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Original subtitles

Depois de terem criado o universo os deuses se perguntaram

onde eles deveriam esconder a verdade. Em cima da mais alta montanha?

No fundo dos oceanos? Na face escondida da lua?

Finalmente, eles se disseram: "Vamos escond�-la no cora��o do homem.

Ele vai procur�-la em todo lugar sem desconfiar que ela se encontra

no mais profundo do seu pr�prio ser."

velha lenda indiana

Sim, mas...

Ah, voc� fez bem de chegar, eu come�ava a falar sozinho.

N�o foi muito dif�cil achar? Por favor, entre, � por aqui.

Eu me chamo Herman Moner. Venha, vou mostrar o caminho.

Aten��o com os tr�s degraus aqui.

Bem, este � meu escrit�rio.

Aqui, todos os tipos de gente v�m me contar suas hist�rias e aprender a serem aut�nticos.

Ele me trai.

Ele disso ontem � noite, durante o programa "Amor em quest�o".

�s vezes eles revivem sua hist�rias na minha frente

Se voc� disser isso da minha m�e eu te quebro a cara.

Eu disse: 'p�ra a�, fica calmo, eu nem falei nada da sua m�e

A cada vez s�o combates duros, para melhorar, para evoluir...

Ele � infernal... e uma bofetada nunca matou ningu�m...

...e � para o seu bem, n�o �?

Tr�s coisas me apaixonam no meu trabalho.

A primeira, a mais importante, � de ajudar as pessoas com seus problemas.

Ver algu�m passar do problema � solu��o � uma verdadeira alegria.

A segunda coisa que me motiva � tentar entender por que � que

a gente se mete em rela��es que nos fazem sofrer.

A terapia � Shakespeare, com suas crises, seus aborrecimentos, os momentos de euforia

a cada vez eu me digo: isso daria um romance, uma pe�a, um filme...

Pois bem. Hoje, eu gostaria de compartilhar tudo isso com voc�s.

Lhes contar uma hist�ria humana.

E sua prova de matem�tica?

Foi boa.

Eu tirei 17.

17? � bom. � �timo! Valeu � pena voc� estudar o fim de semana.

Pegue 200 francos. Voc� pode comprar um vestido.

�... vou pensar.

Obrigada.

...ou um disco, ou um cinema... o que voc� quiser.

Eu estou te arruinando desse jeito.

Voc� merece.

Eglantine.

N�o, n�o, era a gente, idiota e foi assim que...

Toma, Eglantine, olha o que eu achei para voc� em Londres.

Uau, ele � lindo.

Como voc� falou que colecionava...

� super gentil, Sebastian.

At� mais.

Sebastian, se voc� quiser ir ao cinema, eu te ofere�o.

Ao cinema? Sim, pode ser. A gente pode ser encontrar depois do curso do Leon.

Ok, at� mais tarde ent�o. At�.

Voc� est� se sentido solit�rio, meu pequeno Seb?

Talvez voc� n�o deveria ter largado a Isabelle t�o cedo?

� ela que me procura, pequeno Youssef, o que voc� faria no meu lugar?

Ela � gostosa, n�o?

Eu vejo um jovem, 19 anos, muito bonito,

muito gentil, inteligent�ssimo,

eu vejo... que ele est� de p�,

agora ele est� sentado,

ele se aproxima de uma menina muito bonita

e eu vejo que ele lhe d� um b...

Voc� est� ocupada hoje � noite?

Sim. Vamos jantar?

A gente podia ver um filme parece que ele � bom

ou ent�o a gente vai na minha casa.

Eu queria conversar com voc�.

Hum, na verdade...

hoje � noite, pra mim, n�o d� certo.

Ah, �?

Eu prefiro n�o, na verdade eu tinha outra coisa prevista.

N�o tem problema. A gente se v� amanh� � noite.

Tamb�m n�o d�.

O que acontece?

Nada

Fala pra mim.

Escuta, simplesmente, eu preciso de tempo.

De tempo e de do�ura.

Sem problemas, voc� encontrou o Sr. Do�ura. E o Sr. Do�ura tem todo o tempo.

E agora eu ganho o monte com um dez.

Parab�ns, Mirai.

Eu sempre disse que a Mirai fazia uma excelente morta.

� preciso uma certa vivacidade de esp�rito para fazer a morta.

� voc�, minha filhinha?

Bom dia.

Bom dia, Eglantine.

Sr. Do�ura ligou para dizer que ele est� livre todos os dias da semana.

Quem � esse Senhor? Seu professor de ingl�s?

Um amigo.

Tudo vai bem, eu espero...

Mam�e, eu n�o tenho mais 12 anos, merda.

�, mais eu ainda sou sua m�e.

O que que � isso? � o n�mero dele?

Estou te avisando, se voc� ligar para ele eu vou fazer o esc�ndalo do s�culo.

Eu fico contente quando minha m�e me d� conselhos.

Voc�s j� perceberam, uma disputa come�a e termina sempre do mesmo jeito.

Na minha profiss�o, a gente chama isso de "jogo".

Voc�s devem ter constatado igualmente que a Sra. de la Ville, m�e da Eglantine

� uma tremenda jogadora, por exemplo com a Mirai, sua parceira de Bridge,

ela joga dois jogos bem diferentes, o primeiro jogo se chama, evidentemente, Bridge;

e um jogo de poder, que consiste em rebaixar Mirai.

Esse segundo jogo � um jogo psicol�gico inconsciente.

Nisso a Sra. de la Ville se parece conosco, porque n�s todos adoramos jogar.

E n�o somente jogos inofensivos, como os jogos de tabuleiro.

N�s praticamos esse jogo inconsciente na imensa maioria de casais ou das fam�lias.

O Sr. e a Sr. Le Noir, por exemplo.

- Mas quem mexeu na minha escova de dente? - E quem voc� acha que foi?

Essa troca delicada entre o Sr. e a Sra. Le Noir se chama um jogo.

� claro, eles n�o parecem que est�o se divertindo muito,

mas essa disputa lhes permite de passar o tempo. Ela � regida por regras fixas.

�s vezes n�s jogamos conscientemente.

�s vezes n�s n�o temos consci�ncia.

- Mas agora quem pegou minha escova de dente?

A grande diferen�a entre os jogos s�os e os jogos psicol�gicos � que esse �ltimo

cansa e faz sofrer os jogadores. Os jogos psicol�gicos s�o numerosos e variados.

Mas cada um de n�s tem prefer�ncia por um ou dois.

O Sr. Chanteau por exemplo:

- Voc� tem sorte de poder ir ao cinema, porque eu com a Adelaide...

- Voc� n�o tem bab�?

- As boas bab�s s�o raras.

- Eu conhe�o uma boa se voc� quiser.

Eu te agrade�o, mas de todo jeito � muito caro.

E se voc� deixasse o beb� com seus pais?

- Eu adoraria, mas eles n�o iriam cuidar direito.

- S� � preciso vigi�-lo enquanto ele dorme, basta pedir para seus pais virem na sua casa.

- � verdade, sim, mas... eu tenho certeza que isso os chatearia.

- Mas o que que te custa de perguntar?

- Eu conhe�o a resposta.

- Bom, se voc� prefere n�o ir ao cinema...

- Eu estou te falando, n�o � t�o simples assim. Voc� � engra�ado.

O Sr. Chanteau, por exemplo, tem um problema e faz crer que ele est� a procura de uma solu��o

mas basta lhe propor algumas para que ele passe a rejeitar uma ap�s as outras.

Na minha profiss�o, nos damos um nome aos jogos psicol�gicos.

- Sim, mas... eu tenho certeza que isso lhes chatearia.

Sim, mas n�o � f�cil... Sim, mas voc� esquece que... Sim, eu adoraria, mas n�o tenho certeza...

"Sim, mas" � um dos jogos mais praticados neste planeta

� verdade que seu pai mora l�?

Eu gosto de Londres.

Os ingleses... Mas eu n�o falo muito bem.

A gente vai a "Horse Gardens", eu conhe�o um cinema muito bom em Londres

com poltronas muito confort�veis.

Quando a gente se v�?

Amanh� � noite.

Amanh� � noite.

Espera.

Espera o qu�?

A nossa noite.

Sim, sim, Vossa Majestade. Amanh� � noite.

(Amanh� � noite.)

(Amanh� � noite.)

(Amanh� � noite.)

Sebastian

Du Glass? Voc� est� saindo com o Sebastian du Glass? � mentira, Eglantine?

N�o, por que? � proibido de sair com o Sebastian du Glass?

Parece que n�o, ele sai com todas as meninas da classe

Isso � hist�ria, s�o as ciumentas que inventaram isso.

Voc� sabe porque ele repetiu tr�s vezes o �ltimo ano do colegial?

Eu n�o tou nem a�, ele me ama: � tudo o que conta!

Voc� j� falou isso antes com Gerome.

Mas n�o � a mesma coisa. Agora � pra valer, t� bom?

Agora � pra valer.

Escolhemos nossos parceiros de jogo por ter encontrado sua conta,

mesmo que ela esteja perpetuamente no negativo.

Isso � verdade para Eglantine e sua amiga Fran�oise.

Uma joga "olha como eu estou bem"; e a outra "n�o vai durar, minha querida".

Isso � igualmente verdade para um dos jogos preferidos da Sra. la Ville, chamado "sem voc�".

A Sra. la Ville se casou, h� 20 anos, com um homem que ganhava o suficiente

para duas pessoas, ela est� contente com as atividades dom�sticas.

Ele dirige uma empresa m�dia, trabalha 70 horas por semana.

- Boa tarde, voc� levou o carro na oficina?

- N�o tive tempo.

- E de jogar Bridge, voc� teve tempo?

- O campeonato Master come�a em 15 dias.

- A veda��o do cilindro � mais urgente que o seu Master.

- J� que eu n�o jogo muito bem...

- Voc� n�o precisa fazer o circuito profissional, n�s temos uma renda confort�vel.

- N�o � uma quest�o de renda, sem voc� eu j� estaria falida nesse momento.

- Pois voc� deveria me agradecer de te evitar essa cruel desilus�o.

Dir�amos que a Sra. la Ville nunca ouviu essa cr�tica

No entanto, eles come�aram a jogar um ano depois do casamento.

E agora j� faz 19 anos que eles jogam.

19 anos que a Sra. la Ville faz as mesmas reclama��es e ouve as mesmas cr�ticas.

Isso a usa, a desgasta, Ela n�o � feliz.

Ningu�m a obrigou a casar com esse homem.

Inconscientemente, ela n�o o escolheu ao acaso.

Desde o primeiro encontro ela sentiu que ele correspondia � sua concep��o dos homens.

� a concep��o que veio de sua m�e: "os homens maltratam as mulheres"

- � s� lhes dar confian�a, voc� vai ver, eles s�o todos iguais, todos iguais.

A Sra. la Ville se cercou de amigas que compartilham a mesma vis�o sobre os homens.

- Sabem o que ele respondeu? Volte para a casa da sua m�e.

- Sabem o que ele acrescentou?

Leva minhas camisas, sabe-se l� se ela tem tempo de passar.

Eles s�o todos iguais, todos iguais.

Quando se sofre dessa maneira, n�o � f�cil aceitar que somos, em parte,

respons�veis por esse sofrimento. Que n�s fizemos de tudo, inconscientemente,

para estabelecer, com a outra pessoa, um equil�brio infeliz.

Imaginemos: o que aconteceria se o outro deixasse de jogar.

- Boa tarde, minha querida.

- Eu tenho uma grande novidade para te contar.

- Deixa que eu fa�o.

- Robert Lacan me disse que a equipe nacional est� precisando de uma boa jogadora.

- Eu dei o seu nome.

- � uma brincadeira?

- De jeito nenhum. N�s temos dinheiro suficiente para pagar uma dom�stica.

- E at� mesmo um est�gio de Bridge se voc� quiser.

- Voc� esperou 20 anos para me dizer isso? Voc� acha que eu estou � sua disposi��o?

Imagine se lhes tirassem o direito de reclamar, de discutir, de criticar e, sobretudo,

se tirassem o direito de n�o fazer nada para mudar, seria uma cat�strofe.

Ningu�m vai me obrigar a fazer se que n�o tiver vontade.

Voc� n�o come?

Com quem voc� est� saindo?

Sebastian.

O Sr. Do�ura.

Voc� o conhece bem?

Sim, mam�e, eu te asseguro que eu o conhe�o bem.

A que horas voc� volta?

Eu n�o sei, vamos ver.

Deixe-a em paz, ela tem o direito de sair, n�o?

Claro.

E voc�, vai fazer o que hoje � noite?

Tem sobremesa?

O papai saiu?

Mam�e

Pode ir, pode ir, eu me viro.

Sebs, sou eu, escuta, eu estou com pepino e eu tenho que anular.

Eu te explico depois.

Voc� n�o fica muito bravo?

�, eu sei, eu tamb�m, mas... a gente se fala amanh�, t� bom?

Um beijo.

Pronto, voc� est� feliz?

Eu n�o te pedi nada, Eglantine.

Eu n�o aguento mais, cacete!

Voc� j� voltou?

Eu nem sai.

Por que?

Advinha? Voc� n�o pode cuidar um pouco dela?

Eu tentei muitas vezes, Eglantine.

Se voc� encontrar a solu��o...

No jogo psicol�gico, assim como na trag�dia ou nos contos de fada

Os pap�s principais s�o sempre os mesmos: v�tima, perseguidor, salvador.

A v�tima � aquela que � injusti�ada,

que se coloca sempre numa situa��o penosa, que lamenta.

No entanto, como a v�tima raramente pode fazer isso sozinha

� preciso de um parceiro: o perseguidor.

O perseguidor � aquele que critica, que faz o mal, que � sempre melhor que os outros.

A v�tima e o perseguidor, em geral, se entendem muito bem.

Mas a v�tima pode preferir chamar a aten��o de um salvador.

O salvador � aquele que vem socorrer os outros,

ele est� convencido que os outros precisam da sua solu��o, que n�o podem viver sem ele.

O que aconteceu ontem � noite?

Me abra�a

T� tudo bem?

Voc� me ama?

Claro, sem d�vida. Mas voc� falou que ia me explicar.

Minha m�e teve um acidente.

Ah �? Um acidente do que?

Um acidente de... enfim, ela caiu...

Ela caiu na escada?

E ela foi para o hospital?

Sim, foi grave.

Ent�o como voc� me explica que sua m�e me ligou hoje de manh�?

Minha m�e te ligou hoje de manh�?

Ela n�o tinha a voz bastante boa para quem acaba de sair do hospital.

Minha m�e sabe esconder muito bem o seu jogo.

E voc� me esconde o que?

Por que? Eu tenho que te prestar contas?

Quando n�s temos um encontro marcado sim, talvez.

Sebastian, por favor, n�o entenda dessa forma.

Voc� sabe o que me disse sua m�e? Que voc� preferiu ficar em casa.

Ah, que desgra�ada, merda.

N�o � verdade...

Sebastian, voc� n�o vai acreditar nela, isso � mentira, claro que eu queria te ver.

Ah, �?

Sebastian, confia em mim.

Quando voc� diz que ela teve um acidente?

Escuta, eu...

Cad� o Sr. Do�ura?

Sr. Do�ura n�o gosta de ser enganado. "Hum, Sebastian, agora n�o, depois te explico"

Tudo isso � s� conversa fiada e esse bl�-bl� enche o saco do Sr. Do�ura.

O porco?

Ele foi embora.

Que foi?

Tudo bem? Voc� encontrou com Sebastian hoje?

Sim, eu vi o Sebastian, a gente se fez carinho ele disse que me ama, n�o � da sua conta.

Fecha a porta quando sair.

S� queria saber das novidades, s� isso.

E por que diabos a gente se lan�a em jogos que fazem sofrer?

Nos jogamos para obter o �nico sinal de reconhecimento ao qual nos habituaram,

quer seja ele agrad�vel ou desagrad�vel.

O jogo traz um certo conforto. Sim, eles nos impedem de ser felizes.

Mas ele permite ignorar a an�stia do abandono, evitar a insanidade ou o desejo de morte.

E � por isso que ele dura; e dura e dura e dura...

N�o acredito, quem mexeu na minha dentadura?

Chega a hora �s vezes que dizemos: isso n�o pode continuar!

Minha filhinha.

Senhor Moner? Eu telefono porque...

minha m�e tem um problema e...

sim, sim, claro... quando?

depois de amanh�, hum

Eglantine la Ville.

Sim, rua Pierre Yvert, 27, sexto andar.

Combinado, at� sexta. Obrigado.

Bom dia. Senhorita la Ville? Entre.

Eu sou Herman Moner. N�o foi muito dif�cil de achar?

Eu mostro o caminho.

Aten��o, h� tr�s degraus.

Fique � vontade.

E se voc� tivesse sa�do?

Ela teria tomado um porre.

E?

E eu teria me arrependido.

Voc� n�o saiu e, mesmo assim, est� arrependida.

Voc� est� dizendo que eu deveria ter sa�do?

Eu constato simplesmente que as duas solu��es s�o infelizes.

Voc� � filha �nica?

Eu tenho um irm�o. Mas ele partiu de casa.

Assim ele n�o deve satisfa��o aos meus pais.

Voc� pensa que � uma boa solu��o?

Eu n�o sei.

Sua m�e � alc�olatra?

N�o!

Enfim, ele n�o toma 3 litros de vinho por dia.

Ela bebe quando fica deprimida. Que isso fique entre n�s.

Voc� cura depress�o?

Eu n�o trato de depress�o com medicamentos, mas ajudo pessoas depressivas a melhorarem.

Eu queria que voc� tratasse dela.

Senhorita, eu n�o posso fazer muita coisa para sua m�e.

Por que?

Porque n�o � ela que est� aqui.

Mas eu duvido que ela venha v�-lo.

Eu sinto muito.

Ent�o ela vai continuar a me tirar do s�rio?

Voc� gostaria que n�s trabalh�ssemos em cima do seu pr�prio problema?

Mas eu n�o tenho!

Ah, ent�o voc� gosta quando te tiram do s�rio?

Como v�o as coisas na escola?

Tudo bem, meu pai est� contente.

E a sa�de?

Crise de f�gado de vez em quando.

Discuss�es?

Isso � um interrogat�rio?

Sim...

�s vezes eu me sinto derrotada.

Quer dizer, n�o � nada comparado com o problema da minha m�e.

Eu sinto muito, mas a balan�a de pesar problemas de uns e de outros est� quebrada.

Voc� conhece a difren�a entre uma dificuldade e um problema?

Seu av� morre aos 85 anos, voc� fica triste, de luto.

� doloroso, mas � normal, � a vida: isso � uma dificuldade.

Agora se voc� � incapaz de sobreviver sem o seu av�, a� voc� tem um problema.

Genial, ela vai continuar a se embebedar e eu vou melhorar no seu lugar.

Ah, voc� quer ir melhor no lugar dela?

N�o sou eu a doente.

� preciso adoecer para melhorar?

Como assim?

� preciso ficar doente para poder melhorar?

Mas eu lhe compreendo, algu�m que vai ver um psic�logo deveria se tratar.

Eu n�o vim para fazer uma terapia, � minha m�e que � doente.

Que idade voc� tem?

17 anos.

Voc� sabe quantos pacientes adolescentes eu tenho?

N�o.

Nenhum, senhorita, neste momento nem um.

As pessoas esperam divorciar e terem problemas com os filhos para virem me ver.

Desculpe, eu me irrito, mas... eu vejo tantas vidas desperdi�adas.

� meu lado salvador, eu quero que as coisas mudem.

Eu acho que a gente pode mudar a qualquer idade, 50 anos, 60 anos.

Fazer um trabalho sobre si mesmo aos 17 anos � formid�vel.

Por que?

Porque nessa idade n�s ainda n�o fizemos as grandes escolhas da vida,

como a da profiss�o, do c�njuge ou dos filhos.

Uma terapia bem-sucedida aos 17 anos pode evitar muito gasto de energia no futuro

e, �s vezes, muito sofrimento.

Voc� est� me vendendo a sua historinha.

Eu acredito no meu trabalho.

Voc�, voc� fez uma terapia aos 17 anos?

Eu comecei com 32, esperei que o sofrimento se acumulasse e me deixasse no caos.

Escute, de todo jeito eu o suficiente de clientes, voc� precisa se dedicar para que funcione.

E eu estou de saco cheio de todos esses adultos que sabem o que eu devo fazer.

N�o precisa se incomodar, eu acho a sa�da.

Tudo bem?

Eu quis me jogar da janela, mas fora isso tudo vai bem.

Voc� sabe quem � Helodi Marchant?

Uma amiga sua do ano passado.

Ela contou que sua m�e via um psi(c�logo).

Ah, �?

� engra�ado porque, olhando ela, a gente n�o diria que ela precisa.

De todo jeito, tem gente que � louca mas n�o vem marcado na testa.

Eu n�o acho que ela seja louca.

Pelo menos um poquinho para ir ser um psi, voc� n�o acha?

N�o.

Ou ent�o tem que estar muito doente.

Eu acho que n�o precisa estar doente para melhorar.

Por que voc� me fala da Sra. Marchant e do seu psi?

Assim, nada a ver.

Est� insinuando que preciso de psicanalista?

N�o, n�o, de modo algum.

Eu espero mesmo que n�o, pois seria um del�rio.

T� certo que eu deprimo um pouco de tempos em tempos, mas, enfim, da� a ir ...

Voc� tamb�m bebe um pouquinho demais.

Por culpa de quem?

Se tem um que precisa fazer psican�lise � ele, � ele o doente da fam�lia.

Seb, voc� pensa aquilo que me falou outro dia?

Que eu era uma babaca.

N�o, voc� n�o � uma babaca.

Mas eu n�o gosto quando a gente discute.

Eu tamb�m n�o quero saber mais disso. Eu te juro.

Isso n�o � o que eu te pedi, Sebastian.

Ah, �? Voc� me abra�a, isso me d� certas vontades, � a natureza.

Qual � seu estilo? Dormir com um garoto segurando na m�o dele?

Voc� n�o entende!

�, eu sei, eu n�o sou muito inteligente. Espera, eu vou estudar.

Afervorar... afestornar... AFETA��O: modo artificial de ser, aus�ncia de naturalidade.

� isso, � natural, eu te abra�o isso me d� desejos, � normal, � a vida.

"Afetado/afetada": empolado, presun�oso, amaneirado, ver IMOD�STIA.

Qual voc� prefere: afetada ou imodesta?

- Olha o Marco fazendo gracinha com o cigarro

- Ele � est�pido, quando ele olha embaixo da sua saia � menos engra�ado.

- Voc� tem raz�o, eles s�o todos obcecados, salvo Nicolas.

Com o Sebastian, era de se esperar. Voc�, tem vontade de transar?

- Sim, tenho vontade de fazer amor.

- Claro, � melhor

- Eu fico me perguntando... - Voc� sabe o que ele me disse?

- "Eu detesto quando a gente briga", eu juro. - Eu acredito.

Ele � quem fala "eu te juro", depois ele me xinga.

Eglantine!

Eu fui um babaca, o lance do dicion�rio foi horr�vel.

Eu n�o gosto quando a gente briga, eu detesto, eu te juro.

Voc� deve estar contente de me rever, n�o? Voc� ganhou.

O que me interessa � que voc� ganhe.

Que voc� assuma a responsabilidade dos seus atos e suas consequ�ncias.

Bem... eu n�o sei se eu tenho uma dificuldade ou um problema.

Eu n�o sei se � com a minha m�e ou com os garotos.

Talvez exista uma liga��o.

Suponhamos que uma noite aconte�a um milagre. Uma fada aparece ao p� da sua cama,

Qual seria a prova, no dia seguinte, que o milagre aconteceu?

Minha m�e para de beber e meu pai se reinteressa por ela.

N�o, n�o, n�o: a fada foi ao seu quarto n�o ao quarto dos seus pais.

Eu a envio para o quarto deles.

Isso seria formid�vel, se os outros fossem rob�s gui�veis por controle remoto.

N�o, o que teria mudado na SUA vida.

Eu n�o sei. Voc� talvez tenha uma id�ia.

Por exemplo, voc� come�a a beber.

Ou come�a a encher o saco do seu pai todo dia no caf�-da-manh�.

O que?

Ou ent�o, voc� encontra sua m�e deprimida, ou b�bada... e n�o reage.

Vou repetir: voc� n�o reage quando sua m�e est� num estado lastim�vel.

Mas � egoista

N�o reagir n�o significa n�o sentir compaix�o.

E se o ego�smo for roubar dos outros suas pr�prias responsabilidades?

Voc� pode falar isso de novo?

Uma pessoa passando v� uma borboleta saindo do seu casulo.

Escutando apenas ao seu bom cora��o ele n�o resiste ao prazer de lhe ajudar.

Ele pega a lagarta, delicadamente abre o seu casulo e uma borboleta voa.

Formid�vel, n�o?

Exceto que, privado do esfor�o que deveria firmar suas asas, a borboleta n�o pode voar.

E ele � rapidamente devorado.

Isso quer dizer que n�s n�o devemos uns ajudar aos outros?

Ajudar sim, salvar n�o.

Mas � desumano!

� verdade que � muito humano jogar o salvador, roubar dos outros suas pr�prias responsabilidades.

E... Sebastian?

Trabalhar na rela��o com seus pais vai lhe ajudar na rela��o com Sebastian.

Ent�o vamos fazer.

Eu proponho uma terapia curta, umas 10 sess�es.

Umas 10 sess�es?

S� uma ordem de grandeza, um pouco mais, um pouco menos.

Eu pensei que uma an�lise deveria durar, sei l�... v�rios anos.

N�o se trata de uma an�lise, mas de uma terapia breve.

Eu sou muito impaciente e muito falante para fazer an�lise.

Seu m�todo � melhor?

Se voc� cair numa fossa, o que voc� faz?

Exatamente, sair da merda, tomar um bom banho,

entender como voc� caiu l�, e, em seguida, ler livros de s�bios sobre a merda.

Salvo que, se eu caio na merda � recente, mas parece que problema � mais antigo.

Eu conhe�o muitas pessoas, cujos problemas s�o antigos mas n�o deixam de cair fossa.

Eu conhe�o at� os que a cavam, a enchem, pulam dentro fingindo que os empurramos.

�s vezes eu acho que ningu�m pode me ajudar.

Voc� tem cosquinha?

Sou.

Aqui, por exemplo.

N�o...

Muito bem, o seu c�rebro registrou a lembran�a da cosquinha.

Agora, tente fazer isso sozinha.

� como com os seus problemas. Voc� pode tentar 15 anos sem nenhum resultado.

Mas de repente algu�m chega e, em 2 minutos, consegue.

E, qual o pre�o?

Cada sess�o dura 45 minutos e custa 320 francos.

Mas tenho uma tarifa com desconto para estudantes, 170.

� melhor.

Agora vou precisar de boas notas na escola.

Como assim? Qual a rela��o?

Meu pai me d� dinheiro quando tiro boa nota.

Isso lhe custa caro?

Como assim?

Todos nossos comportamentos geram conseq�ncias: positivas ou negativas.

A terapia � um caminho que leva ao conhecimento de n�s mesmos.

N�o o estrague.

16 em filosofia � forte. Eu nunta tirei uma t�o boa.

Qual � o coeficiente da filosofia?

Eglantine.

Ah, � 7.

Isso te faz contente, eu espero.

Obrigada.

Voc� conhece gente que faz terapia?

Assim, com psic�golo?

Por que voc� me pergunta isso?

� toa. Fiquei sabendo de uma garota que acabou de come�ar.

Quem?

A amiga de uma prima.

Ela parece contente. � compreens�vel, vendo os pais dela...

Por que n�o? Se ela faz por que quer.

E se ela for gostosa.

Estou brincando!

Ela te manda ficar em casa? Ela te prende na aquecedor?

Se n�o fosse pela sua m�e, tudo iria bem com o Sebastian?

J� aconteceu, uma noite, um namorado, como no outro dia?

Eu n�o fico te perguntando coisas.

Voc� quer que a gente fale de mim?

Escute, eu n�o quero me imiscuir na sua intimidade.

Eu sei que n�o � f�cil.

Tou saco cheio, voc� fica a� na sua poltrona, "senhor sabe tudo", "senhor zero-defeito"

T� certo, eu tenho medo, tenho medo de sair do meu ninho, voc� est� contente?

Voc� tem raz�o de esquivar do assunto falando de mim, sabe porque?

N�o tenha pressa de deixar sua neurose, ela a protege.

Ah, claro, isso n�o vem de gra�a, a economia de sofrimento tem um pre�o.

A prote��o custa muito caro.

O que voc� quer que eu diga?

Tudo de bom que voc� pensa de voc�.

A pessoa estim�vel que voc� �, a verdadeira Eglantine.

Por qual objetivo voc� gostaria come�ar?

N�o sei. Talvez sobre aquilo que voc� falava.

N�o mais morder as iscas lan�adas pelos outros?

Na sua opini�o, qual cena, qual comportamento provaria que este objetivo foi alcan�ado?

O ideal, seria que ela me deixasse sair com o Sebastian, sem fazer toda aquela hist�ria.

Ah, o controle remoto para mudar os outros...

N�o, imagine isso: sua m�o vai e, apesar disso, voc� vai sair com seu namorado.

Voc� pode conseguir. Vamos tomar isso como objetivo?

T�...

Voc� consegue me dizer?

Eu vou tentar....

N�o, espera. "Tentar" � muito radical! Voc� vai tentar experimentar, eventualmente.

Eu me sentiria pronta a sair com o Sebastian mesmo se minha m�e me atormenta.

Fran�oise, como foi para voc� a primeira vez?

Voc� se decidiu enfim? T� s�rio com o Seb?

Por favor.

Voc� tem raz�o de fazer, � genial.

Minha primeira vez, eu tive tanto medo do pinto dele que eu sa� correndo.

Voc� fugiu pelada?

Hum, para de ser boba. Eu tinha s� 14 anos. Nunca tive irm�o.

Desculpa. E depois?

Depois eu tentei com um primo, virgem como eu, mas n�o deu certo.

E a primeira vez de verdade?

A primeira vez de verdade foi com o Emanuel...

durante as f�rias, eu n�o entendia nada do que ele me dizia...

e ele tamb�m n�o. Mas como era bom ficar abra�ada com ele.

E no come�o voc� sentiu o que? A sensa��o, como �?

�...

...preenche.

Preenche?

N�o � meio nojento?

N�o, � agrad�vel, � macio. Claro, depende com quem voc� faz.

E dura muito tempo?

Eu n�o fiquei olhando meu rel�gio.

Mas, no come�o, n�o doeu?

N�o, nada.

Se voc� faz com amor, n�o pode fazer mal.

�, talvez

Seb, eu queria que a gente se contasse tudo.

T� bom.

Que a gente falasse todos os segredos, o que a gente faz.

Eu te falo tudo.

Seb, eu comecei uma terapia.

Como? Uma terapia?

Eu te explico depois.

Voc� faz psican�lise, � isso?

Uma psican�lise, uma terapia breve.

Mas � a mesma coisa, n�o �?

- Seb, Seb, o que � uma terapia - Nao te mete.

- Seu psicanalista � bonito? Cuidado Seb... olha a concorr�ncia.

Voc�s s�o uns babacas...

Isso te incomoda?

Sim, porque isso pode ser perigoso.

A terapia, perigosa? Como voc� sabe?

Eu sei, � assim. Alguns psic�logos s�o charlat�es.

As t�cnias s�o as mesmas dos traficantes,

pode virar uma droga e depois voc� n�o consegue mais ficar sem.

Admitamos que seja assim, o que muda pra voc�? Sou eu que me arrisco, n�o �?

Voc� tem medo que eu acabe drogada numa seita?

Por que n�o? Voc� conhece bem seu psi? Como ele �?

Ele �... um fofo, uns 30 anos.

Existem gurus fotos, esses s�o os mais perigosos.

� de voc� que eu gosto, Sebastian.

T� bom, a gente fala depois.

Ei, Seb! Obrigada.

[guru]

18, muito bem.

Como vai sua psicoterapia? N�o � caro?

Eu me viro.

Voc� vai acabar trabalhando num fast-food.

Muito engra�ado...

O Seb continua fiel?

Hoje, voc� tirou o dira pra ser chata, hein?

Da Ville, 8, o que aconteceu?

Um momento de desaten��o?

N�o, n�o. Tudo vai bem.

Oito! O que aconteceu?

Eu n�o sei. Um momento de desaten��o?

Com dois babacas que ficam me zoando?

Eles fazem isso com todo mundo...

Comigo eles s�o ainda piores, ainda mais quando voc� est� junto.

"Ei, Eglantine, voc� me empresta o seu chap�u de palha�o?"

E a�, voc� emprestou?

Eu achava que voc� era mais aberto que isso?

Mais aberto?

Minha m�e fez an�lise, ela n�o era louca, t�?

Mas foi por isso que ela deixou o meu pai.

O que eles fazem � brincadeira, � provoca��o.

�, mais eu n�o quer mais ver esses dois babacas.

Cuidado, porque esses "dois babacas" s�o meus melhores amigos.

Ent�o n�o me force a ter que escolher.

� sempre assim sua terapia?

Unicamente nos casos grav�ssimos.

Eu sinto muito, a dor se acumulou, agora voc� aceita de deix�-la sair, � normal voc� a sinta.

Por que eu me sinto mal desse jeito?

Fale pra mim, � por causa do que?

Eu tenho bastante convic��o, mas n�o tenho todas as respostas.

Sen�o eu teria feito uma outra profiss�o.

As respostas se encontram em voc�, voc� que procur�-las ou n�o?

Quando seu pai critica sua m�e, voc� a defende?

E isso n�o � normal?

Imaginemos que voc� deixe de se defender.

Voc� quer que eu me deixe massacrar?

N�o, mas voc� n�o � um interruptor com duas posi��es, ligado e desligado.

Voc� pode tentar outros comportamentos.

Quais?

A ironia, por exemplo, senso de humor.

Voc� quer que eu ria quando me atacam.

Talvez seja uma solu��o eficaz para voc�, mas n�o.

O que?

N�o, eu n�o tenho certeza que voc� aceitaria. � um pouco delicado.

O que? Que hist�ria � essa?

Quando algu�m falar mal de voc�, eu proponho que voc� diga a pior coisa de voc� mesmo.

Voc� n�o tem um plano mais idiota?

Imagine que voc� tenha um nariz imenso.

Algu�m tira um sarro de voc�. O que voc� faz?

Voc� pode chorar, bater no seu interlocutor, lhe insultar, matar ele.

Ou voc� pode cortar o nariz, fazer uma cirurgia pl�stica...

Mas voc� tamb�m pode dizer. "N�o, ele � pequeno, meu amigo."

Poder�amos dizer, de forma repugnante. Variando o tom, por exemplo, agressivo.

Eu, se tivesse um nariz desse tamanho, eu o cortaria num serralheiro.

Ou, amigavelmente, se eu...

T� bom, eu j� entendi.

Isso tudo � a com�dia. Mas eu n�o tenho coragem de fazer isso.

Voc� v�, eu n�o deveria ter sugerido.

N�o, n�o � isso; � que eu me sinto t�o mal quando me atacam.

Voc� quer treinar um pouco?

Treinar o que?

Eu te digo uma besteira qualquer. E voc� treina a n�o revidar.

Agora, neste momento?

Se voc� quiser...

Isso funcionaria melhor se voc� tirasse sua roupa.

O que?!!! Eu n�o vejo a rela��o!

Ah, voc� j� tinha come�ado?

S�o bonitas essas cores que n�o combinam.

N�o � verdade, eu tenho roupas...

Puta merda, eu n�o sei o que responder.

Primeira regra: n�o se defenda. Nada de "n�o, n�o � verdade".

O que � que eu posso dizer?

Segunda coisa: v� no mesmo sentido, "sim, voc� tem raz�o"

Terceira regra: voc� acrescenta algo.

No mesmo sentido?

Exatamente. Ent�o quando eu digo que voc� est� mal vestida...

Sim, voc� tem raz�o, eu estou mal vestida...

... e, ainda mais, eu pare�o um cruz-credo.

Sim, perfeito, voc� encontrou a boa f�rmula. "Sim, e ainda mais"

Vamos recome�ar?

Pra que recome�ar, fedorenta?

N�o mas, pera�, voc� foi um pouco longe demais.

Escuta, se voc� n�o consegue nem responder aos meus insultos, a gente n�o vai muito longe.

Ou voc� para de ser afetada ou....

Eu n�o sou uma afetada!

Eu sou... uma fresca. � isso.

Uma fresquinha ou uma grande fresca?

Uma muito grande fresca. Uma enorme. A mais fresca do mundo!

Bravo!

Agora eu preciso brigar com o Sebastian pra ver se isso funciona.

Voc� quer um bolo?

Voc� me compra um com a��car? Parece o meu pai.

Eu s� queria te oferecer um bolo, s� isso.

Isso � o que voc� diz.

N�o, � o que eu vou fazer. Voc� quer um bolo, com ou sem a��car?

Eu n�o quero o seu dinheiro.

O que te aconteceu?

Voc� sabe por que eu te ofere�o um bolo? � para comemorar uma coisa.

Ontem � noite uma menina me paquerou. E eu resisti, sem ceder � tenta��o.

Puta merda, incr�vel, o Senhor n�o olhou para as outras meninas?

O que t� acontecendo? Onde est� a c�mera escondida?

Sabe de uma coisa? Aquela brincadeira do dicion�rio foi p�ssima.

Eglantine, isso � coisa do passado, a gente j� conversou eu j� pedi perd�o.

�, mas... mesmo assim.

Voc� quer saber como eu fiz para resistir � garota?

Eu pensei em voc�.

Eu te juro que eu n�o me reconheci, porque em uma outra �poca eu teria...

enfim, n�o importa.

Eu fiz tudo errado, eu sou um desastre.

� minha culpa. Vamos esquecer a ironia, por enquanto.

Voc� acha que eu sou uma marionete?

Certamente que n�o. A gente trabalha juntos, Eglantine.

Compreenda que eu tamb�m posso errar.

O que voc� est� fazendo?

Nada.

Como, assim, "nada"? Voc� t� mexendo nas minhas coisas!

Imagina, eu estou s� arrumando. De vez em quando precisa de uma limpeza.

Pode deixar, eu mesmo limpo. Vamos, sai daqui.

Eglantine, eu sou sua m�e, eu te proibo de falar nesse tom.

Eu eu te pro�bo de mexer nas minhas coisas.

Melhor assim, eu vou cozinhar minhas ervilhas.

� isso, vai cozinhar suas ervilhas.

Ainda tem 15 minutos.

Voc� est� em c�lera? Triste? Culpada?

Perdida.

Doendo muito as costas.

O que voce gostaria para voc� neste momento?

Desaparecer daqui.

N�o, neste momento na sua vida. Do que voc� realmente gostaria?

Que me deixem em paz. Que me deixem viver.

Deixem voc� viver... alguma pessoa em especial?

Ela.

Sim.

Minha m�e.

Imagine que eu sou sua m�e.

O que voc� gostaria de me dizer, aqui, agora?

Eu quero que ela me deixe em paz.

Diga, "mam�e, me deixe em paz."

Voc�s n�o se parecem muito.

Voc� pode muito bem me colocar no papel dela.

Eglantine, voc� quer me dizer alguma coisa?

Me deixe viver.

Como? Eu n�o escutei.

Me deixe viver.

Eu n�o entendi.

Voc� n�o tem coragem de dizer olhando para mim?

Mam�e, me deixe viver, eu te suplico.

Como?

Me deixe viver.

Ah, assim est� bem, minha filhinha, voc� me pede permiss�o, voc� tem raz�o: eu que decido.

Eu n�o estou te pe�o permiss�o. Eu a pego.

Deixe-me viver, deixa-me em paz!

O que voc� disse?

Deixa-me em paz!

Como?

Me deixa em paz!

Como?

Me deixa!

Como voc� se sente?

As costas?

Est� melhor.

Bom, a tens�o se libera.

Obrigado.

O que voc� est� fazendo aqui?

Com eu fico de uniforme?

Com o que ganha seu pai, voc� precisa disso?

O que voc�s querem comer?

Dois menus Hot-tower, um menu Hot-twist e 3 cervejas.

Sabe de uma coisa, Seb, parece que os psic�logos s�o t�o loucos quanto os clientes.

Ah �, como � o seu, Eglantine?

Ah, ele � super interessante. Mas...

n�o tanto quanto eu, porque, voc� sabe, me falta um parafuso.

D� 107 francos, por favor.

Eglantine, ela � realmente louca.

Colocar um neg�cio de batatinha na cabe�a j� tendo um chap�u, n�o d� pra entender...

Eu tenho 10 minutos de pausa.

� suficiente, o que voc� acha?

A gente vai no banheiro, dar uma rapidinha.

N�o � isso que te interessa?

Vamos l� Seb, n�o temos o dia todo; sen�o voc� vai achar outra menina, tem que ser agora.

N�o?

Puta merda, voc� n�o sabe mesmo o que quer...

Uau, vou falar pras minhas amigas trabalharem aqui.

Por que voc� disse n�o? Voc� � bobo? N�o era isso que voc� queria?

Se voc� n�o se interessa eu posso ir no seu lugar.

Para com essa bobagem.

Minha bobagem? Voc� que enche o saco com sua Eglantine.

Abre os olhos, voc� n�o � o mesmo, ela t� virando a sua cabe�a.

Voc� est� desapontada.

Claro, voc� me disse de terminar com o Sebastian e eu n�o consigo.

Parar eu consigo.

Voc� fez de prop�sito?

� um truque?

O que conta � que voc� seja cooperativa ou que fa�a voc� mesmo?

Que seja um truque ou que funcione?

Mas, por que ele � assim, Sebastian?

Ele � super simp�tico, e bonit�o.

E agora ele me rebaixa.

Existem os jogos de amigos ao mesmo tempo meigos e cru�is.

� verdade...

A gente j� falou sobre isso?

A rela��o fica mais suculenta, assim. Um carinho, um tapa; um carinho, um tapa...

Faz circular o sangue.

Uma pequena mudan�a � um bom come�o.

Como um peda�o de roupa que desfia.

O que h�?

A gente precisa parar.

Parar o que?

Parar.

Voc� n�o me ama mais?

Eu n�o sei.

Mas... n�o � poss�vel, o que eu te fiz? Voc� tem outra?

N�o, mas n�o quero mais, � s� isso.

Sua m�e, onde est�?

Deitada.

Que espet�culo!

Voc� tem raz�o, � lastim�vel.

Eu me pergunto por que voc� casou com ela.

Se eu fosse voc�, me casaria com ela na escadaria, um dia que ela estivesse b�bada.

Eu te pro�bo, t� me escutando? Eu te pro�bo!

Super bom seu neg�cio: o Sebastian me deixa, meu pai me bate, fa�o uma crise de f�gado...

Voc� tem outra sugest�o genial?

Essa � a metade vazia do copo. O que voc� pensa da outra metade cheia?

Eu n�o penso nada, eu n�o tenho um copo.

Todos n�s temos um copo.

Eu n�o.

Oh! pobre senhora da Ville...

Isso te lembra de algu�m? Essa maneira de reclamar?

De toda forma, na metade cheia do copo, que voc� n�o tem, voc� conseguiu quebrar dois jogos.

Um com o seu pai, o outro com Sebastian.

E voc� chama isso de "sucesso"?

Se voc� morrer amanha, n�o.

Mas se voc� pensar no longo termo, sim, � um "sucesso".

Mas eu tamb�m consegui ficar doente.

� bom saber que voc� continua humana, voc� tem direito a trope�ar.

Sua doen�a � uma prova do seu progresso.

Eu j� tinha crises de f�gado antes de come�ar a terapia.

Isso � verdade. Para mim tamb�m.

Foi gra�as a essa terapia que Sebastian te largou e que seu pai te deu um tapa, n�o?

Voc� se liberta. O fato dos seus pr�ximos n�o gostarem,

porque eles estavam habituados, n�o � o mais importante.

�, mas a metade vazia est� bem pesada.

A gente nota que voc� tem uma m�e alco�latra e depressiva e um pai ausente.

Voc� tem raz�o, eu n�o sei o que � isso. Eu tive muita sorte.

Minha m�e era hist�rica e eu tive v�rios pais, cada quais mais inadequado que o outro.

A gente troca?

N�o, tudo bem.

Sebastian...

Sebastian era diferente dos outros, voc� compreende?

Francamente, eu n�o compreendo. Porque tudo o que eu te disse era para uma pessoa normal.

Mas voc�... a pessoa mais fresca do mundo, que nem tem um copo, eu n�o sei...

A menso que voc� vendesse suas bochechas... j� que elas atraem tapas.

Vamos l�, 300 francos cada bochecha?

Eu prefiro vender tapas que vender minhas bochechas.

N�o � um com�rcio f�cil. � preciso encontrar pessoas t�o mazoquistas quanto voc�.

Para voc� ser� gratuito.

Eu te suplico, n�o me bata.

Voc� n�o tem op��o, eu sou sua �nica cliente.

Deus do c�u! Eu fui desmascarado!

Voc� v�? Mais uns 30 ou 40 anos de terapia breve e voc� vai aprender a pegar leve.

[frases em ingl�s]

Voc� est� treinando, Sra. da Ville?

Eu estou de saco cheio...

... dos seus chicletes, dos seus atrasos, dos seus celulares, dos "pap�iszinhos"...

Vamos l�, como a gente fala: "Sebastian, n�o me abandone."

Vamos l�, traduza.

Se voc� for a Inglaterra, voc� ficar� feliz de saber como se diz isso, "abandonar".

Senhorita da Ville, caiu sobre voc�, eu sinto muito, mas estou de saco cheio.

Ent�o, ou voc� me traduz ou vai ver o diretor com comunicado para os pais.

Como se diz "abandonar"?

"Forsake"

Isso, "forsake".

Tamb�m podemos dizer "abandone".

Ent�o: "Sebastian don't forsake me". Depois: "Eu estou mudando"...

"I'm changing"

Bem. E depois?

"I love you"

Muito bem!

� voc� o Sebastian do recadinho?

Isso � meu problema, n�o?

Mas vir � escola s�bado � tarde, tamb�m � seu problema, n�o?

Estou te ouvindo, o que voc� responde?

"Let me know when you have changed."

Bem. Quem pode traduzir?

"Me d� um sinal quando voc� tiver mudado"

Perfeito! V�em? As l�nguas, podem ser bastante pr�ticas!

Mais algu�m tem algo para traduzir?

Vou parar a terapia.

Ah, ter vontade de parar faz parte do caminho.

Mas voc� n�o atingiu seus objetivos.

Eu sei. Quero parar, vou parar.

Ok

Sendo assim, eu proponho que a gente se veja uma �ltima vez, para terminar.

Se voc� quiser...

Voc� vai na festa da Charlotte, s�bado?

�, talvez.

Ent�o, at� s�bado.

Na verdade, eu tenho uma not�cia ruim para os seus amigos.

Eu parei a terapia, eles v�o ter que encontrar outra coisa pra me encher.

Oie!

Oie, o que?

Voc� me pediu para dar um sinal quando tivesse mudado, ent�o estou dando: oie!

Voc� parou com a terapia, o psiquiatra n�o queria dormir com voc�?

N�o � verdade, voc� s� tem isso na cabe�a?

Eu tamb�m pensei e acho que voc� tem raz�o.

Parar a terapia, agora, traz muitas vantagens.

Voc� n�o � a mesma Eglantine.

Isso lhe custou alguns momentos de dor, mas acho que valeu � pena.

E, parando agora voc� pode evitar outros momentos de dor. Faz sentido.

Voc� est� tirando com a minha cara?

N�o, mas voc� tomou essa decis�o em vista dos pontos positivos.

A parte cheia do copo.

E a parte vazia?

Senhoria, que voc� continue ou pare a terapia, se interesse mais � parte cheia da sua vida.

A Eglantine que voc� ama.

Voc� est� desapontado?

Para ser honesto com voc�, sim, eu estou desapontado.

Talvez eu tenha ido um pouco longo demais, talvez n�o tenha percebido algo.

Mas eu n�o posso pensar que eu controlo tudo.

Uma terapia n�o � controlar uma m�quina.

� colaborar com um ser humano. E o ser humano �....

...� rico, complexo, imprevis�vel.

Ent�o, de vez em quando a gente n�o vai at� o fim.

Eu tenho que aceitar.

Alo.

Bom dia, senhora, � a Fran�oise, a Eglantine est�? O celular n�o responde...

N�o, Fran�oise, Eglantine saiu.

Ah, t�... ah! � verdade, ela me disse que ela ia no psi.

- Desculpe, eu ligo mais tarde. - Ah!!!

Ah!

O que voc� disse? Minha filha vai num psi? Tem certeza?

N�o, n�o... n�o foi isso que eu disse.

Eu disse que ela ia na casa na Nancy.

Nicolat Nancy, � um amigo da escola.

Bom, eu preciso ir, Sra. da Ville, tchau.

Parece que voc� faz uma an�lise.

Talvez.

N�o, n�o � talvez. � sim ou n�o. E se for sim...

Voc�s querem que eu pare?

Talvez esteja na moda, aqui ou l�, mas voc� n�o precisa.

Ah, est� certo, isso � reservado aos loucos. Mas e se a decis�o for minha?

Eglantine, n�s ainda somos seus pais e voc� ainda � menor.

Voc�s est�o dizendo que se eu continuar v�o me cortar a mesada?

Espero que voc� n�o pague a terapia com o dinheiro que eu te dou.

Por que? Eu n�o trapaceei.

Faz anos que voc� me d� uns trocados.

E voc� nunca disse o que eu deveria fazer com ele.

Quando eu tiro uma nota ruim eu te digo.

O me for�ou a achar uma outra renda.

Ai meu deus!

Sim, voc� adivinhou. Eu me prostituo na escola.

� duro, mas paga bem.

Minha filhinha...

Mas... n�o! eu trabalhei num "fast-food".

E eu n�o sou sua filhinha, cacete.

Bom, j� chega! Pare com isso.

Escuta Eglantine....

Talvez a gente n�o tenha sido pais perfeitos.

A gente te criou o melhor que pudemos. N�o � f�cil, talvez nos tenhamos errado.

Mas da� a voc� nos odiar...

Mas eu n�o odeio voc�s.

Eu os agrade�o de ter me ensinado a resolver meus problemas sozinha.

Oi, tudo bem?

Oi Seb.

Meu caro, n�o demorou muito pra te substituir.

Ei Seb, voc� n�o me empresta uma camisinha?

Vai, tenho certeza que voc� tem v�rias.

Bom, deixa pra l�, vou pedir para o Rom�o.

Porra, voc� n�o � fraco, hein? Criou uma ninfoman�aca!

Que porra � essa, n�o me diga que voc� vai transar com ele?

E por que n�o?

Cala a boca, voc� n�o sabe nem colocar uma camisinha.

Eglantine, vem aqui dois minutos para a gente conversar.

S� dois minutos!

Me espera, eu volto.

Eglantine, n�o � poss�vel, voc� n�o pode fazer tamanha besteira.

Com ele � uma besteira, mas com voc� n�o?

Voc� n�o ama ele.

O que voc� sabe?

E voc� conhece alguma coisa do amor?

Eu n�o suporto te ver com ele.

� uma sensa��o estranha.

O ci�mes n�o � amor, Sebastian.

Eu n�o sei.

Tem garoto que acha que pegar menina � dificil....

e deix�-la � dif�cil.

E com voc�, nesse momento, estou aprendendo que...

o mais dif�cil... � amar.

Puta merda, como � dif�cil isso!

Mas eu tenho vontade.

Com voc�!

Sebastian, eu te quero.

Agora? Aqui?!!!

Quer que eu coloque uma?

Sim.

Voc� n�o acha que eu tenho alguma coisa?

Ah, n�o, claro que n�o, � que eu estou cheia de doen�as ven�rias.

� melhor voc� colocar uma.

Talvez a gente esteja se precipitando um pouco. A gente podia esperar...

Voc� n�o t� mais a fim?

Voc� vai ver, � genial.

Devagar.

Foi bom?

Foi.

Me abra�a.

E para voc�, foi bom?

Voc� ainda me ama?

Claro que sim.

Eu sou uma besta!

O que aconteceu?

A gente fez amor.

R�pido, mal.

E...

N�o sei se foi o Seb que... ou se eu que sou fr�gida...

eu n�o senti nada.

Foi a primeira vez?

Foi.

Fr�gida j� � um bom come�o para uma primeira experi�ncia.

Voc� j� se masturbou?

Desculpe, voc� chegou cedo, eu n�o tive tempo de mudar desde a �ltima vez.

Quero dizer, eu estou contente de te ver.

Isso � importante?

Sim, j� aconteceu de eu...

...v�rias vezes.

E?

Foi agrad�vel.

Quando voc� come�a a aprender ingl�s, voc� j� � bilingue, normalmente?

Voc� disse que dormiu fora de casa, voc� considera que atingiu seu objetivo de terapia?

N�o, minha m�e nem sabe disse e... n�o.

Bom, e se eu me encontrasse com ela?

Com a minha m�e, para cur�-la?

N�o, para ajudar com a sua terapia.

Eu ficaria muito surpresa que ela aceite.

Sabe o que o terapeuta me pediu?

Prefiro n�o falar disso.

Espera, ele pediu para voc� ir falar com ele.

O que?

Claro, n�o para fazer uma terapia, voc� n�o precisa disso, evidentemente.

� para que voc�s possam falar sobre mim.

E ent�o?

Eu disse que n�o. Que eu recusava de colocar minha m�e nessa hist�ria.

Sou eu que tenho problema.

� mas, se isso puder te ajudar...

�, talvez, mas... eu n�o concordo com o princ�pio.

Enfim, se isso pode te ajudar, � dif�cil de recusar.

Mam�e, eu n�o quero te encher com isso.

Enfim, Eglantine, sou eu que decido se eu quero ou n�o.

N�o � grande coisa de encontrar esse senhor.

Ali�s, vamos ligar para ele agora, assim j� fica acertado, voc� tem o n�mero?

De qualquer jeito, qual � o risco?

De acabar drogada numa seita.

Eu acho que voc� tem bastante coragem de, eu diria...

... de guardar a Eglantine perto de voc� e freiar as sa�das dela com os garotos.

Enfim, n�o se pode dizer que eu guardo Eglantine perto de mim.

Numa outra �poca a maioria dos pais tentavam se separar o m�ximo de seus filhos,

ou ent�o lhe dar muita liberdade, sob o pretexto de que eles deveriam adquirir sua autonomia.

Agora, sua escolha de uma educa��o atentiva � uma escolha dif�cil.

� at� mesmo um verdadeiro sacrif�cio.

Enfim, em suma, acredito que Eglantine n�o tem porque reclamar de uma m�e t�o cuidadosa.

Por que voc� foi ver esse "guru"?

Eu fui pela sua filha, n�o por mim.

E ent�o? Ele fez perguntas?

N�o, ele falou...

Foi... inesperado.

Cristian.

Ol�, querido.

Sente-se, eu pego um prato.

Papai.

Est� de folga?

Sim, tenho uma semana.

O que voc� fez?

Mudou o penteado?

N�o.

Emagreceu?

Tamb�m n�o.

Sua irm� est� fazendo psican�lise. E sua m�e fica de fofoca com o psi dela.

N�o � uma psican�lise, � uma terapia breve.

Que voc� pensa?

Que voc�s n�o morram de t�dio enquanto eu estiver longe.

Ah, isso.... a vida continua.

Coma, Cristian, coma.

Em todo caso, sua visita � oportuna.

Eu queria aproveitar que todos est�o aqui. Para dizer uma coisa importante.

Eu decidi alugar um kitnet na cidade.

Como voc�s s�o grandes agora e t�m sua autonomia...

Bem, � isso.

Para deixar mais claro.

Voc� sabia, mam�e?

Seu pai passa por uma pequena crisa, mas logo vai voltar.

Voc� acha que ele tem uma amante?

O que ele quis dizer com "voc�s tem sua autonomia"?

N�o � por minha causa que ele deixa mam�e.

Como voc� quer que eu saiba?

Em primeiro lugar, ele nem disse que estava deixando a mam�e.

Eu tenho direito de fazer uma terapia, merda!

Tem um trem �s 8h33 amanh� de manh�.

Voc� parte?

Ah, merda.

Eu me pergunto se voc� contava vir como tele-transportador.

Freud tem uma teoria bastante interessante sobre o esquecimento, voc� sabia...

N�o foi um esquecimento. Meu pai nos deixa.

Ah, e isso te faz mal?

Talvez que � porque eu fa�o essa terapia.

Eu nunca deveria ter pedido a minha m�e que fosse falar com voc�.

Eu queria que tudo ficasse em ordem, mas eu n�o vejo a solu��o.

Eu compreendo. Voc� est� perdida.

Ou eu continuo ou eu paro. Mas eu n�o desejo nem um nem outro.

Escuta, eu te ligo depois.

Sou eu de novo. Eu fiz mal de aceitar suas desculpas e pe�o que respeite nosso contrato.

O qu� que eu posso fazer?

Entre parar por causa dos seus pais ou continuar por causa dos seus pais

voc� v� alguma outra coisa?

O que?

Na sua opini�o?

Diz pra mim, j� que voc� sabe.

Eu recuso a tirar a borboleta do seu casulo.

Merda.

� Eglantine. Ent�o a terceira solu��o � continuar por mim e n�o pelos meus pais.

� agrad�vel ter pacientes como voc�.

Um acidente.

Voc� come�ou a terapia?

N�o foi por causa disso que eu queimei o urso.

Isso eu imagino.

S� queria saber onde est�vamos.

Ent�o, integral de 1/X - 1/X raiz quadrada �?

Log de X + 1/X + constante.

Voc� v�, a gente se entende muito bem.

Desse jeito eu vou acabar gostando.

Se eu dissesse que voltei para a terapia, o que voc� faria?

Eu n�o ligo, desde que voc� n�o me pe�a para fazer uma.

Na verdade eu n�o sei como voc� era antes, mas agora eu te acho bastante legal.

Eu estou pronta.

A que?

Estou pronta a sair com Sebastian hoje � noite.

A fazer minha m�e compreender e resistir � sua chantagem.

Como est� sua rela��o com Sebastian?

Est� melhor.

Por que?

Imagine uma noite. Voc� tem muita vontade de ver Sebastian.

Voc� pode fechar os olhos se preferir.

Respire tranquilamente.

Voc� v� o rosto de Sebastian.

Que traz seu sorriso.

Voc� tem muita vontade de estar nos bra�os dele.

Agora voc� volta um pouco no tempo.

Voc� est� em casa, pronta a sair.

Voc� sabe que sua m�e decide passar a noite da forma que ela quiser.

E voc� escolhe Sebastian.

Voc� pode confiar no seu esp�rito inconsciente.

Para encontrar for�as e viver aquilo que voc� realmente deseja viver.

Voc� tem de abandonar sua m�e.

Eu n�o te abandono, mam�e. Eu saio.

E voc� sabe de uma coisa? Eu j� fiz amor com o Sebastian.

Foi tudo bem. Ele n�o me largou.

Ent�o voc� n�o precisa mais disso.

N�o vai demorar!

Ele n�o te largou, mas n�o vai demorar. Porque eles s�o todos iguais, todos iguais.

Eles te seduzem, aproveitam bastante de voc� e depois te descartam.

� a hist�ria das mulheres, minha filhinha.

� isso que voc� me transmitiu durante 17 anos.

Puta merda!

Mas eu n�o quero mais sua maldi��o de merda. A partir de hoje, me deixa em paz.

[telefone tocando]

Al�.

Sim. Senhora Da Ville, o que...

Mam�e, me deixa em paz!

Tudo bem?

O que a gente faz?

Vamos embora.

Lembra quando voc� disse que meu tipo era de dormir com um homem segurando na m�o?

Eu sou esse tipo de menina.

Isso que voc� quer fazer hoje � noite?

Espera, c� t� brincando, n�o � poss�vel!

Voc� n�o precisa contar pros seus amigos.

Voc� apaga?

Eu nem estou com sono.

Eu te amo.

Mam�e!

N�o me encosta! Se voc� encostar eu salto.

Mam�e, eu te suplico, des�a.

Eu estou bem aqui. Eu contemplo meu porvir.

Recue sen�o eu salto.

Por que voc� faz isso?

Para distrair. Seu pai se distrai, voc� se distrai. Eu tamb�m quero me distrair.

Voc� bebeu?

N�o.

Enfim, um pouquinho ontem � noite.

Faz quanto tempo que voc� est� a�?

Eu n�o sei.

Uma hora talvez.

Eu passei toda a noite pensando.

Voc� vai voltar, voc� n�o vai me abandonar desse jeito.

E, n�o, voc� n�o voltou.

A� eu entendi que eu n�o sou ningu�m.

O que voc� quer agora?

Voc� quer que eu te pe�a perd�o? Que eu largue o Sebastian?

Voc� faz o que quiser, minha filhinha...

N�o, eu n�o fa�o o que eu quero.

Voc� acha que � f�cil com uma m�e que surta?

Eu vou saltar, Eglantine, eu n�o posso mais...

Eu n�o farei falta a ningu�m.

- Mam�e, pare. - � tarde demais.

Mam�e!

Mam�e eu n�o quero te perder.

Mas se voc� saltar...

... eu n�o pensarei que � por minha causa,

nem por causa do papai, nem de qualquer outra pessoa.

Eu direi que � por causa de alguma coisa dentro de voc� que te repugna.

E eu ficarei triste, mas t�o triste...

Minha grande filha.

Minha grande filha.

Bravo!

Bom, eu acho que atingi o objetivo.

Efetivamente.

Meus problemas n�o est�o todos resolvidos.

Ah, n�o, n�o, mas bom...

Se faz noite de vez em quando, isso n�o quer dizer que o sol n�o existe mais.

Voc� saiu da merda, tomou um bom banho,

agora pode tentar entender como foi que voc� caiu l�.

Ah, ainda quer me vender suas baboseiras.

Bebida para acompanhar?

N�o precisa, agora eu encho meu copo sozinha.

Mas eu te escuto, qual � sua baboseira?

Existem t�cnicas diferentes, que podem te ajudar superar outras etapas, mas s� se voc� precisar.

- Obrigado. - Eu que lhe agrade�o.

Voc� me autoriza contar sua hist�ria um dia?

Sim.

Ent�o, Sra. da Ville.

Voc� cura infidelidade?

Eu n�o curo infidelidade com medicamentos.

Mas eu ajudo pessoas que s�o infi�is, e que sofrem com isso.

Para mim, a infidelidade n�o � uma doen�a, talvez um sintoma de um problema conjugal.

� voc� que � infiel?

N�o, � meu marido.

Ele tem um grande problema e eu gostaria que voc� cuidasse dele.

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