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Fiordes Ocidentais, Noroeste da Islândia
1980
DRIVING MUM (Viajando Com Mamãe)
CAPÍTULO UM INÍCIO E FIM
Então Sigga abriu os olhos, que não viram mais nada.
"Gullfoss, a Cachoeira Dourada, se despede com um arco-íris duplo
"do seu melhor amigo",
Eiríkur disse em voz alta enquanto olhava para a cachoeira.
"Não preciso me despedir. Fica guardado aqui,"
Sigga respondeu enquanto colocava a mão lentamente sobre o coração.
Então ela falou tão baixinho
que Eiríkur teve que se abaixar para ouvi-la:
"Eu santifico minha mente em tua névoa,
"banho meu coração em tua esplêndida lareira."
Eiríkur fechou a porta de trás,
sentou-se no banco da frente ao lado de Ásgrímur.
e partiram.
Eu nunca fui lá.
Hã?
Eu nunca fui na Gullfoss.
Não.
Fui a Geysir uma vez com a minha mãe...
Mas não tenho nenhuma foto minha lá.
Mamãe tinha uma foto dela na Gullfoss.
Sério? Mas ela morava lá perto.
Eu quero tirar uma foto minha na Gullfoss.
Não é um pouco tarde demais pra isso?
Você tem uma câmera.
Não vamos fazer nenhuma viagem, né?
Mude.
Você está na estação meteorológica. Agora, a previsão para amanhã.
A leste da Groenlândia, temos uma alta pressão de 1018 mb
e uma depressão de 997 mb a oeste da Escócia, movendo-se para leste.
A temperatura não vai mudar muito...
Gullfoss?
Acho que não.
Suéteres...
Pronto.
- Aí está. - E as fitas cassete?
Ah, sim!
- Quantas você tem? - Dez. Estão com os suéteres.
As novas já estão aqui?
- Sim. - Ótimo. Então estamos quites.
Certo.
Vamos.
Vamos, garoto.
O uso do cinto de segurança será obrigatório no Reino Unido.
A Câmara agora diante de uma proposta
que se espera ser aprovada.
John Gilbert, Ministro dos Transportes,
afirma que o uso de cintos de segurança...
O que você vai fazer quando eu morrer?
Quê?
Você entendeu.
- Você não está morrendo, está? - Nunca se sabe.
Pois é, é o que eu ia dizer.
Não quero que você fique aqui sozinho.
Eu tenho o cachorro.
Eu me preocupo com você.
Eu me viro.
Você se lembra do que prometeu?
Sim.
Prometeu, tem que cumprir.
Eu sei.
O que vai fazer comigo quando eu morrer?
Não há muito o que fazer com alguém morto.
O que vai fazer comigo?
- Vou arranjar um lugar. - Onde?
- Com o velho. - Não.
Eu quis dizer lá no sul. Na vila.
Em Eyrarbakki?
Sim, em Eyrarbakki.
- Posso confiar em você para isso? - Bem, acho que sim.
- Posso confiar em você? - Acabei de confirmar.
Repita.
- Pode confiar em mim. - Para quê?
Para te enterrar em Eyrarbakki.
- Mas acima de tudo, eu não... - Não quer ser cremada, já sei.
E sabe que eu quero usar uma roupa bonita?
Sim.
Troque.
Mamãe.
Mamãezinha.
Você está aí, mamãezinha?
Já separei as minhas roupas.
Você dirigiu até aqui?
Mãe?
Mãe.
Saia da frente.
Brejnev.
Cadê esse cachorro?
Brejnev!
Venha cá!
Brejnev, venha cá!
Venha! Brejnev!
Venha cá! Venha!
Venha cá!
Então fique aí.
Maldição!
Você não ajuda em nada, hein?
[Em alemão]
>
>
>
não conseguimos passar por você. >>
[Em inglês] Desculpe.
Não dá pra dar ré ou fazer a volta.
Está difícil voltar.
Entendeu?
>
>
>
>
>
Veja!
>
Não dá. Impossível.
Não somos acostumados a dirigir nessas estradas.
Entendeu?
Pode voltar?
Acho que ele quer que a gente dê ré. Será que podemos?
Não.
Vai se render a um nazista?
Nazista?
>
Você é tão covarde quanto seu pai.
>
Malucos!
fiquem no carro. >>
Você gosta de James Last, não é?
>
>
Ah, aqui foi bem antes de você nascer.
Você não a conheceu.
Você quem pediu!
Vamos!
...a bisavó Elinbjört Vigdís Valthorsdóttir, do sul de Reykir,
que faleceu em sua casa em Hafnarfjördur no dia 13 de junho.
O funeral ocorrerá em...
O que você estava vendo?
Hã?
O que você estava vendo?
Hã? Onde? Quando?
O que você estava vendo lá atrás?
Nada.
Você estava lamentando?
Lamentando? Não, claro que não.
- Não estava lamentando com o álbum? - Não!
Ela teria te traído de qualquer jeito.
...o crescimento será estável nos próximos cinco anos.
Kosygin discordou das críticas do secretário Brejnev
sobre as decisões econômicas na União Soviética...
Nem tudo é o que parece quando se trata do camarada Kosygin, hein?
Não acha?
Sim.
CAPÍTULO DOIS O MUNDO EXTERIOR
Esquerda.
Direita.
[Em inglês] >
>
O quê?
>
Estamos indo para o sul. Algum problema?
>
Por que você nos mandou parar?
>
>
>
>
Ela está morta.
Certo... Será que...?
>
Esquerda.
Não, você fica.
Olá.
Buscando algo para comer?
Como posso ajudar?
Estamos com fome.
Estamos com uma oferta incrível nas costeletas de cordeiro.
Gostaria do prato do dia?
Duas costeletas de cordeiro.
A caminho!
O quê?
- Duas costeletas de cordeiro, né? - Sim.
Certo, pode se sentar.
Certo.
Boa noite!
Aonde vocês estão indo numa noite linda como esta?
Vocês quem?
Boa pergunta!
- É daqui dos Fiordes Ocidentais? - Sim.
- Mas de outra região, não é? - Sim.
Eu e minha amiga estamos celebrando o aniversário dela.
- Não vou dizer a idade dela... - Não.
Não, vou só dizer que...
Ela tem mais de 30 anos, sabe?
Temos uma aniversariante aqui conosco.
É aniversário da Dua, então vamos cantar parabéns.
♪ Parabéns pra você ♪
♪ Nesta data querida ♪
♪ Muitas felicidades ♪
♪ Muitos anos de vida ♪
♪ Parabéns pra você ♪
♪ Nesta data querida ♪
♪ Muitas felicidades ♪
♪ Que a idade seja esquecida ♪
E por falar na Dua, ela nos lembra desta música!
[♪ Canção islandesa ♪]
Este lugar é ótimo, nós viemos aqui sempre.
Aqui está, duas costeletas de cordeiro.
Não...
Parece que a esposa foi deixada no carro...
Essa aqui vai para todos os apaixonados
que vão acompanhar o cometa amanhã.
♪ Leve-me para a Lua ♪
♪ Deixe-me brincar entre as estrelas ♪
♪ Deixe-me ver como é a primavera em Júpiter e Marte ♪
♪ Em outras palavras ♪
♪ Segure minha mão ♪
♪ Em outras palavras ♪
♪ Beije-me, querida ♪
Oi, querido...
Posso me sentar, bonitão?
Não vai me dar parabéns?
Hã?
Ah, sim.
Obrigada mesmo assim.
Está sozinho?
Deixou a esposa em casa?
Está viajando sozinho nesta linda noite de verão?
Ou talvez você seja fotógrafo?
- Para onde está indo? - Sul.
Certo...
- Você mora lá? - Não.
Não...
Bela câmera!
É uma Pentax Spotmatic.
Câmera reflex.
Certo... Reflex?
Sim, reflex de lente única...
Filme preto e branco Tri-X de 35 milímetros...
Temos um pedido da aniversariante.
- Só uso esse filme. - Dua!
Suba aqui para cantar!
Escute...
Essa é especialmente pra você, bonitão!
Para os rapazes!
[ ♪ Yes Sir, I Can Boogie ♪ ]
♪ Senhor ♪
♪ Seus olhos estão cheios de hesitação ♪
♪ Isso me faz pensar ♪
♪ Se você sabe o que está procurando ♪
♪ É ♪
♪ Baby ♪
♪ Quero manter minha reputação ♪
♪ Eu sou uma sensação ♪
♪ Se você experimentar uma vez, vai implorar por mais ♪
♪ Sim, senhor, eu sei dançar ♪
♪ Se você ficar, não vai se arrepender ♪
♪ Eu sei dançar ♪
♪ Dançar, dançar ♪
♪ A noite toda ♪
♪ Sim, senhor, eu sei dançar ♪
♪ Se você ficar, não vai se... ♪
♪ Não, senhor ♪
♪ Eu não sou muito de falar ♪
Dua ainda está no quarto?
Acho que sim.
- Sem problema. - Não, tem problema, sim.
Dorminhoco.
Ei, venha aqui fora!
Saia!
Puta merda!
- Onde aprendeu a dirigir?! - Acalme-se.
- Onde aprendeu a dirigir?! - Sem violência.
Sem violência?
Como reagir a uma tentativa de assassinato, hein?
Assassinato?
O que está pensando?
Está tentando causar um acidente de propósito? Hein?
Merda!
Bom dia.
- O que está havendo? - Pergunte a esse neandertal.
Ele está colocando todos nós em perigo dirigindo como uma lesma!
- Por que não vem comigo? - Não me toque!
- Ei! - Venha comigo.
Estou sendo preso por tentar ensinar alguém a dirigir?
Calma, ninguém está sendo preso.
Cuidado!
Bom, como vai?
Estou bem.
Tem uma baita fila de carros atrás de você.
Como assim "uma baita fila de carros atrás de mim"?
- A que velocidade estava dirigindo? - O velocímetro marcava 42.
- Sem excesso de velocidade, então. - Não.
Veja, isso é muito lento para uma rodovia.
Está criando perigo dirigindo tão devagar.
- Você tem carteira de motorista? - Sim, está no carro.
Ora, ora...
Jón, de Arnarfjordur?
Não se lembra de mim?
Sven? Sven, de Ísafjördur.
Nos encontrávamos algumas vezes nas excursões de pesca.
Você namorava uma garota de Patreksfjördur.
Como era o nome dela mesmo? Berg-alguma coisa...
Bergrun ou Bergljot...
Jón, de Arnarfjordur!
- É sua mãe? - Sim.
Olá, senhora. Lembra-se de mim?
Não...
- Para onde está indo? - Para o sul.
- Reykjavík? - Eyrarbakki.
- Eyrarbakki? - Sim.
- Você tem parentes lá? - Minha mãe.
- Sua mãe tem parentes lá? - Sim.
Pretendem ficar muito tempo?
Ela vai descansar lá.
Tem asilo lá em Eyrarbakki?
- Hã? - Uma casa de repouso para idosos.
Ela não precisa de repouso, está morta.
Veja, Jón...
Sua carteira de motorista está vencida...
E precisa levar o carro para uma vistoria assim que possível.
Você deveria ir à oficina mais próxima.
O certo seria eu apreender seu carro agora mesmo, mas...
Em nome dos velhos tempos, e sem falar na sua mãe...
Vou te dar uma chance de corrigir isso.
Certo?
É raro eu falar isso, mas...
Tente dirigir um pouco mais rápido.
Ou pegue estradas menos movimentadas.
Ficaria melhor pra você?
Mas e aí...
Não vai observar o cometa hoje à noite?
Vai ser um espetáculo.
Beleza...
Tchau, Jón. Boa viagem.
Seu maluco!
- Bergrun. - Bergdís!
Bergdís, Bergrun, Bergljot, tanto faz...
Não é uma boa hora pra falar dela.
Nunca é uma boa hora pra falar dela.
- Direita. - É, eu sei!
Calado, garoto!
Silêncio!
Pare de choramingar!
Fique, garoto!
Esse aqui tem muita energia.
Igual ao pai.
Venha comigo.
Acho que o clima vai continuar abafado.
Está tranquilo.
Como sempre.
Mas tudo bem.
Bom...
A mulher não quer uma xícara de café?
Não.
- Será que não está cansada? - Não.
- Não? - Ela está morta.
Bom, então não está cansada mesmo.
A não ser que esteja morta de cansaço.
Tchau.
Ah, um segundo.
Ele gosta desses biscoitos quadrados mergulhados no leite.
Os redondos, nem tanto.
A gente se vira.
Certo.
Pelo menos não vai ficar sem cachorro, não é?
Você sabe que é impossível viver sem um cachorro.
Impossível.
Não foi culpa minha o cachorro ter corrido pra frente da roda!
Eu nego todas as suas acusações.
Estou farto das suas reclamações constantes!
Todo dia, o tempo todo!
CAPÍTULO TRÊS
CADA CAMINHO PARA CASA É O CAMINHO DE CASA
- Mude. - Quê?
Mude!
A fita ainda não terminou.
Desligue isso!
- Achei que você gostasse dessa canção. - Eu odeio!
Tudo bem, então.
- Papai vivia assobiava essa, não era? - Sim.
- Achei que era sua canção. - Não era minha.
Seu pai tinha um gosto musical horrível.
- Essa canção deve ter sido popular no seu tempo. - Sim.
- Fez muito sucesso? - Sim.
Consigo imaginar você e papai dançando essa canção.
Seu pai não sabia dançar.
- Ele só entendia de ovelhas. - Sim.
Ele não sentia falta de nada fora da nossa região.
Bem, exceto de você.
- Ele me enganou. - Hã?
Eu era jovem e inocente.
Quê?
Senhor Fazendeiro dos Fiordes Ocidentais.
Eu não diria que nossa casa é uma fazenda.
Não, nem perto disso.
É verdade que a vovó e o vovô nunca foram
visitar vocês nos primeiros anos de casamento, antes de eu nascer?
Sim.
- E nem depois? - Não.
- Nem ninguém da família? - Não.
Está meio solitário aqui sem o Brejnev.
Não estou dizendo que estou com saudades dele.
Pelo menos tenho você.
É preciso olhar para o futuro com otimismo
e não ficar sempre remoendo o passado.
O passado já se foi e não podemos mudá-lo.
Como dizia o coroa: "Enquanto o sol continuar nascendo..."
Me poupe dessa baboseira sentimental!
Você deve estar feliz por finalmente voltar a Eyrarbakki...
Íamos viajar pra lá depois que papai morreu, lembra?
Creio que não.
- Mas você disse que... - Eu não disse nada.
Acho que você não deveria ter se casado com o papai.
Por que não se separou dele?
E para onde eu iria?
Para casa, claro.
Casa? Em Eyrarbakki?
Sim, para sua casa.
A família Bridde não admite erros, disso eu tenho certeza.
Eu era apenas uma jovem inocente
que se apaixonou por um homem mais velho e não tinha aonde ir.
Para onde eu iria?
- Para a família Bridde. - Seu pai era um ignorante.
O quê?
- Como assim, "o quê"? - O quê?
Ele era inculto.
O papai?
Você é tapado?
Pelo menos eu sou um Bridde.
Não graças a ele.
Estou ansioso para visitar os lugares da família.
Conectar com as minhas raízes.
Embora eu não espere encontrar nenhum parente.
Estão todos mortos.
- Nós somos os últimos dos moicanos? - Você é.
- Eu nunca deixei seu pai me tocar. - Já chega...
Não depois que eu engravidei de você.
Pelo menos isso não é culpa minha.
Como você dirige mal!
Meu Cortina não gostou da conversa.
Deve estar com sede.
Não dá pra confiar no medidor.
Ora, ora...
Que tal passarmos a noite aqui?
É um bom lugar, não?
Quer uma musiquinha?
Ai, droga!
♪ Estou sozinha e estou bem, Jón está indo pra casa ♪
♪ Estou feliz e estou bem, Jón está indo pra casa ♪
♪ A ansiedade, a tristeza e a angústia ♪
♪ Foram embora de mim ♪
♪ Porque Jón está indo pra casa ♪
♪ Numa noite de primavera, Jón decidiu partir ♪
♪ Triste e abatida, eu fiquei aqui ♪
♪ E um desejo estranho ardeu dentro de mim ♪
♪ Mas ao tentar segui-lo, meu sorriso eu perdi ♪
♪ Estou sozinha e estou bem, Jón está indo pra casa ♪
♪ Estou feliz e estou bem, Jón está indo pra casa ♪
♪ A ansiedade, a tristeza e a angústia ♪
♪ Foram embora de mim ♪
♪ Porque Jón está indo pra casa ♪
Quem precisa de rádio?
Nós...
Às vezes dançávamos as músicas da rádio.
Hã?
Ela gostava muito.
- Quem? - Bergdís...
Não nos divertimos mais assim.
Não desde que ela partiu.
Por que está falando disso agora?
- Achei que estávamos nos divertindo. - É que...
Você não gostava dela, né?
Ela era um cavalo de Troia.
Um cavalo de Troia? O que quer dizer com isso?
Você não gostou dela desde o início.
Aparentemente, seu pai também concordava.
Que ela era um cavalo de Troia?
Era óbvio que ele a considerava uma vadia.
- Ele sempre foi legal com ela. - Até parece!
Acho que você que é tapada.
Você não entende que eu gostava dela?
Pff...
Acho que eu...
...a amava.
- O que você sabe sobre o amor? - Como assim?
Por que você acha que ela sumiu do nada?
Ela não queria morar no campo.
Nós já tínhamos conversado sobre isso.
Ela não quis que você fosse com ela.
Eu disse a ela que precisava pensar no assunto.
E por que ela não te deu esse tempo para pensar?
O que você está insinuando?
Tudo bem por aqui?
Tudo bem por aqui?
Que noite magnífica!
Você se lembrou de fazer um pedido?
Por causa do cometa.
Não tive dúvidas do que desejar.
Que bom que te encontrei.
Não fui eu quem te encontrou?
Que bom que você veio.
O carro está dando problemas.
- Está ficando velho. - Sim.
E não foi feito pra viagens longas.
Não...
Você não tinha um cachorro?
Sim, Brejnev.
Secretário-Geral Brejnev?
Brejnev, filho de Svetlana,
filha de Nadejda Alliluyeva.
- Alliluyeva? - Você lembra dela!
Marrom, sempre latindo...
Sim, lembrei!
Nome difícil.
Uma cadela trabalhadora.
E agora estão só vocês dois.
Brejnev encontrou um novo lar.
Acontece.
Igual a você.
Estou por aí.
Alguém falou de Selfoss.
Sério?
Por que você foi embora?
Eu tinha escolha?
Nós gostávamos muito um do outro.
Sim.
Você nem mandou notícias.
Você mandou?
Eu não sabia seu novo endereço.
Ainda assim, aqui estamos.
Tenho que enterrar minha mãe.
Sim.
Você sabe do que são feitos os sonhos?
Sonhos?
Sim.
Veja!
Ei, eu queria te mostrar esta fotografia...
Puta merda!
O que você fez, garotão?
Você fugiu, garotão?
Não se deve fugir dos seus compromissos!
Isso não se faz!
Agora já era.
Venha aqui.
Não se deve fugir dos seus compromissos!
Não devemos fazer isso.
Meu chapa.
Mas que droga!
Nossa, você é azarado!
Bom dia.
Bom dia.
[Em inglês] >
Eu queria ser fotógrafo.
[Em francês] pra Islândia desde pequeno. >>
Eu teria que ter me mudado para Reykjavík.
em Reykjavík. >>
Eu era aprendiz...
Em Bíldudalur, depois em Patreksfjördur.
sonhado não era assim. >>
E foi lá que conheci Bergdís, minha namorada.
de nos conhecermos na França. >>
Nós íamos nos casar.
Levei-a para casa para conhecer meus pais.
>
E então...
Um dia, do nada, ela foi embora.
Eu não sabia para onde.
Existem muitas cidades na Islândia.
o fim da minha viagem. >>
Selfoss.
Ouvi dizer que ela morava lá.
- > - Aham.
- > - Aham.
Talvez ela ainda more lá.
me afastar da cidade. >>
Talvez ela ainda esteja me esperando.
meus remédios. >>
Ou talvez não...
nas montanhas... >>
Preciso tirar a dúvida.
>
Ela e minha mãe não se davam bem.
>
Estou honrando o último desejo da minha mãe.
que eu já fiz. >>
Talvez eu não devesse.
uma jornada difícil... >>
Ela não merece.
>
Eu cuidei dela por 30 anos.
>
Desde que meu pai morreu.
>
>
Ela nunca foi feliz, nem quando meu pai estava vivo.
a minha consciência tranquila. >>
Seu suéter é islandês.
>
- Bela estampa. - >
Eu e minha mãe tricotávamos suéteres.
Ah, sua mãe era camponesa?
Sim! Nós os vendíamos para a cooperativa local.
levando-a em um caixão? >>
É, vou dar uma olhada.
Minha mãe e eu vamos parar em Gullfoss e depois em Geysir.
Se quiser, pode vir conosco.
>
>
>
Você vai a pé?
>
Tchau e muito obrigado.
Ei, espere um segundo.
Obrigado.
>
Esquerda.
- Bergdís mora aqui? - Sim.
- Ela está em casa? - Você está falando com ela.
Não, você não é a Bergdís.
Mãe, quem é?
Quem é você?
Meu nome é Jón.
Bergdís e eu nos conhecemos.
Ah, você está falando da minha mãe, Bergdís Gisladóttir...
-Sim. - Nossa, ela estava tão linda e jovem.
- Esse é você? - Sim, nós...
Ela não mora aqui?
Não, ela não mora aqui há dez anos. Ela vive em Newcastle.
Newcas...?
Sim, em Nova Gales do Sul.
Gales...
Na Austrália.
Aceita um cafezinho?
CAPÍTULO QUATRO QUANDO UMA MULHER MATA UM HOMEM?
Como vão as coisas na baía?
Eu tinha uma amiga que era daqui.
Você se lembra de ter recebido alguma carta destinada a mim?
Não. Não lembro disso.
Por que a pergunta?
Você ainda guarda todas as cartas?
Sim. Acho que sim.
- Você acha que... - Sim.
- O quê? - O quê?!
O que você acha?
Por que nunca cheguei a ver uma carta
que Bergdís escreveu logo depois de partir?
- Hã? - O que aconteceu com a carta
que Bergdís me escreveu?
- Hã? - Você é tapada?
- Que carta? - Que carta?!
- O que tinha nela? - O que você acha que tinha nela?!
Nada demais, imagino, exceto que...
Dizia que ela estava esperando uma filha!
- Hã? - Uma filha minha!
- Você tem uma filha? - Pelo amor de Deus!
Que carta é essa que você está falando?
Eu sei que você recebeu!
- Não estou mais ouvindo. - É, a verdade dói.
Você precisa procurar ajuda, não acha?
Você me negou minha filha!
Não deixe ninguém ouvir essas suas bobagens.
- Eu tenho uma filha! - Quem disse?
- E netos! - Você sempre foi ingênuo.
Eu acabei de falar com a minha filha!
Você não sabe do que fala!
Você nunca quis que eu tivesse uma vida independente de você!
Você sabe que é especial!
Bergdís quem terminou com você...
Sim, mas ela me escreveu!
Eu sempre tentei te proteger!
O que você está dizendo?
Era uma menina?
Venha, garotão.
Venha, sente.
CAPÍTULO CINCO QUANDO UM HOMEM MATA UMA MULHER?
- Você admite ter incendiado o veículo? - Sim.
- Sabendo que sua mãe estava dentro? - Sim.
- Então admite ter incendiado sua mãe? - Sim.
- Viva, dentro do carro...? - Não!
- Você não acabou de admitir...? - Ela não estava viva.
Não estava viva?
Isso não bate com os depoimentos das testemunhas oculares.
Ele pediu duas costeletas de cordeiro...
E ele só comeu uma,
e levou a outra até o carro onde a mulher estava.
Obviamente não quis entrar.
Talvez ela tivesse algum tipo de fobia?
Não se alimenta um cadáver, não, senhor.
Ao menos até eu sei.
Ele falou sobre um cachorro...
Você viu algum cachorro?
Não vi nenhum. Como ele era?
Sim, eu conheço o Jón das antigas.
Eu tinha um emprego temporário
em um navio pesqueiro nos Fiordes Ocidentais.
Acabei conhecendo um pouco a velha também.
Ela era uma figura singular, muito excêntrica e enérgica.
E você a viu no carro quando parou o Jón, certo?
Sim, ela estava acomodada no banco de trás.
De cara fechada.
Você falou com ela?
Sim, estávamos todos falando.
Acho que eles mencionaram que estavam indo pra Eyrarbakki,
a velha ia para um asilo.
Em Eyrarbakki?
Sim, ou algum lugar por lá.
Mas a velha não falou muito.
Ela nunca foi muito de falar.
- Não sabe de onde era esse homem? - Não.
E não sabe o nome dele?
Não.
E como vamos encontrar esse homem?
- Ele está doente. - O que ele tem?
Não sei.
O que você sabe sobre ele?
Ele é um homem bom e muito prestativo.
Agora ficou fácil de achar.
- Sim. - Sim.
[No jornal] "Condenado a sete anos de prisão.
"Não vai recorrer."
Este é o último aviso para o voo FI-614 com destino a Luxemburgo.
Solicitamos aos passageiros que embarquem na aeronave.
[Aviso repetido, agora em inglês]
CAPÍTULO SEIS O FIM E O INÍCIO
- Passe a bola! - É do time azul.
Continuem.
Eu queria verificar o status de um pedido.
Sim.
Sim, Jón Jónsson.
Prisão de Litla-Hraun.
Sim. Já faz pelo menos uma semana que paguei.
Sim, sim, entendo.
Tudo bem.
Jón?
Jón?
- O que foi? - Seu pacote chegou.
- Sério? - É enorme!
Sim.
Maravilha!
Aí está. Obrigado.
Até mais.
Beleza.
- Isso tudo é lã? - Sim.
De quem é esse cachorro?
Não sei, minha mãe dá comida a ele.
Qual o nome dele?
- Ela o chama de Popó. - Popó?
Não, é Totó, e não Popó.
Eu vou chamar de Popó.
Perfeito.
Não deixe tão rígido.
- Cadê? Vamos ver. - Aqui.
Está quase lá.
Só falta a gola.
Vai ser ótimo para usar enquanto conduzo as ovelhas.
Não, espere. Veja...
Lembre-se: não precisa dar muitas voltas.
Enrole só um pouquinho.
Assim está melhor.
- Que tal? - Boa, está ótimo.
Não fique tão tenso, relaxe esses ombros.
Está fazendo um bom trabalho.
Você tem sido uma boa influência para eles.
Eu e a equipe estávamos conversando
sobre como seria uma pena te perder.
Só dizendo...
Então está esperando uma carta do Ministério da Justiça, hein?
Espero que se sinta bem aqui conosco.
Sobre a possível reabertura do seu caso...
Surgiram novas evidências?
Sim.
Você ir embora seria uma grande pena.
Eu já disse isso, não foi?
Só quero que você saiba
que vemos um futuro brilhante para você dentro desses muros.
- É? - É. Então, o que acha?
Parece bom.
A instituição já pensou em montar um laboratório de fotografia aqui?
Um quarto escuro com uma máquina de ampliação.
Isso seria muito caro?
Escute só...
Já falei que vamos receber um desses novos aparelhos de videocassete?
Isso significa que poderemos oferecer todo tipo de filme nessas fitas.
Tipo Rocky. Já assistiu Rocky?
Você precisa assistir Rocky, é um ótimo filme, magnífico.
Você tem que ver Rocky!
Nós vimos um dia desses.
Um filme magnífico!
Venha cá, Popó!
Popó! Popó!
Ei, Bergdís...
É a sua vez.
Eu gostaria de transportar todos vocês para a Rússia
e contar-lhes sobre Nadezhda Alliuyeva
e seu trágico destino.
Saúde!
Tradução PT-BR: Lucas Gabriel
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