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"Em seu auge, o Imp�rio Otomano se estendia...
da Alg�ria at� a Ar�bia e Europa.
Era igual, em poder e tamanho, ao Imp�rio Romano...
quando finalmente, a for�a do Imp�rio come�ou a falhar...
e a autoridade do sult�o foi desafiada.
Havia muita luta interna contaminada por viol�ncia...
e derramamento de sangue.
Foi tamb�m desta �poca as hist�rias sobre estrangeiras...
sendo seq�estradas e vendidas para o har�m do sult�o.
For�adas a um tipo de vida e cultura...
que nunca souberam existir, a seguran�a delas estava em jogo.
Estas mulheres ocidentais...
eram for�adas a viver de modo oriental."
"HAR�M"
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Olha o que fez, espantou as aves.
�s vezes penso, querida, se seria poss�vel...
que simplesmente atirasse na ave, sem ser dram�tica.
-Eu o decepcionei? -De modo algum.
S� n�o sei se, agir como Annie Oakley...
ser� apreciado na embaixada.
Minha m�e tamb�m n�o gostava. N�o considerava feminino.
Mas prometo que a futura Sra. Charles Wingham...
ser� um modelo de decoro.
S� estou tentando planejar tudo como sua m�e o faria.
Acho que oito damas de honra seriam adequadas...
para um casamento deste tamanho.
Tamb�m deve decidir como ser� o vestido delas.
As provas sempre levam mais tempo do que se imagina.
O que h� de errado com um casamento simples, Lilly?
� sua �nica filha, n�o quer que se case adequadamente?
Quero que seja feliz.
Jessica ser� mais feliz...
se come�ar a vida de casada corretamente.
O bule nunca deve tocar na x�cara, querida.
Desculpe, tia Lilly.
A lista dos convidados deve ser discutida...
para se saber quantos convites ser�o encomendados.
Jessica, deve decidir o padr�o de sua prataria imediatamente...
para que seja entalhada adequadamente.
O que achar melhor, tia Lilly.
Depois do caf� da manh�...
devemos escolher as flores da igreja. E a m�sica.
C�us! H� tanto o que fazer!
N�o seria melhor fugir com o homem que ama...
e s� se casar?
-Jessica! -Desculpe.
Sei que tudo ser� perfeito.
Sabe que amava Kathryn, que Deus a tenha...
mas por que teve que se casar com uma americana?
A Inglaterra tem vis�o curta. Continua apoiando o sult�o...
ainda que ele esteja cada vez mais impopular.
Temos que fazer neg�cios com quem est� no poder.
No Imp�rio Otomano fazemos neg�cios com o sult�o Hasan.
Suponho que o czar da R�ssia tamb�m venha a cair.
-Charles, viu Jessica? -Eu a vi na escada com as primas.
Foi na Embaixada Brit�nica em Washington.
-Charles era um adido l�. -Com que roupa estava?
-N�o me lembro. -N�o se lembra o que usava?
-Lembro da roupa dele. -Veja! Jessica, � lindo!
-Onde vai usar? -Na cama. � uma camisola, tonta!
-Ningu�m ver� esse bordado. -Charles ver�!
-Quieta. -Sei como s�o os casados.
Descobriu que estava apaixonada quando ele a beijou?
Sei o minuto exato. Jog�vamos bridge.
Eu, Charles, meu pai e algu�m da Embaixada Francesa.
� uma tolice.
Levantei a cabe�a e Charles olhava preocupado para as cartas.
N�o � bom jogador.
Olhei para ele e soube.
Deve ter-me visto encarando-o, pois quando levantou a cabe�a, sorriu.
Leu meus pensamentos.
Ebony, Victoria, Charlotte. Aqui est�o todas.
Des�am imediatamente.
-Voc� tamb�m, querida. -Tia Lilly, posso fazer uma pergunta?
N�o pode deixar seda jogada em uma cadeira.
-Como �? -Como � o qu�?
Estar casada.
Voc� se acostuma.
Poderia me beijar?
Quando garotinha...
n�o sabia o que os casais faziam com o nariz quando se beijavam.
-Ainda � uma garotinha. -Ser� um marido rigoroso?
Vou reinar com m�o-de-ferro.
N�o precisa. Pretendo ser uma �tima esposa.
N�o poderia ser outra coisa, querida.
Quisera me casar amanh� e n�o daqui a 3 longos meses.
-Jessica j� desceu? -Algum problema?
Minha licen�a foi cancelada. Devo ir para Damasco j�.
-Mais tumultos? -Receio que sim.
O embaixador Grant vai mandar o relat�rio.
-Quando vai partir? -Amanh�. Lamento, querida.
Bem, o casamento dever� ser adiado.
-Quanto tempo ficar� longe? -Podem ser meses.
Charles!
Talvez o casamento n�o precise ser adiado.
Como assim?
Casamos na embaixada em Constantinopla.
Um casamento na embaixada?
N�o seria t�o elaborado como o daqui...
N�o ligo para isso, contanto que fique com voc�.
Posso ir com voc� a Damasco e...
Jessica, ele parte amanh� cedo.
Voc� ir� tamb�m. N�s tr�s.
Nem a tia Lilly pode dizer...
que um casamento na embaixada � inadequado.
Por favor, papai.
Claro, o senhor decide. O que achar melhor.
Bem...
eu nunca fui a Constantinopla.
Tia Lilly!
Tia Lilly!
N�o temos um minuto a perder!
Eu sei, querida.
N�o entende. Partirei amanh�.
-Ajude-me a fazer as malas! -Do que est� falando, querida?
Talvez Lilly deva vir conosco, para terminar sua educa��o...
e lhe dizer o que precisa saber.
-Nem a preparei para ser esposa. -O que tanto preciso saber?
Sei de garotas tolas que aprenderam facilmente.
N�o se preocupe. Eu me acostumo.
Sr. Gray, quero lhe apresentar Lady Ashley.
-Pedi que ficasse conosco. -Que encanto!
Ele nos ofereceu ref�gio.
Parece que n�o h� lugar para todos em meu compartimento.
� uma companheira de viagem, ent�o?
Ando por todos os lugares.
Mas meu lar � em Damasco.
Mesmo no deserto, � preciso ter ra�zes.
Lady Ashley � a inglesa mais famosa de Damasco.
Dizem que � mais f�cil ter uma audi�ncia com o sult�o...
que obter um convite para uma de suas soir�es.
� delicado demais. Infame � uma descri��o mais fiel.
Meu Deus!
Jessica, feche a cortina, j�.
Mantenham sil�ncio absoluto.
Rolic, venha c�!
N�o entendo.
O que os bedu�nos querem com os homens do sult�o?
Retalia��o.
Os bedu�nos sempre se insurgem com quem tenta govern�-los.
Praticamente uma tradi��o.
Os jovens que viram n�o eram bedu�nos...
mas um grupo de rebeldes turcos?
-Imposs�vel. -S� uma teoria.
Mas h� quem creia que os jovens rebeldes turcos...
estiveram atr�s de cada insurrei��o no Imp�rio...
nos �ltimos tr�s anos.
-Revolucion�rios, ent�o? -Claro.
� imposs�vel ter uma revolu��o sem eles.
Por centenas de anos...
ningu�m foi capaz de reunir gente para se levantar contra o sult�o.
Mas estes rebeldes s�o diferentes. Estiveram no exterior.
Foram influenciados por id�ias do Ocidente.
Descobriram um modo de vida e querem traz�-lo para casa.
Mas � t�o ruim aqui?
O povo daqui est� sujeito aos caprichos de um s� homem...
que tem o direito de determinar vida ou morte.
� duro de entendermos.
Temos um sistema que garante os direitos humanos b�sicos.
Esta gente n�o tem nada:
N�o t�m recursos, direitos, nem esperan�a.
N�o defendo o que o sult�o Hasan fez...
apenas a posi��o diplom�tica da Inglaterra.
Que �?
Que estes revolucion�rios n�o t�m for�a, nem apoio...
para derrubar o sult�o.
Como eu disse, � s� uma teoria.
Mas n�o a faria muito popular na embaixada.
Um destino, garanto, ao qual estou bem acostumada.
Ainda assim, acho que os rebeldes a levam a s�rio.
S�o os mestres do disfarce...
e surpreendentemente astutos para homens t�o jovens.
Lutar nas sombras, atacar e fugir.
Quando mostraremos nossa opini�o?
Opini�o? Com este punhado de homens?
Continuaremos atacando por todo o imp�rio...
fazendo o sult�o sentir nossa presen�a, para onde se virar.
N�o poder� nos ignorar por muito mais tempo.
E se ignorar?
Os cupins, se persistentes, podem destruir um pal�cio.
Sabe, Hooks, nunca escreveu sobre o amor.
� sobre isso que vai escrever depois?
Um escritor deve tirar sua inspira��o de onde a achar.
Quando Pasha voltar, deve encontrar sua inspira��o.
Certo, j� chega!
Ponha isso. Disfarcem-se!
Soubemos que homens deste acampamento atacaram o trem.
E seq�estraram nossos soldados.
Queremos saber onde est�o os soldados.
Com certeza algu�m aqui deve saber de algo!
Voc�! O que sabe? Quem liderou o ataque?
Tem um rosto lindo.
Est�o vendo? Que rosto lindo!
Um rosto lindo assim n�o deve ser desfigurado!
Diga o que farei.
O que acontecer� a ela se n�o me disser o que quero saber?
Digam-lhe!
N�o lhes direi nada!
N�o!
Pare!
N�o v�em que este homem n�o � um bedu�no?
Precisamos dele e dos outros, vivos!
Devem estar levando-os ao sult�o.
S�o muitos soldados, n�o podemos enfrent�-los.
N�o posso deixar que morram!
N�o podemos fazer nada.
N�o at� que cheguem a Constantinopla.
Sobre o que est� falando?
-Tenho um plano. -Que plano?
Podemos barganhar sua soltura.
-Como? -Fazer uma troca.
O que temos que valha 20 homens?
N�o � o que temos, mas o que podemos conseguir!
O que �?
O que o sult�o mais deseja.
Estou muito contente que tenham vindo.
Meu pai pede desculpas. Estava exausto pela viagem.
-Ele est� doente? -Se estivesse, n�o admitiria.
Estou certo de que logo estar� totalmente recuperado.
�timo. Venham.
Que tolice a minha. Devia ter avisado.
-O que fazem aqui? -V�m de tempos em tempos.
Por qu�?
-Na verdade, s�o parentes. -Parentes?
Por parte do meu marido, � claro.
Claro.
Aquele homem estranho com quem falou no trem...
era parente tamb�m? Por isso nos deixou em paz?
-Jessica! -Est� tudo bem.
Aquele estranho n�o mexeu conosco pelo que eu lhe disse...
que significa: "Somos companheiros de alma."
Refere-se � cerim�nia sagrada de dividir a alma.
Deixa os viajantes a salvo frente a qualquer tribo.
Portanto, mesmo entre homens estranhos...
ainda resta um toque de cavalheirismo entre os bedu�nos.
Aqui est� ele!
Jessica, Charles, conhe�am meu marido, o xeque Beduel.
Excelente, tamb�m ficaremos l�. At� amanh�.
Depois iremos, com a caravana, at� as ru�nas de Palmira.
Esta parte do mundo sempre me fascinou.
Um imp�rio estabelecido nas ru�nas de outro imp�rio.
Pode-se andar pelas terras e achar mu�ulmanos...
romanos, crist�os...
Mas deve saber do perigo de ir a qualquer lugar agora.
Eu vou ficar bem.
Eu arriscaria tudo com prazer...
para ver as colunas rosas de Palmira...
erguendo-se na quietude do deserto.
Mas ningu�m do nosso mundo gosta.
Parece ser glorioso.
� tedioso ficar classificando restos humanos.
� um bom homem, mas n�o tem romantismo.
Tenho que criar o meu.
� a �nica coisa sensata a fazer, n�o acha?
Claro.
Fora, cobra.
Vieram para me avisar. N�o sei o que fazer.
N�o sei para onde ir, peguei uma faca. Vim avisar.
E cortei sua garganta.
Foi horr�vel. Muito alto, n�o?
Sinto muito. Aconteceu. Voc� est� bem?
O que o �rabe quer de sua vida...
� ser livre, ser corajoso...
ou simplesmente apenas ser.
Isto � em oposi��o direta ao modo como eu fui criada.
Que era ter riqueza, poder, ambi��o, coisas assim.
E diferente dos outros, tamb�m. Vejam os jovens revolucion�rios.
Que acreditam que basta apenas gerar movimento...
a��o pela a��o.
Ser, fazer ou ter. Qual prefere?
S� depois de provar da quietude do deserto...
pode saber o que � apenas ser.
Ent�o, nada ser� como antes.
Voc� est� bem?
Por que os homens se preocupam quando a mulher fica reflexiva?
O que aconteceu com minha garota inocente?
N�o tive tempo de entender. Nada � o que eu esperava ser.
Isso me intriga.
-Por que raz�o? -Palmira. � s� uma excurs�o.
-E o Charles? -Est� ocupado, trabalhando.
N�o acho que ter�o problemas. N�o com a Sra. Pendleton por perto.
-Obrigada, pai. -Divirta-se.
-Vai ficar bem? -Claro...
Est� um dia perfeito para in�cios, n�o acha?
Eu preciso ver as colunas rosa de Palmira.
Afaste-se de mim.
Jessica conheceu Ragi. � o guia mais entendido.
Sou o melhor.
Pago os melhores subornos, para mant�-los a salvo.
Mas fique longe de mim.
Arthur, est� errado. � perigoso.
Eu disse que ela poderia ir.
Tenho certeza de que ela ficar� bem.
Arthur nunca deveria ter deixado ela ir.
Achava que os pais eram excessivamente protetores.
Acalme-se, Charles. Ela estar� perfeitamente bem.
Queria que ela tivesse me consultado antes.
N�o est� ouvindo.
Todas as jovens precisam fazer algo a s�s.
Na idade dela, deixei um cavalheiro ingl�s adequado...
com uma fortuna inglesa adequada...
para fugir com um conde russo, que ia para os Mares do Sul.
Considere-se um felizardo.
Afinal, o que � mais inocente que um passeio...
supervisionado por uma senhora de meia-idade...
com sapatos muito apropriados?
Mo�a, quer �gua?
Vou esperar o po�o.
Por que n�o monta?
N�o quero cansar o animal.
Ent�o, canse-se voc�.
Certo, des�a-a.
-O que � aquilo? -Nada com que se preocupar.
Estamos a salvo. Ragi pagou os subornos certos.
Mas vou me consultar com o homenzinho.
Ele n�o est� aqui! Sumiu!
Socorro!
Ajude-me!
Jessica!
O que acontecer� comigo?
Quer dinheiro?
Para onde vai me levar?
Entendeu?
Companheiros de alma. Companheiros de viagem.
N�o pode me machucar. Estou segura.
O cavalheirismo n�o morreu entre os bedu�nos.
Lamento, meu �rabe est� meio enferrujado.
Se entendia o que eu dizia, por que me deixou continuar?
Ponha isso. Partiremos em uma hora.
Ponha o traje, ou eu o ponho em voc�.
O que prefere?
Foi o que pensei.
Seja cuidadoso com ela, meu amigo.
A loira � azarada.
-Sabe montar? -O suficiente.
Este � seu.
Isso n�o adianta. N�o sei sobreviver no deserto.
Obrigada.
Vamos, vamos.
Vamos!
Comece a obedecer.
Fomos soltos ap�s pagar um pequeno resgate...
mas n�o disseram nada sobre Jessica!
E n�o a viram mais?
Sinto-me t�o respons�vel. Sinto tanto!
Lamento tanto!
Respeito o par, nunca mentiriam.
E estou preocupad�ssima com Jessica.
Isto n�o segue um padr�o.
E as pessoas do deserto dependem dos padr�es.
Vivem por eles.
Mas h� uma coisinha a nosso favor.
N�o h� nada no Imp�rio Otomano que n�o possa ser comprado.
E nenhum segredo que n�o possa ser vendido.
Obrigado.
Eram de minha esposa. S�o de Jessica agora.
Pode come�ar com isso.
Lady Ashley me assegurou que � o suficiente...
para comprar qualquer espi�o do imp�rio.
Se precisar de mais, garanto que obter�.
Vamos ach�-la. Eu prometo.
Digam-me o nome dele.
Aquele que me trouxe aqui. Como se chama?
O que soube?
Os prisioneiros confirmaram nossas suspeitas.
O mesmo grupo de jovens rebeldes...
que tem agitado todo o imp�rio...
est� por tr�s do ataque dos bedu�nos no trem.
O ex�rcito permitiu a continua��o do problema.
� dif�cil controlar um grupo imprevis�vel...
que n�o opera do modo militar.
Talvez o problema n�o sejam os revolucion�rios...
mas o ex�rcito!
Os ex�rcitos lutam melhor quando s�o pagos.
Com todo o respeito...
uma solu��o militar para este problema...
-pode n�o ser necess�ria. -O que sugere?
Talvez se os rebeldes tivessem a chance de falar...
Sua Majestade poderia estar interessado no que t�m a dizer.
Como sabe o que me interessa?
Sua sugest�o coloca um problema dif�cil.
Deve-se ouvir o que todo o povo tem a dizer.
Se suas palavras puderem surtir efeito.
Mas esta gente, com a vis�o das mudan�as que trariam...
Diga-lhes.
N�o pode haver lei, a n�o ser a vontade do sult�o.
Por que perder meu tempo? Ou o deles?
Os soldados est�o mais insatisfeitos a cada dia.
E menos dispostos a lutar pelo sult�o, que os recompensa com fome.
Ele gasta seu dinheiro em prazeres.
D� �s mulheres j�ias e extravag�ncias ilimitadas.
Nunca v� os soldados, pois eles n�o o interessam.
Mas vai ao har�m todo dia.
Est� cego aos perigos? Cego ao que acontece em volta?
N�o, foi criado acreditando ser invenc�vel.
Houve um tempo em que ele me ouvia.
E que lhe fornecia as mais belas mulheres do mundo.
Ela n�o est� em Damasco.
Ela foi levada para fora da S�ria.
-Foi levada por quem? -N�o h� mais o que fazer.
Arthur, acorde!
Tenho novidades. N�o � muito. Mas temos por onde come�ar.
Seja o que for, n�o diga uma palavra. Sua vida depende disto.
-Esta � especial. -N�o posso lhe oferecer mais.
Ao seu modo, ent�o.
Todos os 20 prisioneiros por esta garota.
O que fez? Quem � aquele homem?
Diga-me o que est� acontecendo.
N�o tem outro jeito.
Soltem-me!
Quando for livre, espero que continue escrevendo isso.
Livre?
Tem muito talento. Isso n�o deve ser desperdi�ado.
Quero que continue.
E no que escrever, pode falar de tudo. Tudo!
Exceto, claro, de revolu��o, da liberdade...
dos direitos do povo, dos direitos das mulheres...
de constitui��es, de tramas.
Bombas.
Posso perguntar � Sua Majestade Imperial, o que resta?
Tudo. Absolutamente tudo. A chuva, o bom tempo...
os c�es na rua. Pode at� falar do sult�o.
Contanto que s� elogie.
Em resumo, tem liberdade total de falar de tudo...
que parece bom para voc�.
Tamb�m pode querer escrever que o ex�rcito vai torturar...
e matar qualquer mulher, homem ou crian�a...
engajados nestes levantes traidores.
Escreva que a revolu��o contra o sult�o � imposs�vel, porque �.
Diga a seus amigos: "Saiam do imp�rio ou ser�o destru�dos."
Lembre-se do que eu disse. � meu mensageiro agora.
Conto com voc�.
Pode escolher tentar fugir e ser morta...
ou pode escolher aprender e estudar...
e ter uma vida que jamais sonhou.
Como podem nos manter aqui contra nossa vontade?
N�o entendo.
As barras s�o para nos proteger. Eu quero estar aqui.
Todas as mulheres querem estar aqui?
De modo geral, sim.
� a maior honra que pode ser dada a uma mulher.
-O que devemos fazer? -Esperamos o sult�o.
Quer dizer que esperamos sentadas pelo sult�o...
para sermos estupradas pelos guardas?
Tudo � poss�vel no har�m...
mas ser estuprada pelo Chefe Eunuco Negro, n�o �.
Ele � eunuco?
Todos os homens do har�m s�o eunucos.
"Diga a seus amigos para que deixem o imp�rio...
ou ser�o destru�dos."
Se n�o for agora, n�o ser� nunca.
Precisamos de um ex�rcito.
H� homens como n�s: Rebeldes, que lutam pela liberdade.
Est�o por todo o imp�rio. Tragam-nos aqui.
Temos uma causa, teremos um ex�rcito!
Precisamos. N�o temos chances contra os homens do sult�o.
Agora � a hora de emergir das sombras.
Preciso de sua ajuda. O que acha dela?
Acho-a linda, mas est� aqui obrigada.
Precisa de uma professora especial.
Quem prop�e que seja a professora dela?
Eu fui apenas a amante do sult�o. Nem fui sua esposa.
-Nunca a "Kadin". -Era a melhor mulher do har�m.
Por isso ele a favoreceu por tanto tempo.
Nunca houve uma como voc�. Ele a idolatrava.
Idolatra a Kadin. Mas eu o usei do meu modo.
Ent�o, � a nova garota.
Aproxime-se.
Tire as roupas, deixe-me v�-la.
O qu�?
Como �nica esposa do sult�o, eu decido o que o agrada.
Quer tirar as roupas?
N�o h� d�vida que ela agrade ao sult�o.
Suas escolhas me significam pouco agora.
Quer tirar as roupas?
Que comum! Livrem-se dela!
Se a agradar, ela pode ser �til a mim.
Para me ajudar a cuidar das roupas.
Claro que n�o vai me negar esta garota que n�o tem interesse.
Se agrada a voc�...
Claro que ficamos arrasados ao saber de sua noiva.
Absolutamente b�rbaro!
Mas estava na hora de voc� voltar.
E todos aqui est�o perdidos sem voc�.
Agora, vai prometer sair um pouco.
Sei como � dif�cil. Estou acostumada com perdas.
Mas n�o podemos nos tornar obcecados, podemos?
Precisamos falar em particular.
A �ltima vez que soube, ela estava em Constantinopla.
Agora, desapareceu de vez.
-Eu a acharei. -Por onde vai come�ar?
Acharei a garota. � tudo o que precisa saber.
O que est� acontecendo? O que foi?
Eles finalmente est�o aqui. Esperamos h� meses.
-Pelo qu�? -As caixas da Europa.
V� como acentua as linhas do corpo?
E, quando se mexe, � como se pudesse ver cada m�sculo.
Antes de conhecer o sult�o...
aprender� a dan�ar e se mover com gra�a.
Como as dan�arinas do jardim.
Venha, deixe p�r um pouco em voc�.
N�o! N�o sou uma de suas prostitutas!
Claro que n�o. Ser� especial.
Como eu fui especial.
N�o posso ser como voc�.
Entendo.
Tem medo do que acontece entre um homem e uma mulher.
N�o tenho medo. Mas isto est� errado!
O que h� de errado com o conhecimento?
N�o h� nada aqui que eu queira conhecer.
Entendo.
Acho que esta � uma quest�o de modos, n�o de moral.
O problema est� no modo como foi criada.
Dizem que os ingleses t�m as melhores mulheres da Europa...
e s�o os que menos sabem us�-las.
Talvez por isso decidiram mant�-las t�o ignorantes.
Conhecimento nada tem a ver. N�o vou me comprometer.
Voc� aprender� a fazer amor com um homem.
D�i, meu amor, v�-lo t�o aborrecido.
Lembre-se, � descendente do grande Hasan...
e pode fazer o imp�rio ainda mais grandioso.
A quem devo ser grato? A mim ou a seu filho?
Nosso filho.
Voc� era a minha paix�o, antes de ele ser concebido.
Ainda � minha paix�o.
Talvez ainda me ame, talvez n�o tenha sido imposs�vel.
Talvez as garotas n�o precisem vir nesta noite.
Voc� me deu um filho, isto basta.
Como se chama?
Geisla.
Escreva Geisla no Grande Livro.
H� dois anos �ramos em vinte. Agora, olhe.
Vivemos muito tempo sem armas.
Aceitamos a opress�o como um modo de vida.
Eu vi outros lugares neste mundo.
Lugares onde o povo vive livremente!
Com esperan�a, em vez de desespero.
Promessa, em vez de resigna��o.
Liberdade, em vez de escravid�o!
H� lugares onde o homem tem op��o.
Uma voz para determinar a dire��o de seu pa�s!
Nossos filhos est�o passando fome.
Nossos homens est�o morrendo.
Nossas mulheres est�o enlutadas.
Est� na hora de quebrar a cadeia da opress�o!
Est� na hora de sermos ouvidos! Hora de lutar!
Comandante!
-Por que falou comigo? -Para qu� a arma? Estou desarmado.
-O que quer? -H� muitos como voc�...
que cr�em que o sult�o deve lutar contra os inimigos do imp�rio...
e n�o matar seu pr�prio povo.
E como sabe no que acredito?
Seus soldados o respeitam. Mas sabem o que sente.
H� outros como voc�.
E onde acho estes outros?
Temos homens espalhados por todo o imp�rio...
dispostos a lutar.
N�o podemos nos posicionar sem soldados de verdade.
O seu grupo o seguiria contra o sult�o?
N�o posso ter certeza. Alguns seguiriam.
Voc� os comandaria?
Est� pedindo que traia um homem que servi a vida toda.
E a troco do qu�?
As chances s�o contra a sua vit�ria.
Estaria levando meus homens para a morte certa.
Fiz uma pergunta.
Que n�o estou pronto para responder.
-Ter� o que quiser. -Que generoso!
Que cor maravilhosa!
Jessica! Jessica!
Achem Youssef. Recuperem a mulher!
-Onde ela est�? -Fugiu.
-Precisamos ach�-la! -Eu sei.
Venha comigo.
Solte-me!
Vou lev�-la � Embaixada Brit�nica. Ao Sr. Charles.
H� uma recompensa por aquela mulher!
O Sr. Charles lhe pagar� mais!
� esta que procuram?
Onde ela est�?
Aconte�a o que for, fique quieta.
Fique em sil�ncio.
H� boatos de que est� gr�vida.
Talvez n�o sejam boatos.
Faz dois meses. Estou gr�vida mesmo.
Entendo. Parece muito feliz.
Estou muito feliz.
-Quem � o pai? -Como assim?
Provavelmente teve tantos homens...
que n�o saiba quem seja o pai.
S� h� um pai. S� pode haver um marido.
N�o tem um marido que tenha lhe feito um filho.
E quando tiver, todos saber�o que o pai � o sult�o.
Nossa uni�o foi registrada no Grande Livro.
Portanto, estou protegida.
At� de voc�.
Tragam o Grande Livro.
N�o vejo nada. N�o h� registro.
Deve achar. Eu a vi fazer o registro!
� poss�vel que eu n�o o tenha feito.
Talvez possam achar o nome de Geisla no Livro.
Mas eles n�o sabem ler!
Talvez uma de voc�s lembre da noite...
em que Geisla chamou a aten��o do sult�o.
Algu�m lembra daquela noite?
Por que est�o fazendo isso comigo?
-Estou seguindo a lei. -� a primeira Kadin.
Ningu�m vai tirar isso de voc�!
N�o h� registro de sua uni�o com o sult�o.
Portanto, ou � infiel, ou mentirosa. Ou ambos.
Meu filho n�o � amea�a para voc�.
Estou protegendo meu marido.
Se ama o sult�o, ent�o salve o meu beb�.
Levem-na!
� o que acontece com as garotas desprotegidas.
Vou ensinar-lhe o que precisa saber.
Antes de come�armos...
deve aprender a tirar prazer de seu pr�prio corpo.
Disseram-lhe que a nudez � vergonhosa.
Algo a ser escondido.
Nunca ficar� � vontade com um homem...
at� ficar � vontade consigo mesma.
Ponha de lado tudo o que sabe.
Comece do come�o. Como uma crian�a.
Abra-se para o mundo.
Amando por cada um de seus sentidos.
Olhe...
leia.
Veja a si mesma, como ele ver�.
Toque-se, como ele tocaria.
Acorde seus sentidos, Jessica.
Acorde a si mesma.
Seu corpo � para o prazer, n�o para ser escondido.
Deve lhe agradar, para que agrade a ele.
Permita-se isso e o resto se seguir�.
-Sei onde ela est�. -Ent�o, por Deus, me diga.
O dinheiro antes.
Senhor, o que nos propomos a fazer?
Fazer?
Tenho provas de que o sult�o est� mantendo a Srta. Gray...
contra a sua vontade.
As provas, como as chama, s�o altamente question�veis.
S�rio, Charles.
Vai acreditar em um homem que vive de vender segredos?
Que exige dinheiro por informa��o?
Aja com cautela. Sugiro que continue com sua busca.
E obtenha provas mais substanciais...
de que Srta. Gray esteja vivendo no pal�cio.
Com licen�a. Tenho um almo�o.
-Sua noiva n�o � americana? -O pai dela era ingl�s.
Sim, claro.
Vou conseguir a prova para este metido.
Quer saber de algo, c� entre n�s?
Parece que esqueci meus charutos.
Est�o na gaveta de cima, senhor.
Asseguro, Charles que se obtiver provas substanciais...
o "metido" come�ar� negocia��es para a soltura da Srta. Gray.
Usta, s� h� uma coisa que pode me dizer que me agradaria.
-E o que �? -Dizer-me que ela est� preparada.
Est� preparada para ser vista pelo sult�o...
para que a leve para a cama, n�o sei.
Est� na hora de levantar.
O que houve?
Nada. S� um sonho.
Com quem estava sonhando? Com um homem? O sult�o?
O ingl�s?
Quem?
Foi s� um sonho.
Hoje � noite, usar� o verde esmeralda.
Sem j�ias.
Talvez alguns rubis fiquem bem.
Quando eu era a amante do sult�o, nunca usava minhas j�ias.
Fazia com que as escravas as carregassem.
Elas me seguiam nuas...
levando bandejas de diamantes e esmeraldas.
Surtia muito efeito.
� uma fun��o oficial. Talvez n�o devesse ter vindo.
Ela est� a� dentro. Sei que est�.
S�o ador�veis, n�o?
Elas s�o garotos.
-Quer dizer que elas...? -At� ela.
Charles, aonde vai?
Charles, n�o cometa nenhuma burrice.
Charles, por favor.
Por que continuou se cobrindo?
-N�o o agradou? -Agradaria-me ver seu rosto.
Sendo uma "Usta" n�o ser� chamada, como as outras...
para participar de uma orgia insignificante.
Sendo Usta ser� tratada de modo especial.
Quando v�o me chamar?
Talvez amanh�, daqui a um m�s...
quando ele tiver vontade.
Sei.
Precisamos de provas. Um informe de uma testemunha confi�vel...
de que ela esteja no har�m imperial.
Sei que acredita que � verdade, mas quer tornar isso uma certeza?
Pode visitar uma Kadin?
Pareceu-me que fez isso em v�rias ocasi�es.
Claro que posso. Posso ir l� amanh�, mas Charles...
supondo que Jessica esteja l�, o que vai fazer?
O que pode fazer?
-A embaixada agir�. -Contra o sult�o?
-Tem certeza? -Absoluta.
Ent�o, talvez a embaixada tenha mudado.
-Lady Ashley, faz tanto tempo. -Muito tempo mesmo!
-� para voc�. -Que linda.
Ganhei de um homem encantador que conheci em uma viagem.
Mora em Viena, agora.
-Deve sentir falta dele. -�s vezes, sim.
Prefiro fazer.
Venha se sentar. Conte-me as novidades de Damasco.
Todos os homens s�o iguais. E s�o diferentes.
O que vou lhe contar agora, s�o coisas que ningu�m sabe.
Quer dizer que mistura as po��es dele?
Po��es! Jessica!
Eu ouvi as outras mulheres falando...
As outras mulheres n�o t�m imagina��o.
Afrodis�acos s�o truques. Raramente d�o resultados.
E quando os truques falham, tem que ter habilidades.
-Fuma um dos meus cigarros? -Por favor.
Sabe que n�o se acha algo t�o bom quanto o seu em Damasco?
Precisa se lembrar com que tipo de homem est� na cama.
O sult�o pode ser teimoso. �s vezes, cego por seu orgulho...
mas ele pensa.
A beleza o atrai, o desejo o segura...
mas para sustentar o interesse dele, precisar� usar sua mente.
Iria gostar de tomar um banho.
Adoraria!
Os homens orientais estudam os mist�rios de satisfazer uma mulher.
E � uma fonte de grande orgulho para eles...
portanto, deve fazer o sult�o sentir que o deseja.
Como vou fingir desejo?
Talvez n�o precise fingir.
Ent�o o xeque n�o tomou outra esposa?
Voc� se saiu muito bem.
Eu? E voc�? A primeira e �nica Kadin.
Mulheres de todo o imp�rio querem saber como consegue.
Algumas at� dizem que faz magia.
Mas como est�o indo e vindo as novas garotas?
Deve ser dif�cil permanecer a �nica esposa do sult�o.
N�o h� garotas novas.
Gozado, pensei ver umas caras novas.
Apenas caras jovens.
Houve seq�estros em Damasco.
E os boatos dizem que as garotas est�o no pal�cio.
E eu soube que ainda est�o na S�ria.
N�o devia deixar seu marido muito tempo sozinho.
Quando eu era a favorita do sult�o...
pass�vamos horas juntos, simplesmente conversando.
Eu o divertia com hist�rias do har�m...
ou simplesmente o deixava falar.
E eu o fazia rir.
-E se ele n�o gostar de mim? -Vai gostar.
-Mas e se n�o gostar? -Jessica!
Tudo o que valoriza vai depender se agrada o sult�o.
O que eu valorizo ou o que voc� valoriza?
N�o quer sua liberdade?
-Liberdade? -Sim, sua liberdade.
-Precisa ir embora t�o depressa? -Receio que sim.
N�o sem levar uma lembran�a do meu prazer em rev�-la.
O que a agrada hoje em dia?
Rubis, diamantes, p�rolas?
O qu�?
� generosa demais. Obrigada.
Ashley.
N�o arrisque sua vida, nem a dela.
Acabou. Ela se foi.
Ela passou do meu lado.
Sou sua amiga e garanto que ela n�o pode lhe ajudar.
-Voc� obedece �s ordens de Kisla! -Ela n�o pode ajud�-la!
O �nico que pode solt�-la � o sult�o!
-Mas n�o est� disposto. -� sua �nica esperan�a.
Acredite em mim.
Jessica est� l�.
Eu a vi hoje.
Tem certeza de que est� sendo mantida � for�a?
N�o h� d�vida. Ela foi seq�estrada!
Bem, come�aremos as negocia��es j�.
Obrigado, senhor.
Sugiro que antes providenciemos presentes.
Digamos que comecemos com 4 elefantes, 2 tigres.
-Perd�o, senhor? -4 elefantes e 2 tigres.
N�o creio que o sult�o goste de elefantes.
-Mas de tigres, sim! -S� os da �frica.
Tudo bem. Providenciaremos 6 tigres do Qu�nia.
Pode ser mais f�cil obter tigres da �ndia.
O que � mais f�cil n�o � quest�o. Sei que isto leva tempo.
Acho esta conversa absurda!
Devemos ter um modo diplom�tico, n�o podemos us�-lo?
Sua abordagem � simples demais e direta para ser adequada.
Sente-se, Charles.
Se tiv�ssemos uma posi��o diplom�tica, poder�amos us�-la.
Mas sem acesso ao Imp�rio Otomano...
perdemos nossa passagem para a �ndia.
Portanto, precisamos do sult�o, mas ele n�o precisa da Inglaterra.
O fato � que o entediamos.
Sob esta luz, v� que seria um suic�dio diplom�tico...
sugerir que o sult�o mant�m cativa uma cidad� inglesa.
N�o entendo por que devemos andar t�o lentamente.
Renan, pode levar a Lady Ashley para o jardim para tomar ch�?
Embaixador Grant, Sr. Wingham, creio que fomos dispensados.
Vejo que gosta muito desta garota.
Mas certas coisas...
certas coisas devem ter sido for�adas sobre ela...
e podem tornar sua volta � sociedade educada...
-quase imposs�vel. -Nada mudaria meus sentimentos!
Podemos continuar com os elefantes e tigres?
Sinto muito...
mas esperava que tivesse raz�o que a embaixada havia mudado.
Acredito que se importam, e querem ajudar.
Mas t�m tanto medo que ficam no gabinete...
preocupando-se com o protocolo.
N�o desisto. Deve ter como tir�-la do pal�cio!
-Pode ter. -Seja o que for, eu fa�o.
Mesmo com o risco de perder seu cargo na embaixada?
Sim.
Neste caso, acho que posso ajud�-lo.
Conhe�o um homem, suficientemente astuto...
para entrar e sair da colm�ia.
Mas � um homem com uma causa.
Causa que precisa de dinheiro.
Se quiser, tento conseguir um encontro.
Sim, o mais breve poss�vel.
N�o sei o quanto Lady Ashley lhe contou.
Que sua noiva est� sendo mantida no har�m � for�a...
e ela quer que a ajude fugir.
Estou disposto a pagar muito pela liberdade dela.
-Ela � inglesa? -Sim. Chama-se Jessica Gray.
-O que h� com ele? -O perigo o assusta.
Percebe que est� pedindo quase o imposs�vel?
O risco � igual � recompensa.
Isso pode reunir mil homens. Quero uma resposta.
Concordo.
-Receber� quando lev�-la � embaixada. -Imposs�vel.
Said precisa do dinheiro assim que eu entrar no pal�cio.
Mas, se seu plano falhar, n�o terei mais recursos.
N�o se pode pensar em termos de fracasso ou sucesso.
Vai terminar em liberdade ou morte para mim e para sua dama.
Estou preparado para arriscar minha vida, armando nossos soldados.
Mas decida se est� preparado para arriscar a vida dela.
N�o tenho outra op��o.
Estou certo de que ela iria querer assumir o risco.
-Concorda com as propostas? -Concordo.
Preciso de algo para os subornos.
-Ela reconheceria isso? -Foi da m�e dela.
�timo. Levo comigo. Ela saber� quem sou.
Saber quem �?
Ela vai saber.
Mas n�o vai me dizer como pretende entrar no pal�cio.
Seria mais f�cil entrar simplesmente.
Entrar� no pal�cio com sua cabe�a a pr�mio?
-Assim, sem mais? -Sim!
Entende as conseq��ncias de sua decis�o?
Ent�o, se sobreviver � opera��o...
no fim do m�s, poder� entrar no servi�o do sult�o, como eunuco.
Devo estar no pal�cio amanh� cedo.
Imposs�vel.
N�o pode se recuperar da opera��o at� l�.
N�o pretendo faz�-la.
-Saia daqui. Poupe meu tempo. -Vai mentir por mim.
E me colocar l� com os outros.
Acha que sou tolo?
Eu acho...
que � um homem muito rico.
O sult�o ir� v�-la esta noite.
Vou chamar as outras mulheres.
-Aprova? -O que achar melhor.
�timo.
Obrigada. � s�.
-Preciso ficar s�. -Voe.
Vai olhar para o ch�o o resto da noite?
Bem...
o que acha?
Ou melhor, o que achou da primeira vez que me viu?
Sinceramente?
Sim.
N�o � t�o velho quanto eu imaginava.
Boa!
Boa!
A semelhan�a � boa?
-O que acha? -Como?
Esta � a apar�ncia do Sr. Theodore Roosevelt?
-Voc� o viu, n�o? -N�o pessoalmente.
Mas � americana.
Nasci em Talahassee, mas nunca vi o presidente.
-Ele nunca vai a Talahassee? -N�o como regra.
Mas pelas fotos que vi, a semelhan�a � muito boa.
Gostaria que o servisse?
Daqui a pouco, talvez.
Diga-me, como � Talahassee? � importante?
Importante? N�o como Nova York, Washington ou Chicago.
Mas � muito linda.
Morros verdes luxuriantes, muito �mida no ver�o.
De noite, descans�vamos nas varandas da frente.
Varandas da frente?
Como um balc�o, s� que no t�rreo.
� noite, todos sentamos nas varandas da frente.
Varandas da frente? Id�ia interessante.
Nunca esteve na Am�rica? Ent�o, deveria ir.
-� imposs�vel. -Eu n�o entendo.
Nunca saio do pal�cio.
Nunca esteve fora do pal�cio?
Fui a Bursa uma vez, h� 20 anos.
Nunca v� as terras em que reina?
N�o � necess�rio. Tenho milhares de espi�es.
Eles me contam tudo.
Eles n�o podem lhe dizer o sabor das vinhas...
ou trazer os sons das linguagens, ou os cheiros do mercado.
S� voc� pode me contar sobre as varandas de Talahassee.
Venha.
Estudei as artes de como agrad�-lo.
Ensinaram-me como ser uma mulher oriental...
mas isso n�o muda o modo como fui criada.
Sempre imaginei como seria o amor, e n�o � assim.
-N�o � por exig�ncia. -Ent�o, como �?
No Ocidente, os homens seduzem as mulheres.
Com tempo, com corte e casamento.
-Est� me recusando? -Sou sua.
Farei o que quiser. Mas dormir com voc� hoje...
ser� uma mentira treinada que lhe mostrar� o que me ensinaram...
mas n�o lhe mostrar� nada do meu cora��o.
O que h� de t�o especial no cora��o de uma mulher...
que fa�a valer a espera?
Conversamos a noite toda. E ele fez muitas perguntas.
-E ele achou-a interessante? -Acho que sim.
-� um �timo sinal. -Mas Usta...
quanto tempo levar� para eu obter a minha liberdade?
Antes deve ganh�-lo.
Lembre-se que o verdadeiro poder...
vem depois de ter feito amor com um homem.
O que Jessica fizer, n�o importa.
No fim, o que fizer, estar� condenada.
V� ao pal�cio e diga ao astr�logo que preciso dele.
Pode ir.
Ela passou a noite com ele. Acaba de deix�-lo.
-Pode ser o fim. -E se n�o for?
Por que est� t�o preocupada?
Eu devia ter seguido meus instintos.
Ele saberia. Tornou-se familiar.
-E se ela lhe der um filho? -� a primeira Kadin.
Mas tudo muda se ele tomar uma nova esposa.
Nem tudo. Seu filho � o herdeiro.
Ele nunca o v�. Nem pergunta sobre ele.
Claro que n�o.
O garoto est� recluso por sua pr�pria prote��o.
Mas quem vai proteger meu filho contra ela?
Ent�o est� preocupada com seu filho?
Se ela tiver um filho, ele que estar� em perigo.
Voc� tem muito mais poder.
N�o � o que a assusta.
-E se ela o tirar de mim? -O sult�o?
Mas voc� o perdeu h� anos.
N�o, nunca o perdi inteiramente.
N�o enquanto estou em sua presen�a.
Talvez n�o tenha seu amor, do jeito que foi...
mas sempre houve algo.
E se ela tirar isso de mim?
Ent�o far� o que � necess�rio.
Espionar a Kadin pode ser considerado deslealdade.
Minha primeira lealdade � com o sult�o.
A segunda � com voc�.
-O que ele faz aqui? -Ele � seu.
-Meu? -Seu.
Por qu�?
Tornou-se importante, precisa de algu�m que a proteja.
Ele?
Ent�o, ele � meu? Far� o que lhe mandar?
Tudo.
Eunuco n�o � seu melhor disfarce. Prefiro o cigano.
-N�o ser� dif�cil exp�-lo. -N�o far� isso.
-Posso mandar mat�-lo. -N�o far� isso.
-Por qu�? -Vim ajud�-la a fugir.
E para quem me vender� depois?
Providenciarei que volte � embaixada.
-Espera que eu acredite? -Tenho provas.
Nada que diga pode provar que quer me ajudar.
-Talvez n�o queira fugir. -Talvez achei como sobreviver.
-Ent�o, nada me segura. -Espere! Aonde vai? Volte!
-O que o trouxe aqui? -Seu noivo me contratou.
Como conheceu Charles?
Lady Ashley arranjou nosso encontro.
Podia ouvir estes nomes em qualquer lugar.
Fui tra�da duas vezes. Pelo homem do bazar e por voc�.
Agora acredita?
Como invejo seu marido. Exibe-a t�o livremente.
Seus lindos vestidos, suas j�ias.
Enquanto eu tenho de gastar fortunas com minhas esposas.
E para qu�?
Vestidos que usam s� para agradar uma a outra.
Temos uma pergunta. Algo que nos intriga h� tempos.
Certamente.
� conceb�vel que uma mulher seja mantida em um har�m...
-contra sua vontade? -Isto n�o � poss�vel.
Mas e se for o har�m do sult�o?
Soubemos que as seq�estram e as mant�m em escravid�o sexual.
Estamos no s�culo 20.
Ent�o, se a mo�a est� no har�m, seria por vontade pr�pria?
-Madame! -Charles, n�o!
Acredite, � muito dif�cil manter uma mulher...
-que n�o quer ser mantida. -Mesmo pelo sult�o?
Se tem algo a dizer, diga.
-N�o sei o que quer dizer. -Sabe muito bem!
Basta, Charles.
Srta. Ashley.
Me saio muito bem com meu conhaque. Charles!
Obrigada.
Para um diplomata, falha em sutileza e no��es de adequa��o.
Devia procurar outro emprego.
Sua Alteza, temos informes...
de que um n�mero crescente de soldados est� desertando.
Isto deve ser levado � aten��o de meus oficiais.
Seus oficiais est�o em desvantagem.
H� 3 meses que os soldados n�o recebem.
Os soldados servem pela honra, n�o pelo dinheiro.
J� pode ter sido assim. N�o � mais.
Os tempos mudaram.
Nem tanto.
Talvez os soldados precisem de uma grande batalha...
uma vit�ria.
Precisam de dinheiro para alimentar suas fam�lias.
Considerarei o problema. Podem sair.
Fique.
-Isto n�o a entedia? -De modo algum.
O que acha?
Coloca-se em risco...
permitindo que o ex�rcito se desintegre.
Concorda com meu conselheiro?
Parece ser um homem razo�vel...
que pesa suas opini�es e decis�es cuidadosamente.
Um homem de consci�ncia.
-Valoriza a consci�ncia? -Muito.
E meu astr�logo?
Parece leal, mas n�o muito moderno no modo de pensar.
N�o tem consci�ncia?
Sente-se a meu lado.
Quero mostrar-lhe algo.
Para me proteger de assassinos.
-Muito s�culo 20. -Muito.
� o sinal. Vamos.
-Estou logo � frente do sult�o. -Ele vem para c�? Agora?
� uma grande honra.
Tudo que Sua Alteza deseja, ser� oferecido.
Cada capricho ser� atendido. Cada fantasia ser� satisfeita.
O que quero � estar a s�s com esta mulher.
Dizem que n�o se interessa por j�ias, nem vestidos.
Que o Tesouro n�o tem nada do que queira.
Disseram a verdade.
Se � assim, como irei cortej�-la?
Andei pensando em tomar uma segunda esposa.
Digo que tem a promessa de casamento.
Pode ser a segunda Kadin.
Mas, na Am�rica, o homem tem apenas uma esposa.
Aqui n�o � a Am�rica.
E a 1 � Kadin quer que haja uma 2�?
A primeira Kadin s� quer o que eu quero.
Esperava que com a segunda fosse o mesmo.
Se fosse me casar...
iria querer uma virgem na noite de n�pcias.
E eu, uma esposa experiente.
Esta corte ocidental come�a a me aborrecer.
Voc� n�o tem escolha.
Eles se aproximaram do Tesouro.
O que houve?
Ficar� a salvo aqui. N�o tem nada a ver com voc�.
Temos de partir imediatamente.
Se n�o pode dialogar com eles, mate-os.
� tarde demais para dialogar.
Continue atirando, soldado.
-Mas n�o est�o armados. -S�o traidores!
Os que acharmos entre os feridos...
ser�o suspeitos de serem do grupo rebelde.
Est�o disfar�ados de soldados agora.
Pode haver alguns rebeldes disfar�ados de soldados...
mas a maioria dos homens s�o seus.
Seus soldados. Eles o atacaram nesta noite.
Exagera com esta coisa do ex�rcito.
Sua Alteza...
Um punhado de soldados gananciosos encenam...
uma demonstra��o tola, e quer que eu acredite...
que todo meu deserto est� pronto para desertar.
Estou dizendo que o problema existe, n�o pode ser ignorado.
-N�o h� uma dissens�o s�ria. -E do que chama isso?
Apesar de nossas opini�es �s vezes serem diferentes...
sempre achei que seu conselho merecia aten��o.
Talvez possa ser de mais valia para mim em outro lugar.
Soube que a situa��o na Maced�nia precisa de aten��o.
-Acabou? -Por enquanto.
Os soldados n�o ficar�o afastados por muito tempo.
Nossos combatentes entrar�o dentro dos muros do pal�cio.
Lacraram os port�es. Ningu�m poder� sair.
-N�o poderemos fugir. -Agora n�o.
Dormirei aqui, hoje � noite. Est� perigoso para todos, agora.
S�o perigosos. Foram contratados para nos matar.
Nos matar?
-O sult�o tem muitos inimigos. -N�o era para o sult�o.
-O que est� dizendo? -Era para voc�.
Sua Majestade, isto � o que eu soube do povo.
O rebeldes est�o escondidos no quartel dos arm�nios.
Os arm�nios sempre nos criaram problemas.
Eles mudam os rebeldes de casa em casa.
N�o ficam mais que uns dias em cada lugar.
E o l�der deles?
H� boatos que Tarik Pasha est� morto.
Acho que n�o. Seus seguidores aumentam todo dia.
O homem move-se rapidamente.
-O que sugere? -Que fa�a o que seu av� faria.
Era impiedoso, principalmente quando o perigo era extremo.
Foi eficiente. Ele salvou o imp�rio.
O que ele est� dizendo? O que est� sugerindo?
O sult�o n�o pediu sua opini�o.
N�o � opini�o. Estou fazendo uma pergunta.
Sua pergunta � desnecess�ria agora.
Isto me diverte.
Acho que ele sugere que o ex�rcito entre no quartel arm�nio...
e ataque os rebeldes e os traidores que os escondem.
Mat�-los?
N�o acredito que permita que inocentes sejam massacrados.
Os revolucion�rios devem ser eliminados antes que se fortale�am.
H� uma falha no seu plano. Um problema que n�o foi colocado.
Qual?
Minha consci�ncia.
Como pode dizer tal coisa?
S� digo que ele � um homem piedoso.
Saiba que este homem piedoso...
tem papagaios para que os gritos das aves cubram...
os gritos dos prisioneiros torturados do outro lado.
Por que acreditar em voc�?
Tem suas raz�es para o que cr�. Ele n�o � um monstro horr�vel.
-Eu o vi agir de outro modo. -O que viu?
N�o permite que o ex�rcito ataque os arm�nios...
mesmo com provas de que escondam rebeldes.
Como sabe?
-O sult�o conversa comigo. -Como assim?
Surpreende-o tanto que ele se interesse no que eu diga?
No que eu penso?
O sult�o me pediu em casamento.
N�o acredito.
� dif�cil crer que um homem me ache desej�vel?
O sult�o acha todas as mulheres desej�veis.
Se o que diz � verdade, o sult�o a ouvir�.
O que descobrir pode nos valer muito.
Pode demorar para fugirmos. Este tempo pode ser �til.
Pede que seja sua espi�?
Pe�o que se una aos revolucion�rios.
-Lamento, n�o posso. -Haver� uma revolu��o.
Pode ajudar milhares a ter a liberdade que lhe foi �bvia...
por toda a sua vida.
N�o discurse sobre como fazer do mundo um lugar melhor.
Nada significa, vindo de quem me vendeu para a escravid�o.
N�o sabia que o har�m a afetaria tanto.
J�ias s�o mais importantes que liberdade!
Como Kadin do sult�o serei muito poderosa.
N�o acha que a mulher sabe lidar com tal poder, acha?
Algumas mulheres. N�o voc�.
Por que n�o?
Porque n�o tem o cora��o de uma mulher.
Sua Alteza Imperial n�o confiou no julgamento de homens...
h� outro conselheiro mais poderoso, que n�o deve ser ignorado.
Devo confiar nas estrelas para ter uma resposta?
N�o.
Mas talvez o homem santo que aconselhava seu av�.
Ele sempre procurava o conselho dele.
Talvez, possa ajudar de novo.
N�o vou a Bursa h� 20 anos...
mas preciso me consultar com o homem sagrado.
E tamb�m, Jessica...
quero que veja os h�bitos antigos.
Mas n�o pode ir sem prote��o. E se for reconhecido?
Quero ver o mercado. Ponha sua roupa mais simples.
Por que fica atr�s de mim?
Na Turquia, o marido deve andar atr�s da mulher.
Sabia que entenderia. Nossos modos, nossos costumes.
Venha comigo.
O sult�o vai tomar uma decis�o s�ria.
Est�o rezando para que ache orienta��o.
Que decis�o?
Coisas que n�o lhe dizem respeito, de natureza pol�tica.
Ao amanhecer, durante o banquete das flores...
o ex�rcito marchar� contra os quart�is arm�nios...
contra os revolucion�rios.
Ningu�m ser� poupado, ningu�m ser� perdoado.
Nada que diga ou fa�a ir� mudar nada.
Qualquer um que for descoberto...
e pertencer a qualquer grupo revolucion�rio, ser� executado.
Quem tiver escritos proibidos...
ou defender as id�ias dos rebeldes, ser� enforcado.
Precisa me levar de volta ao pal�cio.
-Isso � imposs�vel. -Precisa me ajudar.
Diga que estou doente, diga o que precisar...
mas preciso sair daqui agora.
Podem sair.
-Quer comida? -Nada, saia. Todos.
-Fique. -Onde esteve?
-Em Bursa. -Com o sult�o?
-Por que n�o me disse? -N�o deu tempo.
Como vou te proteger sem saber onde est�?
-Por que age assim? -Como?
Como se gostasse de mim.
O que quer me dizer?
Estava certo quanto a ele, quanto a tudo.
Quero te ajudar. Em duas semanas...
enquanto o har�m se prepara para o banquete das flores...
o ex�rcito vai se preparar para um massacre.
O ex�rcito do sult�o pega garotos, de 11, 12 anos...
�s vezes at� 10 anos, e os for�am a serem soldados.
Eu teria sido soldado se meus pais n�o tivessem me escondido.
Nos refugiamos numa mesquita. Meus pais e minhas tr�s irm�s.
Sab�amos a pena pela recusa, mas achamos que numa mesquita...
estar�amos a salvo.
Mas nem a mesquita nos protegeu.
Os soldados arrombaram a porta.
Minha m�e me cobriu com seu corpo para me proteger das balas...
E, naquela noite...
centenas de mortos foram empilhados numa pira funer�ria.
Entre eles, minha fam�lia.
N�o vi os corpos. Viraram nada.
Mesmo jovem, achava que na morte deveria haver alguma dignidade.
Ao crescer, vi que deveria haver dignidade na vida tamb�m.
H� quanto tempo n�o dorme?
Deve dormir. De manh�, faremos planos.
Quer o caf� no banho, ou trago aqui?
N�o � o que parece.
Damas n�o costumam ter casos com eunucos.
Obrigada, Lani, pode levar para o banho.
A Kadin manda um recado, para que fique com ela � tarde.
Com tudo o que vi e com o que Kisla me disse...
os revolucion�rios ser�o atacados pelos soldados...
numa batida de madrugada no quartel arm�nio.
-Devo procurar Salim. -Como vai sair do pal�cio?
Desde o ataque ao Tesouro, ningu�m pode sair ou entrar.
Jessica, pronta?
N�o pode sair sem suborno, � muito perigoso.
H� um velho ditado turco:
"Uma vez que provou a �gua do B�sforo...
nunca mais deixar� de desej�-la."
Tem sido uma verdade para mim.
J� passou da hora de voc� provar a �gua.
-Sabe o que tem a fazer. -Sim, eu entendo.
S� espero que o sult�o n�o perca o interesse.
N�o poder� recus�-lo de novo.
Eu nem sabia que era casado.
Sente-se.
As tulipas boiando na �gua.
Traga algo doce. Algo que divirta uma inglesa.
Usta, Jessica, sentem-se.
Conhecem Lady Ashley?
H� quanto tempo est� na casa?
N�o sei. O tempo perdeu seu significado.
Ent�o aprendeu a suportar a espera intermin�vel?
N�o tem nada de intermin�vel nisso. � um modo de viver.
� o que mais admiro nas mulheres do har�m.
Aprenderam a ficar satisfeitas.
As mulheres tecem m�sicas de espera.
-Faz parte da natureza delas. -Que po�tico!
-Ela � ador�vel. -Tamb�m acho.
Obrigada pelo elogio.
Pegue isso como s�mbolo da minha considera��o.
Mostrem-nos sua dan�a.
A �ltima moda de Paris aqui no B�sforo.
� incr�vel.
Jessica, caf�.
Confesso que a �nica coisa com que n�o me acostumei...
foi o caf�.
-Mas tive tanto trabalho. -N�o desperdice seu esfor�o...
em algu�m cujo paladar n�o aprecia isso.
N�o achar� um paladar mais apreciativo que o meu.
Obrigada.
Que tarde ador�vel!
N�o acredito que ela tenha se envolvido em algo assim!
E quem escreveu o bilhete? N�o parece a m�o de um homem.
� a letra dela. Mas o que isso prova?
Charles, talvez Jessica tenha se envolvido.
A mulher que vi hoje, est� no controle de si mesma.
E se Tarik n�o pretender faz�-la fugir?
E se s� tiver prop�sitos pol�ticos?
-Charles, confia em Jessica? -Claro. Sempre.
Ent�o, confie em Jessica.
Aonde vai?
Vou levar um recado.
Se levar o recado aos rebeldes, arriscar� ainda mais a vida dela.
Nenhum de n�s pode determinar a hist�ria.
Isso se tornou uma quest�o pol�tica para voc� tamb�m?
Caro Charles, para mim nada � t�o simples quanto pol�tica.
Esta mulher est� muito doente.
Mas n�o acho a causa.
-Deixe chamar outro m�dico. -N�o vai adiantar.
Deixe chamar algu�m.
N�o v�o achar nada. Fui envenenada.
O m�dico achar� algo, deve haver um sinal.
Existe um que n�o deixa rastros.
No caf� ado�ado.
-Quando? -No rio. No passeio.
Meu Deus, o caf� era para mim, n�o?
O caf� era para todas n�s.
-Saia. -Deixe ficar com voc�.
Por favor, v�.
Haver� muitos sonhos antes do �ltimo.
N�o entende? As coisas mudaram para mim.
As pessoas n�o s�o mais rostos sem nome.
Seus gritos n�o podem mais ser cobertos por papagaios.
Eu ou�o a voz de Usta, a sua, a minha.
Deve ir at� seus homens.
Se eu for, se coloca em grande risco.
Volte para me buscar.
Est� na hora de darmos nosso passo.
Mas n�o conseguiremos sem seus ex�rcitos.
V�o se vingar agora por estarmos protegendo seus homens.
-Todos ser�o massacrados. -Por isso temos que atacar antes.
-Atacar, como? -O pal�cio.
Com seus homens e os nossos, podemos enfrentar o sult�o.
Atacar o pal�cio com suas tropas maltrapilhas...
contra o ex�rcito do sult�o?
At� para um escritor, Salim, sua imagina��o se supera.
-H� um modo melhor? -Talvez.
O pal�cio � uma fortaleza.
Dando ao sult�o e seus homens todas as vantagens, mas...
uma vez fora de seus port�es, dispersos em quart�is arm�nios...
-Teremos uma luta, mas igual. -Exato.
E podem se entrincheirar nos quart�is arm�nios.
O qu�?
O sult�o planeja atacar no banquete das flores.
Estar�o preparados para eles. Podem atacar sem que os percebam.
E depois, se venc�-los, podem pensar em tomar o pal�cio.
O que ser� um alvo mais f�cil...
sem o ex�rcito do sult�o para defend�-lo.
Nesta luta nos quart�is arm�nios, como proteger mulheres e crian�as?
N�o pode evitar a perda de vidas.
Mas s�o as mesmas pessoas que nos protegeram.
As pessoas morrem nas revolu��es, Salim.
Devemos tentar avisar tantos arm�nios quanto poss�vel.
N�o h� outro modo.
Est� conosco, ent�o?
Isso eu n�o disse.
Por que um homem n�o pode dizer sim ou n�o?
-N�o � f�cil para ele. -Acha que se unir� a n�s?
Se n�o, atacaremos sem ele. Vejo-o daqui a 24 horas.
Por que vai voltar ao pal�cio agora?
N�o tenho escolha. Prometi salvar a mulher.
E o cerco ao pal�cio � uma decis�o que terei que tomar.
-Ningu�m estar� a salvo l�. -Deixe que a matem, ent�o.
N�o posso.
Ent�o as coisas mudaram para voc�.
Ele est� com seus homens.
Tarik!
Jessica.
Jessica.
Sim, eu quero. Sim.
Lani.
Lani, o que foi?
Idiota.
Garotinha idiota.
Jessica...
Podem olhar!
Podem olhar para este rosto sem v�u!
Observar, da� conhecer�o o rosto de uma traidora!
O que deve ser feito com ela?
N�o deve haver d�vidas. Ser� afogada no B�sforo.
H� anos n�o h� uma morte ritual.
H� anos que o sult�o n�o � tra�do por uma mulher.
Quero saber o que aconteceu. Tudo.
E voc� vai me dizer.
De novo!
De novo!
Direi tudo o que precisa saber.
Fui mandado ao pal�cio como espi�o, por seus inimigos.
Eu usei essa mulher para obter informa��o.
Quando ela descobriu quem eu era, eu a estuprei.
-E quase a matei. -Est� mentindo.
Ela estava abra�ada nele. Como uma amante.
Sil�ncio.
Quer dizer que voc�, um b�rbaro sujo das ruas...
� um agente de nossos inimigos?
Que � um espi�o mandado para obter informa��es?
Nem parece inteligente o bastante para se alimentar...
que dir� enganar uma inocente.
Meu nome � Tarik Pasha.
Venha.
Sente-se ao meu lado.
Tragam o carrasco.
Se este homem disse a verdade, quer ele morto tanto quanto eu.
Preparem-no.
Ele � seu.
O poder de vida e morte est� em suas m�os.
Prossigam.
N�o! Parem!
Levem-na.
Devo parabeniz�-lo.
� o �nico homem na hist�ria deste imp�rio...
que conseguiu criar tamanho tumulto.
Sua Majestade me ofereceu muitas oportunidades...
e a causa est� completa.
� o que parece.
Acha que algum de voc�s tem chances contra o imp�rio?
O povo n�o ser� menosprezado, nem agora, nem nunca.
� um homem inteligente.
Admiro sua habilidade e suas convic��es.
Por mais err�neas que sejam.
E tamb�m � perigoso.
Levem-no.
Sei que deve sentir que o tra� tamb�m.
N�o, apenas traiu a si mesma.
Morrer� silenciosamente...
e seu amante morrer� em execu��o p�blica.
N�o! O sult�o disse que a decis�o era minha.
-A vida dele ser� poupada. -S� por um momento.
Sua vida s� lhe rendeu uns dias.
Deixem que eu fa�a!
Quase se afogou.
Achava que ela tinha vindo da praia.
Uma prisioneira, mais provavelmente.
N�o houve naufr�gio algum por aqui.
Mas � uma beleza.
-Onde estou? -Veja! A sereia fala ingl�s.
Estaremos na biblioteca.
Por favor, diga a meu pai, o Sr. Gray, que quero v�-lo.
Mas, senhor?
Obede�a.
-Conhaque? -Por favor.
Parece t�o tolo agirmos como estranhos.
Eu n�o sei de onde come�ar.
Use o tempo que precisar.
Nunca perdi as esperan�as. Nunca deixei de te amar.
Sempre contei com isso.
� o que mais importa.
O amor me assusta. Eu mudei tanto.
Mas o amor se adapta �s mudan�as.
Precisa saber de algumas coisas.
-N�o precisa dizer. -� justo que saiba.
Eu me apaixonei por uma garota...
mas estou preparado para amar a mulher.
-Perdoaria tudo o que fiz? -Perdoar e nunca perguntar.
Onde est� meu pai? Seria melhor eu v�-lo.
Onde ele est�?
Isso tudo foi demais para seu pai.
Morreu em Damasco.
Sinto muito.
Vou cuidar de voc� agora.
Voltaremos para a Inglaterra o mais breve poss�vel.
Farei os planos amanh�.
Est� tudo como deixei.
Tem toda uma vida � frente, esperando ser retomada.
D� tempo a ela.
Jessica, voc� est� bem?
O que est�o fazendo? As armas, os guardas?
Para nossa prote��o, suponho.
� um tipo diferente de jaula.
Sabe que devia estar repousando em seu quarto.
N�o passeando pela embaixada de camisola.
Talvez apropriado no har�m, mas n�o muito brit�nico.
Claro, nada brit�nico.
Lady Ashley, h� coisas que preciso saber.
Ajude-me a achar meu amigo. Sua vida depende de mim.
Se eu ajud�-la, estarei traindo Charles.
Imagina o quanto sua partida agora o afetaria?
Claro que sim. Mas ele entender�.
Farei com que entenda, assim que acabar.
Por que est� fazendo isso?
-Tenho uma d�vida a pagar. -Para Tarik?
Tem certeza de que n�o se apaixonou por ele?
Meu futuro � com Charles, mas tenho de que fazer isso agora.
Ent�o fale com ele, antes de deixar a embaixada.
N�o tenho tempo, nem para chorar pelo meu pai.
Por favor. Preciso de sua ajuda.
Estou � procura de Salim.
Tarik est� com voc�?
Est� na pris�o do sult�o. Ser� executado amanh�...
no banquete das flores.
-O que est�o fazendo? -Uniformes.
Precisamos parecer um ex�rcito amanh�, mesmo sem ter for�a.
E os soldados do ex�rcito do sult�o?
Se viessem com o comandante e seus homens...
ter�amos chance.
E n�o � bom ficar sem um l�der.
N�o � tarde demais para salvar a vida de Tarik.
N�o podemos arriscar mandar um dos melhores ao pal�cio.
Precisamos de cada homem na batalha.
Ent�o, me mande.
Conhe�o o pal�cio. Sei o que precisa ser feito.
Conhece o har�m.
E o som dos papagaios me levar� direto a Tarik.
O uniforme...
e dinheiro para subornos. Precisa de algo mais?
Nada. Obrigada, Salim.
Se tivermos �xito amanh�, deve sair deste lugar...
e voltar para a sua gente.
Voc� e Tarik...
ele � um homem com s� um amor. Seu pa�s e o que ele poderia ser.
N�o h� lugar para mais nada.
Talvez eu tamb�m acredite no que est�o tentando fazer.
Mostro-lhe o caminho de volta para a estrada.
N�o te vi antes? Quantos o viram antes?
� mudo. N�o sabe falar.
D�em-me vinho.
Parados!
Meu amigo, est�vamos esperando.
-Onde est�o os outros? -Est�o prontos.
Sigam-no.
-Toda a corte est� conosco. -Precisaremos da ajuda deles.
Dar�o a ajuda que precisarmos.
Por aqui.
Come�amos com as barricadas.
Vamos, agora. R�pido.
Vamos!
-Quem � voc�? -Um sonho.
Abram suas janelas e ou�am.
Abram suas janelas.
Trago uma mensagem de seu sult�o.
Abram suas janelas, ou o sult�o as abrir� para voc�s.
Sabemos que est�o escondendo os rebeldes.
Foram manipulados por traidores.
Chegou a hora de entregar os rebeldes entre voc�s.
Quem ser� o primeiro a trair o sult�o?
A continuar assim, pessoas v�o morrer hoje.
Mas voc�s t�m escolha.
Ser�o os traidores, ou seus filhos, suas esposas?
Entreguem-nos os rebeldes!
Nenhum de voc�s tem algo a dizer?
Carrasco, em nome de Sua Majestade, o Sult�o...
Tarik Pasha, condenado � morte...
por crimes contra Sua Majestade, por crimes contra o imp�rio!
Voc�s est�o cercados!
-Fogo! -N�o, parem!
-Estes homens s�o traidores! -S�o soldados como voc�s!
-S�o seus irm�os! -Mandei atirar!
Suas armas silenciosas podem libertar nosso povo.
-Em nome do sult�o... -N�o fa�am nada em seu nome!
� hora de sua consci�ncia sobrepujar suas ordens!
Eu exijo que atirem!
Leve-nos ao pal�cio. Mereceu este direito.
N�o! Iremos juntos.
Siga-me.
Providencie que os quart�is levem estas proclama��es �s ruas.
H� quanto tempo sabe sobre a revolu��o?
N�s nunca sabemos. Devemos estar preparados sempre.
Podia ter sido minha Kadin.
Este momento passou antes mesmo de nos conhecermos.
Estive � sua espera.
N�o!
Est� virando h�bito voc� salvar minha vida.
E quem vai salvar a sua vida agora?
-Isto j� foi decidido. -O qu�?
Ele vai me usar como uma transi��o pac�fica entre nossos governos.
Eu me tornarei um monarca constitucional.
Sem poder real, � claro.
Este � do povo, agora.
O sult�o convocou ao povo elei��es gerais...
para o Parlamento.
O sult�o deseja trazer o povo para o imp�rio...
para dar voz ao povo.
Hoje, eles celebram suas similaridades.
O elo humano de todos n�s.
Amanh�, lembrar�o de suas diferen�as.
� quando come�a a verdade, o verdadeiro teste.
Por isso Salim diz que n�o haver� lugar para mim...
-em seu novo pa�s? -Ele disse isso?
Disse que devo voltar � Inglaterra. A meu povo.
Que voc� � um homem com apenas um amor.
Charles quer que eu volte � Inglaterra.
-Nunca falamos dele. -N�o precisamos.
Sabe que ele a espera.
-E voc�? -Meu lugar � aqui.
Fui parte de um momento, n�o parte da sua vida.
Quero saber se me ama...
se por um tempo me amou de verdade.
Isso importa tanto?
Obrigado por traz�-la de volta.
Foi decis�o dela.
Achei que as desculpas seriam pelo que aconteceu com o sult�o.
Voc� disse que nunca iria perguntar.
Lembro de quando nos conhecemos.
Era um jovem t�o galante.
Ambos lhe devemos muito.
Aprendeu a viver sob as mais extraordin�rias circunst�ncias...
agora, espero que aprenda a p�-las de lado.
-Voc� p�s? -N�o muito eficientemente.
-E nunca por muito tempo. -Estou fazendo a coisa certa?
Claro que est�.
Por tantas vezes sinto saudades da Inglaterra.
Mas agora � imposs�vel eu voltar.
Devemos embarcar.
Nunca duvide de sua decis�o.
Ser� uma Inglaterra diferente da que deixou, pois voc� mudou.
Claro que se tivesse decidido ficar aqui...
seu destino teria sido determinado pela hist�ria, n�o por voc�.
Aqui tudo � incerto.
-Est� tudo pronto? -Parece.
-Bem? -Bem?
Est� fazendo papel de boba.
N�o me importa.
-N�o � ele. -Claro que n�o.
-N�o poderia ser. -Eu sei.
-Se fosse... -Se...
N�o a esperarei novamente.
Charles...
sinto muito.
O que preciso fazer para que voc� fique?
Pe�a-me.
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