar?

N�o sei por que se importa com o que ela pensa.

Eles t�m sorte em ter voc�.

Seus livros vendem, os dela, n�o.

Quero que ela me admire.

Querida.

Espero que n�o esteja se tornando uma Gloomsbury.

N�o posso acreditar! Isto � inaceit�vel.

- Por favor, tente acalmar-se. - Tentar acalmar-me?

Com quer que eu me acalme com voc� nesta cama?

N�o posso. N�o aguento mais, Vita, e n�o quero!

Tentar acalmar-me?

Acho que n�o � �til para nenhum de n�s dois

tocar em uma ferida aberta, Geoffrey.

N�o pode tratar o amor da forma como tratou o meu.

Verdadeiramente, n�o pode.

Nada do que aconteceu aqui tem a ver com amor.

- Somos adultos. - Bom dia, Geoffrey.

Voc� conseguiu.

N�o sei como reunirei coragem para ver os Woolfs

sem ter ouvido uma �nica palavra sobre o meu livro.

Voc� acha que eles odiaram muito?

Talvez ambos queiram lhe contar pessoalmente

o qu�o maravilhoso �.

Sabe o que eu acho?

� autocentrado e artificial.

Tentou escrever como a Sra. Woolf,

mas n�o consegue.

E n�o sei por que voc� quer fazer isso.

Dottie e Geoffrey.

Invadindo dois casamentos de uma vez.

N�o � s�rio.

Virginia e eu tivemos que nos consolar.

Eu gostaria de dedicar-lhe, se n�o se importar.

Quando nos encontramos,

disse que eu olhava para tudo e todos como mat�ria.

Eu disse?

N�o poderia acusar Virginia de ser mercen�ria, n�o �?

Ela disse.

Causou-me muita dor.

Alguma vez j� disse o quis ou quis o que disse?

Ou apenas gosta de desconcertar as pessoas

que tentam aproximar-se um pouco?

Sabe muito bem que gosto de voc�.

Gosto demais.

Sei?

Maldi��o.

Deve lembrar-se que sob todo aquele brilho

Virginia � vulner�vel.

"N�o suporto o pensamento

de ter-lhe causado alguma dor.

Por que voc� tem essa arte de manter tanto de si mesma

escondida na manga?

Suspeito que, mesmo ap�s 20 anos,

ainda haveria algo a ser desvelado.

Alguma �ltima camada n�o desdobrada.

Esses momentos arrebatados com voc� s�o exasperantes.

Encontre-me, para que possamos ter outro."

Fui � sua casa, mas Leonard disse que estava aqui.

Acho que nunca me dedicaria a uma �nica coisa

t�o focadamente quanto o Leonard o faz ao cuidar de voc�.

Gosto de coisas selvagens, vastas e complicadas.

- Eu soube. - Tenho algo para voc�.

Uma oferta de paz, e n�o tente resistir

porque tive muitos problemas.

S�o do Cairo.

O �culos de cor azul que inspirou-me

para escrever "Seducers" sobre voc�.

"Arthur Lomax descobriu que n�o ousava mais

tirar os seus �culos.

O realismo n�o era mais para ele."

Um aventureiro destemido que negocia na paix�o,

dor e fantasia?

Arthur Lomax � voc�, Vita.

Voc� apenas dedicou "Seducers" a mim, n�o percebe?

- Que desconfort�vel. - O qu�?

Que voc� parece entender o meu trabalho melhor do que eu.

Quando li o seu trabalho, eu n�o sabia

se deveria ser desencorajada ou incentivada.

O que quer dizer?

Desencorajada porque nunca serei capaz de escrever assim,

ou incentivada, porque outra pessoa o consegue.

- Continue assim. - O qu�?

A acreditar que eu alcan�o as coisas.

Eu preciso disso.

Estou enfeiti�ada pela sua escrita.

Ela faz-me temer voc�.

Trata-se de ritmo.

Depois de conseguir isso,

n�o h� como usar as palavras erradas.

Uma vis�o, uma emo��o, cria uma onda na mente

muito antes de voc� ter as palavras para descrev�-la.

Ao escrever, � isso que voc� deve recapturar.

Essa onda que quebra e d� voltas na mente.

Se voc� ouvir, ela far� as palavras caberem nela.

Eu preciso voltar.

S� fiquei tanto tempo fora

porque Leonard est� lendo "Mrs. Dalloway"

e n�o suportaria ficar l�.

Meu Deus, Ginia. Voc� est� bem?

Estou.

Diga-me o que voc� acha.

� o seu melhor.

Realmente o melhor.

Voc� n�o deveria ter tanto medo, principalmente do que eu penso.

"A forma como voc� vive em Charleston

n�o � moderna, � imoral.

E tendo um casamento sem sentido unindo a sua vida

com um homem que nem � o seu marido.

Claro que sabe que o Sr. Grant � homossexual."

Por que pensar que n�o conto tudo ao Clive?

Acho at� que conta demais.

Sou indiferente ao que o mundo possa ter a dizer

sobre eu e meu marido ou meus filhos.

Voc� parece indiferente.

N�o sei por que est� rindo!

Estou rindo da sua f�ria, Nessa.

Sabia que n�o iria gostar de "Mrs. Dalloway".

- Eu gostei. - N�o, n�o gostou.

- Diga que n�o gostou. - N�o direi.

... na casa se n�o dissiparmos...

N�o � nem metade do deboche como ela parece pensar.

Poderia ser engra�ado se fosse.

Voc� vive exatamente como deseja na nossa casa.

A casa que fizemos sua tamb�m.

Como pode dizer isso?

Vivo exatamente como desejo, n�o �?

Voc� � positivamente angelical, n�o �, Duncan?

Ningu�m obriga voc� a morar aqui.

Eu achei deslumbrante, evasivo e irritante.

Exatamente como voc�.

Olhe, a sua opini�o.

Nessa, sempre admirei sua maneira de lidar com a vida

como se fosse algo que algu�m possa jogar fora.

Mas n�o consigo pensar em nenhum livro

que lerei mais vezes do que "O Leitor Comum".

H� passagens que eu gostaria de saber de cor.

Claro que voc� prefere "O Leitor Comum".

- Ele � mais f�cil. - Clive!

- Mas �. - "Dalloway" � tudo.

� um organismo. Est� vivo.

- Gostaria que entendesse isso. - Por que acha que n�o entendo?

Porque voc� se apega � t�cnica.

N�o entende que uma vez que a domine,

deve vomit�-la no ar e deix�-la esmagar no ch�o.

Certo. Chega disso.

Preciso mostrar-lhes algo no est�dio.

Preciso que meus cr�ticos mais severos inflamem-se.

Agora vamos.

Ficarei em Knole neste fim de semana.

Venha comigo e passe a noite.

N�o, n�o, imposs�vel.

S� tenho roupas rasgadas. Eu teria que comer escondida.

Voc� teria vergonha de mim. Diria coisas e se arrependeria.

Acho que nunca quis tanto algo em toda a minha vida.

Voc� seria muito gentil comigo?

Vou busc�-la no s�bado ao meio-dia.

- Virginia. - Vita.

- Ol�, Leonard. - Ol�, Vita.

- Dirija com cuidado. - N�o se preocupe, Leonard.

Temos os sandu�ches e o champanhe, n�o �?

- Sim. - �timo.

- Acho que ela... - Que chap�u estranho.

Muito corajosa.

Ol�. Seja muito bem-vinda.

- Ol�! - Ol�, querida.

Ol�, querida.

Este � Geoffrey Scott e Dorothy Wellesley.

Pensei que eles completariam a nossa festinha.

E esta � Virginia Woolf.

Encantada.

Que am�vel voc�s permitirem-me acompanh�-los.

N�o seja boba.

Ainda bem que voc� estava livre.

N�o fique a� parada. Vamos subir.

Levarei isso para ser passado a ferro, Sra. Woolf.

- Comporte-se. - Est� muito bom.

Mesmo.

O que acha daqui, Sra. Woolf?

Vita me diz que a senhora � muito dif�cil de impressionar.

Espero que todos estejamos satisfat�rios.

O passado � expressivo aqui, n�o tolo e esquecido.

Todos os s�culos parecem iluminados.

Em todo o lugar, uma multid�o est� atr�s de voc�, viva.

Como a senhora � sombria.

Acho que o senhor ouviu com demasiada aten��o

o que falaram sobre mim.

Perdoe as milhas falhas, Virginia.

Eles s�o tolos e superficiais.

Quero lhe mostrar um lugar que significa muito para mim.

Foi aqui que me casei.

Deve ter um sentido muito sagrado.

Casamento...

Um ritual realizado neste local

separou-me permanentemente deste lugar.

Uma pe�a...

na qual meu papel era ser impotente,

para ser passada de uma linha de homens para a outra.

Mas voc� ama Harold?

Claro que amo! Muito.

Mas esta casa, ela me fez.

Nossa separa��o tem sido minha maior dor.

� onde minha alma est�, onde minha fam�lia est�.

Fui injustamente expulsa do meu lar.

N�o posso t�-la simplesmente por eu ser mulher.

� como se durante anos

eu tivesse um caso com um amante

que nunca me pertenceu inteiramente.

Fomos for�adas a nos separar por antigas leis idiotas

e posso apenas visit�-la.

Voc� est� bem, Virg�nia?

Sim, estou bem.

Onde ela est�?

Com o Chapeleiro Louco, suponho.

Tem certeza de que se sente melhor, Virginia?

Tenho.

Leonard ficar� furioso comigo.

Por que trouxe Dottie e Geoffrey?

Eu...

Eu n�o posso.

Eu tentei...

Com Leonard, mas...

Mas eu...

Eu... eu...

A arrog�ncia tomara conta dele

e ele pouco participou nos jogos.

As crian�as, vestindo os restos dos seus biscoitos,

dan�avam e brincavam ruidosamente.

Penso se eu poderia transformar em prosa

uma das suas pinturas.

Voc� dificilmente precisa de inspira��o.

"Sra. Dalloway" foi muito admirado.

Est� satisfeita?

Estou.

Escrevo mesmo muito bem, �s vezes.

Quase t�o bem quanto sua irm� pinta, acha?

Nunca.

Mas quase consistentemente melhor que voc�.

O que Vita pensa?

N�o importa. N�o � a mente dela que admiro.

Exatamente, o que houve em Knole?

Ela esbanja uma esp�cie de prote��o maternal em mim,

mas a amizade dela nunca � livre de desejo.

Imagino o que fazem exatamente uma com a outra,

aquelas l�sbicas.

N�o consigo imaginar.

Nessa, claro que pode. Deve ser maravilhoso,

todas aquelas curvas aveludadas colidindo.

Embora seja uma pena abdicar da penetra��o em si.

E o que o faz pensar que elas abdicam disso?

Mas voc� gosta dela, Virginia?

Gosto da... maturidade dela...

E da vol�pia dela.

Acha que h� algo errado comigo?

Algo desconectado?

Voc� � capaz de tanto amor!

E tem-se espa�o para diferentes nuances dele.

A verdade � que me preocupa n�o me ser permitido

desejar do mesmo modo que voc�.

Sexo n�o � a coisa mais importante, sabe?

� o que as pessoas dizem quando � f�cil para elas.

N�o fui feita para ser apenas a esposa de um diplomata.

Bem, � o que voc� �, entre v�rias outras coisas

�s quais nunca fiz obje��o.

Mas em Teer� terei mais responsabilidades

do que nunca e n�o posso ficar l�

- sem uma esposa! - Esposa?

N�o precisa empregar a palavra com tal veneno.

- Uso-a como um fato. - Devo ent�o representar?

O que � uma esposa, sen�o um papel?

E devo ser atirada a pessoas sem nada em comum comigo,

exceto o lugar em que por acaso estamos?

Sim, Teer� ser� como qualquer um dos meus postos.

Desta vez, n�o suportarei.

Lamento que os diplomatas e as esposas

n�o falem sobre copular

com a mesma prontid�o dos seus amigos.

E me sentiria mais feliz se n�o os visse por um tempo.

S� causam desordem.

No momento, n�o estou em nenhuma desordem.

- Geoffrey? - N�o foi nada demais.

E ele voltou alegremente para a chata da esposa.

- Dorothy? - N�o a vi.

Sua empregada, a francesa. Como se chamava?

- Genoux. N�o! - Violet?

- Nem sei onde ela est�. - E Virginia?

Ela n�o � confus�o e nunca ser�.

E � totalmente inalcan��vel.

O que a torna ainda mais desej�vel.

N�o posso evitar pensar que essa exibi��o de f�ria

tem mais a ver com o momento que com os deveres

que voc� cumpriu alegremente durante anos.

N�o queira Deus que eu lhe afaste

da sua preciosa e genial inv�lida!

Harold, por favor, pare com isso!

N�o questiono suas pr�prias indulg�ncias.

Nunca brinco com fogo, pois n�o tenho o luxo

de flertar com o esc�ndalo como voc�

e sempre escolho voc�, no final.

Nunca se arrisca? Lorde Curzon, Raymond...

Este arranjo funciona porque eu permito!

N�o ouse acreditar nisso!

Quero voc� comigo, Vita.

S� ficamos juntos por 10 semanas este ano.

Acho tudo t�o sem sentido sem voc�.

Isso magoa-me, Vita.

- Por quanto tempo? - S� quatro ou cinco meses.

- S�? - Pense em ver a P�rsia.

�.

Escrever� outro di�rio de viagem para n�s, Vita?

"Seducers on Ecuador" foi um sucesso na imprensa.

Pensei que nunca perguntaria.

Poderia trazer um sopro de vida

�s ran�osas tarefas dom�sticas

que terei que fazer para Harold.

Claro, nunca mais a verei.

Claro que me ver�.

Acha que serei raptada por bandidos?

- N�o. - Sei que n�o te causo inveja.

Voc� prefere sua velha e enevoada Bloomsbury.

Mas desejaria que Leonard me deixasse roubar voc�.

Lev�-la comigo, coloc�-la ao sol...

Eu desejaria que parasse de dizer coisas assim.

Sabe que isso nunca seria poss�vel.

Sentirei a sua falta...

... mais do que poderia acreditar.

Ela nunca diria algo assim t�o simples,

diria, Leonard?

Ela reveste tudo que diz com frases t�o refinadas,

- que tudo perde o sentido. - Talvez n�o entenda

a natureza da verdade que Virginia exp�e.

Ela tem a mente mais clara que j� conheci.

Sempre, sempre, sempre tento dizer como me sinto.

Sentirei terrivelmente a sua falta.

Tudo aqui parecer� tedioso e sem gra�a

e se n�o acredita nisso, � uma idiota.

Pronto. � simples o bastante para voc�?

Acho que � melhor nos despedirmos, Vita.

N�o a farei querer-me mais

entregando-me desta maneira.

N�o me cr� t�o cruel assim, cr�?

Ginia...

Feche a porta. Est� gelado l� fora.

S� sei lidar com o Egito alfabeticamente.

Alabastro, americanos, �rabes,

brometos, b�falos, bedu�nos;

camelos, crocodilos, colossos,

dunas, dervixes, deserto.

Eg�pcios, euforia, fel�s, fara�s,

Giz�, granito; hot�is, hieroglifos,

imshi, ignor�ncia. Jibbahs. Kodaks,

lama, levantinos, m�mias, milion�rios -

N�bia. Obsidiana. Pir�mides.

Qu�ops. Ru�nas. Sarc�fagos.

Tutanc�mon. Urubus. Utopia, Virginia.

Sinto-me desvanecida.

E a esmo.

Ins�pida.

Inquieta.

Virginia...

Sinto como se uma po�a escura de �gua pegajosa

se fechasse sobre mim.

� que voc� n�o est� aqui.

Alguma coisa chega de fato a acontecer

com a Sra. Dalloway?

Na verdade, n�o. Ela apenas d� a festa.

Nossa. Estou fissurada.

Mais poesia do seu fariseu?

Ele est� apaixonado por voc�, � claro.

Ele ainda est� lhe ensinando �rabe?

N�o, esta � da Virginia.

Voc� finalmente apanhou a sua presa?

- Suponho que sim. - Est� feliz agora?

"'Sra. Ramsay', Lily gritou.

Mas nada aconteceu.

A ang�stia podia reduzir algu�m

a um po�o de imbecilidade', ela pensou."

Est� bom, Ginia. Est� sempre bom.

Que indelicado! Gostaria de ver voc� tentar.

Ela acaba de terminar "Ao Farol".

� not�vel.

T�o confusa nas cartas dela.

� o que leio.

O que h� no passado de Vita est� no meu futuro,

mas ao ler isso, ao consumir isso,

de repente est� tudo acabado.

Ela n�o est� mais costeando o Beluquist�o.

Est� andando de t�xi em Bagd�.

Ela est� s� dormindo. Est� morta.

O uso do presente tornou-se sem sentido.

Soube que ela viajou de Luxor

at� o Cairo em um trem em chamas.

Sim! Chamas lambendo por debaixo do vag�o.

Todos aqueles diplomatas fumegantes.

E todo aquele caos, aquela viol�ncia!

- Sabe o que ela disse? - O qu�?

Apenas que isso deu a ela

uma m�goa persistente pelo sudeste.

�...

E sobre o que mais ela escreve?

Ela rastejou atrav�s de muralhas de neve,

foi atacada por bandidos,

viu montanhas manchadas com sulfato de cobre,

cidades de barro ao anoitecer,

camelos mortos bicados por urubus,

homens moribundos...

E ela faz voc� querer escrever ou viver?

Ambos.

Mas como compreend�-la, Duncan?

- Como assim? - Todos os fragmentos dela.

Ela me faz sentir como se a linguagem

fosse miseravelmente insuficiente.

Partida.

Deve deixar que o olho absorva tudo isso.

Toda aquela del�cia,

e ent�o o c�rebro sossegar�

e observar� as coisas acontecendo

sem se dar ao trabalho de pensar.

Sim, o olho absorve tudo, mas o c�rebro n�o consegue.

- O c�rebro n�o consegue. - O qu�?

O qu�?

- O qu�? - Viver.

- Virginia, voc� est� bem? - Sinto muito.

O olho e o c�rebro...

Sinto muito.

O... O olho e o c�rebro...

N�o consigo...

O olho e...

O olho e...

Ginia?

Sinto muito.

Virginia! Espere!

Deem um momento a ela.

Virginia.

Sinto-me como se minha mente fosse impelida

para um canto remoto do meu corpo.

N�o se preocupe, querida.

Trarei voc� de volta � superf�cie.

D� a ela todos os sedativos de costume.

Descanso e tranquilidade absolutos.

Talvez evitemos uma crise.

Ela est� escrevendo?

Ela acabou de terminar um romance.

Temo que escrever seja o que traz os colapsos.

Se a impedir de escrever, ela morrer�.

�s vezes sinto que as mulheres

n�o sabem lidar com massa cinzenta excessiva.

Bem, n�o sou m�dico, claro,

mas conhe�o alguns homens

que tiveram surtos de instabilidade.

Embora eu n�o saiba dizer

se foi devido � genialidade deles.

Acho que o mundo carece de mentes brilhantes,

e fico feliz em v�-las em ambos os sexos.

Que tolos ser�amos

em negar uma voz �s mulheres,

para que n�o riam de n�s?

O m�dico mandou-me ficar de cama.

Tentou proibir que eu escrevesse.

Ent�o este � o meu "canto do cisne".

Uma coisa foi deixada como um sinal...

Essas �ltimas semanas passadas na cama.

Voc� acredita na minha for�a,

que n�o sou uma inv�lida.

Quisera que voc� estivesse bem

e pudesse vir ver-me,

para que pud�ssemos viver o momento presente juntas.

Precisa prometer-me que vai melhorar.

Voc� � uma pessoa extraordin�ria.

Voc� � um �xito perp�tuo.

Estou decidida a querer voc�...

Obstinadamente...

deploravelmente...

fielmente.

Espero que finalmente isso lhe agrade.

� terrivelmente desagrad�vel para mim.

Preciso ir para casa.

� Virginia, n�o �?

- Salaam alaikum. - Walaikum salaam.

Um pleno caso com ela

seria como fumar sobre um tanque de gasolina.

Alhamdulillah.

Deus! A pr�xima pessoa que beijar minha m�o

levar� um tapa na cara.

- Boa noite. - Boa noite.

Hipocrisia, Harold. Hipocrisia descarada.

Est� claro para mim que voc� se cr�

apaixonada por Virg�nia.

Ent�o deixe-me dizer o que n�o pude

durante aquela terr�vel confus�o com Violet.

H� diversos tipos de amor, Vita.

O seu por Virg�nia vive aqui.

Ele comprime.

Ele entra em p�nico. Ele consume.

� orgulhoso e corrosivo.

O outro...

� uma efus�o de tudo de bom em voc�,

e ele vive aqui.

� o que sinto por voc�.

Vou voltar.

Lamento, mas ela n�o deve ver ningu�m.

Estou certo de que compreende.

Est� certo de que nem eu poderia anim�-la?

N�o � t�o simples como apenas anim�-la, Vita.

Estou tendo dificuldade em convenc�-la

a beber um copo de leite.

Isso talvez seja um pouco ousado.

Claro.

Que tolice, a minha.

Acho que voc� n�o estaria t�o zangado comigo

se soubesse o quanto eu aprovo

sua preocupa��o com Virg�nia.

S� pensei que facilitaria as coisas para voc�s,

se ela viesse ficar comigo.

Trouxe isto da biblioteca do Harold para voc�.

Achei que talvez pudesse distra�-lo.

Sou boa para ela, sabe, Leonard?

N�o duvido que haja alguma verdade nisso.

Voc� me avisar� se ela correr algum perigo?

Prometo.

Ela conseguiu dormir por umas poucas horas,

e parou de falar incoerentemente.

Mas ainda n�o quer comer.

Farei o que puder para convenc�-la.

O que acha de Ginia ir ficar com Vita?

- Virginia quer v�-la? - Quer.

Talvez isso seja bom para ela.

Por�m, h� a reputa��o de Vita.

Vita pode tentar seduzi-la,

mas ela n�o iria muito longe, iria?

Ela n�o � desprovida totalmente de desejo f�sico, Nessa!

Meu Deus, Leonard, claro que n�o!

Se acha que ficar com Vita faria algum bem a ela,

n�o a impedirei.

Sei que � muito dif�cil para voc�, Leonard.

N�o acredito em ci�me, Nessa.

� preciso arruin�-lo

e jog�-lo fora como um manuscrito in�til.

Que al�vio finalmente estar a s�s com voc� de novo.

Prometi a Leonard que a colocaria na cama �s 23h,

e sempre tento cumprir minhas promessas.

N�o posso sequer pensar em dormir.

Tenho um milh�o de coisas

n�o exatamente para dizer, mas para me extasiar em voc�.

Imagino se a morte se parece com isso.

� como se de repente...

o tempo parasse...

e nos sent�ssemos vazias.

Est� feliz?

Estou.

Mas conhe�o voc� melhor do que antes?

Acho que ela � muito bonita, Ginia.

� uma aristocrata de uma linhagem antiga.

Toda essa ancestralidade

certamente criou um corpo perfeito.

E pensei que voc� admirasse a obra dela!

S� para irritar voc�, Ginia.

Ela mal est� rompendo limites.

N�o seja �cido, Clive.

Trabalhar n�o � f�cil para uma mulher.

N�o se preocupe, Nessa.

Certamente Vita pode se consolar

com a vasta riqueza e privil�gios dela.

Venha, Julian. Vamos ouvir seu novo disco.

Estou confiando na sua gera��o

para se livrar de uma vez do sistema de classes.

Vamos, Virginia.

Conte-nos sobre o seu romance.

J� foi para a cama com Vita?

- Sim, Duncan, j� fui. - Voc� foi?

Vanessa, Leonard vai ouvir.

Ele provavelmente j� sabe.

E como �?

Nunca experimentei algo t�o perfeitamente...

indescritivelmente f�sico.

O jardim est� todo escavado, sebes plantadas,

muitos l�rios alaranjados nas bordas

e rosas novas nos vidros de azeite.

Agora s� falta nos livrarmos dos �lamos

e remover o lil�s da cama sob a janela.

E remover a Sra. Woolf da cama do seu quarto.

Fora o fato de que gosto dos Woolf,

deve saber, Vitti, que isso � perigoso.

Hadji, querido, por favor, n�o se angustie.

Sou devotada a ela como uma amiga,

mas n�o estou apaixonada por ela.

� algo espiritual. Ela ensina-me, acho.

Ela for�a-me a pensar seriamente.

Ando t�o miser�vel e solit�ria sem voc�!

N�o h� absolutamente nada de que ter ci�me.

N�o � assim que vivemos, Vitti.

Amo.

Realmente amo voc�.

Todas as mentes brilhantes das quais voc� se cerca...

Nenhuma delas te ama tanto quanto eu te amo.

Leonard ser� severo comigo.

Diz que ando fazendo coisas demais.

Voc� deixaria Leonard e fugiria comigo?

Falo s�rio.

Voc� o far�?

- Deixar Leonard? - Sim.

N�o posso.

Eu perderia o ch�o. Eu...

Posso viver com ele em perfeita liberdade,

sem qualquer temor.

Voc� sabe que j� rompeu mais barreiras

do que qualquer um, mas n�o posso.

Simplesmente n�o posso.

Se abandonar-me, a magoarei.

Sei que o farei.

Por que voc� tem sempre que querer mais?

At� quando estou na cama com voc�,

voc� insiste em evocar fantasias.

Voc� com seus temores, eu com minhas fantasias.

Talvez nossas pervers�es n�o sejam compat�veis.

N�o vejo por que voc� n�o poderia

ficar comigo por mais uns dias.

Poderia perfeitamente bem escrever em Knole.

N�o posso suportar levar voc� de volta a Bloomsbury.

Sabe que preciso estar l� para escrever com clareza.

N�o gosto de pensar em voc� confinada l�

com o Leonard se alvoro�ando sobre voc�.

Preciso do Leonard.

E o amo.

O modo como ele garante que eu esteja tranquila,

que eu esteja bem.

Mas voc� est�!

Voc� est� bem.

Foi preciso muito tempo para que eu encontrasse...

o equil�brio.

Sabe o que eu faria se voc� n�o fosse algu�m

com quem tem-se que ser t�o rigorosa?

Roubaria meu carro da garagem esta noite,

estaria em Bloomsbury �s 23h

e atiraria pedras na sua janela.

Voc� desceria e me deixaria entrar

e eu ficaria com voc� a noite toda.

Mas voc� sendo voc�, n�o posso.

Por uma Virginia diferente,

eu voaria para Londres durante a noite.

Voc� tem de mim tudo que tenho para dar.

"Vita, se sua promessa foi um desafio...

Ent�o venha.

Venha esta noite."

"Oportunidade perdida.

Lamento muito.

Voc� e Leonard se encontrariam comigo e Harold juntos?

Eu sugeriria o fim de semana do eclipse.

Harold quer muito que voc�s venham."

Esqueci-me de lhe agradecer pela sua gentil resenha

sobre o meu livro, Virg�nia.

Foi um grande �xito, Harold.

Escreveu seus personagens como se fossem

ao mesmo tempo reais e imagin�rios.

Biografias podem ampliar nosso entendimento

de como as pessoas s�o na verdade,

pendurando espelhos em cantos peculiares.

N�o posso evitar pensar em como isso � essencial,

quando vivemos um tempo em que mil c�meras

est�o apontadas para todos, de todos os �ngulos.

Jornais, pol�tica...

Boatos.

Boatos.

Como sup�e que Vita ser� retratada

pelo bi�grafo dela?

Como esposa de um diplomata e uma afamada romancista?

Ou uma amante insaci�vel,

not�ria pelos seus encontros amorosos,

pelo tormento a que submeteu o pobre do marido?

Suponho que depender� de como seu pr�prio cap�tulo

com Vita terminar�.

Se estiv�ssemos conversando em Charleston,

ficar�amos surpresos em ouvir falar de amor.

Clive diz que j� resolveu.

E gasta-se tr�s horas por dia com comida, seis com sono,

quatro com trabalho e duas com amor.

Vanessa diz dez com amor.

Eu digo um dia inteiro com amor.

Eu digo que � ver as coisas

atrav�s de um tom p�rpura.

"Mas voc� nunca esteve apaixonada", dizem.

Quantas horas voc� sup�e que se gasta com sexo...

E pensando sobre ele,

revolvendo a sensa��o dele em sua mente,

o espectro dele?

O corpo de todo mundo � assombrado por ele,

muito tempo ap�s terminarem as reverbera��es.

Car�ssima criatura...

E quando eu vir voc� novamente,

Vou querer-lhe cada vez mais.

Voc� gosta de pensar que sou infeliz, eu sei.

Que gentileza a minha escrever-lhe,

quando voc� n�o escreve-me uma linha sequer.

Ela est� aqui?

Vita?

N�o a vejo aqui, mas sei que Duncan a convidou.

Talvez ela n�o possa vir � cidade esta semana.

Voc� viu Vita, Duncan?

N�o, mas ela respondeu afirmativamente,

ent�o presumo que a vejamos em breve.

Leonard, voc� viu a Vita?

Por favor, tente ficar calma.

Voc� est� extremamente atrasada!

Levei Ben e Nigel para ver mam�e esta tarde.

E quando mencionei que viria aqui,

ela ficou hist�rica e come�ou a gritar

sobre todos aqueles objetores de consci�ncia homossexuais.

Vita.

- Clive, esta � Mary Campbell. - Prazer.

- Prazer conhec�-la. - Muito prazer.

Que tola eu fui por ser t�o aberta

com algu�m que mant�m partes de si mesma

- escondidas de mim! - Querida...

N�o suporto-me assim.

J� basta, Ginia.

Isto tem que acabar.

Ela disse para onde ia?

N�o disse.

O que disse a ela?

Que Vita a tra�ra.

Por que voc� diria isso?

Porque � a verdade, Leonard.

N�o adianta dizer verdades venenosas, Vanessa.

Nenhuma! Muito menos para a Virginia.

Voc� sabe disso.

Virginia?

Leonard...

Tive uma ideia maravilhosa.

Sabe que n�o consegui firmar uma palavra por semanas.

Sem ideias, nada, ent�o de repente...

Veio-me como uma barbatana saindo da �gua.

Corri para c�, mergulhei a caneta na tinta

e escrevi quase automaticamente.

"Orlando, Uma Biografia."

Quem � Orlando?

Um homem do s�culo XVI que tamb�m � mulher.

Precisarei faz�-la falar sobre os ancestrais.

- Quem? - Falar sobre tudo.

- Quem? - Vita!

Orlando levantou-se completamente nu.

Nenhum ser humano, desde o in�cio do mundo,

jamais pareceu mais fascinante.

Sua forma �nica combinada,

a for�a de um homem e a gra�a de uma mulher.

Podemos tirar vantagem desta pausa na narrativa

para fazer certas declara��es.

Orlando tornou-se uma mulher, n�o h� como negar.

Aos 30 anos, este jovem nobre

n�o s� teve toda experi�ncia

que a vida tem a oferecer,

como tinha visto a inutilidade de todas elas.

Amor e ambi��o,

mulheres e poetas, foram todos igualmente v�os.

A literatura era uma farsa.

Para ele, restaram apenas duas coisas

onde ele agora deposita sua confian�a:

c�es e natureza, um c�o noruegu�s e uma roseira.

O mundo, em toda a sua variedade,

a vida em toda a sua complexidade

se resumiram a isso.

Vai projetar-me na forma deste Orlando?

Sim, � tudo sobre voc�.

Os desejos da sua carne e a atra��o da sua mente.

Voc� vai atravessar o tempo como uma flecha.

Ser� um homem, uma mulher, um anci�o, um contempor�neo.

- O que acha? - Divertido para voc�.

� para ser um tipo de biografia de fic��o.

Haver� retratos dos seus ancestrais,

fotografias, ilustra��es.

E voc� deve dedic�-la � sua v�tima.

E precisarei lhe ver, frequentemente.

Para sentar e olhar para voc�, fazer voc� falar,

corrigir quaisquer pontos duvidosos.

Gostaria de desatar e torcer outra vez

os seus muito peculiares, incongruentes fios.

Roy e Mary dizem que n�o t�m �gua quente.

Envio-lhe o Parsons?

- Sim, Hadji querido. - Ol�, Virginia.

Roy e Mary Campbell est�o na cabana dos meninos.

E por que n�o?

Virginia, gostaria de explicar sobre a Maria.

Para... pedir desculpas.

N�o, por favor Eu ficaria entediada.

Se voc� entregou-se a Mary

n�o terei mais nada a ver com voc�.

Ent�o isto deve ser claramente escrito,

para que todos o leiam em "Orlando".

Sou incapaz de criar um relacionamento perfeito.

Eu tentei e falhei fazendo isso toda a minha vida.

� uma terr�vel confus�o, n�o �?

Sim.

Mas a vingan�a que quiser estar� na palma da sua m�o.

Agora...

Quando foi o momento da sua maior desilus�o?

A primeira vez que vi um p�nis.

Nessa, � suposto parecer estar em Knole.

Mas parece.

- N�o acha, Duncan? - N�o vou opinar.

N�o parece voc�.

N�o pensei que falava s�rio

sobre colocar fotografias reais no livro, Virginia.

Quero que "Orlando" pare�a cred�vel.

Mais baixo.

Sinto-me demasiado exposta.

E � exatamente assim que a queremos.

Sente-se, Vita! Acabamos de lhe colocar perfeita.

Ela n�o est� perfeita, Nessa?

Parece-me magn�fica.

Vita, se tentasse relaxar um pouco,

ficaria ainda melhor.

Estou tentando com afinco, Vanessa, garanto-lhe.

Acha que precisa sentir-se mais poderosa que algu�m

para sentir-se sexualmente atra�da por ela?

Minha nossa, que pergunta.

Voc� tem um ar de conquistadora.

Suponho que isso d�-me imenso prazer...

Causar dor?

Voc� se considera boa ou m�?

Foi p�ssimo, Hadji.

Envolta em um m�sero cetim rosa,

minhas roupas escorregando,

enquanto eles faziam fotografias sem fim.

Virginia entusiasmou-se,

mas eu sentia um desejo inevit�vel de escapar.

- Voc� leu? - N�o!

N�o deixou-me ver um rascunho sequer.

- Como est� Berlim? - Miser�vel sem voc�, Vita.

Estou desesperada para nos encontrarmos.

Sinto um comich�o por todo o lado.

- Quando voc� pode vir? - Dentro de alguns dias, acho.

Tem certeza que todo esse tempo com a Vita

n�o � demasiada press�o sobre voc�?

N�o acha que pare�o cheia de vida?

Parece.

Mas voc� est� feliz?

Estou entusi�stica e delirantemente feliz.

Posso revolucionar a biografia do dia para a noite,

com a hist�ria de um her�i que se transforma em hero�na,

e que no fim revela-se uma fic��o.

O que s�o, claro, todas as biografias.

...agora terminaram.

Esses nossos atores, como vos predisse,

eram todos esp�ritos e se desfizeram...

...no ar rarefeito.

Voc� tem que ir? Temos tanto a fazer.

Tenho que visitar Harold em Berlim.

N�o posso deixar um diplomata

sem uma esposa zelosa por muito tempo.

Este � um trabalho importante, Vita.

Voc� faz parte de algo como uma revolu��o.

A biografia de uma mulher nunca foi escrita assim.

Castidade, mod�stia, sempre o impediram.

Claro, n�o tenho nenhuma delas.

Queria que voc� levasse alguma coisa a s�rio, Vita.

Estou tentando capturar sua ess�ncia.

As biografias sempre descreveram os fatos

que aconteceram �s pessoas,

n�o a pessoa a quem os fatos ocorreram.

Estou tentando mergulhar em voc�.

N�o entende o qu�o importante � isso?

O qu�o especial � isso?

E como tenho a sorte, suponho,

de ser a grande musa da Sra. Woolf.

E se...

depois de todo esse mergulho voc� n�o encontrar nada?

Depois de me prender com sua caneta...

...o que vai fazer comigo?

Ou ter� acabado comigo?

Eu n�o sei.

Lady Sackville.

N�o sabia que estava � sua espera.

Eu n�o estava � espera disto.

N�o acho que voc� perceba o qu�o explosivo isto �,

de dentro do sua bolha bo�mia debochada.

Mas l� fora, na sociedade respeit�vel,

voc� est� colocando Vita em grande perigo.

Vita e seus filhos.

Concluo que a �nica pessoa que j� amea�ou

retirar Ben e Nigel da m�e deles � voc�.

Voc� � uma mulher louca,

cujo desejo louco de sucesso

� separar pessoas que se gostam.

Seu trabalho tem um tipo de viol�ncia,

que ou voc� n�o conhece,

ou � muito imprudente para controlar.

Gra�as a Deus voc� n�o tem seus pr�prios filhos.

Pensei que estivesse em Berlim.

Eu estava, mas agora estou aqui.

Apaixonei-me pela sua vis�o de mim.

N�o ficou magoada, ou zangada?

Ocorreu-me que pudesse estar.

Sinto-me como um manequim em uma vitrine,

no qual voc� pendurou uma t�nica bordada com joias finas.

Como p�de pendurar uma roupa t�o espl�ndida

em t�o pobre cabideiro?

Virginia, � o livro mais s�bio, mais rico que j� li.

Minha querida, o que est� fazendo?

Estou fazendo um bolo.

Nelly deu not�cias. Tenho convidados para o ch�.

Voc� os envenenar�!

Tenho vivido tanto tempo em voc�, que agora que a vejo,

pergunto-me se voc� existe, ou foi inventada por mim.

Sinto-me terrivelmente real agora.

Voc� encontrou-me de novo.

N�o serei amada somente em um mundo fict�cio.

Vamos embora juntas agora, antes que os rumores comecem.

Por favor, Virginia.

Sim. Absolutamente.

N�o sei por que n�o pode dizer quando exatamente voltar�.

Preciso saber quando voltar�.

Est� sendo sentimental. N�o agimos assim.

N�o, estou sendo sincero. � inteiramente racional.

Devo preocupar-me com voc�.

Leonard, pare.

Voc� acabou de lan�ar um livro.

Sabe que estar� nervosa at� as cr�ticas chegarem.

- E � quando voc� vai abaixo... - Desta vez parece diferente.

Sim, parece. Isto parece diferente.

� por isso que n�o quero que voc� v�.

Escrever "Orlando" foi o meu maior �xtase.

Por isso � uma fase perigosa para voc�.

- Estarei com Vita. - Esta � a quest�o.

Sua prote��o sobre mim �s vezes beira o insalubre.

N�o vou impedi-la.

Mas pe�o-lhe que pense com muito cuidado

sobre o que voc� considera ser poss�vel com Vita.

PARA MARY, COM O AMOR DE ORLANDO, VITA.

Virginia, voc� est� bem?

O que est� fazendo aqui fora?

Estive pensando, se um raio atingisse a casa, desabasse,

como seria ser esmagado at� a morte.

Minha mais querida.

Veio-me muito vividamente.

Seria doloroso?

Sim.

Aterrorizante? Suponho que sim.

Um desmaio, um tambor, a perda da consci�ncia

e depois... ponto, ponto, ponto.

N�o suporto a ideia da sua morte.

N�o acho que v� acontecer hoje.

Estava s� imaginando.

- Voc� n�o faz isso? - N�o.

Eu fa�o.

Penso na morte com intensa curiosidade.

Poderia ser uma grande emo��o, como descer o Ni�gara.

Mas � a �nica experi�ncia

que nunca serei capaz de descrever.

Voc� j� sentiu que grava coisas ao inv�s de senti-las?

Voc� est� rasgando aquela velha ferida.

Voc� sempre pensou que eu olhava para tudo e todos,

como algo a ser explorado pela minha caneta.

N�o.

Eu estava pensando em mim.

H� algo sobre voc� que n�o se conecta.

O que voc� quer dizer?

Voc� exige total devo��o.

Mas � como se estivesse cercada

por uma nuvem de neblina obscura.

E quando...

Quando te amei...

senti que voc� n�o poderia alcan�ar minha m�o

quando a estendi para voc�.

Est� na sua escrita.

Algo evasivo, mas brilhante.

Uma falta de fidelidade, suponho.

Quando voc� me amou?

Sim.

Amei.

Muito.

E eu ainda amo, mas n�o da mesma maneira.

Ent�o, depois desse mergulho em mim com "Orlando",

voc� me descobriu uma concha vazia?

N�o.

Eu escutei.

"Se abandonar-me, a magoarei."

Gravei essas palavras de todas as formas que conhe�o.

Eu as escrevi, marquei-os no meu cora��o

e em "Orlando", as libertei.

Criei muitas vers�es suas, para viver sem restri��es.

Eu capturei Knole.

Eu dei-lhe o que voc� nunca herdar�.

�s vezes sinto como se observasse as coisas de fora...

...ao inv�s de senti-las.

Talvez voc� se preocupe mais com coisas

do que com pessoas.

Este lugar ainda confunde seu cora��o,

mais do que qualquer pessoa j� o fez.

Ent�o acha que sou muito fria?

Muito pelo contr�rio.

Muito pelo contr�rio.

Um milh�o de velas queimam em voc�, Vita.

Voc� � uma estrela explodindo,

refratando luz atrav�s do universo.

Mas isso significa que � incapaz de brilhar

em uma coisa, em uma �nica pessoa.

E n�o..

afinal...

...em mim.

Ent�o o que acontece agora?

O fim j� est� escrito.

"Orlando naturalmente amou...

lugares solit�rios, vistas amplas...

e sentir a si mesmo...

para todo o sempre sozinho."

AS VENDAS DE "ORLANDO"

SUPERARAM TODOS OS ROMANCES ANTERIORES DE VIRGINIA,

E MUDARAM O SEU PERCURSO COMO ESCRITORA POPULAR.

A AMIZADE DE VITA E VIRGINIA PERSISTIU

DEPOIS DO FIM DO ROMANCE ENTRE ELAS,

AT� A MORTE DE VIRGINIA EM 1941.

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