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resynch: galaksoda
Ah! Sr. Craig?
Como vai? O senhor é Eliot Foley?
Isso mesmo. Prazer em conhecê-lo.
Logo guardaremos o seu carro.
Lamento ter incomodado....
...um arquiteto ocupado como o senhor, num fim-de-semana.
Fazem-nos falta pelo menos duas acomodações a mais.
Têm só uma sala de estar?
Sim, mas falaremos sobre isto pela manhã.
- Conhece o lugar? - Não, nunca vim aqui...
- ...realmente não. - Dê-me o paletó.
Ah! Percebeu. Olho clínico profissional, hein...
Sim, claro.
Ficará instalado na granja, mas não se preocupe...
- ...tem todo o conforto moderno. - Certo.
- Venha, é esperado para o chá. - Sim, sim... eu sei...
Mãe, este é o sr. Craig.
Obrigada por ter vindo.
Como vai?
Me acompanhe, por favor.
Apresento-lhe...
- a srta. Courtland... - Como vai?
- O dr. Van Straaten... - Como vai? Muito prazer!
- O sr. Grainger... - Como vai?
- E esta é Sally O'Hara. - Como vai?
Deve estar cansado. Sente-se junto ao fogo.
Estou encantada por ter aceito o convite.
Admiramos muito o seu trabalho.
Posso servir-lhe o chá?
Quer leite e açúcar?
Leite e açúcar, sr. Craig?
Leite e açúcar, sr. Craig?
A senhora é real? Desta vez não é um sonho?
Como diz?
Desta vez não é um sonho. Devo estar louco.
Mas é claro! Doutor Van Straaten...
É o psiquiatra com quem me trato.
Vai me ajudar, não vai?
Desculpe, não entendi a piada?
Não é uma piada. Eu o vi nos meus sonhos.
Como nas canções sentimentais.
Não paro de sonhar com o senhor.
Sonhos recorrentes são muito comuns.
Como pude sonhar com o senhor? Nunca o vi na vida.
Deve ter visto a minha foto no jornal...
...e meu rosto se tornou familiar para o senhor.
Não creio. E depois, por que sonharia com o senhor?
Afinal, nada temos em comum.
Talvez me associe com algo muito importante para o senhor.
O que, por exemplo?
Precisaríamos de uma psicanálise, para saber.
Isso não é tudo. Todos vocês fazem parte do meu sonho.
Todos.
- Isso é verdade? - Está brincando!
Todos nós?
Quando entrei, reconheci todos.
Deve ter-nos visto todos no jornal.
Eu na seção de esportes, sou piloto de corridas.
Minha foto apareceu uma vez, quando minha irmã se casou.
Mas duvido que tenha visto.
Nunca tirei uma foto.
Tirou sim, uma vez, quando tinha 6 meses.
Não creio que me reconhecesse por alí.
De algum modo, não se sabe qual, o senhor nos encontrou.
Sim, mas por que estavam todos juntos no meu sonho...
...aqui, nesta sala, onde nunca estive antes?
Sr. Craig, poderia nos contar o seu sonho?
Não me lembro bem dos detalhes...
...mas sempre começa da mesma forma.
Na curva de um caminho, me aparece esta casa.
Eu a reconheço.
Eu chego e Foley me recebe.
Reconheço-o também.
Então, quando tiro o paletó, tenho um pressentimento.
Preciso fugir, pois sei que vou dar de cara com os seis.
Daria de cara com mais cinco, além de Eliot.
Exato.
- A sexta pessoa vem depois. - Consegue descrevê-la.
É uma bela mulher de cabelo negro.
Isso é tudo que lembra sobre ela?
Aparece inesperadamente e diz que não tem dinheiro.
Uma morena sem dinheiro.
Romântico! E o senhor se apaixona por ela, sr. Craig?
Falou com alguém sobre este sonho?
Não, acho que não. Nem com minha mulher.
E, pensando a respeito, ao acordar, esqueço tudo...
até a noite seguinte.
Tem alguma prova de ter sonhado essas coisas?
Nada. Não tenho prova alguma.
Para mim não importa. Eu creio no que diz, sr. Craig.
- Acredito que nos viu em sonhos. - Eu também. - Eu também...
Não duvido que tenha sonhado...
...com uma situação semelhante a esta.
É o suficiente para causar esta sensação de "deja vú".
É uma experiência comum.
- Só isso? - Só isso.
É muito frustrante concluir que não estamos num caso sobrenatural.
Talvez seja como estar dentro de uma história de Lewis Caroll.
Nós não existimos a não ser no sonho do sr. Craig.
Pois é. Quando ele acorda, nós desaparecemos.
Que jeito mórbido de pensar!
Doutor, já considerou a possibilidade...
de se prever o futuro?
Não até o momento.
Mas eu tenho um aspecto bastante sensato, não?
Pode ser, por quê?
Ocorreu-me algo capaz de derrubar as suas teorias.
Naquele dia inesquecível, estive prestes a perder a vida.
Esta é pra mim! Vou ultrapassar!
Vou ultrapassar!
Tenho que conseguir!
Consegui!
Quanto tempo passou desde o acidente, seis dias?
Não, doutor. Sete.
- O cérebro não sofreu danos. - Esta manhã estava consciente.
Perguntou pelo outro piloto e voltou a dormir.
A febre me preocupa.
Me avise se aumentar.
Peggy! A que veio da Escócia?
Sim, da Escócia.
Você não Peggy.
Lamento. Há dias que você me chama de Peggy.
- Meu nome é Joyce. - Você me tranquiliza.
- Não vai me deixar, vai? - Não.
- Promete? - Sim, se prometer que tentará dormir.
Às ordens!
Dali em diante minha temperatura...
começou a normalizar.
Graças aos cuidados de Joyce.
Diga-me, querida, estou fora de perigo?
Bom, você parou de delirar, mas ainda fala muitas bobagens.
- Tenho pesadelos. - Eu não falei pra não sonhar comigo?
Eu sonho! Sonho que você se casa com o dr. Albury.
Ele é casado e tem 3 filhos.
Feliz dele!
Que noite adorável!
Quinze pras dez. Hora de dormir.
O único jeito de me curar é casar comigo! Casa comigo!
Quem sabe...
- Boa noite. - Boa noite, querida.
Ainda tem um lugar, senhor.
Não podia ser um sonho, não tive tempo de dormir.
A enfermeira tinha saído há menos de cinco minutos.
- Estou ficando louco? - Não, claro que não!
Imediatamente antes do impacto, tinha certeza de que ia morrer.
- Sim, sim, é verdade. - E o medo continuou ativo.
Dentro do meu subconsciente?
Depois que o estresse físico passou...
Sua visão se deve a tensões psicológicas.
Sim, pode ser, mas se continuar?
Não vai continuar. Tudo estará sanado em uma semana.
Vamos apostar! Se você estiver enganado, eu ganho.
E eu perdi, mas quem perdia estava ganhando.
Ele estava certo. Saí do hospital na mesma semana.
Por favor, pode me dizer as horas?
- Sim, são quatro e quinze. - Obrigado.
Ainda tem um lugar, senhor.
Se eu não tivesse visto aquele homem, não estaria aqui.
Que terrível para os outros passageiros!
Poderia tê-los advertido.
Talvez fossem céticos, como o nosso doutor.
Aí está a prova, doutor.
O sr. Grainger viu o homem antes de pegar o ônibus.
O que não prova que o cocheiro e o controlador...
...sejam a mesma pessoa. Ele apenas disse a mesma frase!
De qualquer modo, é verdade.
Foi-me enviado como uma advertência.
Eu concordo. Sem ela, teria embarcado no ônibus.
Não embarcou porque ainda estava traumatizado...
relutava em entrar em qualquer tipo de veículo.
Não creio.
Você insiste em crer, meu rapaz...
...que tem uma espécie de anjo da guarda?
Não adianta, não vamos convencê-lo.
O doutor quer uma prova tangível e irrefutável.
Não temos nenhuma.
Ainda...
Querida!
De onde você saiu?!
Brenda mudou de idéia.
Pague o táxi, querido. Não tenho dinheiro.
Bom dia, Joyce.
Aí está sua morena desguarnecida.
Peguei o trem das três e quinze.
Que surpresa agradável, querida!
Não é surpresa para o sr. Craig.
Sr. Craig, sra. Grainger. Seu sonho tornou-se realidade.
Sim, a sexta pessoa.
Sexta pessoa? É algum jogo?
Não exatamente. Ele sonha com você há anos.
E com todos nós.
É muito simples. É como o carro fúnebre do seu marido.
Aquele que ele viu no hospital.
Ou que não viu.
Vou explicar.
O sr. Craig tem pesadelos.
A morena desguarnecida está aqui.
Que disse, doutor?
Naturalmente o senhor dirá que é pura coincidência.
- Impossível. - As possibilidades são mínimas.
Estou um tanto contrafeito.
Estou diante de um plano muito bem preparado.
Um plano montado para que possam rir à minha custa.
Pensa mesmo que seja isso?
Bem, a minha explicação não é pior que a do sr. Craig.
Eu também estaria incluída. Eu não sabia de nada.
A brincadeira não teria graça.
Que motivo teríamos para isso?
Devem achar divertido
desacreditar as minhas preciosas desconfianças.
Que são bem inteligentes, devo admitir.
Que outra surpresa escondemos?
É isso! Suas lentes!
O que há com elas?
Após um momento, tomamos uns drinques...
...seus óculos se quebram e a sala fica às escuras.
Foley fala qualquer coisa...
...algo sobre a morte de um homem que não conheço.
E o meu sonho começa.
Um pesadelo horrível.
Horrível? Como o descreveria?
Sinto ânsias de sair correndo.
Uma força misteriosa toma conta de mim...
...e me arrasta para algo mau.
Há algo turvo em sua consciência.
Agora, segundo eu vejo...
Seu modo de ver não me interessa, doutor...
...com suas teorias, me fez duvidar de mim mesmo.
Acreditei que tinha alucinações.
Depois chegou a sra. Grainger.
Eu já estive aqui em meus sonhos.
Pude ver o futuro. Por quê?
Não sei! Gostaria de saber.
Preciso saber.
Sally, querida, acho que está na hora de você ir.
Ou seja, minha mãe receia que você fique assustada.
Desculpe, Sally, eu não queria assustá-la.
Fique tranquilo, o senhor não me assustou.
Se insiste, eu saio.
Mas é uma bobagem. Eu também os tive.
Teve o quê?
Problemas do subconsciente, ou seja lá como se chama.
Foi no ano passado.
Guarde-os para o jornal da escola.
Obrigada pelo chá e por me chamar de mentirosa.
Boa tarde.
Por favor, fique. Gostaria de ouvir a sua estória.
Sério? O senhor já deve ter escutado muitas.
Bom, estávamos passando o Natal em Somerset.
Uma amiga de minha mãe tinha me convidado.
A sra. Watson.
Havia muitas crianças lá.
Jimmy Watson e eu estávamos na liderança.
Esta protuberância é o nariz do Jimmy!
Olha só quem fala!
De que vamos brincar agora?
Sardinhas! Sardinhas!
Certo! Vamos brincar de sardinhas.
"Sardinhas"?
Não conhece? É uma espécie de esconde-esconde.
Quem vai se esconder?
Sally! Sally!
Pode se esconder onde quiser, menos na cozinha.
- Eu não conheço a casa. - Se vira, dá um jeito.
Vou contar até 30. Todo mundo tapando a cara.
Um, dois, três, quatro...
...onze, doze, treze...
27, 28, 29, trinta!
Vamos, depressa!
Te peguei!
- Tá certo. Agora sou eu. - Eu fico com você.
Se eu te acho, nós ficamos juntos...
igual às sardinhas.
Está frio aqui.
Frio?
Melhorou?
É um frio sobrenatural, Sally.
Um frio de além-túmulo.
O que você está dizendo?
Acredite ou não, esta casa é assombrada.
Eu não acredito.
Todo mundo acredita que...
Está bem, me conta!
Vão achar a gente aqui. Sei de um lugar melhor.
Vamos!
Como é a estória desse fantasma?
Ocorreu um assassinato aqui, em 1860.
Vamos.
A assassina devia estar louca. O estrangulou e dacapitou.
- Que hediondo! - Além disso...
- ...mas você é muito jovem. - E onde anda esse fantasma?
Na verdade nunca o vimos. E estamos aqui há 6 meses.
Eu pensava que andava por aí de noite, vestido de branco.
Assobios...
Ruído de correntes...
Uivos!
Deve estar tentando redimir seu crime.
Eu é que não sei...
Vem cá, me dá um beijo agora!
Sai! Não diga que isso é uma regra das "sardinhas"!
Ei, Sally! Sally! Espera!
Quem está aí?
O que você tem, querido?
Vamos, não precisa chorar.
Você se perdeu?
Vamos lá pra baixo, que tem luz e é quente.
Não.
Fica comigo. Me sinto melhor com você aqui.
Engraçado... Não vi você lá embaixo.
Você é filho dos Headingly?
Meu nome é Francis. Francis Kent.
Este é o meu quarto. Meu e da Constance.
Constance?
Minha meia-irmã. Ela é grande, como você.
Eu não a vi.
Pensei que eu fosse a mais velha aqui.
Gostaria que você fosse minha irmã. Você é tão boa!
Por quê? Sua irmã não é boa?
Ela me odeia. Diz que quer me matar.
Oh, não! Pobre menino!
Vai ficar tudo bem, agora que você apareceu.
Vou poder dormir.
Pobre menino! Venha, vou te ajudar.
- E a sala de jogos? - A babá trancou à chave.
E o guarda-roupa?
Vamos lá!
- Boa noite. - Até breve.
Sally! Sally, onde você está?
Não consigo achá-la em lugar nenhum.
- Sally! - Sally! Sally!
Tudo bem, estou aqui.
Até que em fim! Queria saber onde você se meteu!
Encontrei um passadiço que vai dar num quarto.
Alí? Foi alí que aconteceu o crime!
- Vocês têm uma creche? - Como assim?
Não sabia que você cuidava de crianças durante a noite.
Durante a noite?
Sim, aquele menino que está aqui com a irmã.
Que menino?
Ele me disse que seu nome era...
- Francis Kent. - Francis Kent?
Ora, vamos, Sally! Então você já sabia!
Sabia o quê?
Que Constance Kent matou seu irmão Francis.
Eu não sabia... Quer dizer que esse menino...
ele é...
Não estou com medo! Não estou com medo!
Me abraça forte! Me abraça!
Mamãe achou que eu estava doente e me pôs na cama.
Ela não acreditou em mim.
Como o dr. Van Straaten também não acredita.
No passado, com certeza, esse tipo de experiência...
foi muito frequente entre alguns santos.
Santa Joana, por exemplo, e Santa Teresa...
foram visitadas por certas aparições.
- Então estou bem acompanhada. - Não exatamente, minha cara.
Custo a crer que você esteja em tão elevado plano espiritual.
Parece-me ridículo o doutor ficar ditando as normas aqui.
Eu, quando era enfermeira, vi coisas no hospital...
...que a ciência dos médicos jamais poderia explicar.
Eu acredito na estória da Sally e no sonho do sr. Craig.
Muito bem, minha cara!
Então estamos à mercê do sonho do sr. Craig, certo?
Acho fascinante!
Pois bem, já que sou um fantoche...
manipulado pelo sr. Craig...
o mínimo que ele pode fazer é me dizer algo mais...
sobre o papel que me destinou a representar.
Gostaria que fosse fácil.
Tentar recordar um sonho é como...
estar no meio de uma tempestade à noite.
Ocorre um relâmpago e tudo se ilumina de repente.
O que vê então?
Uma coisa realmente horrível. Pego Sally selvagemente.
Não vai conseguir. O sr. Grainger me protege.
Mas não terei a oportunidade. Você vai sair logo.
De repente.
- Tem certeza? - Absoluta.
Ótimo! Então sugiro que Sally fique para jantar...
para quebrar a profecia.
Boa sugestão.
- Vou perguntar à mamãe. - Eliot leva vocês de carro.
Mãe!
Vamos, Sally! Boa tarde, sra. Foley!
Desculpem a invasão...
É o aniversário do seu tio. É seu padrinho.
Eu sabia que você estava aqui.
Vamos, está ficando tarde!
Não posso! Faço parte do sonho do sr. Craig!
Oh, como vai? Divirtam-se!
Seu tio é muito suscetível! Vamos!
Mas o sr. Craig ia me pegar selvagemente!
Ele arranja outra.
Almoçamos juntos na terça-feira.
Assim é melhor pra você e para o sr. Craig, mãe.
Eu realmente não sei o que dizer?
Me surpreende o sr. Craig não ter lembrado a mãe de Sally.
A mim parece que deveria ser lembrada!
Ora vamos, doutor!
Mesmo que ele tivesse dito que ela estava chegando...
e descrevesse a sua roupa com exatidão...
ainda assim, continuaria não acreditando.
Bem falado, querido!
É inquietante. Daqui a pouco vou ficar...
tão crédulo quanto vocês.
Sr. Craig, quanto mais cético fica o doutor, mais eu acredito.
Obrigado.
Doutor, poderia me explicar...
um acontecimento que me deixou intrigada?
Posso tentar.
Tudo começou depois do meu noivado.
Foi num dia 9 de abril.
Lembro-me do dia porque era o aniversário do Peter.
Estava difícil escolher um presente para homem.
Eles sempre parecem já ter tudo que querem.
- Olá querida! - Olá!
Podem trazer.
- O que é isto? - Uma coisa à toa.
Coloquem sobre o sofá.
- O que é? Uma pipa? - Por que você não abre e vê?
Tá. Prepara uma bebida pra nós.
Será que é o seu retrato?
Não. Imaginei que você gostaria...
de olhar para si mesmo.
- Querida, é uma beleza! - Gostou mesmo?
É melhor que aquele horrível que a sua tia lhe deu.
Sim, era horroroso, mas eu não podia rejeitá-lo.
Este é magnífico!
Onde você o encontrou?
Em Chichester. É caríssimo. Feliz aniversário, querido!
- Com foi a viagem? - Veio... me deu uma carona.
Não fale, deixa eu advinhar... Teu antigo namorado.
Exatamente.
O que esse homem vai fazer quando a gente se casar?
Gosta de caça pesada, não?
Não. Ele não consegue acertar nem num coelho.
Então é um fresco.
Modere essas as palavras. Eu tenho carinho pelo Guy.
Mantê-lo ligado a você faz inflar seu ego feminino.
Melhor seria você ter um cachorro.
Um cachorro não dirige um Bentley.
É, pode ser.
Que tal?
Muito profissional.
Fico feliz de ver que voce vai ser útil na casa.
Belo casal!
- O que foi? - Nada...
Tive a impressão de ter visto algo.
- O quê? - Não faço idéia.
Um homenzinho dessa altura assim?
- Esteve bebendo? - Um gole de cerveja.
Acho que fui muito generosa!
Também acho. É muito bonito.
Que tal sair esta noite, gastar um pouco de dinheiro?
Por que não?
- Por mim, a gente continuava. - Já dançamos bastante.
- Querido, está preocupado? - Não. Por quê?
Esteve alheio a noite toda.
Deve ser o calor.
- Tem certeza de que não há nada? - Não há nada.
Percebe-se que há algo.
O que é?
- É uma coisa doida. - Não faz mal. Me conte.
Bom, é esse espelho que você me deu...
Tem algum truque nele?
Não, claro que não. Por quê?
Bom, enquanto eu me vestia, ao dar o nó na gravata...
vi que o reflexo não estava normal.
Como assim?
Bem, a imagem no espelho era de um outro ambiente.
- Querido...! - Sim, é uma loucura.
E a coisa não durou mais que um instante.
Com certeza foi uma ilusão de ótica.
Devida ao espelho, sem dúvida.
Durante as semanas seguintes estivemos procurando uma casa.
Encontramos uma em Chelsea.
Estavam sendo feitos os preparativos para o casamento.
Percebi que o Peter andava preocupado e irritável.
Eu achava que era por causa do casamento.
Mas eu estava ocupada demais para ficar pensando nisso.
A Helen está com rubéola.
Tenho que arranjar outra testemunha.
Temos muitos candidatos.
Os Laughton nem precisam vir.
Há certos presentes que são horríveis!
Dariam para montar uma câmara de horrores.
Aliás, quando virão os tapeceiros?
Não sei. Ainda não telefonei.
Ora, querido! Eu me encarregando de tudo...
e você se esquece de dar um simples telefonema!
Pelo amor de Deus, não me irrite!
Desculpe, eu não devia ter dito isso.
O que você tem? Faz dias que anda irritado.
Eu não sei.
Não tenho dormido muito bem.
Me perdoe, querida.
Não foi nada. Esqueça.
Ouça, querido, eu percebo que você me esconde algo.
O que é?
Bom, se você quer saber, é aquele espelho.
Lembra da primeira vez que te contei? Agora está pior.
Muito pior.
Toda vez que olho, vejo aquele outro quarto.
Isso me deprime. Prefiro não falar a respeito.
Mas devia falar.
Não é bom guardar os problemas.
Bom...
a princípio, com algum esforço de vontade...
o reflexo voltava ao normal.
Mas, ultimamente, por mais que eu me esforce...
a imagem não muda mais.
O jeito é tentar não olhar.
Mas a questão é que a coisa também me fascina.
Sinto como se o quarto que aparece no espelho...
tentasse me... me chamar...
me puxar pra dentro dele.
É quase como se tornasse o verdadeiro quarto...
e o meu próprio quarto fosse imaginário.
E eu sei que alguma coisa me espera...
do outro lado do espelho.
Algo mau...
terrivelmente mau.
E se eu passar para o lado de lá...
vai acontecer qualquer coisa horrível.
Vamos nos desfazer daquela coisa.
Você não precisa ficar com o espelho por minha causa.
Eu posso devolver, ou trocar.
O problema não está no espelho, mas na minha mente.
Tem que ser isso!
O espelho não é mais que uma peça de vidro.
Peter... Não sei o que dizer.
Por que não ir a um médico?
Eu fui! Não descobriu nada de anormal em mim.
Devo procurar um psiquiatra.
Que besteira! Você está lúcido!
Não posso estar!
Olha...
custa-me dizer isto, mas...
acho melhor a gente adiar o casamento.
É um tanto drástico...
Ora, não. Imagina se eu fico louco.
Seria um transtorno pra você.
O divórcio demoraria cinco anos.
Realmente, querido, você é muito apressado.
Primeiro tratemos de casar, depois pensamos no divórcio.
Peter, venha comigo.
Olhe para o espelho.
Olhe para o espelho.
O que há, querido?
Piorou ainda mais.
- Você não está alí. - Claro que estou!
Estou lhe dizendo. No outro quarto só estou eu.
Olhe para o espelho e me diga o que vê exatamente.
O mesmo de sempre.
Em vez da minha cama, há uma outra.
Vejo muito claramente.
As colunas têm folhas de videira esculpidas...
com cachos de uva madura.
As cortinas são de seda vermelha.
As paredes são trabalhadas.
Há muito fogo na lareira.
Não adianta.
Estou ficando louco.
Agora vou te dizer o que eu vejo.
Nem madeira lavrada, nem lareira.
Só você e eu no seu quarto.
Ouça-me.
Olhe de novo e vai ver exatamente o mesmo que eu.
Vem!
Venha aqui.
Está vendo o seu quarto agora?
- Não. - Vê a mim?
Não.
É preciso! Se esforce!
Não consigo.
Você consegue, querido, se tentar...!
- Não adianta. - Você pode!
Olha! Aqui estou eu! A seu lado.
Sim.
Sim, aí está você.
Agora posso vê-la.
Viu só? Eu não te disse?!
- Não entendo... - Vamos beber alguma coisa.
Quinze dias depois nos casamos e mudamos para a casa nova.
De qualquer modo, decidimos ficar com o espelho...
pois, como não assustava mais o Peter...
não faria mal.
Mamãe nos convidou para daqui a 15 dias.
É seu aniversário.
Lamento, tenho muito trabalho. Não poderei ir.
Não faz mal.
Ela vai ficar desapontada, mas iremos em outra ocasião.
Você pode ir sem mim.
Sem você não é a mesma coisa.
Você que sabe. Mas por que não lhe faz uma surpresa?
Ela vai gostar de ter um pouco a filha só para si.
Não seja tolo! Ela não perdeu uma filha.
Ela ganhou um filho.
Que bela frase...
Pense nisso.
- Alô - Olá, Peter.
Olá, querida. Fez boa viagem?
Sim. Melhor se você estivesse aqui.
- Sente a minha falta? - Claro. E você?
- Sim. Já vai dormir? - Não, tenho trabalho.
Boa noite, querido.
Boa noite, querida. Até segunda.
Lembranças à mamãe.
- Tá. Boa noite, querido. - Boa noite, querida.
- Seu número, por favor. - Flaxman 6061.
Me ligue com Chinchester 2352.
Obrigado.
- O que há, querida? - Nada.
Mãe, eu gostaria de falar com o sr. Rutherford...
Isto é para a biblioteca. Pode voltar sozinha?
Tudo bem, querida.
Bom dia, sr. Rutherford.
Bom dia, senhorita.... Desculpe, sra. Cortland.
Lembra-se daquele espelho que comprei do senhor?
Certamente! Espero que seu marido tenha gostado.
Sim, muito. Me diga...
Essa cama com dossel...
Ocorreu que comprei a cama e o espelho juntos.
É um caso curioso.
Curioso...?
Bem... talvez eu deva dizer: trágico.
Não creio que seja supersticiosa.
Não. Acho que não.
Então, sente-se.
Tem a ver com certas crenças um tanto medievais...
Por favor, sr. Rutherford, me conte essa estória...
parece-me interessante.
Com prazer.
Essa cama e aquele espelho faziam parte da mobília...
do sr. Francis Etherington...
que morreu em Marsden Lacy, em 1836.
Seus pertences permaneceram intactos, até serem vendidos.
Este é o retrato dele.
Era um homem despótico...
arrogante, imprudente. Belo, mas muito colérico.
Naturalmente, casou-se com uma herdeira rica e bonita.
Estabeleceram-se em Marsden Lacy...
Onde levaram vida normal, por um tempo.
E, de repente, ocorreu a catástrofe.
Durante uma caçada, ele caiu do cavalo...
quebrou a coluna...
e nunca mais deu além de alguns passos fora da cama.
- É terrível. - Sim...
Além do mais, ele era de uma tal energia...
que aquele acidente alterou seu comportamento.
Tornou-se desagradável, amargo, desconfiado.
Sem motivo, acusou a mulher de enganá-lo....
com os amigos, com estranhos, com os empregados.
Ela o amava demais para deixá-lo...
ainda que isso fosse melhor para ela.
Um dia, numa crise de ciúme...
ele a estrangula e senta-se diante do espelho...
aquele seu espelho...
e corta o próprio pescoço.
Que estória horrível...!
E esse espelho não foi usado desde então...
até que eu o comprasse para o meu marido.
Exato.
Peter! Peter!
Peter!!
Ah, você está aí!
Saiu algo errado nos seus planos para o fim de semana?
- Querido, a que se refere? - Você sabe a que me refiro!
Garanto que não tenho idéia do que você está falando.
Claro que não!
É claro que você não pensou que eu perceberia que você...
planejava ir embora sem mim.
Mas eu não sou idiota e percebi o seu jogo.
Querido, pára com isso! Sente-se e me escute...
Não vou sentar!
Eu sei que você quer me manter preso nesta cadeira...
como me prende neste quarto! Mas agora chega!
Não vou ficar preso!
Querido, sente-se e me escute! Você não está bem!
E isso é ótimo pra você e seu amante, não é?
Se pudesse sair deste quarto, eu arrebentava ele todo.
Peter, é o espelho! O espelho causa isso tudo!
Não há nada de errado com o espelho.
Eu sempre olho nele.
Eu me sento aqui, olho para as paredes...
depois olho as paredes diferentes, no espelho.
É isso que eu vim te dizer!
Seu nome não é Etherington! É Cortland! Peter Cortland...
e eu sou sua mulher!
Exatamente! Você é minha mulher.
Mas às vezes se esquece disso!
Então? Qual foi o problema? Por que você voltou?
Deixa eu adivinhar...
Você estava aproveitando o fim de semana com o Guy...
mas ele teve que ir embora. Então você voltou.
Peter, eu não estive com o Guy.
E a minha amizade com ele sempre foi...
motivo de riso pra você!
Sim, eu pensava que havia acabado...
mas agora sei que vocês continuam amantes.
Nunca houve nada e você sabe disso!
Eu fingi que não sabia.
Dia após dia, mês após mês...
enquanto você me expunha ao riso de todos!
Mas agora já chega!
E eu vou te dar o castigo que você merece!
É o espelho! Foi por causa disso que eu voltei!
Pertenceu a um homem doentio que acusava a mulher...
injustamente, como você está fazendo comigo!
Me escute!
Peter! Peter, querido, você está bem?
- Acho que me cortei... - Senta, deixa eu ver isso!
Olha o espelho!
O que houve com ele?
Não se preocupe, querido.
- Podemos consertá-lo! - Não! Está velho e podre.
Deviam tê-lo queimado.
Pobre amiga!
É... uma bebida cairia bem. Pelo menos eu quero.
Mãe, o que você fez com aquela garrafa de schnapps...
que o dr. Van Straaten trouxe?
Está na prateleira da entrada.
Bom, o que dirá o doutor?
Desde a chegada do sr. Craig tenho sido solicitado
a apresentar explicações científicas para tudo.
Não estou habituado a resolver problemas...
complexos com a limitação dos cérebros de vocês.
Parece que desta vez não tem argumento.
Joan também viu o quarto no espelho, tal como Peter.
O testemunho que nos faltava.
Muito bem, já que solicita...
Trata-se de um caso de cripto-amnésia.
A transmissão de uma imagem, partindo de uma pessoa...
a uma ou mais outras pessoas...
emocionalmente sintonizadas a ela.
É um fenômeno conhecido.
Fui claro?
Eu não entendi nada.
Poderia explicar novamente, devagar...
e com palavras simples?
Hamlet estava certo, doutor.
Há mais coisas entre o céu e a terra...
do que pode sonhar a sua filosofia.
E o meu sonho não é apenas um capricho da mente.
É, sim, uma advertência.
Uma advertência contra algo terrível...
que espera por mim nesta casa.
Farei o mesmo que o Grainger. Vou respeitar a advertência.
Vou-me embora agora mesmo.
Craig!
Se for embora agora, estará cometendo um erro.
Estará se colocando à mercê da sua obsessão.
Suplico-lhe que fique e perceba a verdade.
Aconteça o que acontecer, qualquer coisa...
a realidade não é tão terrível quanto você imagina.
Por que não? Vou lhe dizer, doutor:
Algo horrível me espera aqui, talvez a morte.
Craig! Você me pediu que o ajudasse.
Eu acho que posso. Mas só se você quiser.
E se você fizer o que lhe peço que faça.
Enquanto o pavor me ronda?
Não, doutor. Não vou me submeter às suas sugestões.
Vou sair deste lugar, antes que seja tarde!
O que quer beber? Um scotch?
Não, obrigado, estou saindo. Não posso continuar.
Lamento, meu caro. Não o censuro.
Ah, sim, você me despreza. Considera-me um covarde.
Sinceramente, não é isso.
Acredite, estou desolado. Gostaria de ajudá-lo.
- Ninguém pode me ajudar. - Fique só mais um pouco.
- Bom... - Sei muito bem o que sente.
Não é agradável confrontar o sobrenatural.
Me arrepio só de lembrar...
o que aconteceu com dois amigos meus.
Um fato inexplicável.
Naquela época eu frequentava um clube de golfe.
Nossos maiores astros eram George Parratt e Larry Potter.
Jogadores aficionados.
No campo eram rivais encarniçados.
Mas na vida cotidiana eram os melhores amigos.
Até que...
Mary parecia gostar dos dois.
Não dá pra continuar desse jeito.
Ela perturba o meu jogo.
O meu também.
Toda vez que vou bater, vejo o rosto dela.
Eu ouço a voz dela quando balanço o taco.
Assim vai aumentar nosso número de tacadas.
Ela tem que escolher um de nós.
Não tem como. Estamos empatados.
É mesmo.
Você bem que poderia morrer, meu velho!
Ou então você.
- George! Achei! - O quê?
- Vamos disputá-la! - Amanhã, 18 buracos!
- Uma partida? - Quem perder desaparece.
- Pra sempre! - Fechado!
É claro! Que magnífica idéia!
As primeiras tacadas ficaram no empate.
Então a bola do Parratt desviou...
mas voltou com um golpe magnífico.
Aí a disputa ficou encarniçada.
Parratt, Potter, Potter, Parratt...
Até a tacada 17, estavam empatados.
A última tacada era decisiva.
- Quantas, meu velho? - Três.
- E você? - Duas.
Duas?!
Sim! Viu a minha tacada de colher? Muito boa, não?
Magnífica!
Mas ninguém jamais fez isso em duas tacadas.
Não creio que seja possível.
Ah! Não há dúvida. Nenhum erro, hein, Smithers?
Não, senhor. Tudo certo, senhor.
Só duas tacadas.
Parece que vou ter que me esforçar.
Que belo "putt"!
Então?
Vamos ver!
Bem! Aí está!
Grande final para um grande jogo!
Um final no mínimo inacreditável.
Já tendo Mary para si...
Parrot passou a ocupar-se com assuntos sérios.
Não voltou a jogar desde o incidente com Potter.
E precisava praticar.
Propus a ele uma partida.
Pelo que se via, tudo ia bem com ele.
Foi aí que chegamos ao lago.
Bom dia, George.
Continua dando seus trambiques?
Oh, sim! Parece que sim.
Eu voltei do além-túmulo...
pra te assombrar.
Trambiqueiro!
Embrulhão!
Falso! Traidor! Sacana!
Vou te mostrar que aqui se faz, aqui se paga.
Tem que se render às minhas condições, meu velho.
Estes são os meus termos...
E que Deus te ajude nas tuas tacadas.
- Diga-me, Eliot? - Sim?
- Você acredita em fantasma? - Fantasma?
Por Deus, não.
Nem eu.
Aquilo era só o começo.
Para aquele pobre homem atormentado...
só restava um alívio.
Mais um uísque, Fred. Dose dupla.
Pra mim também.
Ei! Pensei que estivesse morto!
E estou, meu velho. Mortinho da Silva.
- Dois duplos, Fred. - Quer um quádruplo, senhor?
Não. Em dois copos, é claro.
Um pra ele.
O Fred não pode me ver. Agora me escute.
Ninguém aqui me percebe. Estou visível só pra você.
Te agradeço se aparecer para um outro.
Nada mal para um principiante. George Parratt, 18 tacadas.
Sua atitude é lamentável!
Menos mal do que dar trambique.
- Que provas você tem? - O registro.
Que registro?
Está no registro dos anjos. Você trapaceou.
Cinco xelins, senhor.
Registro dos anjos! Então eles erraram.
Por que não me deixa em paz? Já se divertiu bastante.
Não vai pensar que a coisa termina aqui.
Isso não foi nada. Um fantasma faz muito mais.
Então vai ficar me rondando pelo resto da minha vida?
Isso mesmo. A não ser que faça um acordo comigo.
De que jeito?
Primeiramente, desistindo da Mary.
Desistir da Mary! Isso é que não!
Ela não é garota para um rapaz trambiqueiro e mentiroso.
Pode até ser, embora me vá partir o coração.
Olha, se você prometer me deixar em paz...
eu desisto da Mary.
Esta é a minha primeira condição. A segunda é...
- você abandonar o golfe. - Abandonar o golfe?!
Nunca!
Você não se dá conta de que desonrou este clube?
Que emporcalhou um esporte nobre?
Que arrastou na lama o nome de St. Andres?
Você devia ser expulso!
Tá certo, tá certo, eu reconheço tudo!
Você tem razão, eu sou um canalha!
Mas como pode me exigir uma coisa dessa?
Me escute,
você também é golfista.
Tem que entender! É a razão da minha vida!
Um anjo...
não pode me exigir isso!
Está certo, meu velho.
Entendo que é demais.
Ah, meu caro e velho Larry! Sabia que ia entender!
Mas tem que terminar com a Mary.
- E você pára de me rondar? - Desapareço de vez.
Pra sempre.
Negócio fechado!
Bom! Vamos brindar!
Não, obrigado. Tenho um encontro com St. Andres.
Então adeus, meu velho. Boa sorte pra você!
Obrigado, George. Adeus!
Qual é o problema?
Errei em algo. Vou tentar de novo.
George...!
Sim?
Esqueci como se faz pra desaparecer.
Como pode ser, meu velho? Isso é inadmissível!
Até aqui tudo certo. Mas, o que vem depois?
Você tem que lembrar.
E a sua promessa, como fica?
Eu sei que se faz assim.
O resto eu esqueci.
Tenta assim.
Não deu certo? Tá. Então assim.
Não adianta, não adianta. Lamento.
Isso é um tormento!
Ter que fazer sumir um fantasma incompetente!
Falha minha. Não concluí o curso de materialização.
Mas você ainda quer se casar com a Mary no sábado!
- Sim, no sábado, exatamente! - E a sua promessa?
Comece você por respeitar a promessa que fez a mim.
Entendo as suas razões, mas percebe o que vai acontecer?
O quê?
Bom, terei que te seguir. Por toda parte!
Por toda parte?!
Sim. A dois metros de distância, conforme o regulamento.
O fato de você ser um fantasma não quer dizer...
que não deve agir como um cavalheiro.
Não se atormente. Vou me lembrar antes do sábado.
Foi incrível! Fiz o "green" em dois toques, ele precisou de três.
- Foi magnífico! - Esta é a taça Wackerbath.
Venci Larry Potter por 7 a 5.
2 a 1, por pura sorte.
7 a 5! Desculpe.
É uma longa estória.
Amanhã você me conta.
Me beije.
George!
- Sim, querida? - Isso não é um beijo!
Eu sei, querida. É que estava com as mãos ocupadas.
Anda com isso, imbecil!
Então?
Já são dez horas!
Como o tempo passa!
Vou me deitar.
Também vou.
Estou cansada.
Eu também.
- Dois metros de distância. - Dois metros!...
É que... eu calculo minhas tacadas.
Calcula?
Calculo sempre à tarde.
Assim não dá!
Eu sei, mas o que você quer que eu faça?
Tenta de novo!
Certo, vamos ver.
Feche os olhos. Pode ser que ajude.
Certo, lá vou eu.
Que há com você?
Não pode enganar um fantasma.
Mas o que a gente vai fazer?
Acabarei descobrindo um jeito.
Há milhões de maneiras e você faz sempre igual.
Qual é a próxima?
O que podemos fazer?! O que podemos fazer?!
Ele conseguiu?
Mas como?
E agora?
Querido...
Querido...
Vou me permitir isso?
Ah, eu vou sim!
Eliot, a sua estória é inacreditável...
e totalmente absurda!
Lamento se não agradou, mas eu não podia ficar de fora.
Não lamente pela estória. Grato por tentar me ajudar.
Você teve êxito onde eu fracassei.
Craig, seu pesadelo começou com essa estória...
da morte de um desconhecido.
- Não é isso? - Isso mesmo.
Muito bem! Na estória de Eliot, Potter se suicida.
Você nunca tinha ouvido falar de Potter, certo?
Nunca. Nunca mesmo.
Ao que parece, nada de horrível chegou a ocorrer.
- Não, não ocorreu. - Está vendo?
Alegra-me ver que está tudo esclarecido.
Agora posso cuidar do jantar.
- Posso ajudar. - Muita gentileza sua.
Ah! Sr. Craig, agora que nos conhece...
não sonhe mais com a gente!
Vamos lá, querida.
É curioso que todos tivemos experiências desse tipo.
Talvez não sejam tão raras.
Ou seja, todos têm seu respectivo fantasma.
- Idéia interessante. - E o senhor tem o seu fantasma?
Bom... Certa vez eu deparei com um caso que me intrigou.
Me intrigou pra valer.
Vocês devem estar lembrados do caso...
de Maxwell Frere, o ventríloquo acusado de...
tentar de assassinar outro ventríloquo, Sylvester Kee.
Meu amigo Maurice Olcott, o advogado que tratou do caso...
pediu minha opinião sobre o estado mental de seu cliente.
Olá, Frere. Este é o dr. Van Straaten.
Está aqui para ajudar no seu caso.
Como vai, sr. Frere? Vi-o atuar em Haia, ano passado.
- Foi muito... - Um médico? Especialista em cérebro, não?
- Psiquiatra. - Dá no mesmo.
Pretende me analisar?
Ver o que tenho no cérebro?
- Um momento, Frere... - Quer me dissecar...
E me exibir aos seus colegas, como um caso interessante.
Não é isso?
Escute, talvez eu possa ajudá-lo...
se o senhor também me ajudar.
Agora, eu gostaria de lhe fazer algumas perguntas.
Não perca seu tempo, doutor. Eu não estou louco.
Não quero sua ajuda. Me basta o advogado.
Só o Hugo pode me ajudar.
O boneco?!
Está apreendido como uma das evidências.
Hugo deveria estar comigo.
Veja...
Ele é mais que um boneco, ele é o meu próprio ser.
Que quer dizer, exatamente?
Deseja saber? Traga-me o Hugo e talvez descubra.
Assim poderá satisfazer a sua curiosidade desenfreada...
destrinchando este caso misterioso.
Pense nisso, doutor.
Me traga o Hugo.
Entende agora?
Muito interessante.
Eu poderia falar com esse Kee?
Não vai ser possível.
Kee é a principal testemunha de acusação.
Fique com seu depoimento.
Talvez esclareça algo.
Conheci Maxwell Frere pela sua fama.
Era muito respeitado em nossa categoria.
Faz um ano que o encontrei pela primeira vez...
quando atuava no Chez Beulah, em Paris.
Senhoras e senhores, há algum francês no recinto?
Ao que parece estão cada vez mais escassos.
- Sylvester! Sylvester Kee! - Olá, Beulah!
- Por onde andou? - Estados Unidos.
Acabo de chegar.
- Como vão os negócios? - Muito bem, dá pra notar.
Você está radiante! Como as luzes da Broadway.
Diga-me, esse rapaz, o Frere, é dos bons mesmo?
- Ah, sim! - O que ele tem que eu não tenho?
O boneco. Ainda não o viu?
Que estamos esperando? Venha ver.
Se lutássemos no Coliseu estaríamos perdidos.
Coliseu? Ruínas? É demais pra mim.
Maxwell, essa aí não, essa aí não!
Não seja tímido, a senhora não morde.
Ela não, mas eu posso mordê-la.
Me diga, menina, onde será que já nos vimos antes?
Como?
Parece estar dizendo que você lhe agrada.
Será seu amante?
- Que gracinha! - Está dizendo que sou seu amante.
Não a vi antes no Folies Bergères?
Tenho certeza de que já a vi no Folies Bergères.
O rosto da dama é familiar?
Você acha que eu vou ao Folies Bergères...
pra ficar olhando rostos?
Ei, Maxwell, melhor não despertar estes dois.
Posso ler os pensamentos dela.
Ler seus pensamentos? Isso é clarividência!
Clarividência!? Boa noite, Claire.
Maxwell, acho que chega.
Não quero trabalhar aqui amanhã à noite.
Vamos ver outro. Aquele com cara de estúpido.
Ora, vamos! Ele não é mais estúpido que eu.
Ah, isso é impossível mesmo!
Olá, estrangeiro.
Gosto dos amigos americanos. Em geral são inteligentes.
Vamos ver se sabe. Tenta traduzir isto:
cloc cloc cloc cloc...
cloc cloc cloc cloc...
Você pôs um ôvo, Frere?
Ah, não. Não fiz coisa alguma.
Então, pode me dizer o que está ocorrendo aqui?
Hugo, é melhor mudar de assunto. Ele é ventríloquo.
Você quer dizer um "locuo"?
Não. Eu disse ventríloquo.
Um desses que fazem os bonecos falarem, como nós?
Isso mesmo.
Ora, ora, ora.
É verdade o que ele disse?
- Acho que sim. - Você me interessa.
Me interessa muito.
Nós dois juntos faríamos uma bela dupla.
Muito bem, Hugo. Que tal uma dupla com o Frank?
Frank!
Maxwell, não estou com vontade de cantar.
Comporte-se! Quer desapontar o público?
Um pássaro numa gaiola de ouro, é o que sou.
Vá pro inferno!
Ora vamos! Está pronto?
Um, dois, três.
Quatro, cinco, seis. Tem alguém nos observando.
Hugo, eles estão esperando.
Ah, sim, é verdade!
Olha só, você canta no meu lugar.
Eu vou falar com o ventríloquo.
Posso me aproximar?
Claro! Venha para cá!
Vamos lá, estrupício!
Sente-se.
Bom! Posso lhe oferecer uma taça de champanhe?
Que pensa que eu sou? Um barco, um navio?
Vou lhe dizer uma coisa, você me agrada.
- Como se chama? - Meu nome é Kee. Sylvester Kee.
Sylvester, pode me chamar de Hugo.
Obrigado, Hugo!
- Este é o meu assistente. - Muito prazer, sr. Frere.
É um sujeito muito tacanho.
Sr. Sylvester, gostaria de trabalhar comigo?
Gostaria muito, Hugo. Mas...
Mas o quê?
Bom, e quanto ao sr. Frere? Não está contratado com ele?
Ele? Sou livre para fazer o que quero...
e estou a ponto de mandar embora este canastrão.
Que indigno! Sabe que vai me pagar, não sabe?
Sim... eu sei.
Senhoras e senhores, Hugo e eu somos velhos amigos.
Velhos e bons amigos! Velhos e bons amigos!
Isso mesmo, só que às vezes temos nossas pequenas rixas.
Diz que temos rixas?
Ele se julga o protagonista do número.
Bom, em certo sentido pode ser.
Cumprimente o público, temos que ir.
Claro, claro! Mas vai me levar para aquele camarim?
Sim, qual é o problema?
Eu pedi dois sidecars e o maluco entendeu "motos"!
Sidecars! Motocicletas!
Bom! Boa noite senhoras e senhores!
Bon soir madames! Bon soir monsieurs!
Diga boa noite ao público.
Boa noite! Durmam bem. Acordem sem ressaca.
Agora, madames et monsieurs, vou cantar para vocês...
- Silvester...! - a "Hala Luba".
Silvester...! Te espero no camarim...
precisamos falar de negócios.
Onde fica o camarim do sr. Frere?
- Ali, monsieur. - Obrigado.
- Quem é? - Sylvester Kee.
Entre!
Alegro-me em vê-lo, Sylvester!
Sirva-se de um drinque e falemos de negócios!
Obrigado, amigo, vou me servir...
mas creio que possa dizer-me onde encontro o sr. Frere.
Não há de estar muito longe.
Ah, não quer falar, hein...
Queria me ver?
Bem, eu...
Parece que fui convidado por este jovem amigo.
E, afinal, sr. Frere, também sou ventríloquo...
Caramba, estou todo molhado!
- Há uma toalha no lavatório. - Obrigado.
Desculpe, mas não suporto que toquem nele.
Tudo bem. Esqueça.
Que técnica você usa com a voz do Hugo?
- Técnica? Eu apenas... - A que usou agora mesmo.
Eu podia jurar que ele falava mesmo comigo.
Estou admirado!
O que ele disse a você?
Ora, faz favor!
- Falou de vocês dois. - Sim, conforme você sabe.
Você não...?
- ...não faria isso, não é? - O quê? Não entendo.
O que ele propõe.
Deixa disso, você não está em cena.
Como posso trabalhar com o Hugo? Ele é seu, não é?
Sim, exato. É meu.
Acha que sou desses que roubam a arte dos outros?
Não tem mistério... Eu não te desmereço, mas...
você não sabe do que o Hugo é capaz.
Saber, não sei, mas vi hoje uma bela demonstração.
Este boneco é uma obra-prima.
- Parece quase humano. - Você disse "quase"?
Isso mesmo. Como se pensasse por si.
Maxwell, esse camarada é tão estúpido quanto você.
Talvez deva lhe explicar a situação.
Não! Fica quieto.
Kee, não leve a mal, mas estou muito cansado.
Claro. Eu entendo.
Ignore-o, Sylvester. Simplesmente ignore-o.
Sou eu quem dá as ordens aqui.
- Hugo, por favor! - Cale-se!
- Ouça, meu amigo... - Não, Hugo, não!
Pra que esse espetáculo?
Vá embora. Deixe-nos.
Saia. Fora daqui.
Tudo bem, tudo bem. Estou indo.
Seria bom você procurar um tratamento.
Boa noite!
Espere, amigo. Não me deixe aqui!
Me leve com você. Maxwell, me solta!
Por favor, me deixa! Por favor! Por favor!
Este homem está totalmente louco. Totalmente!
Depois daquela conversa, tive a certeza de que...
ele não estava em seu juízo normal.
Não voltei a ver Frere, até a noite de 2 de fevereiro.
Eu tinha acabado de chegar a Londres.
Hospedei-me no Hotel Imperial Palace.
Pouco antes das onze...
eu fui ao bar. Frere estava lá.
- Opa! Como vai, homem? - Olá.
Estive com o Joe. Está chateado com você.
Não faz mal. É que saímos do show.
É? Mas o que houve?
Ele não gostou. Prefiro não falar disso.
- Jack, mais um. - Certo, amigo.
Um scotch.
Rápido, gente, só temos cinco minutos!
É verdade. O que vão beber, meninas?
- Whisky sour. - Eu também.
- Três whiskys sours, Jack. - Olha lá, é o Maxwell Frere.
- O ventríloquo. - Nunca o vi antes.
- Aquele é o seu boneco? - Sim, o Hugo. Uma gracinha!
Adoraria falar com ele.
Ora essa! o homem está de porre.
Você sabe muito bem que estou falando do boneco.
Vá lá!
- Quero ver! - Não seja tímida. Vá lá!
Muito bem.
Sr. Frere, espero que não se incomode, mas, ele tão lindo!
Sem chance, garota. Fora de questão.
Seu safadinho!
- Vamos lá. - Saia ou te quebro a cara.
Ei, Maxwell, essa piranha está querendo me pegar.
Seu bêbado sujo!
Viu do que ele me chamou?
Deixa pra lá, tome um drinque.
Vai deixar que eu seja insultada desse jeito?
Está bem.
Peça desculpas a esta dama.
Que disse?
Você insultou esta dama. Tem que se desculpar.
Eu lhe asseguro, não tinha a mínima intenção.
Dama? Ha ha, que dama?
Maxwell, está vendo alguma dama?
Vai pedir desculpas como um cavalheiro...
ou vou ter que obrigá-lo?
Quem pensa que é? Quem manda aqui?
- Foi você que pediu. - Não, por favor, senhor!
- Pare! Ele está bêbado! - E você com isso?
Eu disse pra parar. É melhor ir embora.
Não adianta perder a calma.
- Tudo bem, Frere? - Hugo...
Vamos, meninas, vamos embora.
Pronto, aqui está ele.
Ah! é o meu velho amigo Sylvester.
Assim é melhor!
- Boa noite, Jack. - Prontos pra outra!
- Está hospedado neste hotel? - Apartamento 791.
- Já estou bem. - Claro, claro.
Vou acompanhá-lo até o seu quarto. 791.
Não dá pra continuar assim.
Nada dá certo. O trabalho com o Joe...
- Quer acabar comigo. - O Joe é assim mesmo.
Está furioso, mas o Joe...
Você pensa que... Essa é boa!
Muito engraçado mesmo!
Não estava falando do Joe.
Não entendo.
Não? Então vou explicar.
Você acha que eu estou de porre.
Bom, você bebeu algo além de água.
Bela tirada.
Em meu lugar, você também beberia.
E muito.
Ficaria louco.
Por que não tenta dormir um pouco?
Que lhe importa se eu durmo ou não?
Bom...
Não sou tão estúpido quanto você pensa, Sylvester Kee.
Lembro-me do que ocorreu em Paris. Sei o que você quer.
Mas se deu mal.
Você está é louco.
Saia deste quarto.
Vá embora!
Vá embora deste hotel, antes que eu dê parte!
Se acalme! Também estou hospedado aqui.
- Camareiro! - Se acalme, se acalme.
Acha que é muito esperto, não é?
Mas não perde por esperar.
Vai se lembrar de mim, vai pagar.
Se meu boneco me fizesse o mal que você faz ao seu chefe,
eu me livraria dele.
Já vai, já vai!
- Onde está ele? - Quem? O que está dizendo?
Onde está ele? Você me roubou.
Se está falando do Hugo, eu o deixei na sua cama.
Agora, por favor, saia e me deixe dormir.
Está aqui. Sei que está.
Saia ou te ponho pra fora!
Não...! Não... espere...
Seu ladrão nojento, isso é meu!
Seu ladrão nojento, isso é meu!
Que lhe parece?
Bem... antes de me comprometer,
preciso falar com Frere de novo.
- Que espera conseguir. - Isso depende de você.
- De mim? - De sua persuasão junto à polícia, quero dizer.
Já que com o Frere nada vou conseguir.
Então com quem?
Se estou na pista certa, com Hugo Fytch.
Hugo Fytch?!
Eu sabia, Hugo...
que você ia voltar.
Não por muito tempo, meu jovem, não por muito tempo.
Vai ficar na cadeia por anos e anos e anos e anos...
Mas eu não.
Mas você vai contar a verdade. Que sou inocente.
- Foi você que atirou. - Mas em legítima defesa.
- Ele queria roubar. - Diga isso ao juiz.
Pobre Sylvester! Um belo companheiro!
Parece que está melhor. Logo sairá do hospital.
- E daí? - Bom, vou precisar de outro parceiro.
Hugo! Não pode ser! Está brincando!
Claro que não. Penso na minha carreira.
Não vai me fazer uma dessa!
Não acredito! Não faria isso comigo!
Ah, você acha? Você acha?
Hugo, não vou permitir.
Você não pode fazer nada. Você acabou.
Acabou.
Não se eu disser que você me obrigou.
Experimenta. Vão te mandar pro hospício.
Mas não o pequeno Hugo.
Vou trabalhar com o Sylvester e talvez venhamos te visitar.
Sabe como é. Um show privado, só para você.
Maxwell, não se exalte, eu estava brincando.
Você me conhece.
Alerta aqui!
Frere, estúpido!
Abra aqui! Rápido! Abra esta porta!
Rápido!
Vocês têm certeza?
Depois do que lhe aconteceu,
voltar a me ver pode não ser o mais aconselhável.
É nossa responsabilidade, sr. Kee.
- É aqui. - Um instante.
Estou inseguro. Ele pode se impressionar.
Justamente.
Ele precisa se impressionar.
É arriscado, mas é a nossa única esperança.
- Não sei... - Está pronto?
- Bem, vocês são os médicos. - Obrigado.
Ele fica assim o tempo todo.
Frere, alguém deseja vê-lo.
Olá, amigo. Como vai indo?
Lembra-se de mim? Eu sou Kee. Sylvester Kee.
Olá, Sylvester. Estava esperando por você.
E continua lá.
Um dos mais complicados exemplos de...
desdobramento de identidade, já registrados.
O senhor quer dizer que a parte volitiva de Frere...
manifestava-se através do boneco.
Exatamente.
E, por fim, o boneco prevaleceu.
Mas de que jeito o boneco passou para o outro quarto?
Frere fez isso sem se dar conta.
Impelido por sua parte psíquica dominada por Hugo.
Esta é a explicação científica.
Não duvido que vocês preferissem...
que Hugo fosse dotado de uma existência independente.
Desculpe...
O George está morrendo outra vez.
Começou...
Está tudo bem. Nada começou, ninguém vai morrer.
George não é um homem. É um gerador.
Somos todos seus amigos. Não há nada a temer.
- Queremos ajudá-lo. - Não podem.
Preciso ficar a sós com o dr. Van Straaten. Por favor!
Talvez seja melhor.
- Pode me trazer as lentes de substituição? - Sim, doutor.
Agora, Craig, eu aceito o seu sonho.
Minha função é ouvir, e a sua é falar.
Apenas libere seus pensamentos.
Fale em voz alta.
Diga tudo que lhe venha à mente.
Eu tinha que ter ido embora...
quando ainda era dono de mim mesmo.
O senhor me segurou aqui. Nunca deveria tê-lo feito.
Por quê? Qual é esse ato terrível a que é impelido.
Matar alguém que nada me fez de mal.
Que me considera.
Alguém indefeso.
Porque está no escuro.
Doutor... Por que teve que quebrar as lentes?
Preciso me esconder!
- Vamos brincar de outra coisa? - Sim, de esconder!
- Quem se esconde? - Eu, eu me escondo!
O sr. Craig vai se esconder!
Um, dois, três, quatro, cinco...
- Peter! - Saiu algo errado em seus planos?
Por favor, me deixe esconder no quarto do espelho!
No quarto do espelho...
Está aqui!
Está aqui em cima!
Acomode-se, otário.
- Algum problema, otário? - Parece que não está bem.
- Precisa ir ver um médico. - Talvez já tenha feito isso.
Quem diria! Fizemos o show diante de um assassino.
Tem algum policial aqui?
Ainda tem um lugar, senhor.
E agora?
Querido, é hora de acordar.
- Outro pesadelo. - Pobrezinho!
Só um momento.
Querido.
Aqui é Walter Craig. Querida, meus pés...
Da parte do Bill? Bom.
- Seu nome? - Eliot Foley
F - O - L - E - Y
Sim, e o lugar é Pilgrim's Farm.
- Quem era? - Um amigo do Bill.
Me convidou para o fim de semana...
num velho casarão em Kent.
Eliot Foley... Pilgrim's Farm...
Isso me lembra algo.
Um fim de semana no campo, eu topava.
Cara ou coroa. Cara eu vou, coroa não vou.
- Cara! - Eu vou.
É disso que você precisa. Esquecerá os pesadelos.
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