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CUIDADO COM A RIPPER: PARTE 2
Tudo mudou.
A Ripper venceu-nos
e cumpriu a promessa de tirar criminosos da rua.
A cidade recompensou-a e a governadora deu-lhe autoridade total.
Para erradicar o crime e tornar esta cidade perfeita.
Até os mais pequenos foram apanhados.
O quê?
Espera! Posso pôr mais uma moeda. Por favor.
A cidade está irreconhecível.
Paula Pantufa, em direto do museu.
Sem crime, os seguranças estão desempregados.
Tenho família para sustentar!
Que chato.
Felizmente, como jornalista de crime, o meu emprego está seguro.
Espera…
O roubo da estátua seria o fim dela.
E voltávamos à nossa maré de sorte.
Em vez disso, a Ripper ganhou.
Será que fugimos?
Será que voltamos a ser maus? Será…
Será que te vais calar? A solitária seria um descanso.
Podemos concentrar-nos em sair daqui?
Já me adiantei. Doce liberdade, cá vamos nós!
Não é doce.
OS MAUZÕES: A SÉRIE
Temos de sair daqui. Mas como?
Talvez eu… E até podia…
Já sei!
Tudo o que tentámos falhou.
Tecnicamente, o túnel não falhou, mas ainda não teve sucesso.
- Há saída pelos canos? - Não, é um circuito fechado.
Há algo bom.
Dá para ir às celas fazer trocas.
Que querem? Bolos? Gel? Ramen?
Bolos da sanita!
Se o tivesse, abria a porta com o computador
ou com o portátil de sabão que fiz.
Queria esse sabão para me lavar.
Já cheiro mal!
Víbora, troca-o pelo verdadeiro.
Sou bom, mas não tão bom.
Para isso, precisamos de coisas boas.
Bom dia, criminosos. Está uma bela manhã.
A cidade está mais perfeita que nunca,
e vocês estão onde pertencem.
Trancados para sempre.
A tua sorte é estares aí e nós aqui.
Ponham-se à vontade, mas não demasiado.
Vai chegar muito mais gente.
Guarda Gary. Não!
Que fez este homem queridinho para merecer isto?
Assaltou o museu à noite após ser despedido.
Podem despedir-me, mas nunca deixarei de guardar.
Entraste à força, passaste a ser um criminoso.
E vocês serão sempre criminosos.
Mas a cidade ainda tem hipótese.
A hipótese de ser perfeita,
agora que estou aqui para limpar a casa.
Ai é? Eu limpo-te a casa.
Ou seja, a prisão, porque nos vou tirar daqui.
Eu sabia. Encontrei…
Uma escova de dentes velha?
Quero-a! Os meus dentes já têm musgo.
Espera, isto é bom.
Papel higiénico, o mais valioso na prisão.
Podes trocá-lo pelo meu portátil?
Os remoinhos nesta zona rodam para a esquerda? Claro!
Nem pensar.
Mas estou aflito.
Já está?
- Boa! - Viste?
Sou o rei da sanita.
Normalmente, tentamos entrar. Hoje, queremos sair.
Teias, as portas?
Quais?
Isto tem um horário rígido. Demasiado.
Tudo da mesma forma, à mesma hora, todos os dias.
E três, dois…
Sabe falar à micro-ondas?
Quer dizer…
Vão!
Robôs totós! Comam isto!
Não fiquem a olhar. Bazem!
Ficas responsável uma tarde e deixas os Mauzões fugirem?
Distraíste-te com a comida?
Apanhei-os uma vez, volto a apanhá-los.
Mas já aprendi com os meus erros.
Fui demasiado branda.
Deixa-me ver o painel.
Sim, tenho a certeza.
Vou aumentar a sensibilidade para o máximo.
Não os apanhamos só pelos crimes,
queremos marotices, erros, tabus
e os meus preferidos, os faux pas.
Quero ver os Mauzões fugirem-me.
Fugimos!
O ar é tão puro.
Sabe a liberdade.
- Ela saberá que fugimos? - E depois?
Nunca mais a veremos.
Prendeu-nos, estragou-nos a maré de sorte.
O que faremos?
O que fazem os bandidos.
Mudamos de cidade e de identidade.
Talvez um bigode?
Víbora, o teu último bigode parecia musgo no lábio.
E mudar de cidade?
Tem de ser? É triste.
Temos muitas recordações.
Mas que outra opção temos?
Queria piratear tanta coisa…
Tanta privacidade que não invadi.
Foi ali que roubei a primeira carteira.
E foi ali que fui preso por roubar a primeira carteira.
E o nosso velho covil que rebentei sem querer.
O velho covil era ali.
Não esquecerei.
E se houver outra maneira?
Faz parte de nós.
Lobo?
Ela ainda não sabe que fugimos.
Lobo.
Temos a vantagem da surpresa.
Lobo!
Não podiam esperar e não me cortar o discurso?
Sinto-me tolo.
O que fazemos?
Não fui eu.
Sou o Johnny "Bigodes" Tropicana.
Valia a pena tentar.
Entrem!
Obrigado.
Eles não gostam de nós.
Já não quer só deter bandidos.
Ataca os que não são "perfeitos".
Proibiu pastilhas, música alta, camisas de fora, ananás na piza.
Ninguém está seguro.
Tenho saudades vossas.
Que faz uma jornalista de crime sem crime?
Só fofices e inaugurações.
Até proibiu as tesouras gigantes, para quê?
Ela só vai parar quando a cidade for perfeita,
eu vou-me embora.
Posso deixar-vos onde quiserem. Menos em Barstow, nunca paro lá.
Obrigado pela oferta
e pela revelação pessoal misteriosa,
mas não vamos.
Não vamos?
Não podemos deixá-la tornar a cidade numa perfeição distorcida.
Pensei que tínhamos de ser perfeitos,
com crimes perfeitos,
mas como isso se foi, percebi…
Não somos perfeitos. E depois?
Somos menos criminosos?
Sim.
Não?
Talvez.
D, todas as opções.
Acabamos por deitar fora o bom com o mau.
Descobri que a perfeição é uma prisão.
Ela quer transformar a cidade numa grande prisão.
Mas é nossa e vamos salvá-la. Alinham?
Sim, mas como? A Ripper tem um exército de robôs.
Não conseguimos sozinhos.
Paula, antes de ires, ajudas-nos a fazer o noticiário da tua vida?
Tubarão, Piranha, ajudem.
Claro, Lobo.
Estamos prontos,
após sair daquela prisão escura e nojenta.
Vou mandar-vos de volta.
Para ajudarem os outros grupos a fugir.
Demorámos a descobrir como sair.
Sem ofensa, mas não somos os mais inteligentes.
Pois é.
Já pirateei a segurança.
Com a rede bloqueada, não me poderão contactar,
mas ponham esta senha no servidor
para abrir as portas.
É fácil. Vão conseguir.
Não digas o que consigo.
Vamos derrubar a Ripper e salvar a cidade.
É sempre assim divertido?
É por isso que o fazem.
Um robô. Temos de o desarmar.
Calma.
Porque te seguro?
Sou a força bruta, mas és maior.
Quase nos apanham.
Não se repetirá.
A Teias já o pirateou,
só temos de pôr a senha.
- Dá-me o papel. - Não o tens?
Não, eras tu.
Discordo, bro-batana, mas não temos tempo.
A senha era fácil de lembrar,
só temos de nos lembrar.
Só me lembro de hambúrguer.
Será hambúrguer?
Só vejo um letreiro a piscar hambúrguer.
Não é hambúrguer. É outra coisa. É…
Talvez seja.
- Bolas! - Podia jurar!
Hambúrguer-hambúrguer?
É mesmo isso.
Entrei na rede da Ripper. Está na hora.
- Pronta? - Sim.
Nada de correr ou saltar.
Misturar riscas e xadrez não será tolerado.
Sejam mais como eu para a cidade ser perfeita.
Olá, sou eu, o vosso bandido preferido.
Ou era, antes de a Ripper se livrar de nós.
Talvez ao princípio achassem bem,
mas agora que fez de vocês bandidos, gostam?
Ao querer tudo perfeito,
esqueceu-se do "assim já está bom".
Ninguém é perfeito.
Somos uma mistura de coisas boas e más.
A sério, querem ser sempre perfeitos?
É uma seca.
Não é tão divertido deitarmo-nos tarde, usar branco no inverno?
Comer sobremesa antes?
Carregar nos botões todos?
Abanar a lata!
Mastigar de boca aberta. Sandálias com meias.
Não falar baixo. Não haver código de vestuário.
É verdade. Podem não ser perfeitos, mas são um de nós.
Desliguem esse disparate.
A perfeição é uma prisão e está na hora de fugir.
Contamos convosco. Para bem da cidade, sejam maus.
Muito bem.
Ainda há um criminoso à solta, mas por pouco tempo.
Como estavam.
Não olhem! É contra as regras.
Eu não faria isso. Abanar uma lata? Nada disso! Robôs!
Não! Encontrem os Mauzões.
INCORRETA
Não é hambúrguer, hambúrguer-hambúrguer nem burguer.
E fiambre? Será uma loucura?
Que é um hambúrguer? Proteína rodeada de hidratos?
É uma sandes? É um taco?
Uma calzone?
A senha é calzone?
Temos de resolver isto.
A cidade depende de nós. Que é isso?
O quê?
Que piada. Parece que eu tinha a senha.
"Teias-Senha-Boa-Senha- Bom-Trabalho-Teias."
DESATIVADO
Vamos sair daqui!
Bro-batanas!
Querem comer a sobremesa antes?
Os robôs estão mais queimados que eu.
Não deviam ser tão sensíveis.
Não conseguem acompanhar isto tudo.
Olha aqui!
Sou um criminoso que fugiu da prisão.
Eu também fugi da prisão,
mas não tenho roupa interior lavada.
Eu uso copos sem bases.
Como as sandes pelo meio.
Boa!
Onde estão? Disseste que foram vistos aqui.
Íamos arrotar o alfabeto. Alinham?
Não são os Mauzões.
Somos todos Mauzões!
Sim, somos Mauzões!
Não vos disse? Os robôs não acompanham.
Apoiam-nos, mas como derrotá-la?
Agora, a parte gira, bro-batana.
Aquilo que fazemos melhor.
Ser mauzões.
Agarrem-se bem.
Temos visitas.
Queria mesmo encontrar-te.
Olá, Mauzões.
Adoram fazer jus ao vosso nome, não adoram?
Vamos ver, crimes até agora: fuga da prisão
piratear equipamento audiovisual, usar branco no inverno.
Vergonhoso.
Gostam? Vou ficar com ele.
- Sim, gosto. - Estiloso.
Basta! Vão para a prisão que é o vosso lugar. Robôs!
Acho que podias fazer isso,
mas vais ter problemas
em resolver isto sem nós.
Há uma proposta que pode dar para todos.
Vais concordar com os termos.
Vamos ver.
Que piada.
Vamos ver quem ri convosco atrás das grades.
Ninguém!
Porque rir é contra as minhas regras.
Lixo no chão?
- Deve ser contra as regras. - Que feio.
Nem eu faço isso.
Sim, proteger o ambiente, bacana.
Não! Enganaram-me.
Não sei, Tubarão. O que achamos?
Trabalham para mim. Afastem-se.
Vou ser desagradável.
Comam dardos.
Saiu pela culatra.
Literalmente.
Adeus. Um crime é um crime, e um criminoso é um criminoso.
Mas há uns melhores que outros.
Com a Ripper presa, graças à sua política,
a cidade voltou a ser perfeitamente imperfeita.
Vai haver uma exposição
sobre infratores famosos,
e quem vai cortar a fita?
Tragam-me a tesoura gigante!
Bom trabalho. Recuperámos a cidade.
Os hambúrgueres são bons.
- Sim. - Não sei porque me apeteceu.
Ainda bem que ficámos.
Até gosto de cometer crimes convosco.
Deixo crescer bigode?
Que horror.
Não faças isso.
Logo se vê. Lobo, o que fazemos?
Um assalto à moda antiga?
É hora do crime. Nada nos abrandará.
Legendas: Dina Almeida
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