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Original subtitles

Legendas por @cultfilmfansub

A FACA DE LOBO

Ó, minha querida Ó, minha querida

Minha querida Clementine

Você está perdida e se foi para sempre

Minha querida Clementine

Isso é um vestido ou uma blusa, Chrissy?

Acho que é um vestido.

Eu visto com shorts.

- Você está bonita. - Obrigada.

O que tem aí? Rasgou seu vestido aí?

Não, é um buraco.

Buraco de fechadura.

O quê?

Um buraco de fechadura.

É bonito.

- Obrigada. - Por nada.

Comprei este presente para a sua mãe.

Quero saber o que você acha.

Você sabe que eu amo ela de verdade.

Quero me casar com ela.

Legal.

Você quer?

É brincadeira, relaxa.

June!

June!

June!

June!

June!

Quer dormir lá em casa?

Tá bom.

Você sabe que nunca vai precisar de cirurgia plástica, né?

Você não sabia disso?

Não, é sério. Sabe, tipo,

a maioria das pessoas precisa, pelo menos, de uma rinoplastia ou algo assim.

Você não precisa de nada.

Você é perfeita.

Sabe, eu estava pensando, talvez daqui a uns dez anos

eu faça um lifting no bumbum.

Não, tipo...

Você acha que a sua bunda está caída ou o quê?

Bom, tipo, ela é grande agora, mas aí vai começar a cair.

Tenho certeza de que, lá pelos 26 anos, vou precisar de um lifting no bumbum.

Nunca ouvi falar de lifting no bumbum.

É, tipo, para levantar, sabe?

Tipo, para não ficar...

Eu acho que não ficaria bonita com lifting no bumbum.

Sim, porque você não precisa. Seu bumbum é bem pequeno.

Mas eu preciso. O meu é enorme.

Não é, não.

É sim. Olha.

Olha como ele mexe, parece gelatina.

Vai, tenta você.

Meu Deus, não é assim.

São movimentos mais sutis e saltitantes.

Meu Deus, você bateu a cabeça mesmo? Vem cá.

Foi isto aqui.

Olha no espelho e faz.

Fiquei fazendo isso por, tipo, uma hora outro dia

e tenho certeza de que preciso de lifting no bumbum.

Pelo menos quando eu tiver uns 26.

Olha. Está vendo?

Agora tenta você.

PROPRIEDADE PRIVADA - PROIBIDA A ENTRADA CUIDADO COM O CÃO

Você sabe quem mora aqui?

Boa a minha piscina, não é?

Meninas, desçam. Tenho uma coisa para conversar com vocês.

Tá bom, meninas, eu sei que vocês não vão querer ouvir isso.

Tem um estuprador na região.

Ele está andando de carro por aí.

Acho que disseram que ele tem uma Chrysler Pacifica branca

e, hum...

ele já estuprou algumas mulheres e é muito perigoso.

Ele tem uma arma e está fazendo isso durante o dia.

Então eu quero que vocês fiquem bem atentas

e observem tudo ao redor.

Não cheguem perto de carros brancos, principalmente.

E vocês deveriam começar a se cobrir mais.

Não podem andar assim, é muito perigoso.

Tenho uma coisa a dizer.

Querida, como você sabe, eu te amo muito.

Minha princesa, deixe-me colocar você aqui.

Obrigado.

E eu amo todas vocês.

Então, eu tenho uma coisa aqui para mostrar.

Eu te amo muito. Por favor, case comigo.

Você será minha princesa para sempre.

Eu te amo de verdade.

Minha princesa, case comigo, por favor.

Minha princesa,

eu te amo.

Amo todas vocês,

para sempre.

Seja minha princesa para sempre.

Agradeço muito.

Te amo.

Eu estava pensando,

acho que gosto mais de prisioneiros brancos do que de prisioneiros negros.

Prisioneiros, tipo os caras na cadeia?

É.

Por quê?

Não sei, acho que

quando penso em prisioneiros brancos, penso, tipo, no James Dean.

É meio clássico, sei lá.

Talvez seja meio glamouroso, sabe, namorar um cara branco na cadeia.

Sei lá.

Você já viu um relâmpago assim?

Não. É bem estranho, parece que está abafado.

É, ou tipo, você consegue ver, mas não consegue sentir.

Eu...

eu ouvi o Andy e a minha mãe transando outra noite,

e era muito alto.

Foi tipo...

Sei lá, pareceu que eles esqueceram que eu estava lá,

porque eles simplesmente não se importaram com o barulho que estavam fazendo.

E não foi só alto, foi tipo, bem agressivo.

Sei lá, a minha mãe...

Não sei, a minha mãe é tão desligada. Eu nem consigo imaginar direito,

mas as merdas que saíam da boca deles eram simplesmente nojentas, sabe?

Ele ficava:

“Ai, ai, é isso, safadinha! Você gosta assim? Ai, safadinha!”

E ele ficava... ele ficava...

Ah, sabe o que ele disse? Ele ficou tipo... ele ficou:

“Amor, vou atravessar a sua vida! Amor, vou atravessar a sua vida!”

Socorro!

Não é tão engraçado.

Quer dizer, é a minha mãe.

Acho que sim. Eu só

achei que você estivesse brincando.

É, mas não é tão engraçado.

É meio perturbador.

Pode me contar sobre o acidente de novo?

Sim.

- Tudo? - Sim.

Bom,

era quinta-feira e

a gente tinha ido ao cinema, mas não tinha como voltar.

Então ligamos para o seu pai

e ele foi nos buscar.

E quando ele chegou, ele nem parecia irritado nem nada.

Só parecia feliz em te ver.

E eu lembro que ele piscou para você quando você entrou no carro.

E eu nunca vou esquecer isso,

porque eu nunca tinha visto nada assim antes, sabe?

O jeito que ele olhava para você...

Sei lá,

acho que ele achava você muito especial.

E aí

o resto eu não lembro muito bem porque aconteceu muito rápido, mas

a gente estava dirigindo, aí teve um barulho alto, e

perdemos o controle e batemos na árvore,

depois,

de repente, tinham luzes por toda parte,

aí a ambulância levou você e o seu pai também.

Quando cheguei ao hospital, só você estava lá,

mas você não acordava.

Então eu continuei voltando até você acordar, porque

eu estava com muito medo de te perder também, sabe?

Mas

aí você acordou, e

eu nunca tinha me sentido assim antes. Eu só senti...

Sabe, eu estava pensando,

se você quiser,

eu vou com você procurar o seu pai.

Até Nashville?

Sim.

Está falando sério?

Sim.

Eu só quero um abraço.

Um abraço.

June.

June.

June, acorda. A gente precisa ir, tá?

Vamos, vamos para Nashville.

June, anda. Anda, vamos.

A gente vai para Nashville. A gente vai agora, tá? Agora.

Rápido. Eu já arrumei as malas, vamos.

Rápido, anda.

Então, o que você vai dizer quando encontrar ele?

- Quem? - Seu pai.

Ah, hum...

não sei, acho que eu pensei em só contar para ele tudo o que ele perdeu, sabe?

Tipo, fazer ele se sentir mal

para eu poder perguntar se posso morar com ele, sabe?

Sei. Está nervosa para encontrá-lo?

Não muito.

Não tão nervosa quanto estou com

a minha mãe se casando com aquele retardado.

Eu não quero falar sobre isso, tá bom, June?

Tá bom.

Preciso te contar uma coisa.

O quê?

Sabe aquela história que eu te contei sobre o Mark?

Sei.

Porra...

Não era tudo verdade.

Tipo,

eu não transei com ele.

A gente nem se beijou.

Não?

É.

Ele só

me fez bater uma punheta para ele no banco de trás do carro dele

e depois eu nunca mais falei com ele.

Aquele cara é um babaca.

É, mas ele é muito gostoso.

Você sabe disso.

Você sabe.

Que é?

Que porra é essa? Fala logo.

Eu já transei uma vez.

O quê? Com quem?

Com um cara que eu conheço.

- Eu conheço? - Não sei.

Que porra? Quando?

Foi no verão passado.

- Um ano atrás? - É.

Você não me contou por um ano?

Sei lá, eu só me senti muito estranha com tudo aquilo e...

Por que você fez isso?

Eu só queria saber como era.

Tipo uma pesquisa.

Por que não me contou?

Eu me senti estranha com tudo aquilo e

só não quis falar sobre.

Como foi?

Foi muito bom.

Você quis transar com o cara da piscina ontem?

- Ele era muito gostoso. - É.

Mas sei lá,

eu só fiquei com medo e quis sair de lá.

Por quê? Ele foi tão simpático.

É.

É...

Você quis?

Sim. Quer dizer,

pesquisa, né?

Enfim, ele era um cara mais velho, muito gostoso, sabe?

É.

Tipo, talvez ele soubesse o que estava fazendo.

Está animada?

Para ir para Nashville?

É, para ir a Nashville.

É, acho que vou ficar mais animada amanhã.

- Por quê? - Sei lá,

eu fiquei o dia todo no carro, estou meio suada

e estou usando a mesma roupa desde ontem.

Meu Deus, como você reclama, June! Jesus Cristo!

Enfim, eu trouxe roupas para você.

Gostou? São novas.

Sim.

Combinam bem com seu cabelo loiro. Vista.

Tá bom.

Tira devagar, como uma stripper.

Você é péssima nisso, cara.

Espera, levanta.

Deixa eu ver.

Você está gostosa, parece uma pin-up.

Devia usar amarelo o tempo todo.

Meu Deus!

Ó, minha querida Ó, minha querida

Minha querida Clementine

Você está perdida e se foi para sempre

Minha querida Clementine

Ó, minha querida Ó, minha querida

Minha querida Clementine

O que é isso?

- O quê, a calcinha? - É.

É a que o Andy deu para a minha mãe, lembra?

Ele deixou no meu quarto, então eu peguei.

- Gostou? - Sim.

Sério?

Sei lá.

Que seja, você está com inveja.

- Vou tomar um banho. - Tá bom.

Você estava com isso o tempo todo?

Me dá um.

É meio nojento.

June,

eu preciso te contar uma coisa.

O quê?

Promete não ficar brava?

O que é?

Na verdade, não vamos encontrar o meu pai.

Quer dizer, a gente vai para Nashville, não se preocupe.

Mas a gente não vai encontrar o meu pai.

Eu não sei onde ele está.

O quê?

A gente não vai encontrar o meu pai em Nashville.

É uma longa história, mas

basicamente eu tenho conversado com um cara.

Eu conheço ele há muito tempo. Ele foi

meu professor no 3º ano e

temos conversado, e achamos que talvez fosse divertido se eu fosse lá, sabe?

Para ver ele de novo.

O quê?

Eu...

O que você está dizendo?

Você...

a gente vai ver um cara que foi seu professor no 3º ano?

O que... o que você está pensando?

Tipo...

Eu não sei, ele...

Olha, ele é gente boa.

Eu tenho conversado com ele há um tempo e a gente tem...

Como você sabe que ele é gente boa?

Eu acabei de dizer, tenho conversado com ele há um tempo.

Olha, a gente vem falando disso há um bom tempo e,

sabe, acho que ele pode me pedir para morar com ele,

e isso seria muito bom.

Isso seria muito assustador, porque ele tem uns 50 anos.

June, me desculpa por ter mentido para você, mas eu realmente...

Eu não achei que você viria se eu te contasse.

Eu não teria vindo.

June, eu não posso fazer isso sem você.

Olha, eu não posso fazer isso sem você.

Me desculpa por ter mentido, mas não fica brava.

Não é tão grave assim.

É grave, sim. É grave pra caralho.

Aonde você vai?

Aonde você vai?

Aonde você vai?

Então, eu estava pensando,

acho que gosto mais de prisioneiros negros.

Por quê?

Não sei, é só que quando eles fazem tatuagens,

a tinta fica com um tom roxo muito bonito,

e é bem maneiro.

Combina com todas as camisas.

É.

Sabe aquelas leggings pied-de-poule que a gente comprou?

- Sei. - Eu estava assistindo Thriller outro dia

e a garota do clipe tem exatamente a mesma legging que a gente.

Sério?

Tipo, na cena fora do cinema?

Sim.

Que foda.

Saudades do Michael.

É, é muito triste.

Muito, muito triste.

Ele era muito jovem.

Não era, não. Ele tinha uns 50 anos.

Mesmo assim, morrer nessa idade é meio jovem.

Acho que sim.

Você roubou?

Sim, roubei.

Ela deixou dando sopa.

É uma pedra enorme.

- É bonitinho, né? - É.

Era para o Andy, eu acho.

Coloca.

Pronto, agora eu sou sua dona.

MOTEL SUNRISE

Não parece o som de um golfinho?

Parece o som de um gato morrendo.

Você sempre dorme de sutiã?

Sim.

Eu não gosto de deixar os peitos soltos.

Então...

Mas, hum...

na verdade, é meio que uma medida preventiva,

porque se você usar sutiã para dormir a vida toda,

seus peitos não vão ficar tão caídos quando você tiver uns 80 anos,

porque tiveram suporte extra ao longo dos anos.

E, tipo, se você não usar top esportivo quando for correr,

os ligamentos dos seus seios podem simplesmente romper

e eles vão ficar, tipo, na altura da sua cintura.

Isso é verdade?

- Sim. - Quem te disse isso?

É conhecimento geral.

Qual é a graça?

Qual é a graça?

O que é isso?

Eu te trouxe um presente.

Que diabos você está fazendo?

Ai, que porra é essa, June? Isso é nojento!

Olha o presente.

É o pior presente que alguém já me deu.

É o presente mais delicioso.

Ai, você tem que lamber o seu... Ai, que nojo!

O que eu vou fazer com isso?

Usar como apoio de telefone?

Chrissy, está muito frio aqui.

Que porra você está fazendo?

Parece uma retardada.

Meu Deus...

Então, hum...

lembra quando o filho do Andy estava na cidade?

- O Leaf? - Sim.

Uhum.

Então,

hum...

aquele foi...

- O quê? - Sim, foi...

Sabe?

O verão passado? Foi o verão passado?

- Sim. - Ah, eu sabia!

June,

nós juramos que não iríamos atrás dele,

que ele estava fora de cogitação porque é o filho do Andy.

Eu nem sei por que você se importa.

Ele vai ser seu irmão.

Ele vai ser meu meio-irmão. Eu poderia ficar com ele se quisesse.

Não tem sangue envolvido.

Meu Deus, onde?

Foi na minha casa? Eu vou te matar.

Não, foi na minha casa.

Foi naquela noite em que estava todo mundo na piscina

e eu fui embora mais cedo

porque você tinha que acordar de manhã.

Eu sabia! Sabia mesmo!

Ele era tão bonito.

Ele tinha aqueles grandes olhos castanhos

e aqueles pés fofos.

É, ele tinha pés tão fofos.

A gente ficava sempre

admirando.

June, você é tão estranha. Quem gosta de um cara por causa dos pés?

Não sei. Mas, hum...

mas

você está brava?

Não.

Quer dizer, que seja, você é uma vadia, mas foi uma boa história de ninar.

Agora apaga a luz. A gente tem que acordar cedo.

Boa noite, June.

Acorda. Anda, dorminhoca.

Anda, eu te disse que sairíamos às 5h.

Levanta da porra da cama, June. Anda, temos que ir.

Encosta no carro.

Vira o rosto.

Só vou tirar uma foto.

Olá, entrem.

Podem entrar.

- Como vão hoje? - Bem.

Que bom, que bom. E você?

- Senhor... - O Sr. Dews está lá em cima.

Se quiserem, podem subir para vê-lo,

uma de vocês ou...

ou as duas.

Obrigada.

Certo. Pode se sentar.

Gostaria de um copo de água gelada?

Estou bem.

- Tem certeza? - Sim.

Tudo bem, então.

Sua casa é muito bonita.

Ah, obrigado. Fico feliz.

Moramos aqui há muito tempo. Gostamos muito.

- É? - E, hum...

gostamos de poder olhar pela janela e ver as árvores,

ver as copas das árvores, os esquilos, os pássaros e...

Em diferentes estações, temos muitas flores.

E, hum...

gostamos das coisas que Deus faz

e das coisas que os seres humanos fazem.

Logo atrás de você, por exemplo, há uma tapeçaria que uma enfermeira

fez para mim do Tennessee Central.

E, hum...

do outro lado,

está vendo aquela pequena...

aquela coisa que parece uma figura de madeira?

- Sim. - Pegue e eu te conto sobre ela.

- Esta aqui? - Sim, esta. Traga aqui que eu te explico.

Não é frágil, está tudo bem.

Isso era um pedaço de madeira flutuante,

e uma amiga minha...

Se chama “Terra Magra e Eu”

e, hum...

uma amiga chamada Marian Edwards, lá em 1977,

viu isto e viu esta, hum...

Que parece uma ponta de flecha.

- Uhum. - E daí o...

o galho cresceu ao redor, então ela

colocou este pedestal e envernizou.

E eu acho que é uma obra de arte interessante, não acha?

- Sim, é bem legal. - É, eu simplesmente...

eu gosto

de coisas que as pessoas fazem.

E...

Chrissy!

Quarto legal, né? Olha, o Pequeno Príncipe ali

e o Barão von Richthofen ali atrás.

O Elvis lá em cima.

Janelas limpas.

Sem cama agora.

Um pouco bagunçado, mas bem-vinda

à minha casa.

Você está meio...

O gato comeu sua língua?

Tá, algo deu errado. Você e seus pais, não é?

Você e seus pais. Algo deu errado.

Tá, eu não sei de nada. Não sei de nada.

Eu não sei de nada.

Bom, dê uma olhada. Fique à vontade.

Você é muito bem-vinda aqui.

Gostou das paredes rosas?

Aqui é o centro cultural do Sul.

O Palácio Cor-de-Rosa.

Não o Palácio Cor-de-Rosa de verdade, este é o meu Palácio Cor-de-Rosa.

Com a poltrona reclinável e...

e tudo mais.

Nossa, você parece meio cansada.

Quer se sentar?

Tá bom.

Sente na poltrona reclinável, mas não...

não recline, porque tem um monte de coisas embaixo que podem quebrar.

Ah, Chrissy...

Chrissy,

você era minha aluna prodígio.

Você era a aluna que eu sabia que iria

construir pelo menos uma bomba de nitrogênio.

E aqui está você,

jovem, no início dos seus talentos, vindo até mim.

Estou lisonjeado, muito lisonjeado. Como posso evitar?

Quer saber o que estou fazendo agora?

Que me aposentei do ensino,

que vivo com uma pequena aposentadoria,

fumando maconha e tomando café,

convivendo com meus amigos mais jovens,

tão jovens quanto você?

E, hum...

é tudo muito bom.

É satisfatório. Estou feliz com a minha vida.

Você não é mais professor?

Ah, eu estou muito feliz.

E mais feliz ainda porque você veio me salvar.

Mais feliz.

Mais feliz.

- Sr. Dews. - Sim?

Quando o senhor parou de dar aula?

Há oito anos e meio.

Quase imediatamente depois que te perdi, pedi demissão.

Você me lembrou, Chrissy...

me lembrou

que o sistema escolar faz tanto o mal quanto o bem.

Eu vi aquele pensamento maravilhoso, místico e mágico

que você trouxe para o 3º ano evaporar até o fim do ano.

E pensei que, se eu tive algum papel nisso,

fiz algo errado.

Ah, por favor, reaja. Reaja.

Seja resiliente.

Chrissy, você pode levantar para eu me sentar de novo?

Estou com um coágulo e não posso...

não posso ficar muito tempo em pé.

Minha nossa...

Vou te dizer, Chrissy,

você se tornou uma mocinha bonita.

Se tornou uma mocinha bonita.

E, hum...

eu prevejo

uma longa vida de felicidade e satisfação para você.

Obrigada.

É, eu prevejo.

Prevejo.

Eu...

Quer sentar no meu colo e me dizer o que quer para o 4 de julho?

É o que posso oferecer. Preciso ficar sentado.

Venha, venha.

Você é minha aluna prodígio. Minha prodígio.

Minha prodígio.

Vejamos... Se eu me tornei

um prodígio aos 6, 7, 8...

aos 8 anos,

e tivesse continuado até os 16,

teria sido um prodígio por 8 anos.

Então, você é uma prodígio há 8 anos

e eu sou um professor aposentado há 8 anos.

Está vendo como tudo se encaixa? Tipo astrologia ou algo...

algo mais científico que isso.

Venha, pode relaxar.

Perdão, perdão, pode ir.

Pernas, quadris, ombros,

cintura, pele, olhos,

lábios, tornozelos, cabelo,

sobrancelhas, olhos, nariz...

Ei, está tudo bem?

Eu realmente te amo, porque você representa

a minha tentativa de fazer algo certo:

a criação de uma jovem maravilhosa, intelectual,

introspectiva

e intuitiva.

Você vai conseguir. Vai conseguir.

Vai dar certo, no que quer que faça.

Quando você era criança, eu dizia

que não havia nada que você não pudesse fazer

se se esforçasse.

Mas a verdade é que existem umas 40 mil coisas que você não consegue fazer,

mesmo se se esforçar.

Mas não deixe isso te desanimar, porque a ideia principal continua valendo.

Olhe para você no espelho ali.

Que mulher bonita.

Olhos lindos, um belo

e elegante pescoço.

Decote, decote...

Membros amplos e bem delineados.

Uma cabeleira castanha exuberante.

Vai, olha.

Veja como você é bonita.

Agora, eu sei

que você deve achar que lá fora é um açougue,

e que eu sou só o Delmonico de outra pessoa.

Mas sabe de uma coisa?

Para mim, você é o Delmonico.

Tá bom, levante-se. Levante-se.

Fique de pé, de pé.

Tá, chegue mais perto.

Está vendo esse espelho na sua frente?

Esse espelho aí?

É para lá que eu quero que você vá. Esse espelho.

Quero que você aproxime o rosto dele. Eu mesmo limpei.

Aquele não, esse.

Vai lá, chega mais perto.

Bom trabalho.

Bom trabalho.

Agora, você sabe, eu sou o Sr. Dews

e você pode me contar

o que você quiser.

E você disse que tinha uma coisa que queria me contar.

Olhe para si mesma enquanto fala.

Seus lindos olhos castanhos,

sua pele viçosa,

sua juventude, sua beleza...

Então, tem alguma coisa...

tem alguma coisa que você queira me contar?

Alguma coisa?

O que é? O que é?

O que é?

Eu não sou mais virgem.

Não?

Ora, ora, ora...

Quando isso aconteceu?

Foi no verão passado.

Um garoto chamado Luis estava nos visitando da Argentina,

e ele era muito bonito e tinha pés bonitos.

Ah, pés, pés, feijões, pés, pés, feijões...

Certo, continue.

Nada. A gente estava na piscina com um monte de gente,

e depois ficamos sozinhos, só isso.

Você pode me contar de novo? Só mais uma vez?

Pode me contar de novo, por favor?

Está tudo bem.

Tudo bem.

Tudo bem. Pode me contar essa história outra vez?

Eu quero ouvir a história.

É a mesma história.

Conta de novo.

Um ano atrás, o filho do noivo da minha mãe veio nos visitar.

A gente estava na piscina com um monte de gente,

e depois todo mundo foi embora,

aí nós transamos e eu perdi minha virgindade.

Tudo bem, tudo bem.

Isso é algo que não acontece duas vezes.

A primeira vez só acontece uma vez.

Mas, hum...

você pode me contar essa história de novo?

Achei bem interessante.

O que te chamou atenção no garoto?

Me conta de novo.

Me conta o que aconteceu,

por favor.

Está tudo bem.

Tudo bem.

Tudo bem.

Por que você não...

por que você não desce e pega uns refrigerantes para a gente?

Tudo bem, meu amor.

Está tudo certo.

Acho que a coisa mais interessante, além disso, é...

Ali bem atrás da cadeira, tem um

tecido tapa de Fiji.

Eu estive lá há alguns anos e...

Entre, entre.

Entre.

Chrissy, obrigado por vir.

Você já conhece o meu pai.

Bom, tivemos uma visita agradável. Fico feliz que vocês tenham passado aqui.

- Prazer em conhecê-lo. - Foi um prazer conhecê-la.

- Muito obrigada. - Espero que voltem sempre.

- Obrigada. - Tá bom?

Tchauzinho.

Tchau, Chrissy.

- Mocinhas bonitas. - Mocinhas bonitas.

É.

June.

Anda, vamos embora.

De quem é esse carro?

Porque, sabe, eu consigo acender um isqueiro com uma mão só.

Tá legal.

É, isso impressiona as garotas.

- Beleza. - Eu adoro isso.

Como vão, meninas?

Especialmente você.

Ei, não vai embora.

Aonde você vai?

Mais.

Desvia o olhar.

Por que você está sendo tão chata?

Bebe mais.

Me desculpa.

Desculpa por tudo.

Desculpa por estarmos aqui.

Bebe.

Você está brava?

Está feliz por ter vindo?

Foi divertido, né?

A gente se divertiu, não foi?

Por favor, olha para mim, June.

Por favor, me perdoa. Por favor, me perdoa. Por favor...

Shh, só escuta.

Só escuta.

Eu te amo muito.

Shh, só escuta.

Só escuta.

Eu não quero te machucar.

Eu não vou te machucar.

Eu só quero conversar.

Você é tão bonita.

Muito bonita.

Você é muito bonita. Você consegue tudo o que quer.

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A FACA DE LOBO

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